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COMO CRIAR UMA COOPERATIVA EM NOVE PASSOS

COOPERATIVISMO Entra na corrente do futuro!

AS COOPERATIVAS E O EMPREGO JOVEM FORMAS COOPERATIVAS DE EMPREENDEDORISMO

PARA ACABAR DE VEZ COM OS MITOS COOPERATIVOS


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O FuturO passa pElO COOpEratIvIsmO Em 2009 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu que 2012 seria o Ano Internacional das Cooperativas (AIC). À data, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU classificou as cooperativas como “elementos que relembram à comunidade internacional que é possível prosseguir simultaneamente a viabilidade económica e a responsabilidade social”.

FICHA TÉCNICA Edição especial da Revista FORUM ESTUDANTE

WWW.FORUM.PT PROPRIEDADE E PRODUÇÃO DE Press Forum, Comunicação Social, SA CAPITAL SOCIAL 60.000,00¤ NIF: 502 981 512 PERIODICIDADE Anual DEPÓSITO LEGAL N.º 510787/91 Isento de registo ao abrigo do Decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de Junho, artº 12ª, nº 1 a)

SEDE Tv. das Pedras Negras, nº 1 - 4º 1100-404 Lisboa Tel.: 21 885 47 30 - Fax: 21 887 76 66 DIREÇÃO Gonçalo Gil EDIÇÃO Equipa FORUM ESTUDANTE Caroline Pimenta (coordenadora) Jorge Vicente Equipa CASES Patrícia Boura, Cátia Cohen, Laia Sastre, Filipa Farelo, João Melo, Mariana Baptista, Paula Correia, Tiago Dias, Vera Aldeia Teresa Lucas ANIMAR: Tânia Gaspar CONFAGRI: Cátia Rosas, Cláudio Heitor CONFECOOP: Carla Silva FOTOGRAFIA Caroline Pimenta, 123rf, Fotolia DESIGN Miguel Rocha PRODUÇÃO LISGRÁFICA Estrada Consiglieri Pedroso, 90 Queluz de Baixo 2730-053 BARCARENA TIRAGEM 20.000 ex.

ÍNDICE

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Criada em 2010, a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) veio substituir o extinto Instituto António Sérgio do Sector Cooperativo (INSCOOP) com assumidos ganhos no âmbito da sua atuação. Antes tínhamos um organismo de administração indireta do Estado e agora temos uma cooperativa de interesse público segundo a qual o poder público desenvolve uma relação de parceria com as organizações de economia social. Quer isto dizer que o Estado passou do estatuto de tutela, para o estatuto de parceiro sendo que o trabalho da CASES vai mais além das fronteiras das cooperativas portuguesas, abrangendo também as associações, IPSS, misericórdias e mutualidades. A CASES assume-se como agente de divulgação e esclarecimento dos conceitos que a economia social engloba – a sua natureza, alcance e dimensão - para que progressivamente a sociedade e os poderes assimilem da forma mais profunda possível o papel deste sector na sociedade. COOpErAtIvIsmO NO COmBAtE AO dEsEmprEgO jOvEm Com o desemprego jovem a rondar os trinta e seis por cento, Portugal integra neste momento a lista dos países da OCDE com maior taxa de desemprego entre os jovens. Não é possível manter taxas de desemprego jovem tão elevadas durante muito tempo, sem pôr em causa o estado social, o regime democrático, a paz social e as liberdades. Assim, encarando a missão de encontrar respostas que solucionem este flagelo, a Cooperativa António Sérgio irá desenvolver, no âmbito do programa Impulso Jovem, o programa Coop Jovem, uma iniciativa que ambiciona criar condições necessárias à criação de cooperativas por jovens

2012 – Ano Internacional das Cooperativas A cooperação faz a diferença! Projeto GeraçãoCoop – despertar para o cooperativismo Quiz: és um/a cooperativista? Acaba de vez com os mitos Abelhas: mestres em cooperação O teu dia-a-dia cooperativo Cooperativas em ação Portugal cooperativo Mundo cooperativo As cooperativas e o emprego jovem O impulso que precisas

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para que assim se retome e revitalize a forma cooperativa. O objetivo passa pelo apoio à criação de 100 cooperativas por ano, o que significaria, no cenário mais otimista, rejuvenescer o movimento cooperativo português em 30 por cento, ou seja, um contributo muito forte para a regeneração do movimento cooperativo que associa o estímulo à criação de emprego ao empreendedorismo na forma de cooperação. Ao mesmo tempo torna-se necessário promover e divulgar junto da juventude a forma cooperativa, no contexto da economia social, objetivo prosseguido pelo projeto Geração Coop promovido pela CASES em parceria com Fórum Estudante no qual depositamos fundadas expetativas de sucesso. Estamos convictos, por experiência e pelos dados de que dispomos da realidade nacional e internacional, que a saída para a crise atual irá assentar em muitos dos valores do movimento cooperativo e da economia social, como a cooperação, a democracia e a partilha apoiados na proatividade e iniciativa dos cidadãos. Uma convicção que de resto norteia a mudança de paradigma no combate ao desemprego que ambicionamos. O modelo cooperativo, embora tenha que sofrer reformas do ponto de vista jurídico e organizacional, e os princípios cooperativos em que assenta - que induzem à cooperação entre as pessoas para atingirem determinados objetivos – pertencem mais ao  futuro sem menosprezo pelo seu passado. A saída desta crise vai levar à criação de modelos de organização cooperativa, assumindo uma vocação empresarial,  nos quais a entreajuda e a partilha de recursos vão ter uma importância acrescida.  Aos jovens compete tomar em mãos novas formas de ação e organização nas quais a cooperação e a solidariedade se tornem princípios úteis ao serviço da resolução dos seus problemas concretos e, desde logo, no ataque ao problema do desemprego juvenil. Lisboa, 4 de outubro de 2012

Eduardo graça

Presidente da Direção da CASES

Uma forma cooperativa de… empreendedorismo Uma forma cooperativa de… participação e de cidadania Cooperativas porque? Dicas cooperativas Como criar uma cooperativa em 9 Passos Seja um/a cooperador/a como... Exemplos internacionais Desafios cooperativos Contactos úteis Prémio António Sérgio Check-list

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2012

O AnO dAs COOperAtivAs

Sabias que este é o ano das cooperativas? Que a ONU declarou 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas?

Pois é! Este ano, um pouco por todo o mundo, celebra-se um modelo de empresa que coloca as pessoas em primeiro lugar, que através da cooperação e do empreendedorismo, da participação ativa e da promoção da cidadania procura responder às necessidades económicas, sociais e culturais de todos/as nós! “As empresas cooperativas constroem um mundo melhor” é o lema do AIC-2012 e ao longo das próximas páginas vais conhecer o trabalho que as cooperativas desenvolvem, os seus produtos e serviços que utilizas, muitas vezes sem dar conta, porque já fazem parte do teu quotidiano. Por isso convidamos-te a entrar neste universo cooperativo que é teu, é nosso, é de todos/as nós! E, quem sabe? Pode ser que te inspires e que tu próprio/a, em conjunto com um grupo de amigos/as, te lances numa aventura cooperativa. 2 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

Em Portugal o Ano Internacional das Cooperativas será organizado pela Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES). As comemorações irão ocorrer até ao dia sete de dezembro. Consulta o programa em www.cases.pt

ObjetivOs dO AiC em 2012

› Aumentar o conhecimento público sobre as cooperativas e os seus contributos para o desenvolvimento socioeconómico e para a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio; › Promover a formação e o crescimento das cooperativas entre os indivíduos e as instituições, de forma a promover respostas a necessidades socioeconómicas, através da participação ativa dos/as cidadãos/ãs; › Encorajar os governos e organismos reguladores a promover políticas, leis e regulamentos capazes de gerar a formação e o crescimento do sector cooperativo.


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Sabe mais em geracaocoop.pt

CrowdsourCing

A CooperAção fAz A DiferençA! Todos nós já ouvimos falar de COOPERAÇÃO. Mas se quisermos explicar o seu significado, qual é a primeira imagem que nos vem à cabeça? Será que todos/as temos a mesma perceção deste conceito? Como se põe em prática no dia-a-dia? E de que forma contribui para o meu e para o teu bem-estar? Sabemos que muitas vezes as imagens valem mais que as palavras, os projetos e as pessoas que os constroem falam por si e, por isso mesmo, convidamos-te a dar uma vista de olhos neste número da Fórum Estudante, dedicado à cooperação e ao cooperativismo. no entanto, fica aqui uma primeira resposta: Quando pensamos em cooperação, sabemos que é uma forma de ação que tem de ser praticada em grupo, não é possível cooperar sozinho/a! É portanto uma forma de agir coletivamente, com o objetivo de atingir um fim comum. Existem na natureza muitos exemplos de cooperação – o trabalho diário das abelhas e das formigas são imagens que nos surgem de imediato quando pensamos em cooperação, mas repara que no teu dia-a-dia, mesmo nas áreas mais surpreendentes, tens inúmeros exemplos de cooperação e de ações cooperativas: quando partilhas informação com os/as teus/tuas colegas e professores/as no google groups, no moodle, ou em qualquer outra plataforma colaborativa – isso é cooperação; a Wikipédia é o resultado duma prática cooperativa (o crowdsourcing) – o seu sucesso deve-se à grande quantidade de pessoas que se predispõem, voluntariamente, a contribuir com o seu conhecimento, para a

construção duma enciclopédia acessível a partir de qualquer ponto de rede; também o sistema operativo Linux e o Firefox foram criados desta forma; o financiamento coletivo (ou crowdfunding) permite que projetos de interesse coletivo sejam financiados através de várias fontes, normalmente pessoas interessadas na iniciativa – e isso é também uma forma de cooperação e de solidariedade. Nós, os seres humanos, só conseguimos ser bem sucedidos na luta pela sobrevivência, em grande parte, devido aos resultados da nossa ação enquanto grupo, ou seja, da nossa ação cooperativa. Existem várias teorias sobre os fatores que motivam as pessoas a cooperar. Algumas hipóteses recentes apontam para a existência, na maioria de nós, duma consciência social e moral que nos impele a agir de acordo com aquilo que é considerado justo. Temos a capacidade de nos preocuparmos com os outros e cooperamos duma forma especial, que não está presente na maioria dos outros animais: cooperamos com desconhecidos/as e não apenas com a nossa família; estabelecemos laços íntimos de amizade com pessoas que não nos são geneticamente próximas e fazemos sacrifícios por elas. Porquê? A resposta é muito simples: porque isso nos faz sentir bem.

É um modelo de produção que utiliza os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela Internet para resolver problemas, criar conteúdos e soluções ou desenvolver nova tecnologia. A palavra surgiu em 2006 mas a ideia de pessoas que se unem para resolver problemas comuns não é de hoje. As cooperativas e outros movimentos já provaram que “a união faz a força”. Mas o coletivo já não precisa estar frente-a-frente. A Internet veio tornar possível uma união na “nuvem” o que reduz muito os custos do trabalho coletivo. Para além dos exemplos já citados de crowdsourcing (Wikipédia, Linux, Firefox, etc) também os departamentos de marketing das empresas estão a usar esta “ferramenta” para diminuir os seus custos. Por exemplo, uma marca de refrigerantes decide lançar um novo sabor. Tradicionalmente iria recorrer a grupos de teste representativos do seu público alvo. Atualmente a marca opta por crowdsourcing. Como? Lança uma campanha a pedir que as pessoas participem, votando no seu sabor preferido, e em troca concorrem a um prémio. Para além de reduzir significativamente o custo e o tempo da operação, estabelece uma relação direta e até uma ligação sentimental com os/as clientes. É “matar dois coelhos com uma cajadada só”!

Crowdfunding

É um modelo que permite que pessoas ou empresas financiem seus projetos através de doações coletivas feitas via Internet. Mais uma vez, não se trata de um conceito novo, a diferença aqui é a introdução da Internet e seus benefícios: rapidez, grande número de pessoas, baixo custo, globalidade, etc. Como funciona? Um projeto, seja de que natureza for, cria uma conta numa plataforma de financiamento. Descreve a ideia em pormenor, estipula um montante mínimo para viabilização do projeto e os valores que as pessoas podem doar. Depois é só espalhar a palavra. As pessoas interessadas em apoiar o projeto/ ideia só têm que ir ao site e fazer a doação através da Internet. Juntar recursos para tornar possível algo que sem a doação coletiva não seria.

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projeto Geração Coop

Despertar para o

Cooperativismo É tempo de despertar para o cooperativismo! É tempo de promover e divulgar a forma cooperativa, enquanto modelo ativo de construção de um mundo melhor! Estas premissas constituíram o ponto de partida do projeto GeraçãoCoop, que procura dar a conhecer o modelo empresarial cooperativo aos/às jovens. mas cooperativas porquê? - perguntas tu. • Porque as cooperativas desempenham um papel essencial na criação de auto-emprego e são um fator disseminador e potenciador da participação, da cidadania e do empreendedorismo. • Porque este modelo empresarial, com mais de 150 anos, continua atual ao ser capaz de responder aos presentes desafios, colocando as pessoas no centro da ação, não os lucros. • Porque é através da união de esforços, da visão empreendedora partilhada, da resposta conjunta a uma necessidade comum, que conseguimos fazer a nossa comunidade, o nosso país e o nosso mundo um sítio melhor. O Projeto GeraçãoCoop pretende mostrar-te que as cooperativas são uma solução de futuro viável e solidária e que podes fazer parte deste universo através da adesão ou da constituição de uma cooperativa!

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A EconomiA SociAl

Sabias que as associações, as cooperativas, as fundações, as mutualidades e as misericórdias fazem parte do universo da economia social? As organizações da economia social são consideradas, pela União Europeia, como um dos instrumentos geradores de emprego. Ao aliar rentabilidade e solidariedade, a economia social desempenha um papel essencial na economia europeia, criando empregos de elevada qualidade, reforçando a coesão social, económica e regional, gerando capital social, promovendo a cidadania ativa, a solidariedade e um tipo de economia com valores democráticos que põe as pessoas em primeiro lugar, para além de apoiar o desenvolvimento sustentável e a inovação social, ambiental e tecnológica. A economia social representa hoje, a nível europeu, cerca de 10 % do conjunto das entidades, ou seja, 2 milhões de organizações, ou 6 % do emprego total, e dispõe de um elevado potencial para gerar e manter empregos estáveis, principalmente porque estas atividades, pela sua própria natureza, não são suscetíveis de serem deslocalizadas. Fonte: Resolução do Parlamento Europeu, de 19 de Fevereiro de 2009, sobre a economia social


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QUiZ

És Um/A COOPErAtivistA?

Vê a solução do Quiz na página 46! Será que és um/a cooperativista? Queres ficar a saber se tens os valores de um/a cooperativista? Queres perceber qual é o teu grau de conhecimento sobre esta área da economia social? Então é fácil! Basta responderes a este Quiz de acordo com aquilo que sabes ou que já aprendeste até agora com esta edição e descobre mais à frente que tipo de cooperativista és! 1. Uma cooperativa é… a) Uma pessoa coletiva composta por pessoas singulares e/ou coletivas, sem finalidades lucrativas, agrupadas em torno de objetivos e necessidades comuns. b) Uma associação autónoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades económicas, sociais e culturais comuns, através de uma empresa de propriedade comum e democraticamente gerida. c) Uma unidade económico-social, integrada por elementos humanos, materiais e técnicos, que tem o objetivo de obter utilidades e lucro, através da sua participação no mercado de bens e serviços, especialmente na área agrícola. 2. Cooperar é… a) Unir-se, juntar-se, reunir-se. b) Uma forma de agir coletivamente, com o objetivo de atingir um fim comum. c) Competir para alcançar um objetivo.

3. Uma das principais diferenças entre as cooperativas e as empresas é… a) A intervenção no mercado. Nem todas as cooperativas negoceiam no mercado. b) O papel do capital. Nas cooperativas o lucro não é a finalidade. c) A atividade desenvolvida. As empresas desenvolvem uma atividade económica e as cooperativas não. 4. Qual das seguintes entidades não é uma cooperativa? a) AGROS b) Junta de Freguesia de Odivelas c) Grupo Crédito Agrícola

5. Em Portugal, para criar uma cooperativa, são necessárias no mínimo… a) 7 pessoas b) 5 pessoas c) 3 pessoas 6. Os valores cooperativos são... a) Cooperação, discriminação positiva, remuneração igualitária e partilha. b) Auto-ajuda, auto-responsabilidade, democracia, igualdade, equidade, solidariedade, honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação pelos/as outros/as. c) Todos os anteriores. 7. As cooperativas baseiam-se nos princípios… a) De não discriminação, participação e intercooperação. b) De adesão voluntária e livre, de gestão democrática e de participação económica dos membros, de autonomia e independência, de educação, formação e informação, de intercooperação e de preocupação pela comunidade. c) Inerentes ao comunismo, com a exceção de que tem de haver participação económica por parte dos membros e capacidade de gerar lucro. 8. Em que sectores podem trabalhar as cooperativas? a) Apenas nos sectores da agricultura, da habitação e construção, da banca, dos serviços e do ensino. b) Podem trabalhar em qualquer sector. c) Apenas nos sectores da agricultura, do artesanato, das pescas, da produção operária e da solidariedade social. 9. Nas cooperativas existe distinção salarial? a) Existe. Os/as trabalhadores/as recebem de acordo com a sua antiguidade. b) Existe. Os/as trabalhadores/as recebem de acordo com as suas funções, habilitações e experiência. c) Não existe. Todos/as os/as trabalhadores/as recebem o mesmo montante salarial.

10. A primeira cooperativa foi constituída no século… a) XVIII b) XIX c) XX 11. Uma cooperativa pode oferecer quaisquer bens ou serviços? a) Sim, exceto crédito b) Sim c) Não 12. Uma cooperativa pode gerar lucro? a) Não b) Não, apenas pode gerar excedentes que são investidos na própria cooperativa e podem ser distribuídos pelos/as cooperadores/as. c) Sim, e tal como numa empresa, esse lucro é distribuído pelos/as cooperadores/as ou investido na própria cooperativa. 13. Numa cooperativa como é realizada a votação na Assembleia Geral? a) 1 membro fundador = 2 votos. b) 1 pessoa = um voto. c) % capital = % voto. 14. Qual das seguintes ações empreendedoras achas que pode corresponder a uma cooperativa? a) Com o objetivo de criarem o próprio emprego, três amigas montaram uma empresa de cultivo ecológico. Todas trabalham lá e cooperam entre si. b) A Maria, o Paulo, a Ana, o João e a Sofia, querem criar um negócio de desportos radicais, com a finalidade de dinamizar uma zona onde este serviço não existe. Cada um vai investir 50€ de capital social para poderem começar a iniciativa e esperam aplicar o excedente da sua atividade na formação da comunidade. c) 10 famílias de pessoas com mobilidade reduzida compraram duas carrinhas de transporte adaptado. Uma das famílias, que investiu mais capital que as outras, decidiu doar uma das carrinhas a um vizinho que também tem dificuldades de mobilidade.

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AcAbA de vez com os

mitos mitos cooperAtivos

As cooperativas não são empresas. Existem cooperativas com fins lucrativos. As cooperativas não atuam no mercado.

As cooperativas seguem a ideologia comunista.

Só há cooperativas no sector agrícola.

Não há jovens nas cooperativas.

O trabalho nas cooperativas não é remunerado.

As cooperativas só trabalham a nível local.

As cooperativas só produzem bens, não serviços.

Não há cooperativas no sector bancário.

Só há cooperativas nas zonas rurais.

A finalidade de uma cooperativa é pagar menos impostos.

Nas cooperativas não pode existir um/a líder.

As cooperativas são constituídas por pessoas com baixos rendimentos.

As cooperativas não são autossustentáveis, dependem dos apoios do Estado.

As cooperativas não são geradoras de emprego.

lsas. Estas afirmaçõEs são fa urgE dEsfazEr! uE q s o it CE n o EC pr E s o it CorrEspondEm a m 6 Geração Coop | despertar para o cooperativismo


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Sabe mais em geracaocoop.pt

abelhas

mestres em cooperação

Se observarmos o trabalho das abelhas, podemos aprender como a “união faz a força”. À primeira vista, parece um grupo numeroso e caótico de insetos. Mas se observares uma colmeia, verás como as abelhas trabalham de forma organizada e harmónica para o bem-estar geral da colónia. Aqui podes ficar a saber um pouco mais sobre este assunto com a pequena entrevista que fizemos ao Joaquim Pifano, autor de um dos blogs mais visitados sobre o tema. Como funciona o trabalho das abelhas e porque é muitas vezes dado como um exemplo de cooperação? A estrutura social da abelhas é complexa e funciona pela divisão de tarefas cujo somatório final culmina na satisfação das necessidades básicas do grupo: Joaquim Pifano é licenciado em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de lisboa, director técnico da AdeRAVIS (Associação para o desenvolvimento Rural e Produções tradicionais do Concelho de Avis) e autor do blog Monte do Mel. instalação, crescimento, armazenamento de nutrientes, defesa e reprodução. (…) Nas abelhas poderíamos falar numa estrutura social em castas temporais, uma vez que a função das abelhas na colónia varia ao longo do seu curto período de vida. A organização da colónia, que sempre se pensou dever-se à superioridade e “inteligência” de um indivíduo - a mestra ou rainha - tem afinal uma justificação mais

crua e mecânica: as feromonas (substâncias químicas produzidas pelas glândulas sudoríparas de alguns animais para atrair ao indivíduo do sexo oposto) funcionam como vetor preferencial de comunicação e regulação. Independentemente da forma de gestão, o auxílio mútuo e a soma de esforços, garantem a sobrevivência e a prosperidade da colónia. Que lição podemos tirar das abelhas? No formato mais efabulado da vida das abelhas, enquanto insetos que trabalham com abnegação e afinco, amealhando nos tempos fáceis para a sobrevivência na estação rigorosa, poderia ser o nosso lema nesta

Monte do Mel

No blog do Monte do Mel podes encontrar muitas informações sobre abelhas, colmeias e apicultura. Conhece melhor o trabalho das abelhas e aprende com elas como ser um mestre em cooperação! www.montedomel.blogspot.com

atualidade tão conturbada. Até porque demonstra que é possível e vantajosa a vida em comunidade tal como o esforço conjunto para

“Podemos continuar a olhar para a colónia de abelhas como um modelo a seguir para viver em sociedade.” superar dificuldades. Há no entanto autores que classificam a colónia das abelhas como um único organismo, cujas células não coesas fisicamente e com aparente vida livre, são de tal forma especializadas que não podem sobreviver sozinhas tal como noutro qualquer organismo. O comportamento global do grupo, qual estatística viva, será o somatório dos comportamentos ou “inteligências” individuais de cada inseto, esperando-se com isso, que vençam as decisões mais acertadas. Deste cenário, tão real como o anterior, continuamos a tirar os melhores exemplos de cooperação, e se ignorarmos o sacrifício da individualidade, podemos continuar a olhar para a colónia de abelhas como um modelo a seguir para viver em sociedade.

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O teu dia-a-dia

Sugestões para um dia na região de Lisboa preenchido apenas por cooperativas.

09:30

11:30

13:00

TaPada NaCIoNal de mafra

adeGa de ColareS

loja BIolóGICa

São 800 hectares de natureza onde podes fazer muita coisa. Muita coisa mesmo! Por exemplo, podes fazer percursos pedestres ou de BTT. Mas, se estiveres com as perninhas cansadas, podes optar pelo comboio, pelo burro ou pela charrete. Há também visitas guiadas noturnas e ao amanhecer. Na Tapada os animais andam livremente e por isso vais encontrar veados, javalis, raposas, aves... e não tão livremente assim, podes ver os lobos que por lá vivem. Tem a câmara a postos! www.tapadademafra.pt

Em Sintra podes encontrar uma viticultura diferente. Na Região Demarcada de Colares, as vinhas são plantadas em areia, o que faz com que o vinho tenha características únicas. Podes visitar a Adega, as vinhas e fazer uma prova de vinhos. Tudo com marcação prévia. O vinho de Colares, apesar de poder ser consumido após 18 meses de estágio, só atinge a sua máxima qualidade passados vários anos e por isso a sua comercialização é muito limitada. Há vinho à venda na loja da Adega. Aproveita! www.arcolares.com

E que tal aproveitares que estás em Sintra para conheceres a Loja da Quinta dos 7 Nomes? Produtos frescos acabados de colher (frutas e hortícolas), produtos de mercearia, de limpeza e de higiene pessoal. Tudo com certificação BIO e ecologicamente correto. Na Quinta vais encontrar pessoas simpáticas prontas para te receber e mostrar-te o espaço. E como é hora do almoço... aproveita e compra algo saboroso para comer. www.quinta7nomes.com

18:00

19:00

20:00

Café da GaraGem

ISPa

a BarraCa

O dia já vai longo, o melhor é fazeres uma pausa para um lanche com uma das melhores vistas sobre a cidade. Recomendamos uma visita ao Teatro Taborda, na Costa do Castelo. É lá que está residente a companhia Teatro da Garagem. Para além dos espetáculos, o grupo dinamiza o Café Garagem. Três razões para ir ao Café: vista magnífica sobre Lisboa, Jam Session e tosta de chouriço com queijo da ilha. www.teatrodagaragem.com

Existem muitas razões para fazeres uma visita ao ISPA - Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida, e vamos deixarte duas delas. Primeira: Bolsas de Mérito ISPA/DGES - Os estudantes que ingressam no ISPA no 1ª ano, pelo regime geral e com média igual ou superior a 16,5 valores, têm um desconto de cerca de 75% no valor da propina e matrícula. Segunda: Exposição "As primeiras pinturas (1959-1968)" do Mestre Malangatana. www.ispa.pt

O Bar a Barraca já é bastante conhecido do público de Santos, mas se ainda não conheces, aqui fica mais um incentivo para fazeres uma visita. O Bar é dinamizado pelo Grupo de Ação Teatral A Barraca. A programação deste café-concerto inclui recitais de poesia, concertos de fim de tarde, teatro, projeção de vídeos, exposições e até mesmo aulas de tango. Aproveita para petiscar enquanto ouves boa música. www.facebook.com/barabarraca

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cOOperativO 14:00

15:30

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GranCoop

biosiTe.Com

spa

Andas há muito tempo para tirar a carta de condução? E se aproveitasses o início deste semestre para te inscreveres? Não faltam escolas de condução em Lisboa, é só escolher. A Grancoop está no centro de Lisboa e tem aqueles gadgets todos para quem está a começar. Deixa a preguiça de lado, a carta de condução é fundamental! www.facebook.com/grancoop.escolad econducao

Não tens vocação para agricultura mas até não te importavas de ter uma pequena horta em casa? Então que tal fazeres um Curso Biohorta em Varandas? A Biosite.com dá formação em Hortas Urbanas, experimenta um curso de quatro horas e começa a plantar em tua casa! Mas se achares que não tens tempo, podes simplesmente encomendar os cabazes de produtos agrícolas biológicos, que eles entregam-te à porta. www.biosite-com.blogspot.pt

A Sociedade Portuguesa de Autores promove com regularidade ações culturais: exposições, lançamentos de livros, debates, prémios, entre outros. Neste momento a SPA tem aberta ao público a exposição “Igrejas Caeiro: O Companheiro da Alegria”. Consulta a agenda e faz uma homenagem aos autores portugueses. No site da SPA também vais poder encontrar a revista “Autores” e informações sobre concursos. www.spautores.pt

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TeaTro aberTo

CoopTaxis

a Comuna

Recomendamos que assistas à peça “Londres”, vencedora do Grande Prémio Teatro Português 2011. Esta peça é produzida pelo Novo Grupo de Teatro que está residente no Teatro Aberto desde 2002. O espaço tem duas salas e um atrium onde acontecem exposições e eventos culturais. Se ficares fã, pede o Cartão do Espetador que dá 30% de desconto nos bilhetes para os espetáculos de produção exclusiva. www.teatroaberto.com

Acabaste de sair do teatro mas a noite ainda não acabou! Sugerimos que chames um táxi e sigas para A Comuna. A Cooptaxis é uma das redes de táxis que opera em Lisboa. Podes pedir um taxi através de uma chamada de voz, sms ou pela Internet. A Cooptaxis recebe o teu pedido, localiza o táxi mais próximo através do sistema GPS e envia-o “num piscar de olhos” até ti. Se quiseres, podes pedir um táxi com sistema de pagamento com cartões. www.cooptaxis.pt

Se ainda tiveres energia – e nós esperamos que tenhas – não podes perder a Festa dos Anos 80 na Comuna. A festa acontece na 1ª sexta-feira de cada mês e a entrada é livre. O ambiente é espetacular - nós já comprovamos - e podes “abanar” sem vergonha até às 04h! Carlos Bernardo, da produção, garante que agora há menos gente e que chegar ao bar já não é uma missão difícil. Nós iremos lá comprovar e tu? www.comunateatropesquisa.pt

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CooperaTivas em ação

As cooperativas podem desenvolver qualquer tipo de serviço, operação ou atividade. Conhece um pouco do que é feito em Portugal nos 12 ramos cooperativos e surpreende-te!

Ramo dos Serviços lazer. A cooperativa comporta em si uma unidade de Fisioterapia, Termas, SPA & Bem Estar e uma Unidade Cultural. Também gerimos o Polidesportivo e o Parque de Campismo.

Taipas TuriTermas

entrevista a ricardo Costa, presidente da direção.

“Se não tivéssemos cá esta cooperativa, as pessoas tinham custos mais altos para ter o mesmo nível de serviço.” a Taipas Turitermas é uma régie Cooperativa, com sede no Concelho de Guimarães. a Câmara municipal de Guimarães liderou o processo de criação e detém 94 % do Capital social da cooperativa. Que serviços a Taipas fornece? Temos uma oferta integrada de serviços na área do turismo e do

O que tem feito de inovador a Taipas Turitermas? Desde que assumi em 2009 a cooperativa, o único serviço diferenciador que criámos de raiz foi o SPA & Bem Estar. Sabíamos que o mercado pedia este género de serviço e por isso fomos ao seu encontro. Nos restantes serviços tivemos de atuar ao nível da gestão e da estratégia. Fizemos mudanças a nível dos horários, conseguimos empregar mais pessoas para ter uma gestão mais focada no cliente, fizemos alterações a nível da imagem, projetando uma nova marca e registámos a marca Taipas Termal. Queremos criar uma unidade de produtos dentro da Taipas Termal: sabonetes, desmaquilhantes... e precisávamos de uma marca mais forte, que vendesse melhor no mercado. Na área cultural foi onde tivemos uma intervenção mais séria. Acreditamos que quem nos visita e faz termas connosco entre 7 e 14 dias, tem uma necessidade de ocupar o resto do tempo. Por isso, recuperámos o primeiro edifício das termas, que estava abandonado há mais de 50 anos, e transformámo-lo numa unidade cultural que promove espetáculos gratuitos.

10 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

toma nota

eQuação – cooPerativa De comércio JuSto

Podes fazer as tuas compras de mercearia e incentivar o comércio justo através da loja on-line da Equação: www.equacao.org. Para além da loja, a cooperativa também faz serviços de catering. SabiaS Que...

uFF Portugal – DeSignerS e PubliciDaDe

Sabias que o sistema de sinalética do Jardim Calouste Gulbenkian foi desenvolvido por uma cooperativa? Descobre mais sobre a UFF Portugal em www.uffportugal.pt

É uma empresa sustentável? Esta cooperativa sempre foi autosuficiente. Isso é uma mais valia que para a Câmara Municipal de Guimarães é um orgulho. A Câmara Municipal não precisa de transferir todos os anos uma verba para que esta cooperativa funcione. O volume de negócios que ela tem, cobre todos os custos e ainda consegue financiar atividades sociais e culturais.


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Ramo dA CULTURA SabiaS Que...

cinema novo

Sabias que o Fantasporto – Festival Internacional de Cinema do Porto é organizado pela cooperativa Cinema Novo? SabiaS Que...

Sociedade PortugueSa de autoreS

Sabias que a SPA é uma cooperativa?

Espaço das agunchEiras

Entrevista a são José Lapa, cooperadora e mentora do projeto.

mais difícil de Portugal: Viseu! (risos) Eu tinha familiares em Viseu, tinha uma casa perto de Viseu, portanto havia uma quantidade de raízes que estavam lá. Viseu foi dificílimo mas ficou esta coisa de

“Aqui todos os espetáculos começam antes da noite chegar para se ver o pôr-do-sol.” a cooperativa cultural Espaço das aguncheiras tem sede na azóia - cabo Espichel, num terreno que pertence a são José Lapa. o local tem o mesmo nome da cooperativa e no verão é palco para peças de teatro que começam com o pôr-do-sol. O que é o Espaço das Aguncheiras? O Espaço das Aguncheiras é uma cooperativa, com poucos cooperadores que estão a tempo inteiro, mas com muita gente colaboradora que vai e vem. Ao longo destes sete anos de trabalho de teatro já devemos ter tido umas 500 pessoas a colaborarem. Isto não é uma grande quinta, tem 2,75 hectares, mas dá uma trabalheira... (risos). Como surgiu a cooperativa? Em conjunto com colegas formámos um grupo de teatro que era A Centelha. Na decisão de para onde é que havíamos de ir, eu bati o pé para irmos para o sítio

Porquê um espaço ao ar livre? Um dos princípios que me nortearam sempre, foi estar farta de trabalhar em “buracos escuros”. Eu já não aguento estar num sítio fechado. Para além disso é o amor à “Natura Mãe”. Aqui todos os espetáculos começam

antes da noite chegar para se ver o pôr-do-sol. Qualquer espetáculo pode ser encenado e ser reproduzido aqui. Isto é uma moldura extraordinária como vocês estão a ver, uma moldura da natureza. amor à “cultura da batata” (agricultura). Depois, passei 17 anos no Teatro Nacional D. Maria II. Quando saí, andava à procura de um local onde pudesse fazer residências artísticas teatrais, onde pudesse fazer teatro ao ar livre e onde pudesse fazer agricultura. (…) E a cooperativa pareceu-nos a maneira correta porque funciona através da cooperação entre as pessoas e isso é que é importante.

Quais são as atividades da cooperativa? Fazemos um espetáculo no verão. Não fazemos mais porque não temos apoio económico neste momento. Portanto é uma peça anualmente, mas orgulho-me de ter a casa cheia. Depois, mais tarde, também alargámos o nosso leque com os projetos que fizemos nas escolas sobre a violência doméstica e as questões de género.

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 11


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toma Nota

FavaioS – adega Cooperativa

Se fores à Região do Douro, podes fazer enoturismo na Adega de Favaios. As visitas guiadas são gratuitas e sais de lá a conhecer o processo de produção dos famosos Favaios e Favaítos.

Ramo AGRÍCOLA

SabiaS Que...

BIo azórICa

Produtos de agricultura Biológica - açores www.facebook.com/bio.azorica É uma cooperativa de produtores/as e consumidores/as agrícolas, criada com o objetivo de promover o consumo de produtos biológicos no arquipélago dos Açores. A Bio Azorica disponibiliza produtos em Modo de Produção Biológico, através de um sistema de cabazes com entrega ao domicílio e na feira Biológica da BioFontinhas, aos sábados. A comunicação das atividades da cooperativa é feita através do Facebook, onde os sócios/as ficam a saber das promoções e dos cursos promovidos pela cooperativa.

Coopval – Cooperativa agríCola doS FrutiCultoreS do Cadaval

Sabias que a Coopval é a maior organização de produtores de Pêra Rocha? E que 80% da produção é exportada? SabiaS Que...

laCtogal

Sabias que a AGROS, a LACTICOOP e a PROLEITE/MIMOSA fundaram a LACTOGAL? E que a LACTOGAL gere marcas conhecidas como Adagio, Matinal, Vigor e Mimosa?

SabiaS Que...

Ramo do Ensino

InstItuto PIaget

Cooperativa para o Desenvolvimento Humano, Integral e ecológico. www.ipiaget.org

multiplicidade de áreas: educação, investigação, ação de cariz social, implementação de projetos de desenvolvimento em Portugal e na CPLP e edição de livros.

Foi criado em 1979 com objetivo de proporcionar um ensino de qualidade e difundir valores humanos fundamentais. Ao longo dos anos, o âmbito da ação do Instituto Piaget tem vindo a diversificar-se, abrangendo uma 12 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

iSpa

Sabias que o Instituto Superior de Psicologia Aplicada é uma das mais antigas instituições de ensino superior particular e cooperativo de Portugal?


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Ramo do Crédito As caixas de crédito agrícola mútuo são as únicas instituições de crédito em Portugal sob a forma cooperativa. Exercem funções de crédito agrícola e não agrícola em favor dos/as seus/suas associados/as e a terceiros, bem como a prática dos demais atos inerentes à atividade bancária. Têm âmbito local e os/as principais cooperadores/as são as pessoas que, na sua área de intervenção, exerçam atividades produtivas, de transformação e comercialização nos sectores da agricultura, silvicultura, pecuária, caça, pesca, aquicultura, agroturismo e indústrias extrativas, bem como ligadas ao artesanato e outras atividades de importância local e regional.

sabias Que...

O Crédito Agrícola é um Grupo financeiro com base cooperativa, de âmbito nacional mas enraizado

nas comunidades locais. Tendo em 2011 completado 100 anos de existência, o Grupo adota a assinatura “Juntos Somos Mais” que reflete o novo posicionamento distintivo da marca CA. Neste novo posicionamento sublinhamse os valores de ajuda mútua e solidariedade que estão na essência da instituição e se materializam numa palavra: Cooperativismo.

Toma NoTa

Toma NoTa

Crédito AgríColA

www.creditoagricola.pt

caF – cooperaTiva de arTe FLoraL

escoLa de JorNaLismo do porTo - esJ Sabias que José Alberto de Carvalho, responsável de informação da TVI, foi aluno desta cooperativa de ensino?

LiNguagesT - escoLa de LíNguas para a comuNicação empresariaL

Se estás em Lisboa, podes aprender na Linguagest vários idiomas da União Europeia e também russo, mandarim, árabe e japonês.

Para quem é florista ou deseja iniciar na profissão, a CAF oferece cursos profissionais em todo o país. Vê o calendário das formações em www.cafartefloral.com

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 13


10a19 cooperativas em ação_Layout 1 10/12/12 4:44 PM Page 14

Ramo do Consumo As cooperativas deste ramo disponibilizam bens e serviços, associados à promoção de uma cultura de consumidores/as conscientes e informados/as.

Quinta dos 7 nomes – Cooperativa eCológiCa

entrevista a isabel Castanheira, cooperadora. na quinta pratica-se agricultura ecológica que depois é consumida pelos sócios/as ou vendida na loja. para além de um ser espaço de cultivo, é também um espaço de lazer e de formação para crianças e adultos. as ações da cooperativa estão ligadas a questões ambientais e a temas ecológicos. Como surgiu a Quinta dos 7 Nomes? Existia um espaço de venda direta numa quinta de agricultura biológica, em Galamares. Esse espaço cresceu e naturalmente surgiu a ideia de organizar uma

estrutura cooperativa. Surgimos com uma estrutura mais próxima daquilo que queríamos fazer: trabalhar em grupo. Fundámos a cooperativa em 2007, somos sete fundadores e é daí que vem nome. Começámos com 50 sócios e cada um disponibilizou 50€.

Esses 2.500€ era todo o dinheiro que tínhamos e utilizámos para restaurar o espaço. Hoje já somos 500 sócios. Qual é a linha de atuação da cooperativa? Em 2007, quando elaboramos os estatutos, um dos princípios era centrar cada vez mais no que é local. Essa é a nossa linha, ir buscar tudo aquilo que é ecologicamente avançado, ideias

Toma NoTa

NaTurocoop – cooperaTiva de coNsumo

www.naturocoop.org A cooperativa tem três espaços comerciais no Porto onde vende mais de 1.500 produtos biológicos. Lá podes encontrar produtos alimentícios, cosmética e produtos para a limpeza do lar.

que estão de acordo com a linha da sustentabilidade da nossa relação com a natureza. Ir buscar tudo que é global, de mais avançado, mas depois agir local.

Nós somos uma cooperativa multi-setorial, temos a vertente da produção, do consumo e também a vertente social. Na vertente social, temos dado especial atenção à formação em tudo o que está ligado à sustentabilidade. Os cursos são

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muito práticos: carpintaria, horta biológica, permacultura, hortas verticais e outros. (…) Aos cooperadores oferecemos preços o mais baixo possível, na loja e nos cursos. Temos o espaço da quinta de que as pessoas podem usufruir. Os sócios juntam-se, nós atribuímos um talhão e eles podem plantar a sua horta. (…) O nosso princípio é, cada vez mais, estabelecer trocas entre os cooperadores e a própria cooperativa. Já conseguimos implementar entre os cooperadores um serviço de boleias, interajuda entre pais... Aquilo que estamos a transmitir é a passagem possível entre o cooperativismo e a comunidade.


10a19 cooperativas em ação_Layout 1 10/12/12 4:45 PM Page 15

SabiaS Que...

Ramo da Comercialização Associa empresários/as da área comercial ou industrial, com o objetivo de adquirir, armazenar e fornecer aos membros os bens e serviços necessários à sua atividade e colocar no mercado os bens por eles/as produzidos ou transformados.

COOPROFaR – COOPeRativa dOS PROPRietáRiOS de FaRmáCia

CODIVeT

Cooperativa de Distribuição e Comercialização de Produtos Veterinários. www.codivet.com A cooperativa funciona desde 2005 e foi criada para que os/as médicos/as veterinários/as pudessem intervir no mercado da distribuição dos produtos veterinários. Sob a filosofia “A União

Sabias que a COOPROFAR foi considerada a maior empresa cooperativa em Portugal com um volume de vendas de quase 300 mil euros?

Promove o Sucesso Coletivo”, conseguem garantir uma série de vantagens aos seus sócios/as como serviços on-line 24h.

Ramo do Artesanato

Terra Chã

Cooperativa de Artesanato e Serviços www.cooperativaterracha.pt A cooperativa desenvolve projetos nas áreas da Apicultura, Silvopastorícia e Ambiente, Turismo de Natureza e Artesanato. Todos os projetos são desenvolvidos com objetivo de criar riqueza para a fixação das pessoas na sua terra, Rio Maior. Um dos projetos na área do Artesanato é a Oficina de Tecelagem Terra Chã. Em parceria com o Centro de Investigação PROACT do ISCTE, foram desenvolvidos novos processos de manufaturação, criando-se novos produtos e incorporando-se novos padrões.

tOma NOta

A Cooperativa Terra Chã dá-te a oportunidade de seres pastor/a por um dia. Se fores à Serra dos Candeeiros, podes fazer um passeio que retrata a vida diária dos pastores. As inscrições são feitas online, aproveita!

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 15


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Ramo da Solidariedade Social

FENACERCI

www.fenacerci.pt

Entrevista a Rogério Cação, Diretor Executivo. É a estrutura representativa das cooperativas de Solidariedade Social e promotora de uma campanha bastante conhecida: O Pirilampo Mágico. O que é a FENACERCI? A FENACERCI é uma federação nacional de cooperativas de solidariedade social. Ela surgiu inicialmente como uma federação nacional das CERCIS. As CERCIS foram um modelo cooperativo

criado em 1975, porque nessa altura o sistema de ensino não recebia ou não tinha respostas suficientes e adequadas para as crianças com deficiência intelectual. Houve uma movimentação, muito própria daquela altura, para criar uma resposta de proximidade para essas crianças que não podiam ir à escola. E as CERCIS nascem exatamente como escolas de educação especial. A partir daí evoluíram para outro tipo de resposta para além da educação. Têm o apoio ao emprego, apoio ocupacional, residencial, enfim, são estruturas multifacetadas, que têm a particularidade de serem estruturas muito vinculadas àquilo que é o território. (…) A

FENACERCI surge numa altura em que as CERCI estavam em crescendo e em que se sentiu a necessidade de criar uma estrutura que pudesse, a uma só voz, responder perante os interlocutores institucionais, perante o Governo, os parceiros internacionais, regionais... Neste momento temos 53 cooperativas associadas espalhadas por todo o país. E têm conseguido cumprir com os vossos objetivos? Através desta união temos conseguido, ao longo destas últimas décadas, fazer com que a nossa voz se faça ouvir relativamente a todas as matérias. A FENACERCI foi-se consolidando como um parceiro incontornável em todas as matérias que têm a ver com a nossa intervenção. Temos conseguido estar presentes e nunca deixámos de emitir o nosso parecer, independentemente de nem sempre sermos ouvidos. (…) Não há dúvida nenhuma que uma boa parte das leis que propiciaram o desenvolvimento das nossas associadas, teve um fortíssimo contributo da federação. Por outro lado a federação é uma prestadora de serviços às cooperativas associadas, ao nível jurídico, da formação, etc. (…) A vantagem de existir uma federação, é antecipar as questões e proporcionar

16 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

debates que depois facilitam as mudanças, o assumir de riscos e desafios que fazem parte da vida destas organizações. Que projeto da FENACERCI destacaria? Nós temos uma das campanhas de solidariedade mais conhecidas da Europa, que é a campanha Pirilampo Mágico. Esta campanha já tem 26 anos de existência. É uma campanha que permitiu mudar a imagem e o conceito que se tem das pessoas com deficiência, particularmente a deficiência intelectual, em Portugal. É uma campanha que consegue mobilizar os media, figuras públicas de todos os quadrantes. Este é de fato o nosso grande projeto emblemático. É uma ação solidária que entra no campo da angariação de fundos. Mas tem uma dimensão superior a esse contributo financeiro, que é a dimensão da informação, da sensibilização, da mudança de mentalidades.


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tipologias de intervenção. Hoje assume um papel importante na gestão de fundos de apoio ao desenvolvimento rural, projetos relacionados com a prevenção da toxicodependência e outros.

ESDIME – AgêncIA pArA o DESEnvolvIMEnto locAl no AlEntEjo SuDoEStE

www.esdime.pt

Entrevista a David Marques, presidente da Direção nasceu a partir de um projeto de formação em Messejana. Hoje tem 300 sócios incluindo entidades coletivas como a junta de Freguesia de Messejana, associações e empresas da região. Como é que a ESDIME evoluiu ao longo destes 23 anos de existência? A evolução foi muito significativa. A ESDIME, no início, era uma entidade que apostava em processos de formação para o auto-emprego e de apoio aos projetos promovidos pelos formandos, dando condições para que esses projetos pudessem ganhar sustentabilidade. Depois, essa lógica de intervenção foi tocando em várias outras à medida que iam surgindo novas solicitações, novos desafios. Surgiram novas vertentes como a promoção do associativismo e o apoio à iniciativa juvenil. Foram surgindo novas necessidades e a ESDIME foi dando essa resposta quando ela não existia. Todo esse processo resultou num alargamento não só geográfico mas também em termos transversais, de diferentes

crise. Alguém cria o seu negócio no quadro de uma organização cooperativa, com a qual mantém uma relação laboral no quadro

Quais são os desafios para o futuro? Nós estamos a procurar intervir de forma diferente, sobretudo no domínio da formação e de apoio à iniciativa, porque estar a formar as pessoas com perspetivas de empregabilidade é estar, de alguma forma a alimentar expectativas, que depois se podem tornar frustrantes. Temos procurado inovar nas metodologias de formação e de apoio à iniciativa. Neste contexto, temos alguns desafios interessantes para o futuro, nomeadamente através de metodologias que já existem noutros países, como as Cooperativas Atividade e Emprego, que são organismos criados de forma cooperativa e que visam criar a figura do empreendedor assalariado. É um modelo muito interessante, que não existe em Portugal, e que nos parece particularmente interessante em contextos de dessa associação, suportando assim alguns riscos. Portanto, procura autonomia para a sua área de negócio, experimentando-a, testando-a e tendo a possibilidade de ter uma almofada no caso das coisas correrem mal. Pode aceder a apoios como o subsídio de desemprego e outros apoios que não teria se fosse empresário em nome individual. Por outro lado, ainda beneficia daquilo que é uma rede de partilha entre todos aqueles que serão empreendedores assalariados dessa organização. É um modelo muito interessante que resulta em França e gostaríamos de ensaiar em breve. Geração Coop | despertar para o cooperativismo 17


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Ramo da Habitação e Construção

As sete BicAs www.setebicas.pt entrevista a Guilherme Vilaverde, Presidente da Direção A cooperativa foi fundada em Matosinhos e já concretizou o sonho da habitação para mais de três mil famílias na região. em 37 anos de existência já foi premiada diversas vezes pelo instituto de Habitação e Reabilitação Urbana. Como surgiu a Cooperativa? Esta cooperativa nasce num contexto de mudanças que Portugal vive a partir da revolução de 1974. Nasce num concelho industrializado que recebe população oriunda de vários pontos do país, população essa

que é mal servida de alojamento, que vive em construções clandestinas, habitações inadequadas. A cooperativa nasce sobretudo em dois núcleos de trabalhadores de duas grandes empresas aqui do concelho, uma empresa têxtil que entretanto foi desmantelada e uma empresa do ramo automóvel. Em escassos meses organizaram 300 pessoas e formaram a cooperativa. Como justifica o sucesso desta cooperativa? Esta cooperativa teve desde muito cedo a ambição de se profissionalizar e qualificar nos termos da sua organização e da sua estrutura. Esse foi um passo importante. Depois sempre contivemos a ambição na medida das nossas capacidades. Nunca desenhámos projetos para os

quais não tivéssemos uma razoável margem de equilíbrio, para não cairmos em situações de excesso de oferta ou de preço superior àquele para o qual os seus associados estavam disponíveis a pagar. Por último,

fomos atrás das melhores práticas europeias. Nós fomos pioneiros no projeto de construção sustentável, onde ganhámos prémios nacionais e internacionais, porque conseguimos provar que era possível em ambiente de custos controlados, construir habitação com padrões de qualidade e sustentabilidade, não aumentando de forma desmesurada o respetivo custo. Qual é a estratégia da cooperativa para enfrentar a crise? A cooperativa neste momento pauta as suas preocupações em duas áreas fundamentais: na gestão da manutenção e conservação dos espaços que edificou durante mais de três décadas e, paralelamente, estamos a desejar intervir no mercado da reabilitação. O nosso grande objetivo é marcar presença na reabilitação das nossas cidades. O segmento cooperativo, pelo seu percurso, pela sua experiência, pelo conhecimento que tem na gestão das pessoas nestes processos, é um instrumento que pode ser muito útil aos municípios, aos governos, aos cidadãos.

18 Geração Coop | despertar para o cooperativismo


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Ramo das Pescas Dedica-se à exploração dos recursos vivos do mar, designadamente, a captura, a apanha, a cultura, a conservação, a transformação, a carga, o transporte, a descarga e a venda dos produtos de pesca. Abarca ainda a extração, o tratamento e a venda do sal marinho. Podem ser membros de uma cooperativa de pesca as pessoas que, sendo inscritos/as marítimos/as, nela desenvolvam a sua atividade profissional.

Ramo da Produção Operária

Toma NoTa

News Coop – INformação e ComuNICação

Esta cooperativa é especialista em conteúdos na área da Economia Social. Publica periodicamente as revistas: “Dependências”, “Fórum & Cidadania”, “Ensino & Educação” entres outras. As publicações estão disponíveis em: www.newscoop.pt

sabIas Que...

CooperaTIva de produção dos operárIos pedreIros porTueNses

Abreviadamente designadas «cooperativas de produção», têm por objeto principal a extracção, a produção e a transformação, de bens no sector industrial.

Sabias que a Cooperativa dos Pedreiros é uma das mais antigas do País? A cooperativa foi fundada em 1914 por um grupo de operários que estava a trabalhar na construção da Estação de São Bento. Geração Coop | despertar para o cooperativismo 19


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Portugal CooPerativo De natureza local, as empresas cooperativas criam valor e emprego dentro da própria comunidade, contribuem para o seu desenvolvimento e combatem a desertificação. Vê como as 2.349 cooperativas em atividade se distribuem no território português*.

Alentejo

Algarve

Região Centro

s e Madeira Açore

oa e Vale do Tejo Lisb

Região Norte

Agrícola

Cultura

Serviços

Artesanato

Ensino

Solidariedade Social

Comercialização

Habitação e Construção

Uniões

Consumo

Pescas

Federações e Confederações

Crédito

Produção Operária

20 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

*Fonte: Conta Satélite da Economia Social (Trabalhos preparatórios) - CASES, INE, 2010. Dados provisórios.

Universo cooperativo em atividade em 2010


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Mundo Cooperativo

Em Singapura metade da população pertence ao movimento.

Mais de mil milhões de pessoas são detentoras de partes de capital cooperativo no Mundo.

Da ‘Cooperatives Europe’, estrutura da Aliança Cooperativa Internacional para a região europeia, fazem parte 250 mil empresas cooperativas com 163 milhões de membros e que geraram 5,4 milhões de postos de trabalho.

Há 3 vezes mais membros de cooperativas que acionistas de empresas privadas no Mundo.

Na Índia 242 milhões, na China 160 milhões e nos Estados Unidos da América 120 milhões são membros de cooperativas. É cooperativa a distribuição de energia elétrica a 42 milhões de pessoas em 47 estados dos Estados Unidos da América, o que equivale a 42% do total da energia distribuída cobrindo 75% da massa territorial do país. Neste país 2 milhões de postos de trabalho são providenciados por cooperativas. Em Espanha, o Ministério do Trabalho (2007) estima em 21,6% o emprego cooperativo no total de postos de trabalho do país; em Itália, 1 milhão de pessoas é empregue pelas 70.400 cooperativas existentes (2005).

As cooperativas responsabilizam-se por mais de 100 milhões de postos de trabalho a nível mundial, mais 20% dos que são criados por multinacionais.

No Brasil há 7600 cooperativas com 7,6 milhões de membros. As cooperativas são responsáveis por 37,2% do Produto agrícola e 5,39% do Produto nacional bruto (2009). As cooperativas agrícolas exportaram 3,6 mil milhões de dólares. As cooperativas de saúde fornecem serviços médicos e odontológicos a 17,7 milhões de pessoas.

Em todos os países americanos pelo menos 1 em cada 5 pessoas são membros de cooperativas; em África esse número é de 1 em 13 pessoas.

No Japão 91% dos agricultores/as pertencem a cooperativas (2007).

Já a ‘Social Economy EuNa rope’, que junta as mutualidaAlemanha e nos des, associações e fundações Estados Unidos da europeias às cooperativas enquanto uniAmérica, 1 em 4 pesverso potencial que quer representar a nível soas aderiram ao europeu, publicita que a economia social recooperativismo. presenta 10% de todas as empresas europeias, o que significa 2 milhões de empresas, empregando mais de 20 Na milhões de trabalhadores/as, isto Irlanda, Finlâné, 10% de todo o emdia e Áustria mais de prego. metade da população No Canadá, 4 em cada 10 pessoas fazem parte de cooperativas, sendo que no Québec 70% da população está cooperativizada.

faz parte de cooperativas.

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Apoio Ao emprego jovem

O impulsO q

A transição para o mercado de trabalho não é trivial. Lê esta entrevista com Vítor Moura Pinheiro, diretor executivo do Programa Impulso Jovem e fica a conhecer as oportunidades que estão mesmo “a sair do forno”. quais as prioridades principais para o programa impulso Jovem? O Programa Impulso Jovem visa dar uma resposta à elevada taxa de desemprego entre os mais jovens. Em primeiro lugar, promovendo oportunidades para os jovens da mais qualificada geração de sempre, e, desta forma, poderem mostrar o seu valor junto do mercado de trabalho através de estágios profissionais remunerados com prémio de integração. Em segundo lugar, atender aos custos associados à contratação dos jovens, e incentivar essa contratação através do reembolso, para as entidades empregadoras, da contribuição para a segurança social. Apoiar o Empreendedorismo dos jovens como uma alternativa à tradicional via do trabalho por conta de outrem, é também um dos focos deste plano estratégico. Numa outra vertente, o programa Impulso Jovem prevê, ainda, apoios ao investimento para empresas que apostem na criação de postos de trabalho por jovens, designadamente, nos setores da inovação e da internacionalização. Em suma, o presente programa desenvolve medidas efetivas tanto do lado dos empregadores como do lado dos jovens desempregados, procurando contribuir, ainda, para a coesão territorial, dando prioridade na aplicação de algumas medidas às regiões Norte, Centro e Alentejo. como vê o cooperativismo na promoção do emprego jovem? A mais-valia das cooperativas assenta na sua capacidade de promover o desenvolvimento de uma cultura de solidariedade e de cooperação enquanto revelam uma

aposta na coesão territorial. Estes valores, aliados à irreverência e vontade de vencer próprios das gerações mais jovens, seguramente poderão ser ingredientes de sucesso. As cooperativas representam um papel fundamental na criação de auto-emprego e são um fator potenciador da participação, da cidadania e do Empreendedorismo. em grandes linhas, a iniciativa cOOp Jovem terá que objetivos? O programa Coop Jovem tem como objetivo apoiar a criação de novas cooperativas, no seu arranque, no seu financiamento, mas também no seu desenvolvimento. Este programa consubstancia o espírito promovido pelo Ano Internacional das Cooperativas, acompanhando a tendência europeia de renascimento da figura cooperativa. O Coop Jovem surge como um projeto de empreendedorismo e apresenta-se como um programa que ambiciona garantir apoios céleres às iniciativas dos jovens que

Sabe mais em

www.impulsojovemportugal.pt

22 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

possam surgir na área da criação de autoemprego, assegurando um conjunto de apoios que permitam a viabilização dos seus projetos. Pretendemos apoiar 945 jovens até ao final de 2013, através do Coop Jovem, medida que irá ser executada pela CASES – Cooperativa António Sérgio para a Economia Social. em que consiste o passaporte emprego? É um novo programa de estágios profissionais que conjuga a experiência profissional numa entidade empregadora, com formação profissional e prémio de integração para as entidades que celebrem contratos de trabalho sem termo com os jovens. Tem a duração de seis meses, com apoios ao nível de bolsa de formação, subsídio de alimentação, transporte e seguro. Dirigem-se, prioritariamente, a jovens entre os 18 e os 30 anos, inscritos no IEFP, há, pelo menos, 4 meses. Podem candidatar-se empresas, entidades da economia social, associações juvenis e desportivas, ou empresas a operar no setor agrícola, entre outras. Os jovens, por seu turno, para além da inscrição no IEFP não precisam fazer nenhuma outra inscrição específica nestes estágios. Os jovens devem, no entanto, e no âmbito da sua procura ativa de emprego, utilizar a informação de que reúnem os requisitos destes estágios para informar as entidades empregadoras, contribuindo, assim, com esta informação, para a oportunidade de uma entidade promover um estágio passaporte emprego e indicar aquele jovem concreto.


22a23 entrevista_Layout 1 10/11/12 10:44 AM Page 23

que precisas vítor moura pinheiro, diretor executivo do programa impulso Jovem

O microcrédito também será uma ferramenta a utilizar neste programa? Sim, o microcrédito também tem uma vertente no Impulso Jovem uma vez que, no âmbito do programa Nacional de Microcrédito, é concedida, agora, prioridade aos casos em que o beneficiário ou o contratado tenha idade compreendida entre os 16 e os 34 anos e seja desempregado inscrito em centro de emprego há pelo menos quatro meses. Assim, o Programa Nacional de Microcrédito assenta na facilitação do acesso ao crédito - através da tipologia MICROINVEST - e na prestação de apoio técnico na criação e na formação do empreendedor, durante os primeiros anos de vida do negócio. Surge como um meio para fomentar a criação do emprego e o Empreendedorismo entre as populações com maiores dificuldades de acesso ao mercado de trabalho. É uma forma de acesso ao financiamento, com condições mais favoráveis que as oferecidas pelo mercado bancário, para

criação de pequenos negócios. E note-se que todos os grandes negócios de hoje, quando começaram, eram pequenos negócios. Tudo tem um começo. que pistas de esperança deixa para os jovens que estão à procura do primeiro emprego? A esperança é o sonho do Homem acordado, escreveu Aristóteles. Não há futuro sem esperança. O futuro são os nossos jovens e, como tal, deposito neles muita esperança. O futuro só se faz com eles. Se eles quiserem, chegaremos a um futuro melhor, e chegaremos mais depressa. Temos que ser persistentes, arrojados, ativos, inovadores. O mercado de trabalho não está favorável nesta fase, mas, para os bons, há sempre lugar. Temos é de trabalhar todos os dias para fazer melhor, persistir para ir mais longe. Com esta atitude, um dia, o nosso valor será reconhecido. Os jovens, por exemplo, quando fazem um estágio profissional, devem ver ali uma possibilidade para eles próprios, para, em 6

“O prOgrama COOp JOvem tem COmO ObJetivO apOiar a CriaçãO de nOvas COOperativas, nO seu arranque, nO seu finanCiamentO, mas também nO seu desenvOlvimentO.” meses, provarem que têm valor e a entidade empregadora ganha maisvalia com a sua contratação. Na minha opinião os jovens devem aproveitar estas oportunidades para que possam, também, carrear para o mercado de trabalho, as suas imensas competências escolares, académicas e profissionais. Ser empreendedor não deve ocorrer só no sentido do autoemprego. Devemos ser empreendedores todos os dias, mesmo quando trabalhamos por conta de outrem. Quanto ao Empreendedorismo no âmbito do auto-emprego, a nossa sociedade também precisa reconhecer e felicitar quem tentou e não somente criticar quem falhou. Se falhou, é porque tentou. O fracasso é, normalmente, uma derrota temporária que pronuncia o sucesso. E é de sucesso que o nosso país precisa.

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Uma forma cooperativa De… e Serão as cooperativas empreendedoras? Quando pensas em empreendedorismo relacionas de imediato o seu conceito com a criação de empresas que atuam no mercado e que geram lucro? Empreendedorismo traduz-se na “capacidade de ser ativo, de conceber e concretizar uma iniciativa estruturada, na base de um projeto, definido objetivos e metas, identificando e mobilizando aliados e recursos, calendarizando e orçamentando; e depois, gerindo e avaliando processos e resultados – através da criação ou utilização de uma organização com

personalidade jurídica, que pode ser uma sociedade comercial mas igualmente uma associação, uma cooperativa, mútua ou fundação”¹.

João Sem Medo

sem Medo têm que passar por uma espécie de teste e no final a comunidade vota contra ou a favor da entrada do/da novo/a sócio/a. Quem conseguir encarar um pitch (apresentação) e completar “a missão” com sucesso vai poder usufruir das vantagens de pertencer à “tribo”: receber toda a ajuda que precisa para por o seu projeto de pé a preços melhores que no mercado, participar num sistema de trocas de serviços que permite reduzir custos e ter uma rede de apoio interessada no teu sucesso. Tens medo? E porque não pedes ao João para te ajudar?

João Sem Medo Center for Entrepreneurship (www.joaosemmedo.org)

Uma empresa social de empreendedores/as para empreendedores/as é como se define os João Sem Medo. São uma infraestrutura humana que apoia os/as seus/suas sócios/as na criação de projetos empreendedores, não só económicos mas também científicos, filosóficos, espirituais... Poderíamos dizer que é uma empresa “chave na mão” para

“Acreditamos que um empreendedor é alguém que sabe que o seu futuro não está determinado, que com a sua ação pode decidir o seu futuro.” quem deseja começar uma aventura. E como é que funciona? As pessoas que quiserem fazer parte da comunidade João

De acordo com este conceito existem diferentes formas de empreendedorismo: › Capitalista – sobretudo individual, voltado para o mercado;

A COLMEIA

Cooperativa de Ensino A COLMEIA (http://colmeia.pt)

› Social – prossegue um projeto de interesse geral, resultando do envolvimento social e voltado para o desenvolvimento local, que possui como agente o indivíduo ou a comunidade; › Coletivo – possui como agente um indivíduo e um coletivo com um projeto que é sobretudo empresarial mas com natureza coletiva. Todos/as os/as

tornar-se empreendedores para assegurar o futuro da educação das crianças. A escola

“Queremos prepará-los para cooperar, escutar e aprender com os outros, para que, no futuro, se tornem líderes na transformação de um mundo que se quer mais humano e justo.” existe há 17 anos e uma gestão eficiente permitiu que hoje tenham um espaço novo, construído de raiz.

GLOBALCoop

Cooperativa Agrícola Transnacional (www.globalcoop.pt)

Com o encerramento do Externato “Colmeia”, os pais dos/as alunos/as e a maioria do corpo docente, uniram-se e constituíram uma cooperativa de ensino. Em cerca de mês e meio encontraram um novo espaço e abriram portas com oferta de diversos níveis de ensino. Pais e professores/as tiveram que

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Foi criada por membros da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal e comercializa bens e serviços agrícolas em Portugal e nos países da CPLP. Uma das


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… EmprEEndEdorismo envolvidos/as na organização identificam as necessidades não satisfeitas, constroem as soluções e reúnem-se na mesma estrutura pessoas que são simultaneamente “proprietárias” e trabalhadoras na organização. Um grupo de pessoas associa-se, mobiliza recursos, partilha um projeto e concretiza ações – uma cooperativa. Então Cooperativas = Empreendedorismo coletivo! Já que resultam da soma das capacidades, da partilha de riscos

estratégias de atuação é enviar colaboradores/as técnico-comerciais às explorações agrícolas. Uma vez no terreno,

“Uma lógica empreendedora associada ao compromisso de solidariedade com os agricultores.” o/a técnico/a identifica quais são os problemas reais dos agricultores/as e apresenta soluções equilibradas e rentáveis. Preocupações de carácter social, valorização dos produtos agrícolas e gestão empreendedora são as bases da GLOBALCoop.

MINC BARP

Hotelaria, Catering e Restauração (www.mincbarp.pt)

e da procura de obtenção de impacto transformador, através da participação ativa e democrática dos seus membros. Criar soluções conjuntas para problemas comuns, não será esta uma resposta válida para alguns dos teus problemas? Arrisca! Ultrapassa as dificuldades! Coloca em prática as tuas ideias! Transforma os obstáculos em oportunidades! Descobre novas formas de fazer as coisas! Inventa! Reinventa! EMPREENDE! 1 EQUAL, “Contributo da Rede Temática 3 sobre a Proposta de Livro Verde da DG Empresas, “Espírito Empresarial na Europa”

pelos seus postos de trabalho. Como? Uniram-se e formaram uma cooperativa. Enquanto estabeleciam-se, negociaram com a CP (Caminhos de Ferro de Portugal) a concessão do serviço de catering de alguns comboios da região norte. Em 34 anos de existência orgulham-se de terem servido presidentes, governantes e

“A designação da cooperativa resulta do acrónimo minibar cp.” príncipes. Hoje, são responsáveis pelo serviço das principais linhas de comboio do país e graças a uma gestão empreendedora, expandiram o serviço de catering para conferências e casamentos. A expansão não fica por aí, a cooperativa também passou a comercializar produtos de consumo rápido, através de máquinas de vending automático, nas principais estações de comboio.

CERCICA

Quando a Compagnie Internacional des Wagons Lits fechou portas em Portugal, seus/suas trabalhadores/as decidiram lutar

CERCICA, uma Instituição de Solidariedade Social, com carácter complementar, na educação e reabilitação

Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Cascais (www.cercica.pt) Em 1976, a população com deficiência intelectual em idade escolar estava ainda praticamente excluída da Escola. Um grupo de pais, técnicos e outras pessoas interessadas, juntaram-se e criaram a

social, em relação ao Estado. Uma Instituição de Solidariedade Social empreendedora?! Sim! Ao longo do

“Dar o mundo àqueles que pouco conseguiam conquistar” tempo a CERCICA desenvolveu projetos sustentáveis e de cariz empresarial para ajudar à inclusão de pessoas com deficiência. Conheça alguns: › Editora CERCICA: lançou a coleção “4 Leituras” onde cada obra vem em quatro formatos diferentes. Versão escrita, em pictogramas, em DVD interativo com versão áudio e língua gestual, em formato daisy e ainda em Braille. › Cerjardins: uma empresa na área da jardinagem que possibilita a entrada de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

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Uma forma cooPerativa de… Como já tiveste oportunidade de verificar, o empreendedorismo coletivo visa transformar problemas individuais em problemas sociais, criando respostas sociais. As cooperativas como forma de expressão por excelência do empreendedorismo coletivo pautam a sua ação pela participação na tomada de decisões de todos os elementos que as compõem.

RUMO Pela própria natureza das cooperativas o valor da participação – Empowerment – é a finalidade central, traduzindo-se assim como polos de participação e cidadania. Então cooperativas = participação e cidadania! As cooperativas, tal como as restantes organizações da economia social, são uma aplicação prática da cidadania participativa, procurando colmatar necessidades ainda existentes nos vários domínios da sociedade. Existem inúmeras cooperativas que, para além da aplicação dos seus princípios cooperativos,

procuram através do seu objeto social promover e intensificar a participação das comunidades em geral e de grupos vulneráveis em particular. O mundo atual exige mais de ti, exige mais de todos nós, da nossa capacidade de reagir, de agir, de intervir e acima de tudo de participar ativamente e coletivamente nos processos de mudança. Em conjunto somos mais fortes, somos mais criativos/as, mais seguros/as, mais participativos/as, mais democráticos/as, enfim…somos mais cidadãos/ãs!

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Cooperativa de Solidariedade Social (www.cooperativarumo.wordpress.com)

“Cada pessoa um projeto de vida.” Nasceu há 31 anos com a missão de promover a inclusão educativa, profissional e comunitária de pessoas em situação de desvantagem. A Rumo é uma cooperativa “com sede no Barreiro, e com o olhar no mundo.” Um dos projetos desenvolvidos é “Residência e Apartamentos” que acolhe crianças e jovens sem um ambiente familiar estruturado. O projeto também faz a transição de jovens que cresceram em casas de acolhimento preparando-os para uma vida autónoma.


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Sabe mais em geracaocoop.pt

ParticiPação

e cidadania

IDEIAS EMERGENTES IMERGE

CooLAboRA

Cooperativa de Consultoria e Intervenção Social (www.coolabora.pt)

Produção Cultural (www.ideiasemergentes.pt)

“Promover a inovação social com intervenções marcadas pela qualidade e pelos princípios éticos”

“Contribuir ativamente para o surgimento e afirmação de novas dinâmicas culturais de âmbito local, regional e europeu.”

A CooLabora tem sede na Covilhã e um dos projetos que promove é a UBICOOL, um programa de voluntariado universitário para a promoção de uma cultura de paz e de nãoviolência em contextos escolares. Neste programa, os estudantes da Universidade da Beira Interior (UBI) vão até as escolas secundárias da Covilhã e dinamizam jogos pedagógicos durante o recreio. Esses jogos têm como objetivo a prevenção de problemas como o bullying ou a violência no namoro e o reforço da capacidade dos/das jovens e crianças de resolução nãoviolenta de conflitos.

MCV

Movimento Comunidades de Vizinhança (www.mcvizinhanca.org)

“Aposta na humanização de cada rua.” O MCV criou o projeto “Sentinelas de Rua”, onde voluntários/as procuram identificar em cada rua pessoas idosas em solidão, abandono, isolamento e doença. Uma vez “dado o alarme”, a MCV entra em ação para buscar pessoas e recursos que respondam às necessidades identificadas.

Uma sociedade cooperativa, que funciona como atelier aberto e informal, onde o processo de criação se cruza com o processo de produção e co-working, de forma natural e acessível. A Imerge presta serviços na área da arquitetura, mobiliário, produção cultural e consultadoria. Um dos projetos que desenvolve na área da produção cultural é o REGENLAB, que promove a participação dos cidadãos na construção das cidades contemporâneas através das artes criativas.

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AS COOPERATIVAS

E O EmPREgO JOVEm Os últimos números sobre as cooperativas e o emprego dizem-nos que este sector gera 100 milhões de empregos em todo o mundo, o que demonstra claramente que as cooperativas são uma importante fonte de criação de emprego. As cooperativas são uma solução de auto-emprego, de criação de oportunidades para os/as jovens, possibilitando-lhes transformar as suas ideias num negócio empreendedor como resposta às suas necessidades. Relatório V da Organização Internacional do Trabalho (OIT) De acordo com o Relatório V da OIT – A crise do emprego jovem: Tempo de agir (2012)1 – “nos países da OCDE, há indicações

As cooperativas promovem as competências dos/das seus/suas trabalhadores/as, geram valor económico e não se deslocalizam, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico das comunidades onde estão inseridas. semelhantes de que a formação de cooperativas de jovens profissionais nas profissões liberais (arquitetos/as, designers,serviços de TI,

contabilistas, etc.) está a aumentar e que estas são, por vezes, assumidas sob a forma de cooperativas de empresários/as onde pequenas e médias empresas se juntam para formar uma cooperativa para partilhar serviços.” Este relatório também refere que alguns estudos têm apontado para o facto de que as cooperativas são mais resilientes e sustentáveis do que outros tipos de empresas. Ainda não estás convencido/a? Vamos ver então alguns números em Portugal que nos permitem estabelecer uma relação entre as cooperativas e a criação de emprego: PRODESCOOP (Programa de Desenvolvimento Cooperativo) e a criação de postos de trabalho: Em 10 anos de execução, de 1999 a 2010 o PRODESCOOP apoiou: › 328 cooperativas a nível nacional, › criação direta de 611 postos de trabalho, › 192 novas cooperativas, com o envolvimento de 1219 membros (543 Mulheres e 676 Homens)

Estágios ProfissionAis nA EconomiA sociAl Na execução do INOV-SOCIAL (desde 2010) obtiveram-se já os seguintes resultados: Ano norte centro lisboa Alentejo Algarve total 2010 301 246 358 96 49 1.050 2011 455 366 478 108 60 1.467 maio 2012 101 37 73 8 8 227 totAl 857 649 909 212 117 2.744 1

http://www.ilo.org/public/portugue/region/eurpro/lisbon/pdf/relatorio_empregojovem_2012.pdf

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As cooPErAtivAs E o EmPrEgo JovEm Em PortugAl O CIRIEC - Portugal (Centro de Estudos de economia pública e social) realizou este ano um inquérito às cooperativas sobre o emprego jovem em Portugal. Estes são alguns dos resultados: › Os/as jovens (menos de 35 anos) representam quase um terço (31%) dos/as trabalhadores/as das cooperativas portuguesas (4,2% até aos 24 anos e 26,4% dos 25 aos 34 anos). › A quase totalidade dos/das trabalhadores/as (93%) trabalha a tempo inteiro. › Quatro em cada cinco trabalhadores/as das cooperativas está contratado “sem termo”. › As mulheres são maioritárias no conjunto dos/as trabalhadores/as das cooperativas (58%). › A diferença entre as percentagens de cooperativas que geraram emprego e que despediram dá um saldo positivo de 13% a favor da criação de postos de trabalho.


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CooPerativas? sim!

Porquê?

Porque…

n São organizações democráticas e geridas por todos os membros, que devem ser ouvidos e participar ativamente em todas as decisões n São geradoras de riqueza e emprego nas comunidades onde se inserem n São organizações baseadas em valores que colocam as pessoas à frente do lucro n Oferecem soluções práticas e reais para problemas económicos, sociais e ambientais n São uma forma de empowerment, através da aplicação dos valores cooperativos n Os membros partilham igualmente as dificuldades da “tempestade” e os benefícios da “bonança” n São mais resilientes em tempos de crise, unindo esforços para encontrar soluções favoráveis a todos/as n São um movimento internacional que faz a diferença a nível local e global n Tornam a vida e a economia das pessoas e das comunidades mais justa, equitativa e democrática n São flexíveis o suficiente para darem resposta a diferentes necessidades coletivas e individuais Geração Coop | despertar para o cooperativismo 29


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Como CRiAR umA CooPERAtivA Em NovE PASSoS 1

Junta-te a ou cria um grupo Lembra-te, uma cooperativa é um grupo de pessoas que responde às suas próprias necessidades. Procura um grupo de pessoas com ideias e/ou necessidades semelhantes às tuas, que já tenham iniciado ou estejam interessadas em iniciar uma atividade e discutam como podem avançar. tentem responder às seguintes questões: • Que necessidade comum precisamos de satisfazer? • Como somos capazes, enquanto grupo, de responder a essa necessidade particular?

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Contactem a CASES e consultem o sítio do Registo Nacional de Pessoas Coletivas www.irn.mj.pt Dentro das diferentes áreas e necessidades/atividades, poderão ainda contactar as Federações ou Confederações cooperativas para obter mais informações. É importante haver um primeiro contacto com estas entidades, sobretudo, para ficarem esclarecidos/as quanto aos requisitos de criação de uma cooperativa. A CASES presta serviço informativo e jurídico gratuito e poderá ser contactada em qualquer altura do processo de criação da cooperativa. cases@cases.pt | www.cases.pt Não hesitem!

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Estabeleçam o objetivo da vossa cooperativa Como existem diferentes tipos de cooperativas, que respondem a diferentes necessidades, é necessário estabelecer o objeto social da vossa cooperativa. Tornase, ainda, necessário assegurar que existem, ou podem vir a existir, entre os membros do grupo, as capacidades e os conhecimentos necessários para gerir e desenvolver a atividade da cooperativa. Neste momento poderão identificar necessidades de formação e de melhoria contínua.

A CASES e as Confederações cooperativas promovem diversos cursos dirigidos a membros, dirigentes e trabalhadores/as de cooperativas. Informem-se!


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8

Elaborem o projeto da cooperativa

Estabeleçam uma estrutura organizacional

Constituam formalmente a cooperativa:

É importante, seja qual for o objetivo da cooperativa e a par da satisfação das necessidades comuns dos membros, garantir a sustentabilidade da vossa cooperativa. Para tal, deverá ser elaborado um projeto que responda às seguintes questões:

Como qualquer outra organização, uma cooperativa irá requerer que os membros se autoorganizem em termos de papéis e responsabilidades. Isto significa que terão de definir uma estrutura organizacional e eleger os órgãos sociais, para que cada membro saiba que papel desempenha.

Etapa 1 – Certificado de Admissibilidade Este elemento é requerido no Registo Nacional de Pessoas Colectivas.

elementos do projeto • Quais são as atividades que a nossa cooperativa vai desenvolver? • A quem se destinam estas atividades? • Como vamos garantir a sustentabilidade financeira da cooperativa? • Quais são as nossas forças e fraquezas para impulsionar o projeto? • Quais são as oportunidades e ameaças que existem na nossa comunidade, no país e no mundo?

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Escolham o ramo cooperativo Como vimos anteriormente, existem 12 ramos cooperativos. De acordo com a vossa atividade, deverão enquadrar-se num dos ramos.

ateNção! Há também a possibilidade de constituir uma cooperativa multissectorial. Neste caso, há que optar por um dos ramos como ramo de referência.

6

Assumam um compromisso com os valores e os princípios cooperativos Todos os membros devem compreender os valores e os princípios cooperativos e comprometer-se com eles. É importante segui-los já que eles são linhas orientadoras de como dirigir e organizar a vossa cooperativa. Pode ser pedido aos membros que assinem uma declaração de compromisso para com estes valores e princípios.

Numa estrutura democrática, é atribuída responsabilidade a alguns membros – os/as titulares dos órgãos sociais – para que estes/as possam promover os interesses de todos/as de maneira mais eficaz e eficiente. Alguns membros que, dependendo do tamanho e tipo de cooperativa, poderão ser em maior ou menor número, vão ter de estar envolvidos na gestão quotidiana da cooperativa e na tomada de decisões. Eles são, em última análise, responsáveis perante todos os membros da cooperativa, que os elegeram. a estrutura FuNcioNal básica Dos órGãos sociais De uma cooperativa é a seGuiNte:

assembleia Geral Órgão Supremo Direção Órgão de Gestão

coNselho Fiscal Órgão de Fiscalização

Não esquecer!

Os papéis e responsabilidades dos órgãos sociais têm de ser registados nos estatutos da cooperativa, para que sejam claros para todos os membros.

Etapa 2 – Assembleia de fundadores É necessário reunir todos/as os/as interessados/as na constituição da cooperativa (num número mínimo de 5 pessoas) naquela que é a primeira assembleia formal da cooperativa, a Assembleia de Fundadores ou Assembleia Constitutiva. Os/as cooperadores/as podem realizar parte do seu capital social em bens. Quando esses bens estiverem sujeitos a escritura pública, é esta a forma a adotar para a constituição da cooperativa. A escritura pública pode ser realizada em qualquer Cartório Notarial. Esta Assembleia de Fundadores tem obrigatoriamente de eleger uma Mesa com, pelo menos, o/a presidente, que convocará e dirigirá as reuniões necessárias, até à tomada de posse dos/as titulares dos órgãos sociais (normalmente, realiza-se apenas uma reunião nestes termos). A Mesa dirigirá então os trabalhos da Assembleia, que consistem na constituição da cooperativa e na aprovação dos seus Estatutos – lei fundamental que irá reger o seu funcionamento. Finda a reunião, a Mesa elaborará uma ata, a qual deve obrigatoriamente conter as seguintes especificações:

elemeNtos • • • • •

Deliberação Data Local Denominação Ramo (nas multissectoriais, o ramo de opção como elemento referencial de integração)

obJeto

• Entradas (dinheiro, bens, direitos, trabalho ou serviços). • Titulares dos órgãos para o primeiro mandato. • Identificação dos/as fundadores/as que tiverem aprovado a ata. • Em anexo, os estatutos aprovados e devidamente assinados por todos/as os/as fundadores/as.

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Nos casos em que os cooperadores podem realizar parte do seu capital social em bens e esses bens estiverem sujeitos a escritura pública deverá ser requisito suplementar a escritura pública mantendo-se a necessidade de realização da reunião de fundadores. Etapa 3 – Declaração de Inscrição no Registo/Início de Atividade É pedida nos Serviços de Finanças da área da sede da cooperativa. Etapa 4 – Registo Comercial O registo é efetuado em qualquer Conservatória do Registo Comercial do território nacional. Devem ser entregues os originais de:

9 Solicitem à CASES a Credencial Esta credencial, emitida anualmente pela CASES, irá comprovar a legal constituição e o regular funcionamento da vossa cooperativa. O apoio técnico, financeiro e fiscal às cooperativas por parte das entidades públicas fica dela dependente. Deverão enviar à CASES o pedido de credencial, acompanhado de cópia simples dos seguintes elementos: Documentos • Ata de Assembleia de Fundadores (e eventualmente Escritura Pública) • Estatutos • Declaração Início de Atividade • Cartão de Empresa (ou o código de acesso ao mesmo) • Certidão Permanente (ou o código de acesso à mesma)

Documentos • Ata de Assembleia de Fundadores e os Estatutos (e eventualmente Escritura Pública) • Certificado de Admissibilidade Etapa 5 – Segurança Social A inscrição da cooperativa e dos/as trabalhadores/as na Segurança Social é obrigatória. A inscrição na Segurança Social da cooperativa e dos membros dos órgãos sociais deve ser efetuada no prazo de 10 dias após o início da atividade.

Para esclarecimentos adicionais contactem a Segurança Social: www.seg-social.pt Telefone: 808 266 266 Etapa 6 – Cartão de Empresa Este elemento é requerido no Registo Nacional de Pessoas Colectivas (documento em papel ou digital).

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Após o primeiro ano de atividade deverão ser sempre enviados à CASES cópias dos relatórios de gestão e contas de exercício anuais, do parecer do conselho fiscal, acompanhados da ata da Assembleia Geral que procedeu à respetiva aprovação.


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s a c i D

s a v i t a r e p coo

cooperativa ou a m u ir ru st n co m e interessado/a em tudo é um "mar n No caso de estares e u rq o p to n e at existente, fica juntares-te a uma já recomendamos: as s/ re o d ra e p o co de rosas". Aos/às os erativ e os princípios coop s re lo va os m co o promiss /as n Assumam um com dos/as cooperadores a sector iv at s ai m ão aç ip rtic forma a fortalecer o de o, pl em ex o ss n Incentivem uma pa vo mo ) jovens para seguire (local e globalmente n Inspirem outros/as a rn te ex e a rn …) te in unicação marketing, liderança o, tã es (g s n Privilegiem a com /a es or ad ão dos/as cooper n Invistam na formaç erativa bitos de atividade ica e social da coop óm on ec es nt ne n Explorem novos âm po m co o equilíbrio entre as n Procurem sempre co de da operativa da ili ab nt te us ss to au n Garantam a

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34a41 seja um cooperador como_Layout 1 10/11/12 10:49 AM Page 34

InspIra-te nestes exemplos

Torna-Te um/a cooperador/a como...

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Diogo CorreDoura É licenciado em Arquitetura e um dos cooperadores fundadores da ARQCOOP. Desde sempre esteve envolvido em atividades ligadas à comunidade: foi músico da Sociedade Filarmónica e Recreativa de Pêro Pinheiro, fez parte do clube de vídeo da sua Escola Secundária e, já na Faculdade, da Associação de Estudantes. De onde vem essa atenção para a comunidade? Eu presumo que em primeiro lugar tenha sido pela educação que eu tive. Os meus pais sempre tiveram uma vida muito ativa ligada à terra onde nós todos nascemos. Depois, a segunda razão foi a Faculdade. Em 97/ 98 houve grandes problemas na Faculdade de Arquitetura e eu envolvi-me de forma ativa na resolução desses problemas. Aí começo a tomar uma consciência muito mais ativa do que era um

uma visão não só dos valores defendidos, mas também uma visão empresarial. Como surgiu a ARQCOOP? O projeto da ARQCOOP surgiu porque que eu e um conjunto de colegas, ainda na Faculdade, verificamos que havia algumas dificuldades no mundo da Arquitetura. Verificámos que a formação académica que nos era dada era bastante incompleta em coisas essenciais da vida profissional. (…) Verificámos também que havia uma dificuldade na inserção no mercado de trabalho, fosse através de estágios, fosse através da criação de uma empresa. E porque escolheram o formato cooperativa para responder a essas necessidades? O formato cooperativa nasceu porque, quando analisámos as diversas constituições jurídicas

acionistas. Isso não nos interessava. Sobrava então o modelo de associação ou de cooperativa. Entre as duas, a associação tinha a desvantagem de ser um pouco mais volátil. Por outro lado, a cooperativa também tem algumas vantagens fiscais e tem uma estrutura mais sólida, mais próxima da estrutura empresarial. (…) Nós também nos identificámos rapidamente com os sete princípios cooperativos e achámos que fazia sentido tentar seguir. Hoje as pessoas

ARQCOOP – COOPeRAtivA PARA A inseRçãO PROfissiOnAl em ARQuitetuRA

www.arqcoop.com É uma cooperativa que tem como objetivo a promoção e a qualificação da Arquitetura, pela formação e integração profissional dos/das jovens licenciados/as. Faz isso através do serviço de Ninho de Empresas, de ações de formação, da realização de debates, conferências e seminários, da edição de livros e, futuramente, na oferta de estágios. reconhecem que nós conseguimos ser uma empresa dentro de um espírito social. Isso dá valor, saber que primamos pela diferença na postura.

trabalho em prol de uma comunidade, neste caso a comunidade estudantil. (…) Depois mais tarde, com a criação da ARQCOOP, comecei a estudar um pouco mais a sério o que era o cooperativismo em Portugal e no estrangeiro. A postura que eu tenho hoje, não só em relação ao cooperativismo mas em tudo que diga respeito à economia social, é

que podíamos ter, foi o que se aproximou mais do conceito que nós tínhamos. Uma empresa normal ficou colocada de parte porque o objetivo nunca foi ter lucro. Nós precisamos do lucro como qualquer empresa para pagar as nossas contas e poder ter a nossa vida, mas nós não queríamos o lucro para distribuição aos sócios ou

Então este modelo está a resultar... Eu entendo que nós podemos ter um mundo muito melhor se todos nós cooperarmos mais um bocadinho. O cooperar não quer dizer cooperativismo em termos de instituição, de criação jurídica, mas em termos de entreajuda. Há um espírito demasiado individualista na sociedade moderna e esse espírito não me satisfaz. Essa crise veio mostrar a algumas pessoas mais atentas que o cooperativismo pode ser uma saída.

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Frederico cruzeiro costa Nasceu em Lisboa mas cresceu com uma forte ligação à terra dos pais, na região do Minho. Diz que é da vida da aldeia, feita de gente humilde e Casas do Povo, que vem a sua paixão pelas pessoas e pela comunidade. Ser empresário é uma tradição que está na família desde o seu trisavô. Lembra-se de

Como surgiu a SEA (Social Entrepreneur Agency)? Essa ideia de criar uma instituição sem fins lucrativos surgiu de uma forma mais definida a partir de 1997. Nessa altura passei por uma tragédia na família em que perdi os meus pais num acidente e de repente fiquei só eu e a minha

Patrícia Gomes, Frederico Cruzeiro Costa e Claudia Leão passar a infância entre o escritório e as obras da empresa de construção civil do seu pai. Via-se a trabalhar numa pequena empresa onde pudesse ter poder de decisão até que em 2003, a estudar Empreendedorismo Social, surgiu a ideia de criar uma cooperativa. Hoje está à frente da Agência de Empreendedores Sociais (SEA).

“Acreditamos que é um trabalho dedicado à comunidade mas também que nos preenche e que nos traz a nossa independência económica.”

Conte-nos um pouco do seu percurso académico e profissional. Sou licenciado em Gestão de Recursos Humanos, fiz uma pósgraduação em Gestão de marcas, muitos cursos e workshops na área de liderança, e agora estou a fazer um Mestrado em Economia Social e Solidária. Em termos profissionais, estive a estagiar numa empresa de recursos humanos e estive na Recursos Humanos Magazine. Trabalhei também numa agência de comunicação e estive numa empresa de consultoria de Recursos Humanos. 36 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

irmã. E nessa altura eu percebi que havia muitos jovens na mesma situação de ter perdido os pais. É muito difícil quando ficamos “sozinhos” e temos que tomar as rédeas da nossa vida. Eu estava a entrar na Universidade e surgiu na altura essa vontade de ajudar outros jovens que tinham passado pelo mesmo. Esse processo demorou 10 anos, eu e a minha irmã tiramos o nosso curso, iniciamos a nossa vida profissional, mas ficou sempre esse sonho de poder contribuir para outros jovens. E daqui surgiu, passado 10 anos desse acidente, a

cooperativa. A minha irmã é uma das cofundadoras e também trabalha na cooperativa. A cooperativa é uma resposta não só profissional mas também familiar. Porque decidiram ser uma cooperativa e não uma associação? Identificámo-nos logo com a forma jurídica das cooperativas.


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Ser esse modelo híbrido entre empresa e o social. Nós decidimos dedicar-nos aos outros de forma profissional, mas que traga também uma resposta para a nossa vida pessoal, financeira. Havia portanto a questão do nosso posto de trabalho. Nós pensámos como é que iríamos criar um projeto para ajudar o

depois retribuir para aqueles que não podem pagar. Acha que seguiram pelo caminho certo? Estes últimos cinco anos foram anos de muito trabalho, muitos desafios, mas acho que escolhemos o caminho certo. Temos as duas vertentes, porque

uma associação ou a criação de uma pequena empresa. Qualquer que seja o desafio vai dar muito trabalho. Cada vez mais eu acho que o modelo cooperativo é um modelo do presente e do futuro. (...) Acreditamos que é um trabalho dedicado à comunidade mas também que nos preenche e que nos traz a nossa independência económica.

­SEACOOP – SOCiAl

EntrEPrEnEurS AgEnCy

próximo mas também ajudar-nos a nós próprios através de uma fonte de sustentabilidade financeira. E por isso escolhemos o mundo cooperativo, porque tínhamos já essa visão de empresa social: trabalhar para a população, para a comunidade, mas também vender serviços no mercado, para empresas, para pessoas que possam pagar esses serviços, permitindo que a entidade possa

no fundo nós somos uma associação sem fins lucrativos. A nossa missão é desenvolver projetos de empreendedorismo social para a comunidade, mas sempre com esse sentido de integração pelo económico. E de facto as cooperativas permitem alcançar esse objetivo. Para a SEA acho que é o caminho certo. Posso dizer que não é fácil, mas isso tanto seja uma cooperativa,

www.seagency.org A­SEA­­é­um­agência­de empreendedores­sociais­que­nasceu­em 2007­para­apoiar,­criar­e­implementar projetos­de­empreendedorismo­social que­contribuam­para­a­sustentabilidade ao­nível­social,­económico,­cultural­e ambiental.­Atualmente­é­constituída­por 5­cooperadores/as­que­vem­de­áreas diversas­como­a­economia,­a­psicologia e­o­marketing.­A­cooperativa­tem­três unidades­de­negócio­social:­Local Development­Agency,­Fábrica Empreendedor­e­BrandingYou.

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 37


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Catarina roCha e isabel roCha O apelido não é uma coincidência, Isabel e Catarina são primas. Estudaram na Universidade do Porto, trabalharam no Jornal Universitário e estão ligadas às artes e literaturas. São duas das cooperadoras fundadoras da Cultureprint com sede no polo das Indústrias Criativas da Universidade do Porto. Contem-nos um pouco sobre o que faziam e como nasce a Cultureprint CR – Eu fiz pintura aqui no Porto, depois fui para Guimarães fazer direção artística, a seguir vim para cá e fiz um mestrado em arte contemporânea. Profissionalmente comecei cedo no Jornal Universitário a fazer produção e a envolver-me com as questões da imagem, do design e da edição. E tem sido esse o meu percurso, sempre como freelancer. Ainda tive uma empresa entre 2006 e

Jornal Universitário no Porto onde fiz parte da direção... dei aulas em Angola, já fiz muita coisa! Trabalhei no Clube Literário do Porto, que entretanto fechou, e onde conheci a Inês a nossa outra colega. Entretanto eu e a minha prima já tínhamos essa ideia, chegamos a fazer um curso de empreendedorismo para abrir uma empresa, os nossos pais são sócios de uma empresa... Porque escolheram o modelo de cooperativa para o vosso negócio? IR – Na altura consultámos pessoas amigas e também já tínhamos feito esse curso de

diferentes concorrem para a produção de um produto final. O que difere a Cultureprint de uma empresa normal? CR – Primeiro não está conceptualmente orientada para o grande lucro financeiro. Trabalhamos em colaboração, claro, mas isso também acontece na empresa, mas aqui na nossa cooperativa não existe hierarquia, nós estamos todas ao mesmo nível. Temos neste momento a trabalhar connosco uma estagiária mas que consideramos parceira de trabalho. Portanto acho que essa é uma filosofia muito importante no âmbito das

Cultureprint

www.cultureprint.pt.vu Fundada em abril em 2011, a Cultureprint é uma cooperativa cultural que se ocupa maioritariamente da produção de eventos culturais. Para além de se ocupar de todas as tarefas que ocorrem na área cultural, trabalha também com edição (edição de autor, design e comunicação para as artes). O lema da cooperativa é “Comunicamos Cultura”. 2009, entretanto decidi juntar-me com mais duas colegas, uma delas a minha prima, e formarmos uma cooperativa para fazer produção, design e comunicação para a cultura. IR – Eu fiz a licenciatura aqui no Porto de Línguas e Literaturas – Português e Alemão. Fiz produção durante muitos anos em vários sítios, desde a Casa da Animação,

empreendedorismo. Tínhamos algumas noções sobre essa parte legal, a minha prima tinha tido uma empresa, os nossos pais são empresários... e falámos com a Alexandra Fonseca, da Consularte, que dá assessoria à empresas ligadas às artes e ela aconselhou-nos esta figura jurídica porque achava que tinha muito mais a ver com o que nós efetivamente queríamos fazer. Nós nascemos no associativismo, e portanto era este o perfil que mais se adequava ao que nós queríamos fazer. CR – Para além de que os nossos trabalhos são complementares, quando pegamos num projeto todas intervêm, cada uma na sua área. É a filosofia de uma cooperativa, não é?! Vários intervenientes, de várias áreas

38 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

cooperativas. Julgamos que é um modelo que socialmente nos assenta. Como foi entrar no “mundo” cooperativista? IR – Foi descobrir que havia uma figura que se encaixava perfeitamente no nosso modo de estar e de trabalhar. CR – …estar em rede, ser solidário, ver o que as outras pessoas precisam. O nosso objetivo é trabalharmos no que gostarmos, servir a comunidade em que nos inserimos com produtos e serviços inovadores e que acrescentam alguma coisa à comunidade em que estamos e que também nos dê algum retorno e que nos possam proporcionar uma vida confortável.


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AnA QuintelA Licenciada em Economia pelo ISCTE sempre se sentiu atraída pela Economia Social e Solidária. Já trabalhou em diversos bairros carenciados na área de Lisboa e há nove anos que é cooperadora, em regime voluntário, da Horas de Sonho. Qual é o seu percurso profissional? Eu tirei o curso de Economia, no ISCTE. As minhas pretensões nunca foram de ir para um banco, seguradora, nada dessas coisas, eu sempre quis trabalhar com a

divergente do mundo empresarial foi-me proporcionado através do curso que tirei e depois, logo de seguida, na unidade de investigação em que comecei a trabalhar. Foi uma espécie de amor à primeira vista e desde essa altura não deixei de estar ligada a este mundo. Eu sou essencialmente uma pessoa relacional, gosto de falar, gosto de estar com pessoas. Apesar de não ter vindo de famílias ricas, nunca tive necessidades, mas sempre estive particularmente atenta para pessoas que têm menos oportunidades, que têm

Ana Sofia Nobre, Carla Calado e Ana Quintela comunidade. Estava a terminar o curso quando fui convidada por um professor para trabalhar numa unidade de investigação onde fiz estudos de mercado e planos de negócio para projetos sociais. Acabei a licenciatura e comecei logo a trabalhar no terreno sempre nessa área de desenvolvimento comunitário. Fiz um Mestrado em Economia Social e Solidária que é onde se encaixam esse tipo de organizações, como a cooperativa Horas de Sonho. Portanto, sempre trabalhei nesta área e não me vejo a fazer outra coisa. E de onde vem essa ligação à comunidade e às associações? Para mim este contacto com a essência, com o que era o mundo associativo - e como é que isso era

dificuldades. Acabou por ser um processo natural. Eu nunca pensei: “eu vou fazer isto na minha vida”. – Fui ficando mais desperta para as coisas, mais motivada para essas coisas e também fui tendo oportunidade de ir trabalhando nas coisas para as quais estava motivada. Como é que se tornou cooperadora? Eu estava a trabalhar num centro de investigação que estava ligado ao apoio e capacitação de cooperativas e de associações e, na altura, foi-nos solicitado que fizéssemos um estudo de viabilidade económica para um projeto. As pessoas que estavam no projeto entenderam que a cooperativa era a resposta mais adequada ao que pretendiam que

era estarem todas juntas, poderem receber pelo trabalho que faziam. Com esse estudo verificou-se que existia viabilidade para a Cooperativa Horas de Sonho, formalizou-se a cooperativa com as pessoas que estiveram diretamente envolvidas e, num momento posterior, eu fui convidada para ser cooperadora e aceitei. E porque decidiu aceitar o convite para fazer parte da cooperativa? Aceitei o convite porque já estava envolvida. Uma pessoa começa a fazer o estudo, a conhecer as pessoas, começa a perceber que isso faz imenso sentido... Trata-se de um projeto cujo objetivo é ajudar pessoas que trabalham por turnos, que têm um horário de trabalho que não lhes permite ter um equipamento para deixar os seus filhos. Portanto, isso fazia-me

Horas de sonHo, apoio à Criança e à Família

www.horasdesonho.wordpress.com É uma cooperativa de solidariedade social que tem como objetivo aumentar a qualidade de vida das famílias. Tem um Centro de Animação Infantil Comunitário para crianças entre os 2 e os 4 anos, serviço de babysitting nas casas das famílias, férias escolares, serviço de explicações, acompanhamento de crianças em eventos, entre outros. A Horas de Sonho pratica aquilo que chama de “preços sociais”, ou seja, cada família paga pelos serviços de acordo com os seus rendimentos. imenso sentido, pois eu estava ali a ajudar famílias, pessoas concretas a ter esta resposta para as suas crianças, ajudando os pais a ficarem mais descansados. A questão ao início foi: “porque não?”

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 39


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Filipe Alves Tirou uma Licenciatura em Economia no ISCTE, fez ERASMUS na Eslovénia e Serviço de Voluntariado Europeu na Sérvia. Esteve no Ártico a estudar as alterações climáticas e o

mundo natural, nomeadamente da área da agricultura. O meu tio brincava comigo que eu era o “bicho do betão” (risos).. Sempre vivi em cidades. Sempre tive uma conexão com a natureza mas do

aquecimento global, viveu na Auroville, uma eco-aldeia no sul da Índia e agora assentou arraiais na Serra da Arrábida com a cooperativa Biovilla.

ponto de vista do desporto. Agora, do ponto de vista da agricultura, só surgiu em 2008 na Índia. No sul da Índia existe a maior ecovillage do mundo, Auroville, onde eu estive a estudar e a trabalhar durante alguns meses. Foi aí que de certa forma surgiu a inspiração para trazer o conceito da Biovilla até Portugal. (…) Nós aqui queremos demonstrar que é possível fazer as coisas de uma forma completamente diferente, com uma outra energia, para lá do biológico, e que seja economicamente rentável.

O que faz atualmente? Sou presidente da direção da cooperativa Biovilla, sou também presidente de uma associação de ambiente, uma ONG ambiental, sou formador da União Europeia no programa Juventude em Ação e também sou investigador em economia, nomeadamente economias alternativas, economia da sustentabilidade. De onde vem essa ligação com a agricultura e com o ambiente? Todo o meu paradigma de vida até uma certa idade foi completamente afastado do

Depois de conhecer o conceito que inspirou a Biovilla, porque decidiu concretizá-lo no modelo cooperativa? Porque fazia todo o sentido. Por um lado, nós não nos víamos

40 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

naquele sistema organizacional quase piramidal, que tende a concentrar o poder de decisão nas mãos de poucas pessoas e normalmente dá o poder ao capital. Ou seja, quem tem dinheiro é quem manda. Por outro lado, outros tipos de estrutura, associações, fundações, etc, também não iam verdadeiramente de encontro aos nossos objetivos, às nossas necessidades porque nós também temos fins lucrativos, também tem que haver o rendimento. E então encontrámos na cooperativa o tal equilíbrio, o

“Reconhecemos a importância de gerar riqueza mas também a importância de viver em comunhão uns com os outros e com a natureza.”


34a41 seja um cooperador como_Layout 1 10/12/12 4:49 PM Page 41

tal meio-termo. Porque na realidade, uma cooperativa permite-nos ter uma série de mais-valias como as empresas.

para as pessoas e para nós isso faz todo o sentido. Reconhecemos a importância de gerar riqueza mas também a importância de viver

Pode criar riqueza, pode dividir essa riqueza pelos cooperadores e ao mesmo tempo tem benefícios fiscais. Isto tudo num modelo democrático que é circular. - Isso porquê? Um cooperador, um voto – e isso, automaticamente mostra uma forma de pensar completamente distinta. Faz movimentar o poder do capital

em comunhão uns com os outros e com a natureza. De onde vem a ideia de sustentabilidade tão marcada na Biovilla? Eu acredito que na Faculdade foi quando comecei mais a despertar, principalmente porque havia várias coisas que na minha cabeça

não encaixavam. O paradigma de como é que nós construímos uma sociedade que está dependente de um único setor energético, que é o petróleo, não é nada resiliente, nem nada sustentável. Então ao longo do curso de Economia os meus projetos estavam centrados em fontes alternativas de energia, autossuficiência energética, alimentar, etc. Portanto, eu já estava a começar estudar esses tipos de assuntos, e depois houve ali uma mudança ao ler alguns autores, nomeadamente um grande economista que é o E. F. Schumacher que escreveu um livro chamado Small Is Beautiful. Esse livro operou aqui uma revolução porque, de uma forma muito holística, mostra de que forma toda essa sociedade que nós construímos é totalmente insustentável. A partir daí houve um “clic”, pensei : “não, eu tenho que ir procurar soluções alternativas de design, de criação, de desenvolvimento, de paradigmas, seja de consumo, seja de produção, verdadeiramente sustentáveis, naturais e saudáveis”.

BVLL – CooperatiVa para o DesenVoLVimento sustentáVeL (BioViLLa)

www.biovilla.org É uma cooperativa para o desenvolvimento sustentável, fundada em 2010. O projeto está a ser implementado em 55 hectares no Parque Natural da Serra da Arrábida. O princípio base da Biovilla é a permacultura e as suas atividades assentam em três pilares: alojamento, através turismo de natureza; aprendizagem, através de cursos e workshops e alimentação, através da agricultura. Geração Coop | despertar para o cooperativismo 41


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ExEMplos IntErnaCIonaIs Sabias que a primeira cooperativa foi organizada em Inglaterra, em 1844, na pequena cidade de Rochdale, Manchester? Inicialmente constituída apenas por um grupo de 28 trabalhadores/as, quase todos do ramo têxtil e com recursos muito escassos, inauguraram uma das mais extraordinárias experiências de cooperação e de solidariedade registada na História, a criação de cooperativas. Este movimento não parou de crescer, expandiu-se pelo mundo e conquistou o seu espaço próprio. As cooperativas mudaram, adaptaram-se, modernizaram-se, mas não alteraram os seus valores, os seus princípios, a sua essência ética.

Inglaterra supporters Direct www.supporters-direct.org

Quando o clube de futebol Northampton Town veio, mais uma vez, bater à porta de Brian Lomax pedindo a sua ajuda para

salvar o clube, ele teve uma ideia. Iria sim ajudar o clube, do qual era

adepto, mas desta vez iria querer mais do que um “muito obrigado” do presidente. Brian, em conjunto com outros/as adeptos/as, propuseram dar dinheiro ao clube mas em troca queriam ter direito a participar na sua gestão. E assim nasce a Supporters Direct, uma cooperativa com o objetivo de assegurar a sustentabilidade do clube para benefício dos/das seus/suas fãs e da comunidade. Lançada oficialmente em janeiro de 2000, o objetivo da cooperativa é criar condições para que os/as adeptos/as possam garantir influencia na gestão do clube, através dos supporters’ trust (fundos dos adeptos). Hoje a Supporters Direct trabalha em mais de 20 países europeus com três desportos: futebol, rugby e hóquei no gelo. FC United of Manchester www.fc-utd.co.uk Foi criado em 2005 por adeptos/as do Manchester United, que há muito estavam insatisfeitos/as com as decisões tomadas pelo clube e sentiram que a aquisição do Manchester

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pelo americano Malcolm Glazer era a gota d’água. Estes/as adeptos/as decidiram então que

era hora de partir e criar um novo clube de futebol. Nasce assim o FC United of Manchester um clube semi-profissional de futebol

comunitário onde os membros são proprietários/as e gestores/as do clube. Atualmente o FC United joga na Northern Premier League de Inglaterra.


42a43 exemplos internacionais_Layout 1 10/11/12 10:57 AM Page 43

Saiba mais em geracaocoop.pt

Estados Unidos Best Western hotel cooperative www.bestwesterndevelopers.com

Escócia Bicycle Repair and Renovation Co-operative at Madras College http://stories.coop/stories/writt en/bicycle-repair-and-renovationco-operative-madras-college Os/as alunos/as do Madras College, em St Andrews na Escócia, estão envolvidos numa cooperativa de manutenção e venda de bicicletas. O negócio começou a funcionar na escola há três anos com um empréstimo de 100 Libras que foi utilizado para comprar uma mesa de trabalho e algumas ferramentas. A cooperativa construiu uma boa reputação desde o início e hoje tem uma base de clientes regular cada vez maior. Parte dos lucros

são reinvestidos na cooperativa, na compra de peças de reposição e ferramentas de trabalho, e outra parte é doada para a caridade. A Madras Bicycle Busines cooperative é um membro do programa Young Co-operatives do Co-operative College. Este programa ajudou a Madras College a identificar uma oportunidade de negócio e a estabelecer a cooperativa.

Brasil Cooperativa Cultural Universitária do Rio Grande do Norte www.cooperativacultural.com.br Esta cooperativa foi fundada por professores/as, funcionários/as e alunos/as da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, há 35 anos. A Cooperativa Cultural mantém, dentro do campus universitário, uma das mais acolhedoras livrarias da cidade de Natal. À primeira vista parece uma livraria normal, mas se estivermos atentos conseguimos perceber que algo mais acontece por ali. Com frequência o espaço promove encontros de professores/as, escritores/as e intelectuais. Muitos livros são ali lançados e muitas filas são aí formadas para as sessões de autógrafos. Mas o que torna esta livraria tão especial? Em primeiro lugar o espaço. Moderno, confortável e convidativo. Em segundo lugar, a oferta. Como não poderia deixar de ser, vendem-se livros técnicos das disciplinas ensinadas nas instituições de ensino superior de todo o Estado. Vendem-se também obras de autores/as locais e aposta-se na divulgação de “obras de qualidade”, independente do retorno financeiro.

Tudo começou em 1946 na Califórnia com MK Guertin, um hoteleiro que decidiu implementar um sistema central de reservas para facilitar a hospedagem dos viajantes da lendária route 66. Hoje a Best Western é a maior cadeia mundial de hotéis independentes, com instalações em mais de 100 países. Mas como funciona a cooperativa?

Ao aderir à Best Western, cada hoteleiro/a torna-se associado da cadeia, mas mantém uma gestão independente. Cada hotel contribui entre 0,8% e 1,5% das suas receitas para a cooperativa. O dinheiro recolhido é depois redistribuído aos membros em forma de serviços como campanhas publicitárias, serviços de design para decoração do hotel, site de e-commerce, etc. Segundo Gérard Claude, Presidente da Best Western França, “o modelo cooperativo foi mais resistente à crise, porque os seus lucros beneficiam membros e não acionistas”

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 43


44a45 desafios cooperativos_Layout 1 10/11/12 10:57 AM Page 44

Desafios Co Ao longo destas páginas pudeste constatar que as cooperativas são dinâmicas, diversificadas, respondem às tuas necessidades de forma coletiva, participativa e democrática. Deixamos-te aqui mais umas Dicas, uns exemplos finais inspiraDores!

agroproMotora

Cooperativa proDUtora De projetos agríColas www.agropromotora.com Uma cooperativa com 34 anos que atua em Portugal e Angola. Desenvolvimento rural, ambiente e formação, são algumas das áreas em que atua tendo em vista a modernização da agricultura. O seu trabalho vai desde a elaboração de estudos até a construção dos projetos. Fazem parte das suas preocupações a eco-eficiência dos projetos, o ordenamento do território e o desenvolvimento rural.

CHeUC

Cooperativa de Habitação dos Estudantes Universidade de Coimbra www.facebook.com/cheuc.cooper ativadehabitacao Foi fundada, como o próprio nome indica, por estudantes da Universidade de Coimbra no ano 2000. A cooperativa tem como objetivos arrendar casas a estudantes (que são partilhadas dentro do espírito cooperativo), fomentar a cultura, organizar serviços de interesse coletivo e ajudar os/as estudantes em dificuldades.

Conservatório De MúsiCa santaréM www.conservatoriosantarem.pt

O gosto pela música foi o objetivo comum que levou 12 pessoas a formarem esta cooperativa. Desde a sua fundação em 1985 que o Conservatório ensina música em regime articulado com o ensino básico e secundário.

Junta-te, coopera, participa ativamente e coletivamente nessa mudança e o mundo pode ser mesmo um mundo melhor!!! 44 Geração Coop | despertar para o cooperativismo


44a45 desafios cooperativos_Layout 1 10/11/12 10:57 AM Page 45

Sabe mais em geracaocoop.pt

o oPerativos

Estás inspirado/a? Estás motivado/a a desenvolver um projeto cooperativo com um grupo de colegas ou amigos/as? Então envia-nos as tuas ideias para geracaocoop@cases.pt.

cooPermaia

cooPerativa De Habitação e construção www.coopermaia.pt Foi criada em 1977 pela mão de 244 cooperadores/as no concelho da Maia. O projeto pretendia de forma associativa dar acesso a uma casa própria. Hoje a cooperativa tem 522 sócios/as e orgulha-se de já ter construído 888 casas. Pensando na qualidade de vida dos seus membros, criou a Associação Cultural e Desportiva da Coopermaia. Para os tempos difíceis que se fazem sentir na área da construção a cooperativa está a adotar a estratégia de “rede”, criando alianças com outras cooperativas de habitação.

Fórum Permanente

Design Ético

Cooperativa Fórum Permanente Justiça Independente www.justicaindependente.net Foi constituída em 2007 quando um grupo de juízes/as se decidiram organizar para defesa da cultura e independência do poder judicial. A cooperativa divulga, através do seu sitio na Internet, publicações, estudos e reflexões da área da justiça. O Fórum é um espaço para discussão e partilha de ideias que possam contribuir para as reformas do atual sistema judicial.

Sê a mudança que queres ver no mundo, é um conselho sábio de Mahatma Ghandi.

Plataforma Cooperativa de Design Ético e Ecológico www.designetico.net Um grupo de profissionais de áreas diversas como a informática, o design e a fotografia decidiram juntar-se para criar um negócio. Mas rapidamente chegaram à conclusão que não queriam um negócio empresarial “comum”, queriam uma solução de comércio justo e ecológico que pudesse beneficiar a todos. Nasce assim a Design Ético, uma cooperativa que responde às necessidades dos seus clientes com soluções eficientes, sustentáveis e de baixo custo. Os produtos e serviços oferecidos tem sempre em consideração as pessoas e o ambiente. A Design Ético doa cerca de 50% dos excedentes dos seus serviços para projetos ecológicos e éticos.

Geração Coop | despertar para o cooperativismo 45


46 contactos úteis_Layout 1 10/12/12 10:48 AM Page 46

cOntactOs úteis CaSeS

Cooperativa António Sérgio para a Economia Social www.cases.pt cases@cases.pt Tel.: 213 878 046/7/8

CoNFeCooP

Confederação Cooperativa Portuguesa www.confe.coop confecoop@mail.telepac.pt Tel.: 213 936 306

SeguRaNça SoCial

www2.seg-social.pt Tel.: 808 266 266

FiNaNçaS

www.portaldasfinancas.gov.pt Tel.: 707 206 707

aNiMaR

Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local www.animar-dl.pt animar@animar-dl.pt Tel.: 219 52 7450

CoNFagRi

Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal www.confagri.pt confagri@confagri.pt Tel.: 218 118 000

RNPC

Registo Nacional de Pessoas Colectivas www.irn.mj.pt/sections/ir n/a_registral/rnpc Tel.: 707 201 122

O universO dO cOOperativismO nãO acaba aqui, visita O site da GeraçãO da cOOp! www.geracaocoop.pt › vídeOs › inscrições para Os WOrkshOps › entrevistas cOmpletas › aGenda cOOperativa › exemplOs naciOnais e internaciOnais › nOtícias

sOluçãO dO quiz: És um/a cOOperativista? Se deste mais respostas a). Nada mau! Estás lá quase! Continua a ler esta edição para que possas sair daqui expert nesta área!

Se deste mais respostas b). Parabéns! És um/a cooperativista e o teu grau de conhecimento sobre esta área da economia social é

46 Geração Coop | despertar para o cooperativismo

igual ao de um geek! Quando começas?

Se deste mais respostas c). Ainda tens muito por descobrir sobre o “universo” cooperativista! Mas não te aflijas, além deste guia podes ficar a saber tudo sobre o cooperativismo em www.geracaocoop.pt


47 prémio antónio sérgio_Layout 1 10/11/12 10:59 AM Page 47

Sabe mais em geracaocoop.pt

Prémio antónio sérgio

cooPeração e solidariedade

A CASES implementou neste ano de 2012 o Prémio Cooperação e Solidariedade António Sérgio. As candidaturas realizam-se no mês de março de cada ano e o prémio é atribuído em três categorias distintas... Categoria Boas Práticas, destinada a premiar organizações do sector da economia social que se tenham distinguido pelas suas boas práticas em domínios da aplicação dos princípios e ética de atuação, da participação social, qualificação dos recursos humanos, inovação organizacional, responsabilidade social, diálogo e concertação social, cidadania empresarial, intercooperação, inserção na comunidade e exportação. Se pertences a uma entidade da economia social e achas que o trabalho que aí se desenvolve tem qualidade, dá a conhecer as vossas boas práticas!

t r aç Ilus

Ab ão :

an t el M

a

Categoria Estudos e Investigação, premiando personalidades e organizações autoras de estudos e trabalhos de investigação no âmbito da economia social, nomeadamente estudos sobre cooperativas, mutualidades, misericórdias, IPSSs, fundações e associações. Se és um/a estudante universitári@ empenhad@ em compreender esta realidade, concorre com um trabalho feito no âmbito das tuas atividades curriculares! Categoria Trabalhos Escolares, visando premiar trabalhos da comunidade escolar, ao nível do ensino básico, ensino secundário e profissional, que envolvam alunos/as e professores/as na vivência e difusão de teorias e práticas de economia social. Se estás na escola e te interessas pelos temas da cooperação e solidariedade, junta um grupo de colegas, mobilizem os vossos professores/as, e ganhem este prémio!

ParticiPa! ajuda a construir um mundo mais justo. Geração Coop | despertar para o cooperativismo 47


48 check list_Layout 1 10/11/12 10:59 AM Page 48

CHeCk LisT

Realizem um encontro entre pessoas com ideias ou necessidades semelhantes.

Acedam ao RNPC (regras sobre denominação, legislação aplicável, perguntas mais frequentes, cartão da empresa, teste de confundibilidade de denominação). Consultem a CASES. Solicitem uma reunião de aconselhamento jurídico.

Se decidires fazer parte desta Geração Coop, aqui fica a lista que o teu grupo tem que verificar antes de entrar no “universo” cooperativo.

Definam o Objeto da cooperativa: Identifiquem as atividades que gostariam de desenvolver; Identifiquem as capacidades e conhecimentos necessários ao funcionamento da cooperativa; Identifiquem as áreas de formação e de aprendizagem que consideram fundamentais ao desenvolvimento do projeto.

Elaborem o Projeto da cooperativa: Identifiquem os destinatários de cada atividade; Identifiquem as atividades que poderão criar receitas financeiras e as atividades que não criam qualquer retorno; Estruturem possíveis fontes de rendimento, de forma a garantir a sustentabilidade financeira do projeto; Realizem uma análise SWOT: Identifique Forças/Fraquezas/Oportunidades/ Ameaças.

Escolham o ramo da cooperativa ou, se for multissectorial, definam quais os ramos de atividade e qual o ramo principal Assumam um compromisso – Assinem a declaração de valores e princípios cooperativos Estabeleçam uma estrutura organizacional – Identifiquem as competências e atribuições de cada órgão social e determinem quais as tarefas e atividades a elas associadas. Constituam a Vossa Cooperativa: Pedido de Certificado de Admissibilidade Reunião de Assembleia de Fundadores (Com Aprovação de Estatutos e Órgãos Sociais) Registo Início de Atividade Registo Comercial Segurança Social Cartão de Empresa Credencial da CASES

BOM TRABALHO!!!

48 Geração Coop | despertar para o cooperativismo


VCK COOP_Layout 1 10/12/12 4:52 PM Page K1

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De forma a manter-se sempre em contacto com os jovens - o target - a Forum organiza, conjuntamente com alguns parceiros de renome, semanas de férias para jovens, com aprendizagem e saber.

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