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JORNAL

ESTRADA DE

CAIO MARTINS

EDIÇÃO COMEMORATIVA DOS 70 ANOS DA FUNDAÇÃO EDUCACIONAL CAIO MARTINS (FUCAM) | MAIO 2018

Fundação celebra 70 anos de trabalho em Minas Gerais

Fazendas da FUCAM se transformam em escolas ao ar livre

FUCAM Mais Aberta estimula participação social e prevê o atendimento de 15 mil pessoas em 2018

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JORNAL ESTRADA DE CAIO MARTINS

E D I TO R I A L

EXPEDIENTE: Jornal Estrada de Caio Martins Publicação Especial em comemoração aos 70 Anos da FUCAM N°1 - Maio/2018 Portal: www.fucam.mg.gov.br Governo do Estado de Minas Gerais Governador: Fernando Damata Pimentel Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (SEDESE) Secretária: Rosilene Cristina Rocha Secretária de Estado Adjunta: Karla França Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM) Presidente: Maria Tereza Lara Vice-presidente: Gildázio Alves dos Santos Este jornal foi diagramado e impresso com recursos de doação de parceiros, arrecadados pela Associação dos Servidores da FUCAM – ASCAM – CNPJ: 04.356.302/0001-58, não houve portanto desembolso de recursos do orçamento público. Produzido pela equipe de Assessoria de Comunicação e Mobilização Social da FUCAM Direção: Gildázio Alves dos Santos e Michelle Parron Ruiz Coordenação Geral de Jornalismo: Michelle Parron Ruiz Mtb n°18379 Redação e Reportagem: Gabi Coelho e Michelle Parron Ruiz Produção: Diego Silva Colaboradores: Maria Paula Taunay, Adriene Sathler Aguiar Policarpo, Gilda G. Durães Batista, César Bahia, Cid Ragnar Maia, Rogério Eduardo Arruda, Cléria Laia Alves, Rosália Bicalho e Centros Educacionais da FUCAM Fotografia: Acervo FUCAM Michelle Parron Acervo pessoal da família do Coronel Manoel de Almeida Centros Educacionais da FUCAM e RONDON Minas Projeto Gráfico e Diagramação: Mel Perete Impressão: Paulinelli Serviços Gráficos CNPJ: 71.365.449/0001-00 Tiragem: 5.000 exemplares Direitos reservados. Permitido o uso das informações desde que citada a fonte. Fundação Educacional Caio Martins CNPJ: 19.169 713 0001/01 Rod. Papa João Paulo II, 4143, B.: Serra Verde - BH / MG Prédio Minas / 14º andar, CEP 31630-900 - (31) 3916 7800 comunicacao@fucam.mg.gov.br Distribuído em 01 de maio de 2018.

Uma caminhada foi iniciada há 70 anos pelas estradas de Minas Gerais. Cidadão a frente do seu tempo, em 1948 Coronel José Manoel de Almeida deu vida a um projeto inovador na educação chamado de “Escolas Caio Martins”. Hoje, ao olharmos no retrovisor da história, visualizamos uma longa estrada percorrida com quilômetros de lutas, com vitórias e conquistas, com territórios desbravados, comunidades humanas erguidas no meio do quase nada e mais de 80 mil ex-alunos cidadãos formados, influenciando positivamente vários segmentos da sociedade e por territórios de todo o país.

municipais são parceiras importantes da FUCAM. No eixo Educação foi firmado um convênio com a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), para o funcionamento de seis Polos de Educação Integral e Integrada, o mesmo garante o atendimento de cerca 1.300 estudantes por ano.. Em Esmeraldas (MG) foi reestruturado o Curso Técnico em Agropecuária, hoje com duas turmas, somando 80 alunos na Escola Estadual Santa Tereza e foi implantado o Curso Técnico em Agropecuária na Escola Estadual Antônio Ortiga, em Juvenília (MG) com duas turmas, um total de 90 alunos. Outra conquista é ter conosco o Programa Ciência em Movimento, que, em parceria com a Fundação Ezequiel Dias (Funed) e Escola de Saúde Pública (ESP-MG), leva conhecimento sobre animais peçonhentos, dengue, leishmaniose, doenças sexualmente transmissíveis e outros assuntos para as comunidades, a bordo de um caminhão todo equipado.

As Escolas Caio Martins, instaladas em 6 municípios de Minas Gerais, ofereciam a Escolarização Básica e a integração do conhecimento teórico e prático em um trabalho pavimentado e iluminado pelos princípios do humanismo, dos ideais do escotismo, da solidariedade e do espírito de liderança. Atualmente vinculada a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (SEDESE), a Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM), por meio desta gestão iniciada em 2015, assumiu o compromisso perante o Governo do Estado de Minas Gerais, do Ministério Público e da sociedade de reestruturar, reordenar e apresentar um Novo Modelo de Atendimento e funcionamento institucional, observando as determinações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), da Política Nacional de Convivência Familiar e Comunitária.

No eixo Trabalho/ Profissionalização foram firmadas parcerias com diversas instituições, entre elas a Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), a UFV Campus Florestal, Emater-MG e o SENAR Minas para apoio no desenvolvimento do nosso trabalho e oferta de cursos de curta duração. No eixo Cultura estão sendo desenvolvidas atividades de iniciação musical, orquestras, CineFUCAM e ações de valorização da cultura regional, incluindo o mapeamento dos equipamentos culturais. A FUCAM integra a Frente da Gastronomia Mineira (FGM) e ao Conselho Estadual de Cultura (CONSEC-MG), espaços onde defendemos a cultura do rio São Francisco.

O novo modelo institucional foi estruturado em sintonia com as políticas públicas atuais, priorizando ações sustentadas em quatro eixos: 1) Educação, 2) Assistência Social, 3) Trabalho, 4) Cultura. Os Centro Educacionais passaram a ser espaços privilegiados de articulação das políticas públicas estaduais nos territórios Norte (Buritizeiro, Januária, Juvenília e São Francisco), Noroeste (Riachinho) e Região Metropolitana de Belo Horizonte (Esmeraldas), onde as unidades estão inseridas e cujas prefeituras

No eixo Assistência Social foram criados grupos de trabalho compostos pela rede de proteção do município para discutir demandas de prevenção das vulnerabilidades sociais nos seis municípios. Agregando às conquistas do novo tempo, por meio de programas e projetos especiais com-

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plementares e transversais aos eixos, celebramos a chegada do programa FUCAM Mais Aberta, responsável por colocar quase 30 mil pessoas nos seis Centros Educacionais em vários eventos abertos para a comunidade, a realização de diagnóstico e intervenções por meio de projetos sociais com o deslocamento de 90 acadêmicos de instituições de ensino superior do Projeto RONDON Minas. Avançando pelas fronteiras do Brasil e nos conectando a América do Sul, fomos convidados a ir até a Argentina, junto a equipe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SEDECTS) para conhecer o trabalho realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA), abrindo novas portas e firmando futuras parcerias que se transformarão em ponte de trocas e transferências de tecnologias voltadas para agricultura familiar dos territórios. Outra vitória a ser comemorada é a implantação na Fazenda Sítio Novo, na comunidade de Vista Alegre em Esmeraldas, do Projeto Ciclos - Parque Tecnológico de Reciclagem Popular, uma parceria com o Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA) com potencial para ser referência nacional e internacional. Nada disto seria possível sem a participação efetiva de todos e todas que ajudaram a construir esta história, desde o fundador Coronel Almeida, seus familiares, diretores, gerentes, coordenadores, professores, servidores, alunos, parceiros e equipe atual dos Centros Educacionais e da Sede em Belo Horizonte. E neste momento histórico que é a comemoração dos 70 anos, ressaltamos o apoio do Governador Fernando Pimentel e das secretarias estaduais que têm nos orientado na realização de uma gestão participativa com muito diálogo, equilíbrio e trabalho. Maria Tereza Lara - Presidente da FUCAM Gildázio Alves dos Santos - Vice-presidente da FUCAM


JORNAL ESTRADA DE CAIO MARTINS s o n A 0 7 M A C A estrela da esperança que U F brilha no coração do povo mineiro Foto: Acervo FUCAM A Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM) completa 70 anos em 2018. Fundada em 1948 no município de Esmeraldas (MG) pelo Coronel Manoel José de Almeida, acompanhado pela pedagoga e esposa Márcia de Sousa Almeida, a FUCAM traçou, às margens do rio São Francisco e desbravando a paisagem do sertão mineiro, uma história de dedicação e amor às famílias de Minas Gerais, principalmente as que careciam de mais atenção no nosso Brasil profundo e marcado pelo cenário de escassez. Vinculada a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (SEDESE), do Governo de Minas Gerais, a FUCAM já atendeu mais de 80 mil alunos em regime de internato com educação básica, ensino de carpintaria, marcenaria, horticultura, avicultura, apicultura e suinocultura, alfaiataria, sapataria, serviços de pedreiro, noções de mecânica, datilografia, atividades artísticas, educação física, escotismo e ensino religioso. Ao longo de sua história foram abertas seis unidades da “Caio Martins”, hoje chamadas de Centros Educacionais, localizados nos municípios de Buritizeiro (MG), Esmeraldas (MG), Januária (MG), Juvenília (MG), São Francisco (MG) e Riachinho (MG). Em 1974, promulgou-se a Lei nº 6514 , que transformou as Escolas Caio Martins em Fundação Educacional Caio Martins – FUCAM – com personalidade jurídica própria, autoridade administrativa-técnica e financeira sem fins lucrativos.

da Criança e do Adolescente (ECA), a FUCAM mudou a sua forma de atendimento e deixou de trabalhar com o Sistema de Lares (internato), ampliando o acesso da sociedade, atuando com os eixos Educação, Cultura, Trabalho e Assistência Social. Com o Novo Modelo de Atendimento atualmente a Fundação é responsável pela gestão de seis Pólos de Educação Integral e Integrada da Secretaria de Estado de Educação, uma das principais parceiras da instituição. Oferece diversos cursos profissionalizantes, técnicos, aulas de cultura, práticas de esportes e realiza práticas de sustentabilidade, além de abrir espaço para movimentos, associações, entidades e diversas organiza-

Atendendo as exigências do Ministério Público de Minas Gerais para se cumprir às prerrogativas e determinações do Estatuto

Coordenadora do Portal do Museu da Educação do Distrito Federal (MUDE), Universidade de Brasília (UNB)

É com orgulho e alegria que celebramos o aniversário da nossa querida “Caio Martins” e convidamos você a conhecer um pouco mais da nossa história, das milhares de pessoas envolvidas no ontem, no hoje e que lutam, dia a dia, pelo futuro da FUCAM. Um trabalho que proporciona mais esperança e dignidade às nossas crianças, jovens e adultos brasileiros. Afinal, segundo o nosso saudoso Coronel Almeida, “as Escolas Caio Martins não nasceram dos livros, surgiram da vida”. Bem-vindo e bem-vinda a Caio Martins!

Manoel José de Almeida, Meu Avô

MARIA PAULA TAUNAY

ções sociais através do programa FUCAM Mais Aberta, expandindo ainda mais a suas trocas de saberes com às comunidades.

Render homenagem a Manoel José de Almeida, personagem notável da educação mineira do século XX por sua obra e seu ideal é tarefa relevante na trajetória profissional de qualquer educador. Mais ainda quando o ideólogo da Escola Caio Martins possui uma parcela da matemática genética que presenteou-me como meu avô, quase um pai, despertando-me a vocação à educação desde a mais tenra idade. Ao escrever sobre o Vovô Manoel busco no meu vocabulário as palavras mais doces, mais retas, mais humanas para

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honrar como seu exemplo pessoal e profissional situou-me entre os que estudam a história da educação brasileira e entendem que nos passos de nossos antecessores encontram-se as bases intelectuais dos professores da contemporaneidade. Meu avô nasceu em Januária e cresceu sertanejo nas margens do Rio São Francisco com água barrenta, peixe surubim mastigado com pimenta e a poeira da realidade brasileira do início do século XX. Nascido em 1912, filho de José Antônio de Almeida e Rita Dias de Almeida, era um “baianeiro” típico da região e, como seus conterrâneos, entrou na juventude forte


JORNAL ESTRADA DE CAIO MARTINS e dourado do sol na família de extenso saber caboclo, alimentado por mangas doces e tamarindos azedos. A casa simples, escura, coberta por um sapê baixo, com uma janela na fachada virada para a rua viu seu nascimento e ambientou sua infância em um quintal cheio de árvores que revelam sua sensibilidade à sua origem e seu respeito à natureza. Ao sertão voltaria sempre conservando em si a intensidade do sol, a correnteza do rio nos pensamentos e o desejo de forjar a dureza da realidade por meio do ensino. Sua disciplina espartana daria-lhe o foco necessário para atingir seu propósito, com destaque durante a carreira militar, onde desenvolveu o porte de atleta demonstrado na agilidade com armamentos no Terceiro Batalhão de Minas Gerais, durante a Revolução de 1930. Mais tarde, como professor do Departamento de Instrução da Chefia da Polícia Militar de Minas Gerais, revelou sua determinação nos artigos “Coeficiente Afetivo”, “Integração da Personalidade” e “Polícia do Futuro”, em Revistas Militares.

Quando casa-se com Márcia de Souza, forma sua família e, com ela, formula seu projeto de vida. Como chefe de Gabinete do Comandante Geral Coronel José Vargas da Silva toma conhecimento do intenso acesso de jovens migrantes, recém‐chegados à urbes belorizontina. Os assaltos e crimes levavam os jovens foragidos à uma vida de marginalidade. O fato não é recebido com indiferença no coração de Manoel, ao contrário, ali despertaria a missão que abraçaria por toda a sua existência. É do sofrimento alheio que lhe brotou um sincero sentimento de oferecer uma alternativa a estes jovens e assume para si a delicada missão de educar o seu povo. Como estudiosa da educação brasileira e como sua neta, vejo Manoel de Almeida como uma estrela da constelação sertaneja cuja luz fez história no século XX. Naquele cenário

agreste, Manoel distribuiria conhecimento formulado na matriz regional do “saber sertanejo”. Como o que trouxe da Bahia, da pequena Caetité, Anísio Teixeira e o desejo de transformar o quadro de desigualdade social do país pela educação. De Vitória da Conquista, com a genialidade de Glauber Rocha para mostrar nas telas do cinema o valor do cangaceiro e da gente sofrida de suas origens. Ao sul, já em Minas Gerais, Darcy Ribeiro traria de Montes Claros o seu olhar antropológico conclusivo na obra “O povo Brasileiro: A formação e o sentido do Brasil” e ainda Antônio Montalvão, criador de cidade e descobridor do complexo de cavernas na região de Montalvânia, que viu nas pedras uma mensagem do passado para a modernidade, a “Bíblia de Pedra”. Dessa história me vi parte e desses homens e suas grandiosas missões me sinto herdeira. Sem almejar qualquer riqueza todos traziam a genuína convicção na transformação da realidade por meio da educação e da cultura. Entre estes expoentes, meu avô, um filho da terra e da temperança em pessoa. Habilidoso no trato, conquistou uma legião de seguidores que apoiaram sua causa. Estudioso do ser humano, por onde fosse levava um livro e pedia-nos que lêssemos em voz alta, assim li Dona Beja, Machado de Assis, sempre grandes livros em grossos volumes. Gostava de comer, de conversar e de sentar debaixo de uma sombra pois reconhecia nas árvores seres sensíveis. Amava apreciar a paisagem, em especial, as linhas do horizonte como se delas fosse colecionador. De tantas andanças de carro por Minas Gerais, em tempos de campanha política, ainda bem preservados em minha memória, guardo sua fronte acastanhada, os cabelos brancos e o olhar sempre altivo a procurar as linhas retas ou curvas do horizonte mineiro, sua busca infinita. Com senso de humor, pregava peças nos netos, cantava a Marselhesa em francês e onde quer que se sentasse, sua coluna estava ereta. Gostava de ouvir e de auxiliar os outros, com este espírito homenageia o escoteiro Caio Martins, herói e vítima do desastre ferroviário ocorrido na Serra da Mantiqueira, em 1938, e da seu nome e sua aura ao presentear-lhe o nome à recém-nascida escola que entra nos trilhos sob o princípio de que “Um escoteiro caminha com suas próprias pernas”. Com a disciplina ordeira dos escoteiros criou-se inicialmente o curso primário, para

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atender estudantes do meio rural, em regime de casas-lares, construídos na Fazenda Santa Barbara, por militares, há 70 anos atrás. Desde 1948, com a força do bem construíram oficinas de serralheria, sapataria e padaria para trazer benefícios para todas população. Em 1952, foi criada a segunda unidade Escola Caio Martins, no município de Buritizeiro, à margem esquerda do Rio São Francisco, à época, município de Pirapora. Em 23 de setembro de 1953, Almeida festeja seu 36o. aniversário inaugurando a unidade do Carinhanha, para os filhos das famílias dos colonos da região e imigrantes do nordeste do país. Em 1956, mais duas unidades, São Francisco e Januária e em 1957, e posteriormente o Centro Educacional de Urucuia para atender os filhos das famílias de lavradores da região e imigrantes com destino aos grandes centros urbanos. O século XX começava a se restabelecer de duas grandes guerras e Manoel de Almeida distribuía escolas pela região mais necessitada do estado de Minas Gerais antecipando tendências inúmeras educacionais e modismos humanitários. As Escolas Caio Martins representavam uma política pública inovadora baseada no acolhimento de menores, em áreas rurais, em regime de lares, com forte apelo à educação no campo, movido pela tendência cívica do escotismo como modelo para o país, numa base curricular sustentado no ensino da Música, na valorização dos estudos agrícolas, para promover a igualdade de oportunidades na díspar população brasileira de então. De Manoel de Almeida guardo seu andar longilíneo, sua caixa de remédios, seu jeito marcial de chamar Márcia! Sempre rodeado dos seus seis filhos, muitos netos, tantos alunos e inúmeros discípulos ele ia à frente nos passeios. Suas mãos com veias grossas saltadas eram finas e suaves e seu toque respeitoso e amigo. Lembro-me dele na praia escolhendo peixe no arrastão, chupando picolé de coco e da explicação de que ele não podia sofrer contrariedade para preservar seu coração. Homem temente a Deus de elevada sensibilidade espiritual, era um ser humilde que não se vangloriava de qualquer de seus atributos. Entendo essa como sua maior qualidade, a humildade com que demonstrava a sua consciência da transitoriedade da existência junto à forma inspirado e amorosa que tratou a sua missão, um belo exemplo para todos os que servem a causa da humanidade. Para concluir, espero sua volta a este plano espiritual para reencontrar a Fundação Caio Martins repleta de professores, gestoras e estudantes produzindo conhecimento e pesquisa de alto nível, com o acolhimento e a amorosidade inerente aos Caiomartinianos. Nos festejos dos seus 70 anos, desejo que Caio Martins seja ambiente de diálogo fluente e que seus alunos continuando a dirigir os caminhos desta obra para a sua emancipação e de toda a população mineira.


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Fazendas da FUCAM se transformam em escolas ao ar livre Áreas destinadas ao cultivo e criação proporcionam construção de conhecimento para jovens e adultos de Minas Gerais Texto: Michelle Parron Ruiz | Foto: Acervo FUCAM A FUCAM possui em seu patrimônio fazendas distribuídas nos Centros Educacionais, onde são realizadas criações de animais e o cultivo de legumes, verduras e frutas, alimentos produzidos para o público atendido nos Polos de Educação Integral e Integrada da Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) que estão localizados dentro dos Centros Educacionais da FUCAM. Além da sua relevância para abastecimento da fundação, as fazendas possuem uma importância histórica nos processos pedagógicos da FUCAM. Há 70 anos, desde a época em que o Coronel Manoel José de Almeida começou a trabalhar na abertura das primeiras unidades, as áreas foram integradas ao processo de aprendizado como ferramenta de integração do estudo teórico e prático. Durante o

contra turno, os alunos em regime de internato aprendiam as noções básicas da olericultura, agricultura, bovinocultura, suinocultura, avicultura, ovinocultura e caprinocultura. Mesmo após o reordenamento da FUCAM realizado em 2015 para atender a legislação e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), as fazendas da Fundação continuam a promover atividades pedagógicas e de cultivo. Cursos técnicos, projetos de fomento a agricultura familiar e ações de preservação ambiental passaram a ser realizados pela FUCAM, através de parcerias. Para Érica Fernanda Justino, Coordenadora Estadual da Educação do Campo e Educação Indígena da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, “a partir do momento que você usa o cotidiano de uma criança como recurso para se pensar a construção do conhecimento, isso facilita a absorção da informação dentro do ambiente da educação, que muitas vezes é completamente abstrato para ela.”, explica a coordenadora.

Produção de mudas para preservação do rio Cochá realizada com alunos do Curso Técnico em Agropecuária do Centro Educacional do Carinhanha (CEC).

Crianças aprendem e ensinam sobre o valor nutricional dos alimentos durante evento pedagógico. Estudantes aprendem a usar bambus para evitar a erosão nas margens do rio Carinhanha, em Juvenília (MG).

Visita a horta durante a trilha ecológia realizada com jovens na Fazenda Cantinho da FUCAM. Atividade pedagógica que proporcionou o contato com a produção no campo, a criação de animais e a fauna e flora do local.

Crianças aprendem sobre o processo da compostagem.

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1958 - 1967

1968 - 1977

1978 - 1987

1958- Instalação do curso de radiotelegrafia no Núcleo Colonial do Urucuia.

1968- Criação da associação dos ex-alunos das Escolas Caio Martins (ASSEXACAM).

1979- Criação do curso Técnico em Agropecuária e Magistério, em Esmeraldas.

1973- Retorno do Ginásio normal da fazenda do Rosário em Ibirité para Esmeraldas.

1980- Reconstrução e ampliação do Centro de Treinamento de Jovens Lideres Rurais de São Francisco com recursos do BIRD.

1961- Coronel Almeida deixa a Direção da Escola Caio Martins. 1963- Transferência do Curso Normal Regional para a fazenda do Rosário, na Fundação Helena Antipof em Ibirité.

1948 - 1957 1947- Carta do 1º tenente Raul Chaves Mendes sugerindo ao Coronel José Vargas, Comandante da Polícia Militar, transformar a Fazenda de criação de cavalos em Esmeraldas em uma instituição para abrigar (menores carentes e abandonados). 1948- Inauguração da ESCOLA CAIO MARTINS, publicação do primeiro decreto de criação da Escola Caio Martins e visita o Dr. Milton Campos, Governador do Estado de Minas Gerais. 1949- Composição do Hino da Escola Caio Martins por Saul Martins (Cel. da Polícia Militar) e Raimundo Martins. 1950- Criação do curso de Práticas Agrícolas e preparo para chefia de lares. 1951- Construção da Igreja Santa Tereza de Ávila e criação da sapataria e fábrica de bonecos em Esmeraldas. 1952- Criação da carpintaria e Mecânica e da fábrica de vassouras e inauguração

1974- Publicação do Decreto 6.514/1974 que transforma as Escolas Caio Martins em Fundação Educacional Caio Martins - FUCAM.

1981- Formatura da 1ª turma do curso normal em Esmeraldas. 1982- Formatura da 1ª turma do Curso técnico em agropecuária. 1987- A FUCAM assume a direção da Fazenda Serra Negra, em Esmeraldas.

do Núcleo Colonial de Buritizeiro (Centro Educacional de Buritizeiro). 1953- Criação do Curso Normal Regional, destinado à formação de professores para o meio rural e inauguração do Núcleo Colonial Vale do Carinhanha (Centro Educacional do Carinhanha) em Juvenília com missa celebrada pelo Bispo Dom Vitor Sartori. 1954- Inauguração da 1ª Casa-lar de meninas na Fazenda Boa Viagem, em Esmeraldas. 1956- Inauguração do Centro de Treinamento de Jovens Líderes Rurais de São Francisco (Centro Educacional de São Francisco), inauguração do Centro de Treinamento de Jovens Líderes Rurais de Januária (Centro Educacional de Januária) e formatura da 1ª turma do Curso Normal Regional em Esmeraldas. 1957- Inauguração do Núcleo Colonial do Urucuia (Centro Educacional de Urucuia, em Riachinho, MG).

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Linha do Futuro

rumo aos 100 anos em 2048!

1988 - 1997 1988- Falecimento do Coronel Manoel José de Almeida. 1989- FUCAM assume direção da Escola Conselheiro da Mata, em Diamantina (MG). 1990- Servidores da FUCAM passam de Regime próprio para Regime Estatutário. 1992- Olimpíadas esportiva-cultural entre os Centros Educacionais da FUCAM. 1998- Comemoração do Cinqüentenário da FUCAM.

2008 - 2018 2011- Conselho Curador da FUCAM aprova a doação da Fazenda Sítio Novo para a SEDS construir uma penitenciária. 2012- Comemorações do Centenário de nascimento do fundador Coronel Almeida. 2015- Início dos Estudos de Caso do Reordenamento Institucional e do desenho do Novo Modelo de Atendimento. Realização do Diagnóstico Institucional e do Seminário de Reordenamento com a participação de todos os Centros Educacionais, SEDESE e SEE-MG.

2006- Iniciam-se as ações do Ministério Público Federal do Trabalho e do Ministério Público Estadual exigindo da FUCAM mudanças estruturais em seu atendimento.

2016- Aprovação do fim da Moradia Estudantil pelo Conselho Curador. Aprovação do novo modelo de atendimento estruturado nas Políticas Públicas de Educação, Assistência Social, Trabalho e Cultura. Governador de MG assina o Distrato da Doação da Fazenda Sítio Novo que seria destinada à criação de penitenciária pela SEDS. Acompanhamento dos estudantes devolvidos as famílias e as redes sócio-assistenciais dos municípios.

2007- Fucam assina Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Estadual e passa atender em moradia estudantil adolescentes a partir de 12 anos. Dá início ao fim da Moradia Estudantil desativando as moradias nas fazendas dos Centros Educacionais e integralmente no Centro Educacional de Buritizeiro.

2017- Nova fase institucional com a construção de parcerias para implantar o Novo Modelo de Atendimento. Criação da Assessoria de Comunicação. Implantação dos Polos de Educação Integral nos seis Centros Educacionais. Implantações do Curso Técnico em Agropecuária em Esmeraldas

1998 - 2007 2000- Criação da Associação dos Servidores da FUCAM - ASCAM. 2001- Márcia de Souza Almeida assume a presidência da FUCAM.

e do Curso Técnico em Agropecuária em Juvenília. Início da Parceria com Projeto RONDON Minas. Assinatura do Termo de Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), para construir o Projeto Ciclos, Parque de Reciclagem Popular em parceria com a Sociedade Civil e Prefeitura Municipal de Esmeraldas e demais parceiros. FUCAM lança os programas do futuro e assina e publica no Imprensa Oficial de Minas Gerais (IOF/MG), 27 termos de cooperação e parcerias com diversos órgãos, secretarias, ONGs e instituições de ensino superior. Futuro: Projeto Ciclos - na fazenda Sítio Novo na comunidade de Vista Alegre, em Esmeraldas (MG). 2018- Consolidação do Cine Fucam nos seis Centros Educacionais. Aprovação do Projeto Sala Verde em parceria com Ministério de Meio Ambiente, para ser implantado incialmente em Esmeraldas. O Caminhão do Ciência em Movimento desembarca nos Centros Educacionais da FUCAM com parcerias da FUNED / FUCAM / ESPMG. Implantação do Campo de Sementes do Projeto Sementes Presentes. Projetos Políticos pedagógicos dos Centros Educacionais. Seminário de Planejamento e Gestão da FUCAM. Tombamento pelo conselho Estadual de Patrimônio do prédio da FUCAM em Buritizeiro. Criação do Museu de Culturas do Rio São Francisco.

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Inovação Social e Tecnologia (INOVAFUCAM): - FUCAMLab: as salas do edifício Acaiaca, em Belo Horizonte, passarão a ser um laboratório de inovação social com jovens da região metropolitana e parceiros da FUCAM. - Implantação da EAD FUCAM. - Espaço Cultural Coronel Almeida (ECCOA): o prédio do bairro Nova Suíça, antigo almoxarifado central, se transformará em um espaço multiuso e atenderá jovens e o público da economia popular solidária. Sustentabilidade e Agroecologia: - Programa Sementes D’Água em todos os Centros Educacionais da FUCAM. - A Fazenda Paulistas em Esmeraldas, será transformada em espaço Ecopedagógico e receberá a Escola Metropolitana de Agroecologia da Grande BH – EMA em parcerias com instituições de ensino superior e diversas redes temáticas. - Projeto Ciclos: Parque Tecnológico da Reciclagem Popular em Parceria com o INSEA. FUCAMPO – Apoio a Agricultura Familiar e Extensão Rural: - Palmas Pela Vida: Implantação de Campos de Produção para Multiplicação de Palmas Forrageiras nos Centros Educacionais do Norte de Minas e Noroeste. - Implantação de Campos Agrostológicos: para desenvolvimento de Canteiros de Mudas de Capins e Forrageiras para alimentação animal do rebanho próprio e multiplicação junto aos agricultores do entorno dos centros educacionais. - Transformar todas as Fazendas da FUCAM em Espaços Ecopedagógicos para difundir os conceitos da Ecopedagogia e ensino e pesquisa em Pedagogia da Terra. Implantação do PIPAIS: Projeto de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável no Centro Educacional de Januária em parceria com as escolas estaduais da Superintendência Regional de Ensino de Januária.


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IEPHA transforma prédio da FUCAM em patrimônio histórico

Construção com 105 anos recebe tombamento pela importância arquitetônica e cultural Texto: Michelle Parron Ruiz | Fotos: Michelle Parron e Acervo CEB Às margens do rio São Francisco, em Buritizeiro (MG), no Norte de Minas Gerais, uma construção sempre atraiu olhares curiosos pela seu tamanho e forma majestosa. Desde 1952 o lugar se tornou a sede do Centro Educacional de Buritizeiro (CEB), uma das unidades da FUCAM no estado, mas a sua importância para história do Brasil nasceu bem antes disso. No início dos anos 1900, a Marinha do Brasil, preocupada com a defesa nacional, entendeu que era importante investir na renovação da sua mão de obra com a criação da Escola de Aprendizes Marinheiros de Minas Gerais no lado oposto ao porto de Pirapora (MG), uma localização estratégica, já que foi construída exatamente em frente a um dos maiores cursos d’água do Brasil, o rio São Francisco. Com elementos que dialogavam com as correntes artísticas do momento, o projeto do prédio foi criado pelo arquiteto italiano Miguel Micussi, também responsável pelo edifício onde funciona a Prefeitura Municipal de Natal (RN) e por outras construções de Pirapora (MG). A construção, iniciada em 1910, ficou a cargo do Capitão de Fragata Dr. Tancredo Burlamaqui de Moura, que logo em seguida se tornou o primeiro diretor da Escola de Aprendizes Marinheiros de Minas Gerais, inaugurada em 1913. Em 1922 o prédio deixa de ser escola e passa a atuar como Hospital

Regional Carlos Chaga, transformando-se em referência na luta contra as epidemias que assolavam o sertão naquela época.

Em 1952, atendendo um pedido do então governador Milton Campos, o prédio recebe finalmente a unidade de Buritizeiro das Escolas Caio Martins. Empreitada liderada pelo Coronel Manoel de Almeida, a escola trouxe todos os métodos de ensino que já existiam em Esmeraldas, como também dos cursos de serralheria, eletricidade, funilaria e padaria. Além de proporcionar educação e melhores condições de vida a população vunerável do estado, a escola envolvia toda a vila de Buritizeiro e Pirapora em suas festas culturais. Esse envolvimento e articulação com a comunidade sempre foi a marca da obra caiomartiniana.

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Diante de toda importância para o desenvolvimento social e econômico da região, protagonista na formação e desenvolvimento da segurança naval do Brasil e base educativa para os jovens da época, no dia 20 de Fevereiro de 2018 o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep) reunido na sede do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), aprovou, por unanimidade, o tombamento do prédio onde hoje funciona o Centro Educacional de Buritizeiro da FUCAM. Para a presidente do Iepha, Michele Arroyo, a antiga escola tem uma relevância simbólica viva até hoje no imaginário das pessoas da região, o que mostra a importância desse acontecimento para preservação do patrimônio histórico regional. Maria Alice Correa, coordenadora do Centro Educacional de Buritizeiro onde está o prédio tombado, explica que o tombamento vai de encontro do desejo da comunidade de Buritizeiro que sempre sonhou com a a restauração do casarão. Para restaurar o prédio que precisa de vários reparos, desde 2017 um trabalho de construção de parcerias está acontecendo para levantar recursos e iniciar a obra. A ideia é que nos próximos anos o prédio esteja pronto para atender as necessidades da população e se transforme em um espaço de memória da cultura ribeirinha produzida ao longo do Rio São Francisco , através da criação do Museu de Cultura do Rio São Francisco.


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FUCAM Mais Aberta estimula participação social nos Centros Educacionais e prevê atendimento de 15 mil pessoas Programa abre as portas da instituição e promove a troca de saberes com diferentes grupos sociais Texto: Gabi Coelho | Foto: Acervo FUCAM, RONDON Minas e Levante Popular da Juventude Criado em 2015, o FUCAM Mais Aberta é um programa que dialoga com todos os Eixos da Fundação Educacional Caio Martins e promove o diálogo, o intercâmbio de saberes e a construção coletiva da instituição com a sociedade. Agrega públicos de diferentes segmentos sociais, sejam eles de juventude, mulheres, negros, quilombolas, vazanteiros (pessoas que praticam a agricultura de terreno lodoso formado pelas vazantes e enxurradas fluviais), geraizeiros (populações tradicionais que vivem nos cerrados do norte de Minas Gerais), povos e comunidades tradicionais, indígenas e pastorais.

Em 2015, ano em que foi criado o FUCAM Mais Aberta, 3 mil pessoas participaram das atividades. Em 2016 o número saltou para 6.600 e só em 2017 o programa chegou a atender mais de 14 mil pessoas, transformando a FUCAM em uma referência de espaço de articulação, formação e realização de atividades que vão além do cardápio institucional. Para 2018 a previsão é que o FUCAM Mais Aberta chegue a atender mais de 15 mil pessoas.

PROJETO RONDON MINAS Há 50 anos atuando no Brasil e 12 anos em Minas Gerais, o Rondon é um projeto de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população. Em esfera federal, recebe a coordenação do Ministério da Defesa, já nos estados ele é desenvolvido através das Organizações Não Governamentais - ONGs, como é o caso do Instituto Rondon Minas, que atua em Minas Gerais. Em 2017 a FUCAM começou uma parceria com

Para o vice-presidente da FUCAM, Gildázio Santos, a troca que o programa proporciona para a comunidade atendida pela instituição e o público que participa do FUCAM Mais Aberta enriquece os Centros Educacionais de conhecimento de uma maneira natural e abrangente. “Desde que criamos o FUCAM Mais Aberta nós tivemos vários eventos realizados por diferentes grupos sociais que trazem seus saberes, fazeres, e que, ao vir para dentro da unidade da FUCAM, acaba impaco projeto, que está atuando nos terrítórios estão localizados os Centros Educacionais. Desde então, já foram realizadas atividades práticas com a comunidade. Outra contribuição foram as pesquisas que resultaram nos diagnósticos dos municípios, documento de extrema utilidade para quem está a frente da gestão pública das prefeituras de Buritizeiro (MG), Esmeraldas (MG), Januária (MG), Juvenília (MG), São Francisco (MG) e Riachinho (MG). Para a coordenadora do projeto Rondon Minas, Mônica Abranches, a parceria com a FUCAM vai de encontro às áreas de trabalho do Projeto Rondon, já que a Fundação atua com Assistência Social e Educação. “Há uma soma de esforços quando nos encontramos no campo de tra-

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tado positivamente com suas essas culturas, métodos e conhecimentos. Não é só uma mera cessão do espaço, é uma relação de trocas que proporciona uma abertura pedagógica ainda maior de concepção do mundo”, explica Gildázio Santos. Para fazer parte do FUCAM Mais Aberta é necessário que o grupo interessado entre em contato com o Centro Educacional da cidade onde deseja realizar seu encontro. balho. Além de ter surgido uma amizada entre os nossos alunos universitários e os técnicos locais da FUCAM, há um respeito mútuo em relação aos princípios e diretrizes de cada uma das instituições”, relatou Mônica.

Para ter acesso aos diagnósticos de cada cidade, acesse o site www.fucam.mg.gov.br


JORNAL ESTRADA DE CAIO MARTINS Conhecimento na estrada: Programa Ciência em Movimento chega a todos os Centros Educacionais em 2018

Auto de Natal colore o sertão mineiro em um espetáculo encenado no prédio histórico de Buritizeiro (MG)

O Ciência em Movimento começou em fevereiro de 2018 a sua jornada pelos Centros Educacionais da FUCAM. Com exposições e atividades interativas, o caminhão do conhecimento apresenta diversas atrações sobre a morfologia animal, proporcionando acesso a novas informação de um jeito interativo e inovador. Realizado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), em parceria com a Escola de Saúde Pública (ESP-MG) e Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM), o programa visitará todos os Centros Educacionais até dezembro.

Palmas Forrageiras: Alternativa para a falta d’água em São Francisco (MG)

Produzir com respeito a natureza e aplicar o conhecimento no próprio território. O Curso Técnico em Agropecuária foi uma das conquistas do Eixo Trabalho/Profissionalização para a FUCAM e seu público. Com turmas acontecendo em Esmeraldas e Juvenília, oferece as disciplinas de Irrigação, Drenagem, Agropecuária, Solos, Desenho Técnico, Cooperativismo, Associativismo, Zootecnia e Gestão Ambiental e proporciona aos alunos atuarem ativamente com ações de preservação do meio ambiente. Todos os anos um show de luzes, teatro e música acontece em pleno sertão de Minas Gerais. O Auto de Natal, realizado pelo Centro Educacional de Buritizeiro (CEB), em parceria com a Rádio 98,7 FM e apoio da Prefeitura Municipal da cidade é um momento mágico vivido pela população de Buritizeiro (MG). Realizado no casarão do Centro Educacional, que foi transformado em patrimônio público em 2018, o evento valoriza as manifestações culturais e as atividades artísticas dos Eixos Cultura e Educação, desenvolvidas na unidade.

Música, conhecimento e cultura são as palavras que definem o trabalho da Orquestra Jovem

Em parceria com a Nestlé, o Centro Educacional de São Francisco realizou o plantio de mudas de Palmas Forrajeiras no terreno da instituição em uma ação de caráter experimental. Uma alternativa de cultivo em territórios de escassez pluvial, a Palma também pode ser utilizada na alimentação animal. Ainda este ano a FUCAM pretende iniciar o cultivo de Palmas Forrajeiras em Januária, oficializando o início do projeto Palmas Pela Vida, que promete realizar um trabalho não só de plantio, mas de capacitação com formação oferecida por especialistas nesse tipo de cultura para formar multiplicadores pelo norte do Estado.

Curso Técnico em Agropecuária profissionaliza jovens e adultos para práticas sustentáveis no campo em Esmeraldas (MG) e Juvenília (MG)

Conhecimento Tecnológico ao alcance dos jovens de Januária (MG) A oficina de Robótica, realizada no Centro Educacional de Januária (CEJ), aproximou a tecnologia dos estudantes do município. Uma atividade realizada pelo professor Carlos Humberto Martins da Silva Filho, que ministrava dinâmicas com garrafa pet para as crianças e aulas de eletricidade para os adolescentes. O resultado do trabalho produzido pelos alunos durante as aulas foi exposto em evento realizado para a comunidade.

Comandada pelo Maestro José Alarico Elias Gonçalves, a Orquestra de Esmeraldas é formada por alunos da FUCAM e da Escola Criarte e se apresenta em diversos eventos de órgãos públicos e parceiros da Fundação. Por onde se apresentam, os alunos da orquestra encantam o público pelo talento e sensibilidade.

Produção de polpa de frutas do Cerrado na FUCAM de Riachinho (MG) Agora é possível aproveitar toda abundância de frutas das propriedades da FUCAM. Com a despolpadeira de frutas adquirida para o Centro Educa-

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cional de Urucuia (CEU), o público de crianças e jovens atendidos pela Fundação saboreia os sucos de frutas como Cagaita, Murici, Buriti, Mangaba o ano todo, através da produção de polpas. Uma conquista para o Centro Educacional e para todas as outras unidades da Fundação.


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Gestão Corporativa A Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM) tem feito, desde 2015, ajustes com o objetivo de otimizar a sua força de trabalho, buscar alternativas para reforçar seu quadro de servidores e avançar na política de recursos humanos. Mesmo em período de dificuldades financeiras no setor público do país, a gestão não tem medido esforços para valorizar seus servidores, reconhecendo o papel de cada um e de cada uma na construção das políticas públicas e no atendimento das populações vulneráveis nos territórios onde a Fundação atua. Para avançar no aperfeiçoamento do trabalho de gestão, foram realizadas algumas adequações técnicas, revisão e sistematização das atribuições de cada setor e de cada servidor, proporcionando mais otimização e eficácia no desenvolvimento das atividades. Um novo convênio com a Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG) foi firmado em 2017, garantindo 136 cargos para atuarem nos seis Centros Educacionais da FUCAM. A gestão da FUCAM segue em diálogo com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) e com a Secretaria de Casa Civil e de Relações Institucionais de Minas Gerais (SECCRI) para que, dos 404 cargos que foram criados por Lei em 2004, seja possível obter a totalidade ou um percentual capaz de cobrir o déficit de 74 cargos vagos por aposentadoria ou óbito. A Procuradoria Jurídica da Fundação foi reestruturada para garantir êxito na resolução de problemas históricos, principalmente relacionados a turbação do patrimônio público. Desde 2015 há um esforço conjunto da FUCAM com a Advocacia Geral do Estado (AGE) e da Diretoria Central de Patrimônio da SEPLAG para proteger os Centros Educacionais ocupados de formas irregulares. No que tange a Logística e Manutenção, a Fundação está renovando a sua frota de veículos para facilitar ainda mais o trabalho realizado pelos Centros Educacionais. Os processos de compras ganharam mais velocidade. No total, foram instruídos e finalizados 120 processos. No âmbito do Planejamento, Gestão e Finanças, a FUCAM avançou na sua relação com a SEPLAG, aprimorando o processo de prestação de contas e o monitoramento das entregas, evoluindo na execução orçamentária e realizando a otimização financeira. A Auditoria Seccional trabalhou com autonomia para desempenhar, da melhor maneira, o controle interno da Fundação e tem feito um trabalho de acompanhamento sistemático das

ações, apontando o caminho para uma gestão que zela pelo patrimônio público.

mento de crianças e jovens das comunidades onde a Fundação está inserida.

O Conselho Curador, instância máxima de deliberação da FUCAM, foi reestruturado.

Ainda há muito trabalho pela frente até chegar o último dia do ano de 2018. Mas, com toda certeza, houveram muitos avanços e abertura de novos caminhos, através das parcerias, que vão permitir que a FUCAM solidifique ainda mais o seu trabalho e pavimente as estradas do futuro que serão percorridas nos próximos 30 anos, rumo aos 100 anos de Fundação Educacional Caio Martins.

Na área finalística, campo onde atua o setor de Educação e Assistência, o trabalho ganhou mais qualificação, promovendo entregas concretas aos territórios, ampliando o atendimento e consolidando seis Polos de Educação Integral e Integrada, garantindo o envolvi-

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“As Escolas Caio Martins não nasceram dos livros, surgiram da vida. No futuro, se puder, ela mesma contará a sua história.” Coronel Manoel José de Almeida

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Jornal Estrada de Caio Martins  

Edição Comemorativa dos 70 Anos da Fundação Educacional Caio Martins (FUCAM). Realização: Assessoria de Comunicação da FUCAM e colaboradores

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