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Número 2 - abril 2007

Informativo

Contrato nº 7317507903/2003-DR/MG

INSTITUTO FELICE ROSSO

DE PESQUISA E EDUCAÇÃO CONTINUADA

CORREIOS

IMPRESSO FECHADO Pode ser aberto pela ECT.

FELÍCIO ROCHO

IMPRESSO ESPECIAL

Humanização hospitalar é prioridade Garantia de tratamento eficiente e digno àqueles que precisam não apenas de saúde, mas também de recursos, afeto, compreensão... Nesta edição do Informativo Felício Rocho o leitor poderá conhecer um pouco do muito que é feito pela Instituição visando o bem-estar de todos os seus pacientes, acompanhantes e familiares. Reportagens e artigos demonstram que os integrantes do corpo clínico – desde renomados médicos até anônimos auxiliares de enfermagem -, assim como os membros dos Conselhos, diretores e funcionários administrativos, são pessoas dedicadas e unidas com um mesmo objetivo: proporcionar o mais digno acolhimento a todos os que procuram o Felício Rocho, seja para uma simples consulta, um tratamento especializado, uma cirurgia ou até um transplante de órgãos. E mais: no Hospital, assim como nas demais unidades que compõem a Fundação Felice Rosso, existe um clima de afinidade e cordialidade, que envolve bem-capacitados e permanentemente atualizados servidores de todos os níveis em todas as atividades. Afinal, trabalhar em ambiente saudável onde imperam a

afetividade e o respeito, em instância final reflete num atendimento mais eficiente. Este clima sadio é demonstrado por depoimentos e/ou artigos escritos pelos próprios servidores da verdadeira família que compõe a Entidade – sempre de braços abertos para receber e tratar com competência aos que dela necessitem. Descontraídos, alguns dos entrevistados narraram histórias comprovadamente reais, umas ternas e emocionantes, outras com fino

toque de bom-humor ou impressionantes pelas situações inusitadas, como a de um médico que salvou vidas de pessoas que nunca viu, das quais nunca soube sequer o nome e que se encontravam a centenas de quilômetros de distância. Ao lado da humanização propriamente dita, também mereceram destaque nesta edição várias ações empreendidas por iniciativa dos Conselhos Superior e Diretor. Elas vão desde medidas simples para assegurar melhores condições de trabalho e também de lazer aos funcionários, até a aquisição de novos equipamentos, dentre eles um de última geração, que possibilita o reaproveitamento do sangue do próprio paciente, evitando transfusões. Nunca é demais lembrar a nobre missão do Felício Rocho: Promover a saúde e o conhecimento com excelência e responsabilidade social! E esta é uma tarefa que, mesmo árdua, todos os que integram a Instituição procuram desempenhar dia-a-dia, com muito esforço, máxima dedicação e plena consciência do dever cumprido.


FELÍCIO ROCHO 2

Informativo

abril 2007

FUNDAÇÃO FELICE ROSSO Av. do Contorno, 9.530, Barro Preto * Belo Horizonte/MG * CEP 30110-934 Telefones (31) 3295-7865 / (31) 3339-7117 * Fax (31) 3292-3647 E-mail: diretoria@feliciorocho.org.br * Internet: www.feliciorocho.com.br CNPJ 17.214.149/0001-76 * Inscrição estadual 062.811691.00-00 * Inscrição municipal 303.601/004-3 Filiada: Associação dos Hospitais de Minas Gerais (AHMG) Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos de Minas Gerais (Federassantas) Federação Mineira de Fundações de Direito Privado (Fundamig) Fundação Affemg de Assistência e Saúde (Fundaffemg)

CONSELHO SUPERIOR

HOSPITAL FELÍCIO ROCHO

PRESIDENTA

DIRETOR CLÍNICO: Guilherme Durães Rabelo

VICE-PRESIDENTE

DIRETOR TÉCNICO: Nelson Eduardo Santos Toledo Salles

Maria Ângela de Faria Resende Gabriel Donato de Andrade

SECRETÁRIO

Cláudio Almeida de Oliveira

CONSELHEIROS

Acurcio Lucena Pereira Filho Adolfo Neves Martins da Costa Amélio Ferreira Maia Britaldo Silveira Soares Carlos Lindenberg Spínola Castro Domingos André Fernandes Drumond Emerson Tardieu de Aguiar Pereira Fernando Mello Vianna Netto Gabriel Bernardes Filho Joaquim Herculano Rodrigues Jonas Correia Barcelos Filho José Antônio Rodrigues José Cabral José Eduardo de Lima Pereira José Maria Bicalho José Olinto Pimenta de Figueiredo José Rezende de Andrade Luiz André Rico Vicente Márcio Ibrahim de Carvalho Murilo Araújo Oscar Dias Corrêa Júnior Paulo Abércio Baptista de Oliveira Paulo Rubens Navarro Vieira Pedro de Oliveira Neves Roberto Porto Fonseca Romeu Ferreira de Queiroz Sebastião Clecy Frauches Sebastião Lago Wilson Luiz Abrantes

CONSELHO DIRETOR DIRETOR PRESIDENTE

SUPERINTENDENTE: Nilcio Cunha Lobo Júnior Av. do Contorno, 9.530, Barro Preto * Belo Horizonte/MG * CEP 30110-934 Telefones (31) 3295-7865 / (31) 3339-7117 * Fax (31) 3292-3647 E-mail: diretoria@feliciorocho.org.br Internet: www.feliciorocho.com.br O HOSPITAL MANTÉM CONVÊNIOS COM: SUS * AGF BRASIL SEGUROS * AMAGIS * AMIL * AMMP * ASSEFAZ * ASSOCIAÇÃO EDUCATIVA ASSISTENCIAL REGINA PACIS * BACEN * BLUE-LIFE * BRADESCO SAÚDE * CAIXA ECONÔMICA FEDERAL * CAMED * CARE PLUS * CASA NOSSA SENHORA DOS ANJOS – IRMÃS FRANCISCANAS * CASSI * CAVA * COLÉGIO MONTE CALVÁRIO * COLÉGIO SÃO JOÃO BATISTA * CONAB * COMPANHIA VALE DO RIO DOCE * CONFIANÇA ASSISTÊNCIA MÉDICA E HOSPITALAR * COPASA * COPASS * CORREIOS * CRUZEIRO ESPORTE CLUBE * DESBAN – FUNDAÇÃO BDMG * EMBRAPA * FASSINCRA * FIOPREV * FORLUZ * FUNCEF * FUNDAÇÃO PAMPULHA * FUNDAFFENG * FUSEX * FUSMA * GRUPO ZEMA * IAJA/PROASA * INSPETORIA MADRE MAZZARELO * INSTITUTO DE RESSEGUROS DO BRASIL * INSTITUTO SANTO INÁCIO * INTEGRA * INTERSAÚDE ASSISTÊNCIA MÉDICA * IPSEMG * MEDIAL SAÚDE * MEDISERVICE * MENDES JÚNIOR ENGENHARIA * MINAS TÊNIS CLUBE * OMINT ASSISTENCIAL * PETROBRÁS DISBEL * PETROBRÁS REGAP * PLAN ASSISTE – PROCURADORIA REGIONAL DA REPÚBLICA * PRELEGIS * PREVIMINAS * PROMED * PRÓ-SOCIAL * SAÚDE ASTTER * SEIAS * SISTEMA PAULISTA DE ASSISTÊNCIA * SÓ SAÚDE * SUL AMÉRICA SEGUROS * THYSSENKRUPP SAÚDE * TRT-ER SAÚDE - TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO 3ª REGIÃO * UNAFISCO MG * UNAFISCO SAÚDE * UNIBANCO SEGUROS * UNIMED * USIMINAS – FUNDAÇÃO SÃO FRANCISCO XAVIER * VITAE

INSTITUTO FELICE ROSSO

DE PESQUISA E EDUCAÇÃO CONTINUADA

DIRETOR FINANCEIRO José Carlos Braga Nitzsche

DIRETOR: Antônio Sérgio Alves Av. do Contorno, 9530, térreo, Barro Preto - Belo Horizonte/MG * CEP 30110-934 Telefone: (31) 3339-7360 E-mail: iferpec@feliciorocho.org.br

DIRETOR ADMINISTRATIVO

ESCOLA IRMÃ GENCIANA

Emerson Tardieu de Aguiar Pereira

José Rezende de Andrade

DIRETOR DE ASSUNTOS INSTITUCIONAIS Pedro de Oliveira Neves

DIRETOR DE PRODUÇÃO TÉCNICA E CIENTÍFICA

DIRETORA: Telma Celeste Alves Nascimento Av. dos Andradas, 302, 4° andar, Centro - Belo Horizonte/MG * CEP 30120-010 Telefones: (31) 3222-4512 / (31) 3222-9507 / (31) 3274-0642 E-mail: elisangelas@feliciorocho.org.br

Márcio Ibrahim de Carvalho

FELÍCIO ROCHO INFORMATIVO

CONSELHO FISCAL

EDITOR-GERAL E REDATOR: Sérgio Prates (MG 01229 JP)

Nerval Leite Flávio Pedro Alcântara Rodrigues Maria do Carmo Maia de Oliveira Perpétuo (suplente)

Colaboração: Mariana de Noronha Meirelles e Thiago Augusto Fonseca (Assessoria de Comunicação da Fundação Felice Rosso) Av. do Contorno, 9.530, Barro Preto * Belo Horizonte/MG * CEP 30110-934 * Telefone (31) 3339-7180 E-mail ascom@feliciorocho.org.br * Internet www.feliciorocho.com.br Impresso na Fumarc Gráfica e Editora * Tiragem desta edição: 14 mil exemplares


FELÍCIO ROCHO Informativo

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Personalidades que fazem a nossa história: José Rezende de Andrade

Administração com exemplar segurança

Graças à sua reputação ilibada, um administrador dinâmico foi convidado pelo então diretor Rubens Resende Neves e assumiu, em 22 de abril de 1998, uma das cadeiras do Conselho Superior da Fundação Felice Rosso. Hoje com 81 anos, trabalha com exemplar jovialidade e competência, como diretor Administrativo. O árduo cargo (pelo qual, ressalte-se, não recebe qualquer remuneração) é apenas a mais recente atividade de uma carreira que o notabilizou nacionalmente, em especial na área de segurança pública. Escrever sobre José Rezende de Andrade só é difícil porque a sua vida daria um livro. Muito resumidamente, no entanto, devemos destacar que ele nasceu na pequenina cidade mineira de Araponga, tornou-se bacharel em Direito pela UFMG e fez carreira, como servidor público do Estado. Começou de forma humilde, como um simples investigador de polícia. Depois, se tornou escrivão e delegado, sendo alçado, por merecimento, a cargos como titular de várias especializadas, diretor da Casa de Detenção Dutra Ladeira, chefe dos Departamentos de Guarda Civil, de Investigações e de Trânsito. Seu eficiente trabalho chamou a atenção do, à época, governador Hélio Garcia, que o nomeou secretário de Estado de Segurança Pública. Para o povo mineiro, foram bons tempos aqueles: respeitado por todos, admirado pelos subordinados e temido por quem se en-

contrava às margens da Lei, atuou com tanta firmeza e sempre com observância rigorosa dos preceitos legais, que todo o Estado viveu uma saudosa fase de calmaria e segurança. Tanto isso é verdade

que, após cumprir dois mandatos (iniciados em 1986 e 1991) como secretário de Segurança em Minas Gerais, foi chamado em 1999, pelo então governador do Espírito Santo, José Inácio Ferreira, para igual função naquele Estado. Simultaneamente às suas atividades na chamada área policial, se tornou pecuarista, com fazendas em Caetanópolis e Matias Cardoso. Também neste campo o seu espírito empreendedor foi aplaudido

e o levou a assumir uma diretoria da Federação da Agricultura e a presidência, por dois mandatos, da Sociedade Mineira de Agricultura. Quem não se lembra (só para citar um fato) das grandes exposições que ele idealizou com o apoio dos Diários Associados e que fizeram tanto sucesso no Parque da Gameleira? Colecionador de altos e merecidos cargos, como presidente do Conselho Superior da Polícia Civil e membro da sua Câmara Disciplinar, presidente do Sindicato Rural de Paraopeba e diretor do Automóvel Clube de Minas Gerias (por nada menos do que cinco mandatos), também reúne um sem-número de justas honrarias: desde a medalha Chefe de Polícia Delegado Luiz Soares da Rocha até a Grande Medalha da Inconfidência, passando pelas medalhas Santos Dumont, Alferes Tiradentes, do Pacificador e do Mérito Legislativo. Legislativo, sim, porque com expressivas votações – reconhecimento dos eleitores mineiros em especial à sua devotada atuação na área de segurança – foi eleito e reeleito deputado federal. Em 2002 ficou como primeiro suplente, mesmo com expressivos 43.465 votos. Hoje, é vice-prefeito de Caetanópolis, cargo que exerce após abrir mão de receber qualquer tipo de salário. Sobre a política, José Rezende fala com uma ponta de salutar saudosismo: Nos velhos tempos, ser político era como praticar um sacerdócio pelo bem comum e recebendo apenas uma pequena remuneração.

Hoje, guardadas as devidas exceções, imperam os interesses econômico-financeiros, altos salários e outras questões, muitas delas lamentáveis... Ir da segurança pública (atividade que mais marcou a sua vitoriosa carreira) à segurança da saúde, tem uma explicação simples para ele: agora, já aposentado e com a família criada (casado há 52 anos com a senhora Therezinha Maria Maletta de Andrade, teve três filhas: Flávia, que cursou comunicação e infelizmente já falecida; Priscila, que fez secretariado; e Mônica, economista), com a sua experiência de vida pode se dedicar de corpo e alma a ajudar principalmente aos mais carentes e desprovidos de recursos. Com genuína emoção, lembra que o Felício Rocho é uma entidade que, com uma equipe médica de ponta e tantos leais e abnegados colaboradores sob a administração da presidenta do Conselho Superior, Maria Ângela de Faria Resende, e do presidente do Conselho Diretor, Emerson Tardieu de Aguiar Pereira, está cada vez mais dinâmica, em constante modernização e ampliação de serviços. Modesto, não se inclui entre os principais responsáveis pelas melhorias, mas quem acompanha a recente e cada vez mais firme evolução do Felício Rocho sabe que, para tão bons resultados, contribui – e muito – com uma atuação dedicada e zelosa, o seu diretor Administrativo, José Rezende de Andrade, uma das Personalidades que fazem a nossa história!

Num canto das Minas Gerais Fino bom humor no livro de estréia de médico do Felício Rocho Sensibilidade e talento. Predicados essenciais para quem se aventura no mundo das letras, ainda mais quando envolvem um renomado ortopedista e traumatologista que ocupa o relevante cargo de vicediretor clínico de uma das mais importantes instituições hospitalares do País, o Felício Rocho. Numa concorrida noite de autógrafos, Mercio Ataíde Vieira (na foto, ao centro, ladeado pelos presidentes dos Conselhos da Fundação Felice Rosso, Emerson Tardieu e Maria Ângela) montesclarense de quatro costados, lançou no Espaço Cultural da Assembléia Legislativa o seu Num canto das Minas Gerais. Como bem diz na orelha do livro a professora e presidenta do Conselho Superior da Fundação, Maria Ângela

de Faria Resende, esqueça a figura do médico que vive em Belo Horizonte. Nestas páginas é o transcritor de Clarindim que entrega ao leitor a paisagem, os costumes, as histórias antigas da região de Montes Claros. Não era Clarindim exímio contador de casos, que sabia tudo que acontecia nas redondezas? Pois é ele que nos conta, mineiramente, com humor velado e jeito comedido, deliciosas histórias... Já no prefácio, o também escritor Olavo Romano fala sobre Mercio: Homem gentil e solidário, médico de altíssimas competências e incomparável dedicação, meu querido amigo deixou de lado os instrumentos de Esculápio, encostou as ferramentas com que, nos fins de semana, exercita a vocação de marceneiro, para voltar aos cenários e personagens da infância nos gerais de nossa Minas sertaneja.

Pelas duas apresentações, já se pode sentir que realmente vale a pena ler e se deliciar com as saborosas aventuras narradas na obra, que pode ser encontrada nas melhores livrarias. Se preferir, entre em contato diretamente com o autor pelo e-mail merciovieira@yahoo.com.br).


FELÍCIO ROCHO Informativo

4 Pacientes e familiares enaltecem Hospital O Serviço de Apoio ao Cliente (SAC) do Felício Rocho recebe constantemente elogios à equipe do Hospital. Alguns são muito simples, como o da paciente Ruth Brochado, que manifestou no formulário de pesquisa o seu agradecimento a toda a equipe, pelo atendimento ágil e cortês, em especial a auxiliar administrativa Albertina que, segundo frisou, resolveu meu problema com presteza e atenção deixando-me super satisfeita. Além de ser um incentivo, o reconhecimento expressado em algumas mensagens chega a emocionar as pessoas alvo dos comentários. É o caso da carta que transcrevemos abaixo: Meu nome é Adriana Rodrigues Souki, sou mãe do pequeno Kevin de apenas um mês de idade, e gostaria de demonstrar através de algumas palavras a minha gratidão e o meu carinho à equipe do Hospital que cuidou com tanto amor do meu filhinho. Quero dizer que são profissionais como vocês que tornam a vida tanto do paciente quanto de seus familiares mais fácil em momentos de tanto medo e insegurança. Dedico aplausos e reverências a anjos como a Dra. Juliana Cordeiro de Melo Franco, que irradia sua beleza e acalma tudo que a rodeia. Suave, profissional e competente, com sua sensibilidade conseguiu ajudar-me a perceber que eu também precisava ser amparada. Agradeço muito às auxiliares do Pronto Socorro e da enfermaria, também à enfermeira Cida que de tão menina se confunde com as crianças e na sua linguagem fala a todas com muito amor. Agradeço à Rosário por ter dado o banho mais completo que o Kevin já recebeu em sua vidinha; ao Emanuel que prova que os homens podem ser doces, educados, sensíveis, podem cuidar com profissionalismo e carinho. Enfim, obrigado a todos que constroem dia-a-dia um hospital que é referência e aos profissionais que lidam com as dores de tantos e muitas vezes esquecem as suas próprias dores, mas persistem, lutam e se realizam trazendo saúde e amizade a todo ser humano. Se você é paciente, acompanhante ou familiar, também deixe a sua mensagem escrita no SAC ou fale pelo telefone 3339-7205. E não tenha receio de sugerir ou de criticar alguma coisa. O Felício Rocho espera, apenas, sinceridade nas palavras. Se houver (felizmente são muito raras) alguma falha, aponte-a, para que possa ser imediatamente corrigida e não volte a ocorrer.

abril 2007

Associação dos funcionários Em qualquer sadio processo de humanização de uma empresa, deve ser promovido não só o bem-estar dos clientes, mas, do mesmo modo, a integração dos próprios funcionários. Na Fundação Felice Rosso, que procura ser a mais eficiente possível em relação aos clientes/pacientes, este segundo item, que diz respeito ao seu pessoal, também é um processo concreto, como comprovam, por exemplo, os lazeres e benefícios proporcionados pela Associação Américo Gasparini. O interesse e a adesão são grandes: nada menos do que 1.339 dos 1.550 servidores de todas as unidades e escalões são filiados à entidade representativa dos empregados. A nova diretoria, empossada em 15 de janeiro último, quer melhorar ainda mais a estrutura do clube (24 mil m2 de área verde, situado em Ibirité); disponibilizar ônibus especiais para os associados; ampliar o número de eventos festivos lá e até mesmo na sede administrativa que funciona próxima ao Hospital Felício Rocho (rua Erê, 10); além de expandir os convênios que oferecem vantagens e descontos na área médica (clínicas, farmácias, dentistas), livrarias, papelarias, etc. A sede campestre possui piscinas (adultos e crianças), campo de futebol, quadras de areia, amplo playground, mesas para jogos diversos, quiosque e, claro, o chamado espaço gourmet – nome chique da lanchonete-restaurante. Se um associado quiser levar um amigo ou vizinho ao clube (aberto de quinta-feira a

domingo, de 08 às 17 horas), pode adquirir convite individual a R$ 5. Para se integrar à Associação basta ser funcionário da Fundação, apresentar carteira profissional, comprovante

de residência, dois retratos de carteira e autorizar o desconto de 1% do salário (máximo de R$ 20 por mês). Os dependentes são admitidos sem ter que pagar nada, nem mesmo pelas carteirinhas. Compõem a diretoria da Associação funcionários de vários setores: presidente - ao centro da foto - Nelson Carvalho Lage (departamento de pessoal); vice-presidente, Mário Troncoso (manutenção); tesoureira, Shirley Dabus Berti (gerência financeira); diretora-secretária, Chiara Viana Rodrigues (auditoria interna); diretora sócio-cultural, Norma Eloíza da Silva (gerência de infra-estrutura); e diretor de esportes, Mário Macário da Silva (departamento de pessoal).

Irmã Genciana se firma como escola de enfermagem Instituição de ensino de nível técnico, mantida pela Fundação Felice Rosso, a Escola Irmã Genciana teve a denominação inicial de Escola de Auxiliar de Enfermagem Irmã Genciana - homenagem à freira católica, de origem holandesa que, à época (11 de abril de 1988), era a única enfermeira graduada do Felício Rocho. Tinha como objetivo imediato qualificar profissionalmente, como auxiliares de enfermagem, cerca de 400 funcionários do Hospital que exerciam esse tipo de atividade. Cumprida a missão e estimulada pelos resultados obtidos, manteve-se em ação durante mais 13 anos, aberta a outros candidatos no mesmo segmento de ensino. Em 2001, visando a sua reformulação, foram propostos objetivos mais amplos, promovida a mudança parcial de seu nome, implantados regimento e plano pedagógico, bem como aumentadas suas instalações, equipamentos e quadros de pessoal. Em 2002 obteve autorização de funcionamento para o Curso Técnico em Enfermagem e, um ano após, o reconhecimento definitivo.

Hoje, a unidade conta com um quadro qualificado de servidores, professores e pessoal técnico administrativo, suficiente para as atividades dos cerca de 600 alunos regularmente matriculados. A Escola Irmã Genciana, localizada à avenida dos Andradas, 302, 4° andar, tem por finalidade geral o atendimento às demandas dos cidadãos, inspirada nos princípios da liberdade e nos ideais de solidariedade humana, com pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício do trabalho e da plena cidadania. Oferece cursos de habilitação profissional de técnico em enfermagem, com qualificação intermediária de auxiliar de enfermagem; cursos e programas de especialização, atualização e aperfeiçoamento de nível técnico previstos na legislação específica da área. Atualmente, a Escola aguarda autorização de funcionamento para novos cursos da área de enfermagem.


FELÍCIO ROCHO Informativo

abril 2007

Personalidades que fazem a nossa história: Wilson Luiz Abrantes

Um grande mestre da cirurgia Aos 76 anos de idade, Wilson Luiz Abrantes aparenta ter décadas a menos – talvez pouco mais do que o tempo que possui de formado pela Faculdade de Medicina da UFMG, meio século completado no ano passado. A sua jovialidade mescla um estilo austero e bonachão, de quem, modéstia à parte, sabe de sua importância como um dos mais competentes e bem-sucedidos cirurgiões da América Latina, mas que vê a vida com bons olhos, feliz pelo excepcional trabalho que continua realizando. Com dedicação e talento a toda prova, é o chefe de Cirurgia do Felício Rocho, que o tem como mais do que destacado integrante de seu corpo clínico desde 1963. Além do vínculo profissional, o Felício Rocho também é família para Wilson Luiz Abrantes, porque a sua esposa, Maria do Carmo Maia Oliveira Perpétuo, integra o corpo clínico do Hospital, como oncologista, há mais de 30 anos. Seus títulos, diplomas e comendas, se contam às dezenas e o reconhecimento ao seu valor pode ser sintetizado ao lembrarmos que foi o cirurgião designado para atender Sua Santidade, o saudoso Papa João Paulo II, quando esteve em Belo Horizonte, em 1980. Aliás, quando se fala em grandes autoridades visitando Minas Gerais, lá está a notória figura de Wilson Luiz Abrantes como o médico-cirurgião para eventuais necessidades: foi assim em 1967, ocasião em que o Marechal Costa e Silva, então presidente da República, permaneceu seis dias em nosso Estado. Ou em 1985, quando foi convocado para compor a Junta Médica que socorreu Tancredo Neves. Ou em 1995, escolhido pelo Serviço Médico da Presidência da República para atender Fernando Henrique Cardoso. De 1959 até agora, já teve 95 trabalhos publicados pelas mais importantes revistas médicas.

Isso sem contar outros tantos que apresentou em congressos, simpósios, cursos e jornadas médicas. Foram mais de 500 participações, centenas delas também como palestrante. A sua carreira é marcada pelo sucesso e sempre lembrada por todos que com ele con-

viveram. Prova disso ocorreu recentemente, quando foi agraciado com a Medalha de Honra de Ex-Aluno da UFMG – comprovando que, desde os seus tempos de acadêmico, já era um exemplo de competência. Unânime e respeitosamente citado como eficiente mestre, foi chamado de Culminância Sinfônica da Cirurgia em competente artigo sobre ele escrito pelo professor titular de Clínica Médica e pesquisador em História da Medicina da UFMG, João Amílcar Salgado. Da mesma forma admirada, é mencionado e louvado por inúmeros colegas médicos e historiadores, nas mais diversas publicações nacionais e internacionais. Ao se tornar capítulo de livros e publicações técnico-científicas, Wilson Luiz Abrantes se viu alçado, também, à condição de imortal pelo reconhecimento à sua insigne carreira de cirurgião e de professor. Ao lado de tantos feitos

memoráveis, há algumas passagens que podem ser classificadas de pitorescas ou mesmo de saborosas na vida do ilustre cirurgião. Vale lembrar duas delas, em que foi o responsável direto por salvar vidas a centenas de quilômetros de distância, inclusive de pessoas

que nunca viu e nem ao menos nunca soube sequer os nomes. No início da década de 60, quando, como médico residente, morava no Hospital das Clínicas (morava mesmo, num pequeno quarto – e isso por longos nove anos) socorreu a um homem da região de Teófilo Otoni, vítima de uma ruptura de varizes de esôfago. Durante a cirurgia, faltou sangue. O médico-operador, o próprio Wilson, não teve dúvidas: interrompeu por instantes o procedimento, foi ao Banco de Sangue e ele próprio doou 500 ml. Voltou e concluiu, com sucesso, a operação. Paciente salvo e tendo alta, só então descobriram que se tratava de um pistoleiro – ou matador profissional – como queiram. Tempos depois, nova revelação surpreendente. O pistoleiro havia sido contratado para uma empreitada na região de Teófilo Otoni. Preparou a tocaia com todo o cuidado e tão

meticulosamente, que ficou sabendo que a esposa da sua futura vítima tinha Abrantes no meio do nome. Pesquisou mais e tomou conhecimento de que ela era prima do médico Abrantes, de Belo Horizonte. Se lembrando de que esse era o nome da pessoa que salvara a sua vida, o bandido procurou o homem que pretendia matar e lhe entregou o seu revólver, dizendo que não ia fazer o serviço, pois não iria matar o marido da parenta do seu salvador. Outra história inusitada, mas real, teve como palco o Felício Rocho, onde um tal de J. A. esteve internado, durante três meses. Vindo de Vitória, no Espírito Santo, após duas mal-sucedidas intervenções cirúrgicas, tão logo começou a se recuperar o homem só falava em voltar à sua terra natal, para matar as duas pessoas que o haviam esfaqueado. A irmã de caridade Gabriela escutou a terrível ameaça e foi contar para o cirurgião. Wilson Luiz Abrantes ouviu, pensou – ou matutou, como bom mineiro de Malacacheta – e foi à enfermaria onde o ameaçador paciente estava. O senhor vai ter alta, mas vai ter que pagar pelos meus serviços médicos – disse. Pagar como, se estou sem dinheiro? - foi a resposta. É fácil e o senhor tem como quitar a dívida. É só não executar a sua vingança e não matar os homens que o feriram. Promessa obtida, pagamento acertado. Para comprovar que era pessoa de palavra, J. A. todo ano mandava uma carta para o médico, dizendo quase que apenas: os homens continuam vivos! Por episódios como este – que demonstram a sua grande figura humana e, sobretudo, a brilhante carreira que continua desenvolvendo – é que Wilson Abrantes, para orgulho do Felício Rocho, é uma das Personalidades que fazem a nossa História!

5 Ortopedista do FR preside Regional

Ex-presidente do Centro de Estudos do Hospital Felício Rocho, o ortopedista Marcelo Back Sternick assumiu dia 23 de janeiro, em solenidade na Associação Médica, a presidência da regional MG da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Também integram a diretoria os ortopedistas Lúcio Honório de Carvalho Júnior (vice-presidente), Luiz Cláudio Moura França e, curiosamente, três Rodrigos: Rodrigo Pace Lasmar, Rodrigo de Andrade Gandra Peixoto e Rodrigo Otávio Dias Araújo.

Importante título

Rodrigo Moreira Faleiro, neurologista do Felício Rocho, obteve o título de Mestre em Cirurgia pela UFMG, com o trabalho Craniostomia Descompressiva – Análise de 89 pacientes. Participaram da banca examinadora os médicos Sebastião Natanael Silva Gusmão, Charles Simão Filho e Aluízio Arantes.


FELÍCIO ROCHO Informativo

6 Serviço social do Pronto Socorro O Serviço Social do Pronto Socorro do Felício Rocho foi criado em março de 2005, devido à necessidade de possuir profissionais habilitados para desenvolver atividades que evitem ou, pelo menos, minimizem eventuais conflitos gerados nos chamados serviços de urgência. Além de acolher/atender os pacientes em observação ou com indicação definida de internação e os seus familiares, o Serviço Social detecta, nos casos de urgência ou de emergência, possíveis dificuldades de ordem psicossocial que possam dificultar adaptação no Pronto Socorro ou interferir no tratamento nas unidades de internação. Também são evidenciadas informações importantes sobre os pacientes, situação sócio–econômica, familiar e cultural, visando amenizar as preocupações que eles e seus familiares tenham em relação ao atendimento necessário. Assim, o tratamento, além de humanizado, é individualizado. Presentes em plantões 24 horas/dia, as assistentes sociais podem, ainda, ser contatadas pelo telefone 3339-7121. As tarefas rotineiras incluem apoio e orientações necessárias ao paciente e seus familiares de acordo com a demanda apresentada; suporte psicossocial aos familiares nos casos em que o estado clínico do paciente é grave; auxilio no processo de internação orientando e se possível viabilizando junto ao setor competente as vagas para pacientes com indicação; e participação, juntamente com o médico plantonista, do processo de transferência para outro serviço indicado, caso haja falta de leitos disponíveis. Em síntese, o Serviço Social intensifica o trabalho humanizado em desenvolvimento em todos os setores do Felício Rocho, com a sua laboriosa equipe entendendo que humanizar é oferecer atendimento de qualidade articulado aos avanços tecnológicos, com acolhimento fraterno, visando não só a melhoria do paciente, como a de todo o ambiente hospitalar.

abril 2007

Homem / Humanidade Alzira Maria Carvalho Lima (*)

Homem, humanidade, humanização... palavras que, em suas porosidades, evocam uma contraimagem do humano indicando uma outra face que diz da possibilidade da emergência de um inumano, inumanidade, desumanidade... Sabemos que nos hospitais e particularmente nos Centros de Tratamento Intensivo, o ofício de cuidar encontra-se permeado por práticas imanizadas de alta tecnologia transformando esses lugares em campos de eterna fricção entre ética e técnica. Quando consideramos a realidade de um CTI temos nesse lugar um encontro com um outro - sujeito em sua vulnerabilidade, fragilidade, precariedade. Esse encontro singular constitui-se no ponto essencial da relação assistencial, onde o cuidado torna-se o suporte real da vida e supõe, portanto a intersubjetividade – campo por excelência de imersão na dimensão ética. Esse encontro, sobretudo o encontro com o rosto do outro – mediatização do enigma, do mistério, da incerteza, do risco, mas ainda da responsabilidade – banhado pela palavra torna-se um laço humanizante, pois da linguagem resulta a dimensão da reciprocidade.

Um doce apoio

Por acreditar numa possibilidade de “mudança de paradigma onde se possa substituir o modelo do sujeito solitário confrontado com um mundo de coisas incognoscíveis e manipuláveis, pelo modelo da ação comunicativa que supõe a intersubjetividade de pelo menos dois atores, voltados para o entendimento mútuo” conforme propõe Rouanet (in Cembranelli, F., Um Projeto para Humanização: para que, para quem?) na missão de humanização, faz-se necessária a participação ativa, a união e colaboração transdisciplinar para que o cuidado seja o suporte real da criatividade, da liberdade, para que no cuidado se encontre o “ethos” fundamental do humano, segundo propõe Leonardo Boff.

Nessa direção, numa iniciativa conjunta do Serviço de Psicologia, coordenações do CTI geral e do CTI cardiovascular do Hospital Felício Rocho e o Grupo Fadua de Kântale e Lira coordenado pela musicista Flávia Betti, apresentamos em dezembro último um recital de música para todos os pacientes e familiares, como um dispositivo a viabilizar conexões, articulações e práticas gestora de fluxos humanizantes. Nesse ato evocamos a música como atividade humana mais elevada, pois a música fala de essências, humanidade... (*) Coordenadora do Serviço de Psicologia Hospitalar do Felício Rocho

A mulher e seus distúrbios de micção As mulheres, desde a mais tenra até a mais avançada idade, têm uma grande possibilidade de apresentar um ou mais distúrbios relacionados à micção. Isto é decorrente de características próprias da anatomia infra-vesical e das estruturas que sustentam a sua genitália interna (útero e anexos), assim como mantêm em uma posição anatômica correta sua bexiga e uretra. Todos estes órgãos podem ter sua posição alterada durante a vida adulta, principalmente em multíparas e aquelas submetidas a partos vaginais. Também fatores genéticos contribuem para estas alterações do assoalho pélvico. Entre as principais queixas temos os diversos tipos de incontinência urinária (esforço, de urgência e mista), a hiperatividade da bexiga, a dificuldade de esvaziamento, queda de posição da bexiga, intestino ou útero (cictocele,

Muitas – e sempre bemvindas – são as doações destinadas aos pacientes do Felício Rocho. Dentre as últimas, vale destacar a efetuada em 09 de fevereiro último pelo Rotary, através dos clubes de Contagem e da Cidade Industrial: 129 quilos de chocolate em pó. Os presidentes das duas unidades rotarianas, Leonardo Rocha Franklin e Edson Dórea Júnior, também visitaram as instalações da área de pediatria do Hospital e garantiram que, na Páscoa, vão realizar uma ampla ação em benefício das crianças internadas.

enterocele e prolapso uterino), rotura perineal e outros mais complexos. Todos estes distúrbios interferem muito na qualidade de vida das mulheres, dificultando a sua participação profissional, assim como a interação familiar e conjugal, levando sua auto-estima ao mais baixo ponto. Elas desconhecem freqüentemente que este problema tem tratamento e a qual tipo de profissional devem recorrer. Atualmente dispomos de uma gama enorme de exames sofisticados, mas simples, que permitem um diagnóstico preciso da patologia, proporcionando uma conduta terapêutica adequada e definitiva. Para auxiliar no tratamento, a biomedicina tem desenvolvido numerosos e simples aparelhos que podem ser utilizados em cirurgias de fácil realização e breve recuperação.

Otacílio José Bicalho (*) Como estas patologias envolvem órgãos do aparelho genital e urinário, elas são estudadas e trabalhadas por médicos de especialidades diferentes (urologia e ginecologia), mas com um objetivo comum. Por isso, foi criada no Hospital Felício Rocho e já está em funcionamento a Unidade de Uroginecologia (telefone 3339-7244), da qual fazem parte os médicos Denílson dos Santos Custódio, Ester Silbiger, Joaquim Carlos Barcelos Martins, Lydston Magalhães da Rocha, Otacílio José Bicalho, Sávio Gonçalves Costa e Tarina Marques Rubinger, envolvidos e competentes neste tipo de problema. Contamos, também, com todo o aparato de apoio do Hospital, não só para o diagnóstico como para o tratamento, incluindo serviço de fisioterapia. (*) Coordenador da Unidade de Uroginecologia


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Humanização é palavra de ordem Humanização hospitalar. A expressão não é nova e surgiu, inicialmente, referindo-se especificamente às questões ligadas ao parto e aos cuidados destinados às mães e aos bebês. Vários projetos foram difundidos, sendo mais conhecidos os denominados Método Canguru e Maternidade Segura. Após a Organização Mundial de Saúde demonstrar interesse pelo tema, o governo brasileiro acabou por criar, em maio de 2000, o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, que a maioria dos profissionais integrantes de órgãos públicos e instituições de saúde chama simplesmente de PNHAH – sigla de difícil pronúncia, mas de fácil assimilação. O PNHAH virou uma sadia febre e no mesmo ano do seu nascimento foi incluído entre os temas oficiais da 11ª Conferência Nacional de Saúde.

A melhoria das relações envolvendo a comunidade de usuários, médicos, enfermeiros e demais funcionários integrantes dos hospitais foi saudada por todos. Ou por quase todos. Alguns criticaram o Programa, lembrando que as práticas de saúde sempre foram humanizadas e só subsistem como tal. De uma forma ou de outra, a prática mostrou a necessidade da implantação do PNHAH. Nota do próprio Ministério da Saúde, divulgada em 2000, após citar que foi identificado número significativo de queixas dos usuários referentes aos maus tratos nos hospitais... afirma: na avaliação do público, a forma do atendimento, a capacidade demonstrada pelos profissionais de saúde para compreender suas demandas e suas expectativas, são fatores que chegam a ser mais valorizados que a falta de médicos, a falta de espaço nos hospitais, a falta de medicamentos...

É fato, citado por afamados pesquisadores, que muitas instituições hospitalares, talvez em defesa de uma intransigente prática científica, tratavam os pacientes de forma isolante, sem lhes dar voz para inquirir sobre procedimentos dos quais nada sabiam e lhes restringindo convívio familiar e social. O Felício Rocho foi um dos primeiros hospitais a, mais do que se preocupar, desenvolver soluções para um relacionamento não apenas de alta qualidade, mas realmente afetivo, entre toda a sua equipe e os pacientes/ usuários/familiares/clientes. Para isso, além de possuir um corpo clínico permanentemente atualizado e dotado das instalações e aparelhagens necessárias para a perfeita execução do seu trabalho, proporciona treinamento e especialização aos profissionais dos mais diversos

NATE - Excelência no tratamento de epilepsias O Núcleo Avançado de Tratamento das Epilepsias (NATE) se ocupa do tratamento dessa patologia que acomete 2% da população brasileira e objetiva o tratamento clínico ou cirúrgico de seus pacientes. Cerca de 20% deles não controlam suas crises com remédios e são classificados como portadores de epilepsias de difícil controle, refratários ao tratamento medicamentoso e candidatos ao tratamento cirúrgico. O controle das crises através do tratamento cirúrgico vem possibilitando a inserção social destes pacientes, permitindo que eles retomem suas atividades laborais ou de lazer freqüentando ambientes públicos, sem medo de serem surpreendidos por crises. O tratamento oferecido pelo NATE é de excelência em epilepsia – devido à alta capacitação profissional de seus membros, todos com formação especializada – e, graças à infra-estrutura dos equipamentos instalados no Hospital Felício Rocho, garante conforto e comodidade aos pacientes que não precisam se deslocar para fazer exames em outros locais. “Aqui nós conhecemos o paciente pelo nome.” Com esta frase, é possível ilustrar uma das principais características do NATE, que é a de oferecer um tratamento

mais humano àqueles que sofrem toda sorte de preconceitos e descriminação. Graças à integração da equipe, consciente da necessidade de um atendimento mais pessoal e humano, o projeto deixou de ser um sonho e tornou-se uma realidade concreta. Em seus quatro anos de existência, possibilitou uma vida mais digna a 48 pacientes operados. Em 2006, esta humanização foi simbolicamente selada com uma confraternização de Natal que será repetida daqui para frente, a fim de que os pacientes possam relatar suas experiências de vida, suas dificuldades e suas vitórias nessa nova fase. O impacto social do tratamento propiciado pelo NATE na vida do paciente é algo inestimável. Um exemplo é o de um senhor que, após 45 anos de epilepsia, teve a satisfação de poder freqüentar festas sem medo de dar vexame, fato que demonstra o resgate da segurança e da auto-estima, tão importante para todos. Atenção especial também é dada aos jovens em idade sexualmente ativa e que se privam do relacionamento temendo crises quando estão com seus parceiros; assim como às crianças em fase de desenvolvimento, sujeitas a comprometimento cognitivo devido a recorrência das

setores e busca, dia-a-dia, dispor de uma infra-estrutura em constante aperfeiçoamento, se equipando com o que há de mais moderno e eficiente na área hospitalar. Um clima de salutar respeito e comprometimento com a dignidade pauta todas as ações desenvolvidas pelo Hospital. Dentre muitos (todos) destaques estão o CTI, o Núcleo de Tratamento de Epilepsias (NATE) e o setor de Hemodiálise. Existe diálogo franco e compreensão, desde o preenchimento da ficha hospitalar até o procedimento de alta. E mais: não raro, os pacientes recebem acompanhamento até mesmo depois que já retornaram para o convívio dos seus lares. No Felício Rocho, tecnologia e delicadeza andam de mãos dadas, num processo eficaz para a cura e para minorar sofrimentos e aflições dos que necessitam de cuidados médicos.

Aila de Guadalupi Amaro Reis Fonseca (*)

(*) Neuropsicóloga e mestre em Neurofisiologia e Epilepsia Experimental. À sua direita, o diretor técnico do Felício Rocho, Nelson Eduardo Santos Toledo Salles, e integrantes da equipe.

crises. É fundamental obter uma perspectiva de desenvolvimento normal, onde os pais depositem a esperança de ver os seus filhos freqüentando escolas e assumindo o curso natural da vida. Este é o verdadeiro resgate da cidadania.

Atualmente, o NATE busca credenciamento junto ao Programa de Cirurgias de Epilepsia do SUS, para que possa estender seus beneficios a uma parcela mais abrangente da população menos favorecida.


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Fazer o bem sem olhar a quem Não importa se o paciente é humilde e do SUS, se possui convênio médico ou tem condições para tratamento particular. Se é pardo, branco, negro ou amarelo. Se é católico, evangélico, budista, professa qualquer outra religião ou é ateu. No Felício Rocho, todos são iguais e recebem o melhor tratamento profissional e humano, com a máxima dignidade e respeito. Na área médica e administrativa são conhecidos o respeito e a consideração aos pacientes, mas vale registrar outras situações em que a Fundação Felice Rosso é bom exemplo também para acompanhantes, familiares e seus funcionários. Objetivando real integração afetiva, os Conselhos Superior e Diretor institucionalizaram celebrações de datas comemorativas, processo anteriormente iniciado com as ceias oferecidas aos funcionários em serviço no Natal e fim de ano. Encontros, festas e reuniões têm sido ampliados, sempre com bom-senso e espírito de fraternidade. No final de 2006 mereceu destaque a Missa de Natal, celebrada pelo capelão, padre Afonso Maria de Ligório Torga Rodrigues. Com 20 anos de dedicação ao Felício Rocho (para onde veio depois de peregrinar por colégios salesianos no interior de Minas e outros Estados), se declarou agradavelmente surpreso pela participação maciça de fiéis. Mais do que tudo, a presença de inúmeros dirigentes da Instituição, lado-a-lado com funcionários de todos os escalões, pacientes e seus familiares, levou o padre Afonso a enaltecer o apoio da atual administração. Pena que a nossa capela não é maior, porque neste ano , pela primeira vez na história, mal comportou tão grande número de pessoas – comentou.

Na missa, emocionado, o presidente do Conselho Diretor, Emerson Tardieu (foto) afirmou: De certa maneira, parece que o Espírito de Natal que hoje paira sobre nós, tem morada permanente aqui no Felício Rocho. Para nossa felicidade, todos os que procuram a nossa Instituição são acolhidos da mesma maneira fraterna e recebem, além de tratamento digno e competente, amparo moral e espiritual.

é para mim um ato de grande e feliz emoção. Com a mais segura fé, peço a Deus que o Hospital e demais unidades que compõem a Fundação Felice Rosso permaneçam sempre com um devotado e harmônico conjunto de colaboradores – que inclui desde notáveis médicos até funcionários que desempenham as funções mais simples – mas, nem por isso, menos importantes.

Mais à frente, prosseguiu: Reconheço e enalteço o atendimento que aqui é proporcionado, porque já o experimentei pessoalmente – inclusive por longo período como interno do CTI. Posso dizer que, como qualquer outro paciente que utilizou os serviços do Hospital, tive o privilégio de ser atendido com comovente dedicação. Por isso, participar, no Felício Rocho, da Santa Missa relativa ao Natal,

Também comovente foi a leitura, pelo padre Afonso (foto à direita), de uma singela Carta ao Papai Noel: Neste ano, não quero pedir nada de novo. Quero pedir coisas existentes, mas que ficaram perdidas com o tempo. Quero então pedir que ele devolva às pessoas a fé, para que não se desesperem diante das dificuldades. Que ele devolva a esperança, para que olhem sempre para frente,

com a cabeça erguida. Devolva a capacidade de emocionar, pois só um coração quebrantado é capaz de pensar nos outros. Devolva a inocência, para que a bondade possa instalar-se na vida das pessoas, antes da maldade. Devolva a humildade, para que as pessoas possam reconhecer que somos todos iguais, só roupas e cargos diferentes, mas que isso não muda em nada a matéria da qual somos formados. Devolva a todos os sorrisos possíveis – aqueles que nos fazem esquecer a dor e as decepções. Devolva a fraternidade, para que possamos nos sentir como uma imensa família na Terra, apesar de nossas divergências, diferenças, grau de cultura ou posições na hierarquia. Em outro trecho, a carta do padre ao bom velhinho acentua: Devolva a bondade, a ternura, a doçura. Devolva a sabedoria, para que possamos escolher nossos caminhos. Devolva tudo isto em sementinhas, para que as plantinhas tenham tempo de crescer e criar raízes firmes e que, depois,

plantas crescidas, possam dar novas sementes para que sejam plantadas Estão pensando que esqueci de pedir que devolva o amor? Não... É que eu pensei que – devolvendo tudo o que pedimos – o amor já tenha sido devolvido em primeiro lugar.

O espírito de fraternidade que envolve todos os integrantes do Hospital Felício Rocho proporciona constantes mensagens de incentivo e solidariedade, como...

Anjos de branco Certa vez, em visita a um templo sagrado, um menino, na sua pureza e ingenuidade, ao deparar com um sábio sacerdote indagou do mesmo o que era um anjo. Em resposta o sábio explicou ao menino que os anjos existem como seres espirituais e iluminados por Deus para guardar e proteger as pessoas na terra. Curioso o menino indagou se existiam anjos terrenos. Em resposta o sábio disse que na terra existem pessoas que cuidam e protegem outras, quando estas ficam doentes ou correm perigo de vida, por estarem acometidas de alguma moléstia grave.

Francisco Kupidlowski (*)

Que aquelas pessoas, exercem a sublime missão de tratar das outras doentes, buscando para elas o caminho da cura. Que fizeram um juramento de assim agirem e dedicarem a sua vida terrena a esta missão. Que embora exerçam este sublime encargo, são seres humanos como todos nós, dotados de qualidades, imperfeições, predicados e defeitos, alegrias e tristezas e acima de tudo, de sentimentos. Mas que são seres humanos especiais, eis que abraçaram uma louvável missão de tentar curar seus semelhantes das doenças do corpo e da mente. Que dedicam a sua vivência

ao cumprimento desta missão, muitas vezes à custa de sacrifícios pessoais, de horas de trabalho, de sono perdido, de privação do convívio com a sua família e às vezes em sacrifício da própria saúde, quando então uns cuidam dos outros. Que procuram o bem estar dos seus semelhantes, com dedicação, carinho e acima de tudo com paciência para com os seus pacientes. Que geralmente andam de branco e trocam seus lares pelo local de trabalho, onde ficam os doentes. Que são respeitados por todos e por todos chamados de Doutores. Indagou então o menino quem são

tais pessoas, ao que o sábio respondeu que são conhecidos como médicos, médicas, enfermeiros e enfermeiras. Em sua pureza de alma, o menino concluiu: para mim seriam chamados de ANJOS DE BRANCO. Que neste Natal, os anjos do Senhor iluminem e protejam os nossos ANJOS DE BRANCO. Que neste Natal, os anjos do Senhor iluminem e protejam também os membros deste Comitê, que embora não sejam Anjos de Branco, têm almas brancas como os anjos de Deus, porque dedicam um pouco de seu precioso tempo e o saber

de suas profissões, de forma espontânea e voluntária, em benefício dos seus semelhantes.

(*) Coordenador do Comitê de Ética e Pesquisa


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Dedicação com competência Os quadros da Instituição estão enriquecidos com os serviços de três novos integrantes do Conselho Superior da Fundação Felice Rosso (não remunerados) e do novo superintendente do Hospital. CONSELHO Foram eleitos e já estão em plena atividade, integrando com sua larga experiência de vida e reconhecida idoneidade, os novos conselheiros: Acurcio Lucena Pereira Filho: Procurador de Justiça aposentado do Ministério Público Estadual, onde ingressou em 1982, como promotor de Justiça. Em 1991 foi alçado ao cargo de procurador e teve atuação de grande destaque junto aos Tribunais de Alçada, Contas e Justiça. Também foi diretor financeiro da Associação Mineira do Ministério Público. Advogado, formado em 1980 pela Faculdade de Direito da UFMG, exerceu, ainda, atividades de professor no Senac e na Faculdade de Araxá (Direito Constitucional). Adolfo Neves Martins da Costa: Engenheiro civil, graduado em 1953 pela Escola de Engenharia da UFMG, com cursos de extensão na New York University e Economics Institute, de Boulder, Colorado. Foi presidente da Fiat Automóveis, desde a sua fundação, em 1973, até 1979. Também presidiu a Companhia Nacional de Alumínio (1976/1980), a Metaltec (comércio exterior) e a Companhia de Empreendimentos Gerais (incorporação e construção), além de ser diretor da SOEMP – Empreendimentos e Construções. Seu vasto currículo inclui inúmeras atividades classistas, como presidente da Associação Comercial de Minas e da Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais, ambos no período de 1968 a 1972. Atualmente, preside o Conselho Superior da Federação das Associações Comerciais de Minas e é membro dos

Conselhos Empresarial Brasil/Estados Unidos, Associação do Comércio Exterior do Brasil e Superior da Associação Comercial de Minas. Carlos Lindenberg Spínola Castro: Jornalista, formado pela UFMG, é diretor de redação do jornal Hoje em Dia e comentarista político da Rádio Itatiaia. Foi chefe das sucursais mineiras da revista Veja e do jornal O Globo; chefe de redação da Rede Globo de Televisão em Belo Horizonte e assessor-chefe de imprensa do Governo do Estado de Minas Gerais. Sua experiência profissional inclui atividades como repórter do jornal Estado de Minas, presidente do Centro dos Cronistas Políticos e Parlamentares de Minas, diretor-executivo do Centro das Indústrias do Estado de Minas, membro da Comissão de Assuntos Econômicos e Políticos da Federação das Indústrias de Minas Gerais, membro do Conselho Consultivo do Departamento de Comunicação da PUC-MG e vice-presidente da Sociedade Mineira de Agricultura. SUPERINTENDENTE O novo superintendente do Hospital integra o Corpo Clínico do Felício Rocho há mais de 25 anos, sempre com muita dedicação e notória eficiência: Nilcio Cunha Lobo Júnior – Cirurgião cardiovascular, diplomado em 1982 pela Faculdade de Medicina da UFMG, participou de inúmeros cursos e estágios de especialização e aperfeiçoamento, além de congressos, jornadas e simpósios no Brasil e no exterior. Obteve pós-graduação em residência médica em cirurgia torácica e cardiovascular em 1984, no próprio Hospital Felício Rocho, onde sua marcante atuação profissional inclui atividades como médico plantonista do CTI e do Corpo Clínico na área de cirurgia cardiovascular. Possui título de Especialista em Ci-

Novo vestiário para funcionários Acreditamos que a saúde é um processo bio-psico-social e que o hospital, hoje, não trata somente do físico, mas também do emocional e afetivo dos clientes. Por isso temos um grande desafio: aperfeiçoar o atendimento humanizado. A humanização, que é um macro processo com questões objetivas, exige aperfeiçoamento em infra-estrutura e aspectos culturais. Pesquisas de satisfação em atendimento, realizadas em hospitais, exigem presteza, agilidade e melhoria nas relações entre os funcionários e clientes. Pesquisas internas, realizadas com funcionários, exigem melhoria na qualificação profissional. A humanização envolve todos os profissionais: diretores, médicos,

funcionários e terceiros (quando houver). E se desenvolve, no diaa-dia, através de ações, atitudes, comportamentos, respeito e outros valores. O Felício Rocho mantém sua tradição e cultura em atender questões legais e prioriza a humanização. Entre outras melhorias estruturais, está construindo vestiários masculino e feminino para os funcionários (720 m2, com 57 sanitários e 57 chuveiros) e atende, com isso, a Norma Regulamentadora 24, tópico 24.2.1. Em todos os estabelecimentos industriais e naqueles em que a atividade exija troca de roupa, uniforme, guardapó, haverá local apropriado para vestiários masculino e feminino com armários individuais.

Milene Kátia de Carvalho Pinto (*)

Tudo isso trará melhoria contínua no atendimento e resultado crescente nos indicadores de satisfação do cliente interno e externo.

(*) Gerente de Recursos Humanos - em visita à obra

Nilcio Cunha Lobo Júnior

rurgia Cardiovascular, concedido pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular. Membro da Associação Médica de Minas Gerais, Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, Sociedade Mineira de Cirurgia Cardiovascular, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, é Master in Business Administration em Gestão de Saúde e em Finanças pelo IBMEC e já foi assistente da Diretoria Técnica do Hospital Felício Rocho. Dentre as suas publicações científicas está Transplante Cardíaco: a primeira experiência em Minas Gerais (1998).

Residentes A residência médica do Felício Rocho, reconhecida e auditada pelo Ministério da Educação e Cultura, foi criada em 1994 e conta com 21 especialidades credenciadas. Já formou mais de 340 médicos (muitos se tornaram efetivos do Hospital) e, atualmente, possui um quadro de 72 residentes. A seleção dos profissionais é feita pelo Instituto Felice Rosso de Pesquisa e Educação Continuada (Iferpec). Mantendo uma tradição principiada há quatro anos, em março, foi realizada uma reunião de boas-vindas para mais 30 residentes, que iniciaram suas atividades em fevereiro.

O encontro de integração (foto) contou com a presença de diretores e integrantes da Comissão de Residência Médica (Coreme), presidida com exemplar competência por Ângelo Pimenta Macedo.


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Avanço tecnológico na radioterapia Através desta técnica, também conhecida como radioterapia tridimensional, é administrada alta dose aos tumores, minimizando a dose em tecidos sadios. A equipe de radioterapia do Felício Rocho atua de forma multidisciplinar visando um atendimento integral e humanístico. Composta por médicos especialistas, físicos médicos, tecnólogos e técnicos, contando com o suporte de enfer-

Leonardo Cunha Furbino Pimentel (*)

A radioterapia é um procedimento que utiliza radiação ionizante para fins terapêuticos. O desenvolvimento tecnológico nos últimos anos permitiu uma modificação na forma de administrar a radiação. Hoje, a avançada técnica de aplicação da radioterapia, utilizando aparelhos de alta tecnologia e complexos cálculos realizados por sistema computadorizado de planejamento, tem o intuito de reduzir a dose em tecidos sadios do paciente e de tratar a doença com eficácia e acurácia. O tratamento radioterápico pode ser administrado antes, durante ou após a cirurgia. A quimioterapia é aplicada da mesma forma, antes, durante ou após a radioterapia. A radioterapia utilizada pelos Aceleradores Lineares de Partículas, com o paciente distante do foco de radiação, é denominada teleterapia. É chamada de braquiterapia a radioterapia interna, em que as fontes de radiações permanecem inseridas na cavidade do tumor ou no próprio tumor, por tempo determinado ou de forma perene. Em ambas as técnicas são realizados procedimentos denominados simulação (para estabelecer a posição do paciente e o direcionamento

Interface do novo sistema computadorizado

dos feixes de radiações) e o planejamento (para o cálculo da dose e o estudo da extensão de volume a ser tratado) por um físico médico sob orientação do radioterapeuta. Em 2006, o Serviço de Radioterapia do Felício Rocho foi completamente reestruturado, incorporando equipamentos e técnicas de última geração e uma nova equipe médica.

O setor conta agora com moderno Acelerador Linear de Partículas, trabalhando com energia em fótons de 6 MV e com energia em elétrons de 5 a 14 MeV. O tratamento com fótons é utilizado em lesões profundas e semi-profundas. A terapia com elétrons é empregada para o tratamento de lesões superficiais. Atualmente, o tratamento com feixe

de elétrons tem sido usado para a radioterapia intra-operatória, quando a aplicação é realizada durante o ato cirúrgico diretamente sobre a área acometida pela neoplasia. O Serviço conta, também, com um Sistema Computadorizado de Planejamento, que possibilita a técnica de radioterapia conformacional com alto nível de qualidade.

Síndrome do túnel do carpo - mãos dormentes A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é um conjunto de sinais e sintomas decorrentes da compressão do nervo mediano, na sua passagem pelo túnel do carpo, região situada ao nível do punho. É condição comum, acometendo em torno de 10% da população. É muito mais freqüente em mulheres do que em homens, e é rara em indivíduos da raça negra. O principal sintoma encontrado é a dormência ou formigamento (parestesias) nas mãos, particularmente nos dedos, mas alguns pacientes se referem à parestesias em toda a mão, preservando a palma. A dor pode estar associada, porém é bem menos comum como achado isolado. Ao contrário da parestesia, a dor pode se estender fora do território de distribuição do nervo mediano, ou seja, até o braço e ombro do mesmo lado da lesão.

Os sintomas pioram à noite e pela manhã e, muitas vezes, podem acordar o paciente, que, para obter alívio, balança as mãos. Os sintomas também podem piorar após o uso intenso das mãos, posturas fixas e levantamento de peso. A fraqueza muscular pode indicar casos mais graves com déficit sensitivo definitivo e ou atrofia da região tenar. A sensação de dificuldade motora muitas vezes é referida como a queda fácil de objetos das mãos. A conexão da Síndrome do Túnel do Carpo com atividade profissional é fraca e não tem sido relacionada como primariamente causal. Existem, entretanto, evidências de que o esforço repetitivo intenso possa exacerbar a sintomatologia de quadro já existente. Sem dúvida, os fatores pessoais e possíveis doenças associadas são mais importantes como risco. Estes fatores são: tenossinovite dos flexores

do punho, artrite reumatóide, artrose, gravidez, menopausa e ooforectomia, traumatismo do punho (fratura de Colles), músculos anormais no túnel do carpo, lesões expansivas no túnel do carpo, diabetes mellitus, doença tireoidana, acromegalia, infecções, insuficiência renal crônica e diálise, amiloidose. O diagnóstico é feito através de uma boa história clínica, exame físico e do exame eletrofisiológico. A eletroneuromiografia é, sem dúvida, o principal método para o diagnóstico da Síndrome do Túnel do Carpo. O estudo tem alta sensibilidade e não só confirma o diagnóstico, mas define a gravidade da lesão. As técnicas eletrofisiológicas têm se tornado cada vez mais precisas ao longo dos anos e auxiliam o médico assistente a definir o melhor tratamento, que pode ser dividido em conservador e cirúrgico. Nos casos leves, a

(*) Radioterapeuta do Felício Rocho. À sua esquerda, o coordenador do Serviço de Radioterapia do Hospital, Lourival da Silveira Filho.

magem, nutrição e psicologia da Instituição, é treinada para atender as necessidades diferenciadas de cada paciente oncológico. Rosamaria Peixoto Guimarães (*)

fisioterapia, os antiinflamatórios e o repouso são de grande ajuda; em casos moderados a graves a descompressão cirúrgica é necessária para evitar danos definitivos ao nervo.

(*) Médica do Serviço de Eletroneuromiografia do Hospital Felício Rocho, integrado, também, pelos especialistas Eustáquio Claret dos Santos e Paulo Roberto Rocha Moreira


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Personalidades que fazem a nossa história: Edsonina Inês da Cruz Lauriano

A mais antiga funcionária do Hospital

A jovial enfermeira recebeu a visita dos diretores Maria Ângela, José Carlos Nitzsche e Emerson Tardieu

Edsonina! Um nome diferente para uma pessoa muito especial, cuja vida se mescla com a do Hospital Felício Rocho, onde trabalha há mais de 47 anos. Nascida em Pequi, ainda menina foi morar em Pará de Minas. Em 1952, com apenas 12 anos de idade, começou a trabalhar no hospital da cidade. Ajudava na cozinha, principalmente a fazer bolos. Logo, as freiras passaram a incentivá-la para que estudasse enfermagem. Edsonina só dizia não e não, porque não agüentava

ver sangue nem de longe. As irmãs de caridade tanto insistiram. que acabou se inscrevendo num curso de enfermeira prática. Diploma na mão, resolveu se mudar para a cidade grande, a capital do Estado. Chegou no início de 1960 e foi duplamente admitida no Felício Rocho: não só no serviço, mas também aceita no Internato que a Instituição mantinha na época. Do trabalho nunca se queixou. Mas o Internato... ah, o Internato! Boa cama, boa comi-

da, mas horários rígidos, principalmente para retornar: 10 e meia da noite, nem um minuto a mais! Trabalhava até as sete da noite, tomava um banho, punha um vestidinho mais ajeitado e saía para um passeio com as colegas. Com passo apressado dava para ir à Praça Raul Soares, palco do tradicional footing. Um dia, ou melhor, uma noite, um rapaz se aproximou, fez um galanteio e... pronto, começou o flerte que três anos depois,

em 1964, acabou em casamento com o serralheiro José Lauriano. Bons tempos aqueles, das matinês de domingo para assistir filmes de Mazzaropi. O comediante matuto, quem diria, era um galã, um homem danado de bonito, para Edsonina. Ou Soninha, como, simplificando, quase todos a chamam. Ou Sônia, que é o nome que o marido adotou. Mas ela gosta mesmo é de como foi batizada: parece nome de artista de cinema, diz vaidosa. Ela se refere com especial saudade às freiras Madalena e Genciana. Da última, diz: era muito brava. Quando dava aquela tossezinha, já podíamos esperar por uma bronca. Mas também era uma santa mulher, dava bons conselhos. Muitas vezes, me rendia no plantão para que eu pudesse almoçar com calma e descansar um pouquinho... Passou por diversos setores, ficando mais tempo no ambulatório de cirurgias, no pronto socorro e na unidade de internação. Eu sei que tem uma mãozinha minha em cada canto daqui - afirma com orgulho. Também foi no Hospital que teve seus dois filhos, Walter e Vânia, hoje com 42 e 40 anos – ambos de parto normal, feitos pelo Dr. Antônio Emílio – faz questão de lembrar. A filha mais nova também cursou enfermagem, na Escola que hoje leva o nome da Irmã Genciana, e trabalhou quatro anos no Felício Rocho, antes de passar em concurso da PBH.

Confraternização dos pacientes da hemodiálise A insuficiência renal crônica se traduz na perda da função dos rins. Uma vez instalada a deficiência, não existe mais recuperação, fazendo com que o paciente tenha que realizar hemodiálise durante toda a sua vida, três vezes por semana, quatro horas por dia. Essa realidade acarreta uma série de perdas como afastamento de atividades produtivas, limitação nutricional e de líquidos, exclusão social e econômica, além de transtornos diversos nas relações familiares.

O Serviço de Diálise do Hospital Felício Rocho se preocupa em minorar os problemas enfrentados pelos pacientes. Uma de suas ações é a confraternização de Natal para os portadores de insuficiência renal crônica em tratamento na Instituição. No ano passado, por exemplo, o encontro abrangeu um público de 120 pessoas, incluindo, também, os familiares daqueles que estão em tratamento. O evento consistiu em apresentações culturais (teatro),

lanche, distribuição de brinquedos às crianças, bingo e sorteio de brindes e lembranças, tudo com a presença ilustre do Papai Noel. A confraternização de Natal (foto) dos pacientes do Serviço de Diálise acontece desde 2002, onde o espírito de solidariedade, união, respeito e harmonia estão em evidência. Tem como objetivo fortalecer os vínculos familiares, proporcionar uma interação entre os pacientes e, ainda, promover uma comemoração natalina.

Toda sorrisos, Edsonina gosta de se lembrar de muitos médicos que sempre a ajudaram, como Márcio Ibrahim de Carvalho e Pedro Alcântara, que acompanhou com muita dedicação a sua mãe, quando ela sofreu um derrame, que acabou lhe causando a morte em 1967. Ah – lembra – não deixe de falar no Dr. Américo Gasparini, outro santo homem, que gostava muito de sentar no refeitório com os funcionários e comer umas batatas fritas. Graças a ele consegui uma antecipação de um dinheirinho que deu para comprar um lote em Igarapé... Sem contar um ou outro médico, é a funcionária em atividade com mais tempo de casa na Fundação. Aos 67 anos e aposentada pelo INSS, quer continuar trabalhando enquanto tiver forças para ajudar a aliviar a dor e o sofrimento de alguém: Cada paciente é a pessoa mais importante daqui e quando algum está nervoso, é só conversar com o meu jeitinho que ele logo se aquieta e sente que está em boas mãos, recebendo tratamento de primeira! Edsonina Inês da Cruz Lauriano, a Soninha, uma das Personalidades que fazem a nossa história, atualmente dá plantões em dias alternados na internação B, no quinto andar, sempre solícita, eficiente e esbanjando felicidade por trabalhar num lugar que ela ama e onde é querida por todos. Rejane de Almeida Caborges (*)

O evento é de cunho filantrópico, solidário e social, sendo que, para a sua realização, conta ex-

clusivamente com o trabalho voluntário, doações e contribuições diversas. A equipe responsável pelo evento, composta pela coordenação do Serviço de Diálise, assistente social, nutricionista e acadêmica de nutrição, colabora arrecadando verbas, materiais, alimentos, brindes e contatando artistas que se apresentam também voluntariamente. (*) Nutricionista do Hospital Felício Rocho


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abril 2007

Cirurgia sem transfusão de sangue José Maurício Siqueira (*)

A ciência avança numa velocidade surpreendente nessas últimas décadas em todos os campos do conhecimento. Em cem anos a humanidade viu sua sobrevida dobrar. Várias doenças ditas incuráveis, já não mais o são. Os transplantes de órgãos não são mais técnicas experimentais e já fazem parte do arsenal terapêutico corriqueiro. O quê nos reserva o uso de células tronco? A clonagem de seres vivos é uma realidade restando discussões éticas sobre a clonagem humana. Portanto, à medida que novas descobertas são feitas, outros desafios são colocados à sociedade. O que pode ser feito? O que é eticamente correto? O que é uma solução ou o que é um problema? Também a sociedade avança na discussão de vários temas como o dos direitos individuais da pessoa humana; direitos das minorias; direito quanto à crença religiosa, etc. É nesse escopo que tanto instituições da área de saúde como os seus membros devem se portar. Estar aberto para situações inusitadas e desafiadoras que surgem cotidianamente.

Uma das situações de difícil equacionamento sempre foi a necessidade de submeter um paciente a uma cirurgia de grande porte, com potencial perda de sangue importante e este ser da religião protestante Testemunhas de Jeová. Estes não aceitam as transfusões de sangue. Crendo assim, colocam para os médicos cirurgiões e instituições hospitalares um grande problema ou desafio. O que fazer caso haja necessidade de reposição sanguínea pér-operatória (durante a operação)? Várias são as medidas que podem ser tomadas como expansores de volume, técnicas cirúrgicas e anestésicas que limitam a perda sanguínea e a recuperação sanguínea intra-operatória. Sob a ótica de um desafio e não um problema, o Hospital Felício Rocho oferece aos pacientes Testemunhas de Jeová a inovadora recuperação sanguínea intra-operatória, com a utilização de Equipamento de Auto Transfusão, podendo esta terapia ser estendida a outras situações particulares. Tendo essa possibilidade de tratamento, a Instituição se coloca na posição de respeito aos direitos individuais e contribui para o tratamento dessa parcela da população brasileira. (*) Neurocirurgião da Clínica de Neurologia e Neurocirurgia do Felício Rocho

Unidade coronariana já é uma realidade

Novos e modernos equipamentos O Felício Rocho adquiriu recentemente novos aparelhos para utilização na área de ecocardiografia e ultrasonografia vascular. O Setor de Ecocardiografia será totalmente remodelado com a aquisição destes equipamentos. Já estão em funcionamento os equipamentos CV-70 e Cypress, da Siemens, com sondas transesofágicas e que são capacitados para todos os exames ecocardiográficos, incluindo o eco sob estresse.

Projetada para tratar o paciente portador de conariopatia e que precisa de cuidados intensivos, a Unidade Coronariana do Hospital Felício Rocho está em fase final de conclusão e deve ser inaugurada nos próximos três meses. Trata-se de um moderno e bem-equipado CTI cardiológico, que vai beneficiar pacientes com quadros agudos de angina e infarto do miocárdio, criando um ambiente específico para o tratamento destes quadros. A Unidade foi estruturada junto ao Pronto Socorro do Felício Rocho, visando permitir diagnósticos rápidos, com

maior agilidade de atendimento nos casos cardiológicos. Também tem como foco a humanização no atendimento, uma vez que os pacientes que precisam de cuidados clínicos passarão a não ter contato com aqueles submetidos a cirurgias. Serão disponibilizados dez leitos e a Unidade funcionará com plantão permanente (24 horas), com o envolvimento de toda a clínica cardiológica sob a coordenação de Jamil Abdalla Saad (foto), reconhecido como um dos mais categorizados médicos especialistas da área.

Brevemente, o aparelho Sequoia será totalmente renovado, tornando-se o primeiro do País a ter a tecnologia VVI (imagens com vetores de velocidade), além de diversos outros avanços. Assim, o Felício Rocho atinge novamente a excelência nesta especialização. O coordenador do Setor, José Luiz Pena (foto), esteve em Irvine, na Califórnia, Estados Unidos, onde fez um completo curso para utilização da nova tecnologia.


Jornal Felicio Rocho - Ed02