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André Seoane Antelo

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Opiniom

Nº 50. Outubro, Novembro e Dezembro de 2008

Umha Espanha de esquerda é possível?

O questionamento da monarquia imposta polo franquismo e a liberdade dos povos oprimidos marca a linha divisória entre a esquerda e a pseudo-esquerda

Todo o mundo sabe que durante os últimos anos estamos a passar por umha fase de readequaçom e rearmamento do nacionalismo espanhol. Umha revisom do arsenal ideológico que tem como objectivo permitir abordar definitivamente, ou quando menos essa é a intençom, a soluçom do “problema nacional espanhol”. Como seria esperável, a faceta mais visível desta ofensiva ideológica do espanholismo está a ser levada avante pola versom reciclada da tradicional “caverna espanhola”. Nom é um acaso que seja a emissora radiofónica da conferência episcopal o emblema do renascer da extrema-direita, no fim de contas a aliança do espanholismo e a Igreja católica vem de velho. Mas nom é este o momento de avaliar qual está a ser a actividade deste sector, embora seja de muito interesse e absolutamente preciso dar atençom ao que mudou na extrema-direita para lhe permitir apresentar umha face renovada e com capacidade de mobilizaçom de massas. Mas desta vez consideramos ainda mais necessário fazer umha breve reflexom sobre outra póla do nacionalismo espanhol, a que apresenta um face mais amável, mas nom por isso menos negadora dos direitos nacionais do nosso povo e das outras naçons sem Estado submetidas por Espanha.

Assim, de jeito paralelo ao ressurgir do espanholismo de direita, tem avançado também a reconfiguraçom de um espanholismo que pretende situar-se numha posiçom ideológica de esquerda. Reconfiguraçom que tem a sua visualizaçom mais nítida na reivindicaçom de umha futura Terceira República espanhola. Curiosamente, o avanço e visibilidade do “novo republicanismo espanhol” coincide no tempo com a enésima crise na organizaçom referente da maioria da “esquerda espanholista”, a coligaçom IU, mas tal situaçom nom é contraditória se repararmos que umha boa parte das vozes críticas no interior dessa organizaçom fam responsável polo seu esfarelamento a excessiva ligaçom mantida nalgum momento entre IU e alguns sectores de determinados movimentos nacionalistas, ou à assunçom de reivindicaçons próprias dos movimentos de emancipaçom nacional. Deste jeito, e como símbolo do rearmamento da ideia de umha Espanha que se poderia construir a partir da esquerda, nos dias de hoje a bandeira espanhola tricolor volta a ser um elemento presente nas mobilizaçons populares, levantada com orgulho por quem acredita em tal ideia. E, mais umha vez, voltam a escuitar-se as vozes dos papagaios que reiteram de mil e umha maneiras os velhos tópicos da esquerda

estatalista: o nacionalismo é um movimento burguês, @s operari@s nom tenhem pátria, as luitas nacionais

disgregam a esquerda, et cetera... Velhos retrousos contra os quais a esquerda independentista galega, e o conjunto de movimentos de libertaçom nacional de todo o mundo, temos combatido; sabedores como somos que Espanha nom pode ser reformada: simplesmente há que destrui-la. Porém, nom deixa de ser curioso como a esquerda espanholista olha para outro lado quando se chama a atençom sobre o facto de que a suposta disgregaçom de forças que provoca a luita de libertaçom nacional tenha dado lugar a que, precisamente, lá onde existe um conflito nacional de importáncia dentro do Estado espanhol, seja onde a esquerda se ache num melhor nível de actividade e presença real. Mas, por muito boas que fore as intençons do “espanholismo progre”, a realidade nom deixa de ser a que é. E Espanha só é um aparelho em maos da oligarquia para exprimir de um jeito mais eficiente a mais-valia da classe operária, e nesse senso a discriminaçom e opressom das naçons inseridas à força no seu seio é mais umha ferramenta para optimizar a exploraçom. Simplesmente para a tornar mais eficiente.

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E, por muito que se empenhem, nom podem mudar o facto de que para construir Espanha tenhem que passar sobre o cadáver da Galiza e das outras naçons sem Estado. Naçons às quais Espanha, imperial ou republicana, nom sabe fazer mais que negar-lhes a soberania, aniquilar a sua língua e cultura, e explorar ao máximo os seus recursos. Factos que, como é evidente, nom estamos dispost@s a tolerar. Assim, a modo de resposta às novíssimas propostas que trazem os vozeiros do renovado republicanismo espanhol, poderíamos fazer nossas as palavras que a Federaçom Comunista Catalano-Balear escrevia ao Comité Executivo da Internacional Comunista numha carta aberta publicada em Maio de 1931 no jornal La Batalla, apenas um mês depois da proclamaçom da Segunda República Espanhola: “Nós somos partidários ardentes da independência da Catalunya, de Euskadi, de Galiza, de Andalucia, etc... A burguesia nom pudo fazer a unidade ibérica. Tem mantido a coesom mediante um regime de opressom constante. Espanha, que nom é umha naçom senom um Estado opressor, deve ser disgregada”. André Seoane Antelo fai parte do Comité Central de Primeira Linha

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Abrente nº 50  

Publicaçom da organizaçom comunista e independentista galega Primeira Linha, correspondente aos meses de Outubro, Novembro e Dezembro de 200...

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