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Pubblicazione dell’Associazione per l’Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi • Nº 97-98 Ano XI - Outubro/Novembro 10 - R$ 10,00 PODE SER ABERTO PELA ECT

ELEIÇÕES

2010

Votação inesperada em

Marina Silva leva ao

segundo turno E M A I S : : L I T E R AT U R A • T U R I S M O • G A S T R O N O M I A • F O T O G R A F I A • A R T E S P L Á S T I C A S


O INCA-CGIL tutela gratuitamente os trabalhadores e aposentados italianos e brasileiros e suas famílias. RIO DE JANEIRO Av. Rio Branco, 257 sala 1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ Telefax: 0xx-21-2262-2934 e 2544-4110

INCA INCA CGIL

SÃO PAULO (Coordenação) Rua Dr. Alfredo Elis, 68 01322-050 - São Paulo - SP Telefax: 0xx-11-2289-1820 e 3171-0236 Rua Itapura,300 cj. 608 03.310-000 - São Paulo- SP

“Patronato” da maior Confederação Sindical Italiana, a CGIL

PORTO ALEGRE Rua dos Andradas. 1234 cj. 2309 90020-100 - Porto Alegre - RS Telefax: 0xx-51-3228-0394 e 3224-1718 BELO HORIZONTE Rua Curitiba, 705 - 7º andar 30170-120 - Belo Horizonte - MG Telefax: 0xx-31 3272-9910

http:\\www.incabrasil.org.br

D E

S E G U N D A

A

S E X T A ,

D A S

8 : 3 0

À S

1 3 : 0 0


forum D E M O C R A T I C O

A n o

05

X I

-

N

o

9 7 - 9 8

-

O u t u b r o / N o v e m b r o

agenda cultural

05 Cinema, teatro, shows, exposição, cursos.

06

editorial

06 Votação inesperada em Marina Silva leva ao segundo turno. Andrea Lanzi

08

comunità

08 Rio de Janeiro: Celebrata giornata dell’emigrazione italiana.

14

1 0

cultura

Literatura 14 “Conversa sobre o tempo”, de Luís Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura e “Minha casa do outro lado do Atlântico”, de Helene Cooper.

15

às compras

15 Sugestões imperdíveis, confira.

16

encarte

16 “Um giorno perfetto”, di Melania Mazzucco.

20

Italia

08 Congiuntura Brasile.

Storia italiana

08 Prematura scomparsa del Dr. Mario Trampetti

20 1999 Liberamente tratto dal libro “Patria 1978-2008” di Enrico Deaglio.

08 Partito Democratico italiano in Brasile. 09 Congiuntura Italia. 09 Manifesto de apoio à eleição de Dilma Rousseff para Presidente do Brasil. 10 Rio de Janeiro: Riunione Comites. 10 Concluso il primo corso CREA FOR-MA Impresa 10 Valter Pomar, dirigente del Partido dos Trabalhadores, ospite della Festa Democratica di Genova.

11

gastronomia

11 Nhoque de manjericão ao molho de lagostins, delícia do chef Nicola Finamore, do restaurante Cipriani.

12

turismo

26

Brasil

26 Educar com arte e através da arte tem endereço. Ivan Alves Filho

30

Italia

Emigração 30 “A Senhora”, di Amneris Di Cesare.

32

cultura

Fotografia 32 “Esperando o outono”, ensaio fotográfico de Marcio R M. Artes Plásticas 36 Vicente de Percia: No meio da Mandala, mais próximo dos deuses. Marisa Oliveira

12 Destino: Florianópolis. Muitas praias, muito verde, uma cidade cativante.

Reflexão 38 God is on the TV.

Marisa Oliveira

Luis Maffei

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www.forumdemocratico.org.br

NOSSA CAPA


expediente

La rivista Forum Democratico è una pubblicazione dell’Associazione per l’interscambio culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi. Comitato di redazione Giorgio Veneziani, Andrea Lanzi, Arduino Monti, Mauro Attilio Mellone, Lorenzo Zanetti (em memória). Direttore di redazione Andrea Lanzi Giornalista Responsabile Luiz Antonio Correia de Carvalho (MTb 18977) Redazione Avenida Rio Branco, 257/1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ forum@forumdemocratico.org.br Pubblicità e abbonamenti Telefax (0055-21) 2262-2934 Revisione di testo (portoghese) Marcelo Gargaglione Lopes Hanno collaborato: Cristiana Cocco, Marisa Oliveira, Ivan Alves Filho.

Nota do Editor Tempo de Aprender 3 de outubro de 2010: a eleição para o cargo de presidente da república vai ser decidida somente em 31 de outubro. À noite, quando já estava certo haver segundo turno, a maior surpresa era representada pela votação inesperada da candidata Marina Silva. Também os números de Dilma Rousseff e de José Serra são bastante diferentes daqueles das últimas pesquisas eleitorais, pesquisas que em pouco acertaram. E quase ninguem refletiu sobre o grande contingente de eleitores que não votaram ou votaram em branco ou nulo, mais de 25%. Tempo de aprender. E como aprender é um verbo danado de bom de conjugar, nesta edição, temos a Casa da Arte de Educar, exemplo bacana de aprendizado, de cidadania, de luta por um Brasil de mais oportunidades para seus cidadãos. Temos algumas pautas de Pixinguinha, em edição especial, produzida pelo Instituto Moreira Salles (Às Compras), a exposição do Keith Haring, na Caixa Cultural Rio de Janeiro, que fala de arte, mas não esquece de disseminar a idéia de prevenção contra o vírus HIV (Agenda Cultural). E temos também o chef Nicola Finamore,

Logotipo: concesso da Núcleo Cultura Ítalo Brasileira Valença

que nos ensina a fazer um nhoque de

Stampa: Gráfica Opção

nomia).

manjericão pra lá de delicioso (Gastro-

Copertina e Impaginazione: Ana Maria Moura A Mão Livre Design Gráfico

Carta do leitor Dados internacionais de catalogação na fonte (CIP) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Forum Democratico/ Associazione per l’insterscambio culturale italo-brasiliano Anita e Giuseppe Garibaldi - No.0 (mar. 1999) - Rio de Janeiro: A Associazione, 1999 - v. Mensal. - Texto em português e italiano - ISSN 1516-8123 I. Política - Itália - Brasil - Periódicos. 2. Difusão cultural - Itália - Brasil - Periódicos. I. Associazione per l’interscambio culturale italo-brasiliano, Anita e Giuseppe Garibaldi. CDU 32:316.7(450 + 81)(05)

84

f o r u mD E M O C R A T I C O

“Caro Andrea, ti scrivo a proposito del tuo editoriale su Berlusconi! Ci sei andato giù duro ma in certe situazioni è meglio esagerare che passare sotto silenzio. Per noi italiani all’estero  è difficile capire: forse perché la nostalgia ci rende  ipersensibili all’immagine del nostro paese.Oppure perché, stando lontani, non ci siamo ancora assuefatti a uno stile (si fa per dire!) di governo in cui le più ovvie  regole di comportamento non sembrano avere più alcun valore. Nessuno pretende dal nostro presidente l’aplomb di un Tayllerand o di un ambasciatore di Sua Maestà Britannica. La storia d’Italia è diversa e del nostro re Vittorio Emanuele II tutti conoscevano le scappattelle con la Rosina. Ma oggi, nel 2010, nel Brasile di Lula, in piena  visita ufficiale, comportarsi come un qualsiasi turista assatanato mi è sembrato troppo! Anche perché la visita di Berlusconi aveva, dopo gli screzi dovuti alla questione di Battisti, proprio l’obiettivo di migliorare l’immagine del nostro governo e del suo presidente del consiglio. Insomma:occorre che qualcuno in Italia ma anche qui dal Brasile faccia capire a chi ci governa che un po’ di stile e di moderatezza fanno parte del buon governare. Ciao.” Antonio Fattore antonio.fattore@zipmail.com.br

Outubro/Novembro 10


agenda cultural

TEATRO EXPOSIÇÕES

Texto: de Nicky Silver; Direção: Felipe Hirsch; Elenco: Marco Nanini, Mariana Lima, Álamo Facó e Felipe Abib; Cenografia e direção de arte: Daniela Thomas; Figurinos: Antonio Guedes; Iluminação: Beto Bruel; Produção: Fernando Libonati. Teatro das Artes (Shopping da Gávea) Tel: 2540-6004; Sextas e sábados, às 21h; Dom. às 20h; Ingressos - R$ 60 (setor B) e R$ 80 (setor A) (6ª); R$ 70 (setor B) e R$ 90 (setor A)(sáb/dom); Duração: 80 minutos; Classificação etária: 16 anos; Até 31 de outubro de 2010.

94 obras nunca vistas no Brasil compõem a exposição Keith Haring – Selected Works, revelando a obra do artista,considerado ícone da cultura underground da Nova York dos anos 80. São 55 serigrafias, 9 gravuras, 29 litografias e 1 xilogravura, que, de acordo com a curadora Sharon Battat, têm uma estreita ligação com o Brasil. Há ainda artigos pessoais, como passaporte, skates desenvolvidos por Keith, fotos e vídeos pessoais do artista no Brasil e até seus pares de tênis”. A exposição também inclui uma série de workshops de pinturas e desenhos para crianças com artistas locais, seguindo o exemplo do artista. Portador do vírus HIV, Haring fundou a Keith Haring Foundation para apoiar campanhas de prevenção do HIV e programas infantis e, em função desse trabalho de prevenção e conscientização, haverá distribuição gratuita, para os visitantes, de camisinhas e “O Livro da Vida”. A publicação reúne 12 histórias verídicas de pessoas anônimas que contraíram o

Foto: Keith Harring Foundation

Pterodátilos Considerada uma comédia provocadora, porém forte, violenta, a peça trata de uma família rica e disfuncional rumo à extinção, e, por extensão, à extinção da espécie. Alcoolismo, depravação sexual, violência, abandono e outros temas tabus ganham uma entonação coloquial através do humor dilacerante e dos diálogos curtos e diretos de Nicky Silver. O filho que retorna, o pai desempregado, a filha caçula que vai se casar com o namorado transformado em empregada, mãe alcoólatra e a descoberta de ossos no subsolo da casa em que moram, elementos de um texto de muita personalidade, terreno fértil para a interpretação irretocável de Marco Nanini, que sobe ao palco para nos encantar nos papéis de pai e de filha.

Foto: Leonore Seroka

Foto: Carol Sachs

Obras Inéditas de Keith Haring

Pop Shop Quad III - 1989 - Silkscreen 27 x 33 polegadas

vírus HIV, conta como isso ocorreu e traz informações de prevenção. Autor de uma obra considerada forte, democrática e despretensiosa, facilmente reconhecida pelas linhas grossas, cores vibrantes e figuras características, Keith Haring faleceu em 1990, um ano após ter sido diagnosticado portador do vírus HIV.

CAIXA Cultural Rio de Janeiro - Galeria 3; Av. Almirante Barroso, 25 - Centro (Metrô: Estação Carioca); Tel.: (21) 2544-4080; de 3ª a sáb., das 10h às 22h; domingo, das 10 às 21h; Entrada franca; Classificação livre; até 28 de novembro.

Com programação que explora o vasto acervo de música do Instituto Moreira Salles e discute arte e cultura, está no “ar” a Rádio Batuta, uma web rádio, disponível no site do IMS – (http://ims.uol.com. br/radiobatuta). Francisco Bosco é o coordenador da programação que inclui documentários, entrevistas, Foto: Leonore Seroka aulas-show, buscando divulgar o vasto acervo de canções populares do IMS, que é formado por mais de 100 mil músicas (discos de 78 rpm), muitos deles de uma época pré-bossa nova, até os anos de 1950. Além de música, o ouvinte terá acesso às gravações de cursos, palestras, conferências de arte e pensamento, atividades promovidas pelo IMS nos campos de literatura, fotografia e artes visuais. Alguns dos programas da Rádio Batuta: Sabiás, pardocas e feitiçarias – um documentário sobre Noel Rosa; Série: As canções que eles fizeram para mim – João Bosco, Marisa Monte, Monarco e outros; Música para escovar os dentes - seleção de clássicos da música brasileira. Outubro/Novembro 10

Foto: Divulgação

RÁDIO

A mostra Márcio Pannunzio – Xilogravura traz xilogravuras de pequenas dimensões, linoleografias, calcografias, monotipias, desenhos a nanquim e a lápis, nas quais o artista pratica, preferencialmente, a técnica da xilografia de topo, técnica de incisão a buril, em matrizes de madeira em disco, o que exige grande precisão e virtuosismo. Pannunzio cria obras figurativas, de desenho minucioso e intrincado, semelhantes às ilustrações religiosas medievais, marcadas por um excesso de informação visual, que exigem um olhar perseverante para uma apreciação adequada. Fotografias documentando as várias etapas de criação das gravuras, bem como Série “A ânsia de amar a matrizes e instrumenânsia”, xilografia de topo, tos de gravação, serão 10,9cm x 17,4cm exibidos em mesas expositoras para permitir aos visitantes uma melhor compreensão do processo de criação das obras. Márcio Pannunzio, que reside em Ilhabela desde 1989, é um dos gravadores brasileiros de presença constante em mostras internacionais de gravura, tendo participado de mais de uma centena delas ao longo de duas “O triunfo da morte”, xilografia de topo, 12,4cm x 9,6cm décadas.

Foto: Divulgação

Márcio Pannunzio em mostra individual

CAIXA Cultural Rio de Janeiro - Galeria 2; Av. Almirante Barroso, 25 - Centro (Metrô: Estação Carioca); Tel.: (21) 2544-4080; de 3ª a sáb., das 10h às 22h; domingo, das 10 às 21h; Entrada franca; Classificação livre; até 17 de outubro.

f o r u m DEMOCRATICO

5


editoriale

Andrea Lanzi

Votazione inattesa per Marina Silva, rende necessario il ballottaggio.

S

u 135.804.433 elettori, il 18,12% non ha partecipato al voto; dei votanti per l’elezione del

presidente, il 3,13% ha votato in bianco e il 5,51% ha annullato il voto. Dilma Rousseff, del Partido dos Trabahladores, si è fermata leggermente sotto

del governo Lula nel settore ambientale, ma

elegge al primo turno i governatori di São

il 47%, oltre 3 punti percentuali in meno di quanto

non disposti a votare “a destra”. Ma può an-

Paulo, Minas Gerais, Paraná, Tocantins (Par-

previsto dal peggiore dei sondaggi elettorali. José

che essere l’intenzione di costruire un terzo

tido Social Democracia Brasileiro); inoltre

Serra, del Partido Social Democrata Brasileiro, si

polo nella scena politica brasiliana scartando

quelli di Santa Catarina e Rio Grande do

attesta sopra al 32% e sfiderà la candidata del presi-

la scorciatoia di allearsi con uno dei due

Norte (DEM). Il governatore di Amazonas

dente Lula al ballottaggio del 31ottobre. Marina Sil-

eterni rivali PT e PSDB. D’altra parte, dopo il

Omar Aziz, del Partido Mobilização Nacio-

va, del Partido Verde, con quasi il 20%, rappresen-

secondo turno, si tratta di vedere se saranno

nal, dichiara appoggio a Dilma Rousseff.

ta la novità di queste elezioni e grazie all’inaspettato

confermate le voci di una possibile uscita dal

La nuova composizione della Camera e

risultato è la causa principale del secondo turno.

PSDB dell’ex governatore di Minas Gerais,

del Senato ha rafforzato le forze di gover-

Distaccato nettamente dai primi tre, Plinio Arru-

Aécio Neves, uscito rafforzato dalle elezioni

no (confrontare la tabella) con una crescita

da Sampaio del Partido Socialismo e Liberdade,

dopo aver eletto il suo sucessore, Antônio

espressiva del PT (che diventa il maggior

raggiunge 0,87%. Gli altri 6 candidati a presidente

Anastasia, conquistato con larga maggio-

gruppo fra i deputati) e del PSB; se Dilma

non raggiungono tutti assieme l’1%. I voti ottenuti

ranza un posto come senatore e aiutato ad

Rousseff vincerà il secondo turno avrà

da Marina Silva non hanno avuto nessuna influenza

eleggere il secondo senatore di Minas, l’ex

meno avversari in parlamento del gover-

sulla sua formazione politica, il PV, che non elegge

presidente Itamar Franco. A favore di una

no Lula. Anche in caso di sconfitta, Serra

nessun senatore e aumenta il numero dei suoi

dinamizzazione del quadro politico ad opera

avrà comunque portato la sua coalizione al

deputati federali di uno a 15; questo conferma

di Aécio Neves gioca anche il dato anagrafico

secondo turno e con una forza parlamen-

una caratteristica del sistema politico brasiliano

e l’aspirazione di Minas di tornare ad essere

tare, ma soprattutto al governo degli stati

dove, quasi sempre, la persona del candidato è

al centro degli equilibri politici nazionali. I

più sviluppati del paese, tale da renderla

più importante del partito politico. Marina Silva ha

governatori della base di governo eletti al

determinante per il futuro del paese. Chi

lasciato intendere che personalmente non avrebbe

primo turno sono quelli di Rio Grande do

parlava di messicanizzazione del Brasile

intenzione di appoggiare nessuno al ballottaggio

Sul, Bahia, Sergipe e Acre (Partido dos Tra-

è stato largamente smentito. Nel caso

ed ha comunque annunciato che per decidere se

balhadores); Rio de Janeiro, Maranhão, Mato

alquanto improbabile di vittoria di Serra

e chi appoggiare al secondo turno, convocherà

Grosso e Mato Grosso do Sul (Partido da

-dovrebbe infatti non solo assorbire oltre

una convenzione; questo potrebbe essere un

Mobilização Democrática Brasileiro), anche

80% dei voti di Marina Silva, ma erodere

modo per favorire Dilma Rousseff indirettamente,

se il governatore Andre Puccinelli di questo

voti alla Rousseff- non avrebbe la maggio-

sapendo che una parte consistente degli elettori di

ultimo stato era sfidato da un candidato del

ranza in parlamento creando una situazione

Marina sono di “sinistra”, critici dei compromessi

PT; Ceará, Pernambuco e Espírito Santo

di instabilità. (05/10/2010)

(Partido Socialista Brasileiro). L’opposizione 86

f o r u mD E M O C R A T I C O

Outubro/Novembro 10


editorial

Votação inesperada em Marina Silva leva ao segundo turno.

D

os 135.804.433 eleitores, 18,12% não compareceram às urnas; daqueles que votaram para a eleição do presidente, 3,13% votaram em branco e 5,51% anularam o voto. Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, obteve pouco menos de 47%, mais de três pontos percentuais a menos do que havia sido indicado pela mais pessimista das pesquisas eleitorais. José Serra, do Partido da Social Democracia Brasileira, superou os 32% e desafiará a candidata do Presidente Lula no segundo turno em 31 de outubro. Marina Silva, do Partido Verde, com quase 20% dos votos representa a novidade destas eleições e, pela inesperada votação recebida, é a principal causadora do segundo turno. Bem distanciado dos primeiros três candidatos, Plínio de Arruda Sampaio, do Partido Socialismo e Liberdade, consegue 0,87% dos votos. Os outros 6 candidatos nanicos não alcançam, todos juntos, 1%. Os votos de Marina Silva não tiveram nenhuma influência positiva para o seu partido, o PV, que não elegeu nenhum senador e aumentou de 14 para 15 o número de deputados federais; este fato confirma uma das caracteristicas

do sistema político brasileiro, no qual, quase sempre, a personalidade do candidato tem mais peso que o partido político. Marina Silva deu a entender que, pessoalmente, teria a intenção de não apoiar ninguem no segundo turno e declarou que com a finalidade de decidir o eventual apoio do partido será convocada uma convenção. Tal indefinição poderia favorecer Dilma Rousseff de forma indireta, já que uma parte razoavel dos eleitores de Marina são de “esquerda”, talvez até críticos dos compromissos do governo Lula na área ambiental, mas não disponíveis para votar na “direita”. Mas essa atitude pode representar a intenção de construir um terceiro polo na cena política brasileira descartando o caminho mais fácil de se aliar a um dos dois eternos rivais, o PT e o PSDB. Além disso, depois do segundo turno, é necessário confirmar a veracidade dos boatos de uma possivel saída do PSDB, do ex governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que saiu fortalecido da campanha eleitoral depois de eleger o seu sucessor, Antônio Anastasia, de ter conquistado com larga maioria uma vaga de senador e ajudado a eleger o

As cadeiras no Congresso Câmara PT PMDB PSDB DEM PL/PR PP PSB PDT PTB PSC PCdoB

Outubro/Novembro 10

Senado 88 79 53 43 41 41 34 28 21 17 15

PV PPS PRB PMN PHS PSOL PT doB PRP PRTB PSL PTC

15 12 8 4 2 3 3 2 2 1 1

PMDB

20

PDT

4

PT

14

PC doB

2

PSDB

11

PPS

1

DEM

6

PSOL

1

PTB

6

PSC

1

PP

5

PRB

1

PR

4

PMN

1

PSB

4

segundo senador de Minas, o ex presidente Itamar Franco. A favor de uma nova dinâmica do quadro político operado por Aécio Neves, joga o dado anagráfico e a aspiração de Minas voltar a ser um epicentro dos equilíbrios políticos nacionais. Os governadores da base governista eleitos no primeiro turno são de Rio Grande do Sul, Bahia, Sergipe e Acre (Partido dos Trabalhadores); Rio de Janeiro, Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (Partido da Mobilização Democrática Brasileiro), salientando que o governador deste último estado, Andre Puccinelli, era enfrentado por um candidato do PT; Ceará, Pernambuco e Espírito Santo (Partido Socialista Brasileiro). A oposição elege no primeiro turno os governadores de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Tocantins (Partido Social Democracia Brasileiro); além de Santa Catarina e Rio Grande do Norte (DEM). O governador do Amazonas, Omar Aziz, do Partido da Mobilização Nacional declarou o seu apoio à Dilma Rousseff. A nova composição da Câmara e do Senado fortaleceu os partidos da base governista (ver a tabela) com um crescimento expressivo do PT (que consegue a maior bancada entre os deputados) e do PSB; se Dilma Rousseff ganhar no segundo turno terá menos adversários no parlamento do que o governo Lula. Mesmo em caso de derrota, Serra terá levado a sua coligação ao segundo turno com uma grande bancada parlamentar, e sobretudo comandando os estados mais desenvolvidos do país, sendo assim determinante para o futuro da nação. Quem falava de “mexicanização” do Brasil, errou. No caso, pouco provável, de uma vitória de Serra – para tal seria necessário não só atrair mais de 80% dos votos de Marina Silva, mas também tirar eleitores da Rousseff- ele não teria a maioria no parlamento, determinando uma situação de instabilidade. (05/10/2010) f o r u m DEMOCRATICO

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comunità

RIO DE JANEIRO

Celebrata giornata dell’emigrazione italiana.

L

a giornata dedicata, nello Stato di Rio de Janeiro, alla emigrazione italiana è il 4 di settembre quando si ricorda lo sbarco in Brasile nel 1843 della principessa di Napoli Teresa Cristina de Bourbon sposa dell’imperatore Dom Pedro II. La data è stata ricordata con una conferenza organizzata nel tradizionale Collegio Dom Pedro II con la presenza di un numeroso pubblico di studenti e professori. Al termine il coro della scuola ha presentato alcune canzoni. L’evento organizzato dall’associazione ITAL Rio ha visto la presenza dell’Istituto Italiano di Cultura e della Associazione Anita e Giuseppe Garibaldi. La giornata è stata ricordata anche con un rinfresco nel salone del quarto piano della Casa d’Italia.

Prematura scomparsa del Dr. Mario Trampetti

A

soli 51 anni è deceduto a Napoli mentre era in ferie il Primo consigliere della nostra Ambasciata a Brasília. Aveva iniziato la sua carriera nel 1986 e aveva acquisito profonde competenze e conoscenza della realtà brasiliana e dell’America Latina. Nel 1987 ha ricoperto l’incarico di Primo segretario a Brasília, dal 2001 è stato a capo del Consolato di Curitiba. Capace, intelligente, gentile. Una grande perdita per la comunità italo brasiliana.

Congiuntura Brasile.

I

risultati delle elezioni saranno commentati nell’editoriale. In questo spazio si segnalano alcune questioni che in una certa maniera trascendono dai risultati. In primo luogo è stata testata per la prima volta la legge denominata “ficha suja”, che permette alla giustizia elettorale di non omologare la candidatura di coloro che sono stati condannati da un collegio giudicante non monocratico, anche se non in via definitiva. È stata una legge di iniziativa popolare a sostegno della quale sono state raccolte oltre un milione di firme. Il Supremo Tribunale Federale (che ha funzioni di corte costituzionale) non riuscirà a decidere se la legge potrà essere applicata già alle elezioni di quest’anno. L’effetto è stato comunque importante provocando la cancellazione delle candidature di noti personaggi politici, quali Garotinho a Rio de Janeiro e Roriz (che era in vantaggio nei sondaggi) nel Distretto Federale. Comunque la questione della onestà e della trasparenza nella vita pubblica, così come della lotta alla corruzzione in maniera generale, sarà uno dei temi ineludibili del futuro dibattito politico. Altro tema che diventa polemico nel corso di tutte le campagne elettorali è quello del sistema informativo, che vede il monopolio di un numero ristretto di organi di informazione sia nella carta stampata che nei canali televisivi; questo potere mediatico - che

Anthony Garotinho già fu decisivo per la vittoria di Collor contro Lula nel 1989- è chiaramente schierato contro i partiti progressisti; anche questo aspetto rende necessaria una legge organica sul sistema informativo, elemento centrale di una moderna democrazia. Altro elemento scaturito dalla aspra campagna elettorale è l’accordo di tutti i principali candidati per mantenere e migliorare l’intervento dello stato (bolsa família) per la fuoriuscita degli strati più poveri della popolazione dalla situazione in cui si trovano; può essere un primo banco di prova per inedite e importanti convergenze.

Partito Democratico italiano in Brasile.

I

l 14 agosto si sono riuniti a San Paolo i rappresentanti dei circoli del Partito Democratico del Brasile per approvare un piano di lavoro e per eleggere la segreteria di paese. Segretario è stato eletto Andrea Lanzi che sarà affiancato da un rappresentante di ogni corcolo. Sono anche stati eletti i rappresentanti del Brasile nel coordinamento continentale che sono Claudia Antonini (Porto Alegre), Waldemar Manassero (San Paolo), Graziella Cassarà (Rio de Janeiro). Fra i primi impegni quello di analizzare nel territorio di ogni i circolo la composizione della base elettorale per luogo di residenza, luogo di nascita, età e sesso al fine di presentare proposte in consonanza con la realtà della comunità italo brasiliana. L’altro impegno prioritario è quello di divulgare - anche con gli strumenti informatici utilizzati in forma interattiva - i valori fondamentali contenuti nel Manifesto dei valori del partito. All’incontro era presente il deputato Fabio Porta.

88

f o r u mD E M O C R A T I C O

Outubro/Novembro 10


comunidade

Congiuntura Italia.

D

opo il voto di fiducia, ottenuto dal governo in parlamento il 29 settembre con l’appoggio determinante di “Futuro e Libertà per l’Italia” e del movimento facente capo al Governatore della Sicilia, Raffaele Lombardo, le elezioni anticipate sembrano più vicine; Berlusconi ha tentato di tutto per “comprare” il sostegno di un numero di deputati che rendesse aggiuntivo - e di fatto politicamente ininfluente- il voto dei sostenitori del presidente della Camera, Gianfranco Fini, che ha annunciato una accelerazione nella trasformazione dei gruppi parlamentari in un vero e proprio movimento politico. Ma la manovra del governo non è riuscita. Anche gli eccessi verbali del lider della Lega Nord - che non ha trovato di meglio che chiamare gli abitanti di Roma “porci” - stanno contribuendo a dare una immagine del governo sempre meno presentabile. Perfino ItaliaFutura, l’associazione vicina all’ex presidente di FIAT e Confindustria, il super prudente Luca

Emma Marcegaglia e Luca Cordero di Montezemolo Cordero di Montezemolo, ha sparato a zero contro la Lega Nord: “in Italia, e in particolare nella sua (di Bossi) Padania immaginaria, la chiacchiera va per la maggiore e delle parole a vanvera di una classe politica screditata gli italiani ne hanno piene le tasche”. Anche la presidente di Confindustria,

Emma Marcegaglia, critica il governo dopo averlo seguito e spesso incentivato in una politica di accordi separati tesi a isolare la CGIL per ridurre i diritti del lavoratori; da questo punto di vista tale nuova impostazione, così come le dichiarazioni di voler riaprire il dialogo con la stessa CGIL, risultano poco convincenti quando si da l’ok alla riscrittura unilaterale del contratto dei metalmeccanici. Per quanto riguarda la principale forza di opposizione, il Partito Democratico, si è assistito ad un riallineamento interno con l’uscita di 76 parlamentari, capeggiati dall’ex segretario Valter Weltroni, dalla minoranza interna uscita dalle primarie che hanno eletto Bersani segretario; quella che poteva sembrare una minaccia all’attuale gruppo dirigente si è, al contrario, trasformata in un elemento di rafforzamento. Il movimento di Beppe Grillo si è dato appuntamento in un fine settimana per una grande festa popolare a Cesena, che è stata anche il segnale della trasformazione in vero soggetto politico. Il “popolo viola” ha promosso una nuova grande manifestazione contro il governo il 2 ottobre, anche se rimane diviso fra le sue diverse componenti.

Manifesto de apoio à eleição de Dilma Rousseff para Presidente do Brasil.

N

ós, militantes e dirigentes de base do Partido Democrático italiano no Brasil, apoiamos nessas eleições Dilma Rousseff (candidata à presidência) e Michel Temer (candidato à vice presidência), indicados por uma ampla aliança de forças políticas que inclue o PT (Partido dos Trabalhadores), o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), o PDT (Partido Democrático Trabalhista), o PSB (Partido Socialista Brasileiro), o PCdoB (Partido Comunista do Brasil), o PRB (Partido Republicano Brasileiro), o PTN (Partido Trabalhista Nacional), o PSC (Partido Social Cristão), o PR (Partido da República), o PTC (Partido Trabalhista Cristão). Acreditamos que a eleição de Dilma Rousseff é indispensável para dar continuidade e aumentar as conquistas realizadas nos dois mandatos do Presidente Lula; 8 anos ao longo dos quais

foram feitos avanços fundamentais para superar as desigualdades históricas que ainda assolam o país. A comunidade ítalo- brasileira, profundamente integrada e envolvida em todos os níveis dos acontecimentos nacionais, conseguiu então se beneficiar, assim como o conjunto da população, dos primeiros importantes resultados em termos de crescimento econômico sustentável apesar de um quadro de crise econômica global a partir de 2008, do relevante aumento dos postos de trabalho com carteira assinada e da redistribuição da renda. Importante também o inédito papel internacional do Brasil que facilitou os primeiros passos de um novo equilíbrio geopolítico mais atento às exigências dos países em desenvolvimento e as medidas inaugurais de controle da especulação financeira internacional. A adesão ao Partido Democrático se realiza acei-

tando os valores fundamentais e o programa político do partido e, justamente por isso, a votação por outros candidatos nas próximas eleições no Brasil por parte de outros militantes e dirigentes de base do nosso partido, é perfeitamente compatível com a filiação ao Partido Democrático, que esperamos transforme os princípios inspiradores da sua política internacional em coerentes escolhas de colaboração estratégica com as forças políticas que no Brasil e no mundo compartilham os mesmos objetivos: a paz; a liberdade dos povos e de cada indivíduo; os direitos humanos e civís sem nenhuma discriminação de sexo, raça ou religião; a justiça social; a democracia; a solidariedade e a tolerância; relações internacionais, globais e regionais, baseadas na centralidade do desenvolvimento justo, sustentável e solidário; papel de destaque das forças políticas e sociais portadoras das instâncias de renovação e de emancipação.

Fabio Porta, Deputado do Partito Democratico no parlamento italiano, eleito na América Meridional; Andrea Lanzi, Secretário Partito Democratico Brasil; Claudia Antonini, Partito Democratico Porto Alegre; Adolfo Bracci, Partito Democratico Porto Alegre; Natal Antonini, Partito Democratico Porto Alegre; Lia Zanini, Partito Democratico Porto Alegre; Antonio Carnasciali, Partito Democratico Curitiba; Giovanni Corso, Partito Democratico Curitiba; Alessandro Panasolo, Partito Democratico Curitiba, Chefe de Gabinete do Governador do Estado do Paraná;

Nildo José Lubke, Partito Democratico Curitiba; Orlando Pessutti, Partito Democratico Curitiba, Governador Estado do Paraná; Dimitri Zen, Partito Democratico São Paulo Leste; Anna Serra, Partito Democratico São Paulo Leste; Antonio Donato, Partito Democratico São Paulo Leste; Attilio Fania, Partito Democratico São Paulo Centro; Umberto Nigi, Partito Democratico Belo Horizonte; Giuseppe Arno, Partito Democratico Nova Friburgo; Antonio Carlos Formaggio, Partito Democratico Piracicaba; Graziella Cassará, Partito Democratico Rio de Janeiro;

Blyzzet Capparelli, Partito Democratico Rio de Janeiro; Joana D’Arc, Partito Democratico Rio de Janeiro; Plínio Gustavo Adri Sarti, Partito Democratico São Paulo Centro; Rogério Brissi, Partito Democratico São Paulo Centro; Sandra Borghini, Partito Democratico São Paulo Leste; Adriana Casu, Partito Democratico São Paulo Centro; Angela Napolitano, Partito Democratico São Paulo Leste; Maria Giuseppa Masullo, Partito Democratico São Paulo Leste; Dirce Bedani, Partito Democratico São Paulo Leste; Tiago Fappi, Partito Democratico São Paulo Centro; Guido Moretti, Partito Democratico São Paulo Centro;

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comunità

RIO DE JANEIRO

Riunione Comites.

S

i è tenuta il 17 settembre la riunione del

RIO DE JANEIRO

Concluso il primo corso CREA FOR-MA Impresa

Comites con all’ordine del giorno il parere

sul bilancio preventivo per il 2011 dello stesso Comites e delle entità che forniscono assistenza indiretta (ossia con fondi non affidati attraverso il Consolato) ai connazionali che si trovano in una situazione economica disagiata anche a causa di gravi problemi di salute. Sono stati approvati all’unanimità i bilanci del Comites, di Abita e della Società di Beneficenza e Mutuo Soccorso; a proposito di questa ultima entità è stato inserito nel parere che gli eventuali fondi devono essere gestiti con la supervisione del Settore Assistenza del Consolato, così come accade con quelli elargiti dalla Regione Basilicata. Per quanto riguarda il COASIT sarà richiesto anche a questa entità di presentare il consuntivo 2009 e il preventivo 2011 per poter mantenere la propria attività assistenziale. È stato anche approvato il bilancio preventivo dell’ACIB – l’ente gestore dei corsi di lingua italiana – che a suo tempo non era stato presentato in ragione delle dimissioni rassegnate da vari componenti della direzione. Infine il presidente del Comites a nome di tutti i consiglieri si è dichiarato contrario alla nomina della ex funzionaria MAE Caterina Sorrone quale corrispondente consolare di Angra dos Reis.

C

on la partecipazione del responsabile del progetto per la FILEF nazionale, Rodolfo Ricci accompagnato dal professor Francesco Berrettini, si è concluso con il colloquio finale il primo dei due corsi del progetto CREA FOR-MA Impresa. Nelle schede di valutazione compilate dagli alunni sono stati ampiamente approvati i contenuti del corso, la fase delle visite a varie realtà imprenditoriali e l’ultimo modulo dedicato all’elaborazione del businnes plan. Fra queste proposte imprenditoriali

che saranno presentate nel seminario finale a conclusione del progetto, previsto per sabato 11 dicembre, alcune sono molto innovative e creative come ad esempio un ostello completamente ecologico dove l’energia elettrica è prodotta da pannelli solari mentre dai rifiuti solidi si ottiene oltre ai concimi il gas metano; altra idea imprenditoriale quella di adattare una palestra ai gusti di un pubblico evangelico.

Valter Pomar, dirigente del Partido dos Trabalhadores, ospite della Festa Democratica di Genova.

L

’ex responsabile delle relazioni internazionali del PT, ed attualmente segretario esecutivo del Forum di San Paolo, ha partecipato insieme a Donato Di Santo, ex sottosegretario agli Esteri del governo Prodi con delega per l’America Latina, e a Roberto Speciale, della Fondazione Casa America, ad un dibattito intitolato “Integrazione e governance: America latina e Europa a confronto”. Nel corso dell’iniziativa Pomar ha fatto un ampio panorama dell’attuale situazione che vede al

governo forze di sinistra nella maggioranza dei paesi; ed ha sviluppato una riflessione sulle sfide che la sinistra e le forze progressiste devono affrontare a partire da quattro punti fondamentali: lo sviluppo economico, la democrazia politica, l’uguaglianza sociale, l’integrazione regionale. Pomar ha voluto anche sottolineare che non esiste in america latina una “sinistra buona”e una “sinistra cattiva”, ma un movimento progressista plurale dal punto di vista geografico, sociologico, teorico, organizzativo e politico.

Valter Pomar e Donato Di Santo

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gastronomia

Nhoque de manjericão ao molho de lagostins

CUCINA ITALIANA

Foto: Adriana Lorete

Chef Nicola Finamore - restaurante Cipriani

Cipriani Avenida Atlântica, 1702 (Hotel Copacabana Palace), Copacabana, RJ Tel: 21- 2545-8747. Manobrista: R$ 15 Horário de funcionamento: 2ª a 5ª, das 12h30 às 15h e das 19h à meia-noite; 6ª e sábado, das 12h30 às 15h e das 19h à 1h. CC: Amex, Diners, Mastercard e Visa; CB: Redeshop e Visa Electron. www.copacabanapalace.com.br

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Ingredientes da massa

Modo de fazer

1 kg de batata 200g de farinha de trigo 6 gemas 50g de parmesão 30g de manjericão sal e pimenta a gosto

Cozinhe a batata em água e sal, descasque e amasse-a. Acrescente a farinha, as gemas, o queijo parmesão, sal, pimenta e o manjericão processado. Sove até obter uma massa homogênea. Corte em pedaços, enrole e modele os nhoques. Em muita água fervente com sal, cozinhe os nhoques. Reserve. Numa frigideira à parte, coloque o azeite, o alho e adicione os lagostins limpos, deixando cozinhar por dois minutos. Flambe com o conhaque e acrescente a salsinha picada e o velute de peixe. Salteie os nhoques no molho. Em um pouco mais de azeite, frite a salsinha e o alho poró e finalize.

Rendimento: 4 porções Ingredientes do molho 1,2 kg de lagostins 1 dente de alho 30ml de azeite extravirgem 20g de salsa lisa 40ml de conhaque 80g de velute de peixe 20g de salsa lisa 60g de alho poró

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t u r i s m o

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F l o r i a n

Muitas praias, muito verde, uma cidade cativante Marisa Oliveira

Beira-Mar Norte Foto: Divulgação

Maiores informações: www.pmf.sc.gov.br/portal/setur www.santur.sc.gov.br

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t u r i s m o

ó p o l i s Foto: Qlitoral

Foto: Beto Westphal

Ponte das Canas

Foto: Epa Machado

Lagoa da Conceição

Ponte Hercilio Luz

Foto: Qlitoral

Praia dos Ingleses

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otada de uma natureza espetacular, Florianópolis, também conhecida como Ilha de Santa Catarina, é realmente especial – 100 praias, de todos os tipos, desde mar grosso com grandes ondas, até enseadas abrigadas, morros cobertos com vegetação de Mata Atlântica, ilhas, restingas, dunas, manguezais e lagoas. A essas características somam-se índices altos de escolaridade e de desenvolvimento humano e o fato de quase 50% do território da ilha ser área de preservação ambiental. Hoje, no Brasil, Florianópolis é considerada uma das melhores cidades para se viver. Simples e marcante, a cidade manteve a marca portuguesa dos seus fundadores na arquitetura, na culinária, nas manifestações culturais e reliOutubro/Novembro 10

giosas – a Catedral Metropolitana, o Palácio Cruz e Souza, igrejas de Nossa Senhora do Rosário, de São Francisco e de São Sebastião e a casa onde nasceu o pintor Victor Meirelles. Além dessas, comunidades, como Santo Antônio de Lisboa, que conservam belos casarões e igrejas açorianas e as fortalezas portuguesas de Santo Antonio e de São José da Ponta Grossa, por exemplo. Uma das maiores manifestações populares da ilha, realizada em todas as localidades é a Festa do Divino, que repete, com riqueza de detalhes, costumes medievais trazidos pelos açorianos. Mas o maior deleite a ser desfrutado em Florianópolis são as praias que atendem a todo o tipo de gosto, desde o surfista radical até o bebezinho que começa a dar os primeiros passos na areia. As mais badaladas ao norte da ilha são

Natal

Foto: Norberto Cidade

Foto: Epa Machado

Largo da Alfândega

Jurerê, Canasvieiras, Ponta das Canas, Lagoinha, Praia Brava, Ingleses e Santinho. As preferidas a leste são Moçambique, Barra da Lagoa, Mole e Joaquina. Armação, Campeche e Pântano do Sul, na ponta sul. A Ilha de Santa Catarina apresenta muitas possibilidades para o turista. Passeios de barco, mais de 30 trilhas mapeadas para serem exploradas em caminhadas de um dia, sítios arqueológicos e a Lagoa da Conceição, que, do alto do Morro da Lagoa, pode ser apreciada em seu espelho d’água, nos traços da imigração açoriana, na arquitetura colonial e na mistura de estrangeiros, surfistas, pescadores e artistas. Belo exemplo de Brasil.

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cultura

literatura Marisa Oliveira

O tempo transformado em vida e literatura

A

o ler Conversa sobre o tempo, não dá para abstrair quem são os protagonistas – Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura. Também não dá para negarmos a parcela voyeurista que existe em cada um de nós. Ao contrário do que costumamos afirmar – que a vida alheia não nos interessa – gostamos sim de conhecer a vida dos outros. À parte essas duas grandes iscas escancaradas sem pudor na capa, a conversa deles nos remete às nossas próprias conversas, aos nossos momentos de intimidade partilhados entre amigos e com amigos, quando a conjunção espaço-tempo cria um terreno fértil de onde

Conversa sobre o tempo Autores: Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, com Arthur Dapieve Editora: Agir Páginas: 256 Preço: R$ 39,90

brotam revelações íntimas, dores e alegrias, segredos. E que, ao final desses momentos, saímos fortalecidos em nós mesmos e na amizade generosa de quem escolhemos para amigo. Durante e após a leitura, veio-me várias vezes à cabeça a questão sobre o que é literatura. Um romance, um conto, um poema... Pois bem, Conversa sobre o tempo, sem ser nenhuma das categorias citadas, transpira literariedade, conta belas histórias, com clímax e anti-clímax, tem protagonistas e antagonistas. Não há dúvida sobre em que prateleira colocar a obra: literatura da melhor qualidade.

Quem são os protagonistas e o moderador? Luis Fernando Veríssimo é cronista e colunista de diversos jornais; possui vasta obra literária; suas obras foram publicadas em mais de 15 países. Zuenir Ventura é jornalista e escritor, com livros publicados no Brasil e no exterior. Arthur Dapieve é jornalista, escritor e professor de Jornalismo na PUC-Rio.

Do outro lado do Atlântico, um mundo para se conhecer

Q

uem conhece a Libéria? Quem sabe o que é o Povo do Congo? E o Povo da Terra? Minha casa do outro lado do Atlântico responde a essas perguntas, através do relato de Helene Cooper, que faz das suas memórias uma bela aula de história, de política, de geografia e de seu próprio país, a Libéria, nação criada pelos Estados Unidos no começo do século XIX. Em 1980, um golpe de Estado, seguido de uma guerra civil sangrenta, fizeram Helene Cooper trilhar o caminho inverso de seus antepassados, tetravôs – Elijah Johnson e Randolph Cooper,

Minha casa do outro lado do Atlântico Autora: Helene Cooper Tradução: Luciana Persice Nogueira Editora: Nova Fronteira Páginas: 304 Preço: R$ 44,90

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negros libertos, removidos das monoculturas sulistas dos Estados Unidos da América. Na Libéria, Helene Cooper experimenta os mais diversos prazeres e alegrias, as mais tristes experiências, a crueldade da guerra, dos homens. Ao partir para os EUA, ela descobre outro mundo e, ao escrever Minha casa do outro lado do Atlântico, faz-nos descobrir a Libéria, pedaço da África Oriental, esse outro mundo ainda tão pouco compreendido e apoiado por nós, países do Ocidente.

Quem é Helene Cooper? Helene Cooper é correspondente diplomática do New York Times. Nasceu na Monróvia, Libéria e reside atualmente em Washington D.C. Minha casa do outro lado do Atlântico é sua obra de estreia.

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à s

c o m p r a s

Jovem, fino e equilibrado Elaborado a partir da vitis vinífera Cabernet Sauvignon, o Marson Vale da Ferradura Cabernet Sauvignon é um vinho jovem, de coloração vermelhorubi, com reflexos violáceos transparentes. Bastante fino para o olfato, na boca resulta equilibrado. Acompanha muito bem: patê, frios defumados, suflês com carnes e queijos, massas com molhos médios, aves, crustáceos, moluscos, carne de gado, porco, fondue e queijos gorgonzola e roquefort. Temperatura ideal para ser servido: em torno de 18 °C. Preço: R$ 18,00 Onde encontrar: Salumeria Rua Rodolfo Dantas, 40B, Copacabana, RJ

Uma boa ideia Com base no conceito de produzir de modo ecologicamente correto, a Revira Ideias é uma loja virtual que trabalha com produtos desenvolvidos em material reciclado, reaproveitado, reciclável ou biodegradável, elaborados por artesãos e designers nacionais. Mais ideias na cabeça e menos danos ao planeta em que vivemos. Viva o Homo Sapiens! Produto: Apoio de copo Descrição: feito de sobras de madeira, evitando desperdício de resíduos Preço: R$ 49,00 (kit com 6)

Edição feliz e carinhosa

Produto: Porta bilhetes feito de alumínio reciclado. Descrição: Latas de alumínio, panelas velhas, fios telefônicos, peças automotivas sucateadas, e outros materiais que contenham alumínio são reciclados e transformados em peças úteis e criativas. Preço: R$ 61,00

Onde encontrar: Site: www.reviraideias.com.br (entregas em todo o Brasil, através dos Correios)

Recicle ideias, jogue fora preconceitos Pixinguinha e Almirante, Rio de Janeiro, c. 1955

Instalada no Instituto Municipal Philippe Pinel, na Zona Sul do Rio de Janeiro, a fábrica “terapêutica” Papel Pinel produz papel artesanal, cria novos valores e possibilita a inclusão no mercado de trabalho, de forma original e feliz, de uma clientela estigmatizada pela doença.

Fotógrafo desconhecido Acervo Tinhorão/Instituto Moreira Salles

Cadernos – R$ 20,00

Pixinguinha escrevendo arranjos em sua residência, Rio de Janeiro, c. 1960 Fo­tógrafo desconhecido/Acervo Pixinguinha/ Instituto Moreira Salles

Pixinguinha na pauta: 36 arranjos para o programa O Pessoal da Velha Guarda, caixa especial com 36 partituras mais um livro com textos da organizadora do projeto e coordenadora de música do IMS, Bia Paes Leme, da pesquisadora Anna Paes, do violonista e arranjador Paulo Aragão e do bandolinista e maestro Pedro Aragão. As partituras reunidas nessa edição especial (duas delas de músicas inéditas do próprio compositor) trazem para o público um lado ainda pouco conhecido de um dos mais importantes nomes da música brasileira, o de arranjador. Diretor musical do programa O pessoal da Velha Guarda (Rádio Tupi), Pixinguinha produzia arranjos musicais tanto para obras mais antigas, quanto para obras de artistas de seu tempo. Preço: R$ 120,00

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Ecobag – R$ 22,00

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Onde encontrar: - Rua Venceslau Brás, nº 65, sl 18, Ambulatório de Adultos Papel Pinel - Feira do Lavradio, Lapa barraca em frente ao Rio Scenarium/ 1º Sábado de cada mês (21) 9972-0997 www.papelpinel.com.br

Contatos com a seção Às Compras para apresentação/sugestão de produtos sustentáveis ou demais produtos podem ser enviados para pauta@forumdemocratico.org.br

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e n c a r t e

Encarte especial Forum 97-98 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLVI

f a s c i c o l o Símbolos utilizados  Informação histórica

 Expressão - locução  “Falsos amigos” ou falsas analogias  Ao fim do parágrafo, há uma janela

com informações fora do texto 

Gírias ou expressões fixas

Anglicismos e neologismos

 Dialetos

“Un giorno perfetto” di Melania Mazzucco «È tutta questione di filosofia», sentenziò l’uomo lentigginoso, rosso di pelo1, impalato nell’ombra davanti alla saracinesca abbassata di quello che poteva essere un circolo sportivo, o un magazzino. Un uomo senza età, coi lineamenti anonimi e sommari come quelli di un feto, che Elio aveva l’impressione di conoscere, ma che pure non ricordava. «Uno deve essere disposto a perdere tutto, solo così si vede quanto è profondo l’amore che c’hai2 per l’Idea. L’hai detto tu, eh? L’Idea viene prima di tutto.» «Senta, ne parleremo un’altra volta, ora devo andare, la mia bambina mi sta aspettando, le ho promesso che avrei cantato il karaoke con lei», disse Elio, a disagio, perché gli pareva di non dover essere in questo momento in quella strada, in quel quartiere, davanti a quella saracinesca3 illuminata dalla luce fioca di un lampione - sulla quale qualcuno, con la vernice nera, aveva scritto SE CIÒ CHE POSSIEDI POSSIEDE TE, SE HAI PERSO TUTTO E SEI DISPOSTO A TUTTO, SEI UN BARBARO. «Anch’io ti stavo aspettando», replicò lo sconosciuto, acido. «Sono vent’anni che ti aspetto.» Cauto, Elio cercò di raggiungere il capo-scorta4 che gli apriva la portiera della macchina blindata, ma lo sconosciuto lo afferrò per un braccio e lo trascinò all’interno. Elio non ebbe il tempo di stupirsi che la saracinesca fosse, ora, sollevata. Nel vasto locale, accatastate l’una sull’altra, c’erano una ventina di seggiole e una televisione accesa sulle trasmissioni elettorali. «Perché, ci conosciamo?» si stupì Elio. Il feto non rispose. «Per me il partito è tutto. Io tutto gli ho dato. Per questo non ti posso perdonare niente. Io ti sto addosso. Tu hai deragliato5, Elio Fioravanti. Funziona così. Chi sbaglia paga. Io ho pagato. Io sono andato in galera per l’Idea, m’hanno dato tre anni e consigliato di lasciar perdere la politica. Io mi sono fatto sfasciare la testa per l’Idea, mentre attaccavo manifesti, come un cane. Lo accetto. Capisci? HO FATTO UN SOGNO.» «Amico, non so di cosa parli» balbettò Elio, sorpreso di scorgere nel disadorno squallido locale6 il suo segretario. Lo sconosciuto lo afferrò per la cravatta. E anche se Elio cercava di sottrarsi a quell’insolito tentativo di strangolamento, l’altro lo guardò negli occhi. In fondo. E dentro. Con uno sguardo ardente, che poteva essere quello di un innamorato o di un giudice. Elio ebbe la tremenda sensazione che quel barbaro lentigginoso coi capelli rossi e lo sguardo spiritato lo conoscesse intimamente, e sapesse tutto. Elio non era mai stato scrutato7 così. «Tu non sei veramente uno di noi», disse lo sconosciuto. 1 Lentigginoso viene da ‘lentiggini’, ossia quelle macchioline giallo-brune che sembrano lenticchie e che si formano sulla pelle (popolarmente chiamate in port. ‘sardas’.) Invece la caratteristica ‘rosso di pelo’ significa che il personaggio ha i capelli rossi. 2 Forma dell’italiano parlato propria dei dialetti centro-meridionali, che antepongono la particella ‘ci’ al verbo avere, come in ‘ce l’hai una sigaretta da darmi?”. Nell’italiano grammaticalmente corretto si dovrebbe usare solo in risposta ‘Sí, ce l’ho’. 3 La saracinesca è una lamiera o griglia metallica snodabile che serve a chiudere le porte di locali a piano terra. 4 Ossia l’uomo che si trova a capo della scorta (in port. ‘escolta’) 5 L’uso metaforico del verbo ‘deragliare’ (ossia ‘uscire dalle rotaie, dai binari) fa capire che l’uomo avrebbe cambiato il suo percorso ideologico.

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X L V

Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana a cura di Cristiana Cocco

«Adesso ti dico una cosa, Elio Fioravanti, e ricordatela bene. A Regina Coeli ce sta ‘no scalino, chi nun salisce quello nun è romano.» Elio balbettò confusamente di non aver fatto tutte le cose che aveva fatto perché voleva farle. Ci si era trovato dentro, ecco tutto. La vita è questa concatenazione di eventi banali, casuali e perfino privi di senso, le cui conseguenze sono così imprevedibili, così sproporzionate, alle volte. E in quel momento si accorse che nel monitor brillava un’immagine colorata, impercettibilmente fuori fuoco: due facce tremolanti, racchiuse in una cornice luminescente, come due colpevoli di un crimine o due santi. Tutte e due le facce provviste di sorrisi stereotipati, coi denti a tasto di pianoforte. Sotto le fotografie - erano fotografie infatti - lampeggiavano numeri, entrambi a due cifre, che all’inizio faticò a leggere. «Regina Coeli? Ma il carcere di Roma non è Rebibbia?» commentò Fabio Merlo, senza la solita deferenza. «Che cosa vuole insinuare?» sibilò Elio8, indispettito dalla domanda maligna del suo segretario, e in quel momento le cifre si fissarono: 50.4% e 46.7%. 50.4% sotto la faccia da massaia trasandata di Tecla Molinari, nata quarantotto anni fa a Colleferro ove si diplomò ragioniera, già consigliere comunale, hobby: volontariato e cucina, ultimo libro letto L’Alchimista. 46.7% per l’avvocato Elio Fioravanti, onorevole della Repubblica Italiana dal 1994, laureato in giurisprudenza, principe del diritto privato, titolare di uno degli studi più rinomati di Roma ove nacque cinquantun anni fa, prestato alla politica per riformare le leggi della nazione, hobby: snorkeling, rugby e filatelia (così recitava la scheda della Navicella9), ultimo libro letto: una biografia di Mussolini della quale non menzionava l’autore (in effetti ne aveva letto solo il primo capitolo); nell’attuale legislatura membro della commissione per gli affari sociali, promotore di una iniziativa parlamentare per il riconoscimento della funzione sociale svolta dagli oratori parrocchiali, per la lotta alla prostituzione coatta e la riduzione in schiavitù, per la tutela dei diritti dell’embrione e il riconoscimento giuridico del feto. Il 46.7% lampeggiava proprio sotto la faccia dell’avvocato onorevole Fioravanti. Ovvero di lui stesso, sebbene non si riconobbe per nulla in quell’uomo sorridente e ottimista e senz’altro ringiovanito di almeno dieci anni - in parte perché quella foto era stata effettivamente scattata dieci anni prima, in parte perché ritoccata e migliorata al computer. «Che significa?» quasi urlò al suo segretario, sempre immobile davanti al monitor della televisione. «Significa che non ce l’abbiamo fatta, non è stato rieletto, onorevole.» E poi Fabio Merlo, azzimato10 segretario dal linguaggio forbito11, gli diede del tu, cosa che non gli era mai stata permessa, e lasciando trapelare una gioia maligna usò un’espressione che mai avrebbe usato in sua presenza: «sei stato trombato12». Elio vacillò, riconobbe il locale della sezione, 6 Il termine disadorno può essere tradotto come ‘simples, sóbrio’, squallido come ‘triste, deprimente’ e la parola ‘locale’ a cui si riferiscono questi aggettivi è sinonimo di ‘ambiente, stanza, vano’. 7 Scrutare significa ‘esaminare, osservare con attenzione cercando di capire o scoprire qualcosa’. 8 Altra metafora: il verbo ‘sibilare’, proprio del verso dei serpenti, viene usato per definire il tono ‘sibilante’ della voce del personaggio. 9 Repertorio che contiene un breve profilo biografico di ogni eletto al Parlamento italiano 10 Ossia ‘vestito molto bene, elegante’. In portoghese del Brasile si direbbe ‘vestido como um dandy”. 11 Ossia ‘raffinato, elegante’. 12 Termine che, volgarmente, significa ‘possedere sessualmente’. Quindi, in questo caso, corrisponderebbe ad un portoghese ‘te fuderam’.

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elania Gaia Mazzucco è nata a Roma nel 1966; figlia dello scrittore Roberto Mazzucco

si è laureata in lettere. Il suo esordio è del 1992 con il racconto Seval. Ha partecipato al Premio Strega nel 1996 e nel 1998 con i romanzi Il bacio della Medusa e La camera di Baltus. Dopo aver vinto vari premi nel 2000, con la biografia della giornalista Annemarie Schwarzenbach, Lei così amata, vince nel 2003 il Premio Strega con il romanzo Vita ispirato alla storia di emigrazione del nonno Diamante. Nel 1996 vince insieme a Luigi Guarnieri la Medaglia d’oro per la drammaturgia con Una Pallida felicità – Un anno nella vita di Giovanni Pascoli. Nel 2008 dal romanzo Un giorno perfetto viene tratto un film diretto da Ferzan Ozpetek. Altre opere dell’autrice: La lunga attesa dell’angelo, La vita assassina,

riconobbe la saracinesca nera e se stesso, gli mancò il respiro, il colpo fu talmente inatteso che credette di morire d’infarto, ma nello stesso istante capì che era solo un sogno e si svegliò. Era fradicio di sudore13. Zuppa14 la canottiera che portava sotto il pigiama perché da quando aveva varcato la triste soglia dei cinquanta soffriva le correnti d’aria e in marzo era stato inchiodato a letto dal colpo della strega. Zuppo il pigiama, zuppo di bava anche il cuscino. Il cuore rantolava sfasato, sul punto di fermarsi. Aveva in bocca un sapore da infarto. La scena si era svolta con un realismo tale che faticò a rendersi conto che davvero la sezione del partito era stata chiusa e adesso al suo posto c’era l’ambasciata di un paese orientale e dunque lui non poteva esserci entrato stanotte. Che il feto rosso di pelo era morto e seppellito da quasi trent’anni e perciò non aveva potuto minacciargli la galera15, e soprattutto che i risultati non potevano essere già apparsi alla tv in quanto le elezioni ancora non c’erano state, e perciò quel 46.7% poteva giocarselo al superenalotto, ma non significava niente. Non era stato trombato perché non si era votato ancora, di qui al tredici di maggio mancavano nove giorni, e Tecla Molinari poteva ancora finire sotto una macchina, poteva perdere consensi, poteva ritirarsi, essere abbandonata dalle borgate, dai commercianti che temevano l’isola pedonale e il crollo degli affari, tradita dagli elettori - insomma, che le prenda un colpo, quella baldracca comunista non si siederà a Montecitorio al posto mio. Elio si girò sul fianco, ma non riusciva a riprendere sonno. Il sudore si inaridiva nella canottiera. Le parole inquietanti del camerata caduto sul campo Essere fradicio significa essere molto bagnato. Zuppo è sinonimo di fradicio. 15 Sinonimo di prigione. 13

Jacomo Tintoretto e i suoi figli. Biografia di una famiglia veneziana.

dell’onore una lontana notte di trent’anni prima - lo scalino romano, lo scalino romano - gli avviluppavano il cervello come carta moschicida. Continuava a vedere la sua faccia nel francobollo luminoso della tv, la sua faccia bonaria e ringiovanita e ritoccata al computer ma sottolineata dai numeri raccapriccianti della sconfitta. Non aveva mai preso neppure in considerazione l’idea di perdere il seggio, con tutti i soldi che aveva speso e lo stratega americano che aveva fatto la vittoriosa campagna per i repubblicani e la popolarità trasversale interclassista in tutta Roma e l’appoggio della Curia - e del Presidente. E invece. Forse il sogno gli preannunciava la verità? Era un sogno veritiero? Come riconoscere un incubo da una visione? Maja di certo ne sarebbe stata capace. Maja tanto cerebrale e mistica, la mattina, con una diligenza ammirevole, appuntava i sogni notturni in un quaderno segreto che custodiva nel cassetto della biancheria: sulla copertina c’era scritto Libro dei sogni. Una volta, a tradimento, lui lo aveva letto. I sogni di Maja - solo raramente erotici e comunque di una banalità stupefacente - lo avevano annoiato. Però Maja sosteneva di avere avuto il dono di interpretare i sogni - da ragazza, prima di mettersi con lui - e Elio ci credeva, perché no? Le donne trafficano con l’aldilà, hanno qualcosa a che fare con il futuro e con la morte. Era sudato fradicio, angosciato e spaventato. Non poteva perdere le elezioni. Una prospettiva agghiacciante. Diventerei il capro espiatorio16. Mi sbranerebbero, mi farebbero a pezzi. Roma non perdona i perdenti. Ti osannano, ti ossequiano, ti riveriscono, strisciano ai tuoi piedi - e dopo la caduta ti dimenticano, ti cancellano, ti rifiutano. Il telefono non suona più. Il tuo nome non viene più pronunciato. 16

Encarte especial Forum 97-98 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLVI

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Foto: Riccardo De Luca

melania mazzucco

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In portoghese ‘bode expiatório’.

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Ti evitano, come un contagio. La solitudine che ti regala Roma quando hai perso è grandiosa come il potere di cui si affretta a incoronarti. E allora non ci saranno più cene, né feste, né elettori, né amici e forse nemmeno Maja. Sarai solo. Non poteva nemmeno pensarci. Tirò da parte la coperta e si mise a sedere sul letto. I mobili della sua stanza - di un noce scuro, quasi nero - gli comunicarono un senso di minaccia. L’armadio massiccio pareva sul punto di cadergli addosso e schiacciarlo. Le tende di broccato verde non lasciavano passare neanche un raggio di luce. Il display del televisore segnava le 2.07. Se l’avesse svegliata a quest’ora, Maja non glielo avrebbe mai perdonato. Ma era impossibile riaddormentarsi, col rischio di ritrovarsi davanti la mutria17 di Tecla Molinari, oh, impossibile. Scalzo, a tentoni si diresse verso la porta. Nella stanza della bambina c’era la luce accesa, perché Camilla aveva paura del buio. Ne ebbe improvvisamente paura anche lui. Nel buio lo aspettavano il tredici maggio, lo spettro venuto dal passato, Tecla Molinari, Montecitorio o la sconfitta. E la sconfitta portava con sé l’agghiacciante indifferenza del potere, l’ignominia, il disonore, forse persino lo scalino romano - la galera. Eh, forse di notte le cose appaiono più gravi di quanto non siano, ma gli sembrava di non avere scampo, di essere in trappola, spacciato. Non resistette alla tentazione di contemplare il volto della sua piccina. Scavalcò la casa delle bambole, il teatro delle marionette e il corpo della baby-sitter. Dormiva supina come in un sarcofago, con un’espressione scontenta sul viso. Brutta, una donna irrimediabilmente brutta, perché Maja selezionava il personale in base alle attrattive fisiche: subliminale paura della concorrenza. Astuzie femminili, precauzioni patetiche quanto inutili, perché l’avvocato Fioravanti amava la sua giovane moglie un tempo tanto graziosa da parergli la reincarnazione della principessa di Vacanze romane, e non avrebbe mai degnato di attenzione una baby-sitter nata e pagata solo per occuparsi della sua bambina. Camilla dormiva raggomitolata in posizione fetale, con un dito in bocca e un topo di pezza sottobraccio. Un topo, non un gattino, un cane o un orsetto - un topo perché, papi, tutti pensano a salvare i gattini e i cagnolini ma chi ci pensa ai topi? anche i topi hanno fame, e poi hanno i topini, perché tutti ce l’hanno coi topi? I topi sono brutti, gioia mia, e portano le malattie. E allora? Anche i lebbrosi sono brutti e portano le malattie ma Madre Teresa gli voleva bene. Chi ti mette in testa queste sciocchezze, Camilla? Dovevano essere state le suore, era stato un errore mandarla in quella scuola, le suore mortificano18 le bambine, insegnano a rinnegare i piaceri della vita sperando di convincerle a commettere l’errore che loro stesse hanno commesso. No, papà, ci ho pensato da sola. Che bambina sensibile, la mia. Che angelo. Vegliandola, mentre si ciucciava il dito serena e compassionevole con gli esserini sfortunati fra i quali i poveri brutti e non amati topi, Elio si rianimò. Incredibile la forza che gli trasmetteva quella piccola creatura innocente. Decisamente si era trattato di un incubo, un sogno menzognero. Si chinò sul lettino, protendendo le labbra per baciare i capelli di Camilla fini fini e di un castano mogano meraviglioso - ma la signorina Sidonie risorse come un fantasma dalle lenzuola. «Non la svegli, avvocato, s’è appena addormentata», biascicò, querula. «Ci ha mandato al manicomio tutta la sera, a me e anche alla signora - per carità non la svegli.» Elio la maledisse, perché un uomo ha il diritto di baciare la sua piccina. Lardosa balena frigida e senza figli, che ne sai tu dell’amore

di un padre? Pure, dal momento che per Camilla avrebbe fatto qualunque cosa, Elio si sacrificò e stoicamente rinunciò al bacio. Ancora scosso e intenerito, col sudore che si ghiacciava nel pigiama, sgusciò fuori dalla camera di Camilla e per qualche istante indugiò nel corridoio. Sentì in lontananza il rintocco della pendola nel salotto al piano inferiore, e lo scricchiolio del legno nella villa19 immota. Maja dunque si era addormentata da poco. Maja furibonda se svegliata ora. Ma non voleva svegliarla. Entrò nella sua camera in punta di piedi. Fiutò un promettente profumo di legno, di sonno, e secrezioni vaginali. L’ex-principessa di Vacanze romane dormiva con la guancia sul cuscino, il braccio nudo allungato sulla coperta. Dormivano separati dalla nascita di Camilla, perché era inutile svegliarsi tutti e due quando doveva darle il latte ogni quattro ore: d’altronde, anche se artificiale e offerto da suggere da una poppa di plastica perché lo stress aveva inaridito l’alabastrino20 seno della madre, lui non si sentiva portato per un compito tanto animalesco, e aveva preferito che continuasse a farlo lei - limitandosi a contemplare le sue donne beato e commosso da lontano. E poi, quando la faccenda del latte era finita, erano cominciati i pianti, le fiabe interminabili, l’asma, la ninnananna e i raffreddori, e si era ritenuto pratico mantenere le camere separate - del resto la casa era grande e di stanze ce n’erano anche troppe per loro tre soli. Elio si sedette sul letto: Maja non si mosse. Aveva il sonno pesante - dormiva sette, otto, talvolta nove ore per notte. Lui non sapeva come facesse. Gliene erano sempre bastate quattro. Gli pareva di sprecare tempo, dormendo, di perdere qualcosa - un’occasione, forse. Il sudore ormai rappreso sulla schiena gli comunicò una sensazione di freddo. Sollevò la coperta e s’infilò delicatamente nel letto. Il materasso era duro - al posto della rete Maja aveva voluto una tavola, lui aveva sempre pensato che cercasse di punirsi per il benessere che le era toccato in sorte. Così duro che gli sembrò di essersi disteso in una bara. Anche il letto era freddo. Si lasciò scivolare verso di lei - il suo corpo emanava un tepore irresistibile. Voleva sentirsi dire che era stato solo un incubo, che la massaia Molinari non aveva nessuna possibilità di rovinargli la vita, e il sonno duro e indifferente di Maja gli parve offensivo come un messaggio di disamore. Ho avuto un terribile incubo, e tu non te ne curi. Avrebbe voluto cogliere la sua espressione, forse beffarda, ma nella stanza era troppo buio e intravedeva a stento il profilo della sua nuca sul bianco del cuscino. Il suo respiro era lento e regolare. Aderì al suo corpo. Sfiorò il nodoso cordone della spina dorsale. Il contatto con le sue natiche lo stuzzicò. Fece scorrere un polpastrello sulla camicia da notte, scoprì la fessura e la seguì - con tocco lieve. Maja non si svegliò. Con l’unghia Elio agganciò il lembo della camicia e lo tirò lentamente verso l’alto. Scoprì, stupefatto, che sua moglie, la sua rispettabile moglie, dormiva senza mutandine. Ohibò. Poggiò un polpastrello, poi due, poi tutta la mano sull’orlo piumato dei suoi ricci. Seguì l’impeccabile rasatura e tentò di indovinarne la forma - non la vedeva da mesi, forse non l’aveva mai vista o non ci aveva fatto caso. Gli parve rettangolare. Sicuramente merito degli ultimi ritrovati della tecnologia - un trattamento laser che aveva annientato i peli superflui, lasciando la pelle morbida come la guancia di un bambino. Nessuna traccia degli aculei e delle spine che così spesso, in tante donne armate solo di forbici o rasoio, lo avevano trafitto. Palpò la rasatura più volte - finché divenne duro, ma lei non si svegliò.

17 Parola di uso letterario, significa un atteggiamento del viso improntato a superbia o altezzosità. In italiano standard si direbbe ‘muso’, ‘cipiglio’. 18 In uno dei suoi vari sensi, il v. mortificare significa reprimere gli impulsi dei sensi con la penitenza.

19 Attenzione, la parola ‘villa’ è un falso amico del portoghese. In italiano significa o ‘mansão’ o ‘grande casa’ di solito con giardino. 20 L’aggettivo ‘alabastrino’ si riferisce al colore chiaro e pallido del calcare o gesso chiamato ‘alabastro’, varietà traslucida e compatta usata per lavori ornamentali.

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Il suo sonno beato e profondo lo eccitava e insieme lo irritava. Gli sembrò ingiusto e crudele vegliare da solo, mentre Maja sognava chissà cosa. Niente di sessuale, però, perché era asciutta. Quando salì ed entrò e si assestò dentro di lei, si predispose ad agire lentamente - dandole il tempo di raggiungerlo - ma lei benché ormai sveglia non lo assecondò né s’inarcò per meglio accoglierlo, si limitò ad aprire gli occhi e a chiedergli, sorpresa e senza celare una punta di malumore: «Ma Elio che ti viene in mente? che ore sono?» e quella voce assonnata e decorosa ebbe un effetto letale sui suoi buoni propositi e per ritrovare un’ombra del desiderio già svanito bisbigliò qualcosa a proposito del fatto che all’improvviso aveva avuto voglia di lei. Ma in realtà non era così, se anche c’era stata la voglia gli era passata, e adesso per non ritirarsi ignominiosamente continuava affidandosi all’abitudine, alla meccanicità ipnotica del movimento, sforzandosi di astrarsi dalla situazione che gli pareva ridicola e spoetizzante, e di non pensare a Tecla Molinari, piuttosto al pube rasato di Maja che non aveva mai visto o comunque mai notato, ma la faccia della sua rivale s’insinuava nel buio, sovrapponendosi a quella di Maja, e a un tratto ebbe l’impressione di montare non la sua giovane e amata moglie ma quella orrenda massaia comunista, e per rassicurarsi annaspò in cerca dei fianchi snelli di Maja, ma non trovò i fianchi snelli bensì due natiche ingombranti, né i seni leggeri come quelli di una ragazzina - una ragazzina sembrava ancora del resto, minuta com’era, uno scricciolo21 di quarantotto chili - sostituiti da due mele turgide con due capezzoli irti come chiodi, né il suo ventre piatto, meravigliosamente concavo, al posto del quale stava qualcosa di sporgente, bombato come un bauletto. E non riconosceva più la sua carne, stava trombando con Tecla Molinari oppure Maja era diventata come Tecla Molinari, una massaia cellulitica, spugnosa e piena di buchi come un savoiardo22. Sì, era decisamente ingrassata, con una pancia dura bombata e gonfia, e asciutta, quasi abrasiva, e fu orribile, continuò per inerzia, perché non voleva arrendersi, non era nel suo stile, ma non riusciva a concludere. Per ravvivare l’erezione si strizzò lo scroto, si manipolò i testicoli che rimbalzavano flosci e sgonfi sul pube di lei, e finalmente venne23 con un grugnito di sollievo, staccandosi subito - ma i loro corpi separandosi emisero un rumore sgradevole, come una pernacchia. Maja non disse niente, il suo respiro non si era alterato nemmeno un po’, non aveva provato niente, questo era ovvio, da parecchio non provava niente - sembra che qualcosa la stia rodendo dall’interno, a letto è triste e quando lui viene lo guarda come se lo odiasse, deve essere l’ingresso nel trentesimo anno che la turba, per una donna è un passaggio delicato, per gli uomini significa al massimo un ridimensionamento della prestazione. Un tempo era stato così eccitante con lei, la prima volta in una garçonnière di via Cortina d’Ampezzo. Era ancora sposato e Maja aveva avuto solo qualche studentello sbrigativo. Oh, Elio, diceva, rigirandosi stupita e grata nel letto della garçonnière, è stato fantastico, non sapevo che fosse così. Maja dentro granulosa e soffice come una babbuccia di seta. E adesso asciutta, quasi abrasiva. Elio si levò a sedere, poggiò i piedi scalzi sul tappeto, si lisciò il cespuglio arruffato di peli grigi umidi che gli copriva il petto come spuma, si ravviò i capelli e cercò disperatamente qualcosa da dire. E anche se gli parve brutto spiegarle che era entrato nel suo letto per via dell’incubo, alla fine le raccontò della profezia del morto e del 46.7% attribuitogli dopo lo spoglio24 delle schede mentre la massaia comunista aveva il 50.4%. Dopo 21 Uccello molto piccolo, comune in Italia, con becco sottile e appuntito dell’ordine dei Passeriformi. Deve il suo nome al caratteristico trillo che emette e viene usato per definire una persona magra o che mangia pochissimo, ossia ‘come uno scricciolo’. 22 I biscotti chiamati ‘savoiardi’, in portoghese sono denominati ‘champanhe’. 23 Verbo ‘venire’ nel senso di ‘gozar’.

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di che le chiese di spiegargli in cosa una visione si differenzia da un sogno menzognero. Maja tacque a lungo, sopraffatta da un malessere estremamente inopportuno, che si sforzò invano di reprimere, e poi gemette che Camilla aveva avuto un altro attacco di asma, ieri sera, e lei stavolta si era spaventata davvero, ma lui dov’era? dov’era quando la loro coniglietta stava tanto male e soffocava? Non c’era mai, lui, questa maledetta politica gli aveva divorato l’esistenza come un cancro, diffondendosi in tutti i loro giorni irrefrenabile come una metastasi. Le elezioni, le elezioni, io ero contraria alla tua candidatura, anche l’altra volta, ci ha rovinato la vita, non dovevi esporti. Ma Elio insistette, perché non meritava i suoi rimproveri e se si era candidato aveva le sue ragioni e queste ragioni erano il futuro di Camilla e di Maja - era questione di vita o di morte anche se lei non lo sapeva né doveva saperlo. Allora lei sospirò con nostalgia che il dono di interpretare i sogni lo aveva perso, come le altre sue qualità spirituali, atrofizzate da quando conosceva lui come un organo che non serve più. Ma comunque una visione non si differenzia in nessun modo da un sogno, per cui solo chi sogna può capire se il sogno glielo manda Dio o lo Spirito Santo o il nostro inconscio turbato e sconvolto. Del resto era inutile dirgli tutto questo perché lui, Elio, anche se frequentava tutti quei preti gesuiti vescovi cardinali melliflui e sinistri che a lei mettevano inquietudine, in fondo non credeva in Dio perché era un materialista e questo aspetto di lui non le era mai piaciuto - e ciò si vedeva anche nelle piccole cose. Infatti dopo l’amore in tanti anni non le aveva mai detto una parola affettuosa né concesso una carezza, subito si staccava, come se il contatto dei corpi lo infastidisse dopo l’uso, anche adesso che era stato così brutale e meccanico e non le aveva neanche dato il tempo di svegliarsi - il suo primo pensiero era stato correre a sgrullarsi l’arnese e sciacquarlo e decontaminarlo nel lavabo del suo bagno. «Ma no, non è vero, anima mia», protestò Elio, che però era effettivamente corso in bagno a sciacquarsi l’attrezzo, perché gli bruciava come se l’avesse strusciato in un cespuglio di ortiche, e adesso si ritrovava, colpevole, a strofinarsi le mani nell’asciugamano di lei. Maneggiò con imbarazzo l’oggetto incriminato che pure lei aveva tanto apprezzato in altri tempi e lo ripose nel pigiama, ancora umido e dritto a metà. Anche Maja si alzò e disse che non si sentiva bene, le veniva da vomitare, e lo pregò di andarsene perché si vergognava di rigettare25 davanti a lui anche se non c’erano segreti fra loro ed erano sposati da tanto tempo. Deglutiva e tremava e storceva la bocca con una smorfia di disgusto così convincente che Elio pensò che non stava mentendo. Ma non si mosse, neanche quando Maja si inginocchiò accanto alla tazza26 e s’aggrappò con le mani alla tavoletta, perché ancora voleva sapere se aveva avuto una visione jettatoria27 o solo un incubo, e cosa doveva aspettarsi dal futuro, in quanto era questione di vita o di morte, anche se Maja non lo sapeva, né doveva saperlo. Si limitò a distogliere educatamente lo sguardo quando lei con un rigurgito sommesso rimise la cena nel water, e a tirare premurosamente lo sciacquone. Maja si pulì la bocca con l’asciugamano nel quale lui aveva appena deposto il resto del suo seme, ma non glielo disse perché non sarebbe stato il caso, e mentre la sorreggeva fino al letto, lei sussurrò con un filo di voce che, siccome lui non credeva nello spirito ma solo nella carne, probabilmente il sogno se lo era mandato da solo e non significava niente.

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In portoghese ‘apuração’. Sinonimo di ‘vomitare’. 26 In questo caso significa ‘vaso sanitário’ perché la sua forma ricorda quella di una tazza da té o da cappuccino 27 Da ‘iettatorio’, qui grafato con ‘j’(forse dovuto al romanesco ‘jella’, che significa ‘sfortuna’?), nel senso cosa che si ritiene getti il malocchio, che sia di cattivo augurio. 24 25

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’Italia ha superato gli esami: abbiamo rispettato i «parametri di Maastricht» (Maastricht è una cittadina olandese sulle rive del fiume Mosa, dove nel 1992 i costituenti europei hanno fissato le regole economiche per entrare a far parte dell’Unione). Non è stato facile, il governo Prodi ha dovuto istituire una «eurotassa» ­e promettere che sarebbe stata restituita. La Germania del cancelliere Helmut Kohl ha chiesto espressamente all’Italia maggiore trasparenza e la fine dei legami con Ia mafia. Il 1° gennaio 1999 si è raggiunto un accordo: il valore della nuova moneta unica, l’euro, è stato fissato a 1936,27 lire. Il passaggio all’euro sarà graduale fino alla sua definitiva adozione nel 2002. La lira italiana (così come il franco francese, il marco tedesco, la peseta spagnola) cessa di esistere. Non era mai stata molto forte ed era stata spesso oggetto di speculazioni e di appetiti vari. Nel 1926 Mussolini propose, in nome del nazionalismo, un’insostenibile «quota novanta» nei confronti della sterlina inglese. Nel 1960 un dollaro veniva cambiato con seicento lire, ma negli anni ottanta quasi a duemila lire. La lira è stata facile preda di speculazioni finanziarie negli anni ottanta e novanta, sog­getta a oscillazioni importanti nell’ordine del 20% del suo valore. Le piccole im­prese del Nord hanno sempre visto la svalutazione della moneta come un modo per poter vendere meglio le nostre merci sul mercato europeo. In Sicilia si è invece ­coltivata a lungo l’idea di un «porto franco» con la lira equiparata al dolla­ro statunitense: tentativi spesso tragici, ma continui. A ottenere l’entrata nell’euro è stato Romano Prodi. Battuto nell’ottobre del 1998 in un cruciale voto di fiducia, a causa dell’opposizione dei comunisti di Fausto Bertinotti, Prodi ha abbandonato la politica italiana ed è stato eletto a mar­zo di quest’anno presidente dell’Unione Europea.

sua squadra di calcio. Michele Serra pubblica il12 gennaio sulla Repubblica questo ricordo: Aveva un bellissimo viso da signore, ancora ben intuibile dietro gli sfregi lividi dell’alcol, come in un ritratto di Bacon. Aveva una bellissima voce da uomo, profonda e fedele alle parole che pronunciava, levigata negli anni da un fiume di sigarette. E aveva un bellis­simo cuore, il cuore dei grandi poeti, aperto al cielo, alle nuvole, alle donne che amano, ai soldati che muoiono, ai potenti che comprano, ai delinquenti che pagano. «Ma co­me! non conosci Fabrizio?» Era il compagno di banco, lo stesso che ti aveva fatto leg­gere Masters o Majakowskij, a imprestarti i suoi dischi. Erano canzoni sconosciute alle hit-parade, alla televisione, alla radio. Canzoni carsiche, liriche da ricopiare sui fogli di quaderno, melodie di contrabbando ripetute dalle chitarre scordate degli chansonniers di liceo. Parlavano di prostitute, di disertori, di guerra, di sesso, di morte. Le si ascoltava per pomeriggi interi, in quelle cerchie fervide e infatuate di adolescenti che s’infiamma­no alle prime poesie, come nell’Attimo fuggente di Peter Weir. Noi ragazzi degli anni sessanta ci innamorammo dei suoi eroi malvisti, derelitti, risplendenti di solitudine. [. .. ] Ha scritto poco relativamente ai ritmi discografici. Tantissimo in rapporto alla propria indole. La qualità, rarefatta nel tempo (un disco ogni lustro, ultimamente), è sempre ri­masta altissima, e forse, cosa rara in ogni genere d’artista, ha raggiunto i suoi vertici pro­prio con le ultime opere, Crêuza de mä, Le nuvole e Anime salve [ ... ] Che la sua anima riposi in Supramonte, o in via del Campo, o a Spoon River, o nel letto del Sand Creek, dovunque una sua canzone abbia restituito bellezza e dignità agli uomini.

Genova, 11 gennaio 1999. La morte di Fabrizio de André Il musicista genovese muore a 58 anni all’Istituto dei tumori di Milano. Figlio dell’amministratore delegato dell’Eridania, ha scritto 15 album di canzoni ed è sta­to paragonato a Brassens, Brel, Prévert. I suoi funerali genovesi - nelle strade che sono state scenario delle sue canzoni - sono pubblici e affollati; ci sono ragazzi e signore in pelliccia, fiori, bandiere anarchiche e stemmi del Genoa Football Club. In uno degli ultimi concerti De André, già ammalato, aveva chiesto il silenzio in teatro per comunicare un’importante notizia: «Sapete, io ho una malattia ... » e nella pla­tea era sceso il gelo. Poi, ridendo, aveva sollevato uno striscione della Fabrizio de André

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9 Roma, febbraio 1999. Massimo D’Alema, «C’era un ragazzo» A 50 anni, Massimo D’Alema succede a Romano Prodi alla guida del governo. È il primo dirigente comunista a guidare l’esecutivo, che però ha cambiato le alleanze. Fuori Rifondazione comunista, dentro il neonato partito Udr guidato da Francesco Cossiga. Lamberto Dini è agli Esteri, Rosa Russo Iervolino (Ppi) all’Interno­, Oliviero Diliberto (Pdci) alla Giustizia, Antonio Bassolino al Lavoro. Il governo ­appoggia la guerra della Nato contro la Serbia di Milosevic in sostegno alla popolazione musulmana del Kosovo oggetto di una pulizia etnica. Il 22 febbraio Massimo D’Alema, considerato «troppo freddo» dai suoi spin doctors, partecipa alla trasmissione di Gianni Morandi C’era un ragazzo su Rai Uno. Il presidente del Consiglio accetta, un po’ riluttante, di cantare il pezzo più famoso del cantan­te bolognese, «C’era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones», che era diventato nel 19681’inno contro la guerra americana in Vietnam. Il 5 aprile, Michele Santoro, conduttore della trasmissione Mediaset Moby Dick, trasmette in diretta da Belgrado con i buoni uffici del governo Milosevic. Il giornalista, avvolto in un lungo mantello, parla da un ponte della capitale serba e si descrive come uno «scudo umano». Il 16 aprile la giornalista Lucia Annunziata viene arrestata dalla polizia segreta serba, accusata di spionaggio e interrogata pesantemente per dodici ore prima di essere espulsa dal paese. Da Milosevic l’Italia è considerata l’anello debole della coalizione della Nato. Il 28 maggio 1999, dopo 78 giorni di bombardamenti su Belgrado e altre città serbe Milosevic si arrende. Nord Italia, febbraio 1999. I Capitani Coraggiosi e l’Opa Telecom A più di 15 anni dall’era dei «condottieri» - Agnelli, Berlusconi, De Benedetti, Gardini - da cui molti si aspettavano le visioni e il capitale per il salto nel futuro dell’Italia, il panorama industriale è totalmente mutato: Berlusconi, spinto dalla virtuale bancarotta delle sue imprese, è diventato un leader politico; Gardini è morto con un colpo di pistola alla tempia; De Benedetti gestisce la catena dei suoi giomali; Agnelli, molto invecchiato, è appeso ai problemi della successione dinastica e alle sovvenzioni dello Stato per la Fiat che accumula debiti. Ed ecco comparire una «nuova generazione». Un Outubro/Novembro 10


storia italiana

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Liberamente tratto dal libro “Patria 1978- 2008” di Enrico Deaglio. Casa editrice Il Saggiatore.

gruppo di industriali del Nord, praticamente sconosciuti, lancia un’Opa (offerta pubblica di acquisto) sulla Telecom, l’azienda pubblica che detiene il monopolio della telefonia in Italia. Hanno formato una cordata, tra cui spiccano i nomi di Emilio Gnutti, finanziere bresciano, e Roberto Colaninno, mantovano e ammistratore delegato della Olivetti; a loro si sono aggiunti centinaia di piccoli e medi imprenditori lombardi. L’obiettivo è la proprietà della Telecom, il cui comando, sulla base di un complicatissimo pat­to di sindacato nelle mani di Mediobanca, è nelle mani di Franco Bernabè, giovane amministratore delegato. La loro iniziativa è applaudita dal governo D’Alema, che li chiama «capitani coraggiosi», come segnale di svecchiamento e fine del po­tere delle grandi famiglie industriali del Nord. Per loro viene anche coniato l’epi­teto di «rude razza padana», parafrasando la «rude razza pagana», come l’ideologo marxista Mario Tronti aveva definito, trent’anni prima, la classe operaia delle gran­di fabbriche del Nord. L’Opa ha successo, ma da lì a due anni i capitani coraggiosi venderanno - con complesse operazioni estero su estero che li renderanno molto ricchi -la proprietà della Telecom a Mario Tronchetti Provera, della Pirelli. Los Angeles, 21 marzo 1999. I tre Oscar al film di Benigni Per l’attore-regista toscano si tratta di una sfida: raccontare l’Olocausto attraver­so gli occhi di un bambino e di un padre che cerca di salvarlo preservandone la vita e la mente con l’idea che tutto quello che sta vivendo è «un gioco» che finirà bene. Il pericolo è che la comicità di Benigni, non certo leggera, ridicolizzi Au­schwitz. Ma Benigni riesce nell’impresa. La vita è bella, in effetti, tocca il cuore; l’attore riesce a riprodurre sul suo viso il passaggio dalla caricatura all’angoscia; il protagonista morirà ucciso, ma il bambino si salverà per l’arrivo di un carrar­mato americano liberatore che il padre gli ha promesso fin dall’inizio. Un’impo­stazione simile si trova lo stesso anno in Train de vie, di Radu Mihaileanu, con l’aggiunta di una vera e propria esplosione di humour ebraico. Il film riceve ben sette nomination agli Oscar e nella notte delle premiazio­ni ne porta a casa tre: a Nicola Piovani per la colonna sonora, a Benigni come miglior film straniero e (molto inatteso) miglior attore protagonista (è il primo non anglosassone a vincere in questa categoria). L’annuncio viene dato da So­phia Loren: «And the winner is ... Robertooooo!». L’attore toscano diverte il pubblico americano saltando sui braccioli e sugli schienali delle poltrone per arrivare al palco. Al ritorno in Italia incontra il presidente Oscar Luigi Scalfa­ro, lo abbraccia e naturalmente dice: «Ora ho l’Oscar nelle mie mani».

Roberto Benigni Roma, 18 aprile 1999. L’ultima riforma elettorale: manca il quorum I cittadini italiani sono chiamati a pronunciarsi su un ulteriore referendum do­po quelli che negli anni scorsi hanno abolito le preferenze, imposto nuove regole per le elezioni dei sindaci e introdotto il sistema uninominale per il 75% dei seggi. Questa volta si chiede se sono favorevoli all’abolizione della «quota pro­porzionale» del 25% gestita direttamente dai partiti. 21 milioni di italiani vota­no per il sì (il 91 %), ma nella notte dello spoglio delle schede avviene la sopresa. Il quorum (il 50% dei voti necessario per la validità del referendum) viene mancato per appena 150mila voti, il numero dei partecipanti si ferma

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al 49,7%. Roman­o Prodi, secondo il suo stretto collaboratore Rodolfo Brancoli, considera il risultato (mancato per un soffio) molto grave per le sorti dell’Ulivo che aveva fondato: quel 25 % che rimane nelle mani delle burocrazie dei partiti viene interpretato ­come uno stop alla volontà di cambiamento dei nuovi candidati, esponenti veri del «territorio» che si propongono di rappresentare. Prima di essere eletto a presidente dell’Unione Europea, Prodi ha fondato un proprio movimento, i Democratici, con Arturo Parisi, Francesco Rutelli, Massimo ­Cacciari, Leoluca Orlando, Enzo Bianco, in aperta sfida ai Ds e al Partito popolare. Con la frase, tratta dal vocabolario economico, «competition is competition». Alla prima prova elettorale, le europee del 13 giugno 1999, i Demo­cratici (accreditati dai sondaggi di un 16%, ma senza Prodi capolista in cinque scrizioni) raccolgono solo il 7,8 %. Roma, 2 maggio 1999. Beatificazione di Padre Pio Non c’è religioso più popolare, in Italia, di Padre Pio da Pietracina. La sua im­magine - un uomo dal volto severo, con la barba grigia e i mezzi guanti di lana che gli coprono le mani - è riprodotta in milioni di santini, cartoline postali, sta­tuette, calendari. La sua immagine è nelle cabine dei camion, sul cruscotto delle automobili, nei negozi, in uffici pubblici, sulla scrivania di uomini politici. La de­vozione di cui è oggetto supera di gran lunga quella che si ha per il patrono d’Ita­lia, san Francesco d’Assisi. Ma la sua beatificazione, voluta da Karol Wojtyla, è comunque una grande svolta per la Chiesa cattolica: alle soglie del Duemila, in­fatti, la Chiesa sposa la «sovrannaturalità» della vita del padre, negata con mol­ta enfasi dai papi del Novecento. Padre Pio è un tuffo nel passato. Nasce a Pietracina (piccolo paese in provincia di Benevento) nel 1887 da una famiglia

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poverissima, in un profondo Sud avvolto nella miseria. Ordinato frate minore dell’ordine dei Cappuccini, tra il 1918 e il 1920 diventa famoso perché sulle sue mani compaiono le stigmate, ovvero ferite sanguinanti nel palmo che riproducono quelle prodotte dai chiodi su Gesù Cristo deposto dalla croce. La notizia si sparge subito, insieme alla fama delle sue capacità miracolose: prima migliaia, poi decine di migliaia di perso­ne si recano in pellegrinaggio a San Giovanni Rotondo (dove il frate si è stabi­lito) per confessarsi e implorare il suo aiuto. Burbero, quando non scostante, il frate accoglie ormai su prenotazione. Predica l’indissolubilità del matrimonio, l’obbedienza alle leggi, il sostegno all’esercito e rispetta il fascismo (da cui è, a sua volta, molto rispettato e aiutato). In Vaticano, però, non è affatto amato e nel corso dei decenni i papi diffidano, a cominciare da Benedetto xv. A svolge­re una perizia, su mandato del Cardinal Merry del Val, viene inviato in Puglia il professor Agostino Gemelli, che però il frate si rifiuta di ricevere. La relazione del cattedratico è comunque sprezzante: «È un bluff, è un isterico e psicopatico, autolesionista, le ferite sono fasulle, è un imbroglione». Sulle sue stigmate il 31 maggio del 1923 arriva un decreto del Sant’Uffizio: «Non constat de supernatu­ ralitate». Pubblicata sull’Osservatore Romano, la notizia viene riportata in tutto il mondo. Padre Pio viene accusato di essersi procurato da solo le ferite, usan­do la causticità dell’acido fenico di cui è in possesso. Gli viene imposto il divieto di celebrare messa. Pio XII lo riabilita, pur tenendolo a distanza. Giovanni XXIII si oppone fermamente al suo culto, Paolo VI guarda invece con spirito realisti­co alle dimensioni del culto, aumentato molto dopo la morte del frate, nel 1968, con la costruzione di alberghi, ostelli, chiese, e di un vero e proprio merchan­dising. Giovanni Paolo II gli è invece molto favorevole e propone la sua beatificazione. Il collegio che esamina la pratica concorda: le stigmate sono di origine soprannaturale; il padre ha compiuto diversi miracoli, sotto forma di guarigioni altrimenti inspiegabili; ha avuto il dono della bilocazione, ovvero la possibilità di trovarsi in luoghi diversi nello stesso momento. Domenica 2 maggio, in San Pietro, alla presenza di una folla di un milione di fedeli, viene annunciata la sua beatificazione. L’Italia avrà presto un nuovo santo, il suo santo. Aspettando il miracolo dei miracoli che arriverà tra qualche mese, direttamente dal Portogal­lo e dalla cittadina di Fatima. Roma, 13 maggio 1999. Carlo Azeglio Ciampi è il decimo Presidente della Repubblica Alla prima votazione, con 707 voti su 1010 votanti, Carlo Azeglio Ciampi è elet­to decimo presidente della Repubblica e succede a Oscar Luigi Scalfaro. Livor­nese, nato nel 1920, ha partecipato alla Resistenza nelle fila di Giustizia e libertà (1’8 settembre lo aveva colto a Pristina, nell’attuale Kosovo; di lì era riuscito a raggiungere l’Italia

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Pisa, agosto 1999. Emanuele Scieri, il ragazzo che non voleva volare Emanuele Scieri ha 25 anni e lavora nello studio di un avvocato a Catania. Sta già facendo pratica, vuole diventare avvocato. Se lo ricorda a malapena che otto anni fa ha fatto la visita militare, e forse si è proprio dimenticato che in quella visita gli hanno chiesto in quale corpo dell’esercito gli sarebbe piaciuto entrare. Figuriamoci se ricorda la risposta: «Nei parà». Solo perché a 18 anni il pensiero di volare con un paracadute dà l’adrenalina e fa sentire immortali. Ma un giorno squilla il telefono ed Emanuele deve partire. Fa un paio di te­lefonate per provare a scamparsela, ma non c’è niente da fare. Il 21luglio parte per il Car di leva a Scandicci, poi passa a Pisa. Venerdì 13 agosto, 70 allievi paracadutisti vengono portati in autobus nella caser­ma Gamerra. I caporali costringono le reclute a rimanere immobili nella posizione della sfinge, con i finestrini chiusi e il riscaldamento al massimo. Ema­nuele si lamenta e ha un piccolo battibecco con un caporale. Dopo cena hanno libera uscita. Visitano piazza dei Miracoli, poi stanno una mezzoretta sotto la torre. Alle 22.15 sono in caserma. Non fanno caso più di tan­to al cartello

Carlo Ciampi liberata dagli alleati); membro nel dopoguerra del Partito d’azione, una carriera nella Banca d’Italia, di cui è stato governatore, Primo ministro coraggioso nell’estate del 1993, quella delle bombe della mafia; sposato con Franca Pilla (che nel settennato esternerà essenzialmente due volte la propria ­opinione, una contro la «tv deficiente», un’altra per dire che «la gente del Sud è più intelligente e più di cuore»). Nel suo discorso di insediamento l’Europa è descritta come un sogno raggiunto e da consolidare. Roma, 20 maggio 1999. L’omicidio del professore Massimo D’Antona Il professor Massimo D’Antona (51 anni, romano) viene ucciso alle 8.30 di mattina, mentre si reca a piedi al lavoro nello studio di via Salaria. È consulente del ministro del Lavoro Antonio Bassolino e docente di Diritto del lavoro all’Università La Sapienza, ­oltre che amministratore delegato dell’Enav fino al 1998. Due brigatisti, Mario Galesi e Nadia Desdemona Lioce, lo aspettano dentro un furgone Nissan. Scendono dalla vettura, lo chiamano, Galesi spara nove colpi con un’automatica calibro 9x19 senza silenziatore (il colpo di grazia al cuore), poi scappano in motorino. Poche ore dopo, arriva la rivendicazione: 14 pagine stilate nel gergo enigma­tico delle Nuove brigate rosse e sormontate dalla stella a cinque punte. L’ultimo omicidio delle Br era avvenuto undici anni prima, vittima Rober­to Ruffilli. Senatore democristiano, sostenitore del governo De Mita, ucciso nella sua ­abitazione a Forlì.

Benvenuti all’inferno Pensano sia una goliardata. Emanuele fuma una sigaretta con Stefano Viberti, un allievo come lui, nel via­letto interno lungo il muro di cinta dell’area militare. Passeggiano fino alla torre per l’asciugatura dei paracadute. Poi Viberti torna dentro ed Emanuele preferi­sce prendere ancora un po’ d’aria fresca. Qualcuno probabilmente lo incontra lì, vicino alla torre. Lo fanno salire sulla scala. Forse legano una scarpa all’altra, co­sì non ha appoggi. Lui prova ad aggrapparsi con le mani ma gliele pestano (avrà lesioni «da compressione»). Cade di spalle (lesione mielica della colonna verte­brale), poi rimbalza e ricade sull’addome, dove gli si stampa anche la linguetta della cerniera del marsupio. Alle 23.45 la branda di Emanuele è ancora vuota. Passa la notte. Al mattino Emanuele, dopo essersi dimenato per più di sei ore, muore. I consulenti medi­ci della famiglia scriveranno che «dall’esame delle escoriazioni sulle mani e delle lesioni sul piede sinistro si traggono elementi utili per ipotizzare un’azione vio­lenta mentre il giovane si trovava arrampicato sulla scala, in conseguenza della quale avrebbe perso la presa precipitando nel vuoto». Solo tre giorni dopo Passa anche tutto il 14 e nessuno si chiede dove sia l’allievo parà Scieri. Per tut­to il giorno di Ferragosto la madre prova a chiamarlo ma il cellulare è spento. Non si preoccupa tantissimo, cosa vuoi che succeda in una caserma. Alle 13.50 del giorno successivo quattro allievi parà in servizio al magazzino, si avvicinano alla torre per l’asciugatura dei paracadute e vicino alle scale trovano il

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cadavere. Sono passati tre giorni dall’accaduto. «C’è chi sostiene che quando i superiori sono venuti a sapere dello “scherzo” finito male» dirà il padre «ordinano di non soccorrerlo e di lasciarlo morire, per evitare guai ulteriori. Si è accertato comunque che il corpo di Lele è stato via via spostato da qualcuno prima di essere scoperto.» Alcuni allievi paracadutisti dichiarano di essere stati costretti, in passato, a sa­lire su quella scala e a buttarsi di sotto. Uno di loro telefona ai genitori di Ema­nuele e gli racconta che lo stesso è successo anche a lui, ma si è salvato. Ornella, una compagna di università di Lele, dice: «Esiste nel mondo qualche pezzo di merda che è riuscito a dormire tre notti sapendo che Emanuele era là». Le indagini saranno archiviate. Il capo della Procura di Pisa si affretterà a dichiarare che è stato un incidente. La Procura militare di La Spezia fra cinque anni farà sapere che «sono emersi elementi per affermare che la morte dello Scieri possa essere ricondotta nella forma dell’omicidio doloso o preterintenzionale alla re­sponsabilità personale di determinati soggetti dei quali comunque non è stata possibile l’identificazione». Non si riesce a trovare neanche un testimone, su 900 interrogati, a soste­gno dell’accusa che quello di Scieri sia un omicidio preterintenzionale. Nulla da fare. Palermo, ottobre 1999. Finale d’anno felice per Giulio Andreotti Il 23 ottobre arriva a Palermo la sentenza tanto attesa. Giulio Andreotti, definito l’uomo politico più amato dagli italiani, è stato assolto in primo grado dall’accu­sa di collusione con la mafia siciliana. La sentenza è interpretata come un’assoluzione degli italiani tout court: una condanna non si sarebbe forse riverberata su tutti coloro che nei decenni lo hanno votato, hanno comprato i suoi libri e riso alle sue battute di spirito? Meglio così. In aula, il pentito Balduccio Di Maggio ha fornito una pessima prova: gli af­fari che hanno legato Andreotti a Michele Sindona, che però non sono dimostra­ti definitivamente. Idem per quelli con i cugini Ignazio e Nino Salvo. In dubio pro reo, la Corte ha assolto. Buone notizie per Andreotti anche dalla Corte d’assise di Perugia: si dichia­ra che il senatore non è stato il mandante dell’omicidio di Mino Pecorelli avve­nuto a Roma, nel 1979.

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ed è rimasto solo con mezzo litro d’acqua. «Eravamo un gruppo di africani con una guida tuareg che doveva portarci fino alla frontiera. Una notte ci ha detto: “Vedete quelle luci laggiù, è Ghat, in Libia, io torno indietro”. Ho pregato Dio, sono salito e sceso da non so quante dune finché non sono sbu­cato in Libia. Senza soldi ho chiesto un passaggio a un libico alla guida di una jeep. “Quanto mi dai?” ha detto lui. “Adesso niente, ma al primo paese ho dei parenti.” Non era vero, naturalmente, ma al primo paese ho incontrato dei ra­gazzi del Ghana che mi hanno regalato un po’ di soldi.» Una volta varcato il confine è stato arrestato come clandestino e portato in un campo nel deserto insieme a centinaia di altri africani. I libici sparavano a ogni minimo pretesto, li picchiavano. Gli unici di cui avevano paura erano quelli del Ciad per la loro fama di guerriglieri, e facendosi passare per un ciadiano, Mu­hammad Kabir Muhammad, Paul Bernard è riuscito ad arrivare a Tripoli e, do­po un anno e molte altre vicissitudini, a prendere un volo per Roma. Dopo mille lavori in Italia, si sposa con Kossia Kouamé, anche lei operaia della Sev, hanno un figlio di 4 anni, Eric. La Cisl, che ha apprezzato la sua lot­ta contro lo sfruttamento degli immigrati in un dormitorio di Treviso, lo propo­ne ai 600 operai della Sev (gruppo Zoppas, resistenze per elettrodomestiçi) e il 90% mette il suo nome sulla scheda, insieme ad altri dieci rappresentanti sinda­cali. Dice Bernard: «Dopo sette mesi di trattative abbiamo da poco chiuso un contratto integrativo abbastanza soddisfacente per i prossimi tre anni. Ci siamo opposti alla flessibilità che chiedevano perché la fabbrica funzionasse 24 ore su 24 e abbiamo ottenuto la formazione dei nuovi assunti e dei leader tecnici, oltre a un aumento del premio di produzione annuale». I suoi colleghi apprez-

zano il suo impegno, la sua capacità di dialogo e media­zione, e la sua fede religiosa. Roma, 24 dicembre 1999. Il «Grande Giubileo» Karol Wojtyla dà inizio al Grande Giubileo della Chiesa cattolica (occasione per invocare la pietà di Cristo, chiedere perdono dei propri peccati e di quelli della Chiesa, ottenere indulgenze) con l’apertura della Porta santa della basilica di San Pietro qualche istante prima della messa di mezzanotte del 24 dicembre 1999. Nel cerimoniale sono previste (e saranno lette il 12 marzo 2000, in una giornata detta «del perdono») le preghiere per i «peccati della Chiesa». Sono affidate a diverse personalità ecclesiastiche, tra cui: il cardinale Bernar­din Gantin, decano del Collegio dei cardinali, fa una confessione generale dei peccati dei cristiani nel corso della Storia. Il cardinale Joseph Ratzinger, prefetto della Congregazione per la dottrina della fede, si incarica di una confessione degli errori fatti per l’uso di metodi non evangelici nel servizio della fede, come nel caso dell’Inquisizione. Il cardinale Roger Etchegaray, presidente del Comitato centrale per il Giubileo­, esorta alla confessione dei peccati che hanno provocato la divisione tra i cristiani. Il cardinale Edward Cassidy, presidente del Pontificio consiglio per la promoz­ione dell’unità dei cristiani, riconosce gli errori commessi «contro i popoli dell’alleanza», gli ebrei. L’ arcivescovo giapponese Stephen Fumio Hamao, presidente del Pontifiicio consiglio per la cura pastorale dei migranti e itineranti, menziona i peccati contro l’amore, la pace, i diritti delle persone, il rispetto delle culture e religioni. Il cardinale nigeriano Francis Arinze, presidente del Pontificio consiglio per il dialogo interreligioso, richiede la confessione dei peccati che hanno leso la di­gnità della donna e l’unità del genere umano. L’arcivescovo vietnamita François Xavier Ngueyên Van Thuân, presidente del Pontificio consiglio per la giustizia e la pace, incoraggia la confessione dei peccati che riguardano i diritti fondamentali della persona: abusi contro i bambini, emarginazione dei poveri, soppressione della vita all’interno dell’utero ma­terno e uso dei feti per la sperimentazione. Il «mea culpa» trova in Vaticano molti dissenzienti. Gli immigrati Gli immigrati in Italia sono ormai due milioni e mezzo. Un’ «umanità» che solo dieci anni fa il nostro paese non conosceva. Sono accompagnati spesso da pre­giudizi e paura, che soprattutto la Lega diffonde in continuazione: stuprano, ru­bano, spacciano, pisciano per strada, si ubriacano. Nessuno può sostenere però che «rubano il lavoro», perché fanno i lavori che gli italiani non vogliono più:

Miane (Treviso), 1999. Il primo uomo nero del Sindacato Albako Paul Bernard Wekouri del Burkina Faso, operaio alla Sev Zoppas di Miane è il primo delegato sindacale africano d’Italia eletto quasi all’unanimità dagli operai della sua fabbrica. Ha lasciato il suo paese nel 1987, dopo il colpo di stato che ha ucciso Thomas Sankara, il giovane presidente che aveva credu­to nell’Africa degli africani. Ha attraversato a piedi il deserto per raggiunge­re la Libia Karol Wojtila Outubro/Novembro 10

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troppo faticosi, o sporchi, pericolosi o malpagati. Qualche voce, timida, comin­cia a dire che sono, in realtà «una risorsa», perché, quando sono messi in rego­la, pagano le tasse e i contributi per una pensione di cui, probabilmente, non usufruiranno mai. Le leggi che li riguardano sono di tipo temporaneo: in genere sanatorie che prendono atto di una situazione di fatto. I loro diritti sono limita­tissimi: hanno grosse difficoltà a ottenere permessi di soggiorno, ad avere regola­ri contratti di affitto, a ricongiungersi con i familiari, a percepire lo stesso salario dei «bianchi», a trovare spazi e momenti per pregare. Di poter votare, anche so­lo alle elezioni amministrative, non se ne parla proprio. A sostenerli non c’è nes­ sun partito politico (1’argomento fa perdere voti); c’è invece spesso la Chiesa, cui si aggiungono volontari e persone illuminate. Massimo Ghirelli è un sociologo e scrittore che studia i problemi dell’im­migrazione. Scrive per il settimanale Diario «Straniero, dove sei?», un raccon­to fantarealistico sulla scorta della situazione di fatto. Utilizza un procedimento proprio della fantascienza (La nube purpurea di Matthew P. Shie1) e del roman­ zo (Dissipatio H.G. di Guido Morselli), in cui i protagonisti si svegliano e non trovano più il loro mondo. Il racconto di Ghirelli affronta così in maniera sur­reale il problema dell’invisibilità degli stranieri e dell’ipocrisia degli italiani: che cosa succederebbe se oggi in Italia, improvvisamente, scomparissero tutti gli im­migrati e restassero solo gli italiani? Eccone un sunto: Allungò la mano verso il cuscino della moglie, ma finì per ficcarle un dito nell’orec­chio, facendola sobbalzare: anche lei dormiva ancora. Eppure l’orologio parlava chiaro: erano quasi le otto! «Cosa è successo? Non ho sentito i bambini!» La moglie era già in piedi, aveva spa­lancato la finestra ed era corsa a vedere nella stanza dei ragazzi. «Bambini, è tardissimo, cosa fate ancora a letto? Dov’è finita Bogena?» «Non ne ho idea, mamma, si sarà rotta la sveglia! E io oggi devo fare pure il compito in classe!» ( ... ] «Dove diavolo è finita? E adesso chi li accompagna i ragazzi? Gregorio!!» Il marito era finalmente riuscito a guadagnare il bagno: «Non ce la faccio pro­prio, cara, ho un appuntamento al cantiere». «Ho capito, ho capito, vado io.» «E il nonno?» «Tanto Felipe ha le chiavi.» Dieci minuti dopo, la signora Franca era già in macchina con i bambini. Ci voleva meno di un quarto d’ora fino alla scuola, e quella mattina, il traffico era stra­namente ridotto. Non però davanti all’istituto, dove le automobili sostavano a decine, in seconda e addirittura in terza fila: i bambini tutti fuori, i genitori rac­colti in capannelli a discutere, le insegnanti piazzate davanti ai cancelli a sbarra­re l’ entrata. «Ma cosa succede?» «La scuola è chiusa. Pare che il Provveditorato abbia soppresso alcune sezioni, per mancanza di bambini.» «Come, a metà an­no?» Sembrava che tutti gli alunni di

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provenienza straniera, che nelle elementari erano quasi il 40% dei bambini dell’istituto, fossero spariti, e con loro le famiglie. Senza studenti, metà delle classi rimanevano sotto il numero minimo: e gli insegnanti rischiavano di perdere il posto, e andare a spasso. Affidati i bambi­ni alla mamma di un compagno di scuola, che si era offerta di tenerli con sé per la mattinata, la signora Franca telefonò a casa, per accertarsi che Felipe, il filip­pino che accudiva il nonno, fosse arrivato. Il nonno era agitatissimo: «No che non è arrivato! E adesso chi mi accompagna a prendere la pensione? Oggi è l’ultimo giorno!». «Non ti preoccupare, papà, ci penso io; avverto l’ufficio e vengo a prenderti a casa.» Al telefono del lavoro rispose direttamente il capufficio ­che era già furioso perché mancavano la metà delle segretarie («Con la scu­sa dei bambini, dice che non trovano più le baby sitter»). Insomma, la polacca,il filippino, i ragazzini della scuola: praticamente gli extracomunitari erano spa­riti dappertutto. [...] Ma anche nelle altre città d’Italia l’inopinata sparizione degli immigrati aveva crea­to il caos più completo: nel Modenese, le fabbriche di piastrelle di ceramica erano chiuse per l’improvvisa mancanza degli operai africani; in provincia di Par­ma, la scomparsa degli indiani Sik, abilissimi nell’allevamento e nella cura delle vacche - considerato il rispetto manifestato verso questi nobili animali nella loro cultura - aveva messo in crisi non soltanto la distribuzione del latte, ma anche la lavorazione di diversi tipi di formaggio, essenziali per l’economia locale; analoga situazione a Mondragone, in Campania, dove i ghanesi impiegati nell’allevamen­to delle bufale avevano disertato le fattorie, e la produzione delle mozzarelle si era bloccata da un giorno all’altro. Poco lontano, a Villa Literno e in tutto il Ca­sertano, i rossi pomodori Sammarzano marcivano sotto un sole inclemente, ab­bandonati dai diecimila stagionali extracomunitari liquefattisi nella notte; anche a Borgo Mezzarone, non lontano da Cerignola, nel Foggiano, i tremila lavoratori stagionali avevano lasciato nelle peste i 250 abitanti del paesino, con quintali di ottima uva da vino ad appassire sui tralci. Più a nord, nella periferia di Verona, si dovette sospendere la produzione in tre fabbriche del marmo, che erano state riaperte di recente e andavano avanti sol­tanto grazie alla presenza degli operai specializzati, in gran parte centro-africani; in tutto il Veneto, rimasero vacanti circa 31 mila posti di lavoro - posti per i quali gli imprenditori non erano mai riusciti a trovare candidati tra gli italiani. A Reggio Emilia, per analoghe ragioni, furono spenti gli altiforni di una decina di fonderie, per la repentina fuga di tutti gli operai egiziani, che da 12 anni costitui­vano il nocciolo duro del comparto. Nelle province di Trento e di Bolzano, i minatori stagionali macedoni [. .. ] ave­vano lasciato le miniere di granito. A Brescia, la capitale del tondino, erano state nove le fabbriche metalmeccaniche costrette a fermare gli impianti e sospende­re le forniture per l’inaspettata défaillance

degli oltre 15mila lavoratori immigra­ti impiegati nella zona. A Ravenna, nella cooperativa di servizi El Karama «la dignità», una decina di dipendenti - tutti italiani - erano rimasti fuori dalla porta della ditta, mentre al telefono squillavano invano le offerte di lavoro. Il padrone dell’ azienda, Taoufik M., un giovane tunisino molto intraprendente, che aveva fondato la cooperativa diversi anni prima e aveva assunto subito il primo paio di italiani, era scomparso come gli altri stranieri; e con lui le chiavi dell’ufficio, e ogni possibilità di lavoro per il gruppetto di giovani che stazionava sotto i portici. A Venezia, dopo il drammatico, se pur romantico, naufragio di due sposini in viag­gio di nozze, colati a picco sotto il ponte di Rialto in una gondola mal costruita, il Canal Grande era stato occupato per protesta dai Maestri artigiani gondolieri. Da anni, nelle loro botteghe si formavano quasi soltanto apprendisti extracomunita­ri, paradossalmente gli unici rimasti a difendere la gloriosa tradizione delle origi­nalissime imbarcazioni della repubblica dei Dogi. A Catania, circa 1200 ragazze mauriziane s’erano involate dalle case della città nuova: un corteo spontaneo di signore e signorine della buona borghesia locale, minacciosamente armate di padelle antiaderenti e manici di mocio vileda, attra­versò la città fino al consolato delle Isole Mauritius, reclamando il ritorno delle loro fidate collaboratrici domestiche. In una scuola elementare dell’Abruzzo, dove erano venuti a mancare decine di scolari, i bidelli s’erano incatenati ai cancelli, per protestare contro la chiusura dell’istituto e la mancata vendita delle pizzette durante l’intervallo. A Roma, L’Osservatore Romano uscì il pomeriggio in edizione straordinaria, con un titolo a nove colonne sulle oltre 200 parrocchie rimaste senza sacerdote per l’immotivata assenza dei preti stranieri. A Genova, la città più anziana della peni­sola, la Protezione civile dovette intervenire per assistere i vecchietti arteriosclerotici, che privati dei loro accompagnatori asiatici giravano per vicoli e carrugi senza più riuscire a trovare la strada di casa. A Firenze, oltre 150 ristoranti cinesi, abbandonati, erano stati occupati dai tifosi viola, esasperati per la scomparsa di Batistuta e degli altri «stranieri» della squadra. La situazione più drammatica, forse, si dovette registrare nella provincia di Pia­cenza, dove il sindaco leghista di un paesino della bassa Padania aveva rischiato il linciaggio da parte dei piccoli imprenditori locali, convinti che fosse stato lui ­- come aveva minacciato tante volte - a far andare via tutti i lavoratori extracomunitari, rendendo impossibile ogni attività produttiva. Quella sera il ragioniere dello Stato, Andrea Monorchio, intervistato a reti unificate fornì un quadro dettagliato della catastrofe provocata dalla sparizione de­itli immigrati: 540 mila lavoratori dipendenti in meno; 20 mila lavoratori autonomi scomparsi; oltre 150 mila famiglie italiane abbandonate dalle 60 mila collaboratrici domestiche extracomunitarie; un «buco» di 166 mila avvia-

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ti al lavoro in meno ogni anno; una voragine previdenziale di 2400 miliardi di contributi mancati, con fosche previsioni per l’avvenire di oltre 9 milioni di pensionati. La ministra Livia Turco, accanto a lui, snocciolava le cifre degli Affari sociali: 80 mila banchi vuoti nelle scuole, 120 mila mariti o mogli senza i rispettivi coniugi stranieri, un ulteriore calo demografico di quasi 2 punti in un paese che conta già una percentuale di anziani del 23%, tra le più alte del mondo, destinata a raddoppiare in meno di cinquant’anni. In un angolo, con le occhiaie più profonde del solito, il ministro Vincenzo Visco, nell’atto di annunciare un aumento del­le tasse del 17%, scoppiò in un pianto dirotto. Scrittori italiani del 1999. Niccolò Ammaniti. Ti prendo e ti porto via Niccolò Ammaniti, romano, 33 anni, pubblica Ti prendo e ti porto via, dopo aver scritto Branchie! (1994), Nel nome del figlio (con il padre Massimo, 1995), e Fango (1996). Il nuovo romanzo racconta due storie separate che alla fine si congiungono. Il libro si apre con la bocciatura a scuola di Pietro Moroni, ragazzino innamora­to della sua compagna di classe Gloria, e prosegue raccontando le vicende del ra­gazzo. Parallelamente, Ammaniti segue la vicenda di Graziano Biglia, musicista playboy, che torna in paese (Ischiano Scalo). Qui trova l’amore: Flora Palmieri, l’insegnante di Pietro. Ma Flora (dopo essere stata lasciata da Graziano) morirà in una vasca da bagno. E sarà il suo alunno Pietro a ucciderla, involontariamen­te. Ecco alcuni stralci che tratteggiano i vari personaggi: Quando il concerto finisce, dopo l’ennesimo bis di «Samba pa ti», dopo l’ennesi­mo bacio alla tedesca ustionata, Graziano saluta Pablo e se ne va al cesso a svuo­tare la vescica e a ricaricarsi con una bella pippata di tiramisù boliviano. Sta per uscire quando una morona abbronzata come un biscotto al cioccolato, un po’ passata d’età ma con due tette che sembrano palloni aerostatici, entra nel bagno. «È degli uomini ... » le fa presente Graziano, puntando la porta. La donna lo blocca con una mano. «Ti vorrei fare un pompino, ti dispiace?» Da che mondo è mon­do un pompino non si rifiuta mai. «Accomodati» le dice Graziano indicando il gabinetto. «Prima però voglio farti vedere una cosa» dice la mora. «Guarda lì, al centro del locale. Vedi quello con la camicia hawaiana? È mio marito. Veniamo da Milano ... [ ... ]. Salutalo.» Graziano fa ciao con la mano. Il tipo solleva il calice di champagne e poi applaude. «Ti stima tantissimo. Dice che suoni come un dio. Che hai il dono.» La don­na lo spinge nel gabinetto. Chiude la porta. Si siede sul cesso. Gli sbottona i jeans e dice: «Ora però gli facciamo le corna.» Outubro/Novembro 10

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Palmieri. Le allargò le chiappe, ci sputò sopra e spinse il cazzo in quella stella contratta.

Niccolò Ammaniti Graziano e Flora «Ecco, io ho vinto una coppa ... » Ora che mi dirà? Che ha vinto il giro d’Italia? «A Riccione. La Coppa Trumbador.» «E in cosa consisterebbe?» «Diciamo che ho fatto il record di rimorchi estivo. Sono arrivato primo.» «Come?» «Rimorchi! Cuccate!» [...] Non è possibile! Quest’uomo è un mostro. [...] «Esiste una gara, come dire un campionato? Tipo quello di calcio?» domandò, e si accorse di ave­re un tono stranamente leggero. «Certo, oramai è una cosa ufficiale, ci partecipa gente che viene da tutte le parti del mondo [...], ci sono i punti, una federazione, i giudici e a fine estate c’è la premiazione in discoteca. È una serata molto bella» spiegò Graziano serio serio. «E quante ... quante se n ... te ne sei rimorchiate? Si dice così?» Non poteva crederci. Questo tipo, d’estate, faceva le gare di rimor­chio. «Trecento. Trecentotre per l’esattezza. Ma tre, quei bastardi di giudici non me le hanno convalidate. Per via che erano a Cattolica» rispose Graziano con un sorriso sornione. Flora cede alle avance di Graziano Gli toccò i testicoli, ci giocò un po’ e poi decise che basta, era venuto il momento, ne aveva una voglia da morire, bisognava farlo. Si sfilò le mutande e le lanciò su un masso. Lo strinse forte sentendo l’erezione premerle sulla pancia e gli sussur­rò in un orecchio: «Graziano, ti prego, fai piano. Non l’ho mai fatto». [...] L’aveva messa in ginocchio. Le mani nel fango. La faccia nel fango. Le tette in bocca. La pioggia sulla schiena. Come una cagna ... E lui che le affondava le dita di una ma­no in una natica e con l’altra cercava di afferrarle un seno che gli scappava via e le affondava dentro con l’intento di farglielo arrivare in gola e ... Non può toglierme­lo adesso. Glielo aveva sfilato [...]. La stava toccando lì, in punta alla vagina [...]. Poi lui le allargò le gambe e lui le allargò di più e forse, speriamo, voleva rimet­terglielo dentro. E qui Graziano sbagliò [...]. Chissà cosa gli girò nella testa, chis­sà cosa pensò e come se la organizzò nel cervello, quell’idea sciagurata. Graziano voleva di più. Voleva chiudere il cerchio, [...] voleva la luna nel pozzo, voleva col­pire e affondare [...] chissà cosa cazzo voleva, voleva sverginarla davanti e di die­tro. Voleva il culo di Flora

Pietro e l’incidente fatale «Tu non ci volevi entrare nella scuola, quante volte hai ripetuto questa frase in presidenza? E ogni volta ti davi sempre di più la zappa sui piedi, dimostrando quanto eri debole e immaturo.» Prese un attimo di respiro, lo guardò con disprez­zo e aggiunse: «Tu sei come me. Tu non vali niente. Io non ti posso salvare. Non ti voglio salvare. A me non mi ha mai salvato nessuno. A te ti fregheranno per­ché non reagi. .. ». Un attimo. Un maledetto attimo. [...] Il maledetto attimo che non torna mai più. Il maledetto attimo capace di cambiarti la vita. Il maledetto attimo in cui Pietro reagì e posò il piede sul filo elettrico e tirò e il registratore cadde nell’acqua co­me un semplice... Plof. Musica italiana del 1999 Ricordiamo Fabrizio De André, con la prima canzone dell’album Non al denaro non all’amore né al cielo (1971), una delle più grandi opere della musica italiana: la riscrittura, in testi e in musica, di ciò che avvenne nella Spoon River di Edgar Lee Masters. Tutti, proprio tutti, «Dormono sulla collina»: Dove se n’è andato Elmer / che di febbre si lasciò morire? / Dov’è Herman bruciato in miniera? / Dove sono Bert e Tom / il primo ucciso in una rissa / e !’altro che uscì già morto di galera? / E cosa ne sarà di Charley / che cadde mentre lavorava / dal ponte volò e volò sulla strada? / Dormono, dormono sulla collina / dormono, dormono sulla collina. / Dove sono Ella e Kate / morte entrambe per errore / una di aborto, l’altra d’amore? / E Maggie uccisa in un bordello / dalle carezze di un animale / e Edith consumata da uno strano male? / E Lizzie che inseguì la vita / lontano, e dall’Inghilterra / fu riportata in questo palmo di terra? / dormono, dormono sulla collina / dormono, dormono sulla collina. / Dove sono i generali / che si fregiarono nelle battaglie / con cimiteri di croci sul petto? / Dove i figli della guerra / partiti per un ideale / per una truffa, per un amore finito male? / Hanno rimandato a casa / le loro spoglie nelle barriere / legate strette perché sembrassero intere. / Dormono, dormono sulla collina / dormono, dormono ­sulla collina. / Dov’è Jones il suonatore / che fu sorpreso dai suoi novant’anni / e con la vita avrebbe ancora giocato? / Lui che offrì la faccia al vento / la gola al vino e mai un pensiero / non al denaro, non all’amore né al cielo. / Lui sì sembra ­di sentirlo / cianciare ancora delle porcate / mangiate in strada nelle ore sbagliate / sembra di sentirlo ancora / dire al mercante di liquore / «Tu che lo vendi cosa ti compri di migliore?»

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Não dá para falar da Casa da Arte de Educar sem falar um pouco sobre Sueli de Lima, que, desde criança, sempre teve um olhar sensível às questões sociais. Adolescente, pediu para conhecer a Rocinha e, de lá para cá, permanece entre o mundo das comunidades e o mundo acadêmico. E é dessa base e dessa vivência de Sueli que surgiu o projeto da Casa da Arte de Educar, em curso na Mangueira e no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. E o que torna o projeto da Casa tão especial? Valoriza a cultura local, juntando saberes populares, do cotidiano, aos saberes acadêmicos, valoriza o diálogo entre as partes, integra mundos partidos, educando, formando, permitindo que, pela educação, indivíduos possam sonhar e construir o futuro como cidadãos.

Foto: Divulgação

Marisa Oliveira

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Educar com arte e através da arte tem endereço

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FD - Ao ser criada, em 1999, a Casa da Arte de Educar uniu profissionais de Educação e de Cultura e profissionais de comunidades cariocas, com o objetivo geral de reduzir a desigualdade no quadro da educação brasileira. Como nasceu a idéia de parceria entre profissionais de vivências diferentes? SL - Os profissionais que se reuniram nesta época, todos das áreas de Educação e Cultura tinham o mesmo interesse e motivação: contribuir para qualificar a educação pública no país e ampliar a relação entre Cultura e Educação, pensando a dimensão educadora da cultura e a dimensão cultural da educação. FD - Na verdade, profissionais de comunidades são... SL - Chamamos de profissionais de comunidades cariocas aqueles educadores populares que apesar de não terem uma formação acadêmica, atuam nas áreas de educação e cultura na comunidade onde habitam, contribuindo com os saberes adquiridos através da sua vivência prática. FD - Qual o conceito-base de Educação que norteava/norteia o grupo? SL - Quando tratamos de Educação, nos referimos primeiramente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, cap. IV, Art. 53 que diz: “A criança e o adolescente têm o direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e o direito de ser respeitado por seus educadores.” Ainda segundo o Estatuto, Art. 58: “No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.” FD - Como tem se desenvolvido esse diálogo ao longo do tempo? SL - A Gestão da Organização é compartilhada pela presidência, conselhos, professores, comunidades, pesquisas de campo entre outros processos de escuta e participação. A Casa da Arte é uma organização composta por uma equipe mista de profissionais habilitados para suas funções, alguns moradores das comunidades e outros não moradores. As trocas culturais estão presentes também na estrutura da Casa da Arte de Educar. As ações pedagógicas realizadas partem de processos de pesquisa-ação, de forma que todos são pesquisadores e atores simultaneamente. Entendemos que a educação é uma ação que se constitui através da relação entre o fazer e o saber fazer, entre uma prática e uma reflexão. Desta forma, buscamos uma educação que se Outubro/Novembro 10


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desenvolve numa dimensão pública. Formulamos a construção de conhecimento através do diálogo entre as diferentes vozes, uma prática que só é possível através do empoderamento de todos os envolvidos. Assim, entendemos que o monitoramento das ações e as pesquisas a ele associadas, são simultaneamente ações de formação para todos os participantes.

160 jovens e adultos. Em termos nacionais, A Casa da Arte de Educar está presente em 10.042 escolas no país, através da metodologia Mandala dos Saberes, em função de uma parceria com o Ministério da Educação. A metodologia Mandala dos Saberes também está sendo disseminada para pontos de cultura e escolas em cinco regiões do Brasil.

FD - Como funciona a proposta da Casa? SL - A Casa da Arte de Educar atua nas áreas de Educação e Cultura, realizando atividades de Educação Integral e Educação de Jovens e Adultos, além de desenvolver pesquisas voltadas para a elaboração de metodologias educacionais, como a Mandala dos Saberes, atualmente, disseminada em vários estados do Brasil. Regionalmente, temos duas unidades nas comunidades da Mangueira e do Morro dos Macacos, na cidade do Rio de Janeiro, que atendem por ano 500 crianças e adolescentes de 8 a 16 anos e

FD - A Casa iniciou as atividades propondo oficinas e workshops para crianças, jovens e adultos. Que oficinas eram essas? SL - A Casa da Arte da Mangueira foi fundada em 1999 e funcionou inicialmente no CIEP Nação Mangueirense. Nessa época, eram atendidos cerca de 160 alunos em atividades e oficinas dividas em núcleos de linguagem corporal, musical e de pesquisa artística. Os alunos atendidos puderam freqüentar diferentes oficinas artísticas, visitar espaços culturais na cidade, assistir espetáculos

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de teatro e de música. Outro ponto marcante foram os workshops dados por artistas convidados, como Robertinho Silva, Amir Haddad, Angel Vianna, Carlos Vergara e Marcos Magalhães. FD - O fato de artistas conhecidos ministrarem as oficinas foi muito importante? SL - Foi bacana para promover e ampliar o debate cultural e artístico... Isso, de certa maneira, ajudou também a promover a Organização diante das empresas e da mídia, o que contribuiu para a sustentabilidade da Casa da Arte.

FD - Há alguma exigência/contrapartida para a comunidade se integrar ao projeto? SL - A população que participa das atividades da Casa da Arte de Educar deve ser moradora das comunidades atendidas e preencher alguns critérios de seleção no caso de crianças e adoles-

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centes, tais como: estar matriculado no ensino formal, preferencialmente nas escolas parceiras - Assis Chateaubriand/Vila Isabel e Uruguai/ Mangueira; ter parentesco com outros alunos que estudam na organização; viver a situação de permanecer sozinho em casa no horário de contra-turno escolar; demonstrar interesse em integrar o programa da Casa da Arte de Educar. FD - Quais as principais questões que emergem das experiências? Em onze anos de trabalho, o que mudou nesse âmbito? SL - Nesses onze anos nos deparamos com desafios e dificuldades principalmente no que diz respeito à relação entre as escolas e as comu-

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Foto: Stefano Figalo

nidades. Constatamos que, de forma geral, as escolas não estavam predispostas ao desenvolvimento de um diálogo com os saberes comunitários, encarando-os realmente como informações e vivências importantes para a construção dos projetos pedagógicos. E sem abrir-se para a comunidade, a escola dificilmente pode cumprir sua função social e a qualidade da educação ficará comprometida. Buscando gerar melhorias nesta relação, essenciais para o trabalho da Casa da Arte, a organização desenvolveu a metodologia Mandala dos Saberes, que visa a contribuir para aproximar o universo escolar do comunitário, além de estimular os professores a atuarem também como pesquisadores da cultura local, investindo na pesquisa-ação e não somente no

acúmulo de saberes historicamente construídos e organizados de forma unilateral. Essa metodologia é aplicada a todas as atividades da Casa da Arte e, desde a sua criação, tem apresentado resultados bastante positivos em relação ao desenvolvimento dos alunos, professores e ao projeto de forma geral. Todo o trabalho da Casa da Arte de Educar é monitorado e avaliado através de indicadores coletados e comparados anualmente. A ONG analisa dados públicos regionais, municipais e de escolas específicas onde estudam alunos da ONG com o objetivo de comparar seus desempenhos. Esses indicadores mostram como o projeto gerou melhorias na qualidade de vida dos alunos, famílias, comunidade.

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FD - Observando no tempo as realizações da Casa, percebe-se uma evolução significativa, em termos de ampliação da proposta, dos pontos de vista conceitual e de penetração em segmentos diferentes; podemos dizer que a Casa amplia o diálogo não só com as comunidades em que atua, como também com instituições governamentais e organizações internacionais. O marco foi o modelo pedagógico da tecnologia social Mandala dos Saberes? SL - A Casa da Arte de Educar sempre esteve engajada em pesquisas com relação à educação e à cultura. Não foi por acaso que desenvolvemos essa proposta. Ela é fruto de muito trabalho. Nossas ações visam não só o trabalho prático, mas também o reflexivo. A tecnologia Mandala dos Saberes pode ser considerada como uma das principais ações desenvolvidas em tal direção. A metodologia, a princípio desenvolvida para ser aplicada às atividades de Educação Integral da ONG, foi sistematizada, em 2007, a pedido do Ministério da Educação, que já era nosso parceiro, o que gerou a publicação do Caderno “Rede de Saberes mais Educação Pressupostos para Projetos Pedagógicos de Educação Integral”. FD - O que esse modelo propõe de diferente? SL - A metodologia da Mandala dos Saberes é um trabalho que apresenta um instrumento articulado de saberes (saberes comunitários e saberes escolares), capaz de permitir que a cultura local possa manifestar-se nos projetos pedagógicos das escolas. Esta tecnologia tem como desafio ampliar o conceito de aprendizagem, promovendo maior diálogo entre escolas e comunidades. A Mandala dos Saberes é aplicável a diversos contextos sociais e físicos e apresenta para professores princípios que facilitam a compreensão da dinâmica cultural do território onde a escola está situada, de forma a colaborar para que o professor se torne um pesquisador da cultura local e a escola um equipamento cultural ampliando suas funções formadoras. A organização entende que o sucesso da proposta está diretamente articulado à capacidade de integração de experiências, conteúdos, projetos, intenções e métodos, ou seja, ao avanço nas teses de Paulo Freire. FD - Atualmente, qual o nível de sinergia entre escolas da rede pública e as propostas da Casa da Arte de Educar? E entre a Casa e o público que é atendido por ela? SL - O trabalho desenvolvido pela Casa se estrutura a partir do diálogo entre os conteúdos escolares e a cultura local. Portanto, ela só é possível através do empoderamento de todos os

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atores sociais envolvidos: alunos, professores das escolas, educadores da ONG, famílias, comunidade, além de outros parceiros como universidades, museus, instituições de ensino e pesquisa, etc. Em termos locais, A Casa da Arte de Educar conta com parcerias não somente com as Escolas Públicas da sua área de atuação (Escola Municipal Assis Chateaubriand e Escola Municipal Uruguai), como também com as Secretarias Estadual de Cultura e Municipal de Educação, UNESCO, UNICEF, Rede Globo / Projeto Criança Esperança, Sociedade Brasileira de Psicanálise, Museu de Astronomia, Museu da Quinta da Boa Vista, Instituto de Educação, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ministério da Ciência e Tecnologia, entre outros. Do ponto de vista nacional, a ONG conta com as parcerias do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, além das Secretarias Estaduais e Municipais de Educação e Cultura de Recife, Belém, Brasília e Porto Alegre. FD - Em termos de métricas/resultados, o que A Casa da Arte de Educar e nós brasileiros podemos comemorar? SL – Indicadores quantitativos e qualitativos bastante positivos! Vejam, com base nos dados quantitativos apurados pelas Coordenações Regionais de Educação, 1º e 2º CRE, que correspondem às regiões onde A Casa de Arte atua, em cujas escolas nossos alunos estão matriculados, o índice de reprovação dos que frequentam a Casa é de 2%, contra cerca de 14% (média dos demais estudantes), e de evasão escolar é 0%. Em 2009 também há outras aferições: 47% melhoraram desempenho escolar, 72% passaram

a realizar sozinhos suas tarefas, a proficiência em matemática e língua portuguesa é de 66% e 67%, respectivamente. Em relação aos resultados qualitativos positivos podemos dizer que são vários: aumento do interesse pela escola, leitura e redação, produção de livros, filmes e outros produtos artísticos e culturais, valorização da cultura nacional, maior interesse das famílias pela vida acadêmica de seus filhos, maior envolvimento da comunidade no projeto de qualificação de educação no território, geração de felicidade, entre outros. FD - Dificuldades enfrentadas e belas surpresas. Pode nos dar alguns exemplos? SL - Bem, como dificuldades, escolas sobrecarregadas de desafios e com pouca cultura de parcerias.... A questão da sustentabilidade da Casa da Arte de Educar, principalmente com relação à estrutura pedagógica das unidades regionais que trabalha 12 meses por ano com 400 crianças e adolescentes e cerca de 100 jovens e adultos. As boas surpresas vêm dos resultados positivos do trabalho que realizamos, no qual conseguimos cada vez mais articular a educação escolar à cultura local e dos prêmios que reconhecem a importância de nossas ações: Finalista do Prêmio Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil – 2010; Vencedor Nacional do Prêmio Itaú UNICEF 2009 - “ Tempos e Espaços para Aprender” (2009); Vencedor do Prêmio Asas – Cultura Viva – MINC (Ministério da Cultura) – 2009; Prêmio Machado de Assis - Pontinho de Leitura (2008); Prêmio Ludicidade - Pontinho de Cultura /Espaço de Brincar (2008). Foto: Divulgação

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emigrazione Neste número, reproduziremos “A Senhora”, texto de Amneris Di Cesare, publicado há 50 anos no jornal O Fanfulla, o mais importante orgão de informação da época na comunidade ítalo brasileira.

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ella se ne stava seduta impettita sul divano azzurro, le mani appoggiate mollemente sulla pancia, e lo sguardo sospettoso di chi sa cosa l’aspetta ma non vuole cedere all’inevitabile. Aveva persino paura di guardarsi attorno, nel timore che distraendosi avrebbe perso parte del discorso che stava avvenendo di fronte a lei, senza che ne capisse la benché minima parola. Ma Dante dall’espressione del volto sembrava molto fiducioso. Tutto sarebbe andato a posto. Cercò di farsi forza, di convincersi che era davvero così. E non poté trattenere più a lungo il sospiro che le premeva nel petto. “Tudo legal minha querida?” la signora diritta e mal truccata che le sedeva davanti, dall’altra parte del salotto e che le porgeva ora un bicchiere di plastica colorata, sembrava davvero preoccupata per lei, ma non si lasciò intimidire. Lella sorrise, e tentò un gesto vago di diniego. “Dante… dille che è tutto a posto… il bambino dà calci terribili…è per questo…” sussurrò al marito imbarazzata e arrossì di vergogna. Cinque anni. Cinque anni che viveva lì, in quella città dai palazzi enormi e dalle facce multicolori, e ancora non capiva la lingua che quelle persone parlavano sempre sorridendo, quasi una cantilena da cantare ai bambini. Si era sempre rifiutata di farlo. Di quel paese strano e sporco, aveva appreso solo una filastrocca, una canzoncina che tutti i giorni mandavano senza posa alla televisione. Un lusso, la televisione, che Dante alla fine aveva deciso di concederle, visto che era sempre sola tutto il giorno. Un regalo. “Sto per darti il tuo primo erede! Non pensi che io meriti almeno un regalo

Palacete Santa Helena, San Paolo, anni 60 830

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bello?” aveva pestato i piedi a lungo, e con molto sacrificio e tante rate mensili, Dante glielo aveva fatto recapitare fin dentro casa. Ora era il mobile più elegante di tutto l’appartamento, quel televisore. “Eu tirei uma boa nota à escola, como eu estou feliz… a mamãe e o papai vão me buscar uma rosquinha de Leite São Luiz”. La cantilena continuava a tamburellarle in testa, mentre cupa e con il volto serissimo continuava a osservare i movimenti delle persone di fronte a lei: la signora più anziana, padrona di casa e moglie del loro mentore, e la loro unica figlia, che distrattamente, senza prestare attenzione a quanto veniva discusso sfogliava con poco interesse una rivista di moda. A Lella sarebbe piaciuto sbirciare tra quelle pagine, dalla posizione in cui sedeva riusciva comunque a intravedere i volti di Grace Kelly e Ranieri di Monaco sorridenti, ma non capiva perché fossero stati ripresi sul giornale. E anche il presidente americano, sposato a quell’antipatica di Jaqueline… poteva intravedere una foto con i loro bellissimi bambini in primo piano… “Caroline? Johnny? Ma poi, rientrando in Italia continuerebbero a chiamarsi così? Carolina? No! Bruttissimo… Johnny…cosa significa poi in Italiano?” meditava Lella, seguitando a rubare spunti e idee dalla rivista che la giovane seduta di fronte a lei continuava a sfogliare con una fretta annoiata.

Teatro Municipal, San Paolo, anni 60 “Então… vocês escolheram o nome do neném que vai nascer?” chiese rivolgendosi a lei direttamente l’anziana signora mal truccata. Lella la guardò con occhi spaventati, non capiva assolutamente nulla di quanto le veniva domandato. Cinque anni… Cinque anni di vita in Brasile, e neppure una parola… “O senhor, a senhora” il signore, la signora ecco… sapeva dire solo questo. Ma più in là di questo col portoghese non andava. “Lella… Dona Amneris ti chiede se hai già deciso come chiamare il bambino… sarà la madrina di battesimo insieme al marito… sta preparando una festa regale per quel giorno… almeno sul nome del bimbo, dobbiamo darle certezze perché…deve preparare il corredino…” “Non lo so ancora… Christian, avevo pensato per un maschio…ma tanto so che sarà una bambina… Denise se sarà una femmina… Denise, come quell’attrice della tivù…” “Lella! Non possiamo chiamare nostro figlio come un personaggio televisivo… bisogna pensarci bene!” “E io non ci ho ancora pensato… bene! “ avrebbe voluto sbuffare irritata, ma sapeva che non se lo poteva permettere. Era di fronte alla moglie del loro mentore, la persona che al loro arrivo in Brasile, si era prodigata per trovare un lavoro decoroso al marito e una piccola casetta pulita per lei, giovane sposina italiana. Non poteva mostrarsi irrispettosa, ingrata. Da quando era scesa dalla nave, quell’afoso mattino di Settembre, ormai cinque anni prima, quella famiglia l’aveva accolta con le più affettuose premure. Gliene era grata, certo. Il suo disagio non era dovuto alla mancanza di attenzione e premure di tutta la comunità di italiani che viveva in Brasile e che frequentavano nei momenti liberi. Il suo malessere nasceva dall’essere lì, in quel paese che lei vedeva povero e sporco e dal quale sarebbe volentieri scappata lontano. Ma non poteva, Dante sembrava invece amarlo moltissimo. La sua vita Outubro/Novembro 10


em i g r a ç ã o sarebbe stata per sempre lì? - si chiedeva in continuazione - in mezzo a quelle persone? Avrebbe avuto la capacità di abituarsi alle loro usanze? Non lo sapeva. Temeva di non farcela. Grazie a Dio era rimasta incinta. Forse con questo bambino - sarebbe stata femmina, ne era sicura, - ce l’avrebbe potuta fare, avrebbe riversato su di lei ogni attenzione, ogni parola. Lei e la sua piccola a farsi compagnia in quel paese straniero così lontano dalla sua vita, dalla sua mentalità. La figlia di Dona Amneris smise di leggere il suo giornale e la guardò con simpatia, sorridendole. Le porse la rivista, con un gesto di solidarietà femminile. O almeno a lei sembrò tale. Era una bella ragazza. Alta, bionda, i capelli lunghi abbandonati sulle spalle, truccata con estrema attenzione e perizia. Sembrava un po’ quell’attrice italiana, quella Lea Massari - sì che bella! Recitava in quel film che avevano visto una sera al Consolato Italiano, “L’Avventura”, ecco, se fosse stata una femmina, le sarebbe piaciuto che assomigliasse a lei - Maribel. “E’ un bel nome…Il nome ha una sua importanza” aveva sempre pensato. In qualche modo determina il destino di una persona. Lei ci aveva sempre creduto. Chiamandola con il nome di una bella ragazza, sua figlia stessa sarebbe cresciuta affascinante come la persona da cui ne aveva tratto l’ispirazione. Accettò la rivista che Maribel le porgeva, restituendole un sorriso gentile, di sollievo misto a simpatia. “Ecco…” disse, rivolgendosi al marito “se sarà femmina vorrei che si chiamasse…” esitò, aspettando che Dante traducesse per lei la frase fino ad allora pronunciata. “Se for menina, Dona Amneris, vai ser chamada…” rispose infatti all’istante Dante guardando interrogativamente e un po’ preoccupato la moglie “Como… a senhora” esordì Lella, guardando direttamente in viso Maribel. Non aveva mai parlato in portoghese prima di allora. Quello le sembrò il momento giusto per farlo. “Como a senhora, Dona Amneris!” ripeté indicando la giovane ragazza bionda che le restituì uno sguardo interrogativo. Come sempre, non

era riuscita a farsi capire, in quella strana lingua così ostile! “O meu nome? Vocês escolheram o meu nome, se for menina?” “E’ un grande onore per noi, Dona Amneris, chiamare nostra figlia come lei… “ continuò Dante, sollevato e soddisfatto. Non poteva esser fatto migliore onore ai suoi benefattori che chiamare la propria figlia con il nome della madrina di battesimo. “Ma… Dante… cosa ha capito la Signora?” rientravano ormai tranquilli a casa, ora che il problema “nome” era stato risolto. L’autobus vuoto sferragliava veloce tra le strade buie della notte, verso la Lapa di S. Paulo. Un’auto, sarebbe stato un lusso che con il bambino in arrivo non si sarebbero potuti permettere. Forse l’anno seguente, se Dante avesse ottenuto una promozione. “Un altro anno ancora qui?” chiuse gli occhi Lella, tentando di non pensare a un’evenienza simile. ”Quello che hai detto… non hai detto “a Senhora”? In portoghese, a senhora vuol dire “lei”… “como a senhora” non hai detto così? quindi, come lei…La bimba, se sarà una bimba, si chiamerà Amneris…” “Ma no! Io volevo dire come lei… come la figlia! Maribel… ce l’avevo davanti… l’ho pure indicata …” “Ma Dona Amneris ha capito diversamente. Ora non si può più tornare indietro…Lella… sarebbe un’offesa terribile…” “e noi dovremo tenerci una figlia con un nome simile? Un nome dato per sbaglio?” Lella aveva ancora di fronte la faccia truccata male, il rossetto sbavato e troppo acceso dell’anziana signora. “Pare proprio di sì… ma poi… in fondo, Amneris non è tanto male no? Era una regina, Amneris…una regina egiziana. La regina dell’Aida di Verdi” “Una regina eh?…E una volta in Italia, potranno tradurre il nome in uno italiano? “No… non mi sembra ci sia nulla che possa assomigliare ad Amneris” “Speriamo che sia un maschio, a questo punto” pensò Lella, accarezzandosi la pancia, con malinconia. “Amneris… il nome di una regina…” sorrise quasi rassegnata, pensandoci. “Il 18 luglio alle ore 06,25 è nata Amneris, figlia del nostro corrispondente Dante D.C. una bella bimba sana di quasi quattro chili. Mamma e figlia godono di ottima salute. Madrina di battesimo della bambina sarà Dona Amneris Mancinelli, nostra chiara e fattiva benefattrice. Gli auguri di tutta la redazione de Il Fanfulla raggiungano i felici genitori e l’orgogliosissima madrina.”

Rio Pinheiros, San Paolo, anni 60

San Paolo negli anni 60

Interlagos, anni 60

Il Fanfulla – La voce degli Italiani a San Paolo - 20 luglio 1960

Clube Comercial, projeto do italiano Felisberto Ranzini Outubro/Novembro 10

Cine Marrocos, Rua Conselheiro Crispiniano, 344

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m “Aires de Solitude”, Astor Piazzolla cita o  sentimento do homem ante a paisagem e a solidão na grande cidade. Nesta série de fotografias sobre a cidade de Buenos Aires, que Marcio RM intitulou “Esperando o Outono”, impressões registradas no curto tempo de uma semana, “esse sentimento”, comum no habitante da cidade portuária de Buenos Aires, está registrado, com a  aguda penetração da surpresa do “olhar visitante”. Ficam claros, nos seus registros fotográficos da paisagem portenha, os dois visuais que dividem a cidade. Nas suas “fotos azuis” das nuvens e holofotes e o aviãozinho, fixo no espaço azul e a torre, está registrada a frieza asséptica de uma paisagem desenhada com formas onde impera a linha reta, eliminando todo vestígio de barroquismo, num cenário atemático, abstrato. No final dos anos 60, começou a se operar uma mudança no visual da cidade, decalcado

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em modelos arquitetônicos próprios de cidades européias desenvolvidas,  considerado como “modernidade” na época.  A utilização de um visual sofisticado e abstrato virou moda, acentuando esse “ar de solitude” da cidade e empurrando os velhos modelos arquitetônicos para a periferia. Um bairro característico da parte velha de Buenos Aires é o bairro chamado “La Boca”, antigo porto construído por imigrantes italianos no inicio do século XX, onde instalaram a sua colônia. “La Boca” portenha  é o representante  mais conhecido do “outro” visual da cidade, o das pessoas pobres, comuns. Traços estes semelhantes em todos os bairros periféricos da cidade. Estes contrastes foram registrados com precisão pela câmera de Marcio RM na sua “Viagem portenha à solitude”. Luis Trimano Artista plástico, argentino de nascimento

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n “Aires de Solitude”, Astor Piazzolla cita il sentimento dell’uomo di fronte al paesaggio e alla solitudine nella grande città. In questa serie di fotografie della città di Buenos Aires, che Marcio RM ha intitolato “Esperando o Outono”, immagini registrate nel breve periodo di una settimana, “questo sentimento” è captato con l’acuta penetrazione di sorpresa della visione del visitante. Nelle sue immagini del paesaggio portegno, risultano chiare le due visioni che dividono la città. Nelle “fotografie azzurre” delle nuvole e dei riflettori e del piccolo aereo, fermo nello spazio azzurro e la torre, è registrata la freddezza asettica di un paesaggio disegnato con forme dove regna la linea retta, eliminando ogni vestigio di barocco, in uno scenario atematico, astratto. Alla fine degli anni 60, iniziò un cambiamento nel visuale della città, basato in modelli architettonici propri delle città europee sviluppate, considerato come “modernità” all’epoca. L’utilizzazione di un visuale sofisticato e astratto diventò di moda, accentuando questa “aria di solitudine”della città e spostando i vecchi modelli architettonici verso la periferia. Un quartiere caratteristico della parte vecchia di Buenos Aires è “La boca”, antico porto costruito dagli emigranti italiani all’inizio del XX secolo, che vi istallarono la loro colonia. “La Boca” è la rappresentante più conosciuta “dell’altro” visuale della città, quello delle persone povere, delle persone comuni. Questi tratti sono comuni a tutti i quartieri periferici della città. Questi contrasti sono stati registrati con precisione da Marcio RM nella sua “Viagem portenha à solitude”. Luis Trimano Artista plástico, argentino de nascimento

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fotografia

cultura

Marcio RM é fotógrafo profissional desde 1982, com fotos veiculadas nas principais publicações brasileiras e já trabalhou para as revistas Isto É e Veja e os jornais O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Realizou 40 exposições individuais em diferentes cidades pelo Brasil (Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Paraty, Cabo Frio, São João de Meriti, Nova Iguaçu,Teresópolis/RJ; Belém/PA, Aparecida/SP, Porto Alegre/RS, São Luís/MA, Brasília/DF, Juiz de Fora/MG, Aracaju/SE, São Félix e Salvador/BA). Contato: mrmbr@yahoo.com.br

Marcio RM è fotografo professionista dal 1982, com fotografie pubblicate nei principali veicoli brasiliani; ha già lavorato per le riviste Isto È e Veja e per i giornali O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Ha già realizzato 40 esposizioni individuali in varie città del Brasile (Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Paraty, Cabo Frio, São João de Meriti, Nova Iguaçu,Teresópolis/RJ; Belém/PA, Aparecida/SP, Porto Alegre/RS, São Luís/MA, Brasília/DF, Juiz de Fora/MG, Aracaju/SE, São Félix e Salvador/ BA). Contato: mrmbr@yahoo.com.br

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cultura Ivan Alves Filho

M andalas ,

representações visuais

v i c e n t e

No meio da Mandala, mais próximo dos deuses Nascido em Niterói, de  mãe brasileira e pai milanês, Vicente de Percia é um

FD - Você é crítico de Arte e artista plástico. Como surgiu seu interesse pela Arte e como concilia essas duas funções? VP - Sempre apliquei meus estudos com prazer e disciplina. Meu interesse é abrangente. Não sou o único a fazê-lo.  As artes se relacionam e para exercer a função de um formador de opinião é importante buscar os vínculos existentes entre elas. Ao ler um livro observo a diagramação, ilustração além do texto. Diante de um concerto todas as estruturas da orquestra além da composição. O teatro possui cenário, iluminação, e outros apetrechos. Ao apreciar uma gravura é necessário conhecer suas diferentes técnicas. Paralelamente à minha função como crítico de arte, sempre estudei fazendo uso da prática; criava, porém nunca pensei em expor. Presenteava com os meus exercícios, desde as aulas de arte no colegial. Acredito que a escola bem direcionada pode formar hábitos e interesse. Como curador e um dos idealizadores da Bienal Mundial do Barro, convivi com o crítico venezuelano Roberto Guevara. A I Bienal foi em 1992, em Caracas, com extensão aos Estados Unidos. Indiquei a ceramista Celeida Tostes como personalidade viva a ser homenageada neste evento e Ana Medieta, cubana, como homenagem póstuma, o que foi aceito por unanimidade.  Dois meses antes da mostra, Celeida recebeu a mim e a Guevara em sua casa, no Rio de Janeiro, para definir as obras de sua autoria que iriam integrar a I Bienal. Na parede da sala, havia três obras minhas. Roberto Guevara indagou o autor. Surpreso, insistiu que lhe mostrasse mais. De imediato, veio o convite para que fizesse a minha primeira individual, tendo assinado o texto do catálogo.  Ele foi o responsável pela minha inserção como artista plástico. A partir daí, não parei mais.

verdadeiro cidadão do mundo. Artista plástico e crítico de Arte, especialista em música de concerto, membro da destacada associação Bow Art International, sua Arte reflete perfeitamente suas origens, andanças e interesses.

“Conjunto 6”, pastel oleoso s/ papel 836

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d e

FD - Havia uma temática em seu trabalho? VP - Sim. Eram Mandalas feitas em pastel/ óleo/francês sobre papel. No meu estúdio havia mais de cem obras; eu as chamava de exercícios. Havia experiências com outros suportes como tinta acrílica sobre tela, caixas de madeiras e outros. Um conceito diferenciado de Mandalas, isto é, não tinham nada a ver com obras decorativas e de visão oriental. “Conjunto 9”, pastel A palavra Mandala vem oleoso s/ papel do sâncristo, porém elas existem nas raízes de todas as culturas. Mandala é masculina – o Mandala. Portanto o meu enfoque era de um universo, núcleo, signo, símbolo.  Fincava minha obra, sobretudo em C. G. Jung, mostrando que elas surgem como imagens interiores e espontâneas, às vezes em situações críticas. Conversei, lembro, com Roberto Guevara sobre as rosáceas presentes no gótico, as Mandalas vivas na Europa, nas Américas, na África, na Ásia, na Austrália, as quais eu enfatizei quando dei aula de plástica para Comunicação e  Arquitetura para universitários na Universidade Federal Fluminense. Em algumas obras procurava objetos referenciais na natureza, como o formato da circunferência que deslocasse também as cores. Um ciclo de criação interminável. Via a função do crítico para buscar, deslocar uma “uniformidade”. Minhas Mandalas são um mergulho nos símbolos e criam arquétipos que, certamente, possibilitaram o surgimento de um estilo. Quando escrevi sobre a ópera Tristão e Isolda, de Richard Wagner, reforcei que a arte é uma vibração; contorno, ida e volta, claro e escuro, rupturas e influências tendo  pontos de identidades. A vida atribulada perde-se na concepção dos labirintos existentes e são também Mandalas. A Mandala é um símbolo presente porque o homem quer estar mais próximo dos deuses. Ambos estão no meio de uma Mandala.   Faço questão de relevar a minha intuição ligada ao aprendizado ao longo dos anos. Sinto-me feliz, assim como Celeida Tostes e Roberto Guevara, que trilharam com seus olhos os meus caminhos visuais. É sim um caminho do misticismo da mesma forma que faço ao ouvir a música, ao contemplar uma paisagem, uma obra de arte. Por vezes a serenidade não existe, na vida há muitos momentos. O acesso à periferia da Mandala é o caminho da magia, o apego e o aprisionamento das formas, no meu caso específico tentar aquecer os sentidos. FD - Você considera sua obra propriamente contemporânea? VP - Sim, considero porque é realizada hoje. Ações Outubro/Novembro 10


artes plásticas

cultura

contemporâneas

p e r c i a constantes a se expandirem exigem associações subjetivas e objetivas que mostram o individual: a célula. O meu inconsciente está presente. A crítica e os artistas gostam de usar o termo contemporâneo para “legitimar” suas presenças. Chamo atenção para as Mandalas indígenas que podem se extinguir em sua forma exterior, porém continuam presentes na sua essência. Meu compromisso é com o desenvolvimento, aplicação e prazer tendo como instrumentos a ideia, e diferentes suportes de acordo com o meu objetivo visual. FD - Qual o papel exato da crítica, a  seu juízo? VP - Como crítico, vejo o mercado de arte em crise principalmente em relação aos preços altíssimos. Na década de 80, tivemos a trágica experiência da fictícia valorização da arte e o resultado foi a venda das obras adquiridas com um prejuízo incalculável. Há uma manipulação forte no lucro e não no valor da obra para criar um acervo-referência. A mídia, curadores, salões e instituições contribuem para este sistema perverso. A crítica, por sua vez, possui uma opinião igual. É difícil se ver discordância. Houve tempos em que se adquiria por gosto, conhecimento e não como um produto descartável. FD -  Você saberia dizer se já adquiriram sua obra como um objeto de sorte? VP - Nunca foi minha intenção fazê-la com esta finalidade.  Tenho um colecionador que sempre comenta que ela lhe traz um bom astral. Vê uma harmonia, uma verdade que não é intencional. Ela pode existir. São múltiplas significações. Poder-se-ia objetar deste raciocínio? Lembro que uma vez, em Istambul, uma vidente comentou que eu deveria usar o número 3 para dar sorte. Comprei um de ouro e coloquei em uma corrente para pendurá-la no pescoço. E quando a uso não tenho dúvida que sinto algo diferenciado, bom.  Vivemos em um mundo dos efeitos e das energias. As cores primárias são vetores básicos na arte. Fui criado no catolicismo e lembro sempre da citação: Pai, Filho e Espírito Santo. Não há como descartar esses ensinamentos. Crescemos quando somos surpreendidos. Voltando à questão da contemporaneidade, há obras cujo conteúdo está alicerçado no mundo finito. A parcial exclusão do figurativo nas Mandalas lembra Pitágoras, que diz ser divina a geometria, devido à atemporalidade da harmonia numérica. FD - Existe um processo de criação que você prefira? Mais: quais as principais tendências presentes, a seu juízo, na Arte brasileira atual? VP - O que procuro fazer é dar continuidade a cada fase. No momento estou envolto na utilização do papel sobre a tela. Consigo dar baixos e altos relevos que passam a substituir os riscos expressionistas, as cores tornaram-se mais brandas e os círculos (Mandalas) são maiores. Finalizo com uma resina alemã. O que não é fácil devido ao equilíbrio do grande cosmo. Chamo esta série de “Cosmogonia”. A geometria praticamente foi substituída por uma abstração, os contornos são ressaltados por meio de técnicas diferentes, a partir dos quais atinjo os objetivos desejados. Quando me indagam a respeito de tendências na arte vejo que ela está direcionada ao consumo em todos os países. Já comentei isto anteriormente. Outubro/Novembro 10

“Sem título”, técnica mista s/ tela, colagem, baixo e alto relevos gravados (série iniciada em 2010 com participação em paralelas nas Bienais 2010 de Berlim, Alemanhã e São Paulo)

“Conjunto 1”, pastel oleoso s/ papel

“Sem título”, tinta acrílica s/ tela e resina alemã

FD - Há alguma mostra em vista? VP - Há um convite para participar de uma feira de Arte, em Miami e mandar algumas obras encomendadas para um marchand em Zurique. Tenho conseguido colocar obras em capas de livro. Há excelente aceitação do público. É importante participar; mais ainda, ter um conjunto expressivo de trabalhos, dar continuidade à tarefa artística.

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cultura

r e f l e x ã o

Luis Maffei luis.maffei@terra.com.br

A

God is on the TV

escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol revelou que tirar o “d” de Deus1 resulta surpreendente na linguagem e, portanto, fora dela, no mundo. Ando pensando gravemente no papel que ocupa a televisão neste tempo, quando os televisores se tornaram tristes onipresenças. Sim, é a tevê que nos olha, não o contrário, e o espaço público tem sido grandemente fixado nas abstrações televisivas – grafei abstrações, e comento, ainda que brevemente, o que quero dizer com isso; ajuda-me Giorgio Agamben: o filósofo italiano confessa ter desenvolvido um “ódio implacável” pelo “dispositivo” de nome telefone celular, “que deixou ainda mais abstratas as relações entre as pessoas”2. Diante da tevê, o telespectador não se relaciona com qualquer participante de show de realidade ou personagem realística de novela, mas, abstratamente, deixa de relacionar-se, isto é, deixa o âmbito das relações: isso é grave quando se trata de humanos. Concordo com Eugênio Bucci: “Eis aí como se consuma o lugar em si da TV, um lugar do olhar: que nos olha, que nos interpela, que nos designa e nos localiza antes de que para ele nós olhemos”3. Por assim dizer, é abstrata a relação antes mesmo de a relação se dar, e, quando ela se dá (não, ela não se dá), é já viciada. Llansol tirou o “d” de Deus, Marilyn Manson encontrou Deus na tevê: Rock is deader than dead Shock is all in your head Your sex and your dope is all that we’re fed So fuck all your protests and put them to bed God is on the TV. É claro que Deus está na tevê, no Panóptico, no Big Brother ou no Big Brother de um grande filme do primeiro Woody Allen, Sleeper, pois é onipresente e onisciente. Sugiro que se ouça agora o tema Ilustração: colagem digital de Ana Maria Moura de Marilyn Manson, “Rock is dead”, pois citar letra de música é sempre insuficiente e a canção tem bastante força. Mas, um impasse: a quem eu me referi nas primeiras linhas deste parágrafo? Gramaticalmente, a Deus, mas poderia estar falando da televisão, e cito outro comentário de Agamben: “(...) se consagrar (sacrare) era o termo que designava a saída das coisas da esfera do direito humano, profanar significava, ao contrário, restituir ao livre uso dos homens.(...). A profanação é o contradispositivo que restitui ao uso comum aquilo que o sacrifício tinha separado e dividido”4. Se eu partir do princípio de que Deus é diferente de tevê, há um descompasso na presença de Deus na tevê. Por outro lado, se Deus está em toda a parte, ele só pode estar, hoje em dia, na tevê, pois apenas a 1 “Decido, nesta altura natalícia, tirar o d de deus, e chamar eus ao que for a diferença que o prive de ser de sua vontade”. LLANSOL, Maria Gabriela. Um falcão no punho. Lisboa: Rolim, 1985. p. 16. 2 AGAMBEN, Giorgio. O que é o contemporâneo? e outros ensaios. Chapecó: Argos, 2009. p. 42, 43.

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tevê está, ao vivo, em toda a parte – bem, existe a Internet, labirinto de caráter fortemente divino, mas, com o perdão da redundância, labiríntico. Bucci diz que somos olhados pela tevê, e o somos; digo que somos perseguidos pela tevê, de modo tão competente que poucos percebem a perseguição. A experiência de pedir o desligamento de televisores em espaços coletivos é interessante: a criatura (um garçom de restaurante, uma secretária de consultório médico, uma manicure, etc.) certamente suporá que o pedido se deve a o indivíduo não gostar de certo programa ou certa emissora, mas é deveras improvável que alguém creia que o outro não goste de ver televisão – eu, que sempre peço o desligamento dessas máquinas, nunca fui brindado com tal entendimento. Poucos se percebem perseguidos pela tevê; por conseguinte, poucos percebem o efeito que a tevê causa. Um deles é a troca do pensamento por irrefletida seriação imagética. Se “God is on the TV”, o descompasso é radical, e só não o seria se Deus fosse a tevê; como Deus vai à tevê... Há descompasso entre o cantautore e seus nomes, pois ele não é Marilyn Monroe tampouco Charles Manson: pós-moderno, para o bem e para o mal, e inteligentemente confuso quanto à identidade. O próprio nome do autor de “Rock is dead” é já uma acusação, e volto a pensar no descompasso entre tevê e Deus: um só se parece com o outro numa tosca imitação do “consagrar”, pois a televisão, de algum modo, retira “as coisas da esfera do direito humano”, criando um simulacro de espaço público que de público pouco ou nada tem, tendo, pelo contrário, muito de publicitário; mas não é criado sequer algum espaço realmente sagrado. Logo, “Rock is deader than dead”, pois, em universo descompassado como o da televisão, há sempre um depois, um mais, o novo programa, a nova moral que, no fundo, é bem semelhante às antigas, mas surge vestida de forma atraente, ou subliminar. Há um verso-chave na canção de Marilyn Manson: “Anything to belong”: pertençamos a Deus, ao outro mundo, à tevê, ao rock, ao rock morto, à própria morte? Ao adotar dois nomes dramáticos – o prenome de uma suicida e o sobrenome de um assassino –, o artista que escreveu “Rock is dead” é inteligente já na assinatura, pois talvez seja mesmo isto: se “God is on the TV”, que tenhamos direito, ao menos, à morte. E que Deus possa sempre ser escrito sem sua letra inaugural, pois ainda tem força protestar com batom e guitarras, ainda não é hora de ir para a cama.

3 BUCCI, Eugênio. A crítica de televisão. In BUCCI, Eugênio & KEHL, Maria Rita. Videologias. São Paulo: Boitempo, 2004. pp. 27-42.p. 33. 4 AGAMBEN, Giorgio. Op. cit. p. 45

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