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EDITORIAL

Editorial

Filipe Queiroga Viajante nas horas vagas, estudante de Jornalismo e amante da Computação, sou um cara que sempre curtiu tecnologia, especialmente a internet. A ideia de algo feito por humanos, para humanos, independente da raça, cor, credo ou nacionalidade é sensacional.

“Não entre em pânico” O brasileiro é um internauta engajado. De acordo com a pesquisa IBOPE/NetRatings, em dezembro de 2012 éramos 94,2 milhões de desbravadores da rede mundial, o que nos coloca diante de um desafio cotidiano: como fazer bom uso da rede e dar conta de tudo o que nos interessa nesse universo? Voltada ao público universitário, a revista InterNeura surge para auxiliar você, leitor, na compreensão desse espaço sem fronteiras ou limites. Nessa primeira edição, a matéria de capa aborda os crimes e riscos da internet. A internet é realmente anônima? A quem recorrer se você for a vítima? Tudo isso será abordado na matéria especial dessa edição, que está na página 13. Além de internautas engajados, somos empreendedores digitais. Afinal, Eduardo Saverin (Facebook) e Michel Krieger (Instagram) tiveram grande sucesso. Mas eles não foram os primeiros. e provavelmente não serão os últimos. Na seção “Marketing”, que fala sobre o mercado digital, vamos conhecer a história do pioneiro no mercado de internet no Brasil, Aleksandar Mandic. A matéria traz dicas valiosas para todos aqueles que pretendem lançar seu

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negócio na internet. Nossa seção “Backlog”, destinada aos profissionais de Tecnologia, traz uma matéria sobre a urna eletrônica e a apuração das Eleições 2012. Foi o processo mais rápido da história eleitoral brasileira, mas será que o sistema é confiável? Ainda no universo das disputas eleitorais, a seção “Vote” traz uma interessante análise do “efeito Obama”. Na página 22 você encontra uma entrevista com o “pai da internet brasileira”, Demi Getschko. Fomos à São Paulo conhecer um pouco mais da trajetória da grande rede no Brasil. Finalizando essa primeira edição, a seção InBlog traz duas colunas de jornalistas do mundo virtual: Ívila Bessa e Emílio Moreno. Ah, e antes que você pergunte, chamar a revista de InterNeura foi algo natural. Afinal, pra que ser neurótico com algo que está tão entranhado em nosso cotidiano? Entenda a InterNeura como seu ponto de consciência e portoseguro para desbravar o imenso mundo da internet. Sejam tod@s bem-vind@s!

muito


ÍNDICE

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Entrevista exclusiva com Aleksandar Mandic

Design responsivo e sua utilização em aplicações e sites

Marketing

Visual

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uso do Linux como Sistema Operacional do TSE

Obama e a utilização da internet

Backlog

#Vote

Índice 13

Como faz legislação para os crimes de internet e o que fazer para se proteger

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usuários contando o que fazem e como acessam a rede

Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro

Chat

Outro

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Demi Getschko fala sobre a história da internet no Brasil

Dois colunistas convidados a contar suas histórias

Bom saber

Expediente

REVISTA INTERNEURA Edição: Filipe Queiroga e Rafael Rodrigues Textos e produção: Filipe Queiroga Fotos: Filipe Queiroga, bancos de imagens e FolhaPress Ilustrações: Bancos de imagens gratuitos ou institucionais e Cadeh Juaçaba

InBlog

Diagramação: Filipe Queiroga e Armênio Araújo (armenioaraujo@gmail.com) Tiragem: 100 exemplares A InterNeura é um Trabalho de Conclusão de Curso submetido à Faculdade 7 de Setembro para obtenção do título de Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo.

Projeto gráfico: Filipe Queiroga

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MARKETING

“Vai lá e faz”

Aleksandar Mandic imprimiu seu nome na história da internet brasileira. Fazer a coisa certa, na hora certa, foi o diferencial entre o técnico empregado e o empresário milionário

Conversar com Aleksandar Mandic é uma experiência interessante. Descendente de sérvios, o empresário paulistano traz na bagagem empresas como iG e a própria Mandic. Objetivo, o empreendedor fala um pouco sobre sua história e aconselha: se você for empreender pensando nas dificuldades, desista. Tudo é muito difícil no começo. InterNeura: Mandic, o que chamou sua atenção para o mundo da internet? Mandic: A tecnologia me fascinou, eu gosto desse mundo cibernético, e tudo mais. O legal é que aliado à isso, tem que ter ideias. Imagina que vamos fazer esse arquivo sair daqui pra lá. Isso parece simples hoje, mas há 20 anos era coisa super complicada. Tinha que ter o modem certo, a programação do modem certa, a qualidade das linhas telefônicas eram péssimas e tudo precisava de muita força de vontade. IN: Você vendeu sua empresa, a Mandic Internet, em 1999. O que você tem feito desde então? M: 99 faz um tempão (risos). Em 1999 fundei o iG, em 2001 eu vendi o iG, fiz o Mandic Mail em 2002, vendi o Mandic Mail, e agora tô fazendo o Mandic MagiC, uma rede social de senhas wifi.

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IN: Além do MagiC, você já tem novos projetos? M: Essa é a “última” – põe entre aspas, “última” – boa tacada. IN: Na sua trajetória empresarial a gente vê um sucesso muito grande. Qual foi a importância da sua família e dos seus amigos nessa trajetória? M: Bom, da minha família não tive apoio nenhum. Quer dizer, você quando tem um projeto que você é alucinado, você tem que esquecer a família né? Por que vem mulher, nasce filho, tem aniversário, Natal e essas coisas assim que na vida empreendedora você pode esquecer. Quanto aos amigos não sei, acho que não teve muita relevância. Se você está numa família, o teu cunhado diz que não vai dar certo. Teu vizinho diz que num vai dar certo. Para isso, você tem que não dar bola.

IN: Mas o que você apontaria como as maiores dificuldades da tua vida empresarial? Foi o atraso tecnológico do Brasil? Como você superou? M: Olha, não dá pra falar que tem um atraso no Brasil. A tecnologia eu sei que tem [um atraso] hoje, mas há 20 anos não sabia né? Que tudo é mais fácil de fazer com dinheiro eu sei hoje, mas há 20 anos eu não sabia. Eu não vejo, como alguém que começa empreendendo, a dificuldade. Posso até inverter: a dificuldade é tudo. Só que você não sabe. Depois que você cria experiência você sabe que é dificuldade, mas aí já é tarde. Hoje, eu teria um monte de críticas. Há 20 anos eu não tinha crítica nenhuma, por que era só aquilo que eu tinha, eu não tinha uma segunda opção. Se você vai empreender pensando em dificuldade, tá ferrado. Faz outra coisa. Tudo é muito difícil, mas não importa o difícil. Vai lá e faz.


IN: E se você fosse recomeçar a sua vida hoje, você investiria no ramo de internet? M: É muito difícil saber. É que nem aquele cara que trabalha no campo de mineração e investe em minério, se trabalha no campo de aviação vai investir em aviação. Você investe onde você mais conhece. Essa pergunta não vale muito, eu investiria no ramo que eu entendo, claro, para minimizar os riscos. Mas não significa que amanhã vai surgir uma nova tecnologia e você não vai investir. Eu investiria no trabalho, ponto. Não importa onde.

Tire o “s” da crise. Crie. Algo que sempre deu certo para mim foi a frase vai lá e faz.

IN: O que você falaria para os universitários que sonham com o próprio negócio? M: Eu diria para eles o seguinte: tem uma palavra que chama crise. Desde que Cristo nasceu ela existe. Então eu diria para eles “tire o s da crise. Crie”. Algo que deu sempre certo pra mim é uma frase: vai lá e faz. IN: Você arriscaria dizer a receita do sucesso nos negócios? M: Olha, trabalho é grande parte, mas você tem uma pequena parte que contribui aí. Se for trabalhar por trabalhar vá empurrar carroça, que o trabalho é mesmo o movimento, certo? O trabalho é muito necessário, mas a ideia, a mente, é fundamental. E eu te digo mais: só isso, só mente, o resultado é zero também. Não adianta você ter boas ideias e não ter como executá-las. Ou não saber como executa-las.

E não adianta você só executar e não saber pensar, quer dizer, não ter ideia. Esse conjunto é fundamental: ter a ideia, o conhecimento, saber o que fazer, saber como fazer e fazer. E pra dar certo, só tendo sorte. Sorte também é essencial.

Esse conjunto é fundamental: ter a ideia, o conhecimento, saber o que fazer, saber como fazer e fazer.

IN: Como você enxerga a internet hoje? E para os próximos anos, o que você acha que vem por aí? M: Olha, 10, 20 anos não dá pra saber. O futuro curto, já dá pra prever. Já tão se movimentando com negócio de computação em nuvem (cloud). O cloud só vai vingar quando a conectividade for boa. Por exemplo: imagina o teu celular 3G sem conectividade. Não dá pra trabalhar. Você tá na rua e a rede 3G não é confiável. O 4G por exemplo, é bem mais confiável. Mas cada etapa dessa demora alguns anos, é o progresso natural. Na hora que você tiver um 4G estável, você não vai precisar andar com o notebook. Só vai precisar de uma maneira para acessar o computador. O acesso hoje é o gargalo. Mas as companhias telefônicas não prestam um serviço tão ruim de internet, poderia ser pior. IN: Você acredita que os grandes eventos serão prejudicadas pela nossa infraestrutura de rede, que hoje enfrenta sobrecarga de dispositivos móveis? M: Como empresário, eu não acho que pra Copa tenha que

ser feito coisa melhor. Ninguém dimensiona infraestrutura para o pico de demanda. Na telefonia, você não vai poder investir pra ampliar a rede 10x para um evento específico. Depois vai fazer o que com esse equipamento? Acho que pode aumentar 20%, 30%. Mais do que isso é inviável. IN: No livro “Os bastidores da internet no Brasil”, de Eduardo Vieira, frequentemente se associa o adjetivo polêmico ao seu nome. Você se considera polêmico? Por quê? M: Eu polemizo mesmo (risos). Mas não é que eu seja bagunceiro, eu acho que sou mais gerador de ideia do que de polêmica. Eu não sei fazer as coisas de outro jeito e vou descobrindo do meu jeito. Poderiam ter sido outros, mas fui eu. A internet não nasceu por minha causa, eu fiz muita coisa, eu reconheço, mas se não fosse eu outro faria. Sem querer eu dei duas contribuições boas para o Brasil: o BBS1 e o iG. Isso criou uma cultura no país de vida online, coisa que não existia. Isso plantou uma semente, deu um gene. O iG deu acesso à internet para muita gente, foi um dos primeiros países do mundo a navegar na internet de graça e o Brasil avançou na América Latina, no sentido do mundo online. A gente não pode se comparar ao Japão e aos EUA, mas a gente é isso aí. ■ 1 BBS são os Bulletins Board Systems, uma rede de comunicação precursora da internet.

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BACKLOG

APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2012 COM LINUX

O pinguim verdeNas últimas eleições, 95% dos votos foram apurados em apenas três horas. Foi a contagem mais rápida da história eleitoral brasileira

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á percebeu que a cada ano parece que a vida passa mais rápido? Acordamos cada vez mais cedo, dormimos cada vez mais tarde e sentimos que não vamos dar conta de tudo que acontece. Por outro lado, algumas coisas que até bem pouco tempo levavam dias – ou semanas – para serem concluídas, agora não levam mais do que algumas horas. É o caso da apuração das eleições.

Em 2012, 138 milhões de brasileiros selecionaram seus representantes municipais. Repetindo o processo totalmente informatizado que ocorre desde 2000, os eleitores indicaram seus representantes em 501.923 urnas eletrônicas distribuídas pelo país. Encerrada a votação, as urnas contaram e transmitiram – num processo de duas etapas – os resultados para os Tribunais Regional e Superior Eleitoral (TRE e TSE, respectivamente). Segundo as estimativas do Governo Federal, 130 computadores de grande porte e 23 mil microcomputadores são usados na contagem dos votos – interligados numa rede privativa dos órgãos eleitorais. Apesar da imensa quantidade de dados, a eleição passada ganhou destaque pela agilidade da sua apuração: em apenas três horas 95% dos votos foram computados por todo o país. Tanta agilidade é fruto, principalmente, da evolução na tecnologia de transmissão e recebimento de dados, além da migração de todo o sistema eleitoral para plataforma Linux, ocorrido em 2008. De lá pra cá, as urnas e servidores utilizam uma versão do Sistema Operacional customizada, chamada de UENUX, que é mantida pelos técnicos do próprio TSE.

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e-amarelo Cidade de São Paulo comprova agilidade do Linux em 2012 A cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral brasileiro – com mais de 8,6 milhões de votantes – demonstra que a utilização do Sistema Operacional customizado pelo TSE deu certo. De acordo com a Assessoria de Comunicação do TRE-SP, no 1º turno da eleição 2012, a apuração de 100% das urnas ocorreu em 24% do tempo utilizado em 2004, quando ainda eram utilizados os Sistemas Operacionais Windows CE, da Microsoft, e VirtuOS, da Microbase.

Tempo de apuração do primeiro turno Eleições de 2004

21 horas e 17 minutos

Eleições de 2008

09 horas e 31 minutos

Eleições de 2012

05 horas e 09 minutos

Sistemas Operacionais e as urnas brasileiras A máquina de votar brasileira, popularmente conhecida como urna eletrônica, é um microcomputador projetado especificamente para o processo eleitoral. Tal qual os computadores e notebooks, a urna se divide em hardware (a parte física, como o teclado, monitor e gabinete) e software (a parte lógica – os comandos e instruções que são executadas pelo hardware). Para que tudo isso funcione, é necessário um software especializado, que gerencie todo o processo. Esse software é conhecido por Sistema Operacional – ou S.O. De acordo com o site de estatísticas statcounter, o Windows XP, da Microsoft, ainda é o sistema operacional mais utilizado no mundo, rodando em 44,17% dos computadores. Em seguida estão os Windows 7 (32,69%) e Vista (13,16%), também da Microsoft. O Mac OS X, da Apple, está presente em 6,42% dos computadores no mundo. O Linux aparece em 6º colocado, com 0,81% do mercado global.

A rede eleitoral Por questão de segurança, as urnas não são ligadas a qualquer tipo de rede. Todos os votos ficam armazenados de forma criptografada (embaralhados de maneira ilegível para qualquer sistema que não seja o do Tribunal) na memória interna do dispositivo. Às 17h, a votação é encerrada e o mesário confere se as informações são consistentes – checando, por exemplo, se o total

de votos válidos, brancos e nulos equivale ao total de eleitores que compareceram à votação. Após a checagem, as informações são copiadas para um pen drive fabricado especialmente para a Justiça Eleitoral. Os pen drives de cada urna são conectados ao sistema seguro na sede do TRE, que computa os votos das suas zonas. Em seguida, os computadores

do TRE transmitem a contagem para os computadores do TSE, em Brasília. De acordo com o TSE, toda a comunicação é feita através de um link dedicado e exclusivo para essa finalidade, com velocidades que vão de 128Kbps a 16Mbps. Nos dias de votação, apenas o sistema de divulgação dos resultados tem acesso à internet.

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APURAÇÃO DAS ELEIÇÕES 2012 COM LINUX

A evolução da urna eletrônica

Quem guardará os guardiões?

As primeiras urnas eletrônicas foram utilizadas em caráter de teste nas eleições municipais de 1996. De lá pra cá, muitas melhorias foram feitas a cada novo modelo. Confira abaixo algumas características de cada um:

Diariamente, diversas tentativas de ataque são registradas à infraestrutura tecnológica da Justiça Eleitoral. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, o número de ameaças cibernéticas à sua rede privativa aumenta na proximidade da eleição, atingindo a marca de 2,3 milhões de requisições simultâneas. O TSE classifica esses ataques como tentativas de tirar o sistema do ar, sem o objetivo de comprometer o sigilo dos votos ou o resultado do pleito. Mas não responde se algum sistema já foi inutilizado em decorrência dos ataques. Entretanto, a maior crítica dos grupos que pesquisam a confiabilidade do processo eleitoral brasileiro reside na urna em si – e não na transmissão dos resultados. Recentemente, o relatório “Vulnerabilidades no software da urna eletrônica brasileira”, de março de 2013, elaborado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), apontou vulnerabilidades detectadas na 2ª edição dos

UE1996

Fabricante do hardware: multinacional norte-americana Unisys. Sistema Operacional: VirtuOS, produzido pela empresa brasileira Microbase. Foram entregues 70 mil unidades. Processador: 40Mhz Memória RAM: 2MB Peso: 11kg

UE1998 Hardware: Procomp (brasileira) Sistema Operacional: VirtuOS da Microbase. Processador: 133Mhz Memória RAM: 32MB Peso: 10kg Foram entregues mais 84 mil unidades.

UE2000

Manteve-se a dobradinha Procomp e Microbase. A encomenda de 191 mil unidades marcou o último modelo que teve o VirtuOS como Sistema Operacional. Processador: 150Mhz Peso: 10kg Primeiro modelo com portas USB

UE2002 A Unisys voltou a fabricar o hardware. O VirtuOS da Microbase foi substituído pelo Windows CE, da Microsoft. Foram entregues 50 mil unidades. Processador: 200Mhz Peso: 9kg

UE2004 A partir desse modelo, o hardware foi produzido pela Diebold-Procomp. Foram entregues 75 mil unidades. A capacidade gráfica do monitor foi melhorada. Memória RAM: 64MB Peso: 8kg

UE2006 O processador passou a 333Mhz e a memória RAM foi expandida a 128Mb. Foram entregues 25 mil unidades.

UE2008/2009 A partir da UE2008 (58 mil unidades), o Windows CE foi substituído pelo Linux UENUX. 8 8

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Curiosidade Cada urna é utilizada durante 10 anos, contados a partir de sua fabricação. Após esse período, algumas peças (como o visor de LCD) são retiradas e reaproveitadas para manutenção. O restante é descartado por empresas contratadas pelo TSE para o correto manuseio do “lixo” eletrônico.

Testes Públicos de Segurança do Sistema Eletrônico de Votação, realizados pelo TSE entre 20 e 22 de março de 2012. Na última página do relatório, os pesquisadores afirmam que “o software utilizado no sistema de votação eletrônica brasileiro não satisfaz requisitos mínimos e plausíveis de segurança e transparência”. Procurado pela reportagem, o TSE respondeu que “o teste de segurança tem exatamente esse objetivo: identificar potenciais fragilidades em alguns pontos do sistema, principalmente no que concerne à segurança” e que “os testes deste ano [2012] identificaram que o embaralhamento do registro digital do voto precisava de um algoritmo mais forte, e isso foi desenvolvido imediatamente após os testes”. Ainda de acordo com o Tribunal, “o ataque só foi possível graças à disponibilização, aos participantes[dos Testes Públicos], do código-fonte de todos os softwares executados pela urna, algo que, em uma eleição normal, não ocorre” ■


#vote

A estrada do futuro o levou à Casa Branca. Duas vezes Barack Obama tornou-se o primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos em 2008. Barack Hussein Obama II, ou simplesmente, Barack Obama, tornou-se o primeiro presidente afro-americano da história dos Estados Unidos em 2008.Formado em Direito e Ciências Políticas, o líder da nação mais poderosa do mundo inovou a forma de fazer política, relacionando internet e engajamento de voluntários a partir da grande rede. A fórmula foi tão bem sucedida que Obama se reelegeu em 2012 seguindo a mesma estratégia: de usar a web para fazer coisas que só podem ser feitas via web. Nos Estados Unidos da América, o slogan Yes We Can – sim, nós podemos, em tradução livre – ganhou as ruas em outdoors, camisas, bótons, notebooks e celulares.

Usando estratégia inédita, analisada em detalhes no livro Eleições 2.0, de Antonio Graeff, Obama conversou com simpatizantes por meio de blogs, criou uma estrutura descentralizada e mobilizada via internet, obtendo resultados expressivos (veja box ao lado). Além do livro de Graeff, entrevistamos o consultor de marketing político Guga Fleury, autor do livro ‘’Eleições 2008. O Brasil e o Efeito Obama”.

> 500 milhões de dólares arrecadados via web > um bilhão de e-mails enviados > Dois milhões de perfis na rede social MYBO (MyBarackObama.com), ponto de encontro dos voluntários e militantes. > 1.800 vídeos postados no Youtube, com total de 100 milhões de visualizações.

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ELEIÇÕES E INTERNET

Os motivos do sucesso Para Guga Fleury, consultor de marketing político com mais de 20 anos de experiência, três fatores justificam o sucesso da campanha em 2008: primeiro, a vanguarda nas ações, isto é, a primeira vez que se utilizou efetivamente de uma rede de estratégias digitais numa campanha presidencial; Segundo, pelo momento político em si, com o sentimento de mudança muito forte entre os americanos que não mais suportavam a politica econômica (crise hipotecária, imobiliária principalmente) e de relações exteriores do governo Bush

(investimento em guerras infindáveis e sem propósito, o 11 de setembro, etc). A vitória naturalmente seria de qualquer um que não representasse o partido republicano – a figura de Bush. E em terceiro ponto a atuação forte de Obama junto à juventude, às pessoas que estavam ao mesmo tempo engajadas e conectadas na rede mundial. A internet foi muito importante para mobilizar estas pessoas, tendo em vista o tamanho continental daquele país e, por fim, o voto não obrigatório, que por si já necessita de uma força maior que estimule

todos a votarem, principalmente aqueles que estão mais distantes ou mesmo marginais ao processo. Para Fleury, a internet também teve papel fundamental na arrecadação recursos financeiros para pagar as inserções de TV. “Ao contrário do Brasil, onde há um sistema gratuito, nos EUA o Horário Eleitoral é pago pelos candidatos/ partidos e é extremamente caro. Obama soube segmentar sua comunicação, falando diretamente a linguagem e o conteúdo que interessava a cada grupo (latinos, negros, etc)”, afirma.

Widgets Essa estrutura de programação permitiu ao público mais experiente conectar seus sites e blogs aos espaços oficiais da campanha na internet, replicando informações e manifestando apoio à candidatura. Torpedo SMS e a aproximação dos simpatizantes Obama utilizou os torpedos SMS – as mensagens de texto dos celulares – para transmitir informações exclusivas.

Twitter como fiscal eleitoral A equipe de campanha criou o #votereport, uma forma colaborativa de fiscalizar cada seção. Se algum internauta apontasse problemas em sua seção eleitoral, a equipe de campo era acionada. 10

• Interneura Ilustração: Cadeh Juaçaba


Estratégias Digitais Integrar as mídias online e offline foi a maior sacada da campanha de 2008. Nos Estados Unidos, é preciso convencer duplamente o eleitor: primeiro, para que ele vá aos locais de votação; depois, para que ele vote no candidato. Nesse momento, a utilização estratégica da internet revelou um imenso público jovem que buscava um novo jeito de fazer política, mais próximo da realidade que eles vivem na web.

A capacidade de rapidamente arrecadar dinheiro de forma online e mobilizar os integrantes da rede a se manifestarem no mundo offline fizeram a diferença na vitória de Obama. Outras intervenções da equipe de mídias online fizeram a diferença na conquista do público via internet. O investimento mais rapidamente difundida, fazendo com que Obama ganhasse a empatia.

1ª Eleição em 2008 O acesso instantâneo ao conteúdo, atualizado em tempo real, permitiu que informações e materiais fossem compartilhados com voluntários de todo o país. A interatividade, estimulada através das redes sociais, criou um canal de comunicação direta com militantes e eleitores. A partir dessa interação, muitos jovens se engajaram na campanha. Na mídia tradicional, todas as ações divulgavam o site www.barackobama.com.

Deu certo de novo, em 2012

Fotos e vídeos são essenciais Em todos os eventos, um cinegrafista e um produtor de vídeo acompanhavam o candidato à presidência. Esses registros de atos públicos e bastidores serviram de conteúdo para alimentar outro importante canal de comunicação: as redes de compartilhamento de fotos e vídeos, como o Flickr e o YouTube. Essas redes cumpriram o importante papel de mostrar

os bastidores da candidatura, estimulando nos militantes o sentimento de pertencer a uma grande causa. Esse laço quase emocional gerou manifestações espontâneas na rede, como o videoclipe Yes We Can, produzido pelo integrante will.i.am, da banda pop Black Eyed Peas. O vídeo do YouTube teve mais de 17 milhões de visualizações.

O modelo de 2008 foi bem sucedido. Quatro anos depois, tentando se recuperar da crise econômica que ainda assombra o país, o que fazer para a reeleição? De acordo com Fleury, a estratégia utilizada para a reeleição de Obama foi similar à reeleição presidencial brasileira em 2006. “Em razão de Obama não realizar o governo que todos esperavam, o presidente americano se posicionou de forma semelhante à estratégia adotada por Lula em 2006 (não troque o certo pelo duvidoso)” Interneura •

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ELEIÇÕES E INTERNET

A tal integração Online e Offline Outro diferencial da campanha de 2008 foram as sessões de treinamento de voluntários e organizadores conhecidas como Camp Obama. Voltados para liderança, motivação e comunicação, participaram mais de 23 mil pessoas. Idealizado pelo prof. Marshall Ganz, da Universidade de Harvard, as sessões de treinamento tanto estreitaram os laços entre os participantes da campanha quanto refinaram os argumentos da equipe de campo – que tem contato direto com os eleitores e o importante papel de convencê-los.

Abre Aspas: O Marketing Político Brasileiro Por Guga Fleury

Como um profissional de marketing político que acompanha os processos eleitorais desde 1989, e sobretudo com olhos para a internet desde a eleição presidencial de 2002 (Lula x Serra), a qual participei ativamente, posso dizer que tivemos em muitos pontos um grande retrocesso neste ano de 2012, principalmente se comparado a 2010 e 2008. Vamos rapidamente traçar um comparativo entre os três últimos processos eleitorais, 2012, 2010 e 2008. Na campanha política com vistas à prefeitura de SP no ano de 2008, tivemos o uso do celular como ferramenta de comunicação entre a gerencia da campanha do candidato à época, Gilberto Kassab, e seu eleitorado. Isso não ocorreu em 12

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2010, muito menos em 2012. É um fato curioso, e um ponto que por si só já demonstra retrocesso - fato que demonstro e analiso em minha obra ‘’Eleições 2008. O Brasil e o Efeito Obama”. Outro ponto foi a utilização do telemarketing de forma negativa pela campanha de José Serra em 2010 (contra Dilma, incitando o caso Erenice) e agora em 2012 contra o candidato paulistano Celso Russomanno (propagado por algum desconhecido, mas certamente a mando do candidato Haddad do PT) e que teve muito êxito, pois os eleitores de São Paulo souberam que Russomanno era vinculado politicamente ao PRB, partido patrocinado e inaugurado pela Igreja Universal do Reino de Deus - Edir Macedo). ■

Guga Fleury Consultor de Marketing Político Eleitoral e Governamental e Assessoria Política.


#comofaz

Você está seguro?

O acesso à internet é uma janela para um mundo, cheio de mitos, hábitos, perigos e vantagens. Então, como fazer um bom uso da rede?

N

o dia 02 de abril de 2013, entrou em vigor a nova Lei de Crimes Eletrônicos (12.737). Conhecida – de forma equivocada – por “Lei Carolina Dieckmann”, a legislação estabeleceu como crime situações que antes não eram previstas nas leis brasileiras. Mas o que você faria para não se tornar vítima de um crime digital? Ou se, ao navegar na internet esbarrasse num conteúdo ofensivo? Nas próximas páginas você terá dicas valiosas para acessar com segurança, evitando os principais crimes cometidos na internet. E saberá o que fazer caso precise denunciar. Dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, mantida pelo SaferNet Brasil, apontam 2500 denúncias de crimes cometidos pela internet a cada dia. No Brasil, lideram os delitos de racismo, pornografia infantil e apologia e incitação a crimes contra a vida.

E se uma criança for vítima de bullying na internet? Para os pais: De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, o primeiro passo, quando uma criança é vítima de ciberbullying, é notificar a autoridade competente. Recomenda-se que você vá até a delegacia e faça um Boletim de Ocorrência, no qual você formaliza essa declaração. Caso o seu filho seja a vítima, verifique se você conhece os pais dos agressores. Tente conversar com os pais, pois muitas vezes

eles nem sabem o que os filhos fazem. A legislação atribui aos pais a responsabilidade pelo que os filhos fazem na internet, enquanto são menores. Na maioria dos casos, são colegas que fazem postagens, blogs ou perfis, contra seus amigos ou colegas de escola. Então, a forma mais rápida, é verificar junto aos pais ou diretor da escola uma solução extra-judicial.

Para as crianças: O SaferNet é uma instituição sem fins lucrativos que disponibiliza canais de atendimento gratuito via internet para que crianças e adolescentes possam denunciar as agressões ocorridas no mundo online. O contato é feito com psicólogos especializados para esse tipo de atendimento. Saiba mais informações no site www. safernet.org.br Interneura •

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CRIMES DIGIAIS

Responsabilidade solidária Imagine o seguinte: fizeram um comentário lhe ofendendo na postagem de um blog. Você aciona a Justiça e a rede social identifica o blogueiro. Mas o blogueiro não consegue identificar o autor do comentário. Quem será responsabilizado pela ofensa? “Se não for possível identificar o autor do comentário, a responsabilidade é integralmente da rede social, como se ela fosse a autora”, afirma Caio César, especialista em Direito Digital do escritório Opice-Blum Advogados. Em 2009, o blog Liberdade Digital, do jornalista Emílio Moreno, foi condenado a pagar indenização pelo comentário feito por um internauta. Nas páginas 26 e 27 Emílio conta sobre sua história com a internet.

Sensação de impunidade A não presença do Estado no ambiente eletrônico aumenta a sensação de impunidade. Quando saímos na rua, nos deparamos com delegacias e viaturas de polícia, inibindo condutas criminosas. Mas se alguém manda um email ou posta uma foto numa rede social, não se vê uma delegacia, nem se imagina que um órgão do Estado vai interceptar aquele conteúdo para saber quem o criou. “Essa sensação de falta de repressão policial no mundo virtual é muito maior do que no mundo real. Muitas pessoas acreditam no mito de que não podem ser identificadas por suas ações na internet”, diz Caio César. 14

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Cuidados com as suas informações virtuais Siga algumas dicas básicas para evitar problemas:

Não passe pra frente, nem encaminhe, para os seus amigos coisas que você não sabe a fonte. Às vezes, a mensagem que você recebe com anexo, uma simples apresentação do powerpoint com uma mensagem bonita, já é o suficiente para você instalar em seu computador um programa que pode trazer prejuízo à você.

Escolha com cuidado as lojas eletrônicas e sites de compras coletivas. Existem sites hoje em dia em que você pode saber quantas reclamações foram feitas daquela loja, se a loja entrega no prazo, se os produtos são verdadeiros. Se você vai comprar em sites de compra coletiva, não compre em sites pequenos, compre somente nos sites que você tem um canal de atendimento telefônico ou por email se surgir qualquer problema.


Em redes sociais, evite fornecer seus dados pessoais. RG, CPF e endereço podem lhe causar problemas, se você não sabe o que vai ser feito com essa informação. Se você estiver acessando uma rede social no smartphone, não baixe aplicativos de origem duvidosa. Alguns aplicativos acessam suas fotos e sua localização, e você não sabe como podem se utilizar desses dados. .Tenha na rede social muita cautela com o que vai divulgar, configure as opções de privacidade para restringir o máximo possível a divulgação das suas fotos e locais que já visitou. Certifique-se de que apenas seus amigos podem visualizar o conteúdo, sem possibilidade de compartilhar com terceiros as suas informações. Imagine o seguinte: você sairia na rua com seu álbum de fotos mostrando para qualquer pessoa? Normalmente, só mostramos para os amigos mais próximos. E na internet as pessoas parecem perder um pouco essa dimensão.

Cuidado com as fotos que você publica no seu perfil.

Quando deixar meu filho usar internet sem supervisão? Oficialmente, após os 18 anos, quando os jovens passam a ser responsáveis por seus atos. Mas se existir uma relação de confiança entre os pais e os filhos, essa idade vai depender da maturidade dos adolescentes. Por volta de 16 anos, os jovens já têm um discernimento maior sobre o que é risco ou não na internet. Imagine que a internet é como ir a um shopping com bilhões de pessoas: se você confia que o seu filho é capaz de ir e voltar sozinho, sem se perder ou desviar o caminho, provavelmente ele será capaz de fazer bom uso da rede.

É muito comum colocar foto de família, pai, mãe, filho, irmão, no prédio em que mora, na academia que frequenta, no restaurante que está naquele momento tendo refeição, e isso torna a pessoa vulnerável a uma série de riscos. Falsidade ideológica, criação de cadastros falsos, abertura de contas e fraudes são alguns deles.

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CRIMES DIGIAIS

Já pensou nisso? Muitas vezes, as pessoas não imaginam o alcance do que publicam na internet. Declarações de que estão saindo de férias por uma semana, por exemplo, tornam a casa daquela família um alvo para ladrões. Os bandidos sabem que aquela casa vai ficar vazia a semana inteira. Outro exemplo é dos

usuários do Twitter que postam alguma frase falando sobre ir ao banco e são assaltados pouco depois. Fontes ouvidas pela reportagem confirmam que existem pessoas

mal intencionadas que ficam ativas, monitorando as informações que são publicadas nas redes sociais. Por isso é muito

importante ter cautela com os dados disponibilizados na rede. Fazer checkin (equivalente a publicar algo) em redes de localização como o FourSquare podem, tanto indicar a sua rotina, quanto expor o seu endereço residencial e de estudo ou trabalho. Evite esse tipo de postagem e lembre-se de ajustar as configurações de privacidade da sua conta.

Fraudes bancárias: problema nacional No artigo “Brazil: a country rich in banking Trojans”, disponível no site SecureList, o analista de segurança Dmitry Bestuzhev analisa as fraudes bancárias brasileiras. De acordo com o analista, o país se diferencia dos demais por ter uma comunidade hacker peculiar, que efetua ataques moldados para a realidade brasileira, sendo a grande maioria desses ataques fazendo uso de software malicioso desenvolvido no país. 16

• Interneura

Em outros países, os ataques são genéricos e os softwares são desenvolvidos em várias partes do mundo. Outros estudos sugerem que o prejuízo causado aos bancos por fraudes eletrônicas é maior do que o causado por crime em ambiente físico, normalmente violação de terminais de autoatendimento e assaltos às agências. Entretanto, os dados não são oficiais, pois as empresas resistem à divulgar informações.


Mito ou verdade? Por Caio Lima

1. A internet é uma terra sem lei.

Mito. Todas as leis que vigoram no Brasil, seja do Código Penal, Civil ou da Constituição Federal, se aplicam integralmente à internet.

2. Os pais são responsáveis pelos atos dos filhos na internet.

Verdade. Todos os atos cometidos por menores de 18 anos são de responsabilidade dos pais, incluindo os atos via internet. 3. A pena para quem comete um crime contra a honra via internet é maior do que se o crime fosse cometido no mundo “real”.

Verdade. Os crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação), cometidos na internet, recebem agravo na pena devido ao poder de alcance da informação. Enquanto um jornal de bairro atinge algumas mil pessoas, uma postagem no Facebook pode ser visualizada por milhões – ou até mesmo bilhões de pessoas.

4. Utilizar o modo de navegação anônima do browser não deixa rastros que possam ser identificados.

Mito. O acesso à internet, de forma genérica, seja no computador, tablet ou smartphone, sempre deixa rastros. Os provedores de conexão com a internet (GVT, Velox, Oi, Vivo, etc), todos eles, mantêm um histórico de acesso de todos os usuários. A partir do momento em que se é assinante daquele provedor, quando vai se acessar a internet, ele atribui um número que chamamos de IP. Quando se acessa um site da internet, esse site, via de regra, guarda esse número, independente da atividade realizada. De posse desse número, é possível acionar o provedor e descobrir quem realizou o acesso■

Delegacias Especializadas em Crimes Cibernéticos por estado http://www.safernet.org.br/site/ prevencao/orientacao/delegacias

Caio Lima Especialista em Direito Digital do escritório Opice Blum Advogados, em São Paulo.

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#visual

DESIGN RESPONSIVO

Uma questão de adaptação

Criar um site hoje é algo bem mais complexo do que pode parecer. Com o desenvolvimento do mercado de smartphones e tablets, é necessário customizar o conteúdo para exibição em equipamentos com diferentes configurações. Conheça agora o layout responsivo. Com ele, uma mesma versão do site pode ser exibida em vários dispositivos

O acesso à internet mudou rapidamente nos últimos anos. Na década passada, a grande maioria dos navegadores eram executados em computadores de mesa (desktop) ou portáteis (notebook). Hoje, boa parte do acesso é realizado através de dispositivos móveis, como smartphones e tablets, lançando desafios para o setor: como mostrar o mesmo conteúdo em telas menores que as dos computadores? Como executar recursos visuais, se a capacidade de processamento é inferior? Inicialmente, a solução encontrada foi o versionamento: uma versão do site para cada tipo de acesso. Mas isso criou um problema: a manutenção. Com essa técnica, eram várias versões diferentes do mesmo site, necessitando adequações e customizações do conteúdo, aumentando o custo e o trabalho das equipes. A saída foi criar estruturas de programação que detectam o tamanho da tela, ajustando a exibição de uma mesma versão do site àquela tela, sem prejudicar o conteúdo.

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• Interneura


Para Samuel Batista, Diretor de Tecnologia da Index Comunicação Digital, um exemplo de aplicação do layout responsivo é o site Tribuna do Ceará: “a gente detectou que os acessos se limitavam, basicamente, a notebooks, desktops e tablets – o iPad pra ser mais específico, e celulares, no caso, Androids 2.5 e iPhones. Partimos do princípio de que a maior audiência se dava no Desktop, então, a gente construiu a melhor experiência possível pro usuário que vem acessando no computador. Em seguida,pensamos na adequação aos demais dispositivos. Não é uma questão de esconder e mostrar. É filtrar aquela experiência, porque, no final das contas, o layout é uma experiência de leitura”.

Como funciona um site responsivo? O site vai se adequando de forma que a leitura fique mais agradável naquele meio. Observe os exemplos abaixo:

Prática responsiva

Por: Samuel Batista, da Index Comunicação Digital Quando a gente vai montar

640, eu sei que aquilo é um tablet.

um site, a gente tem duas

Por que eu estou trabalhando

linguagens que não são de

com

programação, são de sintaxe:

tamanho

o HTML e o CSS. O HTML é uma

Se for menor que 640, eu vou

espécie de gramática, onde eu

saber que aquilo é um iPhone,

defino o conteúdo em si. Eu

por exemplo, então, a gente

defino o que é um parágrafo,

faz esse tratamento. A gente

defino o que é um título, o que

mensura quais são as janelas,

é uma coluna de conteúdo. E o

geralmente a gente trabalha

CSS é a maquiagem desse HTML.

com as larguras. O iPad e iPhone

É quando eu digo que vai ter

com Home Button pra baixo.

um parágrafo, dessa cor, com

Convencionamos internamente

corpo de fonte desse tamanho e

usar como referência a largura,

espaçamento desse tamanho. O

mas isso pode variar de acordo

HTML é como se fosse a estrutura

com o projeto. Nosso foco é em

base. O CSS é a decoração dessa

sites de notícias, então a gente

estrutura. É a cara que eu dou.

convencionou

No CSS a gente pode fazer filtros.

mais extensa, por isso usamos

Com base nesses filtros que

o menor valor como largura

a gente faz o versionamento.

e o maior valor como altura.

Eu posso através do CSS fazer

Outras equipes, outros projetos,

condições. Por exemplo, se o meu

podem trabalhar de maneira

tamanho de tela for entre 1024 e

diferente. ■

Samuel Batista Diretor de Tecnologia da Index Comunicação Digital

uma

janela e

de

maior

uma

menor

tamanho.

Em tela cheia no computador

Reduzindo o tamanho da tela, a pré-visualização da galeria de fotos é omitida e o menu superior vira um botão

leitura

Diminuindo ainda mais a tela, chegamos à versão para smartphones. A galeria de fotos foi totalmente omitida e mantevese apenas a lista de notícias (imagem esquerda). O layout responsivo também é utilizado nas páginas internas, sem prejudicar a exibição do conteúdo (imagem da direita).

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Chat

Depoimentos de usuários contando o que fazem e como acessam a rede, contrastando as realidades ao redor do mundo.

A primeira vez que eu usei internet foi na escola, acredito que foi em 2002 ou 2003. Costumo usar a internet para pesquisas escolares, checar e-mails, ler os jornais online e acessar o skype. Faço isso através do iPhone, iPad e meu Laptop. Costumo utilizar a internet duas horas por dia. Se eu pudesse defini-la numa frase: é um grande mar de informações e você precisa encontrar uma maneira de não se perder.

Sabrina Füglistaller, 22 anos, Suíça.

Tenho 21 anos, completando 22 em julho deste ano. Comecei a usar a internet com 12 anos quando meu ex cunhado me apresentou um site para fazer downloads de músicas. Achei aquilo o máximo. Passei um longo tempo da minha vida acessando internet através de computadores desktop, mas, há alguns anos, já utilizo notebooks. Recentemente, aderi a moda dos smartphones e também utilizo dessa plataforma para o acesso. Por gostar de internet, por ter um smartphone conectado o dia todo e por trabalhar com internet, acredito que passo em torno de 16h por dia. Trabalho com internet na parte de redes sociais. Constantemente pesquiso assuntos relacionados a essa área de Marketing Digital. Vejo frequentemente meus e-mails e acesso também minhas páginas de redes sociais particulares. O que deixa a desejar são as internets 3G tanto para celular quanto para computadores. A cobertura e a navegabilidade são falhas em vários momentos.Para mim, a internet é uma grande máquina que precisa de nós como engrenagens para aprimorar e efetivar seu funcionamento. Gabriel Mota, 21 anos, Brasil.

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• Interneura


Usei a internet pela primeira vez há muito tempo atrás, acredito que tinha 7 anos. Normalmente utilizo meu laptop e o smartphone para acessar, em média, uma hora e meia por dia. Costumo assistir shows de tv via web, usar o facebook e checar os e-mails. Se eu pudesse definir a internet numa frase: uma maneira de acessar qualquer tipo de informação.

Ariane Dion, 20 anos, França.

É difícil lembrar quando usei a internet pela primeira vez, mas acredito que tenha sido por volta de 2000, quando eu tinha 9 anos. Dependendo do que estou fazendo, o tempo de acesso pode variar entre 1 e 12 horas por dia. Costumo acessar o 500px. com, site de fotografia, e alguns sites russos e ucranianos que me interessam. Para mim a internet é uma ferramenta obrigatória para conectar pessoas diferentes, com uma base de dados e de conhecimento imensa, além de uma ferramenta aberta de mídia de massa.

Dany Novykov, 21 anos, Ucrânia.

A primeira vez que usei a internet foi em 1999. Na época apenas usava o buscador “Cadê” e o bate-papo... em 2003 foi quando comecei um curso técnico para desenvolver sites. Decidi não trabalhar com isso. Hoje em dia uso a internet para me comunicar, jogar, fazer pesquisas (pesquisava muito mais na época da universidade). Antes deveríamos ter modens ligados ao cabo do telefone e quem tinha conexão de 56Kbps era herói...hoje com a fibra óptica e afins... uso pelo smartphone e pelo meu pc mesmo. Felipe Caçador, 24 anos, Brasil

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#bomsaber

http://historia.internet.br Poucas pessoas conhecem tão bem a história da internet no Brasil quanto Demi Getschko.

Nascido na província italiana de Trieste, mas de nacionalidade brasileira, o engenheiro eletricista formado pela Universidade de São Paulo (USP) participou ativamente da implantação e difusão da rede no país. Atualmente, é diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação da Internet no Brasil (NIC.br). Numa entrevista exclusiva, na sede do NIC. br, o homem considerado “pai da internet brasileira” conta em detalhes casos e histórias. E declara que pensar o futuro da internet é tão sem sentido quanto pensar o futuro da eletricidade...

Pouco mais de 11 horas em São Paulo. A manhã agradável da cidade que nunca dorme é uma boa pedida para alguns goles de café, no agitado bairro do Brooklin Novo. E a xícara do nosso entrevistado está sempre cheia ao longo da conversa, dividindo o espaço da ampla mesa de reuniões com o MacBook Air e um telefone VoIP. Nesse espaço minimalista – com ares de modernidade – Demi Getschko conta muitas histórias, 22

• Interneura

numa fala rápida que contrasta com a serenidade de quem viveu cada fato que descreve. Fluente em cinco idiomas - Italiano, Português, Inglês, Espanhol e Grego - o diretor conversa num Português impecável, com segurança. InterNeura: Demi, quando começou sua “relação” com a internet? O que mudou daquela época para hoje? Demi Getschko: Eu sou Engenheiro Eletricista, com mestrado e doutorado pela Escola Politécnica da USP, e eu me envolvi com computação logo no começo da escola, no segundo ano de engenharia eu já estagiava no Centro de Computação. Apesar de ter me voltado para a área de telecomunicações na Faculdade, meu trabalho sempre foi com computação. Naquela altura do campeonato, o que se usavam

eram mainframes. Os mainframes eram máquinas grandes, que custavam muito caro, ficavam em data centers, e as pessoas para usarem as máquinas tinham que ir até o data center submeter seus programas, que normalmente estavam gravados em cartões perfurados, e depois pegar o resultado, que em geral era impresso em papel. Havia uma tendência já bastante importante na época de disseminar os terminais. Terminais eram equipamentos basicamente teclado e monitor, que não tinha capacidade gráfica nenhuma, eram só caracteres. Mas, em vez de você ir até o computador, jogar lá seus cartões e pegar a resposta impressa em papel, você fazia uma coisa no terminal, escrevia lá seus comandos, submetia ao computador e ele devolvia a resposta na tela, também em caracteres. Com isso você evitava


ir até o Centro de Computação e o jeito de ligar esses terminais era através de linhas telefônicas comuns, usando um equipamento chamado Modem. Ele modula um sinal analógico para transmitir sinais digitais. Na época dos primeiros modens a capacidade era de 110 bits por segundo (bps), depois 300 bps, 600bps, 1200bps, 2400bps, em suma, foi rapidamente evoluindo até taxas mais altas. IN: E de onde surgiu a ideia de ligar computadores e não terminais? DG: Nos Estados Unidos já haviam ideias mais ambiciosas de ligar computadores, não terminais. Se você fosse usuário de um computador você poderia usar um outro computador, pois os dois estariam ligados. No Brasil, em 1985 eu mudei do Centro de Computação da USP para a FAPESP [Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo] e na FAPESP teve algo interessante: a FAPESP dava bolsas para os cientistas estudarem no exterior e lá o pessoal usava esse acesso de computador a computador. Quando voltavam, eles perdiam esse acesso e os experimentos que eles faziam lá tinham que ser feitos remotamente por algum colega que ainda estava lá. Imagina só, eles tinham que enviar dados para alguém submeter a um acelerador nuclear ou o que fosse, e sentiu-se, principalmente nos pesquisadores que voltavam de lá, necessidade da conexão que eles tinham com os colegas no exterior. IN: E qual foi a postura da

FAPESP?

DG: Na época o professor Oscar Sala, que era o presidente

da FAPESP, percebeu que a Fundação unia todas as Universidades Estaduais e, em vez de cada uma se virar sozinha, ela podia encabeçar a lista e fazer uma conexão única a uma rede que na época era bastante popular chamada BitNet (Because It’s Time Network). IN: A FAPESP foi, então, a responsável pelo primeiro acesso internacional brasileiro? E o desenvolvimento de uma rede de abrangência nacional com acesso à outras redes? DG: Não. Nesse processo a gente descobriu que tinham muitas iniciativas parecidas espalhadas pelo Brasil,que a gente já sabia terem ares acadêmicos. Por exemplo, no Rio o pessoal do LNCC [Laboratório Nacional de Computação Científica] também procurava se ligar a uma rede lá fora e coincidentemente era a rede BitNet. A ideia de uma rede nacional já começava a se articular, Tadao Takahashi e outros pesquisadores estavam tentando montar uma rede que unisse as universidades brasileiras em todo o território nacional. Todas essas iniciativas andaram mais ou menos ao mesmo tempo, havia alguma conversa entre elas tentando sincronizar tudo isso, e cada uma delas seguiu seu caminho. Na verdade a primeira conexão a uma rede internacional saiu do Rio, do LNCC, para a Universidade de Maryland, ligando-se à BitNet. Um mês depois nós fizemos a nossa da FAPESP ao laboratório chamado Fermi, também ligando à BitNet IN: E qual a diferença entre elas? DG: A diferença era apenas burocrática. O Rio conectou-se à rede BitNet americana e quando

nós chegamos em seguida os caras disseram “olha, outra conexão latino-americana a uma rede americana, por que vocês não montam uma rede local e conectam essa rede à rede latino-americana que já existe?” E aí nasceu a rede acadêmica em SP chamada ANSP [Academic Network at São Paulo], que foi a coleção das cinco máquinas (USP, UNESP, UNICAMP, IPT e FAPESP) que montaram uma conexão única ao laboratório Fermi. E aí começam as redes acadêmicas, isso foi em 1988. IN: Nessa época foi registrado o domínio .br, que até hoje é usado para nomes de internet brasileiro. Qual a importância disso? DG: Solicitamos o registro do .br lá fora, pra poder criar uma hierarquia de nomes brasileiros. O br foi registrado, sei porque falei isso numa palestra, em 19 de abril de 1989. IN: E o que mudou deste então? DG: A internet muda muito por volta de 1992/1993 quando aparece a Web. Mas a internet existia antes da Web e a internet se espalhava pelo mundo antes da Web. A Web mudou o jeitão da internet, porque trouxe o poder de publicação ao usuário final. IN: A web trouxe o conteúdo da internet? DG: A possibilidade de você fazer o conteúdo. Quer dizer, conteúdo já tinha nas demais, mas você tinha que ir até lá busca-lo. Dificilmente você era o gerador do conteúdo. A Web abriu isso geral: todo mundo pode ter sua página. Ninguém pensa hoje no futuro da eletricidade, talvez se pensasse isso no século XIX. A internet hoje é tão importante quanto a eletricidade. ■ Interneura •

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Foto: Márcio Neves/Folhapress

#outro

Sala de monitoramento do Centro de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro.

Braço forte, mão amiga. Também na internet Já pensou o que aconteceria se um grupo de criminosos virtuais conseguisse desligar as usinas elétricas? Ou Interferir nas rotas dos aviões? Ou, ainda, copiar documentos militares sigilosos que pudessem comprometer as ações das forças de segurança brasileiras? Agora, imagine isso durante uma Olimpíada, ou Copa do Mundo. Seria o caos... O Brasil estará sob os olhos do mundo nos próximos anos, ao sediar grandes eventos. E terá, também, olhos atentos monitorando setores críticos em seu território. Em 2008 a Estratégia Nacional de Defesa foi atualizada para evitar que o cenário apocalíptico que imaginamos no início do texto se torne realidade. O plano elege três eixos prioritário: nuclear, aeroespacial e cibernético, cada qual sob responsabilidade de uma das Forças Armadas: Marinha; Força Aérea e Exército, respectivamente. Em agosto de 2010, fruto da

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• Interneura

Estratégia, foi criado o Centro de Defesa Cibernética (CDCiber). Com a missão de coordenar e integrar as atividades cibernéticas do Ministério da Defesa, e orçamento estimado em R$400 milhões para os próximos quatro anos, o CDCiber teve seu primeiro grande teste na Conferência Mundial Rio+20, em junho de 2012. E foi bem sucedido. De acordo com o Major Alexandre Oliveira, assessor de comunicação do Centro, “os sites do evento Rio+20 permaneceram o tempo todo disponíveis, por toda duração do evento”. Essa alta disponibilidade do serviço,

segundo o Major, é resultado dos esforços integrados de diversas Agências governamentais, sob coordenação do CDCiber. De acordo com o Centro, para a Copa das Confederações, em junho deste ano, na sala de monitoramento da rede, estarão representantes de diversas instituições, desde a Polícia Federal, até a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Mais do que defender o espaço virtual brasileiro, a iniciativa do Ministério da Defesa contribui para desenvolver doutrinas, que sirvam como legado para a Nação.


Para os grandes eventos, as forças de segurança em campo terão apoio de militares que monitoram o mundo virtual.

Para o porta-voz do CDCiber, Major

A tecnologia

100%

nacional

Alexandre

exigência doutrinas

de

Oliveira,

a capacitar recursos humanos,

a

a desenvolver uma tecnologia

desenvolver

adequada às características de

próprias,

com

infraestrutura

do

Brasil,

que

tecnologia nacional, é um grande

são peculiares e diferentes de

avanço para o Brasil. “É uma

outros países. Nós trabalhamos

diretriz do Governo Brasileiro,

com tecnologia nacional, com

tanto na Estratégia de Defesa

empresas de capital nacional. O

Nacional, quanto na Política de

Brasil fica com o código-fonte e

Defesa

esse

tem uma série de vantagens que

setor se desenvolva baseado em

não teria comprando ferramentas

tecnologia brasileira. O país ganha

prontas ou trazendo do exterior” ■

Cibernética, que

muito com isso, por que passa

Interneura •

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INBLOG

InBlog

Ívila Bessa Editora de conteúdos digitais do Sistema Verdes Mares

Cai de pára-quedas. Com quase todos ainda à beira dos anos 2000 ou anos após o segundo milênio, internet era um terreno desconhecido até para os próprios usuários, imagina como área de atuação para o jornalismo. Foi através de um aviso de uma companheira de sala na Universidade Federal do Ceará (UFC), em fevereiro de 2003, de que havia seleção para estagiários r-e-m-u-n-e-r-a-d-o-s, que o suposto acaso despiu-se em destino na vida jornalística. Por puro acaso e em razão das raras opções de vagas divulgadas para seleção, me atrevi a participar e atreveram em me selecionar. No dia 8 de março de 2013, iniciei as atividades como estagiária do ainda veículo web Portal Verdes Mares. 5 anos exatamente após a primeira aventura www. De lá para cá, presenciei e presencio muitas modificações nos processos de produção e edição de conteúdo alinhados a apostas e possibilidades tecnológicas, de ferramentas a 26

• Interneura

sistemas de publicação. No início dos anos 2000, a produção de notícia na web tratava-se de um simplória edição de conteúdo e publicação quase fiel - a era CTRL+C CTRL+V - dos textos da TV, impresso e rádio. Aos poucos, pequenas novidades eram incluídas, como criação de canais verticais de conteúdo (Esporte, Cinema, etc), aventuras em publicação original em vídeo, áudio... Quase uma década de incipiente webjornalismo.

Gastávamos tempo e energia avaliando e analisando as métricas do público.

De 2009 para cá, um salto. Pesquisas sobre o consumo dos usuários com os novos modelos digitais, sejam em mídias sociais, vlogs, podcasts, etc, ao tempo gasto e o engajamento dessa nova audiência com o conteúdo em blogs, sites e portais, acordaram a indústria da

informação para a era digital no Brasil e especialmente no Ceará. Nesse mesmo ano, assumi o primeiro cargo de editora, à frente dos portais das rádios, TV Diário e do próprio Portal do Sistema Verdes Mares (SVM). Reavaliamos a nossa atuação com a edição de conteúdo para uma postura em produzir conteúdo próprio e complementar aos veículos TV, rádio e impresso. Começamos a atuar em mídias sociais como plataforma de contato mais próximo com o público. Gastávamos tempo e energia avaliando e analisando as métricas do público, sejam em comentários e em e-mails “Fale Conosco”, e de audiência dos blogs, sites e portais através do Google Analytics. Trabalhar hoje com conteúdos digitais é receber convite para uma área incansável, recheada de novidades e transformações e flertar com um futuro que mora bem ao lado. É viver motivado por novas e chocantes possibilidades. É sentir o corpo oxigenado de vida. ■


Emílio Moreno

Jornalista e blogueiro, ficou conhecido em 2009 pelo seu blog Liberdade Digital.

Para ser bem franco, não consigo lembrar ao certo como começou a minha história com a internet. Lembro como se fosse hoje do primeiro computador que chegou na minha casa com conexão de 57Kbps. Foi lá pelos anos de 1999. Depois disso não consegui desconectar desse mundo chamado internet. Amigos, notícias, diversão, facilidade de comunicação, enfim, um mundo de possibilidades. Na carreira profissional a escolha pela área de jornalismo na web foi natural. Desde as primeiras disciplinas na academia, os autores e os seus conceitos sobre o virtual sempre me interessaram. A primeira experiência veio na Agência de Notícias da Estácio do Ceará, que na época ainda se chamava Faculdade Integrada do Ceará (FIC). Depois disso para ter um blog foi um pulo. Nasceu o Liberdade Digital que durou pouco mais de quatro anos. Época de alegrias, descobertas e de alguma dores de cabeça. Mas de todo esse

tempo um enorme aprendizado. A experiência com o Liberdade Digital nasceu da necessidade de colocar em prática o que eu estava aprendo na faculdade e também criar um portfólio com a minha produção. Foi um período em que as redes sociais não faziam tanto sucesso ainda no Brasil. O episódio do processo envolvendo o meu blog, apesar de traumático, também trouxe, de certa forma, um aprendizado importante. Infelizmente me fez acreditar menos na boa fé das pessoas.

internet está na conexão com as pessoas que ela proporciona, mas o pior também está lá. Com as condutas inapropriadas e muitas vezes exageros. O mais importante de tudo isso são as escolhas que você vai fazer. A internet faz parte da minha vida pessoal e profissional. O tempo todo. Ainda bem! ■

O melhor da internet está na conexão com as pessoas que ela proporciona, mas o pior também está lá.

Ainda sou fascinado por essa tal internet. Bem menos deslumbrado hoje, acho que esse excesso deve ser encarado hoje com normalidade. Faz parte da nova cultura. O melhor da

Blogueiro é condenado por danos morais O blogueiro Emílio Moreno foi condenado pela Justiça a pagar indenização por conta de um comentário anônimo em seu blog.

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Revista InterNeura  

Revista Experimental para ajudar as pessoas a compreenderem melhor a Tecnologia, a Internet e o papel de ambas nas suas vidas. Elaborado por...

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