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É hoje. Hoje é o dia. É hoje que me sinto inspirada o suficiente e com vontade de escrever sobre aquela que foi, agora posso dizer com certezas, a maior experiência da minha vida até hoje. Como foi uma fase muito importante e intensa, tive que esperar este tempo todo até escrevêla… metia-me impressão não conseguir expressar por palavras, nem bem nem mal, o que senti e passei em Erasmus. A verdade é que pouco falei deste que voltei. Há dois anos, em Novembro de 2011, estava eu no meu terceiro mês de Erasmus em Madrid. Estava mesmo a meio do caminho, afugada em Erasmus, a viver Erasmus. Ainda que a minha experiência tenha sido um pouco diferente da maioria dos meus colegas. A grande maioria dos meus amigos e colegas vão de Erasmus para viver como se não houvesse amanhã. Eu também fui… mas não a 100 %. Nunca tinha vivido fora do Porto e da casa dos meus pais. Tinha 20 anos, acho normal que não me tenha adaptado logo. Compreendo-me. As saudades foram muitas, difíceis de gerir e a falta do meu auto-conhecimento e segurança não me permitiu aproveitar o Erasmus como o devia, sobretudo na primeira metada, porque nos últimos três meses já adorava lá estar, em Madrid (saudades desta cidade). Tudo começou num quarto num hostel em Madrid, mesmo, mesmo, pertinho das Puertas del Sol, com a minha amiga Joana Borges e o meu amigo Henrique Figueiredo, ambos meus colegas de licenciatura, e namorados. Os três embarcamos no aeroporto Francisco Sá Carneiro no dia 31 de Agosto, disso lembro-me. Mas já não me consigo lembrar do nome do hostel nem da rua sequer. Esta memória já não é mesmo o que era… Embora para datas, ainda seja muito boa  (sempre fui assim). Primeira noite, segunda noite, terceira noite em Madrid, depois de chegarmos ao aeroporto gigante, comparado com o do Porto e termos andado já imenso de metro e termos saído nas Puertas del Sol (não me lembro desse momento). Lembro-me de andarmos com as malas (sim, eram mais do que uma que cada um carregava) à procura do hostel, e não o encontrávamos nem por nada. E as ruas de Madrid não são chatas como as do Porto, sempre a subir e descer. Mas custava. O cansaço já se começava a sentir e ainda lá tínhamos chegado há muito pouco… Instalados, primeira, segunda, terceira noite, foi muito engraçado. Lembro-me de me rir muito com o Henrique e com a Joana e com algumas discussões deles. Lembro-me de imaginar, sobretudo, como tudo iria ser… sonhar. Estava contente. Lembro-me da janela do quarto. Lembro-me do barulho que se ouvia às 2 da manha como se fossem 21 da noite. Estava contente, muito. Apesar de que tinha ido para lá com um peso muito maior do que as malas que levava comigo, ía chateada com uma amiga do meu grupo e com as outras também já não era a mesma relação há já uns tempos… Amizades saturadas… será que existem? Ou, na verdade, não são amizades? Próprio daquela idade? Não sei, nem me quero muito estender neste assunto, apesar de que penso ser a grande explicação para me ter dado mal no início de Erasmus. E o que importa e interessa, é que agora estou bem e muito bem sem elas na minha vida, parece até sem querer ser vulgar, que “eu merecia mesmo!”, sabem? Tipo, não merecia mesmo ser castigada por algo que não fui eu que minei. Pelo menos não fui eu que fiz explodir… Passando à frente, ao fim de 15 dias e sem perceber o que se passava no meu corpo, cabeça, órgãos, coração e mente, liguei desesperada aos meus pais a dizer que queria voltar para o Porto. Já tinha começado as aulas e tudo. E no meio de uma aula, de Economia, penso (aulas e professor que me ficaram mais na memória e da Bob, a minha amiga, falarei de ambos os assuntos mais à frente, de certeza)…E assim foi, apanhei um


avião e fui. Passado dois ou três dias estava de novo em Madrid. Renovada, mas não a 100 %. E assim fiz o meu Erasmus, meia para cá, meia para lá, pouco segura, motivada mas não em êxtase. Assim o defino. Foi a experiência da minha vida e voltava, mas na altura algumas coisas custaram. Não é assim tão maravilhoso como as pessoas caracterizam, eu acho. Ou melhor, é! Retiro o que disse! O que eu queria dizer é que… pronto, já fiquei outra vez sem palavras para me expressar sobre Erasmus. Erasmus é… incrível. É único. É conhecer muita coisa. Conhecermo-nos a nós. Conhecer espanhóis. Conhecer italianos, polacos e holandeses… é conhecer bares de tapas e discotecas e ainda hoje saber o nome deles, mas não me lembrar bem dos caminhos, porque a festa era tanta na cidade de Madrid, que os copos falavam mais alto. É um apartamento cheio de gente nova, 4 portugueses, 4 estrangeiros. É ter feito amigos como o João Pedro Lisboa, a Mariana Marques, a Bárbara Abraúl e o Carlitos, com quem partilhei a última metade de Erasmus, o meu namorado Erasmus de dupla nacionalidade, espanhol e holandês. Vive muito perto de Amesterdão. Nunca mais falei com ele. Mais à frente devo voltar a referi-lo, de certeza  Lembrar-me de Madrid e do que visitei lá, do que fiz, por onde andei, é ter a certeza absoluta de que nunca me vai apagar da memória! Nunca. É que nem que vá com a cabeça contra a parede por acidente, acho que se ficasse com amnésia a primeira coisa de que me recordava ao recuperar a memória, seria de Madrid. Parece que foi uma coisa aparte. (Vocês nem imaginam o que me custa estar a escrever). O verdadeiro sentido da palavra aventura. O verdadeiro sentido da palavra vida. O verdadeiro sentido de poder dizer que um dia se vai ter aguma coisa, é certo, para contar. E isso para mim é tudo, é saber que um dia vou olhar para trás e saber que fiz e vivi. E as pessoas que assim vivem são as mais corajosas e felizes. E isso aprendi com a minha experiência Erasmus. Com outras coisas obstáculos da vida, é certo, mas sei que aprendi principalmente com Erasmus. Com a intensidade de seis meses. Com o “abre os olhos!!! A vida é para viver, não é para lamentar! A vida NÃO PÁRA, por isso aproveita-a”. Eu não critico quem não a aproveite. Já fui assim. Já fui apática, antipática e anti-social até. Não durante uma longa fase da minha vida (foi só no secundário, não me perguntei porquê que eu não sei bem, ou melhor, até sei, mas isso era estar a puxar a cassete demasiado atrás na minha vida e eu não quero…), mas já o fui, sim. E era infeliz. E sabia que não tinha razões para ser assim. Que já tinha sido antes, aliás, o oposto, super alegre, comunicativa a afável. Por isso, compreendo todos os que não aproveitam a vida, mas por favor, pelo menos, tentem, levantem-se quando caírem no poço devido á vossa vida monótona de não fazer nadinha. Eu detesto a melodia daquela música “muda de vida se tu não vives satisfeito”, mas é mesmo verdade. Agir. Reagir e fazer, arranjar soluções. Claro que não vamos mudar de vida sem pensar nos outros. Não podemos nunca pensar só em nós. Mas temos que pensar no melhor para nós. Nas nossas ambições e sonhos. Em descobrir onde e como é que estamos bem. E conhecer gente e sítios e mais sítios…sem fim. E ter um ano cheio de acontecimentos, como foi o meu 2011/2012, de Erasmus  A Bob e a Igi foram duas amigas essenciais em Erasmus! Foi com elas que me ri e diverti, bebi e conheci as ruas de Madrid, jantei e almocei nos 100 montaditos, visitei museus, e muito mais. Foram elas que me deram a mão quando toda a gente descobriu que a Joana Borges, a amiga com quem fui, roubava. Passei a evitar a Joana e a sair muito mais com a Mariana e a Bárbara. Pena não ter sido desde o início. Museu do Jamon, plaza mayor, cercanias, metro, callao, gran


via, opera, palácio real, templo debod, mercado são Miguel… Acreditam que eu estive lá seis meses e não conheci tudo o que devia? Madrid é um Mundo, com toda a certeza. Madrid é uma grande cidade, e não estou a falar de tamanho. É grande como o Porto e forte. Tem amor, carinho e vida nela. Não quero ser injusta para nenhuma cidade, nenhuma parte do mundo… mas Madrid. Madrid para mim não pára. E isso é vida. Nova Iorque nunca dorme. Madrid só tira a sesta! Com chuva, sem chuva…aquela cidade nunca ficava mais feia com chuva. Ficava era ainda mais bonita com sol. (Pronto, agora já estou a roçar o parolo xD ) Deixo-vos uma pergunta que vou tentar descobrir a resposta ao longo de toda a minha vida: como é que defendo tanto Madrid e o meu Erasmus e o caracterizo como a experiência da minha vida se me fez passar mal, me custou, tendo mesmo que ir ao médico? Não sei. Mas não é qualquer um que não desiste, como eu. Não é qualquer um que insiste para que dê certo. Porque não adiantava eu mudar de vida se não estava satisfeita, porque mudar de vida já estava eu !  Prometi-vos falar do Carlitos, da Bob, da Igi e do Jonny, mas isto está a alongar-se muito. Talvez fique para um próximo capítulo… porque Erasmus tem tanto, tanto para contar. E o amor, será que se descobre lá?


Hoje é o dia