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Número 19 / Junho 2010 A Revista de Poker do Brasil!

A

legalidade do poker no País Acompanhe os bastidores da luta da CBTH para mostrar que o poker é um jogo de habilidade

World Team Poker

Circuito Paulista


* Sujeito aos termos e condições da promoção

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Editorial EDITORA

Uma Publicação da

Editora Flop Ltda. Av. Angélica, 2.582 cj. 11 01228-200 – São Paulo, SP (11) 3237-3210 www.revistaflop.com.br /revistaflop flop@revistaflop.com.br

Editor-chefe Juliano Maesano Editor de Jornalismo Amúlio Murta

N

os três últimos anos, foram muitos os pedidos que recebemos, tanto a revista como eu, pessoalmente, de pessoas querendo informações, laudos e documentos para abrir seus clubes, realizar seus torneios e fundar suas federações. Até agora, eu sempre me sentia obrigado a encaminhar estas pessoas a algum lugar, como o site da CBTH ou algum advogado, pois não tinha a possibilidade de sair distribuindo documentos importantes a esmo – além de eu mesmo não ter acesso a todos eles, até pouco tempo. Com esta iniciativa de criar o Documento Flop, matéria especial que integra esta edição, agora posso responder aos que me procuram: leiam toda nossa matéria e use estas informações como quiser. Mostre ao delegado da sua cidade, ao policial que chegar no seu torneio, ao seus amigos advogados e seus parentes. Estes são os mesmos documentos que deram segurança ao BSOP e demais grandes eventos e aos programas de televisão que você assiste, e ainda trouxeram de volta ao Brasil o LAPT. Isso tudo não seria possível sem o empenho do nosso editor Amúlio Murta, que há alguns meses vem juntando este material. Foi ele também que se aproximou do presidente da Confederação, Igor Federal, com esta ideia, e realizou uma ótima entrevista. Em nome da Flop, da CBTH, do Murta e do Federal, eu lhes entrego esta importante edição e espero que as páginas possam lhes ajudar com muitas dúvidas e receios.

Juliano Maesano

Editor-chefe

maesano@revistaflop.com.br

/jmaesano

/MVRTA

Arte e Editorial Thiago Frotscher Revisão Carolina Crespo Bertão Tratamento de imagens Premedia Crop Colaboradores Alexandre Ferreira, André Akkari, Caio Brites, Chris Ferguson, Christian Kruel, Eduardo Fernandes, Elton Czernysz, Felipe Ramos, Gustavo Andrade, Igor Trafane, James Keane, Marcos Sketch, Maria Eduarda Mayrinck e Sérgio Braga. Impressão Intergraf Publicidade Regina Capasso comercial@revistaflop.com.br (11) 3237-3210 / 7869-5800 Las Vegas Representation Office Mario Guardado marioguardado@hotmail.com +1 (702) 672-3144 Assinatura Pelo site: www.revistaflop.com.br ou envie pedido para: assinatura @revistaflop.com.br  Flop é uma publicação bimestral. Tiragem: 30.000 exemplares. A Revista Flop não se responsabiliza por opiniões e conceitos emitidos em artigos e colunas assinadas. Por uma decisão editorial, algumas palavras são mantidas com sua grafia em idioma original. É vedada a reprodução parcial ou total de qualquer conteúdo sem autorização expressa.


Sumário

Edição 19 – Junho 2010

34 | Circuito Paulista Como Tudo Começou 38 | Documento Flop – Parte 1 Laudos e Estudos 44 | Documento Flop – Parte 2 Esporte da Mente 46 | Documento Flop – Parte 3 Entrevista com o Presidente 54 | Torneio Beneficente Ajudando as Vítimas do Chile 72 | Quebrando Recordes BSOP Curitiba 82 | A Onda da Cavalagem Como Investir no Poker World Team Poker O Brasil na Busca pelo Título

Seções

Colunas

10 | Junho

78

86 | Campeonato Carioca A Nova Fase

12 |

Cartas

55 |

Caderno Full Tilt

104 |

Social

14 |

Shuffle-Up

64 |

Sit-and-Go Flop

108 |

Glossário

32 |

Poker Style

76 |

BSOP e CPH

112 |

Iniciantes

114 |

Humor e Home Game

20 | André Akkari Enfrentando um Grande Field 22 | Felipe Mojave O Pós-flop em PL Omaha

32 | Full Tilt Poker Como Enfrentar a Má Fase 88 | SNG TeamPro Os Resultados do Projeto

96 | Sérgio Braga Minha Experiência em Vegas 100 | ADTP A Evolução do Poker no País

24 | Christian Kruel Erros Comuns em Limites Baixos

92 | Jurídica 102 | MeBeliska A Grande Conquista Mundial Falinhas nas Mesas

26 | Marcos Sketch As Análises da Minha Jogada

94 | SportingBet As Apostas da Copa 2010


Cartas

Envie suas sugestões, informações e opiniões para cartas@revistaflop.com.br

Turbo e Shootout

Qual a diferença entre os torneios turbo e os super turbo? E o que são torneios shootout? Carlos Dreht, São Caetano do Sul, SP Carlos, geralmente os torneios turbo iniciam com 1.000 a 1.500 fichas e tem níveis de blinds com duração de cinco a seis minutos. Já os Super Turbo são uma criação mais recente, e costumam ter um stack inicial de 300 a 500 fichas, com blinds subindo geralmente a cada três minutos. Estas modalidades trazem alta variância aos seus jogadores, que precisam de bom conhecimento sobre posição, range de mãos e tamanhos de stacks. Já os torneios shootout são aqueles em que as mesas não são equilibradas a cada eliminação, portanto cada jogador precisa eliminar todos os adversários de sua mesa para passar para uma fase posterior.

Erros do dealer

O que acontece se durante um torneio, o dealer comete algum erro, como não queimar a carta ou virar alguma carta fora de hora? A mão prossegue ou deve ser anulada? Bruno Quadros, Curitiba, PR Bruno, cada falha implica em um procedimento, mas raramente uma mão é anulada. Quando o dealer vira uma carta antes do final da ação em uma determinada street, por exemplo, ele deve retornar a carta ao baralho e misturar, novamente, o monte de cartas restantes, sem incluir as cartas queimadas e foldadas. No caso de não queimar uma carta e já virar o que seria a queima na mesa, o jogo pode voltar daquele ponto ou continuar, mas claro, isso depende se houve uma ação substancialmente importante de apostas e aumentos após o erro ou se este foi detectado imediatamente.

Ranking

O ranking SuperPoker só considera resultados em Texas Hold’em ou posso mandar resultados de outras modalidades? Tiago Campos, Rio de Janeiro, RJ Caro Tiago, o Ranking Brasileiro do SuperPoker aceita resultados de toda e qualquer modalidade de poker reconhecida pelos sites e eventos de renome nacional e internacional. Muitos jogadores no topo do ranking enviam seus resultados de PL Omaha, HORSE, Stud e diversas outras vertentes do poker.

12 | Junho

Auditoria?

Quem garante que entre dois dias do torneio um jogador receba mais ou menos fichas do que tinha no dia anterior? Existe alguma “auditoria” durante os torneios nesse aspecto? Paulo Souto, São Paulo, SP Paulo, ao final de um dia de torneio os jogadores ensacam e lacram suas próprias fichas, passando a contagem para a organização. Somente os jogadores são responsáveis pela contagem correta e, como os sacos são lacrados de forma inviolável, é muito raro alguém declarar alguma alteração em suas fichas. Em casos em que isso ocorre, a organização estuda uma possível forma de confirmar o número do dia anterior, seja por imagens ou por arquivos de coberturas na imprensa, mas nesses casos raros geralmente o jogador não consegue provar que havia mais ou menos fichas em seu saco. Também é bom lembrar que, na grande maioria destes casos, o jogador estava enganado quanto a sua quantidade, principalmente por contar erroneamente suas fichas ao término de um dia longo e exaustivo de torneio.

Locais

Editores, que tal a Flop publicar, junto aos anúncios de torneios que estão por vir, opções de hospedagem e lazer nas cidades em que ocorrerão o evento? Como namorada de jogador, vou a diversos lugares e muitas vezes não sei o que fazer enquanto ele joga poker! Vivian Pohl - Blumenau - SC Vivian, primeiramente, obrigado pela sua sugestão. Analisando a revista, percebemos que os anúncios de torneio que estão por vir são publicidades, como, por exemplo, a que tem do BSOP e do Circuito Litoral, no Guarujá. Acontece que nós recebemos este material já pronto, sem autorização para alterá-los. Os torneios que escrevemos na revista já ocorreram e, por isso, não temos condições de escrever o que se pode fazer na cidade em que foi realizado o evento. Mas, calma! Nem tudo está perdido. Estamos vendo a possibilidade de trazer para a revista uma nova seção voltada aos principais destinos turísticos para se jogar poker e também para aproveitar o que o local tem de melhor.

American Airlines, Bullets, Pocket Rockets, Pardais A A


Shuffle-up and Deal

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O

s organizadores da World Series of Poker (WSOP) acabam de anunciar algumas importantes mudanças para a temporada 2010 da maior série de torneios do planeta. A primeira delas é a decisão de encerrar as inscrições para o dia 1D do Main Event mais cedo do que o de costume, no intuito de balancear melhor o número de jogadores dos quatro dias de abertura, evitando que a quantidade de participantes seja maior no último dia de abertura, o que vem acontecendo nas últimas edições.

Apesar de não revelar exatamente o número de jogadores com o qual as inscrições estariam encerradas no último dia – dizendo que isso depende do número de inscritos nos demais dias (1A, 1B e 1C) – Seth Palanski, diretor de comunicação da WSOP, disse: “creio que se o jogador não tiver se registrado até os dias 25 ou 26 de junho, ele não conseguirá escolher o dia que quiser para estrear no torneio.” Outra mudança importante divulgada por Palanski foi relativa ao field do Dia 2. Até a última edição, os jogadores classificados nos dias 1A e 1B jogavam o dia 2A, e os classificados nos dias 1C e 1D, no dia 2B. Agora, a coisa será diferente: os jogadores classificados nos dias 1A e 1C jogarão o dia 2A e os jogadores que avançarem nos dias 1B e 1D jogarão no dia 2B. A modificação também foi com a intenção de balancear melhor o torneio, já que os dois últimos dias de abertura costumam ter mais jogadores que os dois primeiros. Além disso, a WSOP 2010 terá mais espaço disponível do que nas edições anteriores, já que o gigante Pavillion Room, área destinada a

outros fins anteriormente, será utilizada para os torneios da série mundial a partir desse ano.

Copa do Mundo África do Sul

A organização também não esqueceu da Copa do Mundo deste ano, e está preparando um sports bar e um lounge para aqueles que não querem perder nenhum minuto do maior torneio de futebol do planeta. Os dois estarão localizados no Brazilian Room. O nome escolhido para a nova locação foi “Bad Beat Room”.

Refeição Indoor

Outra mudança, será a do restaurante da WSOP. A antiga “Poker Kitchen”, localizada na área externa do Rio Casino e Hotel (exposta a mais ou menos 40° centígrados) será substituída pelo “Gutshot Grill”, localizado no Miranda Room.

Cash Game em novo local

Outra mudança anunciada foi a respeito da área de cash game, que antes acontecia no Amazon Room, espaço que agora será completamente destinado aos torneios. A nova locação para o cash será o Pavillion Room.

115 horas de poker! O excêntrico jogador irlandês Phil Laak mostrou que resistir é o seu forte. Recentemente, ele lançou um desafio em que pretendia jogar durante 80 horas seguidas, justamente para quebrar o recorde de mais horas jogadas – pertencente à Paul Zambler, que aguentou jogar 78 horas e 25 minutos consecutivas durante a WSOP Europa. Laak iniciou seu desafio no dia 2 de junho no Bellagio Hotel em Las Vegas, jogando nas mesas de cash $10/$20 contra grandes feras mundiais do poker, como por exemplo Scotty Nguyen, Antonio Esfandiari ou

14 | Junho

Andrew Robl. Phil conseguiu alcançar a marca de jogar durante 80 horas, mas ele decidiu não parar e continuou com seu desafio. Ele só parou depois de jogar por 115 horas. Isso mesmo, leitores! 115 HORAS. E ainda saiu no lucro de US$6.766, que foi doado para a organização de caridade “Camp Sunshine”. Com isso, Phil Laak superou em 37 horas o recorde anterior e agora entra para a história e também para o Guinness Book como o jogador mais resistente do poker. E aí, quanto tempo você aguenta? Cowboys, King Kong, Kangaroos, Ace Magnets, Kaká K K

De visual novo Coritiba se juntam para

jogar poker De duas paixões, futebol e poker, surgiu o primeiro torneio exclusivo para torcedores de um time de futebol do Brasil. No dia 21 de abril foi lançado o “Coritiba Series of Poker”, torneio exclusivo para torcedores do Coritiba. O Literário Texas Clube recebeu cerca de 70 jogadores para a disputa de primeira etapa do CSOP. O vencedor foi Paulo Henrique, que bateu Tiago Teixeira no heads-up. A mobilização para agregar o field do torneio foi feita toda através da internet, nas redes de relacionamento. Segundo Luis Guilherme Ribas, um dos organizadores do evento, o objetivo do torneio é fazer uma confraternização entre os torcedores do Coritiba que têm como hobby o poker. Três grandes jogadores de Curitiba são torcedores do Coxa: Alexandre Gomes, Mestre Filipe e Gustav Langner, que já demonstraram interesse em apoiar a idéia, participando simbolicamente das futuras edições. O “Coritiba Series of Poker” ainda terá mais quatro etapas durante o ano de 2010.

O

campeão mundial de poker, Alexandre Gomes, lançou recentemente seu novo site: www.alexandregomes.com.br. Rico  em  detalhes gráficos e funcionalidades, o projeto otimiza ferramentas diversas para o ambiente web e transporta o internauta para o fascinante mundo do jogo. Ainda num primeiro olhar, a riqueza na ambientação salta à tela. Do topo do site, Alexandre Gomes desafia o visitante a enfrentá-lo. Utilizando as duas cartas que podem ser vistas no rodapé da página, o internauta pode tentar acertar o melhor flop, juntamente com as cartas randômicas que aparecem ao lado do player de vídeos. Tudo isso acontece sobre um fundo que simula uma grande mesa de poker, onde se desdobra o projeto gráfico. Através do site, que possui fotos, notícias, resultados, blog e interação com o twitter, o internauta pode conhecer um pouco mais sobre a carreira e a vida do jogador brasileiro, ganhador de dois braceletes, um conquistado na World Series of Poker de 2008 e outro no WPT Bellagio em 2009.

Daniel Wjuniski

Pelo 4º lugar no Evento 8 da WSOP deste ano, sendo o quarto brasileiro a fazer uma mesa final na série.

Team Brazil – World Team Poker

destaques

As mudanças da WSOP

Torcedores do

www.revistaflop.com.br

Christian Kruel, Felipe Mojave, Juliano Maesano, Leandro Brasa e Rodrigo Caprioli representaram o Brasil no WTP e conquistaram o vice campeonato

João Mathias

Por entrar no seleto grupo de brasileiros que conquistaram a Triple Crown do site Pocket Fives. Junho |

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Shuffle-up and Deal

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Ranking 2010

A

Playlist

Beto Caju

16 | Junho

Caju é jogador de poker e também compositor.

1 Beto Caju (“mestre_urubu”)

2 Vinicius Teles

3 Caio Pessagno

4 João Mathias

5 Caio Pimenta

6 Marco “Salsicha”

7 Luiz Filipe (“mestrefilipe”)

8 Bruno GT

162.076 pts 102.025 pts 98.231 pts 89.901 pts 85.933 pts 83.973 pts 79.482 pts 77.995 pts 75.542 pts 66.949 pts 66.626 pts 59.634 pts 52.465 pts 48.778 pts 48.357 pts 45.524 pts 45.408 pts 43.027 pts 42.626 pts 41.234 pts

9 Pedro Megalli (Petermtv)

10 João Studart (vovo_leo)

11 Thiago “Decano” Nishijima

12 Sérgio Penha

13 Norson Saho

14 Christian Kruel

15 André Akkari

16 Alex Gelinski

17 Marcos XT

18 Caio Brites (caiodream)

19 Fabiano Kovalski

20 Leonardo Gonzaga

TOP 20

briga pelo ranking mais importante do País continua a todo vapor. Nosso convidado da seção Playlist, Beto Caju, o mestre_urubu, continua no topo da corrida pelo ranking brasileiro, com mais de 162 mil pontos. Ele segue ampliando sua vantagem sobre os demais concorrentes, com um desempenho e um volume de jogo que impressionam. Somente nos últimos dois meses, ele abriu mais de 60 mil pontos frente ao jogador que ocupa a segunda colocação. A segunda posição teve uma importante mudança. Ela agora tem um novo ocupante. O mineiro Vinicius Teles manteve o mesmo ritmo com que começou a despontar na corrida no começo do ano, e ultrapassou o bicampeão do ranking nas temporadas 2008/2009, o também mineiro, Caio Pimenta. Caio, aliás, despencou na corrida, perdendo três posições e caindo da segunda para a quinta posição do ranking. Ele, que desafiou o Brasil, no início do ano terá muita dificuldade para conseguir o tricampeonato. O jogador Caio Pessagno ainda não havia figurado entre os top 20 do ranking. Porém, com ótimos resultados computados, o jogador de Campinas já entrou na disputa figurando na terceira posição e há menos de três mil pontos da segunda colocação. Vice líder durante boa parte do ano passado, o gaúcho João Mathias continua subindo na disputa. Ele ganhou cinco posições e, agora, é o quarto colocado, com cerca de quatro mil pontos na frente de Caio Pimenta, que no momento ocupa a quinta posição. E a vida do mineiro não está fácil. Ele possui apenas dois mil pontos à frente do conhecido jogador Marco “Salsicha”, que vem fazendo um ano incrível, com ótimos resultados. “Salsicha” conquistou duas posições e segue, agora, ameaçando Caio.

A série volta ao Brasil!

C

onfirmando os rumores, que a Flop adiantou em fevereiro desse ano, o PokerStars anunciou a volta do Latin American Poker Tour (LAPT) ao Brasil. O País, que foi a sede do evento inaugural da primeira temporada, no Rio de Janeiro em 2008, volta a receber uma etapa do circuito latino, nos dias 4 a 8 de agosto. O LAPT rapidamente se tornou um dos torneios mais populares do continente graças aos destinos exóticos e poker de qualidade, atraindo jogadores de todo o mundo. Desta vez, o local escolhido foi o Resort Costão do Santinho, no norte da ilha de Santa Catarina, situado ao lado da praia do Santinho – mesmo local que recebeu, neste ano, a etapa Catarinense do BSOP. “Estou muito feliz com a volta do LAPT ao Brasil nesta temporada”, disse o profissional brasileiro do PokerStars

André Akkari, que ressaltou a importância da escolha do local para a realização do evento: “Os jogadores poderão desfrutar de uma paisagem maravilhosa, enquanto jogam contra alguns dos melhores jogadores de poker da América Latina.” O resort possui um campo de golfe, um complexo desportivo e uma das maiores piscinas térmicas do Brasil, algo que deve tornar o evento ainda mais atraente. Para os brasileiros, essa pode ser a chance de, pela primeira vez, um jogador daqui conquistar o cobiçado troféu.O presidente do LAPT, David Carrion, destacou a satisfação de toda a organização com a volta do circuito ao território brasileiro: “Estamos muito satisfeitos que o LAPT vai voltar ao Brasil e o evento tem tudo para ser um dos maiores da história do circuito.”

Atualizado em 27/05/2010

Vice-campeão nas temporadas 2008/2009, o curitibano Luiz Filipe de Andrade (mestrefilipe) é o jogador que atualmente ocupa a sétima posição, seguido de perto pelo brasiliense Bruno Gonzales Terra, o Bruno GT, que vem na oitava posição. Após subir três posições, Pedro Megali surge pela primeira vez entre os “top ten” do ranking brasileiro, na 9ª posição. A lista dos 10 melhores fecha com o jogador João Monte, mais conhecido como Vovô Leo, que caiu três posições, mas ainda continua entre os dez melhores do ranking brasileiro. Com o ano prestes a fechar o seu primeiro semestre, a briga pelo ranking reserva ainda muitas emoções para a segunda metade de 2010.

Pitty Me Adora

Jorge Vercilo Ela Une Todas as Coisas

Dalto Muito Estranho

Ritchie Transas

Jorge Vercilo Devaneio

A-Ha Hunting High and Low

Michael Jackson Gone Too Soon

Roberto Carlos Eu Preciso de Você

Cassiano A Lua e Eu

Dalto Espelhos D’água Ladies, Bitches, Mulheres, Minas, Siegfried and Roy Q Q

Mais uma Coroa brasileira Na edição passada, você pode acompanhar a matéria com os brasileiros que possuem a tão conceituada Triple Crown, veiculada pelo site Pocket Fives. E agora, menos de dois meses depois, outro brazuca consegue alcançar tal façanha e entra para a seleta lista de jogadores que conquistaram a Coroa. Ele é o gaucho João Mathias. Só para lembrar, para conquistar a Triple Crown, o jogador precisa vencer três diferentes torneios em três sites diferentes, em uma mesma semana, com o prizepool mínimo de US$10.000 e o field precisa ser superior a 100 jogadores. Para levar o título, Mathias venceu o $12K garantido do Party Poker – NL Hold’em com o buy-in de $109, o $22 com re-buy no PokerStars – com premiação de 20K, e, no Full Tilt, um torneio turbo de Rush Poker de 10K garantidos. João, que lutou pela liderança do ranking SuperPoker durante boa parte de 2009, ainda não havia aparecido entre os Top10 de 2010. Com esses resultados, ele agora ocupa a quarta posição e começa a credenciar o seu nome na briga pelo topo do ranking. Parabéns, João Mathias, por esse brilhante resultado. www.revistaflop.com.br

Prêmio Flop 2009 A votação online foi encerrada, com mais de 3 mil usuários diferentes votando nas diversas categorias deste ano. Agora inicia-se a fase do voto especializado, onde cerca de 20 personalidades ligadas a diferentes áreas do mercado do poker brasileiro darão seus votos entre os finalistas indicados pelo voto popular. Os vencedores só serão conhecidos na esperada festa de entrega, que ainda não tem data nem local confirmados, mas tudo indica que seu criador, Juliano Maesano, aliará a festa a uma data que reúne naturalmente a nata do poker brasileiro. “Estamos pensando em marcar a festa junto de um grande evento como o BSOP ou o LAPT. Em breve traremos os detalhes aqui e no site da revista”, diz Maesano. Junho |

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coluna André Akkari

colunas@revistaflop.com.br

enfrentando um

grande field Como cheguei na mesa final em um torneio com mais de 19 mil jogadores

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André Akkari Membro do Team PokerStars e um dos maiores jogadores de Texas Hold’em do País. Seus resultados online e ao vivo crescem a cada dia, desde que decidiu se dedicar somente ao poker.

/aakkari 20 | junho

aí meus amigos Flopeiros? Hoje foi um dia dos mais emocionantes, cansativos, felizes, tristes (tudo ao mesmo tempo!) da minha curta carreira de quase cinco anos de jogador profissional de poker. Consegui chegar à mesa final do maior main event de uma série de poker online, em termos de participantes, o SCOOP Low $100+9, com mais de 19.000 pessoas. Algo que me marcou bastante e vou levar comigo para o resto da minha vida. Tudo o que eu estou acostumado a ver em termos de momentos em um torneio – o começo, o meio, a bolha, a reta final –, muda quando você enfrenta um field deste tamanho. Já respondendo ao título desta coluna, este dia me marcou muito porque, para conseguir pegar esta mesa final, eu nunca me senti tão bem com a minha estratégia de torneio multitable. Em minha opinião é quase impossível você conseguir este feito sem muita, mas muita estratégia mesmo. No meu planejamento de torneio, principalmente online, eu tenho quase que prearquitetado o modo de jogo em cada um dos níveis de blinds, sei quem joga bem o 150/300, quem é especialista no 200/400, sei quais são minhas falhas e virtudes e também a dos meus principais adversários. Quando falamos deste main event da Scoop, praticamente vai tudo às cegas nesse quesito. Em nenhum momento eu peguei na mesa alguém que eu tivesse um note até pelo menos restarem 40 jogadores, quando cruzei com o Blanconegro e Scarface. Antes disso, era completamente sem histórico. Durante praticamente 80% do

torneio ou mais, joguei com pessoas que eu nunca vi na vida, nunca o thepokerdb.com foi tão acionado pelo meu computador, e isso fez uma diferença crucial no meu desempenho. Praticamente olhei cada adversário, um por um: se era lucrativo ou não, qual a média de buy-in, quantidade de jogos, ROI, e por aí vai. Para cada ação da mesa e combinação com essas informações, principalmente de quando restavam 400 pessoas para frente, eu personalizei as minhas ações, customizei para cada um dos meus clientes em questão. Eu sabia que se um jogador que fosse negativo, com média de buy-in baixa, tomasse uma atitude de me dar um 3-bet sem posição, ao aproximar a mudança de faixa de premiação considerável, a chance de ser blefe era minúscula. Portanto meu AJ era lixo, porém meu A5 valia demais quando as informações casavam com o contrário da citada. Aí era shove, e por aí vai. Para cada street jogada, essas informações eram muito valiosas, a ponto de em vários momentos não me deixarem tomar atitudes que, a princípio, me pareciam óbvias. Porém, esse não foi o ponto principal para quase bater um field de aproximadamente 20 mil pessoas. Na minha opinião, o que me fez chegar lá foi um planejamento estratégico perfeito do que fazer com cada faixa de stack em que eu me encontrei durante o torneio, ou seja,

eu sabia e fiz exatamente o que eu deveria fazer quando estava com 10 big blinds, com 20bb’s, com 100bb’s, não cometi nenhum erro de desperdiçar ferramentas em que meu stack se encaixava e não errei matematicamente para baixo quando meu stack me mandava sair para o jogo. Este, sim, eu acredito que tenha sido o acerto fundamental para esta final table. Estratégias perfeitas de acordo com o seu stack são lapidadas hoje em dia por grandes mestres do baralho, principalmente online. Nomes como Gboro, Moorman, DuckU, sabem fazer isso como maestros, e é exatamente por isso que conseguem tantos resultados consecutivos, esbanjando planejamento e abusando do uso de todas as ferramentas que seus stacks permitem. Eu olho esses caras jogarem como quem aprecia uma boa música, fico abismado e tento absorver cada ponto positivo, assim como incorporar os meus pontos positivos, indo em busca do jogador ideal. Isso é uma tarefa ou impossível ou perto disso com a evolução do jogo

www.revistaflop.com.br

atualmente, mas o fato de você acoplar estratégias vencedoras para o seu jogo é uma das coisas mais prazerosas da vida.

E

m uma viagem para Monte Carlo, tive uma conversa com meus amigos Caio Pimenta e Thiago Decano, dois dos maiores pensadores do jogo que conheço, e falávamos exatamente disto, de como é bonito o poker, quantas são as variáveis deste jogo e de como as estratégias aplicadas de forma perfeita são maravilhosas de serem vistas e prazerosas de serem executadas. Quando você olha um destes maestros jogando e olha os seus DB’s ou Official Poker Rankings, tudo casa, não tem erro, não tem como o cara não ser muito ganhador. Em contrapartida, falávamos também de qual é o percentual de jogadores de poker que, hoje em dia, conseguem enxergar isso. Ainda bem que são muito poucos no mundo inteiro e espero que cada dia mais brasileiros consigam ter essa visão, pois poucas sensações nesta vida são tão

prazerosas quanto o olhar por um prisma que tão poucas pessoas olham, e ver o que poucos veem. Estudem o jogo o máximo que vocês puderem, procurem pessoas para conversar mãos à exaustão, vocês vão descobrir o que achavam que não existia. Essa é a beleza do poker. Quero mais uma vez agradecer de coração todo o carinho que recebi após essa quinta colocação no SCOOP. Nunca imaginei em toda a minha vida que eu pudesse receber algo deste tipo, ter tamanho reconhecimento na profissão que escolhi. Isso é muito mais do que eu poderia imaginar e vocês podem ter a certeza de que o máximo que eu puder devolver deste carinho eu, com certeza, o farei. Foram no total mais de 2.600 mensagens em todas as redes sociais e e-mails. Foram pessoas que, de uma forma ou de outra, gastaram um minuto do dia para me dar uma palavra de força, comemorar, chorar com a bad beat, vibrar com os potes conquistados, etc. Isso, de fato, não tem preço! 

junho |

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coluna Felipe Mojave

colunas@revistaflop.com.br

como jogar o pós-flop em

PL Omaha E Finalista da WSOP em PLO, Mojave dá valiosos conselhos da modalidade

Felipe “Mojave” Ramos Embaixador do site PartyPoker, conseguiu uma mesa final e a sexta colocação na WSOP 2009. É o primeiro brasileiro a conquistar três premiações no EPT.

/FelipeMojave 22 | Junho

aí galera da Flop, tudo beleza? Nesta edição vou trazer para vocês alguma dicas de jogo pós-flop no Pot Limit Omaha. Há duas edições escrevi uma coluna sobre PLO com foco nas starting hands e algumas dicas. A galera comentou muito comigo que curtiu bastante, inclusive no intuito de pedir mais dicas sobre esse jogo tão fascinante e técnico que é o Omaha. Atendendo, então, ao pedido de vocês, vou apontar aqui alguns fatores e dicas no jogo pósflop nessa modalidade de poker que cresce muito no Brasil e no mundo. Obviamente, a estratégia pós-flop depende muito do padrão de jogo apresentado pré-flop. Sempre comento que, para a situação ficar mais cômoda no pós-flop, é importante que o controle do pote seja mantido, que você esteja jogando uma boa starting hand e o principal de tudo: jogar a grande maioria das mãos em posição. Tudo isso é muito importante, pois os erros em PLO custam muito caro, principalmente quando você está começando, pois é muito fácil ficar perdido num jogo de tantos draws, seja ele simples, re-draw, nut draw ou combo draw (e outros!). Primeiro fato no pós-flop é analisar a sua textura. Isso significa identificar a ação de cada jogador pré-flop, ligando este possível range com as cartas que vieram no flop. Isso não vai só te ajudar a definir se seu adversário acertou o flop ou não, mas vai te ajudar muito a saber a equidade da sua mão, assim como sua equidade de float. Neste caso específico, me refiro, por exemplo: seu adversário aumentou 3x pré-flop em middle possition e você deu o call do botão. O flop veio QT5 e você tem um mão muito honesta pré-flop que é JT98, mas não tão forte assim pós-flop. É bem capaz que você se encontre aqui numa situação quase que drawing dead ou mesmo drawing para um empate, ou seja, se você decidir continuar nesta mão, tudo pode custar muito caro para você, já que você

possivelmente está perdendo no flop e o mais importante: seu draw não é para o nuts. É muito comum ver jogadores continuarem nessa mão, acertarem a sequência e se sentirem na obrigação de pagar (já que acertou a sequência) e ver o seu oponente abrir uma sequência maior. Não cometa esse erro tolo que vemos a todo o momento, seja em low ou high stakes. Então, se for entrar num draw, que seja para o nuts e/ ou de muitos outs. Muito importante essa dica.

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uitos fatores têm de ser analisados: número de oponentes, tendência de cada um (se sempre apostam no flop ou têm postura mais passiva), quem tomou a ação pré-flop e de qual posição, etc, etc). Você está prestando atenção em tudo isso antes de tomar a sua ação? Pois é, os fatores são um pouco mais complexos no Omaha e, pra atingir um grau de raciocínio rápido, leva muito tempo e prática. Portanto, não se aventure em mesas fora do seu limite sem a experiência e o bankroll necessários. Falando em bankroll, minha dica é que você use para o PLO pelo menos 2,5x do que você usa e se sente confortável para o Hold’em. O grande segredo do PLO é saber definir rápido se o flop ajudou ou não seus adversários. Esse é o maior segredo que eu sou capaz de desvendar para vocês. Grandes mestres nessa teoria são Tom “durrrr” Dwan, Patrick Antonius e J.C. Tran. Imagine que você tenha AAxx naipados em um Ás de espadas e vamos comparar algumas texturas de flops, a seguir: 1. Flop 9TJ Vamos partir do fato que nenhum dos seus oponentes acertou uma sequência aqui. Mesmo assim, se já não estiver perdendo, existem muitas combinações de draws que levam vantagem, ou seja, têm equidade maior que a sua mão no flop, seja para straight, para flush ou mesmo para ambos. Se você estiver jogando contra mais de um oponente, pode esquecer Jokers, Hooks, Ganchos, Anzóis, Jay Jay J J

totalmente dessa mão. Quase todas as cartas do baralho vão completar um draw, perceba isso. 2. Flop 27Q Este é o famoso flop que chamamos de raggy, ou seja, não há nenhum draw, nem straight, nem flush draws que possam ser fechados no turn.

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ora isso, a chance de algum oponente seu ter acertado dois pares nesta situa-ção é muito pequena e, dependendo de como a ação foi pré-flop, fica muito fácil colocar ou não o vilão numa trinca média ou baixa. Seu “quase único” temor aqui seria uma trinca de damas. Você obrigatoriamente tem que apostar ou aumentar se seu oponente tomar a ação neste flop, pois se você encontrar algum tipo de resistência, aí então você vai analisar a possibilidade de ter encontrado uma mão maior que a sua. O que será que seu adversário pode ter? Não pode fugir de trinca de 22xx, 77xx, QQxx, Q7xx ou um completo blefe. Não ficou muito mais fácil definir a ação? Acho que clareou bastante a mente, não é? Portanto, mexa-se, extraia o máximo de informação possível antes de tomar a sua decisão. É por isso que, na ponta inversa, você precisa ter muito cuidado quando for blefar nesses dry boards, pois é bem capaz de você tomar call de AAxx, KKxx ou AQxx e ficar chamando seu adversário de donkey depois! (sem razão, lol). Alguns flops vão trazer para você a informação por si próprios. Se houve raise forte e re-raise pré-flop, grandiosas são as chances de seus oponentes terem pares altos ou cartas altas/figuras para sequência, o que chamamos de broadway cards. Nesse caso, um flop baixo aumentaria as chances de você ganhar a mão, mesmo que você tenha errado completamente o flop. Imagine que seu oponente tenha AAKQ e o flop seja 489. Só existe uma razão para ele continuar na mão: Se ele tiver flush draw em Ás. Se for um bom jogador, dependendo do valor percentual do stack dele investido no flop, ainda assim há grandes chances de seu blefe ser bem-sucedido. Cuidado: Não blefe jogadores ruins tão frequentemente! Você vai tomar

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calls muito estranhos e isso vai afetar muito os seus nervos (com toda razão), principalmente nos limites baixos. Flops como 864 com quatro jogadores e você tomando call de dois pares. Jogadores ruins correm atrás de draws ruins. Saiba identificá-los para extrair valor das suas mãos e não seja um deles! (risos). Voltando à jogada anterior, isso é o que chamamos de float equity, ou seja, analisar as chances de seu adversário ter ou não acertado determinado flop e, mesmo você tendo errado completamente o bordo, seguir em frente e ganhar a mão com uma aposta (em posição, todas as teorias são mais fáceis de se tornarem praticáveis – lembrem-se disso). Claro que o conceito de equidade de float é muito complexo e esse é apenas um exemplo básico de um assunto muito avançado. Já os flops que vêm com pares, por exemplo, TT8, você só deve continuar se tiver um full house ou se tiver a trinca com kickers altos, ou seja, num eventual full house que você possa acertar, que seja maior que o 8 do bordo, por exemplo, TQKA. Quanto mais kickers altos você tiver, melhor. Não é fácil de perceber que o valor de TQKA é muito maior que T9QJ? Não deixe que seus oponentes exerçam esse tipo de vantagem pra cima de você em situações em que pode facilmente se deixar levar e perder o controle pelo fato de ter acertado o flop, mas não tão bem quanto o seu adversário. Óbvio que T877 seria uma mão muito

melhor que qualquer outra apresentada por já ter o full house pronto, mas ainda assim, existem mãos melhores que essa, como T8QJ ou T8KK que podem acertar full houses maiores, o que daria a você a chance apenas de empatar a mão, e não de ganhá-la.

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ome muito cuidado com full houses que foram flopados por baixo, como 8876, pois existem chances de você tê-lo acertado e não ter mais chances de ganhar a mão, ou ter muitos correndo pra fechar uma mão maior que a sua. Diferente das trincas no Hold’em, isso não pode ser considerado um cooler no Omaha, e definitivamente não é. Galera, Pot Limit Omaha é um assunto muito complexo que aborda uma quantidade infinita de possibilidades. Espero que, com os exemplos apresentados, eu tenha ajudado de alguma forma a melhorar o jogo de vocês. Quem quiser entrar em contato comigo para tirar dúvidas que tenham ficado nesta coluna, me coloco à disposição através do twitter (@FelipeMojave). Fora isso, você também pode seguir @PartyBrasil para ficar por dentro de todas as novidades e promoções do PartyPoker, além do blog partypokerbrasil.com. Um grande abraço para todos e continuem treinando muito PLO, sem desanimar. Leva tempo e experiência até clarificar as ideias nesse jogo, vai por mim.  Junho |

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coluna Christian Kruel

faz com que o pote possa ser mais facilmente levado caso uma carta forte apareça no turn.

erros comuns em Limites

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baixos e médios

enha em mente que flops como Q87, 9TJ ou K9Q são mais difíceis de serem levados com um único bet no flop, porque possuem muitas chances de draws e, nesse caso, você precisará de apostar novamente no turn. Lembre-se de que num flop como Q87 você deveria estar mais propenso a apostar com 32 e JTo do que com 23o, por exemplo.

Siga as dicas de CK e evite cometer os deslizes dos jogadores iniciantes

F

ala leitores da Flop. Terminei esta coluna de Vegas, onde caí do 25K WPT Bellagio numa mão meio cruel, pote grande acima de média no final do dia 2 de QQ x AQ pré-flop para o famoso Jonathan Little, é doloroso, né ? Bom, mas faz parte. Nesta coluna escolhi uma série que identifica muitos erros comuns em jogos menos avançados. Todos sabemos que, na medida em que subimos de valor, seja em cash game ou em torneios, o nível de jogo aumenta bastante. Jogadores de limites baixos e médios têm a tendência de jogar menos mãos e de brigar menos pelos potes quando não flopam um jogo muito forte porque não dominam bem alguns conceitos, como ranges e leitura de mãos, mas, principalmente, leitura de mãos. Este artigo não terá como objetivo direto fazer você jogar mais potes e brigar mais por eles, mas mostrar alguns erros comuns em limites baixos e médios e, aí sim, deixar um espaço aberto para que possamos jogar mais mãos e brigar por mais potes. Vamos começar com uma situação comum: potes abertos com limp.

Potes abertos com limp

Errando a mão no controle do pote

“As vezes eu sinto que o controle do pote foi um conceito criado pelos jogadores de limites altos para que eles possam trucidar seus oponentes de maneira rápida. Eu não tenho nada a dizer além disso: na próxima vez que você estiver numa mão e der check behind no turn com top pair com kicker médio ou um overpair, aposte!” (Slowhabit Nguyen e Cole South)

S

e enfrentarmos alguma resistência, podemos pensar em largar, mas um call na nossa aposta provavelmente nos fará apostar novamente no turn em 80% das vezes, uma vez que esse tipo de call, em sua grande maioria, representa pares baixos, gutshots e overcards, principalmente se o limper estiver em late position. O raciocínio aqui é fácil: com mãos muito fortes, ele daria raise e com flops como Kxx, Qxx, Jxx ou até mesmo Axx, eles dificilmente terão top pair, porque grande parte das mãos que flopam top pair nesses bordos teriam aberto com raise e não com limp. Isso

V

eja a seguinte situação: um jogador apostou pré-flop e no flop. Qual a probabilidade do turn ter melhorado sua mão? Pensando mais especificamente em termos de ranges, veremos que dificilmente um turn melhora uma mão flopada. Via de regra, o jogador terá cinco outs para melhorar a mão se tiver um par com kicker, ou dois outs se tiver um par. Se ele tiver duas pontas para uma sequência ou uma pedida para flush, terá oito ou nove outs. No melhor dos cenários, ele acertará seu flush nove vezes a cada 47.

A

postar no turn tem algumas vantagens claras. Primeiro: o torna um jogador mais difícil, uma vez que seus oponentes saberão que não terão showdown barato, o que os inclinará a foldar mais vezes no flop ou no turn. Segundo: deixará seus blefes mais fortes, uma vez que, ao apostar de novo com as mãos propostas no início da sessão, seu range nunca estará polarizado entre nuts ou blefe. Ir em frente no turn é interessante até mesmo quando você aposta com duas pontas para sequência no flop e seu oponente paga e pede mesa em seguida no turn. A tentação de ver uma carta de graça para fechar a sequência é sempre grande, mas isso significa que você irá errar essa carta 38 vezes em 47, além de deixar seu range mais exposto e diminuir o fold equity no river. Depois desse grande desafio do World Team Poker, agora é enfrentar a dura rotina de grandes torneios em Vegas. Obrigado pela torcida. Abração! 

Etapa Rio Quente Resorts: 17 a 22 de junho de 2010 Transmissão ao vivo dos jogos do Brasil no mundial!

Praia do Cerrado - Hot Park

Em jogos de valor baixo e médio, mas, principalmente, nos de valores baixos, vemos muitos potes abertos com limps, principalmente por

jogadores em early position. E, se pararmos para reparar, veremos que dificilmente esse jogador que entrou de limp sai apostando após o flop. Eles sempre pedem mesa, observam o jogador em late position apostar e quase sempre jogam suas cartas fora. Podemos assumir que cerca de 90% dos jogadores de limites baixos não lutam por esses tipos de pote, principalmente porque eles não conseguem perceber que o jogador que fez o cold call em late position só o fez porque era um limped pot. Levar potes abertos com limp com frequência pode representar um aumento grande do seu BB/100, ainda mais que esse tipo de pote é ideal, justamente pelo fato de que ninguém gosta de brigar por ele.

Muitos jogadores fracos têm como hábito desistir da mão após o flop. Fazem, no máximo, uma continuation bet e depois vão de check/call ou check/fold nas rodadas seguintes. Já os jogadores fortes têm a exata noção de que nem sempre se consegue representar uma mão realmente forte apenas com as apostas do pré-flop e do flop e, por isso, conseguem com frequência levar muitos potes no turn e no river após a continuation bet.

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Para mais informações e reserva:

Christian Kruel

Este carioca é um dos pioneiros do Texas Hold’em no Brasil. Com seus bons resultados online e nos torneios afora, agora faz parte do Team Full Tilt Poker.

24 | Junho

Belo Horizonte: Brasília: Campinas: Goiânia: Ribeirão Preto: Rio Quente: Rio de Janeiro: Santos:

(31) 3515-5600 (61) 3701-4999 (19) 3512-1515 (62) 3412-1515 (16) 3514-0400 (64) 3512-9999 (21) 3512-0909 (13) 3513-9709

São J. do Rio Preto: São J. dos Campos: São Paulo: Uberaba: Uberlândia: RJ / BH:

(17) 3512-0500 (12) 3512-9808 (11) 3512-4830 / 2169-4830 (34) 3325-9602 (34) 3221-7017 0800 940 0818

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*Diária por pessoa em apto. duplo no Hotel Giardino. **Preço por pessoa em apto. duplo no Hotel Giardino para pacote promocional de 3 noites com aéreo, período de 17 a 20 de junho de 2010, saída de São Paulo, com fretamento TAM. ***Preço por pessoa em apto. duplo no Hotel Giardino para pacote promocional de 4 noites com aéreo, período de 17 a 21 de junho de 2010, saída de São Paulo, com fretamento TAM. Pacotes incluem aéreo, meia-pensão (café da manhã e almoço com água, suco, refrigerante e sobremesa) e acesso ao Hot Park. Uma criança de até 12 anos tem cortesia na hospedagem, desde que acomodada no mesmo apto. de adulto pagante (pagando somente o aéreo, valores sob consulta). Outras condições: preço promocional sujeito a disponibilidade, reajuste e alteração sem prévio aviso e válido somente para participantes do BSOP. Taxa de Turismo (R$ 2,50/dia/apto.) não inclusa. Pgto. em até 10x sem juros com o cartão MASTERCARD para pacotes com aéreo e pgto. em 6x sem juros com o cartão VISA para pacotes de hospedagem. Obrigatório mencionar o código POK2010 no ato da reserva.

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coluna Marcos Sketch

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as análises da jogada

no wcoop O Depois de horas jogando, caí na mesa semi-final em uma mão muito discutível

lá amigos! Conforme prometido na nossa coluna de estreia, vou falar um pouco mais sobre o WCOOP de 2009. O assunto é antigo, mas pouco escrevi sobre ele e muita gente tem me cobrado – até hoje, em todos os torneios que jogo, encontro alguém na mesa que comenta o assunto. Além disso, como falei, essa situação me levou a discutir uma série de conceitos com vários profissionais ao longo dos últimos meses – afinal, seria “um simples spot” se não fosse a reta final de um torneio com uma premiação absurda. Nessas discussões aprendi muita coisa legal e gostaria de dividir um pouco dessa experiência com vocês. O torneio era o Main Event do WCOOP, a série anual do Pokerstars – uma espécie de “Copa do Mundo Online”. Cerca de 2.000 jogadores pagaram o buy-in de $5.200 e disputavam a maior premiação já paga num torneio online: $1.7milhões para o primeiro colocado! A mão em questão foi jogada contra Yevgeniy “Jovial Gent” Timoshenko, que veio a ganhar o evento. Restavam 14 jogadores, com a premiação para o 14º em $58.000. A mesa final pagava $90.000 para o nono e daí subiria gradativamente. Estávamos em duas mesas, nas seguintes condições:

Eu sabia que o Jovial iria seguir apertando bastante com o stack que ele tinha, abrindo cerca de 30% a 40% das mãos – exatamente conforme ele vinha fazendo. Havia pesquisado todos os jogadores e sabia também que ele havia ficado em primeiro num WPT poucos meses antes, ganhando cerca de $2milhões – o que o permitiria jogar sem nenhuma preocupação com a premiação, diferente de quase todo o restante do field. Não tínhamos jogado muitas mãos um contra o outro, até porque eu estava evitando isso. Porém, ele estava começando a nos deixar “sem spots”, já que ele entrava em quase todos os potes, de tal forma que decidimos – Caio Brites, Will Arruda e Tiago Disgueh me acompanhavam no Skype – começar a reagir com 3-bet. Na mão anterior a essa, ele abriu raise em UTG+1 e demos re-raise no botão, fazendo com que ele desse fold. Vale também lembrar que certamente ele me via como um jogador weak, já que o meu buy-in médio, pra quem fosse pesquisar, era muito abaixo do nível daquele torneio – o que levaria a crer numa postura mais cautelosa por conta da alta premiação. Porém, eu vinha jogando de forma agressiva, aproveitando todos os spots pra 3-bet e steal. Com isso, ele poderia

Marcos Sketch

Empresário musical, jogador e estudioso do poker, é uma das maiores revelações do poker carioca e agora é integrante do 4bet Team.

/marcossketch 26 | junho

Dimes T T

ter percebido que não estávamos com medo. Pelo contrário, estávamos jogando em busca das primeiras posições, até porque tínhamos vários “cavalos” nesse torneio, o que diluiria bastante nossa premiação. A mão transcorreu da seguinte forma (pré-flop): Jovial  para 118.000; Sketch  302.500; Jovial  para 670.000; Sketch vai all in de 2.939.363; Jovial call. Para alguém mais conservador (ou com pouca experiência online) a jogada pode parecer loucura, já que em uma situação normal, um 4-bet do UTG representa muita força. Contudo, pela mesma razão, um 5-bet de nossa parte representa mais força ainda (acredito que, por essa razão, muita gente largaria até o AK no lugar dele)! Além disso, há de se notar que o jogo online, especialmente nesses níveis e estágio, é muito agressivo pré-flop e se baseia muito pouco nas cartas, mas sim no metagame em relação a cada vilão.

C

onsiderando tudo que foi dito acima (pressão da premiação, postura agressiva dele ao jogar 40% dos potes, perfil weak da conta, metagame, etc), sabía-mos que se déssemos o 3-bet novamente ele poderia voltar um 4-bet com, praticamente, todo o range dele (blefando), mas que apenas o topo deste range poderia pagar um 5-bet da nossa parte. Portanto, vamos às contas pra ver qual nosso EV com o 5-bet (ou o quanto ele nos daria de lucro em fichas): Consideremos os seguintes fatores: 1. Nossa estimativa era de que ele iria dar 4-bet com boa parte de seu range (digamos, 8% dos 30% que estivesse abrindo), porém, só pagaria um 5-bet com QQ, KK, AA e AK (2,5% do range); 2. Teríamos então um fold dele em 69% das vezes; 3. Quando fôssemos pagos (31% das vezes), nossa mão venceria o pote em 1/4 delas (7,75% do total) e perde em 3/4 (23,25% do total); 4. Temos um milhão de fichas no pote após o 4-bet dele e 2.7 mi em nosso stack. Quando ele dá fold e ganhamos o pote: 69% x 1KK = +690K www.revistaflop.com.br

Quando ele paga e ganhamos a mão: 7,75% x 3.7milhões = +286K Quando ele paga e ganha: 23,25% x 2.7KK = -627K EV Total: 349K Ou seja, nossa expectativa é de ganhar 350K fichas (sete big blinds) a cada vez que executarmos essa jogada, o que é um lucro bastante significativo para uma jogada desse tipo. Mesmo que esteja estimando um range (de 4-bet light) acima do normal, a jogada ainda tem uma margem enorme pra continuar positiva. Porém, essa questão do EV era praticamente indiscutível (afinal ele é fácil de calcular matematicamente) e toda a discussão que procurei ter após o evento foi em torno de outros conceitos. Será que é válido executar uma jogada EV+, mas que envolva muitas fichas (que te permitiriam seguir ainda bem longe no torneio, em busca de spots menores, porém mais seguros, aumentando sua premiação) em um torneio em que você não terá longo prazo, já que ninguém joga torneios de $5,200 todos os dias? Em geral, levantar essa questão em torneios regulares é um desastre, pois você deve jogar pra ganhar sempre, por razões que a maioria de vocês já sabe. Mas hoje penso que é bem diferente em um torneio em que se disputa uma premiação muito maior do que a que se disputa regularmente. E não se trata de “jogar tight pra aumentar a premiação”, ou de esperar AA ou KK; e sim de procurar diminuir a variância, pois quando não temos longo prazo, jogadas de alta variância passam a ser gamble. O motivo é simples: quando se entra numa situação de EV+ em que se está “por baixo”, você precisa do longo prazo para ver sua expectativa de lucro enfim chegar. Quando você pode fazer uma jogada de EV+ apenas uma vez, o estimated value (EV) torna-se irrelevante e você estará essencialmente gambling, e EV só nos interessa quando estamos investimento e não apostando. Uma boa analogia, hipotética é claro: você tem $10,000 e te oferecem uma aposta que você tem 20% de chances de ganhar. Quando ganhar, você leva $80.000. Essa aposta claramente tem EV positivo e seria uma ótima aposta, já que em uma vez a cada cinco, você

Jovial Gent

irá ganhar mais do que 5x o que apostou. Ao final de uma certa amostragem (dezenas ou centenas de apostas iguais) você certamente estará no lucro. Porém, se você puder fazer essa aposta somente uma ou duas vezes, essa não seria uma boa aposta, e sim um gamble (praticamente igual a apostar $10,000 num jogo qualquer de cassino, já que somente o curto prazo irá importar, ficando o EV totalmente fora de questão). Ter isso em mente é importante, pois você poderá saber identificar essas si-tuações “fora do comum”, como em mesas finais de um Sunday Major ou torneios atípicos como o EPT, WSOP e WCOOP – onde você vai chegar poucas vezes na vida –, e tomar nelas as rotas de menor variância. Como nos disse o Apestyles, “Você não precisa jogar pra ganhar quando o terceiro lugar paga quase um milhão de dólares!” Ná página a seguir estão as opiniões de alguns dos maiores profissionais do online, como Steve “gboro780” Gross, o já citado Apestyles e o próprio Jovial Gent. Espero que esse exercício tenha criado na cabeça do amigo leitor alguns Espero que esse exercício tenha criado na cabeça do amigo leitor alguns bons “grilos” que o faça aprender um pouco mais! Um grande abraço e até a próxima edição.  junho |

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coluna Marcos Sketch

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Jon “apestyles” Van Fleet Eu certamente daria apenas call pré-flop, mas no seu caso, daria fold pra 4-bet. Ele não vai dar 4-bet e fold com tanta frequência assim, mesmo com o histórico que você descreveu, e se você acabou de tribetá-lo na mão anterior e ele deu fold, ele provavelmente vai assumir que você tem uma mão real dessa vez, já que a maioria das pessoas não repete uma 3-bet light. Além disso, com os seus stacks e suas posições, sua mão parece realmente forte, de forma que ele não iria dar um 4-bet light muitas vezes. Eu definitivamente não iria pro chão aqui com 60 big blinds a não ser que tivesse uma razão muito boa. Você não tem como ter ideia, em um curto histórico, do quanto ele está dando 4-bet + fold. A melhor jogada, portanto, é pagar o raise dele, ou então dar 3-bet + fold pro 4-bet. Com essas estruturas de pagamento, existe ainda o ICM a considerar. Você tinha muitas fichas. Jogar pra ganhar quando há essa premiação em jogo é um baita exagero! Alex “assassinato” Fitzgerald Eu gosto da sua forma de pensar, mas o que me preocupa aqui é o tamanho do pote que iremos jogar contra um jogador que pode nos eliminar na bolha da mesa final de um torneio gigantesco. Eu não estou tão certo se a frequência de 4-bet e fold dele é tão grande quanto você pensa. O Jovial é um jogador bem direto, pensador, e ele certamente percebeu, nesse período, que você sabia bem o que estava fazendo. Então ele vai dar 4-bet e call a maior parte das vezes, e naturalmente ATo não irá falar bem contra esse range. Portanto, apenas pague o raise e jogue o pós-flop com ele em posição. Ele tá abrindo realmente light, nossa mão está na frente, vamos extrair valor! Jimmy “gobboboy” Fricke Penso que a variância dessa jogada é realmente alta e, considerando que há em disputa um dinheiro que pode mudar sua vida e o tamanho do seu stack no momento, pagar o raise dele também seria uma boa jogada, afinal você tem posição. Eu odeio entrar nessas guerrinhas e esse jogo de 3-bet/ 4-bet/5-bet é basicamente isso. Eu não acho que você vai ganhar essa guerra contra o Jovial. Pague. Jogue um pote pequeno em posição. Quando estou deep em um torneio como esse, eu evito essas jogadas de variância ridiculamente alta e tomaria decisões como o flat call pré-flop, diminuindo o risco de quebra e jogando um pote com um stack enorme pra trás. O seu move é EV+? Eu sinceramente nem sei e creio que nem importa. As dinâmicas da mesa são bem estranhas a esse ponto. Porém, eu não faria. Justin “zeejustin” Bonomo Mesmo que ele esteja abrindo 40% das mãos, provavelmente é algo como 70% do botão e 25% do UTG. Dê fold pré-flop. Com seu stack e o ICM a ser considerado, colocar todas as fichas no pano, mesmo contra um UTG agressivo, será um desastre. Basicamente, se você acha que ele vai te dar 4-bet light aqui, você não deveria dar um 3-bet. Ele não é um jogador ruim e não iria te dar “espaço” com a chance de dar um spot pra outro raise. E, caso você ache que ele não irá dar o 4-bet light, este é um fold bem fácil quando ele o fizer. 28 | junho

Steve “gboro780” Gross Eu aplaudo sua coragem e visão em fazer o 3-bet planejando  dar um  4-bet   e   tudo  mais. Porém,  acho  que  existem tantos  bons  jogadores de torneios por aí hoje em dia, que nós devemos colocar as emoções e o ego de lado e apenas tentar tomar as melhores decisões. Sei que eventualmente vou ser blefado ou dominado por alguns deles e terei vontade de reagir, mas no fundo eu tento me dizer pra relaxar, porque esse não é o melhor jeito pra jogar poker. Então, eu deixo os caras agressivos fazerem o jogo deles, mais do que deveria, quando estou deep nesses torneios e fico na minha. Eu respeito sua jogada, porque você a planejou desde o começo, mas penso que em torneios grandes como esse, você vai obter melhores resultados pegando as rotas de menor variância. Jogando de forma inteligente e sólida, usando seu stack grande como uma arma que te ajude a navegar através do field e não somente aplicar pressão nos mais fracos, mas também te dar tempo o suficiente pra aguardar situações pra colocar o dinheiro no pano quando estiver na frente. Eu tento me lembrar disso todo o tempo. De trazer o poker de volta à sua forma mais pura, como quando começamos, onde tudo que tentávamos era colocar as fichas no pano quando estivéssemos fortes. Entrar all in com a melhor mão e segurar. Eu acho que nesse novo jogo de re-shove, squeeze, guerras de ego e 4-bet-light, colocar as fichas no pano com a melhor mão ficou esquecido em muita gente. Então, basicamente, eu diria que daria fold nessa mão pré-flop, pois com esse stack e tanto dinheiro sendo disputado, penso que poderei, eventualmente, colocar minhas fichas no pano com a melhor mão ao invés de fazer um gamble pra ganhar um pouco mais de fichas. Mesmo que funcione, vai apenas levar a gente de 60 a 75 bbs (muito mais a perder do que a ganhar). Mas me parece que você estava jogando pra ganhar o torneio e, se a mão tivesse dado certo, com esse estilo, eu não ficaria surpreso se você tivesse ganhado.

Yevgeniy “Jovial Gent” Timoshenko Eu estava realmente atento a toda a dinâmica da mesa e também havia pesquisado sobre seu perfil, porém, estava atento sobre como você vinha jogando. O que você falou é bem verdade, mas creio que seja bem mais simples apenas pagar ao invés de dar um raise esperando que eu volte um 4-bet light pra que você possa aumentar novamente. Eu, definitivamente, seria capaz de dar um 4-bet light ali – e fiz isso várias vezes nesse torneio –, mas ainda assim, eu acho que você deve tomar a rota mais segura e dar apenas call.  Phil Hellmuth, Wayne Gretzky 9 9


coluna Chris Ferguson

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como enfrentar uma

fase ruim Como identificar as bad runs e o que fazer para superá-las no poker

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Chris Ferguson

Membro do Team Full Tilt, possui cinco braceletes de WSOP, sendo um pelo Main Event no ano de 2000. Venceu também o NBC Heads-Up, em 2008.

30 | JUNHO

m 1964, na Suprema Corte, Potter Stewart tentou definir o que seria ou não considerado obsceno aos olhos da justiça dos EUA. Ao final, ele disse que não havia uma definição, mas, em se tratando de obscenidade, “eu sei que há quando eu a vejo”. O mesmo acontece quando você está falando a respeito de uma fase ruim nas mesas de poker. Você pode não conseguir identificar o que há de errado, mas sabe que está acontecendo. Até onde sei, não há uma simples definição ou critério para definir uma má fase, pois ela tem inúmeros significados diferentes, dependendo da pessoa. Para alguns jogadores, é ter passado por 10 a 12 sessões seguidas com prejuízo. Para outros, é perder uma dúzia de coinflips em uma única sessão. Ou seja, a fase ruim depende dos indivíduos e dos parâmetros que eles usam para avaliar a sua performance. Mas, seja lá qual a definição que você adotar, o fato que importa é que todos passam por ela de vez em quando. O que separa os jogadores bem sucedidos daqueles que acabam quebrando é a maneira que eles administram seus bankrolls durante uma bad run. Para mim, a fase ruim não significa ter terminado no vermelho em algumas sessões ou ter levado algumas bad beats ao longo de uma sessão. Isso se chama variância e é uma parte inevitável do jogo. Para mim, a má fase é algo maior, que acontece no longo prazo. Se você não tem certeza se está realmente em uma má fase ou não, comece voltando atrás e analisando seus resultados ao longo de um período significativo de tempo. Se você encontrar um padrão consistente de sessões ruins no período de algumas semanas ou meses, então é bem provável que você esteja realmente com alguns problemas com seu jogo. A chave para se recolocar nos trilhos é descobrir o que exatamente está acontecendo de errado. Para muitos jogadores, a fase ruim é como um ciclo vicioso: eles experimentam algumas poucas sessões perdedoras e começam a tiltar,

o que os leva a alterar seus estilos de jogo com o intuito de inverter a situação. Então, não demora muito para que eles realmente comecem a jogar mal, o que leva a mais sessões perdidas, dando continuidade à espiral da derrota. Eles perdem porque não estão em boa fase e a fase não está boa porque eles estão perdendo.

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e você analisar seu jogo e acreditar que realmente está jogando bem, estando apenas com azar, então provavelmente estará mesmo. Par de Ases quebrados por pares menores. Trincas sendo derrotadas por flushes ou mãos sendo batidas no river com mais frequência do que deveriam. Meu conselho nessas situações é: afaste-se do jogo por um tempo. Dê uma pausa, se recomponha e volte apenas quando estiver mentalmente refrescado e pronto para começar a jogar novamente. Lembre-se: nunca comece a mudar seu jogo para compensar sua falta de sorte. Concentre-se nos fundamentos, procure boas mãos iniciais e tente jogar o poker da maneira mais sólida que puder. Em algum momento sua sorte irá mudar. Entretanto, independente do que resolver fazer, nunca tente subir de nível para tentar recuperar suas perdas. Eu já vi muitos jogadores quebrarem em situações como essas por estarem mais focados em reconstruírem seus bankrolls, arriscando em níveis mais altos, do que em jogar um poker inteligente em níveis mais baixos. Pense sobre isso: se você está perdendo, provavelmente seu bankroll está abaixo do normal, o que significa que você estaria arriscando uma enorme porcentagem de seus fundos ao aumentar o limite. Com mais do seu bankroll em risco, não demorará muito para as coisas irem de mal a pior e para você perder tudo que lhe restava. Por outro lado, ao descer um nível ou dois, você estará arriscando menos no curto prazo enquanto tenta reconstruir seu bankroll. É claro que os potes que vencer podem não ser tão grandes quanto aqueles que você levaria em níveis mais altos, mas, colocando isso na balança Snowmen, Bonecos de Neve 8 8

contra as probabilidades de quebrar, é uma troca que vale a pena fazer. E mais: ao descer de nível, posso levar apenas um mês ou dois para recuperar minhas perdas, enquanto se eu quebrar após ter tentado me recuperar em níveis mais altos, poderia levar um ano ou mais para reconstruir meu bankroll. Esse é um argumento muito forte se você realmente valoriza seu tempo. Enquanto eu não posso te dizer se a sua fase é boa ou ruim, posso afirmar que seu estado mental afeta muito seu jogo. Se você está se sentindo bem, há boas chances de você jogar bem e, se estiver se sentindo mal, de jogar mal. Fases difíceis são parte do jogo e saber como lidar com essas adversidades do curto prazo sem perder a confiança ou seu bankroll farão de você um jogador melhor no futuro.

S

e você acompanhou meu desafio de tentar transformar $0 em $10K, você sabe que levei nove meses para transformar $0 em $100 e outros nove meses para transformar os $100 em $10,000. Mesmo tendo atingido meu objetivo, resolvi continuar jogando e rapidamente subi meu bankroll para $28,000. Então, três meses depois, eu estava apenas com $9,000. Obviamente, eu passei por uma fase horrível, mas não foi por causa das bad beats. O que ocorreu é que eu continua-va colocando meu dinheiro no pote em situações ruins; todas as vezes que eu tinha QQ meu oponente tinha AA,

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quando eu tinha AQ, algum adversário possuía AK. É assim que as coisas acontecem de vez em quando, mas colocar seu dinheiro no pote em situações desfavoráveis não significa sempre que você cometeu erros.

P

or exemplo, se meu adversário aposta tudo pré-flop quando tem KK e eu tenho AA, isso significa que ele é um jogador ruim pois arriscou tudo de forma errada? Ou que eu seja um gênio do poker porque apostei tudo com ótimas cartas? É claro que a resposta é não – se os papéis fossem invertidos, eu seria aquele que terminaria quebrado. Nós dois jogamos a mão corretamente, o fato é que estar atrás nessa situação não significa uma jogada mal feita. Ele simplesmente teve a má sorte de receber KK na mesma mão em que recebi AA. Focar demais em colocar seu dinheiro no pote com a melhor mão pode ser, inclusive, um indício de que você está jogando mal de maneira geral. Eu ouço muitas pessoas reclamando: “eu sempre entro no pote com a melhor mão, mas vivo perdendo... não acredito nisso!” A maioria desses jogadores não consegue se lembrar das vezes em que tiveram sorte quando tinham a pior mão. Mas alguns realmente entram em um pote quando estão na frente a maioria das vezes. Pode ser difícil de acreditar, mas essas pessoas estão perdendo apenas as mãos que a estatística diria que iriam perder, sendo que essas derrotas

resultam normalmente em eliminações de torneios – o que significa que eles estão jogando tight demais. Suponhamos que eu esteja jogando heads-up e que esteja decidido a ir all in apenas com AA, KK ou QQ. Meu adversário está empurrando, dando raise em praticamente todas as mãos e me atacando com quaisquer duas cartas. Finalmente eu encontro meu par de Ases e ele vai all in de novo. Mesmo que eu ganhe essa mão, pense em todas as fichas que ele me tomou enquanto eu esperava um par alto aparecer. Se tivesse perdido mil fichas para ele antes de colocar minhas últimas 1.000 no pote – mesmo estando na frente –, ganharia apenas de volta as fichas que havia perdido. Portanto, eu estava adotando uma estratégia errada ao esperar cartas que não aparecem com frequência, pois, se vencer a mão, estarei apenas recuperando meu prejuízo e não há garantias de que vencerei. E mais, as fichas que meu oponente está colocando no pote são aquelas que ele acumulou graças a todos os folds que dei, portanto ele não está investindo nada na jogada, mesmo sabendo que está com uma mão pior que a minha.

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s grandes jogadores irão colocar suas fichas no pote estando atrás de vez em quando, especialmente se eles estão contra um jogador que está jogando de forma muito conservadora. Entretanto, eles irão lucrar com essa estratégia no longo prazo, graças a todos os potes pequenos que levarão quando seus oponentes não estiverem dispostos a desafiar seus raises sem uma mão real-mente forte. Isso significa que, se você tentar colocar seu dinheiro ou fichas no pote com a melhor mão sempre, estará bem mais suscetível a levar um blefe e irá perder dinheiro no longo prazo. Perder é dolorido, especialmente quando começa a parecer que você se envolve no pote estando atrás na maioria das vezes. Ainda assim, se você se mantiver calmo e evitar o tilt, é possível enfrentar a má fase sem fazer mudanças drásticas no seu jogo. Mantenha o foco em jogar bem. Mesmo se você se pegar entrando em uma mão estando atrás de vez em quando, você conseguirá ser um vencedor ao longo do tempo. JUNHO |

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tudo

começou Onde

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Circuito Paulista de Hold’em (CPH) é um dos mais tradicionais campeonatos de poker do País. Exemplo de organização e profissionalismo, o Circuito, que começou de maneira informal, é hoje o modelo que norteia as federações regionais por todo o Brasil. O jogador Leandro Brasa, um dos fundadores do circuito, conta que a ideia para a realização do campeonato surgiu em meados de 2005, em um home game em sua casa, na cidade de Campinas. O jogo era composto Uma das taças distribuídas em 2007; e ao lado o novo design do troféu para a temporada 2010

basicamente pelo pessoal que trabalhava com ele e mais alguns amigos. Cansados de não conseguirem formar uma mesa para o jogo, pelo pequeno número de participantes, eles decidiram fazer um campeonato para tentar descobrir novos competidores.

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pós escolherem a data e o local para a realização do torneio, o passo seguinte foi usar o Orkut, uma ferramenta recém-criada à época, para anunciar e divulgar o campeonato. O que a princípio era uma tentativa de encontrar outros jogadores de Campinas para poder ajudar a compor um jogo semanal de amigos, acabou surpreendendo a todos. Para a surpresa dos organizadores, no dia do torneio, apareceram 25 pessoas para jogar. Isso, perto do que eles esperavam, foi um fenômeno. Vieram pessoas de São Caetano,

Santos e São Paulo. Os irmãos Rodrigo e Rogério Russo, pioneiros no poker de São Caetano, e o jogador Fábio Cunha, de São Paulo, foram alguns dos jogadores que apareceram para a disputa. Além deles, o escritor e jogador Leo Bello também apareceu no torneio. Uma curiosidade: este foi o primeiro torneio “ao vivo” do qual o, então, médico Leo Bello participou. Advindo do poker online, que conheceu no período em que morou na Alemanha, essa foi sua primeira experiência com as fichas e as cartas. Foi também nessa etapa que ele apresentou, para Leandro Brasa, o poker online. O sucesso do torneio foi tão grande, que os participantes ficaram em-polgados. Já na saída, alguns dos presentes comentavam sobre a possibilidade de se realizar um outro torneio, em outra cidade.

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segundo evento foi realizado na cidade de São Caetano, e repetiu o sucesso do anterior, com muito churrasco, cerveja e poker. Foi nesse segundo encontro que eles decidiram fazer um torneio por mês. E como a ideia inicial era a de jogar cada etapa em uma cidade diferente, uma vez que haviam jogadores de vários lugares próximas, surge o nome “Circuito Paulista”. O circuito chegou à capital paulista somente na terceira etapa, disputada na casa do jogador Fábio Cunha. Na medida em que percorriam as cidades, o circuito ganhava novos adeptos. Amigos convidavam outros amigos

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Kicks, Route 66 6 6

OS CAMPEões Paulistas

Leandro Brasa Leo Bello

2005

André Pardal

2006

e, quando chegou ao fim de seu primeiro ano, o circuito contou com 100 jogadores na última etapa. Durante a primeira temporada do CPH, em cada etapa, além do No Limit Hold’em, era disputado um torneio de Omaha. Assim, Igor Federal sagrou-se como primeiro Campeão Paulista de Omaha. Com o aumento de público, veio a necessidade de uma organização mais criteriosa e a história da profissionalização do circuito se confunde com a da criação da Nutzz Eventos. Ainda em seu primeiro ano, foi lançada a Comunidade do CPH no Orkut e também o site do circuito. Outro fato interessante, é que o primeiro logo do Circuito foi escolhido através de um concurso, organizado pela Nutzz Eventos. Até o ano passado, o CPH contava com 10 etapas regulares e o Torneio dos Campeões (jogado ao final de cada ano). Quando começou, lá em

Caio Fan

2007

2005, o buy-in era de apenas R$30. Depois passou para R$50 na segunda temporada e em 2007 foi para R$100. E, ainda nesta época, o CPH também se inseriu no meio online, com torneios satélites e privados jogados no PokerStars, BestPoker, All In Poker entre outros.

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o ano seguinte, os organizadores baixaram a inscrição para R$50, mas decidiram incluir o re-buy e add-on no mesmo valor. E a grande novidade nesta temporada, foi que o torneio passou a ser jogado em clubes de carteado em São Paulo, entre eles o All In Tatuapé, Nine Ball, Paradise entre outros. Em sua quinta temporada, no ano passado, o Circuito Paulista já chamava tanta atenção, que jogadores de outros estados vinham a São Paulo para participar dos torneios. O número de participantes praticamente dobrou nos últimos anos e, com isso,

2008

Cofrinho

2009

a organização dividiu o torneio em dois dias e aumentou o buy-in para R$250. Foi neste ano também que o CPH passou a ter a cobertura completa de suas etapas através do site MeBeliska. A evolução deste circuito foi imensa. Quem imaginaria que até pouco tempo atrás, as etapas do CPH eram jogadas nas casas de participantes? A equipe da Nutzz Eventos, responsável pelo circuito, trouxe grandes novidades e melhorias na estrutura dos torneios para este ano. Começando com o buy-in, que subiu para R$600 (575+25), mas agora os torneios são freezout, ou seja, sem re-buy e add-on, podendo o jogador fazer uma re-entrada. A estrutura foi melhorada, com um aumento no stack inicial, que passa a ter 15 mil fichas, e foram incluídos novos limites de blinds, para melhorar a jogabilidade. Outra grande novidade é que, agora, o CPH tem três dias, sendo dois 

Agora, o Circuito conta com uma equipe de dealers profissionais e recebe cerca de 250 jogadores por etapa

Primeira etapa de 2007 no All In Tatuapé. Mesas redondas e sem dealers www.revistaflop.com.br

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classificatórios e um final com um limite de 500 participantes por etapa e ainda com o aumento da premiação garantida, que foi para 75K.

E

não para por aí. O Circuito ainda conta com um torneio Second Chance, aos domingos, e, neste ano, ele foi oficializado, pela Federação Paulista de Poker, como o Campeonato Paulista do poker. O CPH conta, agora, com 11 etapas regulares – retirando do calendário o Torneio dos Campeões. Ainda tem mais. Desde sua criação, os organizadores resolveram montar um ranking, pontuando cada participante entre as etapas e, ao final de cada temporada, quem chegasse ao topo desse ranking era considerado o Campeão Paulista.

O primeiro campeão paulista foi Leandro Brasa e, ao longo de seus cinco anos, o CPH viu surgir outros, como Leo Bello (2006), André Pardal (2007), Caio Fan (2008) e Cristiano “Cofrinho” Camargo (2009). Além disso, o torneio revelou grandes nomes que hoje brilham dentro e fora do País. Entre eles André Akkari, Rodrigo “Zidane” Caprioli, Igor “Federal”, Chiró, o carioca Michel Helal, Marta Putz, Salim Dahrug, André Pardal, Caio Fan, Stetson Fraiha, Humberto Kima e muitos outros. Não é a toa que seu slogan faz jus à sua importância: Tradição em formar campeões. Interessou? Então  faça  parte! Para informações, notícias e afins, acesse www.circitoholdem.com.br. 

Casos do Poker

Ei, amigo? Algum problema se a gente jogar um baralhinho? Uma vez fizemos uma etapa em Campinas, no clube do SESI, há muito tempo. Se não me engano, foi ainda na primeira ou segunda temporada. Quando deu 18h, o funcionário do clube disse que nós teríamos que sair que ele tinha que fechar o clube. Ainda restavam umas 20 pessoas no jogo. Como tinha muita gente e o torneio estava bombando, ninguém parou. Até que o funcionário desligou as luzes, pra tentar expulsar a gente. Mesmo assim continuamos meio no escuro até que se formou a mesa final. Aí eu convidei o pessoal pra jogar a mesa final na minha casa. Saímos os dez finalistas e mais a turma que estava assistindo. No meio do caminho caiu a minha ficha. Eu morava num apartamento de um quarto que mal cabia a galera do meu home game. Para a minha sorte, quando entrou em uma das avenidas principais de Campinas, eu vi uma lanchonete com uma área de mesas legal, que eu conhecia o dono. Eu encostei e junto vieram uns 15 carros, atrás de mim. Eu chamei o dono e falei: “Amigo, nós vamos consumir e tal... algum problema se a gente jogar um baralhinho?”. E ele: “Não, não... tudo bem. Sem problemas.” E então a gente encerrou o Paulista numa lanchonete e, quem se lembra disso, dá muita risada até hoje. Leandro “Brasa” Pimentel

Uma das grandes conquistas do Circuito, neste ano, foi o patrocínio do Copacabana Poker, que traz uma nova perspectiva para o mais tradicional Circuito de Hold’em do País. Com muitas promoções e uma grade de satélites regulares bem variada, o site dá aos seus jogadores a chance de disputar o circuito gastando muito pouco. Entre as promoções do Copacabana estão as “Copa Girls”, que realizam vários sorteios (como camisetas, bonés e bônus especiais) e algumas promoções relâmpago para as pessoas que acompanham a transmissão ao vivo feita pelo site MeBeliska.

MTT Freezout $30+3 Vaga exclusiva

STEP 2 – $65+5 5 buy-ins = 1 vaga CPH Hoje, patrocinar o CPH é uma grande honra para todos nós do Copacabana! Particularmente, conheci o universo do poker da mesma forma que muitos jogadores brasileiros conheceram à cinco anos atrás. Por isso, todos nós sabemos o que representou e representa o Circuito para o cenário do poker nacional. Na verdade, o Circuito Paulista é uma espécie de “forma” de grandes jogadores. O nível técnico dos torneios são impressionantes e só nos faz sentir mais orgulho de vincular a nossa marca a um evento dessa envergadura. Poder conviver hoje com a competência de todos os profissionais envolvidos da Nutzz nos deixa muito tranquilos e felizes com os resultados alcançados até agora. Fabrício Murakami – Copacabana Poker 36 | junho

STEP 1 – $10+1 7 buy-ins = 1 vaga Step2

STT 10 players $1.10+0.25 1 vaga Step1

STT 6 players $1.85+0.40 1 vaga Step1

Nickels, Presto, Speed Limit 5 5


Estudos e Laudos

N Textos: Amúlio Murta Arte: Thiago Frotscher Direção: Juliano Maesano

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A Flop teve acesso aos documentos da CBTH, que reúne laudos, estudos técnicos e pareceres jurídicos, para esclarecer de uma vez por todas: afinal, o poker é um jogo de habilidade? Veja o que os especialistas constataram sobre o assunto

Sailboats, Barcos a Vela 4 4

um momento histórico para o poker em âmbito nacional e mundial, com o reconhecimento junto à International Mind Sports Association (IMSA) como um esporte da mente, a Flop conseguiu acesso aos arquivos da CBTH e, neste especial, destaca com exclusividade os documentos que foram obtidos pela entidade, na luta pelo reconhecimento da licitude da prática do poker em todo o País. Neste contexto, o material que vamos apresentar deixa de ser apenas de uso restrito para a produção jornalística e se torna um documento raro. Um referencial de um momento histórico para as gerações futuras e para todos os que encamparam, de alguma forma, a luta pela regulamentação da prática do poker no País. A Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH) foi fundada em 29 de janeiro de 2009 e, atualmente, conta com 14 federações estaduais afiliadas. Ao longo de seu primeiro ano e cinco meses de existência, a CBTH encampou a luta pela regulamentação e pelo entendimento da licitude da prática do poker no País, acumulando estudos e perícias técnicas que comprovaram que o jogo das cinco cartas não depende, exclusivamente ou principalmente, da sorte para a definição do seu resultado. O que o descaracteriza como jogo de azar e prova que sua prática é legal. Entre os muitos arquivos da vasta documentação disponível nos arquivos da CBTH, vamos destacar aqui os mais importantes laudos, pareceres e estudos, que foram as principais ferramentas utilizadas pela Confederação na luta pelo reconhecimento de nossa atividade como lícita e legítima. O primeiro estudo obtido pela Confederação veio de Israel, de um dos mais respeitados centros de pesquisa e investigação avançada da comunidade científica internacional – a Universidade de Tel Aviv. Elaborado pelo Ph.D. em Matemática e Ciência da Computação, o Professor Noga Alon, o estudo possui 17 páginas com uma infinidade de cálculos, probabilidades e possibilidades. Em sua abordagem, o estudo da universidade tem a intenção de avaliar a importância da habilidade no jogo de poker. Entre os aspectos destacados estão a importância da variação da estratégia utilizada pelo jogador e a habilidade como elementos fundamentais para se alcançar a vitória. Em um tópico chamado “O Efeito do Teorema do Limite Central”, Noga afirma que os jogadores mais experientes possuem uma vantagem significativa sobre os inexperientes; essa vantagem se sobressai cada vez mais, à medida que o número de mãos jogadas aumenta. Ele afirma ainda que intuitivamente isso é óbvio, visto que, a longo prazo, as cartas distribuídas a todos os jogadores são semelhantes, na média. Ao fim de seu estudo o professor Noga conclui: www.revistaflop.com.br

“(...) Analisando-se modalidades simplificadas de pôquer, vimos que, embora como essencialmente em quase todos os jogos, haja alguma influência do azar, o pôquer é predominantemente um jogo de habilidade. (...)” “ (...)O Teorema do Limite Central discutido no Item 5, implica que a importância da habilidade aumenta dramaticamente, à medida que aumenta o número de mãos jogadas. Como normalmente o número de mãos é grande, esse fato implica que o resultado final de uma longa sequência de mãos é determinado quase com certeza pela habilidade dos jogadores.(...)” Além disso, Noga Alon chama a atenção para a existência dos fatores “sorte e azar” em todos os fenômenos de nossas vidas. Segundo ele: “Em quase todo jogo existente, há um elemento de habilidade e um elemento de sorte ou azar. Para dizer a verdade, os princípios da Física estatística e da Mecânica Quântica implicam que alguma influência do azar aparece em essencialmente todos os fenômenos das nossas vidas, não apenas nos jogos. Apesar do elemento inerente do azar no pôquer, nossas análises dos modelos simplificados sugerem que o resultado de um jogo de futebol, e provavelmente até mesmo de uma partida de tênis, é mais influenciado pelo azar do que os resultados de um pôquer jogado durante uma longa sequência de mãos. O principal motivo para algumas pessoas não concordarem com isso é psicológico – há uma tendência de associar o acaso com cartas mais do que com o tempo, o vento ou protuberâncias em uma quadra, mesmo quando esses últimos têm uma influência maior no resultado final.” Nogan finaliza seu estudo dizendo: “(...)A prática e o estudo realmente ajudam a melhorar no pôquer, e, embora a sorte possa desempenhar um papel essencial em uma única mão, acreditamos que a habilidade é, de longe, o principal componente para decidir os resultados de uma longa sequência de mãos. Como a prática comum é jogar várias mãos, isso confirma solidamente a conclusão de que a habilidade é muito mais dominante do que a sorte, e de que o pôquer é predominantemente um jogo de habilidade.(...)” Algum tempo após obter o laudo da Universidade de Tel Aviv, a CBTH conseguiu o primeiro laudo produzido no País sobre o assunto. Em 26 páginas, um dos mais conhecidos laboratórios de perícia do Brasil, chefiado pelo ex-professor da Unicamp, Ricardo Molina, analisou: “o jogo de cartas conhecido com Texas Hold’em, de modo a verificar se este pode ser classificado como jogo “de azar”  junho |

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Estudos e Laudos ou se depende também de habilidade, e, se positivo, em que medida e de que tipo de habilidade(s).”

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s conclusões do laudo elaborado pelo ex-professor da Unicamp não diferem do resultado do laudo realizado pela universidade. Além de constatar que a habilidade é fator determinante para o sucesso no longo prazo em um jogo de poker, ele frisa que quanto mais longa for a sequência de partidas disputadas, o fator habilidade será mais efetivo: “Tem-se portanto que o lucro esperado varia exclusivamente de acordo com o valor do jogo e a habilidade do jogador. Ou seja, no jogo de pôquer, a habilidade será o principal fator de sucesso a longo prazo.” “É importante observar que, neste modelo, à medida que o número de partidas aumenta, maior será a probabilidade do lucro real se igualar ao lucro esperado, uma vez que o desvio padrão de proporções é uma função do número de observações.” Molina procura também definir o que é a habilidade em um jogo de poker: “Na seção II.3 fizemos um breve estudo das probabilidades em diferentes fases do jogo, em função das cartas até então recebidas. Ora, o mero conhecimento destas probabilidades em cada instante do jogo já é um fator de vantagem para o jogador. Assim, a primeira e mais fundamental habilidade exigida para um bom jogador de Texas Hold’em é o domínio matemático das probabilidades; ele deve ter a expectativa segura de suas chances reais.” “(...) O pôquer, em qualquer de suas modalidades, é, antes de tudo, um jogo que exige uma constante avaliação dos oponentes, suas reações, seu padrão de comportamento em diferentes situações, o grau de ousadia com o qual o oponente aposta, etc. Já disse que tudo o que o bom jogador de Texas Hold’em deve fazer é: “...entrar nas cabeças de seus oponentes, analisar como eles pensam, imaginar o que eles pensam que você pensa e até descobrir o que eles pensam que você pensa que eles pensam” (in Hold’em Poker for Advanced Players, D. Sklansky e M. Malmuth, 21st Cent. Ed., pg. 303).” “Em outras palavras, o pôquer é um jogo no qual, para ser vitorioso, é preciso, para além da capacidade de efetuar rápidos cálculos matemáticos, conseguir “ler” as intenções ocultas do adversário, e ao mesmo tempo dissimular suas próprias intenções. Não seria exagero classificá-lo em geral (e em especial o Texas Hold’em, no qual esse componente parece ainda mais importante) como um jogo de avaliação psicológica.” Em seu laudo, o ex-professor da Unicamp ressalta a importância do blefe e traz também um dado interessante,

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que mais tarde seria comprovado por outro estudo, feito pela Cigital Inc. Em uma análise de um torneio sit-and-go de oito pessoas, extraído do site absolutepoker.com, das 118 mãos jogadas, 75 terminaram em fold, ou seja, em 64% das vitórias o ganhador não mostrou suas cartas! “Dificilmente poderíamos classificar um jogo que permite tal desdobramento como ‘de azar’, visto que, na maior parte dos casos sequer se sabe se o ganhador tinha efetivamente o melhor jogo”, conclui Molina, que finaliza seu laudo fazendo uma discussão à luz da legislação brasileira sobre a prática do poker: “Com efeito, como demonstramos matematicamente na seção II.4, se um dos jogadores tem maior habilidade do que outro (independentemente de quanto mais habilidoso ele seja, ou qual habilidade ele tenha desenvolvido), necessariamente este jogador (o mais habilidoso), obterá mais ganhos ao fim de uma sequência de partidas (e tanto maior será o ganho quanto maior o número de partidas).” “Considerando que o Texas Hold’em, assim como outras modalidades de pôquer, sempre são jogados em longas séries de partidas, podemos afirmar, com segurança, que a habilidade é decisiva para definir o vencedor.” “(...)Assim, voltemos ao texto do decreto Lei 3688/41. Fala-se ali de “jogo de azar” como sendo aquele em que “o ganho e a perda dependam exclusivamente ou principalmente da sorte”. Com certeza, podemos afirmar que no Texas Hold’em não depende “exclusivamente” da sorte. Quanto ao termo “principal(mente)”, a definição que mais se aplica à discussão, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é a entrada 5, ou seja, “de maior relevância, decisivo”. Como vimos, e demonstramos, inclusive matematicamente, a habilidade é decisiva para o ganho no Texas Hold’em. De acordo, pois, com a definição dada no texto do Decreto Lei 3388/41 ou, por qualquer outro critério no qual o nível de habilidade do jogador é decisivo para o ganho, a modalidade de pôquer conhecida como Texas Hold’em não pode ser considerada jogo de azar.” A Secretaria de Estado de Segurança Pública de São Paulo é o Órgão máximo da organização policial do estado. A ela estão subordinadas a Polícia Civil e Polícia Militar, além do DETRAN e da Superintendência de Polícia Técnico-Científica.

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o dia 27 de novembro de 2006, o Instituto de Criminalística da Superintendência de Polícia Técnico-Científica da Secretaria de Segurança Púbica do Estado de São Paulo atendeu a um requerimento do então Delegado da 78ª Delegacia de Polícia da Capital. De acordo com a requisição, o objetivo da perícia era responder a alguns questionamentos sobre o poker poder ser considerado um jogo de azar. No laudo, emitido pela perícia técnica do Instituto de Criminalística, os peritos discorreram: Crabs, Caranguejos 3 3

“A fim de responder este quesito, inferem os peritos que tal modalidade de jogo “TEXAS HOLD’EM”, é uma modalidade de jogo de “pôquer” (...) inferem os peritos que trata-se de um jogo de habilidade, pois ficou constatado que a habilidade do jogador que participa desta modalidade depende da memorização, das características (número e cor) das figuras apresentadas no decorrer do jogo, e do conhecimento das regras e estratégia de atuação em função destes fatores, sendo porém, o resultado final desta modalidade de jogo aleatório(...)”.

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uando finalmente chegamos em 2009, as dúvidas sobre o entendimento da legalidade da prática do poker no País já começavam a se dissipar. Porém, embora todos os laudos e estudos apontassem para o mesmo caminho, na maioria deles, a análise havia sido feita em uma amostragem relativamente pequena de mãos. Isso, até que a Rational Entertainment Enterprises Limited encomendou à Cigital Inc. uma nova pesquisa. A Cigital está localizada na Virgínia do Norte e é uma empresa especializada em auxiliar clientes comerciais e governamentais a garantir a qualidade dos softwares e aperfeiçoar os seus processos de desenvolvimento. O estudo da Cigital Inc., não procurou quantificar o efeito da sorte no Texas Hold’em, mas forneceu estatísticas sobre a forma como os resultados das partidas são largamente determinados pelas decisões dos jogadores e não pelo azar. Durante o estudo, foram examinadas 103 milhões de mãos jogadas e constatou que, na maioria dos casos, (75,7% das vezes) o resultado da partida foi determinado sem que houvesse o showdown, ou seja, nenhum jogador teve que mostrar suas cartas. Nessas partidas, todos os jogadores desistem em favor de um único jogador ativo que ganha o pote. Nos 24,3% restantes dos casos, para ver a abertura das cartas, 50,3% são vencidas pelo jogador que podia fazer a melhor combinação com cinco cartas, das sete disponíveis – duas cartas de sua mão e mais cinco abertas na mesa. A outra quase metade das aberturas são ganhas por uma pessoa com uma mão de cinco cartas inferior, porque o jogador com a melhor mão inicial desistiu antes da abertura das cartas. Desta forma, o estudo da Cigital conclui que: “A partir desses números fica claro que, pelo menos dos dados da amostra, a maioria das partidas é determinada por alguma coisa que não o valor das cartas, visto que nenhum jogador revela qualquer carta para determinar o vencedor. Apenas raramente (cerca de 12% das mãos) o jogador que pode fazer a melhor mão de cinco cartas realmente joga a rodada completa até a abertura e ganha. A análise estatística das mãos nos dá segurança de que elas descrevem com exatidão o que foi jogado.”

seu artigo, publicado na revista “Gambling Law Review” com o título de “Poker is a Skill”, realizado em 2008, foram feitos dois estudos assinados pelos Doutores Michael DeDonno e Douglas Detterman. Ambos chegaram a uma conclusão que todos os jogadores de poker já têm conhecimento, mas que o cidadão comum desconhece. Segundo DeDonno, este artigo é a evidência empírica de que o poker é um jogo de habilidade, e não de sorte.

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o primeiro estudo, 40 estudantes, com pouco ou nenhum conhecimento de poker, tiveram que jogar 200 mãos, uns contra os outros, em um software. Metade dos estudantes recebeu informações sobre estratégias básicas do poker, incluindo seleção de mãos iniciais e táticas e técnicas de jogo. A outra metade recebeu apenas a informação das regras básicas do jogo, sem qualquer dado estatístico, analítico ou estratégico. Ao fim da experiência, o estudo conclui que os estudantes que tinham recebido lições de estratégia, tiveram um melhor desempenho que a outra metade. No segundo estudo, para confirmar a descoberta, DeDonno e Detterman fizeram a mesma experiência, só que aumentaram a quantidade de mãos para 700. A conclusão foi que todos os estudantes (de ambos os grupos) melhoraram os seus resultados, graças à prática prévia, mas os que tiveram lições estratégicas superaram os que tomaram decisões baseados apenas na experiência obtida com o jogo. No estudo, os pesquisadores ressaltam que: “Se ganhar fosse pura sorte, então as estratégias não teriam criado diferenças entre ambos os grupos” e concluem que: “a razão do poker parecer um jogo de azar é que a amostragem de uma sessão curta é pouco confiável. A sorte e os fatores randômicos disfarçam o fato de que o poker é um jogo de habilidade. Mas o nosso estudo prova que a habilidade é o fator determinante no longo prazo”. Baseado nos laudos técnicos e periciais, a CBTH precisava de um parecer jurídico, para endossar sua base documental. Desta forma, solicitaram um parecer de um dos maiores juristas de nosso País – o ex-Ministro da Justiça Dr. Miguel Reale Junior. 

Uma prova científica, realizada pela Universidade de Case Western Reserve, em Ohio nos Estados Unidos, também faz parte do acervo documental da CBTH. Em www.revistaflop.com.br

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Estudos e Laudos Em seu parecer, de 31 páginas, o jurista faz uma longa análise acerca da legalidade da prática do poker no País. Ao fim de seu parecer ele responde alguns questionamentos formulados pela Confederação Brasileira de Texas Hold’em e concluiu: “Pode-se, então, concluir que o jogo de pôquer na modalidade Texas Hold’em, seja na forma de torneio, que ganha o jogador que por último ainda tem fichas, seja na forma de Cash Game, onde há apostas a cada rodada e ganha o que tiver mais fichas a serem trocadas por dinheiro, na essência o jogo é o mesmo nestas duas formas e malgrado possa haver estratégias diversas em cada qual, como assinalam HENDRICKX e outros, o sistema do jogo é o mesmo e em ambas as formas prevalece a habilidade e não a sorte. Passo, então, a responder os quesitos, respostas estas já constantes do parecer, mas que destaco, em síntese a seguir: 1) O que é “Jogo de Azar” segundo a legislação brasileira, passíve1 de punição pela Lei de Contravenções Penais? A Lei de Contravenções Penais no seu art. 50 § 3º alíneas “a”, “b” e “c” define o que seja Jogo de Azar e edita que se considera-se jogos de azar: a)o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte; b) as apostas sobre a corrida de cavalos fora de hipódromo ou em local onde sejam autorizadas; c) as apostas sobre qualquer outra competição esportiva. Exame pormenorizado do conceito de Jogo de Azar 6 desenvolvido no Item 2 do parecer. 2) Jogo de pôquer é Jogo de Azar? A modalidade “Texas Hold’em” apresenta características que enaltecem ainda mais a habilidade e a técnica dos jogadores e, consequentemente, descarta o elemento sorte (ou azar) como elemento preponderante? Conforme examinei, o jogo de pôquer não constitui Jogo de Azar, pois prepondera durante o desenrolar do jogo a habilidade, consistente no conhecimento das regras, na capacidade de realizar com rapidez cálculos matemáticos, na capacidade de blefar no instante certo, na observação da forma de jogar dos contendores, na observação psicológica dos mesmos. Estas características tornam-se ainda mais presentes na modalidade Texas Hold’em, na qual o compartilhamento de até cinco das cartas abertas por todos os jogadores dá ênfase aos aspectos acima destacados, mormente a previsão das cartas dos opositores e o cálculo matemático. 3) A Alinea “c” do Art. 50 da Lei de Contravenções se aplica à prática do jogo de pôquer, inclusive à modalidade “Texas Hold’em”? Por quê? Não se aplica. O que se pretende punir é a aposta de terceiro sobre o jogo que se desenrola e não a circunstância do jogador fazer aposta sobre o próprio jogo. 4) As conclusões constantes dos quesitos 2 e 3 valem para prática do jogo de pôquer tanto em torneios como em eventos “cash game”? Haveria alguma diferença, para fins de enquadramento da Lei de Contravenções, em relação à prática em torneios ou “cash game”? 42 | junho

Não há qualquer diferença de análise para as duas formas de jogo, torneio ou cash game, pois em ambas o que prepondera é a habilidade. 5) A organização de campeonatos de pôquer, para inscrição pública, tanto para torneios como para “cash game”, é uma atividade lícita? Igualmente, não constitui qualquer ilicitude a organização de campeonatos de jogo lícito. Tal é consequência obrigatória do reconhecimento de que o Jogo de pôquer não é Jogo de Azar, sendo permitida a exploração do mesmo.” 6) As conclusões do parecer se estendem ao jogo de pôquer, inclusive na modalidade “Texas Hold’em”, praticado através de sítios na rede mundial de computadores? Cabe observar que o software dá como ferramenta campo para anotar observações acerca dos adversários, campo este denominado notes. Ao enfrentar novamente qualquer destes jogadores as “notes” estarão disponíveis para que se lembre do seu padrão de comportamento. O jogo por internet se retira a possibilidade da observação pessoal do comportamento dos adversários, no entanto, não desfaz a habilidade como preponderante, pois perduram como essenciais o conhecimento das regras, o cálculo matemático, a constatação da forma de jogar do adversário, a disciplina, a utilização de estratégias adequadas, a possibilidade de blefe, etc. Neste aspecto importante do jogo cabe ressaltar a possibilidade de anotações para registro do perfil de jogo dos adversários, a ser inclusive utilizado em partidas futuras.”

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o longo do tempo, a CBTH foi acumulando outros estudos e laudos, como o da Universidade de Tilburg e o Estudo de uma das maiores especialistas na legislação de apostas dos Estados Unidos – a advogada Allyn Jaffrey Shullman. De posse de todo esse arsenal de documentos, foi desenvolvido um minucioso trabalho. As consequências deste trabalho são conquistas que já se refletem nas esferas políticas brasileiras. Passadas as etapas de documentos técnicos, de pareceres jurídicos e de reconhecimento político mundial, o poker precisava de uma atuação contundente em território brasileiro, para que o esporte pudesse se mostrar legítimo e representativo de fato. A realização do BSOP em hotéis cinco estrelas por todo o País, o televisionamento do “Poker das Estrelas” na TV Bandeirantes, a transmissão do BSOP nos canais ESPN, além dos torneios das Federações estaduais espalhadas por todo País denotam um forte grau de disseminação, capilaridade e realização fatídica do poker em todos os cantos do Brasil. Com tudo isso, e baseado nos documentos aqui apresentados, não é exagero afirmar que o poker é uma atividade lícita no Brasil – de fato e de direito. O atual presidente da CBTH caracteriza o atual quadro da seguinte forma: “Hoje, após os documentos, laudos, estudos, pareceres e fatos apresentados, podemos afirmar que poker é uma atividade legítima. Quem tiver argumentos contrários, que os apresente, pois a nossa atuação já é uma realidade.”  Ducks, Dois Patinhos 2 2


Reconhecimento

Esporte da Mente

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International Federation of Poker (IFP) conquistou uma importante vitória para o poker mundial. No dia 29 de maio deste ano, em Dubai, o poker foi inserido no hall dos esportes da mente, em que já constam o xadrez e o bridge, entre outros. Para seus praticantes, sejam amadores ou profissionais, o poker sempre foi visto como um jogo de habilidade. Para conseguir sucesso neste esporte é necessário muita dedicação, estudo e empenho. Mas para quem não conhece este “mundo”, o poker representa apenas um simples jogo de cartas, muitas vezes confundido com jogos de azar – gambling games. Um grande passo foi dado no sentido de um novo entendimento, através de uma recente conquista da International Federation of Poker (IFP). Fundada em Lausanne (Suíça), em 29 de abril de 2009, a IFP pode ser considerada a FIFA do poker mundial. Atualmente, possui 23 países-membros distribuídos pela Europa, Ásia e América do Sul. Além destas, outras federações nacionais estão no processo de adesão. Mais que defender o poker, a IFP pretende ajudar a

A entrada do poker na IMSA é um passo definitivo para a aceitação deste jogo como esporte. Ao ser colocado oficialmente ao lado do xadrez, não há mais dúvidas de que o poker é um jogo de habilidade. Acredito que, para o grande público, que ainda não conhece muito bem o poker moderno, a entrada na IMSA e a participação nos Jogos da Mente em 2012, junto com as Olimpíadas de Londres, será fundamental. Guga Fakri Jornalista Esportivo do Portal UOL 44 | junho

Doyle Brunson

uniformizar as regras, rankings, códigos de conduta e promover eventos regulares. A federação trabalhou, liderada pelo presidente Anthony Holden, durante boa parte do último ano, no sentido de ver a organização reconhecida pela International Mind Sports Association (IMSA). A entidade é filiada à Sport Accord. Após a apresentação formal de documentos e muitas reuniões, seus esforços

O Presidente da IFP, Anthony Holden

A notícia do reconhecimento do poker como um esporte da mente é algo muito significativo para todos os apoiadores, praticantes e interessados nessa atividade em todo o planeta. O primeiro ponto positivo é o reconhecimento de que o poker deve ser considerado um jogo de habilidade no qual a atenção, leitura dos adversários, análises situacionais e tantos outros fatores são preponderantes para se obter sucesso nas mesas. Além disso, a vitória obtida junto à IMSA, entidade maior dos esportes da mente, pode tornar o poker ainda mais popular. Parabéns ao Tony Holden, à IFP e a todos os que batalham em favor do poker! Gustavo Andrade Advogado e jogador de poker Big Slick, Anna Kournikova A K

chegaram a um bom resultado, divulgado no encontro anual da IMSA, na capital dos Emirados Árabes, Dubai. Foi Jose Damiani, presidente da IMSA, quem veio a público anunciar a boa nova: “Tenho o prazer de dar as boas vindas à Federação Internacional de Poker, novo membro da IMSA! Estou certo de que a atribuição do mesmo status do xadrez e do bridge, ao poker, irá mostrar ao mundo que este é, de fato, um jogo de estratégia”, revelou. “Trata-se de um marco histórico no sentido de ver o poker reconhecido em todo o mundo como um jogo de capacidade estratégica. No futuro, esta decisão deverá libertar o poker de muitas

interferências governamentais e outras restrições desnecessárias”, desabafou Anthony, presidente da IFP. A lenda viva do poker mundial, Doyle Brunson, reagiu à decisão da IMSA, mostrando-se confiante de que a história irá provar que este é um momento chave para este jogo em todo o mundo. “A IFP merece os nossos agradecimentos e parabéns. Em todo o mundo, o poker tem enfrentado controles e obstáculos governamentais, apesar de ser óbvio que requer qualidades e capacidades que vão muito além da simples oportunidade de tentar a sorte”, concluiu Brunson.

Olimpíadas da Mente

Como membro da IMSA, outra incrível notícia é que o poker fará parte das Olimpíadas da IMSA – a World Mind Sports Games 2012 – que acontecerá paralelamente aos Jogos Olímpicos do mesmo ano, em Londres. A primeira Olimpíada dos Jogos da Mente foi realizada em Pequim, em 2008, e reuniu diferentes associações desportivas voltada para os jogos da mente. Esses jogos são disputados nas cidades sede dos jogos Olímpicos sob o amparo da SportAccord e do COI (Comitê Olímpico Internacional). Os esportes disputados foram: go, bridge, xadrez, damas e xadrez chinês, divididos em um total de mais de 50 modalidades. A China foi a campeã geral dos jogos, com um total de 29 medalhas, sendo 12 de ouro.

É uma decisão muito importante para o poker mundial e para todos nós aqui no Brasil, justamente no momento em que chegamos ao que podemos chamar de “maioridade” do poker no País. Atualmente, possuímos uma estrutura sólida, construída com a evolução técnica e o aumento no número de jogadores; somado à estruturação política – através de uma Confederação constituída, farta de documentação legal e Federações organizadas. Além disso, o mercado começa a se abrir para o poker nacional, com empresas e empreendedores de outros segmentos dispostos a investir em nossa história. O poker reconhecido como um esporte de habilidade, raciocínio e matemática é o elemento que faltava para que possa ser difundido, ainda mais, pelo País. Os pilares já foram sedimentados. O poker, a partir de agora, tem tudo para escrever uma bela história aqui. Amúlio Murta Editor de jornalismo da Revista Flop www.revistaflop.com.br

Abertura dos Jogos da Mente, em 2008

Os jogos mentais produzem consequências positivas sobre o comportamento, bem-estar mental, pensamento e memória de seus praticantes. As cinco federações que formam a IMSA: xadrez, damas, brigde, go e poker, possuem mais de 450 associações e mais de 100 milhões de jogadores filiados.   Atletas disputando Go , uma das modalidades dos Jog os

Acho que essa foi a maior conquista do poker nos últimos cinco anos! Desde que eu o acompanho, trabalhando na ESPN, essa foi a maior vitória da modalidade. Agora, com esse reconhecimento, os leigos vão começar a respeitar mais o jogo. Sérgio Prado Blogger do PokerStars e Produtor esportivo na ESPN junho |

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Entrevista Igor Federal

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a palavra do

Presidente 46 | junho

Big Chick, Little Slick A Q

á cerca de quatro anos, alguns precursores, presidentes de Federações locais, começaram a reunir-se com o intuito de fundar uma Confederação que pudesse efetivamente representar o poker no âmbito nacional. Muitas reuniões e encontros depois, em 2007, surgiu a Confederação Brasileira de Texas Hold’em (CBTH), resultado da união de seis Federações Estaduais. Um ano após o anúncio de sua fundação, a Confederação Brasileira precisava de um nome agregador, reconhecido e com força de diálogo, com todos os setores do poker nacional, para conduzir esse processo e lutar pelas causas do poker no País. Surge, então, o nome de Igor “Federal” Trafane. Igor, além de empresário de sucesso, é um dos mais conhecidos e admirados jogadores de poker do Brasil. Natural de São João da Boa Vista, a 230 km de São Paulo, ele conheceu o poker em 1995 e logo se apaixonou. Formado

em Administração pela FGV – Fundação Getúlio Vargas, “Federal” alcançou o sucesso profissional trabalhando no ramo da educação linguística, e, antes de completar os 35 anos de idade, já era um empresário reconhecido em seu segmento. Quando vendeu suas empresas e buscava um novo ramo para investir, viu em uma de suas paixões, o poker, um mercado com enormes possibilidades. Não pensou duas vezes, uniu o útil ao agradável e tornou-se um empreendedor na área. Montou o primeiro escritório de negócios de poker do País, lançou a primeira revista e começou a lutar pela legitimidade de sua atividade. Para conhecer um pouco sobre o homem que conduziu o poker nacional, no processo de transição do que poderia ser considerado o seu “marco zero” para a chamada “Era da Profissionalização”, e saber um pouco mais sobre os bastidores da luta da Confederação Brasileira de Texas Hold’em pela regulamentação do poker, conversamos com o Presidente da instituição, em seu escritório em São Paulo.

Amúlio Murta: O cenário do poker nacional, há cerca de dois anos, era muito diferente do que vemos hoje. Você era um jogador conhecido, um empresário de sucesso e não precisava se envolver com uma Confederação de Poker. O que te motivou e o que fez com que você comprasse essa briga e assumisse a frente da CBTH? Igor Federal: Na verdade eu era um empresário que tinha acabado de sair do segmento da educação. Tinha vendido minhas empresas e queria investir em um novo segmento. Na hora em que eu olhei para o poker e vi o quão forte ele era nos Estados Unidos e também na Europa, eu sabia que isso iria chegar até aqui e que quem estivesse trabalhando com poker, poderia encarar aquilo como um negócio de fato. Então, eu decidi investir. Fundei o primeiro escritório de negócios de poker no Brasil. Criei empresa, CNPJ, contratei pessoas, etc. Tudo isso começou a custar dinheiro e, a partir do momento em que passei a colocar dinheiro, contratar pessoas, montar escritório e tudo o mais, eu precisava ter a certeza de que aquele meu investimento seria defendido por um entendimento de legalidade. A primeira coisa que fiz foi uma análise do ponto de vista pessoal. Peguei advogados de minha confiança, analisei aquilo, conversei com um, com dois, com três, ouvi outras opiniões e o senso era comum: “se o poker não for um jogo de azar, o que a própria lei define como aquele que dependa exclusiva ou principalmente da sorte, uma pessoa pode, por desconhecimento, tentar barrar sua atividade. Mas, se você for pra justiça, você ganha.” Então, eu primeiro me convenci de que o negócio era legal, porque sabia que o poker não dependia, principalmente e nem exclusivamente da sorte, e me certifiquei com advogados que eu conseguiria provar isso na justiça. Aí, então, eu decidi investir. Então eu comecei a trabalhar.

Agora o grande ponto é esse: quem iria provar que o poker é legal? Uma coisa é eu dizer que eu acho que é legal. O Murta dizer que é legal. O Joãozinho dizer que é legal. Outra coisa é você provar documentalmente que o poker é legal. Eu pensei: se eu fizer isso, tem o valor de uma pessoa. Se o outro fizer isso, tem o valor daquela outra pessoa. Se a gente juntar esforços, a gente tem uma associação. Porque esse interesse é um interesse coletivo. Todos vão ser beneficiados, qualquer site, qualquer revista, qualquer dealer, qualquer clube, todos serão beneficiados com essa conquista. Foi aí que percebi que existiam poucas pessoas, com experiência empresarial e jurídica, se dedicando exclusivamente a esse segmento como eu estava. Então eu decidi encampar essa batalha. Resumidamente, o que me motivou foi o fato de eu estar trabalhando em um segmento que estava sendo questionado pelas autoridades. Eu tinha duas opções: a primeira – ou paro de fazer isso e vou trabalhar em outro segmento, ou a segunda: comprovo jurídica e documentalmente a legalidade da minha atividade e continuo trabalhando em paz.

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AM: Quais foram as estratégias da Confederação para conseguir o reconhecimento necessário para iniciar a luta pela regulamentação e pela licitude do poker no País? IF: Após assumir a Confederação, a primeira coisa que eu fiz foi convocar, em uma carta aberta, todas as empresas com relevância no meio para participar e colaborar de alguma forma com essa causa. Eu tomei o cuidado de convidar todas as empresas mais importantes do cenário nacional, inclusive os meus principais concorrentes para participarem da CBTH. E o apoio de todos os setores à nossa causa foi imediato. A CBTH ganhou força, com o suporte de todas as lideranças do poker brasileiro, e começou a trilhar o seu caminho. 

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Entrevista Igor Federal

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A primeira fase foi o acerto da parte burocrática. Não adiantava ter uma Confederação de boca. Uma Confederação precisa de um estatuto, de uma ata de fundação. Tem que ter registro e reconhecimento em cartório, ir na Receita Federal, tirar CNPJ. Abrir uma conta bancária, ou seja, tem que existir de fato e de direito. Essa foi nossa primeira batalha. A Receita Federal, por exemplo, queria nos registrar como “prática de jogos de azar”. Foi uma luta até conseguir ser registrado como Associação Esportiva. Os cartórios se recusavam a aceitar o nosso registro. Foi assim com os bancos e por aí caminhou até que conseguimos e vencemos essa etapa. Após vencermos a parte burocrática, chegamos à segunda fase: provar que o poker é legal no Brasil. E o caminho ninguém tinha dúvida qual seria. Pra isso, bastava provar que nossa atividade não dependia exclusiva ou principalmente da sorte. Como estava na lei. E como é que se prova isso? Não é chegando à frente de um juiz e jurando que o jogo é de habilidade. Para provar que o poker é um jogo de habilidade precisamos de estudos de universidades, laudos matemáticos e perícias técnicas. Então eu comecei a correr atrás disso.

perito e ex-professor da Unicamp, Ricardo Molina. Todos atestando que o Texas Hold’em é um jogo de habilidade. Mais tarde, já por meio da IFP – International Federation of Poker, chegamos ao estudo da Cigital, que analisou mais de cem milhões de mãos e constatou que 76% delas não chegam ao showdown (mostrar as cartas ao final da mão). Além disso, das 24% das mãos que chegaram ao showdown, em mais de metade delas, a melhor mão inicial não levou o pote. Colocando por terra o argumento que a distribuição randômica das cartas influencia o resultado final da mão. Ou seja, conseguimos juntar o que eu comecei a chamar de “nosso arsenal de laudos e estudos técnicos”. Agora, se alguém viesse questionar nossa atividade dizendo “Isso é jogo de azar”, nós já tínhamos como nos defender. Qual não foi a nossa surpresa quando um delegado começou a ver laudos e estudos e falou “Vocês podem ter laudo, estudo, mas para mim isso não vale. O que vale é o meu laudo”. Só que delegado não faz laudo. Quem faz laudo é o Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública, no caso do Estado de São Paulo. Ele encomendou um laudo e a intenção dele era falar “Escuta aqui, você me traz Tel Aviv, me traz Tilburg, me traz Molina, mas amigo,

AM: Como a Confederação chegou até os primeiros laudos e os estudos técnicos? IF: Uma coisa que pouca gente sabe é que eu mandei email pra quase todas as federações de poker do mundo. Mandei pra confederação Dinamarquesa, pra Israelense, pra Russa, pra Francesa e por aí vai. Tinha um texto padrão, eu dizia: “Boa Noite, eu sou o presidente da Confederação Brasileira de Texas Hold’em. Aqui no Brasil, a lei diz que o proibido são os jogos de azar....” Eu explicava toda a nossa história. A maioria nunca me respondeu. De uns 20% restantes vieram algumas dicas de universidades e estudos, e eu fui atrás disso. Enfim, consegui um laudo da Universidade de Tilburg, através da Federação Holandesa, e outro da Universidade de Tel Aviv, através da Federação Israelense. Consegui também a doação de um estudo que tinha sido feito pelo

o que manda é o da Secretaria de Segurança Pública do Estado”. Ele pensou isso, baseado na ideia de que o laudo da SSP-SP seria contrário aos nossos. Mas não deu outra. O laudo do Instituto de Criminalística do Estado de São Paulo foi favorável ao poker e o delegado arquivou a ação que ele estava pensando em mover. AM: A Confederação conseguiu dessa forma importantes perícias e estudos técnicos, porém faltava uma peça fundamental na busca do reconhecimento jurídico, o parecer de um jurista renomado. Como a Confederação Brasileira conseguiu chegar ao ex-Ministro Miguel Reale Junior? IF: Com os laudos e estudos técnicos, já tínhamos um amplo material para defender a nossa causa, porém, nas decisões no campo judicial, esses documentos são ferramentas usadas, juntamente com as leis, para embasar

Ajax, Amaury Jr., BlackJack, Jackass A J

o pensamento de um advogado. A decisão de um Juiz é tomada com base no que é apresentado pelos advogados e na jurisprudência, que são as decisões anteriores tomadas em casos similares. Para melhorar nosso arsenal, precisávamos ainda de um Parecer Jurídico. Até essa primeira fase, eu consegui praticamente tudo de graça. Era email pra cá, telefonema pra lá. Mas, quando chegou nessa etapa, descobrimos que os pareceres jurídicos custavam muito caro. Principalmente o de pessoas com representatividade, que era justamente o que precisávamos. Foi o momento em que percebi que a Confederação precisava de verba. Fechamos então com o BSOP, e, de cada etapa, passamos a retirar uma contribuição. Conseguimos fazer o que muitos consideravam impossível, juntamos o PokerStars e o Full Tilt em prol de uma mesma causa. Os dois passaram a investir na Confederação Brasileira, como órgão representativo do poker no País, e isso viabilizou o parecer jurídico do Ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Junior e também outro, que estamos em fase final de negociação, com um Ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, que no momento não vou revelar o nome. Por isso, a cada dia que passa, as pessoas estão confrontando menos o poker no Brasil. A maioria das pessoas não sabe, mas, quando apresentamos os Alvarás da Polícia, da Prefeitura, Decisão Judicial, como no último BSOP de Curitiba, isso é porque, nos bastidores, a Confederação apresentou todo esse arsenal de documentos e convenceu previamente as autoridades. Nós estamos meio que avisando: “Olha nós estamos fazendo isso aqui. Isso aqui é legal. Estamos te avisando que o que nós vamos fazer é legal e, caso você queira questionar a legalidade do que nós estamos fazendo, você tem que estar preparado para provar e responder por isso.” Quero deixar claro que não estamos fazendo isso pra desafiar ninguém. Isso é só uma forma de mostrar que estamos trabalhando de forma decente. Não estamos fazendo nada imoral, ilegal ou na surdina. Foi através desses documentos, que conseguimos a credibilidade necessária para colocar o poker na TV aberta e, pela primeira vez na história, um evento jogado no Brasil foi transmitido em rede nacional – o BSOP. O importante é que aquele garoto que promove um torneio em Jaú, aquele outro que faz evento em Itaquaquecetuba, a Nutzz que promove o BSOP, o PokerStars que faz o LAPT e as Federações que promovem os estaduais, todos acabam se beneficiando disso.

Ajam como atletas e tenham a responsabilidade e a dignidade do tamanho da nossa luta.

AM: Como a Confederação Brasileira soube da IFP – International Federation of Poker e como aconteceu o processo de fundação da “FIFA” do poker? IF: Eu já havia recebido alguns convites de organizações latino-americanas, sul-americanas e de projetos mundiais que abraçavam o poker. Mesmo assim, preferi priorizar a

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luta pelo reconhecimento e pela regulamentação de nossa atividade aqui, no nosso País. Além de considerar nossa batalha complicada, eu não queria me juntar a pessoas que eu não conhecesse e não soubesse as reais intenções. Dessa forma, meu pensamento era: “Amigo, toca o seu aí, que eu toco o meu aqui, porque minha batalha já não é pequena”. Foi assim, até que o Raul Oliveira me disse que tinha um amigo que se chamava Pedro Tengrouse, uma pessoa muito inserida no contexto da política esportiva mundial. O Pedro é o homem de confiança de um inglês chamado Patrick Nally. O Patrick é um dos nomes mais expressivos na política esportiva mundial. Ele trabalhou em projetos junto ao COI (Comitê Olímpico Internacional), a IAAF (International Association of Athletics Federations), na Copa Davis e principalmente em projetos para a FIFA. Resumindo, o Patrick Nally havia se juntado a um outro cidadão inglês chamado Anthony Holden e os dois tinham decidido encampar a luta do poker. O Patrick tinha no Pedro seu homem de confiança na América do Sul e o incumbiu a descobrir uma associação de poker, aqui no Brasil, para se juntar a outras associações internacionais e fundar a IFP – International Federation of Poker. Dessa forma, o Raul fez a ponte entre o Pedro e a CBTH, e aí começamos a conversar. Como resultado, a Confederação Brasileira juntou-se com a outras organizações, como a Russa, a Dinamarquesa, a Francesa, a Holandesa, a Ucraniana e a do Reino Unido; e a IFP foi fundada em Lausanne, na Suíça. Atualmente, o Brasil é o País líder da zona Latino-Americana, e a IFP continua crescendo – hoje são 25 países. Nós temos muito orgulho em fazer parte disso tudo, que culminou, depois de cerca de um ano e meio, com o poker sendo reconhecido como esporte da mente pela IMSA (International Mind Sports Association). AM: Como Presidente da Confederação Brasileira, como você avalia o atual momento do poker nacional? Você já enxerga o País vivendo o chamado “boom” do poker? IF: Eu acho que o boom do poker nacional começa agora. O poker, em um primeiro momento, era uma atividade de um grupo de pessoas que nem poderia ser chamada de um nicho de mercado. Era um sub-nicho de pessoas 

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Entrevista Igor Federal que gostavam disso e curtiam. Era o que nós chamamos de traço de mercado. A coisa foi crescendo, foi aumentando, o que mostrou a força e o carisma desta modalidade e, em dois anos, nós já poderíamos considerar o poker um nicho de mercado. Aí vem toda essa batalha, que chega no momento atual, com o poker na TV aberta. Ou seja, todo esse entendimento da licitude, criou as condições que os canais de televisão precisavam para a veiculação desses programas e para que as coisas começassem a acontecer de fato. Dessa forma, eu acredito que o chamado “boom do poker” nacional está começando agora. E aí, eu penso que, aquilo que era um sub-grupo, que virou um nicho de mercado, hoje já pode ser entendido como um segmento de mercado e, se bobear, vira um produto de massa. E quando vira de massa? Quando tiver mais de um ano de exposição na mídia, porque apaixonante nós sabemos que ele é. Aí, acontece o “boom do poker” nacional.

Segundo, é que uma vez que essa parte de questionamento de licitude parece estar vencida, nós temos que caminhar para a regulamentação do setor. Como esse segmento se manifesta nas questões tributárias, trabalhistas. Nós temos que criar realmente a forma manifesta, em todas as esferas empresariais, de lidar com o negócio poker. Para isso, existem dois caminhos. O primeiro deles, é que o próximo parecer da CBTH será de um tributarista. Teremos agora um parecer tributário para o nosso arsenal. É importante salientar que este parecer será de um tributarista do mesmo calibre do Dr. Reale, só que do setor tributário. O segundo caminho é que a Confederação irá lançar quatro cartilhas. Todos os dias, as pessoas nos consultam sobre como fazer um torneio. Então, a CBTH vai lançar uma cartilha “Com fazer um torneio de poker”. Mas não é como se fazer um torneio com cartão de posição, fichas, mesa, etc. A cartilha é como, legalmente, você deve proceder para realizar um torneio. A segunda cartilha será “Como criar uma Associação de Poker”. A terceira será “Como Fundar uma Federação”. A quarta cartilha será “Como pagar imposto no poker”. Eu estou tentando fazer, Murta, aquilo que um presidente de uma associação deve fazer para ser entendido como um cara que contribuiu. Nós queremos criar tudo isso para transformar a Confederação em um referencial de informação. Não só da batalha pela licitude. Mas podendo dar suporte às pessoas de bem nesse País, que querem investir, ou que querem fazer negócios com o poker, de uma forma legítima em todos os aspectos.

Queremos criar tudo isso, para transformar a Confederação em um referencial de informação. Não só da batalha pela licitude. Mas podendo dar suporte às pessoas de bem nesse País, que querem investir, ou que querem fazer negócios com o poker, de uma forma legítima em todos os aspectos.

AM: O que está por vir? Quais são os próximos desafios para o poker brasileiro e também para a CBTH, órgão representativo deste esporte no País? IF: Quando você se prepara muito para uma luta, você se arma. Você cria uma estratégia. Você mostra pro seu adversário que, para te combater, ele tem que estar muito forte. Porque você está forte. Pode ser que, em um primeiro momento, seus adversários se escondam. Porque eles sabem que eles não estão preparados para brigar com você, e que você está mais forte que eles. Mas depois, esses mesmos adversários também se armam, se preparam, se organizam e te enfrentam em um segundo momento; voltando muito mais preparados. Dessa forma, eu acho que um dos desafios é que pode existir a possibilidade de que as pessoas que sejam contrárias, na hora em que isso atingir uma dimensão de massa, se organizem de uma forma estruturada para tentar evitar que nossa atividade seja praticada livremente no País. Porque antes era “o poker parece que é ilegal no Brasil, mas existem pessoas dizendo que é legal e estão tentando provar”. Na minha opinião, hoje, é o seguinte “o poker é legal! E já está provado! Quem quiser que apresente argumentos e, agora sim, prove o contrário”. Então pode ser que eles se organizem e esse é um desafio para a CBTH. Estar sempre preparado, estar sempre alerta.

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Johnny Moss A T

AM: Qual é o papel do jogador, seja ele profissional ou apaixonado por poker? IF: O papel do jogador, seja ele profissional ou apaixonado, é de divulgar, para todo mundo de fora do meio, os avanços que estamos conseguindo. Nós só vamos conseguir fazer massa crítica, se conseguirmos capilaridade. No momento em que a gente tiver pulverização e penetração, para todos os lados da sociedade. Se você fala em uma roda de amigos que existe um laudo do ex-Ministro da Justiça, que existem estudos, etc, muitos poderão não prestar atenção, alguns vão ouvir e guardar; e outros, quando ouvirem alguém falar algo a respeito disso em outra oportunidade, vão saber que essa história tem dois lados. Outra coisa que é fundamental, é que os jogadores busquem sempre se portar como amantes e apaixonados por uma atividade esportiva. Por exemplo, qualquer jogador que perde mais do que deveria no poker está destruindo um pouco daquilo que nós estamos construindo. Se o poker é um esporte que preconiza bankroll, responsabilidade, estratégia, matemática, etc, aquele cara que sai perdendo dinheiro a mais do que ele deveria estraga o processo. Porque isso faz com que uma família não goste do poker. Que repliquem isso dizendo: “Esporte nada. É um meio de destruição de vida”. Minha frase é: “Pessoas destroem suas vidas com aquilo que quiserem. Tem gente que destrói a sua vida porque casa com a pessoa errada. Tem gente que destrói a vida porque cria os filhos de maneira errada. Tem gente que destrói a vida porque cheira a coisa errada. Tem pessoas que destroem vidas porque comem, bebem ou ingerem a coisa errada. Pessoas destroem suas vidas por se aproximarem de pessoas erradas. Enfim,

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existem dezenas de formas de se destruir vidas. Fazer bobagem no poker é só mais uma forma de você destruir a sua vida. O problema é que ninguém nunca vai proibir as pessoas de se casarem, porque tem gente que casa mal. Nunca ninguém vai proibir as pessoas de terem filhos, porque algumas pessoas não sabem criar. Nunca ninguém vai proibir as pessoas de terem amigos, porque alguns deles são falsos. Mas se muitas pessoas começarem a afundar suas vidas, porque estão usando o poker de uma forma imbecil, isso vai começar a gerar o repúdio de uma parcela da sociedade contra a instituição Poker, e isso é muito negativo”. Então o recado é: “Ajam como atletas e tenham a responsabilidade e a dignidade do tamanho da nossa luta.” AM: Como um empresário de sucesso e presidente da Confederação, muitos te consideram “O Poderoso Chefão” do Poker nacional. O que você pensa a respeito disso? Você se vangloria ou se ofende com esse tipo de insinuação? IF: Quando você assume uma função de exposição, aquilo que você faz afeta muitas pessoas. Quando você empresarialmente cresce ao ponto de deter os principais produtos de um segmento, é natural ter seu nome inserido dentro de quase todos os novos empreendimentos deste setor. Alguns acham isso admirável, meritório e inspirador. Outros se incomodam um pouco com esse crescimento. Eu não ligo pra nada disso. Eu só sou um trabalhador, quero honrar a criação que eu tive. Honrar o dinheiro investido pelos meus pais na minha educação e a Deus que me deu vida e saúde. A forma de eu honrar tudo isso é trabalhando duro, construindo muito, gerando emprego e pagando imposto e criando valor para mim e para a sociedade. 

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Entrevista Igor Federal Então, de um modo geral, eu não ligo para essas coisas. Eu não tenho crise de confiança. Não me acho mais do que eu sou e nem menos do que eu sou. Eu procuro fazer o meu caminho. Eu tenho meus objetivos e sigo em frente trabalhando. Meu objetivo empresarial é fazer com que minhas empresas sejam mais fortes, gerem mais empregos, me tragam mais valor e beneficiem a mais gente. Meu objetivo enquanto ser humano é honrar e dignificar meu pai, minha mãe, minha família e meus amigos. Dificilmente você vai ouvir alguma história da minha trajetória de vida em que eu tenha desonrado família, amigos, etc. Enquanto Presidente da Confederação, meu objetivo é conduzir o processo da maneira mais justa, produtiva, eficaz e transparente possível. Como falei, eu sigo meu caminho. AM: Já há algum tempo você tem se queixado que os negócios e a Confederação acabaram te afastando do que você mais gosta de fazer, que é jogar poker. Você sempre afirma que, no momento em que perceber que a sua missão está cumprida, você quer deixar a Confederação e pretende voltar a se dedicar ao pano. Quais são seus projetos para o futuro? IF: Algumas pessoas, quando olham uma associação, como a Confederação Brasileira, querem ser presidentes e têm a intenção e a vaidade de se perpetuar no poder. Eu quero aproveitar essa entrevista pra dizer que em breve eu deixo a CBTH. Eu não nasci pra ser presidente da Confederação

52 | junho

e nem quero me perpetuar nesse cargo. Eu só aceitei essa função porque ninguém estava se habilitando para efetivamente comandar esse processo como eu acho que ele deveria. Na verdade, eu preferia estar colaborando, ao lado de outras pessoas. Mas eu não “fugi do pau”, encampei a batalha e dei o meu melhor pra fazer isso. Em menos de dois anos os avanços estão aí. Eu tenho muito orgulho do que eu estou fazendo. É uma coisa muito especial pra mim. Mas o meu mandato é de quatro anos. Nesse período eu pretendo criar todas as bases e entregar pra um próximo. Eu não quero ser o eterno presidente da Confederação Brasileira. Se eu conseguir fazer o que eu acho que deve ser feito, ainda nesse mandato, a minha missão estará cumprida. Solicitaram que eu encabeçasse esse projeto, e eu aceitei, mas, eu quero mesmo é voltar a ser empresário e jogador de poker. AM: O espaço está aberto para os seus agradecimentos pessoais às pessoas que lhe ajudaram de alguma forma nesta caminhada. IF: No campo pessoal eu gostaria de registrar aqui o meu agradecimento especial a uma pessoa que é todo meu suporte. Uma pessoa que quando eu chego em casa está sempre me esperando com um sorriso no rosto, que está ao meu lado, me ajudando e me dando força. Uma pessoa que segura meu lar enquanto eu trabalho cerca de 15 horas por dia, inclusive nos finais de semana. Eu gostaria de deixar aqui o meu reconhecimento a essa guerreira que é a minha esposa Isabella. Aproveito também para agradecer aos meus amigos, meus sócios, funcionários e a minha família. Como Presidente da Confederação, se eu citar nomes eu vou cometer muitas injustiças, então eu quero agradecer a todos os que colaboraram de uma forma ou de outra. Os que colaboraram de uma forma pequena, média, ou os que fizeram grandes contribuições com tudo aquilo que viesse a engrandecer, enaltecer e enobrecer o poker no Brasil. Empresas, mídias, trabalhadores, dealers, floors, diretores de torneios, jogadores, simpatizantes, apaixonados, aos pioneiros que começaram tudo isso lá atrás. Todo mundo. A CBTH não sou eu. Ela é força do poker nacional. Ela tem conquistado muita coisa. Tem se mostrado digna, honesta, descente, vencedora, pujante. Cada uma dessas pessoas tem que ter orgulho do que está sendo conquistado. Eu quero agradecer a todas essas pessoas. A minha entrevista não é a minha entrevista. Ela é a entrevista de alguém que, no momento, representa uma comunidade. Uma comunidade que fez o poker sair do zero para se tornar um segmento de um enorme potencial de crescimento. Chamando a atenção da mídia, de outros segmentos da economia e de autoridades, pela sua força. A CBTH é simplesmente o órgão representativo do poker brasileiro, mas quem verdadeiramente está de parabéns não é a CBTH, não é o presidente da CBTH, é o poker brasileiro! 

Dead Man’s Hand, Mão do Morto A 8

Nas tensões do dia a dia torna-se cada vez mais necessário um tempo para relaxar e distrair os pensamentos. É com esse objetivo que existe a : uma revista voltada ao lazer, empenhada em informar sobre Turismo, Hobbies, Vinhos, Charutos e tantos outros assuntos, que, afinal, são essenciais ao bem-viver.

Indispensável no jogo da vida. www.freetimemagazine.com.br Tel.: (11) 4153 2767

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junho |

53


Por uma boa

causa

O

Ávila Restaurante recebeu, no fim de semana dos dias 28 e 30 de maio, a Virada Beneficente – uma série de eventos culturais que contou com a presença de dezenas de celebridades em prol de arrecadar recursos para auxílio às vítimas dos recentes terremotos que atingiram o Chile. O poker fez sua parte, trazendo nomes de peso que organizaram um torneio no restaurante e ministraram uma rápida clínica com as regras do jogo. Os jogadores do TVPokerPro André Akkari, Alexandre Gomes e Leandro Amarula chegaram com os amigos Igor Federal e Juliano Maesano, que ajudaram Robigol a organizar o torneio junto aos dealers do H2 Club. Os jogadores levaram suas esposas

para a festa e foi criado um ótimo clima, integrando as celebridades e empresários presentes com os astros do poker nacional.

N

a sexta-feira, o evento contou com a presença das equipes de cobertura do Pânico, CQC e Otávio Mesquita, que documentaram o show de Roberto Justus e da Família Lima, entre muitos artistas que abriram estas 53 horas de atrações no fim de semana agitado. A noite do poker foi no sábado, embalada pelo DJ Felipe Venâncio, e que também contou com o músico Rodrigo Farah e o talentoso comediante de stand-up Fábio Lins. Outra atração da noite foi a presença dos executivos da vinícola chilena Concha y Toro, que sortearam e leiloaram

as melhores safras de seus vinhos em meio a um jogo cultural de perguntas e respostas sobre a história do vinho e da tradicional marca chilena.

O

torneio teve inscrição de R$250, totalmente revertidos ao fundo de amparo das vítimas chilenas, e os prêmios foram doados pelas empresas Stack, Nutzz e Conrad – buy-ins ao 750K garantido, BSOP e satélite ao torneio de final de ano do Conrad, com premiação de US$1 milhão. Além de concorrer a estes prêmios valiosos, os participantes tiveram a rara chance de jogar ao lado dos melhores jogadores de poker brasileiros – afinal, não é sempre que você encontra Igor Federal, Juliano Maesano e Alexandre Gomes em uma mesma mesa e André Akkari, Robigol e Amarula em outra. 

Caderno

Beneficente

online

A lenda

do

Pág 50

Raul Oliveira

Pág 52

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Hunting Season A 2

WSOP 2010

Pág 54

Fórmula 1

Pág 56

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Annette Obrestad 56

Online A

lenda do

A

pós as recentes contratações de Tom “durrrr” Dwan e do brasileiro Caio Pimenta para o seu time de profissionais, o Full Tilt segue recrutando os jovens fenômenos do poker live e também do online para integrar o seu time de craques. O novo nome a fazer parte deste, que é um dos times mais respeitados do poker mundial, é o da jogadora norueguesa Annette “Annette_15” Obrestad. Nascida e criada em Stavanger, Noruega, Annette originalmente se dedicava a outro esporte, o boliche. Enquanto assistia a um torneio de boliche na TV, viu um anúncio de um site de poker online aparecer sobre uma das pistas. Ela imediatamente se inscreveu e abriu uma conta, e o resto é história. Ela começou no poker online jogando freerolls e não demorou muito para, saindo do zero, construir uma carreira sólida e milionária, sem jamais ter depositado um centavo. Ela ganhou um freeroll de $9, que foi mais do que suficiente para iniciar sua carreira como jogadora de poker. De lá pra cá, ela fez seu caminho, começando com torneios sit-and-go de $1 até avançar para os torneios multitables. Ainda aos 18 anos, ela impressionou o mundo ao ganhar um sit-and-go com 180 participantes sem olhar as cartas. Além disso, impedida de participar da maior série de torneios do mundo, por ser menor de idade, ela decidiu colocar a prova sua capacidade no evento principal da World Series of Poker Europe, em setembro de 2007. Como resultado, conseguiu a primeira colocação e faturou mais de $2 milhões, tornando-se a mais jovem ganhadora de um bracelete da WSOP e, ao mesmo tempo, a mulher que mais dinheiro ganhou na competição.

Annette venceu o main event na WSOPE em 2007

“Aprenda, converse e jogue com os Profissionais”

Obrestad jogando o EPT no ano passado

A

lém do bracelete da WSOPE, a norueguesa, que completou 21 anos recentemente, possui mais de $2 milhões de dólares ganhos somente em torneios online, além de outros resultados significativos em eventos ao vivo. Entre eles, um segundo lugar em uma etapa do EPT – European Poker Tour Dortmund, e uma 13ª colocação no EPT Grand Finale, em Monte Carlo. Mais recentemente, ela foi vista rasgando o feltro na conquista, no início deste ano, de seu primeiro anel no Aussie Millions Poker Championship, no evento 4, Pot Limit Omaha, com buy-in de $1.100 e fazendo a mesa final do main event, levando para casa um total combinado de mais de US$200K. Obrestad experimentou, pela primeira vez, o gosto de jogar em Las Vegas quando participou de um episódio do seriado de TV, o Poker After Dark. Ela estará em Las Vegas neste verão fazendo sua estreia em sua primeira WSOP em solo americano, defendendo as cores do Full Tilt Poker. Ela agora se junta ao time, que já conta com nomes como os de Phil Ivey, Carlos Mortensen, Chris Ferguson, Patrick Antonius e muitos outros craques do feltro, entre eles os brasileiros Christian Kruel, Leandro “Brasa” Pimentel e Raul Oliveira. Quando ela não está jogando poker, Annette gosta de relaxar e passar tempo com seus amigos e familiares.

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Raul Oliveira

Limit O Perito

58

R

aul teve seu primeiro contato com o poker dentro de casa. Foi em um home game que ele cresceu, vendo seu pai jogar com seus tios e seu avô em um poker fechado semanal. Ainda com sete anos, aprendeu as regras do jogo. Ele sempre gostou de jogos e jogava de tudo: buraco, king, poker, além do gamão – uma de suas paixões. Foi em um torneio de gamão que ele conheceu Christian Kruel e, a partir de então, os dois construíram uma história que se confunde com a história do profissionalismo do poker no Brasil. Perguntado sobre as relações entre gamão e poker, ele explica: “Existe uma lógica matemática embutida em todos os tipos de jogos, mas entender que são uma complexa lógica matemática, com interferência humana, é fundamental. Enquanto um jogador ficar preso ao desafio do acaso, ele nunca jogará bem. Ter jogado gamão por um bom tempo facilitou muito para eu enxergar a complexidade dos jogos e, com isso, poder me tornar um bom jogador.” Antes de se dedicar profissionalmente ao poker, Raul trabalhava no clube do Flamengo. O gamão era a sua segunda fonte renda. Sua vida começou a mudar quando,

do

certo dia, alugou um famoso filme sobre poker, em uma locadora próxima de sua casa. Rounders (Cartas na Mesa, 1998) é, até hoje, considerado o melhor filme já feito sobre poker. A partir daí, o filme mudou sua vida. Assim que terminou de assistir, ele telefonou para CK, que estava na praia, e avisou: “Tem um filme incrível aqui que você precisa ver”. Depois de rever o filme com CK, eles entraram no site de gamão, que jogavam diariamente, e começaram a perguntar no chat se alguém jogava Texas Hold’em. Depois de duas respostas positivas, conseguiram trocar os créditos de gamão pelos de poker. Foram US$500 que duraram trinta minutos. Mesmo ficando no vermelho, eles não desistiram e, a partir de então, passaram a se dedicar para aprender e praticar aquele novo jogo. Ele se emociona até hoje quando se recorda de sua primeira viagem até Las Vegas, em 2003, quando um grande amigo, o Armando Balbi, o convidou para disputar um campeonato de gamão que acontecia simultaneamente à WSOP. “Naquela época, eu não tinha um real no bolso, muito menos dólares. Fui mais para realizar o sonho de conhecer Las Vegas. Chegando lá, o Balbi me pediu para guardar um dinheiro que, junto com o pouco que eu tinha, não durou 24 horas. Torrei tudo na roleta do Bellagio. Ao tomar coragem e contar a besteira que eu tinha feito para ele, ele me falou uma frase que até hoje guardo comigo: “Se você aprendeu, pode acreditar que foi barato”. Passada a tempestade inicial, fomos para um satélite, no Horseshoe, para o main event da World Series. O satélite era de US$200 com re-buys ilimitados e add-on. Ele me emprestou o dinheiro e fui jogar. O torneio era jogado de forma completamente lunática – os jogadores davam all in em todas as mãos e, naquele momento, aqueles US$200 eram todo o meu dinheiro. O torneio teve uns 120 inscritos e arrecadou um pouco mais de 60K, dando seis vagas. Acabei conquistando uma delas e jogando meu primeiro Main Event. Caí de QQ para TT, mas nunca me esqueci da minha primeira WSOP”. Raul possui uma formação técnica em cash game Limit Hold’em e é um dos maiores especialistas brasileiros nesta modalidade de jogo.

Raul na WSOP 2009

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Patrocinador 60

Full Tilt

1

Fórmula A partir da etapa disputada na Espanha, a equipe Virgin Racing ganhou um novo patrocinador: o Full Tilt Poker. Tanto o carro, como as vestimentas dos pilotos e demais aparatos da equipe, que possue entre seus pilotos o brasileiro Luca di Grassi e o experiente alemão Timo Glock, já tem o logotipo do Full Tilt Poker estampado em seus uniformes. A Virgin Racing e o Full Tilt vinham negociando essa parceria desde o ano passado e agora que o acordo foi finalmente fechado, Graeme Lowdon, executivo-chefe da equipe, comentou: “Nós temos muito prazer em dar as boas vindas ao Full Tilt Poker.net. (...) Estamos ansiosos para ir juntos as corridas, a partir do grande prêmio da Espanha, no qual o site terá uma presença significativa.” Para comemorar a parceria, a Virgin Racing recebeu o profissional do Full Tilt e detentor de cinco braceletes da World Series of Poker, Chris Ferguson, no Grande Prêmio de Mônaco. O pró esteve lá para prestigiar a corrida e fazer um jogo de exibição contra os pilotos da equipe, que se juntaram ao campeão em uma foto comemorativa, juntamente com todo o time da Virgin, usando um chapéu e perucas que lembram o estilo característico de Ferguson. Timo comentou: “Sou um grande fã de poker e frequentemente me reuno com amigos para um jogo. É ótimo ter Chris aqui neste fim de semana e espero que tenhamos tempo para jogar poker mais tarde. Espero que eu possa vencê-lo! “ Já o brasileiro Lucas di Grassi disse que também adora o jogo e que Ferguson é umde seus ídolos no poker. “Será uma grande corrida para todos nós neste fim de semana, mas estou mais ansioso com o jogo contra Chris, amanhã à noite” revela Lucas.

Virgin Racing Freeroll Torneios

na

Heads-Up contra Timo Glock

Para qualificar-se para um heads-up de US$ 1K, contra o piloto Timo Glock, de 20 de junho a 29 de junho jogue os torneios Qualify. Que funciona, basicamente, da mesma forma que o freeroll para Valência (a cada nove lugares, tem-se uma vaga para o freeroll final), que será realizado no dia 30 de junho. O vencedor tem a chance de disputar um heads-up contra o piloto Timo Glock no valor de $1K.

Como participar

Faça o download do software do Full Tilt Poker, instale o programa e siga as instruções para criar uma conta. Insira o código de bônus “Fórmula 1”. Depois de concluir o seu registro, você está pronto para participar do torneio freeroll exclusivo.

Grande Prêmio de Valência

Para conquistar o seu pacote de prêmios VIP para o GP de Valência, em que você poderá conhecer os pilotos Timo Glock e Lucas di Grassi em pessoa, você deverá jogar o Valencia Grand Prix Freeroll. Os torneios, disponíveis desde o dia 5 de junho, funciona da seguinte forma: a cada nove lugares será disponibilizada uma vaga para o freeroll final, realizado no dia 20 de junho. O vencedor ganha um pacote para o GP de Valência.

Virgin Racing Freeroll $ 1K

Faça seu primeiro depósito no Full Tilt Poker e ganhe o direito de participar de um torneio freeroll especial da escuderia com um garantido de $1K. O freeroll será realizado em 1 de julho e será aberto somente aos jogadores que fizeram seu primeiro depósito. Para se registrar, basta entrar no Full Tilt Poker e seguir os seguintes passos para se inscrever no freeroll:

1.

Abra o menu Lobby no topo software e selecione a opção Exibir> Standard View.

2. Defina os filtros na área de navegador para: Tournaments> Private Hold’em> No-Limit e Freerolls/FTPs. 3. Percorra a lista dos jogos, e procure os de cor verde

chamados: GP de Valência – Freeroll, Timo Glock – Freeroll ou Virgin Racing $ 1K Freeroll, e selecione o torneio de sua escolha.

4. Clique no botão “Registre-se aqui”. Isto levará a uma

página web em que você poderá registrar para o torneio. Pronto! Agora é se concentrar no jogo e correr atrás da vitória. Boa sorte!

Na celebração da parceria com a nova escuderia da Fórmula 1, o Full Tilt oferecerá três prêmios emocionantes para os seus usuários: uma viagem VIP para o GP de Valência, a oportunidade de jogar um heads-up contra o piloto Timo Glock e o site oferece ainda uma promoção para o primeiro depósito em que você pode qualificar-se para um freeroll especial de US$1 mil.

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Recompensas 62

O

valor da

Eliminação

S

e você gosta de eliminar muitos jogadores, então vai adorar os torneios knockout bounty do FullTilt Poker. Esses torneios são criados e reproduzidos como torneios regulares, exceto pelos buy-ins que são divididos entre a premiação principal e os bounties, ou recompensa por eliminação. Isto significa que, por exemplo, em um torneio com buy-in de US$10 + 1, parte dessa entrada é dividida, com US$8 dedicados ao pote de premiação principal e US$2 vai para o pagamento da recompensa por cabeça, para cada jogador eliminado. Quando se elimina um adversário, você imediatamente recebe a recompensa. Para encontrar estes torneios, vá no Lobby do software e procure pelos torneios listados com o símbolo “K”. Os torneios knockout estão disponíveis a partir de nove até 7.000 jogadores e possuem buy-ins de $3 + 0.30 (com uma recompensa de US$0.50) a $240 + 16 (com uma recompensa de US$40), que é o maior torneio knockout disponível no site no Sunday Brawl. Este torneio tem um prizepool garantido de $350K, com um máximo de 6.000 pessoas. Como em todo bom site, você pode ganhar um satélite para o torneio, clicando sobre o torneio no lobby, que irá abrir uma nova janela listando os satélites para jogar. Estes torneios possuem buy-in de US$10 + 1, sendo alguns deles são até mesmo satélites .

raros casos em que dois jogadores ou mais dividem o pote na mão em que um profissional é eliminado, a recompensa é paga ao jogador que participou e ganhou ao menos uma parte do maior pote em que o profissional esteve envolvido. Se a disputa em um torneio classificatório continuar depois que todos os principais prêmios já tiverem sido garantidos, não haverá pagamento de recompensa pela eliminação de profissionais. Por exemplo, se um torneio oferece vagas no Evento Principal da Série Mundial (WSOP) aos cinco primeiros colocados, e um profissional é um dos cinco últimos jogadores restantes na disputa, não haverá pagamento de recompensa pela eliminação deste profissional. Não perca a chance de faturar uma grana extra nos torneios Knockout e eliminando os Profissionais do Full Tilt Poker!

Eliminando um Pró do Full Tilt

Outra possibilidade de se ganhar algum dinheiro nas mesas de SnGs e torneios, que pouca gente conhece, é o bust out bounty. No Full Tilt Poker, os jogadores podem ganhar uma recompensa por eliminação, quando eliminarem qualquer profissional indicado pela cor vermelha, em torneios com 30 ou mais participantes. Quem conseguir eliminar um Red Pro recebe uma recompensa igual ao valor da entrada no torneio, sem considerar a taxa de inscrição, até o limite de $200. Em torneios com valores de entradas mais altos, os jogadores recebem $200 para cada profissional eliminado. Nos

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Sit-and-go Flop IX

Quer jogar com os profissionais? Então inscreva-se já pelo e-mail sng@revistaflop.com.br

E

ste é um torneio organizado pela Revista Flop que reúne nove jogadores, entre os grandes profissionais do Brasil, convidados e leitores, para se enfrentarem em uma mesa online. Esta seção tem o objetivo de, além de aproximar ídolos e fãs, mostrar o que cada participante pensou em cada jogada. Quer participar deste desafio? Então mande e-mail com seus dados para sng@revistaflop.com.br.

João Studart

João Bauer

Figura entre os Top 10 no Ranking SuperPoker

Campeão Estadual Goiano

Eduardo

Eduardo Godoy

Amador, joga em sits de limites baixos

Leitor convidado

Hold’em No-Limit Torneio: 156489315 Data: 29/04/2010 Buy-in: $5.50 Field: 9 jogadores Blinds: 6 min

Stack: 1.500 fichas ITM: 3 jogadores Premiação: $45 Mãos: 137 jogadas Duração: 1h03min

Cristiano Camargo

Campeão Estadual Carioca

Campeão Estadual de São Paulo

Membro do 4bet Team

Rodrigo Santana

Campeão Estadual Mineiro

Mão 3

| Blinds: 15/30 Logo no início do torneio, PorcoEspinho, do UTG+1, abriu bet de 90 fichas. A mesa rodou em fold até Mojave, que no big blind, aumentou para 285 fichas. PorcoEspinho pensa um pouco e resolveu largar a mão.

Bem, logo de começo me vem AQs. Estava em early position e resolvi dar um raise básico de três BBs. A mesa foi em fold até o Mojave, que tava no big, e ele aumentou tudo pra 285. Hum! Ainda é muito cedo pra entrar em alguma ação no torneio. Nesse nível de blind, �PorcoEspinho:

64 | junho

Mão 7

| Blinds: 15/30 A ação começou em João Bauer que, no UTG+1, aumentou para 90. Somente Didigo, no cutoff, e Edu Pokerholic, no big, pagaram. O flop virou 75Q. Edu deu check e Bauer abriu bet de 150. Ambos correram e João leva as fichas.

�joao_bauer: Eu recebo AA no início da mesa e, como entrar de limp não é uma boa jogada, faço uma jogada standart : dou um raise de três BBs. Dois entram no pote e o flop até que me ajudou. O big deu mesa. O pote estava com 285 fichas e opto por uma c-bet, esperando pelo menos alguma ação. Os dois correm e não consigo tirar tanto valor dessa mão. �didigofera: Vim com KJo e acho uma mão um tanto razoável para jogar nesse começo, aproveitando que os blinds ainda estão baixos. O Bauer já vem atirando lá do começo da mesa. Não vou dar um raise, porque, com certeza, ele viria pra cima de mim. O flop foi ruim e não tenho nada. Bauer deu um c-bet, mas não vô fica agando pra ver carta. Easy fold.

Carlos Caputo

Andrei Mossman

assunto (no caso do Porco Espinho) e fora de posição. Ele deu fold. Gostaria muito de saber o que ele tinha.

Felipe Mojave

Embaixador do Party Poker no Brasil

AQs não está no meu range de call em 3-bet num SnG. Acredito que se fosse pra pagar, teria que ser feito do botão. O range que o Mojave 3-betaria o UTG+1é bem forte; é óbvio que o Mojave é doido, mas é um sit e creio que ele não esteja fazendo isso com qualquer carta. �Mojave: Terceira mão do jogo e PorcoEspinho sobe de UTG+1. Eu tenho AKo no BB e apliquei o 3-bet. Jogava bem standard. Não gosto de jogar pós-flop em SnGs, pois não acho efetivo, principalmente contra um especialista no

Marriage, Casamento, Royal Couple, Casal Real K Q

�edu_pokerholic: Ainda está no começo e o João Bauer já saiu betando 90 – uma jogada bem standart. Só um jogador pagou e, como eu tava no big com KTs, resolvi dar call pra ver o flop. Desastre! Não bateu nada. Dei mesa e, logo depois, João sai apostando de novo. Preferi não arriscar e dar fold mesmo, já que não tenho nada e é bem provável que ele tenha acertado alguma coisa aí.

Mão 14

| Blinds: 20/40 Em early position, Bauer abriu bet de 96 fichas. A mesa vai em fold até Mavca, no dealer, que aumenta tudo para 200. Bauer desiste e Mavca leva o pote. Bauer: Dou raise de 2,5 BBs, novamente de UTG, com AQo. O Mavca, no botão, me 3-beta para 200. Como em torneio SnGs não existe possibilidades para muitos moves, prefiro foldar a mão. A estrutura é meio turbo e o call para jogar fora de posição com poucas fichas seria muito ruim.

�Joao

�MAVCA: Após um raise baixo do João Bauer, tinha quase certeza de que o AK estava à frente e resolvi dar um reraise pré-flop. Por ser um sit-ang-go turbo, se ele voltasse, era instacall da minha parte.

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Mão 19

| Blinds: 20/40 Em middle position, o jogador Didigofera aumentou 2.5 BBs e somente Godoy18, no big, pagou. O flop veio QKJ e Godoy bateu mesa. Didigo aumentou, novamente, para 200 e Godoy pensou um pouco e foldou a mão. �godoy18: Estou mantendo a minha estratégia de jogar bem tight no início do torneio. Primeira mão que eu jogo. Recebo 55 no big blind e o Didigofera aumenta 2,5 BB no início da mesa. Completo, na esperança de trincar. Em um flop de cartas altas e com muitos draws ele aposta quase o pote. Easy fold! � didigofera: Aqui dou um raise em middle position, dando uma demonstração de cartas fortes. Só o Godoy, que tava no big, pagou. Logo depois do flop (nesse caso favorável a mim), ele deu mesa e continuei apostando para que ele largasse a mão. Fiquei com um pouco de receio, pois, como ele pagou meu raise antes, o flop ficou perigoso e com grandes chances dele ter acertado um top pair ou alguma coisa forte. Nesse caso, se ele pagasse, eu seria mais cauteloso nas próximas jogadas.

Mão 24

| Blinds: 20/40 A mesa rodou em fold até Vovo_leo que, no cutoff, abriu bet de 100 fichas. Bauer, no botão, paga e os blinds desistem. O flop veio J5Q e Vovo já saiu apostando mais 125, fazendo Bauer foldar a mão.

�vovo_leo: Não tive muita ação na mesa. Só roubei uns blinds até agora. To jogando tight, pois grande parte desse pessoal é bem agressivo e são experientes em SnGs. Com uma mão um pouco mais descente, um AJs, a mesa rodou em gap até mim. Não teve jeito, subi um pouco pra chama alguém pro jogo e o Bauer, do meu lado, foi quem pagou. O flop não poderia ser melhor. Acertei meu J e ainda tô no flush draw. Pensei em fazer um check/raise, mas corro o risco de lhe dar uma freecard e opto pelo bet mesmo. Bauer foge e dou uma crescida no meu stack . �joao_bauer: Vovo_leo tá jogando muito seuro. E ele dá raise do cutoff. Tenho 66 no botão e só pago. O flop veio meio complicado. Duas overcards, mais flush draw. Tinha muito jogo pra bate. E antes de pensar em alguma coisa, o Vovo já saiu atirando no pós-flop e, como não trinquei, é fold na certa.

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65


Sit-and-go Flop IX

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Mão 26

| Blinds: 25/50 Depois de três jogadores foldarem suas mãos, João Bauer, em middle position, fez tudo 150 e tomou volta de 400 fichas de Felipe Mojave, no small blind. Bauer, sem hesitar, deu instafold.. �Felipe Mojave: Venho jogando muito tight e recebo QQ. João Bauer sobre em MP e acredito ser bem standard o 3-bet com QQ do SB. Outra vez, optei pela jogada mais segura, estou fora de posição e mantendo minha estratégia. � Joao Bauer: Dou raise em MP para 150, com 55. O Mojave, no small, faz tudo 400. Como é dificil passar um raise naquele blind ali. (lol)

Mão 36

| Blinds: 30/60 Do UTG+1, Cofrinho deu um bet de 150 e somente Edu Pokerholic, no botão, e Vovo Leo, no small, pagaram. O flop veio 347 e deram check. No turn, aparece um 2 e Vovo Leo aposta 245. Cofrinho paga e Edu folda. Um 3 veio no river e Vovo deu check. Cofrinho vai all in de 877 fichas e Vovo pediu tempo, pagou e mostrou 66. Cofrinho abre TT e leva um pote de 2.754 fichas, tornando-se o chipleader no momento. �cofrinho120: Nesta mão dei o bet, pois achei que estava com a melhor mão. Ao tomar dois calls, me senti em uma situação desconfortável. Já no pós-flop, achei ainda que estava ganhando, sendo que ambos deram mesa no flop. Minha intenção era arrecadar mais fichas do meu oponente que tinha posição sobre mim (no caso, o delaer). Para minha surpresa, no turn o Vovo Leo deu raise. Aí achei que ele poderia ser minha vítima, pois não consegui ver ele com um jogo melhor que o meu. No máximo, ele poderia ter algo como 55+ ou A+, jamais achei que ele faria uma jogada dessa com mãos premium. Se ele tivesse um par pequeno e trincado até o turn, ele apostaria para extrair mais fichas. Então, resolvi tentar extrair o máximo de fichas possíveis com uma simulação de blefe. �VOVO_LEO: Nessa mão, Cofrinho em EP faz uma jogada um tanto standart: aumentou 2.5 o BB. O dealer deu call e resolvi pagar por set value apenas. O flop me deixou na broca. Dei check, esperando um bet do Cofrinho. Ele também deu check, assim como Edu_pokerholic. No turn veio um 2 e saí betando 245. Cofrinho deu call e Edu fold. Dei check no river e Cofrinho vai all in.

66 | junho

Eliminei do range dele, de acordo com suas jogadas no flop e turn, pares como 88+ e a seguida. Assim, só perderia para full house mesmo. Acabei dando um bad call, que me deixou com três BBs no sit. Bem jogado Cofrinho, congrats!

Mão 38

| Blinds: 50/100 A mesa rodou em fold até Vovo Leo que, short-stack no cutoff, foi all in com 190 fichas. Godoy, no small, e Cofrinho, no big, pagaram. O flop virou Q6A e ambos os blinds bateram mesa. No turn, virou um J e Godoy apostou meio pote (300 fichas) e Cofrinho largou a mão. Vovo mostrou 99 e Godoy A J. No turn apareceu um 6 e Vovo Leo foi eliminado do torneio por Godoy, que fez dois pares e levou mais 579 fichas ao seu stack. �VOVO LEO: Depois da minha fatiada, sobrei com 190 fichas. To em late position e recebo par de 9. Sem muito o que pensar, fui all in e sou pago pelo Godoy com A Jo. Vamos pro coinflip, mas meu par não segura. Valeu pessoal da Flop pelo convite e good game à todos. �godoy18: Vovô Leo, no cutoff, vai all in com três BBs no stack. Tenho ficha e resolvo pagá-lo com A Jo do small, pois acredito que possa estar na frente dele por causa de seu desespero. O Cofrinho também dá call. Acerto o Ás em um flop de duas copas e dou check para manter o pote baixo. No turn, faço dois pares e resolvo apostar a metade do pote, mais por valor do que para proteger a minha mão. Cofrinho folda e o Vovô mostra 99. Estava até melhor do que eu pensava. Menos um no páreo.

Mão 47

| Blinds: 40/80 Após foldarem o UTG e UTG+1, Didigofera deu raise para 240, em middle position, e somente Edu, no botão, deu call. O flop vem J49 e os dois jogadores deram check.

No turn abriu um 7 e Didigo aposta 450. Edu pensa um pouco e paga. Já o river veio o 5 e Didigo deu um bet para 960, fazendo Edu desistir da mão. � edu_pokerholic: Acho que o pessoal tá ficando desconfiado de mim, pois nas últimas quatro jogadas levei todas as mãos apostando forte no pré-flop. Agora, no botão, recebo A Ts e o Didigo já sai apostando no meio da mesa. Resolvo pagar, pois meu range é bem consistente. O flop não ajudou muito, só veio uma carta de ouros. Didigo deu mesa e fui atrás dele. Não vou arriscar um aumento aqui, pois quero manter o pote baixo. O turn vem uma carta baixa de ouros, me deixando flush draw. Didigo aposta 450. Acho que ele quer comprar o pote, pois aquele 7 não pode ter mudado seu jogo. Por isso, eu pago pra ver o river, que é um desastre. O bordo dá possibilidades de sequencia e ainda flush de copas. Não tenho nada, e ainda meu adversário aposta 960. Fui obrigado a largar. Tenho quase certeza que estou perdendo. �didigofera: Aqui, saio apostando em MP, o que acredito que demonstra força na mão que tenho. Fui pago pelo Edu. No flop desfavorável, resvolvo adotar a estratégia de um check/raise. Dou mesa e ele também. Aí me senti a vontade pra apostar forte no turn e, caso ele me voltasse, eu largaria. Mas ele pagou, e o coloquei em flush draw ou uma sequência, me pagando com QT ou até mesmo K T. Vendo que o river não me ajudou e, acredito que a ele também, segui minha linha de raciocinio resolvendo apostar forte novamente, para demonstrar um overpair ou até mesmo um top pair, fazendo com que ele abandonasse a mão até mesmo com um par mais baixo. Minha estratégia deu certo.

Mão 55

| Blinds: 50/100 Em middle position, Mavca abriu bet para 300 e Godoy, no botão, deu re-raise para 700. Mavca voltou insta all in, de 1.266 com AKs e Godoy pagou com AA. Nada veio no bordo que ajudasse Mavca, que foi eliminado na oitava posição. Godoy fica com um stack de 2.997 fichas e é o segundo maior na mesa. �MAVCA: Os blinds já apertavam e chegamos à fase de push or fold praticamente. Tenho 1.266 fichas com blinds em 50/100. Um raise me deixa comprometido com o pote, de modo que sei que não vou largar. Recebo AK e saio apostando já disposto a pagar uma eventual volta. Godoy responde com all in e ele mostra AA. Considero esta uma jogada padrão. Obrigado pelo convite e GG.

Mão 36

Kojak, King John K J

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�godoy18: Recebo AA no botão, e o Mavca aposta do meio da mesa. Conheço o seu estilo e sei que ele tem carta e que também, pelo seu stack, dificilmente irá foldar qualquer aumento. Dou um mini re-raise na esperança dele vir pra cima com KK ou QQ. Para minha alegria ele voltou e tinha AK. Sem surpresas no board e aumentei bem o meu stack.

Mão 59

| Blinds: 50/100 Godoy, do UTG, deu raise para 250 e Cofrinho, que estava ao seu lado, respondeu com um aumento de 610 fichas. Godoy, com AQo, pensou um pouco e voltou all in de quase 3K pra cima de Cofrinho, que pagou e mostrou JJ. No bordo não apareceu nada a favor de Godoy, que perdeu o coinflip e fica com 336 fichas. Cofrinho levou um pote de 5.472 e tornou-se o chipleader do torneio. �cofrinho120: Nesta mão, achei que estava ganhando e esperava, no máximo, um coinflip – que me interessava bem nesse momento, pois, se ganhasse, assumiria a liderança do SnG. Se quiser ir bem nesse tipo de torneio, é necessário – e bem comum, enfrentar alguns flips. E com par de Valetes, achei que o Godoy teria AQ ou AK. Acertei na leitura e meu par segurou. �godoy18: Com blinds maiores, aumento de AQ do UTG e, de novo, recebo um re-raise do Cofrinho. No range dele, dificilmente o colocaria com AA ou QQ, e as únicas mãos que estariam me dominando seriam KK ou AK. Como é o segundo 3-bet seguido e o terceiro em cima de mim, acho que possa ser um coinflip de um par menor que Dama e tenho chances que ele folde caso eu reaumentasse ele, já que tenho um pouco mais de fichas. Ele aumenta, volto all in e ele resolve pagar e mostra JJ. O par dele segurou e fiquei bem short. Agora só com a ajuda divina.

Mão 63

| Blinds: 60/120 Já short-stack, Edu foi all in de 505 fichas, com AKo do UTG. Somente Didigo pagou e mostro 22. O bordo vem Q533T e não ajuda Edu, que sai do torneio na sétima posição. Didigo leva um pote de 1.070. �edu_pokerholic: Para um iniciante que sou, foi um grande prazer jogar com profissionais e com os campeões estaduais. Nos primeiros níveis de blind até me arrisquei a bleflar e roubei alguns potes, me mantendo sempre um pouco acima da média. Depois, tomei uma pancada esperando por um draw. Esperei várias mãos até decidir dar all in. Esperei até demais! Fiquei short e arrisquei tudo com AKo, que foi pago por 22. Infelizmente, o par segurou e fui eliminado em sétimo lugar.

junho |

67


Sit-and-go Flop IX Mão 69

| Blinds: 60/120 Em ação pré-flop, João Bauer mandou all in, com 55, do small e Godoy, com 498 fichas no BB, pagou e mostrou Q8s. O bordo não mudou o jogo de ninguém e Bauer elimina Godoy na sexta posição e fica com um pote de 1.236 fichas. �joao_bauer: Tenho 55 no small, e o big está bem short. Eu sei que o range de call dele é grande, mas acho que o meu range tá frente na maioria das vezes. Vou all in e ele dá call com Q8. Meu par segura e ganho umas fichinhas a mais.

�godoy18 Short no BB e com somente uns quatro blinds para trás, recebo all in do Bauer no small e, como conheço um pouco seu estilo, sei que ele faz isso com qualquer mão. Não dá para esperar muito e pago com Dama high. Ainda arrumo um coinflip contra um 55, mas o board não ajudou e fim de jogo para mim. GG.

Mão 76

| Blinds: 60/120 Com a mesa 5-handed, todos foldaram até o small, onde se encontra PorcoEspinho, que mandou all in de 595 fichas e é pago pelo big, João Bauer. No showdown, Porco mostrou AQo e Bauer veio com K3. No bordo veio 4J3JK e João forma dois pares e elimina Porco Espinho na quinta colocação. �PorcoEspinho: Depois de passar um pouco de raiva, pois minha net caiu bem na hora em que tinha AK, resolvi que iria chumbar qualquer gap. E este é um dos meus preferidos: AQo. Mando all in e o Jack Bauer deu call – jogada, aliás, bem standard, considerando meu stack. O Jack mostro K3 e tava indo pra live cards. Pena que o baralho não me ajudou, ele fez dois pares e é adeus ao PorcoEspinho. Mas beleza, valeu galera da Flop pelo convite! O PorcoEspinho foi all in no small bem short. Como eu sou o big e não tem mais ninguém na mão, dou o call com qualquer carta e dependo do baralho. Esta é uma jogada bem regular de SnGs. Sei que ele, provavelmente, pode estar na frente – e estou certo, pois ele tem AQ. O baralho fica do meu lado e faço dois pares no bordo.

�joao_bauer:

Mãos 85

| Blinds: 80/160 Do UTG+1, Mojave vai all in pré-flop de mais de 2K e recebe call de João Bauer. No showdown, Felipe mostra A5o

68 | junho

e Bauer KQs. O flop não mudou as coisas, mas no turn veio um Q e nada apareceu no river para salvar Mojave de cair na quarta colocação no sit. João levou mais de 4.5K em fichas e é o chipleader no momento. �FELIPE_MOJAVE: Estou no botão e tenho A5o. Meu stack é de 2.200 e os blinds vão para 100/200 daqui a pouco. Resolvi abrir all in direto para roubar os blinds, pois acreditava que essa seria a jogada mais indicada nesse momento. Se abro raise e tomo volta, fica difícil de ter uma leitura, já que os blinds estão altos e quaisquer figuras valem muito. Tomei call do João Bauer com KQo. Enfim, estava na frente, mas essas situações só vão fazer diferença a meu favor num longo prazo. Acabei perdendo a mão nessa situação, o que é normal. Talvez, pelo fato de começar a ter me mexido mais nos blinds altos, tenha feito o João dar esse call. Eu foldaria, pois era uma situação de bolha e o stack dele era muito parecido com o meu, fora que seriam poucas as situações em que ele estaria na frente com KQo contra o meu range de push. Jogar um coinflip nessa hora não acho interessante. O Mojave puxou quase 14 BBs do botão durante o SnG. Sei que seu range de push é muito grande. Tenho KQ no big e dou o call porque sei que ele pode estar com KJ, JT, QJ, qualquer par ou Ax. Pela possibilidade dele entrar em push com mãos que eu estou dominando aqui, então vejo que o call é uma boa jogada. Como esperava, ele mostrou A5, mas bateu minha Dama e fiquei gigante. �joao_bauer:

Mãos 97

| Blinds: 100/200 Com a mesa 3-handed, Didigo, short-stack, foi all in com KJo e tomou call de Cofrinho, que mostrou AKo. Um K apareceu logo no flop e nada mais veio para ajudar Didigo, que terminou ITM na terceira colocação. �didigofera: Aqui levei um golpe das cartas (lol). Tudo que eu queria era cartas altas no board e como não vieram, me encontro numa situação completamente dominada. Fim de torneio e parabéns aos finalistas, pois mereceram. �cofrinho120: Recebi AK e achei que, no máximo, encontraria um coinflip, mas poderia já estar ganhando a mão – que foi o caso, pois normalmente quando um oponente entra direto de all in, tem grandes chances dele estar com um mão dominada por AK.

Heads-up

Agora chegamos em heads-up entre Cofrinho120, com 6.778 fichas e João Bauer, com 6.722. Os blinds estão 100/200 e os competidores completam quase uma hora de jogo. O HU durou 30 mãos e teve quase dez minutos de duração.

Katie K T

Mão 107

Mão final

| Blinds: 100/200 Cofrinho, no small, abriu raise pré-flop de 550 e Bauer dá insta re-raise de 1.800 fichas. Cofrinho pede tempo, pensa durante alguns segundos e resolve largar a mão.

�joao bauer: Comecei o HU dando muitos mini-raises no dealer e nesse sit, quase não joguei fora de posição; estava bem seguro. Como o Cofrinho tá jogando meio solto, agora resolvo dar um re-raise, logicamente, em posição e, como esperava, ele foldou.

Mão 115

| Blinds: 120/240 Bauer, no botão, abre bet de 480 fichas e recebe call de Cofrinho. O flop vem 529 e ambos batem mesa. No turn aparece um 8 e Cofrinho sai apostando 960 e João paga. No river vem um 3, os dois dão check e vão para o showdown. Cofrinho mostra J9s e vence com um par de 9. Bauer mucka a mão.

�joao bauer: Dou raise no botão com A T, e ele dá call. O flop

não ajudou muito, então ele dá check e eu resolvo ir atrás No turn bate um 8 e ele sai betando. Eu dou o call, pois acho que ele está blefando e minha mão tá na frente. No river ele também dá check e com Às high preferi não arriscar mais fichas e dar mesa também. Ele mostro J9 e levou a mão.

Bauer paga e mostra A6o. No bordo ainda formou uma trinca de 5, mas nada apareceu para salvar Cofrinho da eliminação e Bauer, com Às high, venceu a nona edição do Sit-and-Go da Flop. �cofrinho120: Não tinha muito o que fazer. Tava short e os blinds altos. Não dá pra esperar chegar carta pra me movimentar. Então, eu estava a procura de live cards para tentar dobrar minhas fichas e entrar na briga. Infelizmente a mão favorita dele segurou.

� João Bauer: Ele sai de all in e tenho A6. Até aqui, acho que meu range está na frente e resolvo dar call. Ele apresenta Q8 e estou na vantagem. A mão segu-rou e venci o SnG desta edição. Valeu pelo convite, pessoal da Flop. Um abraço. �

�cofrinho120: Entrei na mão porque ele deu um mini-raise, jogada que particularmente eu não gosto. Após o flop, acertei o 9 e acreditei que tinha a melhor mão e não abandonei mais a jogada. Me dei bem e puxei um belo pote.

Mão 128

| Blinds: 120/240 No small, Cofrinho aumentou para 610 e João deu call. O flop virou J4T rainbow e Cofrinho fez outro raise, no valor do pote e Bauer vai all in com 3.672 fichas. Cofrinho pensa um pouco e paga. Bauer mostra JT (dois pares) e Cofrinho KQs. Um 8 bate no turn e uma Q no river. Bauer vence a mão, leva 8.500 fichas e é o chipleader agora

�joao bauer: O cofrinho dá raise em todas as mãos. Paguei com JT e me dei bem no flop. Ele sai betando e repondo com all in. Ele paga e dobramos bonito. �cofrinho120:  Infelizmente esta foi a jogada em que perdi o torneio. Acreditei que tinha grandes chances, pois estava contando com o baralho também. Errei na leitura, pois só me servia as duas pontas, que infelizmente não bateram.

Mão final

| Blinds: 120/240 Cofrinho, com menos fichas, vai all in pré-flop com Q8s.

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Classificação

Decido pagar o all in do Edu porque ele tá bem short e tenho pot odds. Sei que vou pegar um coinflip. Meu par de 2 segurou e consegui eliminá-lo do torneio. �didigofera:

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joao bauer 2º cofrinho120 3º didigofera 4º FELIPE_MOJAVE 5º Porcoespinho 6º godoy18 7º edu_pokerholic 8º MAVCA 9º VOVO_LEO junho |

69


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CONHECIMENTO EM ALTO NÍVEL


BSOP – Curitiba

!

Quebrando

recordes

C

uritiba mais uma vez confirmou uma tradição histórica. A cidade, reconhecida como um dos maiores celeiros do poker nacional, vem, a cada a ano, se destacando por um fato que já se tornou recorrente no Campeonato Brasileiro de Poker: a quebra de recordes de público. Foi assim em 2008, 2009, e, agora com um novo recorde, em 2010. A última passagem da maior série de torneios de poker do País pela capital do estado do Paraná quebrou uma nova marca. Se a primeira etapa do ano, disputada em São Paulo, impressionou com os 788 jogadores inscritos, pouca gente acreditava que esse número seria novamente superado, e em tão pouco tempo. Porém, apenas três etapas após o recorde estabelecido na capital paulista, Curitiba voltou a escrever seu nome na história do BSOP com 794 jogadores no feltro, batendo o recorde de inscritos no campeonato e, por consequência, de toda a América Latina.

Dia 1A

Os 391 jogadores que estiveram presentes no dia 1A já indicavam que as marcas estabelecidas na primeira etapa do ano seriam superadas. O main event da quarta etapa da temporada 2010 da Brazilian Series Of Poker (BSOP) começou nessa sexta-feira, no espaço de eventos Villa Batel, com o Presidente da CBTH – Confederação Brasileira de Texas Hold’em, Igor Federal, dando uma boa notícia para os jogadores presentes. Para garantir a realização do evento sem maiores problemas, a CBTH conseguiu uma vasta documentação. Entre eles, os alvarás emitidos pela Prefeitura Municipal de Curitiba e pelo 3º Distrito Policial da capital, mais uma decisão judicial do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, um documento em especial chamou a atenção dos presentes. Um parecer, do ex-Ministro da Justiça Miguel Reale Junior, que atestou a legalidade da prática do poker

72 | junho

em todo o território nacional (você poderá saber mais sobre esse documento em nosso especial sobre a legalidade do poker, nesta edição). Além da imensa quantidade de jogadores, a qualidade do field também não ficou para trás, com grandes estrelas do poker brasileiro comparecendo em peso para prestigiar o evento. Mestrefilipe, Vinícius Teles, João Mathias e o paulista Marco Aurélio Salsicha, foram quatro jogadores que atualmente figuram entre os top ten do ranking brasileiro de 2010 e estiveram na disputa do dia 1A.

Dia 1B

O Dia 1B começou às 15 horas do sábado, dia 15 de maio, com mais 403 competidores na disputa. O que totalizou o field em 794 jogadores, superando o recorde anterior da 1ª etapa da temporada 2010, que foi disputada na capital paulista. Desta forma, a etapa de Curitiba da BSOP 2010 tornou-se o maior torneio da história do poker na América Latina. Canine, Mongrel, Vira-Lata K 9

O número recorde de participantes garantiu também ao campeão da etapa a maior pontuação do ano no ranking. Assim como no Dia 1A, 13 níveis de blinds foram disputados. Entre as feras no field, estavam os campeões das três primeiras etapas do ano: Pedro Todorovic, João Paraná e Leonardo Gracia. Os três conseguiram avançar para o Dia 2 e seguem firmes na briga pelo ranking. O atual campeão brasileiro, o curitibano Marco Marcon, também jogou noDia 1B, porém acabou eliminado pouco antes do encerramento do dia. Além do atual campeão brasileiro, foram eliminados mais de 300 jogadores, que terminou com 95 participantes ainda com fichas.  www.revistaflop.com.br

junho |

73


BSOP – Curitiba Dia 2

Dos 794 inscritos para a etapa, apenas 173 começaram a disputa do Dia 2, penúltimo dia do torneio. Cerca de quatro horas após o início do torneio, para alegria da torcida local, quem liderava a corrida era um curitibano, o jogador Rafael Pinheiro, que tinha um monstruoso stack de aproximadamente 800.000 fichas, fazendo bonito na mesa da TV.

BOLHA

A essa altura o torneio, já se aproximava da bolha da premiação. Quem acabou ficando na ingrata posição foi a jogadora Manoela Arantes, que perdeu um all in pré-flop de AQ contra AK.

A

partir daí, já garantidos na premiação, os jogadores passaram, então, a buscar o próximo objetivo: garantir seus nomes entre os finalistas e, logo após o estouro da bolha, a liderança trocou novamente de mãos. Neste momento, o novo chip leader era o jogador Ueltom Lima, com cerca de 815.000 fichas. Ueltom não segurou muito tempo a liderança da disputa, pois viu Rafael Pinheiro reassumir a liderança, ultrapassando a marca de 1.000.000 em fichas. Por volta das cinco horas da madrugada da segunda-feira, a organização, chefiada pelo competente EltonCz, decidiu encerrar o torneio. O último eliminado do dia foi o jogador Carlos Lauton, na 14ª posição. Mauro Maurício fechou o dia na liderança da disputa, restando ainda 13 jogadores na briga e apenas quatro eliminações para a formação da mesa final.

Dia 3

O último dia da quarta etapa da BSOP, começou por volta das 18 horas, com 13 nomes na briga e os blinds valendo 30.000/60.000 ante 5K. A primeira eliminação do dia aconteceu logo no início da disputa, com Marcelo Paraguai eliminando o jogador Ueltom na 13º colocação. Em seguida, Guilherme Moura eliminou dois jogadores: Rodrigo Kubitza (12ª posição) e Beto Ferraz (11º lugar). A mesa final foi definida quando Alberto Delgado, no UTG, foi all in, com A9 nas mãos e, Helson Kupazak, no big blind, deu call com Q9. Logo no flop, uma Dama foi aberta, dando o top pair para Helson, que ficou à frente até o river. Após a eliminação de Alberto Delgado, em 10º lugar, a mesa final foi formada assim:

1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 74 | junho

Mauro Maurício Paulo Amaral Helson Kupczak Edmond Fatuch Guilherme Moura Marco MChacal Marcelo Paraguai William Nagaki Beto Juju

SC SP PR PR SP SP PY PR MG

Eventos Paralelos

Final Table

A disputa na mesa final começou quente, e o primeiro jogador a deixar a disputa foi Paulo Amaral, eliminado pelo conhecido jogador Marco Antônio, o “M.Chacal”. Já próximo da meia-noite, Beto Juju, Marcelo Paraguai e William Nagaki se envolveram em uma mão que acabou tirando dois jogadores da disputa. Beto Juju acabou com a oitava posição e William Nagaki na sétima e Edmond Fatuch na sexta colocação. Helson Kupczak continuou firme em sua caminhada rumo ao título, após eliminar Guilherme Moura na quinta posição e assumir a liderança da disputa. O próximo a cair foi Mauro Maurício, um dos grandes destaques da etapa de Curitiba que, após terminar como chip leader do dia 1A e do Dia 2, acabou eliminado na quarta posição. Marco Antônio encerrou sua participação em Curitiba conquistando a terceira posição, com o seu terceiro troféu nesta temporada do BSOP. O primeiro veio após ficar em segundo lugar no evento de Omaha do RJ e, depois, conseguiu terminar em primeiro lugar no evento Second Chance, também disputado na cidade do Rio de Janeiro.

Second Chance

Buy-in: R$600 Field: 141 jog Prizepool: R$ 84.600 ITM: 15 1º Célio Santos 2º Caio Jorge 3º Alexandre Haerter

High Rollers Event

Heads-Up

O heads-up entre Marcelo e Helson foi bem disputado e, após os dois jogadores puxarem alternadamente alguns potes sem showdown, finalmente aconteceu a mão que praticamente decidiu o torneio: Helson, no small, com KT, aumentou para 1.150.000 e Marcelo, com TT , foi all in. Helson, que tinha menos fichas, pagou. Após um flop com K23, Helson ficou à frente, mas Marcelo arrumou um flush draw. O K no turn melhorou a mão de Helson. E o river trouxe um 2, dando o pote para Helson, que dobrou seu stack e ficou com uma boa vantagem sobre Marcelo. A mão derradeira veio pouco tempo depois, quando os dois jogadores foram all in pré-flop. Helson, com AJ, estava na frente de Marcelo, que tinha JT. O bordo, com cartas baixas, não ajudou ninguém e Helson Kupczak sagrou-se campeão do maior torneio da história do poker da América Latina.

A próxima etapa da BSOP 2010 será disputada entre os dias 17 e 21 de junho, no Rio Quente Resorts, no Estado de Goiás. Não perca a chance de jogar na maior série de torneios de poker do país. Garanta sua vaga nos satélites exclusivos do Full Tilt Poker. Até a próxima! 

Buy-in: R$3.400 Field: 21 jog Prizepool: R$63.000 ITM: 5 1º Renan Ribas 2º Mauro Nomura 3º Fernando Zelão

Omaha

Buy-in: R$600 Field: 75 jog Prizepool: R$ 45.000 ITM: 8 1º Celso Fiúza 2º Guilherme Cunha 3º Andrey Lamego

O grande campão do BSOP Curitiba Helson Kupczak

3.640.000 2.375.000 2.185.000 1.740.000 1.475.000 1.175.000 940.000 705.000 640.000

Last Chance

Buy-in: R$350 Field: 57 jog Prizepool: R$ 19.100 ITM: 9 1º Pedro Luis Correia 2º Eduardo Borges 3º Nelder Carvalho Kokomo K 8

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junho |

75


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Rankings

CPH

terceira etapa da Brazilian Series of Poker (BSOP) foi disputada no belíssimo resort Costão do Santinho, em Florianópolis, SC. O primeiro dia contou com 270 jogadores. Com muitos nomes importantes na briga, como Felipe Mojave, Marcos XT, Christian Kruel, João Mathias, Marco Salsicha, Bruno Foster, e os jogadores do 4bet Team Bruno GT, Caio Brites, Will Arruda e Vitor Brasil. Mas entre todas essas feras, uma figura se destacou. Não só por seu jogo, mas também por sua, digamos, aparência. O conhecido jogador André “Dexx”, perdeu uma aposta com seus amigos e foi obrigado a jogar vestido de palhaço, mostrando espírito esportivo e, por que não dizer, trazendo um pouco mais de alegria para o salão. O Dia 1B desta etapa contou com mais 265 jogadores que fizeram sua estreia no torneio principal (NL Holdem R$1.200), perfazendo, com os 270 jogadores que jogaram o Dia 1A, um field total de 535 jogadores. O Dia 1B terminou com 69 jogadores classificados para o Dia 2, que foi disputado a partir das 15 horas do domingo, com 137 jogadores buscando um lugar na zona de premiação e, principalmente, garantir seus nomes entre os nove finalistas da etapa. Entre as feras presentes no segundo dia, estavam Diego Nakama, Marcio Kamikaze, Claudio Baptista, Leandro Brasa, Vinicius Teles, Cristiano Akasa, Edu Sequela e Pascal Perrault. A forte equipe do fórum 4bet foi representada por Fabiano Kovalski, Vinícius Marques, Stetson Fraiha, Marcos Sketch, Rodrigo Giosa e Larissa Metran. O atual campeão brasileiro, vencedor da temporada 2009, Marco Marcon, também estava presente. No domingo, 135 jogadores classificados nos dois primeiros dias retomaram seus lugares para tentar chegar à mesa final. A primeira eliminação do dia veio rápido, com o experiente Rafael Caiaffa. Com apenas 54 jogadores no field, a briga agora era por um lugar na mesa final. Entre os primeiros eliminados na zona de premiação estavam Caroline, Victor Sbrissa, Marcos Canton, Aldo e Fabiano Estorino. Na reta final do Dia 2, caíram muitos nomes conhecidos como o atual campeão brasileiro, Marco Marcon (26º), China (20º), Caio Brites (19º), Tito Feltrin (18º), José Myashiro (13º), Gustav Langner (12º) e Ricardo Ferreira (11º). Na última mão do dia, o português Nuno Cabral eliminou Leo Todasso em 10º lugar, e os nove finalistas foram Fabiano Kovalski, Eduardo Godoy, Evanoé Francio, Leo Gracia, Leandro Amarula, Fabiano Lemos, Nuno Cabral, Daniel Baraad (que fez sua segunda mesa final seguida na temporada) e Sandro Socas. A finalíssima começou por volta das sete horas da noite e, cerca de uma hora e meia depois, aconteceu a primeira

by

baixa do dia. Fabiano Lemos acabou eliminado pelo carioca Daniel Baraad e deixou o torneio em nono lugar. O próximo a se despedir do torneio foi Leandro Amarula que deixou a disputa na oitava posição, seguido por Fabiano Kovalski, que começou a disputa como chip leader do dia e terminou na sétima colocação. O próximo eliminado foi o português Nuno Cabral e, em quinto lugar, ficou Daniel Baraad, eliminado por Eduardo Godoy, que foi o próximo a deixar o torneio, na quarta posição e Leo Gracia começou a se aproximar da vitória ao eliminar Evanoé na terceira colocação. O heads-up começou com Leonardo com 7.240.000 fichas, contra 3.465.000 de Sandro Socas. E não demorou muito para que o torneio fosse definido. Na mão derradeira, Leonardo, no small blind com 66, deu raise para 405K e Sandro, com AK, fez tudo 1.405.000. Leonardo pensou um pouco e anunciou all in. Sandro deu o call. Leonardo venceu o coinflip, acertando um full house no bordo e sagrando-se campeão da etapa de Florianópolis do BSOP.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Pedro Todorovic Helson Kupczak João “Paraná” Daniel Baraad Leo Gracia Mauro Maurício Marcelo Filartiga Alexandre Nudelman Marco Antônio Cheida Sandro Socas Maurício Motta Pedro Lopes Ferreira Marco Tulio Evanoe Francisco Stetson Fraiha

1.724 pts 1.660 pts 1.520 pts 1.236 pts 1.206 pts 1.071 pts 1.070 pts 1.060 pts 778 pts 743 pts 740 pts 660 pts 567 pts 525 pts 425 pts

6 a ETAPA – Rio de Janeiro (RJ) de 22/07 a 26/07 7 a ETAPA – Porto Alegre (RS) de 12/08 a 17/08

Circuito Paulista 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Bruno Kim Victor Talamini Rodrigo Kubitza Raphael Miziara Rodrigo Bueno Rodrigo Garrido Lucas Jikal João Elis Andrade Marcos “Franja” Sanchez Paulo Augusto de Araújo Antônio Marcos Ignácio Gustavo Ferreira Renato Almeida Tom Azevedo Roberto Lifschitz

484 pts 351 pts 350 pts 320 pts 225 pts 221 pts 205 pts 200 pts 193 pts 160 pts 147 pts 126 pts 125 pts 120 pts 115 pts

Jack Daniel’s J 7

A 3ª etapa do CPH atraiu um total de 239 jogadores, que estiveram presentes no H2 Club para disputar um dos mais tradicionais circuito de poker do País. Ao todo foram feitas 30 recompras, gerando uma premiação acima dos R$140 mil. Apesar de oficialmente a faixa de premiação contemplar apenas os 27 primeiros colocados, quando estavam 29 jogadores, um acordo garantiu todos dentro da faixa de premiação. Sendo assim, Andre Virdes, que caiu na 30ª posição, foi o último a sair do torneio de mãos abanando. Após várias eliminações, a mesa final da terceira etapa do Campeo-nato Paulista de Texas Hold’em contou com os jogadores João Dermejian, Marcos IG, Maverick, Lucas Jikal, Raphael Miziara, Andrei “Porco Espinho”, Roberto Lifas, Leo Bello e Cesar Abad. Na mesa final, a batalha decisiva começou quente, até que finalmente conhecemos os três melhores colocados na tapa: Marcos IG (3º), Lucas Jikal (2º) e Raphael Miziara (campeão).

A

quarta etapa do Circuito Paulista, disputada entre os dias 21 e 23 de maio, trouxe muitas novidades. A principal delas foi a introdução de dois dias iniciais ao torneio, fazendo com que este comporte um número maior de participantes. Outra novidade foi a inclusão de alguns novos níveis de blinds, o que resultou em um torneio mais técnico e disputado. O Dia 1A, disputado na sexta-feira, contou com 128 competidores no field, sendo que apenas 17 deles conseguiram sua classificação para o dia final que seria disputado no domingo. No dia seguinte, um field um pouco maior foi formado, com 138 jogadores estreando no torneio, totalizando 266 jogadores participantes nesta etapa da temporada 2010. Após 18 níveis de blinds jogados mais 24 competidores avançaram para o dia decisivo. No domingo, quando o diretor EltonCz autorizou o reinício do torneio, os 41 classificados já estavam perto da zona de premiação, que começava na 27ª posição. O jogador Luiz Paulin foi o bolha da mesa final, que foi formada por Rodrigo Bueno, Victor Talamini, Bruno Kim, Leandro Ruy, Gustavo Ferreira, Ricardo Fracari, Paulo Blank, Janko Bacevic e Patricia Kim. Os três melhores jogadores da quarta etapa do Paulista foram: Bruno Kim (3º), Rodrigo Bueno(2º) e Victor Talamini (campeão). A próxima etapa do circuito será disputada entre os dias 25 e 27 de junho. 3ª Etapa Lucas Jikal (2º), Raphael Miziara (campeão) e Marcos IG (3º)

5 a ETAPA – 25/06 a 27/06 6 a ETAPA – 16/07 a 18/07 Local: H2 Club – São Paulo (SP) Atualizado em 02/06/2010

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Etapas: Abril e Maio

Os finalistas da terceira etapa e na foto abaixo está o campeão Leo Gracia

DATAS

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3ª Etapa – Florianólis

DATAS

by

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Rodrigo Bueno (2º), Victor Talamini (campeão) e Bruno Kim (3º) 4ª Etapa junho |

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Seleção Brasileira e Humberto Kim, o “Kima”, passariam a primeira experiência torcendo de longe, devido a compromissos pessoais na data do evento. Antes do início do evento inaugural que aconteceu dia 19 de maio, no Golden Nugget, em Las Vegas, Juliano Maesano nos disse que o objetivo da equipe brasileira era passar pelo menos um jogador para a mesa final, o que já seria considerada uma conquista valiosa devido à força e à experiência dos oponentes na disputa. Após uma verdadeira maratona de cerca de 20 horas, o Brasil não só atingiu esse objetivo como foi mais longe: numa conquista histórica, a equipe brasileira conseguiu o vice-campeonato mundial.

O

torneio foi realizado em um formato shootout, no salão The Grand, com oito equipes participantes: Estados Unidos, China, Vietnã, Israel, Inglaterra, Austrália, Grécia e Brasil. Cada uma das oito equipes trouxe de cinco a dez jogadores, e cada seleção iniciou com um jogador em cada uma das cinco mesas simultâneas do evento, com a obrigatoriedade de que os capitães jogassem na mesa principal da TV os primeiros três níveis de blinds: Fixed Limit Hold’em, Pot Limit Omaha e No Limit Hold’em. Assim, a mesa principal abriu o torneio com os seguintes jogadores, começando pelo assento 1: Johnny Chan, Ben Roberts, Juliano Maesano, Doyle Brunson, Eli Elezra, Men Nguyen, Jeff Lisandro e George Theofanopoulos. Nossos outros quatro representantes também não tiveram vida fácil: Brasa enfrentou os irmãos Mizrachi e Tony G, CK apertou Phil Hellmuth e David Benyamine, Mojave aplicou seus moves em Erik Seidel e Mike Matusow, e Zidane jogou ao lado de Howard Lederer e David Chiu. Como era uma disputa diferente, os capitães poderiam trocar os jogadores entre as cinco mesas ou substituir por reservas e jogadores já eliminados. A tática brasileira era fazer uso dos nossos melhores jogadores em cada modalidade de suas especialidades, apesar de que todos os cinco dominam bem as modalidades jogadas. Foto: Michael King

á cerca de um ano, durante a World Series of Poker de 2009, foi apresentada a WTP – World Team Poker. Finalmente seria criada uma liga de poker que traria às mesas os conceitos de seleções nacionais, um apelo muito forte para que o poker seja encarado como uma forma de competição semelhante aos demais esportes coletivos. Na época, a WTP trazia nomes de peso para o projeto, como Phil Hellmuth, Men “the Master” Nguyen e Johnny Chan, os respectivos capitães das equipes dos Estados Unidos, Vietnã e China. Alguns meses depois, devido a seu conhecimento dos melhores jogadores do País e também por sua influência nos meios de comunicação e na mídia do poker em geral, nosso Editor-Chefe, Juliano Maesano, foi convidado para ser o capitão do time brasileiro. “Fiquei muito feliz em saber que a WTP se interessava em ter um time do Brasil em seu quadro, e, ao ser convidado para comandar o time, passei a fazer um intenso trabalho de mostrar a eles que nós teríamos total condição de participar do seleto evento inaugural, fosse pelo nosso nível de jogo e também pelo grande apelo e público cativo do poker no Brasil”, conta Maesano. Com o tempo, o time foi se formando. Maesano foi convidando os principais jogadores brasileiros, tendo que pesar a disponibilidade de tempo e financeira de cada um dos possíveis membros da equipe. Segundo ele, também era muito importante que os escolhidos fossem jogadores habituais de outras modalidades que não só o Texas Hold’em, já que a competição traria níveis de blinds com jogos mistos. O capitão cessou a busca quando fechou sete integrantes no time, todos nomes de peso e experiência internacional. Dos sete membros, apenas cinco tinham a data livre para ir ao evento inaugural – Leandro “Brasa” Pimentel, Christian Kruel, Rodrigo “Zidane” Caprioli, Felipe “Mojave” Ramos e o próprio Maesano. Raul Oliveira

Fichas no Pano

A primeira equipe a perder todos seus representantes no torneio foi a de Israel, que ficou com a oitava posição. Os israelenses trouxeram um time muito forte, mas que não conseguiu evoluir, com Michael e Robert Mizrachi, Eli Elezra, David Benyamine, Abe Mosseri e David Levi. Logo em seguida foi a vez dos ingleses deixarem o torneio. O time do capitão Ben Roberts tinha nomes experientes como Joe Beevers e “DevilFish”, mas não conseguiu classificar nenhum representante nas cinco mesas. 78 | junho

Motown J 5

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Seleção Brasileira

seat 2 australia 34.650 fch

seat 1 brasil 43.350 fch seat 4 grécia 101.800 fch

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seat 4 Vietnã 75.650 fch

seat 3 china 142.550 fch

erguntado se tinham condições de chegar à final, Kruel declarou: “Eu tinha certeza que faríamos a final, pelo formato apresentado de shootout e também nossa experiência em SnGs. Achava que seria muito improvável não colocarmos, em cinco mesas, alguém entre os dois finalistas de cada mesa para chegarmos à final.” Christian Kruel (BRA), Jeff Lisandro (AUS), Maria Ho (CHI), Karina Jett (VTN) e George Theofanopoulos (GRE) foram os escolhidos para o início da disputa. A primeira equipe a deixar a disputa foi a vietnamita – outra considerada favorita antes do início do torneio –, que terminou em quinto lugar, em grande parte por perder muitas fichas no nível de PL Omaha, quando Leandro “Brasa” entrou de all in contra Kiddo Phan e viu seu KKT2 vencer o AAxx do time de preto. Logo depois, foi a vez dos australianos se despedirem da briga, ficando com a quarta colocação. Aliás, a Austrália mostrou uma excelente recuperação na disputa, pois logo nas preliminares rodadas eles já tinham sido eliminados de quatro das cinco mesas e viraram até motivo de piada por parte dos outros jogadores. Mesmo assim, os capitães Tony G e Lisandro seguraram a onda e conseguiram se classificar em segundo lugar na Mesa 3, perdendo para Leandro “Brasa”, que também trouxe a única classificação

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brasileira em primeiro lugar. Nesse momento, quem liderava era a equipe grega, com 175.000 fichas. O Brasil já havia crescido e vinha na segunda posição com 160.000 fichas. A China encontrava-se short-stack, com 65.000 mil fichas.

Fotos: Daniel Ecoff

A seguir, foi eliminada a grande favorita, a equipe norte-americana. Com uma verdadeira seleção, chamado de Dream Team nas coletivas de imprensa, os capitães Phil Hellmuth e Doyle Brunson chegaram a dizer que para eles só interessava o primeiro lugar, e que eles eram real-mente os maiores favoritos. O time, que contava com Hellmuth, Brunson, Chris Ferguson, Howard Lederer, Mike Matusow, Jennifer Harman e Erik Seidel, foi o último país eliminado sem conquistar nenhuma das duas posições finais de cada mesa. A final table começou com a equipe chinesa na liderança e o Brasil em uma situação complicada:

A

Mostramos para todos que nosso poker é forte, não só pelo resultado, mas pela nossa postura e qualidade

pós algum tempo de jogo, a situação havia mudado. A liderança agora estava na mão dos brasileiros, com a China logo atrás e os gregos com menos fichas, devido principalmente a uma mão de Limit Hold’em em que a Grécia poderia ter eliminado os chineses com AQ x A6 em um board que tinha um A no flop, mas trouxe um 6 no river. E, então, em uma mão emocionante, o Brasil, já com Brasa de volta à mesa, tirou os gregos da disputa. Os adversários moveram todas suas fichas para o centro da mesa, com 99 e Brasa deu call, com TT. Após o showdown, nossa equipe começou uma tímida e contida comemoração, por ainda não ter nada garantido, mas a apreensão voltou com o flop, que trouxe três cartas de paus. Porém, o susto passou quando duas cartas vermelhas foram viradas no turn e no river e os gregos se despediram em terceiro lugar, na bolha da premiação. O Brasil se garantiu In The Money, com pelo menos $100 mil – o prêmio do vice-campeão.

Heads up

No heads-up os chineses foram representados pelos seus dois capitães, Johnny Chan e David Chiu, que se alternaram entre os jogos Hold’em e o PL Omaha. O Brasil tinha cerca de 2/3 das fichas em disputa e Brasa dominou completamente Chan na primeira parte do heads-up, que foi disputado na modalidade NL Hold’em. Mas, na troca para a modalidade PL Omaha, a China trocou Chan por David Chiu e, apesar de Brasa continuar dominando a disputa, uma mão dolorosa – que poderia ter sido a derradeira – recolocou os chineses na disputa. Após o raise brasileiro pré-flop, Chiu deu um re-raise e Brasa pagou. O flop trouxe 484 e o chinês visivelmente não gostou do que viu. Porém, com 3/4 de seu stack envolvidos no pote, após uma conferência entre a equipe chinesa, eles resolveram colocar todas as suas fichas restantes no centro da mesa. Com 6789 nas mãos, o Brasil deu call e viu a China abrir A239. O Brasil estava na frente, e a equipe já estava pronta para comemorar o título, mas um A no turn deu a vantagem para os chineses, que passaram a frente após um inofensivo 3 bater no river. “A jogada inteira foi duvidosa, para não dizer horrível. O bet dele pré-flop é ruim e o call no re-raise é péssimo. No flop, ele tinha um pote de cerca de 400K para disputar, sendo o fold, portanto, irreal. Pena que as cartas não estiveram do nosso lado neste lance, mesmo após tanta decisão ruim do lado chinês”, declarou Brasa. Depois dessa mão, o jogo seguiu duríssimo durante mais algumas horas, levando todos aos seus limites de resistência www.revistaflop.com.br

física e mental. As duas seleções se alternaram na liderança diversas vezes, até que, com a China liderando e os blinds já muito altos, aconteceu a mão que decidiu o campeonato, também na modalidade PL Omaha. Leandro Brasa, com 567T, e David Chiu, com K974, colocaram todas suas fichas no pano, após um flop com 946. Com dois pares, os chineses estavam na frente, mas o Brasil tinha um straigh draw. Porém, o J no turn e o 2 no river sacramentaram a vitória dos chineses e o vice-campeonato do Brasil. Após o fim do torneio, todos da equipe chinesa cumprimentaram e elogiaram muito o jogo dos brasileiros, principalmente de Brasa que, segundo David Chiu, foi um dos adversários mais duros que ele já havia enfrentado. Parabéns a todos os brasileiros que Mojave representaram muito bem nosso País no torneio e à grande torcida que acompanhou o streaming ao vivo da competição. Segundo Mojave, a importância desse resultado é enorme para o Brasil. “Mostramos para todos que nosso poker é forte, não só pelo resultado, mas pela nossa postura e qualidade, o que prova que somos capazes de aprender rápido e disputar num nível de igual para igual contra grandes nomes que jogam poker há mais de 50 anos.”

Futuro

O canal FoxSports, nos Estados Unidos, irá transmitir os programas do evento inaugural do WTP, a partir de agosto. O nosso capitão Juliano Maesano declarou que está em negociação com algumas emissoras de TV brasileiras para também poder veicular estes programas aqui no Brasil. “Quando isso ocorrer, certamente será amplamente divulgado”, disse Maesano. O Main Event do WTP deve ser realizado no meio de setembro, possivelmente em Las Vegas, com 32 equipes. Tudo indica que o time brasileiro irá se repetir e trará os reforços de Kima e Raul Oliveira, que já faziam parte do time mas não puderam ir. Ainda há espaço para novos nomes, mas tudo dependerá do formato e modalidades que serão divulgadas em breve, pela WTP. Perguntado se o time iria sofrer mudanças, o jogador Rodrigo Caprioli brincou: “Esse tipo de informação é com o capitão. Eu sou só um subordinado!” Outra boa notícia é que tudo indica que haverá uma etapa no Brasil, possivelmente entre janeiro e fevereiro de 2011. Segundo Maesano, “em 2011 a WTP ampliará e criará divisões: América, Europa, Mediterrânea e Pacífica. Há grande chance da etapa de abertura da Divisão América ser no Brasil. As primeiras opções seriam os locais mais turísticos, como Rio de Janeiro, Nordeste ou até mesmo em Manaus, pela proximidade maior com os países da América Central e do Norte”.  junho |

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cavalagem

Investimento

A onda da

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ara se tornar um grande profissional em qualquer área do esporte, é necessário ter mais que habilidade, força de vontade e conhecimento. É preciso saber investir. E no poker não poderia ser diferente. Atualmente, o número de jogadores que surge vendendo cotas para jogar torneios, tanto online quanto live, aumentou bastante. Quase todos os dias, jogadores postam em sites, fóruns e blogs pessoais, tópicos sobre suas cavalagens – também conhecida como staking. Só para explicar: no meio do poker, o ato de você comprar ou vender cotas para jogar torneios é chamado de cavalagem. E essa prática é, sim, uma importante ferramenta para o meio; tanto para o jogador, quanto para quem patrocina. No que diz respeito ao investidor, o staking pode ser uma forma de investimento extremamente rentável, pois é uma maneira de movimentar o dinheiro que muitas vezes está parado em seu bankroll. Porém, assim como em qualquer tipo de negócio, é necessário ter o conhecimento básico de como funciona o meio no qual se está investindo, para aproveitar melhor as oportunidades. Se compararmos os riscos, a cavalagem se assemelha à Bolsa de Valores. Existem diversos perfis de investidores, desde os mais aventureiros até os mais seguros, e é necessário saber investir nos jogadores certos e nas quantias certas, tudo para fazer o seu dinheiro girar. Para isso, pesquise sobre o jogador

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que pretende investir. Para amenizar prejuízos e também incentivar a cavalagem, muitos jogadores estão utilizando o que chamam de Make Up, ou seja, o jogador “patrocinado” devolve o capital investido antes de dividir os lucros proporcionalmente.

A

ntes de sair por aí cavalando jogadores, preste atenção nos detalhes, procure se informar, para fazer uma comparação entre os investimentos e os níveis do jogadores. Fique atento também aos valores acertados, número de cotas, porcentagem do lucro, os tipos e a quantidade de torneios e o prazo para retorno do investimento. Isso traz segurança e deixa as coisas mais transparentes. Um dos ítens mais importantes a ser levado em conta é a questão do prazo, pois os stakings em curto prazo são um tanto incertas e obscuras. Por exemplo, você pode cavalar um jogador para disputar apenas o Main Event da World Series of Poker (WSOP) e, mesmo que ele seja lucrativo, você estará enfrentando uma grande variância, o que poderá resultar em um grande prejuízo. Mesmo um grande jogador, com apenas uma tentativa, tem poucas chances de acertar. Por outro lado, investir em jogadores vencedores, no longo prazo, se torna uma opção muito lucrativa, pois Doyle Brunson T 2

um jogador que tem, pelo menos, 1% de ROI (Retorno do Investimento) já garante ganhos para o investimento em cavaladas. Obviamente que se busca um retorno maior que esse, mas isso é apenas para ilustrar o risco na cavalagem quando o prazo esperado para o retorno do investimento é relativamente curto. Um bom investimento em longo prazo, para ambos os lados, seria uma extensa grade de torneios, com uma faixa de buy-in e um field com os quais seu “cavalo” já esteja habituado e provado ser um vencedor. Ainda assim existe um risco, porém já reduzido por uma amostra maior de torneios, com características apropriadas para o jogo daquele em que você está investindo. Assim, há boas chances de um retorno pelo menos razoável do investimento, algo em torno de 10 a 20% do valor inicial, em menos de três meses – o que não é nada mal se pensarmos no quanto os bancos pagam para deixar o dinheiro parado na caderneta de poupança. Resumindo: não é preciso arriscar tudo em um só torneio e, sim, para uma série de eventos, como SCOOP ou FTOPS, ou para vários torneios regulares no domingo, por exemplo. Isso dá chances para os resultados do jogador aparecerem, considerando que a variância não escolhe vítimas.

Dicas para o investidor:

Pesquise o OPR (Official Poker Rankings) ou SharkScope do jogador que vende cotas, para poder calcular suas chances de êxito no negócio.  Verifique, nos principais fóruns e comunidades ligadas ao poker, o histórico de cavaladas, se o jogador obteve boa performance, se conseguiu retornar o investimento, etc.  Não caia no conto do vigário. Conheça aquele em quem se está investindo. Busque referências, histórico desse jogador, se teve problemas com alguém e coisas do tipo.  Evite cavaladas com poucos torneios. Qualquer coisa menor que 100 torneios, em média, pode ser considerado um investimento de curto prazo.  Calcule o average buy-in (AVB). Se a cavalada for de US$10,000 e o 

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Eu, pessoalmente, já abri duas cavaladas e sempre compro pequenas porcentagens de jogadores em quem confio. Isso os incentiva, estimula o crescimento de nossa atividade e aumenta as chances de forra para todos!

AVB for de US$30 isso corresponderia a mais de 300 torneios. Já se o AVB for de US$200 são 50 torneios. No primeiro caso a cavalagem é boa e no segundo, não.  E sempre opte pelo make up.

E

quanto às vantagens para o jogador? As cavaladas são uma forma de deixar o jogador mais confortável para jogar torneios cujos buy-ins o seu bankroll não comporta. A variância em torneios é algo absurdamente grande, de forma que boa parte dos jogadores não possui bankroll para jogar determinados torneios – mesmo tendo nível técnico pra ser vencedor neles – sem que esteja assumindo grandes riscos de quebrar. Muitas vezes o jogador é vencedor nos torneios de $109, por exemplo, mas, por alguma razão (saque, má administração de bankroll ou algo do tipo), não tem em caixa o necessário para jogar de forma confortável. Cavalado, ele jogará sem preocupação com a quebra e poderá ter melhor desempenho. Um outro fator interessante é que existem muitos jogadores que estão se desfazendo de seu bankroll para comprar casa, carro, etc e que, por causa disso, teriam que descer de nível. Para não fazer isso, optam pelo staking.

Dicas para os jogadores que querem criar uma cavalagem:

 Motivo para investir em você. Mostre seus resultados e tenha uma boa amostragem. Sites como o OPR e PokerProlabs são ótimos para pegar seus números e mostrar você é um bom inventimento.  Referências. Se você é novo no meio, é importante ter pessoas que possam te recomendar, ou seja, te indicar, uma vez que ninguém vai

Marcos Sketch

querer ficar colocando o dinheiro na mão de quem não conhece.  Longo prazo. Evite stakings curtos, tenha pelo menos 100 torneios de amostra. Se for ficar dando tiro por aí, é melhor ir para o cassino. É melhor 200 torneios de $3 do que 100 torneios de $6. E sempre, sempre faça a cavalada no modelo make up (devolução do capital investido antes da divisão dos lucros proporcionais).  Não procure fugir muito do seu stake. Caso você queira jogar um stake mais alto para dar uma tacada, seus números têm que ser coerentes para o investidor. Volto ao tópico 1: mostre que investir em você é algo lucrativo. Se você é vencedor no cash game $0.25/$0.50 e quer subir, mostre que seus resultados são lucrativos para dar esse move up.  Seja prestativo a quem está colocando o dinheiro em você. Isso traz confiança para próximas cavaladas. A pior coisa é investir dinheiro em algum lugar e não ter ideia de como estão os números.  Odds: Se você está começando e quer dar ainda mais confiança ao investidor, melhore as odds para eles.  Ânimo: Se a cavalada não der certo, não desanime. Se você cumpriu todos os quesitos acima, quem é investidor entenderá o longo prazo. Mais que simplesmente um patrocínio que visa unicamente o retorno financeiro, a cavalagem é uma troca em que ambos os lados podem sair vitoriosos e felizes, pois o investidor conseguiu seu lucro e o jogador uma oportunidade para aprimorar seu jogo, subir o nível e ganhar reconhecimento e respeito da comunidade do poker.  Colaboraram para esta matéria: Caio Brites, Marcos Sketch e Will Arruda.

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feito tal aposta, porque tinha feito tal check/raise, não sabia explicar nada, e entendi que ganhei naquele dia apenas “porque sim”, e isso é terrível pois não é um motivo bom ou lógico para nada, especialmente num jogo onde a lógica é quase tudo.

Cinderelas do poker As

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Por Maria “Maridu” Mayrinck

lá, minha gente, quanto tempo! Espero que todos estejam bem e faturando muito, e, mais importante, evoluindo. Comigo anda tudo bem agitado. Agora é tempo de WSOP aqui em Las Vegas e, como todo ano, é uma onda de emoções que começam a invadir. É o natal de todo jogador de poker que espera o ano inteiro por isso e, este ano, não é diferente. Vai surgindo aquela eletricidade no ar e todos os jogadores vão chegando em Vegas e ligando, querendo encontrar, trocando porcentagens, fazendo planos, todo mundo com cifras nos olhos. É um sonho que nos próximos 45 dias pode se tornar realidade para qualquer um. Fico emocionada. Aí olho pra trás e fico nostálgica, pensando “nossa, como chegamos aqui?”. E não se enganem, pode até parecer fácil, mas esse caminho é bem duro, cheio de pedras e tropeços, longo e repleto de obstáculos que vão fazer você testar seus limites de paciência, adrenalina e, acima de tudo, de disciplina. Sempre escutamos as histórias de Cinderela do poker: “depositei 50 dólares e nunca mais fiz nenhum depósito”, “comecei com freeroll e nunca mais depositei e agora estou rico”, mas essa é a minoria da minoria no poker. Para a maioria das pessoas, eu inclusive (obv!), não foi nenhuma história de Cinderela. Muito pelo contrário, foi mais uma luta contra um dragão (e ainda é), porque no poker você tem que diariamente levantar a espada e matar o dragão pra não deixar ele te pegar primeiro. Agora vou falar uma coisa que vocês vão achar que eu enlouqueci de vez (normal), mas é uma grande verdade: uma das piores coisas que aconteceu comigo no poker foi que, logo que comecei a jogar – não tinha nem três meses jogando online –, eu estava num torneio de $55 com umas 900 pessoas, e fui indo, indo, indo, e de repente, BOOM, ganhei! Me lembro da sensação, algo realmente indescritível, extraordinário, parecia que eu tinha super poderes. O primeiro lugar era algo em torno de 7,8K (algo por aí) e eu estava sozinha em casa, quietinha jogando até as quatro da manhã e, quando ganhei, tive que comemorar sozinha e nem liguei, porque euzinha tinha levado o primeiro lugar num torneio. Então era óbvio que eu sabia tudo sobre tudo! Coitada... se soubesse lá o que sei agora (que é praticamente nada), teria sido bem diferente, mas tudo sempre tem um jeito perfeito de acontecer. Naquela época, ganhar aquele torneio parecia toda a glória do mundo, e nem consegui

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dormir de tanta emoção, mas logo em seguida vi que, para o meu crescimento no poker, aquilo tinha sido a pior coisa que podia ter me acontecido.

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irou né? Dizer que ganhar um torneio e levar quase oito mil dólares logo que começou a jogar poker foi a pior coisa que pode ter me acontecido! Sim, digo com certeza, foi péssimo, mas só por um tempo, depois eu consegui transformar isso em algo positivo. Por quê? Porque, como o poker é um jogo de habilidade e no longo prazo a sorte para de falar, eu, com três meses de jogo, não tinha a menor compreensão de quanta habilidade eu tinha (ou melhor, não tinha) do jogo, e logo eu aprendi isso no tapa. Tinha ganho um torneio, derrotado 900 pessoas, eu era uma gênia, certo? ERRADO! Era uma pessoa iludida pela sorte que o poker oferece no curtíssimo prazo e, em menos de três meses depois de ganhar esse torneio, eu já tinha praticamente zerado meu bankroll e aí, sim, meu crescimento no poker pode começar. Parei de jogar, tentei entender por que aquilo estava acontecendo, “porque Deus estava contra mim!” (lol, completamente ignorante!) e, de repente, vi que entender por que eu estava perdendo não era o mais importante. Era muito mais importante eu tentar entender por que eu havia ganho. Parei tudo, peguei todas as mãos do tal torneio e comecei a analisar uma por uma, e de repente tive um estalo de “EUREKA!”. Não tinha como eu ganhar mais nada, porque eu não conseguia entender nem explicar porque eu havia ganho naquele dia, e, se você está ganhando, mas não consegue entender nem explicar aquilo, é porque tem algo além de você falando, e em breve essa comunicação vai parar e você vai ter que olhar para si mesmo e tentar entender não só porque perde, mas, mais ainda, porque ganha. Não estou falando o “porque” num sentido filosófico, estou falando em termos práticos mesmo. Eu comecei a rever as mãos do torneio que eu havia ganho e não sabia explicar direito porque tinha Chuck Norris 9 3

oi aí que entendi pela primeira vez a natureza do jogo, a beleza e a crueldade que ele oferece. Realmente qualquer um, em qualquer dia, pode ganhar, mas são poucos, muito poucos mesmo, os que conseguem ser ganhadores sempre. Se você quiser aplicar a teoria de evolução de Darwin no poker, ela encaixa perfeitamente. Pode reparar. Alguns (poucos) jogadores que começam a jogar como um hobby, logo desenvolvem certas habilidades, ou podemos até chamar de talento, para conseguir sobreviver num mundo tão voraz quanto o do poker, de altos e baixos vertiginosos, e buscam a informação, entendem claramente que só a sorte não vai te levar longe, entendem sobre variância, estudam, praticam, conversam com outros jogadores e descobrem que durante os “downswings” deles foi quando mais aprenderam e desenvolveram seu jogo, enxergam o longo prazo, e esses entendem que vai ser preciso muito mais que a vontade inicial e o “amor a primeira vista” para conseguir transformar um lucro verdadeiro e constante no poker, e que não existem Cinderelas. E você pode reparar que muitos outros jogadores falam de “zica” ou choram porque seu par de valete perdeu pela sétima vez seguida de ás e rei, não entendem sobre variância, sobre longo prazo, sobre a prática e o estudo, a disciplina e a determinação que o jogo exige, não querem enxergar que a matemática não deixa espaço para “fé”. Matemática é um conceito verdadeiro, e não precisa de amuletos ou superstições para provar que 2+2=4, sempre. Aos poucos, esses jogadores vão largando o poker, ou seguem jogando mas se recusam a tentar melhorar onde estão falhando, porque é mais fácil culpar a “sorte” ou a “zica” ou sei lá o que mais. Esse jogador não vai passar na teoria de Darwin, nem na do poker, onde só os mais fortes sobrevivem. O jogador que atravessa uma fase ruim, mas mesmo assim está jogando certo, todos os dias tentando melhorar, mantendo a cabeça no lugar, e consegue sair do outro lado da fase ruim intocado e com uma mente de ganhador (mesmo quando o swing está para baixo) é um excelente jogador, já ganhou no longo prazo, mesmo se está perdendo agora. Por isso, vi o torneio que ganhei logo no meu início de carreira como uma coisa ruim. Eu não conseguia entender naquela época (e isso está lá em 2004) que resultados sem volume não significam nada (e 2000 MTTs não é volume o suficiente) mas chegar nesse ponto, nessa mentalidade, não é fácil, e é algo que eu, por exemplo, preciso trabalhar muito no meu dia a dia para não esquecer. Não estou falando que já evoluí a ponto de estar onde os grandes jogadores estão, mas já consigo ver a diferença entre o jogador que tem a mentalidade para entender por que ganha e por que

perde versus o jogador que não consegue entender por que ganha ou por que perde.

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í comecei o que até hoje chamo de minha eterna aula de poker, algo que pratico sempre, todos os dias, até nos dias que não jogo, sempre tento aprender algo novo, conversar sobre uma nova situação, ou correr alguns números no ProTools pra ver se eu estou calculando corretamente. Me cerco de pessoas positivas que têm algo para acrescentar (não só no poker, mas na vida), e tento, com muita dificuldade, evoluir. E, com o WSOP começando, é importante manter isso em mente e a cabeça no lugar. Tudo pode acontecer, mas pra quem vem se preparando, o melhor está sempre mais ao alcance. O trabalho que conta é quando ninguém está olhando, e, é na hora de jogar, que você coloca isso em prática. Só você pode resolver se você é um desses. É, logo no meu início eu tinha tudo pra ter uma história de Cinderela, mas no poker isso é quase impossível (acontece, mas é quase impossível e os odds estão contra), e ainda bem que não foi o meu caso. Por quê? Porque o jogo não aceita erros, se você tentar somar 2+2 você nunca vai ter uma resposta diferente de 4, e isso é o suficiente para esclarecer que nos dias que você (eu!) está achando que 2+2 pode dar 5 ou 3, você tem que parar, dar um passo para trás e reavaliar o que está se passando, e entender que no poker não existe “e viveram felizes para sempre”, se a luta é diária para ter verdadeiro crescimento e evolução no jogo (e na vida!), porque as Cinderelas verdadeiras do poker entendem do que o jogo é feito: de trabalho, dedicação, disciplina e longo prazo. Se tudo isso for colocado em prática, você pode até estar atravessando uma fase negativa, mas garanto que no longo prazo você já ganhou. Ou seja, você é uma Cinderela! Que lindo... ;) GL para todos e nos vemos pelas mesas. 


Rio de Janeiro

carioca E A nova fase

do

Temporada 2010 do Estadual do Rio de Janeiro começa com quebra de recorde.

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Estivemos, a convite da FCP-RJ (Federação de Carteado Profissional do Estado do Rio do Janeiro), na etapa de abertura do estadual carioca, para acompanhar as mudanças e testemunhar todo o crescimento do início de uma nova era para o poker no estado, que é considerado o berço do poker nacional. A cidade do Rio de Janeiro possui um capítulo especial na história do poker brasileiro. Alguns consideram que foi lá, com os pioneiros Christian Kruel e Raul Oliveira, que surgiram os primeiros jogadores profissionais do poker nacional. Foi também na capital carioca que aconteceram três importantes torneios que redefiniram os rumos do poker no País: o Rio Poker Fest, a primeira etapa do LAPT em 2008, e, no ano passado, a etapa histórica do BSOP, que estabeleceu o recorde de jogadores brasileiro no ano. Porém, de um tempo para cá, o Rio acabou perdendo evidência, principalmente no âmbito regional, com o campeonato carioca, principal torneio do estado, perdendo prestígio, com pequeno comparecimento de jogadores e muitas críticas quanto a sua organização e estrutura. Para recuperar o fôlego e recolocar o poker carioca no lugar onde ele sempre mereceu estar, algumas lideranças do poker no Rio decidiram unir-se em prol de um interesse coletivo. O principal nome que liderou esse processo foi o empresário Humberto Bahia. Pioneiro e principal nome na organização de eventos no Rio, Beto é um empreendedor do poker. Ele esteve por Heinz 5 7

Os sócios Bruno, Beto Bahia e Felipe – competência à frente do novo poker carioca

trás de todos os grandes eventos do poker carioca de 2006 até hoje. Além disso, Beto participou também dos primórdios da criação CBTH – Confederação Brasileira de Texas Hold’em, estando à frente da FCP-RJ por mais de dois anos. Atualmente ele é o Diretor de Comunicação e Relações Públicas da CBTH, além de ser Diretor da federação carioca. Um nome agregador, ousado e com uma grande capacidade de trabalho, Beto conseguiu unir as lideranças do estado para fundar a All in Eventos, empresa que assumiu a organização do Campeonato Carioca, e pode ser apontada como a responsável direta pela grande virada ocorrida no poker carioca no ano de 2010.

A

Atualmente, a All in Eventos é uma referência quando falamos de credibilidade e eficiência na coordenação e organização de eventos em todo o estado do Rio. Ela é formada pela fusão dos três clubes mais atuantes no cenário do poker carioca: o Ases do Poker, o Espaço Bridge e o NitPoker. Atualmente ela é a idealizadora oficial do Campeonato Carioca e do RSOP (Rio Series of Poker), tradicional circuito carioca que será retomado, ainda neste ano. Bruno Coelho, atual presidente da FCP, conta que a entrada da All in Eventos na organização do Carioca foi o passo decisivo rumo à profissionalização definitiva do circuito, que foi totalmente reformulado para a temporada 2010. O novo Estadual do Rio de Janeiro tem o apoio dos sites Full Tilt Poker e Best Poker, e trouxe muitas novidades na estrutura e na organização. Com direção impecável, dealers em todas as mesas e uma equipe muito bem treinada e preparada, todos os www.revistaflop.com.br

jogadores saíram do evento elogiando o salto de qualidade que o mais importante circuito regional do estado do Rio de Janeiro deu no início desta temporada. O campeonato teve sua primeira etapa disputada entre os dias 21 e 23 de maio, no luxuoso Hotel Pestana Rio Atlântica, em plena praia de Copacabana. O novo buy-in agora vale R$600 e o stack inicial passou para 20.000 fichas iniciais, com os níveis de blinds subindo a cada 30 minutos. O buy-in, mais caro que o que vinha sendo cobrado no ano passado, não espantou os jogadores. Muito pelo contrário: a primeira etapa do Campeonato Carioca bateu o seu recorde de premiação e de público, com 214 jogadores presentes e o prizepool ultrapassando os 100 mil reais. O Dia 1A foi disputado na sexta-feira, dia 21 de maio, contando com a presença de muitos nomes conhecidos do poker

carioca, como Marcos Sketch, Márcio Kamikaze e o campeão das temporadas 2007/2008, Fred Bittencourt. No dia seguinte, foi disputado o dia 1B, e Fabiano Lemos, Daniel Baraad, Eduardo Pitombo e o atual campeão, Carlos Mavca, abrilhantaram a festa no Hotel Pestana. No último dia de torneio, 74 jogadores voltaram para a disputa, todos começando o dia já pontuando

no ranking que definirá o nome do campeão estadual de 2010. Ao final da disputa, o simpático Sérgio Miúdo sagrou-se o campeão da primeira etapa do estadual, após derrotar o conhecido André Lamy, no heads-up, com direito a straight flush no all in decisivo. A terceira colocação ficou com o jogador Fernando Cury, e a briga pelo título de melhor do Rio promete! Parabéns aos organizadores e a todos os cariocas que mostraram que o poker do Rio de Janeiro está no caminho certo. Em especial ao Beto Bahia e ao Bruno Coelho – responsáveis por esta grande guinada!  O campeão Sérgio Miúdo

junho |

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coluna Caio Brites

www.sngteampro.com.br

os resultados do

Ricardo Lagazzi

Gabriel Barbosa

Fellipe “TamRaven”

sng team pro O projeto já revelou grandes destaques e obtem ótimos resultados online

SnG Team Pro

Para saber mais sobre o projeto, acompanhar a evolução dos jogadores do time ou fazer parte da próxima turma, acesse: www.sngtemapro.com.br

/SnGTeamPRO 88 | Junho

impor um volume muito forte de jogos para os nossos alunos. Porém, tinha o lado bom da história: o field era um verdadeiro sonho, pelo fato de ter uma estrutura mais cadenciada, com o jogo se tornando mais técnico, com menos mãos decididas no pré-flop, o que, para nós, era ótimo, pois perderíamos no volume mas ganharíamos no ROI.

A

lém disso, ao colocarmos os times no field, o sit ia começar a se formar mais rapidamente e as pessoas passariam a entrar com mais frequência, afinal, logo no primeiro mês do projeto já colocaríamos seis novos grinders do dia para a noite no sit de $11. E foi exatamente isso que aconteceu: para nossa surpresa, com a entrada do time 2 e 3, e a continuação de grinders do time 1, tínhamos quase 20 jogadores no field.

Resultados

Com o êxito do projeto, deu-se o início do “boom” no field dos SnGs. Era impressionante o volume de brasileiros que começavam a jogar devido ao sucesso dos nossos alunos e nem preciso dizer que aqueles 10/15 minutos que levavam no início para fechar as mesa, hoje levam cerca de três e, provavelmente, só devemos perder para os americanos em volume de jogadores registrados diariamente. O primeiro time contou com seis jogadores que, na época, eram totalmente desconhecidos na cena do poker. Hoje, desse primeiro time, saíram dois grandes jogadores e amigos pessoais, que são figurinhas conhecidíssimas nos torneios pelo Brasil todo e no online, além de integrarem o time do 4bet: Vitor Brasil e Andrei “PorcoEspinho” Mosman. Os times seguintes continuaram cumprindo o seu papel de formar profissionais e, destes, surgiram outros grandes destaques, como Fabiano Kovalski – Top 20 no Ranking do Superpoker, integrante do 4bet Mtt Team e mesa-finalista do BSOP Floripa –, Gabriel Ferreira, Ricardo Lagazzi, Fellipe Nunes, Bicycle, Bike, Wheel, Minhoca A 2 3 4 5

Fabiano “Kovalski”

Fábio “Sakuraba84”

Fábio “Sakuraba84” Eiji, Rafael Guizmo e muitos outros nomes de jogadores que comprovaram seu potencial e demonstraram com seus resultados que, após o SnG TeamPro, se tornaram jogadores consistentes e lucrativos. Isso, sem sombra de dúvidas, é um motivo de orgulho muito grande para mim. Tenho certeza de que muitos nomes ainda irão surgir nas turmas que estão por vir e o projeto continuará sendo este celeiro para revelar grandes talentos do poker no Brasil. Após um ano do início do nosso projeto, quero compartilhar com vocês, meus amigos leitores da Flop, os números do primeiro ano do nosso trabalho, bem como tudo que estamos planejando para que o segundo ano venha para consolidar o sucesso alcançado pelo nosso negócio no ano de estréia, e com resultados ainda mais expressivos.

números

É

com imensa satisfação que escrevo esta coluna para falar de algo que é motivo de orgulho em minha vida. Algumas pessoas já conhecem a história de nosso projeto, porém vou relatar aqui com detalhes toda a nossa trajetória durante este primeiro ano de SnG Team Pro. Há cerca de um ano, nascia um projeto inovador na cena do poker, idealizado em conjunto com meu sócio William Arruda. Após “stackearmos” e darmos coach para um amigo nosso, surgiu a ideia de ampliarmos isso para mais pessoas e criamos com isto o SnG Team Pro. Recordo-me de que quando estávamos fazendo o briefing do projeto e estimávamos os resultados, chegávamos a números que pareciam, para algumas pessoas, totalmente intangíveis, porém nós sabíamos que se fizéssemos um trabalho bem feito, com muitas horas de trabalho dedicado, aqueles números deixariam de ser estimativas para se tornar realidade. Na época, apresentei o projeto pra algumas pessoas, entre elas uma das figuras que mais entende do poker no Brasil e, coincidentemente na época, estava tomando frente dos negócios do Full Tilt: o nosso presidente da CBTH, Igor Federal. Ele trabalhou comigo no Espaço Zahle e sabia da minha determinação quando o assunto era trabalho. Quando apresentei para ele o projeto, tive uma grata surpresa: uma das pessoas que mais entendiam do nosso negócio no Brasil enxergou um futuro próspero para aquele projeto audacioso e demonstrou interesse em fazermos um acordo de filiação e levarmos o SnG Team Pro para dentro do Full Tilt. Nessa reunião, surgiu o primeiro grande desafio do projeto: o volume de sits no Full Tilt era muito inferior em comparação ao PokerStars. Quem se lembra dos fields do Full Tilt nos sits de 45 players há um ano, sabe que o movimento era muito baixo. Me recordo de que na época o sit de $26 levava algo como 15 minutos para formar, o que inviabilizava um pouco o nosso projeto, pois tínhamos como meta

Alguns destaques do projeto:

E não são somente os números que fazem desse projeto um sucesso. É o reconhecimento e a amizade por parte de todos aqueles que marcaram presença ao longo desse primeiro ano e daqueles que se dedicam ao máximo para que um dia possam fazer parte do time, que, ao longo de sua existência, foi alvo de críticas e dos mais sinceros elogios.

2º Ano SnG Team Pro: Reestruturação

Durante os meses de fevereiro e março trabalhamos intensamente no balanço do primeiro ano do time, com o objetivo de identificar os méritos e falhas do projeto. Time a time, pessoa a pessoa, mês a mês, de eventos isolados a acontecimentos marcantes, tudo foi analisado e considerado. E em abril iniciou-se um processo massivo de reestruturação do SnG Team Pro visando aumentar ainda mais a qualidade e capacidade de formação de jogadores profissionais. Para a organização do time, convidamos médio é $5,061 Andrei  de  Oliveira $2.24 de lucro por SnG Mosman,  membro do superaram o desafio dos 10K time piloto do projeto,

Nº de Jogadores

40

90.321Torneios jogados

$202,468 de lucro total O lucro

Oito jogadores

www.revistaflop.com.br

Andrei “Porcoespinho”

conhecido nas mesas como “PorcoEspinho”. Andrei, consultor em TI e coordenador de projetos, prontamente aceitou o desafio e iniciou os trabalhos já no processo seletivo do quinto time.

E

ntre as medidas adotadas inicialmente estão: padronização do processo seletivo; melhorias e padronização na metodologia de ensino; treinamento em ferramentas de apoio; trabalho mais efetivo na identificação preventiva de small leaks; acompanhamento mais próximo dos jogadores; além, é claro, das medidas administrativas visando otimizar os lucros do projeto. “O principal objetivo do nosso trabalho nos próximos meses é criar uma estrutura para melhorar o acompanhamento aos jogadores atuais e, a partir desse ponto, criar condições para que o projeto cresça exponencialmente a partir do meio deste ano.” diz Andrei. Algumas outras decisões também estão sendo ponderadas, como a criação de times para torneios de 90 players, superturbo e, até mesmo, times para outras salas de poker, evitando assim a saturação do field pelos jogadores do time e assegurando a viabilidade e lucratividade do projeto.  Junho |

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coluna Caio Brites

Curso Preparatório – Aula 1

Por Andrei “PorcoEspinho” Mosman e Fábio “Sakuraba84” Eiji

Introdução

A partir de hoje, neste espaço, apresentaremos conceitos básicos que devem ajudá-lo no momento de realizar a prova de seleção do SnG Team Pro. Como vocês já devem saber, o projeto não visa ensinar iniciantes a jogar poker, e sim, selecionar jogadores que já são vencedores em stakes baixos e transformá-los em vencedores dos stakes mais altos. Devido ao elevado número de inscrições em relação ao número de vagas disponibilizadas por time, os critérios de seleção estão ficando cada vez mais rígidos, elevando a importância do conhecimento básico teórico no momento da seleção. Lembrando que outros critérios ponderados na seleção do time são: disponibilidade  de  tempo,  capacidade de aprendizado, disciplina, dedicação e volume de jogo.

Outs

Outs são as cartas do baralho que, caso apareçam no bordo, ajudem sua mão a formar o jogo vencedor. Por exemplo, quando você tem duas cartas de copas na mão e no flop aparecem mais duas cartas de copas, qualquer carta de copas que venha a aparecer no turn ou no river completará seu flush. Existem 13 cartas de copas no baralho, quatro já estão expostas (duas na sua mão e duas no bordo), logo, existem outras nove cartas de copas que podem te ajudar a ganhar a mão. Você conta, então, com nove outs.

Odds

Odds referem-se às chances matemáticas de você completar sua mão. Pegamos o exemplo anterior como base. Você tem nove outs. Quais as chances (em porcetagem) de um dos seus outs bater no turn ou no river? Existe uma regrinha muito simples para descobrir essa porcentagem aproximada, partindo do flop. Para cada ronda adicional (turn ou river) 90 | Junho

multiplica-se o número de outs por dois. Por exemplo, com o flop aberto para saber a probabilidade aproximada de um de seus nove outs bater no turn basta multiplicar 9 (número de outs) por 2 (uma ronda de apostas), ou seja, cerca de 18%. Caso você queira saber quais as chances de seu jogo se completar do flop até o river multiplica-se por quatro (dois para o turn e dois para o river). Ex: 9(outs) x 4(turn+river) = 36%, aproximadamente. Usando essa regrinha, você pode facilmente chegar a um valor aproximado (suficiente para as contas mentais) de quais são suas chances de formar a mão vencedora.

Pot Odds

Pot odds é a relação entre o valor do pote e o valor que é necessário investir para continuar na mão. É a relação custo/benefício. Para isso, divide-se o valor do pote pelo valor que é necessário colocar no mesmo. Exemplo: O pote está em 1.000 e seu adversário aposta 500. O pote então está em 1.500 e você precisa colocar 500 no pote para continuar disputando a mão. Sua relação é de 500:1500 (quinhentos para mil e quinhentos), simplificando: 1:3. Para saber quais são as odds necessárias para o call lucrativo, basta dividir 100 pela soma dos dois números das pot odds. Exemplo: 100/(1+3) = 100/4 = 25%. Neste caso, toda vez que as chances (odds) forem maiores que as pot odds, temos um call lucrativo.

Range

Range é a gama de mãos possivelmente jogadas numa determinada situação, por você ou por seu(s) adversário(s). Para determinar um range, levamos em consideração diversos fatores, como stack, posição, imagem, histórico de mãos, momento do torneio (começo, meio, bolha,

etc), entre outros. Lembre-se de que o vilão sempre tem um range, nunca uma única mão. A medida que as streets são jogadas, você pode ajustar o range, levando em consideração as informações citadas acima. Como em SnGs quase nunca temos stack suficiente que permitam muita manobra no pós-flop, geralmente temos que definir um range para o vilão com base em informações mais reduzidas e resolver a situação já no pré-flop. Quanto mais próximo o range que você determina para o vilão estiver do real, melhores serão seus resultados.

Equidade

Equidade é a relação que a sua mão tem em relação ao range do adversário. Para calcular a equidade, utiliza-se um programa gratuito chamado PokerStove ou algum programa alternativo com o mesmo propósito. Em um caso hipotético, determinamos o range do vilão como sendo 77+ (pares maiores que 77), KJs+, KQo, AQo+, AJs+ e estamos segurando JJ. Qual seria a probabilidade de ganharmos essa mão? Bem, fazer o cáculo mental para esta situação é um tanto complicado. É aqui que entram os softwares, como o Poker Stove. De acordo com o programa utilizado, o JJ tem pouco mais de 55% de chances de ganhar do range de mãos do adversário.

Considerações Finais

E, finalizando, devemos reforçar a ideia de que os conceitos apresentados estão sempre interrelacionados e o domínio destes representa o básico de conhecimento teórico que um bom jogador de sits (quiçá, de poker em geral) deve dominar. Nas próximas colunas, falaremos mais destes e outros conceitos e vamos trabalhar alguns exemplos. Até lá! Play Hard, Go Pro!  Broadway T J Q K A


coluna Jurídica

a grande conquista do

poker no mundo

Associação Internacional reconhece o poker como esporte da mente

Gustavo Andrade

Natural de Assis (SP) é advogado criminalista e jogador de poker.

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em torno de tais estruturas, organizadas e devidamente registradas nos órgãos competentes. É fato que o que observamos no Brasil não se trata de um fenômeno isolado, sendo que a maior prova disso foi dada há pouco mais de um ano, em abril de 2009, quando foi fundada a International Federation of Poker – IFP (www.ifpoker.org), entidade máxima dirigente do poker no mundo, algo como a FIFA desse esporte da mente. Percebam que, neste artigo, ao invés de atividade, jogo, ou qualquer outro sinônimo que se refira ao poker, foi trazida a palavra esporte. Tal mudança de designação não foi um preciosismo ou excesso de otimismo do colunista, mas o reconhecimento da luta da Federação Internacional que teve como um dos seus objetivos o enquadramento do poker como um “esporte mental”, sendo certo que tal pleito já foi introduzido junto à International Mind Sports Association – IMSA, entidade máxima que trata dos chamados esportes da mente no mundo.

oje, pouco mais de um ano após a sua fundação, a IFP já possui 22 países representados. A presença da CBTH entre os membros fundadores dessa federação deve ser motivo de orgulho nacional por demonstrar o pioneirismo e a iniciativa da entidade dirigente máxima do poker no Brasil, ao abraçar mais esta luta, desta vez fora do território brasileiro, engajada numa ação de nível mundial. A respeito da IFP, nada melhor que ouvir as palavras do Presidente Anthony Holden para que possamos entender um pouco mais a respeito da natureza e objetivos da nossa “FIFA do poker”: “É uma grande mudança na minha carreira, mas um desafio que considero muito estimulante e cheio de recompensas. A oportunidade de comandar a primeira entidade dirigente mundial do poker e buscar o reconhecimento internacional desse jogo, como um esporte da mente é absolutamente distinto dos chamados jogos de azar, foi uma oferta irrecusável. O retorno para o jogo que todos amamos, e também

É

interessante ressaltar que a IFP tem sua sede localizada em Lausanne, na Suíça, no mesmo lugar onde encontram-se todas as mais importantes entidades máximas representativas de esportes tradicionais, como vôlei e natação. É também em Lausanne que encontra-se o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a FIFA (na cidade de Zurique), entidade máxima do futebol mundial. Assim sendo, outro objetivo da IFP é o reconhecimento do jogo pelo COI, o que, definitivamente, pode abrir muitas portas para esse esporte em todo o mundo. Atualmente, a IFP é presidida pelo inglês Anthony Holden. Nascido em 22 de maio de 1947, o escritor, jornalista, crítico literário é muito conhecido por ser o autor da biografia oficial da Família Real Britânica e de artistas como Shakespeare e Tchaikovsky, além de ser, obviamente, jogador de poker!

para os seus jogadores e dirigentes, será potencialmente grandioso. As negociações estão avançadas com outros 20 países e muitos outros são esperados para se unir à IFP. Espera-se que nos próximos três anos, de 75 a 100 novos países filiem-se à nossa entidade. O poker desenvolveu-se de forma incrível e, além de qualquer projeção na última década, agora já se tornou o maior dos “esportes da mente”. A IFP também está trabalhando para criar um padrão internacional de regras para torneios, bem como unificar o ranking internacional juntamente dos rankings de cada entidade dirigente nacional. Tal ranking unificado será usado para definir os times que participarão dos eventos oficiais da Federação Internacional, que incluirá campeonatos mundiais anualmente, tanto por equipes quanto individual. A entidade também planeja criar eventos por equipes, juntamente da “Copa Ryder” de golfe, “Copa Davis” de tênis, etc. Assim, ao menos uma vez, que os flops estejam com vocês!”

É inegável que esta nova fase vivida pelo poker mundial, na qual os legítimos representantes do poker brasileiro também são protagonistas, deve trazer muitas boas notícias para toda a comunidade relacionada a este esporte mental, tanto em nosso País quanto em todo o mundo.

N

essa linha, o caminho natural para o Brasil é a presença de Federações Estaduais representativas de todos os estados brasileiros, devidamente filiadas à CBTH, bem como o surgimento em larga escala de associações locais em cidades, bairros e distritos, que certamente organizarão seus próprios clubes, grêmios e ligas, como é comum no futebol e em outros esportes devidamente organizados. A hora é de se organizar, participar das decisões e efetivamente tomar parte na luta em favor do poker em todas as esferas. Todos nós e o nosso esporte temos muito a ganhar com isso. Vida longa à IFP e às entidades dirigentes brasileiras! 

Você na TV! by

Vagas por Satélites e Freerolls 

DATAS

J

á mencionamos nesta coluna as mais diversas batalhas enfrentadas pelo poker, tanto nacional quanto mundial. O UIGEA, os novos projetos de lei do Senado brasileiro (de autoria dos Senadores Magno Malta e Garibaldi Alves), o panorama europeu e até mesmo a popularização do jogo pode contribuir para um desfecho favorável ao poker na esfera legislativa. Além disso, as novas entidades dirigentes estaduais (Federações) e o trabalho da Confederação Brasileira de Texas Hold’em – CBTH, já dão mostras do nível de profissionalização que o poker alcançou no País, de forma que esta realidade certamente está longe do que poderíamos chamar de “espasmo” ou modismo. De fato, as entidades como associações locais (clubes, grêmios e ligas), Federações estaduais e a própria CBTH garantem maior força ao poker nacional, tanto no que diz respeito à organização das ligas, torneios e demais eventos esportivos quando no que se refere ao pleito de reconhecimento e regulamentação junto ao Poder Legislativo. Assim, se o objetivo final de todas essas entidades é a legitimação do poker como atividade lícita, não menos importante é a atuação dessas associações civis pela popularização do jogo de forma responsável, organizada e respeitável. E isso não seria possível sem a reunião dos jogadores, formadores de jogo e entusiastas em geral

H

coluna@revistaflop.com.br

6 a ETAPA – Rio de Janeiro (RJ) de 22/07 a 26/07 a

7 ETAPA – Porto Alegre (RS) de 12/08 a 16/08

Transmissão pela ESPN 

Pacotes parcelados

www.bsop.com.br www.revistaflop.com.br

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coluna James Keane

as apostas na copa do mundo Saiba o que a SportingBet preparou para você nesta Copa e dê o seu palpite

C

hegou o ano da Copa do Mundo. As seleções de 32 países se preparam e buscam a taça do melhor do mundo. No País do futebol, o clima tende a ser ainda melhor devido à tradição da Seleção Canarinho na competição. E já que estamos falando de futebol e tradição, a Sportingbet não ficou para trás com os preparativos para a Copa. Antes deste grande evento começar, o site lança o Predictor, promoção em que os apostadores podem dar seus palpites sobre o resultado dos jogos da fase de grupos e da grande final e concorrem a R$2.500.000 em dinheiro. Arriscar um palpite desses não é fácil, visto que a maioria dos jogos de Copa do Mundo podem ser considerados clássicos e, como sabemos, clássicos normalmente não têm favorito.

James Keane Vice-presidente de Mercados Internacionais da SportingBet.com

/sportingbetBR 94 | Junho

As apostas para os jogos da fase de grupo estão no ar desde o começo deste ano. O primeiro jogo do Brasil é contra a Coréia do Norte. Como arriscar um palpite? Bom, no caso da seleção brasileira chega a ser um tanto quanto fácil, convenhamos. Mas e em casos como no jogo da Costa do Marfim e Portugal em que as cotações (odds) são muito parecidas?

menor, pois, como sabemos, a menor cotação é sempre do favorito da partida, ou seja, aquele que tem melhores chances de vencer. Entre essas, outras análises são necessárias antes de arriscar um palpite em qualquer um dos jogos da Copa. Mesmo os apostadores mais arrojados devem fazer uma análise antes de arriscar um palpite. E apostas em quem será o Campeão do Mundo em 2010? É claro que nessas horas o otimismo e favoritismo brasileiro falam mais alto, mas no mundo das apostas não podemos pensar só com o coração. Em 2006, o Brasil também era um dos favoritos e foi eliminado pela França nas quartas-de-final. Zebras acontecem e nós devemos também contar com elas na hora de arriscar qualquer palpite.

J

á sabemos que a regra principal é entender o histórico dos dois times e, a partir daí, buscar fatores que ajudam a entender por que o desempenho de determinado time pode ser melhor ou pior que o do outro. Por exemplo: um jogador desfalcado, uma crise entre o técnico e a diretoria, a compra de novos jogadores, etc. No caso do primeiro jogo da Copa do Mundo é difícil analisar tais fatores por que normalmente não há jogador que desfalque o time ou algum tipo de crise entre o técnico e a diretoria, ou entre o técnico e os jogadores. Neste caso é necessária, então, uma análise do desempenho da seleção nos últimos jogos, seja na fase classificatória ou em amistosos. Apesar de não ter vencido nenhuma vez a Copa do Mundo, Portugal tem um histórico melhor que a Costa do Marfim por ter participado de quatro das dezoito edições do evento, contra apenas uma da seleção marfinesa. Talvez a isso se deva a cotação dos amigos portugueses ser

O

site Spor tingbet.com aposta na Espanha como favorita para vencer a competição. Isso porque a seleção espanhola foi campeã da Eurocopa no ano passado, que é equivalente a nossa Copa América, e vai para a Copa do Mundo com uma equipe forte: no gol com Casillas, titular do Real Madrid; e no ataque com David Villa, do Valencia, e Fernando Torres, que joga no Liverpool, da Inglaterra – que aliás também é favorita, ocupando a terceira colocação. Os hermanos argentinos vêm logo atrás, em quarto lugar. O site não é dono da verdade, mas olhar as cotações do mercado de campeão do mundo pode ser uma boa dica, visto que os traders da Sportingbet já analisaram todos os fatores que falamos aqui. Vale a mesma análise nas apostas do time vencedor de cada grupo. Para escolher tal ganhador, é indicado também analisar as odds dos jogos dos times de determinado grupo na primeira fase da competição.

Além do Predictor, durante a Copa, o site contará com diferentes ofertas a cada dia para acalmar os ânimos dos apostadores de plantão. As ofertas serão as mais variadas possíveis e, para quem gosta de futebol e da adrenalina de apostar, é uma boa pedida. Além disso, a já atual promoção “Indique um amigo” em que a cada indicação você e seu amigo ganham R$30, terá um bônus especial de R$50 durante o período que precede a Copa do Mundo até o final dela. É mais uma chance para os apostadores de plantão ganharem mais com os jogos do evento mais esperado do ano, principalmente os brasileiros que respiram futebol. 

Mercados divertidos também estão presentes na Sportingbet.com. Os usuá-rios do site podem ainda apostar em qual confederação terá o time vencedor da Copa do Mundo e se a edição deste ano nos presenteará com um vencedor inédito.

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coluna Sérgio Braga

colunas@revistaflop.com.br

minha experiência

em Las Vegas O que mudou em minha vida (e meu jogo) ao enfrentar o desafio de morar lá

A

gora que estamos bem próximos da WSOP, maior evento de poker do mundo e que acontece na meca do jogo, vou aproveitar esta edição para falar sobre a nossa experiência na temporada mais longa que passamos em Vegas. Ficamos pouco menos de um ano, mas tivemos tempo suficiente para sentir o que realmente é viver na Sin City (cidade do pecado). Muitos amigos amantes do poker têm no coração a vontade de experimentar como é viver nesse lugar fantástico, e o que queremos aqui é dar uma ideia de como foi o nosso dia a dia, nossos desafios e as conclusões sobre a interessante experiência.

O início de tudo

Sérgio Braga Sérgio Braga é jogador profissional e está se especializando em cash games.

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A ideia de morar provisoriamente em Vegas foi sendo amadurecida com o tempo. Tudo começou no final de 2005, quando aproveitei uma viagem aos EUA para esticar até a terra dos cassinos. Assim que notei aquela quantidade enorme de gente jogando Texas Hold’em, percebi que algo mágico estava acontecendo Nesta mesma viagem, de uns 15 dias, rapidamente comecei a dar os primeiros tiros em pequenos torneios, especialmete no MGM e no Wynn. Como eu já havia jogado muito poker no Brasil, principalmente stick, que é muito semelhante com o stud, tive uma sofrível adaptação inicial. Depois de tomar umas cacetadas, consegui fazer uma FT no Wynn, o que me deu uma tremenda motivação para continuar no game e passar a me dedicar. No meio de 2006, na época do WSOP, voltamos novamente e, para motivar ainda mais, tivemos a oportunidade de conhecer uma turma brasileira maravilhosa, como Igor Federal, Akkari, Brasa, Léo Bello, Juliano Maesano, Rogério Pistola, Reinaldo Abramovay, Loducca, Zebra, Chiró, CK e outros que momentaneamente me faltam à memória, mas que irei lembrar. Isto foi um empurrão extra para continuar no jogo, pois ficou claro que havia uma comunidade brasileira

muito unida, e que demonstrava ainda mais a força do poker brasileiro. Depois disso, eu e a Alessandra voltamos algumas vezes para Vegas, normalmente para ficar algumas semanas. Com o tempo, percebemos que muitas coisas nos agradavam na cidade e começamos a construir a ideia de morar, pelo menos por um tempo, na capital do jogo.

O desafio

Tínhamos alguns obstáculos, como a questão do visto de permanência, os negócios que eu administro no Brasil, a distância da família e dos amigos, e a dúvida sobre a adaptação em uma cultura completamente diferente da nossa. A verdade é que a vontade era grande de enfrentar um novo desafio, e estávamos amadurecendo a ideia. No final de 2008, fomos novamente para passar o natal e o réveillon em Vegas, sendo mais uma vez uma experência muito interessante. Desta vez a Alessandra já estava muito confiante no poker e começou a levar a sério os torneios do Venetian, além de começar a desenvolver o jogo de cash game.

O empurrão que faltava

Assim que voltamos ao Brasil no início de 2009, aconteceu o fato derradeiro que nos fez tomar a decisão. Fomos assaltados em um dos melhores clubes de SP. A experiência foi marcante, porque os larápios estavam bem equipados e havia muita gente no clube naquele dia. A situação foi pior porque a minha mulher estava junto. Sabemos que os assaltos fazem parte da vida do brasileiro, mas, quando acontece com a gente, o trauma é grande. O sonho começava a se transformar em realidade. A partir daí começamos a fazer o planejamento. Os objetivos que traçamos para viver num novo lugar foram: para a Alessandra, desenvolver o inglês através de um curso intensivo numa escola de boa qualidade e, nos dias de folga, jogar torneios, além de curtir a cidade e fazer compras, pois os preços lá, especialmente

das roupas e acessórios, são bem mais baratos; já os meus objetivos se concentraram no desafio de jogar com os grandes nomes, o aperfeiçoamento do meu jogo de cash, na tentativa de entrar nos grandes torneios através de satélites e, naturalmente, fazer dinheiro nas mesas de cash game. Também me seduziu o fato de poder estar na capital mundial do entretenimento, com todas as opções que a cidade oferece em termos de passeios, shows, eventos, feiras e restaurantes.

B

om, após um minucioso planejamento, partimos para a execução. Em primeiro lugar, começamos a escolher o local e as caractísticas do imóvel para alugar. Encontramos um apartamento muito bom, novo, num prédio totalmente equipado, inclusive com uma excelente academia de ginástica, e a menos de três quilômetros dos nossos poker rooms preferidos. O valor do aluguel para este tipo de apartamento, com aproximadamente 100m2 está na faixa de US$1,500 a US$2,000, já com o condomínio incluso. Matriculei a Alê num curso de inglês de seis meses, com cinco horas diárias de aula numa grande universidade. Também investimos em dois carros usados porque, dado o período de utilização, parecia que iria sair mais barato do que alugar. Interessante como o preço dos veículos nos EUA é muito mais barato que no Brasil. Para se ter uma ideia, eu comprei uma BMW 330 conversível ano 2002 por US$15 mil. Quase um terço do valor encontrado no nosso país. Sempre preferi ter um carro a disposição em Vegas, pois mesmo sendo a locação bem acessível, fico com muito mais liberdade e não gosto de andar de táxi porque cada viagem é uma surpresa, além das filas, quando a cidade está cheia.

Resultados da experiência

Conseguimos cumprir a maioria dos nossos objetivos. A Alê se esforçou muito para frequentar as aulas diárias de inglês, acordando às 7 da matina, mas o resultado foi impressionante. O que se consegue aprender lá em seis meses equivale aqui a, no mínimo, três anos de curso. O fato de praticar inglês num www.revistaflop.com.br

Ale Braga em frente a famosa placa de Las Vegas

lugar onde só se fala a língua é muito mais fácil. Nem canal de TV brasileiro nós tínhamos, porque a meta era forçar mesmo o aprendizado. Com o foco no estudo, ela jogou somente 10 torneios na série Venetian Deep Stack, mas obteve um resultado respeitável, com quatro ITMs, sendo duas mesas finais. No ranking geral da série, composto por 25 torneios, ela ficou em sexto lugar, numa lista de mais de 3.000 participantes. Acho que se ela tivesse jogado todos, provavelmente ficaria entre as primeiras colocações no ranking. Também percebi que o jogo dela melhorou muito. Há sempre uma boa quantidade de baralhões neste tipo de torneio, na faixa de US$350 a US$1,000, mas é inegável que os americanos, na média, conhecem mais a técnica do que nós. O fato deles jogarem há muito mais tempo e de terem uma quantidade enorme de livros, sites, DVDs e programas na TV sobre o assunto facilita muito para que eles aprendam mais. Isso faz com que o nível geral seja mais alto. Também fiquei feliz com os meus resultados. Joguei cash, em média, quatro vezes por semana, por seis horas por noite. Longe de ser um grinder, pois queria também aproveitar a cidade e tinha que cuidar um pouco do meu outro negócio (tenho uma empresa em que agencio um grande escritor americano no Brasil).

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oquei em dois níveis de cash: os de US$5/10 e oUS$10/20 – ambos Texas Hold’em No Limit– principalmente no Bellagio, e tendo o Venetian como opção. Como estou acostumado a jogar pot limit no Brasil (antes era Texas e agora só Omaha), achei, antes de viajar, que o mais natural seria embarcar apenas no NL US$10/20. Quando comecei efetivamente a jogar, percebi uma coisa interessante. Além do nível ser muito melhor nestes blinds, com jogadores muito mais preparados, imprevisíveis e agressivos, o que mais me chamou a atenção foi o valor real do jogo. O senso comum é pensar que o $10/20 é o dobro do $5/10, certo? Errado! O $10/20 é, no mínimo, seis vezes maior. Isso ocorre porque o valor máximo de buy-in nos jogos $5/10 é de US$1,500, já no $10/20 a frente não tem limite (ambos no Bellagio). Isso faz com que o montante das fichas em jogo seja muito maior. Sem exagero, cheguei a ver jogadores sentarem regularmente com até US$ 200 mil (sim, 200K), representadas por apenas oito fichas rosas de US$25K cada. Um deles, descobri ser o Dan Bilzerian, um jogador famoso em Vegas cuja família é dona de uma rede bilionária de empresas nos EUA. Na média, cada jogador começa com um stack de US$10 mil. Isso quer dizer que, para respeitar a boa administração de bankroll, faz-se necessário um caixa  Junho |

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coluna Sérgio Braga disponível entre US$250K a US$500K para jogar confortavelmente e não ter o risco de quebrar. Com alguma frequên-cia cheguei a ver potes de US$20K ou mais. Quando joguei com o Devil Fish (David Uliott), um famoso e divertido jogador inglês, vi várias vezes ele jogar $5K no river, num pote que tinha $3K. A maioria, provavelmente, blefando. Mas como é que você vai pagar se o bankroll não está na zona de conforto?

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utro fato interessante é que apesar do glamour do game de Vegas, normalmente só havia uma mesa de US$10/20 de 2ª a 5ª feira e três mesas na 6ª e no sábado. Raramente vi formar a $25/50. O panorama muda um pouco quando acontecem os torneios de grandes buy-ins como o World Poker Tour, quando uma leva de players de alto calibre chegam de várias partes dos EUA e da Europa. Aí existe mais ação e o jogo caro fica movimentado. Dessa forma, acabei jogando umas 12 sessões de $10/20 de forma muito cautelosa, em comparação à maneira que eu gosto de jogar cash. Ganhei sete e perdi cinco sessões, mas o importante é que eu percebi que não estava jogando o meu melhor jogo. Estava tight ou menos loose do que normalmente jogo, o que, para este nível de buy-in, é coisa de jogador fraco. Assim, foquei mais no $5/10, onde a zona de conforto é total. Sempre entrava com o máximo permitido, de US$1,500 e, quando perdia alguma mão importante, completava para ficar com o máximo valor inicial permitido. Joguei muitas vezes no Venetian também e lá a grande vantagem é que não há limite máximo. A média de buy-in lá é de US$3 mil, o que

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é o ideal para o jogo que gosto de jogar. Gosto muito do Venetian, pois ele tem o melhor e mais bem equipado card room de Vegas, com quase o dobro de mesas do Bellagio, mas o forte por lá são os jogos de menor buy-in como o $1/2 e o $2/5.

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a opção de $5/10 só havia uma mesa nos dias da semana e duas no fim de seman. Chegou a acontecer de não haver mesa formada no meio da semana, o que me fez engatar no stud $30/60 com os tiozões mais simpáticos que eu já joguei lá em Vegas. Como o stud é bem parecido com o stick que jogava no Brasil, foi fácil me adaptar. Aliás, é uma opção interessante para quem quer variar um pouco. É importante jogar outras modalidades para mudar a rotina e estimular o cérebro. Procurei jogar o Omaha lá, mas quase não formava, a não ser nos blinds $1/2, o que não me atraía. Também jogo poker para me divertir e evito ao máximo ficar entediado. Colocar novos desafios (outras modalidades) no caminho é sempre bom. O balanço final do US$5/10 foi positivo, com uma média de 66% de sessões vitoriosas contra 33% de derrotas, mas o que mais me agradou foi o fato de as sessões vencedoras terem um valor médio maior que as sessões perdedoras. Também fiquei feliz de poder jogar o meu melhor Sérgio teve a oportunidade de testar uma Lamborghini

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O casal ainda aproveitou a exuberante paisagem do Grand Canyon

jogo de cash, fazendo todas as jogadas disponíveis na caixa de ferramentas, sem medo de perder ou ganhar.

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ão tenho amostragem suficente para fazer uma afirmação 100% confiável, mas, pela minha experiência, dá para dizer que um grinder jogando sete horas por dia, cinco ou seis vezes por semana, vai conseguir, em média, fazer uns US$15K por mês na US$5/10. Não sei se é muito ou pouco para um jogador de poker, mas é um valor muito semelhante ao que ganha, por mês, um diretor de empresa no Brasil. O importante é que, apesar do retorno não ser espetacular, o risco é baixo. Joguei inúmeras sessões nesses sete meses que morei em Vegas e, em nenhuma delas, perdi ou ganhei mais que três buy-ins, mesmo tendo jogado sessões de até oito horas, com exceção de uma noite inspirada em que o lucro se aproximou de cinco buy-ins.

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m comparação com o jogo do Brasil, o que eu posso falar é que em Vegas o game é mais estável. A variância é menor porque a quantidade de jogadores gamblers, mais conhecidos no nosso País como “estrelas”, é consideravelmente menor. Assim, não há potes enormes com quatro ou cinco envolvidos sem a criação daquela montanha russa no seu stack. Entretanto, no Brasil é muito mais fácil ser vencedor. Aqui, realmente, há muita gente que joga para se divertir, para se livrar do estresse das grandes cidades, e que não estão lá muito preocupados em ganhar ou perder. Eles querem é adrenalina. A conclusão a que eu cheguei é que, mesmo com a grande diferença do rake no Brasil, aqui é mais fácil ganhar dinheiro no cash. Por outro lado, o risco é maior em função da variância, mas nada que um bom gerenciamento financeiro não resolva. Mas há outros motivos que me fazem gostar de jogar em Vegas. O primeiro deles é a organização. Os dealers são muito bem treinados, conhecem cada detalhe das regras e têm autoridade para comandarem a mesa. O fato é que todos eles são obrigados a fazer um treinamento de 90 horas para aprender todas as modalidades do poker e saber resolver qualquer questão relativa ao jogo. O segundo é que não existe a tal da “falinha”, reinante nas mesas caras do Brasil e um dos maiores absurdos que um esporte pode ter. Já participei e presenciei várias brigas por causa dessa bobagem, originada, provavelmente, no poker fechado, muitos anos antes do Hold’em e do Omaha. Lembre-se

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de que, no poker fechado, não há informação a não ser o número de cartas trocadas. No Texas e no Omaha as cartas comunitárias, a ação pré-flop e a posição do jogador dão muitas pistas sobre o que está acontecendo. A “falinha” é totalmente subjetiva e interpretativa, principalmente para quem está perdendo. Uma vez chegaram a acusar, no calor da discussão, que eu havia dado uma “falinha” com drible de corpo (me mexi enquanto o referido jogador estava pensando se pagava ou não a aposta). A verdade é que, tal como em qualquer outro esporte tem as suas regras, elas são únicas em qualquer lugar do mundo e acho que deveríamos cumpri-las totalmente aqui no Brasil. Até porque, quando jogarmos em outros países já estaremos acostumados. Por outro lado, o ambiente nas mesas no Brasil é muito mais divertido. Aqui eu converso, brinco, ouço piadas, o que torna o ambiente muito mais descontraído. Nos EUA quase não se conversa nas mesas e muitos usam iPod.

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ara concluir, a viagem foi muito enriquecedora. Ficamos sete meses morando em Vegas e voltamos melhores do que fomos, o que é muito importante. O que pesou muito para voltarmos foi a saudade do nosso Brasil. É difícil deixar um lugar onde se tem raízes. Sentimos muita falta da família, dos amigos e do ambiente alegre que temos por aqui. Sentimos também muito a diferença da comida. Detestei a comida americana e a nossa felicidade era ir duas vezes por semana na maravilhosa “Texas de

Brazil”, churrascaria verdadeiramente brasileira, servida por brasileiros. Eu e a Alê ficávamos ansiosos para ir comer lá. O resultado foi que engordamos uns cinco kilos cada um, mas com picanha de primeira.

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ambém nos divertimos muito assistindo shows, jogando boliche, conhecendo novos lugares como várias cidades na Califórnia (Los Angeles, Santa Mônica, Malibu, e outras) e a nova ponte Skywalk, que fica numa reserva indígena dentro do Grand Canyon. Uma experiência imperdível! Não deixe de ir. Aliás outra experiência maravilhosa foi pilotar Ferrari, Lamborghini e Porsche no autódromo de Las Vegas. Se você for para lá jogar a WSOP, não deixe de experimentar. Custa US$300 por seis voltas, o que é baratíssimo para ter a oportunidade de experimentar na pista o que é pilotar carros com uns 500HP e que aqui no Brasil custam mais de 1 milhão. No site exoticsracing.com tem todas as informações. Estamos felizes de voltar ao Brasil e chegamos à conclusão de que o melhor equilíbrio é viajar umas três ou quatro vezes para Vegas, sempre quando há alguma série de torneios como a WSOP, WPT ou Deep Stack, para ficar um mês por viagem. Assim conseguiremos aproveitar o que há de melhor na cidade, sem ficar com aquela saudade louca de tudo o que o Brasil tem de bom. Abraços a todos e, se quiserem mais informações e dicas, não deixem de me escrever no email sergiofbraga@ globo.com.  Junho |

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coluna ADTP

a evolução do poker

no Brasil N N Os primeiros torneios reuniam 40 jogadores, e hoje ultrapassam os 800

Por EltonCz*

ADTP

A Associação de Diretores de Torneios de Poker é o braço regulamentador da Confederação Brasileira de Texas Hold’em.

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esta edição eu vou aproveitar a co- várias outras coisas a nosso favor, naquela époluna da ADTP para falar sobre o ca não tínhamos nada e ainda éramos vistos poker no Brasil e como os eventos como um grupo de viciados em jogo. cresceram no País, alcançando um nível internacional. Um pouco de o final tudo deu certo, e fizemos a prihistória para lembrar as mudanças que aconmeira etapa com aproximadamente 40 teceram em tão pouco tempo, inclusive em jogadores no torneio. Esse foi o primeirelação aos torneios e à aplicação das regras. ro evento que eu organizei oficialmente, visto O primeiro circuito estadual criado no Brasil que aquele do sítio tinha sido mais um teste foi o CPH, que hoje é o Campeonato Paulista para ver o que acontecia. Consideramos um oficialmente reconhecido pela Federação do Es- sucesso, e o público que participou se identado. Mas naquela época, 2005/2006, eu ainda tificou bastante com o que estava acontecennão trabalhava com o pessoal da Nutzz e nem do. Hoje, alguns dos jogadores que estiveram imaginava que no futuro iríamos todos ser só- naquele torneio, ficam impressionados com o cios e trabalhar no mesmo grupo. Na prática, rumo que o poker tomou no Brasil. Agora, o eu só fiquei sabendo da existência do circuito mais irônico de tudo é que a maioria dos parno final daquele ano, e até arrisquei a jogar al- ticipantes daquela etapa era composta de alugumas etapas em 2006, fazendo uma mesa final nos da Faculdade de Direito de São Bernardo. (era mais fácil naquele tempo). Mas o que me Naquela primeira vez, não tínhamos cartão interessou foi descobrir que no Brasil existiam de posição e muito menos o software de geeventos organizados como aquele. Aos poucos, renciamento de jogadores. Cada inscrito era eu fui participando das etapas, ajudando a or- anotado em um papel e já entregávamos as figanização e aprendendo sobre o assunto. chas dentro de um saquinho, com o número da Com o apoio da Nutzz (que na época nem mesa e a posição. Cada vez que as mesas preexistia como empresa legalmente constituí- cisavam ser balanceadas, tirávamos o jogador da), pensava em utilizar o CPH como inspi- que estava antes do dealer, e o levávamos até a ração para um circuito no ABC Paulista, que mesma posição na próxima mesa. Essa prática é a minha região. Antes de por isso em práti- durou por um bom tempo, até as mudanças no ca, encontrei mais dois interessados em São regulamento em 2008. O correto, feito a partir Bernardo e acabamos entrando num acordo, organizando um torneio em Circuito ABC em 2007 – nem dealers haviam nas mesas um sítio para o pessoal da faculdade deles. Esse torneio, juntamente com tudo que tinha visto no CPH, foi a base de um dos mais famosos eventos do poker brasileiro, que foi o Circuito ABC – criado por nós três em junho de 2006. A primeira etapa foi no salão de eventos de um hotel em São Bernardo, e eu lembro bem a luta que meus sócios tiveram com o pessoal de lá, para convencê-los de que um torneio de poker não era ilegal. Se hoje temos a CBTH, laudos, relatórios, reportagens, TV e

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dali, é tirar o jogador em UTG na mão que está em andamento, e levá-lo para a pior posição na mesa seguinte. Com isso, ele não é prejudicado, mesmo que caia na posição de big blind. Falando em regras, naquela época somente o CPH tinha um regulamento escrito feito pelo DC (que foi o primeiro diretor de torneios do País), baseado nos regulamentos americanos. Fizemos a nossa versão e passamos a utilizar nos eventos. O segundo torneio foi feito no restaurante São Francisco, em São Bernardo. Depois, a terceira etapa foi realizada em outro restaurante em São Caetano e, a partir da quarta, voltamos pro mesmo São Francisco, que foi a casa do ABC até a abertura do Omega em 2007.

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uando voltamos pra São Bernardo, começamos a utilizar algo que até então era novidade. O programa de controle de blinds, projetado no telão. Informações como o tempo restante, a média, quantidade de jogadores, etc, que hoje são importantíssimas para os jogadores, passaram a ser disponibilizadas de maneira rápida e prática. Enquanto isso, os eventos iam crescendo e surgiu aquele que viria a ser o maior torneio da América Latina: o BSOP. Com 32 jogadores, foi feita a primeira etapa em São Paulo, que contou com algo inédito: a presença de dealers em todas as mesas. Naquela época, o mercado de profissionais carteadores era muito pequeno e esse era um diferencial importantíssimo. Em 2007 duas novidades importantes. A primeira, foi minha entrada no grupo da Nutzz, participando oficialmente da organização do CPH e do BSOP. A segunda foi a abertura do Clube Omega em São Bernardo, com a direção do Robigol, que se tornaria também parte do grupo e um dos maiores diretores de torneio do Brasil. Junto dele, eu e minha equipe do ABC fizemos os maiores eventos da época, começando pelo histórico 70K de inauguração, ultrapassando pela primeira vez a marca de 400 jogadores em um torneio e começando uma sequência de eventos com premiação garantida. Depois desse, fizemos também o 100K garantido e transformamos o Circuito ABC num sucesso ainda maior,

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Mais de 780 pessoas participaram da quarta etapa do BSOP 2010

disputando com o CPH o título de maior torneio regular do País, com média de 120 jogadores por etapa. Até que chegou 2008 e a criação da Stack Eventos, com a premissa de novos e maiores torneios. Com o fechamento do Omega, levamos a equipe para um novo clube em São Paulo e iniciamos outra sequência de torneios garantidos. Cartões de posição, telões, sistemas de som adequados, regulamento impresso e dealers em todas as mesas, já eram obrigação de qualquer evento que quisesse ser levado a sério no mercado do poker nacional. Aplicando cada vez mais um controle sério e o respeito às regras, fizemos torneios de 150K, 300K e 500K de premiação garantida. O nível dos jogadores aumentou e os eventos se tornavam cada vez mais profissionais. Em 2009, com a junção da Nutzz/ Stack, foi criada também a entidade que se torna responsável por atualizar e divulgar um regulamento único para o poker nacional. Juntos, eu, DC, Robigol e Juliano Maesano montamos a Associação de Diretores de Torneios de Poker (ADTP) e apresentamos um conjunto de regras que, hoje, se tornaram a base para os maiores eventos do País. Base, inclusive, do BSOP, que apresentava um crescimento muito grande, passando de uma média de 200 jogadores, para 400 jogadores. Até que, em setembro, bateu o recorde de maior torneio brasileiro, colocando 641 pessoas para jogar no Rio de Janeiro. Sem contar que a Stack organizou com patrocínio do Full Tilt, um dos

maiores sites de poker do mundo, o 750K, torneio com a maior premiação garantida até hoje, dando continuidade ao trabalho iniciado lá em 2007.

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m 2010, a profissionalização dos eventos atingiu níveis cada vez maiores. Desde a equipe, que trabalha uniformizada, passando pela aplicação das regras de forma segura e clara, até a maneira como os dealers distribuem as cartas, seguindo padrões internacionais, tudo contribuindo para melhorar o torneio e proporcionar satisfação para os participantes. Nesta temporada, com a entrada do Full Tilt e da ESPN, o BSOP bateu duas vezes o recorde latino-americano, colocando 788 e 794 participantes nas etapas de São Paulo e Curitiba, respectivamente. Além disso, a Stack Eventos promoveu, também com patrocínio do Full Tilt, a maior série de torneios já realizada no Brasil, com dez eventos em 11 dias. Dos 40 jogadores daquela primeira etapa do ABC, aos mais de 800 que participaram do BSOP de Curitiba, foi uma mudança muito grande e uma evolução sensacional, que eu espero que continue cada vez melhor. Aos que acompanharam desde o começo, não se preocupem, que muito mais ainda está por vir. Aos que estão chegando agora, sejam bem-vindos e surpreendam-se, pois nosso País e nossos eventos não estão devendo nada aos maiores do mundo. Abraços a todos!  *EltonCz é diretor de torneios e um dos membros fundadores da associação. Junho |

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coluna MeBeliska

colunas@revistaflop.com.br Mamute cria a nova falinha: Vai o bambu inteiro!

o mundo ainda vai acabar

EM falinhas!

Edu Sequela relembra algumas frases mais ouvidas nos feltros brasileiros

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odo mundo que joga poker ao vivo já usou pelo menos uma das tais frases. Lembro até hoje que, em um dos meus primeiros torneios ao vivo em meados de 2007, uma pessoa numa mesa próxima estava em all in e, de pé com par de Ases, solta a frase “sem surpresa”. Confesso que no primeiro momento não entendi o que estava acontecendo. O salão dava risada, quando um dos jogadores diz “esta frase é do ‘Fábio Deu Zebra’”. Aí eu acho engraçado e pergunto: “deu zebra?” Ele responde: “esta frase também é dele!”, e segue explicando que Fábio Monteiro, um grande jogador, já naquela época, toda vez em que puxava um pote soltava: “deu zebra!” Ali comecei a perceber várias outras frases que acabam entrando em nosso vocabulário, sem mesmo que a gente perceba, e não são poucas. Fábio “DeuZebra” Monteiro

MeBeliska.com

Há mais de um ano trazendo para o online, com seriedade e humor, tudo o que acontece nas mesas live.

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Vamos relembrar algumas: • Homem-Titânio (jogador duro da mesa) • Tô perdendo, mas tenho que pagar • Segura na mão de Deus • Tô gigante • Sem alteração • Brilha estrelinha • Coração sempre bate (Copas) • One time • Perdi tudo? • Tenho alguma defesinha? • Que sonho de parceiro • Parceiro queimado interessa • Mais queimado do que lenha de pizzaria • Capotou o jipe • Deu a lógica • Salva o mundo • Se eu mostrar o meu, você mostra o seu? • É a pamonha toda (all in) • Cavalaria completa (all in) • A casa toda (all in) • Tá puxado • Se tiver, parabéns! (na hora de pagar) • Vou pro cash! • Zona do agrião • Naipadinho, eu não me seguro • Tem esse joguinho todo dia? • Esse é o joguinho • Joguei • Vou experimentar (após um jogador apostar) • Tô atrasadíssimo • Tá com muito • Mas tava de roupinha • Passa tudo • Paga, paga antes que achem alguma coisa • Miniraise me pega • Vai mostrar?

E hoje não é difícil ver alguém, em algum torneio, repetindo isso. Aqui fica nossa homenagem ao Mamute pela criação deste, que já se tornou um bordão com a cara da TV MeBeliska. Mande as falinhas que você já escutou para contato@mebeliska.com.br.

MeBeliska na WSOP 2010

É com grande satisfação que anuncio que já recebemos nossas credenciais para mais uma fantástica cobertura da World Series of Poker. No ano passado foram mais de 30 dias correndo pelo salões do Hotel Rio, percorrendo mais de 500 mesas, caçando os brasileiros que engataram nos diversos eventos da WSOP. E este ano não será diferente. A equipe irá em número maior para trazer mais informações, com maior qualidade e velocidade. Novamente, contaremos com toda tecnologia possível para que vocês, daqui, recebam todas as informações possíveis de tudo o que acontece dentro e fora das mesas. Novamente estaremos hospedados no hotel Venetian para acompanhar as aventuras dos brazucas, sendo dentro do hotel ou fora, nas muitas atrações desta cidade eletrizante. Estaremos, além de reportando os players brasileiros, também torcendo

por eles – que este ano o Brasil traga mais um bracelete para casa. Acompanhe as melhores informações sobre o que vai rolar emVegas no nosso site: www.mebeliska.com. Até a próxima! 

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esolvi falar sobre este assunto pois, recentemente, vimos nascer mais uma das “frases do poker”, com Mamute no comando da narração da TV MeBeliska, soltando a frase: “jogador fulano de tal injeta todo seu bambu de fichas no centro do gramado”. www.revistaflop.com.br

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BSOP - Curitiba 4ª Etapa Dias 13 a 17/05 Buy-in: R$1.200 Stack Inicial: 20K Blinds: 45 minutos Prizepool: R$794.000 Local: Villa Batel Field: 794 Jogadores ITM: 1º ao 81º

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Fotos: Office Photo

Social

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3ª Etapa Dias 08 a 12/04 Buy-in: R$ 1.200 Estrutura: 20K / 45 min Prizepool: R$535.000 Local: Costão do Santinho Field: 535 Jogadores ITM: 1º ao 54º

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Fotos: Amúlio Murta

BSOP – Florianópolis (SC)

Fotos: Office Photo

Social

Estadual Rio de Janeiro 1ª Etapa Dias 21 e 23/05 Buy-in: R$ 600 Estrutura: 20K / 30 min Prizepool: R$115.000 Local: Hotel Pestana Field: 214 Jogadores ITM: 1º ao 18º

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Glossário A

Add-on: ato de comprar fichas adicionais durante um torneio. Geralmente, eventos com re-buy permitem add-on liberado para todos os jogadores. All in: quando um jogador aposta todas as suas fichas em uma mão. All in mode: quando um jogador tem poucas fichas em relação aos blinds, estando sujeito a aplicar um all in a qualquer momento. Ante: aposta colocada na mesa por todos os jogadores antes de começar a mão. Average: média de fichas em um torneio ou mesa, normalmente calculada dividindo-se o número total de fichas pelo número de jogadores restantes.

B

Bad beat: jogada em que o favorito perde a mão quando seu oponente, com poucas chances, consegue acertar uma carta. Bankroll ou BR ou Cacife: quantidade de dinheiro que o jogador tem para jogar. Belly buster ou “Racha”: carta de meio de uma sequência. Bet: apostar. Big bet: aposta que, em jogos fixed limit, acontece no turn e river. Big blind ou BB: aposta obrigatória colocada pelo jogador sentado na segunda posição. Blank: carta comunitária inútil, que não faz muita diferença para qualquer dos jogadores. Blind ou Pingo: aposta obrigatória. Bluff: blefe. Board: cartas distribuídas viradas para cima, para que todos os jogadores as vejam. Em jogos com flop, são cinco cartas comunitárias no centro da mesa. No Stud, são quatro cartas pessoais, à frente de cada jogador. Bounty: recompensa em prêmio ou dinheiro que um jogador ganha por ter eliminado de um torneio outro jogador. Bring-in ou Abertura: aposta forçada, na primeira rodada pelo jogador que recebeu a carta aberta mais baixa, no Seven Card Stud. No Razz, quem faz a abertura é quem tem a carta aberta mais alta. Broca: ver Gut Shot Straight Draw. Bubble ou Bolha: posição em que um jogador é eliminado de um torneio, logo antes de entrar na faixa de premiação. Quando esse jogador é eliminado, diz-se que a bolha estourou, e, dali para a frente, todos os jogadores entram na faixa de premiação.

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Button ou Botão: outro nome para a posição de dealer na mesa, que é representada por um disco branco, à frente do jogador. Buy-in: valor da inscrição em um torneio.

C

Call: pagar uma aposta. Calling station: jogador passivo que não costuma repicar e que paga mais apostas do que deveria. Cap: efetuar o último repique permitido em uma rodada. Em jogos limit, há o limite de três repiques. Cards speak: termo que indica que o que vale são as cartas do jogador, mesmo que ele anuncie verbalmente um jogo errado. Cash game: o jogo a dinheiro, sem ser torneio, no qual o jogador pode entrar e sair quando desejar. Também chamado de ring game. Cash out: sacar o dinheiro. Check: dar check é continuar no jogo sem apostar; passar a vez, pedir mesa. Check-Raise: quando o jogador primeiro dá check e, depois que alguém aposta, ele repica. Chip: ficha. Chipleader: o líder em fichas, o primeiro colocado em um torneio. Chop: devolver os blinds aos jogadores que os colocaram e seguir para a próxima mão, se nenhum outro jogador entrou na jogada. Também significa “dividir a mesa” e, normalmente, só existe em jogos ao vivo. Também é usado em finais de torneio, quando se pretende propor um acordo. Clubs: naipe de paus. Coinflip: situação em que dois jogadores têm chances quase iguais de ganhar a mão. Cold call: quando o jogador paga mais de uma aposta ou repiques, sem ainda ter posto nada na mesa. Collusion: conluio. Comportamento desleal adotado por dois ou mais jogadores que atuam de forma ilegal, em parceria. Connectors: duas cartas em sequência. Continuation bet ou C-bet: é quando um jogador dá sequência ao raise pré-flop com uma aposta no flop, tenha este melhorado ou não a sua mão. Cut-off: posição do jogador na mesa, anterior à posição do dealer.

D

Deal: acordo.

Dealer: pessoa que manuseia as cartas, distribui a mesa e monitora o jogo. Também conhecido como croupier. Dealer position: o último jogador a apostar em uma rodada. Deep Stack: estilo de torneio que traz muitas fichas no stack inicial e níveis de blinds longos e de subida leve, beneficiando jogadores mais técnicos. Diamonds: naipe de ouros. Door card: primeira carta exposta, ou carta aberta, em uma mão, em jogos Stud. Draw: quando um jogador ainda não está com a mão feita, mas espera que, com as próximas cartas, consiga uma boa mão. Ocorre para sequência (straight draw) ou cor (flush draw). Drawing dead: quando o jogador está em um draw, esperando uma carta para fechar seu flush ou sequência, mas, mesmo que ele consiga, não terá chances de vencer, pois o oponente já possui mão superior.

E

Early positions: as quatro primeiras posições da mesa.

F

Fee: valor da inscrição destinado aos organizadores de um torneio, não integrando a premiação. Field: refere-se ao número de participantes de um torneio. Final table ou FT: mesa final. Fish: é o jogador com pouca habilidade, “pato”. Five-Card Stud: modalidade de poker em que cada jogador recebe cinco cartas, uma fechada e quatro abertas, com apostas após a segunda, terceira, quarta e quinta cartas. Também conhecido como Stick de cinco cartas. Float: pagar uma aposta, normalmente no flop e com posição, com a intenção de blefar mais adiante na mão. Flop: as três primeiras cartas comunitárias que são abertas no centro da mesa, ao mesmo tempo, nas modalidades Hold’em e Omaha. O flop também indica a segunda rodada de apostas. Flush ou Cor: cinco cartas do mesmo naipe, independentemente do valor. Flush draw: tentativa de flush. Quando um jogador tem quatro cartas, todas do mesmo naipe, e espera receber uma quinta para fazer um flush. Fold: correr, desistir da mão quando é a sua vez de jogar.

Fold equity: é a chance de você ganhar o pote porque seu oponente desistirá. Four of a kind ou Quads: quadra. Freecard: carta grátis, que o jogador vê sem ter que pagar alguma aposta, pois todos bateram mesa. Freeroll: torneio gratuito, com prêmios em dinheiro. Freezeout: formato de torneio em que não são permitidos re-buys. Full house: uma trinca e um par.

G

Gap: conceito que diz, em resumo, que para pagar uma aposta ou aumento, um jogador deve ter cartas melhores do que ele teria para ser o primeiro a apostar ou realizar um raise. Grinding: jogar com um estilo de poucos riscos e de lucro modesto durante muito tempo. Gut shot straight: sequência que ainda precisa de um “racha”, para ser formada. O mesmo que Inside Straight.

H

Hand range ou apenas Range: gama de mãos possíveis que um adversario pode ter, baseado em suas observações sobre seu jogo. Heads-up: mano a mano. Quando apenas dois jogadores estão envolvidos numa mão, torneio ou jogo, um contra o outro. Hearts: naipe de copas. Hi-Lo: jogos de divisão da mesa entre os jogadores com a melhor mão alta e baixa. Também chamados de high/low ou hi-low. High card: uma mão de cinco cartas que não contém nenhum jogo formado, usando apenas a carta mais alta. High stakes: jogo de cacifes altos. Hole cards ou Pocket cards: cartas que o jogador recebe e somente ele pode ver e usar.

I

Implied odds: probabilidade implícita. Cálculo semelhante ao pot odds, mas que leva em conta informações que o jogador tem de seus adversários, podendo assim alterar as probabilidades com suas ações. Instacall: quando um jogador paga imediatamente uma aposta ou raise. In The Money ou ITM: expressão que indica o jogador que já garantiu uma parte da premiação. www.revistaflop.com.br

K

Kicker: carta de desempate, é a mais alta carta sem par na mão de um jogador, a que geralmente resolve a jogada em caso de empate, caso dois ou mais jogadores tenham mãos iguais. Se todos tiverem o mesmo kicker, analisa-se o segundo kicker e segue-se até haver desempate. Kill: nesta modalidade, as apostas dobram quando um mesmo jogador ganha a mesa duas vezes seguidas.

L

Late positions: as duas últimas posições da mesa. Leak: falha que um jogador costuma cometer repetidamente, e precisa ser detectada para sua melhoria. Limit ou Fixed Limit: É uma variação de formato de apostas, que significa que o valor das apostas são limitados. Limp: ato de apenas pagar a aposta do big blind. O jogador que deu limp, ou sempre o faz, é chamado de limper. Live: jogo ao vivo. Loose: estilo do jogador que joga muitas mãos, mesmo com jogos de médio valor.

M

Main pot: o valor do pote principal que está sendo jogado na mesa. Middle position: as posições intermediárias da mesa. MIssclick: é quando um jogador que está jogando online clica acidentalmente em um botão errado. Exemplo: um jogador quer dar fold, mas por descuido clicla em call ou raise. Mixed games: são torneios de poker que envolvem mais de uma modalidade a ser jogada no mesmo torneio. Por exemplo, o HORSE (Holde’m, Omaha, Razz, Stud e Eight or Nothing). Move: jogada. Muck: sair do jogo sem mostrar a mão. Também designa o monte de cartas que já não estão em jogo. Multitable ou MTT: torneio com várias mesas, que são remanejadas a fim de manter o equilíbrio no número de participantes.

N

No Limit ou NL: É uma variação de formato de apostas que significa que não há limite sobre o valor das apostas.

Note: anotações que um jogador faz sobre os seus adversários na mesa. Nuts: a melhor mão possível em uma determinada altura do jogo.

O

Odds: Probabilidade de se fazer uma mão. Offsuit: Cartas de naipes diferentes. Omaha: Modalidade em que cada jogador recebe quatro cartas fechadas, com cinco cartas comunitárias. Para fazer a sua mão, o jogador é obrigado a usar duas de suas cartas e três das cartas comunitárias. Online: jogo pela internet. Open: abrir, fazer a primeira aposta. Open-ended straight: sequência de duas pontas, que ainda precisa de uma carta para ser completa, em qualquer um dos lados. Opening hands: mãos que o jogador seleciona para entrar em uma jogada. Outs: número de cartas restantes no baralho que podem melhorar a mão. Over aggressive: estilo de jogador muito agressivo, que aposta e repica muitas mãos. Over the Top: quando um jogador dá um raise ou all in over the top, ele está apostando por cima de uma aposta ou raise de um jogador anterior. Overcall: é pagar uma aposta depois que um ou mais jogadores já tenham pago. Overcard: aarta da mesa, maior do que o par que está na mão do jogador. Overpair: um par na mão do jogador, que seja mais alto do que qualquer uma das cartas na mesa.

P

Pocket: são as cartas fechadas que o jogador recebe. Pot ou Pote: É a quantidade de fichas que fica ao centro na mesa. Pot committed: Situação em que o jogador já pôs tantas fichas no pote, e este está tão grande, que, mesmo sem ter o melhor jogo, ele acaba pagando mais apostas. Pot Limit ou PL: É uma variação de formato de apostas, que significa que o valor das apostas são limitadas ao valor do pote. Pot odds: Cálculo do custo-benefício para pagar uma aposta, relacionado ao valor que já existe no pot, levando em conta as chances de o jogador acertar a carta necessária para ganhar a mão. junho |

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Glossário

Prizepool: Valor total das premiações em um torneio. Push: Movimento de dar all in.

R

Rack: espécie de bandeja de plástico transparente que comporta 100 fichas de poker, em cinco fileiras de 20 fichas. Railbird: alguém que permanece numa sala de poker, observando os jogos. Rainbow: quando, no flop, as cartas da mesa são de naipes diferentes. Raise: aumentar, repicar. Ragged: é o flop (ou do bordo) que parecem não ajudar a nenhum dos jogadores na ação. Rake: comissão. Porcentagem de fichas retiradas do pote pelo cassino, ou pela sala de poker, ou pela organização do jogo. Razz: Jogo semelhante ao Seven Card Stud, só que nele a menor mão ganha a mesa. No Razz, não existe flush ou sequência, então o melhor jogo seria A-2-3-4-5. Re-buy: recompra. Alguns torneios permitem recompras, normalmente na primeira hora, para os jogadores que perderam suas fichas, limitadas apenas aos jogadores que possuem um cacife ou menos fichas. Re-raise: também conhecido como contra repicar. Dar re-raise é aumentar novamente uma aposta que já tenha sido aumentada. River: a última carta. No Hold’em e no Omaha, também é conhecida como 5th street ou quinta carta comunitária. Em jogos Stud, também é denominada 7th street ou sétima carta. Royal flush ou Royal straight flush: sequência máxima do mesmo naipe, T-J-Q-K-A. É a melhor mão possível no Hold’em. Runner-runner: é usado para descrever uma mão que foi formada apenas quando virados o turn e o river.

S

Satelite: torneio em que a premiação são entradas para um outro torneio maior. Scoop: ganhar toda a mesa, “rapelar”, com as mãos alta e baixa em um jogo Hi-Lo. Semi-bluff: é quando um jogador faz uma aposta ou aumento com a esperança de que não será pago, mas se for, ele ainda tem outs para acertar a mão vencedora. Session: sessão de jogo. Set: ter uma trinca, sendo um par na mão e uma carta, formando a trinca, na mesa.

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Seven Card Stud: stick de sete cartas, é um jogo de poker em que os jogadores recebem três cartas fechadas e quatro cartas abertas. Faz-se a mão com as cinco melhores cartas dessas sete. Shootout: formato de torneio em que não há remanejamento entre mesas e é preciso vencer todos os adversários em sua mesa para avançar. Short-handed: jogo com poucos jogadores, normalmente entre três e seis por mesa. Short-stack: jogador que possui menos fichas em uma mesa ou torneio. Showdown: abertura das cartas na rodada final de apostas, para saber qual jogador tem a melhor mão. Side pot: é um pote separado que é disputado pelos jogadores ainda ativos quando um ou mais jogadores estão all in. Sit-and-Go ou SnG: torneio em que não há horário para o seu início, formando-se quando for completado o número de jogadores necessários. Sitting out: quando um jogador está ausente na mesa. Slowplay: quando um jogador tem uma mão muito forte e não aposta muito, permitindo que outros continuem no jogo, tentando aplicar uma armadilha (trap). Slowrolling: quando um jogador tem a melhor mão e demora, pensando na jogada, para pagar um all in do adversário. Essa atitude é considerada falta de respeito. Small bet: aposta que, em jogos fixed limit, acontece no pré-flop e flop. Small blind ou SB: aposta obrigatória, colocada pelo jogador sentado na primeira posição. Spades: naipe de espadas. Split: empate, divisão do pote. Spot: situação de jogo, que leva em conta sua posição, stack e outras variáveis Stack: pilha de fichas. Steal:“roubar” os blinds ou o pote. Stop-and-Go: pagar uma aposta com a intenção de aumentar na próxima rodada. Straight: cinco cartas consecutivas de qualquer naipe. Straight flush: cinco cartas consecutivas do mesmo naipe. Stud Games: poker aberto, jogos em que os participantes recebem cartas fechadas e abertas, também chamados de Stick. Suckout: quando um jogador consegue vencer um jogo melhor, nas últimas cartas. Suit: naipe. Suited: cartas do mesmo naipe.

Suited connectors: quando o jogador recebe suas cartas e elas são em sequência do mesmo naipe.

T

Takedown: vencer a mão com o fold dos outros jogadores. Tell: espécie de pista ou dica involuntária que um jogador faz sem perceber. Texas Hold’em: modalidade de poker mais popular atualmente. Cada jogador recebe duas cartas pessoais e mais cinco cartas comunitárias são viradas na mesa. Cada jogador deve fazer uma mão de cinco cartas, podendo usar quaisquer das sete cartas disponíveis. Three of a kind: trinca. Tight: jogador que não joga muitas mãos, que é seletivo. Pode ser, também, a indicação de um jogo que não tem muita ação. Tilt: um jogador entra em tilt quando sofre uma derrota e fica tão abalado que começa a jogar de forma irracional. Top pair: par maior. Quando um jogador usa a carta mais alta do flop para fazer um par com uma das suas cartas. Trap: armadilha. Quando um jogador tem uma mão enorme e induz outro a entrar na jogada, fazendo-o pensar que pode vencer. Trips: é a formação de uma trinca, sendo uma carta de sua mão e as outras duas na mesa. Turn: quarta carta a ser distribuída, em jogos de flop. É a terceira rodada de apostas.

U

Under the gun ou UTG: a primeira posição depois do big blind. Underdog: um jogador que possui chances menores que seu adversário de ganhar a mão.

V

Value Bet: aposta de valor, quando um jogador tem claramente o jogo vencedor (nuts), mas, para conseguir extrair mais fichas dos seus oponentes, sem assustá-los com apostas muito grandes, aposta pouco. Variância: são as oscilações que seu bankroll sofre ao longo de sua carreira.


Guia de Iniciantes

A grande maioria dos leitores já está mais que habituada com essas palavras. Mas o número de interessados no assunto cresce a cada dia e, assim, muitos ficam fascinados pelo jogo, mas não têm ideia de como funciona. E não é por menos, pois, nos últimos anos, o poker virou uma febre mundial. Então, o que é esse tal de Texas Hold’em? Bem, o Texas é, atualmente, a modalidade do poker mais conhecida e jogada no mundo. Ela está presente em todos os grandes eventos live e online, em programas de televisão, nos fóruns de internet e, assim, é o estilo que qualquer profissional de poker domina. Não se sabe ao certo quando essa modalidade foi criada. Os primeiros registros dos jogos de Hold’em datam do início do século XX, na cidade de Robstown, no estado do Texas (EUA). Em pouco tempo, o Hold’em foi introduzido em Las Vegas por um grupo de famosos jogadores texanos, incluindo Amarillo Slim, Doyle Brunson e Crandell Addington.

a dinâmica

O que é

texas hold’em

Uma vez definido o dealer e os blinds terem sido colocados na mesa, são distribuídas duas cartas fechadas a cada um dos jogadores da mesa. A seguir, começando pelo jogador a esquerda do big blind (ou seja, o UTG), começa a primeira rodada de apostas. Os jogadores têm três opções de ação: • Fold: desistir da mão, • Call: pagar a aposta (no caso seria o valor do big blind), • Raise: aumentar a aposta, colocando na mesa o valor que ele desejar, desde que seja, no mínimo, o dobro da última aposta ou aumento. Exemplo: se o big blind for 10, o raise mínimo na primeira rodada de apostas é 20. Após todos os jogadores terem tomado suas decisões (fold, call ou raise), são abertas as três primeiras cartas comunitárias na mesa, o que é chamado de flop. Então uma nova rodada de apostas se segue. Obs: se antes do flop algum jogador fizer uma aposta e todos os demais desitirem, ele leva o pote e não haverá a abertura de cartas comunitárias. Da mesma forma, se após o flop alguém apostar e todos desistirem, a mão é decidida ali mesmo.

O objetivo do jogo é fazer a melhor mão possível de cinco cartas, combinando as duas cartas fechadas, que cada jogador recebe no início de cada rodada, com as cinco cartas comunitárias abertas pelo dealer. Essas cinco cartas comunitárias, também chamadas de bordo (board) são abertas na seguinte sequência: • Flop: 3 cartas, • Turn: 1 carta, • River: 1 carta. Antes e após cada abertura das cartas comunitárias, os jogadores decidem se vão ou não continuar jogando aquela mão e realizam suas apostas. Porém, antes de explicarmos como é a dinâmica do jogo, é preciso esclarecer alguns conceitos básicos: 1) O dealer (botão): a distribuição das cartas e a ordem das apostas é sempre realizada no sentido horário. Em cada rodada, um dos jogadores terá o botão do dealer em sua frente, indicando que a ação começará com o jogador a sua esquerda.

112 | junho

Assim, o jogador que tem o botão a sua frente sempre será o último a agir. 2) Os blinds: estas são apostas obrigatórias, que devem ser feitas pelos jogadores nas duas posições imediatamente a esquerda do dealer, antes mesmo de receber suas cartas. O primeiro apostará o small blind (SB), com metade do valor do segundo jogador, que apostará o big blind (BB). Nos torneios, os valores dos blinds vão aumentando ao longo do jogo. Já nos cash games, os blinds permanecem fixos. 3) Posições na mesa: em geral, uma mesa de Texas Hold’em é composta por 9 jogadores, e todas as posições na mesa recebem algumas denominações. Por exemplo, o primeiro a agir em uma rodada é chamado “Under The Gun” (UTG). Essa é a pior posição possível na mesa, uma vez que o jogador tem que tomar uma decisão sem nenhuma informação sobre os adversários. Por outro lado, os jogadores em late position, os últimos a agir, têm a vantagem de tomar suas decisões baseados em ações anteriores dos adversários.

RANKING DE MÃOS

o jogo

Se houver necessidade, uma quarta carta é aberta na mesa, chamada de turn. Então segue mais uma rodada de apostas.

Carta alta

Cor ou flush

www.revistaflop.com.br

Par

Full House

Então é aberta a última carta comunitária, chamada de river e a última rodada de apostas se segue. Caso um jogador aposte e um ou mais oponentes dê call é realizado o showdown – momento que todos jogadores mostram as cartas para ver quem tem o melhor jogo. O participante com a melhor mão leva todas as fichas do pote e uma nova rodada se inicia. Obs: existem três tipos básicos de Texas Hold’em, no que se refere aos valores máximo de apostas:

• Fixed Limit: o valor da aposta é fixo, • Pot Limit: o valor máximo da aposta é a quantidade total de fichas no pote naquele determinado momento. • No Limit: o jogador pode apostar o valor que quiser, desde que seja no mínimo do dobro do valor do big blind. Ainda confuso? Nada de pânico! Como tudo na vida, a prática fará você perceber que os conceitos aqui apresentados são mais simples do que podem parecer nesse primeiro contato. Em todos os poker rooms da internet, você poderá praticar sem a necessidade de colocar dinheiro de verdade. À medida que você for jogando, rapidamente os conceitos irão ficando mais claros, e o ranking de mãos será decorado naturalmente.

2 Pares

Quadra

Trinca

Straigh Flush

Sequência

Royal Straight Flush

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Humor

criado por Bobby Crosby - www.plusev.net

Jogando multitable

Home Game

Quer ver seu home game aqui na Flop? Mande suas fotos para homegame@revistaflop.com.br

Poker não se resume a disputas por grandes potes, competições por títulos ou campeonatos milionários. Poker, acima de tudo, é uma grande confraternização. Um jogo social que une famílias, amigos, e aproxima pessoas. Movidos por esse espírito, trazemos para o nosso leitor esta nova seção, reservada para os anônimos que se reúnem em torno das mesas por todos os cantos do País, para se divertir, jogar e fazer novos amigos.

Itu/SP

Da esq. para a dir. (em pé): Luís Cláudio, Dulão, Rafael, Henrique, Ricardo e Maquiel Sentados: Eduardo, Guilherme, Eric e Edivan. Lá em Itu, interior de São Paulo, tem uma galera que sempre se reúne segundas-feiras à noite para jogar poker e se divertir com os amigos. Quer acompanhar mais sobre essa turma? Então acesse o blog: diadepoker-itu.blogspot.com ATENÇÃO: MANDE, PELO MENOS, TRÊS FOTOS EM ALTA RESOLUÇÃO DE SEUS ENCONTROS para ele ser publicado na revista. 114 | junho


Flop 19  

do poker no W orld T eam P oker C irCuiTo P aulisTa Acompanhe os bastidores da luta da CBTH para mostrar que o poker é um jogo de habilidade...

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