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possam ser incluídos nele sem deixar de ser o que são. Isto é, entender a existência humana como um movimento de expansão e ultrapassagem de limitações implica também em construirmos modos de vida mais inclusivos, de tal forma que dentro deles caibam todos os outros homens. A expansão dos nossos modos de vida implica em ampliação da tolerância para com aqueles que adotaram padrões de existência diferentes dos que estruturam nossas próprias crenças. Viajar para o espaço longínquo e tornar presente aos nossos olhos uma zona ainda oculta da realidade não é algo, afinal, tão diferente de ampliar nossas formas de vida, de tal maneira que dentro delas caibam outras maneiras de viver. É verdade que temos dado pouca atenção àqueles que vivem vidas estranhas bem ao nosso lado. Flusser tem razão ao indagar sobre o sentido de nos lançarmos tão longe no espaço se não conseguimos sequer cogitar como se constituem formas de vida não humanas próximas a nós (FELINTO & SANTAELLA, 2012). Afinal, o que pensa uma formiga ou uma girafa? Tal é a distância que nos separa delas que nem sequer somos capazes de formular uma pergunta pertinente – porque “pensar” talvez não se aplique a uma girafa ou não seja aquilo que ela possui de específico. Parece que nada sabemos sobre esse ser, a ponto de admitirmos que ela se constitui como um limite intransponível para nós. Nossa ignorância é tamanha que sequer sabemos o que perguntar a ela. Há aqui um limite que não ultrapassamos ainda. Talvez não faça sentido lançarmo-nos no espaço sideral sonhando com a possibilidade de estabelecer comunicação com outras formas de vida se não somos capazes de nos comunicarmos com seres que compartilham conosco a permanência nesse planeta. Todas essas dimensões potenciais da expansão, contidas naquela expressão de Buzz Lightyear, parecem exigir de nós algum grau de atenção: seja no espaço sideral, seja na política ou em direção a outras formas de vida terráqueas. É verdade que a própria possibilidade de expansão requer a capacidade de ampliarmos nossas fronteiras interiores, de tal forma que possamos estar aptos a ultrapassar todas essas fronteiras exteriores. Parece que a capacidade de ir além de nossas próprias limitações pessoais é um requisito existencial que nos habilita previamente para ir além de qualquer fronteira exterior. Se há uma forma para preparar homens que sejam capazes de cumprir com essa finalidade de extrapolar continuamente as condições existentes, acredito que ela consista na capacidade de ir além de suas próprias condições pessoais. Nesse sentido,

Redescrições - Revista online do GT de Pragmatismo, ano VI, nº 2, 2015

Revista Redescricoes, Ano VI, n.2  

Revista Redescrições é uma publicação quadrimestral do GT-Pragmatismo e Filosofia Americana da Anpof. O conteúdo dos artigos publicados tra...

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