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Processo de Reconhecimento   Validação e Certificação de  Competências 

João Augusto Nogueira da Silva Rua D. Afonso Henriques, 2149 2425­057 Aguas Santas joaunosi@msn.com


J OAO SI LVA

Por tefólio Reflexivo de Apr endizagem

VITAE

I NFORMAÇÃO

PESSOAL

2008

CURRICULUM

Nome Morada Telefone

João Augusto Nogueira da Silva Rua D. Afonso Henriques, 2149 – 4425-057 Aguas Santas Maia 91 8103858

Fax Correio electrónico

Joaunosi@msn.com

Nacionalidade

Portuguesa

Data de nascimento

01.02.1958

E XPERIÊNC IA

PROFISSIONAL

• Datas (de – até)

• Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades

• Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades

• Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades

Desde Julho de 1969 – Janeiro de 1970 Talho 9 de Julho – Rua 9 de Julho, 210 - Porto Comércio de carnes verdes Aprendiz de cortador de carnes verdes Aprendizado de preparação e corte de carnes.

Janeiro de 1970 – Junho de 1970 Armando Costa, Lda. – Rua do Monte Alegre - Porto Indústria de estampagem e serigrafia Aprendiz Aprendizado da arte de estampagem e serigrafia.

Junho de 1970 – Março de 1971 Stand Jorge Ferreira – Automóveis, Lda. – Rua Padre José Pacheco do Monte - Porto Comércio de veículos usados Recepcionista Recepção e atendimento de clientes. Responsável pela apresentação e conservação das viaturas.

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• Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades

• Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades • Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades • Datas (de – até) • Nome e endereço do empregador • Tipo de empresa ou sector • Função ou cargo ocupado • Principais actividades e responsabilidades

F ORMAÇÃO

Março de 1971 – Janeiro de 1972 Escritório Técnico de Informação – Rua Conde Ferreira - Porto Agência de contabilidade Paquete Contactos com Clientes, Bancos, Finanças, Segurança Social, Sindicatos, etc.

Janeiro de 1972 – Fevereiro de 1973 Dun & Bradstreet, Lda. – Avenida dos Aliados - Porto Multinacional de Informação Comercial Paquete de escritório Distribuição e recolha serviço junto de Bancos, Stands Auto, Comercio de Electrodomésticos, etc. Fevereiro de 1973 – Novembro de 1973 Indicador Comercial e Industrial – Avenida dos Aliados - Porto Informação e Promoção empresarial Distribuidor / Vendedor Distribuição e venda de listas telefónicas.

15 de Novembro de 1973 - … Allianz Portugal, SA – Rua Gonçalo Cristóvão - Porto Industria Seguradora Escriturário Gestor sinistro auto, Investigador, Perito auto, Gestor de carteira.

ACADÉM ICA E PROFISSIONAL

• Datas (de – até) • Nome e tipo da organização de ensino ou formação • Principais disciplinas/competências profissionais • Designação da qualificação atribuída

De Outubro de 1963 a Junho de 1967 Escola Primária Nº 65 – Prelada - Porto Ensino básico, Português, Aritmética, Geografia e História.

Nível escolar básico (4ª classe) 3


• Classificação obtida

• Datas (de – até) • Nome e tipo da organização de ensino ou formação • Principais disciplinas/competências profissionais • Designação da qualificação atribuída • Classificação obtida • Datas (de – até) • Nome e tipo da organização de ensino ou formação • Principais disciplinas/competências profissionais • Designação da qualificação atribuída • Classificação obtida (Média final)

• Datas (de – até) • Nome e tipo da organização de ensino ou formação • Principais disciplinas/competências profissionais • Designação da qualificação atribuída • Classificação obtida (Média final de Licenciatura)

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De Outubro de 1967 a Junho 1969 Escola Secundária Gomes Teixeira – Praça da Galiza - Porto. Disciplinas de Português, Aritmética, Matemática, História, Geografia, Desenho, Francês, Trabalhos Manuais, Teatro, Musica. Ciclo Preparatório 13 Outubro de 1969 a Junho de 1970 Escola Comercial Oliveira Martins - Porto Disciplinas de Português, Biologia, Geografia, Matemática, Desenho, Noções de Comercio, Caligrafia, Inglês. Curso Comercial (Não concluído) …

Outubro de 1973 a Junho de 1974 Escola Industrial Infante D. Henrique - Porto Disciplinas de Português, Biologia, Geografia, Matemática, Desenho Construções Mecânicas, Francês, Inglês, electricidade. Curso Geral de Electricidade (Não concluído) 12

F ORMAÇÃO C OMPLEME N TAR • Data • Nome • Local

Abril de 1980 Mediação de seguros Companhia de seguros A Social, AS Certificado pelo Instituto de Seguros de Portugal

• Data • Nome • Local

Abril de 1997 Workshop “Construção de Websites – Formação de webmaster”. UNI - Union Network International – Nyon, Suíça.

• Data • Nome • Local

Junho de 1998 Workshop “ Análise e Interpretação de Relatórios económicos e sociais CGIL – Confederazione General Italiana de Lavoro - Palermo, Itália

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• Data • Nome • Local

• Data • Nome

Universidade de Northumbria – Newcastle - Inglaterra

Dezembro de 2004 Comunicador persuasivo

• Local

SINAPSA – Formação sindical - Porto

• Data • Nome

Fevereiro de 2006 Sindicalização e captação de activistas

• Local • Data • Nome • Local

A PTIDÕES

Maio de 2000 Inglês para estrangeiros

DGB Institute – Hatigen – Essen - Alemanha Setembro de 2008 Desafios da negociação colectiva Cefosap - Mira

E COMPETÊNC IAS PESSOAIS

RIMEIRA LÍNGUA Adquiridas aoPlongo da vida ou da carreira, mas não necessariamente abrangidas por certificados e diplomas formais.

OUTRAS

PORTUGUÊS

LÍNGUAS

Inglês • Compreensão escrita

Bom

• Expressão escrita

Suficiente

• Expressão oral

Suficiente Espanhol

• Compreensão escrita

Bom

• Expressão escrita

Suficiente

• Expressão oral

Suficiente Francês

• Compreensão escrita

Bom

• Expressão escrita

Suficiente

• Expressão oral

Suficiente

E COMPETÊNCIAS

Interajo com os outros em contextos formais ou informais, com capacidade de diálogo e discussão de ideias. Habitualmente interesso-me por debates e por defender os meus pontos de vista de forma saudável. Competências verbais adequadas a diferentes situações sociais. Revelo capacidade de me adaptar a novos contextos, sejam eles de natureza pessoal, escolar ou profissional, respondo de forma satisfatória ou boa às exigências que me são colocadas. Gosto particularmente de dinamizar grupos de debate, sabendo estimular os outros a exporem os seus pontos de vista e debaterem as divergências, numa lógica de exposição de argumentos e apresentação de hipóteses possíveis para a resolução dos problemas.

A PTIDÕES

SOCIAIS

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A PTIDÕES

E COMPETÊNCIAS DE ORGANIZAÇÃO

A PTIDÕES

E COMPETÊNCIAS TÉCNICAS

.

A PTIDÕES

E COMPETÊNCIAS ARTÍSTICAS

CARTA

DE CONDUÇÃO

I NFORMAÇÃO A DICIONAL

Boa capacidade de coordenar um projecto, a nível profissional. Bons resultados na gestão de recursos humanos e materiais. Boa relação com a equipa de trabalho, procurando solucionar problemas através do dialogo. Participação activa na planificação e organização de actividades para os jovens. Defendo as parcerias e o estabelecimento de contactos entre as instituições, algo que tenho promovido sempre que possível, em nome do sucesso do projecto e do bem-estar dos destinatários. Procuro incentivar o diálogo entre os interessados e a discussão regular de casos, em reuniões ou em contexto informal, como a melhor forma de implementação de estratégias e protocolos de intervenção. Perito Europeu de Diálogo Social em Seguros Representante Português no Comité Europeu de empresa Allianz SE. Representante Português No Comité Intersindical Norte de PortugalGaliza(CIS). Director executivo do SINAPSA (Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins. Organização e promoção de eventos (reuniões, colóquios, congressos, etc.), sindicais, políticos e sociais.

Capacidade de produção criativa, sobretudo ao nível da escrita, do design publicitário, editor de jornal sindical.

P 351693 5 - desde Fevereiro de 1977 Pode ser contactado por telefone, email ou correio.

Maia, 18 de Novembro de 2008

João A. N. Silva

João Silva Rua D. Afonso Henriques, 2149 ­ 4425 057 Aguas Santas – Maia Correio electrónico: j  o a     un   os i  @ m    s   n.com      

As minhas expectativas Inscrevi­me para continuar a minha formação, interrompida na juventude, já que sempre  tive o sonho de continuar os estudos. Como  todas  as  decisões  que  tomamos,  esta  também  trará  mudanças  á  minha  vida. 6


A mudança primordial será seguramente na minha auto estima. Numa primeira fase, não são expectáveis grandes mudanças a nível profissional. No entanto, devido á (in)evolução esperada na sociedade em consequência da grave crise  económica que o mundo atravessa, é provável que  num futuro próximo esta formação me  venha a ser valiosa. Após a conclusão desta formação, seguramente vou poder realizar outros projectos. O projecto que espero realizar, é continuar a minha formação académica, seguindo uma  formação de nível superior. No  desenvolvimento  deste  projecto,  espero  que  tenha  a  capacidade  de  demonstrar  as  minhas experiências e aprendizagens e que seja uma pessoa responsável realizando os  trabalhos que me solicitem. Par tal, estou disposto a usar as capacidades e aprendizagens que adquiri durante a vida,  de forma a conseguir realizar aquilo a que me proponho: Lutar e aprender toda a vida.

Há homens que lutam um dia e são bons, Há outros que lutam um ano e são melhores, Há os que lutam muitos anos e são muito bons, Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis. (Bertold Brecht)

Maia, 15 de Novembro de 2008

Memórias da minha vida...4 momentos... 1º Momento ­ O nascimento ­ 01 de Fevereiro de 1958 O meu nascimento foi um momento muito marcante, pelas circunstâncias que o rodeou. A minha mãe estava grávida de gémeos, e tudo fazia crer que daria á luz duas crianças. Em consequência de violência familiar, a minha mãe foi vítima de um aborto, do  qual resultou a  morte de um dos fetos. Evidentemente, que em  face destes factos, este momento foi muito importante  na minha vida e  simultaneamente marcou­me fortemente contra todas as formas de violência. 7


2º Momento ­ A adopção ­ Março 1959 A minha adopção foi outro dos momentos marcantes, já que daí resultou todo o meu futuro. A adopção, permitiu­me ter uma vida muito mais rica, quer em termos afectivos,  quer mesmo em  termos materiais. O  facto  de  ter  sido  educado  pela  minha  mãe  adoptiva,  facultou­me  a  possibilidade  de  recolher  ensinamentos e experiências que de outra forma não obteria. 3º Momento ­ Viagens ­ 1980  As   viagens   que   realizei   até   hoje,   têm   sido   de   importância   vital   para   o   meu   desenvolvimento  emocional e intelectual.    Conheço   praticamente   toda   a   Europa   (Espanha,   França,   Inglaterra,   Escócia,   Bélgica,  Luxemburgo, Suíça, Grécia, Chipre, Itália, Alemanha, Suécia, Noruega), parte da América (Cuba  e Argentina) e um pouco de África (Marrocos).    As  viagens, permitem­me crescer como ser humano, levando­me conhecer outras   culturas e  povos, exercitar   os meus   conhecimentos   linguísticos   e  criar amigos nesta  aldeia  chamada  Terra.    4º Momento ­ Entrada na Direcção do Sindicato ­ 1993    A minha entrada para a direcção do SINAPSA ­ Sindicato Nacional dos profissionais de Seguros  e Afins, foi outro dos momentos marcantes da minha vida.    Não obstante eu já participar de movimentos cívicos desde a minha juventude, desde os 17 anos,  a entrada para a direcção do sindicato abriu­me novos horizontes.    O trabalho desenvolvido no sindicato, colocou­me em contacto com novas experiências. Desse  trabalho, ressalto a organização de massas, negociação sindical com empresários e governo,  intervenção em fóruns internacionais, etc.    Deixo­vos assim, um cheirinho da minha vida riquíssima.    Maia, 15 de Novembro de 2008 

A m i n h a  fo t o g r a f i a Em imagens, apresentada em documento anexo.

Quanto à minha fotografia falada...como alguém já disse, a minha vida dava um filme. Nasci no seio de uma família muito pobre, a tal ponto que as contingências da vida, levaram a que eu fosse  adoptado com cerca de um ano de idade. A minha Mãe adoptiva (solteira) era também uma senhora pobre  de bens materiais, mas muito rica em Amor. 8


Na falta de uma família estruturada, vi­me na necessidade de desde muito novo enfrentar a vida de forma  muito independente. E como a necessidade aguça o engenho, aprendi muito cedo a aprender com tudo e todos os que me  rodeavam e tenho uma sede de conhecimento que nunca está saciada. Esta atitude permitiu­me e ainda  hoje permite que vá acumulando conhecimento fora dos meios académicos. 1º   Exemplo:   Com   12,13,14   anos   com   muito   parcos   conhecimentos   linguísticos,   face   à   falta   de   meios  económicos para satisfazer os pequenos sonhos de criança, no verão, dado que morava junto ao parque  de  Campismo  do  Porto,  para  aí me  deslocava, servindo  de  guia  turístico  aos  utentes  estrangeiros  do  parque, com o fito de obter algumas moedas. Este comportamento permitiu­me melhorar substancialmente  o meu conhecimento de algumas línguas, facto que hoje devido à minha actividade internacional tem sido  de um préstimo inestimável. 2° Exemplo: Como se pode verificar pelo meu curriculum, desde sempre (…) que a minha actividade  profissional está ligada a áreas administrativas de serviços, mas seguindo a linha de vida com base no  princípio de "aprender, aprender sempre", desde novo que fui acumulando informação e conhecimento  sobre as mais variadas matérias, como por exemplo, as ligadas à construção civil. Há cerca de 5 anos  troquei um apartamento por uma casa "velha", e como os meus recursos económicos são limitados, esta  opção foi tomada equacionando a condicionante que a recuperação da mesma teria de ser feita pelas  minhas   próprias   mãos,   o   que   está   a   ocorrer   conforme   previsto.   Os   conhecimentos   adquiridos   têm­se  mostrado como facilmente se compreende, valiosíssimos. Mesmo quando o meu conhecimento não é bastante para resolver os problemas que se me apresentam,  não tenho qualquer dificuldade em perguntar e aprender com quem sabe. Esta faceta da minha vida, contem por si, matéria para escrever um livro, mas ela foi muito mais rica (e  difícil) do que isto. Como tenho uma família muito numerosa, 10 irmãos, e sou um dos mais velhos (terceiro), desde novo que  tenho auxiliado na educação e crescimento dos meus irmãos mais novos, tendo tido em diversas fases três  deles a meu cargo, orientando a sua educação e apoiando­os na busca de caminhos de futuro. Este rápido crescimento, levou a que também a minha vida pessoal se iniciasse bastante cedo, tendo  constituído a minha própria família com apenas 19 anos.  Todas as vicissitudes relatadas, levaram­me a ter um sentido de "família" muito forte. Esta experiência, criou em mim grandes preocupações sociais e um grande envolvimento na comunidade.  Comecei por me envolver em Associações de Moradores com 18 anos, participando na construção de  habitações   para   populações   mais   desfavorecidas   (Associação   Revolucionária   de   Moradores   do  9


Carvalhido). Nos últimos 13 anos, participo na direcção de um Sindicato, onde procuro melhorar as condições de vida e  salariais de uma classe profissional. Esta actividade, tem­me permitido alargar os horizontes pessoais, face á habitual participação em fóruns  internacionais. Neste meu trabalho, vou procurar mostrar­lhes um pouco da experiência e conhecimentos que adquiri ao  longo da minha vida, procurando ser objectivo nas valências que pretendo certificar. Todas estas experiências, difíceis, por vezes conflituosas, mas sempre muito enriquecedoras, fizeram a  pessoa que sou hoje, optimista, dialogante, solidária, compreensiva, rnas também de convicções muito  fortes, sem medos de defender uma ideia mesmo que de momento me encontre isolado.

Concluindo: Fui moldado com a mesma dureza com que se tempera o aço, tenho uma resistência superior,  apto para muitos fins, sou maleável, mas não muito, e estou convicto que a minha existência tem um fim,  por isso continuo sempre perseguindo as estrelas...

A  m i n h a  f o t o g r a f i a   e m   i m a g e m

 A 01 de Fevereiro de 1958 nascia na Maternidade  

Júlio Dinis, 3º filho de um Tipógrafo e de uma  10


Padeira.          Cidade de sombras e luz, de gente laboriosa e mui           Leal, na Invicta cidade  do Porto.

                              

                      

                         

                         

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…Amigos…          

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A árvore genealógica das minhas aprendizagens Como já referi, a minha aprendizagem não passou pela minha família biológica. Por outro lado a  minha   família   adoptiva   circunscrevia­se   à   minha   mãe,   pelo   que   a   aprendizagem   foi  fundamentalmente feita com não familiares.  Mãe A minha mãe possuía apenas a 4ª classe, sabia ler e escrever com dificuldade. Trabalhava num  talho, procedia à distribuição de carnes e limpeza das instalações.  Ensinou­me:   o   fundamental,   a   ser   Homem,   a   amar,   princípios   éticos   de   vida,   a   cozinhar,   a  costurar, etc.  O professor primário O professor primário, Professor Carvalho de Araujo, tinha formação de nível superior.  O   que   me   ensinou:   ensinou­me   a   ler,   escrever,   contar,   história,   geografia,   ensinou­me  principalmente   a   ter   curiosidade.   Contribuiu   de   forma   significativa   para   a   minha   educação  humana, aprendi com ele a premiar e valorizar o desempenho das pessoas. Já nessa época  utilizava um sistema de avaliação e promoção do desempenho que passava pela atribuição de  pontuação de todos os trabalhos escolares que somados no final de cada ano nos permitia ser  premiados com pequenas lembranças que ele próprio pagava do seu bolso (livros, bolas, canetas  de colorir, etc.). Devo referir que este homem tinha à época 50 e tal anos.  O Super­homem O Super­homem era analfabeto, assinava o nome... Alfredo Tomaz. O Super­homem era vassoureiro, e utilizava este nome artístico, reminiscência da sua paixão  pela 7ª arte. O Super­homem era o meu vizinho do lado, e no seu analfabetismo possuía uma  cultura   popular   e   humana   invejável.   Com   ele   aprendi   a   aprender,   aprendi   fundamentos   de  mecânica,   electrónica,   musica,   a   fazer   vassouras,   etc.   O   Super­homem   era   uma   biblioteca  ambulante   e   não   sabia   ler,   tudo   o   que   sabia   tinha   aprendido   na   experiência   prática.  Na   sua  juventude,   havia   trabalhado   na   Invicta   Filmes,   donde   a   sua   paixão   pela   7ª   arte.   Era   cinéfilo,  possuía filmes mudos que projectava para a pequenada. Tinha também uma biblioteca musical  diversificada,   já   que   se   dedicava   paralelamente   à   sua   actividade   industrial   de   vassouraria,   à  realização de eventos e festas.  Com   ele,   como   se   imagina,   aprendi   muito   e   aos   meus   14   anos   estava   a   organizar   a   minha  14


primeira realização pública, as festas Sanjoaninas da rua 9 de Julho (financiamento junto dos  moradores,   licenciamentos   policiais   e   camarários,   instalação   de   equipamentos   sonoros   e  decorativos, etc.).  O Meu Chefe O meu antigo chefe tem formação secundária (5º ano) e chama­se Fernando Magalhães.  Foi meu chefe desde os 15 anos até aos 30 anos. É um homem com H grande, em todas as suas  facetas, profissionais e humanas. Como profissional, era detentor de vastos conhecimentos que  nunca teve pejo em partilhar e tinha até prazer em ensinar. Como homem mostrou­se em todo o  período que com ele convivi, um ser humano de excepção. Sempre amigo, sempre disponível  para ajudar, capaz de dar tudo de si em defesa da verdade e da integridade, um exemplo que  ainda hoje tento seguir.  Com   ele   aprendi   os   fundamentos   da   minha   profissão,   Gestor   de   sinistros   automóveis,  posteriormente Averiguador de acidentes e mais tarde Avaliador de danos (perito). Humanamente aprendi que vale sempre a pena defendermos os nossos princípios, nem que isso  nos venha a custar alguns dissabores. A revolução A revolução do 25 de Abril, foi sem dúvida uma época onde as minhas aprendizagens evoluíram  de forma significativa. Nesta época, o meu envolvimento político no clima efervescente que se  vivia no nosso país, fez­me dar um salto significativo no meu crescimento humano e social. Comecei por me envolver numa organização juvenil com 17 anos de idade e aí iniciar a minha  aprendizagem democrática. A organização, como muitas nessa época, tinha por objectivo contribuir para a construção de uma  nova sociedade. Nesta   organização,   desenvolvi   várias   tarefas   e   adquiri   diversas   valências.   Aí,   desenvolvi   a  capacidade   de   argumentação   e   retórica.   Participei   em   centenas   de   reuniões,   conferências,  congressos, etc. Participei e organizei diversas realizações culturais, artísticas e políticas. Em 28 de Março de  1976, organizei com a equipa que comigo trabalhava (nesta altura era o responsável da SIP ­  Secção de Informação e Propaganda), o Dia Mundial da Juventude no Palácio de Cristal. Este  evento,   decorreu   durante   um   fim­de­semana   e   foi   constituído   por   diversas   apresentações  culturais (exposições, venda de artesanato, feira de livros e discos, etc.) e artísticas (espectáculos  onde   participaram   nomes   como,   Carlos   do   Carmo,   Fernando   Tordo,   Paulo   Carvalho,   Carlos  15


Puebla e Los Tradicionales, Mini Pop, Teresa Silva Carvalho, etc.). No evento funcionavam ainda  diversos   bares   e   um   restaurante   que   serviu   mais   de   20.000   refeições.   Nesta   realização  participaram cerca de 60.000, durante os 3 dias do evento. Outro   evento   significativo,   poderia   considerar   o   Festival   Nacional   de   Grupos   musicais,   que  decorreu durante o ano de 1977 e que teve como base, diversos espectáculos organizados em  vários pontos do país, com o objectivo de descobrir novos valores para a musica portuguesa. Só  na   cidade   do   Porto   e   zonas   limítrofes,   foram   organizados   20   eventos,   nos   quais   participei  enquanto responsável da organização. Desta iniciativa, saíram grupos como os UHF, Brigada  Victor Jara, Canta Grei, etc. Como me dirijo a uma geração que eventualmente tem uma noção muito ligeira desta época, vou  ser um pouco mais específico. Naquela época, os meios que estavam ao nosso dispor eram muito escassos, o que levava a que  toda a logística necessária, era construída de raiz. Assim, desde a montagem dos palcos, a sua  decoração, a concepção e construção dos espaços de exposição, a montagem de instalações  sonoras  e  luminosas, a  propaganda,  a aquisição  dos  bens  para  o funcionamento de  bares  e  restaurantes, etc., era feito por um grupo de “putos” com muita vontade de construir um “mundo  diferente” e sob orientação de alguns adultos mais experientes. Alem   destas   realizações,   cabia­nos   a   tarefa   de   conceber,   executar   e   distribuir   documentos,  panfletos, executar e aplicar cartazes, murais, pancartas, etc. Neste período, fui ainda candidato juvenil às eleições para a Junta de Freguesia de Cedofeita,  tendo nessa qualidade participado em diversas sessões de esclarecimento junto da população. Esta minha experiência, foi tão rica, que seguramente apenas vos consigo transmitir um pouco  dessa vivência. O Trabalho No trabalho, Profissional de Seguros, depois de alguns anos, ligado á área administrativa, na  gestão de sinistros auto, foi­me entregue a tarefa de gerir a equipa de peritagem. Nesta tarefa,  cabia­me a responsabilidade da organização do trabalho diário, a sua distribuição pela equipa,  que tinha a seu cargo a execução do trabalho nas 5 zonas geográficas que estavam distribuídas  ao escritório do norte (grande Porto, litoral norte, interior norte, litoral sul (até Figueira da Foz) e  interior sul (até Vilar Formoso). Após a realização do trabalho pela equipa, procedia ao controlo  dos relatórios de serviço, verificando o seu enquadramento contratual, a correcta definição de  responsabilidade,   de   acordo   com   o   código   da   estrada   e   demais   legislação   aplicável   e  16


posteriormente o seu encaminhamento para os gestores de sinistros, a fim destes procederem ao  pagamento dos sinistros ou á sua declinação, consoante os casos. Após alguns 3 anos, eu próprio, passei a integrar a equipa de peritagem, executando a tarefa de  investigação, nos casos de maior complexidade, e mais tarde avaliação e liquidação de danos,  exercendo essa actividade por 11 anos.

O Sindicato A minha entrada para a Direcção do então STSN ­ Sindicato dos Trabalhadores de Seguros do  Norte,   ocorreu   em   1993,   integrando   uma   lista   de   aliança   entre   a   Tendência   Unitária   e   a  Tendência Socialista. Como elemento mais jovem dessa direcção (35 anos), fui integrado no pelouro de Comunicação e  Cultura, a quem cabia gerir e editar o jornal mensal da nossa instituição, bem como proceder á  sua distribuição junto dos associados. Cabia   também   a   este   pelouro   a   promoção   de   eventos   culturais   e   recreativos,   com   vista   á  elevação intelectual dos nossos associados.  O primeiro passo que decidi dar, foi a renovação da imagem gráfica do nosso Jornal, já que a  imagem da época tinha algumas dezenas de anos. Preparei   várias   maquetes,   as   quais   foram   apresentadas   á   Direcção   do   Sindicato.   Depois   de  vencer algumas resistências dos mais conservadores, foi aprovada uma imagem que ainda hoje  perdura. Depois desta mudança, procurei em termos editoriais que a mensagem a transmitir aos nossos  associados,   fosse   clara,   eficaz   e   acessível,   o   que   me   parece   ter   sido   conseguido,   face   às  reacções favoráveis que vão sendo manifestadas pelos nossos associados.  O meu Sindicato, integra diversas organizações de nível federativo, a nível nacional a UGT e a  Nível internacional a FIET (International Federation of Commercial, Clerical, Professional and  Technical Employees) , hoje UNI – Union Network International. Face á minha idade na época, fui indicado como representante do meu Sindicato na organização  de juventude da FIET, onde participei em diversas conferências e congressos. A minha primeira  intervenção   no   trabalho   internacional,   marcou­me   e   marcou   os   restantes   participantes   do  Congresso relativamente á minha pessoa. Era a minha primeira saída internacional, para participar de um congresso, e fui enviado sozinho  para Geneve, na Suiça, onde decorreria o congresso na sede da OIT (Organização internacional  do   Trabalho).   Desembarquei   no   aeroporto   de   Geneve,  como   qualquer   emigrante   chegado   da  17


província…Usando o meu limitado francês de escola, lá me dirigi ao serviço de informações, com  o objectivo de tentar perceber que transporte devia usar, para me dirigir ao hotel onde ficaria  instalado nos próximos 4 dias. Depois   de   algumas   confusões   linguísticas,   misturando   o   francês   com   inglês   e   português,   lá  consegui entender que os hotéis disponibilizavam transporte aos clientes, e que apenas devia  esperar no exterior do aeroporto pelo veículo que apresentasse a identificação do hotel para o  qual me dirigia. Volvidos alguns minutos, lá apareceu uma carrinha de 9 lugares com publicidade de um hotel, á  qual me dirigi, indagando se seria aquela que me levaria á cidade e ao hotel pretendido, ao que o  motorista muito prestável, me questionou: Você é português? Deveria ser por demais evidente,  face á minha desorientação… Resolvida esta questão, lá me transportou ao hotel, tendo eu aproveitado, durante o trajecto para  obter algumas informações que me pareciam úteis, transportes, restaurantes, etc. No dia imediato, dirigi­me às instalações da OIT, onde iria decorrer o congresso e após proceder  ao registo da minha participação, como bom português, lá me fui dando a conhecer aos demais  jovens que aí se encontravam, cerca de 120, em representação de todos os países europeus e  convidados de todo o mundo. O congresso decorria sob o lema “Breaking Barriers”, e aí começou o meu trabalho de integração  neste   grupo.   Assim,   após   a   intervenção   inicial   do   Secretário   Geral   da   organização   (Philip  Jenings), que expôs a necessidade de ultrapassar barreiras, de ideologia, de religião, de raça, de  género, etc., pedi a palavra e fiz a minha primeira intervenção naquelas assembleias. A primeira  intervenção e seguindo a lógica expressa pelo Secretário Geral, foi a de reclamar a quebra da  barreira linguística, já que o congresso era falado em várias línguas (inglês, francês, alemão,  sueco, italiano, espanhol), e haviam­se esquecido do português que representa no mundo 200  milhões de falantes e no congresso representava 6 participantes. O   Secretário   Geral,   justificou­se   com   dificuldades   económicas   relacionadas   com   o   custo   da  tradução, reconhecendo a pertinência do protesto apresentado por mim. A partir desse momento, fiquei completamente referenciado pelos colegas congressistas e pelo  máximo responsável da organização, de quem me tornei amigo. O   congresso   tinha   uma   agenda   abordando   diversos   temas   ligados   aos   problemas   juvenis   e  sociais, a entrada no mercado de trabalho, o problema dos refugiados (lidávamos na altura com o  grave   problema   dos   refugiados   na   Etiópia),   a   desigualdade   de   género   (homem/mulher)   no  mercado de trabalho. Foi para este ultimo tema que eu havia preparado um trabalho, apresentando ao congresso a  18


situação de desigualdade de género no mercado português, que, penso que pela sua qualidade,  mereceu um bom acolhimento dos congressistas. Depois deste tema, coube á Comissão de Refugiados da ONU a introdução do tema Refugiados  e muito inteligentemente, a comissão percebendo o tipo de público a que se dirigia, organizou  uma apresentação didáctica em forma de jogo. Os congressistas, foram divididos em “famílias” de 10 elementos, a cada uma foi distribuído um  roteiro, onde era explicado o jogo, que consistia numa simulação de vida de um refugiado. Assim, cada família era constituída pelo chefe de família, pela mãe, filhos e avós, e vivendo num  país em guerra, o chefe de família teria de sair do país para outro limítrofe, e posteriormente  emigrar   para   um   país   de   acolhimento,   levando   consigo   todos   os   elementos   da   família   que  conseguisse. Para que o jogo produzisse o efeito desejado, a ONU contratou um grupo teatral, que com som,  luzes, “exército” a rigor, criaram um ambiente muito próximo do ambiente de guerra. Resultado do meu comportamento anterior, fui escolhido pela “minha” família para chefe e liderei  a família até ao Canadá. A família Mandela (assim se chamou), depois de fugir ao exército em guerra (subornando alguns  soldados), teve que preencher um monte de documentos (que pretendiam exemplificar o registo  da família perante uma entidade) escritos em língua ilegível (caracteres chineses), para conseguir  ser   admitida   no   campo   de   refugiados.   Aí,   tornou­se   necessário   providenciar   a   sobrevivência  básica   da   família,   obtendo   casa,   comida,   água   e   agasalhos,   que   não   existiam   em   número  suficiente para todos. Tudo isso foi conseguido, resultado de uma planificação preparada anteriormente, e a partir deste  ponto,   foi   necessário   contactar   a   “embaixada”   do   Canadá,   que   oferecia   a   possibilidade   de  emigração, com a contrariedade que também na embaixada falavam uma língua estranha, não  entendiam a nossa língua e como todos os países “beneméritos”, apenas aceitava gente com  capacidade de trabalho (lembrem­se que na minha família haviam pessoas idosas e doentes). Mas, fruto da reconhecida capacidade portuguesa de tornear obstáculos, consegui levar toda a  família para o Canada, tendo sido a única equipa a consegui­lo. A partir desta experiência e do trabalho no congresso, fui adoptado por aquele grupo de jovens (o  limite etário daquela organização era os 30 anos e eu tinha 35), passando a ter grande influência  na organização e desenvolvimento dos congressos seguintes. A título de exemplo, posso referir, que a partir desse ano passou a existir uma sub­organização  que   integrava   o   grupo   do   mediterrâneo   (Portugal,   Espanha,   Grécia,   Malta,   Chipre,   Itália   e  Argélia), que passou a reunir antes de cada congresso nos diversos países integrantes de forma  19


rotativa,   a   fim   de   definir   a   estratégia   do   grupo   no   congresso.   Também   era   habitual   que   a  Federação   (FIET)   oferecesse   um   jantar   convívio   a   todos   os   participantes,   que   decorria   num  restaurante   e   do   qual   todos  os  jovens  se   queixavam,  pela   pouca   quantidade   e  qualidade   de  comida, assim, no ano seguinte, assumimos a responsabilidade de organizar esse jantar convívio,  organizando um grande churrasco (com tudo, á “portuga”, boas carnes e bons vinhos) e uma  noite lúdico/cultural, em que cada país participante foi desafiado a apresentar o seu país aos  outros de forma teatral, terminando com uma noite de musica latina em que a diversão foi um  sucesso.  Como se imagina, a partir deste evento, a organização (FIET, actualmente UNI) passou a indicar­ me   para   participar   em   diversas   iniciativas   ou   lugares   de   representação   que   existiam   em  actividades   mais   seniores   (Perito   Europeu   em   Diálogo   Social   (junto   da   Comissão   Europeia),  Representante português no Comité Europeu Allianz, cursos de formação Inglês, Sindicalismo,  Analise de relatórios sociais, etc.). (em construção...)

Claro que ao longo da minha vida, muitos outros seres humanos e situações, me marcaram com  as   suas   influências,   mas   penso   que   estes   foram   de   facto   aqueles   que   o   fizeram   de   forma  indelével, e inquestionavelmente marcaram a minha aprendizagem.

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Portefólio  

Trabalho escolar

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