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Guia do

by apoios

1ºEMPREGO Edição especial da revista FORUM ESTUDANTE | distribuição gratuita – NÃO PODE SER VENDIDO Anual • Ano VIII • 2017 • disponível em pdf em www.forum.pt/emprego

ed. 2018

CV, Carta de Apresentação e Entrevista: um guia prático

Estágio Profissional: conheces os teus direitos?

O Futuro do Emprego As tendências de recrutamento, dos recursos humanos e das competências As redes sociais e a empregabilidade Sabe como o Europass te pode ajudar


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Num mercado de trabalho em constante atualização, há competências que emergem como indispensáveis num futuro próximo. Esta mudança vai alterar, a curto-prazo, o conceito de ser empregável. Conhece as 10 competências e capacidades que serão diferenciadoras, no mundo do emprego do futuro.

Futuro do Emprego

FICHA TÉCNICA www.forum.pt/emprego Isento de registo ao abrigo do Decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de junho, Art.º 12.º - n.º 1A Telefone 218 854 730 Email emprego@forum.pt Administração Roberto Carneiro Rui Marques Francisca Assis Teixeira Direção Gonçalo Gil Design Miguel Rocha Redação Fábio Rodrigues Salomé Abreu Fotografia DepositPhotos Nuno Martinho Publicidade Tel.: 21 885 47 30 Félix Edgar felix.edgar@forum.pt

A quarta revolução industrial promete alterar profundamente o futuro do trabalho. Grande parte dos empregos do futuro não foram criados, até ao momento. Quais as tendências de transformação? E quais as áreas em destaque?

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Para onde caminha o recrutamento?

Num mundo cada vez mais digitalizado e automatizado, os conceitos de trabalhador, empregador e emprego estão em mutação. Fica a saber quais serão as escolhas das empresas, no futuro, na altura da contratação, e de que forma se alterarão as dinâmicas das relações de trabalho.

Redes Sociais

60% dos empregadores utilizam as redes sociais para avaliar os candidatos. Por essa razão, o especialista em Personal Branding, Nelson Emílio, explica-te de que forma podes utilizar as diferentes plataformas de social media para ser mais eficaz na procura de emprego. E, não menos importante, recorda quais são os erros a evitar.

Impressão Monterreina Área empresarial Andalucía c/ Cabo de Gata 1-3, sector 2 28320 Pinto Madrid Tiragem 30.000 ex.

Guia prático para o emprego

Nervoso com a entrevista de emprego? Dúvidas sobre o que colocar num CV? E como começar a carta de apresentação? Das páginas 32 a 35, poderás encontrar dicas e conselhos úteis para todos estes problemas e muitos mais. E boa sorte!

Dicas e Testemunhos

Porque a opinião de pessoas ligadas ao mundo do emprego te pode ajudar, recolhemos o testemunho de Recrutadores, Empreendedores e Diplomados. Tudo para que saibas quais os conselhos a seguir, os erros a evitar e os principais desafios, na procura de emprego.

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Conheces os teus Direitos?

O Estágio Profissional é, cada vez mais, uma opção a que as empresas recorrem, sobretudo para quem entra, pela primeira vez, no mercado de trabalho. Para que tudo corra pelo melhor, conhece todos os teus direitos (e deveres) enquanto estagiário.

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O Networking (e o Pitch)

www.forum.pt FORUM ESTUDANTE Revista de Cursos, Escolas e Profissões Propriedade e Edição de: PRESS FORUM Comunicação Social,S.A. Capital Social: 60.000,00 euros NIF: 502 981 512 Periodicidade Mensal Depósito Legal n.º 510787/91 Sede Tv. das Pedras Negras, n.º 1 - 4.º 1100-404 Lisboa Tel.: 21 885 47 30 Fax: 21 887 76 66

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Entrevista a Joana Mira Godinho e Catarina Oliveira

São conceitos que andam de mão dada e que te podem ajudar a compreender o contexto atual da procura de emprego. Sabe como podes alargar a tua rede de contactos e a forma de comunicar eficazmente (e em pouco tempo) as tuas ideias.

A Diretora da Agência Nacional Erasmus+, Joana Mira Godinho, realça o papel do programa Erasmus na construção de uma Europa mais coesa e na promoção da empregabilidade dos estudantes. Sobre o tema do emprego, a Coordenadora do Centro Nacional Europass, Catarina Oliveira, ensina-te a retirar o máximo das ferramentas Europass, destacando as suas vantagens.

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Pronto para trabalhar!


// EDITORIAL

Porque não se nasce Ao longo das próximas páginas, poderás ler sobre a realidade dos trabalhadores do futuro. Em que áreas surgirão o maior número de oportunidades de emprego? Como evoluirão as prioridades do recrutamento? E que competências serão valorizadas? Estas serão algumas das questões a que tentaremos responder. Nesta edição do Guia do Primeiro Emprego, são também colocadas em evidência as diversas ferramentas que alguém que pretende ingressar no mercado de trabalho tem à sua disposição, tendo em vista, nomeadamente, a sua apresentação e promoção junto dos empregadores. De igual forma, quando falamos de um primeiro emprego, não podemos deixar de referir a possibilidade de criação do mesmo, com uma secção dedicada a conselhos de empreendedores.

A maioria dos textos que se seguem colocam em evidência o que é pedido aos trabalhadores de hoje e de amanhã. A lista poderia alongar-se por vários parágrafos: competências técnicas, competências transversais, apresentação eficaz, presença em várias plataformas, boa utilização das redes sociais e pessoais, etc… Esta ideia do que é exigido, mesclada com o contexto laboral atual, pode fazer-te sentir que o mercado de trabalho é um lugar hostil. Poderás até sentir essa exigência como uma injustiça. Afinal de contas, a ideia de um primeiro emprego é a de que existe uma carreira que começas agora a construir. Contudo, mais do que transmitir-te o que é exigido, pretendemos que ganhes conhecimentos sobre o mercado de trabalho, com uma ênfase especial nas atitudes que te podem ajudar na transição para o mundo do emprego. Para um primeiro emprego, ninguém te pedirá que detenhas todas as competências avançadas existentes. Mas verás que esta passagem será facilitada se consultares a informação presente neste guia. Para te ajudar, ouvimos especialistas em recrutamento, profissionais de recursos humanos, empreendedores, mas também jovens que acabaram de entrar no mercado de trabalho, por exemplo. Tudo para que conheças os principais desafios que te serão apresentados, nesta nova fase da tua vida, e para que possas preparar-te de forma condizente. Na mesma linha, a Forum Estudante realiza – de 10 de outubro a 6 de dezembro – um conjunto de JobParties, espalhadas pelo país. O objetivo é que, de uma forma personalizada, possas preparar-te para o mercado de trabalho, seja através da construção de um CV e de um Linkedin eficazes, da realização de workshops sobre competências ou em preparações para entrevistas de emprego. Ao transmitir-te as tendências de emprego e recrutamento, não pretendemos que te sintas “afogado” em exigências. Afinal de contas, grande parte do teu crescimento profissional chegará naturalmente, à medida que fores desempenhando tarefas e cumprindo novos objetivos. Contudo, o conhecimento das tendências do mercado de trabalho pode ajudar-te a dar este primeiro passo. É certo que ninguém nasce empregável. Contudo, a empregabilidade é uma característica – e esse será o ponto em que te pretendemos ajudar – que se pode e deve desenvolver.

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Pronto para trabalhar!


O do Trabalho e das Competências O estudo The Future of Jobs (desenvolvido em colaboração com a Agenda Council on the Future of Jobs e a Global Agenda Council on Gender Parity), afirma que a criação de novos postos de trabalho — e a mudança nos que já existem —, será intensa: 65% das crianças que entram hoje na escola primária vão entrar no mundo do trabalho em postos que ainda nem sequer existem. As mudanças vão começar a sentir-se durante os próximos 5 anos, de forma intensa. Conhece algumas das tendências.

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Desencadeadores da Mudança A Quarta Revolução Industrial está à porta. Os desenvolvimentos tecnológicos na inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D, genética e biotecnologia estão em evolução constante e a apoiar-se mutuamente. Os sistemas inteligentes – casas, fábricas, quintas e cidades inteiras – estão a ajudar a resolver problemas que vão desde a cadeia de produção de alimentos às alterações climáticas. Em simultâneo com esta revolução industrial, os desenvolvimentos económicos, sociais e geopolíticos evoluem em velocidade equivalente aos avanços tecnológicos.

Tendências da empregabilidade Os postos de trabalho relacionados com as funções administrativas e de escritório estão a sofrer grandes alterações desde 2015. Até 2020, supõe-se que 7.1 milhões de trabalhos nestas áreas irão desaparecer, dando lugar a um ganho de 2 milhões nas áreas de Computação, Matemática, Arquitetura e Engenharias. Nos sectores industriais e de produção o processo poderá ser diferente e, segundo o estudo, será possível desenvolver as competências dos trabalhadores neste postos — através da tecnologia avançada — melhorando a sua produtividade e, eventualmente, enquadrando noutras tarefas.

Cargos novos e em ascenção Segundo os correspondentes deste estudo, haverá em 2020 dois tipos de trabalhos que se vão destacar: análise de dados – para ajudar a organizar e selecionar dados gerados pela grande quantidade pelas rupturas tecnológicas - e representantes de vendas especializados. Praticamente todas as industrias vão precisar de se adaptar a um novo leque de clientes, assim como explicar as inovações tecnológicas dos seus produtos.

Mudanças no Recrutamento Neste tópico concentram-se os pontos essenciais para o trabalhador do futuro estar a par do que pode esperar do mundo do recrutamento e do que esperam do seu desempenho. O trabalho dos recrutadores não é fácil e a tendência é tornarse mais dificil. Com as tendências para o futuro, a competição pelo talento será exigente. Os recrutadores precisam de ter como prioridade canalizar e segurar um talento, praticamente em todas as indústrias.

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Pronto para trabalhar!


Estabilidade das Competências Em simultâneo com este desafio para os recrutadores, os trabalhadores e candidatos irão enfrentar uma rápida e constante mudança das competências necessárias para desempenhar a sua função. Esta exigência já está a ser requirida e, com os novos modelos de negócio a serem implementados pelas empresas, a diferença de tempo entre as mudanças da gestão e as novas competências solicitadas será minimo. E estas transformações serão ainda mais representativas e notadas nas job families (ex: Escritório e Administração; Manufaturação e Produção; Arquitetura e Engenharias; etc.). Uma representação deste cenário será a substituição de tarefas específicas de um cargo em particular, de forma a libertar o trabalhador para o desenvolvimento e foco noutras ocupações, onde terá de desenvolver certas competências. As principais competências estão referidas neste Guia, nas páginas 26 a 28.

Estratégias para os Trabalhadores O desafio é recrutar, treinar e gerir os talentos. O impacto tecnológico, demográfico e sócioeconómico provocará uma rutura nos modelos de negócio e nas perspectivas de empregabilidade e competências exigidas. Desta forma, prevêse um enorme custo financeiro e social para os negócios, pessoas individuais e as suas economias e sociedade num todo. O estudo diz-nos que, apesar de os líderes das empresas estarem conscientes destes desafios, têm sido lentos a atuar em conformidade. Apenas dois terços dos correspondentes do estudo afirmaram que este planeamento é uma prioridade alta ou mesmo muito alta. Ainda assim, muitos afirmam que têm conhecimento das suas limitações para concretizar este planeamento. Atualmente, apenas 53% afirma estar relativamente ou muito confiante, independentemente da adequação da sua força de trabalho no futuro e da estratégia a usar. Isto devese, em parte, à falta de conhecimento das ruturas que irão suceder no futuro próximo, à falta de recursos, pressão de um baixo retorno económico a curto-prazo, falha no alinhamento entre estratégias de recrutamento e inovações estratégicas.

Recomendações para entrar em ação São as nossas ações de hoje que irão determinar se o nosso caminho passa por dispensar inúmeros trabalhadores — por desaparecerem as suas funções anteriores — ou se emergem novas oportunidades. Qualquer uma destas duas possibilidades pode concretizar-se. Nas revoluções industriais anteriores, o tempo e o impacto das mudanças e aprendizagens de competências necessárias demorou anos a ser implementado. Neste momento, na quarta revolução industrial, a velocidade é maior e é necessário criar esta força de trabalho com competências à prova de futuro. O estudo dá-nos como exemplo as indústrias automóvel, onde é expetável que a empregabilidade cresça, mas acompanhada por cerca de 40% de competências necessárias para certos trabalhoschave ainda não estão a ser requeridas para as mesmas funções desempenhadas hoje.

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De que é feito um

?

Nasceu em 1981 a ideia de identificar as melhores empresas para trabalhar. Os jornalistas Robert Levering e Milton Moskowitz foram desafiados a escrever um livro sobre o tema. Em 1997, era publicada pela primeira vez, em parceria com as revistas Fortune e Exame, a primeira lista das 100 Melhores Empresas para Trabalhar. Portugal seria mesmo o primeiro país europeu a integrar este ranking internacional, no ano 2000. Desde então, o Great Place to Work tem recolhidos dados e contempla, atualmente, 6200 empresas de 45 países, representando mais de 12 milhões de colaboradores. De acordo com o Instituto Great Place to Work, esta investigação é realizada seguindo 58 questões que orbitam cinco temas: camaradagem, orgulho, respeito, credibilidade e imparcialidade. Na base destas ligações está a relação do colaborador com os colegas, o seu trabalho e a gestão.

credibilidade

imparcialidade

apoio profissional colaboração preocupação

traba

Colaboradores

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orgulho: no trabalho individual na equipa na empresa na imagem externa

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camaradagem

Pronto para trabalhar!

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relação com a gestão

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respeito

confiança

equidade na remuneração igualdade no trato ausência de discriminação possibilidade de contestação

familiaridade hospitalidade do lugar hospitalidade das pessoas comunidade

informação acessibilidade coordenação delegação visão confiabilidade honestidade

as

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orgulho


Fica a conhecer as melhores empresas portuguesas da lista de 2017 Empresas multinacionais (com mais de 250 colaboradores) Posição

Organização

Setor de atividade

1

ROFF

Information Technology | IT Consulting

2

Banco Santander Totta

Financial Services & Insurance

3

Teleperformance

Professional Services | Business Process Outsourcing/Call Centers

4

HUF

Manufacturing & Production | Automotive

5

AKI

Retail | Specialty

Grandes empresas (entre 100 e de 250 colaboradores) Posição

10

Organização

Setor de atividade

1

Cisco Systems Portugal

Information Technology

2

Medtronic Portugal

Health Care | Medical sales/Distribution

3

AbbVie

Biotechnology & Pharmaceuticals | Pharmaceuticals

4

Mind Source

Information Technology | IT Consulting

5

Growin

Information Technology | IT Consulting

6

Astrazeneca

Biotechnology & Pharmaceuticals | Pharmaceuticals

7

Bayer

Biotechnology & Pharmaceuticals | Pharmaceuticals

8

Infineon

Professional Services

Pequenas e médias empresas (menos 100 colaboradores) Posição

Organização

Setor de atividade

1

SAS Institute Software

Information Technology | Software

2

Mundipharma

Biotechnology & Pharmaceuticals

3

Omega Pharma Portuguesa

Biotechnology & Pharmaceuticals | Pharmaceuticals

4

Mars em Portugal

Retail

5

AnubisNetworks

Information Technology | Software

6

BMW

Retail

7

3M Portugal

Retail | Specialty

8

Companeo

Professional Services | Advertising and marketing

Pronto para trabalhar!


REVOLUÇÃO DIGITAL As 10 tendências do

Certamente já ouviste falar da quarta Revolução Industrial – a Revolução Digital que vivemos atualmente e que, cada vez mais, está a reescrever as regras do nosso quotidiano. Como é que as empresas se adaptam à nova realidade da era digital? E qual o impacto junto de trabalhadores e empregadores? A mudança dos paradigmas sociais, económicos e tecnológicos acontece a um ritmo cada vez mais acelerado. Estas alterações refletem-se também nas necessidades das empresas. Por essa razão, para nos adaptarmos, é bom ter em conta o que nos dizem os líderes de Recursos Humanos de todo o mundo sobre esta mudança. O relatório 2017 Global Human Capital Trends, elaborado pela consultora britânica Deloitte, traz-nos precisamente o olhar dos recrutadores. Redigido com base em mais de 10.000

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TREND #1: A ORGANIZAÇÃO DO FUTURO 12

correspondentes de 140 países diferentes, este trabalho analisa as questões sociais, económicas, políticas, tecnológicas e culturais, pertinentes para o desenvolvimento das empresas, com base nos seus recursos humanos e tecnológicos. A conclusões indiciam uma rápida transformação a vários níveis – as regras estão a mudar para tudo o que envolve o mercado de trabalho. E rápido. Os conceitos de empregador, empregado, local de trabalho, plataformas de gestão e organização são algumas das noções em transformação. Chegou a hora de nos prepararmos para esta mudança de rumo.

Na pesquisa feita através dos correspondentes, 60% assinalaram este ponto como muito importante e 90% como importante. O desafio é recriar ativamente uma organização empresarial assente em modelos integrados e em redes de colaboradores. A agilidade tem um papel fulcral neste desenvolvimento: as empresas reorganizam as estruturas hierárquicas com equipas treinadas para serem mais proactivas.

Pronto para trabalhar!

TREND #2: CARREIRA E APRENDIZAGEM

O conceito de “carreira” está em reformulação profunda. As empresas estão a investir em formações contínuas, permitindo aos trabalhadores o desenvolvimento de competências de uma forma flexivel e de acordo com as suas necessidades. Os Recursos Humanos de empresas que lideram o mercado, estão a ajudar os empregados a crescer e prosperar. Como? Desafiando o conceito de uma carreira estática e promovendo novos modelos de aprendizagem.


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TREND #3: AQUISIÇÃO DE TALENTO

Nesta constante transformação dos conceitos de emprego e competências, encontrar e recrutar as pessoas certas torna-se mais importante do que nunca. As organizações utilizam métodos de análise de dados para encontrar e atrair pessoas e adequá-las ao cargo desempenhado, à equipa e à empresa. Estas tecnologias estão a transformar radicalmente o mundo do recrutamento.

5 TREND #4: A EXPERIÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS

Cultura e compromisso são vitais para a avaliação dos empregadores. Cada vez mais, as empresas estão atentas ao percurso dos trabalhadores, estudando as necessidades dos trabalhadores e utilizando o NPS (Net Promoter Score – gestão completa dos indicadores de satisfação e qualidade dos trabalhadores) para compreender as suas experiências.

TREND #5: GESTÃO DE DESEMPENHO

Uma nova forma de gerir o desempenho tem sido utilizada nos últimos 5 anos. As empresas começaram a priveligiar o feedback e o coaching contínuo, reduzindo o foco na avaliação. Este ano, com a intenção de ir para além da experimentação, os modelos serão implementados em larga escala. O objetivo passa aumentar a produtividade e mudar a cultura corporativa, fomentando a proximidade com o trabalhador.

6 TREND #6: LIDERANÇA TRANSFORMADA

As organizações anseiam por diferentes lideranças: ágeis, criativas, jovens. Estes novos modelos exigem um foco no caminho digital para gerir negócios, de onde emergem novos modelos de organização digital. Este dado vai testar os limites da liderança tradicional, reorganizando as hierarquias.

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7 TREND #7: RECURSOS HUMANOS DIGITALIZADOS

O caminho para a digitalização dos Recursos Humanos torna-se cada vez mais claro. Novas plataformas, mais ferramentas e opções para construir a organização do séc. XXI, gerir os trabalhadores e os locais de trabalho. O caminho digital está a mudar a maneira como se trabalha e como gerimos as nossas relações profissionais.

8 TREND #8: PEOPLE ANALYTICS

Está em crescimento a gestão dos recursos baseada em dados, utilizando técnicas analíticas – relatórios, métricas, análises preditivas e pesquisas experimentais – para compreender as práticas e processos dos colaboradores. Por essa razão, os dados sobre os trabalhadores tornaram-se mais importantes que nunca.

9 10 TREND #9: DIVERSIDADE E INCLUSÃO 14

Equidade, justiça e inclusão são, neste momento, preocupações dos CEO’s do mundo inteiro. Este novo foco na responsabilidade e diversidade consiste em dirigir os esforços para a transformação de ideias préconcebidas. Apesar dos esforços, continuam a existir desigualdades desafiantes e frustrantes para muitas organizações.

Pronto para trabalhar!

TREND #10: O FUTURO DO TRABALHO

Robótica, Inteligência Artificial, sensores e computação inteligente transformaram-se em algo convencional. Os trabalhadores não são a única força de trabalho a ser considerada, tendo que incluir, por exemplo, os freelancers, as máquinas e o software. Juntas, estas tendências redefinem quase todos os conceitos de trabalho, assim como a maneira de pensar e planear o direcionamento das suas energias.


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// Entrevista a Nelson Emílio, especialista em Personal Branding

AS REDES SOCIAIS E O EMPREGO:

“A nossa antes de nós”

chega sempre

Num contexto em que os social media são, cada vez mais, peças fundamentais na procura de emprego, Nelson Emilio explica algumas das técnicas a adotar (e erros a evitar), no que diz respeito à gestão da marca pessoal. Autoconhecimento, coerência e preparação são algumas das palavras fortes para este especialista em personal branding. Como avalia a importância da utilização dos social media no processo de procura de emprego? E como tem evoluído nos últimos tempos? Os social media são cada vez mais uma peça fundamental no processo de procura de emprego em duas perspetivas. Do lado do empregador, há a necessidade de atrair talentos e, uma das formas de o conseguir, passa pela implementação de estratégias para atração e retenção de talento. Neste ponto, os social media são fundamentais para levar a mensagem ao público-alvo certo. Por outro lado, temos a perspetiva de quem procura emprego e que, ao recorrer aos social media, pode ver o seu trabalho facilitado, se conseguir tirar partido das funcionalidades oferecidas pelas diferentes plataformas disponíveis. Para isso, é necessário que crie adequadamente a sua presença online, tirando partido da sua rede de contactos, de forma a obter informação e a ser referenciado para uma determinada vaga.

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Do ponto de vista dos empregadores, qual a relevância que é dada à informação disponibilizada nestas plataformas? Estima-se que, atualmente, mais de 60% dos empregadores utilizam os social media para avaliar os candidatos e, com base na informação encontrada, tomar a decisão de os contratar ou não. A informação disponibilizada em redes como o Facebook, Twitter ou Instagram pode dizer muito sobre a personalidade e comportamento de um candidato. Já o LinkedIn, por sua vez, é usado para consulta de histórico profissional, bem como forma de validação da informação que o candidato disponibiliza no seu perfil. Apesar de este ser uma prática cada vez mais comum, pode ter os dias contados. Está em estudo uma lei europeia que visa impedir que um empregador avalie a informação disponibilizada nos social media de um candidato sem a sua autorização prévia.

Pronto para trabalhar!


O LinkedIn goza de alguma especial importância, neste aspecto? Porquê? Que outras redes devem ser levadas em conta? O LinkedIn é a maior rede profissional do mundo e conta com mais de 520 milhões de utilizadores. Destes, mais 2 milhões encontram-se em Portugal. Esta é, atualmente, a principal plataforma utilizada pelos empregadores para encontrar profissionais no mercado de trabalho. Uma vez que a sua missão é ligar profissionais para os tornar mais produtivos e bem-sucedidos, é fundamentar ter uma boa presença nesta rede e usá-la para ser encontrado ou para chegar à pessoa certa. Outras redes que também devem ser tidas em conta são o Viadeo, Twitter, Instagram e o beBee que, em conjunto com o LinkedIn, possibilitam ao candidato posicionar a sua marca pessoal através de conteúdos relevantes para a sua área de atuação. Independentemente das redes escolhidas, quais são os cuidados a ter, na elaboração desta nossa apresentação digital? Existem alguns dos cuidados que devemos ter na nossa presença digital. Desde logo, devemos evitar perfis desatualizados ou incompletos. É frequente encontrar perfis, principalmente no LinkedIn, sem qualquer conteúdo, com conteúdo que é pouco relevante para um empregador ou que não demonstra o nosso percurso profissional. Pior que não ter um perfil é ter um sem qualquer informação. Os nossos perfis nos social media são sobre nós mas não são para nós: são um canal para que outros conheçam mais sobre quem somos, o que fazemos e sobre o que podem esperar. Por isso é fundamental ter um perfil e conteúdos que o demonstrem e que reflita o nosso percurso. Outra das questões importantes a ter em conta passa pela não publicação de conteúdo falso. Vários empregadores com que trabalho mencionam, com frequência, descartarem candidatos por encontrarem informação falsa disponibilizada nos perfis online. Este é um erro que se paga caro. Qualquer informação publicamente acessível pode ser facilmente verificada pelo empregador ou qualquer outra pessoa e, obviamente, terá impacto na sua reputação.

VÁRIOS EMPREGADORES COM OS QUAIS TRABALHO MENCIONAM COM FREQUÊNCIA DESCARTAREM CANDIDATOS POR ENCONTRAREM INFORMAÇÃO FALSA DISPONIBILIZADA NOS SEUS PERFIS ONLINE.

Outro dos erros que é cometido, neste âmbito, é o não se saber diferenciar. Se o nosso perfil for apenas “mais um” dificilmente vamos ser considerados. Não devemos tentar copiar o perfil de outra pessoa ou usar as mesmas palavras – devemos apostar em ter uma presença digital que reflita quem é somos e quais são as nossas singularidades. Por fim, outro dos conselhos passa por evitar ter uma fotografia inadequada nas redes sociais. A nossa fotografia deve ser profissional e preferencialmente igual em todas as plataformas onde estamos presentes. Uma fotografia inadequada leva imediatamente a que um empregador passe para o perfil seguinte. Devemos lembrar-nos que a nossa imagem chega sempre antes de nós. Na sua experiência, quais são os principais problemas que os candidatos a um primeiro emprego apresentam no seu processo de procura e candidatura? Penso que os candidatos não investem tempo e energia em várias áreas relevantes. Desde logo, em conhecer-se. Hoje, já não basta ter estudado numa boa universidade ou ter notas altas, é necessário que o candidato se conheça, saiba quais os seus pontos diferenciadores, as suas fraquezas e pontos de melhoria, de que forma lida com pressão, conflitos entre outros fatores importantes e relacionados com as suas competências comportamentais. Por outro lado, é importante investir tempo para ter uma presença adequada online, sendo necessário definir uma estratégia alinhada com as competências que o candidato tem, o emprego que procura e as plataformas de social media onde deve estar presente. Tudo isto sem esquecer a disponibilização de conteúdo que permita o reforço e validação das competências pretendidas. Outro dos problemas que identifico é não tirar partido dos social media para a procura de emprego. Muitos candidatos limitam-se a estar presentes nas diferentes plataformas. Ainda assim, é necessário ser proativo e aparecer no “radar” dos empregadores, ou seja, desenvolver um conjunto de atividades que permitam ao candidato ser visto por quem interessa, seja através de publicação de conteúdo, da rede de contactos, ou através da interação com informação disponibilizada pelo empregador. Com a quantidade de informação que existe hoje, torna-se mais difícil sermos encontrados. É necessário usar as ferramentas que temos ao nosso dispor para sermos vistos, caso contrário será a mesma coisa que não existirmos. Por fim, outro dos principais erros passa por não conhecer a empresa e função para que se candidata. Se um candidato considera ser a melhor opção para uma vaga de emprego, então deve conhecer em detalhe a empresa e a função a que se candidata. Apesar de parecer óbvio, ainda existem muitos candidatos que falham neste ponto, para o qual não há desculpa. A internet e plataformas de social media permitem-nos conhecer uma empresa, quem lá trabalha, que amigos temos em comum com os colaboradores, entre outras informações. Os dados recolhidos permitem que o candidato defina um plano de ação e que ajuste o seu discurso, o seu CV e a sua presença digital para que seja um “perfect fit” para a vaga. Isto, claro, sem perder a sua essência, a sua singularidade.

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// Entrevista a Joana Mira Godinho, Diretora da Agência Nacional Erasmus+ (Educação e Formação)

“O é um programa para fazer europeus” Para a Diretora da Agência Nacional Erasmus+, Joana Mira Godinho, há várias razões que explicam a maior empregabilidade associada à participação no Programa Erasmus. No ano em que celebra 30 anos de existência, este programa é, salienta, “mais do que um programa de mobilidade para estudantes de ensino superior”. O programa Erasmus celebrizou-se pela sua vertente de mobilidade internacional. Relativamente aos dois eixos estratégicos que são menos conhecidos do público em geral [o fomento à cooperação e o apoio às políticas de modernização dos sistemas educativos], o que podem ser exemplos de projetos que são levados a cabo? Mesmo relativamente à linha de ação da mobilidade, o Erasmus+ é visto como um programa de mobilidade de estudantes do ensino superior, quando é, hoje em dia, bastante mais do que isso. Atualmente, financiamos projetos de mobilidade e cooperação que vão do pré-escolar até à educação de adultos. A parte principal do financiamento ainda vai para os estudantes do Ensino Superior – cerca de metade. Mas os outros 50% vão para os ensinos pré-escolar, básico, secundário, profissional ou para a educação de adultos. Relativamente às parcerias, geralmente, servem para desenvolver áreas específicas. Por exemplo, temos projetos que se concentram no abandono escolar ou projetos de educação de adultos centrados na questão dos refugiados… Há ações em todas as áreas, muitas delas relacionadas com a digitalização, e que nascem de cooperação institucional, no âmbito dos vários níveis de ensino. Já a linha das políticas de modernização é gerida diretamente por Bruxelas.

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Referiu o orçamento destinado à mobilidade. Olhando o relatório de 2015, divulgado pela Comissão Europeia, confirmamos que o orçamento destinado à mobilidade individual é bastante superior aos dois outros eixos. Isto indicia uma aposta estratégica, a nível europeu, nesta valência do programa? Aqui em Portugal, por exemplo, mais do 50% do orçamento vai para a linha da mobilidade. O programa Erasmus começou por se assumir como um programa de mobilidade de estudantes do Ensino Superior e ainda tem um grande foco nesse campo. Mas tem vindo a alargar para outras áreas e tem, hoje em dia, um escopo muito amplo. Costumo dizer que este é um programa “para fazer europeus” – e a aposta na mobilidade tem a ver com isso. O objetivo é permitir que as pessoas estejam tão bem hoje em Portugal

Pronto para trabalhar!

TODAS AS PESSOAS QUE TENHO CONTACTADO ME DIZEM QUE FAZER ERASMUS FOI UMA EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA NAS SUAS VIDAS. como amanhã, na Suécia, seja a estudar ou trabalhar. Ou que estejam tão bem hoje na Hungria como amanhã estão na Irlanda, a estudar ou a trabalhar, por exemplo. Durante os últimos anos, foram vários os estudos que surgiram indicando que existe um incremento na empregabilidade dos estudantes que fazem um programa de mobilidade internacional. Quais pensa que são as principais razões para este dado? Hoje em dia, os empregadores querem trabalhadores


com aptidões multiculturais e alguém que tenha estudado noutro país estará mais habituado ao contacto com outras culturas. Essa é uma grande apetência. Depois, os estudantes em mobilidade aprendem línguas diferentes, estabelecem redes de contactos… Tudo isso será importante para os empregadores e explica a maior facilidade em encontrar um emprego. Há também estudos que colocam o enfoque nas competências transversais que são hoje muito valorizadas pelos empregadores. Quais são as principais competências desenvolvidas no âmbito de uma experiência no programa Erasmus? A multiculturalidade é uma competência muito importante – saber lidar com pessoas com outras formas de ser e de estar. Depois, o contacto com diferentes modelos de ensino, de aprendizagem e de trabalho também “abrem” as pessoas para a inovação e para a mudança – algo que é muito importante para o mercado de trabalho, hoje em dia. Também existe a possibilidade de aprender a comunicar mais e melhor, por exemplo. Para além do desenvolvimento “profissional”, do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, que mais-valias é que se podem retirar? Todas as pessoas que tenho contactado me dizem que fazer Erasmus foi uma experiência transformadora nas suas vidas. Dizem-me que foi uma janela para o mundo que se lhes abriu. Isso traduz a importância que o Erasmus e o Erasmus+ têm para as pessoas, do ponto de vista do desenvolvimento pessoal.

Uma questão dos estudantes Cláudia Coelho, Setúbal, Estudante de Direito, Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa: Em certos cursos, é mais fácil fazer-se Erasmus, pois há maior compatibilidade de matérias e a maior parte das aulas é lecionada em inglês, o que facilita a vida aos estudantes estrangeiros. Nos cursos em que é mais difícil encontrar compatibilidade de cadeiras, os professores do país de acolhimento tendem a “olhar de lado” os alunos que chegam, pelo facto do curso ser de país diferente. Tendo em conta que isto acontece, tanto em Portugal como no estrangeiro, como se poderá fazer com que os professores tenham uma visão mais positiva, em relação aos alunos de Erasmus?” Joana Mira Godinho: Essa é uma questão complicada. Não existe, realmente, uma estandardização do Ensino Superior na Europa, nem dos outros níveis. E julgo que nunca existirá completamente: haverá sempre diferenças nos curricula. Por essa razão, há também a questão das equivalências ou das classificações que poderão ser inflacionadas ou desinflacionadas. Julgo que a solução passa por comunicar com os professores e as respetivas instituições, para que tenham abertura a curricula que não sejam exatamente iguais aos seus.

Portugal é um país interessante para os estudantes europeus? Qual é o saldo entre os estudantes internacionais que o país “exporta” e acolhe? São números muito impressionantes (ver caixa): o número de estudantes que estamos a receber é bastante superior ao dos estudantes portugueses que vão para fora. O que significa que as nossas instituições, especialmente as do ensino superior, estão a fazer um esforço muito grande. O que representa também um grande contributo nacional para a construção da União Europeia. Nº estudantes

Ensino Superior

2014

2015*

Outgoing

8052

8 668

8023

Incoming

11497

12670

12088

2016*

Pessoal docente e não docente 2014

2015*

Outgoing

1515

1533

2016* 1325

Incoming

2799

3074

2832

* Números provisórios

Quais é que poderão ser algumas das razões para esse dado? Um pouco de tudo: o clima, a comida, as pessoas, a cultura… O custo de vida também é fundamental. E temos um aspeto muito importante e que é também muito satisfatório: a qualidade das nossas instituições de ensino. Temos instituições que estão no top dos rankings europeus e até mundiais. E quanto à escolha dos estudantes portugueses, na hora de estudar no estrangeiro, existem alguns critérios? O custo de vida é um fator muito importante, porque, muitas vezes, tem de haver esforço das famílias e das instituições para conseguir ter as pessoas a estudar no estrangeiro. Penso que isso explica que os três destinos mais populares, entre os estudantes portugueses, sejam a Espanha, a Itália e a Polónia. São mais os estudantes internacionais que chegam a Portugal do que os que saem. Ainda assim, comparando com a taxa de adesão de outros países europeus, em que ponto se situa Portugal? Em termos absolutos, por termos uma população pequena, em comparação com outros países europeus, temos menos estudantes a sair do país. Em termos relativos, o programa é extremamente popular em Portugal: as pessoas vão para outros países e, no ensino superior, não vão mais porque não temos mais fianciamento. E não estamos a falar só estudantes – também docentes e outros funcionários. Um dos principais obstáculos será o financiamento. Se tivéssemos mais financiamento, mais iriam. Quais as principais prioridades para o futuro? Estamos a focar-nos em dois aspetos. Um deles passa por melhorar a execução financeira. Como disse, só conseguimos financiar cerca de 50% dos projetos de qualidade que nos chegam. Por outro lado, há uma pequena percentagem que não consegue executar o financiamento que lhes asseguramos e esse dinheiro é devolvido a Bruxelas. Portanto, neste momento, estamos muito empenhados em assegurar 100% de execução, não só para justificar o que nos dão, como para garantir mais financiamento em projetos futuros.

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Entrevista a Catarina Oliveira – Coordenadora do Centro Nacional Europass

“É cada vez mais importante ” ter um currículo Os números não mentem e a Coordenadora do Centro Nacional Europass (CNE), Catarina Oliveira, destaca o seu significado: Portugal é um dos maiores utilizadores do modelo CV Europass. Numa conversa que passou pelas restantes ferramentas que o CNE coloca à disposição do utilizador, Catarina Oliveira sublinha a adequabilidade deste modelo construído para “que o candidato mostre, de forma clara e objetiva, todo o seu percurso de vida”. Como classifica a popularidade da marca Europass, em Portugal e na Europa? O Europass é um conjunto de cinco documentos, dos quais o CV (Curriculum Vitae) é o mais conhecido, por ser o mais utilizado na Europa. Só em Portugal, desde a sua criação, em 2005, já emitimos mais de 25 milhões de curriculos. Ao todo, a nível europeu, já foram emitidos 55 milhões de curriculos, desde 2005. Só em Portugal foram 25 milhões – o que permite ilustrar o impacto de Portugal na utilização deste documento e sua popularidade.

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O Europass celebrizou-se pela associação ao modelo de currículo mas existem outros documentos que o compõem. Quais são e quais as suas funções? Existem um total de cinco documentos Europass. Para além do CV, existe o Europass Passaporte de Línguas, que consiste num currículo linguístico para registo dos conhecimentos em línguas estrangeiras. O processo é realizado através de uma grelha de autoavaliação criada pela Comissão Europeia e que vai do nível A1 até ao C2. Entretanto, esta grelha é já utilizada pelas escolas de línguas para garantir a comparabilidade dos conhecimentos linguísticos. Existe também o Europass Mobilidade – um documento que serve para registar os conhecimentos e competências adquiridos durante um período de mobilidade. Para além destes, o Europass incorpora ainda o Suplemento ao Certificado, emitido pelas instituições de formação para registar as competências adquiridas, e o Suplemento ao Diploma, aplicado às instituições de Ensino Superior e que regista as competências e as atividades extracurriculares desenvolvidas. Este é um documento bilingue, de forma a facilitar a empregabilidade no estrangeiro, ou seja, deixa de ser necessário ao diplomado traduzir o seu certificado. É importante sublinhar que a instituição de ensino é obrigada a entregar o Suplemento ao Diploma ao estudante, de forma gratuita.

Pronto para trabalhar!

UM CONSELHO QUE COSTUMO DAR AOS JOVENS É: QUANDO ESTÃO A ELABORAR UM CURRÍCULO, FAÇAM UMA APRESENTAÇÃO CLARA DAS VOSSAS COMPETÊNCIAS E MOSTREM A EXPERIÊNCIA FOCADA NO POSTO DE TRABALHO. O que têm em comum estes cinco documentos? O currículo é o documento principal. Todos os documentos acabam por ser um anexo a este documento. O objetivo é permitir que o candidato mostre, de forma clara e objetiva, todo o seu percurso de vida que inclui formação, experiências de trabalho, competências adquiridas… Para além das competências técnicas, o empregador hoje em dia valoriza outros aspetos, no seu processo de seleção para uma oportunidade de trabalho.


Diria que esta é também uma forma de mostrar que a procura de emprego não acaba no currículo? Não pode acabar. Um currículo é um documento que deve ser constantemente atualizado e melhorado. É também importante perceber que há empregadores que não simpatizam com o Europass porque acham que é muito estandardizado e que não permite aos candidatos evidenciar capacidade de inovação. Eu consigo compreender isso para cursos mais criativos como Arquitetura ou Design… Mas para cursos mais teóricos, bem como para quem não tem essa capacidade criativa, é muito facilitador poder contar com um modelo esquematizado. Por outro lado, é também facilitador do ponto de vista do empregador que recebe candidaturas em massa. Ao já saber onde está a informação que necessita, torna o processo muito mais simples. Por outro lado, ao utilizar o Europass, não se corre o risco da informação

UM CURRÍCULO É UM DOCUMENTO QUE DEVE SER CONSTANTEMENTE ATUALIZADO E MELHORADO. relevante não estar lá. Por vezes, as pessoas estão tão preocupadas com o design e com o ser “fora da caixa” que acabam por se esquecer do conteúdo. Que continua a ser o mais importante. E de que forma é que o Europass valoriza esse conteúdo – as competências específicas do utilizador? Para o empregador, o que interessa são os conteúdos relativos ao candidato. A diferenciação não está no modelo, está na informação que lá se coloca. Eu é que faço a minha diferenciação, enquanto candidato, pelas atividades que desenvolvi. Um conselho que costumo dar aos jovens é: quando estão a elaborar um currículo, façam uma apresentação clara das vossas competências e mostrem a vossa experiência focada no posto de trabalho a que estão a concorrer. Ou seja, é importante ajustar o conteúdo do currículo e a carta de apresentação ao posto de trabalho. Isso é fazer uma procura assertiva de emprego. Uma das ferramentas que pode ajudar nessa construção dos conteúdos é o Kit Europass. Em que consiste? O Kit Europass foi desenvolvido quando nos percebemos a importância que o CV Europass tinha em Portugal. Pensámos que seria importante criar uma

ferramenta que ajudasse os utilizadores a melhorar o seu currículo. É cada vez mais importante ter um currículo competitivo e com qualidade. Cada módulo do Kit Europass tem um diagnóstico e o seu resultado. Por exemplo, para capacidade de comunicação, o utilizador pode ver respondidas as questões: “será que tenho capacidade de comunicação? E que tipo de comunicador é que sou?”. O objetivo é que os utilizadores conheçam melhor as suas competências, desenvolvam com qualidade o seu currículo e que estejam preparados para uma entrevista de trabalho. Qual o foco do Centro Nacional Europass, para o futuro? Queremos chegar às empresas, sensibilizando para a importância do currículo. A maior parte das empresas, por exemplo, desconhece que o Europass inclui uma ferramenta facilitadora de seleção de candidatos. Os empregadores quando recebem os CV Europass dos candidatos podem enviá-los para a plataforma Europass [em interop.europass.cedefop.europa.eu]. Depois, é possível transformar todos os curriculos num documento único que permite segmentar os dados, ou seja, pesquisar por critérios como “idade” ou “experiência profissional”, consoante os interesses do empregador. Por outro lado, temos de trabalhar em paralelo com as redes sociais. Penso que estas têm um papel complementar ao currículo. O CV acaba por ser um cartão de visita, com mais informação a ser disponibilizada em redes sociais como o LinkedIn. Por fim, há ainda um público a que estamos muito atentos – os jovens que não trabalham nem estudam. Estamos a desenvolver novas formas de poder ajudar estes jovens, aumentando a sua empregabilidade e valorizando a importância da formação.

Uma questão dos estudantes Daniela Freitas, estudante de licenciatura em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa: Por que razão é que o Europass CV deve ser restrito a duas páginas? E o que é que ele oferece que não oferecem outros modelos? Catarina Oliveira: Desde logo, é um modelo oficial que é reconhecido em toda a Europa, com a possibilidade de ser elaborado em 27 línguas. Por outro lado, como o modelo é estandardizado, o empregador já sabe onde está a informação que está à procura. Por essa razão, o Europass não só oferece um modelo bem estruturado que foca todo o percurso de vida do candidato – da educação e formação à experiência profissional — como é o modelo ideal para o empregador, evitando o risco de se deixar informação importante fora do CV. O limite de duas páginas não está relacionado com as características do Europass mas sim com as do mercado de trabalho. Os empregadores não têm muito tempo disponível – recebem centenas de curricula para uma vaga. Mais tarde, na entrevista de emprego, existirá a oportunidade de demostrar conhecimentos e experiência.

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tens o que é preciso? 22

A Quarta Revolução Industrial vai transformar a forma como trabalhamos e novas competências vão ser exigidas. Em 2020, 35% das capacidades profissionais mais requisitadas pelos recrutadores e empresas vão ser alteradas. Confere as 10 competências imprescindíveis no futuro!

Pronto para trabalhar!


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RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS COMPLEXOS “QUANDO MOSTRAS PROFUNDA EMPATIA COM OS OUTROS, A SUA ENERGIA DEFENSIVA VAI PARA BAIXO E A ENERGIA POSITIVA SUBSTITUI-A. É AÍ QUE VAIS OBTER MAIOR CRIATIVIDADE NA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS.” STEPHEN COVEY

O mundo do trabalho muda cada vez mais rápido. Os conceitos de profissão, trabalho e emprego estão em mudança profunda e novas competências são exigidas a quem quer ingressar nesta viagem. Esta transformação deve-se, em gande parte, ao avanço tecnológico a que temos assistido e que se prevê que continue nos próximos anos. Alinhados estão também factores socioeconómicos, geopoliticos e demográficos. Todos juntos, terão um impacto directo e profundo na forma como trabalhamos e como gerimos as nossas competências. De acordo com o relatório “The Future of Jobs and Skills”, lançado pelo Fórum Económico Mundial, até 2020, 35% das competências que hoje damos como garantidas para ingressarmos e nos mantermos no mundo do trabalho irão mudar. Fica a conhecer as 10 competências mais valorizadas no futuro.

Este é o top do ranking para as novas competências. Previsão: em 2020, 36% de todas as actividades vão exigir habilidade para resolver problemas complexos. Os problemas que vão ser identificados serão novos e desafiantes. Não havendo histórico de resoluções, é necessário ter flexibilidade, olhar critico e ser rápido e assertivo. Seja qual for a complexidade do problema, para trabalhar com outros intervenientes, que têm diferentes experiências, crenças e ideologias, temos que saber escutar com empatia, uma característica essencial para desenvolver esta competência em pleno.

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2

QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL: NOVA ERA! ROBÓTICA AVANÇADA, AUTOMAÇÃO DOS TRANSPORTES, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E APRENDIZAGEM AUTOMÁTICA.

PENSAMENTO CRÍTICO

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“O PENSAMENTO É O ENSAIO DA AÇÃO.” SIGMUND FREUD

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Cada vez mais, teremos que questionar o que se faz, como e porquê, em vez de cumprir ordens e executar de olhos fechados. As empresas valorizam os trabalhadores que desenvolvem esta competência. É curioso como esta competência tem tanto impacto em todos os contextos da nossa vida: a qualidade do que produzimos, fazemos, construímos e vivemos é um reflexo da qualidade do nosso pensamento. Para desenvolver esta competência, temos que superar o egocentrismo e sociocentrismo, e ser mais consciente da necessidade de nos questionarmos. De forma a estimular pensamento crítico, é importante encarar o problema de forma objectiva, racional e colaborativa. Apenas desta forma conseguiremos ter uma visão global e abordar novos conceitos que não são óbvios à primeira vista. É também importante fugir do lugar comum, ser curioso e aberto a diferentes perspectivas.

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CRIATIVIDADE “A INOVAÇÃO É O QUE DISTINGUE UM LÍDER DE UM SEGUIDOR.” STEVE JOBS Apesar de a criatividade ser uma capacidade quase inata para muitos, não implica que não se desenvolva, pelo contrário. Tal como qualquer outro músculo do corpo, o nosso cérebro criativo pode, e deve, ser trabalhado. As alternativas criativas são necessárias, visto que nenhuma máquina ou robot domina este processo como o ser humano. Treinar a criatividade passa por acabar com o conformismo e sair da zona de conforto. Arriscar, cair, levantar e rir de si próprio faz parte deste percurso. Se queremos ser criativos, temos de encontrar uma certa rebeldia e questionar o mundo, sendo que, por exemplo, viajar também ajuda a desenvolver a criatividade.


4 5

GESTÃO DE PESSOAS “O MELHOR MINUTO QUE EU INVISTO É AQUELE QUE EU INVISTO EM PESSOAS.” KEN BLANCHARD Expressões-chave como motivar, identificar talentos, delegar tarefas, evitar e resolver conflitos, partilha de responsabilidades identificam esta competência. Gerir eficazmente os recursos humanos é fundamental para a produtividade de uma organização e, principalmente, para desenvolver a confiança do índividuo e o seu bem-estar. Ter capacidade de motivar, dirigir e influenciar positivamente os colaboradores estimula a iniciativa e a responsabilização de cada um e reflecte-se em toda a equipa com quem se trabalha. O mercado procura líderes agregadores, opondo-se aos autoritários. Os líderes agregadores escutam e respeitam as propostas dos seus trabalhadores e agem com equidade e justiça, promovendo um sensação de segurança entre todos os elementos.

COORDENAÇÃO COM OUTROS “AJUDA-TE A TI MESMO: ENTÃO TODOS OS OUTROS TE AJUDARÃO. PRINCÍPIO DO AMOR AO PRÓXIMO”. FRIEDRICH NIETZSCHE Apesar de esta competência se referir a coordenação com os outros, na sua base surge a coordenação individual. Coordenar e organizar as tarefas, determinar a urgência e a importância e, depois, definir prioridades, é essencial para cada elemento da organização. Apenas e somente após esta coordenação estar entranhada na nossa rotina, podemos encontrar e criar coordenação com os outros. E esta não está apenas associada aos CEO’s das empresas ou líderes. É uma competência critica, que vai determinar o futuro das organizações. Ser justo, realista e dar feedback é essencial nesta relação. Para desenvolvermos esta competência, temos de desenvolver também a criatividade, o pensamento crítico e a resolução de problemas complexos.

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BOA NOTÍCIA: INTERAÇÃO COM CLIENTES, INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, QUESTÕES DE ESTILO, ÉTICA E CRIATIVIDADE, SÃO ASPETO QUE NOS FAZEM SUPERAR OS ROBOTS.

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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL ORIENTAÇÃO PARA SERVIR “A MAIS HONROSA DAS OCUPAÇÕES É SERVIR O PÚBLICO E SER ÚTIL AO MAIOR NÚMERO DE PESSOAS”. MICHEL DE MONTAIGNE

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Ser parte integrante de um todo pode servir de tradução para esta competência. E o que é ser parte? É contribuir de uma forma completa, sendo principalmente importante sentir que é elemento integrante da missão e dos valores que a organização pratica e pretende alcançar. Ser flexivel, cumpridor das regras regulamentares, integrar projectos transversais e seguir as regras ética e deontológicas são alguns dos pontos mais importantes para desenvolver esta competência.

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“NÃO HÁ NADA NA NOSSA INTELIGÊNCIA QUE NÃO TENHA PASSADO PELOS SENTIDOS.” ARISTÓTELES Esta é uma competência essencial. Gerir as emoções permite aos profissionais encontrar serenidade quando parece que o mundo está prestes a desabar, sem perder a capacidade de trabalho. Seja a nível de mercado de trabalho, seja no nosso dia-a-dia, o auto-conhecimento é das ferramentas mais poderosas para fazermos as escolhas certas no momento certo, para aprendermos a lidar com as nossas emoções e, consequentemente, com as dos outros. A inteligência emocional trabalhase ao longo da vida e está sempre em constante evolução, podendo ser melhorada. No fundo, todos ganhamos com esta competência, dentro e fora da organização. É importante estar atento aos sentimentos e aprender a falar sobre eles. Parar, respirar fundo, e compreender o que sentimos e as suas razões. Desta forma, iremos conhecer as nossas fragilidades e os nossos pontos fortes, e aprender a gerir as nossas acções e reacções sem as projectarmos nos outros. Pedir desculpa e pedir feedback é meio caminho para trabalhar a empatia, o perdão e a generosidade, para além de aceitar a ausência de perfeição do ser humano.


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NEGOCIAÇÃO “O CONSENSO É A NEGOCIAÇÃO DA LIDERANÇA”. MARGARET TATCHER

OS FUTUROS TRABALHADORES TERÃO DE ATUALIZAR AS SUAS COMPETÊNCIAS PARA ACOMPANHAR O RITMO DE MUDANÇA.

Negociar e reconciliar andam de mãos dadas. E esta não é uma competência associada apenas ao comércio, mas sim a todas as áreas de trabalho. Negociar é tão simples como gerir uma relação de trabalho, para além que um bom negociador é um bom conciliador. Os trabalhadores têm sido convidados a desenvolver esta competência, podendo treinar com pessoas e grupos, onde é importante gerir os conflitos de interesse e chegar a um concenso entre as partes envolvidas. E o que tem um bom negociador como ferramentas? Comunica de forma aberta e explícita e deixa o canal de comunicação aberto para ter oportunidade de escutar a outra parte. É bastante perspicaz a captar outros pontos de vista e a analisar informação relevante.

Fluente em Línguas? O lugar é teu! Com a EF podes tornar-te fluente numa língua ao fazer um curso intensivo no estrangeiro. Ficas com um diploma certificado e ainda te podes inscrever num exame oficial de língua que vai diferenciar o teu cv e garantir que o lugar é teu!

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A MUDANÇA NÃO ESPERA POR NÓS. SER PROATIVO É ESSENCIAL PARA DESENVOLVER AS COMPETÊNCIAS RELEVANTES.

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CAPACIDADE DE JULGAMENTO E DE TOMADA DE FLEXIBILIDADE DECISÕES COGNITIVA É UMA EMOÇÃO QUE NOS FAZ SENTIR SE DETERMINADA DECISÃO É BOA OU NÃO. ANTÓNIO DAMÁSIO

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São duas competências inseparáveis do contexto empresarial. Estão intimamente ligadas entre si e requerem clareza no julgamento e capacidade criativa para encontrar respostas, mas também firmeza na decisão e na sua posterior implementação. Um líder agregador deve trabalhar aprofundadamente cada uma delas e fundir as suas ferramentas. De que vale fazer o julgamento e não tomar uma decisão assertiva? Como tal, devem ponderar-se as alternativas e as potenciais consequências, fundamentando as decisões. De igual forma, é importante ser confiante, para poder encarar situações mais difíceis e assumir o resultado das suas decisões.

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“A MENTE QUE SE ABRE A UMA NOVA IDEIA JAMAIS VOLTARÁ AO SEU TAMANHO ORIGINAL”. ALBERT EINSTEIN A origem etimológica da palavra flexibilidade está no latim flexibilitare e significa capacidade de adaptação – sejam situações novas ou superar desafios e obstáculos. Uma pessoa que tenha uma maior flexibilidade cognitiva está mais apto para se adaptar a qualquer circunstância. Nesta competência, faz-se muito o uso do pensamento criativo, que ao invés de se deixar ficar preso no pensamento automático usa a memória, a percepção, a intuição e os pensamentos para reestruturar regras, interpretar situações, desenvolver respostas adequadas, encontrar novas estratégias e comportamentos. Uma mente flexivel não fica preso apenas a uma ideia e aceita a viagem da mudança. A essência da vida é a transformação e precisamos de estar disponíveis para estas mudanças e com capacidade de resolver as possíveis adversidades que surjam pelo caminho.


E ADQUIRE Leste o artigo Login 2020, sobre as competências transversais? Sobre o futuro do emprego? E sobre o Rumo do Capital Humano? A velocidade das alterações e a quantidade de competências necessárias pode ser intimidante. Não entres em pânico. É certo que a preparação pode fazer toda a diferença no teu sucesso profissional do futuro. Queres adquirir as competências certas e não sabes como? A Forum Estudante pode ajudar-te! As Job-Partys são iniciativas que têm como objectivo ajudar os jovens a entrar no mercado de trabalho. Nestes seminários, podes aprender a fazer um CV imbatível, dominar as soft-skills que os empregadores valorizam, preparar-te para uma entrevista de emprego, criar um LinkdIn eficaz e conhecer os melhores estágios.

Mas há mais opções! Os Gabinetes de Inserção na Vida Ativa e Gabinetes de Saídas Profissionais das instituições de ensino superior também te podem ajudar. A sua missão é dar apoio neste grande passo da vida dos jovens que estão a terminar a sua formação, na procura de trabalho. Por essa razão, possuem contactos com parceiros do mercado de trabalho, muitas informações sobre estágios, dinamizando ainda atividades para aquisição de competências. O Futuro não espera! Agarra a oportunidade!

De 10 de Outubro a 6 de Dezembro deste ano, a 8ª edição das JobParty vai estar a viajar pelo país. Descobre se a Instituição de Ensino Superior onde estudas é parceira e junta-te a nós numa missão de sucesso e de capacitação.

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7 passos para uma carta com selo de Em vários contextos profissionais ou académicos, vai-te ser requerida a entrega de uma carta (ou email) de apresentação – um documento que resuma as tuas características e motivações. Fica a conhecer 10 formas de garantir o teu sucesso.

1

Foca-te nas tuas características

Se pretendes mostrar que és a pessoa indicada para uma posição, deves focar-te não só nas tuas características mas também nas mais-valias que poderás trazer à empresa/organização. Pesquisa a missão do empregador para que saibas quais os principais pontos de contacto com o teu perfil.

2

Coloca em evidência as tuas razões (valorizando-te)

Deves conseguir transmitir, desde logo, a razão pela qual te candidatas a esta oferta de emprego em específico. Essa é uma forma de personalizares a tua candidatura e de valorizares o teu percurso profissional.

3

Não imites (ou copies) ou currículo

A carta de apresentação é uma ferramenta complementar ao CV. Por essa razão, não deve ser uma cópia resumida do currículo. Uma vez que deverás também demonstrar a tua capacidade de síntese e coerência textual, deves fazer a ligação entre o teu percurso profissional, as tuas competências e as necessidades da empresa.

4

Sê eficaz (desde o início)

A abertura de uma carte de apresentação pode (e deve) ser original. Contudo, independentemente da tua opção, tem em conta que ela deve ser, sobretudo, eficaz. Sê conciso e responde rapidamente às necessidades. Por exemplo: “em reposta ao vosso anúncio para recrutar o financeiro, reúno as qualidades profissionais que correspondem ao perfil que procuram”.

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Pronto para trabalhar!

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Sê CCD (ou DCC ou CDC)

A originalidade não é sinónimo de complexidade. Claro, Conciso e Direto deverão ser as tuas regras orientadoras no discurso. Ao evitares informação desnecessária e ao seres claro, vais, desde logo, mostrar capacidades de síntese e de responder a objetivos. Por essa razão, escreve no máximo quatro a cinco parágrafos e utiliza frases curtas.

6

Coloca o otimismo em destaque

A escolha do tom partirá sempre de ti próprio. Contudo, a escolha por um registo “positivo” poderá favorecer-te. Ao não utilizares frases na negativa, por exemplo, farás pensar uma mensagem assertiva e confiante ao teu texto.

7

Não exageres (nem mintas)

A mentira é sempre uma má opção. Vai colocar em causa a tua integridade e profissionalismo. De igual forma, procura evitar exageros. Estes são, muitas vezes, mais transparentes do que pensas. Sê objetivo na tua descrição, colocando em evidência as qualidades que realmente acreditas ter.


Como uma entrevista de emprego? Foste chamado para uma entrevista? A primeira coisa que deves fazer é tentar manter a calma, de forma a conseguires mostrar todo o teu valor. Para tal, há alguns conselhos que podes seguir para que tudo corra pelo melhor.

Antes da entrevista Antes de mais, aumenta a tua confiança. Ser chamado para uma entrevista de emprego significa que há interesse por parte dos jurados ou recrutadores, que reconhecem o teu valor. Há coisas que estarão fora do teu controlo, é certo. Mas podes tentar gerir os imprevistos, preparandote: reúne a maior quantidade de informação possível sobre a instituição ou empresa. De igual forma, deves “estudar-te” a ti próprio. Deves reler várias vezes o teu currículo, de forma a poderes explicar com eficácia os elementos que escolheste para te descrever (personalidade, competências, motivações, formações, etc…). Outro dos detalhes que poderá fazer toda a diferença prendese com a preparação material. Deves levar toda a documentação que penses ser interessante e eventualmente necessária. O portfolio, os trabalhos realizados, bem como as cartas de referência, os diplomas e certificados poderão sempre ser úteis. Algo que deves ter em conta é a possibilidade de existir um exercício para resolver. Não vale a pena preocupares-te com o tipo de exercício, uma vez que não vais saber até este surgir. Mas prevê essa possibilidade para que não sejas apanhado de surpresa.

A tua principal preocupação deve ser a preparação ou o “controlo de danos”. Por isso, joga pelo seguro: chega 15 minutos antes da hora marcada, para te poderes preparar, já no ambiente da entrevista. Cuida a tua apresentação, sem sentires que estás a sacrificar aquilo que sentes que te caracteriza. Há ainda uma questão adicional que pode surgir. O salário. Para ires preparado, informa-te dos valores praticados em funções similares e foca o desempenho em vez dos valores. Deves ainda indicar um intervalo com valores mínimos e máximos e não deves esperar que seja o empregador a referir o tema do ordenado. Relativamente à entrevista em si, há ainda algumas questões que deves ter em atenção (ver caixa). Se seguires estes conselhos e te preparares, verás que vais passar uma boa imagem. E lembra-te: a decisão não está nas tuas mãos, por isso, não coloques demasiada pressão em ti próprio. Recorda as tuas qualidades e pensa que só tens de as colocar em evidência para que tudo corra bem.

n Não deixes frases por terminar: sê conciso e mostra que dominas o assunto. Se sentires que a tua resposta está a fugir à questão, tenta encontrar um final rapidamente. Procura não responder “em círculos”. n Procura manter o contacto visual com o grupo de entrevistadores, evitando olhar para baixo quando falas. n Evita as expressões mais informais como “tipo”, “bué” ou “hã?”. n Não tentes ditar o ritmo da entrevista. Espera que te seja colocada uma questão e procura dar respostas curtas. n Não mintas nem exageres a realidade. A verdade é sempre preferível. n Não temas o silêncio e utiliza-o a teu favor. Ao pensares na resposta durante uns segundos, vais captar a atenção de quem te entrevista. n Mantém a negatividade fora da sala. Sê simpático, alegre e não critiques negativamente um chefe ou antigos colegas. n Levanta-te apenas depois do entrevistador. Não te esqueças de agradecer a oportunidade de entrevista.

Durante a entrevista A entrevista é um momento de interação. Por essa razão, há também espaço para que coloques as tuas questões. Esta é a forma que tens para recolher informação sobre as condições de trabalho, progressão, expectativas, etc… De resto, essa opção pode significar uma atitude dinâmica perante o entrevistador.

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EXEMPLOS

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Pronto para trabalhar!


Como fazer um CV O objetivo não é propriamente fácil: resumir, de forma interessante, o percurso de vida. Isto tendo em conta que cada empregador dedica, em média, 30 segundos à leitura do teu currículo. Sabes como captar a atenção? Uma das primeiras conclusões que podes tirar dizem respeito ao significado literal de curriculum vitae: “percurso de vida”. Por essa razão, o teu currículo não deve apenas conter a tua formação académica ou experiência profissional. Para te distinguires, refere também as experiências menos óbvias mas que tenham assumido um papel fundamental no teu crescimento. Contudo, deverás ter em atenção a extensão do teu currículo. Muitas vezes, os recrutadores não optam por fazer uma análise pormenorizada do teu percurso. Por essa razão, deves escolher as informações que consideras absolutamente relevantes. Neste processo de seleção, deves ter em atenção quem vai receber o teu CV. Ou seja, deves adaptar as informações que escolhes à empresa/organização e à função a que te estás a candidatar. Para tal, não hesites em fazer uma pesquisa prévia.

TEM CUIDADO COM O ASPETO GRÁFICO – UTILIZA UM MODELO QUE, INDEPENDENTEMENTE DO PENDOR CRIATIVO, COLOQUE EM EVIDÊNCIA A INFORMAÇÃO MAIS IMPORTANTE.

Uma ideia importante, neste ponto, é que o teu perfil se adapte à função a que te candidatas. Terás mais hipóteses de conseguir essa posição se mostrares que tens as qualidades e experiência certa para esta função. De igual forma, tem em atenção que a simplicidade é amiga da compreensão. Utiliza frases e parágrafos curtos, limitando o número de ideias que colocas em cada oração. Tudo para que o teu CV seja de fácil (e rápida) compreensão. Ainda relativamente à fácil leitura do teu currículo, tem cuidado com o aspeto gráfico – utiliza um modelo que, independentemente do pendor criativo, coloque em evidência a informação mais importante. Tem ainda cuidado com manchas ou dobras nos cantos. Tem ainda em conta um dos aspetos mais relevantes e que podem fazer toda a diferença: diz a verdade. Para além de ser errado, a tentação do exagero é grande mas, no futuro, pode virar-se contra ti, no momento de uma entrevista em pessoa, por exemplo, ao colocares logo em causa a tua integridade. Revê o texto com um corretor ortográfico, não utilizes abreviaturas, evita os pronomes pessoais (como “eu”), as palavras negativas (como “problema”) e as bengalas de linguagem (“assim como”). Ainda relativamente à construção frásica, utiliza os verbos na forma ativa – escolhe o “criação de soluções” em vez do “as soluções foram criadas”. Por fim, evita as palavras que não conheces na perfeição e os clichés (“dinâmico”, “responsável”, etc…). Associa as tuas características às funções que descreves – por cada função e objetivo, deves referir as competências envolvidas. Seguiste todos estes conselhos? Agora é só mesmo pedir a um amigo ou a alguém da família para dar uma leitura ao teu currículo, para acertar pormenores. Uma visão externa é sempre positiva, ao trazer-nos perceções que, muitas vezes, não consideraríamos. Boa sorte!

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As

dos recrutadores

RATIVA IN O B A L CO A R TU S O AP M U

SÊ T U M

ES MO !

MO STR A

Para que contes com uma ajuda especializada, falámos com alguns responsáveis de Recursos Humanos e recrutamento de várias empresas. Confere os conselhos que têm para te oferecer.

SUSANA BOGALHO DIRETORA DA PSICOTEC PORTUGAL

R OC

L

Pronto para trabalhar!

P

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Informa-te sobre a empresa/organização para a qual te estás a candidatar. Utiliza várias fontes de informação – redes sociais, noticias, amigos que lá trabalhem ou tenham trabalhado – para poderes tomar uma decisão (mais) consciente sobre o teu futuro!

AG R A D E C E A O

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ORT U N ID A D E

2

Todas as fases do processo são importantes: desde o primeiro envio de email com CV até à aceitação da proposta de trabalho, incluindo os contactos (telemóvel e email). Mostra uma postura colaborativa, profissional e facilitadora do processo.

ES U Q I IT

1

Sê tu mesmo! Pensa em histórias para contar sobre momentos de sucesso e de insucesso com os quais tenhas aprendido e com que tenhas desenvolvido como pessoa e/ou profissionalmente, não esquecendo a forma como contribuíste.


MARIA DIAS CONSULTORA SÉNIOR DA MICHAEL PAGE INTERIM MANAGEMENT

VA INFORMA-TE

1

É normal algum nervosismo no alcance da primeira experiência profissional; a vontade de vencer é enorme e as garantias são poucas. Uma comunicação fluída e “pouco estudada” é a chave, pelo que deves estar ciente dos teus objetivos e saber descrevê-los com segurança.

CO

MU

UÍDA O FL AÇÃ NIC

2

Deves afastar-te dos objetivos utópicos. Isto é, para um primeiro emprego não podes esperar ingressar numa função altamente técnica ou até mesmo de chefia. Há que ter humildade e a vontade de aprender para mais tarde alcançar o sucesso.

3

HUMILDADE ESTRU

A estruturação mental do que queres ser deve estar em concordância com o teu background académico. A opção estará em que sector terás preferência e por que departamento iniciar.

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T UR A Ç Ã O ME N T AL

Agradece de forma franca a oportunidade de entrevista e procura causar sempre uma boa impressão. Mesmo que não sejas escolhido(a) para essa vaga, poderás voltar a ser considerado(a) no futuro.

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Nunca critiques antigos professores, colegas, estabelecimentos de ensino, chefias ou organizações! Mostra lealdade e apreço pelos anteriores empregadores (mesmo que tenhas alguma razão de “queixa”).

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Chega sempre antes da hora marcada e vai vestido(a) como se já estivesses a trabalhar (nunca uses chinelos, calções ou alças).

ISABEL BENTO DIRETORA DE RECURSOS HUMANOS DA APPACDM DE LISBOA 37

UA SÊ PONT

L

A


O que dizem os

?

Ter a iniciativa de começar um negócio e criar o próprio emprego pode ser uma opção que te interessa. Mas quais os principais desafios com que se debateram alguns empreendedores? E que conselhos têm para oferecer? Fomos procurar a(s) resposta(s).

MARCO DE ABREU INICIADOR DA JOÃO SEM MEDO – COMUNIDADE DE EMPREENDEDORES EVOLUCIONÁRIOS

Olhando para a minha experiência empreendedora, encontro vários mitos associados a esta atividade. Desde logo, o Mito da ideia – “tenho de ter uma ideia espetacular” (ou não tenho ideias). Na minha experiência, começámos com uma intenção, com uma ideia, uma coisa de rascunho. A ideia foi sendo criada projeto a projeto e evoluindo com a empresa e com o seu ambiente - o Mundo a nossa volta. Depois, há que ter em conta o Mito do plano (e da equipa) perfeito. Os planos de negócio que fizemos, no início, pouco tinham a ver com a empresa e o seu desenvolvimento. Nenhum plano nos poderia preparar para o que vivemos a partir de 1996 com a ascensão da internet, a entrada da Microsoft e de outras empresas neste espaço, os telemóveis, a internet móvel, a internet das coisas, etc… E para tudo o que se avizinha... Por fim, há que ter em conta o Mito do Dinheiro – o “não tenho dinheiro e não conheço ninguém que tenha dinheiro, logo, não vou conseguir fazer e executar o meu plano de negócios”. Não conheço uma ‘proposta de valor’ que tenha mostrado o seu mérito e que não se tenha desenvolvido por falta de dinheiro. Mais importante que ter dinheiro é conhecer quem tenha e desenvolver uma ‘proposta de valor’ clara e sustentada por clientes e/ou utilizadores.

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A UNIVERSIDADE É UMA EXCELENTE FERRAMENTA PARA INICIAR A VIDA PROFISSIONAL, MAS NÃO É O SEU FIM, NEM O GARANTE DE NADA PER SI. Pronto para trabalhar!


CARLA MARINA SANTOS DIRETORA EXECUTIVA E MASTER COACH NA CAPACITARE

Se queres empreender, começa por ti! Começa por reconhecer o motivo pela qual queres embarcar nesta viagem. Neste processo, tens de acreditar, de saber liderar e de encontrar formas de te automotivar – se estiveres à espera que o façam por ti, vais desiludir-te. Por outro lado, tens de saber planear com risco (controlado), com inovação e saber traduzir todas as ideias para o papel (Memória Descritiva e Plano de Negócio). Lembra-te que, ao longo dos próximos tempos, vais ser testado/a ao mais alto nível. Se a tua vontade for apenas um capricho, certamente vais saltar para outra ideia. Se for algo consistente e bem elaborado, vais conseguir sair do plano para a materialização. Nunca te esqueças que ser empreendedor requer o fortalecimento de alguns músculos: a Honestidade, a Entrada em Ação, a Coragem e o Apego/Desapego. Para além disso, requer que te conheças bem a ti próprio: qual é o teu T.R.E — Trabalho Realmente Execional e quais são as tuas C.H.A – Competências, Habilidades e Atitudes?

TENS DE ACREDITAR, DE SABER LIDERAR E DE ENCONTRAR FORMAS DE TE AUTOMOTIVAR

RICARDO FONSECA CHIEF PEOPLE OFFICER & STRATEGY DIRECTOR AT COMON GROUP

Ao longo dos anos, cheguei à conclusão, que a Universidade é uma excelente ferramenta para iniciar a vida profissional, mas não é o seu fim, nem o garante de nada per si. Aprendi também, com as pessoas com que me tenho cruzado, que os cursos dizem muito sobre a nossa personalidade. E ainda bem que assim é. Não vale a pena escolher mestrados com muita reputação e saídas profissionais, se depois vamos estar infelizes. A vida é, mesmo, muito curta. E as empresas sabem disso. Hoje em dia, procuram-se profissionais apaixonados com desejo de mudar o mundo e o propósito das coisas. Há muito espaço para crescer. A coragem, a par do talento bruto e do conhecimento técnico, são os três ingredientes que, na minha opinião, compõem o espirito empreendedor. Portanto, aos que sempre sonharam em criar o seu próprio espaço no mundo, quer seja através de um novo negócio ou de uma ideia, potencialmente estapafúrdia, agarrem nas bases que vos deram na Universidade e sejam corajosos. O mundo precisa do vosso carisma.

NÃO CONHEÇO UMA ‘PROPOSTA DE VALOR’ […] QUE NÃO SE TENHA DESENVOLVIDO POR FALTA DE DINHEIRO.

PAULO CANAS CO-FUNDADOR DO PROJETO SOCIAL SURF.ART FUNDADOR DO PROJETO CHANGING TO BLUE

“Ser” Empreendedor(a) é um desafio constante e, sobretudo, um caminho de aprendizagem sobre o próprio(a). Esta aprendizagem faz-se no sentido da construção de um projeto que passa da mente para a realidade: um caminho onde o sucesso e o fracasso são os nossos melhores mentores. A aprendizagem é efetuada também no sentido em que o(a) próprio(a) empreendedor entra em contato com os seus limites, sendo a sua capacidade de resiliência colocada à prova. Na minha experiência, os momentos mais enriquecedores foram aqueles em que interagi com outros. Um dos conselhos que pode fazer diferença é termos a preocupação em estar rodeados de pessoas que conhecem o mercado/sector/área em que queremos implementar o projeto. São essas as pessoas que nos colocam as perguntas difíceis e que fazem o projeto, e nós próprios, crescer. A mentoria é importante para que o Empreendedor(a) tenha, ao seu lado, uma pessoa focada em alavancar o seu potencial e do projeto. E também para antever potenciais obstáculos e ajudar na descoberta de ferramentas de negócio, networking, entre muitos outros aspetos. No fundo, para abrir caminho e dar apoio a quem empreende.

“SER” EMPREENDEDOR É UM DESAFIO CONSTANTE E, SOBRETUDO, UM CAMINHO DE APRENDIZAGEM SOBRE O PRÓPRIO. 39


O meu primeiro Certamente já te passou pela cabeça, mais do que uma vez, como será o primeiro impacto no mundo do trabalho: quais as expectativas e as possíveis deceções, os desafios e os obstáculos. Para te ajudar a respirar fundo e receber esta experiência de braços abertos, partilhamos contigo os testemunhos de alguns jovens que se encontram no seu primeiro emprego.

ANTÓNIO ABREU 19 ANOS, TORRES VEDRAS

O meu processo foi muito curioso. Estava à procura do meu primeiro trabalho e comecei a deixar vários CV’s em mão, em todos os lugares onde procuravam colaboradores. A minha primeira e única entrevista acabou por acontecer por telefone, tal era a urgência da empresa em recrutar alguém. No meio de várias questões práticas, o mais importante foi a minha resposta de disponibilidade total. Fui aceite e, no dia seguinte, já estava no local de trabalho. O primeiro contacto correspondeu às expectativas que tinha criado. É um trabalho exigente a nível mental, por se desempenhar a mesma tarefa consecutivamente. A integração com os colegas correu bem, sem dificuldades ou obstáculos. Acredito que a postura de disponibilidade abriu todas estas portas e me ajudou a chegar até aqui tão rapidamente, assim como estar preparado, mentalmente, para desempenhar qualquer tarefa.

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ACREDITO QUE A POSTURA DE DISPONIBILIDADE ABRIU TODAS ESTAS PORTAS E ME AJUDOU A CHEGAR ATÉ AQUI TÃO RAPIDAMENTE Pronto para trabalhar!


PETRA ENCARNAÇÃO 22 ANOS, LISBOA

A minha experiência no “Mundo do Trabalho” (não percebendo porque o classificamos como um mundo à parte, pois para mim ele é simplesmente o nosso quotidiano) não foi difícil mas também não foi fácil. O meu primeiro contacto foi feito ainda não tinha ingressado na Faculdade – o que até foi bastante fácil de conseguir. Hoje, depois de me formar e especializar, olho para o mercado de trabalho como um deserto onde todos procuramos a última gota de água, aquela que nos sacia, com um contrato e rendimentos equitativos à nossa formação académica, assim como a nossa experiencia. O meu reencontro com o “mundo do trabalho”, depois de licenciada, proporcionou-se através do contacto com amigos que tinham recusado uma proposta. Foi fácil a integração com a equipa, mas não foi fácil ter que lidar com o facto de não me encontrar a desempenhar funções de acordo com a minha área de formação. É desta forma que ainda continuo à procura daquela gota milagrosa. A minha opinião, muito enviesada pela minha experiência, é que não é fácil sentir que não há lugar para nós, que não existe um espaço digno destinado a quem se especializou para fazer evoluir o seu país e agora tem de se conformar e continuar à procura da sua oportunidade.

FOI FÁCIL A INTEGRAÇÃO COM A EQUIPA, MAS NÃO FOI FÁCIL TER QUE LIDAR COM O FACTO DE NÃO ME ENCONTRAR A DESEMPENHAR FUNÇÕES DE ACORDO COM A MINHA ÁREA DE FORMAÇÃO.

DAVID FERNANDES 20 ANOS, LISBOA

A história do meu primeiro trabalho foi curiosa. Tudo começou aos 16 anos: um jovem estudante introvertido que queria sair da sua zona de conforto. Comecei a procurar a minha primeira experiência no mercado de trabalho e encontrei um part-time numa pastelaria, onde tive contacto com vários tipos de pessoas, tornando-me mais comunicativo, sendo, desta forma, uma experiência enriquecedora. Este primeiro trabalho permitiu-me ser mais responsável e a gerir melhor o meu tempo pois coincidiu com o final do meu ensino secundário e início da minha licenciatura. Mas nem tudo foram coisas boas. Este primeiro impacto com o mercado de trabalho português permitiu-me perceber que, muitas vezes, a entidade patronal não remunera as pessoas consoante a sua produtividade. Isso refletese nas desigualdades que existem no próprio local de trabalho, onde existem trabalhadores que não produzem valor para a empresa, em comparação com outros que se dedicam ao seu trabalho e são o mais eficientes possível. No final de todos os meses, a renumeração é igual para todos os que têm a mesma função.

ENCONTREI UM PART-TIME NUMA PASTELARIA, ONDE TIVE CONTACTO COM VÁRIOS TIPOS DE PESSOAS, TORNANDOME MAIS COMUNICATIVO 41


Conheces os teus direitos? Cada vez mais, esta é uma realidade do mercado de trabalho atual e uma opção que poderá passar pelo teu futuro. Por essa razão, damos-te a conhecer algumas das características deste tipo de relação de trabalho. Entre maio e julho, as empresas portuguesas apresentaram no IEFP pedidos para mais de 17 mil estágios – um número que ultrapassa largamente as 8 mil vagas previstas. De resto, esse mesmo interesse já havia levado o IEFP a duplicar o número de vagas (de 4 mil para 8 mil) e a dotação orçamental (37,6 milhões de euros). A procura por este tipo de estágios tem aumentado, ao longo dos últimos anos. O facto de se tratarem de estágios remunerados, em que o Estado financia parte do vencimento do trabalhador, tornam esta opção muito apetecível para as empresas e instituições que, no máximo, contribuem com 35% dos custos e com o pagamento da Taxa Social Única (TSU). Contudo, isso não significa que os estágios não sejam oportunidades válidas, com vista à entrada no mercado de trabalho. Numa entrevista ao jornal Público, em 2016, o secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita, destacava que “não faz sentido diabolizar os estágios profissionais”. Estes são, acrescentava, “uma medida muito importante se forem utilizados para gerar uma oportunidade justa de alguém aceder a um emprego”. Este ano, por exemplo, foram contratados cerca de 1500 ex-estagiários pela empresa que os acolheu durante o estágio, ao abrigo da medida “Prémio ao Emprego”. Por outro lado, contudo, há também relatos de abusos e alegadas fraudes cometidas neste tipo de relação laboral, que levaram, inclusivamente, o IEFP a anunciar uma “auditoria interna”, em agosto de 2016, com vista, nomeadamente, a “defender os estagiários e para que eles possam estar mais acompanhados”, revelou o Presidente do IEFP, António Valadas da Silva, também ao jornal Público. Como em qualquer relação de trabalho, é importante que tu próprio conheças os direitos e deveres a que estás sujeito. Tudo para que esta oportunidade te seja apresentada de forma justa e também para que saibas o que é esperado de ti.

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Quais são os meus direitos enquanto estagiário?

Duração e vencimento A duração tipo destes estágios é de 9 meses, sendo que em alguns casos, poderá ser alargada para 12. O vencimento é calculado em função da qualificação do estagiário e varia entre os 505,58€ e os 737,31€.

Refeição e subsídio de alimentação O estagiário tem direito a refeição ou subsídio de alimentação, conforme praticado para a generalidade dos trabalhadores da entidade promotora do estágio. Na sua ausência, a entidade pagará o subsídio fixado para os trabalhadores da função pública (4,52€). Por fim, este subsídio pode ser pago em forma de tickets ou através de cartão de refeição.

Seguro É direito do estagiário beneficiar de um seguro de acidentes de trabalho que preveja os riscos que possam ocorrer durante e por causa do estágio.

Dispensa No caso dos estágios de 12 meses, os estagiários têm direito a um período de 22 dias úteis de dispensa. No entanto, o estagiário não têm direito a subsídio de férias ou de natal.

Orientação Todos os estagiários têm direito a ter um orientador que fará o acompanhamento técnico e pedagógico, supervisionando o seu progresso. No final, este responsável avaliará os resultados obtidos, tendo em conta os objetivos fixados no plano individual de estágio.

Pronto para trabalhar!

D


DIREITOS &DEVERES Transporte Nos casos de estagiários que sejam pessoas com deficiência ou incapacidade, refugiados, ex-reclusos ou toxicodependentes em recuperação, estes têm direito a que a entidade de acolhimento assegure o transporte entre a residência e o local do estágio. Em alternativa, a empresa poderá pagar as despesas de transporte.

Horário É aplicável ao estagiário o regime da duração e horário de trabalho, dos descansos diário e semanal, dos feriados, das faltas e da segurança, higiene e saúde no trabalho aplicável à generalidade dos trabalhadores da entidade promotora.

Trabalhador Estudante Os candidatos a estágio que já possuam este estatuto antes da data de seleção poderão continuar a estar incluídos nesse regime. Nos restantes casos, os estagiários só poderão justificar as faltas motivadas por prestação de provas de avaliação.

Recusar funções O estagiário poderá recusar a prestação de trabalho, ainda que a título temporário, que não se enquadre nas atividades relacionadas com o estágio. Estas são, habitualmente, definidas no contrato de estágio.

E os deveres? Internacionalização Existe a possibilidade de realização de uma parte do estágio no estrangeiro (até um terço da sua duração), seja por períodos seguidos ou interpolados. Para tal, a entidade promotora deverá indicar essa intenção ao IEFP.

Certificado gratuito No final do estágio, deve ser facultado ao estagiário o respetivo certificado, de forma gratuita.

O estagiário deve comparecer com assiduidade e pontualidade, tratando com “urbanidade” a entidade promotora e respetivos representantes. Existe ainda um dever “de lealdade”, nomeadamente não transmitindo para o exterior informações que recolha na duração do estágio. Estão ainda incluídos nos deveres do estagiário o cuidado com os equipamentos e bens que lhes sejam confiados: se os danos produzidos resultem de comportamento doloso ou gravemente diligente, cabe ao estagiário pagar a substituição ou reparação dos equipamentos.

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O que é o

?

Entendido como o estabelecimento de uma rede alargada de contactos profissionais, o networking tem visto a notoriedade crescer, nos últimos anos. Mas a sua definição vai para além do significado literal: pode ser visto como uma filosofia, em que na base está o conceito da partilha. Partilha de informações, contactos, conhecimentos, ideias, oportunidades, alianças, entre outros. Todos estes elementos colocam em evidência uma interdependência assumida, onde as pontes são os caminhos principais a ser trilhados e onde se estabelecem relações de colaboração importantes. Quanto maior for a nossa rede, maior é a oportunidade de ter uma boa colocação profissional e de realizar projetos ou negócios.

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Alargando a nossa rede de contactos, poderemos chegar a outras pessoas, criar novas pontes e alcançar um maior número de profissionais com quem poderemos partilhar ou mesmo co-criar. Sempre na perspetiva de que existe um benefício mútuo para as partes envolvidas.

Pronto para trabalhar!

Nesta relação, é importante cuidar das pessoas com quem criamos ligações e manter o contacto, porque nunca sabemos quando iremos precisar de atravessar a ponte novamente. Devemos também ter bem definido o nosso objetivo, quando criamos e comunicamos com a nossa rede. Nem sempre conseguiremos atingir a meta à primeira tentativa e, por esse motivo, é sempre bom ter alguns contactos adicionais a quem solicitar algum tipo de apoio, ajuda ou informação. A melhor forma de começar esta rede é através das pessoas mais próximas, como familiares, amigos, colegas de trabalho ou ex-colegas. Esta construção exige esforço, dedicação e perseverança. Um dos truques é ter uma base de dados de contactos atualizada. Outra boa prática passa por aproveitar todas as oportunidades para conhecer pessoas novas e estabelecer relações de partilha. É também um excelente motivo para viver novas experiências e escutar perspectivas diferentes das nossas, estimulando o nosso lado criativo e de pensamento “fora-da-caixa”.


Um

é: Capacidade de arriscar e prever Optimista

Líder Perícia profissional Criativo

Espírito de iniciativa

Capacidade de adaptação

ESTÁ ATENTO TIMING AGARRA A OPORTUNIDADE!

ATITUDE DÁ O PASSO, POSITIVO E DETERMINADO

PENSAMENTO RESILIÊNCIA!

VISÃO A 360º

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NO TEMPO Antes

AMPLITUDE Antecipar e prever é essencial Observar a vida de outro ângulo Observar a longa distância Pronto para trabalhar!


Tipo de empreendorismo:

Vontade

Capitalista: sobretudo individual, voltado para o mercado Social: prossegue um projeto de interesse geral, resultado do envolvimento social e voltado para o desenvolvimento local, que possui como agente o indivíduo ou a comunidade; Coletivo: possui como agente um indivíduo e um coletivo com um projeto que é sobretudo empresarial mas com natureza coletiva. Todos/ as os/as envolvidos/as na organização identificam as necessidades não satisfeitas, constroem as soluções e reuném-se na mesma estrutura pessoas que são, simultâneamente, “proprietárias” e trabalhadoras na organização. Um grupo de pessoas associa-se, mobiliza recursos, partilha um projecto e concretiza acções – uma cooperativa

EMPREENDEDOR Adjetivo: que é cheio de iniciativa e vontade para iniciar novos projectos; activo; energético; dinâmico; arrojado Nome: masc.; aquele que empreende; indivíduo cheio de iniciativa e vontade para iniciar projectos novos, mesmo quando são arriscados In Infopédia, Porto Editora, 2003-2014 www.infopedia.pt

Durante

Após

Não desistir à primeira Adaptar e readaptar Saber erguer depois da queda

Recompensa pelo seu trabalho Prazer da conquista Abrir caminho para outros terem sucesso

PERSISTÊNCIA

GANHO

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. Faz o teu cartão de visita Qual a forma de, no menor espaço de tempo, criar o maior interesse possível em quem nos ouve? As regras do elevator pitch são claras e podem ajudar-te a comunicar. Conversa de elevador, já ouviste esta expressão? São momentos onde nos cruzamos com alguém durante pouco tempo e não há oportunidade para desenvolver o tema de conversa. O pitch, ou elevator pitch, é a resposta para este problema. É o que respondemos quando alguém nos pergunta o que fazemos e criamos interesse, ao ponto de nos pedirem para explicarmos melhor. Uma viagem de elevador não demora mais do que 5 minutos, por isso, o teu pitch tem que ser mais curto. Entre um a três minutos, terás tempo para explicar de uma forma concisa e cativante o teu produto, empresa ou projecto. O pitch contém apenas informação essencial e apelativa e, para te focares nestes pontos, tens que conhecer bem o que estás a apresentar, assim como a tua audiência. Antes de criares o teu pitch toma nota destas dicas principais:

Faz perguntas e estuda o teu público-alvo Sem receio de ser chato, coloca questões e dá a oportunidade a outros de expressarem a sua opinião e as suas necessidades. Poderás aprender muitas coisas desta forma. Será também uma excelente oportunidade para a tua pesquisa e observação do teu público-alvo e, assim, desenvolveres um pitch à medida.

Descobre o problema O teu produto ou serviço vai culmatar uma necessidade que existe na tua audência. Dessa forma, é importante compreender o problema, para que possas introduzir no teu pitch a forma ideal de o resolver.

Cria associações Vais querer que o teu produto seja único, claro. No entanto, associando o teu produto ou serviço a algo que o público já conhece, consegues encontrar um caminho mais rápido para que estes se identifiquem com a necessidade que precisam de ver preenchida. Após a associação é importante criar uma distância. Nunca te esqueças que o teu produto ou serviço é único!

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PARECE MUITA INFORMAÇÃO PARA TRÊS MINUTOS? TALVEZ. MAS APENAS SE NÃO CONSEGUIRES SER DIRECTO, CONCRETO E CONCISO. ESTAS CARACTERÍSTICAS PODEM SER DIFÍCEIS DE ALCANÇAR, POR ISSO, É MELHOR COMEÇARES A TREINAR E A OUVIR OUTROS PITCHS PARA TE INSPIRARES! O que te torna único Depois de compreenderes o teu público-alvo, de identificares o problema, de apresentares uma solução e de criares uma associação, é o momento de expressares a autenticidade que trazes ao mercado. Afinal, o que te torna tão único e especial? Este ponto do pitch é crucial para o seu sucesso.

Apresenta os resultados Sendo único, é importante quantificar e qualificar essa qualidade de que tanto te orgulhas. Podes usar estatísticas, números, e dados concretos para tornares a tua informação real. Desta forma, o sonho passa a ser algo concreto e acessível.

Faz o teu pedido É o momento de observares com atenção a tua audiência e compreenderes se estão concentrados no teu discurso. Se sim, aproveita esse momento para lhe pedires o que queres. Atenção: coloca o teu pedido centrado naquilo que o teu público-alvo deseja. Só desta forma irás obter uma resposta positiva. De qualquer forma, se não questionares, o “não” estará garantido.

Pronto para trabalhar!


Guia do 1º emprego 2017  
Guia do 1º emprego 2017  

O Guia do Primeiro Emprego é uma ferramenta fundamental para quem vai pela primeira vez para o mercado de trabalho. A edição de 2017/8 trata...

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