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O trabalho da Teresa é muito como ela própria. O que se espera de cada artista é que nos revele o seu universo próprio. A Teresa Fá-lo sem qualquer tipo de censura. Quando se “atira” a um trabalho fá-lo com o entusiasmo de uma criança e com o prazer com que elas brincam. A teresa é uma autodidacta que gostaria de ter uma formação artística académica para poder estar mais certa do que faz. Claro que se assim fosse talvez já não fizesse o que agora faz e bem. Procura na praia pedras que lhe sugiram personagens. Personagens que não sofrem na cara a censura que a socialização a todos nos sujeita. “Quando olhamos as pinturas feitas nestas pedras, depois de integradas em caixas negras, ganham vida” diz a Teresa. De facto, assim é. Estas caras, estas personagens falam-nos de emoções, trejeitos, tipos que encontramos ao longo da vida. São pedras que ditam à Teresa quem são. E a Teresa apenas as trás à vida. Com cores carnavalescas, violentas de luz, e cheias de contrastes. O negro e o vermelho entram sempre. Ou não fosse próprio de todos nós a fixação por algumas cores. Contudo, depois, invocam todas as outras sem qualquer tipo de avareza. São máscaras que aqui assumem o seu universo. Não escondem a identidade de quem as usa mas antes revela-a. São personagens dum mundo que a Teresa parece querer mostrar na sua multiplicidade e riqueza. Pedras, pesadas, difíceis de transportar e incómodas para trabalhar, tornam-se em personagens vivas que nos confrontam quase como espelhos múltiplos de todos nós. A Teresa parece querer construir com a sua artesania esse truque de magia que Miguel Torga consegue quando nos faz ter “o sorriso das pedras”. Também ela faz as pedras incorporarem-se tanto em nós, falando-nos como lhe falaram a ela, desde o primeiro encontro na praia. O nosso Pessoa queria guardar as pedras todas do caminho para um dia construir um castelo. A Teresa apanha-as todas para encher o reino de personagens. Carregar as pedras, lavar as pedras, pintar as pedras, para lhes dar vida é tarefa que no dizer da Teresa lhe dá imenso prazer. Espero que quem as veja tenha o mesmo prazer. E, Teresa não te esqueças de não deixares de te divertires. 19/07/2015 Domingos Júnior (arquitecto)

Personagens, Teresa Ricca  

Exposição temporária de pintura sobre xisto inspirada em máscaras e pinturas faciais do Mundo, na Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso...

Personagens, Teresa Ricca  

Exposição temporária de pintura sobre xisto inspirada em máscaras e pinturas faciais do Mundo, na Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso...

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