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A Banqueta

Há 22 anos, o nova-limense, também engenheiro e professor, Mário Morgan Santos (61) viu sua realidade transformada após o filho dele, Augusto Racioppi, ter paralisia cerebral, aos dois meses de idade, decorrente de uma cirurgia. Daí em diante, a dedicação de Mário e de sua família aumentou significativamente, assim como a insegurança sobre o futuro de Augusto. Como será a vida do jovem, após a morte dos pais? É o principal questionamento feito por Mário que, em busca de soluções, decidiu conhecer histórias semelhantes a sua e contá-las no livro: Uma incógnita; o futuro dos filhos com deficiência, lançado em março de 2014. Segundo Mário, antes do atual lançamento, ele já havia escrito, em 2010, o livro "Reinventar a vida", baseado na criação do filho deficiente e nos desafios dessa situação inesperada. A narrativa projeta Augusto adulto, casado e com um filho, para o qual Racioppi conta sobre a própria realidade. A criação da história fez Mário sentir-se receoso sobre o futuro de Augusto que poderia, eventualmente, ficar sem o pai e a mãe. Assim, o autor fez um artigo, em 2011, sobre o assunto, o qual foi divulgado em um jornal de Belo Horizonte, local onde reside atualmente com a família. A partir do texto, pessoas procuraram Mário para contar vivências parecidas e, no livro novo do autor, elas foram reunidas a novas histórias de famílias com filhos especiais que frequentam a mesma escola de Augusto.

Talentos Nova-limenses

Livro conta a história de familiares responsáveis por pessoas com necessidades especiais e revela os desafios enfrentados por eles diariamente

Em cada relato, uma lição de vida

Segundo Mário, o livro lançado este ano reúne dez histórias, dentre elas, a de quatro famílias cujos pais dos deficientes ainda estão vivos, a sua própria vivência, onde são relatadas as perspectivas para o futuro de Augusto, além de relatos das famílias que cuidam de deficientes com pais já falecidos. "Cada um conta a sua história e a gente tira uma lição em cada uma delas", afirma. Mário recorda do primeiro caso que chegou ao conhecimento dele, sobre o acidente de uma menina de 15 anos, o qual a deixou completamente dependente da mãe. Esta, o enviou um e-mail para contar a luta na criação da filha e Mário escreveu o relato. Quando o escritor encaminhou para a mãe o trecho, pronto para verificação antes de publicar o livro, a senhora o informou que a menina havia morrido. "Isso realmente me tocou muito, não imaginava que aconteceria uma fatalidade dessas”, diz.

Lições ensinadas e aprendidas

A partir dos relatos que ouviu, Mário percebeu que é preciso um planejamento para deixar um futuro digno aos filhos especiais. "Alerto os pais que procurem fazer alguma coisa hoje. É necessário mudança de postura, como por exemplo, conversar com os médicos para saber a expectativa de vida da pessoa", completa. Apesar dessa compreensão, durante a busca para solucionar sua insegurança, Mário descobre, com a conclusão do livro, que a solução do problema é inexistente. "Minha expectativa era superior ao desfecho final. Não existe uma só saída, a realidade de cada um que vai determinar o planejamento de vida do deficiente e do cuidador dele”.

Segundo Mário, outro fator importante, percebido na conclusão do trabalho, foi ver, em todos os relatos, o cuidado que as famílias têm com os parentes deficientes. “Foi uma lição de amor. As

pessoas que lerem e se encontrarem nesse contexto, vão ter a oportunidade de desenvolver uma compreensão muito maior das suas próprias situações", afirma. Outro ponto de destaque, segundo o autor, é o aprendizado de que a socialização dos parentes, responsáveis por essas pessoas, é fundamental, ou seja, o cuidador precisa ter tempo de sair, viajar, encontrar os amigos, para que ele não se isole do mundo e consiga ter também vida própria.

Falta de investimento governamental

Augusto exige cuidados 24 horas ao dia. Além da escola especial e particular que ele frequenta, a soma dos valores de todos os tratamentos que ele precisa com fonoaudiólogo, fisioterapeuta e psicólogo, por exemplo, ficam muito caros e pesam no orçamento. "Todos os tratamentos que ele precisa a gente faz para manter o estado clínico dele. Os convênios médicos pagam muito pouco e o governo não ajuda em nada", relata Mário. Ele fala em seu livro também, sobre as famílias menos favorecidas, que lutam para sobreviver diante da defasagem do sistema de saúde no país e da falta de assistência aos deficientes.

Amor incondicional

Para cuidar de Augusto, Mário conta que é preciso ter paciência, tolerância e saber administrar o tempo, além disso, ele recebe grande apoio dentro de casa. Suas duas filhas, Lívia Racioppi, gêmea do rapaz, e Viviane Morgan, de 28 anos, são dedicadas ao irmão, mas, Mário destaca a participação fundamental da esposa Maria Luíza Racioppi nos cuidados com o filho. “É uma coisa fantástica, indescritível e divina. Vi nos relatos do livro, mães iguais a ela, que têm um amor incondicional. Tenho aprendido muito com Maria Luíza", conta. Segundo Mário, o livro é uma homenagem para o filho e principalmente à esposa que dedica grande parte do seu tempo ao tão amado Augusto.

Para adquirir os livros, basta acessar o site: www.clubedeautores.com.br e digitar o nome do livro ou do autor na busca da página principal.

Foto: Arquivo pessoal

Dedicação e amor de pai para filho

Nova Lima - Raposos - Rio Acima - 14 a 21 de agosto de 2014

Edição 237  
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