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Depoimento Fred Pena Desde pequeno acompanhava minha mãe expondo seus trabalhos na feira de arte e artesanato que existia na Praça da Liberdade, ficava brincando com argila e a transformava em figuras que via passar, mulheres, homens calvos, crianças brincando, animais, entre outros, naquela época as pessoas falavam que eu tinha habilidade artística, um jornalista achou interessante uma criança de sete anos ter interesse em modelar e publicou uma matéria em um jornal de grande circulação em Minas que destacava essa habilidade, mas de tanto ouvir da minha mãe as dificuldades que o artista passa e passava tentei fugir seguindo outro caminho, fiz vários cursos e não encontrava satisfação, depois de formado em outra área descobri que não conseguiria ficar trancado em um escritório e não poderia fugir das minhas raízes, ansioso e em busca de algo novo comecei a criar uma escultura em arame galvanizado costurado com arame recozido e me surpreendi com o resultado, esse trabalho me tirou um pouco da ansiedade que me perse- guia há tempos, quando estou produzindo me vem pensamentos agradáveis, ao contrário das preocupações cotidianas do trabalho em uma grande empresa, passei a analisar as coisas de outra forma, acredito que

minhas características certamente foram influenciadas pela hereditariedade e/ou pelo ambiente em que vivo, meu avô que era protético, trabalhava modelando e de certa forma influenciou minha mãe e minha tia Lídia Miquelão também artista plástica, e de tanto ver minha mãe reparar nas formas que quase ninguém via passei a olhar figuras e objetos tentando enxergar o que ela via e que não estava tão evidente, hoje essas observações se transformam em idéias, inspirando-me a revelar novas formas, seja através do abstrato ou do figurativo transformando o arame, material bruto que geralmente se usa nas construções em algo simétrico que cria formas, as figuras que vejo nos mais diversos ambientes servem de inspiração para criar algo a partir do nada. Paralelo a isso tento encontrar novos caminhos, novos materiais, seja pela hereditariedade ou pela convivência o que importa mesmo é estar satisfeito com o caminho escolhido e esperar as surpresas que a vida nos oferece. Talento, vocação ou dom é também o nome que se dá a habilidades artísticas, mas acredito que sem a referência dentro de casa talvez não teria a oportunidade de vislumbrar um novo rumo através da arte.



Portfólio Fred Pena