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Aparicio Farinha

caleidoscópio Exposição temporária de pintura


Caleidoscópio As imagens chegam a uma velocidade incrível. É um erro pensar que a pintura do Aparício Farinha viva só dessas imagens, pois é um trabalho minucioso que nos remete para acontecimentos pessoais e coletivos. É um caleidoscópio de vida, muito legível no trabalho. As vivências dos quadros são uma renovação visível dos acontecimentos das últimas décadas. Os exemplos da história de arte ficam selados em ilustrações vigorosas. As cores fortes fazem o contorno necessário à comunicação da pintura. Os quadros são numa linguagem pictórica crua o que os transporta para outro tempo. A verdade é que a política e as artes estão presentes neste grito. Albuquerque Mendes 2018


Ágora, 2016 Acrílico s/tela 900 x 1200 N. INV. 1655 Colecção da Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro


Indagações no experiencialismo. A Arte de nos questionar em Aparício Farinha. The eyes of others our prisons; their thoughts our cages. Virginia Woolf Em Aparício Farinha encontro a essência do que tenho vindo a reflectir há algum tempo: como pode a Arte questionar, narrar, ou retratar algo num momento tão distorcido e mediático como o é hoje e ser, em simultâneo, reflexo contextualizado do mesmo Tempo, sem que isso a condene ao espartilho do presente. Olhos… pensamentos… a visão como transporte de um pensamento que se materializa, sem condicionantes, antes a subtileza de exprimir de novo, o repetível acontecimento ou personagem, que se revive para compreendermos, reflectindo e escrutinando o Mundo e o Ser. Sendo que o mais importante no Mundo de hoje é a Comunicação, prossupondo um diálogo entre o artista e o público – sempre necessário em qualquer momento – mas premente no contexto actual onde emissor e receptor alteram e a obra é o veículo e vector da mensagem. Quanto à produção artística, assistimos, no meu entender, a uma tendência para uma arte experiencial, não inocente. A Arte tem de comunicar e, nesse acto, o Artista constrói e desconstrói patrimónios tangíveis e intangíveis de Memória. Aparício Farinha usurpa palcos para a sua mise-en-scène, numa panóplia de aproveitamento de recursos estonteante, apropriando-se dos próprios conceitos actuais de reaproveitamento. O resultado final é tudo menos essa simplificação do imediato, porque explora subtilmente a tridimensionalidade e a metamorfose da matéria, fundindo a mensagem ao veículo, tão intrinsecamente que comunicam em uníssono. O Experiencialismo é tão-só isto! E a urgência? Mais do que num qualquer passado, indagar é premente! Parafraseando novamente Virgínia, Sou Snob?, estarei enredado de esta matéria da visão que me enruga o entendimento ou busco simplesmente na Arte a desconstrução da realidade em busca de um Tempo que pretendo viver com o discernimento que a actualidade pressupõe iminentemente perdido… Definitivamente, acredito na Arte em um determinado momento, concentrado na Vida que pulsa no seu hoje. Desconstrução evolutiva de um entendimento pictórico que traduza indagações incontornáveis para nos percebermos… simplesmente, experienciarmo-nos, penetrando-nos de vivências e materialidades, ambicionando a orgástica utopia de nos alcançarmos! E novamente Virgínia Woolf: This soul, or life within us, by no means agrees with the life outside us. If one has the courage to ask her what she thinks, she is always saying the very opposite to what other people say. A Arte em Aparício Farinha emociona essa Alma, essa Vida dentro de Nós. J. M. Vieira Duque, 2018


Tributo a Frida, 2017 Acrílico s/cartão moldado 330 x 240

"Yo solía pensar que era la persona más extraña en el mundo, pero luego pensé, hay mucha gente así en el mundo, tiene que haber alguien como yo, que se sienta bizarra y dañada de la misma forma en que yo me siento. Me la imagino, e imagino que ella también debe estar por ahí pensando en mí. Bueno, yo espero que si tú estás por ahí y lees esto sepas que, sí, es verdad, yo estoy aquí, soy tan extraña como tú". “Eu costumava pensar que era a pessoa mais estranha do mundo, mas então pensei, há muita gente no mundo, tem que existir alguém como eu, que se sinta bizarra e danificada da mesma forma que eu me sinto. Consigo imaginá-la, e imagino que ela também deve estar por aí, pensando em mim. Bom, eu espero que se estiveres por aí a ler isto, saibas que, sim, é verdade, eu estou aqui e sou tão estranha como tu.” Frida Khalo


Oeste: Terra de vinhedos e mar, 2017 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 360 x 560


“Yesterday All my troubles seemed so far away Now it looks as though they're here to stay Oh, I believe in yesterday” “Ontem Todos os meus problemas pareciam tão distantes Agora parece que eles vieram pra ficar Oh, eu acredito em ontem”

Yesterday, 1965 The Beatles


The Beatles, 2018 Acrílico s/cartão moldado 560 x 360


Rosto resignado, 2018 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 560 x 360


“If I had a world of my own, everything would be nonsense. Nothing would be what it is, because everything would be what it isn't. And contrary wise, what is, it wouldn't be. And what it wouldn't be, it would. You see?” “Se eu tivesse um mundo só meu, seria tudo sem sentido. Nada seria o que é, porque tudo seria o que não é. E, ao contrário, o que é, não seria. E o que não seria, seria. Entendes?” Chapeleiro Louco Lewis Carroll, Alice no Pais das Maravilhas


O chapeleiro louco, 2018 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 560 x 360


Português still 1, 2017 Acrílico s/cartão moldado 560 x 360


Português still 2, 2017 Acrílico s/cartão moldado 560 x 360


“Crezcan como buenos revolucionarios. Estudien mucho para poder dominar la técnica que permite dominar la naturaleza. Acuérdense que la revolución es lo importante y que cada uno de nosotros, solo, no vale nada. Sobre todo, sean siempre capaces de sentir en lo más hondo cualquier injusticia cometida contra cualquiera en cualquier parte del mundo. Es la cualidad más linda de un revolucionario.” “Cresçam como bons revolucionários. Estudem muito para poderem dominar a técnica que permite dominar a natureza. Lembrem-se que a Revolução é o importante e cada um de nós, sozinho, não vale nada. Sobretudo, sejam sempre capazes de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais linda de um revolucionário.”

Che Guevara Carta del Che a sus hijos, 1965


Che, 2018 Acrílico s/cartão moldado 330x 270


Mulher sentada em tons de azul, 2016 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 560x 360


“即使我們的工作得到了極其偉大的成績,也沒有任何值得驕傲自大的理由。虛心使人進步, 驕傲使人落後,我們應當永遠記住這個真理。” “Mesmo que o nosso trabalho tenha alcançado resultados extremamente bons, não há motivo para ser orgulhoso e arrogante. A humildade faz com que as pessoas progridam, e o orgulho faz com que as pessoas fiquem para trás. Nós devemo-nos sempre lembrar dessa verdade.” Mao Tsé Tung


Mao, 2017 Acrílico s/cartão moldado 465 x 265


Tempo intímo, 2017 Acrílico s/cartão moldado 560x 360


“O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm. E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.” Fernando Pessoa Autopsicografia, 1931


Pessoa, em tons de verde, 2016 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 380 x 270


Pascoaes, em tons de vermelho, 2016 AcrĂ­lico s/cartĂŁo moldado 380 x 270


“Avisto sempre, na paisagem, uma forma concreta ou revelada e outra, a revelar-se vagamente. É assim o nosso rosto: um desenho e um esboço, a imagem definida a indefinir-se numa expressão misteriosa. A estátua esconde o estatuário; e o ser a sua razão de ser. O conhecido emerge do ignoto, onde o nosso instinto abre os olhos subterrâneos, que transformam a treva em claridade.” Teixeira de Pascoaes O Homem Universal, 1993


No tempo em que as ĂĄrvores falavam, 2017 AcrĂ­lico s/tela 800 x 1000


No tempo em que as ĂĄrvores falavam 2, 2018 AcrĂ­lico s/tela 800 x 1000


Paisagem outonal, com bĂŠtulas, 2017 AcrĂ­lico s/tela 700 x 500


Rio Gerês, nas termas (outono), 2017 Acrílico s/tela 500 x 700


Rochas, na baixa mar, 2016 AcrĂ­lico s/tela 500 x 700


O Artista Desde criança, que sempre gostei de desenhar e pintar. Durante os estudos universitários, executei diversas caricaturas de colegas para os seus livros de curso, apesar da minha formação, ser na área técnica – engenharia civil – nomeadamente em desenho técnico. Durante toda a minha vida profissional e em férias, viajei e visitei os mais conhecidos museus de arte, de todo o mundo e exposições dos maiores autores universais, exibidas em diversos anos. Fui também adquirindo e lendo literatura sobre arte e frequentando cursos de arte portuguesa e universal, nomeadamente, em Serralves e Universidade do Porto. Entretanto, ia pintando esporadicamente, quando necessitava de me exprimir, para dar satisfação ao meu ego. No final do século XX decidi fazer aprendizagem de pintura, nomeadamente a sua técnica, frequentando os atelieres livres da Árvore - Porto e cursos livres da Faculdade de Belas Artes do Porto. Desde essa data, comecei a pintar regularmente, por prazer e sem intuitos comerciais. Comecei também a expor colectivamente. Incentivado, realizei em 2005 – já lá vai mais de uma década – a minha primeira exposição individual de pintura, no Fórum da Maia, terra da minha naturalidade. A partir daí, já realizei cerca de uma vintena de exposições individuais e mais de centena e meia de exposições colectivas. E continuo pintando, agora que estou reformado, por prazer e por gostar de ARTE. Aparicio Farinha


Ficha Técnica: Curadoria: Vieira Duque, Conservador e Membro da Comissão Executiva Edição: Fundação Dioníso Pinheiro e Alice Cardoso Pinheiro Design: Joel Almeida Catarina Marques Fotografia: Lauren Maganete Textos: Albuquerque Mendes Vieira Duque


Praรงa Dr. Antรณnio Breda, nยบ4 3750-106 รgueda Telefones: (+351) 234 623 720 | (+351) 234 105 190 (+351) 913 333 000 Fax: (+351) 234 096 662 www.fundacaodionisiopinheiro.pt info@fundacaodionisiopinheiro.pt conservador.museu@fundacaodionisiopinheiro.pt https://www.facebook.com/fundacaodionisiopinheiro/

caleidoscópio, Aparício Farinha  

Catálogo da exposição temporária individual de Pintura: caleidoscópio, de Aparício Farinha, na Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pi...

caleidoscópio, Aparício Farinha  

Catálogo da exposição temporária individual de Pintura: caleidoscópio, de Aparício Farinha, na Fundação Dionísio Pinheiro e Alice Cardoso Pi...

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