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Culture Machine – Uma história sobre contadores de histórias Capítulo 1 – Bem-vindos ao Culture Machine Entra vinheta de abertura do programa “Culture Machine”. Corta para o estúdio ambientado e decorado com elementos inspirados na cultura pop. A apresentadora entra sorrindo ao som de efeitos de aplausos e vivas. Ela para ao centro do estúdio. A moça está vestindo roupas jovens combinando com a temática do programa. Seu cabelo está solto. Ela usa uma tiara vermelha e sua maquiagem é leve. Fran Olá viajantes! Sejam bem-vindos ao Culture Machine, o seu transporte semanal pelo mundo da cultura pop! Efeitos de aplausos e vivas. Corta para a outra câmera. Fran E hoje o tema do nosso programa são as fanfics! Histórias criadas de fã para fã que, normalmente, são inspiradas ou baseadas em universos já existentes. Corta para outra câmera com um plano um pouco mais aberto. Fran Também existem as fanfics OC (Original Character), que são histórias de criação própria, onde absolutamente tudo, desde personagens até o universo onde ocorre a trama, são criados praticamente do zero. E o tamanho delas varia muito. Corta para a câmera anterior com um plano um pouco mais fechado. Fran Vai desde uma fanfic de capítulo único (chamadas de “Oneshot”) até as com vários capítulos (conhecidas como “Longshot”). Uma fanfic pode chegar a ter mais de 50 capítulos; pode ser uma trilogia; e até mesmo uma saga com várias continuações. Tudo isso, claro, depende do/a fictwriter (nome dado as pessoas que escrevem fanfics) que escrevê-la. Muda para outra câmera com um plano mais aberto para mostrar mais o cenário de fundo.


Fran Bem, finalizada essa pequena introdução, vamos agora receber duas convidadas super especiais que nos contarão um pouco de como é ser uma fictwriter. Elas escrevem fanfics a anos e já participaram de diversos chats e Fóruns de interpretação online. A apresentadora vira-se para a direita e estica o braço para receber as convidadas. Fran Sejam bem-vindas a nossa máquina: Minos e Tamires! As duas convidadas entram ao som de efeitos de aplausos e vivas. A apresentadora as recebe e as cumprimenta alegremente, indicando-lhes onde sentar logo em seguida. As duas sentam em um pequeno sofá de dois lugares com estampa colorida que harmonizava com o restante da decoração do estúdio. A apresentadora sentou-se em uma poltrona decorada com a mesma estampa, ficando de frente para as duas convidadas. O clima era de descontração. Fran É um prazer enorme tê-las aqui no programa. Ela pega alguns cartões com o logo do programa de uma pequena mezinha que estava a sua direita. Fran Eu tenho aqui algumas perguntas para fazer a vocês, mas não precisam se ater a elas. Podem falar à vontade, me interrompam se for necessário. As três riem. A câmera mantinha um plano aberto de modo a enquadrar as três mulheres. Fran Certo? Sintam-se em casa. Rápida pausa. Fran Bem, podemos começar?


Minos Sim. Tamires Opa. Fran Certo. Ela olha nos cartões e depois olha para as convidadas. Fran Então, como é ser uma fictwriter? Minos Sinceramente eu acho essa questão um pouco vaga, porque acredito que no fundo todos são um pouco fictwriters. Duvido que alguém nunca fantasiou histórias de seu personagem favorito ou se questionou o que ele faria em determinada situação. Aqui a câmera faz um plano mais fechado focando na apresentadora que tem uma expressão concentrada enquanto prestava atenção nas respostas. Em seguida a câmera foca na convidada que está falando mantendo o mesmo plano. Minos A diferença é que alguns criam coragem de escrever e compartilhar com terceiros, outros escrevem só para si e a grande maioria só fica na imaginação. A câmera volta para um plano mais aberto, enquadrando as três. Tamires Bom, somos pessoas normais. Trabalhamos, estudamos, temos família. Fanfics são momentos de descontração e às vezes de relaxamento. A câmera foca em Tamires usando um plano mais fechado. Tamires Usamos o poder das palavras para transmitir o que estamos sentindo ou uma mensagem. Vejo muito da personalidade das pessoas com o seu jeito de contar histórias.


A câmera volta a focar as três. Ao perceber que as convidadas já haviam dito tudo que pretendiam dizer, a apresentadora faz outra pergunta. Ela se ajeita na cadeira. Fran Como é escrever uma fanfic? São momentos de inspiração ou vocês escrevem várias vezes até ficar como gostariam? As convidadas fazem expressão pensativa. Fran No caso, como seria esse processo quando vocês escrevem? Minos Bom, para mim a inspiração é mais do que necessária. É o combustível da escrita. Já aconteceu de eu acordar de madrugada com todo o capítulo da minha história na cabeça, palavra por palavra. E já aconteceu de não conseguir pensar uma linha decente sequer para escrever. Tamires Acredito que seja um pouco dos dois. As outras duas voltam a atenção para ela. Tamires Nem todos os dias estamos inspirados. Quem nunca empacou em uma determinada parte? Claro que quanto mais perfeita a história, mais emoção você consegue transmitir. A câmera foca apenas em Tamires. Tamires O processo de criação é complicado. Acredito que cada um tem seu jeito. Às vezes vem de uma música, outras de um filme, ou naqueles momentos reflexivos antes de dormir. Cada um tem seu nível criativo e modos para despertá-lo. Câmera volta a focar nas três. Minos Sabe, o mais complicado não é imaginar uma cena, mas conseguir descrever em palavras.


Fran Isso é verdade. Enfrento essa dificuldade a anos, porque já tentei escrever algo e sempre passo por esse problema. Minos Imaginar uma cena legal não é difícil, mas descrever ela de forma que todos entendam e consigam visualizar é muito complicado. Quanto mais complexa a cena, pior para descrever. Câmera foca em Minos. Minos O conhecimento da língua portuguesa também ajuda muito nessa hora. Quanto mais rico teu conhecimento linguístico, mais fácil será descrever uma cena. Voz de Tamires ao fundo. Câmera foca nas três. Tamires O meu problema varia. Às vezes é descrever e às vezes é visualizar. Risos. Minos retoma a palavra. Câmera foca nela. Minos Sinônimos nos ajudam muito a não ser repetitivos. Voz da apresentadora de fundo. Câmera foca nela. Fran É aquela coisa: você escreve e reescreve a cena umas mil vezes e parece que nunca está bom, que sempre falta alguma coisa. É como se faltassem palavras. Câmera foca as três. Tamires Fato. Risos.


Minos Sim, por exemplo… Pausa na resposta. Tamires toma a palavra enquanto isso. Câmera foca nela. Tamires Já fiquei meses enroscada em um capítulo, então prefiro fazer a fanfic inteira no Word primeiro e quando termino posto os capítulos um a um. Os leitores são ansiosos e eu mais ainda. Risos. Minos retoma a palavra. Câmera foca nas três e, em seguida, em quem está falando. Minos Se você ler minha fanfic, notará uma diferença linguística grotesca entre o primeiro e o último capítulo escrito, porque à medida em que fui escrevendo, meu português foi evoluindo. Hoje eu leio e tenho vontade de reescrever tudo de novo. Câmera foca nas três. Fran E porque não faz? Tamires se interpõe na conversa. Tamires Eu não faria, porque é um registro da sua evolução. Minos retoma a palavra. Minos Eu sou daquelas que escreve um capítulo por vida. Começou por semana, depois passou para mês, depois ano… Etc. Ainda nem terminei minha história. Tive vários problemas pessoais e minha vida mudou muito. Hoje trabalho cerca de 12 horas diárias. Não tenho tempo para nada. Fora meu computador que está quebrado e sabe-se lá quando eu poderei consertá-lo novamente. Fran Nossa, assim fica complicado. Cabeça cheia demais torna praticamente


impossível de criar alguma coisa. Nessas horas parece que tudo se ajeita para “ajudar”. Minos Pois é. Eu tenho uma vida muito conturbada. Minha fanfic está parada a anos, mas tenho muita vontade de retoma-la. Pequena pausa. Fran Ok. Bem, continuando. Para vocês, qual seria a definição de fanfic? Como vocês definem isso? Consideram uma escrita literária? Acreditam que um escritor(a) de fanfics poderia se tornar um escritor por profissão? Tamires O novo filme do Harry Potter sobre a vida do Voldemort é a prova que sim. E não foi o primeiro. Já li várias fics que viraram livros. Minos Sim, temos muitos exemplos de escritoras que se tornaram profissionais. Fran Dizem que 50 Tons de Cinza era uma fanfic. Isso é verdade? Nunca descobri. Tamires Eu li isso também. A autora de Crepúsculo também. Minos Sim, também ouvi falar que a escritora era uma fictwriter e hoje vive da escrita. Fran É incrível isso. Ver uma fanfic se tornar um livro de grande sucesso. Realmente surpreendente. As convidadas concordam. Fran Bem, próxima pergunta.


Pequena pausa. Fran Que importância tem para vocês ser uma fictwriter? Tamires Divertimento, distração, socialização. Por exemplo, conheci a Minos lendo a fanfic dela. Na mesma hora mandei mensagem e estamos com 10 anos de amizade. A arte de contar histórias está na humanidade desde os tempos pré-históricos, porque não criar também? Minos Escrever uma história é eternizar um pensamento. Sua imaginação, algo pessoal que se perderia com o tempo, mas que foi salvo pela escrita e compartilhado com outras pessoas. Escrevendo você amadurece seus pensamentos, melhora sua escrita, sua linguística, conhece muitas pessoas, obtém um reconhecimento inesperado. Escrever fanfics te abre um leque muito grande de benefícios. Fran Eu complementaria dizendo que escrever fanfics pode dar um rumo na vida de uma pessoa. Ela pode começar isso como um hobby e acabar descobrindo um talento latente e usar isso como meta de vida. Minos Sim, é verdade. Apresentadora interrompe a conversa. Fran Bem meninas, preciso interromper a conversa por alguns minutinhos. Ela vira para uma das câmeras que foca nela com um plano mais fechado. Fran Nós vamos para um rápido comercial, mas logo o nosso programa estará de volta. Sai daí não, o Culture Machine volta já. Apresentadora sorri para câmera. Entra vinheta do programa. Corta para o comercial com duração de 5 minutos.


Capítulo 2 – Voltamos a apresentar o Culture Machine Vinheta de entrada do programa. Corta para o estúdio onde aparece as três mulheres conversando de forma sorridente ao som de efeitos de aplausos e vivas. Câmera foca na apresentadora que olha para ela ainda sorrindo. Fran Estamos de volta com o nosso Culture Machine. E vamos continuar a conversa com as nossas convidadas, as fictwriters Minos e Tamires. Ela vira para as duas mulheres. Câmera foca nas três. Fran Meninas, se fosse possível viver como escritoras, tornar isso uma profissão, vocês viveriam? Tamires Sim, por que não? É uma profissão muito linda. Minos Parafraseando Jean Cocteau: “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”. Ou seja, penso que tudo seja possível desde que realmente se deseje. Meu primo é escritor, escreveu vários livros, mas no passado ele passou por muita coisa antes e até mesmo após se formar e tornar-se professor. Eu acho que se eu quisesse, seguiria o mesmo caminho. Câmera foca em Minos. Minos Mas sinceramente não me vejo escrevendo por obrigação. Um escritor tem prazos a cumprir, responsabilidades com editoras, etc. Não consigo me imaginar escrevendo sob essa pressão. Câmera abre focando nas três. Tamires Eu também. Super apoio quem toma isso como profissão. É preciso arriscar, querer. Fran Acho incrível a capacidade que algumas pessoas tem de criar um universo inteiro do zero. Deve ser dificílimo fazer isso, mas ao mesmo


tempo deve ser maravilhoso. J.K. Rowlling por exemplo. Olha tudo que ela criou de uma simples ideia que teve sentada em uma estação de trem. Minos Nós temos o universo de Tolkien que é tão vasto e espetacular que tem até dialetos próprios, como o élfico, por exemplo. Aquele homem era um gênio. Nasceu para isso. Tamires Eu tenho fascínio por Tolkien. O cara inventou três idiomas. Além de mapas. É meu escritor preferido, mas reconheço que Rowlling e os outros fizeram ótimos trabalhos. Anne Ricce nem comento. Minos Se pararmos para analisar, todos são fictwriters. Câmera foca nas duas convidadas. Tamires A gente sempre se espelha nessas grandes mentes. Minos Só que eles fizeram sucesso, nós não. Fran True history. As três riem do comentário. Câmera foca nas três. Tamires Ninguém nunca pensou em criar o que eles criaram. Minos Eu gosto muito da Mary Shelley. Ela é um ícone, um marco! Existiu a literatura antes e depois dela. Numa época em que a inteligência feminina era duramente subestimada. Ela lançou um clássico que é copiado até hoje em muitas obras. Câmera foca em Minos.


Minos Frankenstein é um clássico do horror que está no mesmo patamar de Drácula e serve de inspiração até mesmo para personagens de quadrinhos. Por que não os considerar fanfics? Tamires O problema de hoje em dia[…] Câmera foca nas convidadas. Tamires […] é que são poucas as pessoas que gostam de ler livros e fanfics e isso tende a piorar. Fran Verdade. Câmera foca nas três. Fran A popularidade das fanfics decaiu muito e isso é triste, porque fanfics são um meio de uma pessoa que tem o sonho de ser um escritor(a) tornar isso real, de certa forma, ou começar a trilhar o caminho em busca da realização desse sonho. E isso não é valorizado. Minos Sim, em termos. Mas creio que isso é uma busca pessoal. Eu, por exemplo, nunca tive essa aspiração. Eu escrevi porque desde criança criava histórias dos meus desenhos animados ou HQ’s prediletos e sempre quis registrar. Pessoalmente, escrever fanfics é algo um pouco mais íntimo e egoísta. Torna-las públicas foi apenas uma consequência talvez ainda egoísta que tenha mais a ver com ego do que com isso. Eu só queria saber se o que eu escrevo agradaria alguém e confesso que me surpreendi. Tamires Comentários são revigorantes. Minos Guardo todos com muito carinho. Tenho até medo que um dia os sites os apaguem.


Fran Verdade. É bom saber que a sua história, de alguma forma, está agradando alguém. Pequena pausa. Apresentadora mexe nas fichas, voltando a olhar para as convidadas. Fran Como vocês se tornaram fictwriters? Como descobriram esse mundo? Teria alguma história que vocês leram que poderia ser considerada como “o estopim” para o início disso? Minos Bom, eu já fazia RPG de chat desde a época do MSN e Orkut. Fui administradora de chats de RPG e comunidades de anime/mangá. Então, uma vez, pesquisando pela internet sobre alguns personagens de Saint Seiya (Cavaleiros do Zodíaco), encontrei o perfil de uma fictwriter conhecida como Leona_EBM e resolvi ler. Li todas e acabei me inspirando também. Foi aí que surgiu minha fanfic. Tamires Eu comecei na oitava série em 2008. Eu sempre lia algumas fanfics na internet, até que uma noite escrevi um capítulo e postei no Anime Spirit (site de fanfics) e fui correndo dormir. No outro dia, fui ver se tinha comentários e me surpreendi em ver que cinco pessoas tinham gostado. Então continuei fazendo. Minos Para falar a verdade, eu já tinha toda a história na cabeça, mas ainda não tinha pensado em passa-la para o papel. O trabalho dela me encorajou a isso. Hoje ela tem uma fanfic OC chamada “Contos de Garotos” que já tem várias temporadas. É uma obra bem complexa que já foi altamente plagiada. Ela teve que registrar para conseguir combater os plágios. Apresentadora meche novamente nas fichas. Ela volta a olhar para as duas mulheres em sua frente. Fran E fazer parte desse mundo causou alguma mudança na vida de vocês? Minos Eu penso que a grande mudança da minha vida se deve a adquirir um


computador e assinar a internet, o resto foi consequência. A internet me mostrou um mundo que eu não imaginava que existia. Através dela eu pude ver o final de muitos animes que via na finada Rede Manchete e nunca soube, descobri as fanpages, o RPG online a as fanfics. Foi como se um cego de nascença enxergasse pela primeira vez. É assim que eu vejo. Tamires Eu fiz muitas amizades virtuais, melhorei muito o meu português. Como a minha profissão mexe com criatividade, porque sou Designer Gráfica, procuro sempre manter a mente fértil e escrever é revigorante, tira toda a minha tensão. Você passa a observar o mundo a sua volta procurando cenas e cenários interessantes para acrescentar na fanfic. Eu me inspiro muito nas pessoas que conheço para montar o perfil de algum personagem meu. Você se torna perfeccionista, passa a buscar palavras diferentes, passa a ter mais confiança em si e no que escreve. Fran E pretendem continuar escrevendo? Tamires “Always” (sempre). Risos. Fran Snape. Tamires Referências. Fran Capitão América curtiu isso. Minos Penso que, no fundo, eu e Tami nunca paramos. Temos muitos trabalhos juntas. Só falta tempo para organizar tudo e tornar a escrever fanfics. Tamires Oh God! Muito tempo. Super recomendo as pessoas postarem suas histórias, porque sempre tem um doido igual nós que gosta e comenta.


Risos. Fran Bem, me incluo na lista, porque já varei madrugadas lendo fanfics no celular porque estava sem sono. Risos. Minos Temos um RPG inspirado nas melhores obras de vampiros. Um “milkshake” de Bram Stoker, com Anne Ricce, Blade, com RPG’s de mesa como Vampire, Lobsomem e outros. Eu pessoalmente penso que dará uma fanfic maravilhosa. Tamires Essa está em processo de chegar na metade. Risos. Minos Temos um romance maravilhoso entre um homem e seu ex-professor. Tamires Temos de quase todos os temas possíveis. Minos Uma história inspirada no mundo de Tolkien com muito do RPG de mesa AD&D. Tenho um projeto solo inspirado em “Psycho-pass” que, inclusive, lancei o prelúdio. É meu primeiro projeto fora do universo de Saint Seiya que é minha grande paixão. Todos os outros ou se passam dentro do universo de Saint Seiya, ou utilizam seus personagens como avatares. Fran Em todos esses anos que vocês escrevem fanfics, alguém já chegou em vocês e disse coisas como “essa história mudou minha vida”, “me tornei um(a) fictwriter por causa de você” ou “sua história me ajudou a superar um momento difícil”? E desses feedbacks que vocês recebem, teve algum que marcou muito vocês? Tamires Esses feedbacks são muito emocionantes, de verdade, a gente se sente emocionado com o carinho das pessoas ao ponto delas se motivarem a


escrever depois de lerem sua fanfic. Você sente que o tempo gasto escrevendo e dando o seu melhor foi finalmente recompensado. Nos emocionamos lendo cada um dos comentários. Minos Sim, houve um comentário que me deixou boquiaberta. Eu tenho carinho por todos, mas esse em especial me emocionou, porque fala sobre preconceitos. Minha fanfic tem conteúdo yaoi (gênero de anime/manga que retrata relacionamentos entre homens), ou seja, relacionamentos homoafetivos. E a pessoa que escreveu esse comentário disse que minha fanfic abriu a mente dela para isso. Fran Olha só que legal. Isso é incrível. Quem dera isso acontecesse com mais pessoas. Fanfics como armas contra o preconceito. Isso é genial. Minos Eu não levanto a bandeira do “politicamente correto”. Aquela coisa que hoje está na moda que é dar uma de Gloria Perez e expor as mazelas do mundo como forma de crítica e luta. Eu escrevo o que gosto de escrever. Se gostar, gostou; se não gostar, não tem problema. Eu só achei interessante esse depoimento pelo fato de eu conseguir tocar alguém tão profundamente a ponto de abrir seus olhos para além do que ela via. Como a caverna descrita por Platão, onde a pessoa vive em sua pequena bolha e teme sair dela, porque não sabe o que há lá fora. Fazer alguém pensar fora da caixa, entende? Fran Ou seja, a ponto de mudar o conceito de alguém sobre determinado assunto, nesse caso, a homossexualidade. Que bom que essa pessoa teve a mente aberta e se permitiu fazer essa mudança. Minos Exatamente! Podia ser sobre qualquer outro assunto, mas o fato de conseguir fazer alguém pensar além do que foi “adestrado” a pensar é algo extraordinário. Fran É interessante as fanfics terem esse poder, mesmo que sem querer, de mudar o conceito de alguém sobre determinado assunto de uma forma mais “normal”, digamos assim, através de exemplos práticos. É o mesmo poder que um livro tem.


Minos Recebo até comentários de estrangeiros. É incrível o que a internet nos possibilita vivenciar. Fran Muito bacana mesmo. Deve ser muito gratificante ler esses comentários. Minos E de fato é mesmo. Eu raramente comento sobre o trabalho de alguém, mas quando o faço é de coração. Já vi casos de fictwriters ficarem chateados com plágios e simplesmente apagarem todas as suas histórias da internet e os comentários acabaram indo junto. Eu não teria coragem de fazer isso. Cada comentário daquele é um carinho que recebi. Alguém perdeu seu tempo para comentar, elogiar ou criticar uma obra minha. Acho um pecado jogar isso fora como se não fosse nada. Pequena pausa. Fran Meninas, o papo está ótimo, mas infelizmente, o nosso tempo acabou. Efeitos de lamento. Fran Agradeço imensamente a presença de vocês aqui hoje. De verdade, foi uma honra. As convidadas agradecem sorrindo. Apresentadora olha para a câmera que foca nela. Fran E se você aí quiser conhecer o trabalho das duas, é só acessar o perfil delas no site Nyah! FanFiction procurando por “Minos de Griffon” e “TsukiRene” nesse site. E se quiserem conhecer todo esse mundo fantástico das fanfics, também podem acessar os sites Spirit Fanfics e Histórias e FanFiction.net pelo seu browser ou os seus aplicativos disponíveis na Play Store e App Store. Fran larga as fichas sobre uma mesinha e volta a olhar para a câmera.


Fran Obrigada pela companhia durante a viagem de hoje, queridos viajantes. Semana que vem estaremos de volta com mais um Culture Machine. Até lá! Apresentadora faz uma saudação para a câmera e sorri. Entra vinheta de encerramento.

Culture Machine - Uma história sobre contadores de histórias.  

Todos os dias, milhões de pessoas anônimas criam novas jornadas para mundos já conhecidos e novos universos surgem para serem explorados por...

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