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Literatura no Jornalismo Os grandes escritores que registraram suas obras nos veículos de comunicação e fizeram parte da imprensa.


EDITORIAL EXPEDIENTE "A matéria-prima é a mesma, mas o senso comum costuma diferenciar as palavras de um texto jornalístico das do texto literário. Um seria direto, sem floreios, simplesmente informativo. O outro ofereceria caminhos diversos, poderia embaralhar a narrativa e transformar a ficção em realidade. Mas aí alguém escreveu que Frank Sinatra estava resfriado, outro deu o título de “Pennando” a uma reportagem sobre Afonso Penna, e um terceiro ofereceu relatos da vida como ela é. Foram provas de que jornalismo e literatura têm laços próximos."* Por décadas, acreditava-se que trabalhar em um jornal era como fazer um estágio para seguir dois caminhos: carreira literária ou a vida política. Quanto a carreira como escritor, nomes significativos registraram partes de suas obras nos jornais brasileiros mais importantes e ainda o fazem.

O objetivo deste boletim informativo é apresentar alguns dos nomes do meio literário que foram fortemente difundidos nos veículos de comunicação impressos, especialmente nas décadas entre 60 e 80 e também nos dias atuais. O projeto foi desenvolvido pelos alunos Franciellen Carneiro, Renato Dias e Romaní Lima, do 5º e 6º semestre de Jornalismo, para a disciplina de Projeto Integrador, sob orientação da professora Lucimar Gonçalves. Esperamos que a apresentação da relação entre literatura e jornalismo, assim como alguns dos nomes mais famosos desperte a mente de quem passa por essas páginas, mergulhando em um mundo novo e cheio de prazeres. *(Trecho extraído da matéria "Da literatura para o jornal", do site OGlobo publicada no dia 26/07/12) 2


Não é só sobre jornalismo literário. Trata-se, primeiramente, dos grandes autores que circularam as páginas de um jornal através das décadas, registrando sua história nos veículos de comunicação. Na Europa o aumento das tiragens dos jornais contribuiu para ingressar uma boa parte da população ao circulo de leitores. O mesmo, porém, não aconteceu no Brasil. Apesar de o jornalismo literário ter sido importante no papel cultural, nunca foi algo que incluía a população, tal qual acontece em dias atuais. A literatura no jornalismo cresceu e se caracterizou pela presença de muitos escritores na imprensa e suas muitas publicações de crônicas e contos, criando um formato de jornal mais informativo e atraente com folhetins de assuntos variados. Para Tayná Gripp, professora de literatura, graduada em Letras e especializada em Análise Linguística Cognitiva Textual, a mídia antiga influenciava a literatura, mas era privilégio de quem detinha mais recursos financeiros. A literatura no jornalismo foi particularmente importante para os veículos de comunicação, já que quase todos os escritores brasileiros publicavam seus textos em jornais. A união entre literatura e jornalismo foi a responsável por consolidar o romance brasileiro de José de Alencar, Machado de Assis e outros, como Manuel Antônio de Almeida com 3


Memórias de um sargento de milícias. Durante os anos, muitos escritores fizeram parte do cotidiano de jornais e revistas, como colunistas ou cronistas. Clarice Lispector, por exemplo, chamou a atenção em 1940, de Lourival Fontes, então chefe do Departamento de Imprensa e Propaganda e foi convidada para trabalhar na Agência Nacional, responsável por distribuir notícias aos jornais e emissoras de rádio da época. Em 1959 estreou a coluna "Correio feminino Feira de Utilidades", no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer (futuramente, os textos dessa coluna seriam registrados em um livro). No ano seguinte, assume a coluna "Só para mulheres", do Diário da Noite. As colunas, que foram publicadas entre as décadas de 60 e 70, eram destinadas ao público feminino, e abordavam assuntos como dicas de beleza, moda e comportamento. Lygia Fagundes Telles, ganhadora do Prêmio Camões em 2005, também marcou as páginas dos jornais com suas palavras. Em 1941 iniciou o curso de Direito e conheceu Mário e Oswald de Andrade e Paulo Emílio Salles Gomes, passando a fazer parte da Academia de Letras da Faculdade e a escrever para os jornais Arcádia e A Balança.

“Hoje temos Martha Medeiros, Tati Bernardi, Lia Luft... Faz-se importante que a Literatura esteja em todos os lugares, porque em todos os lugares existem leitores em potencial.” - TAYNNÁ GRIPP

Teve coluna no jornal Zero Hora, sobre futebol e no mesmo ano tornou-se redator da agência de publicidade MPM Propaganda. Passou pelo jornal Folha da Manhã, onde escrevia sobre esporte, cinema, literatura, música, gastronomia, política e comportamento, sempre com ironia e ideias pessoais, além de pequenos contos de humor que ilustram seus pontos de vista. Voltou ao Zero Hora e passou a escrever semanalmente também no Jornal do Brasil, tornando-se nacionalmente conhecido e onde está até hoje.

Teve as crônicas “Não vou ceder. Até quando?”, publicada no O Estado de São Paulo e “Pindura” com um anjo, no Jornal da Tarde.

Conhecido pela ironia, Antonio Prata é um dos autores mais queridos da atualidade. Cursou Filosofia, Cinema e Ciências Sociais, mas não chegou a concluir nenhuma das faculdades. Escreve às quartas-feiras no caderno Cotidiano da Folha de São Paulo e é roteirista contratado pela Rede Globo. Seu nome já assinou as páginas da revista Capricho e do jornal O Estado de São Paulo.

Luis Fernando Veríssimo é um dos nomes que, hoje, circulam pelas páginas e links dos jornais. Conhecido por suas crônicas e textos de humor, mais precisamente de sátiras de costumes, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Veríssimo é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto.

A influência de Veríssimo e Antonio Prata, bem como outros autores atuais como Paula Pimenta e Thalita Rebouças, reforça a ideia de Gripp. "Acredito que hoje há muito mais influência para leitura, porque hoje os escritores estão mais acessíveis, têm perfis em redes sociais, estão na TV, nos jornais, nas revistas juvenis. Hoje a literatura está por toda parte", analisa a professora. 4


Para saber mais Conheça outros nomes da literatura que tiveram e têm grande influência nos maiores veículos do país.

Thalita Rebouças Thalita Rebouças é escritora desde 2001 e seus livros são voltados para o público teen. Trabalhou na Gazeta Mercantil, o Lance!, a TV Globo e a FSB Comunicações. Foi colunista na revista Atrevida e hoje é colunista na Veja Rio.

Paula Pimenta Sua carreira de escritora começou em 2001, com o livro “Confissão”. Ficou conhecida em 2008, quando lançou “Fazendo meu filme 1”. Em 2011 lançou uma nova série, “Minha vida fora de série e em 2012 publicou também o livro "Apaixonada por palavras". É colunista da Veja.

Tati Bernardi Escritora e roteirista escreveu para uma coluna chamada “Neuras” da revista TPM, para a coluna “A mulher honesta” da revista VIP, é colaboradora da Revista ALFA e colunista da Folha de S. Paulo.

Arnaldo Jabor Cineasta, roteirista, diretor de cinema e TV, produtor cinematográfico, dramaturgo, crítico, jornalista e escritor brasileiro. Estreou como colunista de O Globo, passou pelo Jornal Nacional, Jornal da Globo, Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Fantástico e atualmente é colunista do Estadão.

Ferreira Gullar Poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo, é colunista da Folha de S. Paulo.

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Expediente Este boletim foi produzido para a disciplina de Projeto Integrador 6, orientado pela professora Lucimar Gonçalves. Alunos: Franciellen Carneiro – RGM: 259952 Renato Dias – RGM: 261334 Romani Lima: RGM: 261185

Literatura e Jornalismo  

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