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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Lavra 2011


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

4.º ano

Foto 1: A vencedora Ana Luísa Vinhas da EB1 da Praia de Angeiras

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Na véspera de Natal, dia vinte e quatro de Dezembro, a Sofia estava a olhar pela sua janela com a cabeça encostada ao vidro, na sala de estar. Viu a neve branca a cair, sentiu o frio e o vento terrível que estava naquele dia e entre essas coisas cintilava uma estrelinha que indicava o pólo norte. De repente, apareceu um trenó e um homem com um enorme casaco vermelho, calças vermelhas e grandes botas de cor castanha como troncos de árvore. Lá fora também viu um senhor, já com uma certa idade que era seu vizinho, o sr. Lopes, que estava triste pois não tinha ninguém. Sofia foi lá fora e disse ao Sr. Lopes para entrar. O Sr. Lopes entrou e viu uma árvore de Natal fascinante, Sofia, enquanto o sr. Lopes conversava com os pais, voltou para a janela. O tal homem de vestes vermelhas aproximou-se da janela e disse-lhe: -

Pela tua bondade, por seres carinhosa com os outros, a tua "Noite de Natal" será

magnífica: vais tornar-te em magia de Natal. -

Magia de Natal!? Eu!? Mas afinal quem és tu?

-

Não me reconheces?

-

Ah! Tu...u...u... és o Pai Natal!!!

-

Sim, claro que sou.

-

Mas o que é que eu fiz de tão bom para estares aqui?

-

Apenas demonstraste a bondade que há no teu coração. -Pai Natal, eu só fiz o

que tinha que ser feito. -

Olha. Esta noite vais ter uma surpresa.

O Pai Natal foi-se embora. A menina foi para a beira dos pais e do amigo. O Pai Natal tinha razão. A menina recebeu muitas prendas. A Sofia tinha transformado um Natal triste de alguém numa noite maravilhosa. Este é o fim da história. Com ela aprendemos que é bom partilharmos as nossas coisas com os outros, com carinho, bondade e amor. A Sofia fez não só uma coisa maravilhosa como o seu amor foi transformado em magia. A Sofia ajudou o Sr. Lopes. Uma história tão pequena para um amor tão grande. Flor do arco-íris - 4o ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Um conto de Natal Era uma vez uma menina com 6 anos que adorava ver o Pai Natal. Ela era baixa, morena e muito pensativa. -

Por falar nisso nem me apresentei! Chamo-me Selena e tenho 9 anos e a minha

amiga como já vos disse tem 6 anos e chama-se Sofia. -

É verdade! Onde íamos? Ah! No seu sexto Natal a Sofia estava quase a dormir

quando ouviu: -Ho, Ho, Ho... A menina levantou-se apressada para ver o Pai Natal, foi até à janela, encostou a cabeça ao vidro, mas só viu estrelas a piscar. Quando olhou para a árvore de Natal atrás de si viu muitos presentes e disse: -

Era o Pai Natal!

A menina adorou a ideia de quase ver o Pai Natal. Ela adormeceu feliz. No dia seguinte foi para a escola contar ao Vasco, à Inês Madeira e à Francisca a sua aventura. Quando chegou a casa a sua irmã Catarina disse: -

Mais um Natal que ficamos sem ver o Pai Natal! Que mau! A Sofia riu-se e disse:

-

Pois él

E assim ficou o segredo entre os melhores amigos (Vasco, Francisca e Inês Madeira). -

Por que é que os duendes ajudam o Pai Natal? - perguntou a Catarina.

-

Pois, isso já é outra história! Selena - 4o ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

O Pai Natal e a Mariana Na noite de Natal, uma menina chamada Mariana olhava à janela, as estrelas. De repente apareceu na lua a sombra do trenó do Pai Natal. Mariana agasalhou-se e saiu de casa. Escondeu-se atrás de um boneco de neve e viu o Pai Natal a aterrar no telhado de sua casa. Mariana foi buscar o escadote, subiu sem fazer barulho e escondeu-se dentro do trenó. O Pai Natal regressou e Mariana mantinha-se muito quieta e calada. Ela foi parar ao pólo norte... Mariana entrou na fábrica dos brinquedos e tudo parecia mágico!!I Muitos duendes, uns com chapéus engraçados, outros com fatos coloridos, outros ainda com sapatos encaracolados, etc.... O Pai Natal descobriu a Mariana e muito espantado perguntou-lhe: -

Como apareceste aqui?

-

Escondi-me no teu trenó porque gostava de te conhecer!

-

Então agora tens que passar aqui o Natal - disse o Pai Natal

-

Não pode ser, Pai Natal. Não tenho pijama, roupa para amanhã, a minha cama,

nem o meu urso de peluche para descontrair -

E agora como te vamos fazer ir para casa? - disse o Pai Natal.

Pensaram numa solução para fazer a Mariana regressar a casa e então o Pai Natal disse: -

Não te preocupes, eu vou dar-te o mais belo presente de sempre. Uma varinha

de condão para que possas realizar todos os teus desejos! Selena Gomez - 4o ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

O Natal Era uma vez uma menina chamada Helena. Essa menina era muito pequenina. Ela tinha cinco anos. A Helena era engraçada, marota e muito desastrada. Numa manhã de inverno, ele foi buscar papel e uma caneta para fazer a lista para o Pai Natal. A mãe quando chegou à cozinha perguntou-lhe: -

Filha, o que estás a fazer?

-

Estou a fazer a lista para o Pai Natal.

-

Queres que te ajude?

-

Sim mamã, quero.

A Helena pediu à mãe dela para escrever o que ela queria. Ela queria muita coisa: bonecas, pinturas, lápis de cera... Ao fim do dia a mãe da Helena foi entregar a carta aos correios. A carta demorou muito tempo a chegar ao polo norte. A carta da Helena quando chegou ficou no fim da caixa das cartas para o Pai Natal. O Pai Natal era muito trabalhador. Trabalhava todo o dia. Era difícil fazer tudo o que as crianças pediam, mas ele arranjava sempre maneira de os fazer. -

Este dia foi um dos mais atarefados de todos! - disse a Pai Natal. Quando ele já

ia para sua casa viu uma carta. Ele pensava que já tinha acabado, mas não. Então chamou os seus assistentes e meteram mãos à obra. No dia seguinte a Helena foi para a janela à espera de ver o Pai Natal chegar. Quando percebeu que ele nunca mais chegava disse: -

Mamã, o Pai Natal não gosta de mim!

-

Filha, não chores. O Pai Natal não vai faltar com certeza I

E, na manhã seguinte os presentes lá estavam todos, junto à árvore de Natal. Antónia - 4o ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Um Natal mágico No meio de uma floresta havia uma terra mágica escondida entre as árvores, que ninguém via. Nessa terra mágica habitava a Bruxa do Halíoween, o Pai Natal, a Fada do Carnaval e o Coelho da Páscoa, que estavam habituados a ouvir muito barulho por causa das máquinas de fazer brinquedos do Pai Natal. Como estavam em hibernação não deram por nada, mas as máquinas tinham parado. Uma menina chamada Mariana, estava a passar e ouviu o Pai Natal a gritar dizendo: -

Não!!

-

O que foi aquilo? - perguntou a menina.

Conseguiu passar pelas árvores e descobriu a terra mágica. Andou durante algum tempo e encontrou uma casa enorme. Quando bateu à porta apareceu o Pai Natal que lhe disse: -

Entra.

Quando entrou estava tudo desarrumado. O Pai Natal disse: -

Ajuda-nos. Desapareceu um duende chamado Organizado, que nos mandou

esta carta que diz: Ajudem-me, fui raptado. Venham-me buscar à meia-noite. Morada 240 Porto. -

Eu vou convosco! - disse a menina.

-

Foi para isso que te chamámos. - disse o duende Dentuça.

E assim partiram em viagem. -

Está ali!!! - disse a menina.

-

Quando chegarmos vais direto para o trabalho. - disse o Pai Natal.

Voltaram para casa e o duende Organizado começou a trabalhar. Quando acabou estava tudo limpo! O Pai Natal agradeceu a ajuda da menina dizendo: -

Muito obrigada! Qual é o teu nome?

-

Mariana. Já agora podem levar-me a casa?

-

Claro! Sobe para o trenó. - disse o Pai Natal.

Quando chegaram o Pai Natal disse: -

Adeus!

-

Adeus! - disse a menina.

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Quando o Pai Natal se foi embora, a menina acordou. Levantou-se da cama dizendo: -

Foi tudo um sonho!

Olhou pela janela e viu o Pai Natal passar. Amanda - 4.° ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

5.º ano

Foto 2: O vencedor, vencedor, Tiago Ferreira do 5ºA

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Nenhuma criança é esquecida! Na véspera de Natal, dia do Pai Natal distribuir as prendas, os duendes embrulhavam os presentes. À noite, o Pai Natal recolheu os presentes colocando-os no saco, elevando-os para o trenó puxado por renas. A contagem decrescente estava no ar: Se o homem de barbas brancas, cinto preto e botas pretas e fato vermelho não conseguisse entregar todas as prendas, o Natal ficaria estragado! Até à meia-noite tinha que entregar 100 biliões de presentes. Então, íá foi ele. As renas voavam como um pássaro e à velocidade de uma chita a perseguir a presa. Em cada casa havia uma criança a olhar para o céu estrelado e parecia como que as chamas dos corações das pessoas se seguravam ao céu. Numa dessas casas estava a Joana, uma linda rapariga de olhos azuis como o mar e uns cabelos lisos e macios como cetim. Joana estava à janela a sonhar com os presentes e a observar o céu estrelado. O Pai Natal, com a pressa, não trouxe a última prenda, que era para a casa da Joana. - Ora, santas renas! - comentou ele - Eu não trouxe a última prenda para a Joana?! E lá foi novamente para a Lapónia. Era o tudo por tudo. Só faltava um minuto para o Natal se estragar. - Pobre, pobre Joana! - lamentava-se o Pai Natal a tentar chegar a sua casa. Joana tinha perdido a fé, mas quando ia deitar-se aparece o Pai Natal e entrega-lhe o presente. A faltar dez segundos para a meia-noite, todas as casas tinham os seus presentes e a Joana aprendeu uma lição: Nunca desistir, ter fé e manter-se firme. Muito Jeitoso – 5.º ano

9 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

O visitante Na véspera de Natal, uma menina estava à janela, viu um mendigo e pensou: - Coitadinho! Deve estar enregelado! A menina abriu a porta, foi ter com o mendigo e este perguntou-lhe: - Então, minha menina, o que andas a fazer cá fora com este frio? - E tu? Porque é que estás aqui? Espera aí que eu já venho - pediu a menina. Ela entrou em casa, chamou os pais até ao jardim cheio de neve fresca e perguntou-lhes: - Mãe e pai, este mendigo pode ficar connosco este Natal? - Pode... - responderam os pais. E o mendigo agradeceu: - Obrigado! Muito obrigado! Nem a menina nem os pais sabiam que o mendigo era o Pai Natal. No dia seguinte era Natal e a menina pulava de alegria por tudo o que era sítio. Foi ao quarto do mendigo, não o viu e chamou os pais. (Eles também não sabiam onde ele estava). Foram à cozinha e lá estava ele a fazer um delicioso pequeno-almoço: panquecas, leite com chocolate aquecido, café, bolo e biscoitos de várias formas e sabores. Festejaram esse dia feliz e o mendigo disse: - Agora tenho de ir embora, tenho os meus duendes para cuidar! Os pais e a menina exclamaram: - AH! Só então perceberam que ele era o Pai Natal. Anonymus - 5.º .º ano

10 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Conto de Natal Umas semanas antes do Natal, andavam todos muito atarefados, principalmente em casa das gémeas. - Mal posso esperar pela chegada do Pai Natal! - exclamava Carolina. - Ó Carolina, deixa-te de patetices. - contrariava a irmã - Já sabes que o Pai Natal não existe! A Carolina não acreditava no que a gémea lhe dizia. No dia seguinte, as irmãs gémeas foram ao centro comercial, com os pais, comprar as prendas. - Mãe, mãe! Olha está ali o Pai Natal! - exclamou a Carolina - Podemos ir tirar uma fotografia? - Lá estás tu, Carolina, é só um homem mascarado. - insistia a irmã Ana. A Carolina já estava farta e quis provar-lhe que o Pai Natal existia. Na noite de 24 de dezembro, as gémeas ficaram acordadas para ver o Pai Natal. Chegou a manhã, e o Pai Natal não apareceu. - Vês, Carolina. O Pai Natal não existe - disse Ana. A Carolina ficou muito triste e continuou a olhar pela janela até que adormeceu. Enquanto Carolina dormia, o Pai Natal entrou e deixou os presentes. De repente, Ana entrou no quarto e gritou assustada: - Mãe!!! Um ladrão!!! Carolina acordou com os gritos: - O que é que aconteceu?! - Um ladrão! - respondeu a Ana. Carolina acendeu a luz e disse: - Não é um ladrão, é o Pai Natal!!! - O quê?! O Pai Natal?! - interrogou-se a irmã. A partir desse dia, Ana nunca mais contrariou Carolina. Maria Clara - 5.º ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Mistério, a menina que assombrava o Natal A história que eu vou narrar passou-se numa pequena aldeia chamada "Aldeia da menina chamada Mistério". Esta aldeia tem esse nome porque todos os Natais, na mesma casa, aparece uma menina à janela onde, supostamente, era a sala onde se comemorava o Natal. A menina tinha um cabelo dourado como ouro, preso por duas tranças, e vestia-se com um vestido rosa. O seu rosto parecia pensativo e observador, mas era dificil saber logo à primeira, pois ela quase que não tinha expressão. Um dia, um rapaz chamado Miguel ficou intrigado com a história da rapariga e, quando os pais adormeceram, ele foi até a casa onde a "Mistério" passava os Natais. Ao bater à porta, o Miguel ouviu um estrondo. Um, não, vários! Arrombou a porta e ficou espantado com o que viu: a "Mistério" já não estava mais sentada, estava a destruir tudo o que simbolizava o Natal! - Argh! Detesto o Natal! - exclamou a menina. - Como te chamas e porque desprezas tanto o Natal? - perguntou o Miguel. - Vai-te embora! - gritou a "Mistério" - Se me disseres, eu prometo que te ajudo. - disse pacientemente o Miguel. - Chamo-me Isabel e odeio o Natal porque os meus pais morreram mesmo na manhã desse dia. Agora, por favor, vai para tua casa. - suplicou a Isabel. O Miguel foi-se embora, prometendo a si mesmo que iria voltar. E assim foi. Miguel voltou mas agora com três frascos que ofereceu à menina: um dizia "Amor", outro "Alegria" e o terceiro dizia "Esperança" Vendo os frascos, Isabel começou a chorar e abraçou o atencioso menino. De repente, uma espécie de trenó passou pela janela largando uns pós brilhantes. - O que é isto? - interrogou Isabel No meio dos pós, os pais da ex-Mistério apareceram como que por magia. - Papá! Mamã! - gritou a menina, correndo de encontro aos pais. - Filha! - exclamaram os pais. Ao ver isto, Miguel voltou para casa, para passar o Natal com os pais, contente, e jurando que nunca deixaria os abandonaria. Hermione – 5.º ano

12 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

A prenda perfeita Era a véspera de Natal. Todas as ruas estavam enfeitadas com luzes, Pais Natais insufláveis, azevinho... Numa casa, uma menina olhava a noite através da janela. O nome dela era Clara. Tentava recordar-se dos outros Natais que passara com a família. O mês passado os pais tinham morrido num acidente aéreo e o resto da família vivia no outro lado do mundo. A partir desse diaya casa ficou sem interesse. Só a usava para dormir. Tudo o resto fazia em casa do Pedro, seu amigo. Mas nessa noite o Pedro foi visitar a avó e a Clara ficou sozinha na casa vazia. No dia seguinte, ela acordou mal o sol nasceu. Comeu duas bolachas e dirigiu-se outra vez à janela. Mais uma vez ficou a recordar os Natais passados. Ficou o dia todo à janela. À meia-noite ouviu um barulho vindo da chaminé. Pensando que era um ladrão, Clara escondeu-se. Então viu que era o Pai Natal. Como não viu ninguém, o Pai Natal foi-se embora. A menina calçou os sapatos e seguiu-o. Escondeu-se dentro do saco que estava no trenó e ficou muito quieta. Quando pararam, o Pai Natal sentiu que o saco estava muito pesado e então viu Clara. - Quem és tu? - perguntou o Pai Natal. - Sou a Clara. Onde estamos? - perguntou ela. - Estamos na minha fábrica de brinquedos. Entraram os dois e a Clara viu muitos duendes. - Tens alguma coisa para mim, Pai Natal? - Tenho. E acho que vais gostar! O Pai Natal mostrou-lhe um papel. Era um bilhete para a Austrália. Era lá que vivia a sua família. - Obrigada, Pai Natal!- agradeceu ela, excitada. Passado dois dias ela já estava na casa da avó a contar esta história.

Rodrigo Reis – 5.º ano

13 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


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6.º ano

Foto 3: O Bernardo Moscato, vencedor do 6.º ano

14 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Num país muito longínquo vivia um homem de barbas brancas, muito gordo...que toda a gente acreditava, era o Pai Natal, Ele recebia as cartas dos meninos e das meninas com os brinquedos e os jogos que queriam. E, no dia 25 de Dezembro, à meia-noite, lá ia ele pelo ar sentado na sua "carruagem mágica" que levantava voo, puxado por renas, entregar as prendinhas. Um dia, perto do Natal, o Pai Natal estava sentado a dormir, quando entra um duende a dizer: Senhor, senhor! Temos aqui as cartas... Deixa-as aí e podes ir embora. O Pai Natal abriu uma carta que dizia: "Olá, querido Pai Natal. Este ano, quero: - tirar boas notas; - que a minha mãe pare de fumar; - que o meu irmão pare de andar nas drogas e que os meus pais voltem a namorar. Beijinhos. By: Matilde Mendes." O Pai Natal achou muito estranho uma menina não querer brinquedos, mas sim coisa muito melhores. No dia 25 de Dezembro, à meia-noite, lá estava a menina na janela à espera do Pai Natal. Ele passou e deixou um pó mágico que...realizou todos os desejos da Matilde. Ambos ficaram muito felizes...e quando o Pai Natal passou em frente à Lua gritou: -Ho, ho, ho... Feliz Natal! Beni - 6.º ano

15 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

A menina que queria o Pai Natal

Havia uma criança que, neste natal, queria ver as estrelas e o pai natal. Ela era curiosa e gostava do Pai Natal, Estava a aproximar-se o Natal, e ela ainda não tinha tudo pronto. Então muito aflita, pediu ajuda aos pais. Eles disseram que se ela queria montar o pinheiro e decorá-lo teria que ser no fim-de-semana, mas ela não queria esperar. Foi então que ela pegou na caixa das decorações e começou por pôr uma estrela aqui, uma bola acolá e assim sucessivamente. Até que chegou a hora de pôr o pinheiro. Ela achava-o muito grande, mas teve a ideia de o arrastar. Chegou à sala toda contente e montou-o, com muita dificuldade pôs os enfeites, pôs uma bola aqui uma fita ali e continuou. No dia seguinte, os pais dela, todos ensonados, viram como estava a sua casa. Eles, zangados por tal coisa, castigaram-na e não a deixaram comer o lanche de bolachas de chocolate. A menina, quase a chorar, foi para as aulas. Aprendeu que, se tivesse esperado, nada disto teria acontecido. Chegou a casa e pediu desculpa. Os pais, contentes, disseram que mais vale esperar do que fazer à pressa. A menina também contente, foi acabar as decorações com os pais. Quando acabaram aperceberam- se de que se tinham esquecido de pôr o presépio. A menina queria pôr o presépio, mas não sabia onde. Foi logo ver, e o único sítio era na entrada. Mal, ela pôs o presépio disse que só lhes faltava esperar. No dia de Natal, quando foram comer, a menina disse para todos irem dormir, pois assim, no dia seguinte teriam presentes. Quando todos foram dormir, ela ficou à janela à espera do pai natal. Ficou tanto tempo à espera que adormeceu, e como o candeeiro tinha ficado aceso, passados vinte minutos acordou e disse que ia desligá-lo. Quando por fim chegaram os presentes, ela abriu-os e, toda feliz, viu o peluche de que estava à espera - um ursinho bem grande! A menina lembrou-se desse dia para sempre, apesar de não ter visto o Pai Natal. Storm - 6.º ano

16 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Era uma vez uma menina chamada Soraia de cinco anos que era apaixonada pelo Natal. Eia vivia numa aldeia muito pobre com o seu pai e o seu irmão chamado Pedro de dez anos. A mãe dela morreu quando ela tinha dois anos. Desde a sua morte que o pai de Soraia trabalha muito, todos os dias da semana, para poder dar aos filhos uma ótima prenda de Natal. Soraia sempre teve o sonho de conhecer o Pai Natal, mas não contava a ninguém, pois, os seus amigos não acreditavam no Pai Natal, diziam que ele não existia. Como ela adorava fazer a árvore de Natal e todos os outros enfeites era sempre ela que tratava disso. O tempo foi passando até que chegou o dia 24 de Dezembro. Soraia estava empolgadíssima! Tinha jurado ao seu pai não dormir nessa noite para ver o Pai Natal! De início, o pai de Soraia e o seu irmão Pedro ficaram com ela à espera, mas as horas foram passando e não aparecia ninguém, só se via a neve a cair por aquela janela. Já eram 4:00 da manhã e Soraia, cheia de sono, decidiu ir deitar-se. Quando ia levantar-se da cadeira, Soraia viu uma coisa a descer do céu. O que seria? Muito curiosa ficou para ver. Até que viu o Pai Natal descer do trenó com um saco cheio de prendas. Mal viu isso, a menina foi a correr lá para fora ter com o Pai Natal. Já lá fora, Soraia agarrou o Pai Natal, bateu-lhe levemente e atirou-o ao chão para ver se era real. Ao perceber que era Soraia fez-lhe muitas perguntas sobre como eram os seus natais e também lhe contou a sua história. Ao ouvir a história de Soraia o Pai Natal ficou tão comovido que quis dar- lhe uma prenda especial: levá-la ao Pólo Norte para que ela pudesse conhecer a sua fábrica de brinquedos, ver as renas e os duendes! Aquela noite foi mágica para Soraia! Quando ela quis contar a alguém, ninguém acreditou e disseram que tudo não passara de um sonho mas Soraia tinha a certeza que foi bem real e nunca iria esquecer aquela noite! Joana Sousa - 6.º ano

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CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

O Natal voltou!

Nova naquela terra, Inês estranhava as pessoas sem espírito Natalício. Apenas uma família, Mendes, alegre e religiosa, não esquecera essa tal magia do Natal. Na sua casa as crianças corriam de um lado para o outro, a casa cheirava a canela, o pai de Inês^tocava alegres músicas... Inês, uma menina de oito anos, loira e simpática olhava para o pinheiro e sonhava com os presentes que iria receber. No entanto também pensava:" Porque será que as pessoas desta terra não estão a celebrar o Natal, como nós?" Já no dia 25, Inês fala com o seu pai sobre o que estivera a pensar; decidindo com ele, que ia voltar a trazer o Natal e a sua magia para aquele lugar. Inês falou com algumas pessoas que lá viviam e perguntou-lhes porque é que não festejavam o Natal. -Nós?! Festejar o Natal?! Há muito tempo, enquanto as pessoas faziam as compras e os preparativos para a festa de Natal conjunta, no largo, um carro com dois homens bêbados atropelaram e mataram dois meninos, que adoravam o Natal. Desde aí ninguém tinha vontade de festejar o Natal! Inês e o seu pai disseram que se fizessem isto, talvez os meninos falecidos vissem toda a terra junta outra vez, e ficavam muito contentes! Concordando com a forma de pensar, essas pessoas ajudaram Inês a convencer o resto das pessoas. Toda a gente queria festejar o Natal outra vez, graças a Inês! No ano seguinte já se sentia o cheiro a rabanadas, uma grande árvore via-se no largo, músicas tocavam alegremente pelas ruas e à noite pequenos presentes, oferecidos pela junta de freguesia, iam ser abertos. Mas um grande presente se via na árvore....todos sabiam para quem era, pois todos tinham contribuído; era para Inês. Lola - 6.º ano

18 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

O melhor natal de Leonor Era uma vez uma menina chamada Leonor, que tinha longos cabelos louros e lindos olhos azuis. Gostava de fazer uma grande trança que lhe ficava lindamente. Tinha começado o inicio do mês de dezembro e ela já estava doida para que chegasse o natal. Já tinha comprado um calendário com chocolates, e assim, todos os dias saboreava um. Num fim-de-semana estava aborrecida em casa e, então, resolveu fazer a lista de brinquedos para o pai natal. Quando ia para a escola, todos os seus amigos conversavam, a maioria deles falava sobre o que ia fazer no natal, onde e com quem o ia passar. Quando chegou a casa a primeira coisa que fez foi perguntar aos pais se podiam enfeitar o pinheiro de natal. Então no feriado todos riam e brincavam a decorar o pinheiro de natal. Quando acabaram, todos ficaram a olhar para o pinheiro boquiabertos. A Leonor até quis tirar uma fotografia para mostrar aos seus amigos. Todos os dias, sem se esquecer, a Leonor comia um dos seus chocolates do calendário, e cada dia que passava e o natal se aproximava ela os comia com mais satisfação. Já um dia antes do natal, todos os colegas de Leonor falavam entusiasmados, porque já tinham recebido as suas prendas. Leonor chegou a casa muito triste, pois ainda não tinha recebido os seus presentes e pensou que talvez o pai natal se esquecesse dela, mas tentou não pensar mais nisso. No dia de natal, já à noite, todos se reuniram na casa da Leonor e ainda nem sinal das prendas. Passou da meia-noite e ... nada. Leonor estava triste e sentou-se à janela com esperança de que o pai natal aparecesse.

19 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Não era o natal com que ela sonhava era um natal sem cores, tudo a preto e branco. Quando Leonor estava prestes a perder toda a esperança de repente vê a vir na direção da sua casa um homem redondo de barbas brancas a quem se chama de pai natal. A Leonor ficou muito, muito contente e abraçou-o com lágrimas no canto do olho. O pai natal entregou as prendas. Assim todos passaram um feliz natal, especialmente a Leonor. Todos se despediram dele e ele foi embora, com a consciência tranquila, sabendo que tinha concretizado o grande sonho de Leonor. Leonor estava cheia de sono, vestiu o pijama e deitou-se, lentamente começou a fechar os olhos e adormeceu com um sorriso de orelha a orelha. Sêni – 6.o ano

20 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

7.º ano

Foto 4: vencedora do 7.º ano a Inês Costa Tavares do 7.º D

21 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Rafael era um menino triste. O pai era médico e a mãe uma famosa advogada. Ele tinha tudo o que queria. Tinha dezoito anos. Andava a tirar o curso de Medicina, tinha excelentes notas, uma mesada gorda, que guardava para, um dia, comprar um carro ou para qualquer coisa de que precisasse. Mas, por incrível que pareça, ele não era feliz... Nem pai nem mãe tinham tempo para ele, apesar de o amarem muito. Rafael tinha apenas uma amiga, Sandy, uma velha cachorra com doze anos. Ele sentava-se ao lado dela e adormecia no seu dorso. Faltavam apenas três dias para o Natal, quando Rafael ficou a saber que Sandy tinha cancro de pulmão... Sandy foi internada e operada, mas não sobreviveu. Era demasiado tarde. Rafael chorou imenso, nâo se importou que os outros o gozassem por ser rapaz ou por chorar por um cão. Tinha consciência de que, quando se perdia alguém, era terrível! Parecia que tudo se desmoronava à sua volta e que faltava algo no ambiente normal... Rafael não conseguiu dormir, apenas lembrava tudo que tinha vivido com Sandy: o que tinha custado admitir que a cadela tinha roubado um frango ao talhante... E a altura em que Sandy lhe tinha salvo a vida, quando estava prest^a afogar-se na piscina do tio. Mas lá acabou por adormecer. Acordou com as doces palavras de Liliana, a governanta que tinha sido sua ama, dizendo-lhe que lhe ia contar uma coisa que o ia deixar muito triste. Mas esperava que ele superasse um dia. - Rafael, eu lamento imenso... Mas...Mas... a tua mãe... Ela...- gaguejou Liliana. - Diz! - exclamou Rafael, desesperado. Ela faleceu hoje com um AVC... Rafael sentiu o coração cair-lhe aos pés. "Agora a minha mãe?!", perguntou a si próprio, lavado em lágrimas. Sentiu que tinha perdido tudo. Pensou que, apesar do pouco tempo que os pais lhe dedicavam, tinha família, agora mais pequena com a morte da mãe. Pensou, então, nas crianças que não tinham pais, nem amigos, nem um lar, nem uma árvore rodeada de presentes como a dele.

22 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Rafael pegou nos seus mealheiros, que estavam cheiíssimos e partiu-os: pegou na sua mala, enfiou tudo lá dentro, colocou algumas peças de roupa e pegou no telefone fixo. Ligou para o senhor Carlos, o motorista, e pediu-lhe que o levasse ao canil. Já no canil, adotou todos os cachorros e levou-os para instituições que protegem os animais. Fez um grande donativo em dinheiro a estas instituições, garantiu o fornecimento de alimentos para muito tempo e assegurou cuidados veterinários para os animais que albergassem. Conseguiu também alugar uma casa onde passou a funcionar uma instituição para crianças órfãs. Quando esta casa já tinha os seus habitantes, foi visitá-los e sentiu-se feliz ao ver a alegria daquelas crianças que pareciam contentar-se com tão pouco... Regressou a casa com um sorriso. Nos bolsos, apenas uma pedra pintada que uma menina lhe dera. Essa menina é a menina que agora olha para os finos flocos de neve que caem do lado de lá da janela da sala da instituição onde vive. A sala tem uma enorme janela e está decorada com uma árvore de Natal muito alta, rodeada de presentes! Osiris Gold - 7.° Ano

23 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


CONCURSO “UM CONTO DE NATAL” – 2011

Um Natal desastroso e feliz

Na noite de Natal, uma menina estava sozinha em casa, apenas com o seu cão, a aguardar que a sua família chegasse. A menina começou a preocupar-se, porque a família já estava a demorar e, para se entreter, pôs-se à janela a contar as estrelas. Passado algum tempo, cansou-se e foi brincar às escondidinhas com o cão e, depois, foi procurar alguma coisa para comerem. Conseguiu encontrar cinco bolachinhas: três para ela e duas para o cão. Sentou-se a ver televisão e ouviu "uma notícia de última hora": um acidente grave, na Via de Cintura Interna do Porto, entre um ligeiro e um pesado. Quando a menina viu o carro, percebeu que era a sua família. Ficou muito aflita e mandou um e-mail urgente ao Pai Natal a contar o que tinha acontecido. Pediu-lhe que salvasse a sua família e que lhe viesse fazer companhia, porque estava sozinha. O Pai Natal chegou o mais depressa possível. Trouxe-lhe prendas e divertiram-se a abri-las e a brincar com elas. No dia seguinte, no dia de Natal, chegaram os familiares, conforme tinha prometido o Pai Natal. - Foi o melhor Natal de sempre! - disse a menina. Isaltino Morais - 7.° ano

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Um Natal diferente Era Natal e Beatriz estava ansiosa que chegasse a meia- noite. A sua árvore de natal estava cheia de grandes, pequenos, coloridos e variados embrulhos. Da cozinha, um cheirinho a canela abria a todos o apetite e, lá fora, a neve caía. Era um a noite perfeita para todos poderem conviver e disfrutar daquela época do ano. De repente, a campainha toca; eram os avós. Volta a tocar e toda a família enchia a casa, dizendo sempre: "Beatriz, cresceste muito". Mas ninguém enchia a menina de carinho. A noite foi passando. Toda a gente conversava, jogava cartas e visitava os cantos à casa. A família da menina sempre fora muito rica e Beatriz estava habituada a viver com grandes luxos, mas sem carinho. Faltava uma hora para a meia- noite e a ânsia de abrir as prendas já não existia. Estava sentada no sofá, olhando peia janela e observando uma família vizinha. Lá, todos conviviam e brincavam, mas as crianças não eram postas de parte. Aquilo sim, chamava-se convívio familiar. Tocava o relógio as doze badaladas e todos chamavam Beatriz, dizendo-lhe que tinham comprado uma prenda muito grande e bonita. Quando Beatriz se virou para a família, o seu rosto estava cheio de lágrimas e ela disse à família que apenas queria que brincassem com ela, e não que lhe dessem prendas e mais prendas. Gerou-se silêncio na sala durante cinco minutos. Após esse tempo, todos se sentaram no sofá, perto da menina, e com ela abriram as prendas, conversaram e brincaram. Era um Natal diferente, mas o que Beatriz sempre esperava ter. Filipa Barbosa – 7.º ano

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O Natal que tudo mudou Férias de Natal! Um sorriso apareceu pela primeira vez na cara d'O Infeliz desde que os seus pais morreram e ele viera para o orfanato. Foi em outubro desse ano. "O Infeliz" não era o seu verdadeiro nome, mas, como não se lembrava dele, o pessoal do orfanato deu-lhe essa alcunha. Na verdade, ele perdera a memória de tudo o que acontecera, exceto da perda dos seus queridos pais. Não tinha ninguém mais na sua família, por isso ficou no orfanato. Todos os dias, quando não tinha aulas, ia à janela da sala de convívio pensar, tentar lembrar-se da sua vida e, sobretudo, sonhar. Mas, naquela noite, a sala estava diferente. Ao início, o menino não reparou no que era, mas logo descobriu que era a árvore de Natal. "Será que no Natal me davam presentes?" pensou ele "tenho dez dias até á véspera de Natal, talvez seja demasiado otimista se penso que me vão dar prendas nesta porcaria de orfanato!" O seu sonho era ter uma família que o acolhesse na sua casa e lhe proporcionasse um lar. Mas estava longe de ser realizado... ou não. Entretanto, um jovem casal que não podia ter filhos por motivos de saúde lamuriava-se: - Gostava que este Natal fosse diferente. - dizia o senhor Alfredo. - Se tivéssemos filhos, seria bem diferente! - suspirava a senhora Ermelinda. Mas o que é que estes dois fazem nesta história? Só o tempo o dirá. Passaram-se sete dias e nada de notícias sobre prendas. Foi então que o diretor do orfanato se dirigiu para a "mesa dos discursos" e disse ao microfone: - Devido à falta de dinheiro, neste Natal, não haverá prendas. Acreditem que lamentamos! Entretanto, sugiro que... blá... blá... Os seus olhos choraram de fúria. O Infeliz saiu porta fora até à rua para arrefecer os pensamentos. Pelo menos, pensava que isso ia resultar. Depois de algumas voltas ao bairro, cruzou-se com um grupo de adolescentes vestidos à "punk" que o abordaram e cujo chefe disse: - Conhecemos a tua situação. Segue-nos. Os "punks" trocaram risos discretos entre si. Aquele miúdo ia ajudá-los, sem saber, a obter o que queriam. - 'Tás' a ver aquela loja ali? 'Tá cheia de massa! Se queres "guito,"vai lá e pega na caixa. 26 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


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- Mas... - Nada de "mas", ordeno-te que vás lá! E O Infeliz obedeceu, contrariado. Aqueles rapazes ainda iam metê-lo em sarilhos... E entrou na loja. - Desculpa, miúdo, mas vamos fechar. - disse o dono da loja. Foi nesse momento que o rapaz pega na caixa e tenta fugir. À saída, o alarme tocou e ele, passado algum tempo, foi cercado por dois polícias musculados, que o levaram. Depois de darem a conhecer ao diretor o incidente, o rapaz foi levado a tribunal. Aquele moço assaltou a minha loja! - afirmava, furioso, o dono da loja. E o juiz virou-se para O Infeliz e perguntou-lhe: - Por que razão fizeste isso? Mas o advogado respondeu por ele: - Este rapaz foi obrigado a assaltar a loja por um grupo de "punks". Caído na tentação por não haver presentes este Natal, ele assaltou-a. Teve uma infância feliz, mas desde que os seus pais morreram que ele nem do nome se lembra. Tudo o que ele precisa é de uma família que lhe dê um lar e o reeduque. Às vezes, é preciso que a vida nos pregue algumas partidas para compreendermos o que deve na verdade ser valorizado... - É de facto do que ele precisa, de uma família que lhe dê um lar e o compreenda!. - prometeu o juiz. Após uma busca de cinco horas (zzz...), um polícia chegou com, adivinhem, o senhor Alfredo e a senhora Ermelinda, que o adotaram. Foi com imensa felicidade que o acolheram. Logo O Infeliz começou uma vida nova, com um novo nome e com novos pais. Foi o seu melhor Natal de sempre, o Natal da Esperança. Mister Pessoa - 7.° ano

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Num mundo, onde toda a gente acreditava no Pai Natal, uma criança, numa pequena casa estava a olhar para o céu. Até que passou uma estrela cadente e Maria pediu um desejo: - Eu quero, neste Natal, ver o Pai Natal com os meus próprios olhos! Entretanto, a campainha tocou e o pai dela foi abrir a porta. Era o correio que queria entregar-lhe uma carta muito importante. Então ele, com um ar intrigado, foi direto para a cozinha ler a carta. Espantado, disse: - Do Pólo Norte? Que esquisito! Deve ser alguma brincadeira! O quê? O Pai Natal ficou doente e não pode entregar os presentes? Mas a minha folha tem de receber os presentes! E só faltam três dias para o Natal! - exclamou, num tom baixo e preocupado. Depois de muito pensar, ele disse: - Já sei! Vou ao Pólo Norte ajudar o Pai Natal a recuperar antes da noite de Natal. Ao fim de dois dias e duas noites, finalmente, o pai da menina chegou lá e encontrou a casa do Pai Natal. O Pai Natal estava muito doente, mal conseguia falar, mas com as suas poucas forças, disse: - Desculpa, mas só tu é que podes salvar o Natal. Só tu é que podes entregar os presentes. - Bem, então eu vou começar a entregá-los já, mas acho que não vou conseguir! - disse o pai da Maria, desesperado. Ao fim de seis horas, ele passou pela sua casa e a sua filha viu-o, vestido de Pai Natal. Ela ficou tão contente! Aquele Natal era o melhor de sempre! E o seu desejo tinha-se realizado. No dia seguinte, o pai da Maria chegou a casa do Pai Natal e o velhote de barbas brancas já estava melhor. Então o Pai Natal agradeceu muito ao pai da Maria e ainda lhe propôs o seguinte: - Olha, como tu conseguiste acabar o trabalho que te propus, podes pedir o que tu quiseres. - Pai Natal, é mesmo tudo o que eu quiser? - Sim, claro. Tudo o que quiseres! - Então, eu peço que o Pai Natal nunca mais adoeça e continue a fazer o seu trabalho.

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E, assim, todos os Natais, todas as pessoas ficavam felizes por causa daquele homem que salvou uma vez o Natal. Então, viveram felizes para todo o sempre. Carolina Sousa - 7.° Ano

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8.º ano

Foto 5: Ana Filipa Campos, vencedora do 8.º ano

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Um Natal diferente Chegou finalmente! Dia vinte e quatro de dezembro, o dia em que iria ver os avós novamente! Maria vivia com os seus pais em França há mais de dois anos e só os ia visitar em ocasiões como estas. Não pensava como os seus amigos. Estes gostavam daquela época do ano devido às inúmeras prendas que recebiam e viam-na como um momento em que toda a atenção neles se concentrava. Aquela mudança para França, juntamente com os seus pais, fê-la valorizar mais a família em momentos como aquele. Sentia falta das palavras carinhosas do avô, que sempre a confortavam, e dos abraços maravilhosos que recebia da avó, que às vezes a faziam largar um lágrima. Sentia-se bem perto deles e era lá que desejava estar naquela altura. Em frente da janela, todas essas recordações preenchiam o seu pensamento e faziam-na ignorar o mundo lá fora. Chovia muito, mas nem aquela chuva a fazia perder a vontade de viajar até Portugal. À porta da sala apareceu a sua mãe, que a chamou: - Maria, anda confirmar se está tudo na mala ou se ainda precisas de acrescentar mais alguma coisa. Daqui a minutos saímos de casa. - Lembrei-me agora! Preciso de colocar as prendas para os avós. Também eles precisam de um mimo. - Trata disso! - acrescentou a mãe, dirigindo-se para o quarto, onde o pai se encontrava ocupado à procura de umas luvas desaparecidas. Passados alguns minutos, Maria e os seus pais deixaram a sua casa e dirigiram-se para o aeroporto, no qual repararam numa grande confusão e movimentação de pessoas, algo invulgar num local como aquele. Infelizmente, todos aqueles passageiros, que, tal como a Maria, iam visitar familiares a outros países, ficaram retidos devido ao mau tempo. Todo o seu sonho fora destruído por algumas gotas de chuva. Uma injustiça! Pensar num Natal sem a presença dos avós era horrível. Não iria ver o avô vestido de Pai Natal nem ter a oportunidade de provar as delícias feitas pela avó. Voltaram para casa. No carro, Maria revelava-se triste com aquele cancelamento. Olhava pela janela e desenhava nos vidros embaciados do carro árvores de Natal e estrelas, muitas estrelas. Quando chegou a casa, 31 AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE LAVRA


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sentou-se no sofá, cabisbaixa, tentando encontrar uma solução para tudo aquilo. Vendo-a assim, o pai ajoelhou-se perto dela e perguntou-lhe: - Por que não ligas aos teus avós? Acho que tenho uma ideia: seria como que passar o Natal à distância de centímetros. Sei que não é a mesma coisa, mas será uma forma de se reconfortarem mutuamente. Assim foi. Maria aceitou logo a proposta do pai e ligou para os avós. Do lado de lá, atendeu o avô com uma voz triste. Também ele sonhara com o momento de abraçar a neta. Não era viável, mas, como em tudo, quando a nossa força interior prevalece, é sempre possível vislumbrar uma solução que atenue a nossa infelicidade ou desilusão. Foi o que aconteceu. Por que não utilizar o computador? Combinaram, assim, ligá-lo a uma determinada hora e, dessa forma, passar o Natal perto uns dos outros. Através de uma simples ligação à Internet, resolveram o problema que, a princípio, parecia não ter solução. Puderam rir juntos, conversar e até jogar cartas durante segundos. Jogar cartas era realmente complicado. Era estranho passar o Natal vendo os avós pelo computador, mas era divertido poderem rir em conjunto com as histórias que partilhavam. Aquele Natal foi efetivamente invulgar mas não menos forte e unido como aqueles que em muitas casas pelo mundo fora ocorria. Teria até uma história para contar aos seus amigos quando a escola recomeçasse. As férias de Natal continuavam, pelo que, depois de o tempo acalmar, passados alguns dias, puderam finalmente apanhar o avião. Maria conseguiu abraçar os avós e dar-lhes muitos beijos, algo que não pudera fazer pelo computador. Este amor que os unia resistiu e resistiria sempre a qualquer contrariedade. Bom é saber encontrar forma de contornar os obstáculos que, por vezes, se nos apresentam como irremediáveis e até dolorosos. Maria soube bem fazê-lo! Estrela - 8.° ano

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O meu sonho Tudo aconteceu numa noite especial em que todas as pessoas andavam felizes, contentes e alegres, tudo graças à magia do Natal. Era na véspera de Natal que todas os anos, por volta da meia-noite a magia acontecia, todas as crianças anseavam por esse momento em que supostamente o Pai Natal voava no seu trenó com as renas e lhes deixava as prendas. Mas como o Pai Natal realmente não existia, normalmente, uma pessoa de cada família vestia- se de Pai Natal e ía lá para fora com um saco vermelho e as crianças ficavam vidradas a olhar. Este era um dos momentos mais mágicos da vida delas e às vezes até o seu maior ídolo era o Pai Natal por lhes dar presentes e os seus brinquedos preferidos, e pensavam: "Como é que ele sabia que eu gostava daquela boneca", "Adoro a magia do Natal", "Só mesmo o Pai Natal para saber do que eu gosto". E normalmente era sempre assim até aos oito ou nove anos, e depois toda a magia e a alegria de ver o Pai Natal se desmoronava como quando uma pétala deixa de ser leve só por estarmos tristes e tudo o que é bonito deixa de o ser. Os pais costumam contar aos filhos que o Pai Natal não existe porque acham que eles já não têm idade para acreditar no Pai Natal, e quando contam nunca se lembram o quanto foi difícil para eles aceitarem que o Pai Natal não existe, por isso contam aos filhos a verdade:" Filho, o Pai Natal não existe". Os filhos tentam disfarçar que já sabiam ou então que não lhes custa nada saber isso, mas quando os pais saem do quarto, a tristeza dos filhos é tanta que deixam de acreditar em tudo o que é bom porque acham que não é verdade tal como o Pai Natal, e que os pais lhes vão contar mais cedo ou mais tarde que não é verdade. Foi o que aconteceu a uma menina de 9 anos chamada Maria que passava o Natal com os primos a observar o Pai Natal e a deslumbrar-se com a alegria do Natal, era muito feliz até que.,, certo Natal o seu Pai diz á sua mãe: "Não achas que está na altura de lhe contarmos a verdade?" a mãe respondeu "Acho, vamos contar-lhe!". Quando acabaram de contar tudo a Maria e saíram do quarto, Maria sentia-se mal e transtornada: a sua razão de viver e sonhar tinha acabado. E

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ali estava ela, sentada a olhar lá para fora esperando que o Pai Natal aparecesse, mas lá no fundo sabia que ele não ía aparecer. Não tinha nada de bom para pensar, só lhe apetecia sonhar, que era a única coisa boa que podia fazer naquele momento: fugir e sonhar. Foi quando, inesperadamente, apareceu um vulto gordo no céu conduzindo um trenó com renas a puxá-lo. Maria achou que era um sonho e até se beliscou várias vezes tal como todos os adultos e jovens que achavam que o Pai Natal não existia. Aí deu-se um momento mundial de alegria e felicidade, todas as pessoas passaram a ser amigas umas das outras, os opostos uniram-se e o impossível aconteceu: todo o mundo permanecia em paz. E assim foi o meu sonho.

Marado – 8.º ano

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A noite de Natal Anne Catty ficou assim, a observar aquela figura a partir. Naquela sala, Anne estava sozinha num ambiente de silêncio e dor. Mas afinal como é que tudo começou? Quem era Anne Catty? E que era a "tal" figura? Esta história ganha vida numa pequena cidade em Ontário, no Canadá, onde Anne e sua mãe viviam. Anne era uma menina com apenas oito anos. Os seus cabelos eram muito claros e os seus olhos eram muito escuros. A sua mãe era uma mulher alta, de cabelos curtos e olhos verdes. Era uma pessoa doente, tinham-lhe diagnosticado cancro da mama há dois meses, mas não tencionava contar a Anne, pois sendo uma pessoa muito positiva acreditava que ia recuperar. Anne e a sua mãe moravam num apartamento na Baixa. Anne andava num colégio privado que ficava a dois quilómetros da sua casa, logo ia a pé para lá. Já a sua mãe trabalhava a meia hora de casa, numa loja. Anne nunca tinha conhecido o seu pai, e por mais que pedisse informações à sua mãe sobre ele, ela mudava sempre de assunto. Para a mãe de Anne, o seu ex-marido tinha morrido, apesar de estar vivo. O que tinha acontecido era que ele a tinha traído com a sua melhor amiga, roubou-lhe dinheiro da conta bancária e expulsou-a da casa onde os dois viviam. Para ela, eram mais de que razões para Anne não saber da existência do pai. Era época de Natal e na casa de Anne Catty a decoração já reinava. Tudo era iluminado e feliz... O despertador tocou, e Anne deu um salto da cama. Estava mais entusiasmada do que o normal, mas isso era devido a ter acordado no dia vinte e três de Dezembro (semana do Natal). A sua mãe já tinha acordado há muito e por isso tinha preparado o pequenoalmoço. Enquanto isso, Anne foi tomar banho e preparou a sua mochila para a escola. Quando acabou, desceu para a cozinha. - Bom dia, Anne Catty. - Dizia a mãe ainda meia ensonada. - Bom dia mãe! - Respondia Anne entusiasmada.

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Anne ia perguntar à mãe se era naquele Natal que ia conhecer o seu pai, mas ao ver o pequeno-almoço, começou logo a comer. Calma Anne! - Exclamou a mãe - Vais ficar com dores de barriga! Anne não ligou e continuou a comer. Enquanto isso, a sua mãe ia preparando os materiais para o seu trabalho. Mal acabou de tomar o pequeno-almoço, Anne despediu-se da sua mãe e foi-se embora para o colégio, pois já estava atrasada. Tudo acontecia normalmente até que ao meio-dia, a mãe de Anne Catty recebeu uma chamada: - Boa tarde, estou a falar com a senhora Rachel Beadles (mãe de Anne)? - Sim está. Quem fala? - Daqui fala do Hospital de Ontário. Era para informar que como lhe foi diagnosticado Cancro, bem ... a senhora já não vive até ao Natal. Ao ouvir isto, Rachel desligou telefone com lágrimas nos olhos. O dia passou melancólico para Rachel. A notícia da sua morte assustava-a muito. Quando chegou a noite, Rachel chegou a casa, tentando conter as lágrimas. Pensava como iria contar a Anne. Afinai ela era uma menina inocente de oito anos! Começou por lhe contar os princípios da vida, para a fazer compreender a vida e a morte, e depois acabou por lhe contar o que se passava. Anne sentiu-se perdida, cheia de dúvidas, e a dor apoderou-se dela. Não queria perder a sua mãe! Essa noite ficou marcada pelo choro de ambas, mãe e filha. O dia seguinte tinha chegado. Tudo corria normalmente. Anne estava mais calma, e a sua mãe (apesar de não estar bem) mostrava um grande sorriso. A noite passada tinha sido esquecida. Anne tinha ido para o colégio mais cedo, para estar com as amigas, pois naquele dia fechava para férias. Já a sua mãe tinha ficado em casa a descansar. Foi então que nessa mesma tarde, o pior aconteceu: ambulância, bombeiros e polícia, a mãe de Anne Catty tinha-se suicidado, atirando-se da varanda da sala. O que aconteceu foi que

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Rachel não aguentava as dores e não queria ver a sua filha sofrer, pensando ser aquela a melhor escolha para ela. Quando Anne chegou, explicitaram-lhe tudo. Foi então que foi para a sala sentando-se no parapeito da janela. Anne não chorava, era uma menina forte. Como prenda de Natal, tinha pedido a cura da mãe, mas o destino foi outro. Agora, Anne vivia num orfanato. Não era feliz. Ninguém lhe dava atenção, mas ali era a sua nova casa, e ela teria de viver com isso. Little Chris Beadles – 8.º ano

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Uma espera interminável Estávamos já perto do Natal e a casa da Ana já estava decorada. Tinha sido ela mesma a decorá-la, com a ajuda da ama, a quem costumava dar auxílio na lida da casa. Os seus pais trabalhavam muito para que Ana tivesse uma vida estável e sem problemas; O seu pai era médico, um ótimo médico. Até já tinha sido reconhecido a nível nacional. A sua mãe era advogada, e também não trabalhava pouco. Aliás, o telemóvel nunca parava, nem mesmo a certas horas da noite. Por isso, Ana não passava muito tempo com os seus pais. - Só mais três dias e é Natal, Hortênsia! - Pois é, menina. O que pediu aos seus pais? - Na verdade, só pedi que eles chegassem o mais cedo possível no Natal, antes da meia-noite. Hortênsia sabia melhor que ninguém que isso talvez não fosse possível. Ana pensava todas as noites: "O meu pai não é como os papás das minhas colegas: não me dá beijinhos antes de eu ir dormir; nunca, mas mesmo nunca, brinca comigo, porque esta'' cansado ou porque está no trabalho. E a minha mãe só sabe dar-me raspanetes e colocar-me de castigo". Hortênsia ouvia a menina todas as noites a lamentar-se e ficava bastante deprimida, mas não sabia o que fazer. Faltavam dois dias para o Natal e a Ana apenas tinha visto a sua mãe a dormir no quarto. Decidiu ir para a sua beira e dizer-lhe o que desejava. - Mãe, queria que passasses mais tempo comigo a brincar, a ler-me histórias, a fazer penteados... A mãe ensonada disse-lhe: - Eu sei, meu anjo. Mas para tu teres os brinquedos, os livros e a roupa que queres, a mãe e o pai têm de trabalhar muito. - Preferia que tu e o pai estivessem comigo a ter tudo isso, porque, mamã, eu amo-vos! - Eu também, meu bebé. E ficaram as duas ali na cama, abraçadas, a dormir.

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- Amanhã é Natal! - gritou Ana em êxtase ao ajudar Hortênsia a preparar a mesa para a ceia. - A mesa estava linda. Tinha o melhor serviço de louça, os talheres com cabos dourados, os copos altos a brilhar e, no centro, um lindo arranjo colorido de Natal. - Hortênsia! - chamou a mãe de Ana. - Por favor, tire um prato de mesa. O meu marido tem um doente em estado crítico e não poderá vir. - A mãe não reparou, mas Ana ouviu. A menina pensou: "Este poderia ser o Natal perfeito: uma árvore linda, grande, cheia de luzes e brilho, uma mesa redonda com o serviço mais bonito e reluzente que eu já vi, a mamã e a Hortênsia em casa... Mas para não ter um desenlace tão perfeito, o meu papá não está cá." - Ana correu para a janela grande da sala e esperou esperançosamente pelo pai. Sempre que via as luzes dos faróis dos carros, rezava para que fosse o seu papá. - Às onze horas da noite, ainda não havia sinal dele. Meia hora depois, Ana sentou-se à beira da lareira na cadeira grande. - De repente, ouviu o barulho da maçaneta da porta a rodar. - Papá! - gritou Ana, correndo para os seus braços. - Conseguiste vir a tempo! - Por ti, faço tudo, meu amor. Assim, Ana conseguiu ter o seu Natal perfeito, com a Hortênsia, a mãe e o pai, tal e qual como ela desejara. Ana Hortênsia – 8.o ano

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9.º ano

Foto 6: o aluno David Silva Silva do 9.º B, vencedor no seu ano de escolaridade

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A Felicidade de Joana Joana enfeitara a sua árvore de Natal uns dias antes do previsto. Este ano era especial: a sua mãe, Cláudia, vinha passar a época festiva com ela. Normalmente, isso era impossível, pois Cláudia trabalhava numa empresa em que raramente lhe davam a oportunidade de passar a época natalícia com a família. Todos os anos, a família de Joana reunia-se na casa da avó Júlia, na Nazaré, para passar aquela quadra, Na sua humilde casa, a avó Júlia preparava o bacalhau "com a melhor qualidade da cidade", como afirmava ela, e as suas famosas rabanadas confecionadas segundo uma receita proveniente da sua bisavó que, a cada dentada, transportava todos a um paraíso momentâneo. Nesta época, vinham as tias Alberta e Georgina de França, o tio Joaquim de Braga, e o avô Jorge que, embora separado da avó Júlia, mantinha um contacto regular com o resto da família. Este Natal, como Cláudia participaria na festa, até o tio Miguel, que se esquivava com frequência para que não o vissem emocionado, se comprometera a comparecer: "Só não venho, se morrer!", afirmara ele. A alegria nos olhos de Joana, quando, ao telefone, a mãe lhe prometera que apareceria naquele ano foi de tal modo grande, que Joana, sendo uma rapariga muito calma, saltou para cima da cama e começou aos pulos de alegria. A avó Júlia, perplexa e ainda sem saber de nada, observava a neta aos pulos, interrogando-se sobre o que poderia fazer uma rapariga tão calma como Joana ter uma reação tão espontânea e emotiva. Quando a avó Júlia soube, foi direita ao supermercado do Sr. José Luís comprar os ingredientes para a sua famosa receita de rabanadas que todos adoravam, pensando: "Dose a triplicar, que este ano há festa!". Alegremente, a avó Júlia movia-se pela casa com espontaneidade, colocando um anjinho aqui, outro ali... Os enfeites e as decorações natalícias eram tão alegres, tão coerentes... Toda a casa estava preparada de maneira a combinar com tudo o resto.

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Nessa noite, os convidados iam chegando um por um: primeiro o avô Jorge, cuja pontualidade era a mesma de um relógio, depois as tias Alberta e Georgina, que partilhavam a mesma qualidade, e, por fim, o tio Miguel, que contrastava com o resto da família, porque a sua pontualidade numa escala de um a dez era um três... negativo. Porém, até ao momento, Joana não havia recebido notícias da mãe e esta ainda não tinha chegado à casa da avó Júlia. Joana observa, impotente, o jardim coberto de neve à espera que um carro cinzento já um pouco velho aparecesse por entre o nevoeiro. A certa altura, já perdendo a esperança, Joana pediu um desejo: "Pai Natal, eu sei que ainda não te escrevi a carta, e por isso peço desculpa, mas eis o meu pedido: Este Natal, desejo ter a companhia da minha mãe e, se não for pedir muito, uma caixinha de bombons, mas sem aquele líquido por dentro, por favor." Passados alguns minutos, emerge do nevoeiro o Citroën cinzento que, embora velho e um pouco disfuncional, representava uma felicidade enorme para Joana. A alegria da menina naquele momento era quase palpável. Que bom! A mãe tinha chegado, as rabanadas tinham mesmo acabado de ser feitas e todas as decorações estavam majestosamente colocadas no seu devido lugar - tudo estava perfeito! Durante a noite, pela larga chaminé, o Pai Natal entrou e junto da árvore de Natal deixou uma prenda com um envelope por cima. No dia seguinte, a menina acordou, foi abrir as prendas e reparou num embrulho verde com um laço cor-de-rosa. Mas o que lhe despertou mesmo a atenção foi o envelope, dentro do qual vinha a seguinte mensagem: "Desejo concedido, desfruta bem dele." Ao ler esta mensagem, Joana, sorriu. Sérgio Simpson - 9.º ano

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Um Natal para uns, infelicidade para os outros Honestamente, sempre gostei do Natal. Toda a azáfama nos preparativos que os meus pais fazem, a chegada da minha tia e dos meus primos, todo o serão mágico à espera da meia-noite. Mas isso foi enquanto era criança. Agora, cresci e já estou a ficar uma mulherzinha que deixou de acreditar tanto no Pai Natal. Já tenho onze anos e, sim, ainda adoro a época natalícia, mas sinto que não é a mesma coisa desde que mudei de casa. Chamo-me Leonor e sou uma criança igual às outras. Este ano, deparei com uma situação que me deixou curiosa: da janela da sala de minha casa, observava uma outra família que simplesmente tinha uma árvore de Natal decorada, uma árvore simples e muito modesta. Estavam sentados a ver televisão, como se fosse uma típica noite, sem magia. Questionei-me acerca do porquê de não estarem tão felizes como eu estava, mas logo pensei que algum problema lhes tinha acontecido. Não me importei mais. Olhei disfarçadamente para o lado contrário ao da casa e, aí sim, aí vi algo que me preocupou e que sempre tive pena de observar. No meio daquela neve gélida e branca como uma pomba, encontrei um senhor já de meia-idade, coberto por uma caixa de cartão a chorar. Ainda faltava algum tempo para a ceia, por isso decidi mesmo ir ter com ele. A minha família indignou-se e queria saber o que se passava, mas eu nem respondi e saí de casa a correr. Fui ter com ele, assustada, mas tentando aparentar um ar corajoso, e perguntei-lhe coisas que já sabia. - Olá... o meu nome é Leonor. E o seu? - Oh! Olá, minha querida. Eu sou o Diogo. Que estás aqui a fazer neste dia especial? - Quis saber ele, com uma voz um pouco tremida. - Vi o senhor da minha janela e pareceu-me com um ar triste. Quis saber o que se passava consigo, Diogo. - disse-lhe com um pouco de vergonha. - Acho que nunca ninguém se tinha preocupado comigo assim, desde que vim morar para a rua. Sabes, normalmente, as pessoas vêem-me com um ar de "expulso de casa", ou como se eu não tivesse dinheiro, mas digo-te: nem sempre as pessoas são o que parecem... Tenho uma história triste, mas não,

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não fui expulso de casa. Fui, isso sim, expulso da minha alma feliz e divertida. Tinha uma família fantástica - dois filhos bem-criados e muito bonitos - e tinha o meu bem mais precioso: a minha linda mulher, uma excelente pessoa que eu amava mais do que a qualquer outra no mundo. Era um homem com um emprego muito bem sucedido fá tinha um importante cargo numa empresa muito famosa. Era feliz, até um certo dia - a sua expressão facial depressa mudou, e o tom de voz de Diogo começou a sucumbir. - Mas, então, o que se passou, senhor Diogo? - perguntei. - Bom, a vida pregou-me uma partida e a minha família teve um acidente de carro, quando chegava a casa de uma viagem. Tiveram morte imediata. A partir daí, entreguei-me ao jogo, tornei-me viciado e perdi o meu dinheiro todo. Foi por isso que fiquei sem nada, as dívidas apareceram e fui obrigado a vender a minha casa. - Oiça, eu e a minha família vamos agora fazer a ceia de Natal e tenho a certeza de que eles não se vão importar se tivermos mais um convidado! ofereci-lhe eu. A sua cara depressa começou a brilhar, vi nos seus olhos uma alegria enorme por voltar a celebrar o Natal. O seu corpo rapidamente se levantou e vi nele um grande sorriso. Diogo pegou-me ao colo e levou-me para casa. Os meus pais estranharam a sua presença, mas logo o aceitaram. Os meus primos irradiaram alegria quando viram mais uma pessoa à mesa e encheram-no de perguntas. Quando demos pelas horas, pouco faltava para a meia-noite. Nessa altura, aquela excelente pessoa veio ter comigo e disse: - Menina, acho que está na hora de me ir embora. Agradeço-lhe por tudo! - Não vá embora, fique connosco! Eu até lhe ofereço algum dos meus presentes! - implorei-lhe. - Não me leve a mal, Leonor. Para mim, o Natal não são presentes, mas sim a família reunida e a alegria. Neste momento, eu não tenho nem a minha linda família comigo, nem alegria suficiente para viver uma época destas... explicou-me o homem.

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- Se o senhor sente isso, então eu respeito e por isso acompanho-o à porta. Se precisar de alguma coisa, já sabe onde moro e não hesite vir aqui! disse-lhe, tristemente. - Eu sei que sim, querida. E muito obrigado, mesmo! Ele saiu. Vi-o caminhar sulcando a neve e desaparecendo por entre as árvores. Deu-me vontade de ir ter com ele, mas tinha de esquecer este assunto. Corri para junto da minha família e dei-lhes um enorme abraço. À meia-noite, abrimos os presentes e, mais tarde, fomos dormir. No dia seguinte, 25 de dezembro, acordei e vi o meu pai à porta com um jornal na mão. - Leonor, acho que tens de ver isto. - disse ele com um ar preocupado. Quando li aquela notícia, quase desmaiei. Pensei que o mundo ia simplesmente cair. As lágrimas caíam-me pelos olhos, enquanto lia o que estava no jornal. A fotografia de Diogo estava impressa numa página, com um texto feito por ele: "Natal para mim, é estar com a família, cheio de alegria, e nos últimos anos não foi o que tive. Entreguei-me a um dos piores vícios e perdi tudo o que estava em jogo. Chegou a altura de ir ter com aqueles que me amam e ser feliz novamente, num lugar a que chamam céu." Chorei, e não soube o que havia de fazer. Será que vale a pena continuar a dar tanto valor aos meus presentes? Não será melhor começar a prezar o que realmente me faz feliz, que é ter alguém comigo que me ame realmente? "Mia Rodrigues" – 9.º Ano

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Como todos os anos, na véspera de Natal, a Mariana tinha de arrumar o quarto e separar as suas belas roupas para essa noite. Mariana era uma menina bastante vaidosa, gostava de vestir a sua melhor roupa e arranjar o cabelo com uns belos totós para essa importante noite, que só se realizava uma vez por ano e era uma dos únicos dias em que a família se encontrava reunida. Eram sete da noite e Mariana desceu as escadas para ajudar a sua mãe a preparar o jantar, que toda a família iria comer nessa noite. Depois de se ter dirigido à cozinha, foi para a sala, sentou-se à janela e observou a rua, que costumava

ser

movimentada

pelos

seus

vizinhos

e

agora

estava

completamente deserta. Ao fundo podiam ver-se as luzes da igreja, onde mais tarde se riria realizar a Missa do Galo que Mariana sempre tivera curiosidade em participar. Encontrava-se sentada à janela, viu passar um pobre velhote sozinho numa noite de Natal. Ela nunca tinha passado a noite de Natal sozinha e sentiu bastante pena daquele homem, que, pelo que ela podia entender, se dirigia para a igreja, provavelmente para passar essa noite a rezar. Sem pensar duas vezes, o seu instinto disse-lhe para acompanhar aquele pobre velho. Então, subiu as escadas, pegou no casaco, voltou a descer e, sem dizer nada a ninguém, saiu de casa. A rua encontrava-se deserta e gelada. Apenas os postes de eletricidade a iluminavam, bem como as luzes que surgiam de dentro das casas e as que eram provenientes dos enfeites das árvores. Sozinha e com medo, correu a passos largos até chegar ao largo da igreja, onde apenas se avistava uma única bicicleta que pertencia ao Padre Inácio. Entrou na igreja e lá se encontrava o velhote, no primeiro banco, de cabeça baixa e, aparentemente, a tremer de frio. Ela aproximou-se e sentou-se ao seu lado. Cumprimentou-o com um "Feliz Natal!". O homem olhou para ela com um olhar doce, mas triste. Então, Mariana aproximou-se e perguntou: - Por que é que está aqui numa noite de Natal e, ainda por cima, sozinho? Isso deveria perguntar eu, minha pequena. Tu tens família, uma casa quente e comida na mesa. Eu bem te vi à janela. Mas eu não tenho nada disso... Mariana era demasiado nova para entender o que se passava com o homem e disse-lhe:

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- Espere aqui! Eu volto já! Dirigiu-se para casa, abriu a porta e pegou em todos os chocolates que se encontravam em cima da mesa. Voltou para a igreja, mas quando lá chegou o homem já não estava lá, apenas o Padre Inácio, que a levou de volta para casa. No dia seguinte, levantou-se e desceu para abrir os presentes. Os seus pais encontravam-se no fundo das escadas, como todos os anos, para lhe desejaram "Feliz Natal". Mas nesse dia foi diferente. As suas caras estavam tristes e apenas disseram: - Filhota, o sem abrigo com quem estiveste ontem à noite não voltará a estar contigo. Foi encontrado morto a uns quilómetros daqui. Lamentamos. Mariana pensou em tudo o que poderia ter feito para salvar aquele homem. Se ele não tivesse ido embora, se ela tivesse sido mais rápida, ele estaria vivo. Foi um Natal triste para Mariana. Mas, a partir daí, começou a ajudar quem mais necessitava. E não só no Natal, mas ao longo de todo o ano. Marta Pipas - 9.° Ano

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Dar é também receber Numa casa muito pequenina, entre a praia e a serra, habitava a pequena Maria. Ela morava com os seus pais, os dois irmãos e a sua pobre avó, que era tão doente que já quase não andava, pois tinha medo de cair. O pai era pastor e a mãe trabalhava a terra de onde recolhia os alimentos para toda a família. Maria permanecia longas horas à janela, ficava a pensar como seria triste querer andar e não poder! Todos os dias, corria para a escola, ia feliz, pois queria estudar muito, para um dia ser médica e, assim, ajudar as pessoas velhinhas como a sua avó. De vez em quando, Maria ia até ao parque, sentava-se na relva e, sempre que as pessoas passavam, estendia a mão: - Uma moedinha para o pão... - dizia, com uma voz muito fraca. Todas as pessoas lhe atiravam uma moeda. Ao final da tarde, regressava a casa, corria para o seu quarto e guardava as moedas num saco que avó tinha feito para ela. Chegou a época do Natal, Maria ouvia os seus colegas a gabar-se das prendas que iriam receber e a Maria só dizia que iria ter uma prenda especial. Na ceia de Natal, a mãe de Maria disse aos seus filhos que não havia dinheiro para prendas, mas que o Natal não era só receber prendas, era a comemoração do nascimento do menino Jesus que, também, tinha uma família pobre, mas que ficara conhecido pela sua bondade e pelo amor que dava aos outros. No fim de ouvir o que a mãe dizia, a Maria perguntou se poderia ir ao quarto buscar uma coisa. A mãe deu-lhe permissão e ela foi a correr. Quando voltou, trazia um presente. Entregou-o à avó que, mal o abriu, começou a chorar e, de seguida, beijou a sua neta. Todos estavam ansiosos por saber o que era o tal presente! Quando a avó retirou o papel, apareceu uma bengala e toda a gente ficou muito alegre, pois a avó já poderia andar! Terminadas as férias, quando a Maria foi para as aulas, todos se gabavam das suas prendas e a professora perguntou-lhe o que é que a Maria tinha recebido e ela respondeu-lhe que tinha dado uma bengala à avó. O espanto foi tal, que Maria teve de explicar que dar é também receber.

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E como ela deu uma bengala a sua avó, recebeu muito amor e carinho, sempre que via a sua avó a andar. Barbalho, 9.°ano

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Já chegara o dia vinte e quatro. Estava ansiosa que chegasse este dia. A tia Helena chega sempre no princípio da tarde para ajudar a mãe e a Carlota a fazer os doces para a ceia. Já a tia Madalena chega mesmo antes da hora do jantar. Ela diz que não tem muito jeito para a culinária, mas todos sabemos que ela não tem jeito é para trabalhar. Tocou a campainha. - Onde está a minha Anita? - perguntou uma voz que me era familiar. Corri rapidamente para a porta. Era a tia Helena que tinha chegado. - Tia! - gritei eu, feliz por a ver e pelos sacos de presentes que carregava na mão, embora a maioria fosse para o meu irmão mais novo, o Nico, de dez meses de idade. Os presentes foram logo para o pinheiro de Natal, que ficou ainda mais bonito. Estava cheio de luzes, bolas, estrelas e anjos, como um verdadeiro pinheiro de Natal deve estar. Ah! E, claro, os presentes, que eram cada vez mais. Como era de esperar, a tia Madalena chegou exatamente às vinte e uma horas. - Anita! Estás tão crescida! - disse ela, dando-me um beijo na testa, daqueles que me obriga a passar a mão logo de seguida. Bom, chegada a tia Madalena e colocado o peru na mesa, todos nos dirigimos para a enorme mesa da sala de jantar que só fica completamente cheia neste dia. - Bom, a conversa está a ficar muito boa, mas está a fazer-se tarde e o Lucas tem de dormir.- disse a tia Madalena, passando a mão pela barriga. Amanhã também é dia! - deu uma gargalhada. Já estava a pensar no almoço do dia seguinte. Com isto, já também a tia Helena e, de seguida, todos nós fomos dormir. Ao passar pelo corredor, reparei que a luz da cozinha estava acesa. Era a Carlota que lavava a loiça suja e preparava a4roupa velhaxpara o dia seguinte. Eu fui ter com ela e, com a ajuda de um banco, dei-lhe um beijo na cara. - Feliz Natal, Carlota! - Feliz Natal também para si, menina. - disse ela, retribuindo-me o beijo.

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De seguida, fui para o quarto e deitei-me. Tinha sido um longo dia. O relógio marcava já meia - noite e eu nâo conseguia adormecer. Senti vontade de ir para a sala. Calcei as pantufas e lá fui eu. Após chegar junto ao pinheiro, reparei que o presente da tia Helena tinha exatamente a forma do urso Teddy, o presente que há tanto esperava. Deu-me uma grande vontade de abri-lo, mas depressa me lembrei que a mãe ficaria aborrecida (os presentes só se abrem após o almoço do dia vinte e cinco). Com o presente na mão, aproximei-me da janela. Passou uma estrela cadente. Pedi com muita força e com os olhos fechados que este fosse um presente mágico. Mas logo os abri, pois lá fora ouvi um arbusto a mexer. Olhei e vi alguém pequeno. "Será uma criança? Quem andará lá fora na noite de Natal?", pensei eu. De repente, senti um enorme formigueiro na barriga. Queria saber quem era e perguntar por que motivo estava ali, àquela hora. Fui buscar as chaves para abrir a porta, não ia demorar muito. Comecei a correr. Os pés enterravam-se na neve gelada que, naquela noite, parecia estar ainda mais bonita. O bosque era grande, tinha medo de me perder. Por isso, decidi parar. Olhei em meu redor. Só via enormes pinheiros e grandes arbustos e, ao fundo, bem lá ao fundo, vi uma luz quente e forte. Aproximei-me, apertando o presente com muita força. Estava com receio do que poderia encontrar. A minha pele gelada pela brisa ia aquecendo. Os tons de vermelho e laranja faziam-se ver nitidamente agora e depressa avistei um vulto. Do outro lado da fogueira que pintava de vermelho os pinheiros à minha volta encontrava-se sentado um rapaz, mais ou menos da minha idade. - Olá! - disse eu. Os olhos dele dirigiram-se a mim, os olhos mais lindos que eu já vi em toda a minha vida. E depressa um milhão de borboletas invadiu o meu estômago. O bater das suas asas provocaram um calor intenso que fez as minhas bochechas corar. Ele ficou quieto e calado. Reparei que estava com medo, por isso aproximei-me e ofereci-lhe o presente que trazia na mão. - Pega! É para ti! - Para mim? - perguntou ele com uma voz trémula. - Toda a gente deve ter um presente na Natal.

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- Olá! Chamo-me João. - disse ele, sorrindo. Eu retribuí o sorriso e sentei-me ao seu lado. Foi o início de uma longa conversa e de uma forte amizade, Foi o melhor presente de sempre. Flor de Lis - 9.° Ano

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Que o espírito do Natal esteja presente em todos os dias do novo ano.

Boas Festas a todos os nossos leitores!

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