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i) A literatura tem uma função importante neste processo. Como já dito acima, de modo introdutório, a filosofia para Rorty, precisa reconhecer a importância social da literatura. Através de obras literárias (e, evidentemente, de outras formas de expressões artísticas, como o cinema, as plásticas, etc.) podemos cultivar sentimentos de orgulho nacional, de solidariedade, de prática democrática e de diálogo. Do mesmo modo que é possível cultivar o egoísmo, a violência e a baixa autoestima. Em vistas disso, Rorty dedicou muitas páginas à análise de obras literárias, de autores como Dickens e Nabokov, cuja literatura contribui para que se pense nas questões sociais importantes, para que se estabeleçam laços de solidariedade e para que as pessoas reflitam sobre a crueldade que há à sua volta e sobre a crueldade de que elas mesmas são capazes. j) Em Rorty o etnocentrismo não enrijece as identidades. Uma sociedade que se fecha e se enrijece em seu orgulho de ser como é, e que se idolatra como se escolhida pelos deuses, acabaria por dificultar que seus indivíduos tivessem contato com ideias novas, com palavras novas e com significados novos para palavras antigas. Segundo Rorty, a sociedade democrática permite a existência da imaginação, como elemento fundamental de progresso moral. Desse modo, ele é um entusiasta da expansão contínua do espaço lógico de deliberação moral, que alimenta e é, ao mesmo tempo, alimentado pelo diálogo. * De fato, observando-se cuidadosamente os itens acima elencados, percebemos que este autor levantou questões muito controversas, o que justifica ter se tornado centro de muitas discussões acaloradas. Acusado de relativista, de conservador, de etnocêntrico (no “mau sentido”), e de não ter real apreço pela verdade, Rorty construiu um pensamento que atende

Redescrições - Revista online do GT de Pragmatismo, ano VII, nº 1, 2016

Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
Revista Redescricoes ano VII, n2, 2016  
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