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Índice Apresentação......................................................................................... 3 Como Escolhemos Nossas Músicas Favoritas?.............................................4 A Influência de Cada Parte no Todo...........................................................5 Apresentando a Escala “Musipontos”......................................................... 6 As Etapas (e truques) da Produção........................................................... 7 1.Criação.......................................................................................8 2.Registro Original........................................................................ 10 3.Análises.................................................................................... 11 4.Experimentações....................................................................... 13 5.Gravação-Guia...........................................................................15 6.Captação das Bases................................................................... 17 7.Captação das Coberturas............................................................ 19 8.Overdubs e Rough Mix................................................................20 9.Mixagem...................................................................................22 10.Masterização........................................................................... 25 A Produção está Concluída!.................................................................... 27 Por Dentro da Escala Musipontos............................................................ 28 Cenário Musical - A Verdade Nua e Crua.................................................. 31 Avaliando Músicas com Musipontos......................................................... 33 O Papel da Tecnologia........................................................................... 35 Glossário............................................................................................. 37 Para se Aprofundar no Assunto............................................................... 37

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Apresentação Conceber uma música é deixar um rastro de existência. Uma marca no mundo, dizendo quem você é e o que pensa. Para muitos um hobby, para outros uma profissão. Nossa criatividade não tem limites, mas nem sempre está pronta para trabalhar, depende de inspiração, preparo e estado mental. Costuma aparecer nas crises e presentear mais uns do que outros. Muitas pessoas que conheço começam a fazer uma música e nunca terminam. Talvez porque nunca sintam-se satisfeitas com o resultado, ou estejam esperando por um estalo de criatividade - difícil caminho. Tantas outras têm idéias fantásticas, mas não conseguem transformá-las em música – formatada, clara e “consumível”. Todos nós já ouvimos que a arte é "1% inspiração e 99% transpiração". Este manual de bolso ensina técnicas e conceitos de produção musical, trazendo à tona o funcionamento do mercado e os mecanismos por trás da percepção dos ouvintes.

Nesta leitura, você aprenderá: ●

Quais são as variáveis que determinam o impacto de uma

música ●

Onde devemos concentrar esforços durante a produção musical

Como avaliar uma música

As particularidades de cenário atual

A tecnologia no processo produtivo

Os “truques” do produtor musical

Conceitos básicos e avançados

Termos e linguagem da Produção Musical

Se a inspiração aparecer durante a produção musical, ótimo! Mas não deixe de fazer música porque acredita que não tem talento. Tão importante quanto o talento é a dedicação - estudos, prática e consistência. Este pocket guide pode ser um grande aliado nos momentos de bloqueio criativo. Recomendo sua leitura integral como ponto de partida para o planejamento da sua produção. Posteriormente, utilize-o como referência de consulta para tópicos particulares ou reforço das técnicas. Estas técnicas são universais e não foram criadas para nenhum estilo musical em particular. Se você deseja fazer música, é amador ou profissional, esta leitura irá ajudá-lo!

Ao longo do texto, os termos sublinhados estão definidos no Glossário do website.

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Como Escolhemos Nossas Músicas Favoritas? Nossa percepção de uma música depende de vários fatores. Sem dúvida, o gosto pessoal tem grande influência sobre o que escutamos, compramos, baixamos e recomendamos - memórias da infância, situações vividas, hábitos adquiridos, amigos e familiares. A mídia também exerce um poderoso papel: a exposição constante a determinadas músicas e artistas, de certa forma, força a nossa aceitação e cria referências. O poder dos principais canais de comunicação é tão grande, que pode-se popularizar virtualmente qualquer coisa: programas, histórias, políticos, ideias, músicas, filmes, seriados, artistas. Com raras exceções, tudo aquilo que é bombardeado pela mídia acada sendo aceito e valorizado (daí a importância, ainda inegável, das grandes mídias e dos programas de maior audiência no sucesso de um artista pop, goste ele ou não desta condição). Há problemas neste cenário. O espaço e o tempo destes canais são limitados – há muitos outros conteúdos de alta qualidade, que teriam todo o potencial de se tornarem populares, mas não conseguem aparecer. “Pop” deixou de ser sinônimo de “bom”. Pelo contrário, na música, tenho descoberto muito mais originalidade, canções e artistas interessantes fora do circuito tradicional, que frequentemente chamamos de alternativo ou underground. Essa discussão merece um capítulo à parte e a intenção deste livro é tratar sobre a produção musical. No entanto, algo me parece verdadeiro: elevar a qualidade das produções é sempre um reforço para sua evidência, popularidade, poder de conquista.0 Conforme nos afastamos da euforia da fama efêmera, no longo prazo, as músicas que permanecem na nossa lista particular de favoritas têm algumas características em comum, que podem ser identificadas. Características que não dependem de massiva exposição para serem apreciadas. Essas mesmas músicas que sobrevivem por gerações, não saem de moda e sempre nos emocionam, são também as mais tocadas nas rádios, as que mais influenciam, vendem e conquistam o grande público – ano após ano. Elas vieram para ficar e não é por acaso que se destacam da média.

Se uma música nos parece interessante, cansativa, memorável ou energética, podemos encontrar os fatores que fizeram surgir esta avaliação. Isto é, na verdade, o "segredo" por trás da Produção Musical. Às vezes nos lembramos de um filme por causa do final surpreendente. Gostamos de outro que tem uma cena de ação muito bem feita, ou desistimos de assistir logo no início porque ele é "muito parado". O mais comum, no entanto, é simplesmente gostar ou não do filme - do conjunto, do todo. É interessante perceber como rapidamente fazemos uma avaliação. Quando nos perguntam o que achamos da estréia de ontem, podemos facilmente comparar com outros filmes e inclusive detalhar os critérios: roteiro, direção, efeitos especiais. Na música, porém, não temos este hábito. Críticos, produtores e ouvintes “profissionais” talvez analisem diversos critérios. O grande público, no entanto, simplesmente gosta ou não gosta, sem saber explicar porque. © 2008-2011 Dennis Zasnicoff | audicaocritica.com | Alguns direitos reservados | p.

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Sim, alguns detalhes podem fazer toda a diferença e consagrar uma obra. Mas isto é a exceção, não a regra! No filme, cada parte tem influência no todo - fotografia, trilha sonora, atuação - e se todas forem produzidas cuidadosamente, as chances de sucesso serão bem maiores do que concentrar-se em apenas um elemento, tentando com que ele supere todas as expectativas e ofusque os demais.

A Influência de Cada Parte no Todo Como produtor musical, ouvinte e amante da música, sempre senti falta de uma escala de avaliação que auxiliasse músicos e técnicos no processo de produção. Algo que pudesse avaliar objetivamente uma música, conforme a escutamos, não somente a composição ou a interpretação do artista. Uma escala que considerasse tanto a qualidade de áudio quanto os demais recursos técnicos e artísticos – gravação, arranjo, mixagem, masterização – e que pudesse ser utilizada por diferentes profissionais, sem precisarmos fazer cursos ou despender muito tempo para aprender a usar. O mundo do vinho conta com diversas escalas de avaliação. Talvez a mais conhecida e respeitada seja a escala de Robert Parker. Profundo conhecedor de vinhos e dotado de uma capacidade e memória gustativas únicas, Parker é capaz de analisar diversos critérios de um vinho e pontuá-lo com uma nota que varia até 100 pontos. Embora sua nota sirva de referência para muitos consumidores, influenciando diretamente consumo, preço e popularidade de um produto ou produtor, sempre haverá aqueles que discordam de sua avaliação, alegando que é impossível se comparar todos os vinhos sob uma mesma escala, que haveria diferentes produtos para diferentes propósitos – situações, públicos, culturas e faixas de preço (é claro que as reclamações nunca se originam daqueles que receberam boas notas). Polêmicas à parte, a maioria da indústria, do comércio e da imprensa especializada parece concordar que um vinho bem pontuado é de fato um grande produto, merecedor de tal avaliação. Suas notas são explicitamente divulgadas nas lojas, revistas e websites. Outras escalas similares existem, com menor popularidade. Na minha opinião, lamento que esse método de avaliação usado por Parker não possa ser utilizado por outras pessoas, até mesmo pelos consumidores, refletindo em uma mesma pontuação. Claro, primeiramente estas pessoas precisariam conhecer todos os critérios, além de possuir a capacidade técnica para avaliar. No fundo, porém, o grande valor da nota é ela ter sido dada pelo próprio Robert Parker. Na música, seria muito útil aos profissionais e consumidores a possibilidade de se avaliar uma canção de uma maneira mais objetiva. Afinal, como dissemos, ao longo prazo, as músicas consideradas como as “melhores” possuem algo em comum. Seria possível listar e categorizar essas variáveis? Qual o peso de cada quesito? Criei a escala musipontos originalmente para uso próprio, com a intenção de facilitar o diálogo com os artistas, evitando que o gosto pessoal, tanto meu quanto deles, pudesse interferir demasiadamente nas decisões. Além disso, foi uma oportunidade de estudar diferentes fases da produção musical, desmistificar a excessiva importância de algumas delas e compreender um pouco mais sobre o que faz uma música ser uma boa música, bem produzida. Com tempo e uso, os critérios de avaliação e a influência de cada parte no todo se tornaram mais claros.

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O método musipontos avalia uma produção de 0 a 10 (notas tradicionais) para facilitar interpretações e comparações. Naturalmente, a “nota” sempre dependerá de quem está avaliando, mas a metodologia procura minimizar os julgamentos subjetivos, espelhando-se no comportamento médio da população e nos aspectos objetivos, tanto artísticos quanto técnicos. A idéia é que muitas pessoas possam entendê-la e utilizá-la. Ao menos, através da escala, possam compreender melhor como funciona uma produção musical. Possam parar para refletir sobre esforços, sucesso, fracassos, dificuldades, competências. A escala musipontos não pretende ser infalível e nem referência de mercado, mas pode ser uma boa ferramenta para suas produções. Ela é apresentada a seguir e aprofundada em detalhes no final do livro.

Apresentando a Escala “Musipontos” Na produção musical, costumo repartir as prioridades da seguinte maneira: de tudo que podemos fazer para contribuir no resultado final de uma música... ●

40% provém da Composição

30% da Pré-Produção

20% da Gravação

10% da Mixagem / Masterização --------100% Total

De onde tirei esse modelo de proporções? É justamente essa resposta que você deverá encontrar nos capítulos que seguem. Ao final, você deverá concordar com os critérios ou pelo menos compartilhar da visão, criando seu próprio método de avaliação que não deverá ser muito diferente. Ele surgiu da análise de músicas durante anos de trabalho como produtor musical e tantos outros como ouvinte questionador. De maneira alguma representa a verdade absoluta, mas tem funcionado muito bem para muitas produções. Nesta escala, cada uma das etapas acima pode contribuir com um número limitado de pontos, somando o máximo de 10 musipontos. A composição é avaliada de 0 a 4, a pré-produção pode ter de 0 a 3 pontos, gravações recebem até 2 musipontos e no máximo 1 para a mixagem/masterização.

Tenha em mente que 1 ponto é sempre uma GRANDE melhoria. Cada musiponto adicional requer bastante esforço, seja do ponto de vista artístico ou técnico. Conseguir melhorar uma composição de 3 para 4 ou uma gravação de 1 para 2, requer experiência, investimento, know-how e tempo. Mais adiante, entraremos em detalhes sobre a Escala Musipontos e sua relação com o mercado. Por hora, para facilitar o entendimento das etapas da produção musical, podemos utilizar a seguinte classificação para musipontos:

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1. Muito Fraca 2. Fraca 3. Abaixo da Média 4. Razoável (média de tudo que se produz) 5. Acima da Média (potencial de rádio*) 6. Notável (sucesso em um nicho de mercado) 7. Destaque (hit, paradas de sucesso) 8. Ótima (grande público) 9. Clássico (sobrevive a diversas gerações) 10. Referência (grandes e raros marcos na história) (*tocar no rádio - aparecer nas paradas etc. - depende de outro fatores de pósprodução, algumas músicas 4 já tocaram no rádio e muitas outras 6 ou 7 nunca, são apenas referências para reforçar o valor de uma pontuação)

As Etapas (e truques) da Produção Cabe ao produtor e ao artista (compositor, intérprete ou banda) entenderem as limitações de cada etapa para então priorizarem os aspectos mais importantes. Primeiro as primeiras coisas! E o resultado será satisfatório, com bom aproveitamento de tempo, energia e recursos. As 10 fases principais da produção musical estão explicadas em detalhes na seqüência: Composição 1. Criação 2. Registro Original Pré-produção 3. Análises 4. Experimentações 5. Gravação Guia Produção 6. Captação da Base 7. Captação da Cobertura 8. Overdubs e Rough Mix 9. Mixagem 10. Masterização A terminologia aqui usada pode ser diferente daquela existente em outras literaturas. A divisão que faço entre Composição, Pré-Produção e Produção visa facilitar o entendimento de cada etapa, além de reforçar alguns conceitos importantes de cada fase:

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Composição: intimamente ligada ao artista, ao compositor, não depende necessariamente de outros profissionais e não tem se modificado muito ao longo dos anos – escrever uma música, antes de mais nada, significa ordenar notas musicais e letras. Os estilos de trabalho variam consideravelmente de compositor para compositor, mas nunca deixou de ser uma atividade bastante árdua e especializada, para poucos, ao contrário do que muitos pensam. Pré-produção: possivelmente a fase menos conhecida e explorada, ao mesmo tempo que é essencial para o resultado final de uma música. É o momento de planejamentos e decisões, que requer uso de técnicas e disciplina. Está normalmente associada a um produtor musical (que pode atuar mais como arranjador, músico, técnico, gerente de projeto etc.) e não necessariamente precisa se utilizar de estúdios ou instrumentistas profissionais. Produção: relacionada às interpretações, performances dos músicos, gravação e edição de fonogramas. Ocorre dentro de estúdios e salas de controle, englobando gravações, mixagens e masterização. Aqui começa o registro definitivo do áudio, com valorização de espaços acústicos, técnicas, equipamentos e técnicos.

1. Criação Tudo começa com uma boa matéria prima. O fundamento de uma música sempre foi e sempre será o seu conteúdo lírico e musical. Existem inúmeras escolas de ensino, teorias e cursos superiores de Música, e portanto, sobre a arte de compor, reger, arranjar e interpretar músicas. Algumas dos conhecimentos essenciais de um bom compositor são:

Harmonia

Contraponto

Ritmo

Arranjo e Instrumentação

Ouvido absoluto e/ou relativo

Instrumentos e Timbres

Vocabulário musical

Tipos de rimas

Este manual não entrará em detalhes sobre a arte da composição, mas posicionará esta etapa como o ponto de partida fundamental de qualquer produção, definindo o seu papel e algumas técnicas utilizadas por compositores. Acho importante aproveitar este tema para colocar a idéia principal deste texto: esta, e todas as demais etapas que veremos a seguir, exigem dedicação e uma ampla faixa de conhecimentos e habilidades.

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Muitas pessoas que conheço imaginam que compor é um dom, algo com que nascemos. De fato, muitos artistas parecem ter o toque divino que os separam dos demais, mas muito provavelmente esses mesmos artistas possuem larga experiência e domínio do ofício, usaram e abusaram das técnicas de composição para que um dia pudessem fazer uso de sua inspiração e originalidade. Sempre me lembro da minha experiência com Pablo Picasso. Quando tive o primeiro contato com suas obras mais famosas, não fiquei nada convencido das suas qualidades como pintor. “Rabiscos grotescos? Parece coisa de criança!”, pensava. Tenho certeza que muitos também tiveram esta impressão. Depois soube que Picasso nem sempre pintou com aquele estilo. Era um estudioso nato e tinha domínio sobre muitas técnicas da pintura, podia retratar uma imagem qualquer com perfeição e caminhou por diversos ramos das artes plásticas até desenvolver seu próprio estilo e genialidade. Qualidades que ainda não consigo apreciar por completo, porque não sou especialista nem consumidor frequente desta forma de arte, mas que são inegáveis, haja visto o valor de suas pinturas e o reconhecimento mundial que tem sua obra. Compor é um processo técnico e repetitivo. A criatividade é importante e pode ser aprimorada com exercícios diários. No Brasil, temos dezenas de milhares de compositores. Destes, alguns milhares dedicam boa parte do dia para a atividade de compor. Deste grupo, várias centenas fazem exercícios regulares, estimulando as regiões do cérebro responsáveis por imagens, analogias e descrições, escrevendo horas a fio. Finalmente, deste pequeno universo, apenas poucas dezenas de compositores consagrados (com composições de 3 ou 4 musipontos) são responsáveis por mais da metade do que ouvimos todos os dias.

Quando o artista concentra-se na concepção da obra, sem pensar nas fases seguintes, está fazendo o melhor uso de suas habilidades. Quero mostrar que compor é um trabalho árduo e especializado. Se este é seu objetivo, vale a pena estudar as técnicas e se dedicar. Lembre-se: dedicar-se, em qualquer profissão, significa estudar e praticar por anos e anos. Suas composições podem começar a atingir notas 2 ou 3 antes do que você imagina. Saberá otimizar música e letras. Se você acha que nunca vai atingir 3 ou 4 (nota máxima) nas composições e não está satisfeito com 2 ou 3 musipontos, talvez seja mais interessante utilizar composições de terceiros, participando da produção como instrumentista, arranjador, produtor ou técnico de som. As editoras musicais são um bom ponto de partida para se buscar compositores e composições. Elas são responsáveis por divulgar artistas e repertórios, na busca por licenciamentos, remunerações para compositores. Diversas gravadoras e produtores buscam talentos nas editoras.

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Se você pretende se especializar em composição, procure estudar como funciona a legislação dos direitos autorais, quais são os editores mais influentes no seu mercado e o que fazer para registrar e divulgar o seu trabalho. Mas acima de tudo, escreva, escreva muito! Rabisque, apague, recomece. Antes de fazer sucesso com uma canção, um compositor normalmente já terá escrito centenas delas. As melhores composições possuem algo em comum: ● Representam sentimentos ou situações universais, facilmente compreendidas por ouvintes que se identificam. ● São específicas, não sendo objetivas. O grande segredo do compositor é conseguir passar uma mensagem clara através de uma descrição particular, única, original, rica. ●

Estão centradas sobre uma idéia genuína, um tema claro.

● Utilizam técnicas musicais e poéticas para ganhar interesse (teoria da informação, sentidos do corpo, surpresa, recompensa, humor).

Procure registrar suas idéias assim que elas acontecem. Muitas vezes, isso ocorre pela manhã, quando nossa cabeça ainda está "vazia" e despreocupada. Tenha sempre à mão lápis e papel, ou um gravador portátil (muitos celulares possuem esta função). Este estalo é quase sempre o ponto de partida de uma grande composição. Como as pessoas se comportam? O que as interessa? Como VOCÊ enxerga uma determinada situação? Provavelmente há muitas outras pessoas que se identificam com o seu ponto de vista!

2. Registro Original A música concebida precisa ser registrada de alguma forma. Tanto para fins de proteção dos direitos autorais quanto para viabilizar uma produção – poder ser revisitada, estudada, otimizada, analisada, comunicada a outros profissionais. O registro pode acontecer de várias formas, sendo que as mais comuns são: partituras, tablaturas, cifras, letras ou uma simples gravação do áudio que registra apenas letras sobre melodia, melodia sobre harmonia ou simplesmente ideias melódicas. Em futuras reuniões com o produtor musical, o compositor ou intérprete discutirá objetivos, expectativas, cronogramas, custos, alternativas, referências e repertórios. Além de ser utilizado como ponto de partida para a pré-produção, este registro também servirá para comunicar ao produtor e sua equipe qual é a essência da música – sua mensagem, conteúdo lírico e musical. Trata-se, portanto, do primeiro registro objetivo do compositor. Quando gravado em formato de áudio, possui uma particularidade de extrema importância – captou intenções espontâneas do artista, que são importantes e não devem ser esquecidas durante as próximas fases.

É costume revisitar o registro original durante a produção para não se distanciar do objetivo inicial.

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Um produtor experiente saberá identificar quais são elementos do registro original que devem ser trabalhados e não julgará a música como uma produção final - afinal, ela só está começando. A qualidade do áudio, por exemplo, pouco importa neste momento. A gravação original normalmente é composta de voz e violão, voz e piano ou algum instrumento de maior familiaridade para o compositor. Muitos artistas preocupam-se em gerar um registro com boa qualidade de áudio. Gravam várias versões, fazem alterações e colocam instrumentação. Essas etapas deveriam ser deixadas para depois. Na verdade, o resultado pode até ser negativo – o registro perde a intenção original e a essência da composição, que é base para a pré-produção que se inicia agora. O registro original não deve ser confundido com a gravação-guia, que será explicada adiante. O registro original, para todos os efeitos, é a expressão mais espontânea e sincera do compositor. A avaliação (e a quantidade de musipontos) de uma composição pode ser feita através dele. Com prática, rapidamente sabemos se estamos diante de uma composição fraca, boa ou excelente.

Curiosidade: depois que a música já está produzida, como podemos avaliar uma composição isoladamente? É só cantá-la ou tocá-la no violão. Uma boa composição soará interessante, mesmo sem produção! As composições com 3 ou 4 musipontos são as primeiras candidatas a remixes e versões acústicas.

3. Análises Esta fase inicia a Pré-Produção.

A Pré-Produção tem função muito clara no processo: otimizar a composição através de um ponto de vista alheio. Fazer com que a música tome forma e esteja pronta para ser produzida (gravada, mixada). São planejados cronogramas, recursos e alternativas. A princípio, as etapas que seguem a pré-produção não deveriam voltar atrás para trabalhar, por exemplo, letras, instrumentação, forma ou estilo. Estes aspectos podem e devem ser decididos agora, na pré-produção, justamente para se evitar futuros erros e frustrações. No papel de compositores, é fácil termos uma visão bastante particular da nossa obra. É como um filho, nós o protegemos e não queremos enxergar seus defeitos. Já na pré-produção, é altamente recomendado que uma outra pessoa comece a acompanhar o processo produtivo, participando das decisões.

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O produtor musical normalmente começa a agregar nesta fase. Este profissional possui um distanciamento natural da composição e tende a julgar com maior clareza o possível impacto da música no público. As análises mais comuns realizadas nesta fase são: ● Identificar qual o "estilo de produção" e concentrar-se nele durante todo o processo. Uma música pode possuir um elemento marcante e repetitivo, lírico ou musical (Hook, Riff), pode querer destacar um ritmo ou levada (Groove), possuir um forte conteúdo poético e narrar uma história (Letras), caminhar para um clímax musical (Chorus) etc. ● Estudar a complexidade da produção para se estimar custos e prazos, bem como metas factíveis. ● Escalar e contratar eventuais profissionais adicionais - técnicos e músicos. ● Analisar os elementos principais quanto à sua clareza e eficiência (ex.: título, tema, forma, início, contorno). ● Avaliar aspectos psicoacústicos da música, como equilíbrio, economia, variedade, contraste e foco.

Planejar o equilíbrio tonal: uso do espectro sonoro (instrumentação e arranjo), congestionamento e inteligibilidade. ●

● Otimizar a distribuição espacial e temporal - elementos próximos e distantes, panorama horizontal, "tamanho" de cada instrumento, profundidade, intimismo, punch, naturalidade. ● Tomar decisões conscientes para que se possa seguir adiante e não voltar mais ao assunto. Saber produzir é saber quando parar. O processo pode nunca ter fim, sempre haverá possibilidades e dúvidas. Aliás, este é um dos principais motivos para se contratar um produtor.

O papel do produtor é visualizar o resultado final da música, que provavelmente só estará claro (e audível) ao término da produção, estimulando decisões que contribuam para o objetivo estabelecido. Portanto, uma relação de confiança entre os artistas e o produtor é fundamental para o sucesso das próximas etapas. Uma ferramenta muito útil durante as análises é o uso de referências. A grande maioria das composições baseia-se em algum elemento já existente. É praticamente impossível ser 100% original.

As referências escolhidas pelo artista/intérprete (ou aquelas trazidas pelo produtor) guiam a produção e ajudam a manter o foco. Obviamente, as referências devem ser usadas com cuidado para não caracterizarem plágio. Tratam-se de músicas (ou discos) previamente lançadas que possuem algum elemento marcante – um timbre, uma levada, um instrumento, uma maneira de se cantar, um efeito sonoro ou estilo musical.

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Nem todos os produtores seguem um padrão durante as análises. Em alguns casos, justamente porque já desenvolveram a habilidade de escutar a composição visualizando o resultado final da produção. Em outros casos (diria até na maioria deles) acreditam que analisar cada um dos detalhes seria uma perda de tempo. Minha visão é que tempo de pré-produção nunca é tempo perdido! Aproveite que o “taxímetro” do estúdio não está rodando, ainda não há pressão da gravadora (ou de quem quer que esteja financiando) e tudo ainda pode ser modificado com certa facilidade. Seguir um roteiro de análises é talvez a melhor maneira de se desenvolver o que chamo de “diagnóstico da primeira audição”. Pode parecer estranho existirem pessoas na produção levando horas para analisar os diferentes aspectos de uma composição, enquanto que os ouvintes simplesmente escutarão a música, sem ouvidos críticos. Esta é talvez a maior resistência de alguns produtores: “Os ouvintes não pensarão nisso, não sabem analisar esses critérios.” Ingênuo engano! O público é bastante crítico, embora não pense conscientemente durante uma avaliação. Apreciar ou criticar é fácil – gosto, não gosto. Como consumidores, passamos anos e anos desenvolvendo nossos critérios de avaliação, através de inúmeras experiências, lembranças e referências. Querendo ou não, somos excelentes críticos! A dificuldade é criticar vestindo o chapéu de produtor, poder conscientemente criar algo que cause uma determinada reação. Como muitos dizem, com toda razão: criticar é fácil, difícil é fazer melhor. Ainda que você trabalhe com produção musical, durante a maior parte do tempo você estará escutando, não produzindo – aprendendo a julgar e não a ser julgado. Quando faço uma avaliação no meu site, explico minha análise do ponto de vista do produtor. A “audição crítica” requer prática e foco, para que eu não me comporte como um ouvinte. No entanto, no final das contas, se avalio, por exemplo, uma música com nota 6, muito provavelmente a maioria dos ouvintes também concordará que se trata de uma produção notável, mas ainda sem potencial de virar um hit.

4. Experimentações Neste momento, as análises já estão documentadas e diversas decisões foram tomadas. Até agora, o processo ocorreu através de reuniões e discussões entre artista e produtor. A próxima fase começa a fazer uso de áudio no estúdio e/ou técnica. Versões são gravadas para se testar tonalidade e andamento, estudar complexidade e alternativas. É uma espécie de ensaio da gravação e da mixagem, para que músicos e técnicos possam testar arranjos, formas e variações, retirando qualquer dúvida ainda existente após as análises. Ao mesmo tempo, são realizadas algumas gravações que serão úteis durante o desenrolar do processo. O registro original da composição (em áudio) pode ser utilizado como base para as versões experimentais, economizando-se tempo. Por questões de agilidade, o próprio produtor ou outra pessoa da equipe pode tocar alguns instrumentos ou mesmo cantar nas versões guias. Neste caso, o artista não deveria se sentir "traído" de maneira alguma.

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Na verdade, se o compositor não é exatamente um bom intérprete, sua música seria muito melhor valorizada se interpretada por outros músicos. Outras vezes, a formação original da banda pode ser modificada durante as gravações, para o bem da música - este sempre é o objetivo maior. Existem excelentes músicos de estúdio que não desempenham bem ao vivo e vice versa. Ser um artista é muito mais do que entregar uma boa performance: composição, imagem pública, presença de palco, visual, histórico, carisma – aspectos não necessariamente relacionados à produção musical.

As experimentações são uma oportunidade de testar o entrosamento da equipe e a confiabilidade de equipamentos e processos. Já que a qualidade do áudio não é prioridade, a equipe pode se concentrar na mensagem musical. Durante os experimentos, traçar o contorno emocional da música é outro recurso valioso. O contorno emocional indica graficamente como as informações musicais entram e desaparecem ao longo da música. Está bastante conectado ao arranjo, à Teoria da Informação e à Teoria Gestalt. Que emoções e com que intensidade cada sessão da música oferece? O contorno é estável e cansativo ou apresenta variações, picos e respiros interessantes? Rapidamente, a quantidade de testes pode se tornar grande e, assim, é muito importante documentar todas as versões: data, equipamentos usados, principais variações, duração, andamento, tonalidade, forma, letras, harmonia, reações dos ouvintes. Com os recursos atuais, facilmente o áudio pode ser picotado e misturado com outros elementos para agilizar os testes, como batidas diferentes, estilos modernos e antigos, elementos originais ou datados, timbres criativos ou clássicos. Se o artista ainda não possui uma identidade musical, este é um bom momento de construí-la. Quando ouvimos Santana, reconhecemos que é Santana. The Police, Dire Straits, Steely Dan, Iron Maiden, Elvis Presley, Bach, Jack Johnson e Norah Jones. São todos exemplos de grande personalidade musical que muitas vezes surgiram de experimentações. É cada vez mais difícil se criar uma identidade musical. Um melhor caminho talvez seja encaixar-se em um estilo ou nicho de mercado. Mais uma vez, as referências se tornam grandes aliadas: “gostaria que soasse como U2", "adoro a percussão daquela música do Jethro Tull", "queria um ritmo marcante como Down on The Corner do Creedence". As referências ajudam a equipe a eliminar alternativas, a compreender as intenções do artista. Além disso, auxiliam o público a se identificar com faixas e artistas, aceleram a adoção de músicas. Durante esta fase, é muito prático e eficaz utilizar programação MIDI, bibliotecas de loops e samplers. Timbres e ritmos podem ser alterados e "votados" pela equipe. Convide amigos e desconhecidos para testes de audição para ter uma boa idéia do que a música está passando, antes que as horas de estúdio sejam agendadas.

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A mensagem está clara? Soa como plágio ou lugar comum? É muito alternativo, de difícil digestão? Qual a primeira reação do público?

A primeira reação pesa muito no sucesso de uma música. Infelizmente, ela tende a desaparecer para aqueles envolvidos na produção, cada vez que escutam a música mais uma vez. Ao final das experimentações, o produtor deverá ter diagnosticado profundamente alguns critérios como: clareza, simplicidade, ênfase, coerência, especificidade e repetição - elementos importantes, embora inconscientes, para a percepção (e avaliação) dos ouvintes. Durante os experimentos, deve-se tomar o cuidado para que o artista não considere as versões-teste como uma produção final. Por várias vezes tive dificuldade para explicar ao cliente que aquilo que ele estava ouvindo não deveria ser julgado como produção finalizada, pois ainda estávamos na préprodução. Timbres que soam como karaokê, notas fora de tempo, loops e efeitos “baratos” somente estão ali para o estudo de possibilidades. É uma questão de recursos: por que gastar tempo buscando o melhor timbre na sua biblioteca de loops ou quantizando todas notas no groove se provavelmente aquilo não será reaproveitado? No entanto, é preciso um mínimo de “realismo” para que se possa comunicar a proposta. Para cada versão, faça um mixdown do áudio e salve a sessão do seu software com um nome diferente. Envie o áudio para o artista (ou produtor) e peça para ele comentar. Ele pode usar o áudio para gravar outro instrumento por cima, editar a forma, testar vocais. Por diversas vezes acabei utilizando 90% do tempo total de uma produção para a pré-produção. Essa é a hora de explorar instrumentos e idéias que estão engavetadas. É muito provável que, em algum momento, a equipe se manifestará: “É isso!”. Uma descoberta, um detalhe, que parece dar forma à música, clareando a visualização do resultado final. Este estalo de descoberta e confiança tende a ocorrer várias vezes durante a produção, preste atenção neles pois podem resolver grandes problemas. Agora é hora de fazer uma gravação-guia!

5. Gravação-Guia Naturalmente, todas as experimentações e as várias gravações realizadas durante a pré-produção caminham para uma gravação-referência, um mix que resume todas as ideias e contém uma estrutura candidata à forma final. Esta será a versão final da pré-produção. Às vezes, esta gravação-guia consegue atingir um resultado tao bom (artístico e técnico) que passa a fazer parte do CD demo (demonstração), do EP ou mesmo do LP do artista*. Principalmente quando não há orçamento para se seguir adiante com a produção, ou quando é importante uma rápida divulgação. (*EP e LP no sentido de quantidade de faixas, provavelmente o formato será CD ou arquivo digital MP3 para download)

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O CD demo deverá incluir de 3 a 5 canções. O repertório deveria representar o artista da melhor maneira possível – estilo, versatilidade e técnica. Uma demo é útil na divulgação do artista para rádios, casas de show, editoras, selos, produtores, investidores. O problema é que centenas de CDs são enviados diariamente para estes caçadores-de-talentos e acabam esquecidos numa grande pilha. Quando escutados, podem ser rapidamente descartados se os primeiros segundos da música principal não se mostram interessantes e muito bem produzidos. É por isso que, hoje em dia, uma demo está mais para uma produção final do que para uma gravação-guia. Na fase das gravação-guia, melhor seria seguir adiante, acabar a produção de sua música e só então lançar o CD demo, que certamente terá mais chances de se destacar!

Com a gravação-guia em mãos, é fácil envolver outras pessoas, expor o trabalho para gravadoras e receber críticas. No final do dia, a guia comunica as intenções do artista e da equipe de produção, permitindo que selos e editoras tenham uma boa idéia do potencial da canção. A gravação-guia, bem como toda a documentação que a acompanha, pode ser utilizada pelo compositor (intérprete ou banda) para gravar, mixar e masterizar em um momento futuro, em outro estúdio ou cidade, preferencialmente com participação do mesmo produtor. Eventualmente, até com outra equipe de produção. Se uma gravadora se interessar pela música, ela poderá oferecer adiantamentos, financiar os custos de produção, fornecer estúdios e técnicos e até mesmo interferir diretamente na produção (afinal, está pagando). Neste momento, a pré-produção está finalizada e irá garantir uma produção sem grandes falhas ou frustrações. É hora de seguir para o estúdio. Na fase de captação, artistas e técnicos podem se concentrar na performance. Com a pré-produção concluída, gastarão menos tempo e dinheiro dentro das salas de gravação, atingindo resultados surpreendentes. Utilize a gravação-guia para avaliar a Pré-Produção, afinal, todas as decisões e informações musicais estão contidas nela. Quantos musipontos você daria? Se ainda não considera que atingiu 2 dos 3 pontos, que tal gastar um pouco mais de tempo antes de iniciar as sessões de gravação? Procure testar outros arranjos. Lembre-se que retirar elementos costuma ser mais eficiente do que adicionar. A música está longa ou curta? Tem um foco claro ou muitas coisas interessantes ao mesmo tempo que podem confundir o ouvinte? A composição é boa, se sustenta sozinha ou exige muito da produção?

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6. Captação das Bases Aqui começa a produção propriamente dita, na forma de gravações em estúdio e/ou programações no computador. Quanto maior o domínio sobre os aspectos técnicos do estúdio, maior será a atenção dada à interpretação – que é o grande foco das fases de captação. O intérprete pode fazer toda a diferença em uma produção, como de fato acontece toda hora com cantores que parecem ter o “timbre perfeito” para aquela canção. Lembre-se, a seleção dos intérpretes, os testes e as decisões já deveriam ter sido feitos durante a pré-produção. Com exceção de alguns estilos musicais e situações especiais, o processo de gravação é sempre do tipo multi-pista seqüencial. Cada instrumentista ou grupo de instrumentistas registra sua parte, a qual será usada como fundo musical (playback) para a gravação do próximo e assim por diante. Quem começa e qual o playback do primeiro músico? As bases costumam ser os primeiros elementos gravados.

Muitas vezes chamadas de "cozinha", constituem os elementos rítmicos, de tempo e marcação, como bateria, baixo e violão. A gravação das bases independe dos solistas (vocais e instrumentos melódicos de destaque). No entanto, são essenciais para a boa performance dos mesmos, que virá a seguir. Como um vocalista conseguiria gravar sem escutar ritmo e harmonia? Qual o momento exato para a entrada do solo de saxofone? Todo solista precisa escutar a base da música para poder encaixar sua execução precisamente no ritmo e na harmonia. A base rítmica inicia a fase de gravações, podendo utilizar um click (metrônomo) como referência de tempo. Está difícil? Utilize a gravação-guia como playback, mais uma utilidade para ela! Se tudo correu bem na préprodução, a guia está exatamente no tempo, na tonalidade e na forma final da produção. Em diversos estilos musicais, a base precisa soar orgânica. A gravação seqüencial corre o risco de soar artificial e portanto é comum que o baterista, o baixista e os demais instrumentistas da base gravem juntos, ao mesmo tempo, na mesma sala, buscando uma maior naturalidade na performance. A qualidade acústica da sala e o conhecimento dos técnicos pesam muito na gravação das bases. Na verdade, em todas as captações, incluindo cobertura e overdubs, que veremos na sequência.

O estúdio deve ser encarado como mais um equipamento. A diferença é que ele está sempre funcionando, não tem controles e não pode ser desligado! O som que escutamos interage diretamente com a sala e pode sofrer grandes alterações.

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Um tratamento acústico adequado cria um ambiente propício para uma audição precisa, permite maior controle sobre as gravações e o equilíbrio sonoro. Uma sala problemática esconderá todo o potencial daqueles monitores de referência ou daqueles microfones que você acabou de comprar e não custaram barato. Melhor gastar tempo dentro do estúdio, testando posicionamentos, instrumentos e equipamentos, do que perder ainda mais tempo na técnica durante a mixagem, correndo o risco de nunca atingir o resultado esperado. As técnicas de microfonação têm um impacto enorme sobre o resultado final da produção. Faça o teste: caminhe pelo estúdio enquanto está falando, perceba como cada posição gera um som distinto. As diferenças podem ser tão notáveis quanto uma equalização. O som muda como se estivéssemos aplicando efeitos durante a mixagem. Antes de experimentar modelos de microfones ou selecionar equipamentos e plugins que serão aplicados ao áudio, escolha cuidadosamente a posição do instrumento e do microfone dentro da sala. A característica acústica da sala determinará quais são as possibilidades (já experimentou gravar sua voz no banheiro?). Em outras palavras, a microfonação equivale a utilizarmos diferentes equipamentos nas etapas subseqüentes. Captar o timbre que se deseja neste momento é a melhor maneira de se evitar ajustes futuros que não serão tão eficientes quanto uma acústica realista e natural. Produtor e técnicos devem estar muito familiarizados com o estúdio e seus equipamentos para que possam se concentrar na sonoridade, utilizando seu know-how de gravação. Os equipamentos têm um peso muito menor do que se costuma imaginar, ficando atrás da acústica, até mesmo da qualidade da energia elétrica em alguns casos. No mundo do áudio profissional, sobretudo no Brasil, existe um supervalorização de equipamentos e softwares. Não caia nesta armadilha! Primeiro vem o conhecimento, depois as instalações (acústica e elétrica), por último, os equipamentos. Você ficará surpreso em saber que muitas das grandes produções que hoje escutamos foram realizadas com equipamentos extremamente simples, em salas nada ideais. Porém o know-how dos músicos e dos técnicos falou mais alto. Você saberá dizer se a base está bem captada se os outros instrumentistas não tiverem dificuldades para acompanhá-la tocando suas partes. A levada é compatível com a intenção da música? Os tambores da bateria foram afinados? (acredite, é raro que se lembrem disso.) A harmonia conhecida de todos? Todas as sessões da música possuem os acordes cifrados, em uma partitura, tablatura ou qualquer outra forma de representação? Durante as captações seguintes à base, um novo arranjador poderá participar do processo, adicionando ou substituindo instrumentos, pela falta de disponibilidade de músicos ou devido a problemas com algum instrumento. Dessa forma, alguns solistas que não participaram da pré-produção precisarão ter acesso a todas as informações musicais que sejam necessárias para suas performances. Documente, anote, organize-se. Uma base bem gravada é a fundação demais performances. O tripé fundamental composto por Caixa-Bumbo-Baixo. Dedique destes elementos (ou aqueles que façam estes

da música e irá sustentar as da música pop moderna é especial atenção à captação papéis).

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7. Captação das Coberturas Solistas e instrumentos melódicos podem agora registrar suas partes com naturalidade e emoção, encaixando-as perfeitamente sobre a base.

Como o esqueleto da música já está gravado, outros estúdios e até mesmo instrumentistas de outras localidades podem participar das coberturas. Esta possibilidade traz flexibilidade para o projeto. (isso é especialmente verdade para instrumentos raros, orquestração e naipes que requerem salas especiais ou artistas especializados)

Vocais podem ser gravados em uma sala enquanto o guitarrista registra um solo delicado e demorado em outra. Outros elementos menos fundamentais, que trazem "tempero" e personalidade para a música, também são gravados nesta fase. Frequentemente, são os Pads harmônicos de fundo (conhecidos como "cama"), percussões complementares, backing-vocals, cordas de orquestra, samplers, sintetizadores diversos. Para que possam escutar a base ao gravar suas linhas, os solistas receberão um mix de fundo nos seus headphones (ou monitores). É essencial que este mix tenha um volume adequado e destaque os elementos mais importantes para aquele solista. Um percussionista pode precisar de mais bumbo, um vocalista deseja ouvir o piano um pouco mais alto e com reverb. Um erro comum é enviar um mix muito baixo ou muito alto para o vocalista, que tenderá a cantar desafinado. O mesmo acontece quando o músico não consegue escutar a si próprio (“aumenta o retorno!”). Infelizmente, poucos técnicos e produtores gastam o devido tempo preparando os mixes que influenciarão diretamente as performances dos artistas. Quando possível, preferimos gravar as coberturas no mesmo estúdio das bases, o que irá garantir maior homogeneidade acústica. Nem sempre percebemos esta vantagem durante as gravações, mas ela torna-se bastante óbvia nas próximas etapas.

No mundo ideal, todos os instrumentistas tocariam juntos e um único par de microfones captaria a “mixagem” final em estéreo. Não precisaríamos dividir as gravações em etapas e nem realizar mixagens. Na prática esta situação é improvável, até mesmo impossível em alguns estilos musicais. Em gravações “ao-vivo”, perdemos o controle das partes, dependemos de uma performance perfeita dos músicos, há problemas de vazamentos entre microfones e falta de uma acústica adequada na sala. Este estilo de produção “minimalista” ainda é bastante comum em algumas gravações audiófilas de jazz e música erudita, conferindo uma naturalidade incrível. Vale lembrar que não só os artistas, mas técnicos e produtores, precisam ter domínio total sobre o processo de gravação para se fazer uma gravação audiófila “ao vivo”.

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8. Overdubs e Rough Mix Frequentemente, algumas das trilhas gravadas precisam de ajustes. Uma audição detalhada poderá revelar ruídos de captação, erros de tempo ou notas desafinadas. Talvez o vocalista estivesse resfriado ou pouco inspirado, a pele de um tambor da bateria pode ter desafinado ou um cachorro apareceu latindo bem no meio da bridge.

Os overdubs são regravações de passagens que precisam ser melhoradas*. Corrigem erros de captação e permitem a “colagem” de partes para a composição de uma frase musical perfeita. (*tecnicamente, podem se referir a qualquer gravação realizada sobre outras)

Quando a linha melódica é complexa ou rápida demais para ser executada com perfeição em um só take, o processo de overdub permite que um trecho seja gravado repetidas vezes, em loop. Posteriormente, técnico e produtor podem montar um take perfeito com as melhores partes de cada trecho gravado. Esta técnica é conhecida como comping. Uma sessão de overdub oferece atenção especial ao solista. Grande parte da equipe está concentrada em uma só performance, um instrumento, um microfone. Vários takes podem ser gravados em loop enquanto existe comunicação em tempo real com o artista - comentários, avaliações, sugestões. Um perigo é o overdub soar fora de contexto, porque normalmente os takes são gravados em salas (acústicas) diferentes da originalmente usada para as bases ou coberturas, com grande espaçamento de tempo. Além disso, o uso de fones de ouvido e a ausência de outros instrumentistas na sessão de gravação podem criar um “isolamento” para o músico, dificultando sua performance. Quanto mais acostumado com o ambiente de estúdio, melhores as chances do artista desenvolver sua gravação sem dificuldades. O mix que o artista escuta durante o overdub está agora bem completo, com base e cobertura. Mas ainda não se trata da mixagem final, que tomará bastante tempo e atenção na próxima fase. Assim, este “mix rascunho”, ou rough mix, pelo menos permite que a gravação ocorrendo neste momento se encaixe no contexto. Os efeitos aplicados sobre o rough mix e o próprio overdub (como compressão e reverberação) são ouvidos pelo músico em tempo real, nos seus headphones, ajudando a melhorar sua interpretação.

O rough mix, ou “mixagem rascunho”, auxilia na gravação dos overdubs e ainda tem outras utilidades. Este rough mix é resultado de uma mixagem rápida, simples e intuitiva, geralmente com participação de muitas pessoas na sala de controle (técnicos e músicos). Por este motivo, representa o sentimento espontâneo da equipe durante as sessões de gravação e deverá ser revisitado regularmente durante a mixagem, para que conceitos e idéias importantes não sejam perdidos. © 2008-2011 Dennis Zasnicoff | audicaocritica.com | Alguns direitos reservados | p.

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Durante os takes, é essencial que o músico tenha total conhecimento da forma da música, suas entradas e saídas, letras e harmonia, para que o processo não se prolongue e nem se torne cansativo. A boa comunicação entre técnico e artista agiliza bastante as gravações e, para tanto, são utilizados gestos previamente combinados e microfones de talkback. Muitos overdubs, sobretudo aqueles que não dependem da acústica de uma sala grande e viva, acontecem dentro da própria técnica e isso colabora bastante para o entrosamento entre técnico, artista e produtor. Um ambiente agradável, confortável e criativo retira a pressão do artista e do técnico, favorecendo a música. Técnicos devem ter especial cuidado para não interferirem na performance do artista com erros de operação, preocupando-se em testar e instalar equipamentos com antecedência. Da mesma forma, artistas devem respeitar as limitações tecnológicas (mesmo que aparentemente não existam) entregando uma performance ensaiada, de alta qualidade, pois raramente “consertar na mixagem” é a melhor saída. Há um limite do que se pode fazer durante a mixagem. Vale sempre lembrar que a gravação (performance, captação) tem muito mais influência no resultado final do que as fases seguintes, como edição e mixagem. Nem sempre as etapas de captação (base, cobertura e overdubs) precisam ser encaradas como processos independentes. Muitos artistas desempenham nitidamente melhor quando tocam juntos. Mas, naturalmente, quanto mais complexo o arranjo ou quanto maior a dificuldade de cada frase instrumental, mais caminhamos para gravações independentes e isoladas. Neste cenário sequencial, o aluguel do estúdio pode ser planejado para cada uma das etapas e somente os músicos essenciais para cada take precisam estar presentes naquele período de gravação. O produtor (ou técnico) pode realizar um mixdown das trilhas já gravadas para que todos possam escutar em casa, no carro ou no próprio estúdio. É uma boa ideia exportar a sessão do software (DAW) para o desenvolvimento de rough-mixes fora do tempo de estúdio. O setup de gravação - conexão de cabos e equipamentos, preparação da sessão no computador, seleção de microfones, posicionamento de instrumentos e amplificadores, técnicas de microfonação – costuma tomar muito tempo. Idealmente, um assistente de já estaria familiarizado com as necessidades de cada faixa e take através de uma reunião prévia com o produtor. Alguns estúdios oferecem uma tolerância de tempo para montagem e desmontagem, outros permitem a realização do setup na noite anterior. Informe-se com o seu estúdio e certifique-se de que o produtor está a par de todos os detalhes que envolvem a operação – horários de funcionamento, taxas especiais em horários alternativos, pausas para refeições, políticas de acesso de pessoas, equipamentos disponíveis e seu estado de funcionamento, disponibilidade de um técnico de gravação, formatos de áudio, vazamento de ruídos, backup de arquivos e transferência de dados. A música deveria soar relativamente bem logo após as gravações, no rough mix, sem precisar de muitos efeitos, equalização etc. Demorei muito tempo para aprender esta lição. Se não soar bem* neste momento, é sinal de que ainda é preciso realizar outras gravações, possivelmente voltar à préprodução e adiar as sessões de mixagem. (*”bem” não significa “finalizado” ou “comercial”, com prática, aprendemos a julgar os takes nesta fase da produção, entendendo que não precisam soar lapidados, mas sim convincentes)

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Todas as trilhas foram analisadas do começo ao fim? Há consistência nos takes, principalmente entre aqueles de um mesmo instrumento ou voz? A avaliação das gravações pode ser feita através da audição do rough mix. Elas merecem 0, 1 ou 2 musipontos? Nas suas primeiras produções, é bem difícil conseguir um som “profissional”. Não existe uma receita, senão seria fácil ensinar e aprender. O som final é resultado de muitos fatores: músicos, sala, instrumentos, equipamentos, posicionamento, técnico...

9. Mixagem sta etapa só deve começar quando todas as captações estiverem concluídas, editadas e compiladas. Mixar, na verdade, nada mais é do que misturar.

Cada gravação foi registrada em uma trilha distinta no computador ou fita. Durante a mixagem, várias trilhas tocam ao mesmo tempo enquanto o técnico mistura a proporção (volume), a posição (esquerda, fundo, etc.) e os efeitos de cada uma delas, buscando clareza, impacto, interesse. A mixagem não precisa ser estática! Um instrumento podem variar de intensidade durante a música, mudar de posição, parar de tocar ou soar com outro timbre em algumas partes da música. Essa imensa gama de possibilidades faz com que cada mix seja diferente do outro. A grande lei da mixagem é que cada elemento precisa ter um propósito bem definido, para se evitar congestionamento de informações. Via de regra, menos é mais. Nossa tendência é adicionar para enriquecer, enquanto que retirar pode ser o melhor caminho quando se deseja criar variedade e interesse. Durante as gravações, provavelmente técnico e produtor fizeram alguns rough mixes para facilitar overdubs e coberturas. Estes mixes possuem um grande valor e podem ser usados como referência durante a mixagem, assegurando que a proposta original não seja esquecida. Se o rough mix não estiver suficientemente desenhado para servir de base para a mixagem que se inicia, o produtor criará um neste momento. Um excelente indicador da qualidade da pré-produção (e das gravações) é conseguir fazer um rough mix em poucos minutos, no qual todas as trilhas estejam audíveis e claras, sem a necessidade de explorar intensamente recursos da mesa (real ou virtual). Se o rough mix está soando bem então as trilhas devem estar mais do que prontas para serem mixadas. Se houver tempo, peça que cada músico da banda faça sua própria mixagem. Os resultados podem ser surpreendentes! Há diversos casos de produções que acabaram utilizando um rough mix como versão final da mixagem, porque não conseguiram criar uma mais interessante depois. Mixar é um processo tanto artístico quanto técnico. O engenheiro (técnico) de mixagem, juntamente com o produtor, pode levar a produção para caminhos totalmente distintos e até irreconhecíveis. Por isso é importante revisitar, de tempos em tempos, o registro original, a gravaçãoguia, o rough mix e as referências fornecidas pelo artista.

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Quatro diferentes domínios são explorados durante a mixagem: Volume, Espectro, Panorama e Profundidade. Qualquer atividade realizada durante o mix, inevitavelmente vai interferir em um ou mais destes domínios. O conceito de “mixagem” costuma ser confundido com criação, gravação, até mesmo com a produção. Na verdade, trata-se apenas de uma das etapas e deveria ser realizada na ordem proposta neste manual. Se a mixagem começar a modificar profundamente a forma ou a instrumentação da música, estará de fato fazendo o papel de pré-produção, podendo influenciar muito mais no resultado final, mas normalmente de uma maneira negativa. Um dos aspectos mais importantes da mixagem é a correta monitoração, afinal técnico e produtor farão muitas decisões baseadas no que estão ouvindo. O que escutam deve representar com fidelidade o que está gravado. Pode parecer óbvio, mas é comum o sistema de monitoração (sala, amplificadores, monitores, posição de audição) ser menos do que aceitável, refletindo em erros que serão revelados mais tarde, na masterização. Uma monitoração deficiente modifica a percepção de timbres, profundidade, panorama, detalhamento, ruídos, efeitos, equilíbrio. Mais uma vez, o desempenho acústico da sala se mostra a variável mais importante, juntamente com ouvidos bem treinados. O técnico tem papel crucial no fluxo da mixagem. Um profissional experiente conhece as linguagens do meio e pode se comunicar facilmente com artistas e produtor. A economia de tempo e esforço é grande, ainda mais se há domínio sobre os equipamentos. Sua atenção deve estar voltada para os aspectos técnicos da produção, e não ao funcionamento de hardware e software. Há produtores que sempre trabalham com o mesmo técnico, pois reconhecem as vantagens de uma boa interação dentro da sala de controle.

A familiaridade do técnico com a sala, bem como as características acústicas da monitoração, têm grande peso no resultado. Não é por acaso que as produções caseiras não costumam soar tão bem. Além de volumes (níveis) e panorama (esquerda-centro-direita), os processamentos mais comuns durante a mixagem são: ● Equalização – corretiva e criativa, retira excessos ou compensa faltas. Modifica o equilíbrio entre as freqüências (graves, médios, agudos), destacando elementos, corrigindo timbres ou evitando o congestionamento no espectro sonoro. Nossos ouvidos têm dificuldade para separar informações e a mixagem precisa auxiliar neste processo. EQ é uma das ferramentas disponíveis durante o mix. ● Compressão – basicamente, controla as variações de volume de uma trilha ou conjunto de trilhas. Alguns estilos musicais pedem maior uniformidade – pouca diferença entre os sons baixos e altos daí o nome “compressão”. Compressores são comumente mal utilizados e podem acabar com a dinâmica natural da música.

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● Reverb/Delay – os sons naturais que escutamos resultam da soma do som direto com reflexões do ambiente. Algumas reflexões são mais notáveis, outras formam um “rastro” de som. Estas informações influenciam diretamente na nossa percepção de distância, tamanho de sala, naturalidade etc. Delays e reverbs artificiais podem melhorar o realismo, a espacialidade e o impacto de instrumentos, muitas vezes colocando-os numa mesma “sala virtual”.

O mix final é avaliado pela equipe de produção e pelos artistas numa sessão de audição. Profissionais da gravadora também costumam participar desta sessão. O áudio final, normalmente em estéreo, é gravado com alta qualidade em um formato confiável e de fácil manipulação pelo engenheiro de mixagem. Antigamente, o mixdown (ou bounce) era realizado em tempo real, através de um console de mixagem. As trilhas, já editadas e sincronizadas entre si, eram tocadas simultaneamente enquanto o engenheiro de mixagem (auxiliado por outras várias mãos) operava os inúmeros controles de volume, panorama, mandadas de efeitos, equalizadores e compressores. Com a evolução dos consoles, várias destas operações passaram a ser automatizadas. As variações durante a música, sobretudo os faders de volume, podiam ser planejadas e programadas com antecedência. Durante a gravação do mix final, estes controles moviam-se “sozinhos” através de motores, facilitando o trabalho e melhorando a precisão do mix. Hoje em dia, além de podermos automatizar virtualmente qualquer controle dentro do computador, também não é mais necessário que se utilize um console de mixagem grande, caro e faminto de manutenção regular. Há quem ainda prefira fazer a mixagem “out of the box”, ou fora do computador. Nesses casos, o computador funciona como um gravador multi-pista (fornecendo as trilhas para o console) e como um gravador estéreo (recebendo o mixdown de volta). As razões para se utilizar um console externo podem ser variadas. Muitos engenheiros trabalharam anos e anos com um determinado console e, de fato, tendem a ser muito mais práticos, rápidos e precisos quando utilizam suas mãos, ao invés de mouse e teclado. Outros alegam que a qualidade do áudio é incomparável, recusando-se a mixar digitalmente. Particularmente, não acredito na diferença de qualidade de áudio. Conforme vimos anteriormente, diversos fatores influenciam no resultado final, e não apenas uma das etapas, ou um equipamento em particular. Minha sugestão é que o técnico utilize o método com o qual se sente mais confortável. Também é possível utilizar superfícies de controle externas que “simulam” um console de mixagem e trazem os benefícios dos dois mundos. Este registro da mixagem final, copiado e arquivado, chama-se de “master mix”. No futuro, as eventuais remasterizações para formatos variados (incluindo aqueles que ainda nem existem), serão feitas a partir dele. Quanto melhor a qualidade de áudio do master mix, maiores e melhores as possibilidades de masterização para diferentes formatos e públicos: CD, SACD, vinil etc. Um dos erros mais comuns durante mixagem é adiantar-se e tentar “masterizar” o mix final na mesma etapa. Assim como não é recomendado cortar o próprio cabelo, a masterização deve ser feita por um outro profissional que esteja menos envolvido no processo de produção e ofereça uma visão externa, treinada, mais objetiva e sem influências.

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Não se preocupe caso a mixagem não esteja soando tão alta ou finalizada quanto um CD comercial. Evite utilizar compressores e limitadores, sobretudo no barramento master L+R. Às vezes, o som está bom no estúdio mas não soa tão bem no carro. Melhor do que tentar corrigir estas deficiências, o que pode tomar muito tempo, inclusive prejudicar o áudio ainda mais, encare-as como algo normal do processo e siga para a próxima etapa.

10. Masterização Se a produção caminhou bem até este momento (e somente se caminhou bem), este último musiponto (mix+master) é fundamental! Sendo apenas um ponto, nunca poderá elevar uma produção de 4 para 8, mas pode sim transformar uma música 5 em 6 ou outra 7 em 6 – neste último caso, um verdadeiro desperdício. Costumo dizer que a função da mixagem e da masterização é fazer jus à produção, simplesmente não estragar o que foi feito nas etapas anteriores. Na verdade, uma produção 7 que tenha uma deficiente masterização (ou mixagem, nota 0 no último quesito) é de fato uma produção 8. Considero que o ponto de mix/master é quase uma obrigação. Trata-se de um ponto que pode ser conseguido, em último caso, com dinheiro - basta contratarmos bons profissionais. Por outro lado, nem sempre o dinheiro poderá melhorar a nota de uma composição. A masterização é talvez uma das atividades mais especializadas e menos compreendidas na produção musical. Muitos acreditam que seja a principal responsável pela sonoridade final de um CD. Outros imaginam que é uma etapa desnecessária, a qual somente as grandes produções burocráticas tenham acesso. Pior ainda é pensar que pode ser realizada por algum plugin mágico. Pecar na masterização é como servir um sofisticado prato da culinária francesa em um marmitex de alumínio - não faz o menor sentido e certamente desvaloriza o produto. Teremos uma apresentação prejudicada, menor interesse, pior experiência de consumo, até mesmo outra percepção de sabores. A masterização tem várias funções e algumas das principais são: ● Uniformizar as faixas de um disco para que soem como partes de uma mesma obra, sem diferenças abruptas. Ex.: volumes e equilíbrio tonal. ● Melhorar a inteligibilidade e o punch do áudio, sem causar distorções. ● Preparar a mídia master para ser duplicada, adicionando códigos e informações técnicas, arte, encarte, tags etc. ● Verificar a confiabilidade e compatibilidade das cópias com equipamentos reprodutores dos consumidores. ● Testar a “tradução” do áudio em diferentes sistemas de reprodução, simulando a experiência final de diversos usuários. ●

Minimizar as possíveis falhas de mixagem.

Consertar erros de edição (ruídos, clicks, pops).

Definir a seqüência das músicas no disco (contorno emocional).

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Agregar fade-ins e fade-outs nos extremos das faixas.

● Converter com alta qualidade o áudio para os formatos desejáveis (CD, vinil, MP3, SACD, DVD). ● Criar versões alternativas, com outros timbres e durações (rádio, club, audiófila, cinema, TV).

Para realizar todas estas tarefas, o experiente engenheiro de masterização precisa de sala e ferramentas especializadas, capazes de revelar todos os detalhes do áudio. Não vamos nos enganar – mesmo que possamos realizar nossas próprias gravações e mixagens, dificilmente seremos capazes de masterizar com qualidade. Trata-se uma atividade muito especializada, como deveriam ser todas as demais atividades, e talvez por isso as produções antigas tivessem uma qualidade média superior.

Equipamentos próprios para a masterização oferecem uma precisão “cirúrgica” que raramente existe nas salas de mixagem. Por outro lado, ouvidos treinados são capazes de identificar problemas e encontrar soluções. A isenção emocional do masterizador vem a calhar, tornando-se uma das principais razões para contratarmos um terceiro. Sempre recomendo que a masterização seja entregue a um especialista. Ele não esteve envolvido na produção e seus julgamentos serão mais objetivos, representando mais fielmente a futura percepção do consumidor. O produtor pode e deve acompanhar a sessão de masterização (que costuma levar poucas horas), para garantir que as decisões técnicas não comprometam as intenções artísticas do projeto.

Em termos de áudio, a masterização tem a função de fazer a música soar “finalizada”, entregar uma sonoridade que costuma dividir os amadores dos profissionais. Poucos segundos de audição podem revelar se a masterização foi cuidadosa e precisa. A maneira mais fácil de fazer este julgamento é notar se o som é natural, favorecendo a música, sem interferir. Uma arte “transparente” que não deveria ser notada (mais uma vez, isso significa que o mix já deve soar muito bem antes da masterização). Como dissemos no começo do livro, para todos nós é muito mais fácil fazer julgamentos do que criar produtos para serem julgados. Tentar prever a reação do público não é nada fácil. A masterização é um ótimo exemplo desse fenômeno. Não precisamos ser especialistas em dinâmica, equilíbrio tonal e nem possuir um sistema Hi-End para perceber se uma música está soando “profissional” ou não. A grande dificuldade está no sentido oposto: fazer as modificações necessárias com precisão e rapidez, sem comprometer outros elementos da música, de modo que os ouvintes avaliem o resultado final como bom e profissional.

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Demorei muito tempo para entender e aceitar esse dilema. Foi somente depois de projetar minha própria sala de masterização, fazer testes, ajustá-la, masterizar diversos trabalhos e me frustrar várias vezes que percebi a importância dessa etapa. Mesmo assim, havendo orçamento do cliente, prefiro delegar esta etapa para um profissional especializado, principalmente quando participei das gravações e da mixagem. Há alguns anos, aprendi uma técnica reveladora sobre a masterização. Nossa audição é extremamente complexa (a ponto de alguns fenômenos percebidos pelo cérebro ainda não estarem completamente explicados), mas uma coisa parece ser bem conhecida sobre o comportamento dos ouvintes: preferimos os sons mais altos! Trata-se de uma ilusão, um truque do cérebro. No começo gostamos, mas após alguns segundos de audição, outros fatores começam a influenciar em nossa percepção e eventuais distorções ou problemas de equilíbrio começam a gerar fadiga auditiva, diminuem o interesse do ouvinte. Eis o que aprendi: sempre comparar dois trechos de áudio no mesmo volume!

A Produção está Concluída! Com o produto em mãos, o artista pode agora divulgar e vender seu trabalho. As etapas que seguem a produção (conhecidas como pós-produção) envolvem temas como marketing e distribuição. Eventualmente, podem ser gerenciadas por agências especializadas, departamentos de selos ou produtores executivos. Música que não é ouvida não é música! Seu produto precisa ser divulgado, com criatividade e consistência, seja qual for seu público, sua ambição ou orçamento. Antes de mais nada, informe-se sobre os procedimentos para registro do fonograma. As composições já devem estar registradas, evitando disputas futuras sobre a autoria. Agora estamos lidando com uma nova manifestação da composição, uma produção específica, em um determinado arranjo e interpretação, onde participaram diversos profissionais, músicos e técnicos. Tudo isso caracteriza um fonograma e um responsável (produtor fonográfico). Essa master pode e deve ser registrada, inclusive recebendo um número único de identificação mundial, conhecido como ISRC (International Standard Recording Code). Muitos artistas se esquecem de dar os devidos créditos à equipe de produção, no encarte do CD, no site ou no arquivo MP3. O requerimento de ISRC exige um listagem de participantes, porém, mais importante, é compreender direitos e deveres, discutir participações, porcentagens e direitos conexos entre todas as partes - autor, intérprete, técnico, produtor, gravadora etc. Eventualmente, contratos serão necessários, bem como assessoria jurídica. Advogados especializados em direitos autorais podem ajudar nestas questões, que nem sempre são claras. No meu entendimento, mais do que garantir as merecidas rendas para cada participante da produção, a clareza contratual e as discussões deixarão todos os envolvidos confortáveis com as decisões. Isso é muito importante para a confiança e a dedicação em trabalhos futuros. A pós-produção deve se concentrar na exposição do produto. De nada adianta ter um CD em mãos, com produções de alto nível de qualidade técnica e artística, se apenas poucas pessoas terão acesso.

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Ofereça downloads gratuitos, talvez apenas de uma música, de trechos ou versões de baixa qualidade de áudio. Distribua CDs gratuitos, faça com que seu produto seja escutado por pessoas influentes que trabalham em rádios e gravadoras. Ele precisa de uma boa apresentação gráfica, um release do artista com contatos e informações sucintas e claras. O que mais pode ser adicionado à música para se criar diferenciação? Encartes, fotos, vídeos, convites para um show? Quais são as revistas, publicações, sites e programas de TV que poderiam se interessar? A Internet é democrática mas precisa ser utilizada com sabedoria. Por um lado, os meios digitais criaram uma concorrência sem precedentes, bombardeando os consumidores com todo tipo de informação e produtos de qualidade variada. Por outro lado, permitiu que artistas e produções que estão fora do circuito mainstream pudessem ser expostos, em busca de um público interessado. O grande segredo é encontrar esse público, conseguir sua atenção e ter uma chance de ser escutado.

Na seqüência, mais detalhes sobre a Escala Musipontos e sua aplicação nas músicas atuais.

Por Dentro da Escala Musipontos Discutidas as etapas da produção, acredito que seja mais intuitivo entendermos os pesos e a influência de cada fase na avaliação final da música. Como vimos, do resultado final:

40% provém da Composição

30% da Pré-Produção

20% da Gravação

10% da Mixagem / Masterização --------100% Total

Neste ponto, não deve ser difícil compreender porque a composição pesa tanto. Afinal, ela sempre foi e sempre será a matéria prima da música. Infelizmente a pré-produção não costuma ser tratada com uma etapa isolada, estando embutida parcialmente na composição, gravação e até na mixagem. Como vimos neste manual, recomendo que ela seja encarada como um processo à parte. Os benefícios são grandes e imediatos. Ao longo do livro, imagino que você tenha percebido a importância e o funcionamento da pré-produção. A fase de gravação pode enriquecer uma produção, através das nuances da interpretações, da qualidade do áudio e dos procedimentos que focam na performance dos artistas. Naturalmente, o que foi criado (composição) e ajustado (pré-produção) é mais importante do que o registro em si. De fato, cada fase tem o poder de “destruir” tudo o que já foi feito, mas nunca salvar o que foi mal feito.

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O peso de mixagem / masterização pode parecer pequeno, mas devese notar que, em nosso contexto, a mixagem deveria somente “mixar”, e não realizar atividades que foram esquecidas ou mal realizadas nas fases anteriores. Da mesma forma, masterizar significa apenas formatar um produto para um determinado público. Vimos que um ponto a mais na avaliação de uma música pode fazer toda a diferença, colocando-a em um grupo seleto de produções. Quanto mais anterior a etapa, mais difícil será conseguir um ponto adicional. Em outras palavras, é mais fácil (rápido, barato, acessível) conseguir um bom mix do que realizar boas gravações. Na ordem de prioridades, uma música bem pré-produzida e bem gravada será facilmente mixada e masterizada, atingindo uma boa pontuação. Por outro lado, uma excelente masterização de um mix perfeito de uma música nada interessante terá uma baixa pontuação. Recapitulando, cada etapa tem um certo peso na avaliação final: Composição – 0 a 4 pontos (muito simples, simples, boa, ótima, genial)

Pré-Produção – 0 a 3 pontos (nula, razoável, bem feita, impecável)

Gravação – 0 a 2 pontos (experimental, amadora, profissional)

Mixagem / Masterização – 0 ou 1 ponto (deficiente, consistente) ________________ Máximo: 10 pontos

O estudo da escala nos faz perceber o seguinte: ● A composição é o elemento de maior peso no resultado final e aquele que mais pode contribuir para a avaliação final da música. ● Ao mesmo tempo, depende das próximas etapas para atingir uma soma alta de musipontos. Isoladamente, uma composição não pode passar de 4 pontos. ● Cada etapa é menos importante que a anterior, embora seja fundamental para a avaliação final. ● A maior quantidade de esforço, tempo e investimento deve ser alocada às primeiras fases. Quando estas atingirem seu máximo potencial, é hora de seguir para a próxima, na tentativa de agregar musipontos. ● Para uma determinada produção, deve-se conhecer o potencial e limite de cada etapa, buscando o melhor equilíbrio entre esforço e resultado. Pra que contratar o melhor engenheiro de mixagem da cidade se nunca chegaremos a 5 pontos?

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● Quanto mais pontos uma etapa receber, maiores as chances de conseguirmos uma boa pontuação na seguinte. Cada etapa influencia a próxima. Em outras palavras, uma pré-produção dificilmente atingirá 3 musipontos se a composição vale 1.

Para fins práticos, vamos considerar que não existem notas quebradas. Assim, cada música tem 10 graus de avaliação (1, 2, ...10). Não consigo imaginar uma música que tenha 0 (zero) musipontos, embora você deva concordar comigo que algumas que conhecemos estão bem próximas! Exemplos: ● Uma composição primordial (4), que não foi pré-produzida (0), relativamente mal gravada (1) e bem mixada (1), somaria apenas 4+0+1+1=6 musipontos, o que é um grande desperdício de talento! ● Uma composição razoável (2) e muito bem produzida (2 pré + 2 rec + 1 mix/master) atingirá uma nota 2+2+2+1=7, definitivamente se destacando da média de mercado.

Uma composição fraca (0) pode até ser bem produzida (4), mas nunca será mais do que "mediana" (esta parece ser a receita atual: investir muito nas últimas etapas, inundando o mercado com produtos similares, enjoativos, supérfluos e descartáveis). ●

● Uma produção top (7 ou mais musipontos) requer excelência técnica e artística em todas as etapas. Não basta ser apenas uma boa composição ou ser masterizada na Sterling Sound. ● Quando uma excelente composição (4) é bem pré-produzida (3), o resultado é ótimo (7), mesmo que não esteja muito bem mixada ou masterizada. Porém, um cuidado adicional nestas últimas etapas poderia consagrá-la como um clássico.

Muitas de nossas canções preferidas estão longe de ser referências de um áudio limpo, bem gravado ou mixado. No entanto, são produções equilibradas - com boas pontuações em todas as etapas – e, antes de mais nada, músicas interessantes! Aproveite para praticar, ligue o rádio na sua estação favorita. Você consegue identificar músicas que se encaixam nos exemplos acima? Uma composição genial: ____________________________________ Por que é genial? ________________________________________________________ Outra razoável que poderia ser melhor produzida: ________________ Que falhas de produção são notáveis? ________________________________________________________ Uma fraca que se destaca pela produção: _______________________ Por que esta produção funciona? ________________________________________________________

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Cenário Musical - A Verdade Nua e Crua A escala musipontos foi concebida de maneira que as notas sigam um padrão de distribuição normal. Este tipo de distribuição é bastante comum na estatística e representa com boa fidelidade diversos fenômenos naturais. Por exemplo, se estudarmos o peso de 1500 pessoas selecionadas ao acaso em uma população, teremos um gráfico parecido com este: A maior densidade (ou ocorrência) acontece em torno de 70kg, caindo simetricamente conforme nos afastamos da média no centro do gráfico (70kg). Esse tipo de curva ou decaimento caracteriza uma “distribuição normal”, um dos modelos estatísticos mais comuns e naturais. Uma distribuição normal, como esta, tem algumas particularidades: A grande maioria dos valores encontra-se em torno da média (88% das pessoas pesam entre 55 e 85kg). ●

● Nos extremos, a proporção de valores é pequena: abaixo de 48kg=1,2% e acima de 92kg=1%. ● Embora 70kg seja o valor mais comum (média), ele não é exatamente a “média aritmética” da população. Ou seja, o peso das pessoas não varia de 0 a 140Kg, existem casos acima disso e nenhum abaixo de 20kg.

Da mesma forma, no caso da Música, existe uma nota média ao redor da qual a grande maioria das canções se encontra. Há poucas músicas com nota muito alta ou muito baixa e quanto mais distante da média, menor é a ocorrência. Qual seria esta nota média? Como vimos, não é porque as notas variam de 0 a 10 que a média é necessariamente “5”. Existe um valor que é o mais frequente, onde há maior ocorrência de músicas.

Minha teoria é que a nota média tem diminuído consistentemente nas últimas décadas. Não seria o momento de reverter a situação? A qualidade média das músicas lançadas no mercado está cada vez menor. Não é difícil entender este fenômeno se nos dermos conta de que a cada dia, existem mais pessoas produzindo música e menos especialização. A consequência natural é que a média diminua, embora obviamente, ainda existam várias canções excelentes. © 2008-2011 Dennis Zasnicoff | audicaocritica.com | Alguns direitos reservados | p.

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Se voltássemos à época de Mozart, veríamos que compositores, instrumentistas, arranjadores, maestros e demais profissionais da Música costumavam estudar por muitos anos, dedicando-se integralmente à profissão. Relativamente, havia poucas pessoas produzindo música e acesso restrito às escolas e aos mestres. Não era nada fácil se encontrar músicos e instrumentos. A exigência do público certamente era maior, enquanto patrocinadores abonados incentivavam a criação musical. Mesmo assim, boa parte da obra de Mozart nunca conseguiu destaque, sendo praticamente desconhecida até o presente. Atualmente, qualquer pessoa com acesso a um computador pode rapidamente aprender a criar música. A quantidade de estilos e a liberdade criativa são muito menos limitadas. Existem inúmeros nichos de mercado e graus de exigência, as músicas podem ser mais descartáveis e, proporcionalmente, poucos profissionais chegaram a estudar técnicas de produção a fundo. O resultado inevitável é a baixa qualidade média. Se você pedir para amigos e parentes escreverem uma lista de músicas preferidas, é muito provável que a muitas delas sejam da década de 60 (ou até mais antigas), várias dos anos 70 e 80, algumas dos anos 90 e outras poucas do século XXI. Isso também explica a grande quantidade de remixes de músicas famosas que estamos vivenciando nos últimos anos. Repare nas músicas das festas de casamento, dos grandes eventos públicos - os clássicos são eternos e dificilmente são substituídos por músicas mais modernas. É raro encontrar músicas atuais muito bem avaliadas (seja na escala musipontos, por críticos especializados ou indicadores de paradas de sucesso). As chances de se serem escutadas no futuro e se tornarem clássicos praticamente não existem. Na verdade, muitas delas caem no esquecimento após poucas semanas. Não acredito que este seja um problema particular da Indústria Fonográfica. Provavelmente nos alimentamos com menos qualidade do que há alguns anos atrás. Temos menos tempo para nos dedicarmos a estudos e projetos específicos. A cada dez filmes que assistimos, recomendamos apenas um para os nossos amigos. O momento é de reflexão: continuar este movimento de banalizar as artes e a qualidade de vida (que parece ser cíclico na história da humanidade) ou resgatar valores, preparando o terreno para uma reviravolta nos próximos anos? Muitas vezes a dificuldade é justamente avaliar. Como saber se algo é bom ou ruim quando não temos referências? Como um jovem de 14 anos pode julgar uma gravação se suas referências são MP3 extremamente comprimidos reproduzidos em fones de ouvidos baratos? Como ele poderia avaliar uma composição, seus recursos musicais e poéticos, se as bandas que escuta tocam sempre os mesmos acordes, com o mesmo som e estilo? Na qualidade de apreciadores da música, temos a responsabilidade (ou mesmo a obrigação) de educar o próximo. Entregar referências para que façam seus próprios julgamentos. A citação “sorte dos ignorantes, que se contentam com pouco” talvez seja verdade. Mas para mim, sorte mesmo é ter a oportunidade de sempre conhecer coisas novas, comparar, aprender, ser impactado por uma música, um livro ou um filme que marca um momento. Por que transformar “vivência” em “sobrevivência”? Que tal começarmos a avaliar músicas sob uma nova ótica, criando nossas próprias referências e julgamentos? Incentivar o debate e desenvolvimento do mercado? Continue lendo!

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Avaliando Músicas com Musipontos Dividindo a linha de tempo entre passado e presente, a distribuição de musipontos para as músicas existentes poderia ser aproximada pelos gráficos abaixo. Naturalmente, trata-se de apenas de uma teoria, concebida por observações, pesquisas e experiências. A curva preta representa a densidade (ou ocorrência) de músicas com uma determinada nota. Repare, por exemplo, que no passado, 40% das músicas tinham nota 6. Hoje em dia, apenas 5% delas atingem esta pontuação na escala. A região destacada como “TOP 20%” é o grupo das melhores e mais conhecidas músicas existentes em uma determinada época. Note que este grupo engloba todas as músicas a partir de uma determinada nota, até o máximo de 10 musipontos. No gráfico inferior (época atual), pode parecer que não existem músicas com mais de 7 pontos. Elas existem, mas a porcentagem é muito pequena para ser visualizada nesta escala. Em outras palavras, no passado a música precisaria de pelo menos 7 pontos para aparecer nas posições altas das paradas de sucesso. Hoje em dia muitas músicas 5 ocupam estas posições. As top 20% têm uma particularidade importante: representam a grande maioria do que é exposto ao público, pelas rádios, TVs, sites, lojas do varejo etc. Seriam os tradicionais hits, que hoje em dia duram apenas 2 meses, por falta de uma nota suficientemente alta. Este fenômeno é conhecido como Lei de Pareto. Esta lei explica, por exemplo, porque 20% do seu tempo de trabalho gera 80% dos resultados. Ou então, que 20% dos produtos de uma loja geram 80% de sua receita. Aqui está um fenômeno comum em diversas áreas da ciência que também funciona na música. Em qualquer que seja a mídia, o espaço disponível para a exposição de canções é limitado e é por isso que as rádios tocam, em média, 20% do repertório durante 80% do tempo. Este seleto grupo, que tem alta exposição ao público, está em constante mudança, variando conforme a época. Estar entre as top 20% aumenta consideravelmente as chances de sucesso, mas não significa que a música seja excelente nem mesmo que sobreviverá por muito tempo. Repare no gráfico como as top 20% de antigamente possuíam notas melhores. Estar fora do topo não é necessariamente ruim, muitas músicas menos conhecidas encontram seus nichos fiéis e acabam gerando bastante renda e reconhecimento para o artista. © 2008-2011 Dennis Zasnicoff | audicaocritica.com | Alguns direitos reservados | p.

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Estatisticamente, as canções com 8 ou mais musipontos (região verde do gráfico) tendem a se tornar clássicos - agradam várias gerações e nunca desaparecem. Aquelas com 3 ou menos pontos podem ser consideradas muito fracas, experimentais, sem qualquer possibilidade de serem apresentadas como produto finalizado. Embora a média tenha abaixado relativamente pouco nos últimos anos, as conseqüências são muito maiores do que parecem: ● No passado, as top 20%, ou 200 em cada 1000 músicas, possuíam 7 ou mais musipontos. Atualmente, apenas 0,2% - 2 em cada 1000 - atingem esta nota e podem causar repercussão, atraindo gravadoras e movimentando um bom volume de vendas. Vender mais do que 1 milhão de cópias é raríssimo hoje em dia, mesmo porque boa parte deste grupo possui apenas 5 musipontos. A nossas referência de boa música - aquilo que escutamos todos os dias - definitivamente caiu de nível. ● Antes, surgia um clássico a cada 200 músicas produzidas. Hoje, são necessárias mais de 335.000 músicas lançadas no mercado para que uma se torne “imortal” (0,0003% das produções). Dependendo do mercado, isso pode significar meses ou anos de lançamentos até que uma música deste porte apareça. De fato, quantas músicas lançadas no último ano podem ser consideradas um clássico?

O ritmo de produção aumentou – o volume de lançamentos quase triplicou nos últimos anos - mas não dá conta de criar megaproduções com a mesma frequência de antes. Em 2009, foram mais de 100.000 títulos (álbuns) - aproximadamente 1 milhão e 200 mil músicas novas no mercado - mas nem por isso tivemos músicas mais duradouras, lucrativas ou influentes. ●

● Com o aumento de oferta e a queda de qualidade, diminuem os orçamentos de produção e o ciclo se mantém, cada vez pior. Atualmente, 1/3 das produções é lançado por selos independentes, que não possuem o mesmo poder de financiamento. Em média, um álbum lançado não vende mais do que 15.000 (majors) ou 500 (independentes) cópias. ● Apenas 0,5% das músicas era considerada muito fraca. Nos tempos atuais, 30% dos lançamentos teriam avaliação menor ou igual a 3 na escala musipontos. Não é um exagero dizer que 1 em cada 3 músicas atuais é claramente descartável. Mesmo as mais populares, com milhões de downloads e pageviews no YouTube, dificilmente são produções de 8 ou 9 pontos.

Concluímos que uma queda de 2 pontos da nota média implica numa ocorrência MUITO menor de boas produções no mercado. Lojas, sites, TVs e rádios contam hoje com um acervo de qualidade inferior. Conseguir um ponto a mais pode significar sair de um grupo onde estão 70% das músicas e migrar para o grupo das 30% melhores. Mais um ponto e fará parte do seleto clube das top 5%, com altíssima exposição, potencial de renda e tempo de vida! Vale a pena investir na produção? Sem dúvida! Mais do que nunca, para cada uma das etapas, é importante planejar, preparar orçamento, contratar profissionais e definir cronogramas.

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Lembre-se: ● 5 musipontos já é um bom resultado! Esta deveria ser a meta de qualquer produção levada a sério. Raramente artistas e produtores iniciantes atingem 6 ou 7 pontos. ● Conseguir avaliar uma música com precisão não é o objetivo da escala, mesmo porque, durante uma avaliação, sempre haverá um pequeno fator subjetivo e contextual. Ainda assim, a margem de dúvida deveria ser de apenas 1 ponto.

Ser disciplinado durante o processo de produção é a uma ótima oportunidade de não se perder pontos, até mesmo ganhar mais um. A colaboração entre profissionais poderá melhorar uma composição, trazer boas ideias para a pré-produção ou garantir excelência durante gravações, mixagens e masterização. Um ponto pode fazer toda a diferença. ●

Uma música avaliada como 7 deve ser uma música 7, em qualquer época, para qualquer avaliador sensato. Talvez seja 6, talvez seja 8, o tempo dirá, mas nunca 5 ou 9. A escala musipontos não depende de preferências pessoais, estilos musicais, números de vendas ou popularidade. Com prática, você poderá avaliar uma música inédita no rádio em poucos segundos, sabendo dizer se é 5, 6, 7, 8 ou 9. ●

(a propósito, comece a reparar nos repertórios das rádios, a maioria das estações concentra a programação em torno das músicas 7 e 8, eventualmente tocando algumas 5 e 6 - principalmente via jabá ou em programas de nicho - e tomando o cuidado para não saturar o ouvinte com muitas 9 e 10)

O Papel da Tecnologia A tecnologia deveria ajudar na qualidade das músicas, certo? Eu acredito que sim, mas o fato é que ela não tem conseguido realizar essa missão com tanta eficácia. Entendo que muitas pessoas envolvidas na produção musical encaram a tecnologia como um substituto para criatividade e trabalho. Este é um grande engano.

A tecnologia é apenas uma ferramenta, que acelera processos e diminui custos. Os livros não estão necessariamente melhores porque existem impressoras a laser ou corretores ortográficos. Ter acesso à Internet não nos faz especialistas em todos os assuntos. Ainda precisamos estudar, praticar, desenvolver técnicas e talentos. Algumas gravações de décadas atrás ainda emocionam e soam tão bem quanto se pode esperar. Talvez um dia a tecnologia melhore nossa audição ou seja “inteligente” a ponto de criar, compor e produzir melhor do que os humanos, mas certamente ainda não chegamos lá. Ao invés de comprar, baixar, instalar e experimentar diversos softwares e plugins de produção musical, procure se especializar naqueles com os quais você já tem familiaridade. A imensa oferta de tecnologias e equipamentos microfones, interfaces de áudio, monitores, DAWs - é tentadora! O problema é o tempo que gastamos para selecionar, para aprender a usar e aproveitar cada um deles. © 2008-2011 Dennis Zasnicoff | audicaocritica.com | Alguns direitos reservados | p.

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Procure adquirir software e hardware profissionais, que atendam o mínimo de qualidade e funcionalidades, sem dar um passo maior que a perna. Digo por experiência própria. No passado, por diversas vezes comprei equipamentos que não eram prioridade, me tomaram um bom tempo de aprendizado e acabaram deixados de lado, substituídos por outros mais intuitivos que também possuem boa qualidade. Um Home Studio deveria possuir pelo menos um bom microfone multiuso a condensador. Não economize nos cabos, eles deverão durar muito tempo, com conectores confiáveis. Armazene-os com cuidado, evitando torcer a trama dos fios. Alguns pedestais, um filtro anti-pop, uma interface com duas entradas MIC (pré-amplificadas) e um teclado controlador MIDI pequeno (mais sobre isso no vídeo gratuito “Escolhendo os equipamentos para o Home Studio”). Este kit básico já nos permite realizar uma grande variedade de trabalhos, sobretudo na fase de pré-produção. Escolha um pacote DAW e insista nele! A familiaridade com seus recursos e atalhos pode significar muito mais criatividade e fluxo de trabalho. Em algum momento, você sentirá falta de algo e então saberá o que mais comprar. A maioria dos seus equipamentos continuará sendo útil. Invista na acústica de sua sala! Este é o principal equipamento e pode custar menos do que um simples microfone. Controle de ruídos e dos modos ressonantes, difusão do campo sonoro, absorção das reflexões primárias, ajuste do tempo de reverberação, um bom par de monitores de referência. Um fone de ouvido de boa qualidade pode ser um grande aliado para edição e audição de trilhas, principalmente quando a acústica da sala é muito deficiente. Mais do que nunca, as técnicas da Produção Musical precisam ser estudadas e aplicadas, na busca por reconhecimento e longevidade. O cenário é favorável para quem produz boas músicas, atualmente uma boa produção tem mais chances de aparecer do que antigamente. Resgatar o nível médio significa criar mais espaço para as grandes produções e menos exposição para o conteúdo de baixa qualidade que compete por nossa atenção. Você está pronto para esta missão?

Espero que esse Manual tenha sido uma boa leitura! Continue estudando sobre a Produção Musical para desenvolver cada vez mais suas habilidades.

Para dúvidas, críticas e sugestões, por favor entre em contato comigo através do AudicaoCritica.com.

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Manual de Bolso da Producao Musical  

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