Issuu on Google+

PU

ALGÉS ANÁLISE

Plano de urbanização da Costa do Sol | Análise Projecto urbano II | Professora teresa Marat- Mendes Mestrado Integrado em Arquitectura | ISCTE-IUL


Projecto Urbano II

ISCTE-IUL

Plano de Urbanização da Costa do Sol Algés- Análise Docente Teresa Marat-Mendes Afonso Patinhas Aldo Diaz Francisco Alves Marina Broder Vasco Reis


Indíce Plano de Urbanismo da Costa do Sol Plano de Urbanismo da Costa do Sol e Cidade Jardim de Ebenezer Howard Algés antes do PUCS Plano de Urbanização da Costa do Sol Algés - Cartase Análise Tipologias Algés com o PUCS Esfecificações dos Lotes em Algés e Áreas previstas no PUCS SWOT Proposta


Plano de Urbanização da Costa do Sol Algés- Análise


Plano de Urbanismo da Costa do Sol No início da década de 30 era notória a inexistência de planos regionais de urbanismo para o território português. A lacuna veio a ser colmatada no final da mesma década com um plano que veio a ser denominado como “da costa do sol”. O plano trabalha apenas uma das regiões envolventes à capital, cuja escolha ganha relevância no relatório apresentado pelo gabinete destacado para o mesmo. É ainda definido como importante a futura existência de um plano para o território metropolitano de Lisboa, no qual o anteriormente referido se venha a integrar adequadamente. No documento que o gabinete elabora a região de Lisboa é apresentada como o conjunto do seu território metropolitano, o núcleo, e um conjunto de povoações que se estendem de forma tentacular ao longo de determinadas vias de comunicação. Estas zonas são definidas no plano como extensões, sendo a mais proeminente das mesmas a Costa do Sol. Entre extensões classificas como industriais e residências ou turísticas, as seguintes são apresentadas Residenciais Costa do Sol Sintra, etc. Loures, Mafra, Ericeira Almada, Caparica

57.690 (5.95%) 4 0.193 (4.14%) 42.017 (4,32%) 29. 546 (3,05%)

Industriais Barreiro, etc. Montijo, etc. Vila Franca, etc.

51.420 (5.3%) 24.346 (5.51%) 22.322 (2.3%)


Observando os valores em cima representados para o número total de habitantes e a percentagem de crescimento nas respectivas zonas, entre 1900 e 1940, percebemos a pertinência de um plano regional de urbanismo para a Costa do Sol. No documento que o gabinete destacado para o assunto lança como análise a estas questões, e em relação à Costa do Sol mais especificamente, é referido que numa estimativa por cima, seria expectável a duplicação da população nos futuros 40 anos, como havia acontecido nos anteriores. Sobre quem frequenta e habita a Costa do Sol o documento refere ainda: A – A Costa do Sol é principalmente uma extensão residencial, habitada sobretudo pela classe média e abastada cuja actividade está, na maior parte dos casos, ligada a Lisboa. B – Uma segunda categoria de habitantes é representada pela população flutuante; a que vai durante a estação balnear para esta região e pelos turistas estrangeiros C – Em terceiro lugar, dada a sua proximidade Capital, a costa do sol é frequentada aos domingos e feriados por grandes massas de pessoas. Esta população excursionista tem necessidades de uma série de estabelecimentos de natureza diversa, cujo número ultrapassa consideravelmente as necessidades dos habitantes locais propriamente ditos. Estes são estabelecimentos de banhos, restaurantes de diversas categorias, e campos de jogos. Necessário se torna estabelecer zonas para acampamentos. A deslocação de toda esta massa de gente faz-se pelo caminho de Ferro do Estoril e algumas carreiras

de camionagem. D – Finalmente, existe em numerosos pontos da Costa do Sol uma população operária ligada a certos números de actividades industriais.


A indústria é ainda referida como um mal para a Costa do Sol, uma vez que o vento norte ali bastante presente tornaria a presença da mesma um factor incómodo às populações que ali se fixam e se deslocam. As zonas rurais assumem no documento redigido pelo gabinete um importante papel. São estas que fazem a separação das diferentes zonas de extensão de Lisboa. Para a preservação desta separação será necessário limitar a extensão do conjunto de aglomerados do litoral da zona rural, devendo a mesma separar ainda os diversos aglomerados. A zona rural é ainda considerada como turística, devido à beleza natural da paisagem circundante, entrando aqui a antes referida necessidade de parques de campismo estratégica e cuidadamente colocados. A separação dos diferentes aglomerados populacionais por faixas verdes, e a utilização das mesmas como elemento de separação entre zonas de extensão faz uma ligação directa com os princípios da cidade jardim, anteriormente definidos por Ebenezer Howard.

Plano de Urbanismo da Costa do Sol e Cidade Jardim de Ebenezer Howard Ebenezer Howard foi um empregado de escritório e estenógrafo londrino que ficou impressionado, aquando de uma visita aos Estados Unidos, com a quantidade de comunidades recentemente criadas, tendo ao mesmo tempo consciência dos perigos que dali poderiam surgir. Deixou para a posterioridade um pequeno livro com um modelo de cidade ideal idealizado por si. Numa área que

não ultrapassa os 24 000 hectares, e com uma população que não transcende os 32 000 habitantes, Howard prevê uma cidade organizada concentricamente ondes as diferentes funções são rigorosamente organizadas e dissociadas. A cidade aqui descrita deve fazer parte de um conjunto maior de outros elementos do mesmo tipo, organizados como satélites em redor de um centro, sendo sempre separadas por uma faixa verde. As semelhanças e inspiração do plano regional de urbanismo estabelecido para a Costa do Sol com os princípios descritos para a cidade jardim são fortemente visíveis. O limite da população; o limite da área total; a divisão dos aglomerados populacionais de forma organizada, permitindo uma implantação estudada do sector industrial ou do habitacional, por exemplo; ou a separação destes mesmos aglomerados entre si e entre extensões por zonas rurais; são características directa e semelhantemente extrapoláveis aos dois exemplos apresentados.


Algés antes do PUCS Algés, pela sua localização, às portas de Lisboa, aparecia em 1940 como uma das principais extensões deste território. Classificava-se assim como um dos principais destinos, falando da Costa do Sol como ponto turístico ou propício a passeios de fim-de-semana para o lisboeta da década de 40. Era na sua génese constituída por uma povoação de belas propriedades urbanas e suburbanas, com bonitos jardins sobre o Tejo, um pouco a norte da linha que define a marginal. No foco do seu desenvolvimento esteve um elemento tão importante como a linha férrea, que proporcionando comodidade veio oferecer uma alternativa barata (em relação às rendas praticadas na grande Lisboa) e prática de habitação. Este aumento sentido de população na zona de Algés veio trazer, paralelamente às vantagens, um conjunto de situações de risco. Praticamente todo o território entre a zona norte e o Tejo foi ocupado por construções de deficiente planeamento urbano ou construtivo, já que as leis em vigor se manifestavam pouco zelosas, relativamente às da capital. De entre os principais problemas manifestava-se por exemplo a inclinação excessiva de algumas ruas (17%), impossíveis à circulação, ou a forma incaracterística como se edificaram as construções, desrespeitando regras básicas de salubridade. Em certos casos, a solução mais viável economicamente seria mesmo a demolição de alguns conjuntos. Um plano regional de urbanismo e um regulamento mais rígido sobre a construção aparece assim como extremamente necessário em Al

gés. É advertindo que na situação da altura, com a especulação imobiliária sobre a construção desenfreada, Algés perderia a única vantagem com que ainda se apresentava sobre Lisboa: as baixas rendas de habitação. A marginal é apresentada como o principal base do que seria o plano, identificando-se nesta alguns conjuntos de habitações a preservar, ou pela sua arquitetura ou paisagem verde.


100m

200m

300m

01_ Carta Original do Plano


100m

200m

300m

02_ Linhas de Ă gua | Hipsometria


100m

200m

300m

03_ Mapa de Cheios e Vazios


100m

200m

300m

04_ Zonamento de tipologias previsto no planorano

HZ HD HC HE HSR ET EP C HZ1 E

A


100m

200m

300m

05_ Mapa de fluxos


100m

200m

300m

06_ Mapa de Zonas Verdes


100m

200m

300m

07_ Proposta de urbanização segundo as normas descritas no Plano de Urbanização da Costa do Sol para as diversas tipologias.


Zona Urbana 1400m2 HSR

Zona Urbana 1000 a 1400m2 HC

Zona Urbana 600 a 1400m2 HD

Moradia Isolada

Moradia Isolada Mradia Germinada

Moradia Isolada Mradia Germinada

1000 m2 1400 m2

600 m2 800 m2 1000 m2 1400 m2

180 m2 252 m2

108 m2 144 m2 180 m2 252 m2

3500 m2

280 m2

08_ Plantas e Alรงados previstos


Algés com o Plano de Urbanismo para a Costa do Sol O plano de urbanização para a costa do sol previa uma alteração muito ponderada sobre a zona de Algés, Dafundo e Cruz-Quebrada. O estudo em questão concluiu que nesta área de 99,8 hectares, existiam 110 habitante por hectare. Este valor elevado levou a uma expansão muito grande da área de Algés, Dafundo e Cruz-Quebrada para 272 hectares, esta alteração tão profunda consequencialmente levou a uma diminuição do número de habitantes por hectare para 62,4, e a multiplicação do número de habitantes para 17000. Esta decisão baseou-se na excepcional condição desta área, ser quase como que um satélite de Lisboa, devido à sua proximidade com a qual. O plano tinha como objectivo desenvolver o comércio da zona, naturalmente já existiam zonas comerciais em Algés, mas com o aumento da população prevista no plano, estas valências existentes tornar-se-iam ligeiramente insuficientes. Como colmatação disto o plano propõe a criação de um mercado local na zona oeste de Dafundo, este servindo tanto a sua zona de integração bem como a Cruz-Quebrada. Na zona alta de Algés a conservação das lojas da Rua da República bem como as que se encontram na aldeia de Algés de Cima, calculou-se ser suficiente para servir a sua população planeada de 17000 habitantes. Nesta zona existia uma industria de artífices e o PUCS resolvia manter esse pequenos focos industriais, pois estes não são prejudiciais

ao Estádio Nacional e ao seu parque envolvente. Na opinião do autor existem muitos espaços circundantes a Lisboa que teriam grandes possibilidades de se tornarem zonas industriais, logo não seria necessário desenvolve-las na costa do sol. A solução apresentada era a de construir pequenas oficinas, lojas e armazéns para artífices entre a Estrada de Circunvalação e a Praça de Touros. No que diz respeito à habitação, planeou-se a construção de um elevado número de prédios de rendimento no novo bairro à entrada de Lisboa. Este tipo de construção focalizar-se-ia nesta zona pois nem os arruamentos existentes nem o tamanho dos lotes nas restantes zonas de Algés comportariam uma elevada densidade populacional. Na zona de Dafundo, devido a demolição de alguns grandes armazéns, iriam-se criar alguns lotes livres (inexistentes até então), estes deveriam ser ocupados com casas cujo desenho deveria adaptar-se ao já existente, moradias e pequenos prédios (até 3 andares) com jardins. As vias públicas de Algés, no novo bairro à entrada de Lisboa seriam obrigadas a cobrir parte da ribeira lá existente. A calçada de Maruja seria alargada 14 metros na zona construída e 16 metros na parte livre, isto deve-se a ser uma zona de passagem de camionetas para Carnaxide, esta rua seria a principal ligação entra a parte alta e baixo do aglomerado. Em Dafundo a rua cenral necessita de uma entrada e uma


a rua central necessita da criação de uma entrada e uma saída, e de a alagar 16 metros, para que esta possa servir de ligação ao Estádio Nacional. A rede de escolas primárias de Algés apresenta imensas lacunas, sendo necessário projectar uma completamente nova. Dentro da futura população de 17000 habitantes, 2000 crianças frequentariam escolas oficiais. Para estas crianças seriam criadas 13 escolas primárias, cada uma com 4 salas. Estas escolas seriam situadas nos seguintes locais:

servir uma instituição pública, bem como servir de elo da cadeia de espaços livres que limitam a norte o plano. Também se propunha a construção de um hospital que servisse todo o aglomerado. Devido a uma enorme falta de espaços livres no aglomerado, o PUCS tinha como objectivo impulsionar esta valência. A norte de Algés existiria uma cadeia de espaços público livres, começando pela Quinta do Teixeira. A este instalar-se-ia um campo de futebol. No limite da Estrada de Circunvalação prevê-se outro parque, que envolveria uma das novas escolas. A aldeia • Nordeste de Algés, no local do Colégio D. de Algés de cima seria separada por uma faixa Teresa Afonso (8 salas); verde. Uma arte da margem este da Ribeira de • Extensão Nordeste de Algés (8 salas); Algés seria arborizada. A Quinta de S. Mateus • Parte Alta de Algés, a norte da estrada de deveria ser conservada como reservatório de ar. Carnaxide, destinada a alunos de um sexo (4 salas); Estas zonas iriam aumentar em 26348 hectares a • Terreno de Assistência aos Pobres, destinada a alunos do sexo oposto à escola anterior (4 área de espaços verdes públicos. salas); • A norte da Quinta de S. Mateus (4 salas); • Duas grandes escolas (8 salas cada) situadas nos bairros altos; • No Dafundo, zona oeste, servindo também a Cruz-Quebrada (4 salas); • No Dafundo, zona este servindo também a Cruz-Quebrada (4 salas).

No que diz respeito ao tratamento dos espaços públicos, o Parque Anjos, já existente, seria transformado num jardim público e a construção anexa substituída, por razões estéticas. Além deste parque seriam construídas três igrejas, duas em Algés e uma no Dafundo. No limite norte do plano encontra-se a Quinta da Teixeira com 5,7 hectares, esta seria conservada para


100m

200m

300m

09_ Carta Parcelas de terreno numerados


Esfecificações dos Lotes em Algés e Áreas previstas no PUCS. Lote

A (m2)

P (m) Tipologias

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33

5850 402 9006 390 13806 581 6645 337 4490 288 4315 253 1535 172 1871 174 5263 295 3295 234 1384 151 5883 314 4553 290 4141 367 3634 341 13197 525 5245 293 3788 257 2630 240 3800 275 2858 217 1833 173 4742 335 1341 145 6916 360 1591 205 2253 257 2573 239 24084 1265 12741 762 13280 545 9917 433 10725 483

C C C C C C C C HZ HZ HE HZ HZ HZ HE I HZ HZ HZ HE HZ HZ HZ HE HZ HZ HE HE HE HE HE HE HE

Lote

A (m2)

P (m)

Tipologias Ocupação Area de (m2) Lote (m2)

34 35 7724 354 EP 36 8365 430 HE 37 6850 506 HE 38 99587 1671 I 39 8336 403 HD 180 1000 40 1656 192 HZ 41 2013 214 HZ 42 4236 265 HZ 43 5902 318 HZ 44 5838 342 HD 180 1000 45 5015 305 HZ 46 4876 312 HZ 47 15346 687 HZ 48 21605 820 HZ 49 3257 231 HZ 50 4925 297 HD 180 1000 51 3297 240 HD 180 1000 52 17373 931 HD 180 1000 53 5366 473 HD 180 1000 54 5840 512 HZ 55 4387 314 HZ 56 4491 331 HD 180 1000 57 4320 289 EP 58 14852 780 HD 180 1000 59 6870 352 EP 60 1853 174 HD 180 1000 61 1907 175 HZ

61 62 63 64

1907 175 3832 353 57146 1354 45133 1008

HZ HZ HC 252 1400 A


Esfecificações dos Lotes em Algés e Áreas previstas no PUCS. Lote

A (m2)

P (m)

Tipologias Ocupação Area de (m2) Lote (m2)

65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96

21165 638 HD 180 1000 85015 1189 EP 3970 330 HZ1 6309 440 HZ 865 120 HZ1 757 113 HZ1 9157 608 HD 180 1000 2306 181 E 1501 158 HZ 1709 180 EP 2267 235 HZ 7415 346 HD 180 1000 1723 184 HZ 13269 642 HD 180 1000 11678 474 HD 180 1000 6035 362 HD 180 1000 4680 415 HZ 2477 216 HZ 4420 298 HZ 24478 1010 HD 180 1000 6325 485 HZ 50697 1483 HSR 280 3500 32145 736 HE 962 133 HZ 3624 251 HD 180 1000 3927 265 HZ 6367 426 HZ 1584 199 C 3520 266 HZ 1595 182 HD 180 1000 8527 411 HC 252 1400 4100 300 C

Lote

A (m2)

P (m)

Tipologias Ocupação Area de (m2) Lote (m2)

97 5698 401 HD 180 1000 98 5049 312 HZ 99 3380 258 HZ 100 1317 148 HZ 101 6616 364 HD 180 1000 102 2419 220 HZ 103 1050 130 HZ 104 7788 519 HZ 105 7677 351 HD 180 1000 106 6099 352 HZ 107 4472 252 EP 108 15125 651 HC 252 1400 109 EP 110 13214 478 HD 180 1000 111 65518 1960 HSR 280 3500 112 18019 708 HD 180 1000 113 4649 290 HD 180 1000 114 24982 843 HC 252 1400 115 5250 392 HE 116 5009 337 HE 117 8452 611 HZ 118 7007 439 HZ 119 2946 227 HZ 120 4915 346 HZ 121 4644 304 EP 122 6818 508 C 123 1952 201 HZ 124 2711 267 HZ 125 5193 339 HZ 126 1844 172 EP 127 4482 285 HZ 128 5552 325 HD 180 1000


Esfecificações dos Lotes em Algés e Áreas previstas no PUCS. Lote

A (m2)

P (m)

Tipologias Ocupação Area de (m2) Lote (m2)

129 48525 1237 HC 252 1400 130 12878 432 HC 252 1400 131 4290 339 HC 252 1400 132 5015 282 EP 133 4468 302 HD 180 1000 134 7152 363 HD 180 1000 135 6819 363 HD 180 1000 136 24895 1090 HC 252 1400 137 44784 1317 HSR 138 6363 395 HE 139 14335 544 HE 140 3843 300 HD 180 1000


09 Carta Temรกtica: Teste do Copo de รgua


Forças

Oportunidades

Ameaças

A parte de Algés traçada segundo o plano de Ettiene Groer tem um traçado de ruas sobretudo paralelas às linhas de água da bacia de Algés, situação que se verifica desde o início da mesma. Este desenho urbano permite o fácil escoamento de águas pluviais.

Os terrenos baldios que ainda existem no território de Algés aparecem como uma possibilidade a explorar. São zonas no percurso das águas pluviais com uma grande permeabilidade, comparativamente ao restante território mais denso e urbano.

O traçados de estradas mais recentes que interseccionam a bacia de Algés, perpendiculares às linhas de água, torna as mesmas numa barreira física ao percurso da água. Esta situação gera a absorção e estagnação da mesma numa zona inadequada, levando mais cedo do que expectável à manutenção necessária daquela estrada.

A avenida marginal é, do plano de Groer, a única rua de traçado perpendicular às linhas de água. Esta situação não se manifesta no entanto como um problema já que todas as ruas com que com que a mesma se intersecta aparecem como seus afluentes, paralelas às linhas de água e permitindo o escoamento desta para o ponto mais baixo do território.

As diversas ruas do plano original de Groer surgem com um desenho urbano adequado, permitindo um correcto escoamento de águas pluviais. No entanto, adoptando as mesmas a soluções contemporâneas podemos torna-las cada vez mais sustentáveis. A recolha e o armazenamento dá água para que estes percursos se manifestam como A marginal de Algés, pela divisão que faz entre condutores é uma delas. a malha urbana e a paisagem natural do rio Tejo, de beleza considerável. A forte relação do território de algés com Os edifícios do plano original aparecem como adequados, não impossibilitando a outros (pelo número de andares cuidado) questões básicas de salubridade, ventilação ou iluminação. Sente-se assim o planeamento e código de construção mais rígido proposto e mencionado pelo gabinete para o plano regional de urbanismo para a costa do sol.

Fraquezas Alguns edifícios mais recentes tentam vencer a toponímia marcante das zonas mais afastadas do rio, mas descuram de forma grave o que será o natural percurso das águas pluviais.

Monsanto manifesta-se também como uma oportunidade a explorar. Esta zona, que foi considerada como cintura verde e elemento de separação entre extensões de Lisboa aquando do desevolvimento do plano, agora apresenta-se como uma força a requalificar. Monsanto. As suas zonas mais baixas, e as propriedades de transição (de território urbano para não urbano) que aparecem com o caractér de semi rural, apresentam-se como um possível local de destino para o aproveitamento de águas pluviais.

10_ Carta Temática: SWOT


Proposta | Rua Victor Duarte Pedroso SWOT_ Os terrenos baldios que ainda existem no território de Algés aparecem como uma possibilidade a explorar. São zonas no percurso das águas pluviais com uma grande permeabilidade, comparativamente ao restante território mais denso e urbano.

ais e sua recolha, pela cota mais baixa que a rua, e um favorecido desenho urbano antecedente. As hortas estão distribuídas numa malha de 8x10 identificando-se por linhas e colunas, fomentando o uso comunitário das mesmas. Criámos também um espaço de apoio com diversos compartimenNum dos diversos terrenos livres de Algés desen- to de arrumos de utensílios para a prática da aghámos um conjunto de hortas e de espaços iner- ricultura. entes às mesmas. Este conjunto de 80 espaços A água chega até ao terreno por baixo dedicados à agricultura será uma mais valia à do solo, através de canalizações ligadas às calpopulação, fortalecendo o espírito de comuni- has das ruas, deslocando-se nesta parte apenas dade e de partilha da população. É junto à rua por acção da gravidade. Seria armazenada num Victor Duarte Pedroso que encontramos uma situ- tanque subterrâneo e depois bombeada e disação propícia ao aproveitamento de águas pluvi tribuída por mangueiras de rega para as hortas.


Proposta | Avenida das Descobertas SWOT_ As diversas ruas do plano original de Groer surgem com um desenho urbano adequado, permitindo o correcto escoamento das águas pluviais. No entanto, adoptando as mesmas a soluções contemporâneas podemos torna-las cada vez mais sustentáveis.

Como parte da proposta de desenho urbano que apresentamos pensámos em incidir sobre a estrutura e materialidade de uma via, acção possível de replicar por outras de igual carácter. É junto a um braço de Monsanto ainda existente em Algés que se situa a Avenida das Descobertas. Para esta via, parte da bacia de Algés, mas não do plano de Groer – apesar de se reger por princípios semelhantes, como estar desenhada paralelamente às linhas de água -, desenhámos uma estrutura de betão, vazada, sobre a qual assentam as camadas que por norma constituem a estrutura de uma estrada em Portugal. Através de um conjunto de ligeiros desníveis na via, a água que ali se deposita é ora acumulada num conjunto de reservatórios, ora conduzida para Monsanto, que faz fronteira com a avenida. Esta situação não será útil só por si, mas sim quando parte de um sistema de abastecimento de água para agricultura, ou de depósito de reserva para os bombeiros, por exemplo.


Análise | Projecto de Urbanização da Costa do Sol - Algés