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edição 14 / abril 2019

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Mais uma tragédia anunciada no Brasil As principais lições que o desastre de Brumadinho pode trazer ao mercado de seguros, o que poderia ter sido feito em relação a gerenciamento de riscos para evitar e a participação do mercado de seguros após a ocorrência. Págs. 08 a 11

E mais – Nesta edição, além de diversos artigos de executivos do setor, trazemos quatro entrevistas exclusivas:

Ÿ Edson Franco, CEO da Zurich Seguros Ÿ Andrea Crisanaz, CEO Brasil da Generali Seguros Ÿ Valdo Alves, diretor de Transportes da Tokio Marine Seguradora Ÿ Diego Gomes, gerente de Transportes da Chubb Seguros


EDITORIAL

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Importância do trabalho de prevenção de perdas e atendimento a sinistros Nós, que somos um grupo de empresas com foco em prestar o melhor serviço de gerenciamento de riscos e atendimento a sinistros, sabemos, mais do que ninguém, que as tragédias de Brumadinho e Mariana poderiam ser evitadas ou trazer menor impacto para o meio ambiente e a vida. A tragédia de Brumadinho também reacende os debates sobre a regulamentação do seguro ambiental obrigatório, conforme explicado em artigo do diretor do Grupo Fox, Paulo Rogério Haüptli. Como abordado em reportagem da Revista Apólice, o Grupo Fox coleciona cases de gerenciamento de riscos e, no segmento de transportes, que foi o destaque da matéria, de recuperação de cargas roubadas. Somos cinco empresas formando um guarda-chuva de proteção ao seguro: Fox Regulação & Auditoria, Haüptli Advogados e Associados, Norn Engenharia de Risco & Consultoria, One

Paulo Rogério Haüptli

Risk Global (gerenciamento com compartilhamento de informações globalizadas de riscos de seguros) e MedFox Perícias. Compartilhamos conhecimento com o mercado ao participar de eventos como o Simpósio anual do CIST, do qual somos grandes incentivadores e patrocinadores, e do curso de Pós-graduação em nível de extensão Logística, Riscos e Sinistros na Cadeia de Suprimentos, realizado pela Escola Nacional de Seguros, que tem o diretor do Grupo Fox no corpo docente. E também emprestamos o conhecimento de parceiros do mercado para abordar seus temas de especialidade em nossa revista Fox News. Nesta edição, além de diversos artigos interessantes sobre os ramos de seguros que o Grupo Fox tem atuação ou outros temas relevantes para a atual conjuntura,

Alexandre Massao

Bruno Lacerda Gusmão

trazemos quatro entrevistas exclusivas com grandes nomes do setor: Edson Franco, CEO da Zurich Seguros; Andrea Crisanaz, CEO Brasil da Generali Seguros; Valdo Alves, diretor de Transportes da Tokio Marine Seguradora; e Diego Gomes, gerente de Transportes da Chubb Seguros. É uma honra contar com a confiança e colaboração de executivos do alto escalão das empresas parceiras. Como muita satisfação vemos que hoje o Grupo Fox agrega um grande time de seguradores, corretores de seguros, prestadores de serviços, gerenciadores de riscos, advogados, peritos, engenheiros de riscos, reguladores de sinistros, especialistas em tecnologia... enfim, representantes de todo o ecossistema do mercado de seguros. Fique conosco e boa leitura!

Robinson Seabra Filho

Jan-Oliver Mollien

Sócios do Grupo Fox

GRUPO FOX

Fox Regulação & Auditoria Av. Francisco Matarazzo, 1752, 17º. andar Pompeia - São Paulo - SP - CEP 05001-200 Telefone (11) 3858.3234 / 3965.9001 E-mail: contato@foxaudit.com.br

Haüptli Advogados & Associados Av. Francisco Matarazzo, nº 1752, 24º andar Pompeia – São Paulo – SP - CEP 05001-200 Telefone (11) 4858.3644 E-mail: contato@hauptli.adv.br

OneRisk Global Av. Francisco Matarazzo, 1752, 5º andar Pompeia – São Paulo – SP - CEP 05001-200 Telefone (11) 3965.9001 E-mail: info@onerisk.global

MedFox Medicina, Odontologia e Perícias Av. Francisco Matarazzo, 1752, 9º andar Pompeia – São Paulo – SP - CEP 05001-200 Telefone (11) 3862-4848 E-mail: atendimento@medfox.com.br

NORN Risk Consulting & Engineering Av. Francisco Matarazzo, 1752, sl 1717 Pompeia – São Paulo – SP - CEP 05001-200 Telefone (11) 3965.9001 E-mail: contact@norn.global

Produção Fox News Thaís Ruco - jornalista responsável Mtb 49.455 thais@thaisruco.com.br Felix Ryu - projeto gráfico - Teckel Design felixryuinoue@gmail.com


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SUMÁRIO 03 - Editorial Importância do trabalho de prevenção de perdas e atendimento a sinistros 05 - Distribuição Os corretores de seguros no novo varejo

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06 - Evento Grupo Fox participa do 6º Simpósio ExpoCIST

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08 - CAPA Tragédia de Brumadinho ressalta importância do gerenciamento de riscos e dos seguros

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12 - Responsabilidade Civil Brumadinho, os seguros de responsabilidade civil e as vítimas empurradas com a barriga

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14 - Gerenciamento de Risco Seguro ambiental obrigatório deve minimizar riscos de acidentes nos transportes de cargas e também como o da barragem de Brumadinho

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15 - Viagem Novas formas de fraude no seguro viagem (affinity)

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16 - Entrevista “Não raro oportunidades apareçam disfarçadas de problemas”

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17 - Tecnologia A cultura do arquivo 18 - Meio ambiente Riscos ambientais em áreas portuárias 19 - Sinistros Área de Sinistros como suporte ao negócio

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20 - Tecnologia Mais do que inserir no meio digital, tecnologia precisa ser solução de negócio

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21 - Transportes Revolução tecnológica já chegou no setor de seguros de transportes

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22 - Entrevista Experiência global para a operação brasileira

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24 - Saúde Os dados de saúde na 4ª Revolução Industrial 25 - Previdência privada Reforma da previdência: chegou a hora de sermos previdentes? 26 - Entrevista Transportes: um dos ramos com mais potencial de desenvolvimento no setor de seguros brasileiro 28 - Economia Há muito o que fazer. Com muita transparência, é oportuno aproveitar o momento de entusiasmo atual 29 - Na Mídia Grupo Fox é destaque na revista Apólice

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30 - Garantia O seguro garantia e a retomada do desenvolvimento

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31 - Resseguros Você devia conhecer os brokers de resseguros

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32 - Investimentos Aumento da propensão a riscos em investimentos é tendência no cenário de juros baixos

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33 - Entrevista Desafios e oportunidades no seguro de Transportes

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34 - Sinistros A tecnologia e a experiência precisam se unir no combate às fraudes de seguros

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36 - Tecnologia Como gerenciar o risco de fraude na era digital

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37 - Vida População idosa deve ter acesso a seguro de vida?

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38 - Outra leitura Fotos de documentos


DISTRIBUIÇÃO

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Os corretores de seguros no novo varejo O que é melhor hoje para vender: o meio online ou o off-line, ou seja, investir no canal digital ou manter a presença física? Estas não precisam ser as únicas opções. A resposta, para os mais variados segmentos, é a mesma: um modelo híbrido. Na China está surgindo uma nova forma de varejo, combinando o que há de melhor do varejo online e físico. A empresa Alibaba, mais conhecida por seu marketplace online, está liderando este caminho. Para eles, o futuro não é a dominação total do ecommerce, mas sim a completa digitalização de todo o comércio é que pode ser a chave para salvar o varejo tradicional. A empresa simplesmente se refere a isso como o novo varejo, que já está ajudando até mesmo os modelos mais tradicionais a se adaptarem à nova era digital de formas inesperadas e criativas. Um dos primeiros segmentos a migrarem para esta tendência foi o de supermercados. Ninguém gosta do processo de compra no mercado, mas comprar online também não é perfeito, pois certos produtos nós queremos ver de perto e pegar. Foi pensando nisso que

surgiu o Hema, a loja do Alibaba construída do zero pensando nos novos tempos. É customizada da maneira que os consumidores querem comprar alimento e a experiência de compra é potencializada pelo smartphone. No novo formato de supermercado, basta escanear o produto para descobrir mais informações sobre o que você está comprando, você pode experimentar, e eles entregam tudo em casa, pois o Hema funciona também como centro de distribuição. O modelo é tão popular na China que as pessoas procuram morar perto de um Hema. Deste modelo, outros parecidos foram incentivados nos país: é possível comprar carro sem precisar ficar passando pelo grande showroom para olhar todos, você escolhe pelo catálogo no smartphone e seleciona o que quer realizar test drive. Nos shoppings também há scanners nas roupas, e se você gostou de uma calça jeans e não tem o seu tamanho basta encomendar pelo aplicativo e receberá em sua casa. Conhecer esses modelos de negócios da China me fez entender melhor para onde o mundo caminha. Até o nosso mercado

Rosa Antunes, presidente da Acoplan (Associação dos Corretores de Planos de Saúde), e diretora da VIACORP Administradora de Benefícios

de seguros brasileiro, que sempre se comportou de maneira mais conservadora aos avanços tecnológicos, entrou de vez para a era digital. Quem não tiver essa consciência irá sucumbir e sumir do mercado. No entanto, é muito importante frisarmos que a máquina nunca vai substituir o corretor nas vendas, e os avanços têm que ser aliados a este canal de distribuição. As empresas precisam de conscientização de que nada irá adiantar o investimento milionário que hoje estão fazendo em tecnologia para potencializar resultados de uma forma que consigam operacionalizar a entrada de novos clientes, se tirarem o corretor do processo da venda e buscarem colocar a máquina até mesmo diretamente com o consumidor. O investimento pode e deve ser usado para melhorar a experiência do consumidor, mas preservando a figura daquele que entende de um negócio tão complexo como seguro e segurança, e que transmite a confiança necessária. A experiência apenas online ou apenas off-line tende a ser frustrante e decepcionante. O novo varejo rompe as fronteiras do online e do off-line, imaginando tudo com base naquilo que os consumidores querem comprar e aliando tecnologia a pessoas, para atender da melhor forma justamente pessoas. O segredo para os corretores de seguros tradicionais se manterem no mercado é esquecer completamente a tradição e seguir a tendência do novo varejo.


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EVENTO

Grupo Fox participa do 6º Simpósio ExpoCIST Em seu estande na feira de exposições, apresentou os serviços de suas cinco empresas que atuam com foco no mercado de seguros Pela sexta vez consecutiva o Grupo Fox participou com um estande no evento anual do CIST (Clube Internacional de Seguros de Transportes), no 6º Simpósio ExpoCIST, que aconteceu no Sheraton WTC São Paulo, dia 23 de novembro de 2018. O diretor do Grupo Fox, Paulo Rogério Haüptli, é um dos sócios fundadores do CIST e tem sido um dos principais parceiros da entidade, apoiando todos os eventos, inclusive este máster. O Grupo Fox, que tem 24 anos de atuação, atualmente é composto por cinco empresas especializadas em prestação de serviços ao mercado segurador, e conta com equipe de comissários de avarias, reguladores, vistoriadores, auditores, peritos, médicos, engenheiros e advogados, com foco na assessoria de excelência. A Fox Regulação & Auditoria atua com regulação de sinistro, auditoria, sindicância, recuperação de bens, entre outros serviços; a Haüptli Advogados & Associados oferece assessoria jurídica e especialidade em direito securitário, com forte atuação em contencioso (ressarcimento) e consultivo (seguro garantia e RC); a MedFox atua em perícias médicas e assessorias; a One Risk oferece database para seguro de transportes e afins, como suporte para subscrição do risco; e a Norn Risk Engineering and Consulting atua na consultoria em Prevenção de Perdas (Loss Prevention), vistorias de engenharia e acompanhamento de obras. Quem visitou o estande pôde conferir todos os serviços realizados pelas empresas, inclusive os cursos in company para seguradoras, e retirar brindes, além da revista Fox News, que é feita para clientes e parceiros. “O Grupo Fox atua na regulação de roubo de cargas, acidentes na estrada, avarias nacionais e internacionais, recentemente passou a atuar na contenção e regulação de sinistros de ambiental, e ainda atua com

regulações e pericias nos demais ramos securitários. Em nosso estande, apresentamos ao mercado r nosso sistema de vistorias online, para todos os ramos de seguro, bem como nossa atuação em contenção e regulação ambiental e, por fim, testamos nosso banco de dados para subscrição de risco de transportes, com o qual possuímos cadastro de 180 mil sinistros de embarcadores e transportadores em nível nacional”, conta o diretor Paulo Rogério Haüptli. Além dele, estiveram no evento os executivos Alexandre Massao Masuda, sócio da Fox Regulação & Auditoria; Bruno Gusmão Lacerda, sócio da Haüptli Advogados & Associados; e Jan-Oliver Mollien, sócio da Norn Risk Engineering and Consulting. Este último, inclusive, foi um dos palestrantes, apresentando o painel Prevenção de Perdas com Cargas Pesadas. Paulo Rogério Haüptli ficou satisfeito com a participação da empresa no 6º Simpósio ExpoCIST. “Foi um ótimo fomentador de negócios, em uma escala de alto nível para networking, inclusive trazendo uma visão atual do mercado de seguro de transporte. As palestras foram muito boas, os temas abarcaram temas de suma importância neste diapasão do mercado segurador, e a feira de exposições mostrou que o mercado de seguros de transportes é inovador, conseguindo se reinventar a cada ano”


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CAPA

Tragédia de Brumadinho ressalta importância do gerenciamento de riscos e dos seguros O sentimento é de descaso e de que nada foi aprendido com o desastre de Mariana, ocorrido três anos antes Por Thaís Ruco O rompimento da Barragem 1 da Mina F e i j ã o , d a m i n e r a d o r a Va l e , e m Brumadinho (Minas Gerais), que aconteceu no dia 25 de janeiro de 2019, já está na lista dos maiores desastres do Brasil. Dados preliminares do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apontam destruição de 269,84 hectares de vegetação nativa e de áreas de preservação permanente. O desastre causou a morte de mais de 210 pessoas, deixando quase 100 desaparecidas. Grande parte das vítimas eram funcionários e terceirizados da companhia, já que, no momento em que aconteceu o rompimento, a área administrativa estava repleta de pessoas trabalhando no local. Pouco mais de três anos antes, no dia 5 de novembro de 2015, acontecia o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco (controlada pela Vale e a BHP Billiton), em Mariana, no mesmo Estado. Até então esteve era considerado o maior desastre socioambiental do País no setor de mineração; segundo o IBAMA, foram lançados cerca de 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, que causaram destruição até o litoral do Espírito Santo, deixando 19 mortos. As sirenes de alerta não tocaram, segundo o discurso inicial da mineradora pelo fato de que havia sido engolidas pela lama, mas pelo menos duas foram encontradas intactas e soaram dois dias depois, em 27 de janeiro, quando houve a suspeita de que outra barreira poderia ruir. Quando era para funcionar não funcionou. Tudo estava muito errado nesta triste história. Quando aconteceu o caso de Brumadinho, um projeto de lei que endureceria regras para mineradoras estava parado há mais de um ano na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O texto prevê regras mais rígidas de licenciamento ambiental para a criação de novas barragens, endurece a

fiscalização sobre as já existentes, pede a realização de uma audiência pública com as comunidades diretamente afetadas pela construção das novas barragens e proíbe a construção em áreas de mananciais ou povoadas.

Luiz Alexandre Varani, do ISB Brasil Menos de 200 quilômetros e exatos 1177 dias separam duas tragédias, deixando a sensação de descaso. Na avaliação do diretor de Marketing do Instituto Superior de Seguros e Benefícios Brasil (ISB Brasil), Luiz Alexandre Varani, mais uma vez fomos surpreendidos com uma tragédia que poderia ter sido evitada. “A única horrível certeza é de que mais de 300 pessoas perderam a vida de forma violenta e inesperada, muitas sem nem saber o que estava acontecendo a poucos metros de onde estavam. Em alguns segundos, tudo foi tomado pela avalanche de lama”, diz, defendendo que, independentemente de qualquer questão pessoal, profissional, financeira ou cultural, é preciso sempre buscar, em primeiro lugar, a proteção das pessoas. “Quando falamos em proteger pessoas, podemos relacionar diversas formas de promover essa segurança, porém poucos se recordam da necessidade dos seguros pessoais. Todos nós que fazemos parte do

mercado de seguros e que temos conhecimento dessa necessidade da sociedade, precisamos trabalhar de maneira incansável para levar informação de todas as formas possíveis e ao maior número pessoas, demonstrando a importância em estar protegido com um seguro pessoal, seja ele de forma coletiva ou individual, seja ele um simples seguro de acidentes pessoais ou um seguro de vida com diversas coberturas adicionais”, reflete. O corretor tem papel fundamental neste processo. É ele que atua como um consultor, oferecendo não apenas um produto padrão, mas adequando a apólice às necessidades de cada pessoa. Quando um corretor indica o valor que deve ser observado na contratação da apólice, ele deve ter a competência para oferecer os limites e coberturas adequadas para garantir a total segurança que cada um precisa, visando cobrir as necessidades do segurado e, numa fatalidade, de sua família. Seguros envolvidos Sempre que acontece uma tragédia, o interesse da sociedade pelo seguro aumenta muito, isso em qualquer país. Os prejuízos do acidente de Brumadinho são estimados em US$ 4,5 bilhões, considerando-se danos materiais da mineradora, bem como danos causados a terceiros e também ao meio ambiente. Uma pequena parcela desse estrago provavelmente será indenizado pelas re/seguradoras líderes dos contratos da Vale, como Chubb (danos patrimoniais) e Allianz (responsabilidade civil), com consultoria das corretoras Aon e Willis, respectivamente. Com a apólice fechada, a Chubb, a Mapfre e a Swiss Re devem arcar com as despesas referentes à planta, à ferrovia, aos trens e a tudo que estava intramuros (nas dependências da empresa) e foi danificado. A mineradora ainda tinha apólices de seguro de vida


09 fechadas com a Bradesco Seguros.

tipos de seguro, por exemplo: Ÿ

Carlos Eduardo S. Leal de Carvalho, do ETAD Advogados “Além dos seguros patrimoniais e de responsabilidade civil, que num primeiro momento vêm à cabeça, há também os seguros de acidentes pessoais e de vida das vítimas da catástrofe, como também os seguros Directors and Officers (D&O) da Vale e de outras empresas de algum modo investigadas”, afirma Carlos Eduardo S. Leal de Carvalho, sócio do ETAD Advogados. Segundo o advogado, esses seguros têm por finalidade garantir os interesses dos administradores contra as reclamações civis e criminais decorrentes de suas atividades de gestão, como também, apenas eventualmente, das sociedades empresárias que contratam o seguro em favor de seus administradores. Esse risco já vem se verificando não somente no Brasil, com as investigações conduzidas pelas autoridades do País, mas também no exterior, diante das custosas ações coletivas propostas contra a Vale nos Estados Unidos por infrações à legislação norte-americana de mercado de capitais. “Por meio desse contrato, serão indenizados todos os f u n c i o n á r i o s d a Va l e ” , a f i r m a o advogado. Já o seguro de RC pagará as indenizações às vítimas extramuros (todos que moram nos arredores e foram vítimas, consideradas as vidas perdidas e os bens materiais prejudicados). De acordo com a seção brasileira da Associação Internacional de Direito de Seguro – AIDA – o fato ocorrido em Brumadinho permite imaginar a possibilidade de utilização de vários

Riscos relacionados ao próprio patrimônio da empresa (máquinas, equipamentos, construções físicas, veículos e até mesmo a barragem), quando o segurador poderá vir a se responsabilizar pelo pagamento de valores necessários para a reconstrução desse patrimônio, inclusive na reposição dos chamados lucros cessantes, respeitados os limites técnicos e econômicos das apólices. É o chamado seguro patrimonial, que pode ser coberto por apólices de riscos operacionais e riscos de engenharia.

recuperação do solo, restauração da fauna entre outros. São o os seguros ambientais. Gerenciamento de riscos Os seguros têm enorme potencial para garantir a reestruturação de vidas e a reorganização de empresas em situações de desastres, permitindo repor perdas que ficariam sem indenização caso eles não fosse utilizados. Todavia, deixar de realizar vistorias e controles, bem como a b s t e r- s e d e e f e t u a r m e d i d a s d e contenção e mitigação de um potencial sinistro são ações e omissões que agravam o risco e que podem levar a uma negativa da seguradora. Vale aqui ressaltar ainda a necessidade do adequado cumprimento às exigências contidas nas licenças e autorizações concedidas pelo Poder Público.

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Riscos relacionados a terceiros comprovadamente atingidos pelo desastre. Para esta hipótese, as empresas contam com o seguro de responsabilidade civil. No caso de danos a empregados, as empresas contam com cobertura específica para essa finalidade, em especial nos casos de morte. Tais apólices podem cobrir riscos de natureza patrimonial e extrapatrimonial, como danos morais. As empresas podem contratar, ainda, seguro de responsabilidade civil para diretores e gerentes (RC D&O), que não tem cobertura para atos dolosos.

Ÿ

Outros riscos possíveis de cobertura securitária são aqueles relacionados à vida humana, em especial para empregados e profissionais contratados, com o objetivo de auxiliar os beneficiários indicados no contrato de seguro a reestruturarem suas vidas após a morte do segurado ou, mesmo para este possa ser indenizado em caso de invalidez funcional. Essas coberturas estão presentes nos contratos de seguro de vida.

A tragédia de Brumadinho, além de uma enorme comoção, tem muito a ensinar em matéria de gerenciamento de riscos. “Será mesmo que o melhor local para se estabelecer um refeitório e a área administrativa daquela unidade era abaixo do nível da barragem? Daí ser tão importante a figura do gerenciador de riscos”, defende João Carlos Machnick, CEO da Atix Seguros.

Existem, ainda, cobertura para riscos ambientais relacionados às possibilidades de danos ao meio ambiente: animais, plantas, solo, água, ar, quando os seguros serão utilizados para contribuir com a reparação dos danos desses elementos naturais, em especial despesas para replantio,

“Às vezes, infelizmente, é a partir de uma tragédia que nos movimentamos para gerenciar nossos riscos. Quaisquer riscos. E devamos pensar sempre que, por maior que seja a importância de um seguro bem feito, ele jamais conseguirá minimizar a dor daqueles que perderam seus entes e amigos queridos”, completa Machnick.

Ÿ

João Carlos Machnick, da Atix Seguros


10 s ã o a p e n a s exemplos bastante recorrentes nos noticiários. E é aqui que poderia entrar também o mercado segurador.

Segundo o corretor de seguros, dentro de todo este contexto, o mercado segurador brasileiro vem demonstrando importante maturidade e cada vez mais aplicando as boas práticas de gestão de riscos aos seus critérios de aceitação, subscrição e gerenciamento de apólices. “Se os profissionais à frente das empresas tivessem maior interesse por entender as razões que levam seguradoras a declinarem de determinados negócios ou, mesmo que os aceitem, a cobrarem custos mais elevados ou mesmo restringirem determinadas coberturas, teríamos um cenário de riscos mais controlados e, na eventualidade de ocorrerem catástrofes como a de Brumadinho, impactos que não alcançariam proporções tão trágicas e tão danosas a tudo o que está à sua volta”, defende. Muitas empresas e até muitas pessoas, enxergam no seguro um suporte à sua falta de zelo, de cuidado com o que lhes pertence. E negligenciam o gerenciamento de risco, o que é um enorme erro. “Literalmente, é o barato que sai caro”, enfatiza João Carlos Machnick. Depois de mais uma tragédia, muito vem se discutindo sobre providências voltadas a aprimorar a prevenção de catástrofes como as ocorridas em Brumadinho e Mariana. Iniciativas legislativas que deveriam merecer maior atenção e que, lamentavelmente, se encontram paralisadas mesmo após 2015 (quando ocorreu a tragédia de Mariana), como também a fiscalização mais rígida pelos órgãos oficiais de controle e por entidades independentes especializadas,

“As apólices dos s e g u r o s patrimoniais para r i s c o s operacionais, contratadas por empresas que e x p l o r a m atividades de risco c o m o a d e mineração, são precedidas por documentos, emitidos pelas seguradoras, com cotação do prêmio do seguro, isto é, do preço a ser pago pelo segurado. Esses documentos costumam condicionar a cobertura do seguro à realização pela seguradora de inspeções técnicas e prévias do risco, com o objetivo de analisar e validar informações prestadas para cotação do prêmio”, afirma o advogado Carlos Eduardo S. Leal de Carvalho. Para ele, cabem às seguradoras, portanto, realizar v i s t o r i a s p r é v i a s p a r a p r o p i c i a r, naturalmente também ao segurado, um melhor conhecimento dos riscos da atividade que se pretende garantir por meio do seguro. Entretanto, essas inspeções prévias, de suma importância, deixam de ser feitas pelas seguradoras na quase totalidade das vezes. “Causa, assim, compreensível estranheza ver seguradoras inadimplentes com o poder e dever de realizar essas inspeções prévias especializadas, recusarem-se a pagar indenizações sob o argumento de que lhe foram prestadas pelo segurado informações incompletas ou deficientes sobre o risco a ser garantido”, explica. “Trata-se de uma inversão que deve ser corrigida, não apenas em prol dos interesses dos segurados, mas também de toda a coletividade, considerando que o seguro tem por finalidade evitar as consequências danosas de infortúnios cuja recorrência apenas cresce com o desenvolvimento da sociedade”. Lições que não são aprendidas Pouca coisa mudou do ponto de vista das

seguradoras e resseguradoras desde o acontecido em Mariana. “Isso se dá pela grandiosidade do mercado de barragens, são quase 24 mil apenas no Brasil, sendo 800 delas apenas de mineração. A fiscalização feita pelo órgão público é incompleta”, explica o o advogado Carlos Eduardo S. Leal de Carvalho. “É um trabalho hercúleo. Vamos supor que sejam vistoriadas mil por ano, o fiscalizador só conseguiria voltar lá 24 anos depois. É uma conta que não fecha”, argumenta.

Walter Polido, da Escola Nacional de Seguros Para o coordenador Acadêmico do MBA Gestão Jurídica do Seguro e Resseguro da Escola Nacional de Seguros em São Paulo, Walter Polido, o tema se desdobra em várias vertentes e nem todas elas ligadas diretamente aos contratos de seguros. “Profissionais de todas as áreas, inclusive os políticos, sempre apresentam o seguro como ferramenta garantidora eficaz e praticamente a única que teria o condão de resolver todas as mazelas produzidas pelos sinistros que envolvem danos ambientais. Isso não é verdade. Sempre que uma tragédia acontece, assim como em Mariana e agora em Brumadinho, ambas em M inas Gerais e em face da concentração da extração mineral naquele estado, a obrigatoriedade do seguro para rompimento de barragens e suas consequências volta à tona, sendo que há vários projetos de lei no Congresso Nacional com esta proposta legislativa. Outros surgirão agora ou serão reforçadas as possibilidades em relação aos já existentes. O seguro, compulsoriamente determinado por lei, seria de fato o remédio ou a solução única


11 para todos os acidentes ambientais que acontecem no país? Certamente que não”, afirma Walter Polido.

engenheiro. Eu tenho aqui o laudo dizendo que está tudo certo. Então, eu não tenho culpa’”.

O seguro ambiental, cujo produto é comercializado pelas seguradoras, tem bases técnicas e jurídicas precisas, as quais não podem ser preteridas sob qualquer pretexto e ainda que se revista de grande interesse social. “A apólice pode oferecer considerável garantia contra perdas e danos ocasionados por eventos diversos e previstos no contrato, mas certamente antes mesmo de a apólice ser emitida pela seguradora, os locais em risco precisam se enquadrar em determinadas exigências mínimas de segurança e conformidade legal, sem o quê o seguro não poderá ser aceito”, ressalta Polido.

Gustavo Cunha afirma que é necessário punir de forma mais severas a quem é responsável por assinar laudos que viabilizem o funcionamento de barragens, por exemplo. “No momento em que eles (os responsáveis) forem responsáveis civilmente, criminalmente ou até com punições administrativas, não podendo trabalhar com mineração por um período longo de anos, terão medo de assinar laudos apenas para cumprir burocracia”. Ainda segundo Mello, emitir laudos com uma validade de um ou cinco anos pode não garantir tanta segurança, mas há engenharia suficiente para que um laudo de seis meses seja capaz de garantir a segurança de uma barragem.

O seguro garante eventos de natureza fortuita (acontecidos de forma imprevisível) e não aqueles para os quais se tem praticamente certeza que eles ocorrerão, dependendo apenas do momento da materialização dos danos. “No caso específico das barragens na atividade mineradora, não é novidade para ninguém os riscos inerentes ao rompimento deste tipo de construção, assim como os efeitos devastadores do escape dos resíduos acumulados, sempre em grande volume. O estágio atual de desenvolvimento das medidas de segurança das barragens não é bom, sendo que o marco regulatório se encontra obsoleto”, diz. De toda forma, sem a adoção de medidas de segurança adequadas e eficientes, pautadas num marco regulatório moderno e representativo do melhor padrão tecnológico existente no setor, não haverá a oferta de seguros ambientais, ainda que haja a determinação compulsória de sua contratação, cuja norma será ineficaz. O seguro ambiental não pode ser transformado numa “licença para poluir” e, por essa razão, ele só é cabível para empresários que cumprirem a legislação integralmente, ficando demonstrada a qualidade das operações segundo o melhor padrão tecnológico. “O seguro é um instrumento de garantia eficaz, mas ele é também produto da sociedade capitalista e passa, necessariamente, por critérios técnicos predeterminados para a sua aceitação e comercialização”, aponta Walter Polido.

Gustavo Cunha Mello, mestre em Gerenciamento de Riscos Para o economista e mestre em Gerenciamento de Riscos, Gustavo Cunha Mello, em grandes eventos como esse, que trazem à tona certificados de qualidade duvidosa e têm enormes falhas profissionais, o mercado segurador costuma se retrair. “Com grandes indenizações, vamos saindo de um mercado soft para um hard. Os preços tendem a subir e as exigências a aumentar. É natural que a seguradora mande uma vistoria mais capacitada e que duvide até dos certificados que a empresa apresenta – nesse caso a mineradora”, diz. Isso sem ainda falar do evento ambiental. “O terreno terá que ser avaliado, a qualidade da lama será colocada à prova. Temos que saber o que tem nela, se há ou não recuperação, se é ou não estéril, como disse o presidente da Vale”, explica Mello. Ele conta que havendo o dano ambiental, este será considerado difuso, pois se estende aos interesses do governo e da população, referindo-se a um bem nacional. “Os governos estadual e federal receberão uma indenização da Vale. Não importa se a empresa tem o seguro ambiental ou não. Caso tenham uma apólice, podem até vir a ser ressarcidos posteriormente, mas o certo mesmo é que terão algum custo”. Para Mello, a solução é a autovistoria. A fiscalização deve ser feita pelos donos, para que eles sejam punidos na Pessoa Física caso algo ocorra. “No momento em que eles se responsabilizarem, vão tratar melhor do negócio. Hoje o presidente da Vale pode dizer: ‘Eu não cuido de barragens. Eu não sou

Já há algumas ações na justiça envolvendo o Ministério Público, o governo de Minas Gerais, a prefeitura de Brumadinho e o governo federal, que penhoraram 45% dos bens do caixa da Va l e , c e r c a d e R $ 11 b i l h õ e s – atualmente, a mineradora detém R$ 24 bilhões no caixa. “Esse montante será penhorado de forma preventiva para que a empresa arque com as despesas que serão calculadas posteriormente”, ressalta Mello. Para o desastre atual em Brumadinho as seguradoras estimam inicialmente perdas de US$ 4,5 bilhões. Entretanto, ainda é cedo para afirmar a precisão deste número. Para se ter uma ideia, em Mariana, mais de três anos depois os números ainda não fecharam, o valor estimado em perdas seguradas até o momento é de R$ 2 bilhões, segundo um relatório divulgado pela Terra Brasis. O Brasil e o Governo Federal precisam tirar lições de desastres como os de Brumadinho e Mariana. Devemos nos atentar para a importância do gerenciamento de riscos, dos seguros, buscar a corresponsabilidade dos presidentes e os diretores dessas empresas (que assim passarão a ser mais prevenidos), aprimorar a forma como são construídos os aterros hidráulicos, e exigir a realização de manutenções cotidianas e rigorosas nessas estações que são muito importantes para a economia brasileira e local, mas tanto causam danos ao meio ambiente e à vida.


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RESPONSABILIDADE CIVIL

Brumadinho, os seguros de responsabilidade civil e as vítimas empurradas com a barriga Enquanto precipitam notícias popularescas sobre a culpa e o dolo dos administradores e consultores da Vale, os seguros de responsabilidade civil que deveriam amparar prontamente todas as vítimas de Brumadinho são empurradas com a barriga. Ficam para depois os que perderam seus pais e filhos, os que ainda se encontram sob risco de perderem sua vida ou integridade física e os que perderam seus bens ou tiveram cessadas suas atividades e negócios. Praticamente todo mundo se põe a discutir se a causa do acidente foi o dolo indireto, a culpa grave, a culpa simples ou o caso fortuito.

Foto Ricardo Stuckert

Acontece que para o funcionamento dos seguros de responsabilidade civil essa discussão é absolutamente desnecessária, por inúmeras razões. A primeira delas é que a responsabilidade pelos prejuízos causados pelo rompimento da barragem é do tipo objetiva. Isso significa que essa responsabilidade não depende nem um

tiquinho da apuração da culpa. Ocorrido o rompimento, todos os danos emergentes e lucros cessantes diretamente causados pelo acidente devem ser indenizados pela Vale. Isso porque o simples fato de exercer a atividade de mineração com o uso desse tipo de barragem é o bastante para caracterizar a responsabilidade da mineradora. O parágrafo único do artigo 927 do Código civil dispõe claramente que “haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, (…) quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.” Ora, a exploração de mineração com barragem de rejeitos é atividade que normalmente oferece riscos muito relevantes, a tal ponto que as seguradoras ou se recusam a garanti-los ou o garantem mediante um prêmio muito elevado e por meio de apólices com um calhamaço de cláusulas restritivas. Ninguém, com um m í n i m o d e seriedade, discute que a natureza da responsabilidade é objetiva, mas a e f i c á c i a indenizatória dos seguros fica sendo postergada ao ritmo dessa discussão sobre o dolo, a culpa e até o fortuito. Nessa toada, a l g u m a s seguradoras aproveitarão a polêmica para argumentar que nada devem porque suas apólices de responsabilidade não cobrem o ato

Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro

doloso. A segunda razão é que o seguro de responsabilidade civil não é apenas, nem principalmente, uma garantia para preservar o patrimônio do segurado que o contrata. Ele é uma garantia para a indenização das vítimas. Gostem ou não alguns, o nosso Código Civil cuidou de dizer, no art. 787, qual a função desse tipo de seguro. Assim, a própria lei o define como aquele destinado a garantir o pagamento devido às vítimas. Literalmente: “No seguro de responsabilidade civil, o segurador garante o pagamento de perdas e danos devidos pelo segurado a terceiro.” Portanto, o seguro é das vítimas e de seus beneficiários e não uma coisa de interesse exclusivo dos segurados que os contrataram. A dualidade de interesses protegidos pelos seguros de responsabilidade civil é velha conhecida nossa e já chegou até mesmo a gerar o reconhecimento, pelo STJ, da ação direta das vítimas contra as seguradoras de responsabilidade civil. É o que se vê na Súmula 529 do STJ: “No seguro de responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo terceiro prejudicado direta e exclusivamente em face da seguradora do apontado causador do dano”. Em suma, o STJ decidiu que a vítima pode acionar diretamente a seguradora, apenas exigindo que também acione conjuntamente o segurado. Isso porque a súmula cuida dos seguros automobilísticos e, como sabemos, a


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responsabilidade nos acidentes de trânsito é subjetiva e não objetiva, daí fazendo sentido exigir a participação do segurado no polo passivo da demanda proposta pela vítima diretamente contra sua seguradora. Ora, no caso de responsabilidade objetiva, como acontece com o rompimento da barragem de Brumadinho, nem esse litisconsórcio passivo entre seguradora e segurado faria qualquer sentido. A responsabilidade é objetiva. Por isso é que os seguros devem funcionar prontamente, sem a discussão de culpa. Se posteriormente for apurado que o dolo do segurado foi a causa do acidente, então, as seguradoras que se voltem contra o segurado a fim de que este lhes restitua o que pagou às vítimas. As autoridades públicas, no entanto, nunca despertam para isso. Elas, que chegam a dizer que intervirão para afastar diretoria de sociedades empresariais privadas, como a Vale, nunca ousaram sequer determinar que a responsável pelo acidente apresente todas as apólices de seguro de responsabilidade civil contratadas no interesse das vítimas. Aliás, é isso que o ministro Villas Bôas Cueva, do STJ, veio advertindo recentemente, ao apreciar questão em que se discutia se a embriaguez do segurado pode prejudicar a vítima: “deve ser dotada de ineficácia para terceiros (garantia de responsabilidade civil) a cláusula de exclusão da cobertura securitária na hipótese de o acidente de trânsito advir da embriaguez do segurado, visto que solução contrária puniria não o causador do dano, mas as vítimas do sinistro, as quais não contribuíram para o agravamento do risco” (voto no Recurso Especial 1.485.717/SP, dezembro/2016). Além disso, todo mundo no meio jurídico e de seguro faz vistas grossas para o artigo 9.º da Lei do Dpvat (Lei n.º 6.194, de 19 de dezembro de 1974.): “Nos seguros facultativos de responsabilidade civil dos proprietários de veículos automotores de via terrestre, as indenizações por danos materiais causados a terceiros serão pagas independentemente da responsabilidade

que for apurada em ação judicial contra o causador do dano, cabendo à Seguradora o direito de regresso contra o responsável.” Simples assim, no próprio ambiente da circulação de veículos, por incrível que pareça, a lei manda serem indenizados os danos materiais independentemente da apuração de culpa e remetem as seguradoras à discussão com os segurados causadores do acidente, provendo efetiva proteção para as vítimas. A posição adotada pelo ministro Villas Boas, como se vê, faz total sentido não apenas pelo que prevê o mencionado art. 787 do Código Civil, mas pelo fato de que o Direito já captou a diferenciação das condutas entre os diferentes titulares de interesses garantidos pelos seguros, o que acontece também, por exemplo, quando as seguradoras tentavam se livrar de indenizar o locador proprietário do edifícios segurado quando os locatário dolosamente ateassem fogo no prédio para receber indenização pelas suas mercadorias encalhadas. Depois de alguma hesitação, os tribunais passaram a condenar as seguradoras a indenizarem os donos dos imóveis incendiados, cabendo àquela se voltarem contra os contratantes dos seguros para se ressarcirem junto a estes devido à falta de cobertura decorrente da sua conduta criminosa. O que importa por ora é que, por qualquer angulo que se examine, o interesse das vítimas no seguro de Responsabilidade Civil é evidente. Sendo assim, como poderiam as vítimas, ou quem as represente, acionar as seguradoras se desconhecem os contratos de seguro celebrados, se não tiverem amplo acesso às apólices? Essa é uma questão que se põe desde há muitos anos no Brasil, especialmente depois dos acidentes com as aeronaves comerciais ocorridos a partir do voo 402 da TAM, em 1996. Entretanto, os seguros continuam até hoje nas gavetas dos segurados e das seguradoras, longe dos olhos dos principais interessados. As próprias seguradoras, nesse cenário em que as vítimas são afastadas do processo securitário, ficam à mercê dos

entendimentos dos seus resseguradores, alastrados não apenas territorial como nas suas experiências culturais e jurídicas. Como grande parte das responsabilidades financeiras pelos seguros são pulverizadas por meio dos resseguros, as nossas seguradoras tornam-se reféns das resseguradoras. Novamente aqui, caberia reclamar a atuação do Estado brasileiro, por meio da Susep, determinando que num caso como o de Brumadinho os resseguradores cooperassem com as seguradoras que emitiram as apólices de responsabilidade civil por meio do pronto pagamento às mesmas das recuperações de resseguros necessárias para que as mesmas seguradoras, também de imediato, constituíssem as provisões e começassem a indenizar as vítimas, logicamente até o limite dos seguros contratados. Lamentavelmente, nada acontece para além do mise-en-scène e as vítimas se transformam em notícia, tão somente. Embora o sistema jurídico já comporte uma solução diferente da que está na pauta das seguradoras, do Estado e dos próprios responsáveis, vale lembrar que tramita no Congresso Nacional, durante os últimos 14 anos, um projeto de lei que uma vez aprovado facilitaria bastante a vida das vítimas das catástrofes como Mariana e Brumadinho. Trata-se da primeira lei de contrato de seguro brasileira, uma lei especial da qual praticamente todos os países já dispõem. Entre os dispositivos desse projeto, que veio sendo bloqueado pelo Ministério da Fazenda dos governos Lula e Dilma, apesar do apoio do então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, encontram-se alguns que facilitariam bastante a vida das vítimas de Brumadinho e dos seus beneficiários. O projeto além de reconhecer e prestigiar os interesses diretos dos prejudicados nos seguros de responsabilidade civil, manda serem exibidas aos interessados as apólices contratadas e todas as suas alterações, assim como todos os documentos produzidos durante a regulação dos sinistros, acabando com a caixa preta que só prejudica a imagem e a função dos seguros no Brasil.


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GERENCIAMENTO DE RISCO

Seguro ambiental obrigatório deve minimizar riscos de acidentes nos transportes de cargas e também como o da barragem de Brumadinho A tragédia de Brumadinho reacendeu os debates sobre a regulamentação do seguro ambiental obrigatório. Recentemente, foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal, em decisão unânime, o projeto de lei PLS 767/2015, que pode tornar obrigatório a contratação do seguro ambiental. A proposta foi remetida à Câmara dos Deputados. A ação legislativa altera o art. 10 da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências, e o art. 20 do Decreto-Lei nº 73, de 21 de novembro de 1966, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências, para instituir o seguro mínimo obrigatório ambiental. O projeto exige contratação de seguro por dano ao meio ambiente e terceiros, caso o empreendimento necessitar de licença ambiental. O texto prevê que o valor do seguro mínimo será fixado pelo órgão ambiental licenciador. Além disso, relatórios sugerem a necessidade de se criar um consórcio de seguradoras. Para muitos, como eu, esta aprovação é fundamental para proteger as empresas contra eventuais sinistros. Com o desastre, foi ampliado o consenso de que se houver seguro ambiental obrigatório haverá menor risco de acidentes, não só desta magnitude, como os de transportes de cargas perigosas em geral.

Atualmente a contratação de seguro privado por parte de empreendedores é uma prática pouco comum e opcional. Por não ser obrigatório, nem todos os empreendedores o fazem, preferindo arcar com eventuais perdas e danos a terceiros em caso de eventuais acidentes. Na tragédia de Mariana, que aconteceu em 2015, o rompimento da barragem de rejeito de minas de ferro da Samarco causou, além de 19 mortes, fortes danos ao meio ambiente e a centenas de famílias, sendo certo que o seguro da empresa foi insuficiente. A Samarco também não tinha um seguro ambiental específico. Porém, esse é um debate polêmico. Há quem analise que a simples obrigatoriedade de contratação de um seguro não significa que isto será feito da forma adequada, de modo que venham realmente cumprir sua finalidade, a de proteger as empresas contra eventuais riscos a que estão expostas. Outro problema é que, apesar da boa capacidade e conhecimento do mercado de seguros que opera com essa modalidade, o número de seguradoras ainda é de certa forma limitado, o que poderá gerar entrave na disponibilização de cotações em comparação ao aumento na demanda. O aumento da busca pelo seguro em um cenário de capacidade reduzida de atendimento pelo mercado poderá gerar também, em um primeiro momento, uma pressão pelo aumento do custo deste seguro, ainda mais com a obrigatoriedade. Porém, a massificação que ocorrerá deverá, em um médio prazo, trazer novas companhias e

Paulo Rogério Haüptli é sócio-diretor do Grupo F ox e p ro fe s s o r d e treinamentos contra fraude, regulação e contrato de seguro nos cursos de MBA em Seguros e Riscos Logísticos, e diretor de sindicância do CIST.

eventualmente aliviar a pressão de custo. Considero que ainda há necessidade de aprimoramento de alguns aspectos na Comissão de Meio Ambiente antes que seja aprovado. Hoje em dia, qualquer empresa está exposta a eventual penalização por algum dano ambiental e isso influencia diretamente o interesse de uma seguradora em colocar no mercado um produto que cubra riscos decorrentes do dano ambiental. Acredito que desenvolverá bastante nosso mercado segurador. Em um mercado desenvolvido, como é tendência aqui no Brasil, o seguro ambiental servirá como um instrumento de fomento de uma maior preocupação por parte das empresas c o m o m e i o a m b i e n t e . Ve r e m o s avaliações prévias realizadas pelas seguradoras e o incentivo de o segurado contratar um produto com um prêmio reduzido, em consequência da adoção de práticas mais zelosas de gestão ambiental.


VIAGEM

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Novas formas de fraude no seguro viagem (affinity) Tendo em vista o aumento de viagens internacionais a turismo e a frequência de atendimentos médicos durante o período de permanência em solo estrangeiro, alguns países passaram a exigir a apresentação de apólice de seguro viagem juntamente ao passaporte quando do desembarque. Isso ocorre, pois, muitos países não dispõem de sistema público de saúde tradicional ou emergencial, razão pela qual em viagens internacionais algumas coberturas básicas se fazem necessárias serem contratadas, tais como, despesas médicas e hospitalares decorrentes de acidentes ou enfermidades súbitas e agudas, odontológicas, invalidez por acidente, morte acidental, regresso sanitário, traslado de corpo entre outras garantias adicionais que o mercado oferece.

diagnosticados com algumas moléstias que podem ter tratamentos iniciais onerosos, essas pessoas vem ao Brasil para seus antigos endereços ou endereços de familiares, compram passagem e contratam seguro viagem como se turistas fossem e dias após o retorno, alegam que logo após a chegada aos Estados Unidos tiveram um sintoma e, ao buscar por atendimento particular e realizar exames, tomam conhecimento da necessidade de assistência médica imediata, caracterizando que teve ciência de determinada enfermidade durante o período de viagem, o que em tese para algumas seguradoras daria cobertura. Fato que se torna difícil comprovar com materialidade de provas que se trata de ato manipulado com intuito de fraudar o seguro.

Cientes disso, fraudadores contumazes e eventuais passam a contratar seguro viagem e arquitetar uma forma de se beneficiar de algumas coberturas. Senão, vejamos. Existem, por exemplo, brasileiros radicados nos Estado Unidos de longa data, vivendo sem amparo de um seguro saúde e quando desafortunadamente são

Outra prática já comum, são brasileiros que realmente vivem no Brasil e vão a turismo e compras para o exterior, e, no afã de ter suas despesas custeadas, ao retornar apresentam documentações médicas, prontuários, exames e comprovantes de pagamentos de supostos atendimentos realizados emergencialmente e, amparados por apólice de seguro viagem

Alexandre Massao é sócio-diretor da Fox Regulação e Auditoria

solicitam ressarcimento. Ao auditar os referidos documentos nos deparamos com montagem de processos de sinistros, nos quais todos os documentos apresentados são falsos. Vão desde radiografias com lesões em membros, exames, laudos médicos escritos em inglês, espanhol e outras línguas, até comprovantes de pagamento de hospital, clínica e farmácia. Além dos casos envolvendo saúde também se registra grande volume relacionado a itens supostamente comprados e furtados durante os trajetos. Enfim, são diversas ações delituosas nas quais o mercado segurador deve estar atento e disposto a evitar.


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ENTREVISTA

“Não raro oportunidades apareçam disfarçadas de problemas” Edson Franco, CEO da Zurich Seguros, fala sobre sua trajetória profissional e a atuação da empresa, os desafios e oportunidades no mercado brasileiro, em entrevista exclusiva à revista Fox News. Confira! Fox News – Comente sobre sua trajetória profissional até chegar à presidência da Zurich Seguros. Edson Franco – Comecei em seguros pela área de tecnologia no começo da década de 1990 atuando como consultor em diferentes seguradoras. Em 1998 ingressei na Real Seguros, onde no começo dos anos 2000, fui convidado para assumir a Diretoria de Vida e Previdência. Daí em diante foi uma sucessão de transações de M&A, que resultaram em diversas experiências com diferentes culturas. Primeiro na joint venture formada pelo Banco ABN Amro Real com a Tokio Marine, onde fui selecionado para me tornar o CEO da Real Tokio Marine Vida e Previdência até sua aquisição pelo Banco Santander. Ingressei no grupo Zurich no final de 2011 para me tornar o CEO da joint venture estabelecida junto com o Banco Santander. Tive uma passagem pela Regional de Vida da América Latina e finalmente em 2016 fui convidado para dirigir a operação integrada de Seguros Gerais, Vida e Previdência da Zurich no Brasil. Fox News – Qual foi o maior desafio em sua caminhada até se tornar um alto executivo? Edson Franco – Creio que meu maior desafio foi o de compreender que é inútil ter ideias pré-concebidas muito rígidas a respeito da nossa carreira. Se não tivermos um pouco de flexibilidade em relação aos nossos planos iniciais, corremos o risco de desperdiçar grandes oportunidades. E não é raro que as oportunidades apareçam disfarçadas de problemas.

Quando nos dispomos a enfrentar situações que normalmente outros evitam, quando assumimos compromissos e responsabilidades de forma intuitiva, sem uma segunda intenção, estamos fundamentando as bases da nossa carreira. E grande parte do tempo fazemos isso sem perceber. Fox News – Quais são os desafios e oportunidades em ser presidente de uma seguradora no atual cenário do País?

eficiente de venda e pós-venda, o que faz também que tenhamos uma preocupação com investimentos para simplificar processos. Fox News – Quais são os ramos de atuação e especializações da seguradora? Quais os focos de atuação? Edson Franco – A Zurich é uma das principais seguradoras globais oferecendo um amplo portfólio, um dos mais completos do mercado, com soluções para clientes corporativos, varejo e individuais. Temos atuação destacada em algumas linhas de negócio como Garantia Estendida, Linhas Financeiras, Risco de Engenharia e Seguros Patrimoniais, mas nossa fortaleza está na diversificação, na escala e no estabelecimento de parcerias estratégicas de distribuição. O grupo Zurich tem muita expertise também em grandes riscos e trouxemos essa fortaleza para o Brasil. Também somos líderes em programas internacionais com mais de 1200 programas e rede de mais de 200 países.

Edson Franco – Mesmo com a recessão e a crise financeira recentes, o mercado de seguros no Brasil mostrou grande resiliência e continua crescendo acima do PIB. Nós aqui na Zurich também registramos uma performance de crescimento muito boa, apesar de um contexto difícil. E isso devido à nossa aposta em uma estratégia de longoprazo baseada na diversificação. Somos uma companhia multiproduto e multicanal, com serviços e soluções que passam por seguros empresariais, individuais e massificados, bem como seguros de vida e previdência com distribuição por corretores, instituições financeiras e varejistas. Essa diversificação torna ainda mais importante termos um foco na satisfação e na adequação da oferta às necessidades dos nossos clientes e também em oferecer ao parceiro de distribuição ferramentas que permitam um processo

Fox News – Como é o relacionamento da empresa com os corretores de seguros e com as assessorias de seguros? Qual a importância desses canais? Edson Franco – Os corretores de seguro desempenham papel importantíssimo no desenvolvimento do mercado. Não há mercado de seguro sem a intermediação forte dos corretores. No Brasil, o corretor é e continuará sendo o principal e mais importante elo entre o segurado e a seguradora. Este é um público extremamente estratégico para a Zurich, pois nos ajuda a entender ainda mais como satisfazer as necessidades e desejos do consumidor final. Fox News – Qual a importância do mercado brasileiro para o grupo? Edson Franco – O Brasil, por seu tamanho e importância, continuará sendo um mercado prioritário para a Zurich, independentemente


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de volatilidade de curto prazo. Transformamos nosso negócio e simplificamos a nossa estrutura para criar uma organização mais adequada e forte para o sucesso futuro. Fox News – Quais as perspectivas para a empresa em 2019? Em quais ramos a empresa aposta para contribuir com a retomada do crescimento da economia? Edson Franco – O objetivo é seguir crescendo com o posicionamento de manter as necessidades dos clientes no centro do nosso negócio, com foco em soluções e oferta de serviços diferenciados. 2018 foi um ano em que firmamos ótimas parcerias e melhoramos processos, investimos muitos esforços em tecnologias e estamos colhendo bons frutos. As melhorias que a Zurich no Brasil vem implementando trazem eficiência e aprimoram as atividades de nossos parceiros corretores e de nossos parceiros de negócios.

Fox News – O que ainda atravanca o desenvolvimento do setor de seguros no Brasil? Como mudar? Edson Franco – A grande questão do mercado brasileiro ainda é a distribuição da renda. O Seguro é um bem de consumo superior, por isso é necessário que as pessoas sintam que suas necessidades básicas estejam atendidas no presente para se preocupar com a proteção dos riscos do futuro, como a proteção da família e da renda. Caso contrário, estarão preocupadas com o hoje e não com o amanhã. No momento em que retomarmos a confiança no crescimento da economia, o mercado tem um potencial enorme para crescer. Apesar de crescermos ano a ano acima do PIB, ainda temos um mercado subpenetrado em praticamente todos os ramos de seguro. E seguirá assim enquanto não tivermos um fortalecimento da classe média. Diversificação e sofisticação de produtos se dão em função de demanda. Quanto maior a

demanda, maior será o apetite das seguradoras em colocar mais produtos no mercado e apostar em mais inovação e investimento. Fox News – O que a operação brasileira pode aprender com a Zurich global? E o que outros países podem aprender com o mercado brasileiro? Edson Franco – A Zurich tem operações em mais de 210 países e territórios, cada um com suas particularidades e mercados, que ajudam a compor toda a expertise global da companhia. Para o mercado brasileiro é importante contar com experiências e soluções adotadas em países mais desenvolvidos, assim como é importante para outros países (menos desenvolvidos) aprender com o nosso mercado. É uma troca de experiências saudável, que contribui para sempre buscar atingir a excelência na prestação de serviços e fornecimento de soluções para nossos clientes.

TECNOLOGIA A cultura do arquivo A cultura do “depois a gente vê ou depois a gente faz” para organização de arquivos é uma bomba relógio, que mais cedo ou mais tarde, cobra o seu preço. Espaços inapropriados como vãos de escadas, sótãos e, acredite, bombas de caixa d'água, são os lugares mais frequentes para a “desova” das caixas com os documentos. O problema é tão estrutural que o Governo Federal dispõe de duas leis para tratar do assunto. A Lei 12.682/2012 trata do Arquivo Físico e de sua Permanência, que proibia o descarte dos documentos físicos, impedindo a desmaterialização dos processos. Isso por sua vez, acabava não trazendo vantagens ao procedimento de digitalização. Pois, embora a busca e acesso pelos arquivos eletrônicos se tornassem mais fáceis, ainda haveria a ocupação de espaço dos documentos físicos. Em 2016, foi aprovado pelo Senado o projeto que autoriza a destruição

do arquivo impresso original após a sua digitalização, respeitando os requisitos préestabelecidos, visando garantir a autenticidade e integridade da conversão do documento. A segunda e mais recente é a Lei 13.787/2018 dos Arquivos Digitais, na qual o método de digitalização visa à autenticidade dos documentos, pelo uso de certificados digitais expedidos pela ICPBrasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira) ou outro meio correspondente. Somente desta forma, os arquivos digitalizados passam a apresentar o mesmo valor dos documentos impressos originais. Complexo, não? Mas calma, não saia destruindo tudo. Não é fácil cumprir todas as diretrizes estabelecidas na Lei da Digitalização. Já que para garantir a autenticidade de documentos você precisa de um software que digitalize, indexe e visualize esses arquivos, e para tudo isso

Moacyr Felix, diretor de Negócios da Skybox Guarda de Documentos. F o r m a d o e m Administração de Empresas pela FGV, palestrante e mediador d e fó r u n s p a r a digitalização de documentos.

vai muito dinheiro. O indicado é manter seu arquivo físico organizado, separado por departamento e por datas, evitando o famoso “DIVERSOS”, e guardado em um local seco, seguro e com o controle biológico para evitar surtos de pragas. Quando o recorrente é o Erário Público, não existe prazo de validade para documentos. Se pagou e não tem o comprovante, vai ter que pagar novamente.


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MEIO AMBIENTE

Riscos ambientais em áreas portuárias A Companhia Docas do Estado de São Paulo - CODESP realizou, entre julho 2015 e janeiro 2016, um estudo de caracterização física, química e eco toxicológica dos sedimentos na região de berços de atração, acessos e canal de navegação do Porto Santos, que obteve como relatório final a conclusão que os sedimentos destas áreas não causam efeito significativo no ambiente marinho, o que é uma boa notícia. Por outro lado há uma grande preocupação devido ao risco inerente das operações portuárias e logística da região. Conforme divulgado pela Cetesb - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a poluição é um dos principais problemas vividos pelos complexos portuários. Nos últimos anos, o risco ambiental intensificou! Ocorrências como derramamento de óleo e queda de contêineres no mar do Porto de Santos, vazamento de gás e incêndio em áreas portuárias tem acendido o alerta vermelho dos órgãos reguladores. As empresas brasileiras estão com alta exposição e sujeitas a sofrerem prejuízos e punições quando da ocorrência de acidentes. Nas instalações portuárias e bases de armazenamento, o licenciamento ambiental é uma obrigação legal, já no âmbito trabalhista, a NR 9 (Norma Regulatória) estabelece a obrigatoriedade da elaboração e da implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e visa prevenir a saúde e a integridade física dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de tais riscos existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. O programa de gestão de risco ambiental

possui três fatores fundamentais a serem considerados: objetivo, iniciativas e administração do risco. O objetivo do programa é principalmente realizar a gestão do risco ambiental das corporações, as inciativas são as ações que serão tomadas para tratamento do risco que estão diretamente ligadas ao cumprimento das normas e regulamentações ambientais, prevenção e controle da poluição e recuperação dos locais contaminados e, por último e tão importante quanto os demais, a administração do processo de gestão de risco, incluindo transferência de risco para perdas inesperadas e resposta de emergência definidos. A gestão de risco ambiental uma vez implantada, executada e monitorada, pode prevenir e evitar acidentes ou, em caso de uma eventualidade, poderão ser devidamente controlados e perdas reduzidas. Fica porém uma um importante questionamento, mesmo que as empresas priorizem programas de prevenção, cumpram com as exigências no âmbito do licenciamento, em conjunto com uma gestão eficiente da equipe de prevenção e gerenciamento de risco, perdas inesperadas e catastróficas podem acontecer? Sim, podem. E como mitigar este risco? É exatamente neste aspecto que as empresas têm utilizado o seguro como importante ferramenta de mitigação de risco e incluído em seus programas de gestão ambiental. Uma falha em uma operação e catástrofes naturais podem prejudicar significativamente o meio ambiente. Especificamente para o Porto de Paranaguá a Portaria 064/2016 diz o seguinte: "As empresas, cujo objeto se destina a prestar serviço de fumigação, deverão apresentar uma cópia da Apólice

Simone Ramos atua há mais de 20 anos no mercado de seguros, é especialista em Riscos Seguráveis na Indústria de Portos, Terminais e Infra, cursou Administração e possui Pós-Graduação em Logística, Riscos e Sinistros pela Escola Nacional de Seguros.

do Seguro Ambiental com cobertura mínima de R$ 1.000.000 para atividades atracadas e R$ 3.000.000 para atividades ao largo (mar) .... englobando o ressarcimento dos custos de atendimento às emergências e danos causados por acidentes ambientais. ” (https://bit.ly/2T6ySmx) O seguro de responsabilidade civil ambiental tem sido um instrumento de proteção e investimento, utilizado para cobrir custos diretos e indiretos com limpeza de poluentes diversos por danos acusados a terceiros, além de ser utilizado para cobrir danos à biodiversidade. Há apólices atualmente destinadas a diferentes indústrias, como prestação de serviços, infra, obras, operações comerciais, industriais, entre outros. É importantíssimo que o seguro ambiental e a análise de responsabilidade civil ambiental sejam considerados em um programa de gestão de riscos integralizado. Pilares como identificar, planejar, priorizar e monitorar problemas potenciais, fazem parte do programa para que soluções diferenciadas sejam definidas e ações de controle sejam aplicadas para mitigar riscos de alto impacto. O seguro será um recurso com funções e características específicas importante neste processo.


SINISTROS

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Área de Sinistros como suporte ao negócio Durante muito tempo a área de sinistros foi vista dentro das cias seguradoras como uma área de "back office", sem muita importância para a estratégia da empresa. Ocorre que, de alguns anos para cá está visão se modificou completamente e ficou ultrapassada. Dado que já faz algum tempo que a área de sinistros é vista como essencial e estratégica para o desempenho dos resultados. Grande problema enfrentado pelas seguradoras nos dias de hoje diz respeito à dificuldade para se ter a certa precificação do seguro, dada a grande competição existente e ainda o agravamento da situação com a incerteza econômica e política que vivemos em nosso país. Neste sentido, é vital que as áreas técnicas tenham informações acuradas de suas áreas de sinistros quanto aos valores dos sinistros e mais especial as tendências de cada segmento. Profissionais experientes do setor sabem que na vida real, o risco de perdas e reclamações é parte do negócio, razão pela qual temos sempre um setor de gestão de riscos. E mesmo que desejemos não haver sinistros, é imperioso estar atento às lições que podem ser tiradas do processo de gestão e regulação de sinistros. É nesse momento que o trabalho de regulação do sinistro ganha destaque sendo de vital importância que o a equipe de sinistros da seguradora tenha um verdadeiro planejamento de todas as etapas da regulação de sinistros desde o

aviso até a sua liquidação. Cada vez mais, as seguradoras precisam tratar com total exatidão a apuração correta dos valores que custarão cada sinistro, dada a correlação direta com o resultado da companhia. Para a saúde financeira da seguradora é vital que a equipe de sinistros interna da seguradora tenha as métricas adequadas por segmento para a devida apuração dos valores a serem dispendidos, bem como se valha de reguladores de sinistros externos e peritos que trabalham coordenadamente para a estimativa do valor de cada sinistro. Nesse diapasão, o processo de regulação de sinistros de grande porte deve ser cada vez mais tido como um projeto em que as etapas são muito bem definidas, e os prazos muito bem delimitados, para a obtenção de resultados satisfatórios e mitigação de eventuais problemas que possam advir no transcorrer da regulação. Num primeiro momento, logo após a ocorrência do sinistro, o regulador de sinistros designado em conjunto com a equipe interna da seguradora, assume o p a p e l d e a d m i n i s t r a d o r, s e n d o responsável pelas primeiras providências e instruções ao segurado e seu trabalho visa mitigar ou minimizar os prejuízos. Ademais, a área de sinistros, que no passado era vista até mesmo como gasto, passa a ser uma das principais fontes de informações para os demais setores da empresa. Costumo dizer que, embora existam

Hilton Gomes dos Santos é Head Claims Brazil, Senior Vice President na Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros

tendências em sinistros de determinados setores, cada sinistro traz uma história e assim há sempre um aprendizado a ser tirado. Essencial, portanto, que as equipes de sinistros passem a investir tempo no desenvolvimento de ferramentas para uma boa gestão dos dados e informações de seus sistemas de sinistros, visando produzir relatórios e apresentações de resultados e tendências a ser compartilhado com suas equipes técnicas para uma boa gestão do negócio. Ademais, a observação de determinadas situações por parte de uma equipe de sinistros atenta e diligente pode ser utilizada como ferramenta para produção de material ou estudo a ser compartilhado com os segurados para melhoria de processos e mitigação de prejuízos. Ao tratar o processo de regulação de sinistros como uma ciência as equipes de sinistros começarão a mostrar o valor agregado que podem ofertar à operação de seguros e enfatizar a utilização deste como parte essencial para a estratégia da seguradora.


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TECNOLOGIA

Mais do que inserir no meio digital, tecnologia precisa ser solução de negócio Muitos fornecedores têm foco em tecnologia e capacidade produtiva em sistemas. Mas o segredo de uma relação clientefornecedor bem-sucedida vai além de disponibilizar os melhores programadores disponíveis no mercado, é necessário também ter experiência local comprovada em soluções de negócio “core” para seguros. Fato ainda mais importante quando aplicada à indústria específica de seguros, em processo acelerado de “revolução digital” e otimização no relacionamento com o cliente, porém, se apresentando com um alto grau de complexidade para a maior parte dos fornecedores de TI. Um alto executivo de mercado confidenciou que seu atual fornecedor de tecnologia, empresa com bom tempo de mercado e de atendimento ao setor, sem dúvidas bem preparada tecnologicamente, após anos de trabalho projetou um sistema que não atendia plenamente ao seu modelo de negócio, por falta de efetiva experiência ou pela problemática (não óbvia) em entender as normativas Susep. Para completar, este fornecedor sempre mantinha o contrato de prestação de serviços debaixo do braço para dizer que determinada solicitação não estava especificada pelo usuário desde o início, não sendo contemplada na arquitetura de negócios projetada, por isso não teria como realizar os ajustes necessários. Em outro caso, o desafio consistia em uma seguradora que desejava realizar uma migração, mas não sendo o fornecedor um especialista, por não conseguir entender bem o escopo e consequentemente não incluir corretamente a demanda em contrato, transferiu a culpa por não ter sido devidamente informado/ demandado pela área de negócio e, muito menos, pela TI. É notório que a situação “usuário interno-TIfornecedor” se agrava, pois, existem muitas perdas ou ruídos na comunicação entre as partes. Somando os gaps, se faltar inteligência de negócio em todas as fases, cria-se uma solução final com grandes e irreversíveis divergências em relação à necessidade de negócio daquela seguradora. Isso, obviamente,

gera desgaste, e sobretudo traz aumento de escopo, tempo e consequentemente custos não previstos para as áreas e empresas. Existe uma “miopia” dos fornecedores internacionais, que acreditam que “seguro é igual no mundo todo”, não relevando as diferenças estruturais e conjunturais do nosso mercado local, trazendo um enredamento ainda maior a esta relação e concludentes casos de insucesso. E o famoso “desenvolvimento in house”? Quem opta por fazer um sistema internamente costumeiramente observa as premissas atuais de uma única empresa (“olhando para o próprio umbigo”). Muitas vezes é forçoso assumir premissas e idiossincrasias de um diretor que fica na companhia por apenas dois ou três anos. Podemos imaginar o risco deste desenvolvimento não ser a solução futura. Reflexão: Mesmo um marceneiro experiente normalmente não se arrisca a fazer violinos, tampouco espera que sua primeira criação seja afinada, harmônica. Logo, por que a área de TI das seguradoras se aventuraria a construir ERP's, desafio até para quem já entregou mais de 30 projetos? É imprescindível conhecer a fundo o modelo de negócio escalável de mercado (nacional e internacional) para desenvolver soluções de seguros que irão atendê-las a médio e a longo prazo, em produtos como vida ou previdência, e que após vendidos permanecem administrados pela companhia por mais 20 ou 30 anos. A grande característica do mercado de seguros, e que as empresas de tecnologia que quiserem atuar neste setor devem observar, é a adaptabilidade, principalmente na parte das soluções de negócios do tipo ERP. Uma seguradora nasce com um foco de atuação, mas logo adquire outra empresa ou outra carteira e, precisa absorver todos os novos processos (compatível às novas estratégias e canais de distribuição) – criase o que o mercado chama de empilhamento de produtos. Se a solução sistêmica não é suficientemente flexível, ou a

Marcio Paes é CEO da Sistran Brasil. Graduado em Engenharia de Produção pela UFRJ, com foco em sistemas de BI, mestre em Inteligência Artificial pela Coppe, possui experiência de 29 anos atuando como provedor de soluções estratégicas de TI aplicadas a seguros.

arquitetura não é ampla para absorver carteiras ou o crescimento planejado, surge uma criatura tipo Frankenstein na tentativa de adaptar o que vem de fora, gerando muitos impactos no custo de manutenção e na limitação do negócio. Na empresa que trabalho, após “comer muito sal” e muitas lições aprendidas, a probabilidade de simplificar o escopo não entendendo sua complexidade e consequências é muito diminuta, dado que somos uma empresa que “respira” seguros há 30 anos no Brasil, logo, sendo “nativos” deste mercado, falamos o “segurês”, e, desta forma, entendemos que “pingo é letra”. Acreditamos desenvolver produtos que possibilitem trabalhar a modernidade atual e continuar administrando um produto antigo, mantendo todos os segurados satisfeitos com o recebimento de seus serviços independentemente do tempo em carteira. É preciso ser especialista em soluções de negócios para responder a este desafio. Uma visão mais ampla, englobando todos esses fatores e endereçando a melhor solução: um modelo internacional que funciona em 16 países, de forma inteligente adaptada e reconstruída a fim de embarcar as necessidades, que comprovadamente já funciona no Brasil, adequado à conjuntura local e às exigências Susep e regulatórias brasileiras. Sem nunca esquecer a evolução das empresas que estão no caminho da segunda ou terceira onda digital.


TRANSPORTES

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Revolução tecnológica já chegou no setor de seguros de transportes O seguro de transporte, que há mais de 20 anos opera praticamente sob o mesmo formato, recebeu no início de 2019 uma nova receita atrelada a tecnologia. Em parceria com Cias S e g u r a d o r a s , o G r u p o Vi s t a desenvolveu o software de gestão operacional Cargo Viewer, que permite a automação na gestão de viagens, eliminando as tradicionais tabelas de sub-limites e a exigência da contratação de empresas de gerenciamento de riscos, das apólices de seguros detransportes de seus clientes. A era digital em que vivemos, conhecida como a 4ª Revolução Industrial, impacta toda a sociedade, reinventando o comportamento de pessoas e empresas, baseada num desejo generalizado por mudanças e inovações. Além da evolução tecnológica, o seguro de transporte já vive uma mudança na forma como as tecnologias são utilizadas, entretanto, ainda é muito dependente de processos manuais, tanto na fase de contratação de apólices, quanto no âmbito operacional de gestão de frotas, só pra ficar nesses dois exemplos. Imagine que ainda temos empresas que monitoram veículos com um contingente gigante de operadores (humanos), quando softwares já fazem esse tipo de trabalho com mais assertividade, escalabilidade e economia. Obviamente, trata-se de um composto de soluções, portanto, para otimizar os resultados é necessário mudar a forma de utilização das tecnologias antigas e empregar novas. Soluções que foram importantes, como os cadastros de motoristas e bloqueios de veículos, não têm mais a eficácia do passado. Bloqueios de veículos, hoje, são facilmente desabilitados pelas quadrilhas, sem falar de outros exemplos. E não estamos querendo dizer que isso tudo deve simplesmente

ser abandonado. Este formato nos trouxe até aqui – e participei disso – mas agora, a tecnologia vem ganhando espaço. Basta pensar como pedimos um táxi, comida ou alugamos um quarto de hotel, atualmente. Empresas como Uber, Ifood, Airbnb, entre outras, não têm uma central 24 horas com atendimento humano e são realidade no mundo. O segmento de transporte não pode ficar de fora dessa evolução. As empresas que não se atualizarem perderão competitividade e, em breve, estarão fora do jogo. Para sobreviver nesta nova realidade do mercado é preciso pensar fora da caixa. Os resultados proporcionados pelos modelos utilizados atualmente, já são conhecidos. Se queremos ter resultados diferentes, precisamos fazer as coisas de modo diferente. Precisamos entender que continuam sendo dadas as mesmas respostas, para perguntas que já mudaram. A dinâmica mudou e a tecnologia deve ser utilizada de forma mais estratégica, com automação baseada em processos. Como disse Einstein, "Insano é continuar fazendo da mesma forma, e esperar um resultado diferente". Com a velocidade do avanço tecnológico, não podemos esperar mais 20 anos para criar novos caminhos. D e s e n v o l v e m o s o s i s t e m a C a rg o Viewer, que automatiza e gerencia processos através de inteligência de software, e os resultados são extremamente satisfatórios, mas é só um dos exemplos possíveis. Potencializando a gestão operacional, passamos a atuar diretamente na minimização dos riscos, e os resultados estão aí. Mudamos a forma dos clientes gerenciarem suas frotas e contratar apólices, utilizando um aplicativo celular desenvolvido por nosso time, em conjunto com outros rastreadores, mas sempre alicerçados por processos

Cleber de Castro, diretor geral do Grupo Vista, atua há 25 anos nas áreas de Tecnologia e Seguros de Transportes, com foco no atendimento a Tr a n s p o r t a d o r e s e Embarcadores.

bem definidos e, complementados com uma estrutura de campo para prontas respostas na estrada. Uma gestão consistente, do início ao fim do processo, pode gerar resultados expressivos. Podemos dizer que várias empresas do segmento de transportes são campeãs em gestão em quase todas as etapas. O "quase" fica por conta de quando os veículos saem a campo. Mesmo equipados com rastreadores, a dificuldade de se fazer cumprir o "plano de voo" é notória. Motoristas param fora de locais pré-estabelecidos, desviam das rotas, param em suas casas (quando ficam próximas aos trajetos), desligam celulares e até os próprios rastreadores. Isso acontece principalmente com empresas que operam com grande volume de terceiros (agregados ou autônomos). É necessário melhorar a gestão dos veículos em viagem, e fazer com que os processos sejam cumpridos. É claro que isso não é infalível, mas a intensificação da gestão e cumprimento do planejamento dificultam a ação dos bandidos. Apenas para exemplificar, nas últimas 15.000 viagens que tiveram gestão operacional automatizada a t r a v é s d o C a rg o Vi e w e r, f o r a m necessários somente seis atendimentos pronta resposta na estrada, sendo cinco roubos inibidos e apenas um efetivado. Mérito da gestão operacional.


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ENTREVISTA

Experiência global para a operação brasileira O CEO Brasil da Generali Seguros, Andrea Crisanaz, fala com exclusividade à Fox News sobre a operação da empresa e sua participação dentro do grupo mundial. Formado em Ciências Atuariais, o italiano Andrea nasceu em Trieste, cidade onde está localizada a matriz do Grupo Generali. O executivo desenvolveu toda a sua carreira dentro do Grupo, tendo começado em 1990, em Trieste. Com larga experiência no mercado da América Latina, que inclui também o cargo de Diretor de Seguros (CInsO) no Escritório Regional para as Américas, Andrea está desde outubro de 2016 como CEO da Generali Brasil. Confira!

adaptar a situações, países e pessoas distintas, embora entre Itália, México e Brasil não haja tanta diferença entre as pessoas. Parece incrível, mas a maior dificuldade que eu tive de adaptação foi quando voltei à Itália depois de seis anos no México. Isso pode parecer quase absurdo, mas foi assim, porque na verdade foi numa profissão nova e em uma nova realidade, pois a Europa em 2004 tinha mudado muito, então o trabalho dentro do ambiente corporativo era muito distinto.

Fox News – Quais são os ramos de atuação e especializações da seguradora? Quais os focos de atuação?

Fox News – Comente sobre sua trajetória profissional até chegar à presidência da Generali Seguros. Andrea Crisanaz – Eu tenho 53 anos e 28 deles trabalhando no grupo Generali. Iniciei na matriz da empresa, na cidade de Trieste, cidade onde nasci, me formei como atuário e comecei a carreira. Depois de sete anos na matriz fui transferido para o México, onde permaneci por seis anos. Voltei para a Itália por mais quatro anos e meio, sempre na matriz. Comecei no Brasil em 2014, em São Paulo, como diretor do território regional da Generali para a América Latina, e em 2016 assumi como presidente, CEO da Generali Brasil Seguros. Fox News – Qual foi o maior desafio em sua caminhada até se tornar um alto executivo? Andrea Crisanaz – A minha história é um pouco diferente. Sou um expatriado, que muda muito de países. Passei pelos países em posições distintas. O maior desafio é sempre se adaptar às mudanças; profissionalmente, cada empresa o último é sempre o maior desafio. Com certeza o Brasil é um desafio grande, mas no México foi enorme também, porque eu era muito mais jovem, com menos experiência. Então eu diria que o grande desafio é saber se

o Brasil seja um país enorme, gigante econômico, eu faço a comparação que de que se já é difícil chegar a um acordo em uma reunião de condomínio com 10 ou 15 cabeças, entao um país com 202 milhões de habitantes é um pouco mais complicado. Mas eu acredito que o setor de seguros tem um desafio grande, mas as oportunidades são melhores, oportunidade de crescimento, de a companhia ter crescimento, dar segurança ao sistema, participar de reformas. Somos privilegiados em atuar neste setor, eu diria.

Fox News – Quais são os desafios e oportunidades em ser presidente de uma seguradora no Brasil no atual cenário do País? Andrea Crisanaz – Dentro da economia e da vida de um país, as seguradoras sempre têm um função fundamental. Sabemos que o Brasil vive época de grandes mudanças, sejam políticas, sociais e econômicas, e não é o único país que passa por este cenário. Falando dos países que eu estou mais relacionado, que são Brasil, México e Itália, vemos que o México também teve uma virada política forte, e a Itália também, talvez maior. Mas o Brasil, dos três países, é o que tem o cenário talvez mais favorável. Embora

Andrea Crisanaz – O nome Generali significa “gerais” em português, ou seja, seguros gerais. O grupo segurador, nos cerca de 50 países em que atua, tem praticado todo tipo de seguro. Aqui no Brasil somos uma seguradora ainda considerada pequena no mercado, e neste momento estamos focando mais no segmento de pessoas, e tentando atender nos segmentos tradicionais, automóvel e residência, com uma atuação mais massificada sobretudo por meio de nossas parcerias. Temos, por exemplo, parceria com o banco BMG, atendendo os clientes de lá, parceria com a Tim, parceria com as Lojas Americanas. Às vezes são parcerias amplas, outras são parcerias especializadas em um tipo de produto. Entao acreditamos que podemos servir diferentes tipos de clientes por canais distintos. Também temos clientes corporativos, uma presença significativa com clientes corporativos, tanto na parte de benefícios para funcionários como na parte de proteção aos ativos das empresas. Esse é o nosso foco, mas obviamente temos bastante ambição de voltar a ser uma seguradora grande em um mercado tão importante, estamos cientes de que isso é processo. Não estamos pensando em saúde e previdência neste momento, mas esses são segmentos que estão em nossa agenda para o futuro. Fox News – Como é o relacionamento da


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empresa com os corretores de seguros e com as assessorias de seguros? Qual a importância desses canais? Andrea Crisanaz – É um canal importante, nas parcerias que temos existe a interlocução com o corretor, como no caso da Tim, em que existe uma corretora intervindo. Mas falando do mercado, o canal corretor é muito importante para nós, principalmente no ramo automóvel, em que é o canal praticamente exclusivo. Com assessorias nós trabalhamos, mas não muito, temos alguns parceiros, sobretudo em determinadas regiões do país, mas preferimos atuar com corretor e também temos uma estratégia que não trabalhamos com muitos parceiros, ou seja tem companhias com 15 ou 20 mil corretores cadastrados, nós temos números entre 2,5 mil e 3 mil, preferimos trabalhar com menos corretores, mas uma relação mais intensa. Reconhecemos que o papel do corretor e da assessoria é fundamental. Nos grandes riscos e grandes clientes trabalhamos com corretores, então trabalhamos tanto com o corretor de uma cidade pequena, de uma pequena organização familiar, como os grandes corretores de uma organização. Fox News – Como funcionam as áreas de gerenciamento de riscos e de regulação de sinistros para evitar perdas no cenário de redução de gastos e adversidades da economia brasileira? Andrea Crisanaz – São áreas muito importantes porque o brasileiro, como outro mercado, embora tenha certamente possibilidade grande de expansão, também é um mercado com muita competição, tem muita pressão sobre os preços, então é necessário ser muito exato, muito eficiente, fazer o preço mais adequado ao melhor risco e melhor cliente, depois com uma excelente atuação cumprir com a promessa do nosso contrato. As áreas de gerenciamento de riscos e de regulação de sinistros representam, do ponto de vista numérico, uma parte importante da organização e depois, do ponto de vista qualitativo, precisam se buscar novas capacidades para a evolução dos riscos. Passar de uma precificação que podemos dizer que seja do modelo clássico para um modelo um pouco mais novo, entendendo as mudanças, entendendo os novos riscos para desenhar novos produtos. Por exemplo, riscos cibernéticos, são riscos novos, que há três

anos não existiam e agora começam a ser necessários. Estamos qualificando pessoas experientes, mas também pessoas jovens, que entendam melhor toda a mudança, entendam a condição dos novos riscos, que são riscos emergentes. Fox News – Qual a importância do mercado brasileiro para o grupo? Andrea Crisanaz – Se falarmos de uma importância atual, do peso do mercado brasileiro no Grupo, neste momento é baixa. Analisando o ano de 2018, a participação do Brasil é de mais ou menos 0,5%, o que pode parecer que não é um mercado importante. Mas temos que pensar que a empresa está retomando o patamar de crescimento aqui e que o Grupo é muito forte em outros países: a empresa é líder em mercados desenvolvidos como a Itália, Alemanha e França. São três países, dentro dos cerca de 50 em que atuamos, que detêm 80% de toda a operação da Generali no mundo, praticamente. Mas se temos isso e a perspectiva de crescimento, o Brasil é um dos mercados que há dois anos tem um foco estratégico, onde o Grupo está voltando a investir, porque a verdade é que o Grupo por alguns anos deixou de investir no Brasil. Isso visto hoje foi com certeza um erro, mas não houve a oportunidade, ou não se captaram a oportunidade no momento. Mas, enfim, o Grupo está voltando a investir no Brasil desde 2016, e estamos tendo crescimento orgânico, crescimento através de parcerias, e o Brasil dentro da definição estratégica foi nomeado um dos cinco ou seis países, junto com o mercado asiático e alguns países da Europa, onde cresceram mais. O Brasil sempre é mencionado nas perspectivas de crescimento. Daqui a uns cinco anos com certeza essa participação do mercado brasileiro dentro do grupo aumentará consideravelmente. Claro que em cinco anos não estaremos no que é a Itália, mas certamente nossos números e importância vão mudar de um jeito muito significativo. Fox News – Quais as perspectivas para a empresa em 2019? Em quais ramos a empresa aposta para contribuir com a retomada do crescimento da economia? Andrea Crisanaz – Teremos algumas ações estratégicas, de crescer com o nosso parceiro estratégico que são os corretores e também os canais parceiros, como o BMG, a Tim e as

Lojas Americanas. Temos também outros planos que não posso mencionar e temos a certeza de que para certas áreas geográficas precisamos ter parceiros estratégicos. Também estamos inovando, preparando produtos novos para o mercado que pensamos em lançar para 2019. Entao talvez em outra entrevista poderemos falar sobre esses lançamentos. Fox News – O que ainda atravanca o desenvolvimento do setor de seguros no Brasil? Como mudar? Andrea Crisanaz – Eu tenho muita experiência no México, é um mercado que conheço bem. E México e Brasil são países diferentes, mas que têm muitas características em comum, e no mercado segurador também. Obviamente tem a necessidade de consciência do consumidor do benefício do seguro. Essa é uma consciência que tem que ser criada, e o primeiro que tem que criar essa consciência somos nós, o setor. Em nossa agenda na Generali já estão ações para criar a cultura da importância do seguro. Isso também tem que ser um ponto importante na agenda do Governo, o poder público já está falando muito da reforma da previdência, que é bastante importante. Eu diria que é um processo que nunca para, porque poucos países têm atingido maturidade no relacionamento de seguros, talvez Japão, Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido. Nem a Itália, porque apesar de ter números grandes possui segmentos que podem ser melhor atendidos. Eu diria que a responsabilidade de fazer isso melhorar é coletiva: dos organismos públicos, mais do setor privado. A educação na população tem que ser criada, tem que ser fomentada. Fox News – O que a operação brasileira pode aprender com a Generali global? E o que outros países podem aprender com o mercado brasileiro? Andrea Crisanaz – Sempre que se está em uma organização global como a Generali, na qual o centro do Grupo – que muito claramente é a Europa – está muito longe, e o mercado local do ponto de vista do seguro não é considerado um mercado maduro, pensamos primeiro o que o mercado brasileiro pode exportar. O mercado brasileiro tem feito um trabalho ótimo, que tem se potencializado há


24 pouco mais de dois anos, de levar o seguro a um segmento um pouco mais amplo da população, e isso e não é tão comum em outros mercados. Então estamos levando esta experiência a outros países que não têm essa realidade, e outros países estão começando a ver isso como uma oportunidade importante de expandir o negócio, complementando a fortaleza da Generali, que o canal de corretores e

agentes (na Europa são geralmente agentes exclusivos). Essa é uma ação que estamos começando a exportar, mesmo o Brasil sendo uma parte pequena do Grupo. Por outro, do Grupo e da experiência de muitos países, podemos trazer muitas coisas, em produto, em experiência, em processos, em transformação digital, e é o que estamos fazendo neste momento em diferentes

áreas do produto, de marketing, de formas de dialogar com o cliente, de saber como chegar no cliente e o escutar. Em todas essas áreas estamos trazendo as melhores práticas do Grupo e aplicando aqui, às vezes igualzinhas, às vezes com uma pequena adaptação. Isso é uma das vantagens de estar em um grande Grupo, poder trazer ideias boas e ver como fazer funcionar aqui.

SAÚDE Os dados de saúde na 4ª Revolução Industrial Nosso planeta está se tornando um grande ser vivo digital. Com o avanço da internet das coisas, processadores podem ser colocados em produtos com as mais diversas finalidades. Em várias partes do mundo, sensores embutidos em objetos medem a vibração, a temperatura, a composição química etc. Algumas das aplicações dessa tecnologia serão úteis a ponto de nos fazer pensar como conseguimos viver tanto tempo sem elas.

o celular. A partir daí, o cliente pode compartilhar a informação com o médico, se desejar.

Um exemplo? Assim que os sensores químicos ficarem suficientemente baratos, eles poderão ser colocados dentro das caixinhas de leite para avisar quando o produto, de fato, azedou. Em vez de respeitar a data de validade da embalagem (baseada em um cálculo estatístico sobre a duração média do produto), o consumidor terá uma informação precisa para saber se o leite ainda está bom. Uma informação única, individualizada e capaz de evitar muitos desperdícios.

A inovação tecnológica que já estamos vivendo e os debates acerca do futuro da informação, como o promovido durante o 4º Fórum da FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar), no final de outubro, nos levam a refletir sobre as implicações deste novo mundo, no qual os consumidores aceitam fornecer dados pessoais com a contrapartida de receber melhores serviços. No nosso setor, é preciso ter um cuidado extremo na transição para a quarta revolução industrial – a da informação. É imperdoável errar quando o que está em jogo são os dados de saúde, como ressaltou Henrique von Atzinger do Amaral, líder do ThinkLab da IBM Brasil. Todo e qualquer serviço que pretenda usar esse tipo de informação precisa oferecer conveniência, relevância, segurança e controle.

Na saúde, há múltiplos desdobramentos e possibilidades. Surgem balanças que registram não só o peso, como também o nível de hidratação e outros parâmetros e suas variações. Os dados são enviados para um aplicativo de celular. Há também relógios que fazem bem mais do que apenas registrar as horas. É o caso da nova versão do Apple Watch, capaz de realizar um eletrocardiograma e enviar o resultado para

O grande entusiasmo despertado pelos avanços da inteligência artificial aplicada à área médica só vão se concretizar no Brasil se os dados dos pacientes estiverem digitalizados e disponíveis, de forma organizada e comparável. Só assim os algoritmos poderão contribuir para a melhoria dos diagnósticos por imagem, a descoberta de novas drogas, a priorização de pacientes em hospitais, entre outros usos.

Solange Beatriz Palheiro Mendes é presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde)

Antes disso, os agentes da saúde suplementar têm o desafio de mostrar ao paciente o que será feito com as informações dele e conseguir consentimento para qualquer de suas ações. É o que exige a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, sancionada em agosto. O prazo de adequação dado às empresas é insuficiente: apenas 18 meses. O marco legal impõe um desafio, mas não impedirá o avanço dos projetos baseados no registro e compartilhamento de dados de saúde. As primeiras iniciativas das operadoras têm demonstrado que os indivíduos concordam em permitir o acesso a seus prontuários eletrônicos quando recebem informações claras e entendem os benefícios oferecidos. Com transparência, ética e respeito à legislação, o futuro da informação pode ser um grande aliado na reorganização do sistema de saúde.


PREVIDÊNCIA PRIVADA

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Reforma da previdência: chegou a hora de sermos previdentes? A reforma da previdência é prioridade do novo governo. Nós, que atuamos no mercado de seguros, muito tempo antes vínhamos alertando sobre sua necessidade, e a importância de se garantir o futuro com um plano de previdência privada. O sistema previdenciário no Brasil liga as gerações do passado, do presente e do futuro: os trabalhadores de hoje custeiam as aposentadorias de quem deixou o mercado e os de amanhã farão o mesmo com quem está agora na ativa. No entanto, a sociedade brasileira passa por rápida transformação. Nossa população envelhece depressa, porque as mulheres têm muito menos filhos do que no passado e porque as pessoas vivem mais tempo. Essa realidade projetada pelas próximas décadas traz um desequilíbrio crescente: haverá cada vez menos trabalhadores para sustentar cada brasileiro aposentado.

claro, o DPVAT, que é aquele obrigatório e pago por todo proprietário de veículo para indenizar vítimas de acidentes de trânsito. Mesmo entre os donos de carros, motos e caminhões, o seguro está longe de ser uma unanimidade. Apenas 25% da frota nacional (de cerca de 100 milhões de veículos, segundo o Denatran) está segurada. Diretamente ligada à falta de cultura do seguro está a ausência de planejamento. Brasileiro é um povo imediatista, que gosta de comprar com parcelas a perder de vista, não consegue aguardar juntar o dinheiro para então comprar o que deseja – em muitos casos pela real necessidade e falta de condições financeiras. E se o brasileiro não

Há inúmeros artigos na internet explicando tudo o que muda com as novas regras de previdência social e ressaltando sua urgência. Mas quero analisar outro ponto desta mudança na sociedade. O alerta trazido pela reforma da previdência nos levará, finalmente, a sermos previdentes? Estudo realizado pela Universidade de Oxford e a seguradora Zurich revelou que o Brasil tem a menor taxa do mundo em se tratando de cobertura pessoal por meio de seguros. Cerca de 19% dos entrevistados brasileiros afirmaram ter um seguro de vida, quando a média global é de 32%. O Reino Unido vem com a segunda pior taxa, com 21% de cobertura. O estudo avaliou cerca de 11 mil pessoas no Brasil, México, Estados Unidos, Reino Unido, Itália, Espanha, Alemanha, Suíça, Malásia, Hong Kong e Austrália. No Brasil, o seguro mais procurado ainda é o que cobre furtos e danos do automóvel, com cerca de 80% dos contratos, à parte, é

está pronto para proteger seus bens mais valiosos, como vida e sua residência, quando terá a educação financeira necessária para fazer um planejamento de sua aposentadoria? Reforçando o sentimento otimista, característico de nosso povo, de que é preciso viver o presente e deixar as preocupações para quando vier a hora, sempre esteve lá a previdência social, algo tido como estável. O brasileiro acreditou que a previdência nunca ia mudar, pois o sistema sempre foi pontual, nunca falhou. Se a pessoa iria se aposentar com pouco ou muito, não importava, mas sua reserva estaria guardada.

Alexandre Camillo é corretor de seguros e liderança política. Atua como diretor da Camillo Seguros, presidente do Sincor-SP, presidente da C a m a r aS I N , e v i c e presidente da Fenacor .

A realidade hoje é outra. E deixa muitas pessoas revoltadas, com o sentimento de que alguém está lhe roubando seus direitos. Mas nós que trabalhamos neste segmento sabemos que a reforma é para tentar garantir que a explosão não seja ainda maior e ocasione a falência do sistema. É melhor arrumar a casa e garantir algum benefício, mesmo que mais tarde (até porque as pessoas vivem mais) do que nunca. Será que este choque da população não deve servir para que nós comecemos a entender que não podemos ficar esperando, na eterna dependência do estado? Quando tivermos consciência de que devemos promover aquilo que queremos para nós, termos mais interesse e participação na política, sermos mais autônomos e empreendedores, tudo irá fluir melhor. É desafiador, mas os tempos mudaram e quem não se adapta será engolido. Infelizmente para alguns, mas felizmente para quem tem visão de futuro, acabou aquele modelo de emprego em que se cumpre o horário e vai embora para casa, sem se posicionar mais ativamente na empresa. Esse cenário vai dando lugar ao empreendedorismo, de quem busca as oportunidades e pavimenta seu futuro. Quando você está por si, com seus recursos e dono de seus caminhos, se força a fazer melhor e, sem dúvidas, a ser mais previdente.


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ENTREVISTA

Transportes: um dos ramos com mais potencial de desenvolvimento no setor de seguros brasileiro Valdo Alves, diretor de Transportes da Tokio Marine Seguradora, fala em entrevista exclusiva sobre o desenvolvimento deste importante ramo e comenta ações da seguradora para crescer neste negócio. Confira! Fox News – O mercado de seguros de transportes reserva oportunidades de crescimento para este ano? Como as seguradoras estão se posicionando neste ramo?

prêmios insuficiente para manter o equilíbrio entre o pagamento de sinistros e a rentabilidade da carteira, e a mudança do risco durante a vigência da apólice. Por outro lado, essa modalidade inclui atrativos como gerenciamento de risco adequado pelo cliente final, perfil do risco alinhado à política de aceitação e suporte de um corretor especializado e parceiro da companhia. Para a Tokio Marine, este é um fator decisivo em função do sólido relacionamento que

Valdo Alves – Apesar dos desafios, 2018 foi um ano de excelentes resultados. A carteira de transportes da Tokio Marine ficou acima da média de mercado e, para 2019, nós esperamos uma continuidade desse crescimento. Há uma expectativa de aumento de consumo, o que leva a uma maior movimentação de carga. Naturalmente, isso reflete também na contratação de seguros. Quando falamos em seguro de cargas, há uma atenção constante à questão da gestão de risco e um dos desafios atuais dos gestores é mudar a visão do cliente quanto a isso. Na Tokio Marine, nós temos uma equipe de Gestão de Risco dedicada para seguro de transporte e nosso objetivo é colocar cada vez mais esses consultores em campo para ajudar os corretores a encontrarem as melhores soluções para os segurados. Nós auxiliamos na identificação do processo logístico mais adequado e da tecnologia que atenda da melhor forma a operação desse segurado, de forma a aprimorar o gerenciamento de risco em cada caso. Fox News – Quais entraves ainda existem para o desenvolvimento da estrutura de transportes e dos seguros de transportes, no Brasil? Valdo Alves – Entre os fatores que ainda representam um desafio para a aceitação de seguro de Transportes estão a falta de conhecimento do cliente final a respeito da importância da gestão de risco, o volume de

baixo crescimento médio dos prêmios nos ramos de seguro de carga nos últimos três anos? Valdo Alves – Apesar de os números médios de mercado em 2018 já terem apresentado uma boa recuperação, como o Seguro de Transportes está ligado a questões relacionadas ao consumo, os índices de crescimento dessa carteira sobretudo em 2017, 2016 e 2015 também foram influenciados diretamente pelo cenário econômico desafiador do país nos últimos anos. Fox News – Comente sobre o desempenho da carteira de transportes em sua seguradora nos últimos anos. Como foi o fechamento em 2018? Valdo Alves – O setor de Seguro de Transportes vem demonstrando uma consistente recuperação e, em 2018, cresceu 15,3% como um todo. A carteira de transportes da Tokio Marine fechou o ano acima da média de mercado, com aumento de 20,4%. Esses resultados estão alinhados com uma queda nos índices de sinistralidade, que ficaram dentro da nossa meta para 2018 e foram ainda melhores do que no mesmo período do ano anterior. Em 2017, a sinistralidade foi de 64,3%, enquanto, neste ano, foi de 55,5%.

mantemos com estes Parceiros. Nós temos uma equipe especializada em oferecer consultoria de riscos e de possíveis melhorias, desde aspectos logísticos até a localização de fornecedores. Essa equipe trabalha junto ao corretor e ao cliente para orientar quanto a processos e tecnologias que tem impacto direto nessa questão. Fox News – Sobre os prêmios de seguro de carga no Brasil: Quais são as causas do

Como um todo, a Tokio Marine registrou em 2018 o melhor desempenho de sua história de 59 anos no Brasil. Foram R$ 5,15 bilhões em prêmios emitidos em 2018, o que representa um crescimento de 7,9% em relação ao ano anterior. Fox News – Qual a estrutura da seguradora na área de transportes? Quantos funcionários atuam e em quais setores? Valdo Alves – São um total de 63 profissionais diretamente envolvidos com Seguros de Transportes, distribuídos nas seguintes áreas:


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Ÿ

Departamento de Transportes (Novos Negócios/Gestão de Contas): 27

Ÿ

Gerenciamento de Riscos: 16

Ÿ

Operacional de Emissão: 20

Fox News – Qual o volume da carteira de transportes hoje? Qual a representação do market share em transportes, e onde pretende chegar? Valdo Alves – Em 2018, a carteira de Seguros de Transporte da Tokio Marine cresceu 20,4% com um volume de prêmio de R$ 307 milhões, sendo um dos melhores anos desse produto na companhia em termos de crescimento e resultado. A expectativa para 2019 é continuar crescendo em índices maiores com resultado positivo. Quanto ao mercado, acredito que deverá continuar crescendo em patamares superiores aos alcançados em 2018, sobretudo porque há um cenário sócio econômico mais favorável para isso. Fox News – Como a seguradora tem investido no ramo de transportes? Valdo Alves – Somos uma seguradora multiprodutos que está sempre desenvolvendo novas coberturas e serviços para atender um mercado em evolução. Nossos Seguros atendem tanto grandes empresas, quanto pequenos transportadores e embarcadores. No caso de operações de menor porte, os Corretores podem fazer a cotação na ponta, de forma ágil e online. Oferecemos sistemas de consulta e acompanhamento do processo de emissão de apólices, endossos e faturas on-line, e também disponibilizamos um sistema para cálculo de Seguro avulso de Transporte Internacional e Nacional para embarcadores com emissão imediata da apólice, o que facilita muito a contratação pelo cliente e reduz o trabalho operacional do corretor. Fox News – Qual expectativa da seguradora nos aspectos relacionados a prestação de serviços aos parceiros e clientes? Valdo Alves – Queremos estar cada vez mais próximos de nossos clientes, fornecedores e dos corretores que são nossos

principais canais de distribuição. O objetivo é entender as necessidades dos segurados e pensar no desenvolvimento de soluções que possam atender essa demanda. Essa aproximação em todas as frentes de contato contribui também para a conscientização cada vez maior dos empresários da importância do seguro para a continuidade do negócio em caso de sinistro. Esse trabalho é primordial para o desenvolvimento da cadeia como um todo. Fox News – Como funcionam as áreas de gerenciamento de riscos e de regulação de sinistros para evitar perdas no cenário de redução de gastos e adversidades da economia brasileira? Valdo Alves – Nossa equipe especializada oferece consultoria de riscos e de possíveis melhorias, desde aspectos logísticos até a localização de fornecedores. Essa equipe trabalha junto ao corretor e ao cliente para orientar quanto a processos e tecnologias que tem impacto direto nessa questão. Caso a equipe identifique aspectos que impliquem análises ou adaptações específicas, estudaremos um contrato de seguro que seja adequado às necessidades dos segurados. Fox News – Como a seguradora se prepara para a modernização do setor? Quais as demandas com a multiplicação das Insurtechs e como promover ações para melhorar a modernização do mercado de riscos e seguros? Valdo Alves – Especificamente no segmento de transportes, o setor tem acompanhado a implantação do Manifesto Eletrônico de Carga como uma tendência que deve continuar e crescer no país, pois permite um maior acompanhamento e mais agilidade nos processos. A automatização da troca de informações também é outra tendência que está em pauta há algum tempo no mercado segurador. Cada vez mais o controle de sistemas sobre o transporte de carga, seja por rodovias, seja por navegação, deve aumentar. São tecnologias que agilizam o dia a dia do corretor, do segurado, do transportador, do embarcador, há benefícios para toda a cadeia Fox News – Como avalia a aplicação das

novas aplicações de tecnologias e metodologias de Analytics e Bid Data aplicadas ao universo do seguro? Valdo Alves – Informação é uma das principais matérias primas do mercado segurador e o Seguro de Transportes é um forte consumidor dessa matéria. Para isso, a Tokio possui ferramentas de busca, compilação e gestão de dados para fornecer aos subscritores e gestores informações precisas para uma melhor tomada de decisão e gestão, com vista a ofertar aos clientes e corretores coberturas e serviços de assessoria e consultoria em prevenção de perdas, adequadas a cada tipo de operação logística. Fox News – Como mapear riscos emergentes, diversidade de produtos e oportunidade de expansão dos negócios? Valdo Alves – Como mencionado, nós mantemos na Tokio Marine uma equipe dedicada para seguro de transporte, com expertise para orientar quanto a questões de risco. O desafio dessa equipe é justamente apontar como podemos levar os diferentes elementos da operação para cenários que permitam maior tranquilidade do segurado com soluções customizadas de acordo com o perfil e necessidades de cada cliente. O objetivo dos underwriters não é apontar irregularidades nas operações do Segurado, mas sim detectar riscos que possam causar grandes perdas. Fox News – Sobre o desenvolvimento do ramo de transportes: o que poderá contribuir para ofertar produtos mais modernos? Valdo Alves – A Tokio Marine está constantemente investindo em inovação e buscando as melhores soluções em processos e tecnologias para acompanhar as transformações do mercado e as necessidades de nossos clientes. Além da continua evolução das nossas ferramentas de gerenciamento de riscos, acreditamos que o forte relacionamento com clientes e corretores facilita na identificação de pontos de melhoria e demandas específicas para esse setor que possam surgir nos próximos anos.


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ECONOMIA

Há muito o que fazer. Com muita transparência, é oportuno aproveitar o momento de entusiasmo atual São enormes os desafios a serem enfrentados por todos nós, brasileiros, nos próximos anos. Em particular neste, com novo Executivo, um Congresso razoavelmente mudado e um País, sem qualquer dúvida, muito diferente. A pouca experiência dos novos dirigentes, a disposição e a competência dos partidos de oposição e o “fogo amigo”, criarão ainda mais obstáculos para que se chegue a bons termos, muitas das reformas e providências exigidas para “tirar” o Brasil da maior crise jamais vivida. O atual presidente já percebeu que a realidade que se apresenta tem características e variáveis muito distintas daquelas imaginadas antes das eleições, principalmente quando se trata de relações com o Parlamento brasileiro e nas prioridades de governo. O combate à corrupção e o aumento da segurança, por exemplo, são importantes para qualquer sociedade, mas não são, por si sós, soluções para os graves problemas pelos quais passa a economia brasileira. E se o País 2019 é mais “conservador” do que foi nos últimos 15 ou 20 anos, o fato é que os 'ventos' que favorecem o liberalismo econômico estão colaborando com um clima mais otimista junto à toda a classe empresarial que é, sem dúvida, responsável por grande parte dos investimentos necessários para o crescimento e o desenvolvimento econômicos. Ao ter que realizar um conjunto essencial de reformas, o novo governo também se obrigará a estabelecer prioridades, pois nem tudo poderá ser feito. Mas não poderá esquecer, de forma alguma, que ainda existem 12 milhões de desempregados e outros tantos na posição de 'desalentados' ou produzindo abaixo de suas capacidades. Não é preciso, aqui, discorrer sobre os principais problemas econômicos que penalizam a sociedade brasileira, posto que são por demais conhecidos. Mas há

alguns que precisam ser resolvidos (ou ter suas soluções encaminhadas), o mais rapidamente possível, tais como a reversão dos baixos índices de crescimento econômico, a diminuição do desemprego e o equilíbrio das contas públicas, no qual a reforma da Previdência tem precedência. Relacionados e interdependentes, precisam ter providências rapidamente elaboradas, aprovadas e implementadas o quanto antes. No prazo mais longo é preciso aumentar a produtividade nacional, talvez uma das formas mais eficientes de se aumentar a renda per capita do brasileiro. É momento, inclusive, do movimento conhecido como “Indústria 4.0” começar a fazer parte concreta e permanentemente, das agendas dos empresários, empreendedores, executivos e profissionais, sejam eles do setor público ou privado. Aqui a abertura da economia é um instrumento essencial, pois além de aumentar a competição interna, forçando todos a buscarem aumento de produtividade, ainda propiciará maior contato com as novas tecnologias do mundo atual. O Banco Mundial, em estudo recentemente publicado (“Emprego e Crescimento: A Agenda da Produtividade”, para o Brasil), elenca três principais responsáveis pela baixa produtividade brasileira: a) falta de concorrência, tanto interna como externa (ambiente de negócios interno difícil e existência de barreiras tarifárias – ou não – ao comércio); b) concentração de políticas públicas, benefícios e subsídios para empresas já instaladas e que poderiam “andar com suas próprias pernas” (não estimula nem a inovação e tampouco a concorrência); c) excesso de órgãos governamentais, não integrados e sem objetivos claros, e que não controlam corretamente a utilização dos recursos públicos e muito menos a eficácia das políticas públicas específicas

Paulo Roberto Guedes é especialista em Logística, conselheiro da ABOL – Associação Brasileira das Operadoras Logísticas.

implementadas. As relações internacionais e as novas circunstâncias que envolvem o mundo atual também precisam ser levadas em consideração. Queda dos preços das “commodities”, o Brexit, a guerra comercial entre as duas maiores potências mundiais, uma certa preferência do Brasil pelos EUA em 'detrimento' da China, um pouco de “animosidade” brasileira com relação ao Mercosul e os países árabes (transferência da embaixada do Brasil para a cidade de Jerusalém), são assuntos que, se não administrados de forma correta, poderão criar dificuldades ainda maiores. Evidente que qualquer retomada econômica que se queira, irá exigir volumes significativos de investimentos que, em face dos seguidos déficits públicos e o tamanho da dívida pública, deverá ter participação importante do setor privado. Infraestrutura e construção civil, além de mais rapidamente trazerem resultados, também colaboram para resolver problemas específicos, tais como a melhoria de vida das pessoas, diminuição de parte do 'custo Brasil' e aumento da produtividade do produto brasileiro. O Programa de Parceria em Investimentos (PPI), com objetivos bem definidos e a decisão de que ele ficará subordinado à Vice-Presidência da República, são bons indícios. Especificamente, em infraestrutura,


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ratifique-se o que muito já se sabe: é preciso integrar todos os órgãos que tratam do assunto, pois não se pode esperar eficiência nos investimentos se cada ministério ou departamento 'planeja' de forma independente. A criação do Ministério da Infraestrutura é um bom indício. Se por um lado, o discurso pró-mercado, de diminuição do tamanho do Estado, de diminuição da burocracia e de racionalização das atividades públicas tem sido bem recebidas e melhorado o 'humor' de todos aqueles que acreditam em uma economia mais liberal, é também recomendável, e até para que o liberalismo funcione melhor, “um pouco” de planejamento. Aperfeiçoamento dos sistemas regulatórios e clareza na estratégia

adotada são caminhos para que o setor privado sinta-se mais seguro – jurídica e contratualmente – no momento de definir seus investimentos. São fartas as pesquisas que apontam a complexidade da legislação tributária e o excesso de burocracia, de leis e regulamentos, como os principais entraves para que as empresas brasileiras sejam mais competitivas. Se ainda há incertezas sobre a real possibilidade de o novo governo conseguir realizar as reformas e ajustes necessários, é fato que o novo governo ainda desfrutará de razoável período de estabilidade econômica, no qual a inflação, a taxa de juros e o câmbio se mantenham em condições extremamente favoráveis para o Brasil. O Balanço de Pagamentos, até pela bom desempenho

das exportações, continua superavitário e tem colaborado diretamente para o aumento das reservas cambiais. E isso não é pouco, pois permitirá que o governo mantenha suas energias focadas naquilo que, além de necessário, é imprescindível. Portanto, a estabilidade que se verifica em vários dos indicadores econômicos, com previsão de manutenção ainda para este ano, o entusiasmo com o resultado das eleições, a confiança em significativa parte da equipe ministerial e a esperança de dias melhores ajudam muito. Mas essas “forças positivas” rapidamente se dissiparão caso haja qualquer dúvida quanto à capacidade política do novo governo para realizar, pelo menos em parte, tudo aquilo que precisa ser realizado. Bom trabalho a todos!

NA MÍDIA Grupo Fox é destaque na revista Apólice telemonitoramento para motoristas e redundância (espelhamento de sinal das tecnologias utilizadas nos monitoramentos realizados pelas GR´s).

Matéria de página inteira na revista Apólice de abril de 2019 destaca: “Grupo mostra cases de recuperação de carga roubada”. O texto conta que o Grupo Fox tem agregado novas empresas e profissionais especializados, oferecendo suporte completo ao transporte de carga. “São cinco empresas formando um guarda-chuva de proteção ao seguro de transporte: Fox Regulação & Auditoria, Haüptli Advogados e Associados, Norn Engenharia de Risco & Consultoria, One Risk Global (gerenciamento com compartilhamento de informações globalizadas de riscos de seguros) e MedFox Perícias. Os novos serviço proporcionaram mais sucesso na recuperação de cargas”.

“Quando a comunicação do sinistro é recepcionada pela nossa central 0800 24h, nosso sistema disponibiliza a relação de prestadores cadastrados que se encontram mais próximo do local, o mesmo fazendo com as empresas de guincho, munck, empilhadeira e demais equipamentos. Concomitantemente à recepção do aviso de sinistro, a equipe emite alerta aos postos policiais, incluindo guarda municipal, polícia militar, rodoviário e delegacias do entorno”, relata Haüptli.

“Estamos aprimorando nossos trabalhos de inteligência e buscando parcerias para oferecer o melhor ao mercado”, declara Paulo Rogério Haüptli, diretor do Grupo Fox. A empresa atua fortemente na recuperação de cargas e em assistências emergenciais nas estradas de todo país, utilizando as mais modernas tecnologias, como aplicativos de vistoria remota para comissários de avarias, utilização de drones,

Segundo o especialista, “para recuperar carga é preciso tecnologia de ponta, equipe de pronta reposta especializada nível Brasil e Mercosul, parceria com as gerenciadoras de riscos, com os gestores de riscos, com inspetores de campo, e sinergia com a polícia. É indispensável que a reguladora trabalhe integrada as tecnologias de rastreamento para acompanhar passo a passo o conjunto transportador e as iscas,

antes, durante e depois do sinistro”, garante. A matéria traz alguns dos cases de recuperação de mercadorias realizadas recentemente pelo Grupo Fox.


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GARANTIA

O seguro garantia e a retomada do desenvolvimento Marcio Serôa de Araujo Coriolano é Economista e presidente da CNseg, a C o n fe d e r a ç ã o d a s Seguradoras

Nos últimos 30 anos, o Brasil enfrentou – e venceu – desafios imensos. Nos anos 1990 derrotou a hiperinflação e, nas décadas seguintes, superou os efeitos de grandes terremotos financeiros internacionais. Agora, recém-saído da pior recessão desde os anos 1930 e com o início do novo governo, o País tem pela frente mais um grande desafio: avançar nas reformas necessárias ao inadiável ajuste fiscal – com destaque para a reforma da Previdência, – sem abrir mão de uma agenda de retomada do crescimento econômico com justiça social. A infraestrutura ocupa lugar central nessa agenda. Investimentos no setor significam melhoria da qualidade de vida dos brasileiros em áreas fundamentais como saneamento e mobilidade urbana, geração de empregos e a ampliação da presença competitiva do Brasil na economia global, com mais e melhores ferrovias, rodovias, aeroportos, portos e bons serviços de energia elétrica, telefonia e outros. Em um momento no qual o País decidiu abandonar modelos que derrubaram o emprego e a renda média, viabilizar investimentos em infraestrutura é algo estratégico para a reconstrução, modernização e reconstrução da vida nacional.

Nesse cenário, a Confederação das Seguradoras (CNseg) considera que a inserção do seguro garantia obrigatório para grandes obras públicas é tema prioritário. Trata-se de uma modalidade de seguro que reforça o arcabouço para a estruturação de financiamento e garante o cumprimento das obrigações assumidas pelo contratado, eliminando a necessidade de recorrer a garantias como o patrimônio das empresas (o que frequentemente põe em risco sua sobrevivência) ou fianças bancárias (que já se demonstraram ineficazes para as amortizações de longo prazo características dos empreendimentos de infraestrutura). O objetivo é garantir que a obra seguirá no ritmo esperado, e que a construtora contratada será rapidamente substituída por outra se abandonar os trabalhos. O seguro garantia é instrumento crucial para melhorar a qualidade, a transparência e a execução de projetos governamentais, em parceria com a iniciativa privada, e deixar para trás um modelo que resultou na paralisação de milhares de empreendimentos. Estudos recentes dão conta de que existiam em 2016 mais de 2.500 obras paralisadas no Brasil, sendo pouco mais de 500 delas de infraestrutura.

Ainda que muitas tenham sido retomadas, esses são números preocupantes. Obras paradas significam população privada de serviços, e dinheiro do contribuinte escorrendo pelo ralo – além de configurar sinal negativo para potenciais investidores. De acordo com o Ministério do Planejamento, a maior parte das paralisações acontece por problemas técnicos, abandono da obra pela empresa responsável e dificuldades financeiras. São informações que reforçam a importância do seguro garantia, figura que já existia nos Estados Unidos do século XIX para apoiar obras voltadas ao desenvolvimento do país e dar bom destino aos impostos pagos pelos cidadãos. Em 1893, o Congresso americano aprovou o “Heard Act”, estabelecendo a obrigatoriedade das garantias em todos os contratos governamentais, dando mais segurança à aplicação dos recursos públicos. A primeira seguradora especializada nessa modalidade de seguro surgiu em 1895, na Filadélfia. No Brasil, o tema precisa de mais a t e n ç ã o . Tr a m i t a n a C â m a r a d o s Deputados o Projeto de Lei 6814/2017 (apensado ao PL 1292/1995), que prevê alterações na Lei de Licitações, com a adoção de seguro garantia obrigatório para obras acima de R$ 100 milhões, e ampliação da garantia para 30% do valor do empreendimento. A lei atual já permite (mas não obriga) a contratação de seguros, que podem variar de 5% a


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10% do valor da obra. Hoje, a maioria dos seguros é de 5%. Nossa proposta para o novo seguro garantia tem como parâmetros práticas do mercado internacional. Existe um largo atraso a superar. Os investimentos nesse setor não passam de 1,67% do PIB, quando o ideal seria uma taxa de 4% a 5%, ou algo em torno de R$ 300 bilhões por ano ao longo de uma década. O desafio é grande, mas entendemos que há motivos para estarmos otimistas. Apesar de persistirem incertezas no horizonte, a c o n f i a n ç a c o m e ç a a r e t o r n a r. A Fundação Getúlio Vargas registrou, em janeiro, o primeiro resultado positivo no Índice de Clima Econômico depois de três trimestres consecutivos de níveis negativos, o que significa expectativa de retomada de investimentos e contratações. E os movimentos iniciais do governo federal são alentadores.

Na infraestrutura, que voltou a merecer um ministério, o plano é realizar leilões de 23 concessões de aeroportos, ferrovias e terminais portuários dentro dos primeiros cem dias de governo. Já se percebe também movimentação de investidores interessados em explorar as possibilidades de parceria em obras públicas. Os empreendimentos necessários a dotar o país de infraestrutura compatível com seu tamanho e importância na geopolítica mundial envolve desafios logísticos relevantes e exige atualização de marcos regulatórios, o que confere ao seguro garantia importância ainda maior. No mundo inteiro, o setor de seguros passou a fazer parte da pauta de mudanças de políticas macroeconômicas pelas quais, em maior ou menor grau, todos os países passam hoje, com menor participação dos governos em setores como saúde, previdência e infraestrutura. No Brasil,

queremos estar no centro das políticas públicas, junto com o setor de resseguros em coberturas de grande valor, fundamental para o equilíbrio do sistema, como garantidor da atividade seguradora. O apoio ao desenvolvimento brasileiro será o tema do 8º Encontro de Resseguro, que se realiza em abril, no Rio de Janeiro. No Brasil, o setor de seguros dispõe de ativos para garantir riscos assumidos da ordem de R$ 1,2 trilhão, equivalentes a 25% da dívida pública brasileira, montante que o posiciona entre os grandes investidores institucionais do país. As seguradoras estão preparadas e confiantes na recuperação, apostando que é possível devolver ao Brasil o desenvolvimento frustrado, a melhoria da infraestrutura, a competitividade, a liberdade de empreender e a reconquista do emprego.

RESSEGUROS Você devia conhecer os brokers de resseguros Na cadeia de negócios do nosso mercado, somente o corretor de seguros e o broker de resseguros são facultativos, o segurado, seguradora e o ressegurador estão em todos os negócios. Em geral, o corretor se viabiliza em riscos maiores ou mais complexos, a partir de seu network profissional e de sua capacidade de entregar o que o cliente precisa em termos de cobertura, preço e, principalmente, serviço. A especialização e o acesso a seguradoras e seus canais de distribuição ajudam muito, porém, certamente todo corretor teve ou terá à sua frente uma oportunidade de um bom negócio com a promessa de um bom prêmio cujo serviço não está preparado para entregar. Isso apode acontecer por diversas razões, como: dificuldade de encontrar seguradora interessada, preço, conhecimento técnico

ou até mesmo tempo e foco para buscar a solução. É aí que “as onças podem beber água”, pois o corretor levanta uma oportunidade para o broker – que não deve ter interesse na corretagem da apólice na ponta – e o broker retribui ajudando o corretor a encontrar cobertura para riscos difíceis com preços competitivos além de seguradoras interessadas no negócio. Quando as peças se alinham desta forma, como elos da corrente de negócios, é mais fácil ganhar e mais difícil perder um negócio, até porque fica mais simples entender o processo de formação de preço. O Brasil conta hoje com cerca de 20 brokers. Meu conselho aos colegas é: – Se tiver uma oportunidade deste tipo,

Renato Cunha Bueno é sócio-diretor da ARX Re Corretora de Resseguros e coordenador da Comissão Grandes Riscos e Resseguros do Sincor-SP.

procure um broker, não esquecendo de que ele geralmente precisa de pelo menos um mês de prazo para trabalhar e desenvolver o melhor negócio. Melhor ainda é procurar um destes profissionais antes da tal oportunidade aparecer para entender como funciona e quando o resseguro facultativo ajuda, além, é claro, de estabelecer uma forma de acesso a este tipo de solução.


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INVESTIMENTOS

Aumento da propensão a riscos em investimentos é tendência no cenário de juros baixos O atual cenário de juros baixos tem sido uma novidade desafiadora para os investimentos dos brasileiros. Acostumados a um quadro bem diferente, com juros altos, as pessoas estavam confortáveis com suas aplicações conservadoras, optando em sua maioria por poupança, previdência renda fixa e fundos de renda fixa. Porém, com a Selic a 6,5% e com as chances cada vez maiores de permanecer nesse patamar em 2019, o menor da história do País, o brasileiro terá que sair da zona de conforto e tomar mais riscos para obter retornos incrementais. Um levantamento recente do MIT e Harvard mostra que pessoas em ambientes de baixa taxa de juros investem significantemente mais em ativos de risco do que pessoas em ambientes de juros elevados. Investidores individuais quando submetidos a situações em que ativos de risco, que possuem o mesmo prêmio de risco e a mesma volatilidade, porém partindo de níveis distintos de juros básicos, tendem a alocar em ativos com maior risco quando o juro básico é menor. Com isso, os investidores devem ter uma propensão maior a correr riscos para obter rendimentos melhores em suas aplicações em 2019. Adicionalmente, investidores individuais tendem a se movimentar por notícias recentes, variações extremas de preço e aumento de volumes negociados, ou seja, com o

aumento de veiculações nas mídias sobre a performance da renda variável também poderá levar mais investidores a adquirir ativos de maior risco. Não haverá mais espaço para ficar acomodado na renda fixa. Segundo dados recentes da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), as aplicações que contém renda variável significam somente 2% do total das reservas dos planos de previdência. Devido à grande quantidade de fundos de previdência disponíveis, cabe esclarecer que o primeiro passo para as pessoas se familiarizarem com risco são os fundos multimercados e balanceados com alguma parcela de renda variável. Estes fundos apresentam uma volatilidade maior que a renda fixa, porém são mais amenos que uma exposição a ações. Um estímulo adicional a aplicações em renda variável é a baixa penetração dos fundos de previdência. Somando os fundos de pensão e os de previdência aberta encontramos uma participação de 23% do PIB, enquanto em países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) essa taxa alcança 130%. A combinação de taxa de juros menores com a necessidade de formação de poupança de longo prazo, gera a situação ideal para que os indivíduos iniciem suas alocações em ativos de maior volatilidade.

John Liu é diretor Executivo de investimentos da Zurich Brasil Seguros e ZurichSantander Seguros e Previdência

Fatores macroeconômicos também influenciam. A consolidação do novo governo, a possível entrega das reformas fiscais, a estabilização da inflação, a conjuntura internacional mais recessiva são fatores que contribuem para a manutenção da taxa de juros em níveis reduzidos, o que historicamente não presenciamos no passado e que poderá nos levar a outro nível de alocação em renda variável. Para 2019, prevemos a continuação do movimento de maior apetite por riscos. Hoje, a indústria de previdência privada já oferece fundos com vários níveis de alocação em ações, desde 0% até 70%; além de fundos multimercados, de i n f l a ç ã o e d e c r é d i t o . Ta m b é m observamos a necessidade de aumento da educação financeira para os investidores individuais; a qual permitirá que cada pessoa possa tomar as corretas decisões sobre seu patrimônio.


ENTREVISTA

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Desafios e oportunidades no seguro de Transportes Confira o bate-papo exclusivo com Diego Gomes, gerente de Transportes da Chubb Seguros, sobre os principais desafios e oportunidades, bem como a atuação da seguradora, neste segmento. Fox News – Quais são os principais desafios que precisam ser enfrentados pelo setor de seguros de Transportes, no Brasil?

interesse de várias seguradoras pelo segmento. Fox News – De que forma a estrutura da Chubb se diferencia na área de transportes? Diego Gomes – A Chubb se diferencia principalmente pela sua cultura de subscrição superior, que permite análises minuciosas e condições precisas que

Diego Gomes – Podemos elencar os altos índices de sinistros, com destaque para o roubo de carga, além de alta quantidade de eventos de fraude e intensa competição entre as seguradoras – que atuam com margens mínimas.

Atendemos nossos parceiros corretores de forma especializada e com equipes direcionadas, tanto para corretoras internacionais como para corretoras locais de grande ou menor porte. Ofertamos também programas específicos de incentivo, como o programa Cornestone, que visa valorizar nossos parceiros através de benefícios adicionais.

Outro desafio se refere aos investimentos do cliente em produtos e serviços que acabam concorrendo com o seguro, tais como segurança, gerenciamento de risco, taxa de Gris ou Ad-valorem. Não são raros os casos em que esses itens totalizam um valor maior do que o próprio seguro.

Fox News – Como as áreas de gerenciamento de riscos e de regulação de sinistros contribuem para evitar perdas? Diego Gomes – Através da análise dos riscos de cada operação, é possível planejar soluções mais precisas para evitar perdas, com base na quantidade de ocorrências, dados de mercado, estatísticas oficiais e, principalmente, nas características de cada cliente.

Por outro lado, a concentração das atividades no modal rodoviário e o fato do mercado de transporte estar ainda em amadurecimento constituem outras adversidades que precisam ser enfrentadas. Fox News – O que prejudicou o crescimento do setor nos últimos três anos? Diego Gomes – A desaceleração da economia representa um dos principais fatores, pois impacta diretamente na movimentação de materiais no país, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Outro fator importante é o crescimento do desemprego, que influenciou os índices de criminalidade e, por consequência, causou um sensível aumento nos roubos de cargas. Um terceiro fator, associado com os dois anteriores, é a diminuição dos prêmios de seguro, que reduziu o

empresa global e alta capacidade financeira para dar o conforto que nossos clientes buscam ao contratar suas apólices. Nossa estrutura nos possibilita trabalhar de igual maneira para pequenas, médias e grandes empresas.

possam atender nossos parceiros corretores e segurados em suas necessidades. Entendemos que cada risco é único e, por isso, procuramos sempre oferecer produtos e condições específicas, dando suporte necessário para que nossos clientes possam desenvolver suas atividades e buscar crescimento. Também utilizamos nossa solidez como

Estamos sempre trabalhando de forma conjunta, com os especialistas de cada área, e atuando preventivamente junto às operações de nossos clientes. O trabalho de regulação dos sinistros contribui com um refinamento das estratégias de mitigação de riscos através das informações que são apuradas no atendimento dos eventos. Os especialistas em gerenciamento de riscos buscam constantemente novas tecnologias que proporcionam o acompanhamento das etapas importantes da operação de transporte. Entre outros vários recursos, as ferramentas de IoT (Internet das Coisas) permitem maior acessibilidade a dados relevantes para análise dos riscos.


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SINISTROS

A tecnologia e a experiência precisam se unir no combate às fraudes de seguros De acordo com o Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa – Michaelis – a fraude é uma atitude, ação ou atividade de má-fé, que tem por objetivo enganar, prejudicar ou ludibriar um indivíduo, ou uma organização, por meio de mentira ardilosa, falsificação de documentos, marcas ou produtos. Do latim “fraus”, uma fraude é uma ação contrária àquilo que é verdade e àquilo que é correto e honesto. A fraude surgiu imediatamente após a criação do seguro. Naquele momento, há centenas de anos, foi criada, também, a figura do fraudador. Como na maioria das fraudes não existe contato físico entre o fraudador e o fraudado, nem o emprego de violência, sua ocorrência tende a não gerar comoção na sociedade e, às vezes, por vergonha, muitas delas nem são denunciadas. Mas, apesar disso, não se iluda, os prejuízos financeiros acarretados pelas diversas modalidades de fraude são imensos, superando algumas centenas de milhões de dólares. Uma pesquisa internacional da Coalition Against Fraud aponta que por volta de 11% a 15% das indenizações pagas tenham algum tipo de irregularidades. No Brasil, o relatório do 15º Ciclo (2017) apresentado pela Confederação Nacional

das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), através do seu Sistema de Quantificação de Fraudes (SQF), aponta que os sinistros ocorridos somaram aproximadamente R$ 33 bilhões. Desse total, R$ 5,2 bilhões foram resultados de sinistros suspeitos, o que corresponde a 15,8% do valor total dos sinistros ocorridos. O valor das fraudes que puderam ser comprovadas neste período somou aproximadamente R$ 730,1 milhões, o que representa aproximadamente 14,1% do valor dos sinistros suspeitos. Entre principais ingredientes para a prática da fraude no seguro estão a falta de bons controles internos e de mecanismos de avaliação de riscos por parte das seguradoras, métodos de supervisão e regulação deficientes, além de um sistema judicial que apresenta lacunas, onde os criminosos encontram espaço para atuar. Os mecanismos de avaliação e prevenção às fraudes têm evoluído muito ao longo dos anos, e os profissionais responsáveis pela perícia e investigação têm se tornado cada vez mais importantes no processo de regulação de sinistros. Quando aliado à evolução tecnológica, esse trabalho está se tornando cada vez mais sofisticado e eficiente na detecção de

Rita Hernandes é A s s i s t e n t e Té c n i c o Pericial / Perita Judicial. Co-fundadora do Canal de Perícia – escritório especializado na análise de crimes cibernéticos, fraudes contra seguradoras, crimes econômicos e financeiros, e documentoscopia.

irregularidades, dando às seguradoras maior confiança em seus programas antifraude. Nesse cenário, as empresas de seguros precisam encontrar a maneira certa de combinar três temas que são pilares de atuação: o hardware, o software e o peopleware. Aliando a utilização de sistemas que eliminam o trabalho repetitivo, ao conhecimento e contato humano de seus colaboradores. E, quando falamos em tecnologia, estamos nos referindo a uma vasta gama de produtos. Sistemas de Inteligência Artificial (IA), sistemas de “machine learning” e IoT (Internet das Coisas, em português), smartphones, drones, algoritmos avançados aplicados em bancos de dados alimentados por peritos experientes em detecção de comportamentos suspeitos, entre outras possibilidades.


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As seguradoras estão percebendo a importância de investir em tecnologia e capacitação, e essa tendência precisa aumentar ainda mais, possibilitando às empresas de tecnologia fazerem investimentos que levem inovações aos processos, visando garantir o melhor resultado possível para o mercado segurador. Já imaginaram o ganho obtido, e a redução de custos no combate à fraude, caso as seguradoras e os segurados trabalhassem em conjunto na montagem de um cadastro único de sinistros e resultados de investigações? E, para atingir os benefícios propostos pela tecnologia, sempre precisaremos de dados, e seria contraproducente continuar mantendo essas informações em “silos”. Enfim, ainda é um mundo de oportunidades para ser desbravado. E para concluir de uma forma mais leve, trago alguns casos reais, e curiosos, que mostram toda a “versatilidade” dos fraudadores! A morte acidental, que na verdade foi natural. Como os valores de indenização por morte acidental chegam a ser o dobro daqueles em caso de morte natural, alguns amigos resolveram dar uma última “ajuda” a um segurado. Depois de ter um infarto fulminante durante uma festa, seus companheiros levaram seu corpo para o segundo andar do prédio, e o jogaram lá de cima. É...não deu certo.

Carro “supostamente” roubado. Durante uma investigação de sinistro de automóvel, os peritos encontraram um vídeo que mostrava o veículo cruzando a fronteira. A segurada foi chamada para uma reunião, para ver as imagens. Ao chegar à seguradora, ela, que estava acompanhada pelo seu marido, disse: “Querido, acharam o nosso carro!”. Porém, ao assistir ao vídeo, veio a enorme surpresa. Era ele quem dirigia o carro. Ela não sabia que ele havia mentido, e o casamento deles quase acabou por conta de uma fraude. Segurado em estado terminal que antecipou sua morte para beneficiar a família. Infelizmente, algumas pessoas adotam essas medidas extremas quando a família está muito endividada e a fraude é vista como o último recurso para solucionar o problema. Em uma dessas situações, o segurado “caiu” da janela do quinto andar de seu apartamento, supostamente ao se desequilibrar durante a limpeza dos vidros. O pior, se é que essa situação já não é ruim o suficiente, foi que sua esposa acompanhou todo o ocorrido, para dar ainda mais veracidade ao seu relato. Automutilação que vira acidente de trabalho Por incrível que pareça, a automutilação é uma prática muito usada para fraudar as seguradoras. Um dos casos mais emblemáticos de mutilação ocorreu em

Santa Catarina. Uma quadrilha de corretores atuava junto a lavradores, e operava em duas frentes: na emissão e no sinistro. Após a emissão do seguro de acidentes pessoais, os próprios corretores decepavam os dedos, e até as mãos, dos trabalhadores, alegando que se tratava de acidente de trabalho. A quadrilha foi desarticulada em 2008, numa ação que ficou conhecida como “Operação Cinco Dedos”, depois de uma investigação de seis meses, realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE). O órgão estima que o golpe tenha chegado a movimentar 1,5 milhão de reais. A quadrilha pagava de 5% a 30% do valor da apólice para o lavrador, que valia entre 60 e 700 mil reais. Capotamento intencional Durante uma palestra de prevenção à fraude, o procurador aposentado da Justiça do Estado de São Paulo, Roberto Tardelli, citou um tipo de fraude muito conhecida, mas que até hoje ainda não pode ser comprovada. “Existe uma curva na rodovia Régis Bittencourt, que liga o Paraná a São Paulo, que tem sido usada para capotar carros. O segurado paga o chamado “capotador” para passar por essa curva e capotar o carro para que ele acione a seguradora fingindo ter sofrido um acidente, e receba a indenização. A fraude é tão recorrente que esses homens só fazem isso da vida, eles são conhecidos como “capotadores profissionais”.


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TECNOLOGIA

Como gerenciar o risco de fraude na era digital A transformação digital está mudando a maneira como as pessoas vivem e, consequentemente, houve um aumento no volume de dados gerados, sejam eles estruturados ou não. Com essa convergência também surgem novos riscos e os métodos tradicionais de prevenção de fraudes não acompanham a velocidade necessária para se adaptar a esse novo cenário.

combinar o uso de uma autenticação mais forte (e não mais camadas de autenticação) com análises avançadas. Os principais exemplos desse tipo de autenticação são o uso de tokens, medidas de segurança biométrica (facial, impressão digital e voz), senhas de uso único e 3D Secure para compras online - todos já colocados em prática no nosso dia a dia.

O principal desafio na segurança e na prevenção de fraudes é que as ameaças também estão se tornando cada vez mais sofisticadas e globalizadas. Os fraudadores podem acessar facilmente novas informações ou falhas e compartilhálas rapidamente por meio de redes complexas que abrangem todo o mundo. Em contrapartida, as empresas devem responder com investimentos em inteligência por meio de recursos humanos experientes em prevenção a fraudes e uso de ferramentas e sistemas que permitam a essas pessoas aplicar as mais avançadas tecnologias e metodologias analíticas.

Quando nos referimos a Análise Avançada na prevenção de fraudes, estamos falando do uso de modelos preditivos, redes neurais (deep learning), análise de links, machine learning e detecção de anomalias. Essas técnicas complementam as estratégias atuais, baseadas em regras de negócios estáticas, e estão em uma tendência crescente, principalmente devido ao novo volume de dados gerado nesta era de transformação digital.

O que as empresas líderes de mercado fazem para se manter à frente na segurança e na prevenção de fraudes é

Hoje, os dados são o ativo mais valioso para detectar e evitar fraudes. Embora existam obstáculos como dados em silos, dados de baixa qualidade, fontes diferentes não integradas, falta de recursos humanos analiticamente qualificados, o investimento necessário para ter uma boa estrutura de gestão de dados permitirá transformá-los em valores agregados, seja resolvendo problemas de negócios ou problemas regulatórios. O retorno é muito compensatório para a empresa. É sempre possível começar pequeno, usando a análise de dados para atingir algumas metas e resultados iniciais e, em seguida, expandindo essa cultura dentro da companhia. Ta m b é m é i m p o r t a n t e t e r u m a ferramenta completa de prevenção de fraudes que ofereça suporte à área de negócios para implementar e integrar a autenticação e possibilitar a Análise Avançada. Atualmente, os padrões mínimos que uma empresa deve procurar nesse tipo de solução são:

Robson Ohosaku é gerente de Inteligência de Segurança do SAS (líder global em Analytics e a maior empresa de software de capital fechado do mundo) na América Latina

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Facilidade de integração e preparação de dados para análise;

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Acompanhamento de transações com regras e modelos otimizados que funcionam em tempo real, com uma visão única do cliente;

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Capacidade de geolocalização e análise de ID de dispositivo para contas móveis e digitais;

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Gestão integrada acessível em toda a empresa para dar suporte a alertas e investigações necessárias;

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Visualização de dados por meio de relatórios e gráficos estruturados para a rápida identificação de eventos, atividades ou conexões potencialmente suspeitas.

Os líderes de todos os setores bancários, seguros, serviços e governo, entre outros - estão trabalhando para simplificar a experiência do cliente com opções de pagamento e serviços online e móveis, fechando as portas da fraude e da exposição. Equilibrar segurança e conforto requer uma abordagem que combine a autenticação voltada ao consumidor com medidas de segurança em segundo plano, como a análise do comportamento do usuário, por exemplo. O investimento não é trivial, mas os retornos e a confiança obtidos valem a pena.


VIDA

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População idosa deve ter acesso a seguro de vida? A população de pessoas com mais de 60 anos no Brasil foi inferior a 10% durante todo o século XX. Na última década, porém, esse perfil passou por rápidas transformações. De acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2005 e 2015, a proporção de pessoas com mais de 60 anos de idade cresceu em velocidade superior à da média mundial, saindo de 9,8% para 14,3%. Isso significa que dos 207 milhões de brasileiros, mais de 26 milhões estão acima dos 60 anos. A previsão é de que em 2027, menos de 10 anos, portanto, essa fatia chegue a 37 milhões de pessoas. Os idosos ou a população da terceira idade sempre permaneceu esquecida pela maior parte dos setores da economia. Avaliava-se, talvez, que eles já não teriam mais desejos ou necessidades específicas a serem atendidas. Ou que os mesmos produtos, serviços e atendimentos prestados à população adulta em geral deveria ser direcionada a eles. Porém, conforme aponta levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, a realidade é justamente contrária. A pesquisa mostra que 34% dos idosos brasileiros sentem falta de produtos específicos para atender suas necessidades. Nos últimos anos, estamos assistindo a uma movimentação – que poderia ser em volume um pouco maior – de empresas que passaram a se dedicar a esse público crescente. Isso é realmente importante. Os produtos mudaram, a tecnologia avançou absurdamente, a velocidade de informações é outra, assim como o vestuário, modo e

estilo de vida, acesso às informações, viagens, condições de compra. Tudo mudou e muda diariamente. As pessoas continuam querendo ser bem atendidas em suas necessidades, olho no olho quando a compra é presencial, com agilidade e informações coerentes. Os detalhes fazem toda a diferença, não importa a faixa etária. São os detalhes diferentes que contam: usabilidade, custos, aplicação, características. Por isso, sim, a população idosa deve ter acesso e poder contratar um Seguro de Vida adequado à sua realidade assim como pessoas de qualquer outra idade podem e fazem. Por que não contemplar nesses seguros serviços de acompanhantes, cuidadores, auxiliar de enfermagem,

F r a n c i s c o d e As s i s Fernandes é diretor Comercial da American L i fe , s e g u r a d o r a brasileira reconhecida por oferecer seguros a nichos específicos.

de chaveiro, eletricista, encanador, entre outros, além de dicas de nutrição e orientação para a realização de atividades físicas para os segurados? Que ofereça desconto em medicamentos e, especialmente, indenização em caso de morte do titular, seja por acidente ou causas naturais?

nutricionistas, fisioterapeutas, serviços odontológicos; acompanhamento a laboratórios e médicos, orientação para caminhadas, personal trainer especializado nesta geração?

Claro, muitos pensarão que um seguro para essa fatia da população representa um grande risco para uma seguradora. Porém, com o crescimento dessa parcela da nossa sociedade - não só no Brasil, mas em todo o mundo - com o aumento da expectativa d e v i d a e , principalmente, com todo o avanço médico e da tecnologia, é possível oferecer um bom seguro a essas pessoas, de modo que resguardem suas necessidades e de suas famílias e possa, além de tudo, dar alguma segurança a esses cidadãos.

Por que não disponibilizar um seguro desenvolvido especialmente para esse público e que garanta alguns benefícios importantes para o dia a dia da família, como assistência residencial, com serviços

Que bom que já há empresas no mercado atentas a isso! Que outras empresas em muitos outros segmentos também possam abrir os olhos para as necessidades e vontades desses consumidores também!


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OUTRA LEITURA

Fotos de documentos Minha saga com fotos de documentos começou quando eu tinha 10 anos de idade. Na época, eu praticava (ou pelo menos tentava praticar) Ginástica Rítmica em uma conhecida associação desportiva e por haver a possibilidade da turma disputar alguns campeonatos regionais todas as alunas foram solicitadas a fazerem seus documentos de registro geral (também conhecido como RG) para que pudessem providenciar a documentação necessária para viajarem sem os pais. Nunca houve nenhuma viagem dessas, mas eu e minha irmã mais velha (então com 13 anos) atendemos a solicitação e tiramos nosso RG, como se dizia na época.

linda. Pois não é que até ela já foi vítima da foto de documento? Quando fomos tirar o seu visto americano, ela, no auge dos seus 4 anos de idade, se esforçou para fazer a cara de séria que estavam pedindo e o resultado não podia ter sido pior... Por outro lado, consegui utilizar no RG dela uma foto 3x4 tirada por fotógrafos profissionais, o que resultou num documento que até dá gosto de ver, de tão bonitinho! Por outro lado, minha mãe, uma senhora, chegou a ir pessoalmente reclamar num órgão oficial sobre a foto tirada dela, que além de ser horrorosa, ainda tinha a capacidade de quase desaparecer em

Bom, mas o tempo foi passando e eu fui crescendo, junto com a vontade de atualizar a versão do RG. Lembro de uma específica, num dia que eu tinha acabado de sair da piscina do clube e “simulei” estar vestida de maneira social – até colarzinho de pérola eu pus. E o cabelo, bom deixa pra lá.

Eu cresci, casei, passei por centenas de fotos 3x4 e tive minha filha, que a despeito da minha opinião totalmente não-isenta, é

É perigoso até estilhaçar a tela, como uma maldição de algum espelho encantado! E cansada de achar que sou a pessoa menos fotogênica do mundo, fiz algumas pesquisas com outros cidadãos com relação ao famigerado e-Título e o resultado é que estamos seriamente pensando em processar a Justiça Eleitoral por danos morais! A foto do meu marido poderia muito bem ser utilizada em qualquer cartaz de “Procurase”, de tão assustadora. Já uma amiga minha, cuja identidade preservarei justamente para manter a amizade, ainda esboçou um sorriso, e o resultado final me lembrou a personagem “Quarta-feira” num dos filmes da Família Adams, quando a peculiar primogênita tenta fazer uma expressão simpática.

Até hoje eu não entendo como o meu cabelo conseguiu ficar do jeito que ficou quando tiramos a foto na delegacia de Santo André. Eu ainda tenho o documento e de tempos em tempos, quando me deparo com ele, fico tentando me lembrar de que maneira eu posso ter penteado o cabelo para ele ter ficado daquela maneira.

Durante minha adolescência, houve um episódio marcante envolvendo fotos 3x4 – em uma das tentativas de ter um documento decente, o tiro saiu pela culatra e a foto que IRIA ser usada foi carinhosamente apelidada de “empregada assassina” pela minha irmã, aquela mesma do meu primeiro RG. A foto era tão assustadora que era utilizada para me chantagear quando ela queria alguma coisa emprestada! Ela guardava uma cópia da foto e usava contra mim nos momentos certos. Ah, o amor fraternal...

Luciana Miliauskas Fernandes, formada em Processamento de Dados, trabalha atualmente com Controles Internos e Auditoria. Seu hobby é escrever, de tudo um pouco, mas adora mesmo ser uma crítica informal de cinema.

qualquer cópia que se faça do documento. Pois minha mãe escutou dos simpáticos atendentes que eles concordavam com a revolta dela mas que não havia nada que pudesse ser feito. E então, quando eu achei que já havia sido humilhada o suficiente nesta vida no quesito fotos de documentos, eis que resolvo transferir meu domicílio eleitoral para as eleições de 2018. Nossa justiça eleitoral, no afã de se atualizar, disponibilizou aos cidadãos o app conhecido como e-Título. O app realmente é bem fácil de usar e facilita na hora de votar, mas... cadê a coragem de mostrar aquela foto que aparece na tela do celular?

O fato é que, a cada foto de documento medonha que recebo, acabo me convencendo de que não sou tão feia pessoalmente quanto apareço nas imagens e vou tocando a vida... Mas sei lá, deve ser muito bom apresentar documentos oficiais sem nenhuma vergonha da reação do atendente... E você, por acaso faz parte do 0,00000001% da população que fica feliz com as próprias fotos de documento? Se for, considere-se uma pessoa iluminada!!!!! E por favor, entenda a minha inveja... Beijos fotogênicos, Luciana


GRUPO FOX Fox Regulação & Auditoria, Haüptli Advogados e Associados, One Risk Global, MedFox, NORN Risk Consulting & Engineering - guardachuva de serviços para uma análise plena de riscos.

Mais de 20 anos de atuação em regulação e auditoria em sinistros

Escritório especializado em Direito do Seguro para atender seguradoras em suas análises de sinistros

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Tem como objetivo, apoiar o mercado na prevenção de perdas (loss prevention) e zelar pela aplicação de cuidados e normas de segurança

Gerenciamento com compartilhamento e utilização de informações globalizadas de riscos de seguros

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