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Pré Sal Os benefícios e as implicações socioeconômicas e ambientais dessa riqueza submersa

nº3 ano1

R$ 9,90

Bioenergia Os desafios do Brasil no artigo de Mohamed Habib

Rio+20

o que esperar? Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento sustentável que acontecerá no Rio de Janeiro em Junho de 2012 é abordada na entrevista com o embaixador André Corrêa do Lago

e mais: a ecocidade de Masdar • a nova onda da logística reversa • o projeto Amor-Peixe, exemplo de

geração de renda e conservação ambiental • a gestão das águas como objeto de Política de estado • construção sustentável • as vantagens do Nim Indiano • sensibilidade e natureza no ensaio fotográfico de Du Zuppani


Da expansão do Grupo Ecologic, necessidade dos trabalhos desenvolvidos e de uma carência na região nasce a Ecologic Florestas. Um viveiro de mudas nativas para produção e comercialização de espécies do Bioma Mata Atlântica e Cerrado a atender toda a região Noroeste Paulista

Mudas Nativas para: • Arborização Urbana • Loteamentos- Áreas Verdes/Passeio Público • Neutralização de Evento • Neutralização de Carbono • Projetos Socioambientais • Recuperação de Área Degradada • Reflorestamento • Recuperação de Mata Ciliar

Florestas

Escritório: (17) 3421-4905 • Rua Tietê, 3349, Sala 2, Centro, Votuporanga/SP Viveiro: Estrada Vicinal Fábio Cavallari, Km 2,5 (frente ao aeroporto de Votuporanga), Votuporanga/SP

florestas@ecologicambiental.com.br

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A

ECOLOGIC Revista nesta ª edição apresenta dez textos em forma de matérias e artigos interessantíssimos, além de nosso espaço Cartas, Notas, Ensaio Fotográfico, Agenda Verde e Charge sempre abordando assuntos em evidência no âmbito nacional e internacional. A partir desta edição passaremos para trimestral nossa periodicidade. Esta mudança tem por objetivo ampliar a divulgação e a circulação dos conhecimentos gerados nos domínios da comunidade socioambiental e das suas áreas conexas. Esta edição foi inspirada no conceito da “economia verde”, conceito este, discutido na Conferência Rio+ que ocorrerá no mês de junho na cidade do Rio de Janeiro organizada pela Organização das Nações Unidas - ONU. Escolhida como capa da ª edição e tema da Entrevista, a Rio+ visa renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta. O conceito trabalhado nesta edição está implícito e pode ser compreendido nas editorias Panorama, MA & Economia, MA & Social, MA & Política além da editoria Turismo Ecológico. Aos leitores assuntos relacionados aos mais variados temas ambientais, pondo em pauta o pré-sal, a construção da “cidade sustentável” Masdar em Abu Dhabi, logística reversa, economia solidária, gestão dos recursos hídricos, energia limpa, controle biológico, jardins verticais e construção sustentável. A definição “economia verde” não substitui o desenvolvimento sustentável, entretanto hoje em dia existe

um crescente reconhecimento de que a realização da sustentabilidade se baseia quase que inteiramente na obtenção do modelo certo de economia. Décadas de criação de uma nova riqueza através de um modelo de “economia marrom” não lidaram de modo substancial com a marginalização social e o esgotamento de recursos, e ainda estamos longe de atingir os objetivos de desenvolvimento do milênio. Na busca do objetivo de consolidar a ECOLOGIC Revista como instrumento de comunicação socioambiental, esta edição tem contribuído positivamente para os leitores, ambientalistas, interessados, estudantes, empresários, pesquisadores, profissionais da área ou não com enfoque ambiental. Agradecemos a participação de todos os colaboradores e profissionais que contribuíram para a realização deste material e aproveitamos para convidar, uma vez mais, a toda comunidade socioambiental a utilizar a ECOLOGIC Revista como instrumento de informação, divulgação e debates a cerca desta temática fundamental visto o paradigma que nos depara. Preservar e conservar nossos recursos naturais é um dever sagrado para a nossa qualidade de vida, de gerações futuras, sobretudo da perpetuação de nossa espécie. Boa leitura! Ricardo Zaccarelli Filho Diretor Geral


Projetos e consultoria ambiental

Revista

Diretor Geral

Entrevista

Ricardo Zaccarelli Filho

André Corrêa do Lago fala sobre as perspectivas da conferência Rio+20, organizada pelas Nações Unidas - ONU

ricardo@ecologicambiental.com.br

Diretora de Planejamento Tainá Barreto Andreoli

taina@ecologicambiental.com.br

22 Meio Ambiente 18

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Chico Maciel

design.chico@gmail.com

Colaboradores

& Social

Carlos Eduardo Cabanas, Du Zuppani, Flávio Oliveira, Mohamed Habib, Muriel Duarte, Romina Lindemann, Rodolfo Gomes

Artigos 36

Carlos Eduardo Cabanas 34 Construção Sustentável

Panorama

As implicações do pré-sal

Ecoturismo

A Ecocidade de Masdar

Casa e verde

A nova tendência dos jardins verticais

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Jornalista Responsável

Projeto gráfico e diagramação

58 Charge

Desafios estratégicos da gestão das águas

André Garcia

Juliano B. Garcia (MTB 56.6885)

56 Agenda verde

& Política

ecologic revista

Coordenador de Comunicação

44 Ensaio Fotográfico

A nova onda: logística reversa

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raphael@ecologicambiental.com.br

06 Notas

& Economia

O projeto amor-peixe: geração de renda e conservação ambiental

Diretor Financeiro

Raphael dos Passsos Nogueira

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Mohamed Habib

Bioenergia e o desafio do Brasil

Romina Lindemann O Nim Indiano

42 50

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Para Anunciar

comercial@ecologicambiental.com.br Esta revista foi impressa na gráfica 1000 Cores em papel couché fosco 120g/m² para miolo e capa e composta nos diversos pesos das famílias tipográficas Bree e Chaparral Pro. Araçatuba-SP, abril de 2012

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Cartas

I D Z é economista pela Universidade Estadual de Londrina - UEL, mestre em economia rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS, doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica - PUC e coordenadora do curso de especialização em economia do meio ambiente na UEL.

Tudo aquilo a que temos algum tipo de vínculo ou apego, requer cuidado para que se conserve e, instintivamente, cuidamos. Compreender o meio ambiente como parte de nós é o princípio para que desenvolvamos o “instinto” de cuidar daquilo que nos mantém vivos. É comum ligarmos o tema sustentabilidade a algo (macro), fora do nosso poder individual e, ações que suscitem a consciência ambiental nas pessoas não são algo tão comum. Parabéns à Revista Ecologic, por promover o desenvolvimento do “instinto” de cuidar daquele de quem somos parte integrante, o meio ambiente É G é químico, especialista em Gestão e Planejamento Ambiental, ouvidor/ombudsman pelo Centro Universitário de Votuporanga - UNIFEV e docente no SESI de Votuporanga

A revista Ecologic aborda as questões ambientais de forma plena. É uma leitura interessante e nos desperta para um maior entendimento sobre a sustentabilidade econômica. Proporciona-nos também, uma deliciosa leitura sobre a sustentabilidade social e cultural. É uma revista informativa e trabalha com belíssimas imagens. Sugiro que dis-

ponibilizem as revistas nas escolas da rede pública, pois é um material valiosíssimo e muito educativo. S C F é Bióloga e Professora na Secretaria da Educação-SP e especialista em Ciências e Tecnologia pela UFABC.

Meus parabéns aos fundadores da revista, que ressaltam a população, não só a finalidade de melhor fazer compreender a importância do meio ambiente, mas também, demonstrar a beleza que a compõe, e assuntos atuais para a melhoria da qualidade de vida. De uma forma simples e bonita está demonstrando para leigos e peritos que o ecossistema não é um assunto irrelevante e sim algo para se discutir, e muito. A meu ver, a ECOLOGIC disponibiliza a informação de que precisa ficar claro: que não é confrontando com os recursos naturais que o país conseguirá produzir e sim com a educação. C N R é estudante de Biologia no Centro Universitário de Votuporanga - UNIFEV.

A criação da Revista Ecologic segue o espírito: “pensar global e agir local”, o Noroeste Paulista tem um potencial enorme para empreender seu desenvolvimento de forma verdadeiramente sustentável e chegou a hora de cada um de nós, especialistas ou não em meio ambiente, reconhecer nossa responsabilidade nessa missão. Afinal, é um grande engano achar que estamos separados da natureza, nós somos a natureza! Gandhi já dizia que temos de ser a mudança que queremos ver no mundo. É preciso que todos comecem a agir da forma que for possível, usando o que tem a mão, para transformar a sociedade que vivemos numa sociedade de sustentação da vida. Não importa o que você faz, mas faça com ética, criatividade e amor. Para quem ainda não sabe por onde começar, a Revista Ecologic pode ser uma grande fonte de inspiração.” M P. D G é psicóloga atuante no CREAS de Tanabi, especialista em Sustentabilidade Integral e membro do Hub São Paulo.

Participe do Espaço Cartas com seu comentário, sugestão ou crítica. Encaminhe para revista@ecologicambiental.com.br

abril de 2012

Num período em que as questões ambientais precisam ser difundidas frente a um crescimento econômico, com um custo que pode se tornar mais alto que o benefício, pois não existem limites ambientais à expansão do sistema econômico, parabenizo a Revista Ecologic por fornecer aos seus leitores informações sobre a minimização dos impactos que as causas antropogênicas trazem ao ambiente.

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Notas UFAM descobre planta que “despolui” Um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) está desenvolvendo um sistema baseado na planta aquática orelha de elefante gigante (Alocasia macrorhiza) para o tratamento das águas do igarapé contaminado de Manaus. O engenheiro químico Josias Coriolano de Freitas, identificou a capacidade da orelha de elegante gigante em absorver metais pesados, a planta ajuda na recuperação de áreas degradadas e no tratamento de efluentes líquidos, entre outras ações. “A planta pode ser utilizada naturalmente. Não é preciso usar nenhum produto químico. No momento o grupo está procurando aperfeiçoar o sistema de tratamento natural”, disse Freitas.

Banco Mundial disponibiliza US$ 15,9 milhões para proteção da Amazônia

ecologic revista

O Banco Mundial disponibilizará ao governo federal o montante de US$ 15,9 milhões para que uma área de 135 mil km² da Amazônia (equivalente a mais de três vezes o tamanho do estado do Rio de Janeiro) seja protegida nos próximos quatro anos. O montante veio do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), e será empregado no projeto Áreas Protegidas da Amazônica (Arpa). A conservação da floresta, segundo o Banco Mundial, ajudará a evitar emissões de carbono presente no solo da floresta – considerado um dos principais sumidouros do mundo (a floresta concentraria 30% de todo

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carbono do mundo, cerca de 100 bilhões de toneladas. Aproximadamente 45% das emissões de carbono provenientes do Brasil vêm da mudança do uso da terra e desmatamento. A verba será também aplicada na manutenção das áreas que já se encontram preservadas. (Fonte:

Globo Natureza)

Microalga produz veneno usado como arma química na 1ª Guerra Mundial Uma espécie de microalga, pertencente ao grupo diatom, produz um veneno altamente tóxico, usado como arma química durante a Primeira Guerra Mundial. É o brometo de cianogênio, um parente químico do ácido cianídrico, que pode matar seres humanos por sufocamento, só que muito mais tóxico. “Até agora, não se sabia que esse veneno existia na natureza”, explicou o pesquisador Georg Pohnert, da University Jena, na Alemanha, em material de divulgação. A alga Nitzschia cf pellucida mede até cem vezes menos que um milímetro e usa o veneno para esterilizar a área ao seu redor, matando microorganismos e afastando competidores. Eles aguentam no máximo duas horas de exposição ao químico. (Fonte: Globo Natureza)


Novo catalisador transforma planta em plástico Um novo tipo de catalisador é capaz de transformar gás derivado de biomassa de plantas em etileno e propeno, componentes básicos dos plásticos comuns. A tecnologia é uma alternativa à produção desses dois compostos a partir de fontes derivadas do petróleo. “Somente a produção de etileno no mundo é de 100 milhões de toneladas por ano. Há um grande potencial de produzi-lo não mais a partir de petróleo. Fazer isso com biomassa como fonte (não a usada por alimentos) parece uma forma muito interessante de criar uma base mais sustentável para a indústria química”, afirma Krijn de Jong, da Universidade de Utrecht, na Holanda. Atual-

mente a empresa Braskem já produz etileno a partir de etanol e depois o transforma em polietileno, o chamado plástico verde. (Fonte: Alessandro Greco/ Portal iG)

As Ilhas de Calor Um dia é muito quente, o outro muito frio. Quem vai do centro para uma região mais arborizada logo percebe a queda do termômetro. O responsável por esse “tempo maluco” é o excesso de prédios, de asfalto e de gente, para poucas árvores. Segundo a geógrafa Magda Adelaide Lombardo, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de São Paulo (USP), novas medições indicaram em um mesmo dia, variações que chegaram a 12ºC na cidade. Os pontos de maiores focos

de calor coincidem com os bairros onde a concentração de poluição e a quantidade de concreto são maiores e com escassez de áreas verdes, o que diminui a umidade relativa do ar. E não adianta investir em parques e áreas verdes lineares, diz ela. “Isso não resolve a questão das ilhas de calor, que só será sanada quando a vegetação for contínua”. Para Flávio Mourão, arquiteto e urbanista da ONG Vale Verde, de São José dos Campos, SP, “A solução individual, onde cada um planta uma árvore, não resolverá mais o problema. É preciso redesenhar o espaço urbano e intervir diretamente com um planejamento efetivo”.

Fonte: Silvana Maria Rosso


Panorama

O pré-sal é nosso. Sua poluição também Entenda um pouco mais sobre esse recurso natural e suas implicações socioeconômicas e ambientais Por Ricardo Zaccarelli Filho

ecologic revista

Em geologia,  a camada pré-sal  representa um conjunto de rochas da crosta terrestre e da crosta oceânica, comprimidas por uma extensa camada de  sal  e com potencial para a geração e  acúmulo de petróleo. Essas rochas se formaram a partir de um riquíssimo depósito de matéria orgânica que se constituiu ao longo de milhões de anos e foi prensado por grossas camadas de rocha e sal, transformando-se em petróleo. A formação das rochas da camada pré-sal é anterior à formação da camada mais antiga de sal. Logo, essa camada é mais profunda e de acesso mais difícil do que as reservas de petróleo situadas na camada pós-sal (acima da camada de sal). Acredita-se que os maiores reservatórios petrolíferos do pré-sal, todos praticamente inexplorados pelo homem, encontram-se no  Brasil  (entre as  regiões Nordeste e Sul), no Golfo do México e na costa ocidental africana.  No Brasil, o conjunto de campos petrolíferos do pré-sal situa-se a  profundidades  que variam de

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1.000 a 2.000 metros de lâmina d’água e entre 4.000 e 6.000 metros de  profundidade  no  subsolo. A profundidade total, ou seja, a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a 8.000 metros. O estrato do pré-sal ocupa uma faixa de aproximadamente 800 quilômetros de comprimento, ao longo do litoral brasileiro. A área, que tem recebido destaque pelas recentes descobertas da  Petrobras, encontra-se no  subsolo  oceânico e estende-se do norte da Bacia de Campos ao sul da Bacia de San-


Acredita-se que os maiores reservatórios petrolíferos do pré-sal, todos praticamente inexplorados pelo homem, encontramse no Brasil (entre as regiões Nordeste e Sul)

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Panorama

nômeno conhecido como “mal holandês”, que pode resultar no enfraquecimento de outros setores produtivos como a indústria e agricultura.

ecologic revista

Impacto na legislação vigente

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tos e desde o Alto da Vitória (Espírito Santo) até o Alto de Florianópolis (Santa Catarina). Estima-se que lá esteja guardado cerca de 80 bilhões de barris de petróleo e  gás, o que deixaria o Brasil na privilegiada posição de sexto maior detentor de reservas no mundo - atrás de Arábia Saudita,  Irã,  Iraque,  Kuwait  e  Emirados Árabes. O geólogo e ex-funcionário da  Petrobras  Márcio Rocha Mello acredita que o pré-sal pode ser bem maior do que os 800 quilômetros já identificados, estendendo-se de Santa Catarina até o Ceará. Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal,  Tupi,  Iara  e  Parque das Baleias, as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além

A descoberta das reservas do pré-sal tem provocado grandes debates em todo o país. Desde sua descoberta, muitos passaram a defender novos modelos de regulação para preservar uma parte maior desta riqueza para o país, envolvendo mudanças na atual Lei do Petróleo (lei nº 9.478 de 1997). Especialistas em energia e meio ambiente levantam dúvidas sobre a escolha do governo brasileiro de investir maciças somas de dinheiro no desenvolvimento de uma fonte energética suja e finita, num momento em que o mundo se destas, existem reservas possíesforça para ampliar o uso de veis e prováveis de 50 a 100 bifontes limpas e renováveis. lhões de barris. Entre as preocupações, estão não apenas o aumento da A extração de petróleo emissão de CO2 como também da camada Pré-Sal o futuro do mercado mundial de petróleo a longo prazo. Um problema a ser enfrentado Segundo o ex-ministro do pelo país diz respeito ao ritmo de Meio Ambiente, Carlos Minc, extração de petróleo e o destino admite que os poços pré-sal desta riqueza. Se o Brasil extrair são mais poluentes que os outodo o petróleo muito rapidatros. “Para se ter uma ideia, os mente, este pode se esgotar em poços de pré-sal emitem, em apenas uma geramédia, de Pode representar um três a quatro ção. Se o país se tornar um granvezes mais impulso para jogar de exportador de gás carbôo país no século XXI petróleo bruto, nico do que isto pode provoos poços do de energia limpa, car a sobrevalopós-sal, ou ou generalizar rização do câmseja, os poços ainda mais a matriz bio, dificultando atuais”, disse. as exportações energética altamente Assim que a e facilitando as sua explorapoluente importações; feção requer

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ecologic revista

Panorama

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formas que atenuem a poluição. Dessa maneira, pode-se lançar mão do trocadilho: o pré-sal é nosso, mas a sua poluição também. Com a descoberta e a possibilidade de exploração de mais energia fóssil não renovável, a tentação de frear os investimentos em energias mais limpas e renováveis não pode ser descartada. “O processo de exploração poderá abafar o nosso comprometimento com a busca e o aprimoramento de energias alternativas, que dependem inteiramente de alta tecnologia. Essa nova realidade influenciará as mais variadas esferas, mas, principalmente, a cabeça de nossos representantes políticos”, analisa o geólogo Jules Marcelo Rosa Soto.

Assim, parece contraditório investir em um processo que traz tantos danos ambientais em uma época em que se fala tanto de desenvolvimento sustentável e o uso de fontes de energias limpas, como o biocombustível, umas das grandes bandeiras do atual governo. Mas, este também pode ser o tendão de Aquiles do movimento social, mesmo que numa perspectiva diferente, no sentido de que o Estado assume o controle total da exploração de uma energia que, na sua essência, não é limpa. Segundo Marina Silva, o petróleo do pré-sal deveria servir ao propósito inovador de criar as condições de trânsito para aquilo que se mostra cada vez mais inescapável: uma economia de baixo carbono e uma

sociedade pós-ideologia do consumo. Por conta disso, o pré-sal pode ser uma bênção ou uma maldição para o Brasil. Pode ajudar a diminuir as desigualdades sociais ou aprofundá-las. Pode representar um impulso para jogar o país no século XXI de energia limpa, ou generalizar ainda mais a matriz energética altamente poluente. Dependerá da condução política e ecológica, fruto de um debate não mais assentado sobre um paradigma industrial (que em alguns pontos une governo e movimento social), que se der ao tema. E nesse sentido representa um desafio. Fonte: Agência Brasil/ Correio do Brasil/ Jornal da Universidade UFRGS/Diário do Pré Sal


Ecoturismo

ecologic revista

A Ecocidade Masdar 14

A cidade de Masdar, em Abu Dhabi, promete muitas coisas: ser a primeira cidade do mundo com neutralidade na emissão de carbono, ser uma versão ecotecnológica do Vale do Silício e um modelo sustentável para a urbanização no futuro. Essa utopia do deserto atenderá a tantas expectativas?


não será necessariamente apiplanejadores a concebem como nhada de bicicletas e pedestres. um núcleo para o desenvolviUm sistema de trânsito rápido mento de tecnologia ‘verde’ – o individual – minivagões sobre próprio nome Masdar significa trilhos – oferecerá uma mobili“a fonte”, na língua árabe. dade comparável a andar num As intenções são boas. Mas vagão de metrô particular. As será que Masdar não será mais mercadorias serão transportauma miragem? O poderio fidas de modo similar. Os visitannanceiro dos países produtores tes poderão ir a de petróleo é Masdar irá produzir Masdar usando um argumeno já previsto sisto que pesa a zero emissão de tema de transfavor. Masdar dióxido de carbono, porte ferroviátambém conta rio leve (LRT) com o apoio de nenhum lixo e será de Abu Dhabi, pesos-pesados abastecida com ou do jeito ando mundo acaenergia renovável tigo, isto é, de dêmico, como carro. o MIT (MassaConstruir uma cidade ecológichusetts Institute of Technoloca no deserto não soa muito engy) e o Instituto de Pesquisa e corajador. Porém, os planejadoTecnologia de Tóquio. res de Masdar querem aproveitar Paraíso dos pedestres: cidade a localização em benefício das cisem carros dades. Itens da arquitetura árabe No entanto, Masdar não se tradicional, como os muros em destina aos que sonham com volta das cidades, podem ajudar um futuro low-tech. Prevista a isolar o vento quente do deserpara abrigar 40 mil moradores e to, enquanto as ruas estreitas e 50 mil visitantes de passagem, a cobertas oferecem sombra e cacidade não terá automóveis, mas

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Podemos dizer que o homem tornou-se um animal urbano. Mais da metade da população do mundo vive em cidades, totalizando 3,3 bilhões de pessoas. Esse número vai aumentar para 5 bilhões em 2030, conforme prevê a ONU, impondo uma pressão colossal ao meio ambiente. As cidades de hoje têm sede, fome de energia, e produzem a maior parte do lixo e dos gases de efeito estufa do mundo. Poderá um novo modelo de crescimento urbano emergir das areias do deserto da Arábia? Em 2008, os construtores lançaram a “primeira cidade do mundo com neutralidade na emissão de carbono”: Masdar, uma cidade no emirado de Abu Dhabi, no Golfo Pérsico. Segundo o governo local, Masdar irá produzir zero emissão de dióxido de carbono, nenhum lixo e será abastecida com energia renovável – uma cidade moderna com um consumo de energia per capita nove vezes inferior ao que se tem nos Estados Unidos. Os

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Ecoturismo

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nalizam a brisa das necessidaA cidade será refrescante. des da cidade, Com o acréscerca de 100 um caldeirão cimo de instamegawatts de de concepções e lações de água energia fototecnologias urbanas voltaica (PV), e vegetação nativa, as temvirá dos painéis ecológicas peraturas posolares fotovolderão ser baixadas e mantidas taicos. Uma cidade de tamaa constantes 20 graus Celsius, nho similar e com um projeto reduzindo assim a necessidade convencional exigiria 800 mede energia para aquecimento ou gawatts de capacidade instalarefrigeração. da, dizem os planejadores de As edificações de Masdar são Masdar. projetadas para usar apenas Outras fontes de energia 20% da energia das estruturas incluem usinas geotérmicas, convencionais, excedendo até turbinas eólicas e incineradomesmo os atuais padrões mais res de resíduos orgânicos. Um

Numa cidade alimentada por energia solar, o que acontece à noite? Masdar precisará importar energia termelétrica da rede elétrica local para manter suas luzes acesas, até que apareça um modo melhor de armazenar eletricidade. Os planejadores pretendem compensar esse uso de combustível fóssil exportando de volta para a rede elétrica o excedente da energia solar gerada durante o dia. Água será o recurso mais escasso da cidade. A água doce será fornecida por uma usina de dessalinização movida a painéis solares fotovoltaicos. Coletores

elevados de referência em eficiência energética. A energia solar, recurso abundante no deserto da Arábia, deverá suprir a maior parte da eletricidade. Metade

de orvalho e captação de água das chuvas complementarão o abastecimento. A água para irrigar plantações e jardins, equivalente a 60% das necessidades da cidade, deverá ser obtida a partir

ecologic revista

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quinto do abastecimento de energia ainda não foi definido, contando com a suposição otimista de que formas melhores para a geração de energia renovável possam surgir até 2016.


da reciclagem de águas servidas. Por fim, apenas 2% dos resíduos gerados em Masdar serão destinados a um aterro.

Um deserto verdejante? Não admira que haja muitas perguntas ainda sem resposta. De onde virão os alimentos para Masdar? O excedente de energia solar irá de fato compensar a importação de eletricidade à noite? Será mesmo sustentável colocar mais gente morando num ambiente desértico? Dizem os críticos que o único modo de garantir que Masdar atinja a meta da neutralidade em emissão de carbono é não construir a cidade. Os 15 bilhões de dólares do investimento inicial, dizem eles, seriam mais

bem empregados aumentando as áreas verdes de Abu Dhabi, que apresenta uma das piores pegadas de carbono no mundo. Entretanto, não faltam projetos com intensa emissão de carbono: Abu Dhabi está construindo a maior fundição de alumínio do mundo, uma pista de corrida de Fórmula 1 e uma pista coberta de esqui. “Na pior das hipóteses, Masdar servirá como uma fulgurante distração à atividade politicamente embaraçosa de reformular a infraestrutura, os negócios e os estilos de vida existentes. Na melhor, a cidade será um caldeirão de concepções e tecnologias urbanas ecológicas”, diz o urbanista Richard Plunz, diretor do laboratório de Design Urbano, do Earth Institute.

Mais do que locais projetados para substituir a infraestrutura urbana existente, ecocidades como essa são modelos de estudo, afirma Plunz. “Elas são laboratórios”. Com o aperto no crédito se agravando em toda parte, a região do Golfo Pérsico é um dos poucos lugares onde ainda há fundos disponíveis para a pesquisa futurista. Uma nova utopia pode ser justamente o elemento que faltava em um mundo confrontado com más notícias sobre o declínio econômico e a mudança climática – ainda que seja construído na areia. Fonte: James Tulloc, em: ••www.sustentabilidade.allianz.com.br


MA & economia

A nova onda: Logística Reversa o transporte de trás pra frente Entenda como funciona a devolução de produtos no pós-consumo ao fabricante. Para muitos, este é o mecanismo que vai salvar o planeta das montanhas de lixo eletrônico

ecologic revista

Por André Garcia

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De forma simplificada, a logística é defi nida como o processo pelo qual um fabricante planeja a armazenagem e a distribuição de seus bens e produtos. Já a logística reversa realiza o caminho contrário, preocupando-se com a coleta e a devolução de mercadorias para as empresas após o consumo. Assim, são as empresas produtoras que se responsabilizam pela reciclagem, quando possível, e pelo descarte adequado, caso os resíduos não possam ser reaproveitados. Com o crescente volume de negócios em escala mundial e a imensa quantidade de produtos transportados diariamente, aumenta também a

quantidade de lixo gerado e de materiais que precisam ser mandados de volta à sua origem. Esse tráfego de produtos no sentido contrário da cadeia de produção normal (dos clientes em direção às indústrias) precisa ser tratado adequadamente, para evitar trabalho e custos extras. A logística reversa é a área responsável por este fluxo reverso de produtos, seja qual for o motivo: reciclagem, reuso, recall, devoluções, etc. A importância deste processo reside em dois extremos: em um, as regulamentações, que exigem o tratamento de alguns produtos após seu uso (como as emba-


Segundo o IBGE, o Brasil gera 13 mil toneladas de lixo por dia. Destas, 73 mil toneladas são de resíduos recicláveis e não aproveitados, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Em valores monetários, isso equivale à perda  bilhões de reais em um ano, que é o PIB da Bolívia. Nós jogamos no lixo uma Bolívia por ano”.

momento em que o produto é produzido, se estende ao ato da compra e reinicia o ciclo quando é devolvido como matéria-prima para ser re-inserido.

A Logística Reversa começa no momento em que o produto é produzido, se estende ao ato da compra e reinicia o ciclo quando é devolvido como matéria-prima para ser re-inserido

Segundo Gailen Vick, presidente da RLA – Reverse Logistics Association, as empresas não têm consciência de quanto dinheiro poderia ser economizado com a adoção da prática. “Ser ambientalmente correto afeta a satisfação do cliente. Se você não faz porque é ambientalista, faça pelo lucro e pela imagem corporativa. O que é lixo, hoje, pode valer dinheiro se for bem empregado no futuro”. Mas além do desconhecimento do assunto, existe ineficiência na própria implementação da LR, que exige, de fato, uma estrutura complexa para recolher, armazenar e tratar resíduos e um alto investimento inicial.

Na visão de André Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da ABINEE – Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Logística Reversa é a estratégia que permite um aumento de participação da empresa no mercado a partir de um programa de take back. “A conscientização e a destinação ambientalmente adequada de um produto pode trazer ao consumidor o entendimento sobre uma marca muito mais responsável e mais direta do que qualquer comercial. É uma aposta no consumo consciente”, diz. A Logística Reversa é um processo dinâmico que, através da conscientização socioambiental, deve envolver a participação da sociedade como um todo. Além da responsabilidade dos fabricantes ao se desfazerem daquilo que criaram com o menor impacto para o meio ambiente, é preciso que haja compromisso por parte dos clientes em realizar a melhor compra e não se guiar apenas pelo menor preço. A Logística Reversa começa no

Há inúmeras empresas que diminuíram o tamanho das embalagens de seus produtos sem afetar seu conteúdo para gerar menos lixo, que montam os equipamentos que comercializam pensando na facilidade que terão em desmontá-los para reciclá-los depois, e claro, que procuram utilizar materiais reutilizados em sua confecção.

Com o aumento das pressões da sociedade para produtos e processos ecologicamente corretos, a reciclagem ganha força e a logística reversa é um dos principais motores deste movimento. Além de contribuir legitimamente para a redução dos impactos ao meio ambiente há um ganho de imagem para a empresa que o faz. Há exemplos de reciclagem que já são práticas comuns: latas de alumínio, garrafas pet, papel, dentre outros itens de pós-consumo.

De maneira geral, três fatores estimulam o retorno de produtos: (1) consciência cada vez maior da população para a necessidade de reciclar e de se preocupar com o meio ambiente; (2) melhores tecnologias capazes de reaproveitar componentes e aumentar a reciclagem; (3) questões legais, quando a legislação obriga que as empresas recolham e dêem destino apropriado aos produtos após o uso.

Do ponto de vista das empresas, alguns cuidados precisam ser tomados. Identificar as melhores estruturas de transporte capazes de recolher estes produtos, normalmente muito dispersos nos cen-

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lagens de agrotóxicos ou baterias de celulares); na outra ponta, a possibilidade de agregar valor ao que seria lixo.

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MA & economia

tros de consumo, e levá-los de em 2009 recolheu 32 milhões de volta às fábricas ou centros de toneladas de embalagens. tratamento é um grande desafio que precisa ser corretamente No Brasil, apenas 10% de todos modelado. As práticas neste reos produtos comercializados volcente segmento ainda não estão tam para as fábricas, de acordo consolidadas, e há espaço para com pesquisa elaborada pelo Condiversas inovações. Portanto, selho de Logística Reversa do faz-se necessário planejar estraBrasil (CLRB). Isso funciona estegicamente os pecialmente na No Brasil, apenas 10% devolução de sistemas internos (gerenciade todos os produtos pilhas e baterias, mento de estopneus e embacomercializados ques, sistemas lagens de agrode informação, tóxicos. Para voltam para as espaço físico) e ajudar a elevar fábricas externos (transesse número, o porte e relacionamento com Congresso Nacional aprovou, em clientes), a fim de aproveitar este agosto de 2010, a Política Nacionovo mercado, atraindo e fidenal de Resíduos Sólidos, que tem lizando clientes com mais uma como um dos principais objetiopção de serviço pós-venda. vos a regulamentação da logística reversa. Entre os benefícios proporcionados pela logística reversa estão Segundo a legislação, fabricana redução de custos com a protes, importadores, distribuidores e dução de novos itens e a redução comerciantes de produtos de difídos impactos causados ao meio cil decomposição, entre eles agroambiente, como contaminação tóxicos, pilhas e baterias, pneus, do solo e emissão de poluentes óleos lubrificantes, lâmpadas fluna atmosfera, gerados pela desorescentes e eletroeletrônicos, são tinação incorreta dos resíduos. obrigados a estruturar e impleNos Estados Unidos, essa prática mentar sistemas de retorno após o recebe investimentos de aproxiconsumo. Isso deve ser feito indemadamente US$ 750 bilhões todos pendentemente do serviço público os anos, segundo pesquisa da Rede limpeza e manejo dos resíduos verse Logistics Association (RLA). sólidos. Já a organização Packaging Recovery Organisation Europe (Pro Para que isso funcione na práEurope), presente em 35 países, tica, representantes de toda a cadeia produtora devem entrar em acordo para definir como deve ser feita a coleta, a reciclagem e a destinação das mercadorias, levando

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em conta, inclusive, os catadores de material reciclável. O Ministério do Meio Ambiente espera que essas normas entrem em vigor no segundo semestre de 2012. Para Estanislau Maria, coordenador de comunicação do instituto Akatu, ONG que defende o consumo consciente e sustentável, a Política Nacional dos Resíduos Sólidos é fundamental e divide a responsabilidade entre todos os agentes das cadeias produtivas – consumidor final, indústria, empresas e governo. “Porém, há algumas obscuridades: ao mesmo tempo em que a política incentiva a coleta seletiva, não define o papel dos catadores e pode transformar a reciclagem em um mercado muito lucrativo para a iniciativa privada, além disso, a lei permite a incineração de lixo”. Para muitos especialistas, tratando-se de resíduos em geral, a melhor maneira de gerir o lixo é a separação na origem. Para isso é preciso que haja uma confluência entre a legislação e a conscientização ambiental, no sentido de que a sociedade tenha como prática habitual, a segregação dos resíduos diretamente na fonte de geração dos mesmos, proporcionando a preservação da natureza e conseqüentemente colaborando com a melhoria na qualidade de vida da sociedade em geral. Fontes: ••www.clrb.com.br ••www.planetasustentavel.abril.com.br ••www.empresaresponsavel.com ••www.logisticadescomplicada.com ••www.estadao.com.br ••www.revistaportuaria.com.br


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Entrevista

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Rio+20 pode chegar a um resultado tímido Alerta é feito pelo negociador do Brasil na ONU. Embaixador reconhece que crise pode até ajudar na conscientização

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entrevista GIVALDO BARBOSA / AGÊNCIA O GLOBO

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O mundo tem que pensar como vai funcionar em 2050 com nove bilhões de pessoas na classe média

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Se a Rio+20 aprovar apenas a transformação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência especializada das Nações Unidas, como querem os americanos e os africanos, será muito pouco para a conferência que tem a oportunidade histórica de “marcar uma geração”. O alerta é do embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil na conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que ocorrerá em junho no Rio. A mudança de status  do Pnuma, defende o embaixador, precisa vir acompanhada de “algum tipo de mandato” maior na estrutura da ONU. O Pnuma é uma instituição quarentona. Nas últimas quatro décadas, produziu importantes relatórios e documentos sobre a questão climática, mas é um braço da ONU sem autonomia para tomar decisões. O tal mandato defendido por Lago pode ocorrer na forma de um comitê, de um conselho, de um fórum. O que importa é que seja garantido que os negociadores não aprovem exclusivamente o fortalecimento do pilar ambiental do desenvolvimento sustentável. Ele defende o consumo consciente e diz que, nisso, a crise global ajuda.

digma para a área econômica. Esta é uma etapa que precisa avançar.

O que o senhor espera da Rio+20? A Rio+20 deve ser uma conferência que marque uma geração. É difícil prever como ela vai marcar positivamente uma geração, mas temos que assegurar que o documento que venha a ser aprovado crie certos mandatos, já que o desenvolvimento sustentável tem um para-

A solução seria transformar o Pnuma numa agência especializada da ONU, como querem os negociadores americanos e africanos? Se o fortalecimento do Pnuma não vier acompanhando de algum tipo de mandato para uma estrutura de desenvolvimento sustentável maior, seria muito

Como traduzir isso para a economia real? Não adianta dar mais dinheiro para que a África possa fazer um projeto ou outro. Isso é uma ideia antiga, que já está totalmente esgotada. O mundo tem que pensar como vai funcionar em 2050 com nove bilhões de pessoas na classe média. Já temos a fórmula para erradicar a pobreza, e o exemplo vem sendo dado por países como Brasil, China e Índia. Só não sabemos ainda como administrar ambiental, social e economicamente um planeta com nove bilhões de consumidores. Mas o senhor disse que essa definição sairá da Rio+20? Na Rio 92, ninguém poderia imaginar que em 2012 Brasil, China e Índia teriam a relevância que têm hoje no cenário internacional. Nem os mais otimistas teriam condições de vislumbrar essa mudança estrutural no mundo. Durante muitos anos se pensou que a pobreza não seria erradicada, que sempre haveria recursos naturais para todos, que a justiça social era para uns e não para outros.


pouco para uma conferência desse porte. Não podemos sair da Rio+20 com o fortalecimento apenas do pilar ambiental. É preciso ter o fortalecimento do pilar ambiental, do social e do econômico. Precisamos assegurar que o paradigma do desenvolvimento sustentável seja o paradigma da gestão econômica.

mente diferente do que ela tem sido ouvida até agora. A Rio+20 vai refletir esse novo mundo. Mas nesse novo contexto da geopolítica mundial, com os países ricos em crise e os países emergentes bombando, a tendência não é a disputa entre ricos e pobres ficar mais evidente? Tudo depende de como a Rio+20 será interpretada. Ela tanto pode ser entendida como uma maior separação entre ricos e pobres, mas também pode ser interpretada como uma extraordinária oportunidade econômica para os países ricos. Espero que a Rio+20 venha a acentuar as enormes oportunidades que essa mudança geopolítica que o mundo está vivendo representa para o mundo contemporâneo.

Mas olhando de fora, a impressão é que a Rio+20 está focada exclusivamente no fortalecimento do Pnuma, já que vem se falando pouco de outras áreas. Afinal, como migrar de uma economia de alto carbono para uma economia de baixo carbono? De onde virá o dinheiro? A sociedade está interessada em que a Rio+20 trate da questão do emprego, da justiça social, da proteção social. Se a nova classe média brasiA sociedade civil leira, chinesa e O desafio é do Brasil e de indiana resoloutros países desenvolver padrões ver ir às comquer mais dos pras, a conta de consumo que seus governos. não fecha. O sejam ao mesmo E os governos, próprio secrepara poderem se tário-geral da tempo atraentes e mexer, precisam ONU para a compatíveis com a saber que eles Rio +20, Sha têm esse manZukang, chenova classe média dato por parte gou a calcuemergente, do ponto lar que, para das suas sociede vista econômico, dades civis. Já atender a tal podemos prever aumento de ambiental e social. que a Rio+20 demanda, seAinda temos tempo vai ser uma riam necessáconferência que rios cinco plapara esperar, mas vai simbolizar netas Terra. não temos todo o essa mudança Não podemos tempo do mundo do mundo que achar que só a aconteceu nos classe média últimos 20 anos. dos países emergentes é que vai mudar de padrão de consumo. Como assim? A voz dos países Porque a classe média dos paíem desenvolvimento, como Brases emergentes está seguindo os sil, China, Índia e Indonésia, vai padrões de consumo atraentes ser ouvida num grau completacriados pelos países ricos. É poli-

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Precisamos assegurar que o paradigma do desenvolvimento sustentável seja o paradigma da gestão econômica

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Entrevista

Mas o senhor acha que os tescas, é possível parar para países ricos estão dispostos pensar sobre isso? Se não a investir? Mas não necessahouvesse uma crise mundial, aí riamente será mais caro. Todos sim as pessoas estariam acomonós, todos os dias, fazemos dadas e seria bem mais difícil milhões de opções na hora de falar do futuro. É a crise munescolher um restaurante, uma dial que vai legitimar o quesroupa, um transporte. Essas tionamento do modelo atual, decisões são tomadas de forma porque o modelo atual revelouinconsciente -se insatisfatóÉ a crise mundial das dimensões rio do ponto de social e amvista ambienque vai legitimar biental. É a dital, econômio questionamento mensão econôco e social. Se do modelo atual, mica que ainda tivesse apenas prevalece. A uma crise amporque o modelo maior consbiental, haveria atual revelou-se cientização das uma tendência consequências insatisfatório do ponto de pensar em do consumo é tratar da quesde vista ambiental, extremamentão apenas do econômico e social te importante, ponto de vista só que, muitas ambiental. vezes, isso vem sendo interpretado como novas barreiras ao O Brasil vem emitindo sinais comércio. Isso acaba dificultantrocados, mesmo sendo ando o crescimento dos países em fitrião da Rio+20. Estamos desenvolvimento. O problema é discutindo um código floresque esse debate não tem avantal que pressupõe perdão de çado na velocidade que deveria. dívida aos desmatadores. O Supremo Tribunal Federal O senhor espera que venha está prestes a votar a extina ser aprovado algum tipo ção da lista suja do trabalho de taxação na Rio+20? Vai escravo. Temos uma política ser muito difícil obter algum pública que não estimula a resultado concreto dessa concompra de produtos verdes. ferência. Criou-se uma enorme Para onde estamos camiexpectativa em torno desses nhando? Essas questões estão encontros. Acho que a Rio+ 20 sendo amplamente discutidas vai mostrar caminhos, vai abrir dentro da sociedade de maneiuma discussão sobre qual vai ra transparente. Se a decisão ser a estrutura de governança vai numa direção ou em outra, do desenvolvimento sustentánecessariamente teremos os vel, qual vai ser a direção que as insatisfeitos. Não podemos metas de desenvolvimento susperder de vista que toda essa tentável seguirá, qual será a mudiscussão está ocorrendo num dança de padrões de consumo. contexto de um país demoNão vai ser uma conferência crático. Os sinais que o Brasil onde se vá assinar documentos. está emitindo são reflexo da sociedade que temos. Haverá, Em meio a uma crise finaninevitavelmente, vencedores e ceira de proporções giganperdedores.

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ticamente e moralmente impensável que se vá manter o padrão de consumo dos países ricos e não vá permitir que a nova classe média dos países em desenvolvimento tenham o mesmo padrão.

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Mas, afinal, como fechar essa conta? A solução é promover uma imensa discussão sobre a mudança dos padrões de consumo da classe média no mundo. O desafio é desenvolver padrões de consumo que sejam ao mesmo tempo atraentes e compatíveis com a nova classe média emergente, do ponto de vista econômico, ambiental e social. Ainda temos tempo para esperar, mas não temos todo o tempo do mundo.


MA & política

Desafios estratégicos da gestão das águas a água como objeto de Política de Estado

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Uma Política de Estado significa o estabelecimento de um consenso, um pacto social para o bem comum de execução continuada por sobre os interesses setoriais e partidários de curto prazo. Por outro lado, uma política de governo por períodos de gestão acaba por introduzir ênfases e variações, sem contudo, mudanças substanciais na Política de Estado. No âmbito do Estado de São Paulo a Constituição Estadual no artigo 205 estabeleceu as diretrizes da política de recursos hídricos. Ela foi legal e institucionalmente projetada nos últimos 20 anos desde a promulgação da Lei 7.663 de dezembro de 1991 que tornou São Paulo pioneiro na política de gestão das águas. O pioneirismo nem sempre é benesse, tem o custo da invenção e ousadia e pode carregar o ônus da estagnação e da acomodação se não nos dispusermos a avaliação crítica permanente e não permanecermos abertos aos necessários ajustes à luz das mudanças sociais e econômicas locais,

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regionais e globais que apontam para a emergência do novo paradigma do desenvolvimento real, com sustentabilidade, que não mais se confunde com a busca desmedida por crescimento econômico. No que se refere ao Sistema Integrado de Gestão das Águas, haveremos de avançar nesta perspectiva adaptativa, incorporando vantagens e evitando desvantagens. Na gestão atual, assumimos o bastão e temos a tarefa de coordenar o aperfeiçoamento e a continuidade das ações de ajuste, sempre compartilhando informações e decisões, e trabalhar para que tenhamos condições institucionais cada vez melhores dos pontos de vista do suporte técnico e administrativo para o adequado enfrentamento dos novos e crescentes desafios da gestão deste bem público estratégico que é a água. Entre eles, zelar pelo fortalecimento dos princípios orientadores: participação, descentralização e integração, nas diversas instân-


cias e dimensões da ação desta política pública, assim como ter presente como ideias-força: Usos Múltiplos, Proteção das Águas, Mudanças climáticas e Eventos Críticos, Integração com as ações municipais e articulação com a política nacional (participação no Fórum Nacional dos Órgãos Gestores, no CNRH, nas suas Câmaras Técnicas, articulação com a Agencia Nacio-

nal de Águas nas ações comuns do Plano nacional e na implantação dos comitês conjuntos nos rios de domínio da União dentro de um federalismo cooperativo). Se faz necessária progressiva coerência sistêmica ao “Sistema Integrado de Gerenciamento dos Recursos Hídricos – SIGRH”, intensificando as articulações e sinergias entre todas as instâncias do sistema:

a) A progressiva e efetiva imple- pletos e especificando as ações. Todos c) Apoio a uma melhor estruturação os instrumentos conectados e sob o acompanhamento permanente no âmbito de suas atribuições de cada uma das instâncias colegiadas: CBHs, CORHI, COFEHIDRO e Conselho Estadual (CRH), nas quais aconteça a participação plena dos representantes do Estado, Municípios e Sociedade Civil, garantida a qualificação das decisões das Câmaras Técnicas;

Alguns eixos e significados destes desafios 1. Consolidação do Plano Estadual 2012-2015, iniciado

em 2010, como instrumento guia da participação e facilitador da aproximação da política de recursos hídricos com cada uma das principais políticas públicas setoriais com interfaces, tendo como foco as UGRHIs (Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos) e em sintonia com o PPA (Plano Plurianual). Por outro lado, os empreendimentos financiados pelo FEHIDRO devem ser acompanhados e avaliados de forma constante para que se ajustem aos Planos de Desenvolvimento Continuados-PDCs do Plano Estadual e aos respectivos Planos de Bacias; 2. A cobrança pelo uso da água como um processo. Na reunião do CRH de 19 de abril, a primeira transmitida pela internet, foram aprovadas as minutas de mais seis decretos, um passo à frente na cobrança em várias bacias. Já existe consenso e aumenta a compreensão de que a cobrança não é uma simples precificação da água para arrecadação financeira, mas um instrumento de gestão e pedagogia para uma valorização da mesma como recurso essencial à vida e ao desenvolvimento. Contudo, nas Bacias onde já se implantou a cobrança existe um incremento significativo de recursos a serem investidos no próprio território onde se cobra. Esta gestão, na qual os recursos hídricos voltaram a ter o “status” de Secretaria de Estado por determinação do Governador, soma-

para um correto suporte às Secretarias Executivas dos CBHs e às equipes técnicas tão fundamentais a adequada gestão dos recursos hídricos, através da CRHi, do Departamento de Águas e Energia (DAEE) e da CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo);

rá esforços com todos os órgãos do SIGRH para que se consolidem os cadastros de usuários e que se viabilizem os atos convocatórios, a emissão de boletos e o início da cobrança nas UGRHIs cuja decisão já tenha sido tomada. A Cobrança é uma realidade em três delas: PCJ (Piracicaba, Capivari, Jundiaí), Paraíba do Sul e Sorocaba Médio-Tietê, e está prestes a ser iniciada no Alto Tietê, com previsão para o início de 2012, ainda que a aplicação dos recursos ficará na dependência da aprovação pela ALESP das leis Especificas (Juqueri, Cotia e Tietê-Cabeceiras); 3. O enquadramento dos corpos d´água permanece como desafio a frente para seguirmos na direção de uma gestão plena das águas, destacando-se aqui o passo dado pelo CBH-PCJ no seu mais recente Plano de Bacia; . A outorga eletrônica, com integração dos aspectos da quantidade e qualidade, com base compartilhada de dados que permita um efetivo controle e fiscalização associada ao monitoramento constante das águas superficiais e subterrâneas; . Administrar e mediar os crescentes conflitos pelo uso. A base de recursos naturais deve ser considerada no planejamento do desenvolvimento, em particular nas regiões metropolitanas e eixos de metropolização da macrometrópole paulista. Os problemas com a baixa disponibilidade de água nas regiões metropolitanas se agravam com a crescente pressão demográfica urbana. A transposição e a cobrança serão temas de análises e debates até 2014, considerando-se a renovação da outorga do sistema Cantareira que fornece cerca de 50% da água

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mentação dos instrumentos da política, outorga e fiscalização, cobrança, enquadramento dos corpos de água, sistemas de informações, os Planos de Bacia e o Plano Estadual de Recursos Hídricos; b) Sintonia dos investimentos financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) com os Plano de Bacia, cada vez mais com-

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da RMSP e trará a tona as condicionantes pactuadas na renovação anterior; 6.  O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Os membros do SIGRH devem se familiarizar com as inovações nesta área, de forma a nos integrarmos aos esforços para o resgate das matas ciliares e preservação dos mananciais, à luz da Política Estadual das Mudanças Climáticas-PEMC e da polêmica do “novo” Código Florestal. Esta agenda pode ganhar consenso político e se consolidar com benefícios aos pequenos e médios proprietários rurais e a preservação e recuperação ambiental; 7.  A valorização da descentralização através das UGRHIs, fortalecendo a identidade e ganhando legitimidade junto aos “atores sociais”como parte importante da estratégia da valorização das águas. O Estado de São Paulo esta dividido em 22 Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos – UGRHIs e 21 Comitês de Bacias Hidrográficas, e no momento, a partir de decisão do Governador, se estuda a adoção deste recorte territorial no planejamento do Estado de São Paulo. Cada um destes Comitês tem um

Secretario Executivo (17 do DAEE e 4 da CETESB) e uma equipe de apoio. O Comitê tem um presidente, geralmente um Prefeito. É necessário fortalecer a visão estratégica da Bacia como território e o Comitê como o “parlamento das águas”, fórum e espaço de integração transversal de políticas públicas e de discussão das bases para o desenvolvimento regional sustentável, orientado pelo Plano de Bacia, estruturante inclusive para a definição dos investimentos privados; 8.  As Águas Subterrâneas será tema de destaque e deve ganhar visibilidade. O Plano Nacional tem uma linha temática da integração de águas superficiais e subterrâneas com atividade intensa na Câmara Técnica do CNRH. Em São Paulo na Câmara Técnica do CRH, o DAEE e a CETESB trabalham em conjunto como ficou patente no recente Seminário promovido pelo Instituto Geológico em 18 de abril e apoiado pelas Secretarias do Meio Ambiente e Saneamento e Recursos hídricos. Alí se apresentou o “estado da arte” das águas subterrâneas e do Aqüífero Guarani, a perspectiva de uma Lei Específica de Proteção dos Mananciais Subterrâneos. Destaca-se aqui a aprovação pelo CRH de

Deliberação sobre a delimitação das áreas de restrição e controle do uso das águas subterrâneas na área crítica da região de Jurubatuba no sul da cidade de São Paulo; 9.  O desafio do gerenciamento costeiro integrado. São Paulo tem um extenso litoral e três Comitês em regiões costeiras: Ribeira-Litoral Sul, Baixada Santista e Litoral Norte, áreas que historicamente sofrem a pressão da ocupação irregular, da especulação imobiliária e que serão impactadas pelos empreendimentos do pré-sal. No plano nacional,o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, ainda não concluiu os debates sobre o Programa IX do Plano Nacional de Recursos Hídricos que trata do tema, sendo preciso planejar com cuidado o desenvolvimento destas peculiares e sensíveis regiões. Em São Paulo desde 2004 existe Decreto que institui o “Zoneamento Ecológico-Econômico do Litoral Norte”, que deve orientar o Licenciamento Ambiental, mas é fato que as intervenções na realidade estão cada vez mais rápidas e que será necessário fortalecer a capacidade de planejamento e gestão dos territórios. 10.  Os Rios Federais e a gestão compartilhada. Em articulação no plano nacional com a Agencia Nacional de Águas e o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, temos em


e acelerar a gestão e a análise de projetos do FEHIDRO, organizar arquivos, cadastros e relatórios gerenciais, de forma a cumprir todas as atribuições adequadamente. Assim exigem as funções de formulação e execução, gerenciamento e suporte, como a da Secretaria Executiva do CRH e suas Câmaras Técnicas, acompanhando-se o processo permanente de formulação de políticas e normas através de deliberações; da Secretaria Executiva do COFEHIDRO e do “Comitê Orientador do Plano-CORHI” e as instâncias de apoio, acompanhando e gerenciando a tramitação de seus projetos e respondendo ainda às demandas institucionais do Tribunal de Contas, etc..; 13.  O Fundo Estadual de Recursos Hídricos-FEHIDRO. É sem nenhuma dúvida uma das experiências mais significativas de gestão descentralizada de fundos públicos, mas está demandando uma avaliação ampla por todos os atores visando agilizar e dar efetividade e eficiência a cada um de seus subsistemas: formulação de projetos, análises, execução do empreendimento e prestação de contas. Do contrário os efeitos são negativos ao sistema em termos de imagem e de retenção demasiada dos recursos financeiros que poderiam mais rapidamente produzir os seus impactos positivos. O Conselho de Orientação do FEHIDRO- COFEHIDRO para estimular estas reflexões fez uma primeira opção através da instituição do PRÊMIO COFEHIDRO para o melhor projeto e efetividade, considerando a sintonia com os Planos de Bacia, a velocidade de tramitação e execução financeira. A evolução para uma nova fase demandará aperfeiçoamentos que incluem o CORHI e a atuação dos Agentes Técnicos.

Os 20 anos nos permitem um olhar retrospectivo, mas sem

saudosismo e sim com a consciência madura da necessidade de aperfeiçoamentos e superação de paradigmas, para que o SIGRH possa prosseguir com progressiva eficiência e eficácia, de forma que seja alcançado o principal objetivo de sua existência: garantir ao Estado de São Paulo e às gerações atuais e futuras água em qualidade e quantidade, pois esta é essencial à vida, à economia e ao desenvolvimento sustentável. Walter Tesch (Coordenador de Recursos Hídricos da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos) e Rogério Menezes (Secretário Adjunto da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos)

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São Paulo dois Comitês de Bacias de Rios Federais. O mais antigo o CEIVAP (Comitê Integrado do Vale do Paraíba com Rio de Janeiro e Minas) e o PCJ (com Minas Gerais). Em implantação temos o Comitê do Rio Grande (com Minas Gerais) já com Decreto do Presidente da Republica e com diretoria provisória e cronograma de conclusão do processo até 1º de setembro de 2011 e o Comitê do Paranapanema (com o Paraná), com grupo de trabalho em ação e Decreto em tramitação na Casa Civil da Presidência. A CRHi tem apoiado enquanto Secretaria Executiva os processos de implantação destes Comitês Federais; 11.  Integrar e sintonizar os órgãos que dão suporte técnico administrativo ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos. As mudanças institucionais dos últimos anos, as fragilidades nas estruturas e a perda de quadros técnicos sempre deixam marcas, mas figurativamente, as “feridas” devem e serão superadas. No plano institucional nos cabe trabalhar com um olhar sistêmico e para frente, sem olhar no retrovisor, articular instituições e quadros técnicos sem superposição e focar na visão de Política de Estado. Nivelar perspectivas, sintonizar e superar culturas arraigadas. O desafio do olhar para dentro para que se possa construir para fora e para o futuro; 12.  Para cumprir nossa missão será imprescindível a superação dos obstáculos técnicos, de formação de novos quadros e reposição para preservar e recuperar o quadro de pessoal técnico envolvido na operação da política de Estado de Gestão de Recursos Hídricos e na implementação de seus instrumentos, seja na CRHi, seja no DAEE. Sem isto torna-se difícil desenvolver e aperfeiçoar, dar coerência aos instrumentos gerenciais de informação, comunicação e formação, garantir

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Artigo Construção Sustentável Arquiteto Carlos Eduardo Cabanas Diretor de Obras do SESI/SENAI São Paulo

É importante destacar que a construção civil vem passando por uma verdadeira e necessária mudança em seus projetos, produtos e processos construtivos, no entanto existe ainda um longo caminho a ser percorrido na consolidação desta importante cadeia produtiva. Nos últimos anos muito se tem falado à respeito da reciclagem dos materiais na construção e o destino dos mesmos como preconizado pelo CONAMA 307(Conselho Nacional do Meio Ambiente), sobre o uso da energia solar nos empreendimentos, das caixas de retardo para as águas de chuvas e reaproveitamento das águas em geral, as construções com selo verde (green building) e por aí vai. Pelas razões acima e por outras tantas não citadas é que os projetos de escolas do SESI e do SENAI São Paulo têm evoluído com esta preocupação e hoje apresentam características que atendem boa parte dos atributos de uma construção sustentável e com a responsabilidade de ensinar pelo exemplo. Nossa pretensão é de que, ao cabo da construção de 100 novas escolas do SESI e 14 do SENAI- SP, conforme determinação de nosso presidente Paulo Skaf, não tenhamos apenas atendido integralmente os aspectos legais e ambientais em sua execução, mas também ensinado aos nossos alunos, através do exemplo, as boas

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Uma das 100 escolas concluídas do SESI (São João da Boa Vista) e em operação a partir de set/2011. E em 2012 teremos em execução boa parte das 14 escolas SENAI licitadas.

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práticas de cidadania e respeito ao meio ambiente. No SESI, os alunos têm acesso a um ensino de excelência em período integral, com alimentação de qualidade, prática esportiva e desenvolvimento de atividades culturais, enquanto o SENAI complementa o estudo preparando o aluno para o mercado de trabalho e atuação direta nos processos produtivos. A meu ver, não existe local melhor para início de boas práticas do que em uma escola. Nas escolas, os alunos do SESI/SENAI-SP estarão em contato com uma construção que tem, entre outras soluções, sistema de coleta de águas de chuvas para reaproveitamento em bacias sanitárias que reduz consideravelmente o consumo de água tratada, lixeiras de coleta seletiva com destinação total do lixo à reciclagem, piso externo de pavimento inter-travado que possibilita baixa manutenção e permite que parte das águas de chuva seja absorvida, iluminação e ventilação naturais com beirais, brises avantajados, pé direito de 3,00 m e conjunto de esquadrias que dão ganho significativo ao conforto térmico dos ambientes. Ai reside a grande oportunidade de que o aluno venha a reproduzir essas práticas em suas casas e locais de trabalho. É importante ressaltar que o projeto de escola atende integralmente a norma NBR 9050 de acessibilidade à edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos possibilitando acesso a pessoas com mobilidade reduzida. Assim, conta com elevadores e rampas que facilitam o deslocamento e a autonomia, existência de sanitários e vestiários masculino e feminino adequados para cadeirantes, além da destinação de vagas específicas para veículos dessas pessoas no estacionamento. Como mencionado no início deste artigo, os projetos de escola vislumbram, em seu processo evolutivo, um longo caminho à frente, mas uma vez que já nos colocamos nele, levamos conosco a responsabilidade de inspirar e despertar nos jovens que frequentam nossas escolas do SESI e SENAI-SP, a consciência para as questões de responsabilidade social e ambiental.


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MA & social

Projeto Amor-Peixe

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Projeto da associação de mulheres Amor-Peixe, apoiado pelo programa Pantanal para Sempre do WWF - Brasil, em Corumbá (MS), é um exemplo de geração de renda e conservação ambiental.

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O objetivo do projeto é promover a melhoria da qualidade de vida das artesãs e de suas famílias, aliada à conservação dos recursos naturais pesqueiros, aquáticos e vegetais e à qualidade ambiental. Além da produção de artesanato a associação desenvolve atividades socioeducativas por acreditar que a Educação Ambiental é um caminho para se promover a qualidade de vida e a consciência comunitária. Criada em 2003, em Corumbá – cidade situada às margens do Rio Paraguai, no coração do Pantanal - a associação produz artesanato a partir do couro de peixe. Com criatividade, trabalho e dedicação transformam o que antes ia para o lixo em belos produtos artesanais.

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A riqueza do Pantanal não está somente nas belas paisagens e na sua biodiversidade de animais e plantas, mas também nas pessoas que vivem nele


A estratégia de trabalhar a construção coletiva do grupo resultou em uma organização autônoma e capaz de gerar renda, influenciar as políticas públicas e contribuir para a conservação do Pantanal. Amor - Peixe é um projeto exemplar de desenvolvimento sustentável. Os resultados alcançados de alívio da pobreza e emancipação social e econô-

Entre as lições aprendidas, o destaque é de que a construção, para ser sólida, tem que ter um bom alicerce. O grande diferencial do Projeto foi proporcionar o crescimento do grupo, em lugar de focar em lideranças. Isso significou formar a associação com base em objetivos comuns, valores coletivos e com um contrato social transparente, construído de forma participativa para selar um compromisso efetivo. As mulheres que participaram do Projeto tiveram a opor-

mica são palpáveis e impactam diretamente um grupo de mulheres organizadas e sua comunidade ribeirinha, contribuindo para a conservação do Pantanal. Desenvolvido pelo WWF - Brasil com um grupo de mulheres pantaneiras, com apoio de parceiros locais, o Projeto constitui um caso de sucesso e seu efeito é multiplicador, pois influencia as políticas públicas e a formação de outros grupos.

tunidade de redesenhar seu nhecido e serve de inspiração: destino e se fazer ouvir para elas são chamadas para falar ajudar a promover mudanças de sua experiência e já capaciem prol de um taram mais futuro melhor O grande diferencial do de dez grupara a sociepos pelo país Projeto foi proporcionar afora, além de dade. De mulheres simples, ter assento em o crescimento do sem renda nem diversos fógrupo, em lugar de voz, restritas runs de polífocar em lideranças. ao mundo do ticas públicas lar e que ene participar de frentam a desigualdade de gêinúmeras feiras e eventos.

nero, elas aprenderam a criar e se recriaram. Hoje elas têm sua própria fonte de renda e decidem como usar seu dinheiro sem pedir nada para ninguém nem licença para marido. Usam a internet, viajam de avião, discutem políticas com representantes setoriais, governamentais e científicos, são chamadas para palestrar. Assumiram um papel de liderança e são influentes em casa, na comunidade e nos rumos da sociedade. Seu sucesso é reco-

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Modelo de desenvolvimento sustentável

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MA & social

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O Projeto é fonte de inspiração e referência na região e no país e poderá servir de modelo para novas ações de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental.

Ao invés de dar o peixe, ensinar a pescar O Projeto Amor-Peixe teve uma estratégia desenhada com perspectiva de início, meio e fim e cumpriu todas as etapas: diagnóstico do problema, proposta de solução, identificação de parceiros, construção da confiança do grupo, desenvolvimento das habilidades necessárias para atingir os objetivos, fortalecimento da organização para pro-

mover sua emancipação, retorno periódico em campo para avaliação e monitoramento e planejamento de um futuro sem o WWF - Brasil. Foi esse apoio estratégico, técnico e financeiro do WWF Brasil que fez a diferença para a Amor-Peixe. Com foco no desenvolvimento organizacional, em lugar de dar o peixe, o WWF - Brasil ensinou a pescar. O foco principal: o desenvolvimento organizacional. Cada pessoa do Projeto encontrou seu lugar no grupo e assumiu um objetivo coletivo: produzir e comercializar artesanato com couro peixe para gerar renda e, ao mesmo tempo, conservar o meio ambiente. Hoje a justa repartição do ções para continuar sua trajetótrabalho e dos benefícios são ria de sucesso. práticas consoOs novos de(...) erradicação da lidadas. Os resafios incluem sultados foram pobreza extrema e da ampliar o núalcançados mefome; a valorização da mero de assodiante pesquiciadas, ganhar mulher e a promoção escala de produsas participativas, oficinas da igualdade entre os ção, utilizar ine assessoria de sumos cada vez gêneros; a promoção mais naturais capacitação e desenvolvimenda qualidade de e elevar o patato, bem como o mar de renda vida e o respeito ao monitoramenconquistado. meio ambiente; e a to contínuo. O Inicialmente, benefício é soa organização sustentabilidade... cial, econômico, trabalhou com ambiental – e sustentável – e a três grupos de mulheres das coAmor - Peixe tem todas as condimunidades pesqueiras de Mato

““


MA & social

ecologic revista

Grosso do Sul com o objetivo de promover a autonomia das pescadoras artesãs; gestão solidária; resgate da cultura pantaneira e do conhecimento tradicional; e desenvolvimento de uma cadeia produtiva com base na reciclagem dos resíduos sólidos dos peixes. Além dos objetivos gerais do Programa, esse Projeto tinha objetivos específicos de erradicação da pobreza extrema e da fome; a valorização da mulher e a promoção da igualdade entre os gêneros; a promoção da qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente; e a sustentabilidade. Esses objetivos correspondem às metas do milênio da ONU mencionadas acima. Finalmente, o Projeto Amor-Peixe contribui, também, com a Convenção Ramsar (1999), que ressalta a contribuição do conhecimento tradicional das populações locais para a conservação das áreas úmidas, seu sustento e qualidade de vida.

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Contrato social Para reforçar a confiança entre as associadas e preparar o contrato social, os acordos foram

repactuados com princípios e valores da instituição. São eles: •• Conservação ambiental •• Reciclagem dos resíduos sólidos do peixe, princ ipalmente pelo curtimento da pele •• Desenvolvimento de artesanato com o material reciclado (couro de peixe, escamas) •• Profissionalização de todos os processos: produtivo, administrativo, gerencial e comercial •• Cultura pantaneira (uso da iconografia nos produtos) •• Resgate da cultura pesqueira (conhecimento tradicional) •• Produção de moda •• Geração de renda para as associadas (alívio da pobreza) •• Valorização das mulheres (gênero) •• Construção coletiva dos estudos e planos •• Monitoramento •• Participação nas políticas públicas Com a Pegada Ecológica, elas adquiriram uma consciência mais ampla de todos os recursos naturais consumidos pelos seres humanos. O planeta é um só e é finito. A pegada é a marca que o ser humano deixa pelo

seu consumo de recursos naturais. O conceito criado pela Global Footprint Network (GFN) e adotado pela Rede WWF, mostra que é preciso com urgência reduzir esse rastro deixado pelo uso excessivo de recursos naturais. O homem precisa mudar seu estilo de vida e abandonar o excesso de consumo e as práticas inadequadas de extração e produção, bem como reduzir a quantidade de resíduos. As mulheres da Amor - Peixe passaram a adotar práticas mais saudáveis para o planeta no seu dia-a-dia e em sua atividade produtiva. Hoje elas usam os recursos naturais com parcimônia, evitam usar materiais que não são eliminados, como metais, e reciclam não só a pele de peixe como outros materiais. Por exemplo, aproveitam garrafas Pet descartadas para fazer bijuteria. Projeto Amor-Peixe ••Corumbá (MS) – Brasil ••Contato: (67) 3232 23 25 ••E-mail: amorpeixe@hotmail.com ••Apoio: WWF Brasil


Artigo Bio-energia e o desafio do Brasil Mohamed Habib Professor Titular, Instituto de Biologia da Universidade de Campinas - UNICAMP

ecologic revista

Sabe-se que a energia solar que chega diariamente à superfície da terra é a fonte de todas as formas de energia existentes no Planeta, incluindo as acumuladas nas fontes fosseis, como carvão mineral e petróleo. As plantas, através da fotossíntese, convertem a energia solar em moléculas (ATP) repletas de energia armazenadas nos seus diferentes tecidos. A biomassa, independentemente da sua origem, vegetal ou animal, é uma fonte renovável de energia que pode ser convertida em combustíveis gasosos, líquidos ou sólidos, por meio de tecnologias de conversão desenvolvidas pelo homem, e pode ser usada num vasto campo de aplicações energéticas, incluindo, o fornecimento de combustíveis para automóveis. Usar a biomassa como fonte energética renovável pode reduzir o impacto ambiental causado pela utilização de fontes fosseis, contribuindo, deste modo, para a minimização das mudanças climáticas e o aquecimento global. O ar atmosférico de nosso Planeta recebe, anualmente, mais de 17 bilhões de toneladas de CO2, principal responsável pelas mudanças no clima. As fontes fósseis são responsáveis

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por 50% dessa emissão, o desmatamento fica com a cota de 15%, as indústrias 20% e a agropecuária 15%. É verdade que quando se usa a energia armazenada na biomassa, estaremos, também, emitindo gases de efeito estufa, como CO2. No entanto, a quantidade liberada é a mesma que foi consumida durante o processo da fotossíntese. Por isso, e nesta questão, a biomassa é considerada neutra. Enquanto as energias solar e eólica, por serem inesgotáveis e não poluentes, se enquadram perfeitamente no conceito de sustentabilidade, ainda não contamos com total domínio para aplicação em grandes escalas. As biomassas, por outro lado, como fonte renovável, contam com a vantagem de estar sempre disponíveis e podem ser convertidas em eletricidade, calor ou combustível, como etanol e biodiesel. Apesar das vantagens acima mencionadas, devemos levar muito a sério o uso de biomassa como fonte renovável de energia, pois apenas renovável não é sinônimo de sustentável. É necessária uma análise mais holística e global, principalmente quando se trata de cultivos de cana e de soja em milhões de hectares, visando à produção de etanol


e de agro-diesel, respectivamente. Hoje os canaviais ocupam mais de 600 milhões de hectares, e a soja mais de 60 milhões de hectares no Brasil. A eliminação de coberturas vegetais naturais, florestas e cerrados, objetivando abrir novas áreas para cultivos de soja, por exemplo, resultam em danos ambientais incalculáveis. A perda da biodiversidade com todas as suas riquezas importantes para a alimentação e para a saúde humana, as erosões e perdas dos solos férteis, a desertificação, a destruição das nascentes e dos recursos hídricos, são exemplos das conseqüências de desmatamentos e eliminação de ecossistemas naturais. E, nas práticas de cultivo de cana de açúcar e de soja, quais são os impactos ambientais e sócio-econômicos? Sabendo que a produção de um litro de etanol, entre a lavoura e a usina, necessita de quantidade de água que varia de mil a mil e quatrocentos litros, pergunto: seria razoável, hoje em dia, aceitar isso enquanto 1/3 da humanidade sofre de escassez crônica de água? Seria razoável exportar etanol a preço de um real o litro? Seria razoável ocupar 70% do solo agrícola paulista por canaviais? Seria aceitável que para a circulação de um

carro particular, se ocupasse uma área de 3000 a 5000 m² por ano para a produção de etanol para seu consumo? Seria aceitável a eliminação das pequenas propriedades agrícolas, criando mais favelas nas cidades, que hoje abrigam 13% da população brasileira? Devemos continuar aceitando o título de campeão mundial de uso de agrotóxicos na agricultura, inclusive para produzir energia? E, para produzir soja, matéria prima para agro-diesel, pode-se continuar gastando mais de mil litros de água por kg de grãos? O ano 2012 deve ser considerado como o ano da reflexão, pois o mundo está passando por crises de diferentes categorias, ecológicas, econômicas, políticas, e

comportamentais, além de epidemias, guerras e dentre outras. É a hora de repensar este modelo de desenvolvimento suicida e adotar os conceitos de sustentabilidade, com todas as suas dimensões, em todo que fazemos. O automóvel, responsável por 50% da poluição atmosférica, precisa ser repensado como modelo de transporte e para não ficarmos procurando combustíveis alternativos para manter este modelo, de motor de combustão, com todos os seus riscos à saúde, ao meio ambiente, à segurança, à mobilidade e à acessibilidade. É o momento para investir nas pesquisas de fontes inesgotáveis de energia, como solar, eólica, geotérmica, marés e outras.


Ensaio Fotográfico

Du Zuppani du@fotonatural.com.br

Além de fotógrafo, Du Zuppani é arquiteto, professor universitário e trabalha com ecopaisagismo. Suas imagens já foram publicadas em vários veículos de comunicação e esteve presente em diversas exposições. Participa de fotográficas ambientais em diferentes ecossistemas do planeta.

Maués - AM, a “terra do guaraná” Maués é uma região extremamente rica em biodiversidade, de cultura e paisagens belíssimas. O guaraná faz parte da cultura do povo sateré-mawé e está presente em importantes lendas e rituais. Sendo também um de seus produtos comerciais, e que obtém maior preço no mercado.

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A lenda de Cereçaporanga Origem do Guaraná

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“Dizem que Jaci, a deusa da beleza, protegia Cereçaporanga, uma índia belíssima que protegia as pessoas dando-lhes vida longa e formosura. Mesmo sendo adorada pela sua tribo, Cereçaporanga um belo dia apaixonou-se por um jovem de uma tribo inimiga e com ele fugiu. Houve uma grande perseguição por parte dos guerreiros na tentativa de convencê-la a voltar. Sabedora dessa perseguição, como toda mulher apaixonada, Cereçaporanga propôs ao seu amado um pacto de morte, pois sabia que caso fossem alcançados ele seria trucidado pelos guerreiros de sua tribo. Dito e feito, se mataram junto a um pé de Sapupema (raízes que


amazonense. Indispensável a todas as pessoas,

abril de 2012

pois é renovador das energias físicas e mentais.

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Acima e na página à esquerda, o Guaraná: “Vamos tomar um guaraná?” É o “cafezinho” do


Entardecer no Rio Maués-açu Paisagem ao entardecer do Rio Maués-açu, com canoa de ribeirinhos com motor “rabeta”, possui hélice mais longa para navegar em águas rasas dos Igarapés e Igapós. Bastão de guaraná (à esquerda) É uma maneira primitiva de ter guaraná sempre em casa. O Guaraná é torrado, moído e com água se molda os bastões. Depois vai para o “fumero” (defumador), onde fica por 20 dias aproximadamente. Uma vez pronto, é ralado e misturado com água fresca, e está

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pronto para tomar.

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se desenvolvem com o tronco de outras árvores). Quando os guerreiros viram Cereçaporanga morta, ficaram tristíssimos e imploraram à deusa Jaci, que, não permitisse que o espírito de Cereçaporanga o abandonasse. Jaci, comovida, dos olhos da índia morta fez nascer uma planta cujas sementes lembram perfeitamente, quando amadurecidas, um par de olhos negros. Essa semente tomada em chás e infusões ou trituradas dariam aos irmãos de Cereçaporanga uma grande vitalidade, sendo além de tudo um alimento energizante que os faria fortes em suas guerras e caçadas. Essa árvore teria a beleza física da bela índia e sua vida mais longa que a vivida por ela.”


Entardecer no Rio Maués-açu (foto acima)

abril de 2012

Transporte amazônico Principal meio de transporte.

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Caboclos ribeirinhos Família de caboclos ribeirinhos em uma “piroga”, embarcação de um tronco só, em igarapé da região.

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Abaixo, Família ribeirinha

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artesanal do povo saterês Maués.

abril de 2012

Trançado cestaria Detalhe do trançado de cestaria

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Artigo O Nim Indiano Produtos derivados de Nim auxiliam controle fitossanitário da propriedade rural Romina Lindemann

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Diretora Comercial Preserva Mundi & HubRio iniciativa

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O Nim ou Neem (Azadirachta indica), planta natural do sudeste da Ásia, é considerado uma fonte promissora para a produção de inseticidas orgânicos no País, os bioinseticidas. Com crescimento rápido, o Nim chega a alcançar 15 metros e pode ser cultivado em regiões de clima quente e solos bem drenados. Acredita-se que o Nim chegou por aqui há mais de 5 anos. As primeiras pesquisas científicas realizadas como inseticida foram feitas pelo IAPAR, em Londrina/PR, em 198, com sementes originárias das Filipinas. Atualmente, segundo a Embrapa, o Brasil tem aproximadamente seis milhões de árvores de Nim, com potencial para ultrapassar a Índia – o maior produtor – em poucos anos. Produzidos a partir do princípio ativo extraído das folhas, frutos, cascas, sementes e madeira da árvore indiana, defensivos, antiparasitórios e repelentes à base de Nim combatem, sem dano ambiental, os mais variados insetos e parasitas, como, nematóides, carrapatos, lagartas, besouros, percevejos e outros. Isto se explica, pois o defensivo age somente no organismo que pretende destruir, incluindo ovos e larvas, sem incidir sobre outros seres benéficos à manutenção correta dos ecossistemas. O aumento das exigências na agricultura e pecuária por processos e produtos amigáveis ao meio ambiente impulsiona o mercado de soluções de controle biológico de pragas e fertilização orgânica. Neste cenário, produtos derivados de nim ganham destaque como eficientes, seguras e econô-

micas alternativas ao uso de defensivos e adubos químicos nas lavouras e criações. O uso do Nim no controle biológico da cigarrinha-da-raiz na cana-de-açúcar. Usinas e produtores de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo têm até o ano de 3 para a paralisação total das queimadas nos canaviais, porém em grandes áreas do estado, a cana já é colhida exclusivamente com máquinas. Junto com a colheita mecanizada e sem queima, os ataques da cigarrinha-da-raiz da cana estão cada vez mais freqüentes e intensos, causando prejuízos que podem atingir a % ou mais em produtividade agrícola e nas qualidades industriais da matéria-prima, através da contaminação com bactérias. A pesquisa e desenvolvimento do controle biológico da cigarrinha-da-raiz da cana são de extrema importância para a economia do setor, já que o custo é mais baixo do que o controle químico, sem contar o ganho para o meio ambiente. Dentre as espécies vegetais com atividade inseticida, a mais estudada atualmente é o nim. No Brasil, pesquisadores têm apontado seu uso como produto alternativo na agropecuária, pois apresenta atividade contra mais de 43 espécies, através do bioinseticida a base de suas sementes e folhas não é tóxico para a flora e a fauna, bem como o homem. A azadiractina (princípio ativo do Nim), de modo geral, afeta o desenvolvimento dos insetos de diferentes modos. Pela semelhança com o hormônio da ecdise (processo que possibilita ao inseto trocar o


esqueleto externo e, assim poder crescer), perturba essa transformação e, em altas concentrações pode impedi-la, causando a morte do inseto. Cientistas têm comprovado que produtos à base de Nim possuem potencial para o controle da cigarrinha. Um estudo observou que o efeito do extrato de Nim levou a mortalidade 38% das ninfas da cigarrinha-das-raízes, índice bem superior quando comparado a extratos de outros inseticidas botânicos (vegetais). Outra pesquisa, desta vez com o objetivo de avaliar a eficácia do óleo de Nim no controle do ácaro-da-leprose (B. phoenicis) em citros foi conduzida em Jaboticabal/SP. O resultado mostrou que o óleo controlou eficientemente o ácaro-da-leprose, uma das principais pragas da citricultura brasileira. Recentemente, a Embrapa apresentou uma metodologia inédita para controle alternativo da fusariose da pimenteira-do-reino (Piper nigrum L.) ainda na fase de produção de mudas. O método consiste na mistura de folhas de Nim no solo onde as mudas crescem - permitindo que sejam transplantadas para o campo totalmente livres da fusariose - combate um dos mais antigos, maiores e graves entraves desse setor produtivo no País. A fusariose também

atinge outros frutos, como o tomate, mamão, maracujá e mais. O Nim, mostra-se assim , mais uma vez, eficiente. Uso do nim na pecuária e a comprovação de sua eficiência contra carrapatos. O banho com óleo de Nim, segundo estudo coordenado pelo Centro de Ensino Tecnológico do Ceará, pode ajudar a combater com sucesso o carrapato (boophilus microplus), ácaro que causa prejuízos de quase R$1 bilhão em toda a América Latina. A busca de alternativas para o controle do carrapato é uma questão fundamental na pecuária atual, pois o uso indiscriminado de drogas acaricidas teve como conseqüência a seleção de populações resistentes aos diferentes grupos químicos utilizados para combatê-los. Além disso, o uso de substâncias tóxicas aplicadas incorretamente

acarreta prejuízos à natureza, por exemplo: a contaminação de lençóis freáticos. Pesquisa coordenada pelo Instituto de Biologia da UFRJ mostrou redução da emergência de 95% das moscas das pupas tratadas com óleo de Nim e de 94,5% quando aplicado ao solo onde os animais descansam à noite. O mesmo comprovou que, além do baixo custo, o Nim tem reduzidíssimo risco de intoxicação para mamíferos e aves. O uso em conjunto (torta e óleo de Nim) tem apresentado eficiência muito maior que o uso isolado. O Nim pode tornar-se um grande aliado do produtor rural do Brasil, ajudando a reduzir custos e a tornar mais “limpa” a produção. O que falta é divulgação e informação para os produtores e como ele pode ajudar na agropecuária orgânica e sustentável.

www.preservamundi.com.br


Casa & Verde

Jardins Verticais Uma tendência sustentável que traz a natureza até as cidades Por André Garcia

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Para lidar com a falta de vegetação em meio à cidade e ao crescimento urbano, arquitetos do mundo todo estão desenvolvendo projetos ambiciosos para trazer a floresta de volta, usando a tecnologia verde e colocando-as em estruturas verticais. Há cem anos atrás, a resposta mais radical do mundo para a expansão da cidade moderna foi a construção de Letchworth, a primeira “Cidade Jardim” do mundo, em Hertfordshire, situada ao norte de Londres. O criador do conceito de “Cidade-Jardim” foi Ebenezer Howard, que considerava Londres uma cidade poluída, lotada e um local desumano para se viver. Ele imaginou uma comunidade utópica que poderia desfrutar o melhor da cidade e do campo: um jardim para cada casa e uma caminhada através de campos para os trabalhadores em direção a empregos nas fábricas. A idéia de “Cidade-Jardim” foi replicada em diversas localidades do mundo. Na última década, porém, a idéia de Howard foi reinventada em conceitos pós-modernos para “ci-

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ecologic revista

Casa & Verde

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dades sustentáveis”, onde cada vez mais pessoas acreditam que acesso a um jardim é uma necessidade humana básica. Em Milão, Itália, duas torres residenciais, sustentáveis e inovadoras estão em construção. Com 110 e 76 metros de altura, o Bosco Verticale, ou bosque vertical, é um projeto único. O que define e diferencia a torre de Milão é que será a primeira floresta vertical do mundo, com cada apartamento com uma varanda com árvores plantadas. No verão, as árvores irão sombrear as janelas e filtrar a poeira da cidade, no inverno, o sol irá brilhar através dos ramos nus. “É um projeto de reflorestação metropolitana, que contribui para a regeneração do ambiente e biodiversidade urbana sem a implicação de expandir a cidade sobre o território. Ao longo dos edifícios vão existir 900 árvores, juntamente com outros tipos de vegetação e plantas, que vão ajudar à criação de um microclima e a filtrar as partículas contaminadas do ar. A diversidade de plantas e as suas características produzem umidade, absor-

vem CO2 e as partículas sujas, produzindo, assim, oxigênio e protegendo da radiação e da poluição acústica, promovendo a melhoria da qualidade de vida e o armazenamento de energia”, explica Stefano Boeri, arquiteto responsável pelo projeto. No Brasil, quatro arquitetos franco-brasileiros criaram o “edifício verde” do momento: o Harmonia 57, um bloco de escritórios construído há três anos em São Paulo pela Triptyque. O projeto não é somente uma construção, mas é também um organismo vivo, em meio à paisagem paulistana. Toda a estrutura do edifício foi pensada e construída dentro dos padrões de sustentabilidade, além disso, a paredes, cinzas de concreto, são revestidas com plantas que alteram a fachada do prédio de acordo com a época do ano. A estrutura é considerada um ser vivo, devido à vivacidade de sua fachada, que só foi possível graças ao sistema de captação da água da chuva. A vegetação que cobre a parede dupla garante o conforto térmico e acústico do edifício.

O projeto conseguiu alcançar o ideal de arquitetura sustentável e ainda provar que as construções sustentáveis não precisam custar valores absurdos e não estão fora da realidade. O Harmonia 57 foi construído na capital paulista em 2008 e em 2010 recebeu uma premiação européia. Os jardins verticais foram criados para amenizar a falta de áreas verdes nos centros urbanos e também para modificar a paisagem de locais com espaços pequenos. São uma ótima opção estética e de baixo custo para ambientes residenciais, por exemplo, através de técnicas e materiais simples como “Blocos Pré-Moldados, Cerâmicas, Treliças e Vasos, Quadros vivos, Garrafas PET, Fibras de Coco e Vasos Meia Lua”.


O jardim vertical é um sistema que pode revestir qualquer tipo de parede ou muro interna ou externamente. Os sistemas podem possuir irrigação automatizada por gotejamento ou o cuidado pode ser feito manualmente, dependendo do tamanho. A fachada externa verde é uma ótima forma de revitalizar construções e combater as ilhas de calor urbano. No caso de paredes internas, a parede verde pode purificar e limpar o ar, pois retém compostos orgânicos voláteis (COV), materiais particulados, fumaça de cigarro, além de manter o conforto térmico agradável. Fonte: ••www.ciclovivo.com.br


Agenda verde 14 a 16

Feira Internacional de Ciência e TecnoPoA logia para Reciclagem/Recuperacão de Resíduos – SIMBIOSE

mar

28 e 29

mar

Sampa

Empresas conectadas com os fatores de competitividade de uma nova economia sabem que buscar somente a satisfação de seus consumidores e acionistas não é suficiente para alcançar o sucesso. É preciso estabelecer uma nova dinâmica nas relações com os públicos de interesse (stakeholders). Dias 28 e 29 de março de 2012, no Instituto Ethos, São Paulo - SP.

De 14 a 16 de março de 2012, no Centro de Eventos FIERGS de Porto Alegre –RS. Informações: simbiose@institutoventuri.net.br

Fórum Mundial da Água de 2012 WWC mar De 12 a 17 de março de 2012 em Marselha - França.

12 a 17

França

www.worldwaterforum6.org

XV Simpósio Luso-Brasileiro de EngeBH nharia Sanitária e Ambiental

18 a 21

mar

De 18 a 21 de março de 2012, Belo Horizonte - MG.

GreenNationFest abr Sensibilizar pessoas para agir por um

13 a 22

Rio

http://tinyurl.com/simposiolusobrasileiro

20 e 21

mar

Sampa

Curso de “Relatório de Sustentabilidade no Modelo GRI” - Uniethos O relatório de sustentabilidade é a principal ferramenta de comunicação do desempenho social, ambiental e econômico das organizações e o modelo de relatório da Global Reporting Initiative (GRI) é atualmente o mais completo e mundialmente difundido. Dias 20 e 21 de março de 2012, em São Paulo - SP.

24 a 27

abr FIEMA Brasil - Feira Internacional de Bento Tecnologia para o Meio Ambiente - 5ª Gonçalves Edição

3º Fórum Mundial de Sustentabilidade mar Promovido pelo Grupo de Líderes EmpresaManaus

28 a 31

mar

ecologic revista

Salvador

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VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental - 2012 O evento tem como tema central Educação Ambiental rumo as sociedades sustentáveis. De 28 a 31 de março de 2012, no Centro de Convenções da cidade de Salvador - Bahia.

mundo mais sustentável é o principal objetivo do Green Nation Fest O festival é composto por três atrações: •  Competição e mostra de cinema e novas mídias; •  Feira Interativa/sensorial •  Seminário internacional. De 13 a 22 de abril de 2012 na cidade do Rio de Janeiro. www.greennationfest.com.br/pt/quemsomos

22 a 24

riais (Lide) e realizado pela XYZ Live. Durante o fórum, serão debatidos temas como economia verde, Rio+20, desenvolvimento sustentável e humano e agricultura de baixo carbono, entre outras propostas de sustentabilidade para o planeta. De 22 a 24 de março de 2012, no Hotel Tropical, em Manaus – AM.

Curso de “Relacionamento com Stakeholders” – UniEthos

A Fiema Brasil 2012 concretiza os princípios de sustentabilidade ao concentrar em um mesmo cenário – o Parque de Eventos de Bento Gonçalves – o maior número de empresas e organizações voltadas para a produção de tecnologia, soluções e serviços focados no meio ambiente. De 24 a 27 de abril de 2012, em Bento Gonçalves - RS.

I Curso de Bambu - ONG Nascentes mai O curso irá abordar as técnicas de plantio, Botucatu 19 e 20

colheita, tratamento do bambu e sua ligação com o homem e a sua história. Dias 19 e 20 de maio de 2012, em Botucatu – SP, na sede Nascentes. www.nascentes.org.br/


23 a 25

mai

Poços

IX Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas De 23 a 2 de maio de 2012, em Poços de Caldas - MG. www.meioambientepocos.com.br/

12 e 13

jun I C ongreso Latinoamericano de  Buenos Ecología Urbana - Desafios e ceAires narios de desenvolvimento para as cidades latinoamericanas De 12 a 13 de Junho de 2012 na Universidade Nacional de General Sarmiento, Buenos Aires – Argentina.

Rio +20 jun De 20 a 22 de junho de 2012, no Rio de Janeiro – RJ.

20 a 22

Rio

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD ou, como é conhecida, Rio+20), que está sendo organizada conforme a Resolução 64/236 da Assembleia Geral (A/RES/64/236).


Charge

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Sobre o autor

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Rodolfo Gomes da Silva Biólogo, Mestre em Construções Rurais e Ambiência pela Unicamp, dorfogomes@gmail.com


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Ecologic Revista Abril, terceira edição. Abrangência: Noroeste paulista; Projeto gráfico: Chico maciel Diretores: Ricardo Zacarelli Filho e...

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