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especial

empreendedorismo

CRIA O TEU NEGÓCIO PASSO A PASSO, DA IDEIA À IMPLEMENTAÇÃO

ÁREAS DE FUTURO

Quais os negócios de amanhã?

A importância de formar uma

equipa de sucesso

entrevistas Miguel Campos Cruz Presidente do IAPMEI

Jorge Gaspar Presidente do IEFP

Joana Mira Godinho Diretora da AN ERASMUS+


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O que é ser empreendedor? Empreendedor é quem gosta de empreender, de mudar algo, de conquistar objetivos. Ser um empreendedor mais não é do que exteriorizar aquilo que sempre foste e serás. A palavra empreendedor, tem tudo a ver com o teu próprio ser. Ao contrário do que muitos pensam, empreendedores não são, por si só, aqueles que abrem um negócio. Empreendedores são aquelas pessoas cujas características fogem do princípio estático e imutável. Para um empreendedor, a regra é provar que tudo é possível com muita dedicação e empenho, desde as simples coisas até a construção de novos pensamentos, metodologias e práticas. Na maioria das vezes, a vida de um empreendedor não é nada fácil. Aliás, nem teria graça se fosse fácil. Trabalhar com poucos recursos e muita criatividade é a norma. Será que seríamos mesmo empreendedores, se fosse fácil? O empreendedor de sucesso faz-se no dia-a-dia E o que são então os empreendimentos? São o quotidiano de qualquer empreendedor. Uma atividade simples ou complexa, é um empreendimento, na visão do empreendedor, pois é algo que precisa de ser conquistado, aquilo que o empreendedor ainda não possui ou ainda está fora do campo de visão. Esta é uma pessoa capaz de observar a vida de outro ângulo, diferente dos tradicionais e na maioria das vezes transformar uma situação imprópria a seu favor com um pouco mais de empenho, dedicação e compromisso. A filosofia de um empreendedor, deve ser a de estar um ou mais passos à frente.

Se tu dás um passo, eu dou dois ou três! Este é o motor do empreendedor. Um empreendedor conhece bem o seu dia-a-dia e consegue adaptar-se com desenvoltura à mudança. É líder no que faz e consegue trazer para perto de si, a ajuda e as equipas necessárias para concretizar os seus sonhos e projetos. Qualquer empresa de sucesso, fundada por grandes empreendedores, é sustentada por estes pilares. Outro aspeto importante é o fracasso. Ele paira sempre no ar, mas o fracasso, para um empreendedor, é o caminho do sucesso! Um empreendedor não se deixa abater pelo primeiro passo em falso. No entanto, fica a saber que aquele não é o caminho para chegar ao seu objetivo. Os empreendedores de sucesso, já passaram, por dois, três, ou mais fracassos, muitos deles sucessivos, que poderiam deixar qualquer outra pessoa de rastos. Mas não desistem. É comum associar-se o termo empreendedor a uma pessoa ávida por dinheiro, obcecada em ganhá-lo, custe o que custar. Mas um empreendedor acredita em ganhar dinheiro como uma recompensa pelo bom trabalho que fez e portanto, não deixa de ter sempre presente os seus objetivos reais: o prazer de vencer, o prazer de mudar coisas, o prazer da conquista, o prazer de saber que abriu um caminho pelo qual muitos irão passar e ter sucesso. Esta é a sua grande característica: liderar. Esta é sua razão de ser. O dinheiro, a fama, o prestígio, têm importância menor perante aquilo que acontece no âmago de um empreendedor. Um empreendedor é, e será sempre, “simplesmente” empreendedor. fonte: SEBRAE

O que faz um empreendedor?

Imagina, desenvolve e realiza visões Congrega risco, inovação e liderança Tem habilidade e perícia profissional numa organização Aproveita as oportunidades Faz coisas que marcam a diferença Cria prosperidade económica e social nas sociedades Atua como um agente de mudança Constrói algo novo Visualiza o futuro e propõe-se a construí-lo Tem espírito de iniciativa e gosta de começar projetos novos Corre riscos calculados, de modo a reduzir os riscos ou controlar resultados É otimista e acredita nas possibilidades que estão ao seu alcance É persistente e determinado, de modo a atingir metas e objetivos fonte: OPEN


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ÍNDICE

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Tens atitude comercial? A atitude comercial engloba diversos tipos de competências, sendo importante para todo o tipo de carreiras e não apenas da área das vendas.

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Ser Empreendedor. O que torna alguém empreendedor? Descobre as diferentes definições, bem como quais são as suas principais características e motivações.

Entrevista a… Miguel Campos Cruz, Presidente do IAPMEI - Agência para a Competitividade e Inovação, I.P

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Entrevista a… Jorge Gaspar, Presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)

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Entrevista a… Joana Mira Godinho (Diretora da Agência Nacional Erasmus+) e Catarina Oliveira (Coordenadora do Centro Nacional Europass)

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www.forum.pt/emprego www.myfuture.pt Isento de registo ao abrigo do Decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de junho, Art.º 12.º - n.º 1A Telefone 218 854 730 Email emprego@forum.pt Administração Roberto Carneiro Rui Marques Francisca Assis Teixeira Direção Gonçalo Gil

Maior Empregabilidade, promoção da empregabilidade, da igualdade de oportunidades e da inclusão social.

Design Miguel Rocha Redação Raquel Teixeira Fábio Rodrigues

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Da ideia à implementação. De um simples conceito de negócio até que uma empresa, associação ou cooperativa abra portas, existe um longo caminho a percorrer. Conhece as diferentes fases, as ferramentas a utilizar e os passos a percorrer.

FICHA TÉCNICA

Fotografia Gonçalo Gil DepositPhotos

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Áreas do futuro. Quais são as áreas e os tipos de trabalho de amanhã? Tendo em conta fatores como a globalização, o envelhecimento da população e a evolução tecnológica, entre outros, podemos chegar a algumas conclusões.

Publicidade Tel.: 21 885 47 30 Félix Edgar felix.edgar@forum.pt Alexandre Duarte Silva alexandreDS@forum.pt Impressão LISGRÁFICA Casal de Stª Leopoldina Queluz de Baixo Tiragem 30.000 ex.

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Competências fundamentais. O que procuram as empresas? Partindo do conjunto de competências transversais mais valorizadas pelos empregadores, fica a saber como te podes tornar uma pessoa mais eficaz, criativa, inovadora, flexível e organizada.

Equipa de Sucesso. A liderança unívoca é, cada vez mais, uma coisa do passado, com a liderança coletiva a conquistar gradualmente terreno. Fica a saber o que torna uma equipa eficaz e equilibrada.

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Empreendedores. Quatro histórias de quatro jovens que não recuaram perante o risco. Fica a conhecer as suas ideias de negócio e a forma que encontraram para as implementar.

www.forum.pt FORUM ESTUDANTE Revista de Cursos, Escolas e Profissões Propriedade e Edição de: PRESS FORUM Comunicação Social,S.A. Capital Social: 60.000,00€ NIF: 502 981 512 Periodicidade Mensal Depósito Legal n.º 510787/91 Sede Tv. das Pedras Negras, n.º 1 - 4.º 1100-404 Lisboa Tel.: 21 885 47 30 Fax: 21 887 76 66


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publirreportagem

O melhor passaporte para o mercado de trabalho és tu!

A UNIVERSIDADE DE AVEIRO

CARIMBA-O O teu talento, a tua vontade, os teus sonhos, a tua energia, as tuas ideias, as tuas singularidades absolutamente únicas fazem de ti o melhor argumento para terminares uma entrevista de emprego com a certeza de que o lugar é teu. A Universidade de Aveiro, com a excelência do ensino, da formação e da investigação atestados todos os anos pelos melhores rankings internacionais, ‘apenas’ lapida o diamante em bruto que és tu. E depois ainda te dá uma preciosa ajuda para entrares no mercado de trabalho. Lê e confirma as três principais frentes de apoio da Universidade de Aveiro à empregabilidade dos estudantes:

Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais A missão do Gabinete de Estágios e Saídas Profissionais da academia de Aveiro é muito clara: promover a inserção no mercado de trabalho dos diplomados da Universidade. Como é que isso se faz? Desde que foi criado, em 2003, o Gabinete já apoiou os 16 departamentos e as quatro escolas politécnicas da UA na contratualização de vários milhares de estágios junto de empresas e instituições e põe em contato potenciais empregadores com os alunos da UA. Ao dispor dos estudantes, o Gabinete assegura ainda orientação e aconselhamento personalizado na hora de entrar no mercado de trabalho, na preparação dos currículos, das en-

trevistas de emprego ou na abordagem às instituições empregadoras.

Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro

Eleita uma das melhores incubadoras de empresas a nível internacional, um galardão alcançado em dezembro de 2014, na Holanda, durante a conferência global “Boosting Academic Entrepreneurship”, a Incubadora de Empresas da Universidade de Aveiro é uma autêntica passadeira vermelha para toda e qualquer energia empreendedora dos estudantes. Desde a definição da ideia de negócio à autonomia da empresa e à sua consolidação em mercados internacionais, a Incubadora é uma enorme mão que tem ajudado a que dezenas de alunos se tenham tornado empresários de sucesso. Lembram-se da Beethefirst, a primeira impressora 3D portuguesa? Há 3 anos atrás estava ainda na cabeça do Francisco Mendes e do Jorge Pinto, dois estudantes da academia, que para a concretizar pediram apoio à Incubadora. Hoje é ‘só’ uma das grandes sensações do mercado internacional e ‘só’ um dos mais recentes exemplos dos Franciscos e dos Jorges para quem a Incubadora serviu de trampolim para o sucesso.

Empreendedorismo e networking A Universidade de Aveiro inclui na sua oferta letiva unidades curriculares orientadas para o ensino do empreendedorismo que abordam temáticas de interesse e fornecem competências para a implementação de ideias de negócio e a criação de start-ups. A academia dinamiza também ações de formação com uma forte componente prática, possibilitando a todos os empreendedores a aquisição de novos conhecimentos e a sua aplicação na implementação de novas ideias de negócio e na valorização de tecnologias. E para os projetos que integrem uma forte componente de inovação, passível de ser protegida, a UA disponibiliza apoio na análise e na definição da melhor estratégia de proteção. Paralelamente à sua oferta formativa, a UA promove ações de capacitação e de networking, com o objetivo de promover a partilha de experiências e conhecimento em áreas relevantes, e apoia os potenciais empreendedores no processo de identificação dos recursos necessários para a implementação das suas ideias de negócio. ■


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MAIOR EMPREGABILIDADE

Promoção da empregabilidade, da igualdade de oportunidades e da inclusão social

Projeto cofinanciado por:

Ensino parceiras, que irão implementar e dinamizar um conjunto de ações locais e nacionais com o objetivo de preparar melhor os jovens para a inserção no mercado de trabalho, promovendo deste modo a empregabilidade. Se quiseres saber mais sobre este projeto podes consultar o site maiorempregabilidade@forum.pt

Promotor:

Parceiros:

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MAIOR EMPREGABILIDADE é um projeto desenvolvido no âmbito do Programa Cidadania Ativa, entre Outubro de 2014 e Março de 2016, pelo IPAV (Instituto Padre António Vieira) em parceria com a FORUM ESTUDANTE, o CCISP (Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos), a ANESPO (Associação Nacional de Escolas Profissionais), e um conjunto muito alargado de Instituições de

Com o apoio:

Ações Vitaminas para o emprego

Destinadas a jovens do Ensino Profissional e Superior são ações de sensibilização para a importância das competências transversais e como desenvolvê-las

Job Parties

Sessões de uma tarde para jovens do Ensino Profissional e Superior, como complemento à Ação VITAMINAS PARA O EMPREGO. Valorização da partilha das primeiras experiências em contexto de trabalho por jovens para outros jovens que ainda não estão no mercado de trabalho

Dia aberto nas empresas

30 Outubro será o 1º Dia Nacional em que as empresas abrem as suas portas

para receber, mostrar e explicar aos jovens como funciona uma empresa e o que procura quando faz um processo de recrutamento. As Instituições de Ensino e as Empresas inscrevem-se para participarem nesta iniciativa

Promoção do Empreendedorismo: Empreender Júnior

Modelo de ação formativo em formato b-learning, com uma componente de competências transversais, promoção do empreendedorismo, inovação, criatividade e outra componente de competências para desenvolvimento do plano de negócios, vocacionado para jovens que não sejam alunos do ensino supe-

rior, dando preferência a jovens desempregados.

Europass CV Júnior

Sensibilização para a construção desde cedo das várias “componentes” do CV, numa abordagem consciente das exigências futuras do mercado de trabalho, nomeadamente em competências transversais

Coworking - Rumo ao Futuro

Criação de espaços coworking, nas instituições parceiras aderentes, para acolhimento de jovens diplomados à procura do 1º emprego, que se empenham num projeto de entreajuda dentro do grupo


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MAIOR EMPREGABILIDADE Porquê?

Objetivos

› Capacitação dos jovens, preparando-os para o ingresso com sucesso no mercado de trabalho › Através de ações à medida, de formação formal e informal, atraentes e úteis para o públicoalvo, permitindo-lhes adquirir conhecimentos relevantes para o acesso ao mercado de trabalho › Assente numa parceria forte, de âmbito nacional, com grande experiência e sucesso na captação deste tipo de público-alvo mais vulnerável e frequentemente à margem

› Desajustamento entre as expectativas e a preparação dos jovens e as expectativas e as necessidades dos empregadores, particularmente evidente ao nível das atitudes e das competências transversais. Este desajustamento agrava-se nos jovens provenientes de contextos mais desfavorecidos › As Escolas Profissionais e as Instituições de Ensino Superior têm revelado grande competência, e sucesso, na mobilização de jovens de contextos vulneráveis e em risco de abandono escolar, ajudando-os a permanecer ou reingressar em trajetos formativos › Dotar as instituições parceiras, de respostas à medida, que capacitem e promovam competências, que permitam a estes jovens adaptarem-se com sucesso às exigências do mercado de trabalho, revela-se um desiderato deste projeto

› Promoção da empregabilidade, da igualdade de oportunidades e da inclusão social através do reforço das competências transversais (soft skills) e da literacia digital › Apoio à inserção de jovens no mercado de trabalho, através de ações que permitam conhecer a vida das empresas, experiência de jovens trabalhadores, adaptação ao trabalho ou promoção do empreendedorismo › Incentivo à construção precoce do CV, com o que o mercado de trabalho valoriza › Promoção de atitude pró-ativa e solidária na procura de emprego

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Da Ideia à Implementação Sendo empreendedor, para criares a tua própria empresa não basta teres uma ideia de negócio. Para que essa ideia não morra aos esbarrar nos obstáculos que inevitavelmente irão surgir, precisas de muita persistência, entusiasmo e motivação aliados ao conhecimento do mercado, de investimento e um grande rigor em todo o processo. Deixamos-te alguns conceitos chave que te podem ajudar. A Ideia

Esta é a base da criação do teu negócio. As ideias de negócio podem surgir quando menos se espera e de diversas fontes de inspiração. Podes ter identificado uma necessidade no mercado, pode ser fruto da tua atividade profissional ou académica, pode até surgir de um hobbie ou atividade que praticas nos tempos livres. Nesta fase deves ser bastante realista e não deixar pormenores ao acaso. Deves ter em conta a oportunidade do negócio, a tua experiência, o perfil do potencial cliente/consumidor e claro está, a existência ou não de projetos semelhantes já implementados no mercado. Aqui levantam-se algumas questões que deves responder com rigor para avaliar se estás em condições de dar o próximo passo: • A quem se destina o teu serviço/produto? • Existe no mercado uma carência do que tens para oferecer? • Que serviços irás prestar? • Quais os seus benefícios? • Existe concorrência? • Se sim, como te podes diferenciar? • Quanto irás cobrar pelo teu serviço/produto? • Qual o investimento inicial de que vais necessitar? • Onde podes obter financiamento? • Existem apoios para a atividade que queres exercer? • Quais as pessoas ideais para serem sócios do teu projeto?

Deves também fazer desde logo uma análise SWOT da ideia/projeto. Avaliar a tendência de mercado, potencial de crescimento, questões legais associadas à implementação, bem como os pontos fortes e fracos da tua empresa. É também muito importante teres em atenção que se a tua ideia se distinguir pela inovação, será aconselhável não a divulgares antes de protegeres legalmente os seus direitos. Para tal deverás dirigires-te ao INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).

Como avaliar o potencial de uma ideia? Para avaliar uma ideia coloca estas perguntas a ti mesmo. 1. A minha ideia é realmente nova? 2. A minha ideia é útil? 3. A minha ideia será útil para mim e para os outros? 4. Posso conceber a minha ideia/invenção de forma a que os outros a possam adquirir? 5. Lista 4 razões que podem impedir que a ideia resulte. 6. Lista 4 razões que evidenciam o porquê da ideia funcionar. 7. O que é diferente acerca desta ideia de outras já no mercado? 8. Porque são essas diferenças importantes? 9. Se pudesses melhorar o produto/serviço o que farias? 10. É possível fazer um modelo da minha ideia/invenção com materiais fáceis de encontrar? Fonte: Plataforma do Empreendedor


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Forma jurídica e formalidades legais para a criação da empresa A escolha da forma jurídica da empresa vai determinar o seu modelo de funcionamento desde o arranque e tem implicações tanto para o empresário como para o futuro empreendimento. A opção por um determinado estatuto jurídico, deve ser tomada de modo a valorizar os pontos fortes da futura empresa tendo, no entanto, em atenção as características que melhor se adaptem às expectativas de desenvolvimento. Assim, a primeira decisão a tomar prende-se com a opção entre desenvolver a empresa sozinho ou em conjunto com outras pessoas, devendo paralelamente conhecer as formalidades legais associadas à criação da empresa. As formas jurídicas mais comuns são: • Empresa Individual / Empresário em Nome Individual; • Sociedades por Quotas; • Sociedade Anónima.

Testa a tua Ideia

Acabámos de te aconselhar a não divulgares a tua ideia, mas a verdade é que terás de o fazer. Pelo menos junto de pessoas da tua confiança. Nesta fase tens de testar a tua ideia, a sua viabilidade, a necessidade que o mercado tem do teu produto/serviço, etc. Reúne o máximo de informação que conseguires obter junto desse teu “grupo de teste”. Elogios, críticas, obstáculos, tudo te pode ser útil para o sucesso do projeto (Ver caixa).

Começa a organizar

É de todo aconselhável que desde o início comeces a organizar o teu projeto e reunir a informação que será útil ao longo do processo. Começa por verificar quais os passos legais que vais ter de dar. Tendo feito entretanto a análise SWOT e testado a ideia, é altura de elaborares um primeiro plano de marketing com a descrição do produto ou serviço que tens para oferecer, como e onde ele será disponibilizado ao público, preço e formas de promoção. Tudo, desde as etapas burocráticas ao plano de marketing, deve estar orçamentado em detalhe. Uma correta orçamentação é um passo fundamental no sucesso da implementação do projeto.

Reúne a tua equipa

Nesta altura a tua ideia começa a tomar forma. Constituir uma equipa é um passo muito importante e é crucial que seja aquela que consideras ser a equipa certa. Os parceiros/ sócios que escolheres, terão de ter a mesma convicção do sucesso que tu tens. Terão de estar também muito alinhados quanto ao futuro do projeto e à razão da sua existência. Não caias na tentação de escolher parceiros pela sua capacidade económica. Pensa no financiamento como uma etapa diferente da escolha da equipa. As pessoas que escolheres para percorrerem contigo este caminho, deverás escolhê-las pela sua capacidade técnica, encontrando as pessoas que possam suprir algumas das lacunas que terás em determinadas áreas.

O Plano de Negócios

Este é um ponto-chave. Um bom Plano de Negócios, realista, fundamentado e bem estruturado é meio caminho andado para encontrar um investidor interessado. O Plano de Negócios não é mais do que passar a tua ideia ao papel, de uma forma lógica e estruturada, que consiga

demonstrar a exequibilidade e sustentabilidade do negócio (Ver caixa). Não existe uma estrutura ideal de Plano de Negócios, mas esta não deverá fugir muito deste esquema: • Sumário executivo • Biografia dos promotores/empresa • Mercado a alcançar • O projeto/produto/ideia • O seu posicionamento no mercado • Estratégia comercial • Projeção financeira • Gestão e controlo do negócio • Investimento necessário

Financiamento

O projeto irá precisar de um investimento inicial, que pode ser maior ou menor em virtude do produto/serviço a criar. Caso a equipa não tenha, ela própria, capacidade de se financiar, há que encontrar forma de o fazer. Daí a importância de um ótimo plano de negócios para apresentar a financiadores externos. A Banca, investidores privados e empresas de capital de risco são as hipóteses mais comuns, se bem que existem também alguns apoios específicos para empreendedorismo e novos negócios (Ver caixa). Tal como numa entrevista de emprego, aqui o objetivo é que o teu projeto se consiga distinguir de todos os outros que estas entidades financiadoras têm em análise. Conseguido o financiamento há que assegurar, se necessário recorrendo a um advogado, que as condições de financiamento são as acordadas e as ideais para o projeto.

Constituição da Empresa

Estás já numa fase adiantada do processo, mas ainda com algumas complicações pela frente. Tendo já assegurado o financiamento do capital inicial, é altura de constituir formalmente a empresa. Aqui impera a burocracia, pelo que terás de estar preparado psicologicamente para esta etapa. Após escolheres a forma jurídica ideal para a tua empresa, terás de cumprir algumas tarefas (Ver caixa)

Catorze perguntas pessoais que todos os planos de negócio devem responder 1. De onde são os promotores? 2. Onde estudaram? 3. Onde trabalharam? E para quem? 4. O que realizaram profissional e pessoalmente no passado? 5. Qual a sua reputação dentro da comunidade empresarial? 6. Que experiência possuem que seja diretamente relevante para a oportunidade que procuram? 7. Que capacidades, habilidades e conhecimento possuem? 8. Até que ponto são realistas a respeito das oportunidades de o empreendimento ter sucesso e das dificuldades que irão enfrentar? 9. Quem precisa de estar na equipa? 10. Estão preparados para recrutar pessoal bem qualificado? 11. Como irão reagir à adversidade? 12. Terão que se envolver para fazer as inevitáveis escolhas difíceis que têm de ser feitas? 13. Até que ponto estarão comprometidos com este novo empreendimento? 14. Quais são as motivações? Fonte: Plataforma do Empreendedor, In livro - Empreendedorismo e Estratégia - Harvard Business Review


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Escolher o local ideal

A Sede da tua empresa vai ser a janela para os teus clientes. O local onde funciona a tua empresa deve espelhar a tua atividade, o teu público-alvo, o teu produto ou serviço. Escolhe com cuidado, recorrendo inclusive a um agente imobiliário. Uma má localização, uma área desadequada ou condições de arrendamento exageradas podem ser um mau investimento.

Recrutamento de colaboradores

Por esta altura já saberás que perfil e quantidade de colaboradores precisas para pôr a tua empresa a produzir, mas precisas de encontrar as pessoas certas. Deves começar por olhar para dentro, para a equipa de sócios, definir a equipa diretiva e avaliar se existe necessidade de recrutar mais pessoas na fase inicial, ou se o poderás fazer em função da expansão da empresa. Caso tenhas de contratar colaboradores, certifica-te que são as pessoas chave para o projeto. Contrata em função do conhecimento e

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Financiamento externo Se necessitares de financiamento externo tens várias opções ao teu dispor, terás de avaliar a que se adapta melhor consoante a especificidade do teu projeto em termos do montante de investimento e das características de financiamento: • Financiadores individuais / Business Angels • Empresas de capital de risco • Apoios públicos e comunitários • Empréstimo bancário • Leasing • Microcrédito • Garantia mútua


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experiência que necessitas. Alguém com entusiasmo pelo projeto, com espírito de iniciativa e talento para as funções a ocupar, pode ter um papel determinante no futuro imediato da empresa.

Formalidades legais para a constituição de empresas

Início de atividade

Empresa individual / Empresário em Nome Individual

Chegaste ao fim… que é o início. Assegura que estás em condições de iniciar a atividade. Por mais pequena e inexperiente que seja a estrutura, é fundamental que a empresa transmita uma imagem de profissionalismo e organização. Consulta o Plano de Negócios e verifica se estás no caminho a que te propuseste. Aplica o plano de marketing. É altura de promoveres a empresa e o produto/serviço. Garante que a equipa está empenhada, motivada e orientada para iniciar caminho. E já está. O projeto nasceu e agora tens de cuidar dele. Não relaxes, pois apesar de todo o percurso que já fizeste e das dificuldades que já encontraste, o que tens pela frente é ainda mais desafiante. ■

1. Pedido de Certificado de Admissibilidade de Firma ou Denominação 2. Pedido de cartão de identificação Tem como finalidade a obtenção de cartão de identidade válido que permita ao empresário identificar-se, como tal, em todos os atos e contratos em que intervenha. 3. Declaração de Início de Atividade Pretende-se a regularização da situação fiscal do empresário individual, a fim de dar cumprimento às suas obrigações de natureza fiscal. 4. Registo Comercial Tem como finalidade dar publicidade à situação jurídica, entre outros, dos empresários individuais. 5. Comunicação obrigatória ao Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho O empresário em nome individual, como entidade sujeita à fiscalização do Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho, deverá comunicar, por ofício, à respetiva delegação da área onde se situa o seu estabelecimento, o endereço deste, ou dos locais de trabalho, o ramo de atividade, o seu domicílio e o número de trabalhadores. Esta comunicação é obrigatória e deverá ser feita anteriormente ao início de atividade. 6. Inscrição do empresário na Segurança Social 7. Inscrição da empresa individual na Segurança Social Sociedades 1. Elaboração dos Estatutos 2. Escritura Pública de Constituição Mediante a apresentação da minuta dos estatutos, do certificado de admissibilidade da firma, do certificado do depósito efetuado em qualquer banco e dos bilhetes de identidade dos futuros sócios (além de outros documentos que sejam eventualmente necessários para casos especiais) poderá outorgar, em cartório notarial à sua escolha, a escritura pública de constituição da sociedade. 3. Certificado de Admissibilidade de Firma Quando iniciar a elaboração dos estatutos deve, simultaneamente, requerer ao Registo Nacional de Pessoas Coletivas o certificado de admissibilidade da firma ou denominação 4. Registo Comercial O registo comercial destina-se a dar publicidade à situação jurídica das sociedades comerciais, das sociedades civis sob forma comercial tendo em vista a segurança do comércio jurídico. 5. Inscrição no Ficheiro Central de Pessoas Coletivas Uma vez efetuada a inscrição no ficheiro central de pessoas coletivas do RNPC é por este emitido o Cartão de Identificação que deverá conter a indicação do NIPC (número de identificação de pessoa coletiva), do nome, firma ou denominação, do domicílio ou sede, da caracterização jurídica, da atividade principal e, no caso de pessoas coletivas, a data da constituição. 6. Número Fiscal do Contribuinte 7. Comunicação obrigatória ao Instituto de Desenvolvimento e Inspeção das Condições de Trabalho Esta comunicação é obrigatória e deverá ser feita anteriormente ao início de atividade. 8. Inscrição da empresa na Segurança Social Fonte: IAPMEI


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Competências fundamentais Texto: Pedro Salgueiro

As competências transversais, as chamadas soft-skills, são cada vez mais importantes para os empregadores, mas mesmo que estejas a pensar lançar-te no mercado de trabalho com um projeto teu, elas são também fundamentais para incrementar o teu sucesso. De todas as soft-skills que podes adquirir ao longo da tua vida de estudante, escolhemos as 4 competências mais consensuais entre diplomados e empregadores, aquelas que no estudo “Preparados para Trabalhar” realizado no âmbito do Consórcio Maior Empregabilidade, foram consideradas vitais!


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Análise e resolução de problemas

O modelo IDEAL

Analisar e resolver Todos analisamos e resolvemos problemas diariamente, em situações profissionais, académicas ou pessoais. Alguns dos problemas que os estudantes enfrentam incluem: • Juntar argumentos para um ensaio escrito • Tirar os vírus de um programa de computador • Lidar com clientes difíceis quando trabalham em part-time numa loja ou restaurante. • Pensar como gerir o orçamento pessoal até ao final do semestre • Perceber porque é que a impressora não responde…. • Desenvolver uma estratégia que permita passar de nível num jogo de computador.

Qualquer que seja o problema em causa, são importantes os seguintes passos: • Identificar o problema • Definir o problema • Examinar as opções • Acionar um plano • Look/ver as consequências resultantes

Qualquer projeto que empreendas também levantará problemas. É importante ter as competências certas para resolver esses problemas. E a resiliência pessoal para lidar com os desafios e as pressões que esses problemas podem trazer.

1) Avaliar o problema • Clarificar a natureza do problema • Formular perguntas • Reunir a informação de forma sistemática • Relacionar e organizar os dados disponíveis • Condensar e resumir a informação • Definir o objectivo desejado

É preciso que saibas: • Avaliar a informação ou as situações. • Dividi-las nos seus aspectos chave. • Considerar várias formas de lidar e resolver esses elementos chave • Decidir quais as formas mais apropriadas para usar. Para analisares e resolveres problemas precisas de competências analíticas e criativas. As competências mais necessárias variam, dependendo do problema e do papel desempenhado na organização, mas as competências seguinte são chave para a resolução de problemas: • Capacidade Analítica • Pensamento Lateral • Iniciativa • Raciocínio Lógico • Persistência A maioria das competências analíticas desenvolvem-se na experiência da vida do dia-a-dia: • ‘Jogos de estratégia’ como sudoku, xadrez, bridge, etc; • Jogos de computador – os melhores são os que envolvem planeamento, análise crítica e estatística, e avaliação dos prós e contras de diversas opções; • Interesses práticos como programação, reparação de computadores, mecânica automóvel, etc; • Trabalhar com equipamentos de som e luz para uma banda, evento ou espetáculo; • Estudos académicos: avaliar as diferentes fontes de informação para ensaios, desenhos e maquetes; montar uma experiência laboratorial. Noutras situações, será necessário usar a criatividade e o pensamento lateral, para fazer surgir ideias que permitam encontrar novas perspetivas. Nem toda a gente tem estes dois tipos de competências em igual medida: por essa razão o trabalho de equipa é muitas vezes um componente chave na resolução de problemas. Também são necessárias outras competências como a comunicação, a persuasão e a negociação, importantes para encontrar soluções para os problemas que envolvam pessoas.

Este é o modelo IDEAL de resolução de problemas. A etapa final é pôr em prática a solução decidida e verificar os resultados.

Passos para resolver um problema:

2) Gerir o problema • Usar de forma eficaz a informação recolhida • Dividir o problema em pequenas partes, mais fáceis de gerir • Usar técnicas como o brainstorming e o pensamento lateral para considerar outras opções • Analisar em profundidade as várias opções • Identificar os passos que podem ser dados para atingir o objetivo 3) Tomar decisões • Decidir que ação tomar entre as possíveis opções • Decidir reunir mais informação antes de agir • Decidir que recursos (tempo, dinheiro, pessoal, etc) alocar para este problema 4) Resolver o problema • Implementação da ação • Dar informação aos sócios/parceiros • Delegar tarefas • Revisão dos progressos 5) Examinar os resultados • Monitorizar o resultado da ação tomada • Rever o problema e o processo de resolução do problema para evitar situações similares no futuro • Em qualquer fase do processo, pode ser necessário voltar a uma fase anterior – por exemplo, se surgirem outros problemas ou se uma solução não estiver a alcançar o resultado desejado.

Criatividade e Inovação Quantas vezes nos disseram “usa a imaginação!” quando éramos mais pequenos? Entretanto a nossa criatividade e agilidade mental foram-se afunilando ou expandindo? Como potenciar a criatividade que está em cada um de nós? O que é que te vem logo à mente quando pensas em criatividade? Alguns pensam logo em pessoas muito especiais


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com talentos extraordinários. Associam criatividade com o mundo das artes, ou com a ciência e grandes invenções. Pensam em Leonardo da Vinci, Mozart, Einstein, Picasso, Santos Dumont, Henry Ford e Steve Jobs. Estas pessoas certamente realizaram coisas notáveis, com impactos profundos e duradouros. Mas há outras valiosas expressões de criatividade que se incorporaram no nosso quotidiano, mas que não são lembradas quando se fala em criatividade. Muito do que hoje olhamos como trivial e corriqueiro, já foi considerado uma notável invenção. Invenções simples, mas que se tornaram indispensáveis, como a escada, a tesoura, a chave de fendas, o lápis, o carrinho de supermercado, etc. Da mesma forma, conhecemos valiosas expressões de criatividade em todos os setores de atividade como o artesanato, indústria, comércio, diversão, etc. Esta diversidade de manifestações criativas explica as dezenas de definições para o termo criatividade. A criatividade tem significados distintos para diferentes pessoas e pode ser definida segundo a perspetiva limitada de diferentes áreas como a economia, ciências, música, artes plásticas, teatro, dança e arquitetura. Numa perspetiva bastante abrangente, a criatividade pode ser definida como o processo mental de geração de novas ideias por indivíduos ou grupos. Uma nova ideia pode ser um novo produto, uma nova peça de arte, um novo método ou a solução de um problema. Esta definição tem uma implicação importante, pois, como processo, a criatividade pode ser estudada, compreendida e aperfeiçoada. Ser criativo é ter a habilidade de gerar ideias originais e úteis e solucionar os problemas do dia-a-dia. É olhar para as mesmas coisas como todos olham, mas ver e pensar algo diferente. O balão de ar quente foi inventado pelos irmãos Joseph e Etienne Montgolfier em 1783. A ideia teria ocorrido a Joseph ao ver a camisola de sua mulher levitar, quando ela a colocara perto do forno para secar. Daí teria vindo a ideia de construir um grande invólucro em forma de pêra, de papel e seda, com uma abertura na base. Milhões de pessoas já tinham visto este fenómeno, mas só os irmãos Montgolfier tiraram proveito prático desta observação. Eles viram muito mais do que uma camisola flutuando – isto é criatividade. Inovação e criatividade são a mesma coisa? A resposta é não. Criatividade é pensar coisas novas, inovação é fazer coisas novas com valor acrescentado. Inovação é a implementação de um novo ou significativamente melhorado produto - bem ou serviço -, processo de trabalho, ou prática de relacionamento entre as pessoas, grupos ou organizações. Os conceitos de produto, processo e prática podem aplicar-se a todos os campos da atividade humana, como a indústria, comércio, governo, medicina, engenharia, artes, entretenimento, etc. O termo implementação implica ação: só há inovação quando a nova ideia é julgada valiosa e colocada em prática. Os irmãos Montgolfier transformaram a observação de uma camisola flutuando num balão – isto é inovação. Nem sempre a inovação é o resultado da criação de algo totalmente novo mas, com muita frequência, é o resultado de uma combinação original de coisas já existentes. A invenção do radar é uma combinação de elementos conhecidos: ondas de rádio, amplificadores e osciloscópios. Algumas inovações importantes consistem em novos usos para objetos e tecnologias existentes. Um bom exemplo é o uso da Internet


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pelos bancos, permitindo aos clientes o acesso direto aos serviços bancários. Outro exemplo: o uso do telemóvel para monitorização de portadores de doenças cardíacas.

Pensamento divergente e convergente O processo criativo é formado por dois tipos distintos de pensamento que se complementam: o pensamento divergente e o pensamento convergente. O pensamento divergente tem o propósito de criar opções, abrir e explorar novos caminhos e gerar uma grande quantidade e diversidade de ideias. O pensamento convergente tem o propósito de avaliar e selecionar as ideias ou conceitos mais promissores. O pensamento divergente é o reflexo de uma mente intuitiva, criativa e complexa, ao passo que o convergente espelha o intelecto, racional e claro. O sucesso de uma sessão criativa, seja usando o Brainstorming ou qualquer outra ferramenta de criatividade, está fortemente condicionado à separação rigorosa da fase de geração de ideias da fase de julgamento e seleção das ideias geradas, de tal modo que se complementem, mas cada uma agindo no seu devido momento. Pensamento divergente: a criação de opções Nesta primeira fase do pensamento criativo, procura-se conseguir um firme e sincero envolvimento da equipa pela criação de um ambiente em que as pessoas se sintam seguras e confortáveis em explorar novas perspetivas, questionar as práticas e normas vigentes e expressar livremente as suas opiniões. O objetivo é obter uma grande quantidade e diversidade de ideias e criar uma variedade de opções para a fase seguinte. Pensamento convergente: fazendo escolhas O pensamento convergente é uma forma prática de decidir entre as alternativas existentes. É o momento de analisar criticamente e julgar as ideias geradas na etapa do pensamento divergente e selecionar as melhores ideias com base em critérios previamente definidos. No entanto, esta fase não se resume simplesmente em passar as ideias por um filtro até que reste uma única ideia. As boas ideias não saem da fase anterior perfeitas e acabadas. A semente de toda a inovação é uma ideia altamente especulativa, e inacabada, que precisa de ser trabalhada para se tornar viável e prática. Pela sua própria natureza, quanto mais ambiciosa a ideia, mais frágil ela se apresentará, mais falhas terão que ser corrigidas. Nem mesmo as ideias consideradas absurdas devem ser simplesmente descartadas. Elas podem revelar conceitos valiosos que servirão de ponte para ideias mais práticas.

Adaptação e Flexibilidade O mundo atual pede-nos que nos saibamos adaptar constantemente a novas situações e desafios. Temos a flexibilidade necessária para isso? Do que é que precisamos para nos adaptarmos melhor a diferentes contextos? Ao falarmos em flexibilidade, é necessário refletirmos se somos capazes de mudar ao longo do dia ou do mês os nossos planos iniciais, ou mesmo de deixar de fazer uma tarefa quando as circunstâncias assim o exigirem. A flexibilidade é a capacidade de nos adaptarmos e conseguirmos trabalhar de forma eficaz nas mais distintas situações

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e com pessoas e grupos diferentes. Trata-se de uma qualidade que possibilita que a pessoa entenda e saiba valorizar as diferenças entre pontos de vista diversos, adaptando o seu próprio foco a um determinado cenário, quando necessário. Ser flexível é aceitar a realidade sem criar barreiras. É acolher as mudanças e responsabilidades que venham a surgir para nos mantermos atualizados. É estar disposto a mudar de ideias perante uma nova situação, nova informação ou uma evidência oposta, compreendendo as perspetivas e ideias dos outros.

Planeamento e organização Quem de nós aprendeu a planear o estudo e os trabalhos na escola? Esta é uma fraqueza evidente dos currículos nacionais no ensino básico que importa colmatar o mais rapidamente possível! Saber planear a nossa semana, organizar os nossos dias, dando prioridade ao que é importante é uma arte que conta muito, cada vez mais… Gerir o tempo e esforçarmo-nos por sermos o mais eficazes possível são formas de planearmos melhor a nossa vida. Gestão do tempo Todos gostaríamos de gerir melhor o nosso tempo. Como fazê-lo? Deixamos-te aqui algumas pistas e dicas concretas para aproveitares melhor este bem precioso que é o tempo. Para criar as condições propícias a uma boa gestão do tempo: Auto-conhecimento: conhecer o modo como funcionamos melhor. Prestar atenção aos ritmos biológicos e aproveitar as alturas em que as energias estão no máximo. Recompensar-se pelas pequenas metas e objetivos cumpridos. Pequenas recompensas no final das tarefas cumpridas e não no início. Organizar o local de trabalho, mantê-lo limpo, arrumado e confortável. Listar objetivos e prioridades. Adotar uma visão global do período de tempo que se quer organizar. Por exemplo, um semestre. Organizar os objetivos tanto pessoais como académicos/ profissionais. Fazer uma lista. Identificar os objetivos mais importantes. Antecipar os momentos críticos. Definir um horário: flexível, realista e pessoal. Experimentar o horário e ir ajustando. Algumas dicas práticas para gerirmos melhor o tempo no dia-a-dia: • Evitar as interrupções: são, normalmente, causadoras de não cumprimento de planos • Reservar tempos próprios para cada tarefa específica • Aprender a dizer NÃO • Sentar-se de costas para áreas movimentadas • Fechar a porta • Ir para uma biblioteca ou outro local de trabalho/estudo • Fazer telefonemas apenas nas pausas do trabalho/estudo • Delimitar um tempo para emails, redes sociais e afins e manter-se fiel a esse tempo

E em relação à eficácia? Como posso ser uma pessoa mais eficaz nos estudos, no trabalho e na vida? O conhecido autor americano Ste-

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phen Covey elencou 8 hábitos que tornam as pessoas mais eficazes e felizes no trabalho e na vida. É o resultado de uma longa pesquisa e investigação feita em mais duzentos anos de publicações sobre o sucesso e a eficácia pessoais, desde biografias a simples manuais e livros muito diversos que vão de tratados a romances. Aqui estão os 8 hábitos: Hábito 1: Ser Proativo Toma a iniciativa na vida percebendo que as decisões são os principais fatores que determinam a eficácia na tua vida. Assume a responsabilidade pelas tuas escolhas e pelas suas consequências. Hábito 2: Começar com o Objetivo principal em Mente Descobre por ti próprio e escreve quais são os teus valores pessoais mais profundos e quais são teus objetivos na vida. Fixa-te num objetivo principal e tem-no sempre presente como algo a alcançar em tudo o que faças. Hábito 3: Primeiro o Mais Importante Dá prioridade, planeia e executa as tarefas semanais baseando-se mais na importância do que na urgência. Avalia sempre se os teus esforços têm em conta os valores e objetivos pessoais desejados e elaborados no Hábito 2. Hábito 4: Mentalidade Ganha-Ganha Esforça-te na busca de soluções ou de acordos que sejam reciprocamente benéficos para ti e para os outros. Valoriza e respeita as pessoas entendendo que uma “vitória” para todos é sempre a melhor solução de longo prazo. Win-win é sempre a melhor aposta! Hábito 5: Procura Primeiro Compreender, Depois ser Compreendido Escuta bem e presta ativamente atenção para seres genuinamente influenciado pelas pessoas. Os outros também serão influenciados por ti. Isso cria uma atmosfera de cuidado mútuo na solução positiva de um problema. Hábito 6: Criar Sinergias Combina as forças das pessoas através de uma equipa de trabalho positiva; assim, para atingir objetivos, nenhuma pessoa trabalhará sozinha. Hábito 7: Afinar o Instrumento Equilibra e renova os teus próprios dons: aposta numa vida saudável e um estilo de vida positivo, com exercício físico, vida interior (meditação, oração, yoga, etc) e boa leitura para a renovação mental. Aposta também em voluntariado e serviços à sociedade. Hábito 8: Da Eficácia à Grandeza Os novos desafios e a complexidade com que nos deparamos nas nossas vidas, bem como todo o tipo de relacionamentos interpessoais, são de uma ordem de grandeza que exigem uma nova atitude mental, uma nova habilidade, um novo conjunto de ferramentas... um novo hábito! Este é o hábito de encontrar a nossa própria voz e inspirar outros a encontrar a deles. Um hábito que vai para além da eficácia e supera-a. Trata-se do hábito de ser inspirador e ajudar outros a tornarem-se também inspiradores. ■


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Tens atitude comercial? A consciência clara da importância de divulgar e vender bem um produto ou serviço agrega um kit muito diverso de competências importantes. Tens ideia de quais possam ser? E se te dissermos que um bom comercial é alguém com uma comunicação boa e fluída, com iniciativa, atenção às pessoas — clientes e não só —, cuidado com detalhes, rapidez de raciocínio e flexibilidade. Também podes ser um bom vendedor, ou não, isso pode depender da área ou domínio profissional em que trabalhes… Texto: Pedro Salgueiro

Na abordagem anglo-saxónica de algumas universidades, sobretudo do Reino Unido, a consciência comercial aparece mesmo isolada como uma das competências mais procuradas por empregadores. Em Inglaterra, os empregadores sinalizaram que o que mais falta aos recém-formados é uma consciência ou atitude comercial. O que querem dizer com isso? • A consciência/atitude comercial pode ser definida como o interesse pelos negócios da empresa e uma compreensão do contexto em que a empresa se move: clientes, concorrentes e fornecedores. • Pode também incluir uma compreensão da economia e dos benefícios dos negócios e das realidades comerciais, da perspetiva da organização e do cliente. • Em geral, inclui uma atenção à necessidade de eficiência, ao controle de custos, à orientação para o cliente e um conhecimento do mercado em que a empresa opera (clima económico, principais parceiros e concorrentes, por exemplo)

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Só é importante para carreiras comerciais? Não. É uma competência relevante em todo o tipo de carreiras! Claro que em certas áreas profissionais a atitude comercial pode revestir-se de nuances diferentes. Pense-se por exemplo no terceiro setor, na área social. Alguns ainda pensam que a função comercial é exclusiva dos profissionais responsáveis pelas vendas. Enganam-se redondamente. A dimensão comercial – compra, venda, negociação, avaliação das necessidades dos clientes,…. - deve estar presente em todos os profissionais duma empresa, desde os administradores ao estafeta. Qualquer profissional deve ser um vendedor a tempo inteiro. “Vende” a sua imagem e competências no momento do seu recrutamento, “vende” internamente as suas ideias, trabalha para convencer clientes internos e/ou externos todo o tempo e, no final do dia, é avaliado pelo que contribui para o valor acrescentado e para as receitas resultantes das vendas. Quem não tem consciência afinada desta exigência da vida numa empresa vai ganhá-la, mais tarde ou mais cedo, às vezes aprendendo à custa de erros cometidos.

Clientes e capacidade de negociação Numa outra dimensão, a atenção ao cliente é vital, numa atitude comercial que se exige numa economia competitiva do séc. XXI. Há quem diga com razão que “o cliente é o teu patrão que te paga o ordenado” e, provavelmente, tem toda a razão. Já lá vai o tempo em que os clientes eram “dispensáveis”, em serviços que não dispunham de concorrência. Hoje, em todos os setores de atividade, ganhar clientes faz a diferença, sendo porém que isso não chega. Há que mantê-los. E para tal, torna-se necessário obter elevados níveis de satisfação com o serviço que se presta. Esta centragem no cliente, como se percebe facilmente, não tem impacto só para a atividade de quem vende, no concreto. O trabalho de todos os profissionais duma empresa tem, direta ou indiretamente, impacto na relação comercial com os clientes. Nesta competência comercial importa ainda sublinhar a capacidade de negociar. Se bem agilizada, esta competência fará de ti um profissional de excelência. Um bom sentido comercial não pode ignorar que, num processo de compra/venda, há sempre interesses divergentes que precisam ser compatibilizados. Encontrar o ponto de equilíbrio do máximo ganho partilhado entre as partes (win/win) é a grande sabedoria de um processo negocial. Para isso, vais ter de aprender a estabelecer objetivos claros, a ouvir a outra parte (seja um cliente ou um fornecedor), entender os seus objetivos, a ter um roteiro de cedências possíveis e de conquistas desejadas e…negociar pacientemente. Não te esqueças também que só uma negociação honesta permite ganhar um cliente para a vida. Aldrabices – para além de eticamente inaceitáveis - só te trarão prejuízos futuros. ■


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Entrevista a

Miguel Campos Cruz, Presidente do IAPMEI

“Não existe empreendedorismo sem entusiasmo!” Forum Estudante: Olhando para o tema do empreendedorismo, como é que lhe parece que está Portugal em termos de cultura empreendedora? As novas gerações mais abertas e mais disponíveis para empreender ou ainda não se sente grande alteração? Miguel Campos Cruz: Já se sente uma grande alteração. Tem havido uma evolução muito grande do ponto de vista cultural, de conhecimento e de estabelecimento de uma rede efetiva de agentes que atuam no ecossistema empreendedor, que tem criado oportunidades muito interessantes. Paralelamente tem-se vindo a notar um pontenciar da componente tecnológica associada à criação de novos negócios, com uma evolução, apesar de tudo, importante em termos de cultura de risco, da forma de perceção de risco, que se estende inclusivamente às situações de insucesso, àquilo que eu normalmente costumo chamar de second chance. Portanto há uma evolução muito positiva, também em termos de ambiente e de capacidade de geração de ideias. FE: Acha que ser empreendedor começa a estar na moda? MCC: Acho que o empreendedorismo está claramente na moda, mas tenho esperança que seja mais do que isso e que se assuma como um fenómeno sustentável. Há um interesse generalizado sobre a atividade empreendedora e uma capacidade de gerar ideias que é muito diferente daquela que nós tínhamos no passado. Desse ponto de vista, houve uma evolução muito significativa e

há uma predisposição maior para a atividade empreendedora, não exclusivamente nos jovens. Isso tem muito a ver com o facto de atravessarmos um período de crise que também tem a sua importância na predisposição para a abertura de negócios ou para o desenvolvimento de atividades empreendedoras. Eu gosto muito de dizer que não são a mesma coisa, não são obrigatoriamente a mesma coisa. Particularmente nas camadas mais jovens há uma predisposição maior, uma alteração cultural, uma visão diferente, sem dúvida. FE: Agarrando nesse ponto, a diferença entre abrir um negócio e ter atividades empreendedoras. Como é que diferencia essas duas realidades? MCC: Abrir um negócio é uma ação, que tem uma importância óbvia do ponto de vista do emprego e da atividade económica. Uma atividade empreendedora tem, para mim, um conjunto de características aliadas, que são, obviamente o risco, que continua a estar associado à abertura de um negócio, mas particularmente um caráter inovador que possa ser sustentável do ponto de vista da perceção do mercado. Eu costumo dar muito o exemplo da abertura do café. Abrir um café é abrir um negócio, não é obrigatoriamente uma atividade empreendedora, embora possa ser uma iniciativa igualmente meritória. Mas abrir um café com determinadas características que o mercado reconhece como diferente e que portanto lhe atribui uma sustentação, aí sim é uma atividade empreendedora. É muito esta a diferença que eu


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tendo a fazer. FE: Explorando um pouco esta ideia das competências para ser bom empreendedor, além da capacidade de lidar com o risco e de inovação, que sublinhados faz quanto a competências para empreender. MCC: Há um conjunto de competências que são relativamente importantes e que estão associadas a esta diferenciação que eu estava a fazer do empreendedorismo. Em primeiro lugar é o facto de se ter, aliada a uma capacidade técnica, uma boa perceção de como é que a ideia se vai implementar, portanto importa ter características viradas para a ação. Outra característica importante é a de se estar aberto à colaboração, ao estabelecimento de redes, de network, à partilha. Este é um tema fundamental, porque um dos aspetos que nós próprios já identificámos várias vezes tem a ver com o conhecimento técnico versus a capacidade de gestão e é preciso saber complementar estas competências. Um terceiro será a boa capacidade de criar uma equipa ou de captar as competências de que necessita para o desenvolvimento da sua ideia. Finalmente, uma boa capacidade de resiliência que vai ser muito útil. FE: Ligado ao tema do risco, muitas vezes surge a ideia que empreender é muito arriscado. Para um jovem em início de carreira faz sentido assumir esse tipo de risco, para poder ser empreendedor? MCC: Sim, o empreender é muito arriscado e tem que ser muito arriscado, não o consigo compreender de outra maneira. Mas a resposta é sim, claro que faz sentido. O que é preciso é desenvolver as ações necessárias para minimizar o risco e isso tem precisamente a ver com um bom conhecimento do mercado e perceber a viabilidade daquilo que se vai desenvolver. Há uma tendência de muitos empreendedores, sejam jovens ou não, a concentrarem-se naquilo que são as características técnicas do seu produto, quando o que interessa de facto é aquilo que é percebido pelo mercado, se a diferenciação que ali está introduzida é relevante ou não. Por isso é que é importante estabelecer um conjunto de ligações e redes, que os possam ajudar a perceber. Outro aspeto importante é ter alguém, se não o próprio, que possa ajudar a trabalhar ao nível das capacidades de gestão. Isto é absolutamente essencial para se ter noção de quais podem ser os riscos associados do ponto de vista financeiro e do desenvolvimento inicial do negócio. Essencial também é conseguir estabelecer-se um conjunto de relações com parceiros, que cada vez existe mais nesta rede de empreendedorismo. Portanto, repito, a resposta aqui é sim, faz todo o sentido que os jovens sejam estimulados, mas com uma perceção do risco que está associado e com um road map adequado sobre como lidar com esse risco. Mas o risco nunca vai desaparecer todo, e devo dizer, que do ponto de vista financeiro, sem essa perceção do risco que estará associado e da capacidade de o correr, dificilmente uma ideia terá sucesso. FE: A esse propósito e falando do ecossistema de apoio ao empreendedorismo, parece-lhe que o sistema financeiro está aberto a correr riscos, ele próprio apoiando jovens empreendedores ou aquilo que muitas vezes surge como queixa da falta de recetividade e a falta de instrumentos do sistema financeiro, mata à partida o empreendedorismo jovem. MCC: É claro que o sistema financeiro tem um cuidado muito grande com a análise de risco e tem um olhar atento para aquilo que é o histórico, ou, alternativamente, para a utilização de determinado tipo de mecanismos, garantias reais,

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etc., mas também tem vindo a mostrar apetência para assumir maiores níveis de risco em projetos de arranque, em projetos empreendedores, desde que esteja reunido um determinado conjunto de condições, nomeadamente do interesse da ideia, das características da equipa de gestão, do potencial de mercado que possa reconhecer e daquilo que é a informação que lhe é passada. Está pois muito ligado ao tema da assimetria de informação. Mas para além do sistema financeiro, acho que é importante, em fase de arranque, olhar para um conjunto de outros instrumentos que existem no mercado, que estão em crescimento. O capital de risco, os business angels.

“Há uma tendência de muitos empreendedores, sejam jovens ou não, a concentrarem-se naquilo que são as características técnicas do seu produto, quando o que interessa de facto é aquilo que é percebido pelo mercado, se a diferenciação que ali está introduzida é relevante ou não. Por isso é que é importante estabelecer um conjunto de ligações e redes, que os possam ajudar a perceber.” Permita-me, já agora, distinguir aquilo que é a atividade que tem vindo a ser desenvolvida na Portugal Ventures com as chamadas Call for Entrepreneurship e o apoio de outros elementos da rede, a rede nacional de mentores que nós temos, que podem ajudar a encaminhar para determinado tipo de mecanismos de financiamento que são crescentemente diversos. Creio que há aqui uma oportunidade que


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se tem vindo a revelar. Se há solução para todo o tipo de ideias? Para todo o tipo de iniciativas que apareçam? Não. Mas o que eu queria realçar é que o desenvolvimento de uma ideia bem trabalhada do ponto de vista técnico, do ponto de vista financeiro e da capacidade de estabelecer relação em que existe uma informação que é passada para os agentes da rede, é extremamente importante no potencial sucesso destas iniciativas. Cada vez temos mais concursos de ideias, cada vez temos mais iniciativas de financiamento de ideias empreendedoras e portanto acho que há aqui um grande potencial de oportunidade, apesar de não ser um exercício fácil.

ser apresentadas pistas para a construção de ideias. A sugestão que eu daria é: FAÇAM-NO! Procurem ajuda, testem, discutam, obtenham recomendações e depois em função disso encaminhem-se para os vários instrumentos de financiamento que possam existir e que possam criar condições para o desenvolvimento da vossa ideia, sendo que o recurso à mentoria é uma oportunidade extremamente interessante, que podem explorar. Poder contactar com alguém que já tem uma experiência financeira ou de mercado e que pode ajudar a transmitir essa ideia criando algumas pistas de trabalho, sem que isso faça perder o entusiasmo, que é absolutamente indispensável para o sucesso da ideia.

FE: Pensando agora que está a comunicar com jovens decididos a criar o seu próprio negócio, pensando nesse cenário concretamente. Para que erros os alertaria, e para que oportunidades é que devem estar atentos? MCC: O primeiro erro que eu tenderia a pôr em cima da mesa é precisamente o de estarem excessivamente focados naquilo que é o desenvolvimento técnico. É preciso testar a ideia. Há muitas formas de o fazer, desde os exercícios tradicionais de análise de viabilidade e testes de ideias, até fazê-lo junto de amigos, de familiares, com as cautelas necessárias, para que ela não possa ser copiada, mas devem evitar ficar demasiado fechados naquilo que é o conceito. A oportunidade aqui é testar, abrir para fora, ir a concursos de ideias, apresentar, estar sujeito a crítica. As próprias universidades dão muitas oportunidades para que as ideias possam ser apresentadas, debatidas, trabalhadas, para que possam

FE: Acha que o tecido empresarial e a cultura de gestão, ao nível de PME, está aberta a acolher jovens com dinâmica empreendedora ou também aí precisamos de alguma evolução cultural no tecido empresarial de PME que temos? MCC: A resposta é sim às duas coisas. Vai havendo um grau de abertura muito grande especialmente para empresas que estão a trabalhar bem em mercado global, que se estão a internacionalizar e que precisam de captar essas competências para crescer. Mas o nosso grande desafio é alargar esta base. Acho que o número de empresas em que isso acontece ainda é relativamente reduzido. Isso tem muito a ver com a ligação entre as empresas e o Ensino Superior e a forma como esta interpenetração se faz. As coisas têm evoluído muito favoravelmente, há um crescimento muito grande no número de doutorados que são inseridos em empresas, mas o número continua a ser relativamente pequeno, na casa de um dígito em termos de percentagem e portanto há aqui ainda uma oportunidade de crescimento muito grande e esse é claramente o caminho. Mas já há alguma evolução em relação ao passado que nos dá bons sinais. Compete-nos a nós acrescer a estes sinais novos impulsos que possam ser dados em termos de política pública e que ajudem a este crescimento.

“[…] nós trabalhamos com uma série de municípios, no sentido da criação de um fundo. A ideia é associar financiamento a acompanhamento e por isso é importante trabalhar com as entidades que estão no local, para permitir que aí possam ser geradas ideias que são escrutinadas para que aquelas que têm maior potencial possam efetivamente ser financiadas.

FE: Agora pensando não só naqueles que têm mais características empreendedoras, mas nos jovens em geral e olhando para o tecido das PME. O que é que as nossas pequenas e médias empresas esperam quando contratam jovens diplomados, que competências, que perfis gostariam de encontrar? MCC: Obviamente que depende muito de qual o setor de atividade em que vão ser inseridos. Obviamente que aquilo que as empresas estão à procura é de competência técnica, mas estão essencialmente à procura de flexibilidade e de capacidade de trabalho em grupo. Estes são temas que normalmente são muito importantes, porque é daqui também que se gera um conjunto de ideias. FE: E olhando agora para o IAPMEI, para as suas respostas relativamente à questão do empreendedorismo. Quais têm sido as apostas do IAPMEI? MCC: Em primeiro lugar devo dizer que o tema do empreendedorismo é um tema que nos é particularmente caro e em que temos vindo a tentar apostar decididamente ao longo destes anos. Estamos a aproveitar alguns instrumentos que têm vindo a ser criados precisamente para gerar condições mais favoráveis para a atividade empreendedora, sejam instrumentos de natureza financeira, sejam questões como second chance, revitalizações, o que acontece depois quando o negócio tem problemas. Todos estes elementos são importantes para passar sinais para o mercado, mas temos também a visão de que o estímulo ao empreendedorismo é algo que tem obrigatoriamente que ser feito com a ligação entre diversas entidades.


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Procuramos que a nossa atuação seja complementar às iniciativas que outras entidades vêm desenvolvendo e garantir que haja uma coordenação entre as várias atividades. Nós temos vindo a desenvolver, mencionando alguns elementos chave, algumas iniciativas na cadeia de valor, desde logo pela geração de concursos de ideias. O INOVA é um bom exemplo de algo que nós fazemos e para o qual depois tentamos fazer uma ligação àquilo que pode ser o interesse das empresas em aproveitar algumas dessas ideias. Para além disso, criámos, juntamente com a Agência de Inovação, a rede nacional de mentores, um exercício ao qual atribuímos particular valor, pois ajuda a aprofundar aquilo que achamos essencial, que são as condições ou as capacidades de gestão das empresas e testar as tais ideias de negócio. Em complemento, desenvolvemos algumas iniciativas como o Passaporte para o Empreendedorismo, em que o objetivo foi agarrar na origem da ideia, trabalhá-la, testá-la e depois lançar a oportunidade de negócio para o financiamento. Ao nível do financiamento, nós apoiamos também, no âmbito do Portugal 2020, iniciativas empreendedoras, quer através de exercícios de assistência técnica, de exercícios de mentoria, ou do financiamento direto em empresas que tenham sido criadas das tais iniciativas empreendedoras. E depois articulamos com nossas participadas, a Portugal Ventures e e as Sociedades de Garantia Mútua, por exemplo, de forma a maximizar o efeito multiplicador de instrumentos de financiamento. Algo que viemos a desenvolver no passado foram os chamados fundos de coinvestimento com business angels, uma forma de alavancar aquilo que é o potencial de

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financiamento através destes, com condições favoráveis no momento de saída. Portanto são vários instrumentos que foram postos no terreno e que permitem algum tipo de estímulo a iniciativas empreendedoras. Para concluir, nós trabalhamos com uma série de municípios, no sentido da criação, no âmbito do nosso programa FINICIA, de fundos regionais que possam financiar o empreendedorismo local. A ideia é associar financiamento a acompanhamento e por isso é importante trabalhar com as entidades que estão no local, para permitir que aí possam ser geradas ideias que são escrutinadas para que aquelas que têm maior potencial possam efetivamente ser financiadas. FE: Mensagem final, quer deixar uma síntese, um sublinhado? MCC: Aquilo com que eu terminaria era a primeira coisa sem a qual não existe empreendedorismo. É o entusiasmo de uma pessoa, de uma equipa. Não há nada que o substitua e é isto que é preciso começar por estimular. Depois com base neste entusiasmo e nas ideias, há disponível um conjunto de mecanismos que nos permitem escrutinar e assegurar que as melhores têm acesso a financiamento. O processo é difícil, muito exigente para a equipa que o vai fazer, mas acho que Portugal tem, do ponto de vista cultural e da capacidade inovadora, características muito interessantes, que nos fazem perspetivar o futuro com algum otimismo. Posso, por isso, deixar uma mensagem final: Manter o entusiasmo e empreender, mesmo que não seja depois de sair da escola, mesmo que seja enquanto se está na escola. ■


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Entrevista a Jorge Gaspar, presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional

“A criação de emprego é um desafio permanente das economias”


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FORUM ESTUDANTE: Como tem evoluído o emprego jovem nos últimos anos em Portugal? Estamos melhor ou pior que há três anos? Jorge Gaspar: Temos um problema grave em Portugal que, aliás, também é um problema da Europa, diria mesmo um problema do Mundo Ocidental, no que toca ao desemprego jovem. A criação de emprego é um desafio permanente das economias. A competição pelo investimento é hoje obviamente uma competição pelo emprego e naturalmente que as sociedades, que se querem cada vez mais rejuvenescidas, sentem a necessidade de ter emprego para os seus jovens. Nos últimos trimestres, o desemprego jovem em Portugal tem vindo a baixar, muito lentamente. Temos conseguido suster o aumento do desemprego jovem fundamentalmente com a criação de emprego pela economia, pelas empresas, mas também — e esse é um papel essencial que cabe ao serviço público de emprego — através de medidas ativas de emprego, em que, num grande chapéu, nós incluímos

“A mobilidade geográfica, mas também a mobilidade profissional, no sentido da mudança de cumes de carreira, são fundamentais.” a conhecida Garantia Jovem. Esta tem tido uma excelente execução em Portugal — é aliás uma boa prática que é seguida pelos nossos parceiros da União Europeia — e tem contribuído decisivamente, do ponto de vista do estímulo público à criação de emprego destinado a jovens. É evidente que é uma batalha muito difícil, que é um caminho muito complicado, mas estamos cá para o percorrer. FE: Esta geração de jovens que está prestes a entrar no mercado de trabalho vai viver no contexto de uma economia globalizada, onde a internacionalização da economia portuguesa é um grande desafio. Para esse contexto, que sugestões dá a quem se está a formar para entrar num quadro de economia global? JG: Existe o aforismo “pensar global, agir local”. Eu não sou um apologista desse aforismo. Penso que devemos pensar Portugal mas agir global. Não é o contrário, mas é seguramente diferente. Gosto muito de Portugal, gosto muito do nosso país, sou um patriota — pelo menos considero-me como tal — e portanto julgo que esse é o ponto de partida para qualquer abordagem a esta questão. “Pensar Portugal e agir global”, quer dizer que eu posso agir, trabalhar, atuar e ter um comportamento cívico e profissional em qualquer lugar do mundo, mas sempre no quadro daquela que é a minha circunstância de cidadão português. E Portugal é, seguramente, um dos melhores exemplos para demonstrar a capacidade de levar um país para outros territórios. A mobilidade geográfica, mas também a mobilidade profissional, no sentido da mudança de cumes de carreira, são fundamentais. Os jovens de hoje, e os jovens diplomados em particular, porque levaram — e muito bem — o seu esforço de competências mais longe, estão seguramente conscientes dessa necessidade. A necessidade de poderem trabalhar hoje em Portugal, amanhã em Espanha e daqui a um ano em qualquer outro sítio do mundo. Mas sem que isso signifique deixar de fora um sentimento de pertença a Portugal, à comunidade portuguesa, à sua família, aos seus amigos e também, naturalmente, à economia portuguesa. É importante reter este elemento que gosto sempre de frisar. Exportar é ótimo, investir no estrangeiro é ótimo, tra-

balhar fora é bom, mas é muito bom que tudo isso tenha reflexo em Portugal enquanto coletividade, na sua sociedade, nas famílias portuguesas e na economia portuguesa. E este movimento pode ser um movimento no bom sentido, circular, em que entramos e saímos, não temos de sair para ficar sempre fora. Bem pelo contrário, o regresso a casa é seguramente um aspeto por todos nós valorizado. FE: Nos últimos anos tem-se vindo a acentuar, entre os jovens, a ideia “para quê estudar se o meu destino é o desemprego, ou ser caixa de supermercado?” Continua a valer a pena estudar? JG: Com certeza que sim. Eu acho no mínimo demagógico e, não seguramente no máximo, mas acima disso, irresponsável, um discurso que também conheço, por vezes de pessoas que têm algumas responsabilidades: não vale a pena estudar porque não há emprego. Isso não é verdade, nem sequer é um bom ponto de partida para abordar a questão. Também não entro no lote daqueles que acham que haverá sempre competências a mais para determinados lugares. Podemos dizer: “eu não encontro emprego porque onde procuro dizem-me sempre que tenho competências a mais, qualificações a mais, habilitações a mais. Sou licenciado, mas aquele lugar não é para licenciados”. Eu não estou a negar que haja respostas desta natureza, pelo contrário, eu conheço-as. O fundamento da resposta é que não é verdadeiro. Isto é, uma carreira constrói-se de baixo para cima, uma carreira, ao contrário, destrói-se de cima para baixo. É melhor termos uma carreira ascendente do que uma carreira descendente. O que significa que há um conjunto de competências que só são reconhecidas e valorizadas se forem conhecidas. Se não forem conhecidas, não têm potencial para ser reconhecidas e muito menos valorizadas por quem emprega e quem contrata. Independentemente de, num determinado momento da nossa vida profissional, ou mesmo antes de ela começar, termos a expectativa de chegar a um

“ […] para um trabalhador desempregado, quanto mais qualificações tiver, mais rápido é o seu regresso ao mercado de trabalho.” determinado lugar, esse lugar pode não ser oferecido à partida. E se me permite, é uma sugestão que eu deixo aos vossos leitores. Vamos começar antes na expectativa de que podemos lá chegar. Temos inúmeros exemplos, obviamente, desta capacidade de superação de desafios, de uma carreira profissional ascendente do ponto de vista daquilo que significam os seus elementos fundamentais. Também não corresponde à realidade aquilo que hoje porventura se vai dizendo em alguns sítios, de que não vale a pena investir nas qualificações porque é um caminho para o desemprego. Todos os dados, isto não é uma avaliação subjetiva, mostram-nos duas coisas. Por um lado, quanto mais altas são as qualificações, maior é a capacidade de se ter um emprego e maior é a rapidez no acesso ao emprego. Por outro, também é verdade que, para um trabalhador desempregado, quanto mais qualificações tiver, mais rápido é o seu regresso ao mercado de trabalho. São coisas diferentes mas complementares, sendo que há ainda um elemento importante: eu posso ter altas qualificações e competências hoje, daqui a dois anos ainda as tenho, mas podem ser, nessa altura, qualificações e competências para áreas que já não são procuradas pelo mercado de traba-


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lho. E daí a necessidade de reforço de qualificações, nem sempre numa linha reta e num percurso unívoco, do ponto de vista daquilo que significa a aquisição de competências. Hoje, temos um desafio, e aqui no IEFP enfrentamo-lo diariamente: a reconversão profissional. Temos cidadãos, e não apenas portugueses, mas que estão em Portugal, desempregados, com boas qualificações, detentores de boas competências. No entanto, há aqui um desfasamento entre aquilo que as empresas procuram e as competências que

“O empreendedorismo pode ser visto, entre outras, sobre duas perspetivas: a criação do próprio emprego, que é fundamental, mas, ainda mais importante, o facto de se ter uma atitude empreendedora, independentemente de se colocar essa atitude no contexto da criação do próprio emprego ou no contexto de uma organização.” estes nossos cidadãos desempregados podem oferecer. E este desafio da reconversão profissional significa atribuir a estas pessoas competências novas, para que sejam capazes de se ajustar às necessidades do mercado de trabalho. FE: Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente relevância do empreendedorismo. Como é que vê esta realidade e como é que valoriza o tema do empreendedorismo no quadro do emprego jovem? JG: Valorizo bastante, tendo em conta dois aspetos, essencialmente. Não vejo no empreendedorismo a panaceia para todos os problemas do desemprego, longe disso. Mas vejo no empreendedorismo um elemento crucial para começar a fazer caminho no combate ao desemprego. O empreendedorismo pode ser visto, entre outras, sobre duas perspetivas: a criação do próprio emprego, que é fundamental, mas, ainda mais importante, o facto de se ter uma atitude empreendedora, independentemente de se colocar essa atitude no contexto da criação do próprio emprego ou no contexto de uma organização. Isto é absolutamente decisivo. No que toca à criação do próprio emprego, diria mesmo o seguinte: criar o próprio emprego é bom, é uma resposta flexível àquelas que são as exigências diferenciadas todos os dias colocadas pelo mercado de trabalho. Mas pode ser ainda melhor se, depois da criação do próprio emprego, conseguir criar emprego para os outros. É este salto que valorizo essencialmente, no que toca à circunstância do empreendedorismo constituir um elemento fundamental para o combate ao desemprego. Não acredito numa sociedade em que cada um tenha o seu próprio emprego, criado por si. Acredito em atitudes individuais e empreendedoras que possam levar à criação do próprio emprego e, consequentemente e desejavelmente, à criação de emprego para os outros, para a comunidade. Isso também é uma atitude empreendedora. Aliás, a expressão empresário tem a mesma origem etimológica de empreendedor. O que significa que criar emprego, independentemente de ser o seu ou de ser, além do seu, emprego para os outros, é por si só uma atitude empreendedora porque é uma atitude de risco. FE: Para quem está a projetar a sua vida como empreendedor, que características e competências lhe parecem fundamentais para poder ser um empreendedor de sucesso? JG: Eu diria que a primeira grande caraterística, é saber

lidar com o fracasso. Ter uma atitude empreendedora implica naturalmente tentar e falhar, mas implicará também tentar e conseguir, o que significa que saber lidar com o fracasso. É um elemento fundamental perceber que o fracasso propicia um enriquecimento pessoal, permitindo tentar outra vez, não repetindo o mesmo erro na mesma circunstância. Depois, também é essencial ter uma boa atitude perante a vida. Eu valorizo muito esta perspetiva mais pessoal e só depois económica e laboral. Ter uma boa atitude perante a vida, o que significa estar bem consigo e com os outros, permitirá com certeza ter um espírito mais aberto para o risco, para a criação de riqueza e também, depois, ter a capacidade de distribuir riqueza por aqueles que com ele colaboram — o que é também uma dimensão fundamental no que toca ao empreendedorismo. Isto para além daquelas características que nós sabemos que, do ponto de vista pessoal, são essenciais: o gosto pelo risco, não gostar de estar dependente dos outros. Diria que é por aqui que se vai construindo uma atitude empreendedora. FE: Em todo este quadro de emprego jovem, quer nas questões relacionadas com emprego por conta de outrem, quer nas do próprio emprego, coloca-se sempre o papel e a intervenção do Estado. Como é que define, em grande linhas, as políticas públicas de promoção do emprego jovem? JG: Há três ou quatro ideias que são chave para encarar essa questão. Por um lado, perceber que o emprego é um pilar básico do estado social. E, se é um pilar fundamental, naturalmente que as políticas ativas de emprego e de formação profissional são um eixo estruturante da atuação do estado no quadro da vida económica. Concretizando, o IEFP tem desenvolvido, nos dois últimos anos, um grande conjunto de políticas ativas e de formação profissional que têm dado um contributo decisivo para a criação de emprego e emprego de qualidade. Não é o IEFP que cria emprego, são as empresas, mas o IEFP assume como sua missão fundamental apoiar a criação de emprego. O IEFP gere um orçamento financiado por duas grandes linhas de intervenção: o Fundo Social Europeu e a Taxa Social Única, portanto, Segurança Social. O IEFP recolhe este financiamento, gere-o, e a nossa responsabilidade é devolvê-lo à comunidade como uma mais-valia. Não somos um banco: a mais-valia aqui não é o juro, é a criação de emprego. Quando o IEFP apoia um estágio profissional — que tem nos jovens um público bastante atento, no ano passado o IEFP abrangeu 70 mil jovens em estágios profissionais —, quando promove um curso de aprendizagem em áreas com potencial de empregabilidade, está a alocar recursos financeiros a políticas públicas de promoção das qualificações e do emprego. E está a fazê-lo na perspetiva de, no final, ter sido criada a tal mais-valia que é o posto de trabalho. Isto é, para nós, absolutamente básico. Portanto, quem diz de manhã que o estado social é a melhor coisa do mundo e à tarde critica as políticas ativas de emprego, das duas, uma: ou tem razão de manhã ou tem razão à tarde. Não pode ter razão o dia inteiro, sob pena de haver aqui uma incoerência crassa. Isto é fundamental para perceber a intervenção do Estado no que toca às políticas ativas de emprego e de formação profissional. Se queremos uma economia que seja criadora de emprego e de riqueza, temos de perceber que, no final, os beneficiários desse emprego e dessa riqueza são pessoas. São as pessoas e as empresas que financiam o orçamento do IEFP e, portanto, aquilo que o IEFP deve fazer é devolver os recursos que elas colocaram no IEFP. No que toca ao em-


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“O emprego é um pilar básico do Estado Social.”

preendedorismo jovem em particular, foi lançada recentemente uma nova medida — o INVESTJOVEM — que procura colaborar com os jovens em projetos empreendedores, criadores de emprego e de riqueza. Tem, entre outros pressupostos, o de que o mérito e a sustentabilidade do projeto apresentado seja avaliado por escolas e professores de gestão distanciados, quer dos candidatos, quer da estrutu-

“Se queremos uma economia que seja criadora de emprego e de riqueza, temos de perceber que, no final, os beneficiários desse emprego e dessa riqueza são pessoas. São as pessoas e as empresas que financiam o orçamento do IEFP e, portanto, aquilo que o IEFP deve fazer é devolver os recursos que elas colocaram no IEFP.” ra da administração pública, em particular do próprio IEFP. Isto para que se consiga perceber melhor o potencial do projeto, a sua sustentabilidade e o seu mérito intrínseco. Quando isso acontece, o IEFP apoia e fá-lo com todo o gosto, porque não estamos cá para fazer outra coisa que não isto mesmo – ajudar à criação de emprego. FE: Em síntese, e pensando no público-alvo que o possa ouvir ou ler — jovens do ensino superior ainda em fase de formação — que mensagem essencial lhes quer deixar? JG: Em primeiro lugar digo, em jeito de brincadeira: não sou assim tão velho para dar conselhos a pessoas que são

mais jovens do que eu e que saberão seguramente pensar em si melhor do que eu possa fazer por eles. Para mim, este pressuposto também básico — não há ninguém melhor do que nós para saber aquilo que queremos e devemos fazer. Mas, de todo o modo, seguindo o seu repto, relembro que a escolha de uma carreira académica é obviamente uma opção individual. Independentemente de todas as outras variáveis, a opção individual é aquela que tem de ser seguida e é aquela que tem de ser respeitada por todos. Mas essa liberdade individual está associada também a uma responsabilização pessoal pelo seu exercício. O que significa que temos de saber aquilo com que contamos e de perceber aquilo que nos pode esperar. Ao assumirmos determinadas opções no percurso académico, devemos estar conscientes da realidade que o mercado de trabalho reserva ou coloca, necessariamente diferente de área para área. Portanto, conhecer o mercado de trabalho antes da opção é absolutamente decisivo para que a possamos tomar uma decisão conscientemente. Se, independentemente dos cenários menos positivos que possam surgir em determinadas áreas, nós as quisermos seguir, muito bem: é a liberdade individual. Mas deve ser uma liberdade individual informada e consciente. Este ponto para mim é absolutamente decisivo. Segundo, e para terminar, vou retomar um pouco aquela ideia que deixei no início. Mesmo nas áreas sociais, há competências que continuarão a ser absolutamente necessárias às sociedades e às economias, em todas as áreas. Temos é que as encarar de uma forma diferente e integrada nas diferentes empresas e organizações com as quais colaboraremos ou que iremos criar no futuro. Acredito que, no quadro da liberdade individual e da responsabilidade pessoal, cada um saberá seguir o seu rumo e encontrar o melhor lugar profissional para si e para a sua família. ■


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Entrevista com Joana Mira Godinho (Diretora da Agência Nacional Erasmus+) e Catarina Oliveira (Coordenadora do Centro Nacional Europass)

“O programa Erasmus e os documentos Europass abrem mais oportunidades de emprego” Joana Mira Godinho

Recentemente nomeada Diretora da Agência Nacional Erasmus+, Joana Mira Godinho realça os estudos indicadores de que a participação no programa Erasmus, ao nível do ensino superior, aumenta a empregabilidade. Ainda relativamente ao emprego, a Diretora destaca o programa Europass como, mais do que um mero documento de apresentação, uma ferramenta de aprendizagem, autoconhecimento e de estímulo à capacidade empreendedora. A mesma opinião é partilhada pela Coordenadora do Centro Nacional Europass, Catarina Oliveira: “o CV Europass é mais do que um resumo do percurso académico”.


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FORUM ESTUDANTE: Como surge e qual a missão da Agência Nacional Erasmus+? Joana Mira Godinho: Trata-se de um programa para financiar a educação e a formação dentro e fora do espaço europeu. Visa também contribuir para a criação e construção da União Europeia e, portanto, aposta muito na mobilidade de

“[Na Agência Erasmus+] tentamos contribuir para melhorar a educação em Portugal e noutros países europeus, bem como para a construção de uma Europa tolerante e com respeito pelos direitos humanos”. Joana Mira Godinho

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FE: Que oportunidades e competências é que um estudante pode desenvolver ao integrar um programa de mobilidade? JMG: Temos alguns inquéritos que nos indicam que os estudantes valorizam várias coisas. Desde logo, o facto de adquirirem mais conhecimentos e competências, incluindo as multiculturais ou interculturais. Há ainda a dimensão do emprego. Há alguma evidência que quem participa no programa Erasmus, ao nível do ensino superior, tem mais facilidade em obter um emprego. Essa é uma motivação importante e, especificamente, um impacto importante do programa Erasmus. O mercado de trabalho, cada vez mais, olha para competências transversais – as chamadas soft-skills – e o programa Erasmus oferece isso mesmo: dá o conhecimento de línguas estrangeiras, de culturas, maior tolerância em relação a diferentes comportamentos e hábitos… No mercado global, estas são competências muito importantes. FE: Que balanço faz do projeto Europass? JMG: O balanço que faço é o que a Comissão Europeia faz. Parece ser bastante bem-sucedido. No quadro europeu, o Europass em Portugal, em comparação com outros países, parece mesmo ser um dos mais bem-sucedidos. Isto em termos de permitir que os jovens utilizem os documentos europeus, incluindo o famoso Curriculum Vitae Europass – um documento que lhes permite candidatar a um emprego em qualquer país europeu. Portugal foi mesmo o país onde se conseguiram maiores números em termos da sua utilização. A Doutora Catarina Oliveira é coordenadora do projeto e poderá explicar tudo sobre o Europass. Catarina Oliveira: No Centro Nacional Europass, o balanço que fazemos é muito positivo. Não só a nível europeu mas, essencialmente, a nível nacional. É conhecido que, a nível do documento Curriculum Vitae Europass, Portugal está em primeiro lugar no ranking europeu desde 2008, ou seja, são os

estudantes e profissionais, visando estabelecer uma comunidade europeia. Julgo que, desse ponto de vista, tem sido muito bem-sucedido. Ao procurar fazê-lo através da educação e da formação, apoia muito todos os níveis do sistema educativo e a formação profissional, quer em Portugal, quer nos outros países. FE: O Programa Erasmus+ engloba agora todos os programas de mobilidade. Quais os diversos eixos deste programa? JMG: O Erasmus sucede ao programa anterior – o programa de Aprendizagem ao Longo da Vida – e engloba vários programas. Neste momento, tem dois eixos que, em Portugal, são representados por agências diferentes. Uma linha de ação diz respeito à educação e formação e a outra à juventude e desporto. FE: Quais os objetivos delineados por parte da Agência Nacional Erasmus+? JMG: O programa Erasmus+ tem três linhas de ação: mobilidade, cooperação e definição de políticas. As duas primeiras são geridas a um nível nacional. Quanto às políticas, são geridas atualmente pela Comissão Europeia, em Bruxelas, com a participação dos vários países da União. O nosso objetivo mais pragmático, mais operacional, é cumprir a nossa função enquanto fundo de financiamento de mobilidade e de parcerias. Depois, tentamos contribuir para melhorar a educação em Portugal e noutros países europeus, bem como para a construção de uma Europa tolerante e com respeito pelos direitos humanos.

“A nível do documento Curriculum Vitae Europass, Portugal está em primeiro lugar no ranking europeu desde 2008, ou seja, são os portugueses os que mais utilizam este documento” Catarina Oliveira


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portugueses os que mais utilizam este documento. Isto mostra a importância que o CV Europass tem para os cidadãos quando vão para o mercado de trabalho, quer a nível nacional, quer na procura de uma oportunidade de emprego na Europa. É um documento facilitador para um empregador, que ao fazer a leitura das candidaturas, pode comparar os vários currículos de uma forma equitativa. De resto, os outros documentos do Europass também são importantes, ainda que não sejam tão visíveis. Assim, o objetivo dos documentos é reconhecer os conhecimentos e competências que um individuo adquire ao longo da vida. Portanto, a importância é sempre facilitar a entrada no mercado de trabalho. FE: E quais os objetivos do Centro Nacional Europass? CO: Pretendemos continuar a fazer o trabalho que temos feito. Apostar na disseminação de informação sobre os documentos e aumentar o número de utilizadores. Isto porque o Europass é um conjunto de documentos e não apenas o CV. Está também previsto, no 2º semestre deste ano, fazermos um seminário, gratuito, focado nos jovens recém licenciados e desempregados. Este seminário consiste numa abordagem ao mercado de trabalho, passando pela construção de um CV Europass, apresentação de técnicas de entrevista e a importância das soft-skills para o empregador. Paralelamente, ao nível internacional, fomos convidados para participar num projeto com Moçambique, iniciando uma aposta neste mercado. Não só para que os moçambicanos comecem também a utilizar os documentos Europass, mas também para que os empregadores comecem a perceber a importância destes documentos. FE: Quais são os elementos do Kit Europass? CO: O Kit Europass foi produzido, precisamente, tendo por base a importância do CV para o mercado de trabalho. Sabemos que os empregadores, quando estão a fazer a leitura dos CV’s, muitas vezes denotam que o perfil apresentado

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“[…] este contacto com outros sistemas, outras formas de organização, também leva à criatividade, a ter ideias e, assim, ao empreendedorismo.” – Joana Mira Godinho “Eu costumo dizer ‘como é que se pode fazer um currículo ou uma carta de motivação, se não nos conhecemos a nós próprios?’” Catarina Oliveira não vai ao encontro do que procuram num candidato. Por outro lado, também sabemos as dificuldades que os cidadãos sentem ao desenvolver o seu currículo. Por isso, criámos este Kit composto por um conjunto de módulos, todos eles muito baseados nas competências transversais. É a partir destes pontos que o empregador, normalmente, se baseia para selecionar o candidato. Por exemplo, entre dois licenciados que terminem contabilidade fiscal com média de 13 e de 14, o factor decisivo, possivelmente, poderá ser o que os candidatos sabem fazer, as competências que adquiriram ao longo da vida. Quisemos evidenciar a importância de desenvolver estas competências e de as colocar no seu próprio CV, não esquecendo de explicar de que forma é que as adquiriram. FE: As outras ferramentas do CV ajudam, portanto, a mostrar as valências específicas de um candidato… CO: As soft skills são hoje em dia, um fator diferenciador, sem dúvida. Paralelamente, por exemplo, desenvolvemos o CV Junior, mais virado para os jovens do ensino secundário e do ensino profissional, para lhes mostrar, precisamente, a importância de começar a desenvolver o seu currículo de vida. Considerámos pertinente que, durante o secundário,


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os jovens comecem a compreender a importância das competências transversais – soft skills. O CV é mais do que um resumo do percurso académico. E os empregadores procuram de facto essas competências. FE: Como é feita a acessibilidade ao Kit Europass? CO: O Kit está online, é gratuito, e todo o cidadão pode ter acesso através do site Europass. O Kit está desenvolvido em duas vertentes. Tem uma vertente de formação, já que qualquer formador pode utilizar este Kit em sala de aula e, por outro lado, do ponto de vista de autoformação, o cidadão comum, em sua casa, também pode desenvolver estes módulos. Os utilizadores podem utilizar este Kit, desenvolvendo apenas os campos que consideram importantes. Por exemplo, se quero desenvolver apenas as competências de organização, posso realizar só os módulos destinados a este campo. Existem outros módulos como capacidade de liderança, gestão de tempo, gestão de stress, entre outros, para ajudar a desenvolver o CV Europass. FE: Fala-se muito, hoje em dia, na descrição das competências baseada em resultados de aprendizagem, ou seja, de colocar em evidência aquilo que realmente se sabe fazer. Existe essa preocupação na elaboração de uma ferramenta que permita uma comunicação mais transparente com os empregadores? JGM: Não só na ferramenta mas no programa em geral. O programa ajuda os participantes a desenvolverem as famosas competências transversais que cada vez são mais essenciais no mercado de trabalho. O ponto mais importante é a questão do emprego. A participação no programa Erasmus+ e a utilização dos documentos Europass abrem mais oportunidades de emprego. Tanto para os estudantes portugueses como para os profissionais de educação e formação que nele

“Sendo o desemprego jovem muito elevado, cerca de 35%, e tendo nós a evidência de que os estudantes que realizam Erasmus, ao nível de ensino superior, têm menos 23% de desemprego – trata-se de um número realmente impressionante” Joana Mira Godinho

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participam. Abre mais oportunidades de trabalho não só no mercado português, como também a nível europeu e de outras regiões do mundo. Sendo o desemprego jovem muito elevado, cerca de 35%, e tendo nós a evidência de que os estudantes que realizam Erasmus, ao nível de ensino superior, têm menos 23% de desemprego – trata-se de um número realmente impressionante. Mostra que o programa tem um impacto importante na vida das pessoas e dos jovens. FE: Ainda relativamente ao emprego, mas não só na perspetiva de trabalhar por conta de outrém, do ponto de vista da criação do próprio emprego, os documentos Europass e o programa Erasmus podem também ser uma ferramenta importante? JGM: O Europass será sempre uma ferramenta importante. É um instrumento que permite a normalização da informação e, nesse sentido, será sempre importante. Do ponto de vista do empreendedorismo, será também relevante a participação no programa Erasmus+ em geral. Isto porque o contacto com outra cultura, o sair do país, pede à partida algum empreendedorismo por parte de quem o realiza. Esta ação de sair, de se tornar autossuficiente, envolve muitas vezes para estudantes do ensino superior, e certamente do secundário, sair de casa dos pais. Ir viver com outra família ou ir viver sozinhos, no caso dos jovens adultos. Tudo isso são competências importantes para o empreendedorismo, tal como o contacto com outras culturas. É muito importante este contacto com outros sistemas, outras formas de organização, também porque leva à criatividade, a ter ideias e, assim, ao empreendedorismo. Penso que dá um contributo importante. FE: Focando ainda a questão do empreendedorismo, o Europass pode ser uma ferramenta importante, ao permitir um certo autoconhecimento? JGM: Concordo em absoluto. Por exemplo, a doutora Catarina é muito ativa em disseminação dos instrumentos do Europass. Quando ela o faz, também está a fazer formação das pessoas precisamente nesse sentido – para poderem estar habilitadas a entrar no mercado de trabalho e nos processos de recrutamento., etc. Portanto, não é só fazer o documento, a processo de elaboração do documento é também uma forma de aprendizagem. CO: Precisamente. Aliás, nessas sessões de divulgação, lanço normalmente um desafio aos participantes: fazerem a sua própria análise SWOT [forças, fraquezas, oportunidades e ameaças]. Isto leva-os a um melhor autoconhecimento. Eu costumo dizer “como é que se pode fazer um currículo ou uma carta de motivação, se não nos conhecemos a nós próprios?”. FE: A ferramenta do CV Junior tem a preocupação de estimular estas preocupações mais cedo, ao comunicar com um público cuja meta do emprego está um pouco mais distante? JMG: Julgo que tudo o que dissemos também se aplica ao público mais jovem. O documento CV Europass e a sua preparação requerem, por si, uma preparação para o mercado de trabalho e, nesse sentido, quanto mais cedo ela for realizada melhor. Os jovens, ao estarem mais abertos a esta informação, começam a aperceber-se do que é importante. Muitas vezes, os jovens, quando estão envolvidos na educação e formação, não têm uma ideia muito clara do objetivo final – de onde vão chegar. Este tipo de atividade dá-lhes a noção do que é esperado deles. De aquilo em que se devem concentrar para serem bem-sucedidos no mercado de trabalho. ■


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Áreas de amanhã? Sabes quais são as áreas e os tipos de trabalho que terão maior desenvolvimento e mais necessidade de pessoas? Com base no estudo prospetivo “Novos mercados de trabalho e novas profissões” desenvolvido por Ana Cláudia Valente no âmbito do Consórcio Maior Empregabilidade, damos-te a conhecer as áreas que têm mais futuro! O mercado de trabalho está em constante mudança, sendo expectável que durante a próxima década sejam criadas oportunidades para o surgimento de novas profissões. O referido estudo reproduz para a realidade portuguesa um modelo de análise de novas profissões, à semelhança de outros estudos internacionais. São tidos em conta fatores como a globalização, o envelhecimento da população as evoluções tecnológicas e outros que requerem o surgimento de profissões, com maior ou menor grau de formalização. Segundo o estudo referência “Novos mercados de trabalho e novas profissões”, o futuro do trabalho está localizado essencialmente em 6 grandes setores ou áreas profissionais: • Empregos digitais; • Serviços diversos de apoio a empresas; • White jobs; • Green jobs; • STEM; • Novas formas de turismo e de economia da experiência. O turismo representa cerca de 10% do PIB da economia europeia e as estimativas de emprego no Turismo em Portugal apontam, no horizonte de 2025, para um crescimento de quase 20%. Viremos a ser um país de turismo. Mas por quanto tempo? Sabemos como o turismo é uma área com sazonalidade e grandes oscilações sujeitas a “modas” e manias que vão e vêm. Para colmatar essas nuances, os especialistas apontam um caminho: qualidade. Para o turismo

perdurar e crescer tem de ser um turismo de qualidade. Nos últimos anos, cresceu o número de escolas de turismo e de cursos nesta área. Qualidade do serviço, oferta diversificada de produtos turísticos, respostas adaptadas a turistas mais informados e sofisticados e uma utilização mais intensiva das TIC são algumas das oportunidades neste setor.

Que tipo de Turismo terá Futuro? Tipos de turismo que estão a crescer: • Natureza e sustentabilidade; • Náutico; • Saúde; • Cultural e religioso; • Gastronomia e vinhos; • Eventos e negócios. Novos segmentos de turismo: • Turismo eco sustentável; • Turismo social e volunturismo: • Turismo acessível; • Turismo sénior.

Green jobs Os chamados “empregos verdes” entendidos neste contexto, não se referem apenas à eco-indústria, nomeadamente aos setores dos bens e serviços ambientais ou a setores particulares


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White Jobs O que são White Jobs? São empregos e serviços nas áreas da saúde (em que as pessoas muitas vezes se vestem de branco) e da cada vez mais multifacetada área do apoio e serviço social. Até 2025, estima-se que, na Europa, irão ser criados 1,8 milhões de novos “White Jobs”. As necessidades de cuidados de saúde e de serviços sociais serão acrescidas, num contexto europeu de: • Envelhecimento progressivo; • Agravamento da pobreza; • Maior vulnerabilidade e risco de exclusão social de certos segmentos da população; • Alterações profundas na própria estrutura das famílias. Deverão surgir novas e mais complexas respostas a necessidades sociais: • Outras formas de criação de oportunidades de negócio no setor ou em serviços relacionados - saúde e serviços sociais integrados, turismo de saúde e bem-estar, turismo sénior, … • Novas soluções, sobretudo nas vertentes do apoio a crianças, do “long-term care”, do “home care” e dos serviços de proximidade baseados na comunidade; • Solidariedade, proximidade, personalização e empatia; • Estímulo ao empreendedorismo social de jovens diplomados nestas áreas.

Economia digital

como as energias renováveis e a eficiência energética. Introduzem transformações profundas em vários setores de atividade e podem gerar um enorme potencial de criação de emprego em novos serviços e atividades – auditoria e certificação energética, instalação e manutenção de tecnologia, segurança energética, agricultura e floresta sustentável, eco-turismo, monitorização ambiental, conservação da natureza, planeamento de infraestruturas verdes, entre outros. A amplitude dos empregos verdes e das competências verdes: • Capacidades de I&D em tecnologias verdes mais atrativas do ponto de vista comercial; • Smart Grids e a exigência da expertise tecnológica combinando TIC e tecnologias energéticas; • Trabalho interdisciplinar entre tecnólogos, especialistas em mercados e especialistas em ciências sociais e comportamentais… • Novos serviços e novas profissões em áreas como a auditoria e a certificação energética, a instalação e manutenção de tecnologia, segurança energética; • Conservar e gerir o ambiente natural e a biodiversidade exigirá novos serviços e trabalhadores mais qualificados - agricultura e floresta sustentável, eco-turismo, monitorização ambiental, conservação da natureza, planeamento de infraestruturas verdes; • Cumprimento de standards e de regulamentação; • Consciência e responsabilidade ambiental.

Nos últimos anos Portugal tem vindo a afirmar-se como um destino atrativo para os investimentos de multinacionais do sector que instalam no país Centros de I&D, Centros de Competências e Contact Centers. Há necessidade de adaptação constante ao avanço vertiginoso da tecnologia, das suas inúmeras aplicações e dos novos serviços e produtos daí decorrentes: por exemplo, soluções móveis e sociais, computação em nuvem e análise de dados abrem novas perspetivas de negócios e de criação de novas profissões, requerendo especialistas em big data e cloud computing. Tem-se verificado uma crescente importância das competências de I&D, design e gestão, arquitetura, análise de negócios e integração de sistemas de informação e comunicação. Pretende-se desenvolver e melhorar organizações e negócios a partir das TIC e da internet: melhorar a eficiência das operações, criar novos modelos de negócio, melhorar a relação com o cliente, expandir mercados… Querem-se empreendedores digitais, que explorem a emergência de novas aplicações digitais para criar negócios e start ups com elevado potencial de crescimento, com capacidades de comunicação, gestão de projetos, resolução de problemas, pensamento criativo, trabalho colaborativo, etc. As novas profissões da economia digital: • Especialistas em big data e cloud computing; • Empreendedores digitais; • Especialistas em análise de negócios e integração de sistemas de informação e comunicação; • Empresários e gestores com competências de “e-business” e “e-leadership”. ■


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Se queres ir longe, vai acompanhado... No mundo de hoje, têm emergido organizações menos hierárquicas que se manifestam em novas formas de trabalhar com outras pessoas: as equipas de projeto, o trabalho auto-gerido, as equipas de gestão autónoma e o coworking são alguns exemplos. Dar-se bem com os outros e saber trabalhar em conjunto são condições importantes para o sucesso dum projeto.


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Trabalhar em equipa envolve saber estar, planear e fazer coisas com outros, de forma confiante e eficaz; contribuindo assertivamente com as próprias ideias – e não de forma passiva ou agressiva. Também envolve assumir as responsabilidades, aceitar e aprender com críticas construtivas e dar feedback positivo às outras pessoas da equipa. As lideranças mais coletivas estão a ganhar terreno. Repara no que tem acontecido, por exemplo, com os Gato Fedorento, Carminho e Pablo Alborán e tantas outras duplas, triplas e quartetos que lideram quando se juntam e combinam fazer coisas. Lideram juntos. E podemos estender isto a causas, petições, movimentos, micro empresas, onde a liderança é exercida por vários elementos de uma equipa: uns lideram de uma maneira e outros de outra. Mas porque é que isto acontece? Antes de mais, parece evidente que o mundo de hoje é complexo demais para lideranças unívocas e monolíticas; e também porque a sociedade contemporânea parece apreciar cada vez mais, mais do que a liderança individual, a relação entre diversas lideranças – que se manifesta em equipas e parcerias - e a partilha descentralizada e voluntária em que cada pessoa dá um contributo efetivo para o todo. Em que haja envolvimento de todos! Mas sabemos que o trabalho em equipa e a liderança que pressupõe tem os seus problemas. Antes de mais convém clarificar o que não é trabalho em equipa. Não é trabalho de equipa aquilo que muitos de nós já terão feito: dividir o trabalho em partes, cada um faz a sua parte e depois junta-se tudo no fim; processo típico em escolas e ambientes académicos. Também não existe trabalho de equipa quando os membros de uma equipa anularem o seu contributo e criatividade em favor de uma suposta consensualidade “morna” que não agrada nem desagrada a ninguém. E quando um trabalho é totalmente pensado e realizado por uma única só cabeça que depois é só completado com meros pormenores dados pelos outros membros da suposta equipa. Então o autêntico trabalho de equipa é mesmo difícil! Será impossível de alcançar? Não, mas há condições necessárias para que possa acontecer. Pelo menos algumas das condições seguintes – idealmente todas – são a base para poder haver verdadeiro trabalho de equipa: • Afinidade de valores e princípios entre os membros • Diversidade de competências e conhecimentos entre as pessoas envolvidas • Concordância e envolvimento com o objetivo geral em vista • Certa discordância criativa em relação ao processo a seguir para atingir esse objetivo • Diversos tipos de lideranças partilhadas • Atmosfera de apoio mútuo e de incentivo • Espaço e ambiente para considerar os contributos de todos • Tempo para escutar e esperar uns pelos outros - em coisas “para ontem” mais vale um trabalho individual “Se queres ir rápido, vai sozinho. Se queres ir longe, vai acompanhado.” Isto parece quase impossível! Mais vale desistir de fazer trabalho em equipa? De facto, há situações em que mais vale não trabalhar em equipa. Nesses casos, formar pseudo equipas sem condições só para fingir que se trabalha em equipa é pouco interessante. Pode dispensar-se o trabalho em equipa em muitas destas situações: projetos simples, em operações mais ou menos rotineiras, quando não é preciso considerar várias especialidades, quando o objetivo a atingir é muito claro e o

processo para o atingir é mais ou menos unívoco e não vale a pena inventar, quando não há tempo e quando não são esperados grandes problemas e complexidades para resolver. E quando é que vale a pena investir em trabalho de equipa, criando as condições base e escolhendo as pessoas certas? Em projetos complexos que exigem conhecimentos e competências múltiplas, de diversas especialidades; quando há espaço para a criatividade; quando se consegue reunir uma equipa que inclui pessoas que se complementam e entendem entre si – com maturidade para saberem estar e trabalhar umas com as outras - e que sejam previsivelmente eficazes a trabalhar juntas; quando o resultado do trabalho em equipa for tendencialmente melhor do que a soma dos contributos individuais de cada membro. Que competências diversas devem ter os membros de uma equipa, para que funcione? Num trabalho em equipa há diversos papéis-tipo que podem ser tratados por um ou mais membros. Vamos a eles?

Os diversos papéis numa reunião de equipa Numa reunião de equipa – momento por excelência da construção e desenvolvimento de uma equipa - há diversos papéis que podem ser assumidos pelos diferentes membros do grupo. Alguns desses papéis estão listados a seguir. Estes papéis não são sempre constantes – a mesma pessoa pode assumir diversos papéis durante a mesma reunião ou mudar de papel de acordo com o que estiver a ser discutido. ENCORAJADOR Dá energia ao grupo quando a motivação está em baixo, através do humor e do entusiasmo. Quem desempenha este papel são normalmente pessoas positivas que apoiam e elogiam os outros membros do grupo. São pessoas que não gostam de estar paradas. Gostam de avançar com as coisas, sugerindo ideias, clarificando as ideias dos outros e confrontando os problemas que surjam. Podem usar o humor para quebrar tensões no grupo. Podem dizer: «Nós conseguimos fazer isto!». «É uma bela ideia!». MEDIADOR Tenta manter a harmonia entre os membros da equipa. São pessoas sociáveis e genuinamente interessadas nos outros. Apresentam as pessoas umas às outras e tudo fazem para as fazer ficar confortáveis. Podem até ser capazes de mudar as suas opiniões para conseguir uma decisão do grupo. Trabalham bem com pessoas diferentes e conseguem promover uma atmosfera positiva. Juntam as pessoas com as tarefas e geram harmonia. São pessoas tolerantes que sabem escutar ativamente as perspetivas dos outros membros da equipa. São bons juízes, diplomáticos e sensíveis aos sentimentos dos outros. Não são vistos como uma ameaça. São capazes de reconhecer as diferentes opiniões e gerir conflitos. Conseguem fazer com que pessoas “difíceis” deem um contributo positivo. Podem dizer: “Ainda não ouvimos o Miguel: Gostava de ouvir o que tens a dizer sobre isto?”. “Não tenho a certeza se concordo. Quais são as tuas razões para dizer o que dizes?”. LÍDER Os bons líderes orientam os passos que o grupo dá e mantém o grupo no caminho certo. São bons a controlar as pessoas e os eventos bem como a coordenar recursos. Têm a energia, determinação e iniciativa para superar os obstácu-


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los e trazer para a equipa um espírito competitivo. Afinam o esforço da equipa. Reconhecem as competências das pessoas e como podem ser usados. Os líderes são pessoas extrovertidas que têm de ter cuidado para não se tornarem dominadores. Podem por vezes pressionar a equipa a conseguir resultados rapidamente. Podem tornar-se impacientes com a falta de progressão das coisas e reagir bruscamente. Podem dizer: “Voltaremos a isto mais tarde se tivermos tempo.” . “Precisamos de avançar para o próximo ponto.”. “André, o que pensas desta ideia?” CLARIFICADOR Pessoas calmas e reflexivas que resumem o que está a ser dito pelo grupo. Clarificam os objetivos da equipa e elaboram as ideias dos outros. Podem ir até ao detalhe sobre a forma como os planos do grupo seriam desenvolvidos, atando as pontas soltas. São também bons mediadores que procuram consenso. Podem dizer: “Então o que decidimos até agora foi que…”. “Penso que está certo, mas podemos ainda acrescentar…” CRIATIVO O criativo sugere novas ideias para resolver os problemas do grupo ou novas formas de organizar tarefas. Não gostam da prática comum e não estão muito preocupados com questões logísticas. Dão sugestões e fazem propostas que são muitas vezes originais e radicais. São capazes de pensamento lateral e divergente. Estão mais preocupados com o quadro geral do que com os pormenores. Podem ficar aborrecidos passado o entusiasmo inicial. Podem dizer: “Porque não consideramos fazê-lo desta maneira?” AVALIADOR O avaliador ajuda o grupo a evitar chegar a um acordo demasiado depressa. São pessoas que tendem a ser lentas na tomada de decisões pela necessidade que têm de pensar sobre as coisas. São as pessoas lógicas, analíticas e objetivas de uma equipa, que oferecem análises críticas mensuráveis e desapaixonadas. Estas pessoas dão um contributo muito importante nos momentos de fazer decisões cruciais porque são capazes de avaliar propostas alternativas. Podem sugerir ideias novas. Podem dizer: “Que outras possibilidades existem?” ou “Vamos tentar ver isto noutra perspetiva.” ou “Não tenho a certeza se estamos no caminho certo.” ANOTADOR O anotador é normalmente aquela pessoa que se oferece para tirar notas das ideias e decisões ou fazer a ata da reunião. Ajuda a manter o grupo focado e organizado e certifica-se de que todos estão a dar um contributo. Também gostam de controlar o tempo, alocando tempo para os diversos assuntos e tarefas. Pode também tornar-se no porta-voz natural do grupo. São eles que verificam que todos os membros concordam e aceitam os planos e ações a tomar, se sabem quais são os seus papéis e responsabilidades. São a memória do grupo. Podem dizer: “Só temos cinco minutos, por isso precisamos de chegar agora a um acordo!”. “Todos percebem bem este gráfico?”. “Estamos todos de acordo com isto?” Além de papéis diferentes há a considerar que uma equipa pode ser composta por pessoas muito diferentes, em ter-

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mos culturais e não só. Em termos gerais – porque depois na vida cada equipa é uma equipa! - As vantagens de equipas com pessoas muito diferentes são mais: • Criatividade • Ousadia • Qualidade final • Assertividade Também haverá dificuldades quando a equipa é muito diversa: • Necessidade de gerir conflitos • Choque/Problemas culturais • Necessidade de multiplicar formas de comunicar o que se quer fazer para que todos entendam. UMA EQUIPA É EFICAZ QUANDO: • Estão os objetivos claros e acordados entre todos. Todos compreenderam bem e se comprometeram com esses objetivos. • Todos compreenderam as tarefas que vão fazer e se ajudam uns aos outros. • Tem um coordenador que pode adotar um estilo de liderança de autocrático a democrático, dependendo das circunstâncias. • Há um equilíbrio entre a tarefa (o que precisamos de fazer?) e o processo (como é que lá chegamos?). • Há uma atmosfera informal de apoio, em que os membros da equipa sentem que podem arriscar e dizer o que pensam. • O grupo está à vontade para não concordar e consegue facilmente superar diferenças de opinião. • Há muita discussão em que todos participam. Os membros do grupo ouvem-se uns aos outros e são escutadas as ideias de todos. • Os membros sentem-se livres para criticar e dizer o que pensam, mas isso é feito de uma forma positiva e construtiva. • O grupo aprende com a experiência: revendo e melhorando os desempenhos à luz dos sucessos e dos fracassos. …E O QUE TORNA UMA EQUIPA INEFICAZ: • As pessoas falam mais do que ouvem e só algumas pessoas dão um contributo efetivo. • Alguns membros ficam em silêncio e não contribuem. Podem estar indiferentes, chateados ou com medo de contribuir. • As ideias dos membros são ignoradas ou mesmo ridicularizadas, e as suas opiniões são ignoradas. • Há discussões entre membros do grupo – em vez de opiniões diferentes e construtivas. • Um ou dois membros dominam os outros e tomam todas as decisões. • Os desentendimentos são votados sem serem discutidos. • Alguns dos membros não ficam contentes com as decisões e queixam-se depois das reuniões. • Ninguém se preocupa muito em focar-se nas tarefas essenciais e em cumprir prazos. • Há falta de clareza em relação aos objetivos traçados. • Os papéis não são delegados a membros específicos da equipa. • Há falta de confiança e de apoio mútuo. • Os membros não se sentem à vontade para falar do trabalho do grupo e dos problemas encontrados. ■


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Empreendedores Descobre alguns casos de empreendedores de sucesso e aprende com eles. Fica a conhecer as suas ideias de negócio e como as levaram avante. Francisco Ferreira, Empresário Restauração, 23 anos

Budapeste é onde as ideias ganham forma Em 2010, Francisco Ferreira terminava o curso de Técnico de Restaurante Mesa/Bar com um desejo – “colocar em prática tudo o que tinha aprendido”. Durante os estágios que realizou no âmbito do curso, Francisco teve sempre a sensação de que seria capaz de abrir o seu próprio negócio. “Sentia que um dia poderia ser eu a criar o meu método de trabalho”. Francisco seguiu esse sentimento. Nascia assim o restaurante Budapeste, em Ponte de Lima, numa sociedade com o seu irmão. Embora se considere uma pessoa empreendedora, Francisco confessa que a sua juventude à época pesou um pouco na pressão: “quando começámos o projeto pesava muito a

responsabilidade que ia ter pela frente”. “Para além de ter sido um grande investimento, na altura, as ferramentas de apoio aos jovens empreendedores eram muito limitadas”, conta. A grande motivação nasceu, revela o proprietário do Budapeste, da vontade de “fazer chegar ao público todas as ideias” que tinha. Hoje em dia, com 23 anos, fazendo uma retrospetiva da opção tomada, Francisco Ferreira não tem dúvidas. Cada elogio oferecido por um cliente faz com que sinta “que valeu a pena”. Um sentimento importante, também pelo facto de, hoje em dia, “o sacrifício ser enorme para se ter um estabelecimento ligado à restauração”. “Mas com muito esforço e dedicação, tudo se consegue”, conclui.


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Liliana Ferreira Silva, CoopCASA

Uma casa aberta para as artes

Corria o ano de 2012 quando Liliana Ferreira Silva teve, em conjunto com alguns amigos formados em Animação Cultural e Design, a ideia de criar um espaço dedicado às artes, nas Caldas da Rainha. “A partir de uma análise do tecido cultural de Caldas da Rainha”, explica a hoje presidente da CoopCASA – Cooperativa para a Acção Social e Artística, “surgiu a vontade de se criar um espaço onde pudéssemos reunir e trabalhar em conjunto, informalmente, sem restrição de horários e num espaço que todos pudessem sentir que também era seu”. A cooperativa seria constituída em janeiro de 2014, porém, esta informalidade e dinamismo, explica a presidente, estão presentes desde a ideia inicial do projeto. Como exemplo, recorda a “viagem inspiradora” que o grupo de fundadores fez a Coimbra, ainda em 2013, para conhecer as Repúblicas de estudantes da cidade. “No dia seguinte, de volta às Caldas da Rainha, ainda trouxemos connosco alguns membros de uma das Repúblicas para desenvolverem um trabalho de serigrafia”, conta. A viagem a Coimbra é justificada por aquele que é um dos principais objetivos da CoopCASA: “oferecer um ambiente criativo, inspirado nos ideais de casas comunitárias e Repúblicas de estudantes”. Para além desta meta, a presidente explica que a cooperativa pretende “garantir uma progra-

mação cultural regular”, envolvendo a população da região e aproximando-a do ensino artístico local. De resto, o projeto assenta, segundo a CoopCASA, no potencial criativo de Caldas da Rainha, uma cidade que “reúne forte capital intelectual criativo, devido à sua história intimamente ligada às artes e a existência de múltiplas valências de formação artística”. Partindo desta base, a cooperativa propõe-se a “fazer uso das artes enquanto meio para a reflexão e a intervenção social”. Nesse sentido, a CoopCASA encontra-se a desenvolver três projetos de ligação à comunidade. Para além da iniciativa “Cidadania e Responsabilidade”, destinada ao público do ensino secundário da região, a cooperativa tem ainda dois projetos – o “Marca Praça de Fruta” e o “Da Praça a CASA” – que visam aumentar a visibilidade e atratividade da Praça da Fruta das Caldas da Rainha, um local que Liliana Ferreira Silva considera um “marco histórico e identitário da cidade”. Os dois projetos foram inscritos no orçamento participativo das Caldas da Rainha, sendo que o “Da Praça a CASA” foi mesmo distinguido como prémio Economia Social Jovem da Cooperativa António Sérgio para Economia Social (CASES). Por outro lado, elucidando o bom feedback local, a presidente da cooperativa salienta “a média de participação de 400 pessoas” em vários eventos. Para Liliana Ferreira Silva, estas distinções e reconhecimento local foram muito importantes para que pudessem “apostar mais na cooperativa e dedicar-lhe mais tempo”, pois de outra forma “não teria sido possível iniciar a renumeração dos nossos trabalhadores da cooperativa e apostar na sua formação”. Em retrospetiva, analisando o caminho trilhado até aqui, Liliana Ferreira da Silva não tem dúvidas: “senti desde sempre que havia e há um grande potencial na cooperativa”. E de onde nasceu e nasce a motivação para continuar? “De certa forma, a grande inspiração veio da experiência associativa e da formação em gestão de projetos culturais: com a primeira aprendi a força do trabalho de grupo e, com a segunda, como implementar as ideias que daí nascem”, conclui. ■


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João Figueiredo, 29 anos, CEO da MINTY

Dar a mão à mão que cria

Em 2012, João Figueiredo foi pela primeira vez ao Portugal Fashion, no Porto. Ainda que formado em tecnologia de informação e comunicação, o gosto pela moda sempre tinha estado presente. A seu lado, estava Ana Cravo, visitante regular deste evento. Durante o desfile, João perguntou a Ana: “onde é que estes produtos estão à venda?”. “É uma pergunta óbvia mas pôs-me o bichinho na cabeça”, conta João Figueiredo. No final do evento, João e Ana fizeram a mesma pergunta a dois estilistas: “disseram-me que vendiam através da sua própria rede de contactos e do seu atelier”. Foi aí que percebeu que “existia a necessidade de um espaço de referência para novos criadores”. Esse é, precisamente, o tema da tese de mestrado de Ana Cravo – a projeção de novos criadores – que prevê a existência de um espaço físico de promoção. Já em 2013, João e Ana fizeram outra pergunta, desta vez a eles próprios. Estando ligados, respetivamente, às tecnologias da informação e ao design, “porque não unir estes dois mundos?”. Nascia assim a ideia que originaria, em 2014, a Minty – uma plataforma online que procura, esclarece João Figueiredo, “promover e globalizar o trabalho dos criadores”. Até à sua concretização, a ideia “ficou a amadurecer”, enquanto João e Ana procuravam saber como estava este mercado. “Percebemos que havia lacunas contornáveis a nível da profissionalização dos criadores”, revela. Assim, a Minty garante aos seus clientes a promoção e a exposição do produto, o tratamento de imagem e a gestão de conteúdos. Por essa razão, para João Figueiredo, “não é só um site de vendas”. O fundador salienta mesmo o impacto

social que este serviço pode significar. “Estamos a falar de jovens que investiram num curso, num atelier, numa coleção”, relembra, acrescentando: “grande parte dos criadores fica por aí, por não ter como alavancar uma segunda coleção, por exemplo”. Por outro lado, o serviço da Minty, relembra o seu CEO, significa também que o criador poderá “concentrar-se mais no seu produto e na sua veia artística”. Tudo isto, leva João Figueiredo a concluir que “até podemos ter um grande talento em Portugal”, mas se não tiver uma presença assídua no meio, considera, “será provável que não seja lembrado ou reconhecido”.

Esforço e satisfação Um ano depois da fundação da marca, João e Ana descobriram algum potencial no mercado internacional. “Recebemos registos de criadores estrangeiros, sem que tivéssemos divulgado o nosso serviço nesses países”, conta o CEO. Esse facto justifica uma aposta na internacionalização. A curto-prazo, a Minty vai entrar no mercado britânico ou espanhol, os dois países de onde chegaram mais inscrições. Em março deste ano, João e Ana voltaram ao Portugal Fashion. A experiência foi diferente da de 2012. “Uma das melhores modelos portuguesas deu-nos os parabéns, dizendo que no tempo dela não havia um serviço destes”, revela João Figueiredo. “As pessoas que conhecem o mundo da moda dão-nos os parabéns: isso é gratificante e dá alento para continuar”, conclui. ■


Estuda o que gostas e n達o gostas e ser叩s gostas,e aquilo que gostas Descobre-te. esTUDa

D.A.M.A. Gest達o, Direito, gest達o industrial


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Gonçalo Cabrita, CEO da Cool Farm, 30 anos

De uma varanda para o mundo O empreendedorismo surgiu subitamente na vida de Gonçalo Cabrita. Em 2014, dedicava-se unicamente ao seu trabalho de investigação, no âmbito de uma bolsa de doutoramento na área das tecnologias. Tudo mudaria quando o seu amigo de infância procurou fazer uma pequena plantação na varanda de casa, na tentativa de seguir uma alimentação mais saudável. “Descobrimos que tudo o que ele plantava, morria”, conta Gonçalo Cabrita. “Nessa altura, começámos a pensar numa solução”. A solução conjunta surgiria na forma de um protótipo – um vaso inteligente que, através de um software específico, controlava uma pequena produção caseira. Criado em conjunto com outros dois sócios fundadores, o projeto seria distinguido no Lisbon Challenge – um programa de aceleração de startups – em maio de 2014. Gonçalo Cabrita destaca este passo no percurso até à formação da empresa. “Para alguém como eu, até aí com pouco know-how empresarial, foi um programa muito importante para ensinar a transformar uma ideia num negócio sustentável”, sublinha. De resto, depois desta experiência, os quatro futuros sócios-fundadores optaram mesmo por alterar o produto, virando-se “para o mercado industrial, de forma a garantir a sustentabilidade do projeto”. Assim, partindo de um kit de agricultura caseiro, o projeto Cool Farm chegava àquele que é, atualmente, o seu produto: um sistema de controlo que gere uma “estufa inteligente”. “O sistema sabe o que as plantas querem e reage em função”, esclarece Gonçalo Cabrita que acrescenta: “no limite pode tomar conta da estufa autonomamente”. Todo o sistema da Cool Farm, continua o seu CEO, do interface do software ao design, passando pelo hardware “é focado no que interessa ao agricultor – se as plantas estão ‘contentes’”.

Plantar sem terra, reinventar a cidade O sistema desenvolvido pela Cool Farm é desenhado para culturas hidropónicas ou aquopónicas – sistemas agrícolas que não envolvem terra na produção. Gonçalo Cabrita relembra que existem algumas vantagens neste modelo. Contudo,

a questão principal prende-se com a sua inevitabilidade. “Em 2050, as necessidades de produção agrícola vão aumentar 70%”, relembra. Dividindo a área terrestre arável pelos cerca de 9 mil milhões de pessoas estimados para 2050, chegamos a um número: 0,15 hectares. A Terra tem um limite. É esta a base que sustenta a filosofia da agricultura urbana, um movimento que, segundo o CEO da Cool Farm, “casa bem com o nosso produto”. Nesta lógica de reinvenção do espaço citadino, os sistemas hidropónicos, facilmente instaláveis num telhado de um prédio, por exemplo, desempenham um papel importante. O crescimento global deste movimento explica, de alguma forma, “o bom feedback internacional que a Cool Farm está a receber”. Em viagens patrocinadas pelo Washington Post e pelo Governo Britânico, os quatro sócios fundadores da Cool Farm puderam reunir com empresas estrangeiras da área. Hoje, existem projetos internacionais, como a recuperação de um antigo bunker londrino para a criação de uma estufa, que trabalham em conjunto com a Cool Farm. Tudo isto, em conjunto com o surgimento de um investidor privado português, levam Gonçalo Cabrita a confessar-se satisfeito com a evolução da empresa. Sobretudo, garante, por ser uma “empresa com consciência social – podemos dormir à noite contentes por ter um impacto positivo no mundo, para além de gerar lucro”. Porém, empreender é uma mistura de sentimentos. “Ser empreendedor é um misto entre estar constantemente assustado e entusiasmado: acordamos com vontade de fazer coisas novas mas há sempre o receio de falhar”. Com o tempo, garante o CEO, torna-se mais fácil. “Aprendemos a lidar com a pressão e passa a ser natural – sair da zona de conforto passa a ser a nossa zona de conforto”. Mas o caminho de um empreendedor não é feito sem surpresas. Muitas delas positivas. “Pensava que o meio dos negócios era um meio puramente agressivo e competitivo”, revela Gonçalo Cabrita, concluindo: “estou a descobrir, com alguma surpresa, que há muita gente que gosta de ajudar, graças às quais não estaríamos onde estamos hoje”. ■


Só é Verdadeiramente livre, quem tem um ofício! descobre-te. esTUDa

Fernando Carvalho Rodrigues FísicA


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