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Curso Pintura com Pigmentos Naturais

TEXTOS DE APOIO Pintura com Pigmentos Naturais

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O QUE SÃO PIGMENTOS NATURAIS Os pigmentos são substâncias finamente moídas que fornecem as cores necessárias à realização de pinturas. São, assim, os principais constituintes das tintas usadas em pintura. São os materiais responsáveis pela cor, que surgem nas tintas sob a forma de pequenas partículas ligadas entre si pelo aglutinante. —As

tintas, antigamente, eram feitas nas oficinas dos pintores, ou nos conventos, a partir dos pigmentos preparados pelos próprios e seus ajudantes.

Oficina de artista onde eram manufaturados os pigmentos

Os pigmentos utilizados em pintura podem ser classificados em pigmentos naturais e pigmentos artificiais. Um pigmento natural obtém-se diretamente da natureza, sendo apenas sujeito a processos de natureza física, de separação e de moagem fina. Estes podem ser de origem mineral (terras e rochas) ou de origem orgânica ( vegetais ou animais). Estas substâncias eram moídas até terem a consistência de um pó colorido. Citaliarestauro.com | Pintura com Pigmentos Naturais | 2017

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Um pigmento artificial é obtido através de reações químicas, quer a partir de materiais mais simples quer por decomposição de materiais mais complexos.

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VARIEDADES DE PIGMENTOS NATURAIS A variedade de pigmentos naturais que podemos encontrar é virtualmente infinita uma vez que são diversas as substâncias de onde podem ser extraídos na Natureza. Vamos conhecer apenas algumas das variedades de pigmentos mais importantes na história da pintura e a sua origem.

Terras Os pigmentos naturais mais utilizados pela sua facilidade e disponibilidade são os pigmentos “terras” geralmente terras minerais, compostas por diferentes tipos de óxidos, sulfitos e carbonatos. Em Portugal existe uma grande variedade de terras ocráceas e argilas coloridas. Com as terras, obtinham-se variadas gamas de cores que, juntamente com outros pigmentos minerais, foram empregues, durante séculos, tanto nas pinturas exteriores, de carácter mais simples, como nas pinturas murais no interior de casas e igrejas.

Azul ultramarino Alguns pigmentos naturais atingiram grande prestigio em determinados momentos da história como, por exemplo, o azul ultramarino, obtido do precioso lápis-lazúli que provinha quase exclusivamente da região do atual Afeganistão. Atingiu o seu momento de glória na Idade Média e inicio do Renascimento, tornando-se no pigmento mais cobiçado e mais dispendioso. Cennino d'Andrea Cennini (1370 – 1440) foi um pintor italiano que escreveu o Il libro dell'arte, no começo do século XV e que é um "manual de instruções" sobre a arte do Renascimento, contendo informações sobre pigmentos, pincéis e técnicas de pintura. Cennini diz sobre o azul ultramarino:

«Cor nobre e bela, a mais perfeita de todas as cores, da qual nada se pode dizer ou fazer que a sua qualidade não ultrapasse» Citaliarestauro.com | Pintura com Pigmentos Naturais | 2017

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O preço elevado do azul ultramarino prendia-se com a sua origem geográfica mas também com o processo de separação do lápis-lazúli dos restantes minerais que compõem a rocha. Cennini faz também, no Il libro dell'arte, uma descrição detalhada deste processo.

«Tritura-a [a pedra] num almofariz de bronze tapado para que não te escape o pó. Depois coloca-a sobre a pedra de pórfiro e mói-a sem água. Depois passa-a por uma peneira tapada como os boticários fazem às suas drogas [...]. Quando este pó estiver pronto, compra a um boticário seis onças de resina de pinheiro, três onças de mástique e três onças de cera nova por cada libra de lápis-lazúli. Num recipiente novo, mistura bem todas estas coisas. Depois toma um pano de linho e coloca isto numa taça vidrada. Depois toma uma libra do dito pó de lápis-lazúli, mistura-o bem e faz com ele uma pasta com todas as coisas bem incorporadas. E para poderes trabalhar esta pasta toma óleo de sementes de linho e mantém as tuas mãos bem untadas com este óleo. Deves deixar repousar esta pasta pelo menos três dias e três noites, trabalhando-a um pouco todos os dias. [...] Quando fores extrair o azul, fá-lo da seguinte maneira: faz dois bastões de uma vara forte, nem muito grossa nem muito fina, cada um com um pé de comprimento, de forma que fiquem arredondados nas extremidades e bem polidos. E depois coloca a pasta na taça vidrada, onde estava, e junta uma tigela de lixívia [=solução com os extractos de cinzas] moderadamente quente e com os bastões, um em cada mão, revolve e amassa a mistura como se fosse massa de pão, exactamente deste modo. Quando a lixívia estiver bem azul, despeja-a para uma tigela vidrada. [...] Mexe a lixívia com a tua mão e verás que o azul, devido ao seu peso, irá ao fundo; e assim conhecerás os extractos do dito azul»

Carmim Este pigmento, pelo seu vermelho vivo, tem sido amplamente utilizado ao longo da história tanto em tintas para pintura como com a função de corante de outras substâncias ou materiais (como corante de têxteis, por exemplo). O vermelho carmim é um pigmento de origem animal extraído através do esmagamento de um inseto originário da América do Sul: a cochonilha. Este pigmento é utilizado desde a Antiguidade estando presente também nas civilizações Asteca e Maia. Atualmente continua a ser amplamente utilizado pela indústria cosmética e alimentar - identificado por "corante de origem natural" Citaliarestauro.com | Pintura com Pigmentos Naturais | 2017

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sendo objeto de ações de contestação por parte das comunidades vegetarianas e vegans.

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PREPARAÇÃO DOS PIGMENTOS Um pigmento por si só não tem a capacidade de fixação necessária, seja qual for o tipo de suporte. Tem portanto de ser misturado com um aglutinante. Este é uma substância que funciona como uma cola, que tem como função ligar e fixar as partículas de pigmento à base escolhida para a pintura. Para além do aglutinante, e uma vez que os pigmentos se apresentam em pó (sólido) será também necessária a utilização de um solvente. Na maioria das técnicas o solvente utilizado é a água. Tradicionalmente utilizavam-se como aglutinantes a têmpera a ovo, a goma arábica, óleo, e cola de origem animal, nomeadamente cola de coelho.

Assim:

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PINTURA A TÊMPERA DE OVO 

Esta técnica não possui efeito de mistura de cores, pois possui uma secagem muito rápida.

Foi muito usada na pintura de frescos.

A têmpera a ovo foi o processo padrão adotado na Europa entre o séc.XIII e finais do séc.XV.

PREPARAÇÃO DA TÊMPERA DE OVO • Separar a gema do ovo da clara. • Furar a película vitelina e escoar somente o que está no interior. • Juntar algumas gotas de água destilada. • Finalmente fazer a mistura dos pigmentos com esta solução de aglutinante e solvente.

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PINTURA COM COLA DE COELHO 

Técnica usada com a mistura dos pigmentos com cola de coelho e água destilada.

Permite ser usada tanto em camadas espessas como finas.

Permite ser combinada com técnicas de pintura a óleo e aguarela.

PREPARAÇÃO DA PINTURA COM COLA DE COELHO

• Preparar previamente a cola de coelho. • Colocar o pigmento a usar num azulejo, formar uma espécie de vulcão com o pó, de forma a ficar uma abertura ao centro. • Deitar a cola de coelho preparada no centro e misturar bem • Também neste caso o solvente é a água destilada que adicionamos conforme a consistência desejada.

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PINTURA COM GOMA ARÁBICA 

Técnica muito usada na época medieval em iluminuras.

Por vezes é designada como aguarela pois as aguarelas comerciais podem ter goma arábica como aditivo, mas demonstra uma fluidez distinta da mesma.

PREPARAÇÃO DA PINTURA COM GOMA ARÁBICA

• Num frasco juntar a goma arábica em pó com água destilada e mexer bem até ficar completamente dissolvida. • Colocar o pigmento num azulejo, fazer uma espécie de vulcão e colocar a mistura de goma arábica no centro. • Misturar muito bem até conseguir a consistência desejada.

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PINTURA COM ÓLEO 

Nesta técnica, o manuseio apresenta mais flexibilidade e elasticidade.

Possui poucas alterações ao secar.

Permite a mistura de cores.

Permite um fácil acabamento e possíveis correções, dando mais liberdade ao artista.

Usada para pintar suportes macios, como telas.

PREPARAÇÃO DA PINTURA COM ÓLEO DE LINHAÇA

• Colocar o pigmento a usar num azulejo, formar uma espécie de vulcão com o pó, de forma a ficar uma abertura ao centro. • Deitar o óleo de linhaça no centro e misturar bem, pode-se adicionar terebentina como solvente, para uma melhor fluidez e dissolução do pigmento.

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