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Tudo o que precisas de saber para arranjar trabalho.

1 emprego

guia do

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Edição especial da revista FORUM ESTUDANTE | distribuição gratuita – NÃO PODE SER VENDIDO • Ano II

o curso já está. e agora? o que as empresas

querem

os cursos que dão

emprego

entrevista de emprego

prepara-te!

patrocínio


índice GUIA DO 1.º EMPREGO [ABRIL 2010] edição especial  da  Revista  FORUM  ESTUDANTE  | PROPRIEDADE  E  PRODUÇÃO  DE:  PRESS FORUM - Comunicação Social, S.A. Capital Social: 299.400,00€ | PERIODICIDADE Anual | DEPÓSITO LEGAL N.º 510787/91 | REGISTO ICS N.º 121941 | SEDE Tv. das Pedras Negras, nº 1 - 4º — 1100-404 Lisboa. Telefone: 218 854 730 — Fax: 21 887 76 66 | DIRECÇÃO Francisca Assis Teixeira | ATENDIMENTO AO CLIENTE  Paula  Ribeiro  Tel.:  218  854  730 (gpe@forum.pt) | DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA Gonçalo Gil | FOTOGRAFIA: Ricardo Bento | DIRECÇÃO  DE  IMAGEM  Miguel  Rocha (miguel.rocha@forum.pt) | DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO Teresa Ramos, Cláudia Cunha, Bernardo Coelho Telefone: 218 854 752 | DEPARTAMENTO DE PUBLICIDADE DIRECÇÃO Paulo Fortunato Telefone: 218 854 751 (paulo.fortunato@forum.pt)  VENDAS  Duarte Fortunato Telefone: 218 854 748 (duarte.fortunato@forum.pt)  | PRÉ-IMPRESSÃO  E  IMPRESSÃO LISGRÁFICA - Casal de Stª Leopoldina,  Queluz  de  Baixo  | Tiragem:  20.000 exemplares

Futuro do emprego 4 1.º Passo - Curriculum Vitae 6 Carta de apresentação 10 Prepara-te para a entrevista 12 As melhores empresas para trabalhar 16 Vocação ou profissão? 18 Falam as empresas 20 Trabalhar no estrangeiro 30 O que pensa quem recruta? 32 Melhores alunos 38 Queres ser teu patrão? 42 Novos empregos 44

Como procurar emprego? Procurar emprego não é tarefa fácil. Vais precisar de muita paciência, resistência à frustração, organização e sentido prático! Deves começar por organizar um plano de acção que inclua as tarefas mais importantes, desde a elaboração do teu currículo, lista de empresas a contactar, os contactos a fazer, etc. Depois, respira fundo e não desesperes. O Guia do 1º Emprego dá-te as principais pistas para te orientares nesta difícil tarefa. Dicas para definir o plano de acção/projecto de carreira: › Para aumentar as hipóteses de encontrar emprego, é fundamental começar por definir o projecto de carreira, ou seja, as áreas em que mais gostarias de trabalhar. Para isso, deves ter em conta a formação académica, as características da tua personalidade e as principais motivações; › Deves começar por recolher informação sobre o sector em que desejas trabalhar, através de uma análise da imprensa especializada; › De seguida, cria uma lista de empresas (recorre aos anuários de empresas, internet, empresas de recrutamento, etc.);

› A partir daqui, selecciona as empresas cujos requisitos podem corresponder ao teu currículo (falar mais do que uma língua, requisitos específicos de informática, experiência no estrangeiro, etc.); E agora? Responde aos anúncios de emprego dos jornais e dos principais portais de emprego. Está atento às propostas profissionais dos gabinetes de estágios e saídas profissionais da tua Universidade; Podes também enviar candidaturas espontâneas para as empresas orientadas para aquilo que definiste como objectivo profissional (normalmente é um processo mais lento).

A seguir, há que fazer um esforço de contacto e de aproximação junto das empresas para onde o currículo seguiu, de forma a obter uma entrevista. Ofereceres-te para realizar um estágio, é um processo que muitas empresas aceitam bem e, se gostarem de ti, pode ser que te convidem a ficar. Consulta o Instituto de Juventude da tua área de residência, além de ser um veículo para ofertas de emprego, este tipo de organismo costuma ter especialistas disponíveis para ajudar a constituir um dossier de candidatura espontânea, elaborar uma carta de motivação, um currículo vitae, etc. n

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futuro do emprego

A caminho do 1º Emprego… Cada vez é mais difícil arranjar emprego. É necessário valorizar os currículos e investir em novas experiências, uma vez que as competências pessoais, sociais, relacionais e de literacia são cada vez mais valorizadas no acesso ao emprego. O Guia do 1º Emprego falou com Conceição Matos, membro do Conselho Directivo do IEFP, para saber, entre outras questões, que conselhos dão a um jovem licenciado que acabou o curso e ainda não arranjou emprego! A taxa de desemprego em Portugal continua a bater recordes históricos. É no desenvolvimento do País e na criação de riqueza, através das nossas empresas, que os empregos são criados. Que alterações a nível do tecido económico, da produção e do mercado de trabalho e, consequentemente a nível da formação e das qualificações, são expectáveis, e devem ser consideradas pelos jovens? O mercado de emprego actual é marcado por factores como: a globalização; elevados níveis de competitividade; dificuldade em competir com os baixos preços praticados por algumas das novas economias emergentes (cujos preços estão assentes em mão-de-obra extraordinariamente barata); pela presença e recurso a tecnologias de ponta em quase todos os sectores económicos e por uma forte terciarização dos mercados. Neste quadro, Portugal tem de definir os sectores estratégicos em que deve apostar e procurar afirmar-se no mercado internacional pela diferença, pela qualidade e pela especialização dos produtos e bens que produz. Significa isto que é preciso investir na inovação tecnologia e na qualificação dos recursos humanos, porque o desafio é produzir bens e serviços de qualidade a preços que sejam competitivos no mercado internacional. Significa também que já não basta ser-se especialista num ou noutro domínio, mas é preciso ser-se capaz de acompanhar as mudanças, antecipando linhas de desenvolvimento e mobilizando saberes e tecnologias em sectores críticos para uma resposta satisfatória às exigências de um mercado em permanente mudança e, dessa forma, garantir elevados níveis de emprego. 4 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

das saídas profissionais de maior sucesso. Por outro lado, permanecem excessivamente dependentes da família, não acumulando experiências de trabalho durante o período em que estão a estudar. Raros são os estudantes universitários portugueses que, durante o tempo em que estudam, vão trabalhando, seja em emprego remunerado, seja em actividades de voluntariado.Todas as experiências contam para a aquisição de saberes e competências que, naturalmente, contribuem para a es-

Todas as experiências contam para a aquisição de saberes e competências que, naturalmente, contribuem para a estruturação de currículos e carreiras profissionais mais consistentes, para além de que, obviamente, contribuem para um melhor desenvolvimento pessoal. Vivemos em crise grave, em Portugal e no mundo, cuja resolução levará um tempo mais ou menos longo. Tendo em conta o mercado de trabalho e a realidade actual, que objectivos deverão os jovens considerar mais relevantes e urgentes? Em primeiro lugar, deverão ser realistas e pragmáticos na escolha dos cursos que se propõem frequentar. Em segundo lugar, adoptar uma postura de total disponibilidade e abertura face ao emprego e a experiências profissionais e de vida que lhes permitam adquirir novas competências. Em Portugal, e por comparação com outros países da União Europeia e mesmo da OCDE, os nossos jovens manifestam pouco interesse pelas áreas das ciências (matemática, física, química biologia), áreas que constituem a base

truturação de currículos e carreiras profissionais mais consistentes, para além de que, obviamente, contribuem para um melhor desenvolvimento pessoal. Decorre disto, que é muito frequente haver jovens com 23, 25 ou mais anos, recém-licenciados e à procura do primeiro emprego, facto que os coloca numa situação de relativa desvantagem. Do meu ponto de vista e atendendo às particulares dificuldades de acesso ao emprego que hoje se vivem, julgo que, na lógica do que atrás referi, não se podem desperdiçar oportunidades, sejam elas quais forem e mesmo que pouco ou nada tenham a ver com a formação de base de cada um.Ter abertura e disponibilidade resulta também num esforço que cada um se deve empenhar. Ser capaz de manter uma atitude positiva e de exigência para consigo próprio no sentido de se dotar das competências


futuro do emprego

pessoais e profissionais necessárias a um mercado de emprego competitivo e incerto é, do meu ponto de vista, o essencial. Para os jovens acabados de sair da universidade, à procura do 1º Emprego, que serviços e incentivos existem por parte do IEFP? O Programa que, ao longo dos anos se tem afirmado como um dos melhores instrumentos de apoio à transição dos jovens para o mercado de emprego, é o Programa de Estágios Profissionais. Para além deste programa, existe a modalidades de Estágios INOV, bem como incentivos à criação do próprio emprego. O IEFP faz também a gestão de uma bolsa de emprego de nível europeu, designada por rede EURES, que está disponível no site (www.iefp.pt). Para além destes programas, dispomos de serviços de orientação profissional e de colocação (ajustamento entre a oferta e a procura). Para os jovens que não tenham concluído o ensino secundário, a recomendação que faço é a de devem frequentar um curso de formação de dupla certificação (escolar e profissional). Para isso existem muitas e diferentes alternativas em variadíssimas áreas profissionais nos cerca de 60 Centros de Formação Profissional da rede do IEFP. Quais são as áreas com mais saída profissional? E as áreas mais difíceis de conseguir o 1 emprego? Diria, de uma forma muito simplista, que as áreas com melhores níveis de inserção profissional são todas as que implicam o uso de máquinas e ferramentas bem como as que estão associadas ao uso de novas tecnologias. Aquelas onde tem sido mais difícil o acesso a um primeiro emprego são, de uma maneira geral, as que se prendem com as áreas das ciências sociais e humanas. Convém, porém, referir que, para o acesso ao emprego, não contam apenas as competências académicas e profissionais, mas são requeridas outras igualmente importantes, aquelas que se prendem com o que vulgarmente se designa por softskills, ou seja, as que estão associadas a competências pessoais, sociais, relacionais e de literacia, tais como: exprimir-se com facilidade, domínio da língua materna, domínio de línguas estrangeiras, cálculo e tecnologias de informação e comunicação

Que conselho dão a um jovem licenciado que acabou o curso e ainda não arranjou emprego? Quais os passos a dar? Tal como referi na segunda questão, o jovem deve adoptar uma postura positiva face a si próprio e ao mercado de trabalho. Significa isto que não deve desperdiçar oportunidades e deve ser suficientemente aberto para compreender que o importante é ultrapassar a “barreira” do primeiro emprego. Hoje em dia, uma licenciatura fornece as bases para o ingresso no mercado de trabalho, mas isso não significa que haja uma relação directa entre o emprego ou mesmo a carreira profissional de alguém e a área da licenciatura que possui. É cada vez mais frequente encontrarem-se pessoas a desempenhar funções

mento associado à economia desempenha um papel crucial, podendo assim a pessoa aproveitar de forma útil o período de desemprego, adquirindo novas competências. Uma das saídas para a dificuldade em arranjar emprego é a vontade de correr riscos e adoptar uma atitude empreendedora criando o seu próprio emprego, o que não é fácil. Que apoios podem os jovens encontrar e que recomendações julga pertinentes? O IEFP gere uma parte dos incentivos à criação do próprio emprego. Existem outros serviços a que os jovens podem recorrer para procurar apoios para a criação do próprio emprego. No âmbito dos apoios do IEFP, para a

o jovem deve adoptar uma postura positiva face a si próprio e ao mercado de trabalho. Significa isto que não deve desperdiçar oportunidades e deve ser suficientemente aberto para compreender que o importante é ultrapassar a “barreira” do primeiro emprego. em áreas completamente diferentes das que constituem a sua formação de base. Por isso, a procura de emprego não se deve limitar apenas à área de formação de base, nem tão pouco deve a pessoa partir do princípio que só pode trabalhar nessa área porque isso é extraordinariamente limitativo em termos do acesso a novas oportunidades. Procurar emprego deve também ser encarado como uma rotina diária e não se deve desanimar perante as possíveis recusas que possam surgir. Há técnicas relacionadas com a procura activa de emprego que podem e devem ser aprendidas: como estar numa entrevista, como fazer um curriculum vitae e como seleccionar a informação relevante utilizada pelos vários mecanismos e instrumentos de divulgação de ofertas (anúncios, jornais, internet), bem como recorrer aos serviços dos centros de emprego, empresas de trabalho temporário, empresas de recrutamento, etc. Por outro lado, não se pode descurar o processo de aprendizagem ao longo da vida que é determinante para se conseguir evoluir e manter actualizado numa sociedade em que o conheci-

criação do próprio emprego, destaco as medidas Microinvest e Invest +, que permitem apoiar, através de uma linha de crédito bonificada, projectos até 15.000,00€ e 200.000,00€, respectivamente. A criação do próprio emprego, implica, que o promotor do projecto, para além do conhecimento da área de negócio, tenha também espírito empreendedor e determinação para assumpção de riscos e não pense que o retorno do investimento acontece de forma automática e imediata. Normalmente os dois ou três primeiros anos são sempre os mais críticos e os mais decisivos para a continuidade da actividade. Por isso quero acentuar a determinação e o espírito de sacrifício como aspectos fundamentais. n

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1.º passo

Como fazer um Curriculum Vitae O Curriculum Vitae ou, como vulgarmente dizemos, currículo, funciona como o passaporte profissional. Para quem está à procura de emprego, a elaboração do currículo é o primeiro passo a dar. Aqui ficam regras e dicas de ouro para um currículo de sucesso! É bom não esquecer que o tempo máximo que um recrutador dedica à leitura de um currículo não ultrapassa, em média, os trinta segundos, pelo que há que cuidar bem do que vais pôr nessas páginas. Quando elaborares o teu currículo, não te esqueças: um currículo é o resumo da vida profissional, onde devem constar apenas os elementos que mais valorizem o teu percurso profissional e mais interessem ao entrevistador. Deve chamar a atenção de forma rápida e suscitar interesse suficiente para marcar uma entrevista. Dicas para elaborar o currículo: 1. Molda o currículo à empresa e à função a que te candidatas. Para isso, deves pesquisar acerca da empresa, da área de negócio e da função a que te candidatas.

5. Não mintas nem exageres na descrição do teu currículo, para não correres o risco de seres desacreditado na entrevista. 6. O currículo deve mostrar de forma rápida e evidente que correspondes ao perfil solicitado. 7. Junta uma fotografia tipo passe ao currículo. Mesmo não sendo obrigatório, poderás fazê-lo. 8. Imprime o currículo e pede a alguém para ler e confirmar que o seu conteúdo é facilmente compreensível. 9. O aspecto gráfico do currículo é muito importante. Cada currículo deve ser uma impressão original. Evita manchas, dobras nos cantos e vincos. 10. As datas devem ser apresentadas sempre da mesma forma (incluir o ano sempre de forma completa) 11. A descrição da formação académica e a experiência profissional de-

O currículo eve chamar a atenção de forma rápida e suscitar interesse suficiente para marcar uma entrevista. 2. Cinge-te ao essencial. Não ultrapasses nunca as duas páginas. Os recrutadores não têm, na maior parte das vezes, tempo para leituras pormenorizadas. Valoriza os aspectos mais importantes do teu currículo e exclui experiências que não sejam relevantes para a candidatura em causa. 3. Utiliza frases curtas e parágrafos curtos. 4. Se acabaste de sair da Universidade e não tens experiência profissional, inverte a ordem das rubricas e começa pela rubrica “formação académica e profissional”, dando destaque aos estágios, voluntariados, hobbies que possam interessar. 6 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

vem ser fornecidos por ordem cronológica invertida, isto é, as últimas experiências académica e profissionais em primeiro lugar. n

Formas de enriquecer o currículo Línguas estrangeiras: o inglês é fundamental. Castelhano, francês e alemão são mais-valias bastante valorizadas. Informática: Dominar o word, o excell e o powerpoint é um requisito mínimo. Actualmente, a linguagem da Internet é já considerada um requisito obrigatório para muitas profissões. Erasmus. Experiências internacionais revelam capacidade de iniciativa e ousadia. Desenvolvem novas competências, como adaptação e flexibilidade. Viagens. Abrem horizontes e demonstram espírito aventureiro e curiosidade. Este é um dos aspectos muito valorizados num mundo empresarial cada vez mais multicultural. Desporto. Os desportos colectivos indicam capacidade de trabalhar em equipa; e os desportos radicais denotam capacidade de assumir riscos. Trabalho em part-time. Pode indicar boa gestão do tempo, sinal de dinamismo e responsabilidade. Programas de voluntariado. Este aspecto é cada vez mais valorizado pelas empresas. A participação cívica demonstra comprometimento, iniciativa e altruísmo que são características valorizadas na altura de contratar alguém.


1.º passo

As Rubricas de um Currículo 1. Identificação / Dados Pessoais: • Nome • Data de nascimento • Número de Bilhete de Identidade • Nacionalidade • Estado Civil • Morada • Telefone • E-mail Consoante o cargo para que te candidatas acrescenta a carta de condução no caso de já a possuíres. 2. Descrição da formação académica Nível de escolaridade, data de conclusão, média obtida, se for favorável. Deves começar pelo nível mais elevado. Assim, um Mestrado é seguido de uma Licenciatura, que por sua vez antecede um Bacharelato. Esta informação deve anteceder a Experiência Profissional. 3. Formação profissional Deve mencionar-se brevemente os diplomas ou certificados profissionais adquiridos.

4. Experiência profissional Deves descrever, de forma rigorosa mas resumida, as tuas experiências de trabalho ou, no caso de estares a candidatar-te a um primeiro emprego, quais os estágios efectuados, bem como o respectivo grau de responsabilidade. Deves incluir o tempo durante o qual desenvolveste essas actividades e aproveitar para descrever as tuas qualificações, aprendizagens, resultados, aptidões. O capítulo da experiência profissional deve reflectir as tuas aptidões e provocar uma imagem positiva no empregador. No caso de não teres experiência profissional, deves valorizar as actividades extra-profissionais, como por exemplo voluntariados, participação em actividades cívicas, salientando as responsabilidades assumidas nessas actividades. 5. Aptidões específicas Referir os conhecimentos de línguas estrangeiras, e respectivo nível de domínio, oral e escrito; os conhecimentos de informática, especificando com rigor a profundidade destes conhecimentos.

6. Interesses / actividades extra-profissionais Esta informação é tanto mais importante quanto menos experiência profissional tiveres. Deves referir as actividades extra - curriculares, como sejam voluntariados, actividades cívicas, as actividades culturais, os cursos, conferências, seminários, ou outras formas de formação complementares, (especialmente aquelas com interesse para a área a que te candidatas), textos publicados, prémios obtidos, a ocupação de tempos livres, prática de desporto (pode revelar que somos activos e que cultivamos o espírito de equipa), filiações em Associações, etc. 7. Referências Podes dar o contacto de um ou dois professores ou antigos empregadores para darem informações sobre nós (se o fizeres, as pessoas indicadas devem estar avisadas e deves indicar o contacto). Estas referências são cada vez mais importantes para os empregadores. Guia do 1.º Emprego 2010 // 7


1.º passo

Personalizar o currículo: mais hipóteses de ser destacado Um currículo personalizado deve ter um título explícito, palavras-chave adaptadas ao lugar a que te candidatas e experiências profissionais interessantes. É essencial adaptar o currículo à oferta de trabalho a que te propões. Ao escolheres um tom e um estilo diferente de apresentares o currículo, estarás a exprimir a tua personalidade. Primeiro truque possível: brinca com a forma. Se a clareza e concisão são essencialmente valorizadas pelos recrutadores, opta por um estilo animado, vivo e diferenciador. Através da escrita, o recrutador poderá detectar as tuas qualidades e personalidade, sem que as tenhas que descrever de forma explícita. No entanto, a inovação ao nível do grafismo pode ser perigosa. Quantos candidatos bem intencionados são postos de lado por se terem mostrado demasiado fantasistas. À parte das profissões artísticas, em que a criatividade é bem vista, o rigor e o estilo clássico são mais apropriados, o que não impede pequenos detalhes na escolha, por exemplo, do papel. Este pode ser um pormenor que demonstra cuidado e empenho. Blog de actualidade: participar ou manter num blog pode ser um ponto a teu favor. Para manter um blog é necessário ter aptidão para a escrita, o que não está, obviamente, ao alcance de todos os candidatos. Se tiveres algo concreto para dizer, esta pode ser uma mais valia e um complemento ao teu currículo. Mas atenção que, se não for bem feito, pode ser um ponto contra ti.

Currículo Blog Aproveita as potencialidades da Web. Um currículo Blog pode ajudar a apresentar as tuas experiências e competências e a detalhar mais aprofundadamente uma realização específica. Existem alguns currículo Blogs mais elaborados, com fotografias, animação, vídeos, etc. que te ajudarão a distinguir dos restantes candidatos.

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Palavras proibidas Muitas vezes referimos a importância de saber utilizar as palavras a nosso favor. Chegou o momento de nos focarmos nas palavras que não devem ser utilizadas no currículo. Confere aqui quais os termos a evitar e elimina-os já do teu currículo! › Abreviaturas - As abreviaturas devem ser evitadas, mesmo quando parecem ser do conhecimento geral ou específicas da área em que trabalhas. › Pronomes pessoais - O abuso dos pronomes na primeira pessoa, como eu

Currículo Vídeo A apresentação de um curriculum vitae em vídeo é uma arma poderosa para te distinguires dos restantes candidatos. As vantagens são muitas, pois permite, antes de mais, posicionares-te perante os potenciais empregadores de uma forma compatível com a era da tecnologia e demonstrares as tuas capacidades de comunicação, criatividade e potencialidades de forma diferenciadora! Mesmo com poucos meios, poderás apresentar o teu perfil, habilitações profissionais e experiência de forma apelativa, diferente e criativa. Não te esqueças que a imagem permite ter uma visão da personalidade e das tuas competências profissionais muito mais completa e rica do que um simples currículo em papel.

e meu, são desnecessários e a evitar. Utiliza frases como “Estive responsável” ao invés de “Eu estive responsável”. Palavras com carga negativa Agressivo, mau, limitação, erro, nada, pânico, problema... “Sempre” ou “Nunca” - Num contexto relacionado com experiência ou competências profissionais, advérbios absolutos sugerem exagero. “Bengalas” de linguagem - “Assim como”, “De forma que...”, “É assim” ou outros exemplos similares são desnecessários pois apenas servem para ocupar espaço. Palavras que não conheces bem e/ou não sabes definir - Lembra-te que a qualquer momento, poderás ser confrontado com o que colocas no teu currículo e convém saber o que significam. Clichés - Termos como dinâmico, responsável, criativo, perderam a sua relevância por serem repetidos até à exaustão. Descobre quando e como aplicá-los e associa-os a competências e funções efectivas. Frases longas - Nunca utilizes frases com mais de 15/18 palavras, para que o leitor não perca a concentração. Erros ortográficos e gramaticais - Sem dúvida, o factor mais negativo de um currículo, se não for reflexo de dificuldades de expressão escrita revelam, no mínimo, falta de atenção e cuidado. Hoje com os correctores ortográficos dos softwares de escrita, este problema está muito facilitado.. Verbos Passivos - O teu currículo deve transmitir a ideia de acção. Os verbos são uma forma de passar esta mensagem, usando sempre formas activas, recorrendo o mais possível ao tempo presente. “Os projectos foram implementados” não tem o mesmo impacto de “Implementei projectos...” Falar de objectivos sem falar de conquistas - Limitares-te a referir as tarefas inerentes à tua função e os objectivos traçados, sem falares das tuas realizações e do que conseguiste alcançar, pode comprometer o sucesso do teu currículo. Não se trata de uma palavra, mas sim de um número - Não indiques o número de telefone do emprego no currículo. Repetições - Por mais difícil que possa parecer, evita descrever com as mesmas palavras a tua experiência profissional. Tens de ser criativo.


O que mais valorizam as empresas

1.º passo

Num mundo em permanente mudança, a capacidade de adaptação a novas situações e a flexibilidade são requisitos essenciais. Dentro das características valorizadas pela maior parte das empresas, algumas parecem ser comuns. O Guia do 1º Emprego faz-te aqui um resumo! › Para além da formação superior e da competência técnica, qualidades como saber comunicar, saber estar com os outros e trabalhar em equipa, são alguns dos atributos mais valorizados pelas empresas. › Candidatos com potencial para crescer dentro da organização, o que implica humildade, capacidade de aprendizagem e empenho. › Capacidade de gestão do stress emocional. Ser capaz de trabalhar sob pressão é outra das características muito valorizadas numa candidatura. › Autonomia, iniciativa e responsabilização pelos resultados. › Capacidade de análise, julgamento e resolução de problemas. Em algumas das entrevistas desenvolvidas por empresas, existem testes que avaliam estas competências. › Criatividade, não só nas áreas ditas mais criativas como são as artes mas também na resolução de problemas, na concepção de propostas, etc. › O dinamismo é hoje uma das características mais apreciadas pelas empresas dada a exigência dos tempos em que vivemos. › Domínio das novas tecnologias, seja para o trabalhos que exigem essas competências especificamente, seja para o dia-a-dia. Quem souber dominar a tecnologia, conhecer bem os softwares que facilitam tarefas (Exel, Power point, Access, Project, Photoshop, etc.) estão em vantagem em relação a quem não os conhece ou domina. › O gosto pela aprendizagem é fundamental nos dias que correm onde a actualização de conhecimentos, o estar up to date é crucial. › Também a capacidade de inovar é um traço de enorme relevância. Conseguir fazer melhor o que já se fazia, ou descobrir novos caminhos é obviamente algo que as empresas dão a maior importância. › Num mundo cada vez mais globalizado a mobilidade é hoje vista como uma necessidade. Claro que nem todos os empregos a exigem, mas a predisposição para a mobilidade é também indicativo de não estar instalado.

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1.º passo

Carta de Apresentação A Carta de apresentação é um elemento importante quando se envia o currículo. É ela que vai transmitir a tua personalidade, bem como as razões que te levam a candidatar a esse emprego.

Ao escreveres a carta de apresentação deves ter presente que esta serve para personalizar a tua candidatura, valorizar o percurso profissional e, por último, convencer os entrevistadores a marcar uma entrevista. Embora a maioria das cartas acabem por ser um resumo do CV, onde os candidatos reforçam as suas competências, a verdade é que uma carta bem feita deve fazer a ligação entre o teu percurso profissional e as necessidades concretas da empresa.

4. Dirige-te à pessoa certa. Se não souberes o nome (embora hoje em dia esteja tudo na internet), como último recurso, endereça-a ao departamento de recursos humanos. Se estiveres a responder a um anúncio, menciona-o, além da função a que te candidatas). 5. A primeira frase é essencial para marcar a diferença. Tenta dar o teu cunho pessoal e destacares-te das

Dicas para elaborar a carta de apresentação Para personalizares a tua candidatura, deves incluir informação sobre: 1. Porque é que a empresa te interessa 2. O que podes oferecer 3. O que a empresa e tu podem fazer juntos. Estas são as informações que qualquer recrutador gostaria de encontrar numa carta de motivação. No entanto, a ordem pode ser alterada, pois não existem regras definitivas. Alguns candidatos preferem começar por se apresentar, reforçando o que já está escrito no currículo que é uma informação útil para o recrutador. Depois disso, é importante justificar as razões pelas quais a empresa te interessa, o que, se for bem feito, poderá tornar-se um ponto diferenciador, pois demonstra que perdeste tempo a estudar a empresa. Se a carta de apresentação se limita a repetir o que o currículo explica, se nem o CV nem a carta de apresentação forem muito interessantes, os entrevistadores têm duas atitudes: ou o esquecimento ou o lixo! 10 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Erros a evitar “Este anúncio despertou-me a atenção”, faz parte das expressões que os recrutadores não ligam nada. A referência ao anúncio deve ser colocada em “assunto”, no topo da carta ou no e-mail, deixando espaço à carta para apresentar os argumentos. Errado: “Li, dia 3 de Dezembro, no site xxxx, com a referência xxx, que procuram um comercial dinâmico e autónomo, perseverante, com bom relacionamento com os outros, razão pela qual vos proponho apresentar a minha candidatura a esse emprego”. - A frase correcta seria: « Procuram um técnico comercial? Penso que o meu perfil corresponde ao solicitado pela vossa empresa o que me leva a enviar a minha candidatura para…”

centenas de currículos diários. O tom de abertura da carta transmite a tua personalidade. Não uses frases do género: “Conforme notícia recente sobre a vossa empresa, irão ser dados os primeiros passos na internacionalização do grupo. Isso interessa-me bastante porque….”. A forma correcta de escrever é: “Em resposta ao V. anúncio para recrutar um financeiro, penso ter as qualidades profissionais que correspondem ao perfil que procuram”. 6. Menciona as razões porque te candidatas. Explica porque gostarias de desenvolver competências na área a que te candidatas. Se souberes para que empresa te estás a candidatar, não te esqueças de mostrar que a conheces. Será sempre um ponto a teu favor. 7. Não te alongues. Os recrutadores não perdem muito tempo com a leitura da carta de apresentação. Para ser eficaz, é necessário ser conciso. A carta deve ser curta e sem informação desnecessária.Três parágrafos são suficientes. As frases curtas e simples interpelam o leitor e transmitem uma imagem dinâmica. 8. Não exageres nem te desvalorizes e não mintas. Não digas que não tens experiência em determinada área. Evidencia antes as tuas qualidades com objectividade, sem demasiado sentido crítico. Podes sempre referir que gostas de novos desafios e que te adaptas com facilidade. A mentira acaba sempre por ser descoberta e não te beneficiará. 9. Hoje há uma parte significativa dos curriculos que seguem por e-mail e por isso as cartas transformaramse em e-mails. Apesar do suporte ser diferente as regras mantêm-se. n


1.º passo

Como procurar emprego através das redes sociais? Para além das formas mais tradicionais de procurar emprego (jornal e portais de emprego) o aparecimento das redes sociais na Internet veio criar novas oportunidades de procura de trabalho. Cada vez mais as empresas começam a encarar as redes sociais como um meio de conhecimento de potenciais candidatos a determinada função. Actualmente, tanto as redes de uso mais pessoal como o Facebook, o Hi5, e o Myspace, como as de uso mais profissional, o Linkedin e o Star Tracker têm um ponto comum: permitem divulgar talentos, seguir o trajecto profissional e estabelecer novos contactos. Sugestões para procurar emprego nas redes sociais: › Está atento, pois muitas empresas de recursos humanos utilizam já as redes sociais para publicar anúncios de emprego. › Não ignores o facto de que as redes sociais servem também para os recrutadores conhecerem o perfil dos candidatos. › Preenche todos os campos do teu perfil, e adiciona ligações para um site ou blogue, onde um potencial empregador possa ver, em detalhe, a tua experiência profissional. › Aqui poderás seguir outros utilizadores que costumem dar dicas ou agregar empresas com ofertas de trabalho. › Participa em fóruns e discussões sobre a área onde pretendes encontrar emprego.

Inscreve-te no LinkedIn LinkedIn é uma rede social diferente das outras, criada exclusivamente para relacionamentos profissionais. A página de perfil é essencialmente um currículo online, onde é possível publicar 1 foto. O objectivo é linkar pessoas e profissionais, não apenas pela amizade, mas pelos trabalhos que já fizeram juntos, pela experiência profissional, pela recomendação de profissionais, etc. Este site foi criado para apresentar os seus membros de “uma forma profissional” na Internet. Guia do 1.º Emprego 2010 // 11


prepara-te

Como devo preparar-me para uma entrevista? Serei o candidato certo? Como convencer o recrutador, em poucos minutos, das minhas capacidades e competências? O que mais valorizam as empresas? O que devo fazer para causar uma boa impressão? Estas são algumas questões com que te irás confrontar no momento em que fores chamado para uma entrevista de emprego. Não entres em pânico. Já passaste a primeira fase e o teu currículo já foi aceite. Agora, terás que convencer o empregador de que és mesmo a pessoa certa! O Guia do 1º Emprego dá-te todas as ferramentas para que ultrapasses esta fase, com sucesso.

Boa apresentação. A imagem é um factor decisivo e influencia a forma como serás percepcionado

Preparação para a entrevista › Obtém o máximo de informação sobre a empresa (ramo de actividade, dimensão, tipo de produtos ou serviços que vende, nível de remunerações, áreas funcionais existentes, organização, ambiente de trabalho, estilo de funcionamento, etc.). › Fala com pessoas que te conheçam bem (familiares, amigos, colegas de curso, pessoas com quem já trabalhaste) e pedes-lhes uma breve descrição da tua personalidade, as tuas qualidades e defeitos, etc. O auto-co12 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

nhecimento é um dos aspectos mais valorizados numa entrevista, pois permite ao potencial empregador conhecer-te de forma mais rápida. › Relê o teu currículo e prepara-te para aprofundar os aspectos nele focados ou outros que possam vir a surgir durante a entrevista (personalidade, características, competências profissionais, motivação, formação, competências desenvolvidas tanto na experiência profissional como nas actividades extra-profissionais). › Prepara a documentação que achares

conveniente para apresentar na entrevista (diplomas ou certificados de cursos e estágios, trabalhos realizados, carta de referência, portfólio, etc.). › Prepara-te para vários tipos de entrevista (o entrevistador pode pedir-te que faças a apresentação de ti próprio e das razões da candidatura). › Se te pedirem para resolver um caso prático não te admires. Mesmo que seja uma situação hipotética, servirá para avaliar a tua reacção e o raciocínio, a capacidade de comunicação, persuasão, rapidez.


prepara-te

O que não pode falhar numa entrevista 1. Pontualidade. Tenta chegar 10 minutos antes da hora marcada, para evitar atrasos. Deixar outra pessoa à espera é sinal de desrespeito e desinteresse. 2. Boa apresentação. A imagem é um factor decisivo e influencia a forma como serás percepcionado. Em caso de dúvida o clássico é sempre uma boa solução. 3. Postura. A postura é muito importante para o sucesso da entrevista. Simpatia, abertura, profissionalismo, curiosidade, podem ajudar a escolher-te como o candidato certo. É essencial manter a calma e controlar as emoções, sobretudo se a entrevista tomar o rumo não desejado. 4. Abertura ao diálogo. Embora seja um momento de algum nervosismo, a entrevista deve seguir o tom normal de uma conversa e fluir sem grandes constrangimentos. É importante que sintas que, para além de estares a ser avaliado estás, também tu, a avaliar uma hipótese de trabalho. 5. Empatia. A empatia é um dos aspectos mais importantes para que se estabeleça uma boa relação profissional. Sugestões para seres bem sucedido › Memoriza o nome e cargo do entrevistador. › A iniciativa de cumprimentar deve partir do entrevistador. Um aperto de mão firme, acompanhado de um sorriso, é o mais acertado. Se tiveres tendência para suar das mãos tenta limpálas discretamente antes de cumprimentar o entrevistador. › Procura manter o contacto visual com o interlocutor, o que transmite segurança e interesse. Se fores entrevistado por mais de uma pessoa, tenta olhar para todos. Não olhes para baixo enquanto falas, demonstra timidez e insegurança. › Sorri! Uma cara alegre e sorridente é sempre cativante e transmite uma personalidade optimista e entusiasta. › Respeita o ritmo da entrevista. Espera o momento certo para intervir e fálo na dose adequada, sem falar demasiado. › É importante começar e acabar de forma clara as frases. Não deves deixar 14 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

que fiquem por acabar, ou se misturem umas com as outras. › Evita utilizar linguagem mais coloquial, tal como: “Umm”, “Ah?”, “tipo”, “percebe?”. › Sê conciso e tenta responder directamente às questões que te são colocadas. Se não perceberes a pergunta, pede para repetir. › Não mintas, nem tentes disfarçar uma realidade que te pareça pouco favorável. É sempre preferível a verdade. › Pensa na forma como gostarias de ser percepcionado: prepara os aspectos sobre os quais mais gostarias de falar. › Não tenhas medo dos silêncios. Usa o silêncio a teu favor, pensando na resposta à pergunta que te foi colocada, ou na que poderás colocar. › Responde directamente às questões colocadas e acrescenta informação relevante › Tenta perceber o que está por trás da pergunta, o que querem realmente saber. › Se falares do antigo emprego, nunca digas mal do antigo chefe, dos colegas ou das condições de trabalho. › Se não tiveres muita experiência sobre a área de negócio, fala sobre as tuas competências. › Pensa nas questões que gostarias de colocar ao entrevistador, sobre a área de em que irás trabalhar, a empresa, o sector, etc. Mas vê se há abertura para que as faças.

umas das outras, existem perguntas colocadas pela maioria dos recrutadores. Prepara as respostas às questões que se seguem. É essencial um trabalho de introspecção, um olhar sobre o passado que te ajude a preparar o futuro. Se tiveres oportunidade de fazer uma simulação de entrevista filmada, não hesites! Aproveita para detectar eventuais erros de postura e de comunicação e corrigires. No final de cada entrevista, analisa os melhores e os piores momentos, de forma a aprenderes com a tua própria experiência e evitar cometer de novo os mesmos erros. 1. Porque é que te estás a candidatar à nossa empresa? 2. És capaz de te apresentar em poucas palavras? 3. O que é que nos podes oferecer? 4. O que é para ti o emprego ideal. 5. Onde gostarias de estar daqui a cinco anos? E daqui a dez? 6. Que recompensas desejas obter na tua carreira profissional? 7. Pretendes obter mais qualificações? (CESE, MBA, Mestrado, etc.) 8. Trabalhaste durante os estudos? Se sim, em quê? 9. Que tipo de patrão preferes? 10. Se eu encontrar o teu antigo chefe/professor e lhe pedir para me falar de ti em apenas uma frase, que frase seria? 11. Já alguma vez te despediste de um emprego? Se sim, porquê?

Embora seja um momento de algum nervosismo, a entrevista deve seguir o tom normal de uma conversa e fluir sem grandes constrangimentos › É possível que te perguntem qual a remuneração esperada. Esta é uma pergunta complicada. Depende da tua situação. Se é o primeiro emprego, tenta não te comprometeres ou então dá uma ordem de grandeza. Atenção, muitas vezes com esta pergunta o candidato, se não tiver bom senso, poderá ficar imediatamente excluído, mesmo que nos outros itens tenha tido boa prestação. › Só te deves levantar depois do entrevistador, agradecendo a entrevista e mantendo uma postura cuidada Perguntas frequentes numa entrevista Apesar das entrevistas serem diferentes

12. Porque é que te devemos contratar a ti em vez de outro candidato? 13. Dá-nos o exemplo de uma tarefa realizada por ti de que te possas orgulhar. 14. Porque escolheste esta área de trabalho? 15. Já desempenhaste algum trabalho em equipa? Qual? 16. Podes dar-me um exemplo de como a tua criatividade ultrapassou um obstáculo? 17. Quais as tuas principais qualidades? E defeitos? 18. Preferes trabalhar sob supervisão ou sozinho? 19. Que factores te motivam a dar o teu melhor?


prepara-te

21. Em que actividades académicas participaste? O que aprendeste com elas? 22. Qual foi o último livro que leste, e o último filme que viste? 23. Preferes grandes empresas ou pequenas? Porquê? 24. Qual o último país onde estiveste? 25. Tens hobbies? Quais? 26. Estás envolvido em algum tipo de trabalho voluntário? 27. Define sucesso. E fracasso. 28. Já alguma vez falaste para uma grande audiência? 29. Com que tipo de pessoas tens mais dificuldade em lidar? E mais facilidade? 30. Como é que te davas com os teus professores? (supervisores ou colegas) 31. O que aprendeste com os erros? 32. Qual seria o salário justo para ti? 33. Fala-me de ti (esta é uma das questões mais colocada pelos recrutadores. Tenta dar uma resposta su-

cinta, directa e que, em poucas palavras, dê a conhecer o teu perfil, características e competências profissionais) Pode também acontecer ser utilizada uma outra forma de entrevista para analisar o potencial dos candidatos e que consiste em avaliar comportamentos e reacções a determinadas situações. Embora este tipo de entrevista seja utilizada numa fase mais avançada de recrutamento e se destine a candidatos com experiência profissional, deves estar apto a responder às questões colocadas, com histórias e exemplos que demonstrem as tuas capacidades e qualificações para o cargo pretendido! Perguntas a fazer durante a entrevista: Os candidatos podem aproveitar o momento da entrevista para colocar algumas questões pois, embora estejam a

ser avaliados, devem ter uma atitude dinâmica perante o entrevistador, tentando obter informação sobre as condições de trabalho, hipóteses de progressão, evolução do sector, expectativas sobre si, etc. Para isso, é necessário estudar um pouco a vida da empresa. As perguntas deverão ser feitas com bom senso e, se perceberes que não há abertura, não as faças pois podem prejudicar-te. Aqui ficam alguns exemplos. › Qual será a minha função dentro da empresa? › Quais os desafios inerentes à função? › Quais as possibilidades de progressão na carreira profissional? › É usual trabalhar-se por objectivos? Como negociar um ordenado Numa entrevista de emprego, é natural que o entrevistador te pergunte qual o ordenado esperado. Damos-te algumas sugestões para saberes o que fazer, sem te atrapalhares! 1. É natural que queiram saber qual o teu último ordenado, pois serve de referência e, eventualmente, será indicativo que estarias disposto a negociar. 2. É frequente perguntarem qual o salário liquido pretendido pela função em causa.Antes de falares em valores, aproveita para falar do teu desempenho anterior (se tiveres experiência profissional) ou das tuas perspectivas de carreira. 3. Para o caso de ser o teu primeiro ordenado, tenta não te expores. Se mesmo assim o entrevistador insistir dá uma ordem de grandeza. 4. Nunca abordes, por tua iniciativa, o tema do ordenado. Embora esta não seja uma questão secundária, deves tentar valorizar outros aspectos inerentes à função e esperar que o entrevistador coloque a questão. 5. Valores indicadores. Em vez de falares em valores exactos, apresenta valores mínimos e máximos, de forma a haver margem para negociação. 6. Informa-te de quais os valores praticados em funções similares, de forma a estares dentro da realidade. n Guia do 1.º Emprego 2010 // 15


melhores empresas

Aqui eu sou feliz Diz-se que jรก nรฃo hรก empregos para a vida. Pode ser verdade. Apesar dos tempos de crise, hรก empregos de ouro ou, pelo menos, empresas onde vale a pena vestir a camisola. Fica a conhecer quais as melhores empresas para trabalhar em Portugal.

16 \\ Guia do 1.ยบ Emprego 2010


melhores empresas

Numa empresa não é só o volume de negócios que conta. Também a motivação e satisfação dos colaboradores podem valer às organizações prémios e distinções. É o caso da bem sucedida Microsoft (entre 251 a 1000 colaboradores), que liderou, em 2009, a lista das 30 melhores empresas para trabalhar em Portugal. Em segundo lugar surge a Cisco Systems Portugal (entre 101 a 250 colaboradores), seguida da Liberty Seguros (perto de 400 colaboradores). Todos os anos, o Great Place to Work® Institute produz uma lista da 30 melhores empresas para trabalhar em Portugal. Além do ranking 2009, foram ainda atribuídos Prémios Especiais. O Instituto reconheceu a Liberty Seguros como a melhor Empresa para Trabalhar para Mulheres. Mas há mais: a Everis Portugal é a melhor para Jovens e a GMS Consulting para executivos. À Accenture foi atribuído o Prémio de Responsabilidade Social Empresarial e à Microsoft o prémio de Liderança e Formação para a Sustentabilidade. Uma novidade foi a distinção do Melhor Concelho para Trabalhar – Oeiras. De acordo com o instituto, é aqui que se concentra a maioria das organizações desta lista e os colaboradores mais satisfeitos. Colaboradores satisfeitos = empresas distinguidas Todos os anos, o Great Place to Work® Institute produz a lista “As Melhores Empresas para Trabalhar” em 40 países do mundo. A selecção baseia-se num questionário desenvolvido pelo Great Place to Work® Institute, no qual os colaboradores das várias organizações respondem qual o nível de confiança e qualidade das relações existentes entre os seus pares e líderes. As informações adicionais que são utilizadas para seleccionar as organizações para a lista, são recolhidas através de um questionário de avaliação dirigido à gestão. n Cátia Felício

As 30 melhores empresas para trabalhar em Portugal 1 - Microsoft Portugal www.microsoft.pt Tecnologias de Informação 2 - Cisco Systems Portugal www.cisco.pt Tecnologias de Informação 3 - Liberty Seguros www.libertyseguros.pt Banca e Seguros - Seguro de Saúde 4 - Cushman & Wakefield www.cushmanwakefield.com Construção e Obras Públicas 5 - Diageo Portugal www.diageo.com Transformação e Produção Alimentação, Bebidas e Tabaco 6 - Everis www.everis.pt Tecnologias de Informação Consultoria de TI 7 - Pepsico/Matutano www.matutano.pt Transformação e Produção Alimentação, Bebidas e Tabaco 8 - Mars Portugal www.mars.pt Transformação e Produção Alimentação, Bebidas e Tabaco 9 - Thomson Reuters www.thomsonreuters.com Tecnologias de Informação - Gestão de Informação/Storage 10 - BMW Group Portugal www.bmw.pt Serviços 11 - Accenture www.accenture.com Serviços - Consultoria de Gestão 12 - Primedrinks www.primedrinks.pt Transformação e Produção Alimentação, Bebidas e Tabaco 13 - GMS Consulting www.gms.pt Serviços - Consultoria de Gestão 14 - Janssen-Cilag Farmacêutica www.janssen-cilag.pt Saúde - Especialidades Médicas 15 - Medtronic Portugal www.medtronic.pt Saúde - Especialidades Médicas

16 - Roff www.roff.pt Serviços - Consultoria de Gestão 17 - PriceWaterHouseCoopers www.pwc.com/pt Serviços 18 - Pt Contact Call Center de Évora www.ptcontact.pt Telecomunicações 19 - SAS Portugal www.sas.com/portugal Tecnologias de Informação – Software 20 - Bristol Myers Squibb Farmacêutica Portuguesa www.bms.com Saúde - Especialidades Médicas 21 - Deloitte Consultores www.deloitte.pt Serviços - Consultoria de Gestão 22 - Hewlett Packard Portugal www.hp.pt Tecnologias de Informação 23 - Cadbury www.cadbury.com Transformação e Produção Alimentação, Bebidas e Tabaco 24 - Ativism www.ativism.pt Serviços 25 - By www.bycom.com.pt Comunicação Social e Media 26 - Remax Portugal www.remax.pt Construção e Obras Públicas 27 - Huf Portuguesa www.huf-group.com Transportes 28 - Barclays Bank www.barclays.pt Banca e Seguros – Investimentos 29 - BNP Paribas www.securitiesservices.com Banca e Seguros – Investimentos 30 - José Júlio Jordão www.jordao.com Transformação e Produção - Maquinaria e Equipamentos

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vocação ou profissão

Vocação ou profissão, eis a questão? Será que devo seguir a minha vocação ou devo escolher o curso que está a dar? Será que o curso que tirei tem futuro profissional?

Seguir a vocação pessoal na escolha do curso é o caminho que muitos escolhem. E, em princípio, bem. Escolher um curso para o qual não se está nada vocacionado, leva muitas vezes a frustrações, perda de tempo, dinheiro e à desistência. No entanto, é bom não esquecer que o problema é que muitos dos cursos que existem no mercado português são, muitas das vezes, um passaporte para o desemprego ou para o sub-emprego. Quantas vezes não acontece existirem licenciados a trabalhar em áreas que nada têm a ver com a sua área de formação e com as suas qualificações. Uma das soluções para este dilema, seguido por um número cada vez maior de estudantes, é escolherem uma área de formação para o primeiro ciclo do curso e, complementarem os seus estudos, escolhendo um mestrado ou pósgraduação complementar e com maiores probabilidades de saídas profissionais.

18 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Este é um caminho que permite, por um lado, ser fiel à vocação e por outroinvestir no futuro profissional. Graças ao trabalho do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI), do Ministério da Ciência e Tecnologia, que anualmente publica o estudo “A Procura de Emprego dos diplomados com habilitação Superior”, onde se analisa, entre outros aspectos, os cursos com maiores taxas de inscritos nos Centros de Emprego do IEFP, é relativamente fácil monitorizar o mercado e saber de onde provêm os inscritos nos centros de emprego do IEFP. No ano de 2009, data do último relatório, as áreas onde se registavam mais inscritos nos centros de emprego, eram as áreas das Ciências Empresariais (estão aqui incluídos cursos como Administração Pública, Assessoria de Administração,Auditoria, Contabilidade, Finanças, Gestão, Gestão Financeira e de Re-

cursos Humanos, etc.) Seguiam-se as Ciências Sociais (Antropologia, Ciência Política, Psicologia, Economia, Estudos Europeus, Relações internacionais, Geografia, etc.) e a Formação de Professores/formadores e Ciências da Educação.

2009 Área de Estudo Nº de Inscritos nos CE Ciências Empresariais 6868 Ciências Sociais 4594 Formação Profs/Ciências da Educação 3866 Engenharias e técnicas Afins 3108 Saúde 2492 Artes 2125 Humanidades 2075 Arquitectura e Construção 1908 Serviços Sociais 1749 Serviços Pessoais 1260 FONTE: GPEARI – Relatório”A Procura de emprego dos diplomados com habilitação Superior”


vocação ou profissão

Cada vez mais as empresas procuram Pessoas e não técnicos, pois pessoas com as competências certas, com alguma formação, transformar-se-ão em profissionais completos No entanto, ao ler estes dados, há que ter em conta alguns factores importantes na sua interpretação.Antes de mais lembrar, que os números são importantes indicadores mas que, em última análise, há muitas condicionantes que podem convergir para que a realidade possa ser diferente. O dado eventualmente mais relevante que deve ser tido em conta é o facto de haver recém-licenciados que não estão inscritos nos centros de emprego, não porque estejam a trabalhar na sua área de formação mas, simplesmente, porque conseguiram entrar no mercado de trabalho, seja para que emprego for. Já falámos nestes casos e, infelizmente, sabemos que cada vez mais estes casos acontecem, ou seja, licenciados em trabalhos para os quais estão sobre qualificados. Outro tópico essencial a ter em conta é que somos todos diferentes e factores como as características pessoais, o aproveitamento académico, investimento em formação complementar, capacidade para criação de redes, comprometimento com as realidades que nos rodeiam, sorte,

conhecimentos, etc. podem transformar-nos num “produto” muito apetecível para o mercado de trabalho, seja qual for a formação que se tenha feito. Cada vez mais as empresas procuram Pessoas e não técnicos, pois pessoas com as competências certas, com alguma formação, transformar-se-ão em profissionais completos, enquanto o contrário não é obrigatório que seja verdade. Assim, o balanço tem de ser pessoal. O auto conhecimento e o desenvolvimento de competências reconhecidamente importantes para qualquer empresa, é um investimento fundamental a fazer durante o tempo de formação. E, como sabes, há vários caminhos possíveis: o desporto de um modo geral, mas com especial relevância para os de equipa e os radicais (para alguns tipos de profissões que valorizam a capacidade de assumir riscos), o voluntariado, que é uma área cada vez mais valorizada, empregos em part-time, etc. poderão ser formas de investimento na tua futura carreira profissional. Isto porque, com o desenvolvimento destas competências poderás contornar a frieza

dos números e, fazendo um curso onde tradicionalmente as taxas de empregabilidade são reduzidas, conseguires o teu lugar ao sol. Sabes que, seja qual for o teu curso, entrar no mercado de trabalho é, quase sempre, uma tarefa árdua e, muitas vezes frustrante. Nos tempos de crise em que vivemos, pode mesmo levar algum tempo. É importante sabermos transformar um contratempo em algo positivo. Este tempo pode ser aproveitado positivamente através da realização de formação complementar (línguas, informática, cursos curtos sobre como falar em público, fazer apresentações, vendas, etc.) ou através da colaboração numa instituição em regime de voluntariado. Não faltam sugestões na internet. Vocação ou profissão é a pergunta do título. A resposta é… Depende de ti, do que estás disposto a investir em ti e da forma como te preparas para abordar o mercado de trabalho. É que este está ávido de jovens com potencial, com os pés bem assentes na terra mas capazes de sonhar o futuro. n Francisca Assis Teixeira

Formas de enriquecer o currículo, p.6

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empresas

Falam as empresas Mais do que boas notas, as empresas procuram candidatos com bons níveis de adaptação à mudança, flexibilidade, pró-actividade e inteligência emocional. A experiência profissional também conta e, como nem sempre é possível encontrar logo um bom emprego e ficar parado é negativo, é essencial enriquecer o currículo com estágios, sobretudo na área em que pretendes trabalhar. O Guia do 1º Emprego falou com duas empresas multinacionais e uma nacional sobre a importância dos estágios e dos critérios de recrutamento para o 1º Emprego. Para ficares a saber tudo, ou quase tudo sobre o que pensam os responsáveis da Danone, da Unicer e da Lóreal…! O resto, é dar gás ao currículo!

Joana Marcos Rita HR Manager Danone

A Danone aposta em pessoas que se diferenciem pelos seus currículos, personalidade e experiências ao longo da vida. Com um plano de integração para os que aqui vêm trabalhar pela primeira vez, as áreas de maior recrutamento são o marketing e a área comercial. Falámos com Joana Marcos Rita - HR Manager Danone – e confirmámos que a Danone é uma excelente escola para licenciados à procura do primeiro emprego. Qual a política de recrutamento da V. empresa para recém-licenciados à procura do 1º emprego e estagiários? A política de recrutamento passa por um processo criterioso de selecção que decorre através de entrevistas e de testes de aptidão e inventários de personalidade. Os recém-licenciados são enquadrados ora como estagiários curriculares/profissionais, ora como junior managers. A nível das candidaturas espontâneas que resposta lhes dão? Analisamo-las e arquivamo-las consoante a área funcional onde se poderiam enquadrar na Danone. 20 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Numa entrevista de recrutamento, quais os principais critérios de selecção? 1. Alinhamento com o DNA da Danone: CODE (Commitment, openenness, doer, empowered), HOPE (Humanism, Openness, proximity, enthousiasm) e revelarem ter Something Special Inside i.e, mostrarem que se diferenciaram pelas experiências enriquecedoras que têm tido ao longo da vida que lhes têm trazido mais valências, que são pessoas especiais pelos percursos e experiências que têm tido e por conseguinte pela sua forma de ser; 2. Formação Académica / Universidade; 3. Actividades extra curriculares O que têm em comum os colaboradores da v. Empresa? Têm todos eles uma boa formação académica, percursos profissionais interessantes e estão todos alinhados com o CODE e o HOPE. Quantos estagiários acabam por ficar por ano na v. empresa? Entre dois a três. Quais as áreas de maior recrutamento? Marketing e Comercial Qual o perfil de um bom estagiário? É aquele perfil que está alinhado com o CODE/HOPE e tem Something Special Inside. Existe um plano de estágio, com tarefas, responsabilidades e avaliação? Existe um plano de integração para

quando chegam, que lhes dá um overwiew do negócio e das várias áreas da companhia e os ajuda a estabelecer a sua rede de contactos internos. Sãolhes posteriormente definidas claramente as suas tarefas e o que se espera de cada uma delas. A avaliação é feita através de reuniões 1:1 ao longo do estágio. Considera que as universidades dão resposta às necessidades das empresas? De um modo geral sim. Por vezes o timing do recrutamento não coincide com os timings do período escolar. Qual a solução possível para a falta de recursos qualificados em certas áreas? No que nos diz respeito não temos sentido escassez de recursos em nenhuma área. Nalgumas áreas teremos mais dificuldade em encontrar a pessoa “completa” que procuramos, mas acabamos sempre por a encontrar. O que considera ser mais importante para um trabalhador: a remuneração, a estabilidade no emprego ou a valorização profissional? A valorização profissional. Perante a forte competitividade no sector, como gerem a questão da retenção de talentos? Gerimo-la através de uma gestão de desempenho bastante acompanhada ao longo do ano e por um processo de remuneração baseado em objectivos. n


publireportagem

Recrutamento e selecção na Ray Human, um caso de sucesso Os programas de Trainees são normalmente utilizados pelas grandes empresas presentes no mercado nacional como forma de rejuvenescimento dos seus quadros, permitindo aos recém licenciados uma inserção apoiada no mercado de trabalho e a adaptação à cultura e valores da empresa que integra. A Ray Human Capital tem gerido diversos programas de Trainees em diferentes sectores de actividade, conhecendo bem os factores de sucesso inerentes aos mesmos. Convidámos Romina Pezzola, uma das participante num destes processos, a partilhar a sua experiência acerca da entrada no mercado de trabalho. Fale-nos um pouco do seu percurso académico até à data e quais os factores que ponderou nas suas escolhas? Licenciei-me em Gestão e Engenharia Industrial no ISCTE em 2007. Optei em 2008 iniciar o mestrado executivo em Gestão Empresarial no INDEG/ISCTE, uma vez que estamos inseridos num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente onde se valoriza, e bem, a formação das pessoas. Saliento a qualidade do ensino do ISCTE, onde se destaca um prestigiado corpo docente e o reconhecimento da instituição no mundo empresarial. Que estratégias utilizou para encontrar o primeiro emprego? O ISCTE reúne informação dos finalistas e dos respectivos cursos, que disponibiliza para as maiores empresas do mercado. Fui contactada para algumas entrevistas onde elaborei minuciosamente o meu curriculum vitae com informação detalhada do curso que tinha frequentado e com os projectos profissionais em que já tinha estado inserida. Ter participado em workshops de preparação para as entrevistas foi também uma mais-valia na obtenção do meu primeiro emprego. Quais foram as dificuldades que sentiu na procura do primeiro emprego? A principal dificuldade foi conseguir focalizar-me na procura de uma área em que realmente me pudesse realizar e que me fizesse crescer profissionalmente.

É imprescindível acreditar que somos capazes. É necessário fomentar os conhecimentos que fomos adquirindo ao longo da nossa formação e mantermo-nos actualizados.

Romina Pezzola

De que forma ter recorrido a empresas especializadas em recrutamento e selecção a ajudou na procura de emprego? Empresas especializadas em recrutamento potenciam a adequação do perfil do candidato para as ofertas que as empresas dispõem. Enquanto recém-licenciados, empresas como estas auxiliam a direccionar e a orientar o melhor percurso profissional. Como foi a sua experiência no processo de selecção gerido pela Ray Human Capital? Após ter sido contactada pela Ray Human Capital, a minha experiência começou com a realização de provas online, seguida por uma dinâmica de grupo e finalmente pela realização de uma entrevista individual. Ao longo

desta avaliação senti que a Ray Human Capital contribuiu para a minha preparação na integração do projecto de selecção, assim como a concretizar o meu objectivo em conseguir integrar o maior grupo do sector financeiro português. Através das provas online na fase de recrutamento, a Ray Human Capital mostrou soluções criativas e inovadoras, permitindo uma maior comodidade aos candidatos. Saliento a disponibilidade e o empenho de toda a equipa da Ray envolvida no processo que me transmitiu confiança e transparência até ao final. Que conselhos daria aos jovens que estão agora a iniciar a busca do seu primeiro emprego? Perseverança, dinamismo e confiança. Definir metas e objectivos, uma vez que nos permite focar no essencial. É imprescindível acreditar que somos capazes. É necessário fomentar os conhecimentos que fomos adquirindo ao longo da nossa formação e mantermonos actualizados. n Guia do 1.º Emprego 2010 // 21


empresas

Henrique Melo responsável pela Direcção de Pessoal da CGD

“É essencial ser feliz a trabalhar” A Caixa Geral de Depósitos recruta uma media de 400 jovens por ano, com um único objectivo: recrutar os melhores candidatos e oferecer as melhores condições do mercado. Henrique Melo, responsável pela Direcção de Pessoal da CGD, é peremptório: esta é a melhor instituição para quem quer trabalhar no sector financeiro. Fomos ouvir o que diz o responsável 22 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

pela Direcção de Pessoal da CGD sobre políticas de recrutamento e percebemos porque razões ainda existem empresas onde as pessoas ficam 30 anos a trabalhar. Aqui vende-se dinheiro, mas comprase felicidade. A Caixa Geral de Depósitos faz uma grande aposta no recrutamento e formação de novos ta-

lentos. Qual a politica de recrutamento para recém-licenciados à procura do 1º emprego? O recrutamento é um ponto fulcral para a vida do Banco. Recrutar é construir o futuro do Banco, pois podemos estar a escolher alguém para integrar a vida desta instituição por mais de 30 anos. Para nós, o recrutamento é sempre visto como uma operação de longo prazo e uma relação bilateral entre dois


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elementos: empregadores e empregados. Neste contexto, tentamos sempre ajustar as expectativas das pessoas, tanto profissionais como pessoais, com aquilo que o Banco pode oferecer. Fazemos questão, aliás, tanto o vice-presidente do conselho administração como eu, de recebermos pessoalmente os estagiários que estão a pisar o Banco pela primeira vez… O que é uma deferência grande! Queremos aproveitar este momento para dizer às pessoas que entram no Banco pela primeira vez, que o que está em causa é a sua própria vida, e que devem usar este tempo para avaliar se o Banco satisfaz os seus anseios e objectivos e não apenas um ordenado ao fim do mês. Não queremos que as pessoas venham para cá simplesmente à procura da estabilidade do emprego,

É no trabalho que efectivamente passamos grande parte do nosso tempo útil e, por isso, as pessoas têm que encontrar espaços na empresa onde se sintam realizadas. No sector bancário, onde o negócio bancário produz tecnologia e conhecimento, o elemento diferenciador por excelência são as pessoas. Essa é a nossa maior aposta e aquilo que nos diferencia como Instituição! Como empresa que recruta uma média de 400 trabalhadores por ano, quais os critérios de selecção que utilizam, ou seja, o que mais valorizam num candidato sem experiência de trabalho? A Caixa recrutou o ano passado, em 2009, cerca de 400 pessoas. Quando recrutamos pessoas sem experiência pessoal, o que queremos? Numa candidatura temos razões de empregabili-

O recrutamento é um ponto fulcral para a vida do Banco. Recrutar é construir o futuro do Banco, pois podemos estar a escolher alguém para integrar a vida desta instituição por mais de 30 anos. mas que aqui consigam realizar as suas expectativas de vida. Esta ponderação deve ser feita durante os estágios, pois é o momento certo para determinar o que se quer da vida e do futuro profissional. Os estágios são vistos como uma forma de avaliação da vocação? Sim, pois embora o salário seja um factor importante, a realização é muito mais importante. E este é o tempo certo para determinar o que nos faz feliz. Não é ao fim de dez anos de estar numa empresa, com vidas constituídas e famílias para sustentar, que as pessoas vão ponderar o que querem fazer. Os estágios são o primeiro encontro entre a empresa e vida de cada um. Quem vier para a Caixa Geral de Depósitos tem que ser um construtor do futuro. Por isso, o recrutamento tem para nós uma importância brutal. Acreditam que colaboradores felizes serão, provavelmente, bons empregados! O que partilhamos com os que aqui chegam pela primeira vez é isso mesmo: queremos que as pessoas venham para cá não apenas para acrescentar mais valias ao trabalho, mas para fazer deste espaço um local onde se sintam felizes.

dade e razões de maturidade. Se as escolas conferem elementos suficiente de empregabilidade, isto é, se os alunos saem de lá preparados para responder tecnicamente às necessidades do mercado, precisamos da outra parte, a maturidade. E, a verdade é que neste aspecto o processo de Bolonha veio levantar algumas questões. Bolonha alterou o processo de recrutamento? Bolonha veio colocar o recrutamento nos vinte, vinte e dois anos (dantes era perto dos 25, 26 anos). Se por um lado estão asseguradas as razões de empregabilidade, pois a maior parte dos alunos é capaz de ficar tecnicamente preparado com o 1º ciclo de Bolonha, a verdade é que estes alunos têm pouca maturidade! E esta é uma obrigação que deve ser assumida pelas empresas, que devem fazer um esforço para se aproximar cada vez mais das escolas. A Caixa Geral de Depósitos está, aliás, a dar passos fundamentais de penetração junto das escolas, de forma a tornar-se apetecível junto dos alunos. De que forma fazem essa aproximação junto das Universidades? Um aluno que esteja a acabar o seu 1º ciclo de Bolonha (3º ano da Faculdade)

ou o seu 5º ano, pouco sabe acerca do mercado de trabalho. É necessário que as empresas lhe mostrem a realidade do dia-a-dia. Para colmatar esta lacuna, a Caixa tem, actualmente, um programa muito ambicioso junto de Universidades de referência, com testemunhos de pessoas que tiveram o seu primeiro contacto com o mundo de trabalho através da Caixa e estão agora empregadas na CGD. A Caixa tem estado com um programa dirigido às escolas onde mostra o que é a vida do Banco, e os aspectos mais relevantes do sector bancário. Esses encontros servem também para recrutar novos alunos? O 3º ano significa para nós o ponto de partida do recrutamento e é o que estamos a fazer junto das escolas: a apresentar a Caixa, não apenas como instituição sólida, mas como uma das marcas mais apetecidas do mercado: trabalhar num Banco português conotado como um dos 50 bancos mais sólidos do mundo, é motivo de orgulho. E os alunos têm que perceber isso! Quando vamos às Universidades, fazemos a apresentação da Caixa com testemunhos e vídeos onde mostramos a nossa actividade nos países em que estamos inseridos (23 países), o que é uma grande oportunidade para quem tem apetência para uma carreira internacional. Têm também a Academia de Verão… A Academia de Verão é o primeiro contacto dos alunos do 2º ano da Faculdade com o Banco, para perceberem melhor o que é o mercado de trabalho, o que é uma empresa, como é que um banco se organiza, o que implica estar numa agência, o que é um cliente, o que é que um cliente espera de nós, e tem como missão ajudar os alunos a descobrir a sua própria vocação, pois a maior parte dos alunos do 2º ano ainda não sabe o que quer fazer! A 1ª Academia de Verão que organizámos foi um êxito! A partir de que ano a Caixa começa a recrutar quadros para o Banco? Ao nível de recrutamento, temos vários patamares: os que têm a sua primeira experiência de trabalho com o Banco mal acabam a licenciatura, através dos estágios profissionalizantes, com uma duração de seis meses, e com tendência à integração no Banco. Entendemos que o negócio bancário não se aprende nas escolas e que estas são apenas janelas Guia do 1.º Emprego 2010 // 23


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abertas para o conhecimento.Aliás, hoje em dia, não recrutamos exclusivamente pessoas com licenciaturas vocacionadas para o sector financeiro. Temos tido a experiência de recrutar pessoas de outras área e cursos, nomeadamente psicologia e sociologia, que acabam por dar uma excelente resposta no sector financeiro e bancário, melhor do que muitos alunos de gestão e economia, vocacionados para os números. E isto é compreensível, uma vez que o Banco é um banco de relações, e não de operações. O nosso

pessoas! Mas, para continuarmos a ser o melhor Banco, temos que continuar a ter as melhores pessoas. Esta é a nossa filosofia de recrutamento: recrutar os melhores alunos e oferecer as melhores condições do sistema bancário! Oferecem as melhores condições do mercado? Oferecemos as melhores condições, quer para as pessoas que vêm fazer estágios curriculares, quer para os estágios profissionalizantes a quem queremos ensinar o que é o negócio bancário.

Queremos que as pessoas venham para cá não apenas para acrescentar mais valias ao trabalho, mas para fazer deste espaço um local onde se sintam felizes. negócio depende da relação com o cliente e por isso é tão importante a psicologia, a sociologia, o marketing, a empatia… Isso corresponde a uma nova fase do recrutamento: as empresas começam a olhar para as pessoas não só pela sua formação específica, mas pelas suas competências? O nosso lema em termos de recrutamento é este: somos o melhor Banco em termos do sistema financeiro português e também o maior Banco do sistema. Sabemos no entanto que tudo é relativo. Se amanhã dois bancos se fundirem, deixamos de ser o maior banco. Por isso, o nosso posicionamento em termos de futuro é continuar a ser o melhor banco, a marca mais sólida. Acreditamos que o elemento diferenciador são as pessoas e, aceitando que uma empresa é a imagem dos seus empregados, se somos o melhor Banco Português, é porque temos as melhores 24 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Estes estágios de seis meses são passados em agências-escolas (agências direccionadas para poderem formar as pessoas). Estas agências têm uma particularidade: toda a agência se envolve na formação dos estagiários. Aqui, o que se pretende ensinar não são conhecimentos técnicos, mas comportamentos. Em seis meses, queremos conhecer as pessoas (quem são, o seu carácter e personalidade) e queremos que as pessoas conheçam a empresa, pois insisto que não deve ser só o Banco a avaliar as pessoas, mas estas devem também avaliar o Banco! Depois, temos um contrato de um ano, em que as pessoas já têm alguma experiência de trabalho e, passado este tempo, se houver um encontro em termos de interesse, poderemos estar a recrutar alguém para os próximos trinta anos! Será que ainda podemos pensar em carreiras de trinta anos? Repare…o nosso tempo de vida útil

em termos de trabalho são cerca de trinta anos e, embora não seja obrigatório ficar todo este tempo na mesma empresa, se a opção for o sector bancário, então, este é o melhor banco para trabalhar! Por isso, o recrutador deve pensar que está a investir em determinada pessoa para 30 anos, já que ele será um dos construtores do futuro do Banco. E, de facto, o Banco oferece todas as condições para que se possa fazer aqui uma longa carreira. Queremos que as pessoas projectem aqui o seu futuro, independentemente do tempo. Considera que as universidades dão resposta às necessidades das empresas em termos da formação dos alunos? Não temos ainda esses dados, pois o processo de Bolonha é muito recente, e só agora estamos a avaliar os finalistas de Bolonha. Sabemos, no entanto, que um curso com a duração de três anos é diferente de cinco anos, e embora nos últimos anos algumas das matérias sejam repetitivas, a preparação é diferente. Neste momento, a aposta da Caixa é proporcionar às pessoas que completem o 1º ciclo, um estágio profissionalizante no Banco. Depois disso, oferecemos formação credenciada, feita por escolas de ensino superior, dirigida ao sector bancário, para que a que as pessoas possam ficar com o 2º ciclo, mas com formação dirigida. A formação é essencialmente dirigida ao sector financeiro? Sim.A nossa ideia é focalizar a formação e dispensar disciplinas curriculares que não estejam ligadas ao sector bancário. No final da formação, os alunos têm o correspondente ao 2º ciclo, mas de forma muito mais prática e dirigida ao sector em que trabalham. Este é a nossa aposta junto das escolas. É um desafio grande preparar estes alunos para o mercado de trabalho! Bolonha é ainda muito recente para que possamos aferir os resultados, as vantagens e as desvantagens. A minha convicção é que o processo é um desafio maior para as escolas do que para os alunos. Os alunos são os mesmos, o mercado de trabalho é o mesmo e as escolas têm que se preparar para dar créditos a estes alunos, para que cheguem ao mercado de trabalho com a máxima eficiência! n


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Na l’Oreal o recrutamento não é só uma política, mas um compromisso de longo prazo com as pessoas.

Filipa Rodrigues Talent Recruitment Manager & Sales Talent Manager da L’Oreal

“Procuramos pessoas com potencial de crescimento” A L’Oreal recebe diariamente dezenas de currículos de jovens licenciados à procura do 1º Emprego. Mais do que preencher lugares, esta multinacional procura pessoas com competências próprias que possam aqui desenvolver a sua carreira profissional e o seu potencial de crescimento. A Forum falou com Filipa Rodrigues – Talent Recruitment Manager & Sales Talent Manager da L’Oreal para saber quais os requisitos mais valorizados na área do recrutamento.

26 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

1. Qual a política de recrutamento da V. empresa para recém-licenciados à procura do 1º emprego e estagiários? Na l’Oreal o recrutamento não é só uma política, mas um compromisso de longo prazo com as pessoas. Não se trata de recrutar para preencher uma vaga em aberto, mas sim recrutar com o objectivo de encontrar pessoas que se podem desenvolver e fazer com que a Empresa se desenvolva, pessoas polivalentes, flexíveis, com potencial de crescimento, ou seja, com competências próprias, que irão crescer através do desenvolvimento da sua carreira conjuntamente com a l’Oreal. Seguindo sempre esta política, a l’Oreal tem desenvolvido uma forte liderança no Grupo – a grande maioria dos nossos managers e líderes foram precisamente recrutados enquanto recém-licenciados. São os recém-licenciados à procura do 1º emprego e estagiários que irão construir a l’Oreal de amanhã, abertos a uma sociedade multi-cultural e respeitando a diversidade como elemento essencial do Grupo. O recrutamento é feito para todas as áreas, desde o R&D e Produção até ao comercial, passando pelo Marketing, Logística, Finanças e Recursos Humanos. A nível das candidaturas espontâneas que tipo de resposta lhes dão? Na l’Oreal apreciamos e respondemos sempre a todas as candidaturas espontaneas, quer seja através do correio ou através do nosso site internacional, ou mesmo através do nosso Facebook. Tendo por base o princípio de “procura pelo talento” e de recrutar para o futuro, qualquer candidatura que recebemos, mesmo que não exista uma oportunidade imediata, pode vir a ser considerada em processos futuros, uma vez que os contactos permanecem na nossa base de dados. Numa entrevista de recrutamento, quais os principais critérios de selecção? Na l’Oreal não existe um perfil típico. As ideias, experiências e conhecimentos que cada um transporta para o nosso Grupo, contribuem para o desenvolvimento do nosso espírito criativo e inovador. Na l’Oreal, procuramos indivíduos criativos, curiosos, com personalidade e ideias próprias, com capacidade para agir com respeito e generosidade,


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para enfrentar problemas e encontrar soluções,“desenrascar-se”. Procuramos verdadeiros empreendedores para desenvolver uma carreira profissional dentro do Grupo. O que têm em comum os colaboradores da v. Empresa? A energia, paixão e capacidade para pensar de forma diferente, baseada na receptividade de cada pessoa aos outros e na capacidade de criar a sua própria rede de trabalho, num Grupo que valoriza personalidades atípicas e talentosas, num ambiente de produtos atraentes. A forma de trabalhar da l’Oreal incentiva os colaboradores a excederem os limites e para se reinventarem. Quantos estagiários acabam por ficar, em média por ano, na v. empresa? Os estágios na l’Oreal são desenvolvidos com um claro objectivo de recrutamento. Realizamos vários tipos de Estágios, desde Estágios de Verão, a Estágios Curriculares ou Profissionais, ou mesmo Estágios Internacionais. Assim sendo, considerando o Grupo em termos mundiais, a percentagem de estagiários que posteriormente integram a l’Oreal ronda os 80%. Quais as áreas de maior recrutamento? A l’Oreal foi criada em 1909 por um engenheiro químico – somos uma empresa global, onde a inovação tem um papel central. Assim, quando pensamos no nosso Grupo, há um mundo de oportunidades e de áreas nas quais podemos construir uma carreira de sucesso – procuramos recrutar talentos para todas as áreas de uma grande empresa, desde o R&D e produção até ao comercial, passando pelo marketing, logística, finanças e recursos humanos. Qual o perfil de um bom estagiário? O perfil de um bom estagiário é sobretudo o perfil de um bom colaborador para o futuro! Um bom estagiário tem uma paixão por projectos estimulantes, que lhes dá a energia necessária para ser bem sucedido numa empresa flexível e vigorosa. Na l’Oreal, um bom estagiário tem que “querer mais”, ter personalidade, ideias próprias e imaginação – deve privilegiar a qualidade e a atenção ao detalhe; possuir espírito empreendedor e tentar permanentemente superar o que lhe foi pedido e ultrapassar obstáculos para atingir ob-

jectivos exigentes, para assim ir desenhando a sua própria função. Existe um plano de estágio, com tarefas, responsabilidades e avaliação? A L’Oréal vê o seu Programa de Estágios como uma forma de preparar o recrutamento de talentos. Na l’Oreal os estágios são desenvolvidos com objectivos claros de pré-recrutamento e de colaboração na formação e desenvolvimento dos talentos. Há um envolvimento real em vários projectos, promovendo o desenvolvimento dos estudantes, possibilitando a aplicaçãoprática do que estudam e aprendem na

formação dos alunos, uma forte parceria entre as empresas e as universidades. A L’Oréal pauta desde sempre a sua colaboração com o mundo académico. Estabelecemos parcerias com as universidades em domínios relacionados com a nossa actividade, desenvolvendo uma série de actividades que passam por business games (excelente ferramenta reconhecida pelas suas qualidades pedagógicas, o que se comprova pela inclusão dos mesmos nos programas académicos de algumas universidades nossas parceiras), colaboração em disciplinas, case-studies, workshops e conferências (lideradas pelos nossos managers para passar

Na l’Oreal, um bom estagiário tem que “querer mais”, ter personalidade, ideias próprias e imaginação – deve privilegiar a qualidade e a atenção ao detalhe; possuir espírito empreendedor e tentar superar o que lhe foi pedido faculdade, mas desenvolvendo também uma série de competências e conhecimentos, necessários no mundo empresarial, e que não se desenvolvem somente nas aulas. Para cada estagiário é elaborado um plano de estágio onde são definidos objectivos e responsabilidades. Os estagiários são acompanhados também por um elemento da equipa de Recursos Humanos que, através de reuniões de “follow-up”, acabam por ter um importante seguimento em termos de integração e desenvolvimento. A avaliação é feita de acordo com as competências da l’Oreal e prevê 3 momentos chave no percurso do estagiário – início, meio e final do estágio.A partilha dos objectivos e responsabilidades ocorre na primeira entrevista, a meio realiza-se um balanço do estágio (onde são identificados os maiores contributos até à data e identificam-se as oportunidades de melhoria e desenvolvimento) e, no final, idealmente cerca de 1 mês a 3 semanas antes do término do estágio, realiza-se a entrevista final. Desta forma, o sistema permite uma real aproximação ao sistema de avaliação dos colaboradores e desta forma, permite a preparação do estagiário para uma possível integração no Grupo. Considera que as universidades dão resposta às necessidades das empresas? Acreditamos ser fundamental para a

o nosso “saber-fazer” através de participação em aulas ou contactos informais com os alunos) e work projects/business projects e estágios (que possibilitam a aplicação prática dos conhecimentos apreendidos na universidade, num ambiente profissional e em projectos reais da Empresa). O que considera ser mais importante para um trabalhador: a remuneração, a estabilidade no emprego ou a valorização profissional? Todas as componentes são importantes para um trabalhador. Não existe, globalmente falando, uma componente mais importante do que a outra. A diversidade de perfis existentes nas empresas faz com que cada indivíduo valorize coisas diferentes ao longo da sua carreira. Possivelmente a geração mais nova, quando entra no mercado de trabalho, valoriza mais a diversidade de missões e a possibilidade de aprender e desenvolver-se profissionalmente, enquanto que, noutras fases da carreira, a estabilidade, a flexibilidade ou mesmo a remuneração, assumem posições de maior relevância. Assim, penso que o mais importante para um colaborador é mesmo a possibilidade de encontrar políticas de recursos humanos consistentes mas flexíveis, que acompanhem o percurso individual de cada um e respeitem as necessidades e prioridades ao longo da sua carreira. n Guia do 1.º Emprego 2010 // 27


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Qual o critério para se poder fazer um estágio na V. empresa? (recémlicenciados, licenciados, à procura do 1º emprego?) Os critérios variam consoante o tipo de estágio a que concorre. Os estágios na Unicer podem ser genericamente de 3 tipos: › Curriculares ou para desenvolvimento de Projectos: Destino a alunos cuja Faculdade/ Escola integra esta tipologia de aproximação às empresas no próprio plano Curricular; › Estágios profissionais Unicer:Tipicamente ocupado por pessoas que vão para a primeira experiência profissional após terminarem os seus estudos; › Programas de Trainees: para recém-licenciados; Qual o procedimento habitual para recrutar estagiários? Através de candidaturas espontâneas, anúncios no jornal, recrutamento directo nas universidades? O recrutamento de estagiários é feito: por análise dos Curriculum Vitae enviados de forma espontânea; por pedido da escola para a Unicer; ou através da divulgação de vagas que acontecem por iniciativa da Unicer junto das próprias escolas ou no site Unicer.

Joana Queiroz Ribeiro Directora de Pessoas e Comunicação da Unicer

“Privilegiamos o espírito de iniciativa, a flexibilidade e o comportamento social” A Unicer, a maior empresa do sector das bebidas em Portugal, é considerada um caso de sucesso, tanto em termos de qualidade de serviços como valor das suas marcas. No recrutamento de novos colaboradores valoriza a personalidade, o grau de motivação, o comportamento social, a atitude perante as diferentes situações e a fluidez do discurso. Os conhecimentos técnicos, embora importantes, não são o único critério de escolha. Falámos com Joana Queiroz Ribeiro, Directora de Pessoas e Comunicação da Unicer para saber o que está por trás das políticas de recrutamento desta grande Empresa. 28 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

um estágio deve representar sempre um momento de aprendizagem e enriquecimento para o próprio estagiário Como escolhem os potenciais candidatos? Existe uma entrevista de selecção? O que está na base dessa avaliação? O processo de selecção é diferenciado consoante o tipo de estágios, sendo que estes dependem também da implementação dos projectos/actividades nas diferentes áreas compatíveis com a “integração” de estagiários. A empresa tem um rigoroso processo de recrutamento que passa por diferentes estádios de avaliação e, só posteriormente, é tomada a decisão de o candidato integrar ou não a Unicer. Se for um Estágio Curricular, o processo de selecção é feito mediante avaliação curricular. Tem como complemento uma entrevista de apresentação mútua, onde são aferidas expectativas e apre-


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sentadas possíveis actividades. Os Estágios Profissionais e os Programas de Trainees resultam de candidaturas espontâneas ou de resposta a divulgação de vagas.Após recepção das candidaturas o processo é mais ou menos abrangente, podendo implicar entrevista (para apresentação da empresa e da área e na qual se detalha o processo curricular do candidato, expectativas, etc.), avaliação do perfil ou provas de grupo. Qual a remuneração típica de um estagiário sem experiência profissional? A Unicer atribui uma bolsa no caso dos Estágios Profissionais e no âmbito dos Programas de Trainees. E a duração média de um estágio? A duração dos Estágios Curriculares

sional do candidato, em função do cargo. Para além dos conhecimentos técnicos do candidato, numa primeira fase, consideramos a motivação, o comportamento social, a atitude perante cada situação e até a fluidez do discurso. Para integrar a equipa da Unicer, de uma forma geral, privilegiamos o espírito de iniciativa, o trabalho de equipa e a cooperação, a capacidade de entrega de resultados e a flexibilidade e iniciativa. Existe um plano de estágio, com tarefas, responsabilidades e avaliação? A Unicer, tendo sempre por base e orientação o princípio de que um estágio deve representar sempre um momento de aprendizagem e enriquecimento para o próprio estagiário, atribui

Para integrar a equipa da Unicer, de uma forma geral, privilegiamos o espírito de iniciativa, o trabalho de equipa e a cooperação, a capacidade de entrega de resultados e a flexibilidade e iniciativa. na Unicer varia consoante o tempo que cada Escola estipula no Plano Curricular de cada curso. A duração dos Estágios Profissionais varia entre 6 a 12 meses. Quantos estagiários acabam por ficar, em média por ano, na v. empresa? É muito variável. A integração na empresa após conclusão dos estágios (independentemente do tipo de estágio) está dependente das necessidades sentidas na altura em função dos projectos em curso e do desempenho do próprio estagiário (todos os estagiários são sujeitos a uma avaliação por parte do superior hierárquico). Quais as áreas onde colocam, habitualmente, mais estagiários? Uma vez que decorrem vários projectos transversais à empresa, as áreas implicadas são muito abrangentes; a título de exemplo podemos referir áreas comerciais e de supply chain. Normalmente, tendo em consideração os meios humanos disponíveis para prestar o melhor acompanhamento, toda a estrutura da empresa, ao longo do ano, tem estágios afectos. Qual o perfil de um bom estagiário? Durante o processo de selecção é feita uma análise ao perfil pessoal e profis-

ao mesmo um conjunto de responsabilidades de acordo com a área na qual está integrado e/ou mediante o projecto curricular a desenvolver. No final, todos os estagiários são sujeitos a uma avaliação por parte do orientador. A partir do momento em que o estagiário é integrado na empresa e na respectiva equipa, a Unicer assegura um conjunto de iniciativas que passam por: › Garantir a integração nos programas de acolhimento Unicer, promovendo o conhecimento da empresa, da estratégia e das marcas/produtos; › Garantir a boa integração nas equipas, havendo sempre a definição de um orientador Unicer a quem cabe o acompanhamento do estagiário; › Promover o contacto com os orientadores durante o período do estágio; › Promover o acesso aos meios de comunicação interna e diferentes iniciativas Unicer; › Nalguns casos, existe mesmo a integração dos estagiários em programas de formação Unicer que se julgue relevantes. Considera que as universidades dão resposta às necessidades das empresas? De uma forma geral há uma boa preparação técnica que é disponibilizada pelas universidades portuguesas. Para-

lelamente, os programas de estágio contemplados por diferentes escolas/Universidades/Faculdades e nos quais a Unicer tem vindo a participar activamente, surge como uma forma de fomentar a “imersão em meio de trabalho” tão importante na formação dos “novos quadros”. Efectivamente, e à margem das competências técnicas - que são importantes -, o trabalho e a preparação dos alunos dos diferentes cursos, num conjunto de competências comportamentais, é essencial. Actualmente é também no “desempenho destas competências” que se diferenciam os profissionais. Qual a solução possível para a falta de recursos qualificados em certas áreas? Deverá existir uma cooperação cada vez mais estreita entre o mundo empresarial e os estabelecimentos de ensino superior. Isto irá assegurar (e até fomentar) que os cursos e os programas curriculares estejam efectivamente de acordo com as necessidades sentidas pelas empresas, o que irá promover a maior qualificação dos alunos e a sua integração no mercado de trabalho. O que considera ser mais importante para um trabalhador: a remuneração, a estabilidade no emprego, ou a valorização profissional? Penso que de uma forma global, os colaboradores de qualquer empresa valorizam todos esses factores. São condições necessárias para se alcançar o equilíbrio profissional e pessoal. Perante a forte competitividade no sector, como gerem a questão da retenção de talentos? A Unicer procura partilhar a sua estratégia com os colaboradores, o que permite uma comunicação mais transparente e faz com que os próprios colaboradores se sintam mais envolvidos e efectivamente parte integrante da empresa. Ao sentirem-se envolvidos, sentem-se mais motivados e empenhados em contribuir para o sucesso da sua empresa e para o seu próprio desempenho profissional e evolução na empresa. Porque é com Pessoas e para Pessoas que a Unicer trabalha, a empresa investe no capital humano e na formação contínua dos colaboradores, o que permite a valorização e recompensa pessoal de cada colaborador e a melhoria do seu desempenho profissional. n Guia do 1.º Emprego 2010 // 29


trabalhar no estrangeiro

Sem limites... nem fronteiras Adoras viajar, conhecer outras culturas e até já pensaste em trabalhar num país estrangeiro? Se é este o teu sonho prepara-te porque a tua vida vai mudar e, para que tudo corra bem, é fundamental preparares bem esta nova etapa. O Guia Forum Emprego ajuda-te. Pronto para o desafio? Num mundo fortemente globalizado, trabalhar fora do país é cada vez mais normal. Trabalhar no estrangeiro abre horizontes, enriquece a experiencia e dar-te-á argumentos para mais facilmente te inserires no mercado de trabalho, seja em Portugal seja em qualquer outro país. No entanto, apesar de poder parecer simples, há que estar bem informado para poder fazer as opções certas.

Acaba com as dúvidas Quais as vantagens de me mudar para outro país? É uma verdadeira mudança de ambiente, novos horizontes pessoais, contacto diário com uma cultura diferente. Encontras aqui a oportunidade ideal de aprender uma nova língua e de obter novas experiências profissionais. Tenho livre acesso a qualquer tipo de emprego, se me mudar para outro país europeu? Alguns países condicionam o acesso a determinadas actividades profissionais ou outras qualificações específicas. É muito importante saber se a profissão está regulamentada ou não (para o caso de algumas profissões). As profissões regulamentadas são aquelas restritas a pessoas com determinadas habilitações (advogados, contabilistas, professores, engenheiros, paramédicos, médicos, dentistas, cirurgiões veterinários, farmacêuticos e arquitectos, por exemplo). Qual é o tipo de currículo mais adequado para utilizar a nível europeu? Um Curriculum Vitae claro, bem estruturado e direccionado para um emprego específico na língua do país de acolhimento. Encontra o modelo em www.cedefop.europa.eu. 30 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Este é um passo importante que deve ser muito bem preparado. Antes de mais tens de definir se queres começar logo por um emprego ou se gostarias de começar por um estágio? Se é um emprego e ainda não tens uma oferta, tens de escolher se preferes trabalhar na Europa ou em qualquer outro país do mundo. Não te esqueças que ao mudar de país, vai mudar muita coisa. Cultura, clima, hábitos, legislação, moeda, religião, etc. etc. Quanto melhor for a preparação, mais facilmente a tua experiência será bem sucedida. Aqui ficam alguns conselhos: Europa: Um dos primeiros passos pode ser dado com a EURES www.eures.europa.eu. Esta é a rede europeia de serviços de emprego e tem como intuito facilitar a livre circulação dos trabalhadores no Espaço

Como posso candidatar-me a um emprego na Europa? Inscreve-te através do Portal Europeu da Mobilidade dos Trabalhadores (www.eures.europa.eu). Ao seleccionares “Procurar emprego” tens acesso a vagas de emprego em 31 países europeus. Para tal, faz o teu registo gratuito em “O meu EURES” para candidatos a emprego. Aí poderás criar o teu CV e torná-lo acessível aos empregadores registados e aos conselheiros EURES, que ajudam os empregadores a encontrar os candidatos adequados. Depois basta esperares que entrem em contacto contigo para as acções de recrutamento, que decorrem geralmente em Lisboa e no Porto. Caso tenhas dúvidas, podes sempre entrar em contacto com o centro de emprego do IEFP mais perto de ti.


trabalhar no estrangeiro

Económico Europeu e na Suíça. Criada em 1993, a rede tem como parceiros os serviços públicos de emprego, os sindicatos e as organizações de empregadores. Este portal para além de disponibilizar informação sobre a circulação de trabalhadores, situação e tendências evolutivas do mercado de trabalho, condições de vida e trabalho nos 31 países membros da rede, proporciona também uma bolsa de emprego e divulga diariamente mais de 1 milhão de ofertas de emprego. Aqui poderás candidatar-te às ofertas de trabalho disponibilizadas. Sabias que quem procura estes serviços são principalmente jovens? Mais de 64% têm idade igual ou inferior a 35 anos. No EURES tens também informações práticas sobre o país que escolheres. Não deixes de as ler. Fora da Europa: Para quem opta por sair da Europa encontrará a informação mais dispersa. Os critérios de selecção deverão ser mais cuidadosos porque, como a oferta não é triada, podem aumentar as ofertas pouco aconselháveis. Há inúmeros sites que disponibilizam informação sobre empregos em todo o mundo. Para acederes a esses sites vai a forumemprego.pt e clica em Estágios: Se esta é a tua opção então começa por pesquisar no site do programa Inov Contacto (http://live.networkcontacto.com/pt/Paginas/default.aspx) Este programa , liderado pelo Ministério da Economia através do AIECEP, teve no ano de 2009, mais de 2000 candidatos, tendo partido para estágio cerca de 550. Consulta o site. Outra das instituições que promove estágios internacionais é a AIESEC www.aiesec.org/cms/aiesec/AI/Western%20Europe%20and%20North%20A merica/PORTUGAL/Estudantes/Pq/i ndex.html - Esta Associação de estudantes, está presente em mais de 100 países e desenvolveu um completo programa de estágios que podem ser uma boa oportunidade de fazeres a tua primeira experiência profissional no estrangeiro. Há ainda um site da União Europeia com vários links para instituições que promovem estágios. Descobre aquele que se coaduna com o teu perfil: europa.eu/youth/working/traineeships/in dex_eu_pt.html Para saberes mais não percas tempo vai a www.forumemprego.pt n

Testemunhos Trabalhar no estrangeiro pode ser uma mais-valia para ti. Mudas de ambiente, conheces novas culturas e traças novos horizontes. A prová-lo estão os três portugueses que te apresentamos e que decidiram trabalhar além fronteiras. Os resultados estão à vista e revelam que é uma experiência que vale a pena. “Trabalhar lá fora é diferente” David Cadete, 24 anos Para muitos a Disney é apenas diversão. Para David, durante seis meses, foi uma experiência profissional pela qual ansiava desde que terminou o curso de Gestão Turística e Cultural, na Escola Superior de Gestão de Tomar. “Não criei muitas expectativas. Mas foi uma experiência muito boa. É um ambiente idêntico ao que temos na faculdade. Fui sozinho, mas lá conheci outros jovens vindos da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril e acabámos por ser 10 portugueses a trabalhar na Disney”. Conselho: “a Internet é uma ferramenta muito boa para quem quer ir trabalhar para o estrangeiro. Há ainda vários programas e bolsas. Por isso, aconselho a quem estiver interessado que se informe, pesquise e, se conhecer alguém que esteja lá fora, peça-lhe informações”. “Mais do que a experiência científica, foi muito importante a nível pessoal” Maria Manuel da Mota, 38 anos Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciência da Universidade do Porto, Maria começou por fazer o mestrado na cidade portuense, mas acabou-o em Londres. Seguiu-se o doutoramento e o pós-doutoramento, que lhe permitiu dar o salto para Nova Iorque. Hoje é investigadora no Instituto de Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, na Unidade de Malária, e diz que “a experiência em Inglaterra foi fantástica. Conheci muitas pessoas diferentes. Mais do que uma

experiência científica, foi muito importante a nível pessoal”. Conselho: “Escolhe um sítio onde gostarias de estar. Enquanto se é jovem deve-se estar mais aberto a novas experiências. Não te deves inibir de contactar os professores, porque te podem ajudar. E se tiveres vontade e fores para um sítio que queres, a probabilidade de correr bem é muito maior”. “Trabalhar no estrangeiro é o novo paradigma a nível de negócios” António Baptista, 25 anos Uma língua diferente, outra cultura profissional, e toda a aprendizagem que advém de viver numa nova cidade levam António a falar na importância da mobilidade europeia e da enorme capacidade de adaptação dos portugueses que procuram um trabalho no estrangeiro. Para este jovem, mestre em Gestão pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, há cada vez mais empresas portuguesas, de média dimensão, a ter representação no estrangeiro. Por isso, “no espaço europeu, e no contexto da globalização, trabalhar lá fora é uma mais-valia”. E adianta que, nesta medida, torna-se o novo paradigma a nível de negócio. Foi uma experiência interessante. Já tinha tido algumas experiências lá fora, sem ser a nível profissional, como voluntário, por exemplo, e foi muito bom”. O estágio no estrangeiro, pelo programa Inov Contacto, foi a terceira experiência no estrangeiro, após ter estudado no Canadá, ao abrigo do programa Sócrates, e ter feito voluntariado em Moçambique. “Sempre quis seguir este caminho a nível profissional”, frisa. Conselho: “Arrisquem. Nós, como portugueses, somos mais versáteis que alguns dos nossos colegas europeus, porque temos facilidade em falar as outras línguas, capacidade de adaptação, e conseguimos fazer tudo muito bem”.

Guia do 1.º Emprego 2010 // 31


recrutamento

O perfil certo Bons currículos não chegam para arranjar emprego. As competências sociais e as características pessoais ajudam muito. Em alguns casos, são mesmo determinantes. Por outro lado, o comportamento de um candidato numa entrevista de recrutamento pode influenciar positivamente ou, pelo contrário, colocá-lo fora da corrida num simples aperto de mão. O Guia do 1º Emprego pediu a três recrutadores que identificassem as qualidades mais valorizadas no mercado de trabalho, bem como os principais critérios na avaliação de um candidato a um emprego e ainda as áreas consideradas mais promissoras em termos de emprego. Ana Cardoso, directora do grupo Egor, Mariana Branquinho da Fonseca, Partner da Heidrick & Strugles, Consultores e Gestão e Miguel Abreu, da Ray Human Capital fazem uma análise sobre o mercado de trabalho, com dicas de ouro para quem está à procura de emprego.

Ana Cardoso Directora do Grupo EGOR

Como avaliar o perfil de um candidato? Para recrutar a pessoa certa para o lugar certo, é necessário avaliar os conhecimentos técnicos e a experiencia profissional, mas sobretudo as competências de natureza comportamental. Quem o diz é Ana Cardoso, directora do Grupo da Egor, que reconhece a importância destes factores no sucesso de qualquer empresa. Forum Emprego - Num mundo em permanente mudança, os critérios de avaliação dos candidatos vão-se alterando, ou continuam a ser os mesmos? Num mundo em constante mudança, chegam novas exigências de produtividade, competitividade e mobilidade, que lançam desafios às organizações. É hoje assumido que a capacidade de sobrevivência das empresas depende fortemente das competências e características dos seus colaboradores. Se, num passado não muito distante, as empresas optavam pela valorização técnica e pro32 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

fissional, avaliando quase exclusivamente capacidades práticas de execução laboral, actualmente são enaltecidas de forma crescente aptidões transversais e do foro comportamental, como por exemplo competências de comunicação/ negociação, relacionamento interpessoal, iniciativa, inovação, criatividade, etc. Consequentemente, e no pressuposto de que as organizações mais competitivas são as que conseguem tirar melhor partido da potencialidade dos indivíduos que as integram, assiste-se ao deslocar do paradigma das qualificações, mais ligado à tarefa e ao trabalho, para o pa-

radigma das competências, mais ancorado no indivíduo. O que é mais importante na avaliação de um candidato: a formação académica, a experiência profissional ou as competências profissionais? Todos os factores são importantes e têm que ser avaliados conjuntamente, dependendo naturalmente do perfil requerido. Ou seja, para se realizar uma avaliação objectiva do perfil do candidato é necessário averiguar a sua formação, experiência e vivências profissionais, para além de outros requisitos


recrutamento

específicos à função que se afigurem relevantes. Mas para além dos necessários conhecimentos técnicos e/ou experiência profissional, o actual profissional necessita também de reunir um conjunto de competências genéricas de carácter pessoal e interpessoal. Deve ainda dominar toda uma panóplia de competências instrumentais. O próprio conceito de competência

Quais os defeitos que considera mais graves? Se considerarmos a flexibilidade um dos requisitos fundamentais à integração do mercado de trabalho, esta requer um investimento a longo prazo por parte dos profissionais em termos de disponibilidade para aprender e em termos de motivação para vir a assumir funções diferentes ao longo do seu ciclo de vida. Assim, a falta de capacidade e

O segredo de uma empresa bem sucedida reside no integrar de valores e talentos humanos capazes de pensar, interpretar, raciocinar e agir em prol do sucesso colectivo da organização. de atitude a uma aprendizagem permanente e à mudança ao longo da vida profissional, serão seguramente condicionadores à carreira profissional. Existe um perfil de candidato ideal? Existe. Mas que é diferente do perfil do candidato real. Se não vejamos, popub

evoluiu: falar de competências hoje é falar sobretudo de comportamentos ou acções (e não apenas de qualificações, ou mesmo de características pessoais). Desta forma, as organizações assumem cada vez mais, que o segredo de uma empresa bem sucedida reside no integrar de valores e talentos humanos capazes de pensar, interpretar, raciocinar e agir em prol do sucesso colectivo da organização. Assim, no quadro actual das organizações, possuir conhecimentos em domínios técnicos altamente especializados, saber gerir a informação ou usar a tecnologia, revela-se por si só insuficiente para garantir um comportamento de sucesso em termos de actuação profissional. Importa também dominar um conjunto de outras competências de natureza comportamental que, sem serem suficientes, são seguramente necessárias. Relativamente à personalidade dos candidatos, qual o requisito fundamental para integração no mercado de trabalho? A adaptação rápida às mudanças – única constante do mundo actual – exige a flexibilização do emprego, da organização e das pessoas. Aquilo a que se vai assistir, é ao acelerar da mudança nas formas de trabalhar em consequência do desenvolvimento tecnológico. E cada vez mais esta evolução tecnológica afecta a natureza do trabalho e requer uma evolução das competências dos profissionais, de modo a que estes se possam adaptar à evolução da sua profissão e postos de trabalho. Esta capacidade de adaptação é designada flexibilidade funcional. Como tal, flexibilidade é hoje um requisito essencial à integração no mercado de trabalho.

deríamos considerar como candidato “ideal” aquele que corresponderia a 100% aos seguintes critérios: bom nos números, bom a escrever relatórios, bom na escrita criativa, bom a falar com outras pessoas, bom a persuadir os outros, bom a tomar decisões, bom a resolver problemas, bom a organizar o seu tempo e a definir prioridades de trabalho, capaz de delegar tarefas nos outros, bom a ensinar competências, capaz de trabalhar sob pressão, bom a motivar outros, capaz de aprender tarefas ou assimilar informação rapidamente, etc., etc. Provavelmente, o candidato “real” corresponderá a 50% - o que já é muito bom. De facto, o importante é perceber quais os principais requisitos e competências para o bom desempenho de determinada função, ou seja, quais os factores críticos a ter em conta e não uma lista exaustiva, e por isso mesmo irrealista, de competências. E esse será seguramente o perfil do candidato que se pretende.

Guia do 1.º Emprego 2010 // 33


recrutamento

O que causa melhor impressão num entrevistado? Se o entrevistado souber bem o que tem para oferecer e conseguir demonstrá-lo de maneira eficaz, estará no bom caminho para fazer uma boa entrevista. Quais as áreas com maior empregabilidade, ou seja, quais as áreas consideradas mais promissoras em termos de emprego, no futuro? A constante mutação que caracteriza o mercado de trabalho leva-nos a prever que ocorram tendências oscilantes nas áreas que vão registando maior procura. No entanto, uma coisa é certa: no futuro, o mercado de trabalho será mais qualificado e flexível. Do mesmo modo que a exigência vai ser maior depois da crise: as empresas vão querer não só menos gente, como gente mais qualificada. De qualquer forma, actualmente e nos tempos mais próximos, cursos como medicina ou em áreas de saúde em geral, assim como em áreas tecnológicas (informática, engenharia, etc.) ou hotelaria e restauração, são cursos bastante requisitados pelas empresas e como tal, com

com muita determinação. Tal implica dedicar-lhe tempo e dedicação. Procurar emprego é um trabalho a tempo inteiro e pressupõe sempre trabalho pessoal e um plano de acção. Assim, o 1º passo para ser bem sucedido é saber exactamente o que se quer e canalizar esforços e energias nesse sentido. Não faz sentido “disparar em todas as direcções”, partindo do pressuposto que desta forma terá mais possibilidades de acertar no alvo. Ou seja, a resposta “em série” (como por ex., responder a todos os anúncios indiscriminadamente ou enviar em catadupa) ou uma “edição” em massa do curriculum é uma perda de tempo. Pelo contrário, a resposta a um anúncio deve ser coerente: a carta de candidatura deve explicitar as razões do interesse na função e o currículo deve comprovar um conjunto de conhecimentos e experiências consonantes com o cargo a que se concorre. Um 2º passo será pesquisar e preparar-se bem para a entrevista – por exemplo, pesquisar informação fundamental sobre a empresa a que se candidata (historial, produtos, características, objec-

O 1º passo para ser bem sucedido é saber exactamente o que se quer e canalizar esforços e energias nesse sentido. mais hipóteses de saídas profissionais. E quais os empregos do futuro? Actualmente o sector das energias renováveis e alternativas está optimista, tendo um estudo recente revelado a tendência para a maioria das empresas actuantes neste sector, preverem um aumento significativo ao nível do seu capital humano. Mas a existirem certezas acerca do mundo de trabalho de amanhã, provavelmente elas serão uma maior exigência no que respeita à qualificação da força de trabalho e uma organização laboral onde a flexibilidade será a palavra de ordem. Também provavelmente um mundo mais especialista e global onde, para se vencer, é fundamental um elevado nível de educação, de formação e de especialização. Daí que, no futuro, será cada vez mais acentuada a diferença entre as pessoas qualificadas e as não qualificadas em termos de oportunidades. Que conselho daria a um jovem que inicia a jornada de procurar o 1º emprego? Se um jovem procura o seu 1º emprego, então tem de encarar este objectivo 34 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

tivos, concorrentes no mercado, etc.). Na entrevista, dar as respostas e fazer as perguntas mais adequadas no encontro para obter emprego, é igualmente fundamental para ter sucesso. E, se alguma dose de ilusão misturada com optimismo e entusiasmo, são uma excelente receita para enfrentar o mercado de trabalho, convém também não perder a noção da realidade e manter os pés bem assentes no chão. Por exemplo, jogar na antecipação pode ser um bom começo: aproximar-se do mercado de trabalho antes de terminar os estudos, permite ganhar tempo e preparar melhor essa entrada. Do mesmo modo que experiências práticas e/ou estágios em simultâneo com os estudos são, sem dúvida, maisvalias para a valorização curricular de cada um. Perceber igualmente, que um salário de início de carreira nem sempre corresponde às melhores expectativas mas que tal não é motivo para desperdiçar oportunidades. Nem sempre tudo é o que parece e, por vezes, um cenário

pouco atractivo pode, passada a fase de integração, surpreender pela positiva. Qual o erro mais frequente num processo de recrutamento por parte do entrevistador? E por parte do entrevistado? As pesquisas mostram que as entrevistas são um instrumento importante, mas algo falível – o desempenho passado, provas de situação ou testes são provavelmente menos falíveis - para avaliar o futuro desempenho. De qualquer forma continuam a ser cruciais em qualquer processo de selecção para um emprego. Daí que o entrevistado não as deve encarar de ânimo leve mas, ao contrário, dedicar o tempo necessário ao seu planeamento e preparação. Estudos também indicam que o resultado da entrevista muitas vezes é decidido nos primeiros 2 ou 3 minutos, quando é realizada por um entrevistador sem preparação específica e que estas decisões são tomadas a nível intuitivo e dependem da relação que se estabelece entre o entrevistador e o candidato. Tal significa que o entrevistador pouco experiente ou preparado, pode incorrer facilmente em avaliações precipitadas e incorrectas. A diversidade e quantidade de cursos existente e o nível de preparação dos licenciados, satisfazem as necessidades do mercado? A diversidade e quantidade de cursos existentes é suficiente em termos genéricos, muito embora haja desequilíbrios face às reais necessidades do mercado. Para satisfazer as necessidades do mercado, e por conseguinte das empresas, os estabelecimentos de ensino devem fomentar e rever as articulações com o meio empresarial, nomeadamente através de projectos específicos, estágios ou divulgação dos cursos junto das entidades empregadoras. Numa economia cada vez mais global, é essencial para os futuros profissionais, uma maior exposição a línguas e culturas, ou seja, um envolvimento alémfronteiras. Daí que o incentivo a intercâmbios internacionais devam ser prioritários ainda no decorrer da vida académica. Do mesmo modo, as profissões de hoje e de um futuro muito próximo, vão exigir competências em TIC (tecnologias de informação e comunicação) em todos os sectores, fazendo com que as competências tecnológicas assumam uma prioridade crucial no ensino e na formação. n


recrutamento

O que causa melhor impressão num candidato? Para ser bem sucedido é necessário estar atento ao mundo à volta e ter acesso a informação relevante, de forma a reagir primeiro que os outros. Tão importante como isso é, conforme afirma Mariana Branquinho da Fonseca, da Heidrick, adaptar-se à cultura da empresa e ao mercado em que se está inserido.

Mariana Branquinho da Fonseca pub

Partner da Heidrick & Strugles, Consultores e Gestão

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A MultiWay tem três sugestões para aumentar as suas perspectivas de emprego Melhore os seus conhecimentos linguísticos: faça um curso no país onde a língua é falada u Altere rapidamente o seu rumo, se sentir que não vai conseguir emprego: num ano pode obter um Diploma de Gestão Hoteleira na Suíça u Não fique parada se não conseguir logo um emprego: um ano num programa Au Pair nos EUA pode proporcionar-lhe novas oportunidades

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recrutamento

Num mundo em permanente mudança, o bom profissional dos dias de hoje corresponde ao bom profissional de há 10 anos? O que mudou? Há uns anos atrás, o bom profissional era aquele que desempenhava bem a sua função, que dominava a sua área de expertise e tinha a capacidade de apresentar resultados. Actualmente isso não basta. É fundamental para o profissional de hoje estar atento ao que se passa à sua volta, não só dentro da empresa onde

rios requisitos, mas de uma forma geral e na minha opinião, o que é importante é que a pessoa tenha verdadeiramente vontade de trabalhar (já diz o ditado que “querer é poder”), demonstre proactividade e iniciativa e um grande sentido de responsabilidade. Que defeitos que considera mais graves? Acho que o inverso do que disse acima, ou seja a preguiça (mental e física), a reactividade e a desresponsabilização.

Aquilo que por vezes me surpreende com os recém licenciados que vou contactando, são as exigências que colocam num primeiro emprego e a preocupação excessiva com aquilo que recebem em troca trabalha, nomeadamente contactando e conhecendo os diversos departamentos / áreas e pessoas que aí trabalham, como também com o mercado em que está inserido. O estar atento ao que se passa à sua volta, poderá permitir-lhe ter acesso mais cedo e mais rápido a informação relevante para a sua actividade, podendo assim reagir e surpreender os outros. O que é mais importante na avaliação de um candidato: a formação académica, a experiência profissional ou as competências profissionais? O que se valoriza na avaliação de um candidato varia consoante a função a que se candidata, da empresa em si e do respectivo contexto. De qualquer forma, à medida que se evolui na carreira profissional, menor é a importância da componente académica e maior o peso que se dá à experiência profissional e às competências de gestão e liderança que o profissional tem vindo a adquirir e desenvolver. No entanto, é de salientar que nos últimos anos, e de uma forma geral, as empresas têm dado um peso crescente às competências comportamentais. Este movimento é justificado pelo facto de estas competências serem fundamentais para a adaptação da pessoa à cultura da empresa – no limite podemos estar perante um profissional tecnicamente muito competente e conhecedor, mas que, por uma incapacidade de se adaptar à cultura da empresa, não consegue entregar resultados. Relativamente à personalidade dos candidatos, qual o requisito fundamental para integração no mercado de trabalho? Mais uma vez acho que podemos ter vá36 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

Qual o erro mais frequente num processo de recrutamento por parte do entrevistador? E por parte do candidato? Entrevistador: não se preparar para a entrevista e não ter claro o que pretende avaliar no candidato. Candidato: Não se preparar correctamente para a entrevista, nomeadamente procurando obter informação sobre a empresa / função a que se está a candidatar. Existe um perfil de candidato ideal? Não existe um perfil ideal, o perfil varia muito consoante a função / empresa a que a pessoa se está a candidatar. Quando se fala em perfil estamos a falar num conjunto de aspectos desde a qualificação académica, experiência profissional, características pessoais e competências de gestão. O que causa melhor impressão num entrevistado? Acho que várias coisas das quais destacaria: um discurso claro, sendo capaz de apresentar as suas opiniões e as suas decisões de forma sustentada; demonstrar que se preparou para a entrevista através das perguntas e / ou comentários que possa fazer. Quais as áreas com maior empregabilidade ou seja, quais as áreas consideradas mais promissoras em termos de emprego, no futuro? É difícil prever quais as áreas / sectores onde poderá haver mais empregabilidade no futuro. Eu apostaria numa formação que desse uma boa base técnica, mas ao mesmo tempo desenvolvesse a capacidade analítica e de resolução de problemas, adquirindo as-

sim alguma flexibilidade, que pode permitir adaptar-se rapidamente a novas situações. Assim as áreas de Engenharia, Gestão e Economia, Ciências, seriam a minha eleição. Acima de tudo para uma pessoa ser um bom profissional, tem que ser capaz de conciliar dois aspectos na sua profissão – gostar muito do que faz e ser muito bom naquilo que faz. Que empregos estarão no top daqui a 5 anos? Existirá sempre espaço/necessidade para todos os grupos profissionais. Pelas características do nosso mercado as funções comerciais/desenvolvimento de negócio, bem como as tecnológicas, serão provavelmente aquelas mais solicitadas no futuro próximo. No entanto, iremos verificar uma necessidade cada vez maior dessas mesmas profissões se adaptarem à envolvente externa e a toda a evolução tecnológica e social existente. Isto significa que a forma como um Engenheiro, Professor ou Gestor desenvolvem o seu trabalho hoje será diferente de como o fará daqui a 5 ou 10 anos. A diversidade e quantidade de cursos existentes, e o nível de preparação dos licenciados satisfazem as necessidades do mercado? Não tenho um grande contacto com recém licenciados pelo que tenho alguma dificuldade em responder a esta questão. Mais do que a preparação técnica, aquilo que por vezes me surpreende com os recém licenciados que vou contactando, são as exigências que colocam num primeiro emprego e a preocupação excessiva com aquilo que recebem em troca. Acho que num primeiro emprego, a pessoa deveria estar preocupada em aprender o máximo, e, ao mesmo tempo, perceber o que efectivamente gosta de fazer. O que aconselharia a um(a) recém-licenciado(a) que pretenda ingressar no mercado de trabalho? Começar a trabalhar o mais rapidamente possível para ter contacto com o mercado de trabalho e com a realidade empresarial. Deve avaliar as oportunidades de trabalho, tendo por base a contribuição que estas terão para o seu desenvolvimento profissional. Dedicação, responsabilidade e capacidade de trabalho são elementos fundamentais, aos quais juntaria, como disse acima, proactividade e iniciativa. n


recrutamento

Miguel Abreu Ray Human Capital

O que deve fazer um recém licenciado para ingressar no mercado de trabalho? É fundamental que num mundo em permanente mudança, era fundamental que houvesse mais abertura aos cursos técnicos, tanto por parte das instâncias empregadoras como das pessoas. Na opinião de Miguel Abreu da Ray Human o caminho do sucesso passa por abertura e flexibilidade do mercado a novos requisitos. Num mundo em permanente mudança, o bom profissional dos dias de hoje corresponde ao bom profissional de há 10 anos? O que mudou? Nestes últimos anos o mercado de trabalho mudou bastante, exigindo novas competências aos profissionais. Estes são obrigados a adaptarem-se rapidamente ao contexto de mudança das empresas. Proactividade, adaptabilidade e flexibilidade são as características mais requisitadas actualmente no mercado de trabalho.As competências negociais são cada vez mais importantes, pois a maior parte das profissões exige que haja capacidade de relação e negociação entre empresas e entre os vários departamentos. O que é mais importante na avaliação de um candidato: a formação académica, a experiencia profissional, as competências profissionais? Depende do tipo de candidatura. Se estivermos a falar de profissionais com experiência acumulada, o mais importante será a sua experiência e know-how. Se estivermos a falar de candidatos juniores, a experiência não é tão importante e, neste caso, a avaliação recairá mais sobre o seu desempenho académico e as vivencias extra-curriculares. Uma pessoa culturalmente activa, que pratique desporto, tenha tempo para voluntariado e outras actividades, demonstra capacidade para gerir o seu tempo e a sua vida. Relativamente à personalidade dos candidatos, qual o requisito fundamental para integração no mercado de trabalho? Adaptação, flexibilidade, pró-actividade, amplitude cultural, multi-valências (gestão de várias actividades ao mesmo tempo), competências sociais, experiência no es-

trangeiro, domínio de várias línguas, etc. Que defeitos considera mais graves? Por exemplo, ir a uma entrevista sem preparação e conhecimento sobre a empresa, bem como o desajuste no vestuário. A “arrogância” de alguns alunos acabados de sair da universidade, a falta de humildade e flexibilidade, e a incapacidade de perceber que os modelos teóricos poderão ser relegados para 2º plano é também pejorativa. Existe um perfil de candidato ideal? Depende do projecto e dos objectivos de recrutamento. No entanto, a rede social e actividades extra-curriculares é

maior procura estão ligadas à tecnologia, ambiente e energias renováveis. E, apesar da crise ter impacto na área financeira, as áreas da gestão e auditoria continuarão a ter procura em termos de emprego. Que empregos estarão no top daqui a 5 anos? Empregos ligadas à tecnologia, em que a polivalência será a tendência dominante. O facto de as profissões se terem tornado mais híbridas e abrangentes, exigirá maior flexibilidade e capacidade para desempenhar no futuro, funções que reúnem particularidades de diferentes funções actuais.

As características mais importantes são flexibilidade, pró-actividade, orientação por objectivos, capacidade de relacionamento e comunicação. muito importante. Diria que as características mais importantes são, para além destes aspectos, a flexibilidade, a pró-actividade, a orientação por objectivos, capacidade de relacionamento e comunicação. O que causa melhor impressão num entrevistado? A preparação prévia, a informação que tem sobre a empresa, o facto de saber colocar perguntas pertinentes em relação à empresa e à função que virá a desempenhar são sempre qualidades apreciadas. É muito importante sentir que o candidato está, de facto, motivado, o que implica interesse real pela empresa, identificação com a cultura e valores da empresa. Quais as áreas com maior empregabilidade? Ou seja, quais as áreas consideradas mais promissoras em termos de emprego, no futuro? As áreas onde actualmente se verifica

A diversidade e quantidade de cursos existentes, e o nível de preparação dos licenciados satisfazem as necessidades do mercado? Há cursos que continuam a ser uma referência, nomeadamente na área das engenharias técnicas, gestão, economia, e ciências humanas. Seria bom que houvesse mais abertura à via dos cursos técnicos, tanto por parte das instâncias empregadoras, como das pessoas. O que aconselharia a um(a) recemlicenciado(a) que pretenda ingressar no mercado de trabalho? Prepare-se bem, concilie o investimento académico com actividades que contribuam para alargar os horizontes, sejam humildes para aprender a adaptar-se a diferentes cenários, tenham capacidade de se posicionar e marcar a sua posição dentro da empresa, não desistam, seja persistentes e não esperem “chegar, ver e vencer”! n Guia do 1.º Emprego 2010 // 37


bom aluno

Ser bom aluno abre as portas ao emprego? Pode não ser essencial mas ajuda muito. É evidente que um bom aluno, em princípio, estará tecnicamente bem preparado embora isso, hoje em dia, esteja longe de ser tudo. Se conseguir ser bom aluno e não se isolar do resto do mundo, fechado nos livros ou no computador, então as probabilidades de ter um bom emprego aumentam exponencialmente. Bom aluno com abertura de espírito, interesse pelo mundo, capacidade de relacionamento e de intervenção tem, muito provavelmente, a passadeira vermelha estendida para o emprego que quiser, assim que acabar o curso. É o caso de Mariana Egídio e o sonho de Daniel, Fernando e Inês… Mariana Egídio, 23 anos

Terminou o curso de Direito, em 2009, com uma média final de 18 valores. Hoje é Advogada- Estagiária na sociedade de advogados Sérvulo & Associados, para além de ser Assistente Convidada na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na área de Ciências Jurídico-Políticas (Direito Constitucional I e II). Notas e prémios: entrei na faculdade com a média de 19, 6 valores e ao longo do curso, ganhei vários prémios, entre os quais: › Prémio de melhor aluno na menção de Jurídico-Políticas (18 valores), atribuído pelo Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; (anos lectivos 2008/2009; 2007/2008). › Prémio de melhor aluno na cadeira de Direito Comunitário I (18 valores), atribuído pelo Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (ano lectivo 2006/2007) › Prémio de melhor aluno na cadeira de Direito Administrativo I (18 valores), atribuído pelo Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade 38 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

de Direito da Universidade de Lisboa (ano lectivo 2005/2006) › Bolsa de mérito, atribuída pela Universidade de Lisboa aos melhores alunos, nos anos lectivos 2004/05, 2005/06, 2006/2007, 2007/2008. › 1.º lugar no I Prémio Wolters Kluwer de Artigos Jurídicos Doutrinários › Vencedora da 2.ª edição do Moot Court Nacional de Direito Constitucional, 2006, em equipa. Segredos: uma grande capacidade de trabalho e de organização pessoal. Saber estabelecer prioridades e equilibrar o estudo com outras actividades. Embora pareça pouco original, ler muito, porque nesta área é essencial actualizar os conhecimentos. E sobretudo, não encarar nada como certo. Duvidar, comparar posições e procurar ter uma opinião fundamentada sobre os assuntos. Desenvolver o espírito crítico. Hobbies: ler, passear, ir ao cinema e ao ginásio. O que mais valorizas... Inteligência, espírito crítico e honestidade Um bom aluno é... Um bom aluno, em bom rigor, constrói-se, vai-se formando ao longo do tempo. Portanto, para mim, um bom aluno é alguém que está permanentemente insatisfeito com o seu desempenho e procura sempre fazer melhor e superar o seu próprio trabalho e o dos outros. Quando pensavas em terminar o curso, o teu sonho era... estagiar na sociedade onde actualmente estou, na área de Direito Público, conseguir ser Assistente na Faculdade e prosseguir a minha formação académica.

Daniel Freitas, 18 anos MELHOR ALUNO DO PAÍS

Foi o melhor aluno do país a candidatar-se ao Ensino Superior no ano lectivo 2009/2010. Estudou no Colégio de Lamego, em Viseu e, com uma média de 19,9 valores, podia ter seguido qualquer curso à sua escolha. Medicina teria sido a opção mais óbvia, mas deixoua para segunda opção. A primeira foi ditada pelo sonho: Engenharia Informática e de Computação. Notas e prémios: Entrei na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) com 19,9 e fui distinguido com o Prémio Nacional Professor Doutor José Pinto Peixoto atribuído ao melhor aluno nacional Segredos: Saber gerir bem o tempo! É possível fazer tudo o que queremos


bom aluno

se formos organizados. Ir às aulas, estudar diariamente, fazer os trabalhos de casa. Ser ávido de conhecimento, procurar, pesquisar, ter vontade de aprender. Hobbies: Estar com os meus amigos, navegar na Internet, jogar videojogos, ler, jogar futebol, ver séries de televisão. O que mais valorizas: a amizade e a inovação. Um bom aluno é... alguém que gosta de aprender e que tem amor ao conhecimento Quando terminares o curso, o teu sonho é... trabalhar numa grande empresa como a Microsoft, a Google ou a NASA.

Fernando Marques, 20 anos

Estuda no 3.º ano na Licenciatura em Gestão, na Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã. Durante três anos, foi distinguido como um dos melhores alunos da cidade e entre o seus sonhos está o de ser docente universitário. Notas e prémios: Ingressou na UBI com a média de 17,99 Valores. Diplomas de melhores alunos da Cidade da Covilhã, relativos aos 6.º, 9.º e 12.º anos (fim do 2º e 3º Ciclos e Secundário, respectivamente). Bolsa de Mérito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, na Universidade da Beira Interior, pela média de 18,2 valores no 1.º Ano de Licenciatura, recebida em Junho de 2009. Segredos: Não me parece que existam grandes segredos para se ser um bom aluno. (...) Qualquer pessoa tem uma área onde estará mais à vontade que outras. No meu caso, é a área das Ciências. Pelo menos nesta área das Ciências

não existe nenhum segredo em especial para se ter uma boa classificação.A única (e grande) necessidade (e que alguns gostam de lhe chamar segredo) é a prática. Tal como o Prof. Dr. Nuno Crato dizia num dos seus artigos de opinião (“Passeio Aleatório”) no jornal Expresso, intitulado “Praticar, Praticar, Praticar”, esse será o “segredo” para o sucesso nesta área. (...) A Matemática não é nenhum “bicho papão”. A Matemática apenas exige dedicação e muito trabalho. Voltando aos “segredos”, de facto não me parece que existam.Tal como referi anteriormente, o verdadeiro “segredo”, que é do conhecimento geral, é “Praticar, Praticar, Praticar”! Hobbies: Tenho dois principais: Numismática e Matemática, pela qual sou apaixonado. Gosto também de reservar sempre algum tempo para ver as minhas séries televisivas e filmes favoritos, praticar desporto, entre outros. Um bom aluno é... Para mim, a definição de um bom aluno, se é que alguma existe, vai bastante além das notas ou dos prémios que se possam, ou não, receber. Claro está que são normalmente as notas que definem um bom aluno, mas apenas as boas notas poderão ficar aquém de definir um bom aluno. Muito mais que elas, um bom aluno é aquele que não pretende esgotar em si as boas notas e que sempre que possível se disponha a ajudar aqueles que possam precisar. (…) Algo que para mim também define um bom aluno é a sua relação com professores com que se tenha relacionado. Para mim, um bom aluno deve-se definir também pela marca que deixa junto desses professores e nos estabelecimentos de ensino por onde passe. O que mais valorizas... Aquilo que mais valorizo, quer em termos pessoais, quer em termos profissionais e académicos, sintetizaria-o numa palavra apenas: Integridade. Quando terminares o curso, o teu sonho é... Tenho dois sonhos. Aquele que talvez já tenha há mais tempo é a Docência. O outro, mais relacionado com esta minha área de formação, será o sonho de qualquer pessoa que se forme nesta área, o desempenho de funções superiores numa grande empresa.

Inês Pote, 18 anos

Foi estudante no St. Dominic’s International School (no concelho de Cascais), onde concluiu o IB Diploma e após ter sido aceite na University College London, mudou-se de malas e bagagens para a cidade Londrina, para estudar Natural Sciences (Ciências Naturais). Notas: Conclui o IB Diploma em Maio de 2009 e graduei com 44 pontos / 45 pontos. A equivalência deu uma média de 19 valores. Segredos: Organização (acima de tudo), pouco stress, verificar que num dia de intenso estudo haja uma recompensa no final (por exemplo, saída à noite com amigos). Hobbies: Piano, teatro, ginásio, sair à noite com amigos, cinema, encontros em cafés/casa de amigos (ambientes relaxantes..) e jantares! Um bom aluno é... um que tem vontade de aprender, e é capaz de sair do buraco da preguiça! Um aluno perseverante, que não se deixa levar abaixo quando as coisas correm menos bem. O que mais valorizo é... a ambição, a perseverança, o bom humor e a aventura. Quando terminar o meu curso, o meu sonho é continuar cheia de vontade de viver, com um trabalho que me dê vontade de acordar cedo de manhã. n

Guia do 1.º Emprego 2010 // 39


caixa empreender

Caixa Empreender A CGD acredita que é necessário apostar no empreendedorismo em Portugal, numa altura em que os índices de desemprego continuam elevados. Se queres criar uma nova empresa ou modernizar e expandir o teu negócio, a Caixa ajuda-te.

O Caixa Empreender é uma das formas da Caixa Geral de Depósitos apoiar os seus clientes? Não é por acaso que os portugueses confiam na Caixa. Afinal, temos estado, desde sempre, ao lado de todos os clientes - particulares e empresas apoiando-os em todos os momentos 40 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

da sua vida. Com o Caixa Empreender, a Caixa volta a dar razões para merecer essa confiança, proporcionando as melhores soluções de financiamento a quem tem espírito empreendedor e quer tornar real o seu sonho, criando a sua própria empresa e o seu próprio emprego.

O apoio da Caixa é estritamente para o lançamento de novos negócios ou estende-se a outros domínios? A Caixa Empreender coloca à disposição uma grande variedade de soluções de investimento e linhas de crédito para que concretize o seu projecto de ne-


publireportagem

gócio. Para todos os montantes de investimento, para criação de novas empresas ou mesmo modernização e expansão, para jovens empresários ou desempregados. A quem se destina o Caixa Jovem Empreender? O Caixa Jovem Empreender, linha de crédito especialmente concebida para jovens (até aos 40 anos), destina-se a todos os que pretendam abrir o seu próprio negócio, ou que necessitam de adquirir equipamentos ou outros componentes de investimento, fundamentais para a sua empresa.Trata-se de uma solução cuja flexibilidade garante total adaptação às necessidades decorrentes do início ou desenvolvimento da actividade empresarial, com as características diferenciadoras (Prazos: até 72 meses; Montante máximo: €50.000; 1 Taxa bastante atractiva: Euribor a 3 meses (a) acrescida de spread até 3% (b).) Existem outros tipos de financiamentos para Jovens empresários? Sim, a linha de crédito ANJE, uma linha de crédito que resulta de uma parceria entre a Caixa e a ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) e que tem como objectivo o financiamento de projectos de jovens empresários em condições semelhantes ao Caixa Jovem Empreendedor, sendo que as propostas dos associados da ANJE são previamente analisadas e validadas pela Associação, que presta apoio aos proponentes na concepção do projecto. Para os que estão desempregados, que tipo de financiamento existe? Para os desempregados, temos a Linha de Crédito IEFP, destinado exclusivamente à criação de novas empresas por cidadãos desempregados, ou com rendimentos inferiores à ‘Retribuição Mínima mensal Garantida (RMG)’, e contempla taxas de juros bonificadas e atractivas. Existem duas tipologias de financiamento: ‘microcrédito’ (até €15.000) e outras operações de crédito (entre €15.000 e €100.000), com diferentes intervenções e coberturas das SGM (Sociedades de Garantia Mútua) consoante a tipologia. E para projectos especiais, a Caixa tem financiamento próprio? Sim, o Caixa Empreender + que contribui, no quadro de uma parceria de capital, para a concretização de projectos empresariais, liderados por equipas de gestão qualificadas, que correspondam a negócios com elevado potencial de crescimento e valorização. n

Soluções para o dia a dia do teu negócio E porque uma empresa precisa de mais do que financiamento, a Caixa ainda te disponibiliza um conjunto de produtos e serviços, com condições preferenciais, que contribuem para o sucesso do teu negócio. › Cartão Caixaworks Disponibiliza um limite de crédito agregador das responsabilidades de curto prazo da sua empresa, aliando autonomia, flexibilidade e rapidez. › Terminais de Pagamento Automático netcaixa A solução netcaixa permite a aceitação de pagamentos em TPAs com cartões da marca Multibanco, Visa e Mastercard. Os TPA’s netcaixa não têm custos de adesão. O acesso é feito em condições muito vantajosas na mensalidade do equipamento, e com TSC (Tarifa de Serviço de Cliente) muito competitiva com devolução de parte do valor de todas as compras com cartões da Caixa. › Internet Banking O Caixa e-banking permite aceder gratuitamente às contas da sua empresa e efectuar operações como processamento de ordenados e pagamento a fornecedores. › Soluções para excedentes de tesouraria Para apoiar as empresas na aplicação dos excedentes de tesouraria, a Caixa disponibiliza diversos produtos (depósitos a prazo, fundos de investimento, etc.), dos quais se destaca a conta Gestão Automática de Tesouraria (GAT).

Tudo o que é necessário para começar à tua actividade › Crédito ao Investimento Para a aquisição ou requalificação das instalações e investimentos em novas tecnologias, com a possibilidade de alargamento do prazo de reembolso até 10 anos e acesso às linhas PME Investe. › Leasing Imobiliário Para a aquisição ou construção de estabelecimentos, escritórios, fábricas ou armazéns, através do pagamento de uma renda mensal. No final do contrato pode exercer o direito de compra mediante o pagamento do valor residual. › Leasing Mobiliário Para aquisição de equipamentos e veículos, o leasing

apresenta soluções para o desenvolvimento da sua actividade e melhoria do serviço prestado aos seus clientes. › Solução Automóvel Financiamento com condições vantajosas, seja através de crédito, leasing ou renting.

Seguros Produtos da Companhia de Seguros Fidelidade- Mundial, S.A.: › Seguro de Vida Empresário Garante a liquidação do montante em dívida do empréstimo no âmbito do crédito a empresas e empresários, em caso de morte ou invalidez. › Seguro de Saúde Multicare Para um sistema de saúde complementar ou alternativo ao tradicional, com benefícios fiscais. › Seguro Multi-Riscos Garante um conjunto de coberturas/garantias de protecção ao negócio para situações imprevistas. › Seguro Acidentes de Trabalho Porque as pessoas são o maior capital da sua empresa, este seguro assume a responsabilidade pelo pagamento das despesas decorrentes dos acidentes de trabalho que venham a verificar-se durante o período em que os empregados estão ao seu serviço. › Seguro Automóvel Para garantir a segurança da sua viatura ou frota, poderá contratar o Caixa Seguro Auto, disponível com diferentes coberturas e adequado ao tipo de financiamento.

…Mais vantagens para o teu negócio: › Office Box TMN É uma solução integrada e modular de comunicações que oferece produtos e serviços de Internet móvel e fixa e voz móvel e fixa. › YUNIT4u Com a YUNIT4u pode fazer compras a preços vantajosos e obter ajuda para a criação do site da sua empresa na Internet. Para mais informações ligue para a linha YUNIT4u – 707 20 88 20. › Lardocelar Em parceria com o Lardocelar obtenha preços especiais de assistência técnica, limpeza e segurança do seu estabelecimento. Consulte www.lardocelar.pt. Para mais informações, visite qualquer Agência da Caixa ou www.caixaempreender-cgd.pt. Guia do 1.º Emprego 2010 // 41


empreender

Queres ser o teu chefe? Criar o próprio emprego surge, cada vez mais, como saída para a falta de propostas que o mercado oferece a quem sai da universidade. Num país onde, segundo o Eurobarómetro para o Empreendedorismo na Europa, 62% dos portugueses respondem que gostariam ser os seus próprios patrões (contra 45% de média europeia), é curioso perceber o porquê na nossa tão baixa percentagem de empreendedores (uma das mais baixas da Europa).

O nosso ensino, ainda muito tradicional, não tem preparado os jovens portugueses para serem empreendedores, mas o mercado, a sociedade civil e de certa forma o Estado, têm dado alguns passos importantes com vista a colmatar esta importante lacuna. Olhando para o mercado de trabalho, vemos que as ofertas de emprego escasseiam, tendo em vista a quantidade de licenciados que saem todos os anos das instituições de ensino Superior. Em 2009 existiam 67.000 finalistas à procura de emprego. Perante este panorama, a opção do “Faça você mesmo” está cada vez mais na ordem do dia. Antes de te lançares nesta aventura é bom parares e fazeres 3 perguntas a ti próprio: › Tenho espírito empreendedor ou vontade de aprender para o adquirir? › Consigo desenvolver redes e sou capaz de arriscar? › Sou persistente e resistente à pressão e às situações de stress? › Sim? Então agarra este desafio e, se tens uma boa ideia de negócio, segue-nos passo a passo: 1º A Ideia Uma boa ideia, não é tudo, mas pode fazer a diferença. Se já a tens, vê se ela resiste a estas perguntas: a quem se 42 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

destina o meu produto? É um produto necessário ao mercado? Tenho concorrência? Se sim, como me diferenciarei? Quanto custará o meu produto? Qual o investimento de que irei precisar? Onde poderei arranjar financiamento? Que apoios existem? A ideia passou o teste? Segue então para o próximo ponto: 2º Plano de Negócios É a hora de colocar no papel, de fazer contas. Se não estás bem a ver como fazer o teu plano de negócios vai a www.iapmei.pt/iapmei-art02.php?id=162&temaid=17 e tens aqui uma ajuda preciosa. Há quem recorra a ajuda externa como empresas especializadas ou a um consultor. Dado que este é um passo de enorme importância e que pode fazer a diferença na construção do teu negócio, não vale a pena arriscar. Aqui, é mesmo jogar pelo seguro. Se não puderes contratar ajuda externa, pelo menos consulta pessoas com experiência e bom senso. É importante testares as ideias e os planos com quem já sabe a diferença entre a teoria e a prática. Mais um teste à ideia torná-la-á mais consistente. 3º Financiamento Se tiveres capitais próprios, então tens o caminho facilitado. No entanto, se não tiveres, há algumas outras formas

de encontrares financiamento. Para se encontrar um parceiro financeiro, um dos passos mais importantes é ter um orçamento bem feito e, fundamental, realista. Para convencer seja um banco, seja um investidor, seja uma empresa de capital de risco é muito importante que saibas apresentar bem a ideia de negócio, com a argumentação bem treinada, sabendo salientar as razões que tornam a tua ideia viável e com diferenciação em relação a outras possíveis. Não te esqueças que a ideia ser boa é importante, mas a sua comunicação e embrulho podem fazer a diferença entre teres ou não teres capital para a desenvolveres. Não descures esta fase. 4º Constituição Formal da Empresa Já com dinheiro garantido chegou a fase de constituir formalmente a empresa. É talvez a fase mais árida de todo o processo. A burocracia do Estado assim o exige. Existe o site www.portaldaempresa.pt/ CVE/pt que dá informação importante. No entanto com a Empresa na Hora www.empresanahora.pt/ENH/sections/PT_inicio o que era um verdadeiro quebra cabeças, foi simplificado. Por agora existem 163 balcões de atendimento espalhados pelo país. Com esta ajuda conseguirás chegar a bom porto num tempo razoável.


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5º Equipa Pode ser uma equipa de sócios (que se responsabilizam por capital ou não), ou ser uma equipa de pessoas com quem estabeleças um contrato de trabalho. Nesta fase é também importante estares bem informado. Escolher as pessoas certas para o lugar certo é algo a que todas as empresas ambicionam, mas nem todas conseguem. Conheceres as pessoas com quem vais trabalhar pode ser uma vantagem, mas terás de ter em atenção a diferença entre amizade e trabalho… Se não conheceres, então atenção ao recrutamento, às características que procuras e, finalmente, às condições que propões. Se puderes, aconselha-te antes com um advogado com experiência de Direito do Trabalho ou alguém que perceba de contratos de trabalho. 6º Espaço Nesta altura já definiste em orçamento se queres arrendar ou comprar, por isso, tens agora de ter em conta a localização, o preço, o estilo, etc… tudo isto deverá ser concertado com o tipo de negócio que vais desenvolver e o dinheiro que dispões para este item. Podes sempre recorrer ao mercado, onde operam várias empresas que po-

dem ser úteis na tua pesquisa de espaço. No entanto há ainda a hipótese das incubadoras de empresas, que são espaços dotados de infra-estruturas de apoio técnico e material, muitas vezes com apoio também administrativo a preços razoáveis. Existem algumas universidades que dispõem deste género de estruturas, onde muitas vezes se cria um ambiente verdadeiramente criativo, que ajuda à concretização do negócio. Este tipo de serviço pode permitir algumas poupanças que, na fase de arranque do projecto, podem ser importantes. Já tens financiamento? Já tens empresa? Já tens a equipa formada? Já tens espaço? 7º Início de Actividade É altura de lançares mãos à obra. Não te esqueças que é importante que tenhas o essencial para começar a funcionar, mas não esperes por ter tudo. Como sabes tempo é dinheiro e por isso, quanto mais depressa começares, mais depressa poderás ter retorno do teu investimento. Boa Sorte! n Francisca Assis Teixeira

Incubadora portuguesa é sucesso mundial A IPN Incubadora, criada em 2002 por iniciativa do Instituto Pedro Nunes (IPN) e da Universidade de Coimbra, é a segunda melhor incubadora de empresas do mundo. O prémio foi alcançado numa competição entre 53 incubadoras, de 23 países diferentes, na sétima edição do concurso internacional “Best Science Based Incubator”. Filipe Neves é gestor de projectos nesta incubadora e diz que uma das vantagens é “termos um modelo e práticas de gestão que nos permitem a autosustentabilidade, com claras vantagens de independência quando comparados com muitas outras incubadoras”. A IPN incubadora promove a criação de empresas, apoiando ideias inovadoras e de base tecnológica oriundas dos laboratórios do IPN (que ministra formação a pós-licenciados), de instituições do ensino superior, em particular da Universidade de Coimbra, do sector privado e de projectos de I&DT em consórcio com a indústria.

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Cowork Largar o pijama Para quem tem, ou quer ter, um pequeno negócio, que não precisa de grandes infraestruturas, mas não gosta de trabalhar em casa, a solução do cowork pode ser uma boa opção.

O termo coworking foi pela primeira vez utilizado por Brad Neuberg em 2005 e apontava, basicamente, para a partilha de um espaço com dimensão e conforto para receber várias pessoas, sem uma relação profissional ou pessoal óbvia entre elas. Provavelmente, os primeiros espaços de cowork ou pelo menos o seu esboço, foram decalcados da informalidade dos cafés e esplanadas. O conceito está intimamente ligado ao advento das novas tecnologias, da internet e da fulgurante miniaturização do computador pessoal. De facto, é relativamente fácil trabalhar hoje com um simples computador portátil, vulgo laptop (o nome diz tudo), em qualquer café, esplanada, biblioteca, restaurante ou espaço similar, desde que disponibilize uma ligação gratuita (ou paga) à net e permita uma utilização continuada do espaço. No entanto, a estes espaços públicos, o conceito de cowork adiciona uma vertente de proximidade e colaboração que o anonimato do café não pode suprir. O que há então de comum entre estas pessoas e o que as atrai pela partilha de um mesmo espaço de trabalho? A maioria destes coworkers são trabalhadores independentes, tipicamente das indústrias criativas. Designers, programadores, tradutores, arquitectos, ilustradores, fotógrafos, entre muitos outros, são algumas das áreas profissionais representadas nestes espaços. Todos afirmam gostar de trabalhar de forma independente, mas não de forma isolada. Para muitos, a possibilidade de trabalhar a partir de casa, por opção ou não, tem sempre uma primeira fase, de estado de graça, em que tudo corre muito bem. Aparentemente, passa-se a ter tempo e espaço para tudo. O tempo pode ser gerido a nosso belo prazer e 44 \\ Guia do 1.º Emprego 2010

o frigorífico está sempre por perto. É mesmo possível trabalhar de pijama todo o dia!

O resultado é quase sempre desastroso. Passados alguns meses (e uns quantos quilos a mais) instala-se o marasmo, o desleixo ou, mais amíude, uma enorme dificuldade em fazer coabitar a vida profissional com a vida familiar, com evidentes prejuízos na produtividade. Em Portugal, o aparecimento destes espaços é relativamente recente. Um dos pioneiros terá sido o HUB, no Porto (http://porto.the-hub.net/public/) e, mais recentemente, o Coworklisboa (www.coworklisboa.pt), na LX Factory, em Lisboa. O conceito está em franca expansão, resultante da progressiva opção pelo trabalho independente (freelancers, micro-empresas, etc.) e das dificuldades que esta opção representa para estes profissionais. Em termos funcionais, um espaço de cowork tem de disponibilizar postos de

trabalho, individuais, em módulos ou puramente comunitários (em bancadas), uma boa ligação à internet (preferencialmente sem fios) e, ponto de honra para os projectos mais fiéis ao conceito, café gratuito! Alguns espaços podem ainda oferecer, normalmente com custos acrescidos, serviços extra mas, por oposição ao escritório tradicional, é cada vez mais óbvia a rejeição de modelos em que se tenha de pagar por “luxos” desnecessários, tais como a impressão, as linhas de fax (cada vez mais obsoletas) ou a utilização de matérias e serviços ambientalmente irresponsáveis. É ainda usual dispor-se de uma sala de reuniões e, sobretudo, uma vez mais, nos espaços que de facto desejam replicar uma certa informalidade cafélike uma zona de descanso e/ou sociabilização, o hoje omnipresente loungespace. Muito do sucesso destes novos espaços jogar-se-á na directa proporção do empenho dos seus mentores no construir um ambiente de comunidade e colaboração entre os seus coworkers. Socialmente, o cowork é claramente uma forma de colmatar esta necessidade que assalta todo o trabalhador independente (todo o ser humano), a de conciliar trabalho e “diversão”. O tempo em que trabalhar, ter amigos, socializar e ter uma família eram interesses incompatíveis ou, no mínimo, corporizavam conflitos mais ou menos insanáveis, acabou. Segundo Naumi Haque, trabalho e diversão (tudo o que não é trabalho) concorrem para o nosso “tempo individual”. Este autor propõe o termo Playbor (contracção de Play e Labor, Diversão e Trabalho) como novo paradigma das actuais formas de trabalho. O conceito baseia-se na ideia de fundir trabalho, ambições pessoais e diversão. Se repararmos na forma como hoje utilizamos as redes sociais percebemos que, em dado momento, é muito difícil, para não dizer impossível, discernir entre o que é trabalho e o que o não é. n


novos empregos

Novos Empregos Ter um “canudo” deixou de ser suficiente para arranjar um bom emprego. Se até há bem pouco tempo a formação e a experiência eram um requisito fundamental na avaliação de um candidato, a personalidade e as características pessoais têm hoje um papel determinante na sua selecção e recrutamento. E, embora a formação superior continue a ser um requisito essencial, a adaptabilidade, a mobilidade e a formação contínua tornaram-se imprescindíveis.

Segundo a previsão de um estudo recente efectuado pela consultora International Data Corporation o mercado das Tecnologias de Informação deverá criar em Portugal 7.500 novos empregos tecnológicos e 400 novas empresas nos próximos quatro anos. Quanto à evolução do emprego tecnológico, o estudo frisa que representa um “crescimento médio positivo de 1,5 por cento positivo ao ano até 2013”, enquanto o “emprego total irá previsivelmente contrair e evoluir negativamente nestes próximos quatro anos”.

Na opinião de alguns especialistas em recrutamento, as novas tecnologias e a globalização da economia obrigam a mudanças de fundo, e quem não se adaptar a elas, arrisca-se a não ter perspectivas de futuro. Por outro lado, o conceito de emprego fixo tenderá a desaparecer do nosso vocabulário. As pessoas serão cada vez mais confrontadas com mudanças de emprego e de actividades ao longo da vida, o que obrigará a alargar cada vez mais o leque de competências. A mobilidade é, aliás, uma realidade dos dias de hoje. E se já não há empregos para sempre, vai também deixar de haver também profissões para a vida.As pessoas habituar-se-ão a mudar cada vez mais de emprego, de país, de função e mesmo de profissão, e encarar a formação como uma ferramenta essencial ao longo da vida! Neste contexto, cabe perguntar quais serão os empregos do futuro? Que sectores da nossa economia irão crescer? De acordo com as mudanças a que assistimos na nossa sociedade, marcadas pelo crescimento das novas tecnologias,

20 milhões de empregos até 2030 Um outro relatório, intitulado “Empregos Verdes: Rumo ao Trabalho Decente num Mundo Sustentável e com Baixo Carbono”, que foi lançado no ano passado pelo programa ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Internacional do Trabalho, revela que mais de 20 milhões de pessoas deverão trabalhar com empregos verdes até 2030. Novas áreas de trabalho: › Indústria e agricultura ligadas aos biocombustíveis. › Novos empregos no sector de eficiência energética e energias renováveis › Indústria de painéis solares, projectos térmicos e de certificação de edifícios. › Transportes eficientes › Todos os negócios relacionados com o uso mais eficiente da água, (a redução do consumo de água na indústria, na agricultura e no sector doméstico).

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novos empregos

pela redução da natalidade, pelo aumento da esperança de vida, pela crescente necessidade de consumo, por uma maior responsabilidade social e ecológica, haverá, sem dúvida, uma série de novas profissões a emergir num futuro próximo, sobretudo no

Evolução do emprego Reflexão acerca da evolução proposta pela Cedefof: ‘Future skill needs in Europe’ O relatório, ‘Future skill needs in Europe’, desenvolvido pela Cedefop (European Centre for Development of Vocational Training) é um estudo pioneiro que apresenta um exercício de prospectiva de médio prazo, acerca da evolução do emprego e da necessidade de qualificações em toda a Europa. O estudo apresenta dados acerca do desenvolvimento futuro do emprego por sector económico, profissão e qualificação até 2015. Enquanto conclusões gerais, o relatório refere a continuidade nos próximos anos, da tendência observada nos últimos anos na Europa: uma diminuição do emprego no sector primário (especialmente a agricultura) e nas indústrias tradicionais e um aumento no sector dos serviços e nos sectores ligados à ‘economia do conhecimento’ em geral. O estudo mostra a possível evolução do emprego até 2015 por sectores de actividade na Europa dos 25, onde se conclui que existirá, entre 2006 e 2015, a criação de 13 milhões de novos postos de trabalho. Por sectores calcula-se que o sector primário irá perder cerca de 2 milhões de postos de trabalho e o sector da indústria meio milhão; o sector da distribuição e transporte irá criar mais de 3 milhões de novos empregos, assim como o sector da saúde e da educação; o sector que mais se irá desenvolver segundo esta projecção será o empresarial e outros serviços com um aumento de 9 milhões de novos postos de trabalho. Apesar disso, os sectores primário e da indústria continuarão a ser muito importantes para a economia, mas a natureza do trabalho e as qualificações requeridas irão mudar.

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domínio das tecnologias da informação e comunicação, energia, transporte e ambiente, serviços de proximidade, e prestação de serviços. O futuro estará inevitavelmente ligado à saúde e às novas tecnologias. Estas são áreas onde a oferta de emprego tenderá a crescer, uma vez que a população envelhecida irá necessitar cada vez mais de cuidados na área de saúde, mas tam-

O futuro estará inevitavelmente ligado à saúde e às novas tecnologias. bém de serviços ligados ao bem-estar e lazer.As novas profissões estarão ligadas à geriatria, profissão que cuida dos mais velhos (técnicos e auxiliares de geriatria, psicogerontologia), à gestão de recursos habitacionais (domótica), à gestão de redes e sistemas informáticos (a explosão de novas tecnologias, como a Internet e os telefones móveis de última geração irão exigir cada vez mais engenheiros no sector da informática e desenvolvimento de software), às energias renováveis, à biotecnologia, reciclagem dos resíduos. Por outro lado, o marketing, as vendas e o turismo continuaram a ter lugar no panorama da empregabilidade, bem com a gestão, a economia e a engenharia. Profissões como programadores e técnicos de informática têm cada vez menos problemas na colocação de emprego, comparativamente com outras profissões. A nova era do conhecimento exigirá a adopção de uma nova atitude face à forma de aprender, de trabalhar e de gerir a própria carreira. Os novos trabalhadores deverão investir na formação e aprendizagem ao longo da vida, tornar-se mais criativos, autónomos, com capacidade de decisão e de criação do seu próprio emprego. Paralelamente, a ideia de “emprego para toda a vida” tenderá a desaparecer, dando origem a novos conceitos, marcados pela ideia de mobilidade e empreendedorismo, onde serão cada vez mais valorizadas novas experiências académicas e profissionais fora do país. Por tudo isto, a capacidade de adaptação à mudança será uma das principais competências profissionais do futuro. n

Sabe o que te espera no Futuro! Quais as profissões mais in Embora cada vez seja mais difícil fazer previsões, porque tudo muda com rapidez alucinante, acredita-se que há áreas que terão, num futuro próximo, um desenvolvimento considerável. Provavelmente algumas das profissões de sucesso do próximo século ainda nem existem hoje. Foi assim nestes últimos anos. E esta aceleração tem tanto de entusiasmante quanto de preocupante. A chave para se navegar neste mar agitado é poder aceder à informação. Aceita o desafio e vem daí saber quais as profissões que, muito provavelmente, vão estar na crista da onda nos próximos anos... Ambiente › Energias renováveis › Engenharias › Biotecnologia › Energia das ondas e eólica › Turismo oceânico Tecnologias Informação e comunicação › Engenharias › Sistemas e aplicações informáticas › Registo de patentes › Novas tecnologias Turismo › Gestão de eventos › Turismo de saúde e bem-estar › SPA’s › Golf › Cozinheiros Saúde e Assistência › Tratamento e apoio a idosos › Técnicos de aparelhos hospitalares › Médicos › Veterinários Finanças e Contabilidade › Técnicos de controlo e gestão › Contabilidade › Técnicos de fiscalidade › Créditos e cobranças › Comerciais Educação › Formação contínua › E learning Transporte e logística › Obras Públicas › Plataformas logísticas › Portos › Gestor da cadeia abastecimento Marketing e Comunicação › Assessorias de comunicação › Gestores de relações com clientes


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