Page 1

FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS PROGRAMA DE PÓS – GRADUAÇÃO EM DIREITO MESTRADO EM DIREITO CONSTITUCIONAL DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR PROFESSOR: ROSENDO

A UTILIZAÇÃO DA SALA DE AULA COMO LOCAL DE PESQUISA

Francisco José Gomes da Silva Matrícula nº 0724518-1

Fortaleza - CE Junho, 2008


SUMÁRIO

Introdução.....................................................................................................................

00

1 O educar para a Pesquisa............................................................................................

00

2 A Humanização da Ação Pedagógica.........................................................................

00

3 A Superação da Educação Bancária............................................................................ 00 4 A Dialogicidade nos cursos de Direito.......................................................................

00

5 A Influência da Tecnologia na Educação Contemporânea.........................................

00

6 Metodologia ...............................................................................................................

00

Conclusão....................................................................................................................... 00 Referências..................................................................................................................... 00


INTRODUÇÃO O trabalho ora me tela tem por escopo apresentar a nova realidade do aprendizado em sala de aula. A modernidade atingiu de forma rápida os bancos escolares e acadêmicos deixando ultrapassado o sistema de ensino de outrora, que consistia apenas em ensinamentos orais entre mestres e alunos. Atualmente, o desenvolvimento tecnológico oportunizou a melhoria do ensino com estudos virtuais, debates on line, realização de experiências e observação de fenômenos em tempo real. Essas novas técnicas solucionam um problema deveras antigo, que era o marasmo das técnicas de repetição utilizadas em salas de aulas. Hodiernamente as discussões enriquecem de sobremaneira o entendimento dos alunos, pois é possível absorver opiniões de inúmeras pessoas sobre um mesmo fato, com observações e análises distintas, de acordo com o cotidiano de cada um, o que proporciona a disseminação da cultura e a aproximação dos conhecimentos da realidade que os cercam. Desse modo, pretende-se elaborar um estudo demonstrando a potencialidade da sala de aula como um espaço físico e material a ser aproveitado para pesquisas no ensino superior, em particular, no ensino jurídico. A aprendizagem universitária pressupõe, por parte do aluno, a aquisição e o domínio de conhecimentos, métodos e técnicas científicas de forma crítica. Faz parte dessa aprendizagem adquirir progressiva autonomia na aquisição de conhecimentos, para que se tornem capazes de refletir, optar, comparar, pesquisar e emitir opiniões. Através da pesquisa, o aluno começa a se co-responsabilizar por buscar informações, a aprender a localizá-las, a analisá-las, a relacionar novos dados com os anteriores, a estabelecer parâmetros, registros, trabalhos com novos dados e a redigir conclusões a fim de solucionar problemas. Nesta situação, a aprendizagem se torna cada vez mais significativa para o aprendiz. O novo modelo de sala de aula, com disponibilização de recursos de multimídia, internet, audiovisual, dentre outras ferramentas que despertam o interesse do aluno, certamente capacitará


de forma melhor os estudantes. Desta forma, a pesquisa levará ao diálogo crítico e criativo com a realidade, desenvolvendo a elaboração própria e a capacidade de intervenção. Pesquisar em educação é um princípio educativo-científico, exige competência. Pesquisa não é cópia. Ela deve ser encarada como produção através do que foi lido, refletido, comparado e selecionado. É fundamental que na sala de aula haja métodos que “ensinem” a pesquisar. A Universidade é o campo do pesquisador, pois lá estão disponíveis as ferramentas para o aluno buscar o que lhe parecer de melhor para unir a teoria e a prática.


1 O EDUCAR PARA A PESQUISA Iniciaremos o presente tópico destacando os ensinamentos do professor Lucke et al (1991, p. __) no tocante a educação e pesquisa: A pesquisar não se restringe a seus aspectos sofisticados mais conhecidos, que supõe domínio de instrumentações pouco acessíveis. Também não significa apenas esforço teórico, mera descoberta de lógicas e sistemas, simples experimentações laboratoriais. Ainda, não se esgota em ritos tipicamente acadêmicos com se fosse atividades exclusivas.

Em primeiro lugar, pesquisa significa diálogo crítico, criativo e dinâmico com a realidade, culminando na elaboração própria e na capacidade de intervenção. Em tese, pesquisa é a atitude do “aprender a aprender” e, como tal, faz parte de todo o processo educativo e emancipatório que deve ser estimulado desde o pré-escolar até os estudos mais profundos da pós–graduação. Quanto ao estágio escolar inicial à pesquisa tem um caráter interativo, explora os questionamentos e desenvolve construções alternativas de conhecimento. O segundo estágio de estudo é mais avançado, vai além dos questionamentos e suposições; nessa seara de conhecimento deve-se buscar apoio científico para fundamentar as novas descobertas. Podemos colocar isto mal ao insinuar que pesquisa pode ser “qualquer coisa”, recaindo no lado oposto da extrema sofisticação. Não é o caso, pois estamos nos movimentando no espaço típico da qualidade formal e política, não de qualquer coisa. Pesquisa, tanto como princípio científico quanto educativo, exige profunda competência e renovação incessante. Em segundo lugar, a pesquisa fundamenta o ensino e evita que este seja um simples repasse de cópias. Ensinar perpetua a função da escola e da universidade, mas não se pode mais tomar como ação auto-suficiente. Quem pesquisa tem o que ensinar; deve, pois, ensinar a produzir e não a copiar. Quem não pesquisa nada tem a ensinar, pois apenas ensina a copiar. Em terceiro lugar, a pesquisa aponta para a direção correta da aprendizagem, que deve ser elevada a “aprender a aprender”. Aprender é uma necessidade vital, de ordem instrumental, mas a emancipação se processa pelo aprender a aprender. É fundamental, portanto, “ensinar” a pesquisar, ou seja, superar a mera aprendizagem, sempre que possível. No fundo, só aprende quem aprende a aprender. Tanto a escola quanto a universidade não buscam o aprendiz, mas o pesquisador ou o mestre capaz de produzir projetos próprios.


Em quarto lugar, a pesquisa acolhe na mesma dignidade teoria e prática, desde que se trate de dialogar com a realidade. Cada processo concreto de pesquisa pode acentuar mais teoria ou prática; pode interessar-se mais pelo conhecimento ou pela intervenção; pode insistir mais em forma ou em política. Todavia, como processo completo, toda teoria precisa confrontar-se com a prática e toda prática precisa retornar a teoria. É preciso rever e repensar, portanto, os paradigmas que norteiam o atual ensino jurídico pátrio, sob pena de formação de profissionais sem a necessária competência. Despertar para esse problema é evitar a vitória do descaso dentro das universidades brasileiras. O papel dos antigos professores e suas técnicas de repetição para proporcionar o aprendizado foi superado pelo tempo e, principalmente, pela omissão sobre o papel ético-jurídico que é chamado de um jurista. Deve ser feita uma maior conscientização dos estudantes sobre a importância do ensino, também é preciso que eles sejam avaliados por meio de pesquisas, trabalhos, debates e provas a respeito de suas descobertas e conhecimentos. O ensino-aprendizagem no campo jurídico é muito amplo e prima facie supera o mero apego ao positivismo legal e ao estudo de suas lacunas. De outra forma, dentre tantas criações humanas, a argumentação e a hermenêutica, por exemplo, de longa data discursada por Aristóteles (cfe. Perelmann, Viehweg, Alexy, Dworkin etc…), que nos legou uma forma de pensar e refletir os problemas que, em suma, representa não apenas uma mera teoria, mas uma reflexão sobre a práxis e a "capacidade de um contato compreensivo com os homens" (Gadamer), são tônicas que se coadunam com as ferramentas naturais do ser humano e que deveriam retomar um lugar seguro nas grades curriculares. Infelizmente, ousamos apenas reproduzir o que já se encontra em outros programas aplicáveis a outros ambientes e a outras propostas. A ciência humana em sua essência propicia oportunidades participativas e democráticas sem desprezar os limites ou podar as contribuições de cada elemento do processo ensinoaprendizagem, torna possível compreender, refletir, pensar e respirar como um ser humano, biológica e afetivamente como um ser factível que é, sem desprezar o seu meio e o seu mundo. Daí poder dizer-se que o ensino–aprendizagem se torna cada vez mais interativo. O arbítrio ficará mais arejado, partindo-se de um ponto real e não de meras imposições teorias, “sorrisos irônicos e até mordazes”, como adverte o doutrinador Reale (0000, p. 00), quando se refere à arte como


requisito para a formação de um jurista, tornar-se-ão frutos apenas de preconceitos e inseguranças da ignorância. Com efeito, adicionados os ideais pautados no Princípio de Evitabilidade de Conflitos, volta-se para uma concepção de prevenção de conflitos, ou seja, para o desenvolvimento científico de “pré-soluções para inexistência de controvérsias” em eventuais questões sócio jurídicas, embora possa parecer algo de inovador não o é. A composição, a autocomposição e a mediação são técnicas aplicadas antes do nascimento da lide que já demonstraram a possibilidade de uma pré-solução de pré-conflitos, com finalidade maior de não se alcançar a “zona de conflitos”. Machiavel ensinou que: “Guerra existe, se existente o guerreiro com animus de guerrear. Paz, de outra banda, reinará se inexistente aquele sujeito com aquela vontade ou por pura convivência entre pacíficos”. Dá para imaginar as conseqüências trágicas, quando, em caso de guerra, o guerreiro se utiliza de suas características enquanto ser pensante e elege seus ideais, pelos quais acredita para justificar a batalha, com intuito único de atingir o seu fim. Logo, contrariamente aos ensinamentos da atual vertente, parte-se hoje da mesma premissa com que se criam normas, porque se sabe que certamente alguém irá burlá-las ou pelo menos, num segundo momento, violá-la. De qualquer forma, surgirá um conflito e o operador do direito preparado academicamente tão somente para este momento surge para resolvê-lo. Ademais, para incentivar ações e idéias antecipatórias não devemos esquecer a estampa educacional das lições de Paulo Freire na relação docente-discente, in verbis: “não há educação sem amor. O amor implica luta contra o egoísmo. Quem não é capaz de amar os seres inacabados não pode educar. Não há educação imposta, como não há amor imposto. Quem não ama não compreende o próximo, não o respeita”. Assim, “humanizar o ensino jurídico” se impõe como uma necessidade. Os reflexos são inevitáveis. Banir a frieza das leis, a começar pelos próprios operadores do direito, não significa desprezar o sistema jus positivista (vigente em nosso meio), quer dizer atender aos verdadeiros preceitos ético-jurídicos, doravante e principalmente pelos novos juristas, que devem primar pela paz social, fraternidade e justiça entre os homens.


O direito é o sustentáculo da sociedade e seus operadores devem ter ciência de que o conhecimento resulta do estudo, sem o estudo não se aplicam as normas como se deve. Dessa forma, a justiça não é feita e a sociedade poderá vir a trocar sua organização pela anarquia, refugando a tão necessária figura do Estado Democrático de Direito. Por derradeiro, é sempre salutar rememorar as palavras do altissonante Francesco Carnelutti: “se o pintor não ama seu modelo o retrato nada vale, e se o juiz não ama o indiciado em vão pensa poder alcançar justiça”. Diante do exposto, resta demonstrado que urge nos cursos jurídicos em geral uma reforma para promover a valorização do ensino e uma nova postura para o estudante de direito. Este deve direcionar seus estudos com atenção aos princípios, às normas e, principalmente, às inovações legislativas, tudo para que haja dinâmica em sua aprendizagem e facilitação em sua atuação, o que proporcionará uma sociedade mais justa, fraterna e ética.

2 A HUMANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA Paulo Freire, em sua obra Pedagogia do Oprimido, discutiu a questão da “vocação” e da “desumanização”. Para o professor a “vocação” humanitária individual no sentido do “eu” que busca respostas para solucionar seus problemas visa alcançar a cidadania, a justiça, o “ser mais” e, por que não dizer, a própria felicidade, como realização pessoal e coletiva. A “desumanização” consiste no “ser menos”, como antítese do pensamento anteriormente descrito, no sentido de opressão e injustiça. A questão da “vocação” e da “desumanização” apresenta-se como uma dialética humana verificada por Freud, na obra Mal-estar da Civilização, entre um “criar” e um “instinto de destruição”, que prevalece nos caminhos da sociedade contemporânea belicista, apesar dos avanços consciências já obtidos. No ensino jurídico, tal dialética pode ser verificada em situações nas quais tanto discentes como docentes se apresentam em posições opostas, ora humanizados, ora como desumanizados.


A antítese é bem delimitada pelo processo de ensino que acaba por transformar vocações e ideais em um discurso racional falsamente neutro, dogmático e tecnicista, cuja existência somente se justifica para a manutenção de privilégios e desigualdades sociais seculares. Dentro desse contexto, as faculdades, em sua maioria, passam a ser representantes de um pensamento unívoco de mercado, mantendo os perfis dos futuros profissionais dentro de um modelo que reproduz os mesmos valores tradicionais surgidos no Liberalismo nos futuros detentores da função de operacionalizar a Jurisdição. Verifica-se aí um ciclo vicioso a indicar o caminho enviesado a seguir: uma postura dogmática e tradicional dos docentes e uma formação direcionada aos discentes em favor de um contexto excludente de mercado, díspar da realidade social. Uma possível resposta na tentativa de minimizar tais antagonismos está na instauração de uma pedagogia jurídica conscientizadora, que visa formar uma nova racionalidade tendente a influenciar a estrutura econômica da sociedade, partindo da premissa da tutela dos Direitos Humanos. Esse processo educativo pressupõe críticas teóricas, mas também efetiva interação com a realidade. Isso se faz pela conjugação do ensino e da pesquisa com a extensão, cujo efeito maior é a saída do mundo das idéias dos bancos escolares em busca do enfrentamento da realidade, verificado na práxis do arrostamento de problemas sociais. Humanização ocasionada pelo impacto que a realidade produz como embasamento da teoria, fazendo a todos, docentes e discentes, visualizarem-se como responsáveis pelo presente e futuro da sociedade. Desse modo, uma metodologia de intervenção deve gerar condições para uma mudança individual na percepção dos discursos da racionalidade jurídica em face de seus conflitos reais com a efetiva aplicabilidade dos Direitos Humanos. Daí se pensar nas possibilidades de atuação de um grupo de estudos capaz de formar operadores do Direito com “vocação” para as responsabilidades e missões sociais, ou, ao menos, com a noção de que as salas de aula podem significar uma caricatura mal acabada da realidade social brasileira.

3 A SUPERAÇÃO DA EDUCAÇÃO BANCÁRIA


Paulo Freire caracteriza a “educação bancária” como o procedimento metodológico de ensino que privilegia o ato de repetição e memorização do conteúdo ensinado. Assim, o docente, por meio de aulas expositivas, “deposita” na cabeça do aluno conceitos que serão exigidos posteriormente em avaliações, quando então obterá o “extrato” daquilo que foi “depositado”. A afirmação da predominância da “educação bancária” no ensino jurídico deve ser vista com seriedade. Tal análise se faz a partir da constatação do excesso de teoria que circunda as salas de aula das Faculdades de Direito. Questionar, negar a legitimidade das estruturas jurídicas arcaicas não é algo possível na “educação bancária”, pois, pelo ensino tradicional, meramente expositivo, cabe ao aluno apenas assimilar a realidade teórica transmitida pelo professor. Memorizar e repetir são as saídas possíveis, já que serão essas as atividades mentais a serem exigidas nas avaliações, usualmente caracterizadas como “provas”. Mantida a prevalência das aulas expositivas como procedimento didático-pedagógico, muito pouco se pode fazer para alterar o atual estado das coisas em matéria de ensino jurídico, pois tais perfis de competências e habilidades são referenciais inadequados à formação profissional competente para atender às demandas sociais atuais. Segundo Paulo Freire, essa estrutura expositiva é capaz de reduzir o ensino a algo insubsistente, muito aquém da possibilitar de uma efetividade do processo de ensino e da aprendizagem em face do mundo real. Nesse sentido, regras jurídicas potencialmente injustas ou até tecnicamente incorretas (inconstitucionais), por vezes contrárias aos interesses da maioria da população, têm sua racionalidade e aceitação reproduzida nos cenários das salas de aula através dos discursos recriados nas transmissões dos docentes. Como exemplo, o que dizer da validação jurídica das ditaduras? Criam-se, daí, como se pode pressupor, profissionais “bancários” do Direito, com atuações centradas nas racionalidades jurídicas assimiladas na academia. A antítese a esse estado de coisas inicia-se com a exigência da presença de um docente com perfil de agente humanizador, apto a utilizar conteúdos e metodologias de ensino sensíveis às transformações culturais e às novas demandas sociais existentes. Isso é necessário porque se deve


levar em consideração que o docente de hoje nada mais é do que o aluno do ensino jurídico de ontem, potencialmente educado mediante a utilização de aulas expositivas “bancárias”.

4 A DIALOGICIDADE NOS CURSOS DE DIREITO Dialogicidade, segundo Paulo Freire, está em permitir aos alunos agir e refletir sobre a ação pedagógica realizada, diferente de um mero refletir exclusivo da mente do professor. Aí se chega à práxis, ou a “teoria do fazer”, com ação e reflexão simultâneas e recíprocas. O diálogo ganha importância ao permitir a liberdade de expressão, ao conceder aos participantes do processo de ensino e aprendizagem o controle da ação. Dialogar para refletir, dizer para construir seu entendimento. Não há como questionar sem diálogo, pois monólogo significa imposição do conhecimento. Dialogar significa expor-se em público, combater a imposição de conteúdos e ajustar coletivamente a compreensão dialética do conhecimento problematizado, por novas vias de esclarecimento. Dialogar no Ensino Jurídico é necessário e viável. Discutir teses doutrinárias; enfrentar jurisprudências conflitantes; questionar leis com base em princípios constitucionais e humanitários; sugerir e investigar novas abordagens; é algo acessível ao professor do Direito. Não se trata de o próprio professor apresentar o questionamento e sua solução, trata-se de permitir ao aluno, individualmente ou em grupo, buscar a resolução do conflito, constituindo criativamente soluções. Em via adversa, a ação antidialógica dos professores restaria como paradigma da estrutura tradicional imposta, no sentido de conduzir a aprendizagem dos alunos à repetição e à memorização de conceitos preconcebidos sobre a realidade jurídica e social, a qual também lhe foi posta durante sua formação. A mudança para a ação docente dialógica está na adoção do lema cooperação em sala de aula, na qual o professor deixa o seu papel de propagandista de regras jurídicas e passa a desempenhar, lado a lado com seus alunos, uma parceria transformadora da sociedade, na revisão do sentido de suas regras. Nesse processo, a interação e a cooperação entre professor e alunos são fundamentais para o desenvolvimento das atividades de ensino dialógicas. Se na abordagem


tradicional ou “educação bancária” o professor se coloca em um pedestal de autoridade afastando-se do contado direto com os alunos, na abordagem pedagógica crítica esse contato não pode mais ser evitado. Com essa mudança, o professor dialógico passa acompanhar o desenvolvimento da história educacional dos alunos. Aqui surge o ponto de rompimento com a tradicional escola jurídica, das aulas magistrais ou expositivas. O surgimento do processo pedagógico dialógico, senão novo, ao menos é mais democrático, no qual o professor não é o operador do direito, mas o educador de fato. Ele tem o dever de garantir aos alunos o máximo de acesso eficaz e crítico ao conhecimento proposto no conteúdo programático, alicerçado na realidade existencial do grupo e nos seus pontos fortes individualizados. Outra ação dialógica a ser adotada está na organização profissional da atividade pedagógica. A organização tem início com a preparação do conteúdo programático a ser ministrado no ano, semestre, bimestre, mês, aula, e finda com o feedback reprogramático das avaliações realizadas. Caracteriza um processo cíclico de auto e heteroconhecimento, obtido por meio de avaliações, capaz de orientar o professor a conhecer as aptidões de seus alunos. O início da ação dialógica organizadora se dá antes do contato entre professor e aluno, e depende da escolha de opções para o conteúdo programático a ser debatido com os alunos. Opções de conteúdo não devem só permitir aos alunos pensar criticamente sobre o estudo no semestre ou ano letivo, mas também estar de acordo com sua percepção da realidade. Ou seja, eleger um conteúdo programático sob a forma de uma pedagogia crítica requer a dialogicidade da dialogicidade, na montagem cooperativa dos conteúdos a serem objeto de futuro diálogo em sala de aula. Um exemplo bem sucedido de investigação para a elaboração de um conteúdo programático seria aquele em que se leva em consideração, por meio de questionários, entrevistas, dissertações, a realidade daquele determinado grupo de alunos, sempre focando a aprendizagem em tópicos correlacionados com a base vivencial em que estão situados. Quanto ao processo de avaliação na pedagogia crítica de Paulo Freire, a avaliação escolar tem um significado diverso daquele verificado na "educação bancária" tradicional dos cursos de


Direito. Aqui, a avaliação é diagnóstica e somativa, seus intuitos são de possibilitar ao professor medir o rendimento dos alunos com vistas na análise de seu próprio rendimento como educador. Nesse sentido, a avaliação não mais atua como um instrumento punitivo ou retributivo, mas como um ato de constatação se a ação do professor possibilitou a seus alunos cumprir os objetivos traçados na programação das atividades. A partir da formulação dos conteúdos, passa-se à preparação central da metodologia de trabalho em sala de aula, tendo por base o processo de problematização dos conhecimentos em face da realidade. Problematizar a partir da própria realidade do aluno é permitir que ele possa refletir sobre sua situação social, percebendo-a no contexto histórico. A problematização é essencial no processo de ensino e aprendizagem dialógico, visto que possibilita aos alunos assumir um papel questionador dos conteúdos. Permite também, instigar a heurística de alternativas jurídicas para a solução dos conflitos, ou seja, a criatividade necessária para inovar e melhorar a eficácia do sistema jurídico e jurisdicional. Como ressalta Paulo Freire, todo processo de mudança crítica deve respeitar em primeiro lugar a estrutura tradicional cristalizada. Logo, a dialogicidade educacional não busca eliminar o tradicional ("oprimir o opressor"), mas apenas contribuir para o seu aprimoramento constante. Desse modo, qualquer modificação para melhor, na busca do "ser mais", consiste em garantir a todos a liberdade de posicionamento, de expressão e de manutenção de sua práxis educacional. Em geral, isso representa um grande dilema existencial não só para o ensino jurídico, mas para a atividade educacional em todas as áreas do conhecimento, pois a busca por "ser mais" implica comparar e também permitir que o "ser mais" advenha do outro, cuja visão de mundo seja diversa e se mantenha. Daí o entendimento de Paulo Freire de que só há liberdade e libertação individual quando se entende a posição do outro e não lhe repete os atos na mesma oportunidade (exemplo do aluno crítico ao processo pedagógico, que depois assume a idêntica postura de professor tradicional). Evoluir é antes de tudo aprender a respeitar diferenças e agir com intencionalidade transformadora, mas sem imposições, educando pelo auto-exemplo.


Isso implica em buscar e demonstrar em suas ações aquilo que seja "melhor para todos" dentro de uma realidade em que sua ação possa ser vista, copiada, criticada e, até mesmo, aprimorada, representando um ciclo de aprendizagem onde todos evoluem continuamente. Contrariando os versos cantados por Elis Regina, "ainda somos os mesmos", porém não mais "vivemos como os nossos pais...". Comumente temos ouvido falar que a sociedade industrial está dando lugar à sociedade da informação e da comunicação, que estamos vivendo na era do conhecimento e que os países para desenvolverem-se economicamente precisam aplicar mais verbas na educação. Nessa nova sociedade as fontes de riqueza e poder vão depender da capacidade de geração de conhecimento e processamento de informação. Vemos os setores da informação e da comunicação em franco crescimento e expansão. O que representa de fato essa grande importância atribuída à educação? Por que o desenvolvimento econômico de um país hoje depende do grau de conhecimento de sua população? Para Manuel Castells (1999) mede-se o nível de desenvolvimento de uma sociedade pelo seu grau de conexão. Portanto a educação tem que estar voltada para a pedagogia dos multimeios, para a capacidade de manuseio de grande quantidade de informações, para a leitura e escrita de hipertextos, para indivíduos que saibam buscar, escolher e desfrutar este mundo. Precisamos repensar nossos investimentos para que não apliquemos recursos em projetos vãos, pois o desperdício não pode mais acontecer, porque ele representa não só pouca riqueza, como também má qualidade de vida. Lévy (2000) vai dizer que a interconexão dos computadores do planeta, a que ele chama de ciberespaço, tende a tornar-se a principal infra-estrutura de produção, transação e gerenciamentos econômicos. Para ele será em breve o principal equipamento coletivo internacional da memória, pensamento e comunicação. Daí a necessidade de uma educação voltada para o desenvolvimento científico, tecnológico e para a diminuição das diferenças sociais e culturais, através da melhoria da qualidade do ato pedagógico e em investimentos em recursos informacionais, tendo em vista a importância econômica destas políticas. O importante é que as escolas estejam abertas para a incorporação de novos hábitos, comportamentos, percepções, demandas e tecnologias, cumprindo a sua função de contribuir para a formação de indivíduos capazes de exercer plenamente a sua cidadania, participando dos processos de transformação e construção da realidade, produzindo


mais e gerando mais riquezas. Não necessitamos mais de uma reserva de excluídos, como no capitalismo arcaico, mas sim precisamos de pessoas produtivas, pois não há tecnologia de ponta sem mão de obra qualificada. Figueiredo (1995) ressalta que a educação tem que se adaptar às necessidades das sociedades e que os desafios atuais são muitos tanto no campo social, cultural e econômico, antes mesmo que tecnológico. A escola precisa ser reinventada, deve mudar seu papel de ditadora de conteúdos. Sua preocupação atual precisa ser a de dar suporte para a autonomia do aluno, para formar autodidatas. Uma educação interativa, colaborativa e cooperativa, numa construção coletiva do saber. Não podemos nos esquecer que a língua e a cultura são veículos extrafronteiros promotores da economia. Estamos habituados a ouvir os discursos oficiais apenas como discursos, sendo a prática bem outra, mas agora quando os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) apontam para a necessidade da educação se posicionar na luta de frente contra as exclusões, contribuindo para a promoção e integração social, como prática efetiva, é preciso levar a sério, porque quanto mais excluídos tivermos, mais pobres seremos. Se nossos dirigentes não conseguirem compreender este novo paradigma, não se efetivarão as políticas públicas voltadas para a área do conhecimento: reformas da infra-estrutura física das escolas, redirecionamento dos objetivos educacionais e capacitação de professores/as (eventos que levem o professor e a professora a reflexão, e não eventos com o objetivo de impingir a ideologia); e não haverá como o Brasil produzir mais e com melhor qualidade, ficando à margem do mercado mundial. A educação precisa realmente, se for de interesse da população brasileira, sair deste estado de mendicância em que vivemos, de uma prática efetiva em seu dia a dia na luta de frente contra a exclusão, a favor da promoção e da integração social, porque um país sem excluídos produz mais e é mais rico. Pessoas conscientes e participativas produzem mais, melhor e geram mais riquezas para seu município, estado e país. Não é um pensamento romântico, é um pensamento realista e racional. E se a escola cumpriu tão bem o seu papel na exclusão social, ela terá também capacidade de promover a integração social. Para Litto, em primeiro lugar, “cada instituição educacional deve elaborar e executar a sua própria proposta pedagógica. Cada grupo de professores que compõem o corpo docente de uma


entidade educacional tem o direito e a obrigação de traçar o plano arquitetônico da aprendizagem de sua instituição”. A escola contemporânea oferta recursos físicos, didáticos e pedagógicos suficientes para um bom desempenho no ensino-aprendizagem, por exemplo: refeitórios, que são espaços que possibilitam encontros e trocas de experiências entre os elementos que compõem a comunidade escolar; salas de aula aparelhadas com televisores e dvd’s; bibliotecas regularmente renovadas com livros atualizados, trabalhos acadêmicos e documentários, com variados e interessantes assuntos; esportes; e a informática. São recursos ricos que talvez, por culpa da instituição, da administração, dos professores, de todos juntos, ou da simples falta de hábito em trabalhar com a diversidade, não estão sendo explorados como deveriam. A meu ver, nosso primeiro passo é o da consciência da importância da preservação física do prédio e de seus equipamentos. E o segundo passo é começarmos a pensar em como utilizar com mais freqüência e de forma mais eficaz esses recursos que estão a nossa disposição. É preciso saber aproveitar a oportunidade da elaboração desse plano em nossa escola para avançarmos em nossas questões pedagógicas, com vistas a solucionar problemas que nos afligem. Se não soubermos aproveitar esse momento, continuaremos com os mesmos tipos de problemas por mais alguns anos. O autor elabora uma lista de características que considera importantes para um ambiente de aprendizagem, que segundo ele não é uma “receita” ou um conjunto de práticas capazes de garantir o sucesso. Cada instituição elege alguns itens da lista e os trabalha com maior ou menor intensidade. Esta lista foi feita a partir de observações do autor de escolas brasileiras e do exterior, de leitura especializada e de conclaves profissionais. É um ponto de partida para a reflexão da escola de hoje. Desta forma, ele aduz sem ordem hierárquica alguma que é preciso traçar um plano arquitetônico para a aprendizagem, respeitar os estilos individuais de aprendizagem de cada um, sem tentativas de forçar alguém a ter o mesmo desempenho em todas as áreas de conhecimento. É preciso hoje encorajar a aprendizagem profunda, a capacidade de transferir conceitos de um domínio para o outro. Procurar desenvolver as competências necessárias para a sobrevivência no mundo contemporâneo, identificando problemas, acessando informações e filtrando-as,


tomando decisões e sabendo se comunicar com eficácia. Ter sempre no ensino-aprendizagem uma visão multidisciplinar do mundo, enxergando e compreendendo as inter-relações entre as coisas e os fatos pela maneira de estudar as matérias. Saber desenvolver projetos viabilizando a participação através de levantamento de hipóteses e descobertas de novos conhecimentos. Fazer uso constante de textos impressos e da multimídia, com textos em forma visual e sonora. Enfatizar o trabalho realizado em colaboração com colegas locais e à distância. Criar ambientes de aprendizagem e de trabalho ricos em apoios tecnológicos de todos os tipos. Avaliar através de portfólios montados pelos alunos no decorrer do curso. José Manuel Moran é hoje no Brasil um dos mais renomados escritores que influencia uma educação “inovadora” com uso de novas tecnologias, não só no ensino superior onde acontece a sua experiência, mas também no ensino fundamental e médio, induzindo-nos a reflexões sobre os modernos métodos e técnicas de ensino. É um profundo conhecedor da comunicação e da educação. Atualmente exerce as funções de professor de Novas Tecnologias no Programa de Educação e Curriculum da PUC-SP, Assessor do Ministério de Educação para avaliação de cursos à distância e Coordenador de Tecnologia da Faculdade Sumaré – SP. Este texto a que faço referência será apresentado no próximo Congresso da ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância, de 2 a 4 de setembro de 2002, em São Paulo. Moran nos fala de um ensino semipresencial que integra atividades docentes em sala de aula e outras em ambientes virtuais, integrando de forma equilibrada o processo ensinoaprendizagem presencial com o virtual, virtualizando o ensino presencial e presencializando o ensino a distância. Os encontros em um mesmo espaço físico vão se combinar com encontros virtuais à distância através da Internet. E as conexões on-line, em tempo real, vão permitir que professores e alunos interajam e formem pequenas comunidades de aprendizagem, que certamente favorecerão encontros que nos tiram do isolamento. Esses dizeres me provocam uma reflexão: não dá para se mover dentro de antigos paradigmas, é preciso se pensar em um novo paradigma, em novos métodos, novas técnicas, dentro dessa nova mentalidade de ensino. Para o autor, o objetivo tanto dos cursos presenciais como dos cursos virtuais é um só: que os alunos aprendam. “Podem mudar algumas formas de ensinar, de organizar a aprendizagem, as mídias, mas no conjunto os processos são semelhantes”. A comunicação on-line vai influenciar


tanto na pedagogia dos cursos presenciais como na pedagogia dos cursos à distância. Estamos assistindo a uma convergência de métodos e técnicas de ensino-aprendizagem nestas duas modalidades de ensino. Para Moran, tanto no ensino presencial como no ensino a distância vamos correr o risco de fornecer diplomas a alunos sem saber se eles realmente aprenderam. Sabemos que a aprendizagem se dá de forma ampla em ambientes ricos de interação e de apoio: eventos, congressos, seminários, grupos de pesquisa, laboratórios, bibliotecas, restaurantes, entre outros. E a meu ver uma avaliação só pode ser “eficiente” se tiver cunho ideológico, se eu souber exatamente qual o resultado que quero do produto sem me preocupar com o desenvolvimento individual, com as qualidades de cada aluno. Se eu quero um tipo de indivíduo com tais e tais características, no final eu poderei avaliar se consegui ou não esse tipo de indivíduo; porém se o que eu quero é que cada um tenha o desenvolvimento dentro de suas próprias expectativas, aí então me foge esse poder de avaliar. Há uma dimensão não avaliável dentro de todo o processo educativo. E essa talvez seja a dimensão mais significativa. Daí a avaliação através de portfólios ser a mais adequada. Desta forma, novas questões básicas estão sendo colocadas na educação presencial e na educação à distância: Como organizar o processo de aprendizagem alternando e integrando a aula física com a aula on-line?; Como organizar o processo de aprendizagem à distância de forma mais participativa, envolvente e capaz de equilibrar o individual e o grupal? Temos que ter em vista que precisamos educar para o presencial, para o virtual e para a possibilidade de se continuar aprendendo em ambientes virtuais, acessando páginas da Internet, pesquisando textos, recebendo e enviando mensagens, discutindo questões em fóruns ou em salas de aula virtuais, divulgando pesquisas e projetos. A Internet vai nos possibilitar a flexibilização da forma de organização de momentos de sala de aula e momentos de aprendizagem virtual de forma integrada e alternada. Precisamos criar a cultura da educação on-line dentro das instituições educacionais, tanto para os professores quanto para os alunos. A instituição precisa apoiar os professores mais familiarizados com as tecnologias que dispõem para possibilitar a experimentação e a criação da cultura por meio virtual.


Sem dúvidas, a aprendizagem se dá mais pela experimentação do que só pela audição. Precisamos incentivar a pesquisa para que o aluno se mova, corra atrás, vivencie, entre em contato, comunique os resultados e reflita, com o objetivo de fazer a aprendizagem acontecer de forma mais profunda. Somente envolvendo os alunos em processos participativos e afetivos poderemos conseguir a motivação tanto no campo presencial como no virtual. A autonomia e a organização pessoal são dois aspectos indispensáveis para a aprendizagem à distância. Não podemos mais continuar com a mentalidade conteudista a que estamos habituados, a ênfase agora deve ser no aluno individualmente considerado e na interação desse aluno com o professor sempre tendo em vista a construção do conhecimento, a busca por um equilíbrio do individual com o grupal, num processo cooperativo, aproximando o pensar do viver. Somente podemos educar para a autonomia através de processos fundamentalmente participativos, interativos e libertadores, respeitando as diferenças, incentivando, apoiando e orientando. As mudanças na educação dependem, mais do que de novas tecnologias, de educadores, gestores e alunos intelectual e emocionalmente maduros. Pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas e capazes de motivar e dialogar, focando a aprendizagem pela experiência, ação e reflexão, desenvolvendo projetos, buscando solucionar problemas, incentivando a pesquisa, a comunicação e a análise de significados, garantindo uma aprendizagem significativa através da integração do presencial com o virtual.

5

A

INFLUÊNCIA

DA

TECNOLOGIA

NA

EDUCAÇÃO

CONTEMPORÂNEA Atualmente, os antigos métodos de diálogo e repetição vêm sendo gradativamente substituídos por inovadores recursos tecnológicos que desapertam o interesse e facilitam o aprendizado dos alunos. A evolução é marcante em todos os campos da vida humana. Hoje é possível receber e enviar informações, pagar contas, acompanhar fenômenos e acontecimentos importantes em tempo real, de várias partes do mundo. Esse turbilhão de informações deve ser adaptado, ficando sempre a serviço dos homens.


Nessa seara, a sala de aula não poderia ficar para trás. A maioria das instituições de ensino já deixa a dispor de seus estudantes aparelhos como computadores, dvd’s, televisões, dentre outros facilitadores da aprendizagem. A evolução trouxe também a economia e a redução do esforço laboral dos professores, pois um profissional do ensino pode ministrar sua aula de uma sala aparelhada com retroprojetor multimídia e essa mesma aula pode ser repassada em tempo real para milhares de alunos. Essa interação aprendizado e tecnologia tem feito com que os profissionais da área de ensino se reciclem cada vez mais no intuito de acompanhar as novas tendências do ensino. Há uma década saber ligar um computador para muitos era sinônimo de sofrimento e vergonha, atualmente tudo mudou, a informatização foi popularizada e desde os mais jovens até os mais idosos já se familiarizaram com a figura do computador. A informática apareceu como uma ferramenta para facilitar e organizar o trabalho e a aprendizagem humana e é indispensável para o bom funcionamento do País. A figura do professor de dono absoluto do saber foi alterada para um facilitador de assimilação de conteúdo, que deve trabalhar em um ambiente que tenha disponível todos os recursos tecnológicos para desapertar a atenção dos alunos para a importância e necessidade de desenvolvimento do conhecimento. As histórias, tanto individuais quanto coletivas, a cidadania e a criatividade se fazem necessárias para que o processo de educação seja preferencialmente delineado pelo desafio formativo ou educativo. Dessa forma, é preciso tornar a educação parceira da evolução para que crianças e jovens, que serão os adultos do futuro, cheguem à maturidade sabendo usar os benefícios da tecnologia a seu favor.

6 METODOLOGIA Num primeiro momento é preciso nos conhecer, criar laços, mapear os grupos, as pessoas e reorganizar o processo de ensino-aprendizagem: a seqüência das leituras, as atividades, as pesquisas individuais e de grupo, o cronograma e a metodologia. Em um segundo momento,


podemos passar para o campo virtual e aproveitar as suas vantagens: flexibilidade de tempo e de lugar para acessar. Os grupos podem com facilidade criar seus espaços de comunicação para trocar resultados. Em um terceiro momento, podemos voltar a nos encontrar fisicamente para aprofundar os resultados obtidos no campo virtual, fazendo sínteses e partindo para uma nova etapa de aprendizagem, sempre envolvendo os alunos com práticas, leituras e reflexões. O curso deve ser planejado como um todo e estar aberto para incorporações que se fizerem necessárias, visando valorizar as qualidades dos alunos. Nas primeiras aulas o importante é motivar os alunos para o curso, criar boas expectativas, estabelecer laços de confiança e organizar o processo de aprendizagem. Esses primeiros encontros devem ser agradáveis, interessantes e cativantes. E isso não depende somente do professor, mas de toda a instituição. Os alunos em conjunto com os professores precisam antes de tudo acreditar que vale a pena participar desse processo coletivo de aprendizagem. Podemos usar as novas tecnologias para uma boa apresentação do curso através do PowerPoint ou de outros recursos informáticos, inclusive a Internet. O importante é que se crie um clima de apoio, de incentivo e de afeto. Depois das primeiras aulas presenciais, podemos marcar uma primeira leitura virtual de um texto e o início da primeira pesquisa. Os alunos lerão o texto e compartilharão suas observações com os demais membros do grupo. Após, volta-se ao presencial para aprofundar o debate sobre as questões em foco. O ritmo do presencial-virtual dependerá de cada professor e do grau de maturidade da turma. Equilibrando o presencial com o virtual poderemos alcançar bons resultados a um custo menor de deslocamento, evitar perda de tempo, além de flexibilizar um melhor gerenciamento da aprendizagem. O grande desafio educacional hoje em todo o mundo é o aprender a ensinar e a aprender integrando ambientes presenciais e virtuais. Dentro desse contexto Moran adverte: É importante neste processo dinâmico de aprender pesquisando, utilizar todos os recursos, todas as técnicas possíveis por cada professor, por cada instituição, por cada classe: integrar as dinâmicas tradicionais com as inovadoras, a escrita com o audiovisual, o texto seqüencial com o hipertexto, o encontro presencial com o virtual. [...] Cada curso, cada professor vai fazer isso de forma semelhante e ao mesmo tempo diferente. Não podemos padronizar e impor um modelo único do


presencial-virtual. Cada área do conhecimento precisa mais ou menos do presencial. É importante experimentar, avaliar e avançar até termos segurança do ponto de equilíbrio na gestão do virtual e do presencial. Creio que a área de humanas e a de exatas ou biológicos não podem, em princípio, seguir o mesmo esquema. O ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual pode ser diferente.

A resistência dos professores às inovações e às mudanças ora se iniciadas pode ser vencida com a intensificação de cursos, palestras, reuniões e atividades que envolvam o tema. É preciso continuar chamando os alunos à participação. Participação como parte, com co-responsabilidade, proporcionando crescimento para a autonomia e não atitudes de libertinagem e amorais. Outro desafio importante é trabalhar as estruturas organizacionais das escolas. Vencer o medo do imprevisível talvez seja a maior dificuldade. O debate aberto com todos os envolvidos no processo educativo se torna fundamental. Pouco se tem feito neste aspecto, o que torna mais complexo este processo. O que não pode é deixá-lo de lado como se viesse a reboque de todas as outras mudanças. É necessário intensificar os diálogos, expor as diferenças, ou seja, vivenciar intensamente cada etapa do processo, respeitando o momento de cada um em seu processo de desenvolvimento para a autonomia, para a liberdade. Enfatizando este contexto, Benetti (1995, p. 31) anuncia o surgimento da sociedade do conhecimento: [...] não podemos mais pensar como se fazia antigamente, que bastava sair da escola com o diploma que, profissionalmente, estava resolvido o nosso problema. Agora quem não estudar continuamente vai, a médio prazo perder seu emprego ou ser colocado à margem do trabalho. E, infelizmente, precisamos de cada vez mais educação, porque a quantidade de avanços tecnológicos, hoje em dia é fantástica. Nada dura muito tempo. O conhecimento está se renovando muito rapidamente [...].

O autor afirma que a escola como agência detentora e promotora do saber, determinada e determinante das relações sociais, formatada e formadora de valores e crenças sociais, precisa se modernizar e buscar trazer para si perspectivas de mudanças que atendam aos novos anseios de aprendizagem. Ou a escola se abre para as novas tecnologias, amplia as questões do conhecimento, procura redefinir os papéis e as relações daqueles nela atuam, ou continuará sendo um grande animal pré-histórico em plena era pós-moderna que não consegue se adaptar às questões emergentes de mudanças.


De acordo com Garcia (1993), no mundo mecanicista, o trabalho do professor pode ser caracterizado por duas fases distintas: a seleção e a exposição. Na primeira fase, o professor seleciona o conteúdo, organiza, sistematiza didaticamente seu principal material de apoio: o livro didático. Na segunda fase, há o contato direto com os alunos, o giz e a lousa são ferramentas básicas das aulas expositivas, além da apresentação de conteúdo e realização de trabalhos individuais. Os professores não levam em consideração fatores como: sucesso ou o fracasso da aprendizagem de seus alunos, a ampliação da cultura dos mesmos, participação dos pais ou responsáveis, estrutura da escola, função dos administradores da escola e políticas educacionais. Por isso, a sociedade educacional exige um novo perfil para os profissionais do ensino, com capacidade para traçar estratégias, compreender, analisar, criticar, captar e interpretar a realidade em função do conhecimento disponível em suportes diversos, especialmente os virtuais. Na opinião de Frank Moretti, diretor do Centro de Novas Mídias para o Ensino de Aprendizagem da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos o novo perfil do professor deve ser o de: “Aprender com os jovens, buscar oportunidades para enxergar adiante e ser, acima de tudo, humilde”. Essa afirmativa é justificada pela entrada maciça de novas tecnologias na sala de aula, o que proporciona aos alunos o aprendizado das matérias por conta própria, diminuindo assim a previsão do professor nas respostas às perguntas que supostamente o aluno não conhece. O professor passa a ser um estrategista, um solucionador de problemas. Para Nevado (1997): “o uso pedagógico das novas tecnologias oferece a alunos e professores a chance de poder esclarecer suas duvidas promovendo o estudo em grupo com estudantes separados geograficamente, permitindo-lhes a discussão de temas do mesmo interesse”. Através de novas tecnologias, o aluno sairá de seu isolamento e enriquecerá seus conhecimentos de forma individual ou grupal. Poderá, ainda, fazer perguntas, manifestar idéias e opiniões, fazer leituras mais globais, assumir a palavra, confrontar idéias e pensamentos e, definitivamente, enxergar a sala de aula como algo diferente de um confinamento entre quatro paredes. Isto significa que o uso de novas tecnologias ajudará a criar uma nova dinâmica pedagógica interativa que por certo influenciará a construção da escola do futuro.


Conforme amplamente demonstrado, cabe à escola e aos educadores utilizar e disponibilizar essas novas tecnologias educacionais para tornar os atos de aprendizagem mais interativos, concretos e cooperativos. A pesquisa na área de informática educativa tem evoluído nos últimos anos, contudo tal mercado ainda deixa um pouco a desejar. O uso do computador na educação brasileira, embora implantado de maneira gradual e lenta, muito contribui para a educação em geral, desde a pré-escola até o ensino superior, inclusive para a educação especial destinada aos portadores de deficiência. Teixeira (1997) esclarece que: “No Brasil, chegamos tarde à sociedade industrial e se isso se repetir agora amargaremos séculos de atraso social”. Não teremos outro jeito a não ser recitar o trágico epitáfio de Voltaire: “Quem não vive o espírito de seu tempo, vive apenas os males do seu tempo”.


CONCLUSÃO Destes breves apontamentos, depreendem-se a extraordinária necessidade de valorizar o docente enquanto elemento-chave na elaboração e consecução de ações teórico-reflexivas que deverão ir além das regras, dos fatos, dos procedimentos e das teorias pré-estabelecidas pela investigação científica. Para tanto, é imprescindível que se busquem ferramentas que, segundo Vygotsky (1987), lhe possibilitem a reflexão na ação, no sentido de não somente aplicar técnicas já consagradas ou métodos de pesquisa estandardizados, mas aprender a elaborar novas estratégias para seu fazer pedagógico, novos rumos para a compreensão da realidade, enfim, novas perspectivas para abordar, enfrentar e resolver problemas com que se depare. Não parece haver qualquer dúvida a respeito da cobrança que a sociedade faz em relação ao professor: do muito que lhe é exigido e do pouco que lhe é ofertado em contrapartida. Exige-se do docente uma postura profissional irrepreensível, atitudes equilibradas e democráticas para com os alunos, coerência, segurança, conhecimentos abrangentes e habilidades pedagógicas ideais em todo o contexto educativo, solicitando-se, taxativamente, maior cooperação e interação social dentro e fora do âmbito escolar. Contudo, no mais das vezes, o docente tem que conviver em um espaço social conturbado, pouco receptivo e bastante hostil, frente à iminência de negar sua própria pessoa e dissociar-se de suas contingências vitais no desempenho de sua tarefa educacional. Pergunta-se: Poderá ele viver na corda-bamba por ter que diuturnamente enfrentar situações tão divergentes e conflitantes? Como manter-se emocional e afetivamente equilibrado? Como fazer para conseguir tal objetivo? No entanto, felizmente, o desgaste e o estresse a que os docentes hodiernamente ainda são submetidos não conseguiram afastá-los da convicção de que seus trabalhos são mais que um dever: são escolhas feitas a partir da certeza de que são instrumentos fundamentais e decisivos na


modificação da sociedade e na construção de um presente e de um futuro melhores, através da formação de cidadãos mais conscientes e críticos. Sem dúvidas, ainda há extensos e difíceis percursos a serem trilhados para que o profissional docente seja adequadamente valorizado e respeitado. Por outro lado, temos a convicção de que a docência é uma das tarefas mais dignas do ser humano e de que nela se pode expressar plenamente a geratividade e o constante enriquecimento do saber. A docência é, indubitavelmente, uma das mais completas e frutíferas formas de integração entre os indivíduos, com incalculáveis repercussões na construção da sociedade do futuro.


REFERÊNCIAS BAGNO, Marcos. Pesquisa na Escola: o que é, como se faz. 18. ed. São Paulo: Loyola, 2004. BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da complexidade. Petrópoles: Vozes, 2006. DEMO, Pedro. Certeza da incerteza: ambivalência do conhecimento e da vida. Brasília: Plano, 2000. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. 35. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2007. HERNANDEZ, Ivane Calvo. ENRICONE, Delcia. GRILLO, Marlene. Ensino Revisão Crítica. Porto Alegre: Sagra, 1988. HESSEN, Johannes. Teoria do Conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 2000. HILTON, Japiassu. Nem Tudo é Relativo. A Questão da Verdade. São Paulo: Letras. & Letras, 2000. HUSSERL, E. Idéias diretrizes. São Paulo, 1978. LADRIÈRE, J. Filosofia e práxis cientifica. Rio de Janeiro, 1978.

LUCKMANN, Thomas; BERGER Peter L. A construção social da realidade. 26. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2006. ZILLES, Urbano. Teoria do Conhecimento. 5.ed. Porto Alegre: Edipucrs, 2006.

A UTILIZAÇÃO DA SALA DE AULA COMO LOCAL DE PESQUISA  

A UTILIZAÇÃO DA SALA DE AULA COMO LOCAL DE PESQUISA

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you