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O que faz uma pessoa numa tarde de domingo muito chuvoso e ventilado? Com muito interesse comecei a ler mais uma vez o livro ‘Unidas, porém diferentes’, publicado em 2005, sobre a história da nossa congregação 1960-2000. Como foi mudada a congregação nestes quarenta anos! Há desenvolvimentos delineados na vivência das irmãs, mas aconteceram também certas mudanças organizatórias, ao lado ou no meio da redução de certas partes e no crescimento de outras partes. Ao mesmo tempo estou notando que as irmãs ficaram corajosas e confiantes, ou melhor, esperançosas. Numa entrevista com o novo papa Francisco (li em algum lugar) eu observei que ele faz uma distinção entre esperança e otimismo. Ele diz: ‘não gosto da palavra ‘otimismo’, porque antes de tudo traduz uma atitude psicológico. Eu prefiro usar a palavra ‘esperança’ como podemos ler na carta aos Hebreus capítulo 11. Os patriarcas continuaram sempre o caminho enquanto encontraram muitas dificuldades, mas a esperança não decepciona, como diz a carta de S. Paulo aos Romanos. A esperança cristã não é um fantasma e nem engano. É uma virtude teológica e, portanto um presente de Deus que não pode se reduzir ao otimismo, que somente é uma atitude humana. Deus não nos engana com a esperança, porque Ele não pode se enganar a si mesmo. Deus é totalmente ‘promessa’. Nesta maneira posso entender as evoluções também na nossa própria congregação e podemos olhar para o passado com alegria e gratidão, mas também olhar para aquilo que está acontecendo agora.

Nesta edição pode ler como em Suriname se despediram das nossas duas últimas irmãs que lá ainda moravam e trabalharam. Nelas foram também homenageadas todas as suas antecessoras, mesmo que tenhamos encerrado à história da SCMM naquele país. Muitos anos passados três beguinas saíram da Bélgica para Holanda e se tornaram as primeiras irmãs da nossa congregação. Muito interessante para reler mais uma vez. Também pode ler sobre Roma nesta edição e sobre Brasil. E você pode fazer uma peregrinação sem deixar o seu país ou até sua casa! Tem também uma coleção sobre experiências de formação de vários países e anos. Foram colecionados em redor do ICC sobre formação e a partir da edição temática de Compassion sobre formação da última vez. Além disso, há uma meditação de imagens e outras notícias da congregação. Muita literatura então, mas a vida continua com ainda tantas noticias tristes sobre Síria e a crise econômica que ainda não acabou. Será um dia ainda como era antes? Ou deveria, de fato, mudar mesmo, acontecendo com passos pequenos, pois às vezes parece que não avançamos nada. Talvez precisássemos mais esperança. Assim chegamos onde saímos. Desejo-lhes muito prazer na leitura e já um tempo de Natal bonito e um ano novo 2014 alegre e abençoado.

Ir. Rosa Olaerts superiora geral


Suriname é um dos primeiros países da missão das Irmãs de Caridade SCMM. Nossas irmãs trabalharam lá desde 1894. No mês de agosto deste ano, as duas últimas irmãs, Ir. Corrie Langermans (nascida em 1937) e Ir. Lidewijde van Doorn (nascida em 1933), no entanto, voltaram para a Holanda. Com isso termina depois 119 anos a presença das Irmãs de Caridade em Suriname. O artigo abaixo fornece uma visão geral das obras de caridade das nossas irmãs em Suriname.

O país

A república de Suriname é um país do Norte da América do Sul. Faz fronteira ao leste com a Guiana Francesa, ao Oeste com a Guiana, ao Sul com o Brasil e ao Norte com o Oceano Atlântico. O país tem um clima de selva tropical. Suriname foi inicialmente uma colônia Britânica. Os Holandeses conquistaram o país em 1667 e governaram o país sob o nome Guiana Holandesa até 1954. Em 25 de novembro de 1975 o Suriname se tornou independente e se desprendeu do Reino dos Países Baixos. Suriname, as Antilhas Holandesas e Holanda trabalharam juntos em pé de igualdade. O holandês ainda é uma das línguas principais, embora que a maioria das pessoas seja bilíngue. A principal religião do país é o cristianismo, tanto na forma de catolicismo romano quanto do protestantismo. Especialmente os crioulos e menos os quilombolas, ambos descendentes dos escravos africanos, se converteram durante o colonialismo ao cristianismo, mas podem ainda praticar sua fé Afro-Americana Winti. Os Índios confessam o hinduísmo, o islamismo ou o cristianismo. Os Javaneses são muçulmanos ou cristãos. Da população do Suriname 19,6 % é muçulmana.

O pedido

A presença precoce das Irmãs de Caridade em Suriname foi o resultado direto de uma

solicitação por Dom Wulfingh, o então bispo de Paramaribo. Após a morte de Peerke Donders em 1887, o bispo ficou ciente como era terrivelmente ruim a qualidade de assistência aos portadores de hanseníase. Lepra ou a doença de Hansen é uma infecção crônica. Se não é tratada, a hanseníase pode proliferar e resultar em danos permanentes da pele, nervos, membros e olhos. Contrariamente à crença popular, a hanseníase não leva a queda de partes do corpo, mas elas podem ficar entorpecidas. Pequenas infecções podem resultar em perda de tecido, pelo qual os dedos das mãos e dos pés ficam deformados. Um tratamento eficaz só foi possível no final do ano 1940. Naquela época, ao redor de 1890, o Dom Wulfingh viu que o atendimento dessas pessoas devia ser melhorado e pediu às Irmãs de Caridade para ajudá-lo.

Idosos na Fundação Geraldo Majella, agosto 2013

Não sabemos como Dom Wulfingh conheceu as irmãs. Talvez membros de sua família tenha entrado na congregação. Nestes anos


Ir. Fereria faz curativos em meninos hanseníases, em redor de 1915

saiu, segundo se diz, de cada oito famílias, um era missionário, e a congregação SCMM cresceu enormemente. Talvez Dom Wulfingh ouvisse dizer que estas irmãs inicialmente pensaram em fazer um quarto voto, que estavam dispostas de cuidar pessoas com doenças infecciosas, embora que o vaticano inicialmente não tenha dado permissão. De qualquer forma ficou claro que Dom Wulfingh somente queria confiar esta tarefa às Irmãs de Caridade, porque dirigiu-se com vários pedidos ao conselho geral da congregação. O conselho pediu numa carta a cada um dos 1800 membros naquele momento quem estava disposta a aceitar tal tarefa arriscada. Diferente do que normalmente era de costume o conselho achou que cada irmã devia ter a oportunidade nesta questão de tomar uma decisão. Um número esmagador de 300 irmãs se ofereceu. Em 1894 Dom Wulfingh chegou a Suriname com as primeiras seis irmãs. Essas mulheres dificilmente podiam imaginar o que estavam a lhes esperar. Elas partiram para o exterior para o resto da sua vida, praticamente sem qualquer oportunidade de ficar em contato com a sua família. Provavelmente não sabiam nada do país e seus habitantes. Causou-lhes uma impressão duradoura quando entraram no porto de Suriname e uma multidão de pessoas de todos os grupos da população as cumprimentou calorosamente. O primeiro contato com os pacientes portadores de hanseníase foi, provavelmente, também um desafio, porque a lepra tinha, praticamente, desaparecido da Holanda.

As obras de caridade

Com a chegada das irmãs as facilidades para os portadores de hanseníase ainda não estavam prontas. Por isso as irmãs começaram com o cuidado de alguns idosos e assim deu-se o início a um segundo campo de trabalho. Nos primeiros anos as irmãs se concentraram no cuidado pelos leprosos.

Na celebração do jubileu dos 50 anos da Fundação Majella para o atendimento dos pacientes com hanseníase já trabalharam lá 83 irmãs ou ainda trabalhavam. Pode chamar um milagre que apenas duas irmãs ficaram infeccionadas com a bactéria, apesar de lavar as ataduras diariamente e de cuidar dos ferimentos. As duas irmãs ficaram morando no meio dos seus pacientes e cuidaram deles até quando podiam. A Fundação Majella se esforçou também para se profissionalizar: um médico especialista em hanseníase estava presente e as irmãs tomaram medidas avançadas para prevenir a infecção e usavam os medicamentes mais recentes. Em 1964 fechou-se a instituição porque tinham medicamentos eficazes disponíveis. Além de cuidar de pacientes com hanseníase e idosos as irmãs aceitaram quaisquer pedido de ajuda. O governo pediu a elas de ajudar na secção de mulheres no hospital militar; a diocese tomou o iniciativo de fundar o hospital católico Vicente e nomeou as irmãs

O cirurgião Dr. Nassy e sua equipe na sala de operação do hospital (diretor de 1916 até 1938)

como enfermeiras, e foi também a diocese que pediu às irmãs de tomar o cuidado pelas meninas do internato hindustano Raipur. Além disso, as irmãs cuidaram dos doentes em casa. Tinham postos médicos no interior de Suriname, davam aulas, especialmente a crianças com dificuldades de aprendizagem, cuidaram de crianças surdas e de refugiados. Foram envolvidas na educação religiosa e deram até apoio a um padre que queria abrir uma casa de retiro para leigos. Adaptaram sempre as suas atividades às necessidades do momento.


Após o fechamento do departamento de pacientes com hanseníase, as irmãs ampliaram o seu trabalho com os idosos, também sob o nome de Majella. Lá também aumentaram a qualidade do cuidado, chegaram irmãs bem treinadas da Holanda para esse trabalho. Mais tarde começaram um instituto de formação para que as meninas surinamesas também pudessem se formar como professionais. Finalmente estas meninas foram tão bem treinadas que podiam facilmente encontrar um emprego (melhor pago) na Holanda. O mesmo se aplica a meninas surinamesas que foram formadas no hospital Vicente como enfermeiras. Dessas meninas poucas entraram na vida religiosa porque a exigência de ser uma filha legal muitas vezes não era coerente com a realidade social de Suriname.

As irmãs

Como foi mencionado, as irmãs colocaram os pés na terra Suriname, mas não tinham muita ideia do que podiam esperar. Elas foram provavelmente envolvidas com tantos pequenos e grandes problemas da vida cotidiana... Como você coloca um mosqueteiro corretamente? É necessário dar banho todos os dias às pessoas? O que esta mulher quer dizer quando diz que não pode comer um determinado alimento, porque tem um ‘treef’, (tabu) para isso? E então o calor e muitas doenças tropicais desconhecidas! Mesmo assim muitas irmãs têm saudades do tempo em Suriname, tanto que a reintegração na Holanda muitas vezes é difícil! Elas anseiam pelo sol, o modo de vida simples, o contato caloroso com o povo e as frutas deliciosas. A convivência relativamente isolada das irmãs deu-lhes certas liberdades. Enquanto o sectarismo sócio–religioso na Holanda estava no seu auge, as irmãs em Suriname podiam fazer escolhas incomuns. Assim, o diretor do hospital que escolheram não era católico: qualidades professionais eram mais importantes do que a religião católica. No mesmo espírito estavam as instituições das irmãs abertas para as pessoas de todas as religiões. E a diretora de Raipur, às vezes, agia como mediadora de casamentos! Felizmente o conselho geral estava longe e não fizeram muitas visitas. Uma alegria profunda para muitas irmãs foi o contato com as irmãs de outras congregações, algo que não era comum na Holanda. Algumas irmãs tiveram dificuldades de aceitar a vida familiar complexa em Suriname, com as muitas famílias mono parentais e pessoas morando juntas sem ser casadas.

As irmãs perceberam que viviam num mundo muito pequeno. Uma delas disse agora: ‘nós olhamos através das persianas para o mundo em redor das nossas comunidades’. Sua integração na sociedade de Suriname foi ainda mais limitada porque as irmãs não precisavam aprender uma segunda língua. Apenas algumas irmãs se esforçaram de aprender Sranan Tongo, Hindi ou javanês. A história conta que uma vez uma irmã durante um jantar oficial pediu açúcar para colocar no arroz porque não gostava sem, pois ela já morava muitos anos em Suriname.

Paramaribo e Groningen

Em agosto 2013 as duas últimas irmãs foram chamadas pelo conselho geral para voltar para a Holanda. Irmã Lidewijde viveu mais de 40 anos em Paramaribo. Paramaribo é a capital e maior cidade do Suriname e está localizado ao Rio Suriname. A cidade tem cerca de 250.000 habitantes, onde habita mais da metade da população de Suriname. Irmã Lidewijde manteve em Paramaribo o contato com o generalato e administrava as finanças e o arquivo. A casa em que ela morava era a antiga casa desde o início ‘do Majella’. Atrás da sua casa tinha a ponte famosa da qual os pacientes com lepra deviam ficar para diminuir o perigo de infecção. Quando passavam pela ponte, nunca mais podia voltar.

Ir. Corrie morava mais longe no interior, em Groningen. Este lugar fica 40 km oeste de Paramaribo, ao rio Saramacca. Apesar de sua função de capital da região Saramacca, Groningen é uma vila tranquila. Em 1996 moravam somente um pouco mais de 230 pessoas. Até 1910 Groningen tinha uma casa de enfermaria para pessoas de framboesia tropical. A Instituição fechou as portas depois do desenvolvimento do remédio que curava a doença dentro de alguns dias. Irmã Corrie trabalhou durante vários anos no internato e dava apoio a muitas famílias em Groningen. Em 30 de abril de 2011 ela celebrou o seu jubileu de 50 anos de vida religiosa. Neste mesmo ano as duas irmãs foram o foco de celebrações em honra dos 115 anos da presença da SCMM em Suriname.


Ir Lidewijde e Ir Corrie

Se despedir

É sempre difícil para se despedir e se desprender, mas as Irmãs de Caridade SCMM podem olhar pra trás e ver algo muito bom. Elas deixaram pelo menos dois projetos grandes que estão funcionando bem: o Vicente hospital e a Fundação Majella. O hospital tem uma reputação muito boa na região e responde aos requisitos que se pede aos hospitais holandeses. Também a Fundação Majella tem instalações bem equipadas e presta cuidado de qualidade aos idosos que são privados disso em casa. No decorrer do tempo 187 Irmãs de caridade partiram para Suriname. Estas irmãs deram muito, mas também receberam muito! Treze delas, inclusive as Irmãs Lidewijde e Corrie, hoje ainda vivem. Todas dizem que o seu coração parcialmente ficou em Suriname, mesmo que já voltaram a morar na Holanda por vários anos. Quando olham de volta para os anos em Suriname acham que foi para elas mesmas um tempo muito fecundo em que obtiveram um perspectiva de vida diferente – mais importante – que aprenderam fazer as coisas lentamente e viver com menos

pressa. As pessoas em Suriname tomam tempo para os outros. Também a recepção calorosa e a hospitalidade do povo impressionou as irmãs. Muitas amizades pela vida e muitos contatos foram adquiridas e ainda existem muitos contatos com pessoas de Suriname, tanto no Suriname como na Holanda. Assim o ano passado no 90º aniversario de Ir. Teresa v Schilt, 25 ex- alunos de Raipur estavam presentes, embora que a Instituição já se fechou em 1976. As Irmãs deixaram-se inspirar no seu trabalho missionário pela vida de Vicente de Paulo, um homem que viu a miséria em redor de si e entrou em ação para diminuir o sofrimento. Ele mostrou grande respeito e interesse por aqueles que foram confiados ao seu cuidado. Que esta atitude para sempre esteja presente no cuidado que é oferecido pelo hospital e a Fundação Majella! As Irmãs de Caridade não se retiram de Suriname com um coração triste, pois sabem que as ligações estritas, a solidariedade e a amizade entre as irmãs e a população de Suriname continuam, também depois da saída do país das duas últimas irmãs.


Desde uns cinco anos, você escuta em julho ou agosto que tem uma peregrinação Vicentina. Já podia ler várias vezes sobre a peregrinação Vicentina e sobre as experiências de irmãs que fizeram esta viagem. Como nem todos terão essa oportunidade, levaremos você para viajar através deste artigo, com belas imagens, a França.

Dom Zwijsen, fundador da congregação das Irmãs de Caridade de Nossa Senhora Mãe de Misericórdia, foi inspirado pela dedicação aos apelos dos pobres de Vicente de Paulo e se tornou com isso padroeiro da congregação. Uma viagem nas pegadas de São Vicente é para muitos, ainda hoje, muito comovente e inspiradora. A semana antes da peregrinação os participantes ficam na Holanda, e fazem uma viagem para as irmãs na Bélgica. Também irmãs holandesas são visitadas e, em geral há um convite do ‘Vuurhaard’, uma comunidade de irmãos CMM e refugiados para uma visita. Há uma preparação de quatro dias para a viagem e as irmãs fazem a jornada de Zwijsen. Também os museus na casa mãe e no generalato são visitados. A peregrinação mesmo dura 12 dias. Embora que há muito tempo vivera Vicente (1581-1660), ainda há muito a encontrar nos lugares por onde ele viveu.

O município a que pertence a aldeia agora é chamado Saint- Vincent-de-Paul. A casa materna não existe mais, mas há uma reconstrução da mesma. Na casa tem entre outros um quarto velho dos meninos com algumas relíquias, como um pequeno altar, um par de sapatos, um crucifixo e algumas vestimentas de Vicente. Há também uma cópia de uma carta que Vicente enviou para sua mãe no dia 17 de fevereiro de 1610. Como terceiro filho de uma família agricultora, podia ir para escola na idade de 15 anos. Seus pais deviam vender alguns bois para poder pagar a mensalidade escolar. O pai de Vicente o animou para ser padre.

Carvalho com imagem de Maria

Reconstrução da casa de nascimento

Vicente nasceu em 1581 na aldeia Ranquine, perto de Dax, no sudoeste da França.

Na praça, perto da casa, tem um carvalho que foi plantado por volta do ano 1200 e, portanto, deve ter sido do tempo em que Vicente brincava fora da casa. Na árvore foi colocada uma imagem pequena de Nossa Senhora. A história diz que foi Vicente que fez isso para lá poder rezar. A imagem, portanto, é do século dezenove, é vista como símbolo da devoção mariana de Vicente.


Igreja do batismo

bispo de Périgueux. Era o plano de Vicente encontrar dentro da igreja um trabalho que rendia muito dinheiro, para se aposentar antecipadamente. Quando se aposentar, pensou Vicente, poderia cuidar de sua família. Mas cinco anos depois da sua ordenação o então padre Vicente foi feito refém por piratas e levado a Túnis para ser vendido como escravo a quem pagasse mais. Depois de dois anos de prisão o ajudaram a escapar e foi para Paris. Lá encontrou o cardeal Pierre de Bérulle, sob cujo cuidado espiritual, Vicente começou a desenvolver seu compromisso social.

Igreja paroquial de Clichy

Na igreja onde Vicente se batizou, ainda tem a fonte batismal que foi usada naquela época. Provavelmente em homenagem a São Vicente de Xaintes, mártir e primeiro bispo de Dax, recebeu Vicente o seu nome.

Igreja onde foi ordenado sacerdote

Em 1612 Vicente foi com a ajuda de Bérulle, pároco de São Medard em Clichy uma paróquia rural pobre a noroeste de Paris. Embora tenha ficado somente um ano morando lá, este tempo provocou uma profunda impressão nele.

Pulpito de Folleville

Em 23 de setembro de 1600 Vicente tinha apenas 19 anos de idade, foi ordenado sacerdote em Chateau-L’Eveque, pelo

Em 1613 Vicente se tornou mestre familiar da casa e diretor espiritual da família de Grondi em Paris. Acompanhando, pregando e visitando as propriedades, Vicente conhecia mais sobre a relação de desigualdade


entre pobres e ricos. Em 25 de janeiro de 1617 Vicente fez um sermão numa dessas propriedades em Folleville sobre a confissão geral. Em retrospecto este sermão é visto como a fundação, em 1625, da Congregação da Missão, que incide especialmente sobre o Bem-estar do povo pobre das paróquias rurais.

a condição de que poderia agora dar muito tempo ao trabalho pastoral. Nos cinco anos seguintes Vicente pregou em várias dioceses, incluindo Chartres, e em todos estes lugares foram estabelecidas associações de caridade. Vicente fundou também uma associação feminina, masculina e mista de caridade, mas somente as primeiras duas ficaram.

Châtillon-sur-Chalaronne

Casa Mãe dos Lazaristas

Vicente foi, depois do sermão de Folleville, trabalhar na paróquia de Châtillon-surChalaronne, onde desenvolveu uma intensa atividade pastoral. Em consonância com a reforma Católica recentemente lançado, Vicente viveu uma vida piedosa e sóbria. Ele inspirou alguns notáveis para mudança de estilo de vida, mas o mais importante, ele inspirou a população feminina a formar uma associação de caridade. Uma notícia que todos os membros de uma família da sua paróquia estava doente e precisavam de ajuda, foi colocado por Vicente no seu sermão, com que ele emocionou os ouvintes e levou para uma ação concreta. Em seguida Vicente estruturou o trabalho para o beneficio de cada necessitado que aparecesse no futuro.

Chartres

Quando a Senhora de Gondi implorou a Vicente para voltar a Paris ele concordou com

Em 1625 Vicente foi apontado como diretor do colégio dos Bons-Enfants, um internato para estudantes, a partir daí, foi pregar com seis padres, no campo, sendo financiado pelos de Gondi. Esta ‘associação de missionários’ foi aprovada pelo Vaticano em 1633 e continuou sob o nome Congregação da Missão. Por causa do nome do seu primeiro convento (a anterior casa de leprosos São Lazaro) os membros são chamados também Lazaristas.


As Filhas de Caridade

Catarina Labouré lá estão. Labouré era a Filha de Caridade a quem apareceu em 1830 a Virgem Maria, que mostrou uma medalha que prometeu grandes graças a quem a ia usar. Não acreditaram inicialmente em Ir. Catarina, mas em 1832 a medalha milagrosa foi cunhada e amplamente distribuída.

Lugar do descança final

A associação de caridade feminina que começou no ano 1617 em Châtillon -surChalaronne, conduziu em 1646 à fundação da congregação das Filhas de Caridade. A associação de caridade se constituía de senhoras ricas, que em geral mandaram dinheiro e suas empregadas para ajudar Vicente e os pobres. Ele percebeu que precisava de profissionais. Junto com uma das suas ajudantes, Louise de Marillac, ele começou uma formação para auxiliadores de enfermagem. As meninas em formação logo pediram autorização para formar uma congregação. A Casa Mãe dessa comunidade ainda se encontra em Paris, na Rua du Bac. Os restos mortais de Marillac e Santa

A família Vicentina mundial: www.famvin.org

Na casa dos Lazaristas não se encontra somente o museu Vicentino, mas na capela se encontra também os restos mortais de Vicente embalsamados. Seu coração, no entanto é guardado separadamente na capela das Filhas de Caridade no santuário da Medalha Miraculosa. 

Concluindo

A peregrinação conhece também uma visita a Lourdes. Maria é também nossa padroeira, mas Lourdes ainda não existia como lugar de peregrinação no tempo de Vicente. Também outros lugares religiosos e históricos Franceses são visitados, especialmente em Paris a catedral A Notre Dame, a Basílica Sacré-Coeur, Praça de Batalha e Hotel dos Inválidos.


A congregação das Irmãs de Caridade SCMM de Tilburg começou, segundo se diz, no ano de 1832, com três beguinas de Hoogstraten, Bélgica. Mas o que são beguinas? E quem eram estas três mulheres? De onde elas vêm e por que chegaram a Tilburg? Neste artigo, Thessa Ploos van Amstel ordena os fatos.

tarde iam ser as beguinarias. Para serem admitidas, deviam ser solteiras (ou viúvas) e poder se manter. As beguinas prometiam à superiora obediência e castidade pelo tempo da sua estadia na beguinaria. Esta superiora escolhiam entre elas. As beguinas poderiam sair da beguinaria a qualquer momento e eventualmente casar.

A beguinaria em Hoogstraten Beguinas

Do século 12 ao 14, os Países Baixos foram caracterizados pela urbanização. O fenômeno “beguina” está extremamente ligado a isso. Beguinas eram mulheres que dedicaram a sua vida a Deus, mas não se retiraram do mundo, como as religiosas naquele tempo faziam. Ao contrário das irmãs, as beguinas não faziam votos perpétuos e nem o voto de pobreza. A maioria dessas “santas virgens” ficavam na sua própria casa, mas se vestiam sim com um vestido distintivo. Outras se estabeleceram em pequenos grupos perto de igrejas, hospitais ou conventos. Grupos de beguinas moravam juntas em beguinarias; miniaturas de vilas muradas e que fechavam à noite seus portões. Beguinas dedicavam-se em grupo ou sozinhas a uma vida de oração e cuidado de doentes. Algumas faziam trabalhos não qualificados, muitas vezes na indústria têxtil. Apesar disso, a maioria dos escritos históricos veem a origem de beguinas como novos movimentos religiosos, além do fato prático do “excesso de mulheres” que também é muito importante. O excesso de mulheres foi causado pelas guerras e expedições militares. Além disso, existia também a razão social. Muitas meninas, cujo dote era inadequado, foram obrigadas a abandonar o casamento. Dirigiam-se aos conventos, mas logo não havia mais lugar. Assim surgiu o costume de fazer votos privados nas mãos de um sacerdote. As expressões de piedade das beguinas às vezes tornaram-se excessivas e, por isso, foram acusadas de heresia. Para combater a dispersão e manter o controle, a autoridade eclesiástica tomou a iniciativa de reunir estas mulheres que viviam relativamente independentes, no que mais

A beguinaria em Hoogstraten foi fundada em 1380. Das remotas atividades da construção não se encontra mais nada. A beguinaria de Hoogstraten existia desde o século XVII e consistia em 36 pequenas casas, uma igreja barroca, dedicada a São João Evangelista e um celeiro. A propriedade é cercada e tem duas entradas. Atrás da igreja e rodeado de uma dupla fileira de casas, se encontra o assim chamado “Bleyck”, o gramado verde onde antigamente as beguinas colocavam as suas roupas brancas e a renda no sol para alvejar. Um segundo jardim está localizado do outro lado das casas e é tradicionalmente de árvores frutíferas. No século XVI, a beguinaria de Hoogstraten foi quatro vezes devastada pelo fogo e no incêndio de 1506 não se perderam somente

A beguinaria de Hoogstraten em tempos remotos

os prédios, mas também todos os documentos, exceto os da igreja, como ações de construção e venda. Pelo censo de 1553 contavam-se catorze casas, mas Hoogstraten ficou, a partir de 1567, na linha de frente da guerra dos Oitenta Anos, e em 1604 contava apenas com nove casas e moravam lá somente duas beguinas.


Johanna van den Wijngaard

O auge da beguinaria está entre a segunda metade e o final do século XVII. O número de beguinas então aumentou para 160 de modo que deviam construir mais casas. A igreja barroca foi construída por Libert Fabri, entre 1680 e 1687, durante o auge da beguinaria. Inicialmente, as casas contavam somente com dois quartos pequenos e um sótão, acessível por uma escada. Mais tarde, a parte de trás foi ampliada e aumentada por uma cozinha, uma adega com um quarto superior e uma escada para o sótão. A partir da segunda metade do século XVIII, o número de beguinas diminuiu gradualmente. Em 1768, o bispo de Antuérpia deu licença para alugar as casas desocupadas a pessoas seculares, quando ainda havia oitenta e nove beguinas. Em 1972, a última beguina, Johanna van de Wijngaard, deixou a beguinaria de Hoogstraten. A última beguina, também grande senhora da pequena beguinaria de Gent, morreu em 14 de abril de 2013¹. Em 1992, alguns habitantes de Hoogstraten decidiram restaurar a beguinaria e desde 1997 o jardim está de novo completamente habitado. A partir de 1998, a beguinaria é Patrimônio Mundial.

Pedido de Tilburg

Em Tilburg, o então vigário Zwijsen, 38 anos, no ano de 1832, se preocupa com o destino das crianças pobres. Não é o primeiro pároco na Holanda que concebe o plano de juntar um grupo de mulheres em torno de si para assumir a educação na própria paróquia, especialmente a educação de crianças negligenciadas. Houve vários padres antes dele. “Fundar uma congregação” de fato é uma expressão forte para caracterizar as iniciativas dos párocos. Eles somente querem fazer algo na sua própria paróquia para melhorar a má situação. Numa carta de Zwijsen ao Vigário Apostólico de Den Bosch, Dom Den Dubbelden, datada de 3 de outubro de 1832, podemos ler o seguinte: “Eu lamento

especialmente o destino de tantas crianças pobres que estão totalmente abandonadas. Quando estão na fila para fazer a primeira comunhão na idade de12 anos muitas nem sabem fazer o sinal da cruz. Há muito tempo que estou pensando em mudar o destino destas infelizes”. Finalmente, vai haver uma escola para os pobres, onde as meninas vão aprender a religião cristã e artesanato. Algumas Irmãs “pretas” de Engelen assumirão esta tarefa de graça”. Onde ele encontrou essas mulheres? Em Engelen (perto de Den Bosch), o pároco van Hooff queria fundar um instituto educacional e pede ao seu amigo, o pároco de Hoogstraten, algumas beguinas. Elas demoram a chegar, e van Hooff dirige o seu pedido ao Padre Wolff, que em 1822 fundou a ‘Companhia de Jesus, Maria e José’ em Amersfoort. Wolff manda algumas irmãs, que chegam em novembro 1827 em Engelen. Pouco tempo depois, chegam também de Hoogstraten a senhorita Leijsen e suas duas sobrinhas. Elas trazem uma soma de dinheiro não insignificante para a nova fundação. Elas são chamadas ‘as irmãs pretas’ devido a sua roupa preta. Elas não são necessárias em Engelen, mas van Hooff consegue uma casa para elas e a partir daí vão trabalhar na enfermagem. Lá encontram em 1832 Zwijsen e partem ainda no mesmo ano para Tilburg, com algumas moças que se juntaram a elas.

As três beguinas

Na história da nossa congregação, não encontramos absolutamente nada sobre ‘beguinas de Hoogstraten’. No entanto, Dom Zwijsen escreve sobre ‘algumas Irmãs Pretas de Engelen’. A crônica refere aqui ao livro (com fatos sobre a congregação) que em 1862 foi entregue por Dom Zwijsen à superiora geral junto com o pedido de a partir de então manter em dia essa história. Foram as fundadoras então as beguinas de Hoogstraten, como a tradição oral diz? Nas listas de nomes das beguinas em Hoogstraten, procuramos em vão os nomes das três religiosas que estavam no berço da congregação das Irmãs de Caridade SCMM. No registro de residentes, os nomes eram incluídos naquele tempo somente depois de


A beguinaria de Hoogstraten hoje

se ter feito os votos, o que não quer dizer que a senhorita Leijsen e as suas sobrinhas não moravam lá. Não é incomum nesta época que uma tia com sobrinhas fosse morar numa casa na beguinaria. Algumas lápides na capela da beguinaria de Hoogstraten mencionam várias relações familiares. O vestuário das ‘Irmãs Pretas’ coincide com as roupas que as beguinas usavam. As irmãs de Amersfoort entre 1826 – 1832 ainda não usam um vestuário religioso. Na crônica dessas Irmãs de Amersfoort, dizem que o vigário van Hooff de Engelen mantinha contato com o seu confrade em Hoogstraten. Isso corresponde com a crônica da nossa congregação.

funcionários do registro predial em Tilburg, consultados pelas irmãs, deve ter sido uma casa bastante decente. A escola se chama oficialmente’ escola para meninas pobres e de meios limitados’. Ensinavam artesanato feminino, oração, ensino cristão e boas maneiras’. Ir. Felicitas Zohlandt é a primeira professora da congregação. Ela começou no dia 25 de novembro de 1832 dando aula (dois dias depois da chegada das irmãs de Engelen em Tilburg). Não fica bem claro se ela pertencia ‘às Irmãs Pretas’ ou se chegou diretamente da sua cidade natal Limburgo, Well em Tilburg depois que as irmãs chegaram de Engelen. O registro da população (cidade desde 1809) de Tilburg não é atualizado diariamente em 1832. No Arquivo Regional de Tilburg, encontramos uma lista de pessoas ‘registradas entre 1811 e 1838 na cidade de Tilburg’. Disto ratificamos: ‘Oerle 19, Senhorita Maria Leijsen, profissão independente, 53 anos de idade, nascida em Herenthals e Anna Janssens, Maria Zohlandt e Cornelia Verstijnen, tendo morado por último em Engelen, declararam que desde

A habitação em Tilburg

A crônica começa com a afirmação que em 23 de novembro de 1832, três irmãs ocupam uma casa no bairro t Heike em Tilburg. Isso não combina com outros dados, que falam ‘das primeiras seis irmãs’. É possível que esta discrepância se deva ao fato de que Zwijsen parece ter escrito a crônica dos primeiros trinta anos da congregação de uma só vez, ou seja, anos após o fato. No seu resumo sobre os primeiros trinta anos, Zwijsen pode, portanto, facilmente identificar as três pioneiras como as fundadoras. Em relação à habitação, temos mais pontos de ancoragem. A casa no bairro t Heike é alugada em 1832 por meio ano. O endereço é Het Oerle 19. Através do registro predial, as irmãs mesmas descobriram que esta casa estava no lugar onde agora há uma casa com dois andares, Piusstraat 375. Uma sala desta casa funcionou como primeira escola. Em diversos memoriais da congregação se fala sobre uma ‘casa humilde’. Segundo os

Madre Michaël


Primeira casa da congregação

11 de abril deste ano 1833 estabeleceram sua morada aqui’. Estas senhoras são respetivamente Madre Michael Leijsen, Irmã Catharine Janssens, Irmã Felicitas Zohlandt e Ir. Josefa Verstijnen. Observemos que Irmã Catharine é uma das sobrinhas da senhorita Leijsen; a última é neste meio tempo nomeada como a primeira superiora geral da congregação e é tradada como ‘Madre Michael’. A outra sobrinha, Ir. Theresia Smits, está faltando nesta lista acima, de pessoas registradas, embora em 1827 tivesse chegado com a sua tia em Engelen. Observe-se que ainda é proibido fundar ordens religiosas. Encontramos em vários lugares a inscrição ‘independente’

O início

Maria Leijsen nasceu no dia 25 de janeiro de 1779 em Herenthals na Bélgica. Em fevereiro de 1834, ela pronuncia, aos 53 anos, os três votos e a partir daí é chamada Irmã Michael Leijsen. No mesmo dia, ela se torna a primeira superiora geral da congregação. Irmã Felicitas é eleita como vice-superiora. Dois anos depois, Madre Michael, Irmã Felicitas e Irmã Josefa fazem também o quarto voto com o qual prometem ‘ ir lá onde eu vou ser enviada para cuidar de doentes

infecciosos, ainda que seja um perigo para a própria vida’. As duas sobrinhas de Madre Michael fazem isso somente em 1839. Apesar disso, Roma fazia objeção contra este heroísmo obrigatório durante o processo da aprovação da regra, e assim o quarto voto foi enfraquecido em 1844. Biógrafos elogiam a ‘força de homem, sua visão ampla e o espírito empreendedor’ de Madre Michael. Uma mulher forte que simplesmente fazia o que Zwijsen tinha em vista. Em 13 de janeiro de 1852, ela tem 73 anos, ela agradece por seu ‘ministério’ e morre 10 anos depois. Sabemos de Irmã Josefa Verstijnen que ela foi em 1839 com três coirmãs para Amsterdã A convite de alguns senhores católicos, as irmãs começam lá com uma casa de cuidados, Casa Bernardo. Irmã Felicitas Zohlandt se tornou por volta de 1843 a primeira superiora de Maaseik onde algumas irmãs começam um instituto para meninas surdas mudas e meninas cegas. ________________ ¹ A Holanda também conhecia beguinas. A última beguina holandesa, que morou praticamente toda a sua vida adulta na beguinaria em Breda, faleceu em 1990.

“It all began with three beguines”, Sr. Alix van de Molengraft, 1992 (Tilburg) “Cities of ladies. Beguine Communities in the Medieval Low Countries, 1200-1565”, Walter Simons, Philadelphia, University of Pennsylvania Press, 2001. Olhe no: http://whc.unesco.org/en/list/855


Durante o ICC no mês de junho passado, um grupo internacional de irmãs encontrou-se em Vught para discutir sobre a formação. Formação é o processo em que jovens se familiarizam com a vida e o carisma da congregação. A formação continua também pela vida afora, depois da profissão. Na ocasião do ICC, cada irmã recebeu um prospecto do generalato, um convite para reflexão, sobre formação, com textos e fotos. As irmãs podiam trabalhar com o texto individualmente ou em grupo e depois mandar de volta para o generalato uma reação. Também durante o ICC, especialmente durante as visitas das irmãs da Bélgica e Tilburg, partilharam muito sobre o seu próprio tempo de formação. Abaixo você encontrará algumas dessas histórias.

Fui olhar também em outras congregações. Mas achei as irmãs da nossa congregação as mais carinhosas, acolhedoras e hospitaleiras. Elas foram acessíveis e isso me atraiu. Por isso escolhi esta congregação e, na maior parte do tempo, ela não me decepcionou. As postulantes e

noviças conviviam juntas e a atmosfera dentro do grupo era boa. No dia do seu aniversário, a aniversariante tinha a honra de sentar junto com a responsável pela formação. Quando não nos comportávamos bem, devíamos pedir desculpas em público, assim tentávamos ser obedientes.

Se pudesse refazer o período de formação, não ia mudar nada. Tinha tantas possibilidades para aprender e aprendi muito também, sobre a Bíblia, cristologia e, por exemplo, na escola do noviciado, mas também sobre interação social.

Eu tive problemas com as regras e a ordem do dia. Não se tinha tempo para si mesmo. Também não podíamos ter nosso próprio dinheiro. Mas pensei “não vou dar tudo, para o caso de alguma necessidade”. Guardei alguma coisa, o que agora seriam alguns euros. Eu vi outra postulante fazer a mesma coisa. Mas nos estressamos tanto que ficamos com medo de ser apanhadas e mandadas para casa. Então confessamos juntas o nosso pecado. Tive formadoras boas, exemplos bons. Elas me ensinaram a lidar com diferenças e vê-las como riquezas. Fica difícil aceitar o ser diferente dos outros, acho que preciso da vida toda para isso.


1960- 2000 Um período na congregação de muitas mudanças e sensação. Como nossa vida era, (com todo amor presente), de repente não era mais desse tempo. Procuraram novas formas e estruturas. Falaram horas e horas. Devemos nos adaptar ao tempo disseram então. (Mas, foi melhor para tudo e todos?). E apesar de todas as adaptações daquele tempo, não vieram postulantes, isso é um fato. (Foi uma coisa e outra talvez radical demais e não consideraram as possíveis consequências?) Agora com três Conventos/casas de idosos no país isto não é, graças a Deus, o fim, porque em outros lugares, nos países distantes continuam. E por isso ficamos gratas! O que podemos dar em nosso “ser idoso” é nossa oração para uma vida religiosa que continua.

Às vezes não obedecemos. No meu tempo de formação, comemos todas as mangas da mangueira. Fomos pegas pela mestra de noviças, mas ela não nos castigou.

Se pudesse fazer de novo meu tempo de formação, teria preferido que a ênfase fosse mais na responsabilidade pessoal, e não na obediência. Fui enviada para as missões, quando ainda não dominava o bastante o idioma. Acho que devemos primeiramente nos sentir capazes para a tarefa, antes de passar à prática.

P.S. Se as irmãs iam ficar com o hábito, se não iam escrever um orçamento pessoal, será, então, que em países longe daqui a congregação ia continuar”?

Ir. Lucine Masselink, 90 anos

Não precisei fazer coisas absurdas durante o tempo de formação, isso foi algo do passado. Ouvi histórias sobre irmãs que tinham que limpar a capela todos os dias, enquanto lá já estava tudo impecável. Ou as irmãs que como punição deviam comer de joelhos. Mas eu sou depois do Vaticano II, e tudo ia ser mais flexível.

Sempre me sentia muito triste e decepcionada quando irmãs iam deixar a congregação, especialmente quando já tinham feitos votos perpétuos. E como formadora sentia mais ainda, mesmo que entendesse suas motivações.

O mais importante que aprendi durante minha formação foi como viver em comunidade. Isso me ajudou muito na minha vida. Eu tento manter atual minha vida espiritual pela oração pessoal e comunitária. E trabalho sempre para viver segundo os votos.


Começamos no ano passado nossa missão numa região remota do Brasil. Vivemos aqui numa espécie de deserto onde a seca reina e tudo parece sem vida. E ainda é uma comunidade isolada onde todo mundo conhece todo mundo. O que chama a nossa atenção aqui? São as consequências da seca, o atraso na educação e a falta de cuidados com a saúde, a preocupação com a construção de uma usina nuclear e, naturalmente, as festas. As festas, em geral, são de natureza religiosa. As festas de padroeiros, que duram nove dias, são comemoradas com entusiasmo. A preparação leva um longo tempo e todos estão envolvidos. As festividades começam na igreja, com oração e cantos, e continuam fora ao ar livre com comes e bebes, música e danças. Atrás da nossa casa, ainda se veem os restos da festa de São João; uma barraca, coberta com folhas secas de coqueiro, e algumas bandeirinhas ainda balançando no ar. Acredito cada vez mais que as pessoas precisam das festas para esquecer a miséria. Claro, as pessoas tentam dar cor a sua vida, especialmente quando moram num lugar onde tem pouco divertimento, como em Ibó. Assim muitas vezes somos convidadas para a dança de São Gonçalo. As pessoas dançam horas e horas para agradecer pelas graças obtidas. A vila toda se faz presente para assistir a conhecida dança. Todos que dançam estão vestidos de branco, rezam, dançam e cantam. Ocasionalmente, há uma pequena pausa para comer algo que a pessoa que fez a promessa preparou. A amizade que existe agora com o povo é uma grande riqueza. Conhecemos agora todo mundo com os seus desejos e preocupações. Suas preocupações com os animais que não têm o que comer e não fornecem leite para as crianças, nem para fazer queijo e manteiga como antigamente. Pessoas se preocupam com a saúde da sua

família. As viagens longas para um hospital, o alto custo do tratamento e o dentista, que agora está chegando depois de quatro anos de ausência, mas ainda frequentemente não vem por falta de transporte ou material. Ultimamente, tem havido muitas manifestações em todo o país, pedindo melhor assistência social, cuidados com a saúde e a educação. Portanto, o governo é forçado a fazer algo pela atual situação. Há uma escassez de médicos, especialmente em áreas remotas como a nossa. Agora recrutaram médicos Cubanos para preencher os lugares como solução de emergência. Felizmente, são bons médicos que são um apoio para a população pobre. A educação tem a atenção do governo, mas muita coisa não funciona bem. Por exemplo, nos primeiros anos escolares, as crianças devem avançar sempre para a próxima série, não há reprovação. Uma amiga professora sente grande dificuldade com isso. Dos 22 alunos da sua classe da quinta série, seis não sabem ler ou escrever ainda. Ela se esforça muito para ajudá-los, mas é muito difícil. Muitos pais não estão interessados, as crianças não frequentam regularmente a escola e os professores não sabem como lidar com tudo isso. Estamos convencidos de que devemos começar com as crianças. O projeto “Vozes do sertão”, onde as crianças cantam e fazem música, certamente já trouxe mudanças. Alguns pais relatam que seus filhos mudaram. Estas crianças prestam mais atenção nos outros, estão mais atenciosas e disciplinadas diante dos seus pais e estão vendo o valor da educação na escola. Podemos dizer que este projeto é um sucesso e esperamos que continue e colabore para um futuro melhor para essas crianças. Ir. Ursula van de Ven (79 anos) conta na coluna como começas uma nova missão em Ibó, Brasil.


Em sete de setembro de 1953 cheguei à Itália, agora já se passaram 50 anos. Fui de avião! Morava em Oss e a Madre Berendine (o sobrenome dela não sei mais) era a superiora. Ela organizou um mini ônibus para que as irmãs jovens pudessem ir comigo para o aeroporto. Ela mesma naturalmente ia também. Achei muito atenciosa e isso tornou minha despedida muito agradável. Em Roma estava me esperando a Ir. Pauline Tesselaar e Padre Mondé (superior geral dos padres missionários de Cadier em Keer, SMA). Padre Mondé me contou mais tarde que ele pensou: `O que esta menininha deve fazer aqui em Roma!` Comecei a conhecê-lo bem, pois celebrava diariamente a missa na nossa casa e desde o início ele se preocupava comigo. Imediatamente depois da minha chegada comecei a estudar a língua Italiana. Para isso ia três manhãs por semana a uma escola para estrangeiros. Nos outros dias, ia ao bairro pobre perto da nossa casa, para treinar a língua e conhecer o povo. Como enfermeira ajudei muitas pessoas idosas e vacinei muitas crianças. Esse foi um trabalho ótimo. Três meses depois da minha chegada fui trabalhar num hospital. Devia recuperar meu diploma de enfermeira, porque o diploma holandês não foi reconhecido. Não podia ir a casa diariamente e visitava nossas irmãs somente no fim da semana. Durante a semana fiquei com as `Irmãs Azuis`. Com elas pratiquei Italiano e treinei também o meu inglês. Depois de meio ano pude fazer a prova e passei imediatamente. Também fui aprovada para coordenadora no hospital, pois é um diploma separado aqui. Depois continuei trabalhando no bairro. Então a congregação me pediu para me tornar parteira. O plano era construir uma maternidade. Nunca aconteceu, mas sim, fiquei um ano meio ano na Inglaterra para fazer o curso de parteira. Quando voltei à Itália tinha um prédio novo, que devia servir para enfermeiras que iam trabalhar na

clínica. Não precisávamos mais da clínica e o prédio se tornou uma casa de cuidado para idosos. Portanto me pediram para trabalhar com idosos. Admirava-me o fato de achar este trabalho tão agradável. Poderia fazer muita coisa para estas pessoas adoráveis! 1981 foi um ano desastroso para mim. Naquele ano se realizou o capítulo geral e decidiram mudar o conselho geral para a Holanda e, portanto vender nosso lindo generalato. Morávamos no Monte Cucco num lugar tão bonito, um monte de trinta metros de altura, muito tranquilo e ainda perto da cidade. Mas eu tive sorte. Padre Mondé, agora aposentado, já morava um tempo com a gente no generalato. Ele queria muito ficar em Roma e pediu ao seu então superior geral se podia junto comigo morar no generalato do SMA. Ele precisava de ajuda e eu podia fazer isso por ele. Aceitaram! Depois de 15 meses, Padre Mondé faleceu. Eu morei lá por mais 18 anos. Agora me pediram para mudar de casa para nosso apartamento no Portuense para administrar esta propriedade para a congregação. Em 2003 me mudei com o coração pesado, mas agora estou me sentindo bem. Ainda cuido dos Padres missionários, é meu trabalho diário. Cuido dos medicamentos, dos doentes e, se necessário, vou com eles ao médico. É um trabalho bonito. A maioria dos missionários não fala Italiano, principalmente os estudantes. Eles vêm principalmente da África, porque não há praticamente nenhuma vocação europeia. Aos domingos vou almoçar lá depois de ter ido para a igreja dos Frísios. Sinto-me em casa com os padres e sou sempre bem vinda. Roma é a cidade onde eu me sinto em casa. Ir. Cunera Borst (nascida em 1931) já trabalha há 50 anos (menos um ano e meio na Inglaterra) em Roma, Itália. Ela é a única irmã da nossa congregação lá.


Regina Memorial Hospital (EUA) existe há 60 anos

No dia 21 de novembro de 2013 fez 60 anos que o Hospital Regina Memorial em Hastings (EUA) abriu as suas portas. As irmãs de Caridade, entre outros, foram fundadoras deste Centro Médico. As Irmãs trabalharam junto com leigos médicos e enfermeiros. No ano de 1998, o hospital foi doado ao povo de Hastings e depois o nome foi mudado para Regina Medical Centre. O sexagésimo aniversário é comemorado com o lançamento de um livro de cozinha ao qual vários interessados deram a sua colaboração, também a nossa congregação.

A jornada Mundial da Juventude

De 23 a 28 de julho deste ano aconteceu no Rio de Janeiro, Brasil, a Jornada Mundial da Juventude. Entre os 3,7 milhões de participantes, encontravam-se também as irmãs Joanita, Elisângela, Joérica e Paula, juntos com quatro jovens do Movimento

Brasileiro Jovem da Misericórdia. Ir. Paula conta: ” todos os canais de Televisão transmitiram o dia todo este evento importante. O Brasil inteiro: crianças, jovens, adultos, e idosos assistiram tudo diariamente

pela TV. Foi um encontro indescritível de jovens de muitas línguas e raças diferentes, que trataram uns e outros como iguais e se comunicaram com a língua do coração. Foram dias em que os jovens se uniram em oração e com o desejo de ouvir a mensagem do nosso papa. No Rio inteiro você via peregrinos cantarem, rezarem e louvarem: nos ônibus, metrô , trem ou caminhando. A juventude conquistou todas as partes da cidade e os habitantes do Rio ficaram entusiasmados e alegres ao ver esta multidão. Também para nós foi um momento inesquecível, com muita alegria, esperança e coragem para continuar na nossa caminhada como juventude. Sentimo-nos favorecidos ao poder participar destes dias tão bonitos com tanta fé, muito amor e esperança.

Nesta edição você pode apreciar uma página de fotos com presépios. Não foram muitas, mas está claro que o seu presépio é caro a você. Para o próximo número pediremos uma foto de Vicente. Pode ser dele mesmo, uma imagem ou uma foto, mas também uma situação que para você representa a espiritualidade dele e seu compromisso para com os pobres. Quanto mais clara a foto, tanto maior a chance de ser publicada na Compassion. Mande para o generalato em Den Bosch, pelo correio, ou melhor, por e-mail. Estamos de novo muito curiosas! A redação


Compassion é uma edição periódica do conselho geral das Irmãs de Caridade SCMM e aparece em Holandês, Inglês, Português e Bahasa Indonésia, também numa versão falada em Holandês. ISSN 1879-9949

onstituições

Muitos podem fazer-nos um apelo; Para um relacionamento Cordial e pessoal Com cada um e com todos com Os quais temos contato, E por uma bondade espontânea Esperamos realizar Algo do amor de Jesus. Oxalá que desta maneira A nossa comunidade Seja um sinal Do Reino que está chegando.

(Artigo 55 - 56)


Compassion por 2013 nr 3