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progresso?

O desenvolvimento que se sente no ar Como as siderúrgicas colocaram Rio de Janeiro e Açailândia, no Maranhão, na mesma luta por Mario Campagnani, fotos Marcelo Cruz

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ão 2 mil quilômetros de distância, mas os moradores dos bairros de Piquiá de Baixo, em Açailândia, Maranhão, e Santa Cruz, no Rio de Janeiro, têm uma proximidade que se sente no ar, que invade casas e pulmões de uma mesma forma. Como estandartes do desenvolvimento, siderúrgicas chegaram. Primeiro em Piquiá, por meio do Projeto Carajás, de exploração de ferro por parte da Vale, a partir de 1982. O convívio de décadas com essa indústria extrativa levou maranhenses a protestar contra a instalação da maior usina da América Latina em sua capital, por meio do movimento “Reage, São Luís”. Mais fácil de se transportar do que o minério, o projeto da empresa alemã ThyssenKrupp fez uma viagem e desembarcou em 2005 nas margens da Baía de Sepetiba, em

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Santa Cruz, onde começou a ser instalado em meio a uma população que não sabia o que aconteceria. Os problemas de saúde e ambientais vieram, assim como o início da resistência, que acabou por unir os moradores das duas localidades, que agora debatem formas de lutar contra essa bandeira de progresso. Eles já se encontraram duas vezes neste ano. A última, em Piquiá de Baixo, de 14 a 17 de agosto, durante a qual houve uma troca de experiências entre os quatro cariocas que compunham a comitiva e os moradores locais, que contaram os problemas que enfrentam com cinco siderúrgicas instaladas a poucos metros de suas casas. A professora Joselma Alves de Oliveira, de 36 anos, se lembra quando um canal de água fervente começou a passar atrás de seu quintal, saída de dentro do sistema de resfriamento de um alto-forno siderúrgico diretamente para o Rio Açailândia, no qual costumava nadar. Com o mesmo cuidado, as empresas jogavam e ainda jogam os restos da queima do carvão vegetal e do processamento do ferro, conhecidos como munha, em terrenos desprotegidos próximos às casas. Os moradores de Santa Cruz visitaram um desses locais e perceberam que a munha, apesar de extremamente quente, não é incan-

descente, parecendo apenas uma montanha de terra escura, o que faz com que se sinta o perigo apenas ao se chegar muito perto dela. “Eu perdi um primo que brincava com meu irmão por aqui. Ele pisou na munha sem perceber. As pernas afundaram. Não resistiu às queimaduras. Nossas vidas foram tomadas por essas empresas, que chegaram depois, poluem nosso ar e ainda nos chamam de invasores”, disse Joselma, se referindo ao pó que sai das chaminés das siderúrgicas 24 horas por dia. Basta uma hora sobre uma mesa para que uma folha de papel esteja coberta por uma poeira grossa. Foi a poeira produzida por esse tipo de usina que ligou o alerta de muitos moradores de Santa Cruz sobre os riscos do empreendimento da ThyssenKrupp, a Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) – sendo que a Vale é detentora de 26,85% da indústria, além de fornecedora de minério. O projeto de implantação foi feito em 2005, e audiências públicas denunciadas como fraudulentas, em 2006. As obras começaram em 2007. Em 2009, é veiculada a informação de que a TKCSA aumentaria em 76% a emissão de dióxido de carbono (CO2) do Rio, emitindo 12 vezes mais do que toda a indústria da


cidade. A inauguração ocorreu em 18 de junho de 2010, com a presença do presidente Lula, do governador Sérgio Cabral e do ex-presidente da Vale Roger Agnelli. Em 7 de agosto de 2010, um jornal carioca noticiava: “Pó brilhoso assusta Santa Cruz – Moradores afirmam que vêm tendo problemas de saúde devido à siderúrgica”. As irregularidades são tantas que até hoje a TKCSA não conseguiu a licença de operação. Para não parar sua produção, ela utiliza um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), assinado com o Ministério Público do Estado do Rio. Moradora de Santa Cruz, a dona de casa Andréa Rodrigues, de 41 anos, foi a Piquiá de Baixo contar sua história. Ela, que nunca tinha visto alagamentos em sua casa, começou a conviver com eles a partir de 2007, por causa das obras da TKCSA. Com a inauguração da siderúrgica e a chegada da poeira da chaminé – logo batizada de chuva de prata –, a situação piorou. “Passamos a viver com chuva de prata na cabeça e água da enchente no pé. Muita gente começou a ficar doente. Poucos resolveram se organizar para lutar, enquanto outros aceitaram a situação ou então deixaram suas casas para trás. Vi gente vendendo casa boa,

com dois quartos, piso e parede de azulejo, por R$ 2 mil, pois ninguém quer morar do lado de uma siderúrgica”, disse Andréa aos moradores de Açailândia. A poeira produzida na zona oeste do Rio difere da que cai sobre Açailândia, porque a TKCSA pega o minério de ferro e produz placas de aço, em um processo mais complicado do que o das antigas siderúrgicas de Piquiá de Baixo, que apenas fazem o primeiro tratamento do ferro, tendo como resultado o chamado gusa, que é quebradiço e de pouca utilidade direta. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de 17 de setembro de 2010, mostrou a presença de 24 elementos químicos no ar de Santa Cruz que podem causar problemas diversos, desde reações alérgicas e transtornos cognitivos até câncer. No caso do Maranhão, ainda não há estudos conclusivos sobre o que existe na fumaça expelida pelas chaminés. As produções do Rio e do Maranhão podem servir como exemplo da política brasileira de priorizar a fabricação de bens de menor valor agregado. Da TKCSA, as placas vão para usinas do grupo ThyssenKrupp na Europa e nos Estados Unidos, onde são retrabalhadas e vendidas por valores mais altos. O

Morador de Piquiá há 43 anos, Antonio Rio, de 63, mostra aos visitantes cariocas como a munha é perigosa. Ao colocar galhos sobre um monte, eles logo pegam fogo

gusa de Açailândia tem um destino parecido, que demonstra bem as contradições dessa cadeia produtiva, segundo o pesquisador da Fiocruz Marcelo Firpo, que analisa os casos dos dois bairros: “O ferro-gusa de Piquiá vai diretamente para os Estados Unidos, onde é adicionado ao aço sucateado no processo de reciclagem. Há uma perversidade enorme nesse processo, porque as comunidades ficam com o que os economistas chamam de externalidades negativas, ou seja, tudo aquilo que traz prejuízos, mas não faz parte da cadeia de preços do aço e do ferro. Dessa forma, esses preços acabam sendo extremamente baixos, mas não embutem tudo aquilo de ruim que ocorre com a população e o meio ambiente. Quem é que paga o preço do desmatamento das florestas que serviram como carvão vegetal para alimentar as siderúrgicas? Isso demonstra como esse comércio internacional é, em sua essência, injusto.” Os moradores dos dois locais sentem os efeitos na pele e enfrentam dificuldades para responsabilizar as empresas. A Vale, fornecedora do minério de todas as siderúrgicas, não assume sua culpa pelos danos de sua cadeia produtiva. As empresas, por sua vez, usam o dinheiro e a influência para diminuir as queixas. Em Santa Cruz, por exemplo, o jornal de bairro “Alô Comunidade” é bancado pela TKCSA por determinação de um acordo que definiu suas compensações socioambientais. Nesse jornal, a empresa faz propaganda de seus projetos sociais. “Até mesmo reforma de igreja é paga com dinheiro da TKCSA. A empresa gasta dinheiro para tentar desmobilizar. Na Rua da Verdade, na Chatuba, havia mais de 80 pessoas reclamando da poluição no São Francisco (canal que deságua na Baía de Sepetiba). Sabe o que aconteceu? A TKCSA foi lá e fez um acordo para pagar a conta de luz de todo mundo”, afirmou o pescador Jaci do Nascimento, de 58 anos, parte da comitiva carioca, cuja viagem foi promovida por três organizações não governamentais: Justiça Global, Justiça nos Trilhos e o Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs).

A chegada do desenvolvimento

Açailândia, hoje com 104 mil habitantes, surgiu como um acampamento de homens que, em 1958, chegaram ao sul do Maranhão para construir a BR-010 (Belém–Brasília). Rodovia aberta, alguns ficaram à beira de um riacho, que, por causa da presença de muitos açaizais, acabou sendo batizado como Açailândia. Como é exatamente nesse ponto que novembro de 2013

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Cariocas e açailandenses observam o alto forno de uma das cinco siderúrgicas que ficam dentro de Piquiá de Baixo, produzindo fumaça constantemente

estão fixados, os moradores de Piquiá de Baixo afirmam que aquele é o primeiro bairro da cidade, emancipada de Imperatriz em 6 de junho de 1981. Com o fim das obras da estrada, o caminho natural foi a agropecuária, mas logo foi notado que aquela floresta sendo aberta era por si só uma fonte de renda com a venda da madeira. Assim, começou a derrubada de praticamente toda a mata nativa do local – algo comum em todo o estado, que hoje conta com apenas 28,72% de suas florestas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os anos das madeireiras em Açailândia deixaram marcas na cidade para além dos campos abertos onde hoje vive o maior rebanho bovino do Maranhão. Em Piquiá de Baixo, o principal ponto de resistência dos moradores é a igreja da Comunidade de São José, onde ocorrem suas reuniões e também onde receberam os cariocas de Santa Cruz. Sobre o altar, o sacrário esculpido em madeira nativa mostra um açaizal e uma carvoaria, na qual as hóstias são guardadas. Mantida pelos missionários combonianos (uma ordem da Igreja Católica), a igreja recebeu os visitantes sob seu teto de telhas aparentes. Houve uma apresentação do coordenador do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos de Açailândia, Antonio Filho. Ele relata que as madeireiras deram lugar às carvoarias na década de 1980, quando as siderúrgicas instaladas começaram a demandar o carvão vegetal para alimentar seus fornos. Foi então que os moradores da cidade perceberam que a floresta tinha fim, assim como os benefícios que ela trazia, como lembra Antonio Rio, 63 anos, sendo 43 morando em Piquiá de Baixo. “A floresta dava muita coisa para a gente. Não era só açaí, não. Aqui era bom de caçar, de pescar.

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Hoje, você pode andar por aí durante dias que não vai encontrar nada que vai conseguir comer. Se antes a gente ouvia o barulho da mata, hoje dormimos é com o barulho do trem, que passa dia e noite aqui atrás”, disse Antonio, fazendo referência à Estrada de Ferro Carajás, que sai da mina da Vale no Pará até o porto em São Luís, cortando Açailândia, onde há um posto para descarregar o minério e embarcar o ferro-gusa. Com o fim da floresta, um novo tipo de desenvolvimento chegou ao sul do Maranhão para alimentar o fogo das usinas. A plantação de eucaliptos foi adotada em larga escala. Para produzir uma tonelada de ferro-gusa são necessários 875 quilos de carvão vegetal, feito com 1,5 tonelada de eucalipto, o que equivale a dez árvores de sete anos de idade. Para produzir a mesma quantidade usando mata nativa era necessário desmatar 600 metros quadrados. Entretanto, o que poderia ser um benefício inicial foi se mos-

trando apenas um novo mal. Batizadas de desertos verdes, essas plantações se revelaram agressivas ao que restava de vegetação natural, pois consomem muita água além de empobrecer o solo, que se torna estéril com as seguidas plantações e cortes. No caso da TKCSA, o carvão utilizado é o mineral. Há uma grande estrutura para trazer os insumos e despachar o aço, que conta com trens e navios que chegam pelo porto construído na Baía de Sepetiba especialmente para atender a empresa, num processo que vem destruindo o ecossistema local. Toda essa estrutura levou ao assoreamento da baía e dos rios que a alimentam, com a consequente queda da atividade pesqueira. Cerca de 8 mil pescadores artesanais e outros profissionais que viviam dessa economia local viram as redes se esvaziar. Em comparação, a siderúrgica criou 5.5 mil vagas, segundo dados da própria ThyssenKrupp. Nascido de uma família na qual o pai e o

As florestas de eucalipto, também chamadas de desertos verdes, tomam conta da paisagem no sul do Maranhão


O projeto “Direitos Humanos e Indústria Extrativa” A adoção de um modelo de desenvolvimento que investe na produção de commodities levou o Brasil ao uso em larga escala de recursos naturais, como água, terra, energia e biomassa. Um exemplo claro é a indústria extrativa nacional, que, sem mecanismos apropriados de controle e fiscalização, gera graves violações de direitos humanos e impactos ambientais. Isso também tem ocorrido fora do Brasil, onde a ainda não tão, conhecida mas significativa, presença das empresas brasileiras continua a crescer, particularmente em países da América Latina, África e Ásia. Para analisar esse cenário, assim como para incidir sobre ele, organizações não governamentais se unem por meio do projeto “Direitos Humanos e Indústria Extrativa”. O projeto foi proposto inicialmente pela Justiça Global, que se associou às organizações Justiça nos Trilhos e Instituto Políticas Alternativas do Cone Sul (Pacs) na realização do trabalho que tem como foco o Brasil, além de Moçambique, África do Sul, Peru, Colômbia e Canadá. Há objetivos claros na proposta: pressionar legisladores e organismos internacionais de direitos humanos para aprimorar a fiscalização sobre essas indústrias, que devem ser responsabilizadas pelas violações cometidas; fortalecer a representatividade de comunidades, organizações e movimentos sociais; aumentar o conhecimento público sobre o setor; e fortalecer o campo de direitos humanos com o uso de estratégias conjuntas entre organizações de diferentes países e com focos variados. O projeto acumula também a experiência da Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale. O encontro entre os moradores de Piquiá de Baixo e Santa Cruz começou a ser promovido por meio da articulação, da qual as três organizações também fazem parte. Nos próximos anos, novas ações vão surgir, assim como haverá a produção de material que irá analisar e denunciar esse setor, exigindo mudanças e responsabilizações. Para Justiça Global, Justiça nos Trilhos e Pacs, mais do que minérios, essa indústria tem extraído vidas.

avô eram pescadores e seis dos oito irmãos seguiram a mesma profissão, Ivo Soares, de 61 anos, contou em Piquiá que atualmente precisa fazer bicos como eletricista e na construção civil para fechar as contas. “É o que ajuda lá em casa. Da pesca não dá mais para viver. A gente pegava, por semana, 2 mil a 3 mil quilos de peixe, usando o curral de pesca, que é nossa especialidade. Hoje, pegamos de 50 a 100 quilos. Praticamente não está nascendo peixe na nossa baía. Ficamos dependentes dos que migram, como a tainha, que vem em maio e junho de Santa Catarina para desovar. Temos que contar com a sorte”, disse Ivo, explicando que os barcos não podem sair da baía, pois não foram feitos para o mar aberto. Além dos pescadores, os pequenos agricultores também foram afetados na chegada da TKCSA. Com apenas uma ordem vinda da prefeitura do Rio, aquela área rural virou o Distrito Industrial de Santa Cruz, sem que houvesse qualquer consulta aos moradores. No mesmo terreno da construção da siderúrgica, havia 75 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Para que as obras fossem iniciadas, elas foram intimidadas e expulsas.

Lutas iguais, situações diferentes

A percepção de que suas histórias são parecidas tem ajudado cariocas e açailanden-

ses no desenvolvimento de estratégias. Para os primeiros, é nítido como a resistência de Piquiá de Baixo está bem organizada e conta com a participação ativa de muitos moradores, que já avançaram com suas pautas. No segundo dia de visita, uma quinta-feira, todos foram para a Câmara de Vereadores de Açailândia, onde ocorreu uma audiência pública sobre o reassentamento das 230 famílias de Piquiá de Baixo em um outro terreno na cidade, a alguns quilômetros de distância das siderúrgicas. Os moradores já conseguiram importantes avanços nessa pauta, mas o projeto emperra porque depende de uma negociação de desapropriação entre a prefeitura e o dono do terreno. A presença da comitiva carioca, de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e de promotores do Ministério Público do estado do Maranhão na audiência despertou a curiosidade da imprensa e dos moradores locais, mas não das autoridades. Poucos vereadores apareceram, sendo que não ficaram mais de uma hora. Apesar de convidada, a prefeita Gleide Santos (PMDB) não compareceu. Isso, contudo, não diminuiu a confiança dos açailandenses nem a admiração dos cariocas, especialmente da estudante Aline Marins, de 18 anos. Ela, que acompanha seu pai nas reuniões da resistência à TKCSA, sempre notou como são raros os jovens envolvidos na questão. No Maranhão,

teve a oportunidade de ver estudantes se mobilizando de diferentes formas. Chamou sua atenção, por exemplo, uma peça de teatro encenada por eles dentro da igreja de Piquiá, “O Rei testa de ferro”, que conta a história de um déspota distante, que possui o chamado cavalo de 20 patas, uma alusão à Vale e ao seu trem de minério, responsável por dezenas de mortes por atropelamento no Maranhão. “Aqui eles conseguiram dinamizar o assunto. Acho que precisamos pensar em outras formas de atuar em Santa Cruz, pois as pessoas precisam se envolver mais. Muitos sabem que a TKCSA está errada, mas não fazem nada. Acho que a maior dificuldade é essa, mostrar que o problema é de todos, seja você afetado diretamente ou não”, disse Aline. Os moradores de Piquiá de Baixo contam que também aprenderam com a experiência de Santa Cruz. A professora Edilene Brandão, de 37 anos, explicou que enquanto lutam para conseguir novas casas, e não para retirar as cinco siderúrgicas, os moradores do Rio ainda brigam para remover a TKCSA. E a reivindicação dos cariocas pode se tornar realidade, uma vez que a ThyssenKrupp quer vender a companhia. Para os moradores, a melhor opção é transformar o complexo em uma grande universidade. A empresa, todavia, negocia a venda da TKCSA, junto com outra fábrica no Alabama, Estados Unidos, para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Como ambas dão prejuízo, a ThyssenKrupp quer investir em produtos com maior margem de lucro, como elevadores e peças para fábricas. “Vivemos com esse problema há mais de 20 anos, mas começamos a nos organizar há oito. Eles estão assim há seis, mas lutam desde o começo. Esse momento juntos abre os olhos para mostrar como é importante não demorar muito para agir”, explicou Edilene, nascida em Piquiá, mas moradora de outro bairro, Plano da Serra, porque ela e seus filhos têm problemas respiratórios. A despedida oficial foi na nova Piquiá, com cariocas e açailandenses juntos, em círculo, no ponto mais alto do terreno, ainda completamente tomado pelo mato, mas de onde é possível imaginar as praças, a escola e as casas com as famílias. Houve aqueles que nunca acreditaram e quem desistiu no meio do caminho, mas o grupo reafirma sua fé. Fala-se de Deus, mas a crença é nos que lutam ao lado. O terreno como prova de que tem valido a pena. Do alto, também é possível ver no horizonte a fumaça das siderúrgicas subindo aos céus incessantemente. F novembro de 2013

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Como as siderúrgicas colocaram Rio de Janeiro e Açailândia, no Maranhão, na mesma luta. por Mario Campagnani, fotos Marcelo Cruz

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