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Ano 11

Matéria Campolina Pernambuco movimentado

Loteria do Momento Campeã das Campeãs Nacional de Marcha 2016

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nº 34

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MAIO/2018

Gastronomia De Comer Rezando


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Índice Entrevista

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Gastronomia

Haras Ventania

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Matéria

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Campolina Pernambuco movimentado

Nacional

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Opinião do criador

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O efeito manada na criação do cavalo Campolina Cultura

44

Nacional Campolina bate recorde de público e qualidade racial Matéria

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Livro de cabeceira

Summer Wind mais uma vez surpreende os campolinistas Campeões

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Capa

De comer rezando

Os melhores da raça

Loteria do Momento Campeã das Campeãs Nacional de Marcha 2016 ( Criador da Raça x Ímola da Mata Grande) Haras Momento - Prudente de Moraes/MG Cristiano Azevedo: 31 988251505

Foto Capa: Hamilton Silvester

Expediente Edição e Diagramação Marco Livrão Clodoaldo Dias Direção Marco Livrão

Jornalista responsável

livrao@cheiodeideias.com.br

Direção de Arte Clodoaldo Dias clodoaldo.dias1@gmail.com 14 Força Campolina | Maio 2018

Bianca Costa MT 10619

Fotos Ana Clark Duarte Hamilton Silvester Ivan Machado Nilo Coimbra Pedrão Pedro Viotti Roberto Pinheiro Sérgio Teixeira Sidney Araújo

Agência e Produção

(31) 2555.8900 www.cheiodeideias.com.br Rua Angustura, 210 | Sala 2/C Serra | Belo Horizonte/MG CEP: 30.220-290


Editorial Você nunca sabe a força que tem. Até que a sua única alternativa é ser forte. Johnny Depp

UMA ODE AO FUTURO Já tinha embolsado este editorial que inaugura as edições da Força Campolina no ano de 2018. Ele tinha o objetivo de falar da última Exposição Nacional, que foi realmente digna de aplauso, mas com os últimos acontecimentos de mercado, com o aquecimento e com a certeza que a raça está buscando a sua melhor função resolvi alterá-lo. Respiro 24 horas de meu dia o cavalo, me alimento de premissas para a manutenção da evolução criada em prol da “função”, em detrimento a fatores importantes, mas não fundamentais, decidi fazer um apelo aos pessimistas. E, por incrível que pareça, ainda encontro muitos. Se querem defender fatores que acreditam ser o caminho certo o façam, é um direito real, mas nunca falem mal do Campolina, só se nada contra a maré quando ela for “marola”, mas a onda da marcha é grande, e não se enganem ela não tem volta! Independente da sua

modalidade (marcha batida ou marcha picada) sempre vamos preferir a marcha, porque nosso cavalo foi feito para isto. Detalhes são e serão valorizados ao tempo certo, que já está mirado em nossa fronte.  Este apelo é uma ode ao otimismo, um poema para os que olham através das paredes e das dificuldades, um adágio a aqueles que sabem ultrapassar as pedras do caminho, uma profecia verdadeira aos que enxergam o moderno, e que também sabem que muito ainda temos por fazer.  Agora com mais uma edição deste veículo de comunicação que eleva sempre a raça que amamos, e já de partida para os grandes eventos da raça – alguns já aconteceram e já se tornam história pelo sucesso, apelo mais uma um vez “vamos aplaudir” porque é isto que o Campolina merece.  Força sempre!

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Entrevista

Haras Ventania Ventania, um haras pautado pelo de planejamento, ousadia e trabalho de equipe

O

Haras Ventania é hoje, sem sombra de dúvidas um dos mais respeitados e impressionantes criatórios da raça Campolina. Suas vitórias na Nacional de 2017 entraram para a história e levaram toda uma raça a se perguntar, qual o segredo do sucesso. A Força Campolina conversou com Maurício Wanderley Costa, o titular do Ventania, entendeu um pouco de sua história e seus propósitos e a partir deste momento conta a seus leitores um pouco desta vitoriosa trajetória. Aos 58 anos, Maurício é contador com mestrado em gestão de operações e serviços e encontrou na criação do Campolina o hobby ideal para relaxar de sua vida profissional atribulada e curtir com a família o prazer das cavalgadas. Como conviver com pressão é sua especialidade, resolveu montar uma equipe profissional para cuidar do Haras, utilizando  técnicas empresariais de gestão, planejamento estratégico e gerenciamento de projetos, para nas pistas sentir a emoção de ver sua tropa se destacar . Uma vez ouviu um grande advogado responder a um questionamento: Tendo uma vida estressante, como ele ainda encontrava tempo para em seus momentos de folga ser presidente do Jóquei Clube do RJ? Então o advogado respondeu: Eu adoro problemas difíceis e gosto da pressão, só preciso mudar de problema. Desde então adotou esta resposta como lema. Conte-nos um pouco da história e dos seus motivos para a criação do haras Ventania. O Ventania surgiu a partir de um sonho e foi moldado com dedicação, amizade e seriedade. O mesmo está localizado no distrito de Cachoeiras de Macacu, a cerca de 90 km do Rio de Janeiro. A criação de cavalos Campolina teve início em 2009 e em pouco tempo o Haras conquistou resultados expressivos. Meu primeiro contato com o cavalo veio ainda na infância, já que meu pai teve alguns cavalos de corrida no Jockey Club do Rio de Janeiro e eu o acompanhava nas visitas a estes animais. Algum tempo depois ele vendeu os cavalos e esta interação com os equinos foi momentaneamente interrompida. Na adolescência passei férias em fazendas e daí para frente sempre que surgia uma oportunidade me integrava novamente aos cavalos. Em 2008 fui convidado por um amigo a visitar um sítio onde havia uma confraria de cavalos, chegando lá me deparei com toda aquela bela tropa e experimentei um deles. Era um animal daqueles conhecidos como “pé duro” mas que tinha

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uma marcha picada muito boa. Ao final da visita comprei um animal e saí de lá parte integrante da tal confraria. Então percebi que queria ter contato com o cavalo. Outro fator imprescindível para que eu realmente entrasse

para o mundo do cavalo foi a minha esposa, a Audrey, que é mineira, também gostava de cavalos e deu a ideia de comprar um espaço para termos nossos animais.


E o senhor seguiu a indicação de sua esposa? Segui sim, comprei um sítio, eu já tinha um cavalo compramos um para ela e em seguida um outro animal, que foi de extrema importância para a criação do haras Ventania, já que ele se machucou e na tentativa de curá-lo conheci os veterinários Sérgio Aguiar de Barros Vianna e Karen Stenos Possidente. Ainda em 2008, através do Sérgio conheci diversas propriedades ligadas ao cavalo, foram espaços especializados em Mangalarga Marchador, Crioulo, Quarto de Milha e entre eles quatro criatórios de Campolina. Audrey gostou muito do Campolina por ser um animal bonito, imponente e para a nossa sorte a raça era a paixão número um do Sérgio. Em janeiro de 2009 me filiei a Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo Campolina (ABCCC). Na época eu já possuía três animais, um deles era um potro Campolina, ainda sem registro, e o ex proprietário me permitiu registrá-lo, como eu ainda não tinha nenhum animal nascido no Ventania eu não tinha a letra A, então resolvi fazer uma homenagem ao meu pai e dei ao potro o nome de “Colega do Haras Ventania” já que um dos seus antigos animais de corrida também levava o nome “Colega”. Foi difícil definir qual seria a vertente do Haras? Contou com alguma assessoria? O Ventania teve início em 2009, timidamente. No início não sabíamos ao certo o que queríamos. Em abril de 2009 fomos a uma competição em Itaipava e levamos um pampa de baio, muito marchador. Ele chegou a reservado grande. Quem estava julgando era o Fabiano Tolentino, ele fez um comentário que na época eu não entendi, disse que aquele animal era linfático, conversei com a Karen que entendeu o que era estar linfático e se dispôs a me ajudar na criação de um

plantel expressivo. Naquela época o Sérgio era árbitro então combinamos que em exposições que ele fosse julgar não levaríamos nenhum animal Ventania, já que ética é um grande mandatário na minha vida. No entanto em uma exposição o Jorge Lucena que estava escalado para julgar mas não pode ir e passou a incumbência para o Sérgio. Fiquei em uma sinuca de bico, já que eu estava na cidade e com animais. Não teve jeito, ele teve que julgar, mas este evento foi um divisor de águas na história do Haras já que assim que o julgamento se encerrou conversei com o nosso veterinário e mentor e disse que ele precisava

Em janeiro reunimos toda a nossa equipe e deixamos pré definido tudo que vamos realizar no decorrer do ano, quais as exposições gostaríamos de entrar e este primeiro brainstorming passa por um crivo de viabilidade economia parar de julgar. Ele me respondeu que aquela era única forma que ele encontrara de brigar pela melhoria do Campolina. Então lhe propus um trato: a partir daquele momento eu seria o investidor e ele o criador, ele ficaria responsável pelo direcionamento do Haras. Assumi com ele esta responsabilidade e olha que assumir responsabilidade é uma coisa que sei fazer muito bem nesta vida! Quais os primeiros exemplares e como eles influenciaram o plantel?

Em agosto de 2009 participei de meu primeiro grande leilão, era do haras Oratório e ali estavam dispostas todas as suas matrizes. Foi ali que compramos nosso primeiro animal, digamos caro. A partir daí começamos a adquirir animais igualmente bons e na mesma faixa de preço e assim formamos uma base interessante. Em janeiro de 2010 participei do aniversário do amigo Ronaldo Monteiro, como faço todos os anos, naquele dia conhecemos sua forte tropa e um animal, que ele nem havia tirado da baia nos chamou a atenção. Sérgio olhou perguntou por ele mas Ronaldo explicou que o cavalo estava adoentado, com problemas no casco e um pouco magro. Gostamos do animal e ele disse que venderia apenas 50%. Um mês depois retornamos a propriedade de Ronaldo para observarmos o animal, esse cavalo se chamava Induto de São Judas e acertamos o negócio. Nesta época o Marcelo Ênio já fazia parte do nosso time e ele disse que éramos loucos por gostarmos daquele animal, eu rebati dizendo que ele era uma maravilha na morfologia. Mesmo assim não o convencemos e ele terminou a conversa dizendo “de duas, uma ou você está doido ou não entendo nada da raça”. Era uma aposta, claro que de uma pessoa que tinha plena condição de fazer a análise. Detectamos alguns probleminhas de saúde mas como a ideia não era levá-lo a pista e sim reprodução não precisamos passar por procedimentos ou outras cirurgias. Mudamos alimentação do Induto e entre quatro e cinco meses o animal já tinha respondido. Fizemos cerca de 20 embriões em éguas da casa, todas do Induto e ele confirmou que nossa aposta estava certa e se mostrou um excelente reprodutor. Seus filhos também já demonstram alta qualidade. Com planejamento forte, ousadia e trabalho de equipe construímos o haras Ventania e tenho certeza que esta fórmula fez e ainda faz toda diferença nos resultados que alcançamos. Força Campolina | Maio 2018 21


Entrevista Podemos afirmar que o Ventania tem uma gestão bastante arrojada, quais seus principais valores? A gestão do Ventania tem como ponto prioritário o planejamento forte e o investimento no bem-estar das pessoas. A escolha de uma equipe é primordial para o sucesso de qualquer negócio no nosso caso, o Haras. Somos incrivelmente bem assessorados no que tange aos rumos do plantel mas não alcançaríamos sucesso algum sem uma equipe de dia a dia extremamente dedicada e olhando para a minha, vejo que tive sorte em conhecer estas pessoas e sabedoria para mantê-las comigo. Em 2010 o Sérgio convidou o Marcelo Ênio para vir trabalhar com andamento, ele trouxe um menino que de uns 18 anos chamado Cristiano de apelido Pico, que hoje sem sobra de dúvidas, está entre os cinco melhores puxadores de animais em pista do país. E chegou a este patamar pelo talento, dedicação e vontade e abertura para adquirir novos conhecimentos. Mais ou menos na mesma época precisávamos de um menino para limpar as baias veio então veio o Rafael, que foi criado em fazenda, sempre adorou animais e se tornou peça fundamental no nosso time. Tenho orgulho de acompanhar o crescimento destes meninos, não só como profissionais, mas como de suas famílias, ambos têm filhos já nascidos no Ventania. Como é feito o planejamento para as competições? E a que o senhor atribui o sucesso indiscutível do Ventania nas competições Em janeiro reunimos toda a nossa equipe e deixamos pré definido tudo que vamos realizar no decorrer do ano, quais as exposições gostaríamos de entrar e este primeiro brainstorming passa por um crivo de viabilidade economia. A gente prioriza os eventos que julgamos mais 22 Força Campolina | Maio 2018

importante dentro do que podemos gastar. Feito isso começamos a definir a quantidade de animais. Agora em abril escolhemos quais deles competirão nas pistas durante o ano e estes começam um preparo diferenciado. Assim conseguimos maximizar os recursos sem perder qualidade. Exemplo disso são nossas participações nas últimas nacionais, 2016 fomos com 20 animais e nos sagramos em alguns campeonatos. Já em 2017 levamos 10 animais e conseguimos os títulos de melhor criador e expositor, ou seja, não é o volume de animais que conta na hora das vitórias e sim a qualidade de treinamento destes, o que só acontece quando se tem foco e uma equipe extremamente competente e coesa. Fale um pouco da emoção de ter animais campeões. Antes de criar cavalo eu jurava que não era vaidoso. Hoje eu posso afirmar com toda convicção que sou um cara vaidoso. As pessoas confundem paixão e prazer em criar com vaidade. Eu não fui criado em fazenda e não tenho tradição no meio do cavalo, o que me motiva é a preparação. Ver seu animal em cima de um pódio é um momento muito emocionante e talvez o mais esperado por um criador. Depois que você começa a ganhar você quer ganhar mais e mais.

Existe um animal na tropa Ventania que seja o seu favorito? Na realidade todos os criadores acabam se apegando a seus animais, mas quando começamos a participar de leilões percebemos que apesar do carinho que temos por um determinado cavalo é preciso desapegar, para o bem de nossa tropa e para o bem da raça já que que os animais precisam circular. Mas no Ventania temos os nossos queridinhos, meus filhos têm seus preferidos, eu e minha esposa amamos nossos primeiros animais, aqueles que nos fizeram comprar o sítio que virou o Haras, dos Campolinas tenho um carinho especial pelo o Aru que já está com quase 19 anos, ele ganhava e ia nos animando, estas pequenas vitórias são muito importantes em início de criatório, elas conseguem manter a chama acesa. Outro xodó é a Duka, que entrou para a história da raça Campolina sendo a primeira égua a se sagrar grande marchadora e grande da raça em uma mesma nacional. Conte-nos um pouco sobre sua opinião a respeito do atual momento da raça Em 2017 o haras Ventania quebrou paradigmas, mostrou que o que importa na hora das vitórias é a qualidade e treinamento de seus animais e não a quantidade. Mostrou também


que ser alto não é defeito, desde que seja proporcional. Essa história de que cavalo alto não marcha, virou lenda, está aí a Duka que não me deixa mentir, apesar dos 1,62- o que é alto para uma fêmea - ela é 100% proporcional. Há anos acompanho o basquete mundial, nos anos 80, 90 os jogadores eram enormes mas pareciam mamutes em quadra hoje vemos na NBA atletas enormes, com muito mais de dois metros de altura que jogam com tamanho equilíbrio que parecem crianças brincando. Estamos passando por um momento de valorização do Campolina de mudanças no dia a dia dos haras, mas é fato que altura não importa, no entanto muitos a associam a cavalos do passado que eram altos mas sem aptidão, logo não eram andadores. Meu sonho é um Campolina com o nível de marcha que tem hoje e que sejam altos. Não sou exímio cavaleiro mas gosto de andar e comecei a usar nos animais de pista. É indiscutível que a raça evoluiu, que está cada dia mais marchadora e confortável, o que não pode acontecer é a turma do saudosismo e a turma do não quero mudar fecharem os olhos para esta nova fase. Uma raça tem diversas nuances, pode ser que algum momento no futuro a gente precise destacar alguns elementos não marchadores para dar outro choque na tropa. O ciclo do cavalo é de cinco anos. Você começa a mudar hoje para um resultado distante. O “novo cavalo” de 2023 a gente tem que fazer hoje, entendo que não tem espaço para voltarmos para o passado mas criar certas regras como: cavalo alto não marcha não ajuda a raça e também não são afirmações verdadeiras.

é levarmos entre oito e nove animais, para as regionais estaremos com cinco ou seis cavalos. 2018 será um ano de poucas exposições, poucos leilões, separei apenas 10 lotes para o leilão de Itaipava e o fiz por compromisso e amizade com os organizadores já que estou me preparando para um leilão especial de 10 anos do haras Ventania. Os leilões virtuais já estão no ar com animais filhos dos nossos cavalos principais. São cavalos que não entraram na nossa seleção de pista (temos 20 baias a destinadas a elas) mas que sem sombra de dúvidas são de alta qualidade. Como é feita a escolha de animais de pista? Qual o destino dos demais cavalos? Todas as decisões relativas ao plantel são tomadas com o aval de uma capaz equipe técnica. Escolhemos 20 animais para serem trabalhados para pista naquele ano, os que não estão entre os de pista precisam ir para o mercado. Essa é a nossa mágica! Sabemos que este sangue que estamos ofertando vai ter muito sucesso com outros criadores. Há alguns anos vivemos uma história interessante, vendemos um potro virtualmente e através do de postagens que seu atual dono fazia no Facebook acompanhamos o crescimento do animal e paixão de seu proprietário. O animal se tornou um cavalo muito bonito e

Não comece a fazer nada sem uma assessoria de qualidade. É preciso alinhar algumas coisas, quando falamos em conhecimento o prático é fundamental mas o teórico também é importante. A assessoria vai te ajudar a definir qual o seu objetivo estratégico

com bom andamento, frente a este cenário convidamos seu dono para levar o animal à Nacional, infelizmente ele teve um probleminha e não conseguiu entrar em pista mas na prova dos coronéis o cavalo mostrou seu DNA e a que veio, montado por seu novo dono ele venceu a prova. Foi um motivo de muito orgulho para todos nós, pois comprovamos em pista o potencial daquele cavalo que não foi escolhido para treinamento, mas que estava brilhando em outro criatório. Recompensamos seu dono pelo ótimo trabalho e pela vitória na prova dos coronéis doando a ele um potro e uma potra e tenho certeza que nas

Audrey e Maurício, Campolina com planejamento e estrutura familiar

O que podemos esperar do haras Ventania em 2018? Continuidade do que estamos desenvolvendo há nove anos, com foco em planejamento e muito trabalho. Para a Nacional 2018 a ideia Força Campolina | Maio 2018 23


Entrevista próximas Nacionais veremos estes animais em pista. Acredito que estes cavalos que a gente não consegue dar treinamento, nas mãos de outros criadores podem fazer sucesso. Também temos uma outra forma de lidar com animais não escolhidos para pista. Por exemplo, dos dez nascidos vivos separamos quatro para pista, com os seis restantes estamos fazendo parceira com outros criadores. O criador parceiro leva o animal para sua fazenda, sem custo algum, um animal Ventania. Quando o cavalo completa três anos, este “guardião” passa a ter 50% da posse do cavalo, caso ele não queira ficar com o animal dentro deste prazo não há prejuízo para nenhuma das partes. Assim conseguimos consortes para criação de um cavalo que certamente será sucesso no futuro mas que não temos espaço e capital humano para fazer no momento. Para este ano ainda estamos em busca de quatro parceiros. Qual o conselho o senhor tem para os criadores novos? Não comece a fazer nada sem uma assessoria de qualidade. É preciso alinhar algumas coisas, quando falamos em conhecimento o prático é fundamental mas o teórico também é importante. A assessoria vai te ajudar a definir qual o seu objetivo estratégico, qual é a tua missão. Se você começa a criar e não sabe o que quer e começa a comprar por preço a possibilidade de haverem erros é grande. É preciso entender que diluindo no tempo que animal ficará com você o preço não será tão alto, já que se a égua, por exemplo, é de qualidade o produto dela acabando pagando o valor do seu investimento. Enfim, busque uma assessoria de qualidade, defina o que você quer, o limite de investimento, a área que você tem para criar, a definição do melhor manejo. Plange com segurança e você terá prazer e bons resultados em sua criação. 24 Força Campolina | Maio 2018

lhedor e nossos filhos são apaixonados por esta raça que transformou nossa família em uma família mais unida. 2) Como você enxerga os excelentes resultados do Haras Ventania?

A voz feminina do Ventania Conversamos também com Audrey Medice Wanderley da Costa, empresária, esposa há 20 anos de Maurício Wanderley da Costa, mãe de quatro filhos: Marina e Guilherme de 14 anos, Ricardo de 5 anos e Bernardo de 4 anos e sem sombra de dúvidas a alma do haras Ventania

1) Qual a importância do Campolina para sua família? O cavalo surgiu nas nossas vidas, de forma inusitada, tínhamos a pretensão de ter um pequeno espaço, para conviver com a Natureza, criar nossos filhos de uma forma diferente, mas perto de coisas simples. Foi quando tivemos a oportunidade de conhecermos este animal magnífico, que apesar de ser de grande porte e muito sensível. O Campolina é agregador, aco­

O Haras é o resultado um grande sonho, e como em todo grande sonho, se não houver muita luta, garra e determinação, não se consegue nenhum resultado. Os resultados são os frutos de muito trabalho, muito trabalho mesmo, em todos os sentidos. Temos um grande orgulho por em pouco tempo termos conquistado resultados muito significantes, mas sabemos que não podemos para de sonhar. A cada dia temos que intensificar os esforços, afim de continuarmos realizando nos sonhos. 3) Fale do trabalho de equipe do Haras Como em toda empresa precisamos de pessoas determinadas a ajudar e construir. No haras Ventania, buscamos valorizar todos nossos funcionários. Em um criatório uma função depende da outra, por este motivo tentamos da melhor forma possível, mostrar a todos os que nos ajudam que eles são necessários. Ninguém consegue crescer sozinho, se temos a sorte de ter uma equipe sólida e solidária uns com os outros devemos sempre estimular para conseguirmos manter o sentimento de amizade. Sem equipe não se consegue vencer.


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Matéria

Campolina Pernambuco movimentado

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Limoeiro/PE

haras Capibaribe realizou no final de fevereiro, em Limoeiro/PE, a primeira etapa da Copa Pernambuco de Marcha, o evento contou com cerca de 60 animais inscritos. A copa de Marcha foi considerada um sucesso pelos representantes do Núcleo dos Criadores do Estado, não apenas pela presença da tropa pernambucana, mas também pelo comparecimento dos criadores de outras localidades, como por exemplo: Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Copa Pernambuco contou com um excelente público que ultrapassou duas centenas de pessoas. “Foi um evento que demonstrou a força e a qualidade do Campolina criado em nosso Estado, explicitamos que em vários criatórios encontramos marcha batida e marcha picada de excelência, além de um público apaixonado pela raça. Este é mais um passo para o fortalecimento do Campolina” contou Renato Tavares de Melo, presidente do Núcleo. O árbitro Guilherme Zagnoli conduziu os julgamentos e comandou didaticamente os trabalhos, sempre atento a presença de criadores novos e os mais antigos.

III Alexandre Rêgo Barros e Ademar Rigueira

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Entre as atividades do dia o criador titular do haras Capibaribe comandou a apresentação da jovem produção do eminente reprodutor Foco Lagoa da Chave Capibaribe, onde houveram negócios com cifras consideráveis. O haras Abreu adquiriu 50% das cotas da campeoníssima Gaivota do Nahey, o haras Top (RJ), um embrião de Lotus do RM e o haras Capibaribe 50% das

III A apresentação do reprodutor Foco Lagoa da Chave Capibaribe


III Abaixo: Escobar, Romero Leite e o presidente do Campolina Pernambuco, Renato Tavares

III Evento prestigiado

cotas de Camila dos Três Amigos, além de ter havido uma frequente movimentação de outros negócios. A festa contou com uma churrascada além de atrações para a turma jovem com a prova mirim e a tradicional prova dos coronéis. O evento foi mais uma amostra da união do Estado e região, além do reforço na qualidade da tropa nitidamente elogiada por todos.

III A garotada fez a festa na prova Kids

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Opinião do Criador

O efeito manada na criação do cavalo Campolina Por Bruno Borges Perez de Rezende, advogado e titular do sufixo “do Vale”

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harlie Chaplin disse certa vez que admirava o público, como indivíduos; como multidão, o público não passava de um monstro sem cabeça. Nelson Rodrigues disse que toda a unanimidade é burra. O que essas frases têm a ver com criação do cavalo Campolina, essa maravilhosa raça mineira de equídeos? Tudo, no que diz respeito a modas e opiniões volúveis, tão unânimes quanto burras. Basicamente, a raça Campolina é fomentada por “pisteiros” e criadores, cada qual com seu relevante grau de importância. Os primeiros direcionam a sua atuação sob o critério de competitividade, com o objetivo final de ganhar troféus em exposições, com toda a emoção que isso representa e o convívio com seus pares em eventos por todo o país. Os segundos, geralmente possuem no imaginário um modelo de cavalo ideal, trabalhando com o fenótipo e o genótipo, e direcionando sua seleção genética, geração a geração, procurando chegar o mais próximo possível àquele animal que habita sua mente, fomentando, no processo, as aquisições feitas pelos pisteiros. O pragmatismo, felizmente ou infelizmente, é característica que muitas vezes une o criador e o pisteiro. E é essa pitada de pragmatismo que causa o chamado efeito manada, quando, em questão de pouco tempo, o 8 vira 80, o céu vira o inferno e um fenômeno de raça vira uma baranga. Sem precisar de muito esforço, podemos enfileirar alguns garanhões que, do início da década de 1990 para cá, foram do céu ao inferno em questão de anos, em um

roteiro repetitivo e irracional, elaborado pelo pragmatismo cego, com grande estímulo do clamor comercial. Por incrível que pareça, cavalos que eram considerados a salvação da lavoura, o messias que veio para salvar a raça, depois de alguns anos, viraram a “Geni”, cheios de defeitos, chamados de inúteis, de quem se devia manter distância, como o capiroto foge da cruz! Vivemos, no passado, a época da “OPrização” do Campolina, em que primeiro Deus criou a luz, depois o OP, e só então criou o homem e a terra; paralelamente, apareceu o fenômeno “Maravilha”, quando era um Desacato não ter nada em sua linha sanguínea sem o toque mágico do filho de Júpiter. Passamos pela fase geológica, em que tudo se resumia a um Geodo, entramos pelo alfabeto, quando um lindo cavalo tinha por nome uma vogal, “E” desaguamos na poesia, quando o Pablo, poeta chileno, foi homenageado por um dos nossos maiores cavalos. Atualmente, você não é ninguém caso sua tropa não seja “iluminada” por um descendente de Alfenas... por enquanto, já que o futuro logo, logo, chega. E o roteiro, inexoravelmente, irá se repetir. O queridinho dos campolinistas, hoje, será a desgraça da raça, amanhã. Todos os cavalos citados acima – todos – são grandes animais, Campolinas representativos, que contribuíram e contribuem, e muito, para a nossa bela raça. Entrementes, contrariamente ao que provocou o “efeito manada”, não deveriam ter sido tão utilizados, na época, tampouco são tão ruins como muitos dizem, atualmente. Atire a primeira pedra quem nunca ouviu que o OP não serve porque coloca pescoço

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invertido e olho de japonês; que o Desacato tinha baixaria grosseira. O Geodo, fincado, espáduas em pé, acaba com o andamento; o E Top, fraco de andamento e ruim de aprumos, o Neruda não coloca andamento... Virtudes e defeitos, todos os cavalos têm. Mas, por que ocorre esse fenômeno curioso, quando todos só veem qualidades, em um primeiro momento, e depois, todos só enxergam defeitos? É cristalino como o a luz solar que se trata de uma cegueira de irracionalidade, modismo e falta de visão com relação à raça. Posso falar por mim. Sou fã do Criatório Santa Rita, cujo sangue tem muita afinidade com o sangue do Criatório do Vale (que se iniciou com o Campolina Rex, pai do Gas Rex, pai do Gas Dengoso), ou seja, o que vem de GAS para a gente, por outras palavras, OP, Licor e Dengoso, casa muito bem conosco. O Neruda (OP na Promessa) é o grande herdeiro do sangue Santa Rita. Por isso o nosso garanhão – Ginete da Fronteira – é um filho do Neruda e, pasmem, campeão de marcha em provas pesadas, como Itaipava. Como pode? Não contraria o atual e equivocado senso comum? Modismo e efeito manada. A minha base de matrizes é de netas do OP, e agora estou vindo com o mesmo sangue na linha alta, via Ginete – Neruda – OP. Tive uma filha do Desacato – Legenda do Porto Alegre – que se tinha algum “defeito” do pai, era um defeito muito pequeno frente às suas enormes qualidades. Da mesma forma, tenho uma filha do Geodo – Promessa de Atibainha – que é muito boa de marcha picada e dotada de excelentes angulações e aprumos. De passagem, atesto que nunca vi um cavalo tão bonito quanto o E TOP.

minha tropa, até porque não sou e não quero ser exemplo para ninguém em matéria de cavalos, mas apenas demonstrando que acredito no que estou falando, tanto que pratico o que acho certo. E eu acho que é assim que o criador deve prosseguir, não importa o quê, seguir caminhando, firme em suas convicções, olhando as modas com a ponderação e a distância necessárias para ver que aquele garanhão do momento, não é tão perfeito quanto dizem agora, tampouco, tão ruim quanto será considerado em alguns poucos anos. Peguemos os exemplos de três grandes criadores, criadores mesmo: Santa Rita, Oratório e Alfenas. Alguém já parou para analisar, gostando ou não, que tem método e tem ciência nessas criações? Você olha para o papel dos animais Oratório e vê “famílias” sanguíneas na criação. Filhos do Dengoso em filhas do Dengoso, neto do Dengoso e filha do Dengoso, e assim vai, com a fixação dos caracteres, seguindo a ciência genética do “in breeding”, “line breeding”, para, em um determinado momento, praticar o “outcross”, dando o chamado choque sanguíneo. Quando chegar o momento, vai juntar um excelente “chassis” (morfologia) com o motor (andamento) e o resultado será um cavalo com cara de Campolina, e marchador. Nos dias de hoje na raça Campolina, especialmente em pistas, temos muitos cavalos marchadores, mas alguns com cara de “sabe-se lá o que”, sem caracterização.

Alfenas: o trabalho de filho com filho, na linha alta e baixa, em cima do sangue Júpiter – Iluminado, em busca do “inbred” 4x4. Santa Rita: filho do Licor em filha do Licor, buscando o “inbred” 4x4, mas com o Gas Dengoso. É inegável que a história da raça, entre outros, passa por esses três criatórios. E a característica comum é que eles foram sendo erigidos de acordo com a convicção racional dos seus criadores e, não, por modismos turbinados pela força comercial. E é isso que lhes garante a perenidade. Em conclusão, é necessário que os campolinistas tenham uma visão mais ampla da raça que criam, pois é nefasto que a moda imponha determinados cavalos, bons, mas utilizados em excesso, para depois renegá-los covardemente, tão logo apareça o novo “coqueluche” dos criadores. Estamos sempre vivendo à base do cavalo da moda e, enquanto isso, muitos e muitos outros bons garanhões ficam renegados, sem chance de mostrarem suas qualidades. E perde a raça, deixando de desenvolver linhas sanguíneas alternativas. É fundamental que outras linhas sanguíneas possam florescer no processo de seleção do cavalo Campolina.

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Cultura

Livro de cabeceira

A

Força Campolina separou alguns lançamentos para que você possa diversificar suas leituras e saber um pouco das novidades do mercado literário.

1. Conversando com Gaspare Spatuzza: um relato de vida, uma história de chacinas Coletado em local secreto, o depoimento de Gaspare Spatuzza relata o funcionamento da engrenagem mafiosa e a vida do criminoso acusado de mais de 40 homicídios. Após 11 anos de prisão e dezenas de acusações Gaspare Spatuzza resolveu colaborar com a justiça italiana. Esta contribuição provocou reviravoltas em casos já considerados resolvidos e um mal-estar nas instituições que, por erro honesto ou má-fé, traçaram outros caminhos para a solução dos crimes. Diante de biografia tão ímpar, restou à socióloga Alessandra Dino reunir as diferentes peças dessa vida e assim nasceu o livro, lançamento da Editora Unesp. “Mais que em outras situações, o ‘texto’ que eu tinha em mãos se apresentava fluido e incandescente”, lembra a autora. “É verdade que, no centro de meu interesse, estava o percurso existencial de um só indivíduo; mas eu sabia que a história de Spatuzza – a despeito dele e de qualquer presunção – não era a história de um homem qualquer.” Autor: Alessandra Dino Tradutor: Valéria Pereira da Silva Número de páginas: 327 Preço: R$ 79,00

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2. Viver a catástrofe total O livro mostra como utilizar a sabedoria do corpo e da mente para enfrentar o estresse, a dor e a doença. Esta obra descreve o famoso programa de redução de estresse baseado em mindfulness, um clássico que rompeu fronteiras e deu início a um novo campo da medicina e da psicologia, indicando como usar abordagens mente-corpo testadas pela medicina e oriundas da meditação e do yoga para combater o estresse, conferir maior equilíbrio ao corpo e à mente e estimular o bem-estar e a cura. Este é um livro para todas as idades, para pessoas saudáveis ou doentes, e para todos que procuram viver de modo mais sadio neste mundo vertiginoso e imprevisível. “Para mim, enfrentar a catástrofe total significa encontrar e aprender a conviver com o que há de mais profundo e melhor e, em última análise, mais humano dentro de nós mesmos. Catástrofe, aqui, não significa desastre, mas a pungente enormidade da nossa experiência de vida!” explica o autor. Autor: Jon Kabat-Zinn Editora: Palas Athena Editora Páginas: 700 Preço: R$ 98,00


3. Você vai ficar aí sentado? O livro conta com 23 artigos de coachees que narram cases de pessoas e empresas que se superaram depois do investimento no processo de coaching. O livro é recheado de casos reais de gente que não quis ficar sentado, como o título provoca, e realizou um plano. Heitor, Bia e Alfredo são nomes fictícios de personagens reais que passaram pelo processo e redescobriram formas de chegar onde desejavam com mais eficácia. Eles e outras pessoas são o foco de histórias contadas pelos 23 coachees que resolveram compartilhar seus atendimentos para contagiar pessoas e empresas a investirem no autoconhecimento. São executivos, profissionais liberais e colaboradores de empresas que descobriram uma nova forma de fazer as coisas com mais resultados e menos estresse”, revela a autora. Como o Coaching é um processo de desenvolvimento acelerado, que impulsiona as pessoas para a ação, os personagens do livro agiram como protagonistas, explica a organizadora, mesmo em um ano de crise. ‘Para quem deseja se desenvolver e crescer como pessoa e profissional, nada deve ser desculpa para ficar parado’.

4. Entre tantos O livro infantil aborda de maneira simples e divertida as relações entre as pessoas e possibilita ao público infanto-juvenil conhecer as ligações sociais e de amizade que fazem um grande mundo parecer pequeno. A proximidade entre as pessoas é mostrada de maneira simples e divertida, em ilustrações das personagens por meio de temas como amizade e família, ligações sociais, familiares ou profissionais muito comuns na vida real e na internet, praticamente unem os personagens e facilitam o entendimento das relações pelo público. O livro permite que o leitor infantil possa conhecer a existência dos graus de parentesco entre as pessoas, um pouco da infinidade de nomes próprios ou alguns dos diferentes tipos de profissão, cujas relações, embora descritas no figurino do personagem, estão presentes no livro, que o faz simples, belo e riquíssimo” contou o autor. Editora: Brasil Texto e ilustrações: Marcelo Cipis Número de páginas: 32 Valor: 46,10

Editora: Comunica Número de páginas: 240 Autor: Aurea Regina de Sá. Valor: R$ 19,90 para exemplares digitais e 29,90 a versão física

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Cultura 5. Manual – O que os homens jamais devem fazer na hora do sexo Desde a Grécia clássica o humor é muito mais do que uma forma de fazer rir – espelhando as tendências do comportamento de uma época e chave para a compreensão da cultura e dos costumes. “A ideia de produzir um livro sobre o assunto surgiu após ouvir dezenas de histórias de amigas em conversas de bar”, relata a autora Juliana Germann. “Sempre me chamou a atenção como alguns padrões são repetidos e incomodam diferentes mulheres. Passei a questionar: será que os homens não se tocam disso?”, acrescenta. As histórias abordam comportamentos clichês dos homens, tais como ‘O Bêbado’, ‘O Carente’, ‘O Canibal’, ‘O Egoísta’, ‘O Velocista’, ‘Nunca Aconteceu Comigo’, entre outros. Editora: PalavraCom Autora: Juliana Germann Ilustração: Alvaro de Vasconcellos Páginas: 104 Valor: R$20,00

6. Conexão Stellar – o coração peregrino no caminho das estrelas Celebrando mais de duas décadas de uma bem-sucedida carreira como palestrante, com quase 700 eventos no currículo, o administrador e mentor em gestão empresarial Adonai Zanoni lançou seu terceiro livro – ‘Conexão Stellar – o coração peregrino no caminho das estrelas’. Elaborada ao longo de dois anos e meio a obra combina muito aprendizado, imersão espiritual e gestão do tempo. “Acredito infinitamente no potencial humano e a minha principal motivação é inspirar pessoas a viver uma nova experiência nesta vida. Despertar uma consciência positiva pela vida, incentivando seres humanos a pensar, a serem responsáveis, produtivos e conscientes na escolha dos seus destinos”, explica o autor. Editora: Carbo Autor: Adonai Zanoni Páginas: 464 Valor: R$50,00


7. Pé de Abacate e Uniformes O jornalista e professor universitário, Juliano Azevedo, lançou em 2017 duas obras: Pé de Abacate e Uniformes, com 40 crônicas cada, que retratam temas do cotidiano. Em “Uniformes”, estão os pensamentos e análises do autor, de acordo com os diferentes personagens que somos no cotidiano. “Neste livro mostro que em busca de identidade, as pessoas se transformam em personagens criados pela imaginação ou pelos estereótipos sociais, mas também naqueles arquitetados por tribos incomuns como. Nessa coletânea de crônicas, apresento-me ao mundo por meio dos meus diversos personagens, das máscaras que andei vestindo para, afinal, dizer que sou muitos num mesmo eu. E quem não é? Somos muitos, mas com essência única”, relata o escritor. Já no livro “Pé de Abacate”, Juliano faz uma homenagem às suas raízes. Em diferentes momentos, o personagem é a sua terra natal, Bom Despacho, cidade do interior de Minas, cenário de histórias familiares, de personagens pitorescos, de situações cômicas e algumas reflexivas. Não é uma obra autobiográfica, mesmo o autor escrevendo sobre as passagens da infância e da adolescência, já que ele relata as histórias que muita gente viveu. “São lembranças, nostalgias, casos divertidos. Para

emocionar, rir e recordar. “Remexendo nos pensamentos da minha infância, tentando resgatar traços da memória perdida, lembrei-me de vários momentos que vivi percorrendo uma das mais longas ruas de Bom Despacho. Esse pequeno pedaço de terra cercado pelos rios Picão, Lambari e São Francisco deixa saudade naqueles que bebem o marcante cafezinho da cidade. Assim surgiu a ideia do livro Pé De Abacate, árvore marcante da minha vida, local onde aprendi a contar histórias, pois foi debaixo dele que ouvi muitos casos”, revela. Editora: Theia Dias Autor: Juliano Azevedo


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Gastronomia

De comer rezando Um dos pratos mais democráticos e consumidos do mudo também têm seu lado gourmet

P

ão, queijo, carne, muita carne e o que mais a criatividade do chef permitir, assim são elaborados os contemporâneos hambúrgueres artesanais. Eles surgiram em meio a uma porção de fast-foods que dominavam os mercados e o amadurecimento da gastronomia brasileira. Frente a este cenário admiradores da iguaria mais popular do planeta viram a oportunidade de revolucionar um segmento de mercado e oferecer ainda mais sabor aos apaixonados pelo alcepipes. “A

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gastronomia brasileira vem crescendo e amadurecendo de uma forma assustadora e podemos dizer que nos últimos cinco anos ingredientes que não eram comuns passaram a fazer parte da rotina do brasileiro. Os consumidores passaram a procurar por pratos mais elaborados e no segmento dos lanches não seria diferente, blends

cada vez mais criativos, suculência e combinações inusitadas conquistaram o coração dos clientes e estas mudanças transformaram o setor em um grupo de negócios altamente lucrativo” explicou Eduardo Avelar, chef de cozinha pela Le Cordon Bleu e pesquisar do cenário gastronômico.


E por falar em negócio, confirmamos a informação do chef e descobrimos que o mercado de hambúrgueres anda temperadíssimo, em 2017, só o ramo de franquias movimentou quase R$ 700 milhões, de acordo com Associação Brasileira de Franchising (ABF), no varejo tradicional, somente em São Paulo, este tipo de comércio aumentou 575% entre 1994 e 2017, apontam dados publicado pelo Instituto de Gastronomia (IGA).“As hamburguerias deixaram de serem vistas como uma coisa supérflua e passaram a serem consideradas uma refeição” disse Eduardo França, coordenador do MBA em Estratégias e Ciências de Consumo da ESPM. “Enquanto houver potencial de customização, haverá consumidor em busca de experiências diferentes, e isso o produto artesanal permite”, explicou o professor. Segundo o IBGE, 40% da população come fora de casa pelo menos uma vez ao dia. Já de acordo com a Preço Médio 2016, pesquisa da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), o gasto médio por refeição na rua é de R$ 30,48.“A po-

pulação continua crescendo e, mesmo em tempos de crise, não deixa de consumir esses produtos e serviços. As pessoas buscam alternativas mais baratas, mas o consumo permanece. É importante o empresário acompanhar esse movimento da economia para ter mais sucesso.” afirmou o presidente

do Sebrae, Guilherme Afif Domingos. Deixando de lado o bussines conversamos com o chef Gael Turtle, dono da aclamada Eat em Vitória/ ES, que nos levou ao outro lado da moeda, o daqueles que amam a cozinha. “O hambúrguer já é um queridinho das pessoas desde a infância, o que as casas gastrô fizeram foi transformar aquele lanche rápido em uma experiência e para chegar a este ponto, nós que estamos do lado de dentro do balcão, estudamos, testamos e é claro experimentamos muitas combinações de sabores. Os produtos frescos e complementos artesanais são atrativos especiais mas não podemos esquecer que o blend de carnes precisa ser o centro das atenções, a sensação do sabor e suculência na primeira mordida é no que pensamos na hora de criar uma receita, claro que queremos lucro como qualquer empresário, mas nossa grande alegria é perceber a satisfação no rosto dos clientes” explicou Gael. Mas nem só de carne vive uma população, os vegetarianos também têm sua vez no que diz respeito aos hambúrgueres e a grande maioria das

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Gastronomia

casas têm no cardápio uma opção para atendê-los. “Não é porque optamos por um estilo de vida diferente da maioria que precisamos ficar à margem da sociedade, gostamos de ir a restaurantes, de nos divertir e claro, comer bem e a maioria dos restaurantes já perceberam o crescimento deste nicho e vêm nos surpreendendo com deliciosas invenções” contou a arquiteta Karla Simon, vegetariana convicta há 10 anos. Para o analista de sistemas Rafael Magno, os hambúrgueres gourmets são uma maravilhosa invenção. “Aos pouquinhos fui percebendo a inauguração de hamburguerias com pegadas bem diferentes dos tradicionais fast-foods que estávamos acostumados e elas foram se tornando parte do nosso dia a dia, acho que não como em um fast-food há mais de um ano, em compensação as casas artesanais pelo menos uma vez por semana fazem parte do meu cotidiano. A diferença entre um bife fast e um gourmet é estarrecedora” contou Magno. Já o jornalista e entusiasta da baixa gastronomia, Daniel Neto, afirma que esta onda gourmet é no mínimo chata. “Hoje em dia é difícil encontrar um lugar que lhe sirvam um hambúrguer raiz, aquele de trailer com milho, maionese, batata palha e presunto. Estamos vendo pipocarem infindáveis 54 Força Campolina | Maio 2018

casas especializadas na iguaria, algumas com preços exorbitantes e a culinária vai se perdendo em meio a isto”, explicou Daniel. Seguindo a mesma vertente, da gourmetização exagerada a Burgertopia que depois de quatro anos rodando pelo Rio em uma Kombi, abriu a primeira loja fixa diz que foi fundamental para o sucesso voltar às origens. “Cansamos dessa gourmetização que tomou conta do que deveria ser pão e carne bem feitos e resolvemos voltar às raízes”, diz Jimmy McManis. “O hambúrguer hoje já é considerado uma refeição. As pessoas trabalham com ingredientes frescos, carnes frescas. Quem sabe fazer, quem veio do mercado de gastronomia, faz sua própria maionese, não trabalha com produto industrializado. Aqui tudo é nosso, todos os produtos são frescos. A carne chega todo dia, o pão chega todo dia, não é necessário fazer uma orgia gastronômica em um mesmo prato para se ter um sabor surpreendente” disse.

História

O hambúrguer chegou à América na segunda metade do século XIX, trazido pelas levas de imigrantes alemães embarcados no porto de

Hamburgo, razão pela qual seu primeiro nome no Novo Mundo foi hamburg steak. Era uma comida rústica, os primeiros a degustá-los nos Estados Unidos foram os marinheiros que aproveitavam a carne entre dois pedaços de pão para mastigar algo enquanto trabalhavam. Suas origens, no entanto, podem ser encontradas no passado remoto. Durante os séculos XII e XIII, a Europa conheceu as invasões dos chamados mongóis, entre os povos que se agrupavam sob essa denominação estavam os tártaros, tribos nômades guerreiras que habitavam as estepes russas. Os tártaros introduziram na Europa a técnica de moer a carne dura e de má qualidade para torná-la mais digerível. Diz a lenda que os cavaleiros tártaros costumavam levar a carne crua embaixo da sela quando galopavam em suas incursões guerreiras. Na hora de comer, o bife já tinha se tornado uma pasta. O que se sabe com certeza é que os tártaros foram os que apresentaram o hambúrguer aos hamburgueses. O ano é 1904, os EUA se transformam rapidamente na maior potência industrial do planeta. O novo século prometia paz e prosperidade para os americanos. Esse clima de afluência e otimismo refletiu na feira mundial de


Saint Louis. Ali, multidões tomaram contato pela primeira vez com uma iguaria que trinta anos mais tarde viria a ser quase um verdadeiro sinônimo de Estados Unidos. A partir dos Estados Unidos, o hambúrguer conquistou o mundo. Cerca de 50 gramas de carne moída entre duas metades de pão redondo, coberta ou não de queijo, acompanhada ou não de alface e tomate, pode ser encontrada em qualquer lugar do planeta. No Brasil as lanchonetes começaram a trabalhar com a já famosa iguaria em 1952, quando o tenista americano Robert Falkemburg fundou o primeiro Bob·s em Copacabana, no Rio.

Saúde

Os nutricionistas admitem que um hambúrguer alimenta bastante, “mas não deve tornar-se a refeição básica de uma pessoa todos os dias”, alertou a nutricionista Rita Castro.

Ela afirma que se você também não abre mão dessa delícia, deve tentar deixá-la o mais saudável possível. “Inclua uma salada como acompanhamento”, pontua a especialista. Os ingredientes do hambúrguer também devem ser levados em conta. “Não escolha uma opção com muito queijo ou maionese, pois esses ingredientes aumentam o número de calorias do prato”. Preste atenção ainda aos complementos. “Também peça o molho separado, assim você terá controle da quantidade que vai consumir”, orienta a nutricionista. Para aqueles que amam o hambúrguer mas não abrem mão da dieta a casa belo-horizontina Slow Burguer apresentou agora em março o hambúrguer low carb, o pão é feito sem nenhum carboidrato e também sem glúten, os recheios também são levinhos. “ A ideia é que a pessoa possa comer o seu lanche sem ficar com peso na consciência ou sair da dieta” explicou a casa.

Homemade

Para provar que esta delícia é realmente democrática, conversamos com o chef Filipe Blumer da Taste.Br, em Porto Alegre para ensinar aos lei-

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Gastronomia tores da Força Campolina como preparar um hambúrguer de respeito e fazer bonito com os amigos.

Ou seja, nada de pão francês (muito duro) ou aquele pão com um sabor muito forte.

1º – A Carne Na hora de preparar a mistura de carnes, ou seja, o famoso blend, as porcentagens de gordura e carne magra tem que ser balanceadas para obter uma carne suculenta e saborosa. Geralmente, a gordura de uma carne deve ter em torno de 15% a 20% do peso da carne limpa.

3º – Calma Em outras palavras, deixe sua carne descansar. Uma carne bem selada precisa descansar pra liberar a mioglobina , o chamado suco da carne, evitando assim que ela umedeça o pão, tornando a experiência de segurar o conjunto muito mais agradável, sem o famoso pinga pinga.

2º – O pão O pão não é o protagonista, mas precisa ter um sabor marcante, uma textura firme e macia e ao mesmo tempo não se destacar no conjunto, deixando a carne em primeiro plano.

4º – Cozimento A temperatura de cocção do seu hamburguer tem que ser controlada, nem muito quente pra não torrar a capa e nem muito fria para não cozinhar a carne. Para a tarefa, é possível

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usar uma chapa ou até mesmo a churrasqueira. E lembre-se: a carne tem que caramelizar a capa, deixando seu interior quente e suculento, mas sem ressecar, e o exterior com uma capa crocante. Para isso, você não vai poder usar toda a potência do seu forno. 5º – Chef Conhecer bons ingredientes e saber usá-los é fundamental para montar o hambúrguer perfeito, criando um conjunto harmônico tanto no paladar quanto visualmente. Às vezes um “verde” junto com a carne e o queijo fazem toda a diferença. Se estiver arriscando na cozinha, vale experimentar várias opções e diferentes combinações. Brinque com o seu paladar!


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Nacional

Nacional Campolina bate recorde de público e qualidade racial O evento aconteceu em Belo Horizonte e contou com mais de 200 expositores

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ntre os dias 09 e 14 de outubro Belo Horizonte se transformou na capital nacional do cavalo Campolina. Estiveram reunidos cerca de 500 dos melhores exemplares da raça que encheram os olhos de todos os apaixonados pelo cavalo com muita beleza e marcha. O Brasil conta hoje com um plantel de 70 mil Campolinas registrados. “A Nacional é uma amostra da qualidade genética e do avanço do nosso cavalo, que além de ser a raça mais pura em termos que qualidade de DNA, é também a raça de cavalos mais apropriada para lazer das famílias, das crianças e prática de esportes. Os animais são fortes e resistentes, o que os torna ideais também para o trabalho em fazendas” disse Jorge Salum, presidente da ABCCC, realizadora do evento.

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O evento gerou cerca de cinco milhões em negócios, número 20% superior ao faturamento da edição passada da exposição. “Contando os dois leilões e comercializações em geral computamos o valor médio de cinco milhões, um número interessante, mas que pretendemos superar na edição de 2018” explicou Jorge. A exposição contou com cerca de 200 expositores dos mais diversos Estados do país e surpreendeu a todos com uma programação bastante detalhada feita para agradar os criadores, os amantes do cavalo e para a população que esteve presente no Parque de Exposições da Gameleira. “A Nacional Campolina é um evento tradicional para o criador e para a população de Belo Horizonte, além dos julgamentos que comprovam a qualidade técnica dos nossos animais. Também preparamos atrações gastronômicas, shows musicais, espaço kids e outras opções que certamente deixaram o dia do visitante bastante agradável e por tudo isso contamos com a presença de cerca de 4,5 mil pessoas diariamente no parque”contou Suzana Salum

III O Espaço Mulher, bastante prestigiado em uma de suas palestras curadora da programação cultural do evento. Para Elas A Nacional do Campolina é um evento para toda a família e pensando nas mulheres que estariam no local a ABCCC criou em 2017 um espaço pensado para Elas. O local conhecido como Casa do Criador se transformou em um espaço bem decorado, confortável e aconchegante o que garantiu dias de confraternização e aprendizado. “Este foi um espaço pensado para nós mulheres, cada cantinho,

III Ana Cristina Marquito, Jorge e Suzana Salum no Espaço Mulher

serviço oferecido ou tema abordado nas palestras levaram em conta, nosso conforto e necessidades, afinal de contas um evento como nossa exposição Nacional merece ser brindado” disse Suzana Salum. Durante os dias de evento as visitantes do espaço participaram de palestras com o Dr. Bernardo Faria que falou sobre “Outubro Rosa”, com a Chris Gontijo que abordou o tema “Auto Estima e Sensualidade”, Grazi Coelho falou sobre “Importância da Imagem”, o Dr. Rusemberg explicou sobre “Botox e Preenchimentos Faciais”, a nutricionista Carmen Zita Pinto Coelho falou sobre “Alimentação correta e dietas” e a Sarah Pardini, comandou lindamente a palestra “De Salto ou de Botas!”. Além das palestras o Espaço Mulher contou com a presença da Mary Kay fazendo maquiagem nas mulheres e apresentando seus produtos, a Pericó com o lançamento do seu novo espumante, o DJ Leandro Rallo e a Mr Choco com seus brigadeiros. Para que o espaço ficasse ainda melhor, estilistas de renome, como Ana Cristina Marquito, Bianca Gibbon, Ludmila Gazzinelli, entre outras foram convidadas a levarem o melhor de seus trabalhos para dentro do evento. “O espaço foi um sucesso! Um momento de confraternizar e reunir as mulheres. Eu trouxe na bagagem oito anos de participação na Casa da Criadora na Exposição Nacional do Mangalarga Marchador então posso dizer que Força Campolina | Maio 2018 63


Nacional participar do Espaço Mulher foi uma forma de unir as raças o que é maravilhoso, já que ambas em conjunto se impulsionam. A gente que é mulher e vive o mundo do cavalo procura por peças condizentes com este mundo, eu já tinha uma linha voltada para este mundo, denominada horse ela conta com cavalos em ouro e outras peças que são muito bem aceitas, mas desenvolvi uma linha especial para o Campolina que foi um sucesso! Foi um prazer estar agora agregada a família Campolina” contou a estilista Ana Cristina Marquito que marcou presença no Espaço Mulher. Além de proporcionar bons momentos para as participantes do evento foi montado um bem equipado espaço kids para que os filhos dos campolinistas pudessem participar de shows de mágica, com personagens infantis, conviver com animais exóticos e como não poderia deixar de ser, brincarem muito. Responsabilidade Social Cuidar da sociedade na qual está inserida é um dos lemas da Associação Brasileiros dos Criadores do Cavalo Campolina (ABCCC), assim sendo o maior evento da raça também foi o momento de exercitar a responsabilidade social. Em parceria com a Setra-BH, a gameleira se transformou em espaço de coleta de livros novos e usados através da campanha “O Livro Acolhe, Abriga e Ensina” para escolas do meio rural. “A ABCCCampolina acredita que cultura é um dos bens fundamentais de um ser humano e é através dos livros que conseguimos nos ver imersos em um mundo de

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III As mulheres fizeram bonito em uma prova preparada exclusivamente para elas aprendizado e sabedoria. Somando os esforços de ambas as entidades conseguimos arrecadar mais de seis mil livros que foram distribuídos em 54 escolas rurais ” contou o presidente da entidade Campolina. As forças da entidade também estiveram voltadas para o recolhimento de brinquedos novos e usados que em parceria do SERVAS (Serviço Voluntário de Assistência Social) serão distribuídos a aqueles que necessitam. “A Nacional ocorreu no quarto trimestre do ano, ou seja, ligeiramente próximo ao natal, época em que as crianças têm esperança de receberem a visita do Papai Noel e ganharem seus presentes. Este é um momento muito bonito, inocente e marcante da vida de uma criança. Fizemos o possível para que o maior números delas sejam prestigiadas e contamos com a ajuda de todos os visitantes” comentou Suzana Salum. A semana da criança também não passou em branco. Em parceria com o Setra-BH cerca de 1000 crianças de entidades carentes da cidade foram acolhidas gratuitamente no espaço kids da Nacional do Campolina.

“Recebemos de braços abertos estas pessoas. Estamos construindo um trabalho de educação e cunho social, e assim estas crianças terão a oportunidade de estarem em meio a um mundo mágico e aprenderem e se divertirem com ele” disse Jorge. Marchadores Funcionais Além dos tradicionais julgamentos de morfologia e marcha os belos exemplares Campolina também mostraram que são bastante funcionais. “O Campolina é um cavalo marchador, para estar com seu dono em todas as horas e isso fica claro através das provas funcionais” disse Jorge Salum. Durante o evento houveram provas de maneabilidade onde o cavalo passa por balizas, tambores e outros obstáculos em tempos mínimos e o ranch sorting, esporte equestre que se baseia na prática pecuária de apartação de gado. “Provas como estas são importantes pois trazem emoção aos competidores e expectadores além de dar visibilidade para aquele animal que não necessariamente é o mais adequado para as competições de


III Eustáquio Maia do Haras Repol e sua nota durante a prova Kids marcha e morfologia, mas que certamente tem um espaço importante no dia a dia da fazenda” Diogo Gonzaga Jayme, presidente do Conselho Deliberativo Técnico da Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Campolina (CDT) e responsável pelas provas. Provas Sociais Provando que a Exposição Nacional do Cavalo Campolina é de fato um evento para toda a família, a ABCCC inseriu na programação provas onde filhos, esposas e criadores pudessem demonstrar seu amor pela raça e suas habilidades junto ao cavalo. Foram realizadas provas kids, das amazonas e dos coronéis “Ver toda a família par-

III Maria Helena Cadar concede entrevista à Força Campolina

ticipando de provas como estas é a maior emoção do mundo, isto é criar Campolina, é passar a paixão entre gerações, sou criador passei a paixão ao meu filho que repassou a minha neta, que participou da prova kids” disse o criador Eustáquio Maia. Para Felipe dos Santos, campeão da prova coronel, participar foi um orgulho. “Eu não esperava por esta vitória, mas com certeza fiquei muito feliz. Para a gente que monta a cavalo to-

III Felipe dos Santos, campeão da prova dos coronéis

dos os dias que praticamente nasceu em cima do animal ser consagrado com esse título é muito gratificante” contou. Segundo Maria Helena Cadar a parte social é imprescindível para sucesso da Exposição Nacional. “Há 37 anos meu marido Emir Cadar, confessou a intenção de realizar uma exposição exclusiva do Campolina e em nível nacional, nós fizemos a exposição, criamos a Semana Nacional do Cavalo Campolina o que foi bastante impactante. A primeira Exposição contou com muitos eventos, mas não tinha a casa do criador. Em 87 veio a ideia de fazer este espaço e ele foi minuciosamente preparado para acolher toda a família. É preciso que o criador, sua esposa e seus filhos sintam vontade de permanecer no parque, tenham programação adequada a cada um e para isso é necessário que tenhamos espaços acolhedores e interessantes já que sem o mínimo de conforto o parque pode se tornar bastante entediante para as esposas. Criar cavalo não é criar sozinho por isso provas como estas e atitudes como espaço kids e Espaço mulher foram um sucesso e certamente devem ser repetidas nas próximas edições” contou Maria Helena.

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Nacional Os Criadores 1. Os criadores estiveram em massa nesta edição da Nacional já que aqui é onde colhemos os maiores resultados no nosso trabalho. Afonso Silva - Presidente do Núcleo do Rio de janeiro

2. Fiquei muito feliz em participar mais uma vez da Exposição Nacional, e vejo com muita alegria o caminho que a raça está traçando. O nível dos animais fica mais alto a cada ano e isso é bastante impulsionador para todos nós.

3. A melhora da raça já vem acontecendo há alguns anos, podemos citar os anos de 2016 e 2017 como um divisor de águas já que a evolução do Campolina foi muito grande.

III Severino Pinheiro, Haras Pinval/SP III Afonso Silva, presidente do Núcleo Campolina do RJ

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III Victor Parahyba, Mandacaru/ CE

Haras


4. O Campolina vem evoluindo a cada dia, se tornando mais forte. A Exposição cresceu muito em relação aos anos anteriores e a Bahia e o Nordeste estão vindo com tudo.

III Nilton dos Santos, Haras Bela Vista/BA

5. Mesmo com problemas técnicos ocorrido com a grande campeã marchadora do ano passado, a Loteria do Momento, viemos prestigiar a festa e acompanhar a evolução de animais que já foram nossos e hoje representam outros haras em pista. O Campolina quando resolveu valorizar a marcha teve um desenvolvimento muito grande, com os animais mais compactos, mais próximos do chão e priorizando andamento a raça mostra que é funcional. Entendo que o cavalo foi feito para marchar e nós precisamos valorizar este andamento. Ano passado eu tive a maior alegria da minha vida que foi ver uma égua nossa ser Campeã Nacional de Marcha e certamente nos próximos anos teremos mais animais do nosso criatório fazendo bonito nas pistas.

6. Em Pernambuco temos o objetivo de expandir e fomentar a raça no nosso Estado. É perceptível um grande crescimento da tropa, principalmente na marcha picada. Viemos com 11 animais através do condomínio Evolution (Haras RB e Haras da Marcha) e percebemos uma Nacional com maior número de pessoas, de animais e grande evolução da qualidade racial.

III Renato Tavares Melo, presidente do Núcleo Campolina Pernambuco e titular do Haras da Marcha

III Dr. Dênis Moulin, Haras DMB/ES

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Nacional 7. Ano passado tive a felicidade de ter uma égua Campeã Nacional de Marcha, em condomínio com o Dr. Denis do BMB. Perceber um animal que a gente viu desde o nascer ser campeão nacional é uma emoção sem tamanho, o que nos dá uma felicidade a mais em estar neste evento. Esta edição da Nacional está muito bem organizada, Jorge, Suzana e Roberto Salum suaram bastante, mas conseguiram fazer uma exposição muito bonita, onde nós criadores estamos sendo muito bem acolhidos

8. Crio Campolina há mais de 25 anos, sempre acompanhei a nacional e percebo um crescimento enorme, na casa de 25% na quantidade de animais e de criadores. Talvez esta tenha sido a nacional da raça que mais cresceu em relação a estes dados, isso em um ano complicado. E tudo é reflexo da qualidade da raça e de seus exemplares, o cavalo é muito dócil, muito bonito, vem passando por um grande melhoramento racial e está com estatura excelente. Os meus animais são basicamente de uso, inclusive o utilizamos em uma agência de passeios ecológicos e os turistas de todo o Brasil elogiam a raça e aqueles que nunca tiveram contato com a mesma até se assustam com a comodidade e agilidade. Cada dia que passa a evolução do cavalo está mais rápida.

9. A exposição de 2017 teve um dos melhores níveis de animais nos últimos 30 anos e a festa esteve muito bonita e muito família. Nós temos observado jovens entrando na raça, isso é resultado do crescimento na funcionalidade do cavalo e nós ficamos muito felizes com isto porque a continuidade está na mão deles.

III Nelson Grassi, Haras Beija Flor/ MG

III Cristiano Azevedo, Haras Momento/MG

III Welerson Cabral, comanda uma agência de passeios em Tiradentes/MG

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10. Há muito tempo não víamos uma Nacional tão movimentada com animais de tão boa qualidade. A raça já vinha fazendo animais muito bons, mas a média e padronização da tropa tem crescido surpreendentemente. Confesso que enquanto criador fico admirado porque a cada ano mais difícil ganhar na Nacional. O JHR participou de todas as edições do evento e nos últimos anos o melhoramento genético é muito claro. No nosso Haras priorizamos a dedicação, trabalhando sempre para o melhoramento da raça. Investimos tanto na marcha batida quanto na picada, já que a melhor marcha é a marcha boa.

III José Henrique Salvador, Haras JHR/MG

12. A docilidade do Campolina encanta qualquer mulher, nós gostamos de comodidade, conforto, beleza e robustez e a raça oferece o pacote completo. É um cavalo excelente para a cavalgada, com crianças, tem uma docilidade extrema, por isso temos tantas mulheres criadoras. É uma raça apaixonante! Sandra Silveira, Haras Mirante do Coral/MG 13. A Semana Nacional do Campolina não é só uma exposição de cavalos, não é só uma competição, é um encontro de família, todos têm mentes positivas, se ajudam mutuamente, e eu acredito que já somos referência brasileira. Márcia Gamas, Haras Uniop/ SP

III Márcia Gamas, haras Uniop/ SP E Sandra Silveira - Haras Mirante do Coral/MG

14. A Nacional de 2017 foi bastante competitiva, os criadores acordaram e perceberam que precisamos nos preocupar com o andamento do cavalo porque a morforlogia é importante mas se formos olhar o cavalo apenas por beleza seria melhor tirar uma foto e colocar na parede. No ABA o critério de seleção é voltado para andamento e também para a pelagem pampa. Nos últimos anos a liquidez de tudo no nosso país foi baixa, e o cavalo também sofreu com isso, mas percebemos pelos leilões uma melhoria neste sentido. No ABA nós andamos na contramão do mercado, enquanto ele se retrai nós investimos e colhemos ótimos resultados.

III Ailton José de Jesus Faria – Haras ABA

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Matéria

Summer Wind mais uma vez surpreende os campolinistas Haras Ventania mostra a tropa que conquistou grandes campeonatos na Nacional 2017

O

criador Maurício Wanderley Costa realizou no dia 16 de março mais uma edição do já aclamado Summer Wind, um dia especialmente formatado para confraternizar com a família Campolina e para apresentar o renomado e premiado plantel Ventania.

Neste segundo evento foram apresentados em destaque os grandes Campeões Nacionais 2017 – Duka, Ferrabras e Habeas Corpus do Haras Ventania, juntamente com outros exemplares que ajudaram o haras a conquistar o expressivo e tão sonhado título de Melhor Criador e Expositor Geral na última Nacional da Raça. Também estiveram em evidência as novidades da tropa, com destaque para a última safra, que revelou o grande trabalho feito pelo haras já que os produtos apresentados se mostram extremamente evoluídos.

||| Equipe, família e colaboradores do Haras Ventania

74 Força Campolina | Maio 2018

Cerca de 200 pessoas prestigiaram o evento, entre criadores e seus familiares o que demonstra a força da raça e o conceito vitorioso do evento. “O Summer Wind foi uma forma que encontramos para esquecer a pressão das pistas e confraternizar. A primeira edição foi uma homenagem ao Induto, este ano comemoramos as conquistas de 2017. Para 2018, já estamos programando uma grande festa, sempre repleta de amigos e bons momentos. “Gostaria de ressaltar minha felicidade com a presença de todos, normalmente sou bem prestigiado aqui no Rio mas


este ano como as pessoas já incorporaram o evento a seus calendários veio gente de outras partes do Brasil e contar com criadores do meu Estado e de outros foi muito gratificante para mim” contou Maurício. Para 2018 o Haras Ventania já prepara uma grande festa que terá como base a evolução da raça e claro, a confraternização campolinista.

||| Marina, executando o Campeão Nacional Demolidor do Haras Ventania

||| Audrey e Maurício Wandeley Costa, os anfitriões

||| Summer 2018, prestigiado

||| Marcelo Enne em diálogo com Leandro do Haras Chagas Força Campolina | Maio 2018 75


Campeões

M

Os melhores da raça

ais uma vez o Parque da Gameleira testemunhou a grande Exposição do Cavalo Campolina. Parque sempre cheio de criadores e amantes do bom cavalo, onde evidenciou-se a qualidade da marcha como fator decisivo nos resultados sempre bem disputados. Com quase 600 exemplares no Parque Bolívar de Andrade, tudo foi apreciado aos mínimos detalhes, disputadas “palmo a palmo”, como deve ser, valorizando o atual estágio de evolução da raça.

Aqui estampamos os Grandes Campeões Nacionais Adultos e os Grandes Marchadores em todas as suas categorias. MARCHA BATIDA - PAMPA Macho

Grande Campeão Nacional – Xumaki do Repol

Res. Grande Campeão – Barolo do Roliço

Fêmea

Grande Campeã Nacional – Aurora do Repol

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Res. Grande Campeã – Pauleira do Barulho


MARCHA PICADA – PAMPA Fêmea

Grande Campeã Nacional – Cobiçada do Desejo

Res. Grande Campeã - Manchete do Barulho

MARCHA BATIDA Macho

Grande Campeão Nacional – Ferrabrás do Haras Ventania

Res. Grande Campeão – Quincas de São João

Fêmea

Grande Campeã Nacional – Duka do Haras Ventania

Res. Grande Campeã – Decolagem do Haras Ventania Força Campolina | Maio 2018 77


MARCHA PICADA Macho

Grande Campeão Nacional – Malibu do LM

Res Grande Campeão – Joalheiro do RM

Fêmea

Grande Campeã Nacional – Perola do Pinval

Res. Grande Campeã – Ubaiana do Pinval

GRANDES MARCHADORES - MARCHA BATIDA Macho

Grande Marchador – Quebra Nozes do Barulho 78 Força Campolina | Maio 2018

Res Grande Marchador – Midori da Hibipeba


Fêmea

Grande Marchadora – Duka do Haras Ventania

Res. Grande Marchadora – Ximena do Pinval

GRANDES MARCHADORES - MARCHA PICADA Macho

Grande Marchador – Malibi do LM

Res Grande Marchador – Barbosão dos 3 Poderes

Fêmea

Grande Marchadora – Rumba do Bandarra

Res. Grande Marchadora – Cavalgada da Raça

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GRANDES MARCHADORES - MARCHA BATIDA - PAMPA Macho

Grande Marchador – Chagas do ABA

Res Grande Marchador – Boris do Repol

Fêmea

Grande Marchadora – Aurora do Repol

Res. Grande Marchadora – Veneranda da Agua Santa

GRANDES MARCHADORES - MARCHA PICADA - PAMPA Fêmea

Grande Marchadora – Cobiçada do Desejo 80 Força Campolina | Maio 2018

Res. Grande Marchadora – Manchete do Barulho


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Força campolina 34  

Revista

Força campolina 34  

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