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Publicação Mensal | 192 | setembro ‘12

FARMÁCIA

SAÚDE para o seu bem-estar

psoríase

à flor da pele Crianças

regresso aos livros

gripe

vacinar para prevenir


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Publicação Mensal | 192 | setembro ‘12

FARMÁCIA

para o seu bem-estar

04 artrite

Acordar a meio da noite com uma dor intensa no dedo grande do pé é o primeiro sinal de uma crise de gota, uma das formas mais dolorosas de artrite, causada pela acumulação de ácido úrico.

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Entretanto, o tempo voa…

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A entrada do Outono no calendário é sinónimo de início da época gripal. Significa que o vírus causador desta doença aguda viral que afecta predominantemente as vias respiratórias está mais activo, deixando mais vulneráveis alguns grupos da população.

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farmácia de luto

A situação de colapso do sector de farmácias é um problema grave de política de saúde. Mas há uma solução à vista, com a grande vantagem de não agravar o preço dos medicamentos. Assim o Governo siga a recomendação do estudo da Nova School of Business & Economics, conduzido por Pedro Pita Barros, Bruno Martins e Ana Moura.

Em Setembro, as férias terminam e é tempo de regressar às aulas. Apesar do nervosismo que este período possa causar nas crianças, e até mesmo nos pais, a escola acaba por ser sempre sinónimo de diversão e de aprendizagem.

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Não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associação permite controlar os sintomas na maioria dos casos.

26 DIÁLOGO DO CONSUMIDOR 28 produtos 30 inspire, expire FARMÁCIA

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artrite •••

Gota e pés Acordar a meio da noite com uma dor intensa no dedo grande do pé é o primeiro sinal de uma crise de gota, uma das formas mais dolorosas de artrite, causada pela acumulação de ácido úrico. Mudanças no estilo de vida e medicação permitem controlar esta doença, mais comum nos homens.

Dor intensa, inchaço, vermelhidão e sensação de calor nas articulações são os sintomas da gota, que se manifestam de forma aguda, súbita e sem aviso, geralmente durante a noite. O dedo grande do pé é a primeira vítima, apresentando-se tão quente, tão inchado e tão sensível que não suporta sequer o peso do lençol. Geralmente os primeiros sintomas surgem apenas numa única articulação e, quando não tratados, pode estender-se a outras (joelhos, tornoselos, pulsos e cotovelos). A causa destas crises é o excesso de ácido úrico. Trata-se de um composto orgânico resultante do metabolismo das purinas, substâncias que existem no corpo humano mas que também são fornecidas pela alimentação. Quando as concentrações sanguíneas de ácido úrico são normais, este é excretado na urina e eliminado. Mas, quando há uma produção excessiva ou quando os rins não conseguem eliminá-lo eficazmente, o ácido úrico, atinge elevadas consentrações no sangue e, como consequência, deposita-se nas articulações causando a inflamação. Esta é uma forma de artrite mais comum nos homens, embora a vulnerabilidade das mulheres aumente com a

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menopausa. O género é, assim como a idade, um factor de risco. Mas há outros, muitos deles associados ao estilo de vida: o consumo de álcool e o excesso de peso também condicionam a probabilidade de desenvolver gota. A genética é outro dos factores de risco, estimando-se que uma percentagem significativa dos doentes tenham antecedentes familiares de gota. Algumas doenças e medicamentos estão também associados a um risco aumentados de desenvolver gota. De entre eles destacam-se a hipertensão (não controlada), o colesterol elevado, a diabetes e a aterosclerose, e a toma de determinados diuréticos e de certas doses de aspirina, bem como de medicamentos usados para prevenir a rejeição de órgãos após transplante.

Prevenir crises e complicações Sem tratamento adequado, os sintomas típicos da gota podem permanecer por um período superior a uma semana, permanecendo ainda algum desconforto, até a articulação ficar, aparentemente, normal. O alívio

da dor é o objectivo imediato do tratamento, mas a prevenção de futuras crises e de complicações fazem também parte da estratégia clínica. A prazo, a gota pode envolver cada vez mais articulações e causar-lhes graves danos. O próprio osso pode ser afectado. Além disso, as crises podem tornar-se cada vez mais frequentes e, com o tempo, podem desenvolver-se nódulos subcutâneos formados por cristais de ácido úrico, sobretudo nos dedos dos pés e das mãos e nos cotovelos. Para controlar a doença e garantir que a gota não cause danos severos, a alteração do estilo de vida dos doentes tem um papel decisivo. Nomeadamente, uma dieta alimentar saudável, evitando o consumo de bebidas alcoólicas, e a ingestão de hidratos de carbono e proteínas animais em excesso. Ainda, a ingestão de líquidos, sobretudo água, é fundamental, no auxílio à excreção do ácido úrico do organismo. Controlar o peso, mantendo-o nos níveis considerados saudáveis, também é importante, o mesmo acontecendo com o controlo dos valores de pressão arterial, colesterol e glicemia.


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EDITORIAL Pelo punho do farmacêutico

Dr. paulo duarte

Entretanto, o tempo voa… As farmácias estão de luto. E têm manifestas razões para isso. Um sentimento partilhado com os seus utentes, cujo acesso de qualidade aos medicamentos está seriamente em risco. O Governo tem de agir. E rapidamente. Se assim não for, fecha-se de vez a sepultura sobre todo um sector à beira do fim… Na vida, nem sempre as mensagens de alerta, os avisos, as advertências, são bem acolhidos ou sequer consequentes… Acontece. E quando assim sucede, há sempre alguém que fica a perder. As perdas podem ser relativas, e nesse caso não virá mal ao mundo. Mas às vezes a coisa fia mais fino, e o que se perde é algo que fica irremediavelmente perdido… Tudo isto nos deve levar a pensar na crise profunda que está a matar o futuro das farmácias em Portugal. Um futuro que se perde a cada dia, a cada hora em que o silêncio do Governo é a sua melhor resposta aos nossos alertas, aos nossos avisos, às nossas advertências, baseados num sem-número de estudos, inquéritos, análises e avaliações, que demonstram sem a mínima dúvida uma realidade ferida de morte. Uma ferida aberta pelas sucessivas falências,

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pelos consecutivos fornecimentos suspensos às farmácias, pelas centenas e centenas de processos judiciais para regularização de dívidas a fornecedores… e por tantos outros registos que, só nos últimos dois anos, têm significado uma agonia insuportável para os que, apesar de tudo, ainda vão sobrevivendo. Mas se tivermos presente – e todas as previsões apontam para isso – que já em 2013 haverá 600 farmácias que podem encerrar de vez, é razão para pensarmos que, muito provavelmente, não valerá a pena continuar a alertar, a avisar e a advertir… Provavelmente… Mas não definitivamente. Como nós, há por certo milhões de portugueses que vão continuar a lutar pelos seus direitos mais elementares, como seja o acesso aos medicamentos que a crise das farmácias está a pôr em causa. Foi justamente

isso que pôs em marcha a FARMÁCIA DE LUTO. Uma iniciativa das farmácias junto dos utentes. Para que não deixem morrer a sua farmácia, enquanto referência de proximidade, conforto, confiança e segurança. Para evitar o colapso, há uma Petição a correr. O documento está disponível em cada farmácia. E em www.farmaciadeluto.pt. Duas alternativas de sentido único: o da esperança numa solução urgente que, garantindo a sustentabilidade da sua farmácia, garantirá ao cidadão o acesso de qualidade aos medicamentos. O Governo conhece o problema. E não avança para a solução. Uma solução que até está à vista, e sem qualquer agravamento do preço dos medicamentos. Quem o diz é o estudo da Nova School of Business & Economics, assinado por Pedro Pita Barros, Bruno Martins e Ana Moura. Entretanto, o tempo voa…


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O alerta é do Presidente da ANF, João Cordeiro

600 farmácias podem fechar em 2013 A situação de colapso do sector de farmácias é um problema grave de política de saúde. Mas há uma solução à vista, com a grande vantagem de não agravar o preço dos medicamentos. Assim o Governo siga a recomendação do estudo da Nova School of Business & Economics, conduzido por Pedro Pita Barros, Bruno Martins e Ana Moura.

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anf ••• O Presidente da Associação Nacional das Farmácias (ANF) alertou o País para uma situação absolutamente dramática: “As nossas estimativas apontam para o encerramento de 600 farmácias em 2013. Foi o Estado que conduziu o sector à situação de colapso em que se encontra, através das medidas legislativas que lhe impôs, sem qualquer avaliação prévia ou posterior do seu impacto. Só o Estado pode corrigir essas medidas”. As palavras de João Cordeiro foram proferidas no encerramento do workshop A Economia da Farmácia e o Acesso ao Medicamento, promovido a 12 de Setembro, na Universidade Nova de Lisboa. E numa altura em que tanto se fala em equidade, sobretudo na falta dela, o Presidente da ANF foi taxativo ao dizer que “não há equidade nas medidas de austeridade adoptadas pelo Governo, entre as farmácias e os hospitais”. E explicou porquê: “Nas farmácias, os objectivos de poupança são cumpridos e ultrapassados. Nos hospitais, os objectivos de poupança não são cumpridos e a despesa com medicamentos mantém-se praticamente inalterada”. Os números dão razão a João Cordeiro, desde logo os 130 milhões de euros que o Estado vai poupar em 2012 com medicamentos em ambulatório. Já nos hospitais, a despesa pública terá um agravamento de 186 milhões de euros acima do previsto. Tudo somado e em apenas dois anos, sublinha o Presidente da ANF, “o mercado de medicamentos em ambulatório reduziu 731 milhões de euros”. Os pratos da balança estão também muito desnivelados entre os medicamentos genéricos e os medicamentos de marca: desde 2009, o preço médio dos medicamentos genéricos caiu 56,8%, enquanto que no mesmo período o preço dos medicamentos de marca reduziu 6,1%. Perante esta realidade, João Cordeiro aponta medidas urgentes: “É necessário introduzir mecanismos de concorrência no domínio dos medicamentos de marca, avaliar os ganhos em saúde com a introdução de novos medicamentos e ponderar

a aquisição de medicamentos por concurso público para o ambulatório”. Tudo isto, sem prejuízo do novo regime de prescrição por DCI, cujos méritos as farmácias não se cansam de referir, desde logo por aliviarem os portugueses nas suas despesas com medicamentos. Mas, se não surgirem medidas imediatas, o facto é que o colapso das farmácias vai atingir proporções verdadeiramente dramáticas. Os números, mais uma vez, aí estão a pintar de negro toda esta realidade: em Junho deste ano, havia já 1.131 farmácias com os fornecimentos suspensos nos grossistas, e 457 com processos judiciais para pagamento de dívidas. “O montante global da dívida litigiosa aos grossistas era de 235 milhões de euros, em Junho passado, mas pelos dados entretanto recolhidos, esse montante cresceu para 300 milhões de euros em apenas dois meses”, assinala o Presidente da ANF. Perante a gravidade da situação, João Cordeiro diz que só o Estado pode corrigir as medidas erradas que tomou e que levaram o sector à situação de colapso. Desde logo, com a adopção de medidas como as sugeridas pelo estudo da Nova School of Business & Economics, apresentado no referido workshop: “Para que a farmácia média atinja um resultado económico nulo, carece de uma remuneração adicional de 2,43 euros por receita ou de 0, 94 euros por embalagem, para os actuais níveis de preços dos medicamentos.” De acordo com o Presidente da ANF, essas novas medidas têm a vantagem de poderem ser adoptadas “sem acréscimo de despesa”, ou seja, sem agravamento do preço dos medicamentos.

A continuarem assim, as farmácias não vão sobreviver… A gravíssima situação económica e financeira em que está mergulha-

do o sector das farmácias é razão bastante para levar Portugal a ler o essencial das principais conclusões de mais um estudo muito pertinente, desta vez sob o título A Economia da Farmácia e o Acesso ao Medicamento, da Nova School of Business & Economics, apresentado a 12 de Setembro, em Lisboa. Os autores desse estudo – Pedro Pita Barros, Bruno Martins e Ana Moura – assumiram o compromisso de perceber como funciona actualmente o sector das farmácias, usando o modelo que em 2005 foi apresentado pela Autoridade da Concorrência (AdC) e actualizar em Julho de 2012 os primeiros resultados divulgados. Depois, trataram de analisar o impacto do novo sistema de margens de negócio das farmácias. E, finalmente, procuraram uma explicação para a realidade deste sector, a partir da visão dos utentes das farmácias e dos farmacêuticos. Na linha de outro trabalho de pesquisa recente – esse da Univesidade de Aveiro – também este estudo permite concluir que, nas condições actuais, as farmácias não têm condições de sobrevivência. Olhando com mais detalhe as conclusões agora apuradas, é assinalado que “o preço médio por receita médica reduziu cerca de 20%”, quando, em 2005, a AdC estimava em 5% o limite da redução suportável pelas farmácias. Para se ter uma ideia da dimensão real do problema, importa ver também que, considerando as previsões da Adc para 2010 e a evolução dos preços até ao presente, “a farmácia média estará a funcionar com margem negativa”. As afirmações preocupantes sucedem-se, confirmando um sector em colapso: “As farmácias defrontam uma situação económica em que a actividade normal não permite cobrir os custos fixos numa maioria de estabelecimentos”. Para os responsáveis do estudo, a manter-se este cenário “a resposta passará por perdas para os proprietários ou encerramento de farmácias para evitar essas perdas”.

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anf •••

A negra realidade dos números 1.131 farmácias com pagamentos suspensos 457 farmácias com processos judiciais 235 milhões de euros de dívida litigiosa 40 mil euros de resultado líquido negativo na farmácia média 600 farmácias podem fechar em 2013

Mais troikistas que a Troika?... Ao avaliarem os efeitos da alteração da forma de cálculo das margens do negócio das farmácias, os investigadores concluíram que o valor da redução dessas margens vai para além do valor previsto no tão falado Memorando de Entendimento com a Troika. Mais: para compensar o efeito da perda de margens, está aberto o caminho para a redução entre 30% a 51% do número de farmacêuticos a trabalhar nas farmácias (que, no limite, poderão ser menos 4.117) ou a uma redução entre 36% a 62% do número de ajudantes (que, no limite, poderão ser menos 8.005). Esta verdadeira tempestade está a varrer o sector em todas as latitudes – ou seja, “em todas as zonas geográficas há farmácias a enfrentar dificuldades, não sendo este um problema localizado ou restrito a uma área geográfica em particular”. Quanto ao impacto das novas margens nas famílias, tanto na perspectiva dos utentes como dos farmacêuticos, as conclusões mostram que “23% dos utentes inquiridos referem ter abdicado de comprar medica-

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mentos, dos quais 60% por motivos financeiros”, números em linha com um estudo de 2010; já relativamente a um inquérito dirigido a proprietários ou directores técnicos, é notório “um aumento do número médio de horas semanais de funcionamento e da percentagem de farmácias que paga aos fornecedores em 90 ou mais dias”. Elucidativo é ainda o facto de cerca de 92% dos farmacêuticos revelar ser-lhe difícil obter medicamentos junto do fornecedor “quase todos os dias” e apenas 6% confessar ter problemas “ algumas vezes por semana”. Também neste caso, o estudo permite concluir que as dificuldades afectam geograficamente a generalidade do País – e não zonas específicas.

Entretanto, a sua Farmácia está de luto… Cada vez mais confrontadas com o colapso, as farmácias têm em marcha uma grande acção de sensibilização da opinião pública – FARMÁCIA DE LUTO. O objectivo é muito claro: em cada farmácia, o utente é convidado a conhecer as principais mensagens de um sector que está a morrer. E convocado a assinar uma Petição que se apresenta em

defesa dos seus interesses no acesso ao medicamento. O mesmo é dizer: “Para evitar o colapso, faça-se ouvir em www.farmaciadeluto. pt . Não deixe que a sua farmácia encerre. Contamos com a sua solidariedade, porque queremos continuar a garantir aos portugueses um acesso de qualidade aos medicamentos”. É o apelo deste movimento que envolve farmacêuticos, jovens farmacêuticos, estudantes de farmácia e os profissionais que trabalham na farmácia. Este é também um movimento solidário envolvendo Portugal inteiro. Unindo as farmácias aos seus utentes. Na defesa emergente de uma solução... urgente. De facto, a cada dia que passa, sucedem-se os motivos de preocupação e desespero para um sector que, a manter-se esta política do medicamento, terá o seu futuro irremediavelmente perdido. Portugal e os Portugueses esperam, naturalmente, que esta não seja a crónica de uma morte anunciada, quando, ainda por cima, há uma solução à vista… Uma solução que garante a sustentabilidade das farmácias e o acesso de qualidade aos medicamentos. Sem implicar, para o utente, qualquer custo acrescido. A farmácia está de luto.


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gripe •••

ESPECIAL

A influência de um vírus

A entrada do Outono no calendário é sinónimo de início da época gripal. Significa que o vírus causador desta doença aguda viral que afecta predominantemente as vias respiratórias está mais activo, deixando mais vulneráveis alguns grupos da população. Mas prevenir a infecção ou, pelo menos, diminuir as suas consequências é possível graças à vacinação.

A gripe é uma doença viral que, todos os anos, tem um elevado impacto na saúde das pessoas, bem como na economia do país, na medida em que é responsável por um aumento das idas às consultas e urgências hospitalares, mas também por um elevado absentismo escolar e laboral. Ainda assim, nem sempre a gripe é devidamente valorizada, pelo facto de ser confundida com a constipação. Ambas são infecções respiratórias mas distinguem-se nos sintomas e na gravidade.

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E isto porque o vírus causador da gripe – o vírus influenza – é muito agressivo, transmitindo-se muito facilmente. Basta um acesso de tosse, um espirro ou até a fala para que gotículas de saliva sejam expelidas e, se estiverem infectadas, num instante espalham a doença. E em pouco tempo uma única pessoa pode infectar muitas outras. Também o seu curto período de incubação contribui para a perigosidade do vírus: é que uma pessoa pode transportá-lo consigo durante muito

tempo, sem saber que está doente mas infectando outras. E as crianças ainda o transportam por mais tempo do que os adultos, o que as torna as principais disseminadoras da gripe. Além disso, é um vírus versátil, o que significa que se apresenta todos os anos com características diferentes – são as estirpes, que vão evoluindo a cada Inverno a partir das suas origens asiáticas até se manifestarem no ocidente. Nesse percurso, há mudanças que podem ser difíceis de prever.


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gripe •••

Sintomas e consequências Nos adultos a gripe manifesta-se habitualmente por início súbito de mal-estar, febre alta, dores de cabeça, dores articulares e musculares e tosse seca. Nas crianças, os sintomas dependem da idade, sendo que os sintomas gastrintestinais, como náuseas, vómitos e diarreia e, os respiratórios são frequentes. De um modo geral, a gripe é uma infecção benigna, que acontece numa época do ano em que abundam outras infecções respiratórias. Nos idosos e nas pessoas com doenças crónicas é frequente surgirem complicações, como a pneumonia, ou agravar-se a doença já existente.

Tratar e prevenir Tratar a gripe é possível, não existindo, contudo, um medicamento específico.

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O tratamento dirige-se aos sintomas, podendo incluir a toma de medicamentos para baixar a febre a aliviar as dores ou para atenuar a tosse e descongestionar o nariz. Outros cuidados, como vapores de água, também ajudam a respirar melhor. Além disso, a ingestão abundante de líquidos é essencial para combater o risco de desidratação devido à febre. O repouso também é recomendado. Contudo, é sempre melhor prevenir as possibilidades de contágio. O que passa, desde logo, por evitar o contacto directo com doentes, por limitar a presença em espaços confinados e onde se concentrem muitas pessoas – dada a facilidade com que o vírus se dissemina. Prevenir é também sinónimo de adoptar alguns cuidados de higiene – simples, mas eficazes: usar lenços descartáveis para se assoar e deitá-los fora após cada utilização, tapar a boca quando tosse ou espirra com um lenço de papel ou com o antebraço (não utilizar as maõs), lavando as mãos após cada uma destas situações.

Vacinar, quem e porquê? A vacina contra a gripe é recomendada a todas as pessoas com maior risco de sofrer complicações após a gripe, nomeadamente os idosos, pessoas com mais de 6 meses de idade e com doenças crónicas dos pulmões, coração, fígado ou rins, diabetes ou com outras situações que diminuam a resistência às infecções. A vacinação reduz o risco de contrair gripe e se a pessoa vacinada for infectada a doença será mais ligeira e o risco de complicações menor. O vírus da gripe sofre modificações frequentemente pelo que a vacina é diferente em cada ano. Por este motivo, a vacina deve ser administrada todos os anos, preferencialmente no mês de outubro, mas pode ser administrada durante todo o outono/ inverno.


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Vacine-se na sua farmácia

As farmácias portuguesas são palco, este mês de Outubro, de uma campanha de sensibilização para a importância da vacinação como ferramenta de prevenção da gripe sazonal e das doenças pneumocócicas. Vacinas que os utentes podem contar com a sua administração na própria farmácia, com toda a comodidade, rapidez e segurança. Bastam cinco minutos para se vacinar na sua farmácia.

Desde 2007 que as farmácias podem administrar vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação. É o caso da vacina contra a gripe sazonal. Desde essa altura que as farmácias promovem anualmente uma campanha nacional na área da vacinação contra a gripe sazonal. Nesta acção os utentes recebem informação sobre a gripe, sintomas e consequências e ainda sobre as vantagens da vacinação. São também informados sobre o serviço de vacinação disponível nas farmácias. Um serviço de conveniência, na medida em que permite que a aquisição e a administração da vacina se façam no mesmo espaço, mediante a apresentação de receita médica, com toda a comodidade e segurança. Este ano a campanha estará de novo nas farmácias. À semelhança do ano passado, esta iniciativa associa a gripe às doenças pneumocócicas, termo usado para descrever as infecções que são provocadas pela bactéria que causa, entre outras doenças, a meningite e a pneumonia. A pneumonia, situação frequente e grave no adulto, em particular nos mais idosos, é uma das principais complicações da gripe, estando o número de casos de internamento e de óbitos a aumentar, de acordo com informação do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias. Tal como

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gripe •••

Saudável o ano inteiro Para manter a gripe bem longe, nada melhor do que adoptar alguns hábitos saudáveis: Lave as mãos As suas mãos estiveram em contacto com germes durante todo o dia. A melhor de livrar-se deles é lavar as mãos. Lave as mãos antes de preparar as refeições, depois de mexer em carnes cruas e antes de servir os alimentos. Certifique-se que toda a gente à mesa segue as mesmas práticas de higiene.

a gripe, as doenças pneumocócicas também podem ser prevenidas por vacinação. “Vacine-se contra a gripe e doenças pneumocócias na sua farmácia” é, assim, a mensagem a passar durante o mês de Outubro nas farmácias portuguesas. E porquê Outubro? Porque é nesta altura do ano que a vacina contra a gripe deve ser administrada, de modo a atingir a eficácia máxima na altura em que o vírus da gripe está mais activo, ou seja, nos meses de Inverno. A vacina contra a gripe deve ser administrada todos os anos, preferencialmente em Outubro, mas pode ser administrada durante todo o outono/ inverno. Já a vacina anti-pneumocócica pode ser administrada em qualquer altura do ano e, em regra, nos adultos é necessária apenas uma única dose para que a protecção se prolongue por toda a vida. Esta é uma campanha que decorre durante o mês de Outubro. Contudo, a intervenção da farmácia mantém-se ao longo de todo o ano, pelo que os utentes podem, a qualquer momento, solicitar informação e esclarecimentos sobre a gripe e Em parceria:

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as doenças pneumocócicas e sobre a vacinação. Com esta acção as farmácias propõem-se contribuir para o aumento da cobertura vacinal nos grupos de risco. De acordo com a estimativa máxima do Centro de Estudos e Avaliação em Saúde da ANF (CEFAR), que avalia anualmente este serviço, a taxa de vacinação contra a gripe nas farmácias na época 2010/2011 foi de 44,2%, o que representou um crescimento de 17 pp face ao ano anterior e comprovou a crescente preferência dos utentes pelas farmácias. A cobertura vacinal atingiu 45,0% na população com 65 ou mais anos e as farmácias podem ter contribuído entre 6,6% e 10,3% para a concretização deste valor. De sublinhar que, de acordo com o Relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge sobre a vacinação antigripal da população portuguesa em 2010/11, a farmácia foi o local mais frequentemente escolhido pelos portugueses para a administração da vacina (42,4%), inclusive os indivíduos com idade superior ou igual a 65 anos quando considerados isoladamente (40,7%). Vacine-se na sua farmácia portuguesa. Com o apoio:

Descanse Hoje em dia, a maioria das crianças e adultos não dorme o suficiente. Quando o corpo não descansa o suficiente, existem maiores probabilidades de adoecer. Vacine-se contra a gripe Independentemente da idade, a vacina contra a gripe é sempre um excelente meio de prevenção. A vacinação adquire uma especial importância para pessoas idosas e pessoas com doenças crónicas. Faça exercício Existem fortes indicadores que dizem que quem pratica desporto adoece com menor frequência. O exercício é importante durante todo o ano, mesmo durante o inverno. Tenha um plano para manter-se activo durante o inverno, como vídeos de exercícios, saltar à corda ou praticar natação. Não se esqueça de levar os seus utensílios de treino quando viaja, praticamente todos os hotéis possuem ginásios e piscinas cobertas onde poderá praticar um pouco de desporto.


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Bem-vindos à escola! Em Setembro, as férias terminam e é tempo de regressar às aulas. Apesar do nervosismo que este período possa causar nas crianças, e até mesmo nos pais, a escola acaba por ser sempre sinónimo de diversão e de aprendizagem. O período escolar é, habitualmente, uma fase mais cansativa. Aulas, estudo, actividades e muita brincadeira fazem de cada dia uma verdadeira prova de esforço. Mas para que os mais novos possam tirar o máximo partido da escola e aprender e brincar com toda a energia, há que ter em atenção alguns pormenores como um pequeno-almoço equilibrado, o descanso adequado, a postura corporal e até o peso das mochilas.

Dá saúde e faz…aprender Comer bem e de forma equilibrada é a chave para um crescimento saudável e, consequentemente, para uma boa aprendizagem e desempenho físico. E nada melhor que começar com um bom pequeno-almoço. A verdade é que por circunstâncias diversas, por vezes, não é dada a devida atenção a esta refeição no entanto existe uma estreita relação entre a alimentação e o rendimento escolar. Erros mais frequentes, dificuldades de concentração e falta de interesse pela escola são as principais consequências de uma deficiente alimentação matinal. Ir em jejum para a escola é, por isso, totalmente desaconselhado! A “receita” ideal deve ser completa, equilibrada e variada, e combinar hidratos de carbono – como pão ou cereais –, produtos lácteos - como o leite ou derivados – e fruta ou sumo natural. Um pequeno-almoço correcto é o primeiro passo para o sucesso escolar.

Com a escola às costas As mochilas são um dos acessórios favoritos das crianças, mas também um dos seus piores inimigos. Às costas, os mais novos carregam um peso excessivo de materiais, entre livros, cadernos e estojos. O peso ultrapas-

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sa, na maior parte dos casos, o limite definido pela Organização Mundial de Saúde, estabelecido em 10 por cento do peso da criança. A realidade é que este cenário traz várias consequências para a saúde dos mais novos, com as dores de costas (dores lombares) e, em casos mais extremos a escoliose, a serem cada vez mais comuns entre crianças em idade escolar. Preocupantes são, aliás, os dados avançados pela OMS que estimam que 85 por cento da população tem, teve ou terá um dia dores lombares. Devido ao peso excessivo suportado pelas crianças e à má postura, frequentemente adoptada, actualmente as complicações lombares constituiem um problema que surge em idades cada vez mais precoces.

Mochilas e postura Ajudar a criança a organizar a mochila e colocar apenas o material

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necessário para as disciplinas do dia são cuidados importantes a ter na prevenção de problemas futuros. A escolha da mochila deve ter em conta alguns critérios: as mochilas não devem ser grandes; a largura deve acompanhar a superfície das costas da criança; as alças, devem ser largas, acolchoadas e ajustáveis, e devem ser bem ajustadas ao corpo. Devem ser usadas as duas alças. Suportar a mochila num só ombro é um hábito comum entre as crianças e jovens, mas completamente desadequado do ponto de vista da saúde. Ideal é a utilização das mochilas com pequenas rodas, devendo continuar a ser dada atenção ao peso. Hoje em dia, existem vários modelos com cores para todos os gostos. É importante dar a atenção à postura das crianças para detectar eventuais desvios. Uma postura incorrecta (posição inclinada, os ombros descaídos ou desnivelados), justifica a consulta de um especialista.

À mesa com a aprendizagem Na escola e também em casa, no momento de estudar é muito importante onde e como as crianças se sentam. Estarem comodamente sentadas é o primeiro passo para estarem concentradas e executarem com sucesso as suas tarefas. Um equipamento desajustado causa desatenção e cansaço e reflecte-se negativamente na aprendizagem. Estas necessidades não são, muitas vezes, devidamente, atendidas nas escolas, uma vez que os estabelecimentos de ensino estão equipados de uma forma padronizada, sem atender às diferentes estruturas físicas. Em casa será mais fácil ajustar o local de estudo a cada criança, devendo ser tidas em consideração as seguintes características: • As cadeiras Devem permitir um bom apoio


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dos pés, evitando demasiada pressão sobre a coxa ou sobre a região lombar - o assento deve ser paralelo ao chão estar colocado a uma altura equivalente à distância do chão à parte inferior da coxa. A profundidade do assento deve permitir que as nádegas e as costas fiquem junto ao encosto da cadeira. E o assento deve ser suficientemente largo para que as duas coxas fiquem apoiadas numa posição relaxada. • A secretária A secretária deve permitir que a criança, quando sentada, tenha os ombros relaxados e os antebraços apoiados. Não pode ser demasiado alta, para evitar que a criança se pendure, nem demasiado baixa, para que a criança não tenha de se curvar.

O tampo deve ser suficientemente grande para conter todo o material necessário ao desempenho de cada tarefa, mas ao alcance da mão, para que a criança não tenha que alterar a sua postura.

O descanso dos reis

É sabido que os dias de aulas são bastante cansativos, mental e fisicamente e, como tal, é necessário um bom período de descanso para o equilíbrio da criança. O sono é fundamental para a aprendizagem, não só por ser altura de repouso para o cérebro, mas também por contribuir para memorização e sedimentação do conhecimento. De acordo com a idade da criança, as necessidades de sono variam: na idade do pré-escolar, por exemplo, a criança deve dormir entre 10 a 12

horas nocturno (caso haja grande resistência às sestas). Com a entrada no primeiro ciclo do ensino básico, devem ser garantidas pelo menos 10 horas de sono nocturno. À medida que a idade, avança a vontade de dormir torna-se menor e perto da adolescência as horas de sono começam a reduzir, sendo que a necessidade diária de sono do adolescente se situa em torno de 8 a 10 horas. Cabe aos pais transmitir aos filhos a importância das horas de repouso durante a noite, com hábitos que devem ser incutidos desde muito cedo. No entanto, mais do que isso, a hora do sono é importante pelos momentos que a antecedem: estes devem ser tranquilos e aproveitados para que a criança, com os pais, recorde as actividades que fez, partilhe sonhos e confissões, podendo depois sonhar em paz e recarregar baterias!

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Psoríase não é contagiosa A psoríase é uma doença crónica da pele que, em Portugal, afecta cerca de 2 a 3% da população. É ainda pouco conhecida pelo público em geral, que frequentemente lhe atribui conotações negativas e a confunde com doenças contagiosas.

Dia Mundial da Psoríase No dia 29 de Outubro comemora-se o Dia Mundial da Psoríase que, sob o tema “Psoríase, um desafio de saúde global“, pretende em 2012 chamar a atenção para as várias doenças associadas à Psoríase, como a depressão ou o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Informe-se com o seu dermatologista ou farmacêutico.

A psoríase é doença crónica da pele, não contagiosa e auto-imune que pode surgir em qualquer idade. O seu aspecto, extensão, evolução e gravidade são muito variáveis, caracterizando-se, geralmente, pelo aparecimento de lesões vermelhas, espessas e descamativas, que afec-

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tam sobretudo os cotovelos, joelhos, palma das mãos, planta dos pés, costas, região lombar e couro cabeludo. Nos casos mais graves as lesões cobrem extensas áreas do corpo. As unhas são também frequentemente afectadas, com alterações que variam entre o quase

imperceptível e a sua destruição. Sabe-se que é uma doença geneticamente determinada, que envolve alterações no funcionamento do sistema imunitário, que provocam inflamação e o aumento da velocidade de renovação das células da epiderme (camada mais superficial


pele •••

da pele). Mas a doença pode ainda derivar de outros factores, sejam eles imunitários ou ambientais (queimaduras solares grave, irritação da pele, cremes, infecções estreptocócicas - especialmente nas crianças -, contusões, arranhões, entre outros). Dos três factores referidos, a genética é o que maior relevo ocupa. O facto de ser geneticamente determinada não implica que a hereditariedade de pais para filhos seja obrigatória. Contudo, verifica-se uma maior probabilidade de aparecimento da doença em pessoas que tenham familiares portadores da mesma. Os acontecimentos stressantes, a má alimentação e a ingestão de bebidas alcoólicas podem também desempenhar um papel no despoletar da doença. A doença pode afectar homens e mulheres em qualquer idade, embora a medicina já tenha identificado duas fases especialmente críticas: início da fase adulta e após os 40 anos de idade. Além disso, surge com mais frequência nos países de clima frio. A falta da luz do sol e o aumento da secura da pele por causa do frio e dos aquecimentos são considerados factores de risco. A psoríase é uma doença inestética e estigmatizante que pode ter um forte impacto psicológico e social nos doentes porque condiciona relações familiares, sociais e profissionais. Na mulher, todos estes factores parecem assumir maior relevo, nomeadamente se ocorrer envolvimento da face, couro cabeludo, mãos, unhas ou órgãos genitais. As doentes têm ainda de lutar contra o custo elevado dos produtos de higiene e hidratação da pele, bem como dos champôs recomendados pelo dermatologista ou farmacêutico. Cuidados e tratamento Não existe uma cura definitiva para a psoríase, mas sim um conjunto variado de tratamentos, cujo uso isolado ou em associação permite controlar os sintomas na maioria dos casos. Cada doente tem a sua especificidade, pelo que estas terapêuticas devem ser usadas criteriosamente, de acordo com as indicações adequadas para cada caso e a respectiva fase de evolução. São elas as terapêuticas tópicas (cremes e loções), a exposição solar, a fototerapia e a utilização de medicamentos sistémicos. Aconselha-se um estilo de vida saudável, procurando evitar o stress, alternando períodos de repouso e lazer, dormir bem e usar roupa confortável. Devem ser evitadas as gorduras saturadas e as bebidas alcoólicas, sendo que as dietas devem ser enriquecidas e reforçadas com óleos de peixe, vitaminas e antioxidantes (frutas, vegetais). FARMÁCIA

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Foto: Nuno Antunes

Diálogo do consumidor

Mário Beja Santos

PARASITOSES INTESTINAIS NAS CRIANÇAS: Saiba como tirar partido do aconselhamento farmacêutico

O que sãoparasitoses intestinais? A Organização Mundial de Saúde estima em 3,5 biliões as pessoas afectadas por parasitas intestinais das quais 450 milhões são crianças com doença declarada. Estas parasitoses continuam a ser uma dor de cabeça em termos de saúde pública nos países em desenvolvimento. A mudança operada nos modos de vida e nas condições higiénico-sanitárias do nosso país leva a considerar que o problema de parasitoses ainda persiste mas deixou de ser um preocupante problema de saúde pública em Portugal (de facto a taxa de parasitismo intestinal é muito baixa entre nós). Mas a sua prevenção e controlo continua no topo da agenda da saúde pública. Importa recordar que nas crianças filhas de imigrantes a taxa de parasitismo é superior, o que coloca estas crianças numa situação de maior vigilância. É provável que o leitor nunca tenha ouvido falar em ascaridíase, teníase, na amebíase, na giardíase e oxiuríases, infestações causadas por parasitas que podem aparecer nos intestinos das crianças e adultos. Recorde-se que há mais de 100 tipos diferentes de parasitas intestinais, que podem entrar no corpo através do nariz, da pele, dos alimentos, da água e por via das picadas dos insectos. A vulnerabilidade do organismo da criança leva-nos a compreender a importância em estarmos atentos aos sinais e sintomas destes parasitas que podem prejudicar, com maior ou menor gravidade, a evolução da gente pequena. O que é fundamental reter é que estes parasitas aproveitam-se dessa debilidade do

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organismo da criança, instalam-se no intestino, depois depositam os ovos na margem anal ou fezes e esses ovos disseminam-se, por hipótese, através das mãos, brinquedos e outros elementos do uso quotidiano. E quando uma criança entra em contacto com outra que está infectada, ou com um brinquedo contaminado, e depois leva as mãos à boca, também esses ovos dos parasitas podem entrar no organismo através do aparelho digestivo, para além da entrada através de alimentos e água contaminados.

uma das manifestações a que os pais devem estar atentos, examinando as fezes da criança para detectarem os vermes; outro sintoma é a diarreia e problemas intestinais. Em suma, os pais e encarregados de educação devem estar alertados que pode haver uma parasitose intestinal num quadro de uma qualquer destas manifestações: dor abdominal persistente; diarreia; náuseas ou vómitos; gases ou barriga inchada; disenteria; comichão à volta do ânus ou da vulva; sensação de cansaço ou perda de peso.

Como se manifestam as parasitoses

Quais as medidas de precaução mais aconselháveis

As parasitoses podem passar muito tempo despercebidas, há contudo alguns sinais de alerta como a comichão no ânus ou zona próxima, alteração do sono, irritabilidade ou nervosismo excessivo. Ao sentir comichão, a criança coça o rabinho e contamina os seus dedos, especialmente debaixo das unhas. Assim, através das suas mãos, pode contagiar membros da família, companheiros de infantário ou escola. Há alterações associadas à infestação, podem traduzir-se em perda de apetite ou de peso, alterações gastrointestinais, má absorção de nutrientes e até problemas de crescimento. As manifestações mais comuns são as dores abdominais (pode dar-se o caso dos pais confundirem estes parasitas com alergias alimentares), gases e inchaço; as crianças também podem sofrer de fadiga devido aos parasitas utilizarem os nutrientes da criança (o nível de fadiga, claro está, fica dependente do nível de infestação); a perda de peso é também entendida como

A higiene irrepreensível é uma barreira que nunca se deve descurar. É preciso estar atento ao ambiente onde vive a criança, a começar pelas nossas casas. A criança tem que estar protegida dos germes dos animais domésticos, eles são muitas vezes hospedeiros de microorganismos e parasitas que podem ser transmitidos aos seres humanos. Neste ponto, são recomendáveis as seguintes medidas: tratar regularmente os cãos ou gatos contra as pulgas e parasitas (peça conselho ao seu veterinário); durante os seis primeiros meses de vida da criança reduzir drasticamente contactos com animais, é neste período que se vai desenvolver o seu sistema imunitário; há que explicar às crianças que ele não deve tocar nos recipientes da comida dos animais, nas suas mantas ou alcofas e deve lavar sistematicamente as mãos após ter tocado num animal, nunca devendo levar os dedos à


boca até lavar as mãos, deve estar interdito o acesso dos animais ao quarto da criança, nem pensar que o cão ou gato possa dormir junto do leito da criança. Outras medidas de grande significado são a prevenção das diarreias e gastroenterites. Tudo começa pela adesão às regras de higiene de base que são a melhor maneira de limitar os riscos da contaminação. Não nos devemos esquecer que as creches e os infantários são locais propícios à propagação das epidemias de diarreias. Porque as crianças sofrem frequentemente de diarreia. É através das diarreias e das gastroenterites que se pode dar a infecção de outras crianças. Aliás, recomenda-se que as crianças infectadas e que frequentam creches ou infantários deverão manter-se em evicção até ao desaparecimento da diarreia. Nunca se deve perder de vista que o controlo dos parasitas passa por uma melhoria das condições higiénico-sanitárias, por alterações dos hábitos sanitários (por exemplo: lavar sempre as mãos depois de ir à casa de banho, antes das refeições e depois de mudar a fralda; manter as unhas curtas e bem escovadas; evitar que a criança coce a região à volta do ânus). Para evitar o contágio dentro de casa, recomenda-se que se lave a roupa a temperaturas superiores a 55º C, que se aspire a casa em todos os pontos em que se preveja poder ter havido fontes de contágio, devem-se lavar os brinquedos nas situações em que houve contacto com animais e deve permitir-se a entrada de luz no quarto da criança pois os parasitas são muito sensíveis à luz.

Quais os tratamentos para os parasitas intestinais Há autores que destacam a componente alimentar e até o recurso a certos suplementos, mas estes sempre com aconselhamento de um profissional de saúde. Atribui-se às cenouras propriedades que desencorajam os parasitas; os alimentos carregados de fibras são sugeridos e temporariamente desaconselhados os alimentos altamente refinados, como o pão branco, toda a comida refinada e até sumos de fruta, recomendam-se os probióticos, o reforço em vitamina C e o suplemento em zinco. O diagnóstico de parasitose mais comum para a oxiuríase é um teste que consiste em colocar um pedaço de fita adesiva transparente sobre a região anal, à noite, com o objectivo de que os ovos do parasita fiquem agarrados à fita. Como é evidente, é na análise laboratorial das fezes que se irá detectar a a presença do parasita ou dos seus ovos nas fezes e qual o tipo de parasitose.

O tratamento consiste em tomar o antiparasitário durante um ou mais dias, havendo necessidade, em certos casos, de proceder à repetição da dose duas semanas depois. Esta repetição do tratamento visa destruir os parasitas que entretanto eclodiram dos ovos que não tinham sido destruídos quando do primeiro tratamento, visto a maioria dos medicamentos só afectarem os parasitas e não os ovos. A colheita de sangue tem pouca utilidade para o diagnóstico. Durante muito tempo julgou-se haver necessidade de se procederem a desparasitações sistemáticas; hoje há consenso de que não se justificam as desparasitações sem evidência de parasitose. Não se justifica, portanto, a desparasitação periódica feita por rotina às crianças em idade pré-escolar. Sabe-se, aliás, que o uso generalizado dos antiparasitários pode conduzir ao desenvolvimento de resistências, com redução da eficácia dos fármacos usados actualmente como primeira linha.

Use e abuse do aconselhamento farmacêutico Há manifestações precoces que podem indiciar uma situação de parasitose intestinal na criança: a perda de peso, fadiga, alteração do apetite, os sintomas gastrointestinais, a prostração, o prurido anal, entre outras. Em todos estes casos deve-se recorrer ao aconselhamento farmacêutico, pode haver vantagem em fazer-se um rápido encaminhamento médico. O regime alimentar da criança pode ser objecto dessa conversa, sem prejuízo do que está prescrito pelo pediatra. Hoje em dia há antiparasitários não prescritos pelo médico, como é evidente para aqueles casos em que se detecta uma parasitose intestinal, aqui o aconselhamento farmacêutico é incontornável, compete a este profissional de saúde apurar junto dos pais que outra medicação a criança está a fazer. Nos casos manifestos da disenteria ou gastroenterite, o seu farmacêutico pode ter um importante desempenho referindo-lhe as medidas de precaução que são essenciais e como prevenir ou tratar as eventuais complicações associadas a estes casos de diarreia nas crianças (não esquecer que uma diarreia abundante pode rapidamente provocar desidratação e uma perda de sais minerais e até pode haver casos em que seja necessário embeber compostos para rehidratação). Não hesite em entrar na sua farmácia para saber mais como prevenir estas parasitoses e como actuar em casos de suspeita ou tratamento nas situações mais benignas.

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Tabagismo passivo

Jaime Pina Fundação Portuguesa do Pulmão geral@fundacaoportuguesadopulmao.org

Quando os navegadores portugueses e espanhóis, nos séculos XV e XVI, trouxeram das Américas a planta do tabaco, estavam longe de imaginar que tinham trazido consigo um grande problema. A planta, que mais tarde o sueco Lineu iria batizar com o nome de Nicotiana tabacum, foi posteriormente disseminada um pouco por todo o mundo de então, igualmente pelos povos ibéricos. O século XX é, simultaneamente, o século da vitória do tabagismo e o da descoberta dos seus malefícios. O da vitória porque se assiste a um aumento de cem vezes no número de cigarros consumidos; o da descoberta dos malefícios porque a ciência consegue descodificar o ambiente químico que resulta da combustão do tabaco e a sua repercussão na saúde humana. Da combustão do cigarro – que arde a cerca de 900 ⁰C – resulta um conjunto de mais de 4000 substâncias químicas, muitas delas nocivas à saúde. De entre estas, realce para as cerca de 50 que são consideradas pela ciência como substâncias cancerígenas: nitrosaminas, dioxinas, hidrocarbonetos, metais pesados, etc., e que são responsáveis por vários tipos de cancro, com realce para o do pulmão. Se estas substâncias são relevantes em termos de saúde, não menos relevantes são outras substâncias, altamente irritantes, capazes de provocar inflamação e degradação das

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Uma ameaça à saúde estruturas vasculares e respiratórias, sendo responsáveis por doenças temíveis como a arteriosclerose e a DPOC. Estamos a falar, entre outras, de substâncias como a acroleína, fenóis, peróxido de hidrogénio, ácido cianídrico e amoníaco. Entretanto, a informação científica, inicialmente muito centrada nos fumadores activos, evoluiu no sentido dos fumadores passivos. E hoje temos a certeza: os fumadores passivos sofrem dos mesmos males que os activos. As grávidas fumadoras, para além de terem taxas de infertilidade mais elevadas, têm mais abortos espontâneos, geram fetos mal desenvolvidos, bebés com baixo peso ao nascer, maior prematuridade e morte fetal. É o impacto do fumo do tabaco nestes seres em formação, fumadores passivos sem o saber. Outro grupo igualmente muito vulnerável é o das crianças. Consideram-se que existem 700 milhões de crianças expostas ao fumo do tabaco, na maioria dos casos proveniente de pais fumadores que fumam em casa. São crianças mais frágeis do ponto de vista respiratório, com maior incidência de otites, faringites, bronquiolites, bronquites e pneumonias. São crianças que têm que recorrer mais vezes ao apoio hospitalar, quer a serviços de urgência, quer a internamentos. Fumar à janela ou ventilar a casa são atitudes que não resolvem o problema.

No primeiro caso, é regra o fumo do tabaco entrar para dentro da casa; renovar o ar da habitação é uma excelente medida, mas que apenas minora o problema. De facto, quando se fuma no interior de uma habitação, muitas das substâncias anteriormente referidas, não apenas contaminam o ar, como se depositam nos equipamentos: carpetes, tapetes, cadeiras, sofás, cama, etc. Estas substâncias, que não são eliminadas com a ventilação da habitação, serão mais tarde inaladas por quem nela vive – é o novo conceito do fumo em 3.ª mão. Em Portugal temos uma lei – a Lei 37/2007 – também conhecida pela Lei do Tabaco, que teve como principal objetivo proteger os não fumadores do fumo do tabaco fumado por terceiros. Sob este ponto de vista a Lei foi eficaz e, na maioria dos espaços públicos e locais de trabalho, muitas pessoas passaram a não ter que fumar passivamente o fumo produzido por outros. Mas a lei, como todas as leis, tem que ser actualizada e melhorada, não só ao nível da sua aplicação, como ao nível da informação que deverá ser fornecida a todos os cidadãos, e que lhes permita assegurar o seu direito a não serem fumadores passivos. Ah!...e já agora não esquecer o apoio que é necessário dar aos fumadores activos, de modo a que estes abandonem um hábito que tanto mal faz à saúde – à deles e à dos outros.


FARMテ,IA

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Revista Farmácia Saúde 192