Issuu on Google+

K_Layout 1 20/03/14 15:35 Page 1

GUIA DO

Edição especial da revista FORUM ESTUDANTE | distribuição gratuita – NÃO PODE SER VENDIDO Anual • Ano V • 2014 • disponível em pdf em www.forum.pt/emprego

201

4

como fazer

um bom curriculum vitae

o que é ser

empreendedor? competências chave o que os empregadores procuram em ti

trabalhar no estrangeiro

Primeiro Emprego

vais conseguir! “Cada vez mais cedo os jovens incorporam a lógica da empregabilidade” Jorge Gaspar, presidente do IEFP

“Os jovens têm de agir com as ferramentas que têm ao seu alcance” Maria do Céu Crespo, Diretora da ANPROALV


VK_Layout 1 13/03/14 11:16 Page VCK1

The most valuable English hlXc`ÔZXk`fej`ek_\nfic[

Pflikey to gifÔZ`\eZp in English Cambridge English: › Key (Key English Test), level A2 › Preliminary (Preliminary English Test), level B1 › First =`ijk:\ik`ÔZXk\`e<e^c`j_ , level B2 › Advanced :\ik`ÔZXk\`e8[mXeZ\[ English), level C1 ›GifÔZ`\eZp :\ik`ÔZXk\f]GifÔZ`\eZp in English), level C2 N\gifm`[\k_\nfic[Ëjc\X[`e^iXe^\ f]hlXc`ÔZXk`fej]fic\Xie\ijXe[ k\XZ_\ijf]<e^c`j_%

www.cambridgeenglish.org/pt


01 editorial_Layout 1 21/03/14 11:47 Page 1

1

guia do 1º emprego 2014

editorial

Não vale a pena repetir o que todos já estamos cansados de ouvir. A crise, o desemprego, a recessão já ocupam espaço excessivo na nossa agenda e não há nada de novo a acrescentar. O importante é sermos capazes de ir além deste panorama negro. Claro que não o negamos, nem pintamos o mundo de cor-de-rosa. Mas verdadeiramente útil neste contexto é olhar para o que está ao nosso alcance fazer para contrariar a crise. É isso que nos permitirá, no momento oportuno, poder conquistar a oportunidade de trabalho que ambicionamos. Esta atitude exige que nos preparemos convenientemente, procurando conhecer – na teoria e na prática – o que esperam as empresas quando contratam um recém-diplomado. Aliás, esse é um dos grandes desafios: pensar mais no que o mercado de trabalho espera de mim e preparar-me para responder com sucesso aos requisitos esperados. É vital perceber que, hoje como nunca, uma empresa contrata e retém talentos que lhe acrescentem valor e gerem riqueza. Isso quer dizer capacidade de resolver problemas, conquistar clientes, ser capaz de trabalhar em equipa, ser eficaz na comunicação, estar focado em resultados e assumir-se como portador de inovação e criatividade. Sem este “software” não é possível fazer funcionar uma eventual boa formação técnica e científica que terás, proporcionada por uma das muitas instituições de Ensino superior que oferecem formação de qualidade.

A capacidade de enfrentar e vencer tempos adversos na busca de trabalho é, assim, a inspiração que leva a Forum Estudante, com um conjunto de parceiros de grande prestígio, entre os quais o Instituto de Emprego e Formação Profissional, o Centro Nacional Europass e a EF Education, a realizar a V edição da Missão Primeiro Emprego. A estas instituições, o nosso agradecimento por estarem ao nosso lado nesta missão de serviço público. Ao longo do ano de 2014, entre este Guia do Primeiro Emprego, o portal Forum Emprego (www.forum.pt/emprego), os seminários sobre empregabilidade (Job Party) e a Conferência Nacional sobre Primeiro Emprego, múltiplas vão ser as intervenções que estarão ao alcance dos estudantes do ensino superior, para melhor se prepararem para a abordagem ao mercado de trabalho. Sem queixumes, nem derrotismos. Em tempos difíceis, o que fará toda a diferença é a tua atitude. Os que deixarem cair os braços, desistindo antecipadamente do combate, ou os que ficarem à espera, não vão conseguir trabalho. Ao invés, aqueles que resistirem, contra ventos e marés, e que de uma forma consistente se preparem o melhor possível para entrar no mercado de trabalho, serão os que vão conseguir. Pela nossa parte, apostamos que serás um/a dele/as.

Em tEmpos difícEis, o quE fará toda a difErEnça é a tua

atitudE.


02a3 Índice + ficha técnica_Layout 1 21/03/14 11:49 Page 2

2

guia do 1º emprego 2014

índice

GUIA do MARÇO de 2014

FICHA TÉCNICA empreGo.forUm.pt www.univ.forum.pt

Isento de registo ao abrigo do decreto Regulamentar n.º 8/99 de 9 de junho, Art.º 12.º - n.º 1A tELEfonE 218 854 730 EmAiL emprego@forum.pt ADminiStrAÇÃo Roberto Carneiro Rui Marques Francisca Assis Teixeira DirEÇÃo Gonçalo Gil DESiGn Miguel Rocha COlAbORAÇãO Cátia Paacheco rEDAÇÃo bárbara Magalhães diana Teixeira COlAbORAÇãO Nila Amado puBLiCiDADE tel.: 21 885 47 30 Vanessa Neto vanessa.neto@forum.pt Alexandre duarte Silva alexandreDS@forum.pt prÉ-imprESSÃo E imprESSÃo lISGRÁFICA Casal de Stª leopoldina Queluz de baixo tirAGEm 30.000 ex.

www.forum.pt

rEviStA DE CurSoS, ESCoLAS E profiSSõES propriedade e Edição de: PReSS FORUM Comunicação Social,S.A. Capital Social: 60.000,00€ NIF: 502 981 512 Periodicidade Mensal depósito legal n.º 510787/91 SEDE Tv. das Pedras Negras, n.º 1 - 4.º 1100-404 lisboa Tel.: 21 885 47 30 Fax: 21 887 76 66

04 Educação para a empregabilidade

A temática do desemprego jovem na Europa é um assunto que tem suscitado particular atenção dos líderes europeus, tanto que a Chanceler alemã Angela Merkel refere-se a este como o maior problema que a Europa enfrenta atualmente.

07 Ponto de partida 08 Como está o teu espírito comercial?

Sabias que uma das cinco competências que os empregadores atualmente referem sentir mais falta nos candidatos que entrevistam é a consciência comercial?

10 Sabes resolver problemas?

Ter capacidade de enfrentar e resolver problemas é uma das capacidades mais procuradas pelos empregadores.

12 Onde nasce o novo emprego em Portugal? Estudo da Informa D&B, apresentado por Teresa Lima no último Encontro Nacional de Gabinetes de Saídas Profissionais, promovido pela Forum Estudante.

16 o que procuram as empresas? 18 Entrevista a...

Jorge Gaspar, presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional

22 Línguas estrangeiras

“Uma nova língua muda a maneira de ver e interagir com o mundo”

24 Estudar no estrangeiro

“Capacidade de relacionamento intercultural é uma mais-valia para a obtenção de um bom emprego.”

26 Trabalhar no estrangeiro

Emigração como opção para alcançar um futuro melhor, é a palavra que está na ordem dos assuntos nos dias de hoje.

28 Entrevista a...

Maria do Céu Crespo, Diretora da Agência Nacional para a Gestão do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida.

31 Europass

O Europass é, nos termos da Decisão n.º 2241/2004/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, que o instituiu, um quadro comunitário único que se consubstancia num dossiê pessoal e coordenado de documentos, visando a transparência das qualificações e competências.

34 Ser empreendedor

Descobre o que é ser um empreendedor... se calhar és um.

36 Elaborar um CV

É importante encarares o CV como sendo o teu passaporte profissional, onde são carimbados todos os destinos profissionais.

38 Entrevista de emprego

Agora que a conseguiste, não podes é deixar que essas emoções te bloqueiem. Eis o que deves fazer.

40 Carta de apresentação

Truques e dicas para elaborares uma carta de apresentação impecável.


02a3 Índice + ficha técnica_Layout 1 13/03/14 11:29 Page 3


04a6 Education to Employment_Layout 1 13/03/14 11:30 Page 4

4

guia do 1º emprego 2014

estudo

Educação para a EmprEgabilidadE A temática do desemprego jovem na Europa é um assunto que tem suscitado particular atenção dos líderes europeus, tanto que a Chanceler alemã Angela Merkel refere-se a este como o maior problema que a Europa enfrenta atualmente. A urgência de fazer face a esta tendência levou a McKinsey Center for Government a desenvolver o estudo, Education to Employment: Getting Europe’s Youth into Work.

Quais os problemas? Este encontra-se segmentado em quatro questões base: A dimensão do problema do desemprego entre os jovens na Europa deve-se à falta de emprego, falta de competências, ou falta de coordenação? Quais são os obstáculos que os jovens enfrentam no seu percurso educativo até à entrada no mundo laboral? Quais são, no contexto europeu, os grupos de jovens e de empregadores que mais se esforçam? E o que pode ser feito para resolver este problema? Estas são as questões a responder, que visam compreender quais sãos as causas deste flagelo e assim poder dar-se uma resposta adequada. CompetênCias em falta O estudo aborda esta questão demonstrando a realidade de oito países - França, Alemanha, Grécia, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e o Reino Unido. De acordo com dados revelados pelo estudo, apesar de ser grande o número de pessoas à procura de trabalho, os empregadores não conseguem encontrar nos candidatos as competências que necessitam e que acrescentem valor ao trabalho. Eles referem que existe uma escassez de competências e que isso está a causar problemas no trabalho, no que diz respeito a custos, qualidade e tempo. Este ponto é tão saliente, que vinte porcento dos empregadores do estudo referem que a principal razão de não preencherem as vagas, deve-se à falta de competências nos jovens. Os empregadores também apontam que a causa desta realidade prende-se com o facto de os estabelecimentos de ensino, os jovens e os empregadores não se conhecerem ou compreenderem. ultrapassar barreiras Revela-se também que os jovens europeus não conseguem trabalhar naquilo que desejam, pelo facto de existirem barreiras em cada fase do percurso que o jovem tem de percor-


04a6 Education to Employment_Layout 1 13/03/14 11:31 Page 5

5

guia do 1º emprego 2014

estudo

Os jovens europeus

não conseguem trabalhar

naquilo que desejam, pelo facto

de existirem barreiras em cada

fase do percurso que têm

de percorrer até conseguir

arranjar um emprego.


04a6 Education to Employment_Layout 1 13/03/14 11:31 Page 6

6

guia do 1º emprego 2014

secundário

estudo rer até conseguir arranjar um emprego, desde a matrícula no ensino superior (sendo a maior causa o custo), ao desenvolvimento das competências-chave para entrar no mercado de trabalho (falta de competências comunicacionais ou de conhecimentos sobre ética profissional). É apontado como forma de resolver parte da situação, a existência de um maior acompanhamento e ajuda, para que os jovens consigam pensar estrategicamente sobre o seu futuro. Os alunos, que na sua maioria, pelos quinze anos, tem de decidir qual a área a seguir, carecem de mais e melhor informação sobre as diferentes opções profissionais e é fundamental que estes estejam motivados a usarem essa informação a seu favor. Por conseguinte, os estabelecimentos de ensino devem focar-se mais naquilo que acontece depois dos alunos terminarem os estudos e saírem da escola e não apenas durante o período em que lá estão. Especificamente, eles devem acompanhar o que acontece com os seus licenciados, tanto em termos de emprego, como de satisfação no e com o trabalho. E de modo a melhorar as perspetivas dos estudantes, os estabelecimentos de ensino poderiam trabalhar de forma mais próxima com os empregadores, para certificarem-se de que eles estão a oferecer cursos que realmente ajudam os jovens a estarem preparados para o contexto profissional. E Em porTugal? Quando olhamos para a realidade portuguesa, o estudo dá-nos conta de que o desemprego jovem subiu trinta e sete porcento, mas que face às questões supramencionadas a tendência em Portugal é semelhante. Constata-se que apenas quarenta e sete porcento dos jovens acreditam que enveredar pelo ensino superior melhora as suas hipóteses de conseguir um emprego. Quanto aos empregadores, à semelhança do panorama geral, trinta porcento refere que não preenchem as vagas, porque não encontram nos jovens as competências que valorizam.

[Em Portugal] Constata-se que apenas quarenta e sete porcento dos jovens acreditam que enveredar pelo ensino superior melhora as suas hipóteses de conseguir um emprego. No caso português, destaca-se a importância da questão da educação, onde é mencionado que o acesso a esta é fundamental, e ainda que seja subsidiada, muitos estudantes referem que não é o suficiente para suportar os custos de vida. Sendo que um terço dos jovens portugueses declararam que não têm disponibilidade para estudar porque têm de trabalhar, este é o valor mais elevado de todos os países abrangidos pelo estudo. mais informação, mElhor informação No que concerne às lacunas de informação a grande maioria dos alunos (86%) discordam que tenham recebido informações suficientes sobre as oportunidades de trabalho antes de terminarem o ensino secundário. Desta forma é seguro pressupor que eles não se encontram bem informados sobre como gerir os custos de estudar. A falta de competência é uma outra questão séria, os empregadores relatam que estão a enfrentar uma escassez de com-

petências em dois aspetos. Em primeiro lugar, apenas quarenta e seis por cento acreditam que existem graduados suficientes com formação relevante. Em segundo lugar, eles apontam que os jovens além de estudarem as coisas erradas, eles não estão a ser ensinados de modo a desenvolverem as competências que realmente necessitam ter em contexto de recrutamento. Ainda no contexto nacional, afere-se que os empregadores e estabelecimentos de ensino comunicam pouco entre si, somente cerca de trinta por cento contraria esta tendência. Devido a esta falta de diálogo as visões de empregadores e responsáveis de educação divergem quando se fala sobre a preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Constata-se que oitenta por cento dos estabelecimentos de ensino acredita que os jovens estão adequadamente preparados para os cargos aos quais se candidatam, mas apenas trinta e três por cento dos empregadores concordam. Quando a conversa é a procura de emprego, grande parte dos jovens, apontam uma vez mais que receberam pouca informação acerca das perspetivas de carreira e remunerações. Trabalhar para Trabalhar Por último, o estudo evidencia que os estágios são eficazes, não obstante, limitados para os estudantes académicos. Ainda assim, salienta-se que os estágios resultam no contexto nacional. Fazer um estágio ajuda a diminuir, em vinte e um porcento, a probabilidade de um recém-graduado ficar desempegado seis meses após a sua graduação. Além disso, as oportunidades de trabalho são mais comuns em contexto profissional e por essa razão oitenta e oito por cento dos estudantes optam por fazer um estágio. Em traços gerais estes são os aspetos abordados no estudo Education to Employment: Getting Europe’s Youth into Work, donde se conclui que há muito a fazer para que o match entre recrutadores e candidatos seja mais eficaz e para que as perspetivas de emprego dos jovens não sejam tão distantes como hoje aparentam ser.


07 Ponto de partida_Layout 1 13/03/14 11:31 Page 7

7

guia do 1º emprego 2014

início

ponTo de parTida 1. O que é a empregabilidade? A empregabilidade é a capacidade de conseguir e manter um trabalho satisfatório. 2. O que sãO cOmpetências de empregabilidade? "Um conjunto de características que tornam as pessoas mais aptas a conseguir emprego e ser bem sucedido nessa ocupação”. Peter Knight & Mantz Yorke (HEFCE/DfES ESECT group) “Um conjunto de atributos e conhecimentos que todas as pessoas na vida ativa deveriam ter para garantirem que conseguem ser eficazes no seu emprego – para seu próprio bem, para bem do empregador e da economia.” CBI 3. Já nãO é suficiente ter um cursO superiOr? Se antes era suficiente ter um curso, agora é cada vez menos assim. Na maioria dos casos, o curso já não abre automaticamente as portas para o emprego. Pode ser considerado um critério necessário para muitos empregos. Mas não será o suficiente. Por melhor que seja o curso, por mais relevante que seja a área de estudos e a respectiva carreira, é muito provável que tenhas de competir com outras pessoas que também tenham um curso superior. Além do curso, é preciso que tenhas o conjunto certo de competências, atitudes, valores, interesses e qualidades pessoais para o emprego em causa.

Top 5 CompeTênCias

4. que cOmpetências prOcuram em geral Os empregadOres?

De que competências é que os empregadores sentem mais falta nos candidatos que entrevistam?

Segundo dados da Universidade de Kent, no Reino Unido, as competências que os empregadores geralmente mais procuram nos candidatos a emprego são diversas e abrangentes: 1. Comunicação verbal e escrita 2. Consciência comercial 3. Trabalho em equipa 4. Liderança 5. Resolução de problemas 6. Iniciativa 7. Flexibilidade/adaptabilidade 8. Entusiasmo 9. Planeamento 10. Determinação/assertividade 11. Literacia numérica 12. Informática como utilizador 13. Capacidade conceptual 14. Conhecimentos técnicos 15. Línguas estrangeiras

Segundo dados de diversos questionários sobre competências feitos por entidades como a Microsoft, a Target Jobs, a BBC, a Prospects, a NACE e a AGR, as cinco competências de que os empregadores sentem mais falta nos jovens que entrevistam atualmente para a maioria dos empregos disponíveis são: consciência comercial, comunicação, liderança, trabalho de equipa e resolução de problemas. A tabela que se segue apresenta a percentagem de empregadores que se referiram a cada uma das cinco competências como estando em falta nos jovens que entrevistam.

Top 5 Competências

% de empregadores

1

Consciência comercial

67%

2

Comunicação

64%

3

Liderança

33%

4

Trabalho de equipa

33%

5

Resolução de Problemas

32%

Fonte: Association of Graduate Recruiters “Skills for Graduates in the 21st Century”


08a9 Atitude comercial_Layout 1 13/03/14 12:28 Page 8

8

guia do 1º emprego 2014

atitude comercial

Como está o teu espírito ComerCial? Sabias que uma das cinco competências que os empregadores atualmente referem sentir mais falta nos candidatos que entrevistam é a consciência comercial? E acompanhada desta referem também a comunicação, liderança, trabalho de equipa e resolução de problemas. Estes são dados de vários questionários sobre competências realizados por organizações como a Microsoft, a Target Jobs, a BBC, a Prospects, a NACE e a AGR. O Guia do 1º Emprego revela-te mais sobre a competência número um deste top cinco. 1. mas afinal o que é a consciência comercial? O que se entende pOr cOnsciência cOmercial e cOmO pOdes demOnstrar que a tens? › A consciência/atitude comercial pode ser vista como o interesse pelo negócio da empresa e uma compreensão do contexto em que a empresa se move: clientes, concorrentes e fornecedores. › Pode também incluir uma compreensão da economia e dos benefícios dos negócios e das realidades comerciais, da perspetiva da organização e do cliente. › Em geral, inclui uma atenção à necessidade de eficiência, ao controle de custos, à orientação para o cliente e um conhecimento do mercado em que a empresa opera (envolvente económico, concorrentes mais diretos, por exemplo). 2. qual é a sua importância? › É um dos principais critérios de recrutamento.  › Mostra o teu compromisso com a função a que te candidatas. › É uma mais-valia na hora de manter conversa durante uma entrevista. › Possibilita um leque variado de oportunidades, mesmo em áreas que ainda não tinhas em conta. › É uma ajuda na escolha de uma carreira. 3. será que só tem valor para quem ambiciona uma carreira comercial? Negativo. Ela revela-se uma competência fundamental em qualquer tipo de carreira!

É certo que na sociedade há quem ainda pense que a função comercial é exclusiva a profissionais ligados a área vendas. Errado. Aqui desmistificamos todas as possíveis dúvidas. A dimensão comercial – compra, venda, negociação, avaliação de necessidades dos clientes – é algo essencial a todos os colaboradores de uma empresa, desde o superior ao inferior hierárquico. QualQuer profissional deve ser um vendedor sempre “Vende” a sua imagem e competências no momento do seu recrutamento, “vende” internamente as suas ideias, trabalha para convencer clientes internos e/ou externos a todo o tempo e, no final da jornada, é avaliado pelo que contribui para o valor acrescentado e para as receitas resultantes das vendas. Quem não tem consciência afinada desta exigência da vida numa empresa vai ganhá-la, mais tarde ou mais cedo, às vezes aprendendo à custa de erros cometidos. 4. Há que ter sabedoria em relação aos clientes e à capacidade de negociação Numa outra dimensão, a atenção ao cliente é vital, numa atitude comercial que se exige numa economia competitiva com a do séc. XXI. Há quem diga com razão que “o cliente é o patrão que te paga o ordenado” e, provavelmente, tem toda a razão. Já lá vai o tempo em que os clientes eram “dispensáveis”, em serviços que não dispunham de concorrência. Hoje, em todos os sectores de atividade, ganhar clientes faz a diferença, porém isso só não basta. Há que mantê-los. E para tal, torna-se necessário obter elevados níveis de satisfação com o serviço que se presta. Este foco no cliente, como se percebe facilmente, não tem impacto só para a atividade de quem vende, no concreto. O trabalho de todos os profissionais duma empresa tem, direta ou indiretamente, impacto na relação comercial com os clientes. Na competência comercial importa ainda sublinhar a capacidade de negociar. Isto é algo que fazemos de forma inata em todas as dimensões da nossa vida, por isso se for bem


08a9 Atitude comercial_Layout 1 13/03/14 12:28 Page 9

9

guia do 1º emprego 2014

atitude comercial dominada, esta competência fará de ti um profissional de excelência. Um bom sentido comercial não pode esquecer que, num processo de compra/venda, há sempre interesses divergentes que precisam ser compatibilizados. Encontrar o ponto de equilíbrio do máximo ganho partilhado entre as partes, tendo em consideração uma relação win/win é a grande sabedoria de um processo negocial bem sucedido. Para tal, é importante que aprendas a estabelecer objetivos claros, a saber ouvir, seja um cliente ou um fornecedor, entender os seus objetivos, a ter um roteiro de cedências possíveis e de conquistas desejadas e assim adquirirás a sábia virtude de negociar pacientemente. E escreve isto na tua memória para nunca te esqueceres: só uma negociação honesta permite ganhar um cliente para a vida. Mentiras – para além de eticamente reprováveis - só te trarão consequências negativas. 5. Como é que vão testar em ti esta CompetênCia? através de um rol de perguntas! Confere aqui algumas das perguntas-tipo que te podem fazer que evidenCiem a tua ConsCiênCia/ atitude ComerCial. PodErão sEr PErgUntas gErais coMo: › Fale-me do trabalho que teve nas férias do Verão passado. › Fale-me de uma situação em que conseguiu resolver um problema trabalhando em equipa. › Qual foi o seu maior feito até hoje? › Porque é que se está a candidatar a este trabalho? › Quem é que mais admira? › ou então em questões mais específicas: › o que sabe sobre a nossa organização? › Por que é que pretende entrar na área de…? › Quais são os nossos principais produtos e serviços? › Quais são os principais problemas que esta área atravessa? › Que mudanças ocorreram recentemente nesta área? › Quem são os nossos concorrentes? Que diferenças em relação a nós? › Quem são os nossos clientes? › Qual é o principal lugar de vendas da empresa? › Qual é a nossa quota de mercado? › Esta é uma indústria global? se sim, que implicações é que isso tem? › o que é que pensa que vai implicar para si este trabalho? › onde se vê daqui a 5 anos? › Quais são as suas expetativas salariais? › de que forma se mantém atualizado acerca desta área de atividade? › Que notícia da área económica mais lhe chamou a atenção recentemente? › o que é o Psi 20? ontem subiu ou desceu? Ou ainda em perguntas sObre a tua experiência prOfissiOnal: › Que competências desenvolveu na sua experiência profissional? alguma competência que se aplique a este trabalho em particular? › o que faria de diferente se trabalhasse de novo na empresa? › Qual é a sua experiência de trabalho em equipa? › Qual é o organigrama da empresa em que trabalhou? Em que medida é que esse organigrama é real? › consegue indicar competências de liderança que tenha visto noutras pessoas? › Qual seria a sua política de recrutamento e de fidelização de colaboradores?

Tem atenção aos seguintes pontos, pois serão uma mais-valia para teres uma consciência/ atitude comercial Observa a realidade segundo uma perspetiva comercial: em cada dinâmica económica, social e cultural, vê quais as necessidades, as oportunidades que geram, onde está o valor acrescentado, qual é o mercado, quem são os clientes, os fornecedores e os concorrentes. Vê como se ganha dinheiro com uma determinada atividade. O que é “margem” e o que é “lucro”. Não te esqueças que “não há almoços grátis”… Aproveita cada oportunidade de aprendizagem, mesmo em atividades sem fins lucrativos: nas tuas atividades extracurriculares procura desenvolver essa competência quer através de organização de ações de fund-raising de uma ONG, de planos de comunicação da tua associação de estudantes,.. Aprende (se ainda não sabes…) o que é uma análise SWOT. E faz uma da empresa a que te estás a candidatar, bem como do sector onde opera. Cria sinergias entre a tua experiência com o negócio. Se tens um part/full-time numa loja de produtos de beleza isso pode ajudar-te a adquirir experiência comercial. Que prós e contras encontras no teu empregador? Qual é o seu target (público-alvo)? Quem são os principais concorrentes? O que farias para melhorar a imagem e os proveitos da empresa? Quando estiveres na fase de preparação para as entrevistas é fundamental prestares atenção às brochuras da empresa e pesquisares dentro e fora do seu site corporativo informação relevante sobre esta. E atenção quando estiveres a pesquisar no site corporativo não deves debruçar os olhos apenas na secção de “ofertas de emprego” ou “carreiras” mas também nas secções de “clientes”, “potenciais clientes” e “a nossa equipa”. É conveniente também dar uma olhada pelos Relatórios Anuais, pois dão-te o insight (compreensão e perceção) que te fará destacar naquele momento em que te fizerem a «tal» pergunta acerca da empresa. Faz uma análise concorrencial e descobre quem são as empresas concorrentes: podem perguntar-te quem são e a quais te candidataste! Procura também saber o número de empregados, o volume de negócios e os lucros, assim como o valor da empresa e as atividades que mais te agradam. Sê um leitor assíduo da imprensa económica. As páginas de economia dos principais jornais nacionais cobrem os assuntos com maior controvérsia no panorama social mas é preciso aprofundar certos temas e para tal tens de consultar a imprensa especializada na área das finanças e economia, como o Diário Económico e o Jornal de Negócios. Se não tiveres acesso em formato papel, lembra-te que tens em formato digital. Por isso deixa de preguiça e mãos à obra. É vital que não faças apenas uma leitura na diagonal mas procura identificar notícias que possam afetar a empresa a que te estás a candidatar ou os seus clientes, direta ou indiretamente. Assuntos que façam parte da agenda 2014 como o regresso de Portugal aos mercados, as alterações climatéricas e o Mundial de futebol no Brasil podem, ter impacto no ambiente em que a empresa se move. Aproveita a «boleia» económica e assiste a programas de rádio e televisão da área dos negócios. Alguns deles podem-te fornecer informações determinantes para a a tão esperada conversa numa situação de entrevista de emprego.


10a11 Resolução de Problemas_Layout 1 13/03/14 12:21 Page 10

10

guia do 1º emprego 2014

resolução de problemas

SabeS reSolver problemaS?

Uma das competências mais apreciadas pelos empregadores, é a capacidade de enfrentar e resolver problemas. Se tens essa capacidade, ótimo, mas não te esqueças de a evidenciar quando estiveres no processo de recrutamento. Se essa não é uma das tuas competências mais fortes, sabe que podes e deves trabalhá-la. Como desenvolver e demonstrar que se tem CompetênCias de resolução de problemas Todos resolvemos problemas diariamente, em situações profissionais, académicas ou pessoais. Alguns dos problemas que os estudantes enfrentam incluem: › Juntar argumentos para um ensaio escrito › Tirar os vírus de um programa de computador › Lidar com clientes difíceis quando trabalham em part-time numa loja ou restaurante. › Pensar como gerir o orçamento pessoal até ao final do semestre › Perceber porque é que a impressora não responde…. › Desenvolver uma estratégia que permita passar de nível num jogo de computador.

Qualquer trabalho também levantará problemas. Nas entrevistas é importante mostrar ao recrutador que se têm as competências certas para resolver esses problemas. E a resiliência pessoal para lidar com os desafios e as pressões que esses problemas podem trazer. É preciso que saibas › Avaliar a informação ou as situações. › Dividi-las nos seus aspetos chave. › Considerar várias formas de lidar e resolver esses elementos chave › Decidir quais as formas mais apropriadas para usar. Resolver problemas envolve competências analíticas e criativas. As competências mais necessárias variam, dependendo do problema


10a11 Resolução de Problemas_Layout 1 13/03/14 12:04 Page 11

11

guia do 1º emprego 2014

resolução de problemas e do papel desempenhado na organização, mas as competências seguinte são chave para a resolução de problemas: › Capacidade Analítica › Pensamento Lateral › Iniciativa › Raciocínio Lógico › Persistência A maioria das competências analíticas desenvolvem-se na experiência da vida do dia-a-dia. Contudo, os interesses e atividades que se seguem podem ser úteis para demonstrar um nível elevado destas competências – o que pode ser particularmente importante em candidaturas a empregos em áreas de engenharia, IT, investigação operacional e em algumas áreas financeiras: › Jogos de estratégia’ como sudoku, xadrez, bridge, etc.; › Jogos de computador  – os melhores são os que envolvem planeamento, análise crítica e estatística, e avaliação dos prós e contras de diversas opções; › Interesses práticos como programação, reparação de computadores, mecânica automóvel, etc.; › Trabalhar com equipamentos de som e luz para uma banda, evento ou espetáculo; › Estudos académicos: avaliar as diferentes fontes de informação para ensaios, desenhos e maquetes; montar uma experiência laboratorial. Noutras situações, será necessário usar a criatividade e o pensamento lateral, para fazer surgir ideias que permitam encontrar novas perspetivas. Nem toda a gente tem estes dois tipos de competências em igual medida: por essa razão o trabalho de equipa é muitas vezes um componente chave na resolução de problemas.  Também são necessárias outras competências como a comunicação, a persuasão e a negociação são importantes para encontrar soluções para os problemas que envolvam pessoas. O mOdElO IdEal Qualquer que seja o problema em causa, são importantes os seguintes passos: › Identificar o problema › Definir o problema › Examinar as opções › Acionar um plano › Look/ver as consequências resultantes Este é o modelo IdEal de resolução de problemas. A etapa final é pôr em prática a solução decidida e verificar os resultados. passOs paRa REsOlvER um pROblEma 1) avaliar o problema › Clarificar a natureza do problema › Formular perguntas › Reunir a informação de forma sistemática › Relacionar e organizar os dados disponíveis › Condensar e resumir a informação › Definir o objetivo desejado 2) Gerir o problema › Usar de forma eficaz a informação recolhida › Dividir o problema em pequenas partes, mais fáceis de gerir › Usar técnicas como o brainstorming e o pensamento lateral para considerar outras opções › Analisar em profundidade as várias opções › Identificar os passos que podem ser dados para atingir o objetivo

3) Tomar decisões › Decidir que Acão tomar entre as possíveis opções › Decidir reunir mais informação antes de agir › Decidir que recursos (tempo, dinheiro, pessoal, etc.) alocar para este problema 4) Resolver o problema › Implementação da Ação › Dar informação aos acionistas/stakeholders › Delegar tarefas › Revisão dos progressos 5) Examinar os resultados › Monitorizar o resultado da Ação tomada › Rever o problema e o processo de resolução do problema para evitar situações similares no futuro Em qualquer fase do processo, pode ser necessário voltar a uma fase anterior  – por exemplo, se surgirem outros problemas ou se uma solução não estivera alcançar o resultado desejado. O quE pROcuRam Os REcRuTadOREs? Capacidade analítica e capacidade de resolução de problemas estão entre as 10 competências mais procuradas pelos recrutadores. Querem pessoas que assumam uma responsabilidade pessoal em garantir que os objetivos são alcançados; que sejam capazes de vislumbrar outras formas de fazer alguma coisa e que estejam preparadas para investigar e implementar a mudança; pessoas que não entrem em pânico nem desistam quando as coisas derem para o torto, antes procurem caminhos para ultrapassar o problema. Estes problemas podem ser similares aos problemas académicos – por exemplo em investigação académica. Estas competências podem ser demonstradas de muitas maneiras. Muitos anúncios de trabalho pedem candidatos que “saibam tomar a iniciativa” ou que tenham “capacidade para resolver problemas”; outros, porém, podem não o afirmar de forma tão clara. Terás de ser interpretar frases como: › “Alguém capaz de assumir a responsabilidade e com confiança para desafiar as práticas estabelecidas e introduzir novas formas de trabalhar…” › “Procura-se uma mente curiosa, com a habilidade para compreender e encontrar soluções para desafios complexos…” › “Procuramos mentes inovadoras e espíritos criativos...” › “Precisamos de pessoas que correspondam com entusiasmo a cada desafio que enfrentarem…” Estes exemplos de citações em anúncios de emprego, estão todos a pedir as mesmas duas coisas: › A capacidade de tomar a iniciativa, de pensar por si próprio, de criativo e proactivo. › A capacidade de resolver problemas, de pensar de forma lógica e lateral, de usar o engenho para ultrapassar dificuldades e de procurar e implementar soluções. › Estas qualidades podem fazer a diferença para o recrutador, dependendo do tipo de organização.


12a15 D&B_Layout 1 13/03/14 11:33 Page 12

12

guia do 1º emprego 2014

novo emprego

Onde nasce O nOvO empregO em pOrtugal? Um estudo da Informa D&B, apresentado por Teresa Lima no último Encontro Nacional de Gabinetes de Saídas Profissionais, promovido pela Forum Estudante, apresenta dados muito interessantes, alguns deles, possivelmente, nada óbvios para ti, que estás à beira de te candidatar a um lugar no mercado de trabalho. Onde são criados mais empregos? Em que tipo de empresas a manutenção do posto de trabalho é mais estável? Estas e outras questões podes ver respondidas nos gráficos que te apresentamos nas próximas páginas.

Em Portugal, no 3º trimestre de 2013, a população ativa é de 5,39 milhões, dos quais 4,55 milhões estão empregados. No mesmo período, a população jovem ativa (25 a 34 anos) é de 1,24 milhões, dos quais 1,02 milhões estão empregados. Os dados apresentados referem-se ao período de 2007 a 2011 e englobam todos os sectores de atividade, todas as entidades (pessoas coletivas) que mostraram atividade comercial em cada ano do estudo (média de 294 mil entidades/ano) e exclui as empresas não comerciais, do sector social e dos empresários em nome individual.


12a15 D&B_Layout 1 13/03/14 11:33 Page 13

13

guia do 1º emprego 2014

novo emprego

Evolução do emprego no período

Evolução do emprego no período

Variação 2011/2007 -9,1% -248.840 empregados

2,7

2007

2,8

2008

Var 2011/2007 0,1%

2,7

2,6

2009

2010

2,4

2011

9,4

9,2

2007

18,6

2008

18,5

2010

2009

2011

O custo médio por empregado manteve-se. *valores em milhares de euros a preços constantes de 2011

Variação 2011/2007 -3,0% -0,3 empregados

9,1

18,4

19,5

19,4

9,3

8,8

A maioria das empresas aumenta, reduz ou mantém o emprego? O fenómeno de crescimento do emprego no tecido é muito estável. A percentagem de empresas que aumenta ou reduz o emprego, ronda os 20% cada. A maioria (cerca de 60%) mantém o número de empregos, de ano para ano.

2007

2008

2009

2010

2011

A redução do número total de empregados resulta essencialmente da diminuição do número total de empresas já que o número médio de empregados por empresa registou no período uma diminuição de apenas 3%

Evolução do número de empresas com atividade comercial no período

19%

22%

23%

20%

22%

20%

21%

23%

21%

58%

56%

58%

56%

60%

2007

2008

2009

2010

2011

21%

Variação 2011/2007 -6,3% -19.050 empresas

300.696

304.004

295.349

286.526

281.646

Mantêm emprego Decrescem em emprego Crescem em emprego

Crescimento do emprego nas empresas (percentagem de empresas) 2007

2008

2009

2010

2011

Sabias que...

› a empresa ativa mais antiga em Portugal nasceu em 1670? › 2001 foi o ano em que nasceram mais empresas em Portugal? › existem 6 empresas do século XVIII ativas em 2013? › 2012 foi o ano em que morreram mais empresas em Portugal?


12a15 D&B_Layout 1 13/03/14 11:34 Page 14

14

guia do 1º emprego 2014

novo emprego

Criação e destruição de emprego no período: nº de empresas e nº de empregos Até 2008, o número de empresas que criam emprego e o número de empregos criados foi superior ao número dos empregos destruídos.

A partir de 2008, inverteu-se a tendência: o número de empresas que destroem emprego e o número de empregos destruídos foi superior ao número dos empregos criados.

87 569

85 331

71 009

384 571

357 905

286 284

257 014

73 386 2007

2008

2009

Criação de emprego

2010

2011

2007

Destruição de emprego

2008

2009

Criação de emprego

2010

2011

Destruição de emprego

Criação de emprego: soma do emprego criado por start-up, novas empresas com atividade em cada ano, empresas que aumentaram emprego. •Destruição de emprego: soma do emprego destruído por empresas que cessaram atividade, empresas que não apresentaram atividade no ano, empresas que reduziram o emprego •

NOS PRÓXIMOS 60 MINUTOS... 3 empresas são decretadas insolventes 8 empresas mudam de sede social 9 empresas alteram o pacto social 17 empresas dissolvem-se

18 novos negócios abrem as portas 20 números de telefone mudam ou são desligados 21 gestores são alterados 24 incidentes judiciais são instaurados

Criação de emprego por sector de actividade Distribuição percentual do emprego criado por sector de atividade (soma de todo o emprego criado no período).

Serviços

29%

Indústrias transformadoras

17% 16%

Construção Retalhista

Distribuição percentual de emprego criado por região

13% 8%

Alojamento

7%

Grossista Transportes

4%

Agricultura, pecuária, pesca e caça

2,2%

Telecomunicações

2,1%

Atividades imobiliárias

1,8%

Gás, electrecidade e água

0,80%

Indústrias extrativas

Criação de emprego por regiões

0,25%

(%) emprego criado (acumulado 2007 - 2011)

75% de todos os empregos criados no período (1,6 milhões de empregos) pertenciam aos sectores de serviços, indústrias transformadoras, construção e retalho

Lisboa

38%

Norte

33%

Centro

16%

Alentejo

5%

Algarve

4,8%

Madeira Açores

2,3% 1,3%

% emprego criado

Lisboa foi a região onde se criou emprego em maior número. A distribuição do emprego criado por região é muito semelhante à distribuição do emprego total do tecido


12a15 D&B_Layout 1 13/03/14 11:34 Page 15

15

guia do 1º emprego 2014

novo emprego

Distribuição do emprego criado por dimensão das empresas As pequenas empresas (número de empregados inferior ou igual a 50) constituem 98%

22%

26%

20%

20%

17%

18%

18%

16%

17%

17%

60%

56%

63%

63%

66%

2007

2008

2009

2010

2011

do tecido empresarial. criaram 61% do novo emprego, no período.

Grandes

Médias

Pequenas

Azul: Empresas até 50 empregados Vermelho: Empresas médias, entre 51 e 250 empregados Cinzento: Empresas grandes, mais do que 250 empregados

Quem cria emprego? Período 2006-2009 2007-2010 2008-2011

nº de ECE 1 353 1 167 984

nº de novos empregos no período 82 647 81 271 70 093

% de ECE/tecido empresarial 0,50% 0,40% 0,30%

% de criação emprego no período 9,10% 9,60% 9,80%

As empresas de crescimento elevado (ECE) representam menos de 1% do tecido empresarial mas criam 10% de todos os empregos gerados no período. Ao longo do período, o número e a importância das ECE diminuiu mas a sua contribuição para a criação de novo emprego mantém-se.

Importância da idade das empresas na criação de emprego 2009

2007

15%

20%

17%

100% 38%

18%

18%

Start-ups (ano 0)

33%

17%

17%

32%

Empresas entre 1 e 5 anos

37%

18%

100%

100%

100% 27%

Média período

2011

29%

Empresas entre 6 e 20 anos

37%

28%

Empresas mais de 20 anos


16a17 O que procuram as empresas?_Layout 1 13/03/14 12:08 Page 16

16

guia do 1º emprego 2014

o que procuram as empresas?

te!

Destaca-

É do conhecimento geral que a falta de emprego é algo que existe e que vários são os candidatos que andam há procura da sua oportunidade num mercado de trabalho fortemente concorrencial. Logo, para que seja possível destacares-te no meio de tantas outras estrelas em ascensão é fulcral teres conhecimento sobre a realidade empresarial, para estares à altura dos desafios lançados pelos futuros empregadores. Deste modo há que ter tudo organizado desde o primeiro contacto com os recrutadores até ao contexto de trabalho, para que possam recrutar o candidato com maior diferencial: tu. Mas não penses que estás só nesta tarefa, o Guia do 1º emprego põe-te a par de alguns dos aspetos a ter em conta. De acordo com um estudo realizado pela Ray Human Capital (2011) especializada em recrutamento e recursos humanos, é-nos revelado o que é mais valorizado pelas empresas na hora de dar «a oportunidade» aos novos colaboradores, assim como quais os meios de recrutamento mais usados. aSpetoS maiS apreciadoS noS recém-licenciadoS › Idiomas estrangeiros › Informática na ótica do utilizador › Carta de condução › Mobilidade geográfica nacional e internacional › Disponibilidade de horários › Experiência profissional/Estágios Profissionais › Formação profissional complementar › Experiências internacionais › Atividades extra académicas e co curriculares Mas já sabes, um cunho pessoal é sempre importante e com as competências certas tu serás o candidato certo. E quais são as competências mais procuradas no momento de fazer a escolha? › Impacto e Influência › Pensamento Analítico › Orientação para Objetivos › Orientação para o Cliente › Flexibilidade › Iniciativa e Trabalho em Equipa. Se achas que ainda não as tens começa a investir hoje, pois são o fator determinante que te fará alcançar o futuro emprego. depoiS de adquiridaS é neceSSário Saber como vendê-laS Segue a filosofia do Marketing pessoal, que te ensina a trabalhar a capacidade de promoção pessoal junto dos outros e transforma-te num vendedor de topo. Em geral praticamente tudo o que fazemos na vida permitenos desenvolver certas competências que podem ser renta-

bilizadas em futuros contextos profissionais. Lembra-te que quando queremos comunicar o nosso diferencial temos de reconhecer valor na nossa própria experiência e perceber como esta pode ser traduzida em novas competências. Garantidamente a oportunidade de emprego estará dependente da eficácia de como projetamos o nosso potencial. São várioS oS meioS de recrutamento utilizadoS pelaS empreSaS atualmente › Anúncios na imprensa; › Anúncios noutros meios (Internet, Rádio, TV); › Anúncios internacionais; › Consultoras de Recrutamento e Seleção; › Candidaturas espontâneas; › Redes Sociais; › Apresentações em instituições académicas; › Procura direta (Search); › Rede interna de contactos (junto de atuais colaboradores da empresa) › Fóruns de emprego. aSpetoS a ter em conta na faSe de recrutamento Ser proactivo. É necessário ter a capacidade de antever as possibilidades de saídas profissionais. Estar atualizado, visualizando anúncios e estando atento ao que as empresas procuram. A título de curiosidade, sabias que a área das energias renováveis tem recebido muito investimento nos últimos anos? Sê curioso e vai à procura de mais conhecimento. Isso fará toda a diferença em fases mais avançadas do teu percurso profissional, como a da entrevista. E quando é passado esse conhecimento ao recrutador isso será um ponto a teu favor. Mostra que és interessado e procura reunir informação sobre as empresas e as funções a que te candidatas, isso revela motivação. Atenção à divulgação de oportunidades profissionais (Meios de Recrutamento) Concentra esforços nas áreas de mercado e funções que mais te agradam e com as quais mais te identificas. A vontade de entrar no mercado de trabalho pode conduzir ao envio excessivo de currículos (CV’s) para muitas empresas, mesmo quando não nos interessam assim tanto. Isso provoca um grande desgaste emocional e físico. Ir a uma ou duas entrevistas, só para ver como corre acaba por afetar a autoestima caso não sejamos selecionados. Resiliência à frustração. É algo que tem de ser gerido por nós próprios, mas efetivamente esta procura inicial de trabalho exige muito de nós. Fonte: “Estratégias de Abordagem ao Mercado de Trabalho”, Ray Human Capital


16a17 O que procuram as empresas?_Layout 1 13/03/14 12:08 Page 17

17

guia do 1º emprego 2014

o que procuram as empresas?

Mostra que és interessado e procura reunir informação sobre as empresas e as funções a que te candidatas, isso revela motivação.


18a21 IEFP 4Páginas_Layout 1 20/03/14 15:35 Page 18

18

guia do 1º emprego 2014

entrevista

Jorge Gaspar, presidente do Instituto de Emprego e Formação Profissional

“Cada vez mais Cedo os jovens inCorporam a lógiCa da empregabilidade”


18a21 IEFP 4Páginas_Layout 1 13/03/14 12:10 Page 19

19

guia do 1º emprego 2014

entrevista

Qual o panorama nacional, no acesso ao primeiro emprego? Em Portugal, como é sabido, temos uma taxa de desemprego bastante elevada. Temos alguns indicadores positivos, entre os quadros da taxa de desemprego quer a registada pelo IEFP quer a do INE, fundamentada em pressupostos diferentes, que mostraram recentemente uma tendência mais favorável. Em particular, o desemprego jovem assume ainda uma percentagem bastante significativa no que toca ao desemprego geral. Aliás, embora tenha decrescido em dezembro face a novembro; no período homólogo, ou seja, comparando dezembro de 2012 com dezembro de 2013, há uma ligeira subida. É possível verificar que, do ponto de vista das qualificações dos desempregados jovens, ainda assim, são aqueles com menores qualificações os que representam uma percentagem mais significativa no que toca ao volume global de desemprego. O que por vezes não é falado. Foca-se muito e bem, o problema do desemprego jovem nos jovens licenciados, o que de facto é também por si só, em termos absolutos, um número elevado, mas não podemos esquecer que ainda assim, o nível superior de qualificações mostra-nos um número inferior no volume global de desempregados jovens por um lado e o tempo médio de desemprego por outro, que é inferior. Portanto, as lógicas de acesso ao emprego, não necessariamente de primeiro emprego e as lógicas de mobilidade no mercado laboral, facilitam-se em função do maior nível de qualificações. Quer dizer que compensa a qualificação e a formação porque é errada a ideia de “estarmos a licenciar para o desemprego”? Não vou dizer que é errado ou que é certo dizer que “estamos a licenciar para o desemprego” porque o ensino superior tem autonomia, quer o universitário quer o politécnico e

“A formação de base não é, nem deve ser, limitativa de um percurso no mercado de trabalho” essa questão do “licenciar para o desemprego” tem vários ângulos de análise e eu preferiria não ir por aí. O que, de facto, é verdade é que há segmentos do mercado que absorvem mais rapidamente e mais facilmente certo tipo de qualificações. Sendo também verdade que, do ponto de vista das opções atuais, os jovens são perfeitamente livres de optarem, do ponto de vista das suas carreiras universitárias, pelas áreas do saber mais humanísticas ou mais tecnológicas que muito bem entenderem. É preciso, no entanto, que os jovens incorporem nessas opções algumas variáveis, tais como a empregabilidade dos cursos que frequentam. Isso de facto, parece-me ser importante, relevante e também creio, até por experiência pessoal e familiar, que cada vez mais cedo os jovens incorporam a lógica da empregabilidade, de um futuro profissional no quadro das variáveis que auscultam, que ponderam e que consideram no processo de decisão no que toca às suas futuras carreiras universitárias e superiores.

A curto/médio prazo prevê-se que exista uma tendência de descida taxa de desemprego jovem? Antecipando uma questão que me parece muito importante: o programa “Garantia Jovem”, que procura ser uma resposta global para o problema do desemprego e não apenas do desemprego jovem. Como sabemos, o desemprego e o desemprego jovem, em especial, é um problema não apenas português mas fundamentalmente um problema europeu e, em alguns casos, diria mesmo, ocidental. A União Europeia aprovou uma recomendação que basicamente passa pela necessidade de os estados membros consertarem políticas

“A componente pessoal e social dos candidatos a um emprego é absolutamente decisiva nos processos de recrutamento”

públicas na expetativa de num prazo máximo de quatro meses, desde o momento em que identificam um jovem - no caso português dos 15 aos 30 anos, porque dentro da União Europeia vai apenas dos 15 aos 24 - que não esteja num percurso educativo ou formativo nem em emprego, na terminologia europeia “os jovens NEEDS”, definirem uma resposta de curtíssimo prazo para esses jovens. É evidente que atendendo ao diferencial da faixa etária, o tipo de resposta adequada variará. Um jovem de 15/16/17 anos que não tenha a escolaridade obrigatória, a resposta adequada do ponto de vista das políticas públicas, é uma resposta do quadro da educação, do regresso à escola. O IEFP é, no âmbito da Garantia Jovem, um coordenador das políticas públicas. A Garantia Jovem não é uma iniciativa apenas do Instituto de Emprego e Formação Profissional mas é pluridisciplinar, pluriministerial e, na verdade, este ponto parece-me fundamental para daqui a alguns meses aferir, no que toca a monitorização do sucesso ou do insucesso potencial da iniciativa Garantia Jovem. Nós temos, em Portugal, sensivelmente 270 mil jovens, um número muito grande, que estão nessas circunstâncias, portanto sem emprego, sem estarem em percurso educativo e sem estarem num plano de formação. Cerca de metade desses jovens estão registados e inscritos no IEFP e, portanto, esse universo está limitado e o nosso trabalho no sentido de lhes oferecer respostas, está também ele facilitado porque sabemos quem são, onde estão. Mas há um universo de cerca de 135 mil jovens que não está identificado. Isto é, não estão na escola, não estão em formação nem têm emprego e os poderes públicos não sabem quem são. O que significa que o trabalho em rede, o trabalho de proximidade é absolutamente decisivo para que, numa primeira fase, se identifiquem. A sinalização dessas situações aos serviços públicos e, em particular ao IEFP enquanto serviço público de emprego, é um momento decisivo para disseminar essa informação e depois poder encontrar a resposta adequada. Devo dizer que nessa matéria me parece absolutamente decisivo o trabalho de proximidade seja no quadro de IPSS, de autarquias locais, seja inclusivamente de relações familiares e de vizinhança.


18a21 IEFP 4Páginas_Layout 1 13/03/14 12:10 Page 20

20

guia do 1º emprego 2014

entrevista

Até porque é preciso reforçar a confiança das pessoas e dos jovens em particular no IEFP, isto é, no serviço público de emprego. Temos que tornar-nos mais atrativos, de conseguir dialogar de uma forma mais eficaz e mais direta, mais ime-

“A Garantia Jovem procura ser uma resposta global para o problema do desemprego” diata com os jovens para que estes, em particular os jovens desempregados, possam perceber que têm no IEFP, um aliado na procura de uma solução, seja de formação ou de

emprego e não um obstáculo administrativo, não uma lógica inerte, pastosa que dificulta essa sua inserção no mercado de trabalho nem no percurso de formação. Quais são as profissões do futuro? Em que áreas prevê que venham a ser criados mais novos empregos? É de facto possível assinalar algumas tendências. Nós no IEFP percebemos, até por força das solicitações que nos são dirigidas inclusivamente no trabalho articulado com a AICEP, no que toca à colocação de investimento estrangeiro, que as áreas das tecnologias e das engenharias são de facto uma área que terá - já tem hoje, mas continuará no futuro - uma importância crescente no domínio do mercado de trabalho. E portanto, essa área seguramente em todas as suas dimensões – engenharias informáticas, engenharias eletromecânicas, engenharias eletrónicas – é fundamental no futuro, num


18a21 IEFP 4Páginas_Layout 1 13/03/14 12:10 Page 21

21

guia do 1º emprego 2014

entrevista

futuro para o qual se caminha todos os dias no mercado de trabalho. Há outras áreas ligadas a indústrias que porventura aqui há poucos anos se poderia considerar que estavam a tornar-se obsoletas mas que, à conta de progressivamente termos ganho mercados externos, termos começado a exportar cada vez com mais intensidade, se tornaram também hoje, e penso que continuarão a ser no futuro, indústrias com um elevado grau de empregabilidade. Estou a falar por exemplo do calçado e dos têxteis. Diria que o essencial para que consigamos fazer o cruzamento entre qualificações e empregabilidade, é a assunção, tanto quanto possível, da ponderação das variáveis que possam depois tornar a decisão mais correta. É certo também, que muitas vezes a própria formação de base não é, nem deve ser, limitativa de um percurso no mercado de trabalho. Isto é, que carreiras em ziguezague, que partam de uma sólida formação de base mas que possam ser complementadas com formações ao longo da vida, permitem ao seu titular - jovem ou menos jovem- caminhar no mercado de trabalho. Sempre com a expetativa de que garantam qualificações para a vida, que as melhorem continuamente e que permitam uma carreira com elevado grau de mobilidade. Na entrada para o mercado de trabalho, quais acha que são as competências que as empresas e os recrutadores mais valorizam nos candidatos? Proatividade parece-me absolutamente decisivo, inclusivamente e desejavelmente antes mesmo da entrada no mercado de trabalho, com a participação, por exemplo, em ações de voluntariado, iniciativas ligadas ao terceiro setor que possam mostrar exatamente que, do ponto de vista das competências pessoais sociais dessa pessoa/desse jovem, elas lá estão e depois podem ser ferramentas bastante úteis no mercado de trabalho. Sociabilidade parece-me um elemento absolutamente decisivo, hoje em dia, no mercado de trabalho que é cada vez mais complexo, com uma fortíssima componente de relações pessoais paradoxalmente fundada nas tecnologias. E a própria gestão das redes sociais mostra isso mesmo, a componente pessoal e social dos candidatos a um emprego é absolutamente decisiva nos processos de recrutamento, ainda que num processo de recrutamento à distância, online. E uma forte consciência de si próprio. Acho que essa característica é decisiva para tudo na vida e também para o mercado de trabalho. Para além da já referida Garantia Jovem, que prioridades do IEFP definem o apoio ao emprego jovem e que medidas são mais emblemáticas? A Garantia Jovem não é propriamente uma medida. Diria que é uma confluência de várias medidas de política pública, algumas já no emprego, algumas na área da formação, mas também muitas outras do lado da educação. Temos no IEFP, no Quadro das Medidas Ativas de Emprego, um conjunto de instrumentos, como por exemplo os estágios, apoios à contratação, o reembolso da Taxa Social Única, que favorecem e terão que o conseguir fazer cada vez mais num futuro próximo, a empregabilidade de todos e em particular dos jovens. O trabalho do IEFP no ano passado foi excelente e é confortável para mim elogiá-lo, pois cheguei apenas em dezembro,

portanto esse bom trabalho não me é imputável, mas há, no entanto, uma área na qual o IEFP tem que melhorar continuamente e já em 2014 esses resultados têm que aparecer, que é a área da qualidade no que toca às colocações. Isto é, no que toca à taxa de satisfação das ofertas de emprego que as empresas e que os empregadores colocam no IEFP, no sentido de colocar à disponibilidade dos empregadores, candidatos com o perfil tendencialmente mais adequado à ocupação desses postos de trabalho. Porque, se não for assim, frustram-se expetativas quer do empregador, quer dos próprios candidatos. A área da qualidade, em particular no que toca à satisfação das ofertas de emprego, é um momento crítico para nós. O apoio ao empreendedorismo jovem também faz parte da estratégia do IEFP para a promoção do emprego jovem? É verdade. O IEFP tem programas de apoio ao empreendedorismo no quadro das suas medidas ativas, em particular viradas para os jovens. Eu diria, no entanto, que não devem ser apenas as medidas do IEFP aquelas às quais os jovens devem ter atenção. Porque ser empreendedor é isso mesmo: é abrir vários horizontes, é porventura procurar soluções onde elas à primeira vista podem não estar. E portanto, como se diz no anúncio, “é ver primeiro”. E é mesmo isso, o IEFP enquanto serviço público de emprego, promove o empreendedorismo mas eu diria que o fun-

“É preciso reforçar a confiança das pessoas e dos jovens no IEFP” damental é ter atitude empreendedora porque uma atitude pouco empreendedora que procure no IEFP apoios ao empreendedorismo, reduz potencialmente o grau de sucesso da iniciativa, bem como a sua durabilidade, a sua consistência. Apesar da crise atual, que horizonte de esperança se abre para os jovens que estão a chegar ao mercado de trabalho? Eu diria que, em primeiro lugar, uma forte consciência de si mesmo. Julgo que essa ideia: saber quem se é e saber o que se quer é absolutamente decisivo enquanto atitude para a vida. Por outro lado, ter confiança no país. Sabermos quem somos e termos confiança no país são o primeiro e o segundo passo que podem construir uma caminhada consistente no mercado de trabalho para esses jovens. E, em terceiro lugar, se me permite uma mensagem mais dirigida: confiarem no IEFP. O IEFP continuará a fazer o que lhe compete e o possível no sentido de aumentar essa atratividade junto de um público que hoje é um público muito diferente do que era há 10 ou 20 anos atrás. E o próprio IEFP também tem que tomar consciência disso mesmo e encontrar mecanismos de comunicação, de diálogo, ferramentas de comunicabilidade com os jovens que porventura não tinha antes mas que hoje são aquelas que os jovens escutam, ouvem, procuram e desejam. O serviço público de emprego tem de se adaptar a essa realidade para conquistar a confiança dos jovens no sentido de estes perceberem que têm no IEFP um aliado na procura de emprego.


23a23 Linguas estrangeiras_Layout 1 13/03/14 12:11 Page 22

22

guia do 1º emprego 2014

línguas estrangeiras

“Uma nova língUa mUda a maneira de ver e interagir com o mUndo” Charlotte Lowe, representante da Education First em Portugal, dá a sua visão sobre a importância da língua estrangeira na obtenção de um emprego, sem esquecer que “qualquer experiência internacional é melhor do que nenhuma”. A experiência internacional é olhada como uma mais-valia no CV de um candidato. Qual é a importância desse tipo de vivência para um empregador? A importância é muito grande para ambos. Para um futuro trabalhador, “viver” uma nova língua mudará a própria maneira de ver e interagir com o mundo. Obterá competências globais, bastante procuradas no mercado de trabalho. Tornase mais tolerante, mais humilde e flexível, ajuda na apreciação da diversidade no mundo e como lidar com sucesso com as diferenças culturais. Terá uma maior compreensão e respeito pelos outros, e é uma excelente preparação para colaborar internacionalmente e criar relações importantes – o networking. E isso é um fator fundamental para ter sucesso no mercado de  trabalho global. Para além disso estará mais

Quais são, por exemplo, os programas da EF que podem ajudar um estudante a ter uma melhoria significativa no seu CV? Dependendo sempre da disponibilidade de tempo e orçamento, existem diversas opções adequadas. Como é óbvio, quanto mais tempo no estrangeiro mais notórias serão as melhorias. Para além disso, juntar uma experiência de estágio e experiência profissional é também uma excelente adição ao CV. No caso da EF Education First posso recomendar os Programas académicos de 6, 9 ou 11 meses para fluência total, além dos cursos de línguas com estágios incluídos de 8,12 ou 24 semanas. Mas qualquer experiência internacional é sempre melhor do que nenhuma. Que tipo de parcerias possuem que possam ser um aditivo importante para o estudante que decida tirar um dos vossos cursos? A EF Education First é uma empresa multinacional e por isso conseguimos garantir um ambiente extremamente internacional e multicultural em todas as nossas escolas, em qualquer altura do ano. O aluno acaba por fazer contactos e amizades muito importantes para a futura vida profissional. Sendo uma empresa multinacional, existem muitas oportunidades dentro da própria empresa além das parcerias com empresas locais e mais de 150 universidades parceiras.

aberto e mais predisposto para pensar “outside the box”, uma qualidade valiosa. O empregador por seu lado, beneficiará de todas as competências descritas acima, recrutando um colaborado com um  perfil mais completo, flexível e experiente. Em que medida pode a Education First ajudar um estudante a singrar no mercado de trabalho? Através da nossa experiência, da nossa oferta de cursos linguísticos e programas académicos (41 escolas em 70 países de todo o mundo com 7 línguas disponíveis) e do nosso serviço de qualidade e confiança. Analisamos os objetivos académicos de cada aluno e a experiência prévia antes de propor a solução mais indicada para a realização dos mesmos. As nossas escolas são todas acreditadas, os professores são recrutados localmente com elevadas exigências e os alunos, ao terminar o curso ou programa, receberão diplomas e certificados para provar os seus sucessos.

A EF acompanha os seus estudantes após terem concluído os seus cursos? Qual é a taxa aproximada de empregabilidade de quem estudou na vossa escola? É óbvio que, dependendo do tipo de curso ou programa, o acompanhamento poderá variar ligeiramente. Existe sempre um contacto telefónico, festa de boas vindas e o programa EF Ambassadors, no qual os alunos podem participar em passatempos, atividades, feiras, sessões informativas, etc. Oferecemos também oportunidades de estágios locais e até internacionais. Não existe estatística oficial, mas temos vários casos de “sucesso” onde o aluno passou a ser o nosso colega EF! Dado o panorama económico-financeiro não só em Portugal como um pouco por toda a Europa, que conselho oferece a um estudante que esteja prestes a entrar no mercado de trabalho? Obter um perfil diferenciado, participando em voluntariados, estágios, projetos, associações, etc., apostar na fluência linguística para concorrer na arena global e projetos internacionais, desafiar-se a si próprio e aproveitar cada oportunidade sem receio e ser flexível e empreendedor sempre mostrando energia e dinamismo.

14LS_AD


23a23 Linguas estrangeiras_Layout 1 13/03/14 12:12 Page 23

Invista no seu futuro, estude no estrangeiro! Está a procura de uma experiência diferenciadora com resultados linguísticos garantidos? Combine estudos linguísticos e académicos no estrangeiro com a EF. > 7 línguas e 41 escolas em todo o mundo > Todos os níveis > Cursos a partir de 2 semanas > Cursos de preparação para exames internacionais > EF programa de Estágio > EF preparação e colocação para Universidades estrangeiras EF Education First Avenida Miguel Bombarda, nº 36- 2F 1050-165 Lisboa Tel: 21 317 34 70 Fax: 21 316 11 66 Email: centrosidiomas.pt@ef.com www.facebook.com/EFportugal

www.ef.com

OFERTA iPAD Veja em www.ef.com para mais informações

Cursos de Línguas no Estrangeiro

14LS AD A4 NOV PT i dd 1

11/19/13 12:15 PM


24a25 Estudar no estrangeiro_Layout 1 13/03/14 12:12 Page 24

24

guia do 1º emprego 2014

estudar no estrangeiro

António Valadas, representante da Multiway em Portugal

“CapaCidade de relaCionamento interCultural é uma mais-valia para a obtenção de um bom emprego.” António Valadas, demonstra que tirar estudantes de Portugal não é uma boa alternativa e que a experiência internacional e uma língua estrangeira devem ser bem utilizadas… dentro de portas. Fala-se na importância de uma experiência profissional internacional. A que se deve esse interesse? Uma experiência profissional internacional significa que, para além do idioma, já se dominam os mecanismos de comunicação com outras culturas. Quem passou por uma experiência desse tipo teve que enfrentar situações diferentes daquelas a que estaria habituado, teve que lidar com formas diferentes de abordar as questões e de resolver os problemas. Em suma, está preparado para avaliar as situações partindo de novos ângulos, de surgir com propostas de soluções que nunca teriam sido consideradas no contexto cultural do seu país. Além desses fatores, o que enriquece mais um jovem por ter uma experiência no estrangeiro? Para além da experiência profissional adquirida, qualquer experiência intercultural de média ou longa duração, traz ao seu participante um conjunto de mais-valias que dificilmente iria adquirir noutras condições. Viver num país diferente do nosso significa ter capacidade para enfrentar diariamente situações novas, para lidar com problemas que nunca nos teriam ocorrido. O participante numa experiência deste tipo acaba por descobrir em si capacidades desconhecidas, porque nunca necessitara de recorrer a elas. Esta constatação de que se é capaz de resolver problemas nunca antes surgidos aumenta os níveis de auto confiança  e assertividade. Quem está num país estrangeiro tem mesmo que resolver as situações diárias, não pode esperar que alguém o vá fazer por si. Isso torna-o muito mais capaz de enfrentar sem hesitação novos desafios que surjam na sua atividade profissional. De que forma é que a MultiWay pode ajudar um aluno a ter mais hipóteses na entrada no mercado de trabalho? A melhor e mais rápida maneira de se dominar um idioma estrangeiro é estudando esse idioma no país onde é falado. Os cursos de línguas que a MultiWay promove são todos nos países onde essas línguas são faladas. Isso faz com que se atinja muito mais rapidamente o domínio do idioma pretendido e, ao ter que o usar diariamente, se adquira o à vontade decorrente do seu uso diário. Para além dos cursos de idiomas a MultiWay promove vários tipos de cursos académicos que permitem a quem neles participa adquirir uma preparação muito mais efetiva para o acesso ao mercado de trabalho, por tudo aquilo que já disse antes. Há ainda um aspeto que é importante considerar no facto de frequentar certos cursos noutro país.

Em muitos casos, nesses cursos existe uma grande preocupação com uma preparação prática e dirigida às necessidades do mercado de trabalho. A MultiWay não é simplesmente uma organização que promove vários tipos de cursos noutros países. Na MultiWay há a preocupação de aconselhar a quem se nos dirige a escolha do curso ou programa mais adequado aos seus objetivos ou necessidades. Essa é talvez a razão pela qual a maior parte dos nossos clientes surge por indicação de quem já beneficiou dos nossos serviços. Colocando a hipótese de emigrar, a experiência internacional e a língua estrangeira serão centrais para os empregadores dos estudantes que optam por partir. É habitual ver ex-alunos da Multiway a decidir ficar noutro país que não seja Portugal? O lema da MultiWay é “vai, mas volta”. Não é para mim muito agradável considerar que, com a atividade que desenvolvo, estou a contribuir para esvaziar o país de muitos dos seus elementos mais válidos. Por outro lado, tenho que compreender que um jovem tem que pensar no seu futuro e que, na conjuntura atual, isso passa muitas vezes por ter que ir trabalhar para o estrangeiro. Todos os anos alguns dos jovens que vão frequentar um curso no estrangeiro acabam por ficar por lá. Alguns para completar a sua formação acadé-

mica, outros para ingressar no mercado de trabalho. Há também a situação daqueles que fizeram o seu curso no estrangeiro, voltaram para concluir a sua formação em Portugal mas voltaram a partir. Alguns regressam ao nosso país alguns anos depois, mas nem todos. No programa Prós e Contras em que estive presente, um dos convidados teve uma carreira internacional brilhante, numa das mais conhecidas multinacionais. Ele não teve qualquer dúvida em declarar que tudo tinha começado quando foi passar um ano letivo ao estrangeiro, ainda no ensino secundário. Para além dele já enviei dezenas, ou talvez centenas, de jovens que hoje em dia desempenham cargos da maior importância e atribuem o facto, em parte, ao ano passado no estrangeiro.


24a25 Estudar no estrangeiro_Layout 1 13/03/14 12:12 Page 25


26a27 Trabalhar no estrangeiro_Layout 1 13/03/14 12:13 Page 26

26

guia do 1º emprego 2014

trabalhar no estrangeiro

Será que poSSo voar maiS longe? Emigração como opção para alcançar um futuro melhor, é a palavra que está na ordem dos assuntos nos dias de hoje. Cada vez são mais aqueles que decidem arriscar uma carreia internacional. Esta pode ser uma oportunidade única para crescer pessoal e profissionalmente e mais tarde, quem sabe, regressar para contribuir para o desenvolvimento do país. Seja como for, devemos manter o espírito lusitano e à semelhança dos descobridores, partirmos à aventura e ao desafio, quem sabe não descobrimos novos horizontes. Atualmente ter habilitações ao nível da licenciatura, mestrado ou doutoramento já não é sinónimo de ter emprego, pelo menos não de forma tão imediata. Por essa razão o estrangeiro tem sido olhado por muitos que terminam os seus estudos e que têm vontade em contactar com outras culturas, povos, línguas, como uma opção a ter em conta. Ainda que isso signifique ficar longe do de casa e da família. Minha querida euroPa Devido às facilidades de mobilidade de trabalhadores que a União Europeia (UE) permite, os países europeus fazem parte da lista dos mais procurados pelos portugueses – o velho continente torna-se atrativo pela sua cultura familiar, pela facilidade de adaptação às línguas (muitas delas de origem latina) e porque, muitas vezes, ir viver e trabalhar para a Europa é apenas um passo à frente de umas das experiências que os recém-diplomados já mostram nos seus CV’s – a frequência do Programa ERASMUS durante o ensino superior. Se pensas que os países europeus podem ser uma boa opção para fazer carreira profissional, não deixes de consultar o Portal Europeu da Mobilidade dos Trabalhadores (EURES), disponível em www.eures.europa.eu. A rede EURES ajuda os trabalhadores a passarem as fronteiras e a circularem livremente dentro do Espaço Económico Europeu (EEE) – sendo que a Suíça também participa. O EURES procura

Quanto mais informação melhor!

Aqui damos a conhecer dois dos programas de mobilidade além-fronteiras aos quais te podes candidatar, mas lembra-te, tens de ser curioso e procura saber mais. Boa sorte! Programa INOV Contacto Estágios Internacionais para Jovens Quadros: O projeto visa apoiar a formação de jovens com qualificação superior em contexto internacional. É uma iniciativa promovida pelo Ministério da Economia, da Inovação e do Desenvolvimento, apoiado pela UE e pelo QREN/POPH e gerida pela aICEP Portugal Global. Sabe mais em www.portugalglobal.pt/pt/inovcontacto Programa Leonardo da Vinci É um subprograma sectorial do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida, da iniciativa da Comissão Europeia, que promove estágios transnacionais em empresas para pessoas que pretendem ingressar no mercado de trabalho com a duração mínima de 2 semanas e máxima de 26 semanas (6 meses). Sabe mais em www.proalv.pt/wordpress/ldv

ainda informar, orientar e aconselhar os trabalhadores sobre oportunidades de emprego, bem como sobre as condições de vida e de trabalho no EEE. Procura também assistir empregadores que pretendam recrutar trabalhadores de outros países e aconselhar e orientar os trabalhadores e os empregadores nas regiões transfronteiriças. Uma vez no portal, e ao selecionares “Procurar emprego”, tens acesso a postos de trabalho em 32 países europeus. Para tal, faz o teu registo gratuito em “O meu EURES” para candidatos a emprego. Aí poderás criar o teu CV e torná-lo acessível aos empregadores registados e aos conselheiros EURES, que ajudam os empregadores a encontrar os candidatos adequados. Depois, basta esperares que entrem em contacto contigo para as ações de recrutamento, que decorrem, geralmente, em Lisboa e no Porto. Portugueses Pelos quatro cantos do Mundo Angola, Brasil, EUA e Canadá, são outros dos destinos preferidos pelos portugueses que procuram uma oportunidade fora das terras lusas. Se viajares para fora da Europa, contacta a embaixada ou consulado desse país em Portugal para saber se precisas de visto e outras formalidades a cumprir. Pede ainda na Segurança Social os documentos que te garantem assistência médica. Fora do EEE, em países como Brasil ou EUA, pesquisa se há acordos ou convenções bilaterais com Portugal, para beneficiares de serviços de saúde. Se pensares em destinos como a Índia ou África, informa-te também sobre cuidados especiais de prevenção, como vacinas. Alguns centros de saúde e hospitais já têm serviços vocacionados para a consulta do viajante trabalhador. Além das preocupações com a saúde, convém teres em mente que quem vai para o estrangeiro sujeita-se, regra geral, às leis do país de acolhimento. Por exemplo, sabias que a licença de parto na Alemanha e na Finlândia tem uma duração superior à da lei portuguesa? A mesma regra aplica-se aos impostos: ao trabalhares noutro país, ficas sujeito às regras que lá vigorem. Apresenta sempre o teu contrato de trabalho junto da administração fiscal e pede o número de contribuinte. À partida, só pagarás impostos em Portugal se cá residires durante o ano, mais de 183 dias, seguidos ou não. No caso dos trabalhadores destacados, regra geral, a empresa trata das formalidades com o fisco. Para evitar a dupla tributação, pede um certificado de residência na autoridade fiscal do outro país, para apresentares nas finanças portuguesas. Se, mesmo assim, fores tributado em ambos, tens direito ao chamado crédito de imposto. Basta preencheres o anexo J do IRS. *Fonte: DECO


26a27 Trabalhar no estrangeiro_Layout 1 13/03/14 12:13 Page 27

27

guia do 1º emprego 2014

trabalhar no estrangeiro

Alerta. Olhos bem abertos!

Se entrares em contacto com alguma oferta de emprego fora de Portugal que te pareça duvidosa, tem atenção aos seguintes tópicos: › Se a oferta de emprego se destinar a um país do EEE (todos os da UE, Liechtenstein, Islândia e Noruega) ou Suíça, informa-te junto da EURES, rede criada pela Comissão Europeia e serviços públicos de emprego. › Se a oferta for para o resto do mundo, contacta as respetivas câmaras de comércio, embaixadas e consulados em Portugal, de forma a perceber se a oferta é honesta e se não existem queixas sobre a empresa recrutadora em questão.

Entre ir e ficar

De acordo com um estudo publicado recentemente pela empresa de recrutamento Hays, cerca de 80 por cento dos profissionais encontram-se disponíveis para trabalhar no estrangeiro. As dificuldades económicas do País e a falta de confiança na economia são ainda uma das maiores causas que levam os portugueses a querer trabalhar noutro ponto do mundo. Por outro lado, é evidenciado a tendência inversa, no qual 71% dos profissionais no estrangeiro referem que tencionam regressar a terras lusitanas. Regista-se também que 83 por cento dos inquiridos quererem mudar de emprego, o que não é de todo negativo, uma vez que de acordo com o estudo, no ano de 2014, aproximadamente 58 por cento das empresas em Portugal, pondera contratar mais colaboradores. Logo, há que estar atento a todas as oportunidades, caso a intenção seja dar mais uma oportunidade ao país e ficar. Ainda assim, o estrangeiro estará sempre ao alcance, caso pretendas empreender numa carreira lá fora. O essencial para que consigas ser bem-sucedido nessa tarefa é manteres-te corretamente informado e certamente conseguirás atingir os teus objetivos. Quanto ao Guia do 1º Emprego, ficaremos por cá, sempre para te pôr a par das informações mais relevantes no contexto nacional e não só e para te incentivar na procura de emprego. Seja a tua vontade ir ou ficar, desejamos-te BOA SORTE!


28a30 Proalv_Layout 1 13/03/14 12:14 Page 28

28

guia do 1º emprego 2014

entrevista

Dra. Maria do Céu Crespo, Diretora da Agência Nacional para a Gestão do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (ANPROALV)

“Perante a situação atual, os jovens têm de agir com as ferramentas que têm ao seu alcance” O que é a ANPROALV e qual o seu papel? A Agência Nacional para a Gestão do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (ANPROALV) é uma estrutura de missão que foi criada em 2007 com a responsabilidade de gerir a implementação dos programas comunitários (educação e formação) em Portugal, a iniciativa Europass e ser o ponto nacional de contato Tempus. Assim, o papel da ANPROALV tem sido crucial na gestão do financiamento comunitário e na promoção da mobilidade internacional de pessoas e de projetos de cooperação entre organizações nas seguintes áreas: ensino escolar (Comenius), ensino superior (Erasmus), educação e formação profissional (Leonardo da Vinci) e educação de adultos (Grundtvig). A 1 de Janeiro iniciou-se o programa Erasmus+. Em suma, o que vem este programa alterar, em relação aos anteriores programas de financiamento? Podemos identificar duas alterações fundamentais face aos programas anteriores.

A primeira é que o programa ERASMUS+ foi concebido para promover a integração entre os vários sectores da educação, da formação, da juventude e do desporto. Esta integração promove a sinergia entre a aprendizagem formal, informal e não formal. Esta sinergia considera que todas as formas de aprendizagem têm valor pela importância que revelam na vida das pessoas e não tanto pela formalidade ou informalidade da sua aquisição. O programa assume que a diversidade das aprendizagens fortalece a sinergia, a cooperação e contribui para a valorização do capital humano existente na União Europeia. A segunda alteração fundamental é o alinhamento dos objetivos gerais e linhas de ação do programa ERASMUS+ com as políticas globais da União Europeia para os próximos sete anos. Podemos identificar seis políticas com as quais os objetivos gerais e linhas de ação do programa ERASMUS+ estão alinhados: 1. atingir os objetivos estratégicos da Europa 2020, nomeadamente as metas relativas à educação; 2. atingir os objetivos do quadro estratégico para a cooperação


28a30 Proalv_Layout 1 13/03/14 12:14 Page 29

29

guia do 1º emprego 2014

entrevista europeia em educação e formação (Educação e Formação 2020); 3. atingir um desenvolvimento sustentável dos países parceiros no domínio do ensino superior; 4. atingir os objetivos gerais do quadro renovado para a cooperação europeia no âmbito da juventude (2010-2018); 5. atingir o objetivo de desenvolver uma dimensão europeia no âmbito do desporto, em especial o desporto de base, alinhado com o plano de estratégico da União para o desporto; 6. promover os valores europeus, de acordo com o artigo 2 º do Tratado da União Europeia. Quais os diversos eixos do novo Erasmus+? O ERASMUS+ aborda, de forma integrada, quadro eixos: a educação, a formação, a juventude e o desporto. Estes eixos estão dispostos em três ações chave: ação 1 – dedicada à mobilidade de pessoas para fins de aprendizagem, ou seja, para estudar, estagiar, fazer voluntariado, ensinar, fazer formação, etc.; a ação 2 – com uma forte aposta na cooperação entre organizações e a identificação e exploração de boas práticas, ou seja, a criação de parcerias estratégicas que estabelece, pontes entre os diversos setores da educação, da formação, da juventude e do desporto, e que envolvam uma diversidade muito alargada de organizações; pretende-se também com a ação 2 incentivar a criação de alianças que promovam a excelência do conhecimento e que produzam mecanismos que desenvolvam nas pessoas competências de alto nível, procurando dar resposta às necessidades do mercado de trabalho de uma economia competitiva e que atua a nível global; ação 3 – aposta na reforma das políticas que abranjam qualquer tipo de atividade cujo objetivo seja apoiar e facilitar a modernização dos sistemas de educação, formação e juventude. É transversal a todas as ações chave uma atuação tanto no espaço da União Europeia como em vários países no mundo, ou seja, a mobilidade e a cooperação é ao mesmo tempo europeia e mundial. Que oportunidades gera para um estudante, a promoção da mobilidade ainda no tempo de formação inicial? Vou-lhe responder a esta pergunta em duas partes: a primeira parte sobre as valências da mobilidade internacional na vida dos jovens e a segunda parte com dados estatísticos do programa Leonardo da Vinci e Erasmus (2007-2013) e o que se prevê para o ERASMUS+ (2014-2020). As valências

“é possível criar condições para proporcionar cerca de 58.300 oportunidades de mobilidade a jovens nos próximos 7 anos.” da mobilidade internacional na vida dos jovens, independentemente da altura em que acontece, é um fator diferenciador na sua educação e formação, porque gera um impacto positivo na vida pessoal e profissional. Essas valências podem ser identificadas como a aprendizagem/aperfeiçoamento de uma nova língua; o conhecimento de uma nova cultura; o contato com uma diversidade de formas de ensino e de aprendizagem; uma postura profissional num mercado de trabalho internacional e intercultural, etc. A mobilidade fornece aos jovens uma experiência concreta do mundo global onde a cooperação é necessária, o respeito pelas diferenças é uma exigência e assumir a diversidade é um fator de competitividade. Estas valências são reais e são elas que

têm, ao longo dos anos, atraído para os programas comunitários imensos jovens, que obtêm um retorno muito positivo da sua experiência. Olhemos para esta situação com exemplos concretos dos programas Leonardo da Vinci (educação e formação profissional) e do programa Erasmus (educação e formação superior). Entre 2007 e 2013, o programa Leonardo da Vinci garantiu 8.477 oportunidades de mobilidade a jovens para formação profissional. Para o mesmo período, o programa Erasmus garantiu 42.670 oportunidades de mobilidade a jovens para estudar em universidades e estagiar em empresas. Assim, em 7 anos o programa de aprendiza-

“o programa ERASMUS+ foi concebido para promover a integração entre os vários sectores da educação, da formação, da juventude e do desporto.”

gem ao longo da vida proporcionou 51.147 oportunidades de mobilidade a jovens para a educação e formação profissional. Estes números relativos a Portugal mostram, sem sombra de dúvida, a importância e a adesão crescente dos jovens às oportunidades de mobilidade internacional. Por isso, considerando esta experiência passada é viável afirmar que, durante o programa ERASMUS+ e face às oportunidades que este disponibiliza (nomeadamente com a mobilidade para estágio internacional para recém graduados), é possível continuar a aumentar a participação de jovens. Este aumento, para o período de 2014-2020, poderá corresponder até 14% do valor total atingindo com o programa de aprendizagem ao longo da vida, ou seja, é possível criar condições para proporcionar cerca de 58.300 oportunidades de mobilidade a jovens nos próximos 7 anos. Quais as principais competências que desenvolve um estudante durante um período de mobilidade? Os jovens que estudam ou estagiam em mobilidade internacional adquirem, desenvolvem e melhoram as competências relacionadas com a capacidade individual e que não são específicas de um emprego ou de uma profissão, ou seja, as chamadas “soft skills”. Estas competências são amplamente desenvolvidas, nomeadamente o autocontrolo e resistência ao stress; a autoconfiança; a flexibilidade; a criatividade; o relacionamento interpessoal; a cooperação; a capacidade de resolução de problemas; a autonomia; a iniciativa; etc. Estas competências, por serem genéricas, são facilmente transferíveis de tarefa para tarefa, de emprego para emprego, contribuindo fortemente para a empregabilidade. Os jovens também desenvolvem competências específicas, as chamadas “general hard skills”. Estas competências podem ser aplicadas de forma eficaz em quase todos os empregos, na maioria de empresas e até na vida pessoal. Estas competências específicas potenciam a empregabilidade na medida em que fomentam a comunicação em línguas estrangeiras, os conhecimentos da legislação laboral de outros países, as competências em tecnologias de informação e comunicação, as E-competências, etc. Não menos importantes é o desenvolvimento das competências técnicas exclusivas de determinadas profissões e setores, as chamadas “specific hard skills” e que correspondem a conhecimentos específicos para a realização


28a30 Proalv_Layout 1 13/03/14 12:14 Page 30

30

guia do 1º emprego 2014

entrevista

“Os jovens em mobilidade internacional adquirem e melhoram as competências relacionadas com a capacidade individual e que não são específicas de um emprego ou de uma profissão, ou seja, as chamadas “soft skills”.

de uma atividade profissional. Ora, é a mobilidade internacional que possibilita o contato com programas curriculares diversificados e com experiências práticas de alto nível e, por isso, dotam os jovens de competências técnicas competitivas e de alto nível. Qual o balanço que faz do projeto EUROPASS desde a sua criação em 2005 e quais foram os principais desenvolvimentos desde o arranque? Podemos fazer um balanço muito positivo da iniciativa Europass em Portugal. A título de exemplo faculto dois dados concretos: entre 2011 e 2013, foram emitidos mais de 7 milhões de Currículos Europass e, para o mesmo período, foram emitidos mais de 13 mil Europass Passaporte de Línguas. Estes dados são expressivos da importância do Europass e da adesão que os documentos Europass estão a ter junto das pessoas enquanto ferramentas que asseguram a transparência e a comparabilidade das qualificações, mesmo quando falamos de diferentes formas de aprendizagem, de ensino, de formação e de trabalho. Ao longo destes anos, o Europass tem procurado ser um instrumento que valoriza a diversidade europeia, as suas diferenças e as suas exigências, concorrendo para que a comunicação entre todos possa acontecer sem ruído. A forte aposta na disseminação dos instrumentos do Europass, instrumentos que procuram configurar uma Europa que aposta na mobilidade do conhecimento, das competências e

das qualificações, tem sido fundamental para que as pessoas e as organizações conheçam melhor as mais-valias destes instrumentos e os utilizem nos vários setores da sua atividade. Só para dar um exemplo, ao longo de 2013, o Centro Nacional Europass dinamizou mais de 41 sessões de disseminação, nas quais participaram cerca de 20 mil pessoas. Esta aposta em chegar às pessoas com informação pertinente e que responde às suas ambições é uma aposta na valorização das aptidões e das habilidades que cada um tem e que pode contribuir para o bem comum e para uma sociedade mais justa. Na sua opinião, quais os grandes desafios que se colocam aos jovens à procura do primeiro emprego? A situação atual em que vivemos apresenta grandes desafios para os jovens: por um lado, existe uma escassez de oportunidades de trabalho face à crise económica e financeira que afetou globalmente todas as sociedades e, por outro lado, quando essas oportunidades surgem requerem conhecimentos e competência de alto nível, assim como de um certo grau de experiência em termos laborais. O que qualquer jovem pode fazer perante esta situação complexa é agir e agir com as ferramentas que tem ao seu alcance. E essas ferramentas são, por um lado, a mobilidade internacional para fins de estudo e de estágio, ainda durante o seu período académico. Estas oportunidades dotam os estudantes de conhecimentos e de competências que aumentam a sua empregabilidade, ou seja, a capacidade de responder com qualidade e exigência aos requisitos que o mercado de trabalho apresenta nas ofertas de trabalho. Por outro lado, consolidar as suas aprendizagens num instrumento, como o Europass, que é internacionalmente conhecido e reconhecido, é fator de competitividade junto das organizações e das empresas. E este é um aspeto muito importante: saber comunicar de forma adequada e transparente todas as aprendizagens/qualificações junto do potencial empregador e, com isso, demonstrar o valor acrescentado e a diferença competitiva que pode trazer para a organização ou empresa pode fazer toda a diferença para conseguir um emprego.


31a33 Europass_Layout 1 13/03/14 12:26 Page 31

31

guia do 1º emprego 2014

europass

EUROPASS O Europass é, nos termos da Decisão n.º 2241/2004/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, que o instituiu, um quadro comunitário único que se consubstancia num dossiê pessoal e coordenado de documentos, visando a transparência das qualificações e competências.


31a33 Europass_Layout 1 13/03/14 12:26 Page 32

32

guia do 1º emprego 2014

europass

Mais informação sobre o Europass em: www.europass.proalv.pt; europass.cedefop.europa.eu/pt/home

Este dossiê constitui um registo organizado dos conhecimentos, capacidades, competências e diplomas adquiridos pelo seu titular no país de origem e no estrangeiro, permitindo a apresentação das suas qualificações e competências de forma clara, eficaz e facilmente compreensível em todos os países da União Europeia (UE), do Espaço Económico Europeu e candidatos à adesão. A sua utilização é gratuita e assenta numa base voluntária. São cinco os documentos que integram o Europass: eurOpass curriculum Vitae (ecV) Permite aos cidadãos apresentar de forma clara e exaustiva informações sobre todas as suas qualificações e competências, no âmbito da educação e da formação e a sua experiência no mercado de trabalho. Para a elaboração deste documento, que é de iniciativa individual, o cidadão pode recorrer ao novo formulário eletrónico, mais fácil de preencher, disponibilizado pelo CEDEFOP na sua plataforma em europass.cedefop.europa.eu/editors/pt/cv/compose# eurOpass passapOrte línguas (epl) Permite aos cidadãos apresentar as suas competências linguísticas com base na grelha de autoavaliação do Portefólio Europeu de Línguas. Como no caso do ECV é possível recorrer a um formulário eletrónico disponibilizado pelo CEDEFOP na sua plataforma em https://europass.cedefop.europa.eu/editors/pt/lp/compose eurOpass mObilidade (em) Regista os percursos europeus de aprendizagem, por exemplo, um estágio numa empresa; um período de estudos ou uma colocação voluntária numa ONG, efetuados pelo seu titular em países diferentes do país de origem. O percurso é monitorizado por duas organizações, uma sedeada no país de origem e a outra no país de acolhimento. O EM deve ser solicitado ao Centro Nacional Europass (CNE). eurOpass suplementO aO diplOma (esd) Fornece informações sobre os estudos do ensino superior concluídos pelo seu titular. Contribui para uma melhor compreensão das qualificações académicas de nível superior, sobretudo noutros países europeus. O ESD é emitido pela Instituição de Ensino Superior que emite o diploma de conclusão de estudos. eurOpass suplementO aO certificadO (esc) Descreve as competências e qualificações correspondentes a um certificado de formação profissional, facilitando a sua compreensão por parte das entidades empregadoras nacionais e europeias. Em Portugal a emissão do ESC é da responsabilidade do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). O sucessO dO eurOpass A primeira avaliação desta iniciativa ocorreu em 2008 e permitiu, entre outras, as seguintes conclusões: potencial para facilitar a mobilidade e para facilitar o acesso a oportunidades de aprendizagem e de emprego na Europa; elevada satisfação dos utilizadores, nomeadamente no que respeita ao ECV, porque permite uma comunicação clara das competên-

cias e facilita a comparabilidade para efeitos de candidaturas a programas de aprendizagem ou de trabalho. A segunda avaliação realizada em 2012 confirmou que esta iniciativa é um sucesso. A confirmá-lo estão também os 10 Milhões de utilizadores do ECV (2010), sendo Portugal o país que continua, desde 2008, a liderar o ranking europeu na utilização deste documento. O enquadramentO dO eurOpass na atualidade pOlítica eurOpeia Mantendo-se as questões de fundo identificadas desde 2000, designadamente, a globalização e a emergência de novas potências económicas, o sentido da construção de uma economia do conhecimento e o real envelhecimento da população, a estratégia 2020 estabeleceu como prioridades


31a33 Europass_Layout 1 13/03/14 12:26 Page 33

33

guia do 1º emprego 2014

europass e que integram o Programa Aprendizagem ao Longo da Vida, que concluem que 40% dos empregadores valoriza a experiência adquirida em mobilidade e considera que os titulares de diplomas com experiência internacional têm uma forte probabilidade de assumir cargos de grande responsabilidade profissional – Estudos 2006 e 2007 sobre impactos dos programas Erasmus e Leonardo da Vinci). KIT Europass O CNE, responsável pela promoção e coordenação da gestão dos documentos Europass, deu início em 2011 a uma estratégia de divulgação e promoção sustentada, investindo em ações focadas em sectores/atores que, pela sua posição,

NOVIDADE

Ao elaborar o ECV on-line, já é possível criar uma pasta digital designada por Passaporte Europeu de Competências (PEC) para juntar documentos Europass (EPL, EM; ESD e ESC); cópias dos diplomas e certificados; declarações das entidades empregadoras, entre outros, de modo a facilitar a compreensão do percurso académico e profissional do candidato pela(s) entidade(s) empregadora(s). Crie o seu PEC em: europass.cedefop.europa.eu/pt/documents/european-skills-passport

o crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. De entre os objetivos definidos são-nos particularmente caros os relativos ao emprego e à educação. São ambições da UE para 2020, nestes domínios, que 75% da população de idade compreendida entre os 20 e os 64 anos esteja empregada e que a taxa de abandono escolar precoce seja inferior a 10%, devendo pelo menos 40% dos jovens dispor de um diploma de ensino superior. Associadas a esta estratégia foram lançadas várias Iniciativas emblemáticas, das quais destacamos Youth on the Move e Agenda new skills for new jobs, que aparecem especialmente associadas ao Europass encarado como instrumento para a consecução dos seus objetivos, na medida em que este torna visíveis as competências, aptidões e conhecimentos adquiridos em experiências laborais ou de aprendizagem. A este propósito refiram-se estudos desenvolvidos pela CE relativos a programas europeus que fomentam a mobilidade

desempenhem o papel de multiplicadores, de modo a garantir a cobertura de um público mais vasto, meta difícil de alcançar apenas com os recursos internos. O KIT, cujo conteúdo percorre os documentos Europass para os apresentar aos potenciais utilizadores, incide, sobretudo, no ECV e no EPL, visando fornecer elementos substantivos que permitam o seu preenchimento informado e a otimização da sua utilização. Inclui, por essa razão, orientações para a abordagem ao mercado de trabalho sob a forma de resposta a um anúncio para emprego – elaboração de uma carta de motivação, preparação para uma entrevista, por exemplo – e módulos dedicados ao diagnóstico de competências de empregabilidade e outros destinados ao seu desenvolvimento. Assume-se como uma ferramenta vocacionada para a construção de pontes entre o mercado de trabalho e o cidadão, qualquer que seja o objetivo em que este o aborde: ingresso, reingresso ou melhoramento do desempenho no posto que já ocupa. O KIT apresenta-se em duas versões: formação em sala, para os contextos em que as entidades queiram utilizálo para formação dos seus públicos-alvo; e autoformação, para utilização autónoma pelo destinatário final. Está disponível na página do CNE em www.europass.proalv.pt. A sua utilização é inteiramente gratuita. o fuTuro do Europass O Europass pondera já uma revisão do quadro legal que o instituiu, de forma a dar resposta aos desenvolvimentos entretanto registados nas áreas da educação e da formação. De referir a instituição do Quadro Europeu de Qualificações e as recomendações aos Estados Membros de articulação com este dos respetivos sistemas de qualificações e o lançamento do sistema europeu de créditos no âmbito da formação profissional, European Credit System for Vocational Education and Training (ECVETS), ainda em desenvolvimento, replicando nestes domínios o sistema implementado no ensino superior com o European Credit Transfer System (ECTS). Prevê-se a possibilidade de evolução do dossiê e respetivos documentos, nomeadamente, no sentido de tornar possível o registo das experiências de mobilidade interna (nacional).


34a35 Empreendedorismo_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 34

34

guia do 1º emprego 2014

empreendedorismo

o que é ser

empreendedor? Adjetivo: que é cheio de iniciativa e vontade para iniciar novos projetos; ativo; enérgico; dinâmico; arrojado; Nome masculino: aquele que empreende; indivíduo cheio de iniciativa e vontade para iniciar projetos novos, mesmo quando são arriscados In Infopédia. Porto Editora, 2003-2014. www.infopedia.pt

Empreendedor é quem gosta de empreender, de mudar algo, de conquistar objetivos. Ser um empreendedor mais não é do que exteriorizar aquilo que sempre foste e serás. A palavra empreendedor, tem tudo a ver com o teu próprio ser. Ao contrário do que muitos pensam, empreendedores não são, por si só, aqueles que abrem um negócio. Empreendedores são aquelas pessoas cujas características fogem do princípio estático e imutável. Para um empreendedor, a regra é provar que tudo é possível com muita dedicação e empenho, desde as simples coisas até a construção de novos pensamentos, metodologias e práticas. Na maioria das vezes, a vida de um empreendedor não é nada fácil. Aliás, nem teria graça se fosse fácil. Trabalhar com poucos recursos e muita criatividade é a norma. Será que seríamos mesmo empreendedores, se fosse fácil? O empreendedor de sucesso faz-se no dia-a-dia E o que são então os empreendimentos? São o quotidiano de qualquer empreendedor. Uma atividade simples ou complexa, é um empreendimento, na visão do


34a35 Empreendedorismo_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 35

35

guia do 1º emprego 2014

empreendedorismo

Poliempreende

Concurso de Ideias e Planos de Negócio O Empreendedorismo é uma aposta inequívoca dos institutos politécnicos portugueses. Com o objetivo claro de incutir nos seus alunos o espírito de iniciativa,

O que faz um empreendedor?

Imagina, desenvolve e realiza visões Congrega risco, inovação e liderança Tem habilidade e perícia profissional numa organização Aproveita as oportunidades Faz coisas que marcam a diferença Cria prosperidade económica e social nas sociedades Atua como um agente de mudança Constrói algo novo Visualiza o futuro e propõe-se a construí-lo Tem espírito de iniciativa e gosta de começar projetos novos Corre riscos calculados, de modo a reduzir os riscos ou controlar resultados É otimista e acredita nas possibilidades que estão ao seu alcance É persistente e determinado, de modo a atingir metas e objetivos fonte: OPEN

a vontade de empreender que possa conduzir à criação da própria empresa e gerar postos de trabalho, explorando o caráter eminentemente prático e profissionalizante da sua formação, os politécnicos criaram um concurso de projetos de vocação empresarial a que deram o nome de Poliempreende. O Poliempreende é uma iniciativa que visa, através de um concurso de ideias e de planos de negócios, avaliar e premiar projetos desenvolvidos e apresentados por alunos, diplomados ou docentes destas instituições, ou outras pessoas, desde que integrem equipas constituídas por estudantes e/ou diplomados. Este projeto é constituído por todas as instituições politécnicas do país, escolas

empreendedor, pois é algo que precisa de ser conquistado, aquilo que o empreendedor ainda não possui ou ainda está fora do campo de visão. Esta é uma pessoa capaz de observar a vida de outro ângulo, diferente dos tradicionais e na maioria das vezes transformar uma situação imprópria a seu favor com um pouco mais de empenho, dedicação e compromisso. A filosofia de um empreendedor, deve ser a de estar um ou mais passos à frente. Se tu dás um passo, eu dou dois ou três! Este é o motor do empreendedor. Um empreendedor conhece bem o seu dia-a-dia e consegue adaptar-se com desenvoltura à mudança. É líder no que faz e consegue trazer para perto de si, a ajuda e as equipas necessárias para concretizar os seus sonhos e projetos. Qualquer empresa de sucesso, fundada por grandes empreendedores, é sustentada por estes pilares. Outro aspeto importante é o fracasso. Ele paira sempre no ar, mas o fracasso para um empreendedor, é o caminho do sucesso! Um empreendedor não se deixa abater pelo primeiro passo em falso. No entanto, fica a saber que aquele não é o caminho para chegar ao seu objetivo. Os empreendedores de sucesso, já passaram, por 2, 3, ou mais fracassos, muitos deles sucessivos, que poderiam deixar qualquer outra pessoa de rastos. Mas não desistem. É comum associar-se o termo empreendedor a uma pessoa ávida por dinheiro, obcecada em ganhá-lo, custe o que custar. Mas um empreendedor acredita em ganhar dinheiro como uma recompensa pelo bom trabalho que fez e portanto, não deixa de ter sempre presente os seus objetivos reais: o prazer de vencer, o prazer de mudar coisas, o prazer da conquista, o prazer de saber que abriu um caminho pelo qual muitos irão passar e ter sucesso. Esta é a sua grande característica: liderar. Esta é sua razão de ser. O dinheiro, a fama, o prestígio, têm importância menor perante aquilo que acontece no âmago de um empreendedor. Um empreendedor é, e será sempre, “simplesmente” empreendedor. fonte: SEBRAE

superiores não integradas e escolas politécnicas das universidades O concurso tem uma componente regional e outra nacional. A nível regional, cada instituto politécnico promove um conjunto de iniciativas que culminam com a atribuição de prémios aos três melhores projetos apresentados. Os projetos vencedores em cada instituição são, posteriormente, submetidos à apreciação de um júri que irá escolher os três melhores projetos nacionais. O Poliempreende tem como objetivo máximo incutir e estimular o empreendedorismo, bem como proporcionar saídas profissionais de preferência através da criação do próprio emprego. É um projeto concebido para promover a mudança de atitudes dos atores académicos nele participantes, induzindo-os a incorporar nas suas atividades regulares o desenvolvimento e a aplicação de métodos para a valorização do conhecimento gerado no sentido da assimilação do empreender. Paralelamente, contribui para o enriquecimento curricular dos seus participantes. Está orientado para dar à sociedade e à economia um forte e sério contributo, através da constituição de empresas de cariz inovador e implantação regional, que possam ser levados à prática e, ainda, para o fomento do empreendedorismo nas regiões de influência das instituições de ensino politécnico e das PME criadas no âmbito do Poliempreende. fonte: www.ei.gov.pt


36a37 Elaborar um CV_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 36

36

guia do 1º emprego 2014

elaborar um CV

O teu currículO és tu Quando nos encontramos na fase de procura de emprego, o nosso cartão-de-visita é em primeiro lugar o curriculum vitae (CV), que em latim significa percurso de vida. Logo o teu CV deve espelhar não só toda a experiência profissional que eventualmente já tenhas, mas também outras experiências que assumiram um papel determinante no teu crescimento pessoal. É importante encarares o CV como sendo o teu passaporte profissional, onde são carimbados todos os destinos profissionais, e não só, que visitaste, ou neste caso, que empreendeste. Já sabes que ele será o ponto de partida da tua viagem no mundo profissional. Portanto, pega no lápis ou caneta e aponta algumas das dicas essenciais: o tempo máximo que um recrutador dedica à leitura de um CV não ultrapassa, em média, os trinta segundos, pelo que há que pensar bem sobre a informação que vai constar nessas páginas. Solta a tua veia criativa (mas não exageres) pois ele tem que ser bastante apelativo para conseguir prender a atenção do recrutador e fazer com que recebas «aquela» chamada/e-mail para agendar uma entrevista. Neste momento, podes estar com um turbilhão de dúvidas sobre como fazer um CV que fique na mente. Calma, não precisas entrar em stress que o Guia do 1º Emprego põe-te por dentro de tudo e ainda dá-te algumas dicas de mestre para que o teu CV faça sucesso! 1. Deves moldar o currículo à empresa e à função a que te candidatas. Para tal, pesquisa acerca da empresa, área de negócio e função que gostarias de ocupar. 2. Não ultrapasses as duas páginas. Os recrutadores não costumam ter tempo para leituras pormenorizadas. Valoriza os aspetos mais importantes e exclui experiências que não sejam relevantes para a candidatura em causa. 3. Utiliza frases e parágrafos curtos. 4. Não mintas, nem exageres na descrição do teu currículo. Além de ser errado, podes estar a comprometer o teu futuro, uma vez que os empregadores, por vezes, se dão ao trabalho de pesquisar o passado do candidato. 5. Mostra de forma rápida e evidente que correspondes ao perfil solicitado. 6. Pede a alguém para ler e confirmar que o seu conteúdo é facilmente compreensível. 7. O aspeto gráfico é muito importante. Cada currículo deve ser uma impressão original. Evita manchas, dobras nos cantos e vincos.

8. As datas devem ser apresentadas sempre da mesma forma. 9. A descrição da formação académica e experiência profissional deve ser fornecida por ordem cronológica invertida, isto é, as últimas experiências académicas e profissionais em primeiro lugar. As RubRicAs de um cuRRículo (de AcoRdo com o modelo euRopAss) 1. Informação Pessoal Nome completo; Morada; Telefone; E-mail; Website/Blogue; Sexo; Data de nascimento; Nacionalidade 2. Experiência profissional. Deves descrever, de forma rigorosa mas resumida, as tuas experiências de trabalho ou, no caso de estares a candidatar-te a um primeiro emprego, quais os estágios efetuados, bem como o respetivo grau de responsabilidade. Deves incluir o tempo durante o qual desenvolveste essas atividades e aproveitar para descrever as tuas qualificações, aprendizagens, resultados e aptidões. O capítulo da experiência profissional deve refletir as tuas principais atividades e responsabilidades devendo provocar uma imagem positiva no empregador. No caso de não teres experiência profissional, deves valorizar as atividades extraprofissionais, como por exemplo voluntariado ou participação em atividades cívicas, salientando as responsabilidades assumidas nessas atividades. 3. Descrição da formação académica. Nível de escolaridade, data de conclusão, média obtida, se for favorável. Deves começar pelo nível mais elevado. Assim, um Mestrado é seguido de uma Licenciatura, que por sua vez antecede um Bacharelato. Esta informação deve anteceder a experiência profissional. 4. Competências pessoais. Referir os conhecimentos de línguas estrangeiras e respetivo nível de domínio oral e escrito; os conhecimentos de informática, especificando com rigor a profundidade destes conhecimentos, competências de organização e competências técnicas. 5. Informação adicional. Esta informação é muito importante para descrever e fundamentar a tua experiência profissional bem como fazer referência a atividades extracurriculares,

Europass: os 5 documentos que te abrem as portas da Europa (www.europass.proalv.pt) › Europass Curriculum Vitae (ECV) – para apresentares de forma clara as informações sobre todas as tuas qualificações e competências, no âmbito da educação e da formação e a tua experiência no mercado de trabalho.

› Europass Passaporte Línguas (EPL) – para apresentares as tuas competências linguísticas com base na grelha de autoavaliação do Portefólio Europeu de Línguas.

› Europass Mobilidade (EM) - regista os teus percursos europeus de aprendizagem, por exemplo, um estágio numa empresa; um período de estudos ou uma colocação voluntária numa ONG.

› Europass Suplemento ao Diploma (ESD) – para informações adicionais sobre os estudos do ensino superior de âmbito curricular – descrição de disciplinas e áreas de estudo – e co curricular – módulos, seminários e outros programas.

› Europass Suplemento ao Certificado (ESC) - descreve as competências e qualificações que tenhas adquirido no âmbito de formação profissional, facilitando a sua compreensão por parte das entidades empregadoras europeias.


36a37 Elaborar um CV_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 37

37

guia do 1º emprego 2014

elaborar um CV

6. Referências. Podes dar o contacto de um ou dois professores ou antigos empregadores para darem informações sobre ti. As pessoas indicadas devem estar sempre avisadas disso. As referências são cada vez mais importantes para os empregadores.

› Viagens. Abrem horizontes e demonstram espírito aventureiro e curiosidade. Este é um aspeto muito valorizado num mundo empresarial cada vez mais global. › Desporto. Os desportos coletivos indicam capacidade de trabalhar em equipa; os desportos radicais denotam capacidade de assumir riscos e de liderança. › Trabalho em part-time. Pode indicar boa gestão do tempo, sinal de dinamismo e responsabilidade. › Programas de voluntariado. Este aspeto é cada vez mais importante para as empresas. A participação cívica demonstra comprometimento, iniciativa e altruísmo, que são caraterísticas valorizadas na altura de contratar alguém.

CurríCulo BloguE

Erros a EViTar

Aproveita as potencialidades da Web. Um currículo Blogue pode ajudar a apresentar as tuas experiências e competências e a detalhar mais aprofundadamente uma realização específica. Existem alguns exemplos mais elaborados, com fotografias, animação, vídeos, etc. que te ajudarão a distinguir dos restantes candidatos.

Os erros fazem parte da vida e volta, não volta, lá cometemos algum, por isso há que ter bastante atenção quando julgamos que somos os criadores, daquilo que aos nossos olhos pode ser considerada «a última bolacha do pacote», porque na realidade ela talvez não seja assim tão boa... Daí que seja fundamental ter cautela para não cairmos em lugares comuns, nem em facilitismos. O Guia do 1º Emprego aconselha-te sobre o que não se deve escrever num currículo!

como voluntariado, atividades cívicas, culturais, frequência de cursos, conferências, seminários ou outras formas de formação complementares (especialmente aquelas com interesse para a área a que te candidatas), textos publicados, prémios obtidos, ocupação de tempos livres, prática de desporto, filiação em Associações, etc.

CurríCulo VíDEo A apresentação de um CV em vídeo é uma arma poderosa para te distinguires dos restantes candidatos. As vantagens são muitas: antes de mais, permite posicionares-te perante os potenciais empregadores de uma forma compatível com

a era da tecnologia e demonstrares as tuas capacidades de comunicação, criatividade e potencialidades de forma diferenciadora! Mesmo com poucos meios, poderás apresentar o teu perfil, habilitações académicas e experiência profissional de forma apelativa, diferente e criativa. Não te esqueças que a imagem permite ter uma visão da personalidade e das tuas competências profissionais muito mais completa e rica do que apenas um simples currículo em papel. Como ENriquECEr o TEu CurríCulo › línguas estrangeiras. O inglês é fundamental. Castelhano, francês e alemão são mais-valias bastante valorizadas. › informática. Dominar ferramentas de Ofice é um requisito mínimo. Atualmente, a linguagem da Internet é já considerada um requisito obrigatório para muitas profissões. › Projetos de mobilidade. Experiências internacionais revelam capacidade de iniciativa e ousadia, tais como o Erasmus e o Leonardo da Vinci. Desenvolvem novas competências, como adaptação e flexibilidade.

› Erros ortográficos e gramaticais. Sem dúvida, o fator mais negativo de um currículo. Podem não revelar apenas dificuldades de expressão escrita, mas também evidenciar falta de atenção e cuidado. › abreviaturas. Devem ser evitadas, mesmo quando parecem ser do conhecimento geral, ou específico da área em que trabalhas. › Pronomes pessoais. O abuso dos pronomes na primeira pessoa é desnecessário e deve-se evitar. Utiliza frases que comecem por “ Responsável por” em vez de “Eu estive responsável por”. › Palavras com carga negativa. Agressivo, desagradável, limitação, erro, nada, pânico, problema, mas, não... › “sempre” ou “Nunca”. Num contexto relacionado com experiência ou competências profissionais advérbios absolutos sugerem exagero. › “Bengalas” de linguagem. “Assim como”, “De forma que...”, “É assim” ou outras palavras desnecessárias que servem apenas para ocupar espaço. › Frases longas. Nunca utilizes frases com mais de 15/18 palavras, para que o leitor não perca a concentração. › Verbos Passivos. O teu currículo deve transmitir ação. Os verbos são uma forma de passar essa mensagem, usando sempre formas ativas, recorrendo o mais possível ao tempo presente. Exemplo: “Os projetos foram implementados...” não surte o mesmo impacto de “Implementação de projetos...” › Clichés. Termos como dinâmico, responsável e criativo, perderam a sua relevância por serem repetidos até à exaustão. Descobre quando e como aplicá-los e associa-os a competências e funções efetivas. › Palavras que não conheces bem e/ou não sabes definir. Lembra-te que a qualquer momento, poderás ser confrontado com o que colocas no teu currículo e convém saber o que significam. › Falar de objetivos sem falar de conquistas. Limitares-te a referir as tarefas inerentes à tua função e os objetivos traçados, sem falares das tuas realizações e do que conseguiste alcançar, pode comprometer o sucesso do teu currículo. › repetições. Por mais difícil que possa parecer, evita descrever com as mesmas palavras a tua experiência. Tens de ser criativo.


38a39 entrevista de emprego_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 38

38

guia do 1º emprego 2014

entrevista de emprego

O palcO é teu!

Em primeiro lugar o mérito é teu, pois conseguiste passar em todas as fases do processo de recrutamento e foste considerado apto para a entrevista. Este por norma é um momento de ansiedade e nervosimo, o que é perfeitamente natural. Agora, não podes é deixar que essas emoções te bloqueiem, pois é chegado o momento de brilhares. Todo o cenário já está montado, e lembra-te que os jurados (recrutadores) só lá estão porque tu estás, eles vieram de propósito para te ouvir, tu tens valor. Por isso, nada de «não sou capaz» ou «não consigo». Fernando Pessoa dizia que tudo vale a pena quando a alma não é pequena, mas para brilhar é preciso esforço. Prepara-te convenientemente e estarás a altura do desafio! Neste momento precisas de duas coisas: confiar em ti próprio e seguir os conselhos que o Guia do 1º Emprego tem para ti. Conjugando estes dois aspetos, aumentas as tuas chances de convencer o recrutador de que és efetivamente a pessoa certa que eles procuram.

› Não te esqueças de levar toda a documentação que consideres pertinente para apresentar na entrevista (diplomas ou certificados de cursos e estágios, trabalhos realizados, carta de referência, portfólio, etc.). › Está sempre preparado para diferentes tipos de entrevista. › Não te surpreendas, caso te seja pedido para resolver um caso prático. Mesmo que seja uma situação hipotética, será um dado que ajudará aos recrutadores não só a avaliar a tua reação e raciocínio, mas também a tua capacidade de comunicação, persuasão e destreza.

fAz o trAbAlho de cAsA e prepArA-te pArA A entrevistA.

A entrevista é um momento recíproco, ou seja, assim como os recrutadores, também os candidatos podem fazer questões (se sentirem que há espaço para tal), pois isso revela uma atitude dinâmica perante o entrevistador. Além disso, possibilita recolher informação sobre as condições de trabalho, hipóteses de progressão, evolução do sector, expectativas, entre outros aspetos. Mas para poder intervir convenientemente é fundamental conheceres consideravelmente a forma como a empresa trabalha. As perguntas deverão ser feitas com bom senso e, se perceberes que não há abertura, o melhor é não as fazeres, pois podem prejudicar-te.

› Reúne a maior quantidade de informação possível desde o ramo de atividade da empresa, dimensão, tipo de produtos ou serviços que comercializa, até ao nível de remunerações, áreas funcionais existentes, organização, ambiente de trabalho, estilo de funcionamento, entre outros. › Aproveita a tua rede de contactos – familiares, amigos, colegas de curso, pessoas com quem já trabalhaste – e pedelhes descrevam sumariamente a tua personalidade, as tuas qualidades e defeitos, etc. O autoconhecimento é um dos aspetos mais apreciados numa entrevista, uma vez que possibilita ao recrutador conhecer-te melhor. › Lê várias vezes o teu CV e prepara-te para aprofundar os aspetos nele focados ou outros que possam vir a surgir durante a entrevista (personalidade, caraterísticas, competências profissionais, motivação, formação, competências desenvolvidas tanto na experiência profissional como nas atividades extraprofissionais).

Como agir quando chega a parte de falar sobre o salário? Não te admires se o recrutador te fizer a famosa pergunta de quanto queres ou tencionas ganhar. Damos-te algumas sugestões para que não te atrapalhes ou fiques constrangido com esta questão, que por vezes é o «calcanhar de Aquiles» de muitos candidatos. 1. Informa-te de quais os valores praticados em funções similares, de modo a estares dentro da realidade. 2. É possível que queiram saber qual o teu último ordenado, pois serve de referência sobre as tuas expectativas e, eventualmente, do valor que estarias disposto a negociar. 3. É frequente perguntarem qual o salário líquido pretendido pela função. Em vez de falares em valores, aproveita para falar do teu desempenho anterior (se tiveres experiência profissional) ou das tuas perspetivas de carreira. 4. Para o caso de ser o teu primeiro ordenado, tenta não te expores. Se mesmo assim o entrevistador insistir dá uma ordem de grandeza, um intervalo entre valores mínimos e máximos, de forma a haver uma margem para negociação. 5. Nunca abordes, por tua iniciativa, o tema do ordenado. Embora esta não seja uma questão secundária, deves tentar valorizar outros aspetos inerentes à função e esperar que seja o entrevistador a colocar a questão.

A tuA pAlAvrA tAmbém contA!

A título de exemplo Aqui tens AlgumAs dAs perguntAs que podes fAzer: › Qual será a minha função dentro da empresa? › Quais os desafios inerentes à função? › Quais as possibilidades de progressão na carreira profissional? › É usual trabalhar-se por objetivos?

Não te esqueças de respirar e acredita no teu potencial, porque tens talento! Pontualidade. Tenta chegar 10 a 15 minutos antes da hora marcada, para evitar atrasos. Deixar a outra pessoa à espera causa péssima impressão e denota desrespeito e desinteresse. Boa apresentação. A imagem é um fator decisivo e influencia a forma como serás percecionado. Em caso de dúvida o clássico é sempre uma boa solução. Postura. Muito importante para o sucesso da entrevista. Simpatia, abertura, profissionalismo, curiosidade, podem ajudar a escolher-te como o candidato certo. É essencial manter a calma e controlar as emoções, sobretudo se a entrevista tomar um rumo não desejado. Diálogo. Embora seja um momento de algum nervosismo, a entrevista deve seguir o tom normal de uma conversa e fluir sem grandes constrangimentos. É importante que sintas que, para além de estares a ser avaliado estás, também tu, a avaliar uma hipótese de trabalho. Empatia. É um dos aspetos mais importantes para que se estabeleça uma boa relação profissional.


38a39 entrevista de emprego_Layout 1 13/03/14 12:16 Page 39

39

guia do 1º emprego 2014

entrevista de emprego

Torna-te num candidato top of mind. Segue as dicas! O mercado de trabalho é altamente concorrencial e como atualmente a procura tende a ser superior à oferta, há uma certa tendência de que todos os candidatos pareçam «cópias» uns dos outros aos olhos dos recrutadores. Portanto, tens de inverter essa tendência e mostrar o teu diferencial gravando-o na memória dos entrevistadores. Sê comedido, mas ao mesmo tempo arrojado, mostrando que tens valor e como podes ajudar a transformar a empresa através dele. Não te diminuas, mas também não exageres, acima de tudo sê tu mesmo. › Memoriza o nome e cargo do entrevistador. › A iniciativa de cumprimentar deve partir do entrevistador. Um aperto de mão firme, acompanhado de um sorriso, é o mais acertado. Se tiveres tendência para suar das mãos tenta limpá-las discretamente antes de cumprimentar o entrevistador. › Procura manter o contacto visual com o interlocutor, o que transmite segurança e interesse. Se fores entrevistado por mais de uma pessoa, tenta olhar para todos. Não olhes para baixo enquanto falas, demonstra timidez e insegurança. › Sorri! Uma cara alegre e sorridente é sempre cativante e transmite uma personalidade otimista e entusiasta. › Respeita o ritmo da entrevista. Espera o momento certo para intervir e fá-lo na dose adequada, sem falar demasiado. › É importante começar e acabar as frases de forma clara. Não deves deixar que fiquem por acabar, ou se misturem umas com as outras. › Evita utilizar linguagem mais coloquial, tal como: “Umm”, “Ah?”, “tipo”, “percebe?”. › Sê conciso e tenta responder diretamente às questões que te são colocadas. Se não perceberes a pergunta, pede para repetir. › Não mintas, nem tentes disfarçar uma realidade que te pareça pouco favorável. É sempre preferível a verdade. › Pensa na forma como gostarias de ser percecionado: prepara os aspetos sobre os quais mais gostarias de falar. › Não tenhas medo dos silêncios. Usa o silêncio a teu favor, pensando na resposta à pergunta que te foi colocada, ou na que poderás colocar. › Responde diretamente às questões colocadas e acrescenta informação relevante. › Tenta perceber o que está por trás da pergunta, o que querem realmente saber. › Se falares do antigo emprego, nunca digas mal do antigo chefe, dos colegas ou das condições de trabalho. › Se não tiveres muita experiência sobre a área de negócio, fala sobre as tuas competências. › Pensa nas questões que gostarias de colocar ao entrevistador, sobre a área em que irás trabalhar, a empresa, o setor, etc. Mas vê se há abertura para que as faças. › É possível que te perguntem qual a remuneração esperada. Esta é uma pergunta complicada. Atenção, muitas vezes com esta pergunta o candidato, se não tiver bom senso, poderá ficar imediatamente excluído, mesmo que nos outros itens tenha tido boa prestação. Sê razoável! › Só te deves levantar depois do entrevistador, agradecendo a entrevista e mantendo uma postura cuidada.

As questões que todos fazem Nós sabemos que as situações de entrevista são distintas umas das outras, todavia existem perguntas que fazem parte do guião de perguntas da maioria dos entrevistadores. Se te damos esta informação vital é para que estejas preparado, portanto presta bastante atenção. E tem presente que é essencial um trabalho de introspeção, isto é, um olhar sobre o as experiências passadas que te ajudem a preparar o futuro. Caso tenhas a oportunidade de fazer uma simulação de entrevista filmada, não hesites! Aproveita para detetar eventuais erros de postura e de comunicação verbal e não-verbal (lembra-te que falamos mais com esta última) e autocorrige-te. Deves também fazer o balanço de cada entrevista, analisando os melhores e piores aspetos, de modo a aprenderes com a tua própria experiência e evitares cometer novamente os mesmos erros. 1. Porque é que se está a candidatar à nossa empresa? 2. É capaz de se apresentar em poucas palavras? 3. O que é que nos pode oferecer? 4. O que é para si o emprego ideal? 5. Onde gostaria de estar daqui a cinco anos? E daqui a dez anos? 6. Pretende obter mais qualificações? (CESE, MBA, Mestrado, etc.) 7. Trabalhou durante os estudos? Se sim, em quê? 8. Porque é que o devemos contratar a si em vez de outro candidato? 9. Dê-nos o exemplo de uma tarefa realizada por si de que se possa orgulhar. 10. Porque escolheu esta área de trabalho? 11. Já desempenhou algum trabalho em equipa? Qual? 12. Pode dar-me um exemplo de como a sua criatividade ultrapassou um obstáculo? 13. Quais as suas principais qualidades? E defeitos? 14. Que fatores o motivam a dar o seu melhor? 15. Em que atividades académicas participou? O que aprendeu com elas? 16. Qual foi o último livro que leu, e o último filme que viu? 17. Tem hobbies? Quais? 18. Está envolvido em algum tipo de trabalho voluntário? 19. Defina sucesso. E fracasso. 20. Já alguma vez falou para uma grande audiência? 21. Com que tipo de pessoas tem mais dificuldade em lidar? E mais facilidade? 22. O que aprendeu com os erros? 23. Prefere grandes empresas ou pequenas? Porquê? 24. Qual seria o salário justo para si? 25. Fale-me de si (esta é uma das questões mais colocada pelos recrutadores. Tenta dar uma resposta sucinta, direta e que, em poucas palavras, dê a conhecer o teu perfil profissional, características e competências profissionais)


40 Carta de apresentação_Layout 1 13/03/14 12:18 Page 40

40

guia do 1º emprego 2014

carta da apresentação

Próximo candidato? tU! Depois de um CV bem concebido, há que escrever uma carta de apresentação/motivação que faça jus ao mesmo e que em poucas palavras consiga demonstrar que tu és o candidato feito à medida para aquela posição. Portanto tens de «dar o litro» e procurar criar uma carta de apresentação que transpareça não só quem tu és e aquilo que te motiva, mas também o valor acrescentado que vais trazer à empresa a que te candidatas. A tua carta tem de ser «amor à primeira vista» para quem a ler, portanto esforça-te nisso! Neste preciso momento podes já estar a questionar-te: então e como é que vou conseguir causar tal sensação? Preparámos algumas linhas orientadoras para ti, por isso lê com atenção. Mas muito importante, não mascares aquilo que não és! Sê tu próprio.

Objetivos

Quem sou eu?

Enuncia as motivações que te levaram a candidatar. Esclarece por que razão gostarias de desenvolver competências na área a que te candidatas. Sempre que fores a uma entrevista procura saber mais sobre a empresa e durante a conversa (se tiveres oportunidade) demonstra esses conhecimentos adquiridos. Será sempre uma mais-valia para ti.

Um dos elementos fundamentais quando se envia um CV é a carta de apresentação/motivação. Através dela conseguirás transmitir aos recrutadores a tua personalidade e as razões que te levam a candidatar a essa oferta de emprego. Tem presente que a carta de apresentação/motivação serve para personalizar a tua candidatura, valorizar o teu percurso

Dicas

› Quais são as tuas motivações em relação à empresa › Qual o valor acrescentando que podes oferecer › O que é que tu em conjunto com a empresa podes fazer

profissional e, acima de tudo, para convencer os empregadores a agendar uma entrevista contigo. Apesar de na maioria das vezes as cartas acabem por ser uma cópia resumida do CV, onde os candidatos simplesmente papagueiam as suas competências, isso não te favorece em nada e demonstra um certo desmazelo. Nota que uma carta bem elaborada permite criar uma ligação entre o teu percurso profissional, as tuas melhores competências e as necessidades da empresa que identificaste que visas ajudar a suprimir. Mas para que isso seja possível tens de pensar criativamente e não repetidamente como um «disco riscado». Estas são as informações que qualquer recrutador valoriza numa carta de apresentação/motivação. Contudo não existem verdades absolutas nesta matéria, logo a ordem pode ser modificada. Mas ainda assim há quem opte por começar por se apresentar, reforçando uma vez mais o que já está exposto no CV. Seja como for, depois da introdução pessoal, é relevante salientares quais as tuas motivações em relação à empresa. Se tiveres uma saída de mestre neste último aspeto, isso poderá garantir-te um espaço na mente dos teus recrutadores e fazer de ti um potencial candidato top of mind (candidato mais marcante). Para finalizares a tua apresentação, prepara alguns objetivos que a teu entender são fulcrais para a empresa e argumenta, demonstrando que és o candidato mais vocacionado para os ajudar a alcançar.

Sê certeiro e procura a pessoa certa. Caso não saibas o nome procura na internet ou, sê ousado e liga para a empresa de maneira a saber quem é o responsável a quem deves enviar a carta, se não conseguires, endereça-a ao departamento de recursos humanos, em último caso. Se estiveres a responder a um anúncio, menciona o nome do mesmo e a função a que te candidatas. Antes de falar pensa bem no que vais dizer, a primeira frase vende quem tu és e até onde podes chegar. Tenta dar o teu cunho pessoal e destacares-te das centenas de currículos diários. O tom de abertura da carta transmite a tua personalidade. Há várias formas de começar, aqui vai apenas uma dica: “Em resposta ao V. anúncio para recrutar um financeiro, reúno as qualidades profissionais que correspondem ao perfil que procuram”.

Pratica o C.C.D. (Claro, Conciso e Direto). Os recrutadores não despendem muito tempo com a leitura da carta de apresentação/motivação. Para ser eficaz, é preciso ser conciso. A carta deve ser clara e curta, desprovida de informação desnecessária. Três a quatro parágrafos é o quanto basta. As frases curtas e diretas interpelam o leitor e transmitem uma imagem dinâmica. Dizia Pessoa: “nada teu exagera ou exclui”. Mas também não exageres, dá um toque q.b. Responde sempre de forma positiva. Não digas frases como: não tenho experiência em determinada área. Opta antes por evidenciar as tuas qualidades com objetividade, sem demasiado sentido crítico. Podes sempre dizer que és uma pessoa aberta a novos desafios e que tens capacidade de adaptação. A mentira mais tarde ou mais cedo é sempre desmascarada, e não te abonará em nada, porque já sabes «a verdade vem sempre ao de cima». Tudo isto é válido também se o meio de contato for por e-mail. Seguindo a evolução tecnológica há cada vez mais CV’s que seguem por e-mail e por isso as cartas transformaram-se em e-mails. Apesar do suporte ser distinto, as regras são as mesmas. Podes mesmo escrever a tua carta no corpo do e-mail onde envias em anexo o teu CV. A probabilidade de ser lida é maior do que se for mais um documento anexo.

Só uma última chamada de atenção: A carta de apresentação/motivação tem mesmo de ser apelativa, como um delicioso bolo de chocolate, que até mesmo a pessoa mais intolerante ao sabor tenha vontade de o experimentar. Se a tua carta não surtir este efeito, a probabilidade de acabar no caixote do lixo é mais de cinquenta porcento. Por isso, esforça-te, tem bom ânimo e puxa por essa veia criativa. Nós sabemos que leva tempo, mas já dizia Thomas Edison é necessário um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração. Tu consegues!


VCK_Layout 1 13/03/14 11:15 Page VCK1


CK_Layout 1 13/03/14 11:14 Page VK1


Guia do 1º Emprego 2014