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Pelo exposto, notamos que a atividade do pesquisador em educação é, ao mesmo tempo, desafiadora e árdua, mas nunca solitária porque na companhia de autores, de livros, de colegas e professores co-autores, física ou virtualmente desenvolve seu trabalho no campo de pesquisa. O pesquisador é ainda amparado por requisitos técnicos que vão desde as habilidades computacionais até as habilidades de leitura e de escrita para redigir as suas ideias com coerência, clareza e coesão. E, de posse de alguns indispensáveis requisitos pessoais, como iniciativa para procurar dados e transformá-los em informações, dedicação, persistência e muita disciplina poderá levar a cabo sua empreitada. Nesse sentido, também, é necessário a autoconfiança para submeter publicamente as suas investigações em eventos, seminários, grupos de pesquisas, ou seja, para abrir-se à crítica e à discussão para futuramente realizar publicações. Ao defender suas ideias o pesquisador deve mostrar humildade para reelaborá-las, se for o caso, pois ao trilhar do seu próprio caminho pode possibilitar que outros também trilhem o seu. Cada estudioso, desse modo, apresenta condições para criar e recriar as ideias lidas, pesquisadas e discutidas nos grupos de pesquisa, por exemplo. Já observamos que Dewey nos oferece importantes subsídios diante do assunto. Mas vale à pena ainda citarmos uma de suas advertências quando diz: “Só estamos aptos a pensar reflexivamente quando nos dispomos a suportar a suspensão [de juízo] e a vencer a faina da pesquisa” (DEWEY, 1979a, p. 25, acréscimos nossos). Essas palavras nos fazem atentar para a dedicação diferenciada que a atividade de pesquisa requer. O autor posteriormente aponta para o fato de algumas pessoas desejarem realizar rapidamente as atividades investigativas ou se cansarem com os cuidados que esse tipo de trabalho exige. Há aqueles que acham que a dúvida pode demonstrar uma certa fraqueza para o estudioso e, por isso, ficam desconfortáveis para exprimi-la. Mas, o autor insiste: “[...] quando entram na pesquisa o exame e a verificação, [é] que avulta a diferença entre pensamento reflexivo e pensamento mal orientado” (DEWEY, 1979a, p. 25, acréscimos nossos). Muito embora já fossem traçadas algumas relações entre o conceito de pensamento reflexivo deweyano e a formação do pesquisador em educação, queremos enfatizar os aspectos éticos que permeiam a questão, e registrar que compreendemos que o pesquisador em educação no Brasil, assim como em qualquer outro contexto e época, necessita pensar bem para agir bem, pautado em valores sociais e democráticos sempre

Redescrições - Revista online do GT de Pragmatismo, ano VII, nº 1, 2016

Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
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