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Pubblicazione dell’Associazione per l’Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi • Nº 89-90 Ano X - Dezembro 09/Janeiro 10 - R$ 10,00 PODE SER ABERTO PELA ECT

ENTREVISTA

Ondjaki, prosador e poeta, sempre a contar uma boa história.

STORIA

Il primo governo Berlusconi.

COMUNIDADE

Approvato Previtalia, il piano di previdenza complementare per italiani e discendenti.

TURISMO

Maceió, muito sol, praia e piscina natural.

ESPECIAL

10forum anos

D E M O C R A T I C O

E MAIS: GA STRONOMIA • LITERATURA • FOTOGRAFIA • ARTES PLÁSTICA S


O INCA-CGIL tutela gratuitamente os trabalhadores e aposentados italianos e brasileiros e suas famílias. RIO DE JANEIRO Av. Rio Branco, 257 sala 1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ Telefax: 0xx-21-2262-2934 e 2544-4110

INCA INCA CGIL

SÃO PAULO (Coordenação) Rua Dr. Alfredo Elis, 68 01322-050 - São Paulo - SP Telefax: 0xx-11-2289-1820 e 3171-0236 Rua Itapura,300 cj. 608 03.310-000 - São Paulo- SP

“Patronato” da maior Confederação Sindical Italiana, a CGIL

PORTO ALEGRE Rua dos Andradas. 1234 cj. 2309 90020-100 - Porto Alegre - RS Telefax: 0xx-51-3228-0394 e 3224-1718 BELO HORIZONTE Rua Curitiba, 705 - 7º andar 30170-120 - Belo Horizonte - MG Telefax: 0xx-31 3272-9910

http:\\www.incabrasil.org.br

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S E G U N D A

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S E X T A ,

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forum

NOSSA CAPA

D E M O C R A T I C O

A n o

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D e z e m b r o

agenda cultural

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J a n e i r o

às compras

05 Cinema, teatro, shows, exposição, cursos.

15 Sugestões imperdíveis.

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editorial

06 1989-2009: vinte anos da queda do Muro de Berlim. Andrea Lanzi

08

comunità

08 V Seminario sull’immigrazione italiana in Minas Gerais. 08 Nuovo libro di Mario Lorenzi. 08 Congiuntura Brasile.

encarte

16 “Stop movie”, di Cristina Zanetti

19

caderno especial

19 Retrospectiva sobre os 10 anos da revista.

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Brasil

28 Ondjaki, prosador e poeta, sempre a contar uma boa história.

08 Primarie Partito Democratico.

Marisa Oliveira

09 Congiuntura Italia.

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09 Seminario INCA America Latina. 09 Approvato Previtalia, il piano di previdenza complementare per italiani e discendenti. 09 V Settimana “Venezia cinema italiano”. 10 L’occupazione continua a diminuire in Europa. Ornella Cilona (Cgil nazionale, Dip. Politiche attive del lavoro)

11

gastronomia

11 Saltimbocca, por Candido Abreu, chef do La Forneria.

12

turismo

12 Destino: Maceió, muito sol, muita praia e piscina natural.

14

cultura

Literatura 14 “Os Ibejis e o carnaval”, de Helena Theodoro. 14 “1989: o ano que mudou o mundo. A verdadeira história da queda do Muro de Berlim”, de Michael Meyer. Marisa Oliveira

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Vinhos

31 Vinhos do Novo Mundo não são tão bons para a saúde quanto os do Velho Mundo. Rogério Rebouças

32

Italia

Emigração 32 Patrizia Pizzato: olhar estrangeiro. Marisa Oliveira

Storia italiana 34 Il primo governo Berlusconi. Liberamente tratto dal libro “Storia d’Italia dal dopoguerra ad oggi” di Paul Ginsborg

36

cultura

Fotografia 36 “Arquitetando imagens: passado e presente”. Reflexão 39 A ética (?) e a felicidade (!) dos garotospropaganda. Luis Maffei

Artes Plásticas 40 Marco Pereira: “Pintar é me entender no mundo”. Ivan Alves Filho

LEIA TAMBÉM ON LINE

www.forumdemocratico.org.br

Montagem fotográfica digital de Ana Maria Moura.


expediente

La rivista Forum Democratico è una pubblicazione dell’Associazione per l’interscambio culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi. Comitato di redazione Giorgio Veneziani, Andrea Lanzi, Arduino Monti, Mauro Attilio Mellone, Lorenzo Zanetti (em memória). Direttore di redazione Andrea Lanzi Giornalista Responsabile Luiz Antonio Correia de Carvalho (MTb 18977) Redazione Avenida Rio Branco, 257/1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ forum@forumdemocratico.org.br Pubblicità e abbonamenti Telefax (0055-21) 2262-2934 Revisione di testo (portoghese) Marcelo Gargaglione Lopes Hanno collaborato: Cristiana Cocco, Ornella Cilona, Marisa Oliveira. Logotipo: concesso da Núcleo Cultura Ítalo Brasileira Valença Stampa: Gráfica Opção Copertina e Impaginazione: Ana Maria Moura A Mão Livre Design Gráfico

Nota do Editor Esperança, Voz e Responsabilidade

A

s celebrações de 20 anos da queda do Muro de Berlim no início do mês de novembro trouxeram à tona muitas questões. Para Michael Meyer, jornalista americano que trabalhava no leste europeu e foi testemunha do acontecimento, a queda do muro mudou o mundo (Literatura). Entretanto, em retrospectiva, nas duas últimas décadas esse mesmo mundo seguiu com conflitos entre países e conflitos de origem étnica; a fome ainda devasta populações, para muitas nações o subdesenvolvimento econômico parece doença crônica e as mudanças climáticas seguem em passo acelerado (Editorial). Quem não se lembra da imagem de um único urso polar, solitário, à deriva, em cima de uma geleira que se desprendeu do continente gelado? Mudamos, não mudamos, estamos sempre em movimento. Patrizia Pizzato que o diga: italiana, mora no Rio de Janeiro e produz na Índia (Emigração). O mesmo vale para o escritor Ondjaki (Brasil) e para Marcos Pereira (Artes Plásticas), que venceu as léguas tiranas a pé com pai, mãe e 21 irmãos. Vale para o chef Candido Abreu, que veio de longe, Ceará, e aprendeu a arte da boa cozinha (Gastronomia) e para Rogerio Rebouças, que mudou-se para o sul da França e sempre tem boas dicas e informações sobre vinhos. E neste Brasil tão diverso, na seção Às Compras, belos exemplos de luta, inclusão social, geração de renda e proteção ao meio ambiente. Belo exemplo também de responsabilidade social nos dá o Instituto Moreira Salles, que emprestou a escolas parceiras cópias de obras que compõem o seu acervo para servirem de suporte para o aprendizado do currículo escolar (Exposição Ver e Fazer – Agenda Cultural). Cooperativas de trabalho e comércio justo no Brasil, governos de centro-esquerda eleitos por via democrática na América Latina são fenômenos, digamos assim, que dão alento e acenam com a condição de cidadania a homens e mulheres por esse continente a fora. Ah, já ia esquecendo: a exposição Marighella mantém viva a esperança de que não somos um povo sem memória. Feliz 2010!

Carta do leitor Dados internacionais de catalogação na fonte (CIP) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Forum Democratico/ Associazione per l’insterscambio culturale italo-brasiliano Anita e Giuseppe Garibaldi - No.0 (mar. 1999) - Rio de Janeiro: A Associazione, 1999 - v. Mensal. - Texto em português e italiano - ISSN 1516-8123 I. Política - Itália - Brasil - Periódicos. 2. Difusão cultural - Itália - Brasil - Periódicos. I. Associazione per l’interscambio culturale italo-brasiliano, Anita e Giuseppe Garibaldi. CDU 32:316.7(450 + 81)(05)

“Saudações fraternas. Recebi, com muita satisfação, a revista Forum Democratico Out/Nov 2009. Agradeço e parabenizo a Associação Anita e Giuseppe Garibaldi para Intercâmbio Cultural Itália-Brasil pela publicação que trata de temas de grande relevância para o Brasil, para a Itália e para as relações entre esses dois países tão iguais e, ao mesmo tempo, tão diferentes. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome também acredita que somente por meio do compartilhamento de propósitos, compromissos e articulações de todos os atores envolvidos é que podemos construir um mundo mais justo e responsável. Como cidadão brasileiro identificado com os valores da democracia, da ética e do pluralismo de pensamento, assinalo a importância da revista por sua missão tão cara ao fortalecimento da democracia, à formação cidadã e à consolidação do Estado Democrático de Direito. Fique com meu abraço fraterno e os melhores votos de realizações pessoais e profissionais extensivos a toda a equipe da revista Forum Democratico. Cordialmente, Patrus Ananias Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Por carta, em 5 de novembro de 2009

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agenda cultural

EXPOSIÇÃO TEATRO

Da esquerda para a direita, Carlos Marighella, Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra. À direita, a carteira de filiação ao PCB.

A Trajetória de vida de Carlos Marighella A exposição Marighella, em memória aos 40 anos da morte do guerrilheiro comunista, ícone do combate à ditadura militar no Brasil, traz a público cartas, livros, imagens de arquivo, iconografia variada, depoimentos, além de textos do próprio Carlos Marighella. A curadoria é de Isa Grinspum Ferraz e Vladimir Sacchetta. CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Livraria - Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro (Metrô: Estação Carioca) – Tel.: (21) 2544-4080; de 3ª a sáb., das 10h às 22h; dom., das 10h às 21h - Entrada franca; de 27 de novembro de 2009 a 17 de janeiro de 2010; Classificação livre.

Marisa Oliveira

Última parte da trilogia de Conjugado e A Falta que nos Move, Corte Seco traz à tona o poder dos fatos banais – de que forma que uma simples revelação pode interromper Foto: Divulgação o curso de uma história, de uma vida, mudando para sempre a sua trajetória. E, exercitando a metalinguagem, a diretora edita e corta diariamente e em pontos diferentes parte do espetáculo, mudando a ordem das cenas. Corte Seco, a cada semana, terá uma cena diferente, com base em faits-divers de impacto e relevância. No palco, os atores recriam, comentam ou mesmo reinterpretam a história da semana. Direção e dramaturgia: Christiane Jatahy; Cenário: Marcelo Lipiani; Iluminação: Paulo César Medeiros; Colaboração dramaturgia: José Sanchis Sinisterra; Elenco: Cristina Amadeo, Daniela Fortes, Eduardo Moscovis, Thereza Piffer, Felipe Abib, Ricardo Santos, Stella Rabello, Branca Messina e Leonardo Netto. Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163. RJ. Tel: 2266-0896 Temporada de 27 de novembro a 20 de dezembro e de 8 a 31 de janeiro; 6ª e sáb. às 21h. Dom. às 20h; Ingressos a R$ 30,00; Duração: 100 minutos Classificação etária: 18 anos; Lotação da casa: 98 lugares

EVENTO

Ver e Fazer (primeira edição) A exposição Ver e Fazer se compõe de mais de 200 trabalhos feitos por crianças do ensino fundamental carioca, que se inspiraram em fotografias e pinturas do acervo do Instituto Moreira Salles. Inspirado no projeto Take One Picture da National Gallery da Inglaterra, o IMS enviou para escolas parceiras cópias de pinturas e fotografias do seu acervo, que representavam aspectos da paisagem carioca, como as imagens do Álbum Highcliffe, uma coleção de aquarelas compiladas pelo artista britânico Charles Landseer (1825 e 1826), e fotografias dos séculos 19 e 20 que retratassem os mesmos lugares – mas de ângulos e com técnicas diferentes. O objetivo: utilizar como suporte de aprendizagem do currículo escolar.

Casa no Catete onde morou Sir Charles Stuart e o Pão de Açúcar. (Pintura de Henry Chamberlain/Acervo Instituto Moreira Salles) Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, RJ; tel.: (21) 3284-7400; de 3ª a 6ª, das 13h às 20h; sáb., dom. e feriados das 11h às 20h; Visita guiada: de 3ª a 6ª, às 17h, sáb. às 16h; Entrada franca; Classificação livre; De 28 de novembro até 20 de dezembro; www.ims.com.br http://twitter.com/moreirasalles

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Sala Cecília Meireles Largo da Lapa, 47, Centro, RJ; tel.: (21) 2332-9176; domingo, 20 de dezembro de 2009, às 17h; R$ 50,00 (platéia), R$ 30,00 (platéia superior); ingressos à venda nas bilheterias da sala ou pelo site www.ingresso.com; manobrista disponível.

CINEMA Do Começo ao Fim A médica Julieta (Julia Lemmertz) é mãe de Francisco (Lucas Cotrim quando criança e João Gabriel quando adulto), fruto de seu relacionamento com o argentino Pedro (Jean-Pierre Noher). Depois da separação, ela conhece o arquiteto Alexandre (Fábio Assunção), com quem tem outro filho, Thomás (Gabriel Kaufman/Rafael Cardoso). Como cria os meninos juntos, Julieta é a primeira a perceber que no carinho dos irmãos se desenha uma sólida paixão.

Foto: Luisa Lemmertz

Avenida Beira Mar, c. 1906. (Fotografia de Marc Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles)

Concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica Portinari VI Programa O anão (Der Zwerg) - Ópera em 1 Ato (Alexander von Zemlinsky) Isaac Karabtchevsky (regência); André Heller-Lopes (direção cênica); Marina Shevchenko, Marcos Paulo, Flávia Fernandes e Douglas Hahn (Solistas); Vozes Femininas do Coro Sinfônico do Rio de Janeiro

Direção e Roteiro: Aluizio Abranches; Direção de Fotografia: Ueli Steiger; Montagem: Fábio Lima; Música: André Abujamra; País: Brasil; Ano: 2009; Duração: 100 minutos

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editoriale Andrea Lanzi

1989-2009: venti anni dalla caduta del Muro di Berlino.

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el novembre del 1989 i cittadini della Germania orientale smantellarono il Muro che li divideva dal mondo occidentale e che rappresentava uno dei simboli della guerra fredda, che aveva retto il mondo negli ultimi decenni. In quei giorni in Brasile si stava concludendo la prima campagna elettorale per eleggere il presidente della Repubblica dopo la fine della dittatura militare. In Italia il Partito Comunista Italiano – che da anni aveva posizioni critiche nei confronti del “socialismo reale” e del sistema sovietico – iniziò un lungo cammino che lo ha portato prima a cambiare nome e più recentemente a dare vita a una nuova forza politica, il Partito Democratico, anche insieme agli eredi dei suoi antichi avversari del cattolicesimo popolare. Dopo la caduta del Muro l’URSS ha dovuto accettare l’indipendenza delle repubbliche asiatiche e l’allontanamento dalla sua sfera di influenza dei paesi dell’Europa orientale in anni recenti entrati nell’Unione Europea. Nei Balcani le cose sono state molto più complicate e si è assistito negli anni 90 a una feroce lotta con eccidi e pulizia etnica da tutti i lati del conflitto, spingendo ad un intervento ONU che solo adesso sembra dare spazio a soluzioni basate su accordi fra i governi e le varie etnie. In questi 20 anni gli Stati Uniti hanno realizzato una politica unilaterale di “guerra preventiva” contro gli stati canaglia, in particolare dopo gli attentati alle Torri gemelle del 2001; l’occupazione dell’Irak decisa contro le Nazioni Unite, continua anche dopo aver scoperto che non esistevano le “armi segrete” che avevano motivato l’invasione. In Afganistan la missione ONU assume sempre più i connotati di un appoggio logistico alle truppe anglo americane di occupazione che stanno perdendo il controllo del territorio tanto che la coltivazione del

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papavero ha raggiunto livelli altissimi. Fin qui per i due conflitti che non esistevano prima della caduta del Muro e che sono stati iniziati in nome della lotta al terrorismo internazionale. Gli altri conflitti, fra paesi o interetnici, preesistenti al 1989, sono continuati quasi senza eccezione, salvo il caso dell’Africa del Sud dove Mandela è riuscito nel miracolo di transitare un paese organizzato su basi razziali in una società multietnica senza spargimento di sangue. Senza soluzione i conflitti arabo israeliano, nel Corno d’Africa, nel Ciad, nella Repubblica Popolare del Congo, per citarne alcuni. A livello mondiale non sono state affrontate in questi 20 anni le grandi sfide della lotta alla fame e al sottosviluppo e del cambiamento climatico; in ogni assise internazionale si proclamano nuove mete che poi non vengono raggiunte, rendendo l’opinione pubblica – dove questa esiste, ossia in una parte della popolazione dei paesi sviluppati- sempre più scettica. Uno degli agenti del cambiamento, il movimento sindacale, si è recentemente riunificato a livello mondiale dando vita alla CSI, Centrale Sindacale Internazionale; nello stesso tempo i tassi di sindacalizzazione continuano a scendere e la riorganizzazione delle forze produttive determinata dalla globalizzazione economica e dal peso crescente del settore finanziario, mina alle basi il modello di organizzazione sindacale giunto a maturazione alla fine del secolo scorso; ormai una quota

crescente di forza lavoro si presenta sul mercato formalmente come lavoro autonomo, come impresario di se stesso, anche se dipende in tutto e per tutto da chi gli offre il lavoro. La più importante delle “famiglie politiche” a livello internazionale, l’Internazionale Socialista, è in crisi soprattutto perché in Europa, dove è nata, sta soffiando un vento di destra; a cavallo dei due secoli il centro sinistra in Europa governava 13 paesi su 15; forse non ha avuto la capacità di far sognare in grande i popoli del vecchio continente e di tracciare nuovi cammini. Le novità più interessanti sul piano internazionale sembrano da un lato la vittoria di Barak Obama negli USA, che ha chiuso l’era Bush; e dall’altro lato una America Latina che nel suo complesso e per via democratica ha scelto di essere governata da forze di centro sinistra che stanno ridando speranza e voce a popolazioni per decenni abituate a essere considerate meno di niente.

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editorial

1989-2009: vinte anos da queda do Muro de Berlim.

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m novembro de 1989 os cidadãos da Alemanha Oriental derrubaram o muro que os separava do mundo ocidental e que representava um dos símbolos da “Guerra fria”, que havia regido o mundo nas décadas anteriores. Naqueles dias estava sendo finalizada no Brasil a primeira campanha eleitoral para a Presidência da República após o fim da ditadura militar. Na Itália o Partido Comunista Italiano – que durante anos teve posições críticas no que se refere ao “socialismo real” e ao sistema soviético – iniciou um longo caminho que o levou primeiro a mudar de nome e, mais recentemente, a constituir uma nova formação política, o Partido Democrático, junto aos herdeiros dos seus antigos adversários do catolicismo popular. Após a queda do muro a então URSS teve que aceitar a independência das repúblicas asiáticas e o distanciamento da sua esfera de influência nos países da Europa Oriental, que nos últimos anos entraram na União Européia. Nos Balcãs os acontecimentos foram muito mais complicados, e na década de noventa assistimos uma luta feroz com chacinas e limpeza étnica por todos os lados do conflito, forçando uma intervenção por parte da ONU, que somente agora parece possibilitar soluções entre os governos e as várias etnias. Nestes 20 anos os Estados Unidos realizaram uma política de “guerra preventiva” contra os chamados “estados canalhas”, especialmente depois dos atentados às torres gêmeas em 2001. A ocu-

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pação do Iraque, apesar do parecer contrário da ONU, continua mesmo após a apuração de que não existiam as “armas de extermínio”, que eram a principal justificativa da invasão. No Afeganistão a missão da ONU aparece a cada dia como um apoio logístico para as tropas de ocupação anglo-americanas, que estão perdendo o controle do território, como comprova o cultivo da papoula, que chegou a níveis altíssimos. Até agora comentamos os dois conflitos que não existiam antes da queda do muro e que foram deflagrados em nome da luta contra o terrorismo internacional. Os outros conflitos, entre países ou inter-étnicos, preexistentes à 1989, continuaram, exceto o caso da África do Sul, onde Mandela conseguiu o milagre de transitar de um país organizado por regras raciais para uma sociedade multi-étnica sem derramamento de sangue. Sem solução podemos citar por exemplo, os conflitos entre árabes e israelenses, no Chifre da África, no Chade, na República Popular do Congo, etc. No cenário mundial não foram enfrentados os grandes desafios das lutas contra a fome, o subdesenvolvimento e a mudança de clima. Em cada encontro internacional se proclamam novas metas que, em seguida, não são alcançadas, deixando a opinião pública onde esta existe - ou seja, uma parte da população dos países desenvolvidos – cada vez mais cética. Um dos atores das mudanças, o movimento sindical, recentemente se reunifi-

cou mundialmente, fundando a CSI, a Central Sindical Internacional. No mesmo momento o número de sindicalizados continou a diminuir e a reorganização das forças produtivas, com origem na globalização econômica e no peso crescente do setor financeiro, corrói na base o modelo de organização sindical, que chegou ao seu ponto de maturidade no final do século passado. Já uma quota crescente de mão de obra se oferece no mercado de trabalho, do ponto de vista formal, como se fossem trabalhadores autônomos, empresários deles próprios, apesar de serem dependentes em tudo de quem lhes oferece trabalho. A mais importante das “famílias políticas” no mundo, a Internacional Socialista, está em crise, especialmente porque na Europa, onde nasceu, está crescendo a direita. Na passagem entre os dois milênios a centro-esquerda governava 13 países entre 15. Provavelmente não teve a capacidade de fazer com que os povos do velho continente pudessem “sonhar de forma grandiosa”. No presente momento, em termos internacionais, as novidades mais interessantes parecem ser, de um lado, a vitória de Barack Obama nos EUA, que acabou com a era Bush; e, do outro lado, a América Latina, que de um modo geral e pelo método democrático, escolheu ser governada por partidos de centroesquerda, que estão dando esperança e voz a populações acostumadas durante décadas a serem consideradas menos que nada.

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comunità

V Seminario sull’immigrazione italiana in Minas Gerais.

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i è svolto dal 26 ottobre al 1 novembre nell’auditorio della Escola de Arquitetura della UFMG il quinto appuntamento dedicato all’immigrazione italiana. Con la presenza dei più importanti studiosi italiani e brasiliani della tematica in discussione sono stati approfonditi i più variati aspetti della presenza italiana in Minas Gerais e in Brasile in generale: architettura, arte e artigianato, educazione, sport, fotografia, cinema, movimento operaio e sindacale, movimento cooperativo, movimenti politici, giornali in lingua italiana, medicina. In poche parole si può dire che nei più diversi settori è stata testimoniata l’influenza dell’immigrazione italiana.

Nuovo libro di Mario Lorenzi.

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iunge in libreria l’ultimo libro del nostro amico e fondatore della nostra Associazione, Mario Lorenzi. Nel prossimo numero della rivista ci ha promesso che ci rilascierà una intervista sulla sua vita di immigrato italiano molto speciale. Di seguito la presentazione del libro. “...QUERO MAIS É QUE SE DANEM!” é um livro sui generis no qual o autor convida o leitor a entrar no mundo de seus afetos, num processo que reconstrói o passado e o funde dinamicamente com o presente, no qual memória, romance e política se misturam, numa viagem de 70 anos na diversidade das culturas do autor; um relato fragmentado que os vários fios condutores manteem coeso, no que pode também ser definido um testamento moral e afetivo.

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Congiuntura Brasile.

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a campagna elettorale del 2010 si avvicina e l’unica cosa sicura è che la candidata del Presidente Lula sarà Dilma Rousseff e che alla sua elezione saranno subordinate tutte le altre scelte elettorali a partire dalle candidature a governatore nei vari stati. Il Partido dos Trabalhadores ha eletto il nuovo presidente del partito e i gruppi dirigenti sia a livello nazionale che locale, con una elezione diretta aperta ai propri iscritti che ha visto la partecipazione di oltre 500.000 militanti. Dopo molto anni la corrente maggioritaria del partito, l’antica Articulação che adesso si chiama “Partido que muda o Brasil”, ha ottenuto la maggioranza assoluta dei voti (57.9%) ed ha eletto al primo turno il nuovo presidente, José Eduardo Dutra. La popolarità del Presidente Lula continua molto alta sia per la situazione economica in netto recupero che per la ripercussione delle numerose missioni internazionali. Il miglioramento economico ha permesso addirittura per la prima volta nella storia del Brasile, che il paese facesse un prestito al Fondo Monetario Internazionale; questo non può far dimenticare che esistono ancora vaste fascie di popolazione in condizioni di miseria e che il sistema sanitario pubblico, ad esempio, non riesce a soddisfare le esigenze della popolazione a basso reddito. Il DEM, erede dell’antico PFL (Partido Frente Liberal), uno dei principali

José Eduardo Dutra partiti di opposizione è stato scosso da un grave scandalo che ha coinvolto l’unico governatore appartenente al partito, Roberto Arruda, capo dell’esecutivo di Brasília. Il Supremo Tribunale Federale, un organo simile alla Corte Costituzionale, in una sentenza molto attesa, ha deciso che Cesare Battisti, condannato all’ergastolo per 4 omicidi commessi in Italia non può avere il titolo di rifugiato e quindi può essere estradato in Italia in quanto i reati commessi sono stati considerati crimini comuni e non politici; nello stesso tempo i giudici hanno deciso a maggioranza che spetta al Presidente della Repubblica la decisione finale sull’estradizione, in quanto si considera che rientri nelle prerogative del Capo dello Stato attinenti alla politica estera. Cesare Battisti

Primarie Partito Democratico.

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opo la campagna congressuale del Partito Democratico, dove ha prevalso largamente la mozione Bersani, anche in America Meridionale sono state organizzate nella giornata del 25 ottobre le elezioni primarie per l’elezione del segretario generale del partito e per i componenti dell’assemblea nazionale. Alle elezioni primarie erano invitati a partecipare non soltanto gli iscritti ma anche i simpatizzanti e gli elettori del Partito Democratico. Alle primarie hanno partecipato 2375 persone, delle quali 1879 hanno votato per la mozione Bersani (79,11 %), mentre in 496 hanno votato per la mozione Franceschini (20,89 %). Sono quindi risultati eletti nell’assemblea nazionale 10 componenti della mozione Bersani e due della mozione Franceschini; di seguito i nominativi degli eletti per le rispettive mozioni. Monica Patrizia Rizzo, Francesco Rotundo, Maria Rosa Arona, Renato Palermo, Claudia Antonini, Andrea Lanzi, Rita Blasioli, Alfredo Llana, Ana Fleiderman, José Mendez Zilly per la lista maggioritaria. Amabile Sandra e Aldo Colla per l’altra lista.

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comunidade

Congiuntura Italia.

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n Italia ha raggiunto livelli altissimi lo scontro fra il Presidente del Consiglio, Silvio Berlusconi, e il Presidente della Camera dei Deputati, Gianfranco Fini. I due fondatori del Partito della Libertà, che ha riunito Forza Italia e Alleanza Nazionale, ormai si trovano con opinioni diverse su molti temi. Ultima occasione è stata la proposta di abbreviare la durata dei processi per salvare da una condanna quasi certa il capo del governo; nei fatti più che ridurre i tempi dei processi – cosa evidentemente giusta e utile- il centro destra vuole ridurre la prescrizione per una vasta serie di reati; e in questo modo si arriva all’assurdo che per reati quali quello di clandestinità che sono stati usati dalla Lega Nord per farsi propaganda in campagna elettorale, la prescrizione breve non dovrebbe essere consentita. Nel Partito Democratico il segretario generale eletto nelle elezioni primarie, Pierluigi Bersani, ha già scelto il nuovo gruppo dirigente che guiderà il partito alle elezioni regionali del prossimo anno. Sembra naufragare definitivamente dopo le elezioni europee il progetto di “Sinistra e Libertà” che aveva riunito Sinistra Democratica, i Verdi, i Socialisti e i gruppi che avePierluigi Bersani

vano abbandonato Rifondazione Comunista e il Partito Comunista d’Italia; complessivamente tutte queste forze rappresentano un bacino elettorale indispensabile per battere il centro destra, ma che non è in grado di esprimersi politicamente. Grandi manovre al centro dove le gerarchie ecclesiastiche sembrano abbandonare Berlusconi per puntare ad una nuova forza politica di centro che riunisca i cattolici moderati andando oltre l’esperienza dell’Unione Democratici Cattolici di Pierferdinando Casini.

Gianfranco Fini

Approvato Previtalia, il piano di previdenza complementare per italiani e discendenti.

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lcune associazioni italo brasiliane di Rio de Janeiro hanno elaborato insieme alla Petros – che lo gestirà – un piano di previdenza destinato alla comunità italiana. Per aderire al piano è necessario essere iscritti ad una di queste associazioni o ad associazioni che nel futuro saranno ammesse a far parte del piano di previdenza. Le associazioni promotrici sono quelle di Lazio, Abruzzo, Sardegna e Basilicata oltre a due entità non legate ad una regione di origine: Abita e Associazione Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi. Il lancio del piano è stato realizzato il 15 dicembre nella Sala Italia dell’Istituto Italiano di Cultura. Chi è interessato ad acquistare il piano può telefonare al seguente numero 0800 025 35 45 o entrare nel link del piano nel portale della Petros al seguente indirizzo: www.petros.com.br A differenza dei prodotti venduti dalle banche e dalle compagnie assicurative, che fanno pagare tasse di amministrazione che incidono sul patrimonio accumulato, la Petros fa pagare una tassa di amministrazione solo sui contributi versati mensilmente.

V Settimana “Venezia cinema italiano”. Pier Ferdinando Casini

Seminario INCA America Latina.

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i è svolto dal 28 ottobre al 7 novembre a Rio de Janeiro il corso di aggiornamento degli operatori del Patronato INCA dell’America Meridionale. Si è colta l’occasione del momento formativo per un seminario sul tema “Vecchie e nuove migrazioni: quali diritti, quali tutele” a cui hanno partecipato Sergio Sinchetto e Luigina De Santis, della Presidenza INCA; Claudio Sorrentino coordinatore INCA estero; Claudio Piccinini, responsabile servizio informatico; Andrea Malpassi, area estero; Renata Bagatin e Livio Melgari, Sindacato Nazionale Pensionati; Andrea Amaro, Dipartimento Internazionale CGIL. Al seminario hanno anche partecipato Salvatore Ponticelli, responsabile INPS area Convenzioni Internazionali e i

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responsabili INPS dei poli di Argentina, Brasile e Venezuela. Erano presenti i rappresentanti degli istituti di previdenza dei citati paesi. Sono intervenuti all’apertura del seminario il Console Generale di Rio de Janeiro, Dr. Umberto Malnati, e il Dr. Renato Martin della Secretaria Geral da Presidência da República. Maria Grazia Cucinotta

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rande successo di pubblico per la rassegna cinematografica italiana che ha presentato al pubblico brasiliano alcune delle più importanti opere lanciate al festival di Venezia. Presente all’inaugurazione della rassegna, a San Paolo, il regista Giuseppe Tornatore, autore di “Baaría”, film italiano candidato all’Oscar. Presente a Rio de Janeiro come madrina del festival di Venezia, l’attrice Maria Grazia Cucinotta.

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comunità

Ornella Cilona (Cgil nazionale, Dip. Politiche attive del lavoro)

L’occupazione continua a diminuire in Europa.

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In Europa, le imprese vedono l’uscita dal tunnel della crisi, i lavoratori no. E a fare le spese della disoccupazione galoppante sono soprattutto i giovani. E’ questo lo scenario del mercato del lavoro nell’Unione europea. Anche se la produzione e i consumi mostrano timidi segnali di ripresa, il tasso di occupazione continua a scendere in tutto il continente. In un anno il numero dei senza lavoro nei 27 Stati membri è, infatti, salito di oltre cinque milioni, portando a 22 milioni il numero complessivo di persone alla ricerca di un impiego, di cui quindici nei Paesi che hanno adottato l’euro come propria valuta. Le ultime cifre fornite da Eurostat, l’ufficio statistico dell’Ue, relative al mese di settembre, parlano chiaro. Il tasso di disoccupazione è ulteriormente cresciuto fino a toccare il 9,2%, il dato più alto da gennaio 2000, ma esistono differenze molti forti fra Paese e Paese. Olanda e Austria vantano tassi di disoccupazione molto bassi, rispettivamente del 3,6% e del 4,8%, mentre Spagna e Lettonia sono gli Stati dove la percentuale dei senza lavoro è maggiormente elevata (19,3% e 19,7%). Oltre che in Spagna e in Lettonia, il tasso di disoccupazione è cresciuto più del 2,5% rispetto all’estate del 2008 anche in Irlanda, Estonia, Cipro e Lituania. Secondo le ultime stime di Bruxelles, il tasso di disoccupazione salirà ulteriormente l’anno prossimo nei 27 Stati membri, superando il 10%, soprattutto quando cesseranno alcune misure prese a livello nazionale per rilanciare i consumi. A contendersi i posti sono operai e impiegati messi sul lastrico dalla chiusura o dal ridimensionamento di migliaia di aziende, ma anche giovani freschi di studi. Fra il primo trimestre del 2008 e i primi tre mesi di quest’anno sono andati in fumo due milioni e mezzo di posti di lavoro, la maggior parte dei quali nell’industria manifatturiera e nelle costruzioni. Anche nell’agricoltura si è avuto un calo dell’occupazione, anche se non ai livelli dell’edilizia

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o dell’industria, mentre, in controtendenza, nei settori pubblici, soprattutto nella scuola e nella sanità, i posti di lavoro sono addirittura aumentati. Oltre a riguardare prevalentemente l’industria manifatturiera e le costruzioni, la crisi del mercato del lavoro europeo colpisce soprattutto gli uomini e i giovani di ambo i sessi. Il tasso di disoccupazione maschile a settembre di quest’anno è, infatti, salito nei 27 Stati al 9,3% (era 6,8% un anno fa) e

nell’area Euro al 9,6% (contro il 7,1% a settembre 2008). Quello femminile è, invece, complessivamente del 9% (con un incremento dell’1,5% rispetto a settembre dell’anno scorso) e del 9,8% nell’area Euro (+1,4%). Sono, però, le cifre riguardanti il tasso di disoccupazione giovanile a inquietare più di tutto governi e sindacati. Nei 27 Stati dell’Unione europea, la percentuale dei senza lavoro fra i minori di 25 anni è, infatti, pari al 20,2%. Ci sono, però, Paesi dove oltre un quarto dei giovani non riesce a trovare un posto: si tratta di Irlanda (27,6%), Ungheria (25,2%), Spagna (dove il tasso è schizzato al 41,7%), Lettonia (33,6%), Slovacchia (27%) e Svezia (26,2%). Si rischia dunque di avere un’intera generazione sacrificata sull’altare della recessione: “L’alto tasso di disoccupazione fra i giovani” scrive Eurofound, l’agenzia comunitaria per il miglioramento delle condizioni di vita e di lavoro “è oggi il più grave problema riguardante le politiche sociali e del lavoro in Europa”.

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gastronomia

Saltimbocca

Marisa Oliveira

CUCINA ITALIANA

por Candido Abreu

Saltimbocca Ingredientes Escalopinho de filé mignon - 180g Presunto di Parma - 20 g Folha de sálvia - 3 folhas Vinho Marsala - 150 ml Paglia e fieno (30 g) na manteiga

Foto: Fred Baiolini

Chef Candido Abreu

Foto: Fred Baiolini

Você conhece Candido Abreu, chef do La Forneria? Se não conhece, deveria. Cearense, é herdeiro das melhores tradições nordestinas de bem receber e servir. Da cozinha italiana aprendeu os segredos, ensinados por um severo e carrancudo professor. O resultado não é difícil de adivinhar: os pratos são gostosos, muito gostosos. E se você tiver a sorte de poder conversar com ele, vai adorar: muitas histórias, muito orgulho da profissão que escolheu, um pouquinho disso, mais um pouquinho daquilo; e os ouvidos atentos aprenderão as manhas que tornam a comida do chefe especial. Muito especial. E não se esqueça de pedir sobremesa de bananas flambadas ao rum ou morangos ao vinho do porto.

Coloca-se a sálvia e o presunto di Parma sobre o escalopinho de filé mignon e passa-se na manteiga; quando estiver passando, flamba-se o escalopinho com vinho Marsala e, em seguida, apura-se. Serve-se com paglia e fieno na manteiga. La Forneria

Cc e Cd: Todos Cr: Visa Vale

Rua Maria Quitéria, nº 136, Lagoa

Inauguração: 2001

Dica para o dia 31 de dezembro:

Tel: 2287-0035 / 2522-1159

manobrista no local

De 2ª a 5ª das 17h a 1h; 6ª das 17h ás 2h; Sáb. das 12h a 1h; Dom. e Feriados: das 12 a 1h.

Acesso para deficiente físico e banheiro adaptado

O La Forneria está de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas e o preço praticado será o do cardápio.

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www.laforneria.com.br

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t u r i s m o

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Renda de Filé – Pontal da Barra

a Foto: Divulgação/Semptur

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Foto: Divulgação/Semptur

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c Museu Pierre Chalita – Imagens sacras séc. 16, 17 e 18 e história da arte contemporânea

Muito sol, muita praia e piscina natural Marisa Oliveira

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Windsurf em Pajuçara

Foto: Divulgação/Semptur

Lagoa Mundaú – Arquivo SPU/AL

Foto: Felipe Medeiros

Tapioca

nordeste do Brasil foi descoberto há tempos, mas pode e deve ser redescoberto sempre. Não faz mal se já não se tem mais tantas praias selvagens e desertas. Elas continuam lindas, com seus coqueiros, suas piscinas naturais, com seu povo hospitaleiro. Assim é Maceió, a capital do estado de Alagoas: muito sol, muito mar de águas tépidas, colorido em tons azul-turquesa e verdeesmeralda, descomplicada para quem quer relaxar e curtir o verão - um descanso para os olhos. Duas programações são muito apreciadas em Maceió: visitar Pontal da Barra, o bairro das rendeiras, e o passeio às piscinas naturais. Em Pontal da Barra, bairro com jeito de cidade do interior, margeado pela Lagoa Mundaú, o turista encontra reunidos muitos traços característicos da cultura do alagoano. Na rua principal, a igreja, a praça, os moradores, os artesãos, contando histórias e tecendo o filé1. Nos bares e restaurantes, sururu, peixe agulhinha, camarão ou peixada são pratos da culinária regional. Em barraquinhas, cocadas de diversos sabores, suspiros, bolos e biscoitos de goma. Mas o que não se pode perder é o passeio das Nove Ilhas – fauna e flora de restinga e, sabendo escolher o horário de saída das escunas, é possível contemplar o pôr do sol na Lagoa Mundaú. Aos sábados, tem fandango 2 na praça Caio Porto, apresentado pelo único grupo de folclore local. Chega-se à piscina natural da Pajuçara por jangadas. Tem coisa mais típica do que navegar no litoral do nordeste em uma jangada conduzida por um pescador? Pois é... As águas são mornas e cristalinas e, embaixo d’água há um mundo rico e diverso de peixes e corais. Mas não se esqueça de consultar a tábua das marés: os passeios são possíveis apenas na maré baixa. E porque ninguém resiste ao chamado do mar e do sol, o litoral norte de Maceió convida para outros passeios – Guaxuma, Garça Torta, Mirante da Sereia, Riacho Doce e Ipioca. Pelo caminho, os ambulantes com seus doces

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Foto: Felipe Medeiros

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Piscina natural de caju, mangas, lagostins, peixes fresquinhos, bolo de milho, beiju e pé-demoleque. Faltou alguma coisa? Ah, sim... ver o entardecer na orla de Maceió combina com tapioca com queijo coalho e, naturalmente, com água de côco. www.turismo.maceio.al.gov Artesanato típico feito a partir da tela de redes de pesca.

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Festa popular em homenagem aos marujos, também chamada marujada. É composta por personagens vestidos de marinheiros que cantam e dançam ao som de instrumentos de corda. 2

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cultura

literatura

Marisa Oliveira

Os Ibejis e o carnaval

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s Ibejis e o carnaval é a história dos irmãos gêmeos Neinho e Lalá, que aprendem desde cedo, através das histórias da bisavó D. Zedia, o que é carnaval, origem e significados, e a importância que têm para o povo brasileiro. Assim como o Neinho e a Lalá, ibejis são gêmeos, divindades-crianças do mundo do candomblé, um orixá duplo que tem culto próprio, a quem a crença sugere sejam feitas obrigações, com iniciação dentro de ritual específico. E a partir dessa associação entre divindades e humanidades, a autora descortina para os leitores infantis o significado dos elementos de parte da cultura brasileira, com seus ritos e funções – afoxés, escolas de samba, certos blocos que desfilam no carnaval da Bahia. Os Ibejis e o carnaval, não só na temática escolhida, como também na apresentação das diferenças de personalidade entre os irmãos, serve

Os Ibejis e o carnaval Autor: Helena Theodoro Ilustrações: Luciana Justiniani Pallas Editora Páginas: 32 Preço: R$ 34,00

de ponto de reflexão sobre preconceito, intolerância, diversidade e inclusão, sempre precioso no que concerne à educação e à vida em sociedade. Para enriquecer a obra, um glossário sobre o significado de termos do universo carnavalesco.

Quem é Helena Theodoro? Helena Theodoro é professora do curso de Pós-Graduação em Figurino e Carnaval da UVA, doutora em filosofia. Há 20 anos faz parte da comissão julgadora do prêmio Estandarte de Ouro, do jornal O Globo.

1989: o ano que mudou o mundo

A verdadeira história da queda do Muro de Berlim

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989 é uma obra como poucas na medida em que reúne testemunho do autor, entrevistas de campo durante o acontecimento e pesquisa documental, além de ser praticamente contemporânea. Ler sobre a queda do Muro de Berlim, ocorrida há apenas 20 anos é como se estivéssemos tendo o privilégio de vivenciar pela segunda vez aquele momento histórico e a oportunidade de questionar os mitos construídos em torno do colapso comunista na Europa Oriental. Final dos anos oitenta, o Leste europeu fervilhava: Gorbatchov na União Soviética, Miklós Németh promovendo a abertura do regime político da Hungria, Leche Walesa e o Solida-

1989: o ano que mudou o mundo A verdadeira história da queda do Muro de Berlim Autor: Michael Meyer Editora: Zahar Páginas: 248 Preço: R$ 38,00

riedade na Polônia, a Revolução de Veludo em Praga. Além de todos esses acontecimentos, Meyer ainda foi o último jornalista a entrevistar Nicolae Ceaucescu, tendo presenciado sua execução por sua própria polícia secreta. No rol de tão importantes momentos, a queda do Muro de Berlim foi talvez o mais memorável. As contradições do Politburo alemão que ajudaram a derrubar o muro e a pôr no chão a Guerra Fria e a promover a ascensão do capitalismo, liderado pelos Estados Unidos. Por seu autor, 1989 propõe uma nova interpretação dos acontecimentos com o objetivo de libertar a história oficial.

Quem é Michael Meyer? Em 1989 era chefe da Newsweek na Alemanha e Europa Oriental, cargo que desempenhou até 1992. Trabalhou no corpo diplomático da ONU em Kosovo, chefiando a Organização de Segurança e Cooperação na Europa (1999-2001) e é o atual porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

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Outubro/Novembro 09


à s

Marisa Oliveira

Editora Arara Azul: aceitação das diversidades humanas. Um dos objetivos da Editora Arara Azul é produzir materiais e ofertar serviços, tendo como públicoalvo pessoas surdas e profissionais que atuam na área de surdez. E com esse objetivo, a editora disponibiliza para esse segmento do mercado não apenas produtos específicos, mas inclusão social.

Solidariedade nas nascentes do Rio Doce Comércio justo, inclusão e geração de emprego e renda, ainda bem que a idéia pegou. 25 pequenos municípios de uma microrregião da zona da mata mineira,

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através do apoio do Instituto Xopotó, buscam o desenvolvimento local e regional, a qualificação profissional e o empreendedorismo social, e a proteção e a recuperação ambiental. Baú Kit Quitutes Mineiros Baú de palha (15x10 alturax10 largura) com os seguintes itens: 1 garrafa de cachaça (50ml); 1 pote de geleinha de ameixa (40ml) ; 1pct de rosquinha de nata (100g) ou de doce de leite (100g).

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Cultive essa idéia!

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Confeccionadas em crepe, pintadas à mão em técnica de aquarela, as cangas do Ateliê Mia Rosa são leves, coloridas e bonitas. Onde encontrar: Ateliê Mia Rosa – Tel.: (21) 9103-6256 http://miarosa.elo7.com.br Preço: R$ 39,00 (cada)

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Economia solidária e sustentabilidade Panelas de vários tamanhos, formatos e figuras zoomorfas, produzidas pelo povo indígena Waurá*. *Nas palavras de Orlando Villas Bôas: os Waurá são grandes ceramistas, conhecidos pelas grandes panelas de até 2m de diâmetro, chamadas de Kamalupe. No Xingu somente os Waurá e Yudjá dominam o uso do barro na confecção de panelas de vários tamanhos, formatos e figuras zoomorfas. Depois de modelada e cozida em um buraco previamente aquecido, a panela é debruçada e no seu fundo externo, todo esbranquecido de tabatinga, com capricho, é decorada em vermelho e preto (urucum e jenipapo), com desenhos simétricos, traços firmes e à mão livre.

Onde encontrar: Ponto Solidário - Av. 9 de Julho, no 3, São Paulo, SP Tel.: (11) 2132-7459 – www.pontosolidario.org.br

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Panela de onça Preço: De R$ 20,00 a R$ 200,00, conforme o tamanho.

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e n c a r t e f a s c i c o l o

Encarte especial Forum 89-90 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLII

Símbolos utilizados  Informação histórica

 Expressão - locução  “Falsos amigos” ou falsas analogias  Ao fim do parágrafo, há uma janela

com informações fora do texto 

Gírias ou expressões fixas

Anglicismos e neologismos

 Dialetos

Dal libro “Stop movie” di Cristina Zanetti

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untuali, i camion parcheggiarono nello stretto vicolo laterale. Gli sportelli posteriori si aprirono e in fila indiana scesero attrezzature foniche, impianti luce supplementari, proiettori aggiuntivi, cavi elettrici e guaine1, mixer, monitor, computer e altoparlanti in quantità che una squadra di tecnici trasportò e montò sotto la supervisione di Debora. Giunse anche il furgone del Vivaio comunale con vasi di fiori e piante verdi, seguito a ruota2 dalla ditta che ci forniva sedie e tavolini, piastre3 e fornetti elettrici, macchine del caffè e pozzetti di varia capienza4 per allestire5 lo spazio bar. Arrivarono derrate6 alimentari, casse di bevande e gli scatoloni della Libreria delle Donne con i libri da sistemare sugli appositi espositori. Contemporaneamente transitarono una dozzina di quadri di grandi dimensioni scortati dalle rispettive, trafelate7 pittrici che, incuranti8 di bloccare il traffico già intenso, cominciarono a disporli sui pannelli autoreggenti, agganciando catenelle e posizionando faretti sotto la sorveglianza di Luki, la nostra responsabile delle installazioni. A lei spettava il compito di tenerle d’occhio e soprattutto l’ultima parola quando fosse giunto il momento di dire che, finalmente, erano perfetti così, che smettessero di spostarli in continuazione alla ricerca della luce migliore. Insieme a tutta quella gente entrammo anche noi nella hall. Il direttore della Multisala si rinchiuse nel suo ufficio sotto le scale, rassegnato per esperienza al parossistico andirivieni9 di tecnici, elettricisti e volontarie che sembravano non avere altro scopo che quello di aggirarsi a casaccio10 con ogni sorta di utensile in mano. La cittadella autarchica di Immaginaria cominciava a prendere forma, ma nel pomeriggio la baraonda11 regnava ancora sovrana e il grande cantiere formicolante12 sussultava in tutte le direzioni consentite dagli ampi locali a nostra disposizione. Marina si era asserragliata13 insieme alle sue dirette collaboratrici nel quartiere generale, la segreteria del Festival, e con un cellulare per orecchio teneva sotto controllo mezza città, rilasciando accrediti14 alle giornaliste, alle conferenziere, alle delegate internazionali, alle rappresentanti delle istituzioni cittadine e minacciando la tipografia che non avremmo pagato i cataloghi se non ce li avessero consegnati nel giro di un’ora. Poi a un tratto la confusione finì e le ditte si ritirarono lasciandoci padrone del campo. Fuori si era già formata la fila e Marina inviò le maschere15 a controllare l’entrata. Mi unii a loro per vedere come se la stavano cavando16 le cassiere Forti di anni di gavetta17 , resistevano all’attacco della folla, fornendo amabili spiegazioni finché fu il turno di una coppia che si parò davanti a Clara. Il ragazzo si sporse sul bancone. 1 Le guaine sono protezioni, custodie o foderi di gomma o altro materiale per cavi, armi da taglio, ecc. 2 Subito dopo, nel giro di poco tempo. 3 Le piastre sono lamine spesse di metallo. In cucina sono elettriche. 4 La capienza è la capacità di contenere qualcosa. 5 Preparare, mettere a punto, approntare. Si usa molto nel campo dell’arte, quando di dice “allestire una mostra”. 6 In senso generale significa ‘merce’; qui si intende come prodotti alimentari per l’evento. 7 Affannate, senza fiato, ossia “ofegantes”.

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X L I I

Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana a cura di Cristiana Cocco

- Due biglietti, per favore. - Mi dispiace, il Festival è riservato alle donne. Ne posso staccare uno per lei. - Uno per lei? Stai scherzando? - No. - Clara sgranò gli occhi verdi. - Gli uomini non possono entrare? -No. - Non ci sono uomini là dentro? -No. Il ragazzo si guardò intorno e si accorse che era circondato esclusivamente da donne. Si avvicinò all’orecchio di Clara e confidenzialmente le rivolse la domanda di rito. - Sei sicura? - Sicurissima. - E perché? - Il Festival è organizzato da un’associazione lesbica femminista ed è riservato alle tesserate. - Io sono femminista, fammi la tessera. - Forse non mi sono spiegata. - Clara guardò le donne che cominciavano a sbuffare. - Questa manifestazione è riservata alle tesserate dell’associazione Visibilia e a tutte le donne interessate alle tematiche del Festival. - A me interessano. - Dubito. Forse alla tua ragazza sì. - Cosa ti avevo detto Franca, - il ragazzo si rivolse alla fidanzata - sono un branco di lesbiche del cazzo18. Clara alzò gli occhi al cielo: - Se lo sapevi già perché sei venuto? Speravi di vedere dei film porno? Ora per favore lasciami lavorare, stai bloccando la fila. - Io non mi muovo di qui. - Il ragazzo piantò i gomiti sul bancone. - Chiamate la coordinatrice - disse Clara portandosi la mano alla bocca per nascondere uno sbadiglio. Era stato invocato l’autorevole intervento della nave ammiraglia19  e non mi immischiai. Sapevo che per risolvere la faccenda sarebbero bastate alcune delle sillabe in ordine sparso che avrebbe pronunciato. Marina, altamente professionale con il badge appuntato sulla giacca, si affacciò alla reception. A vederla non avrei detto che mi aveva lasciato, o che stava meditando di farlo. - Posso esservi utile? - Non era una voce ma un canto. Il giovane, stupito di trovarsi di fronte una signora di belle maniere, tentennò. - La cassiera dice che gli uomini non possono entrare. - Qual è il problema? 8 Incurante si dice di una persona che non si preoccupa di una cosa che la riguarda, ossia “despreocupada”. 9 L’andare e venire continuo, anche detto viavai, ossia “vai-e-vem” 10 Senza ordine, in modo casuale. 11 La confusione. 12 Pieno di persone in movimento, come se fossero formiche. 13 Asserragliarsi significa barricarsi in un luogo chiuso, al riparo, per proteggersi, ossia “refugiar-se”. 14 In portoghese “credenciais”.

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cristina zanetti - Non potete farlo. - Possiamo farlo benissimo - rispose Marina dall’alto della sua indeclinabile tranquillità. - Io chiamo la polizia. - Lascia che ti spieghi. - Marina lo prese sottobraccio e lo condusse fuori. Queste donne desiderano ritrovarsi una volta l’anno per vedere film realizzati da registe in cui non compaiono serial killer schizofreniche, eroinomani depravate, perverse alcolizzate, ninfomani dedite alla prostituzione e masochiste depresse a un passo dal suicidio. Questo è il loro cinema e il Festival è il loro atto di libertà. Ti senti discriminato? Loro si sentono così ogni giorno. - Prima che il ragazzo potesse controbattere Marina aggiunse: - Mi hanno riferito male o hai detto delle parolacce davanti alle signore qui presenti? Franca, che si sarebbe detta muta fino a prova contraria, si intromise nella conversazione. - Ha detto lesbiche del cazzo. - È soltanto un modo di dire - si difese lui. - Che conferma la regola, come ti stavo appunto spiegando. Non pensi che abbiamo diritto di starcene in pace? Gli uomini controllano il pianeta, perché non ti rilassi? - Voi ce l’avete con i maschi. Marina si trattenne. - Noi non ce l’abbiamo con nessuno, ma se fossero tutti come te, beh, allora, potrebbe diventare un problema. - Io chiamo la polizia. - Il giovane si era inceppato. - Tu per me puoi chiamare la marina, no, la Marina sono io, l’aviazione, le guardie forestali, i vigili del fuoco, le unità cinofile, noi non ci muoviamo di qui. - Arturo perché ti sei intestardito, lascia perdere - disse la ragazza. - Mi ha dato del guardone. - L’unico a pronunciare questa parola sei tu e me la dice lunga. - Questa Franca non era male quando apriva bocca. - Fai come vuoi, io vado al cinema. - Franca, se entri là dentro tra noi due è finita! -. Arturo la fulminò con lo sguardo. - Ti sbagli, tra noi due è finita un quarto d’ora fa, mentre rompevi i coglioni alla cassiera. - Beh, proprio i coglioni ... - Marina si finse scandalizzata. 15 In locali di spettacolo sono coloro che controllano i biglietti e, eventualmente, accompagnano le persone ai loro posti. 16 Il verbo ‘cavarsela’ corrisponde al portoghese “virar-se”. 17 La parola ‘gavetta’ significa il recipiente metallico in cui, specialmente un tempo, i soldati mangiavano il rancio. Ma l’espressione ‘dopo anni di gavetta’ significa ‘dopo anni di esperienza’. 18 Questa è una delle tante espressioni volgari con la parola cazzo, ossia membro virile. Del cazzo significa ‘che non ha valore’. 19 E cioè della persona che si trovava alla guida dell’evento. Nave ammiraglia ossia “navio almirante”.

 Informazione sul testo

E

’ interessante notare come la scrittrice abbia usato termini militari per rappresentare all’immaginario del lettore il clima in cui stavano lavorando per preparare il Festival Immaginaria. La nave ammiraglia, il confino, il quartier generale, ci fanno capire come doveva essere difficile organizzare un evento di questo tipo, quindi l’uso di termini legati all’esercito rendono l’idea del bisogno di un’organizzazione quasi militare per poter far sì che l’evento funzionasse a puntino. L’uso di termini militari fa parte tanto della nostra lingua letteraria quanto di quella parlata. Si usano continuamente espressioni come “stare agli ordini” di qualcuno, “venire dalla gavetta”, che in termini militari riguarda un ufficiale che non ha frequentato l’accademia ma ha percorso i vari gradi della carriera militare cominciando dai più bassi,

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- Questa me la paghi! - Arturo alzò il pugno. Franca sparì in mezzo alla calca. Lo sciagurato girò sui tacchi e si allontanò con il bavero20 del cappotto tirato sulle orecchie. Sarebbe tornato con i suoi compari a cospargere di benzina l’intero quartiere, il portico, il cinematografo e saremmo morte tutte quante nell’apocalittico rogo della sua imberbe21 arroganza? Ne sapevamo qualcosa. In genere arrivavano a squadre, mostri violenti stirati e lavati da mamma. Marina rientrò come se niente fosse, ma invece di dirigersi al quartier generale22  si bloccò all’altezza del bar dove era in corso una discussione. - Problemi? - Tu di cosa t’impicci23? - risposero all’unisono la cinquantenne dall’aria dotta e la sbarbatella24 con gli anelli al naso. - Sono la coordinatrice del Festival. - Ah, va beh. Stavamo dicendo alla barista che siete esose25. - Nei bar della zona spendereste di più -. Marina salutò al volo una simultaneista26 diretta alla sua postazione ma non perse il filo. - Anche le entrate del bar contribuiscono a finanziare la manifestazione. - Lucrate su tutto, eh? - disse la ragazza degli anelli. Mentre Marina si apprestava a replicare con tono meno conciliante, Giuditta si presentò al bancone con lo scontrino in mano. - Guarda chi si vede! - esclamò l’anelluta. - Cosa ci fai qui? - Do una mano. - E non ti offrono neppure da mangiare? - Siamo quaranta volontarie. Hai presente se ognuna di noi non pagasse le consumazioni? Sarebbe lavoro sprecato. E poi, sinceramente, sarebbe carino che smetteste di lamentarvi per ogni cosa. La coordinatrice, col busto avvitato in direzione del quartier generale, lasciò a Giuditta l’ingrato compito di spiegare le astruse27 regole del volontariato alle due scontrose28 frequentatrici, mentre l’altoparlante annunciava la cerimonia inaugurale. Nonostante le preoccupazioni e l’adrenalina che ci scorrazzava29 nelle vene, tutto filò liscio30 e alla fine della serata attendemmo e, dopo avere atteso inutilmente, ordinammo alle ritardatarie di uscire dalla hall, ritirammo le casse, chiudemmo a chiave la segreteria e abbassammo le saracinesche. Ed eccomi di fronte alla novità. Marina rientrò a casa sua scortata dalla fida Lara, l’amministratrice, e dall’elettronica Debora, e io mi diressi per la prima volta nella storia del Festival a casa mia, dove non ebbi il tempo di lasciarmi andare in santa pace alla disperazione più nera. Le mie ospiti, una regista Parte di un cappotto, di una giacca o di un mantello che sta intorno al collo ossia “gola”. Senza barba e cioè immaturo, inesperto. 22 In portoghese “quartel-general”. 23 Impicciarsi significa intromettersi. 24 Di solito usato al maschile, significa un(a) ragazzo(a) pretenzioso(a) che cerca di comportarsi come un adulto, fingendo un’esperienza che non possiede. 20 21

ma che nella lingua comune si usa parlando di una persona che, per raggiungere una posizione lavorativa di rilievo, è partita dalle mansioni più semplici, e così via. Per chi volesse cimentarsi su di una lettura un po’ difficile, ma molto interessante, vi rimando al link qui sotto, dove potete leggere un testo scritto tra il 1791 e il 1794 da Francesco Algarotti, filosofo, saggista e collezionista d’arte (http://it.wikipedia.org/ wiki/Francesco_Algarotti), in cui difendeva l’italianità dei termini militari contro chi li riteneva dei germanismi o francesismi. Buona lettura (con un buon dizionario, s’intende...)

Encarte especial Forum 89-90 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLII

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http://it.wikisource.org/wiki/Sopra_la_ricchezza_della_lingua_italiana_ne%27_termini_militari

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Encarte especial Forum 89-90 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo XLII

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canadese e due reporter parigine venute per filmare la manifestazione, mi aspettavano per un brindisi. Partecipai al rito che mi stese31 definitivamente e raggiunsi il letto senza ulteriori considerazioni. A casa di Marina, in mezzo ai sacchi a pelo32 e agli zaini delle volontarie accampate in tutti gli angoli agibili, la più impegnata doveva essere Lara, che non sarebbe andata a dormire prima di avere registrato gli incassi della giornata e predisposto i fondo cassa per il giorno successivo, mentre in cucina fervevano i preparativi dei classici spaghetti aglio olio e peperoncino delle tre di notte. Dal confino33  in cui ero segregata non mi era difficile immaginare lo scambio delle prime impressioni a caldo e mi addolorava non potervi partecipare con le mie. Nei giorni successivi io, Debora ed Elena, le programmatrici più anziane, ci alternammo alla presentazione dei film nelle due sale di proiezione, raccontammo aneddoti34 relativi alle difficoltà di reperire i film, e svelammo, per suscitare qualche risata, i più sapidi35 retroscena dei lunghi mesi di preparazione. Il sabato il pubblico raddoppiò e il quartier generale mise in campo tutte le risorse umane. Ogni volontaria si prodigava generosamente, nella consapevolezza che a mezzanotte, al termine dell’ultima proiezione, avrebbe 25 L’aggettivo esoso significa avaro, avido, e che quindi applicano dei prezzi esosi, ossia, in portoghese, “escorchantes”. 26 Ossia interprete simultanea. 27 Che sono difficili da capire perché troppo complicate, astratte. 28 Poco socievoli, prive di cordialità. 29 Scorrazzare significa spostarsi continuamente da un posto all’altro. Si usa molto quando si parla di bambini, che corrono divertendosi in lungo e in largo. Qui, in senso metaforico, è l’adrenalina che fa questo movimento. 30 Filare liscio, ossia andare come previsto. 31 In termini pugilistici si dice ‘stendere l’avversario’, ossia abbatterlo, metterlo a terra. In portoghese si direbbe “acabou comigo”. 32 In portoghese “sacos de dormir”.

dovuto affrontare la prova più dura, la grande festa in discoteca, dove una marea di donne ben superiore a quella che assiepava36 la Multisala era già in attesa. E fu sabato. E fu domenica, con la premiazione dei film vincitori, gli addii tra i troller37 e gli zaini e le congratulazioni per la buona riuscita della manifestazione. All’anno prossimo, dicevano le donne. All’anno prossimo, rispondevamo con le lacrime agli occhi, sfatte38 dalla fatica. Immaginaria si consumò in un soffio. Che fine avevo fatto? Dovevo scoprirlo. Sei una programmatrice, ripetevo, hai selezionato fiction39, documentari e sperimentali, li hai fatti venire da tutto il mondo. Puoi essere fiera di te. Ricordi le riunioni fiume40? Le discussioni all’ultimo sangue per salvare un film o scartarne un altro? Le trattative con le case di distribuzione per strappare l’ultimo centesimo? Tu sei il Festival, sei questa passione. Il tuo essere ruota intorno a questa impresa dal 1993. Sei sempre tu, nessuno te lo può togliere, nessuno può toglierti te stessa. E così era andata. L’ottava edizione era già storia ed era probabile che ne avessi fatto parte. Marina fece i bagagli e lasciò la città. Io, programmatrice di Immaginaria, ero stata piantata e tutta la mia scienza non me l’avrebbe restituita. 33 Il confino era un provvedimento di polizia, ora abolito, che costringeva ad abitare per un tempo determinato in un luogo diverso dal comune di residenza, e la parola si riferiva anche al luogo stesso in cui si era destinati a vivere. Usato specialmente durante la II Guerra Mondiale contro molti intellettuali italiani, come Primo Levi, che ha poi raccontato la sua esperienza di vita al confino nel suo libro “Cristo si è fermato ad Eboli”. 34 Brevi racconti in forma arguta e piacevoli, ossia “anedotas”. 35 Arguti, spiritosi, divertenti. 36 Assiepare (o assieparsi) significa affollare, gremire, ossia riempire di persone. 37 Piccole valigie con le ruote. 38 Ossia “distrutte” dalla fatica. 39 Ossia “filmes de ficção”. 40 Espressione che indica una riunione che può durare varie ore o giorni.

Intervista a Cristina Zanetti

di Andrea Lanzi

La fine può essere un nuovo inizio. La morte della madre, incipit del romanzo, separa con un segno netto il tempo del prima e del dopo. E’ finito il lungo, faticoso, claustrofobico percorso familiare e può finalmente iniziare la nuova vita della protagonista. Destinazione? Ignota. Non importa la meta, quello che conta è il viaggio. Questo si rivela ben presto una corsa a ostacoli, dove vincere significa sopravvivere e, soprattutto, riuscire a fermare il film che la memoria continua a girare, scena dopo scena. Una scrittura serrata, ironica, e talvolta comica, attraversa eventi di portata drammatica. Cristina, il libro mi sembra tutto incentrato sul rapporto con una madre oppressiva, la scoperta e l’accettazione del tuo lesbismo e la militanza vissuta insieme a Marina. Un romanzo, quindi, autobiografico. Il motivo per scrivere - o uno dei motivi importanti - è stato quello di conoscere meglio te stessa, una sorta di psicanalisi in pubblico? Per cominciare ad articolare una risposta, voglio riportare un breve estratto da una recensione di “Stop Movie” a firma di Rosanna Fiocchetto, intellettuale, critica letteraria, scrittrice e militante. Dice: “Stop Movie è una tessera contemporanea di una narrazione di sé culturale e sociale che, a lungo sommersa, è storicamente affiorata in modo discontinuo e in diversi paesi, con una tradizione asistematica, strettamente dipendente dai livelli di lesbofobia e dal coraggio individuale indispensabile a sfidarli. Un coraggio talvolta motivato dalla disperazione, o dal desiderio di rivoluzione, di riscatto e di cambiamento; oppure dall’esigenza minimale di fondere arte e autenticità, o piuttosto di non far colludere arte e menzogna. Nel caso di Stop Movie la motivazione appare soprattutto terapeutica e salvifica: la scrittura viene usata come strumento per elaborare e metabolizzare esperienze soggettivamente indigeribili, allo scopo di oggettivarle con la speranza, etica ed estetica insieme, di farne materiale da costruzione per un futuro aperto”. In altre parole, sembra che il romanzo sia riconducibile, e non c’è ragione di dubitarne, nell’alveo di una tradizione letteraria militante di outing, che vuol dire “venire fuori, dichiarazione di sé”, operazione non richiesta alle persone eterosessuali. Non ci si deve dimenticare il contesto patriarcale nel quale viviamo: bambine, bambini, donne, uomini, transgender,  intersex e qualsiasi altra forma

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di vita, foreste, mari, ionosfera e stratosfera, cani, gatti, sottosuolo, minerali, scantinati, ci siamo capiti. Il patriarcato stupratore capitalista globalizzato legifera sulla normalità e sull’anormalità, stabilisce come e dove intervenire, dove lasciar perdere, riduce in povertà e distrugge i popoli, violenta l’habitat, depreda le sue risorse, sacrifica l’intero cosmo alla sua portata. Cosa sto cercando di dire? Che qualsiasi atto, anche individuale, infranga gli schemi è eccentrico, è scomodo. Questo romanzo è un atto di militanza nella misura in cui tenta un’operazione di svelamento dell’omertà e del suo linguaggio, che è il silenzio. Ho fatto un comizio. Per fortuna, alla fine, ho scoperto che scrivere romanzi mi è più congeniale. Rompere il silenzio pubblico e privato, secondo il famoso detto “il re è nudo”, un’ottima metafora per indicare situazioni in cui una maggioranza di osservatori sceglie di non nominare un fatto noto a tutti, fingendo di non vederlo. Facciamo un esempio: papà e mamma sono buoni perché sono papà e mamma. Svolgimento: siamo sicuri? Stai a vedere che invece, su larga scala, migliaia di individui sono stati condizionati, ritardati, abusati, neutralizzati, ridotti a niente. Mi sembra grave. E dunque cosa c’è di personale se, partendo dal proprio ombelico, tramite la scrittura si giunge a condividere un’esperienza collettiva? Non recupereremo il tempo perduto, ma avremo dato un nome alle cose,  forse anche alle persone, è una questione di giustizia. Cosa c’è di personale in temi quali la malattia mentale, l’educazione, la libertà individuale, l’oppressione, la discriminazione? Mi sembrano questioni universali. E se tante lettrici e tanti lettori non hanno vissuto infanzie e adolescenze dolorose (continua alla pagina 27)

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potranno pur sempre entrare in sintonia con noi e convincersi che amare la libertà delle figlie e dei figli è l’unico modo per amarli. Amare la libertà degli altri, potrebbe addirittura essere un programma politico. Sinceramente, invece, non vedo traccia nel romanzo di quel faticoso processo di accettazione del lesbismo che menzioni. La nostra azione politica non è mai partita da una posizione così debole e lacrimevole. Certo, la cultura, la società, non sono ancora confortevoli, ma questa è materia di lotta. Siamo molto forti. E sai perché una delle figure centrali del romanzo è Marina? Perché, da  grandiosa militante qual’è stata, ci ha insegnato a lottare con forza, a combattere le nostre paure: sono il primo ostacolo da abbattere. Anche nella scrittura. Abbiamo la stessa età, abbiamo frequentato lo stesso liceo; nel leggere il libro mi sono ritrovato agli inizi degli anni 70, ma mi sono accorto che mancava il contesto, mancava la nostra generazione. Il libro alla fine non parla di “un noi”, ma soltanto di “un io”. Claustrofobico anche se pieno di luce. Concordi? La risposta è semplice. Non rientrava negli obiettivi del romanzo raccontare i moti studenteschi di quegli anni, né nazionali né internazionali, poiché le esperienze centrali della nostra eroina non si svolgono all’interno di quella cornice, non è in quel momento storico che si fa carico dell’impegno politico e non è allora che avviene la sua vera formazione. Il suo tempo mitico non coincide né con il periodo scolastico né con i grandi fatti che vi ruotavano intorno.Tu all’epoca eri già un leader, un agitatore sociale, ed è comprensibile che, dal tuo punto di vista, avverta un’imperdonabile omissione. “Stop Movie” però parla d’altro, si muove sullo sfondo di una geografia psicologica, perlomeno fino a quando non affronta il tema della militanza che la protagonista conoscerà più tardi, e che la vedrà impegnata in prima persona dagli inizi  degli anni Novanta fino ad oggi nel movimento lesbico separatista italiano, una costola staccata dal movimento femminista, cui sono dedicate alcune scene senza pretese di ricostruzione storica, anch’esse ostinatamente “girate” da un angolo di ripresa soggettivo. E’ questo il “noi” del romanzo, il suo sistema solare, l’ordito del suo tessuto. “Stop Movie” non è un romanzo storico né in senso lato né in senso stretto, mancando addirittura le coordinate del contesto politico più prossimo, all’interno del quale si inscrive la stessa azione della protagonista e del suo gruppo. Imboccare quella strada avrebbe significato scrivere un altro romanzo, non quello di cui stiamo parlando. Tuttavia “Stop Movie”, pur non essendo un romanzo storico, è senz’altro un romanzo politico, poiché testimonia di una comunità cui funge da specchio e amplificazione, e perché non nasconde l’intenzione di raggiungere anche un esterno (pubblico) più vasto e porselo al fianco. L’impalcatura di un’opera è costituita da una serie di scelte di campo, di libere decisioni in merito ai territori da esplorare e privilegiare. Il plot, “l’intreccio” di Stop Movie si snoda all’interno di una membrana cerebrale che interagisce a suo modo con la realtà circostante, a volte tagliandola fuori, a volte slittando tra passato e presente. Se l’hai avvertito come claustrofobico, nulla in contrario, l’io narrante non pretende di spacciarsi per quello che non è, anzi spesso ironizza apertamente sui propri stati febbrili. Il titolo stesso contiene un’esortazione: ferma il film, impara a vivere il presente. Per concludere, lo sfondo del liceo richiamato in alcuni passaggi del romanzo

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serviva soltanto a recuperare un’esperienza comune e un dialogo con la sorella della protagonista, Gioia, una delle figure principali, quasi un alter ego tramite il quale vengono ricordati episodi e introdotte nuove riflessioni e considerazioni. Si arriva all’ultima pagina e il libro finisce dando l’impressione di essere rimasto a metà, di non essere concluso. Stai pensando a un altro libro? Parlaci un po’ di te oggi e dei tuoi progetti. Credo invece che il senso principale del romanzo, anche se vi sono diversi filoni, sia concluso. Capisco la curiosità nei confronti dei personaggi e della loro sorte, in parole povere il bisogno di sapere come va a finire. A parte il fatto che la nostra eroina, a un passo dal suicidio, intraprende un temerario programma seduttivo nei confronti di una nuova comparsa, sebbene con alcune ipoteche e perplessità. La vediamo già inseguire un’ipotesi con una certa spavalderia, ma chi può dire se andrà meglio o se andrà peggio? Ciò che mi interessava sottolineare, piuttosto, era che, nonostante gli svantaggi di una falsa partenza, l’essere cresciute/i in habitat familiari patologici, oppressivi, mediocri, in sintesi castranti, e nonostante le abituali batoste della vita, può succedere a un certo punto, quando ormai l’hai messa persa, di ricominciare una nuova avventura fatta di amori, di ideali e di lotte, ma, ovviamente, con tutte le incognite del caso, porti sicuri non ce n’è, soluzioni definitive nemmeno. Già il fatto di non essere rimasta schiacciata sotto il peso delle contraddizioni di un passato più o meno remoto fa sperare in un futuro, per quanto imprevedibile. Non è quindi che il romanzo non sia finito, semplicemente il finale aperto rispecchia l’imponderabile corso di ogni singola esistenza. Molto spesso, questi itinerari si rivelano vere e proprie gare a ostacoli, lotte per la sopravvivenza,  che la suddivisione in tre parti del romanzo trasforma in altrettanti luoghi simbolici: la Palude, la Foce, l’Onda. Ammettiamo che si riesca a venire fuori, magari con un bel po’ di graffi e lividi, dalla Palude, si arrivi in vista di una Foce qualsiasi, una gran bella fortuna, e si aspetti la prima Onda che passa di lì per farci traghettare in un’altra dimensione. Adesso dipende dall’irruenza e dalla quantità d’acqua che ci solleva  se rimarremo a galla, se prenderemo il largo o se annegheremo, se saremo rigettati all’indietro e malamente ricondotti là dove speravamo di non dovere tornare mai più, o se invece approderemo nella calma placida di un sogno realizzato. Mi piace pensare che potrebbe anche andare così. Per onestà intellettuale, però, non mi sono lasciata andare alla frivolezza di un lieto fine. Secondariamente è anche vero il fatto che, per evitare di uscire con un’opera prima di seicento pagine, la prosecuzione della storia intesa come trama o sequenza di eventi successivi è affidata a un secondo romanzo, la cui stesura è in corso. Ripeto, comunque, che, filosoficamente parlando, “Stop Movie” è finito. Mi chiedi dei progetti. Uno, individuale, l’ho appena citato: scrivere il secondo romanzo. L’altro, collettivo: riportare alla ribalta, fra mille difficoltà, “Immaginaria” (per la storia e gli scopi del progetto rimando al sito www.immaginaria.org), il Festival di cui si narra nell’estratto del romanzo proposto in queste pagine, mai più celebrato dopo il 2005, anno in cui si svolse la dodicesima e ultima edizione. La mancanza di sostegno politico e di finanziamenti adeguati, fatto salvo il lavoro volontario profuso dalle donne dello staff, e altri complessi motivi, rischiano di privare per sempre l’Italia di uno degli appuntamenti culturali più autorevoli rivolti alle donne e di risonanza internazionale

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Prosador e poeta, sempre a contar uma boa história Angolano de Luanda, Ondjaki é escritor. Jovem, nasceu em 1977, já tem várias obras publicadas e prêmios na bagagem. Sociólogo por formação, já viveu em Portugal e nos Estados Unidos. Ondjaki é um contador de histórias, eu diria, de nascença – vem de um lugar onde todo cidadão tem muitas histórias para contar, histórias reais, sobrenaturais, invencionices. Mas além de escritor, Ondjaki sonha sonhos bonitos, reconstrói Angola, sua gente, o futuro. Morando há um ano e meio no Rio de Janeiro, considera as pessoas sua maior riqueza, sem ignorar a beleza natural da cidade. E é tricolor de coração! (A conversa com Ondjaki se deu por e-mail; em função disso, foram mantidas as diferenças existentes entre a língua portuguesa do Brasil e a de Angola.)

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FD - Ndalu de Almeida por nascimento. Ondjaki por escolha própria. Que simbolismo existe na escolha de uma nova identidade? Ndalu e Ondjaki: convivem em harmonia ou algum deles é preponderante? Ondjaki - Acabou por ser natural, a escolha deu nome para o escritor. Eu era para me ter chamado Ondjaki, depois os meus pais mudaram de ideia antes de eu nascer. E quando comecei a pintar e a escrever adoptei esse nome, que, no fundo, era para ter sido o meu. Foi natural. Não é um “outro”, é o mesmo. Sou os dois. E sim, convivem em harmonia. É comum entre os escritores angolanos, usarem um pseudónimo. FD - Ser contador de histórias da palavra escrita e impressa em um país em que a oralidade é tradição. A palavra falada é marca na sua escrita? Ondkaki - Não, não sempre. Escrevi mais de dez livros, entre prosa, poesia e livros infantis. Eles têm linguagens diferentes, depende muito do projecto. Às vezes trago essa “palavra falada” para a escrita, mas só se faz sentido. Tenho projectos que se afastam bastante desse registro, por exemplo, o livro O assobiador, onde a linguagem é mais delicada e cuidada. FD - Essa apropriação se dá naturalmente durante o fazer literário ou já assumiu o status de técnica? Ondjaki - Como lhe digo, tem a ver com o projecto. Depende se é conto se é poesia, e daquilo que o conto vai tratar. São as ideias que depois vão definindo o tipo de escrita, e não o inverso. FD - O sr. é poeta e prosador. Essa coexistência é pacífica? Em qual delas – prosa, poesia - o sr. mais se realiza (ou se identifica?) Ondjaki - Eu sou mais um contador de estórias, não acredito ainda muito na minha poesia. Mas escrevo bastante poesia, guardo-a, revejo, repenso, refaço. Há anos que é isso que venho fazendo e por isso tenho mais prosa publicada que poesia. Porque estamos sempre a aprender e a rever o nosso eu que escreve. É um caminho, e só no futuro saberemos por que caminhos passamos e para chegar aonde.... FD - O sr. é de uma geração de angolanos que, tendo a língua portuguesa como idioma oficial, foi aluno de professores cubanos e conviveu com russos, além, é claro, dos tantos dialetos do país. Para o sr., indivíduo e escritor, a língua portuguesa reina absoluta? Ondjaki - Sim, é a minha língua materna e a principal geradora dos meus pensamentos e so-

nhos, embora eu goste muito da língua inglesa e também da espanhola. Eu cresci em Luanda, que é também uma zona de influência kimbundu, mas sempre cresci em ambientes de rua e escolares onde a língua portuguesa é o factor predominante. Portanto o contacto que tenho com o kimbundu ou mesmo o umbundu, é muito buscado, pesquisado, lido. Não é de saber falar ou de o compreender. E tenho pena disso, gostaria muito que me tivessem ensinado kimbundu na escola. FD - Os angolanos incorporaram os falares russos e cubanos? Como era essa convivência de muitos falares? Ondjaki - Não, “os angolanos” de um modo geral não incorporaram essas linguagens. Só que para as crianças era engraçado ter professores cubanos a falar espanhol durante as aulas. E nós gostávamos de perguntar e de saber um pouco de espanhol, mas não é algo que ficou assim presente na vida dos angolanos. Esses linguajares, digamos assim, eu deixo penetrar e recrio nas minhas ficções literárias, mas não é algo generalizado. FD - Atualmente, há, entre muitos, chineses em quantidade em Luanda... Ondjaki - Sim, eu tenho estado ausente de Angola nestes últimos dois anos, mas nota-se a grande presença de trabalhadores e executivos chineses. Há chineses já que vivem nos nossos musseques (bairros periféricos de Luanda) e fazem até alguns negócios que anteriormente só as populações locais faziam. Muitos chineses já falam português e kimbundu. Já se casaram e tiveram filhos com angolanas, isso é natural, é o curso “natural” da globalização e da modernidade africana. FD - O sr. assina, junto com Kiluanje Liberdade, o documentário Oxalá cresçam pitangas – histórias da Luanda, do qual emergem questões como dinâmicas sociais complexas, a importância da música/dança, a língua de tantas pessoas e de tantas origens, que desejos têm as gentes, com que Luanda sonha. O resultado final surpreendeu os idealizadores ou estava lá tudo o que os senhores imaginavam revelar? Ondjaki - Acho que há sempre uma parte de surpresa. Nunca se pode prever o resultado de um documentário por mais que se tenha pensado o seu conteúdo ou planificado um roteiro. Sim, houve surpresas, e houve coisas que foram comentários a factos e situações que já sabíamos. E isso também foi bom, saber que os luandenses se preocupam e sonham com o futuro da sua cidade, acho que o filme acabou por ser muito isso, um filme que fala da cidade e dos seus habitantes, do seu presente complexo e duro, mas também das suas fantasias e utopias.

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FD - A propósito da dança, em Angola, ela ocupa um lugar especial, parece-me que de preservação de identidade e de sentimento comunitário, entre outros. Fale-nos um pouco sobre isso. Ondjaki – Sim, a dança é um elemento aglutinador da população angolana. É também pela dança que o angolano busca construir e reforçar um conceito de identidade nacional. Há essa dança externa, que tem a ver com a música que se ouve e se dança, mas há uma musicalidade interna, um ritmo intrínseco na vida dos angolanos, que também traz alegria e optimismo, e esse ritmo interno também me interessa muito. Sempre me interessou.

Sonho muito, sonho sempre... Exerço com muito prazer essa liberdade humana que é frequentar pensamentos e sonhos sem ter que dar explicações a ninguém.

FD - Em Bom dia Camaradas, o menino pergunta repetidas vezes ao camarada António: “Tu não preferes que um país seja assim livre?” Do seu ponto de vista, Angola conquistou a liberdade tão sonhada? Ondjaki - Obviamente que sim. O personagem do livro fala da liberdade política, da independência do país, e essa sim, claro que se conseguiu. Com sacrifícios, com a luta armada de libertação, com campanhas, com livros, com sonhos. FD - A literatura, ainda que sem o querer, cumpre uma função social reveladora. O que mais o encanta revelar – suas vivências, a guerra, as dificuldades, um país em construção, o poder ser feliz apesar da guerra... Ondjaki - Cada escritor empresta as suas convicções e as verdades naquilo que se configura como um “olhar singular” sobre a realidade... penso que é isso que eu também procuro fazer. Não existe uma única versão, existem visões e estórias sobre a mesma realidade histórica e política, mas depois há o lado artístico, estético, de cada um. Eu procuro revelar o que vejo, o que imagino, o que ouvi dizer, tudo isso aliado às minhas convicções estéticas. Assim procuro fazer a minha arte. Devagarinho.

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FD - Para qualquer escritor, ficção e realidade andam sempre de mãos dadas. Para um escritor angolano, em cujo país seus cidadãos têm o feitiço como marca cultural, e por causa dele transitam no cotidiano entre o real e o sobrenatural, a relação entre verdades e mentiras, ficção e realidade, as invencionices têm peso especial? Ondjaki - Bom, todo o angolano gosta de uma boa estória. Na região de Luanda, sobretudo, cada cidadão é um potencial contador de estórias, porque gosta disso, acho eu, mas também porque lhe está no sangue, essa teatralização do real, para ser contado, como função informativa, mas sobretudo com a função lúdica de se autoagradar e de distrair o outro. Juntando a isso as incríveis estórias que todos os dias acontecem, mais algumas dessas crenças no sobrenatural, obviamente que o resultado é um país de incríveis estórias e situações sociais nem sempre fáceis de explicar. Penso que tudo isso dá um bom pano de fundo para a literatura angolana. FD - No livro de contos Os da minha rua, por causa das histórias do tio Victor, o sr. dormia em Luanda para sonhar com Benguela. O sr. já dormiu em Lisboa, Nova York, Rio de Janeiro. O sr. ainda sonha?

Ondjaki - Sonho muito, sonho sempre... Exerço com muito prazer essa liberdade humana que é frequentar pensamentos e sonhos sem ter que dar explicações a ninguém. Sonho a dormir, e acordado também. Sonho com pessoas e com cidades, com o futuro, com o futuro do meu país, da minha gente. E procuro dar a esses sonhos um tom positivo, uma carga de optimismo intencional, como que querendo desde já contagiar o amanhã com coisas boas, um modernismo arejado que eu acho que o continente africano também tem direito. Acho que o sonho é uma alavanca muito poderosa, assim como a utopia, que é uma espécie de sonho ainda mais elevado, ou profundo, que talvez não seja alcançável porque a sua natureza é a de ser mais orientador. FD - Qual o seu olhar sobre o Rio de Janeiro? Ondjaki - Gosto muito do Rio de Janeiro, acho que é uma cidade muito simpática e acolhedora. Sobretudo por causa das pessoas, essa é a grande riqueza do Rio, mais até do que a paisagem que é também fenomenal. Mas é o ritmo inteligente e descontraído dos cariocas que faz com que sejam felizes. E depois o Rio de Janeiro tem uma das melhores equipas de futebol do mundo, que se chama Fluminense e que me dá muitas alegrias... Conhecendo melhor Ondjaki: www.kazukuta.com/pitangas

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Dica do Rogerio Reserve de Beaulieu – Tinto vin de pays d’Aude Um vinho do Languedoc que começa a ganhar espaço no Brasil é o Reserve de Beaulieu, com um corte de uvas merlot e syrah; é um vinho jovem, leve, com aromas de frutas vermelhas e macio na boca. Ideal para um papo descontraído entre amigos e recomendado para uso diário na sua dieta do vinho. Possui excelente relação qualidade preço. Um bom exemplo de que um vinho francês bom não precisa ser caro. Onde encontrar: nas melhores lojas e redes de supermercado Preço: na faixa de 20 reais. Bulle Nº1 – Espumante AOC Limoux A novidade este ano é o espumante Bulle Nº1, Blanquette de Limoux, até então, disponível apenas na Dufry, as lojas “duty free” dos aeroportos. Agora, podemos encontrá-lo também em São Paulo na Winery Store. Sua cor é amarela palha, com reflexos esverdeados, que vai encantar por suas bolhas finas e delicadas, por seus aromas e sabores de pêssego e flores brancas. No final da boca frutas secas e nota de tostado. Onde encontrar: www.winerystore.com.br Preço: cerca de 70 reais e 16 US$ na Dufry Importador: Winery (11) 3208-0111

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Vinhos do Novo Mundo não são tão bons para a saúde quanto os do Velho Mundo. Rogerio Rebouças

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ara botar pimenta da França na Forum Democratico nada melhor que comentar The Wine Diet , de Roger Corder, respeitado cientista inglês, da Universidade Queen Mary de Londres, que prova que os vinhos do Novo Mundo não são tão bons como os da França quando se fala de coração. Corder apresenta conclusões científicas que vão arder nos olhos dos produtores do Novo Mundo e tem gerado bastante polêmica. Perguntado pelo semanário científico Nature se os vinhos tintos populares do Novo Mundo contribuíam de forma idêntica no combate à arteriosclerose, Corder afirmou categoricamente que “de maneira alguma, alguns produzem efeito (inibidor) equivalente ao do vinho branco”, ou seja, próximo de zero. Que o vinho consumido diariamente com moderação faz bem à saúde o brasileiro já sabia. Mas que certos vinhos franceses podem ser até 10 vezes melhores para a saúde do que os do Novo Mundo poucos se davam conta. Roger Corder é pouco conhecido do grande público, mas muito respeitado no meio acadêmico. O autor busca em suas pesquisas compreender o chamado Paradoxo Francês, isto é, o fato dos franceses terem menos doenças coronarianas que os americanos, australianos e outros europeus, apesar de se alimentarem com mais gorduras saturadas, fato colocado em evidência pelo professor Serge Renaud. Os vinhos franceses possuem mais antioxidantes e ainda mais procianidina

(um polifenol) do que os demais, notadamente os do sudoeste da França, AOC Madiran e os da Sardenha na Itália, além do Languedoc-Roussillon, Bordeaux, Portugal e Espanha. O estudo aponta que o princípio ativo tem origem na casca das uvas tintas e/ ou outros componentes da uva durante o processo de fermentação (longa fermentação ou maceração). Variando conforme a altitude, a casta, vantagem para a Tannat, e a procedência do vinho. Segundo Corder, os vinhos tintos fazem bem, mas os do Novo Mundo são menos eficientes enquanto inibidores. Em The Wine Diet, Corder, além de dar receitas, seleciona alguns vinhos que fazem muito bem ao coração, como o reputadíssimo Mas de Daumas Gassac, um VDP do Hérault, Sul da França. Corder explica que os vinhos tintos do Velho Mundo atuam com mais eficácia na inibição da produção do peptídeo endothelin-1 (ET-1) por suprimir a transcrição do ET-1 gen, crucial para o desenvolvimento da arteriosclerose (doença em que placas que contêm colesterol e lipídios obstruem as artérias). O estudo comprova ainda que o suco de uva é um inibidor muito menos eficaz, da mesma forma que os vinhos brancos e os rosés. Surpresa: o chocolate é um bom parceiro do coração. Tenha uma longa vida, beba vinhos do Velho Mundo.

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Olhar estrangeiro Foto: Marisa

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Um olhar generoso sobre a vida, o trabalho, as gentes de todos os lugares. Um ir e vir constante entre povos e culturas muito distintos. Artes, moda, desenhos, bordados, tecidos e negócios. Italiana no Brasil, já nem tão italiana na Itália, brasileira na Índia. Emigrante. Nascida em Bologna, Patrizia Pizzato, tendo o mar a seus pés, testemunha todos os dias o nascer e o pôr do sol no Arpoador, que, segundo ela, é um dos cantos mais bonitos do mundo. FD - Como era a vida antes de vir para o Brasil? PP- Sempre gostei de moda, não só pela moda em si, mas pelo que ela revela em termos de comportamento. Do ponto de vista sociológico, sempre me interessaram momentos históricos da moda, como o de Maria Antonieta, que pela primeira vez introduzia penteados exorbitantes e vestidos não tão compostos nem tão estruturados em uma época de miséria, de dureza. Sempre estive interessada no aspecto sociológico da moda, no aspecto comportamental. Na década de 70 eu cursava a Universita Dell’Arte, Musica e Spettacolo de Bolonha, que foi uma época extremamente feliz, de grandes fermentos culturais e de grande densidade e mudanças, quando a moda italiana começou a se estruturar, a descobrir sua criatividade e se especializar em acabamento, firmando-se e começando a andar pelo mundo com uma identidade fortíssima. E era nesse segmento que eu trabalhava. E comecei a viajar por algumas empresas italianas de moda, até porque viagem é uma das minhas grandes paixões. Não tenho ímpetos consumistas, mas viagens são a minha fraqueza. Aí comecei a pesquisar e essas viagens me levaram ao Nepal, ao norte da Índia, Jaipur, capital do Rajastan, com fortíssimo folclore, tradicão de estampas e cores hindus. Naquela época todo mundo ia para a Índia atrás da espiritualização e eu ia atrás da moda. Não aprendi nada de espiritualização, não me internei em nenhum ashram, aliás, foi totalmente o contrário disso: eu pesquisava aquele floral pequeno, bem colorido das pantalonas das mulheres nepalesas; eu adorava o saruel das mulheres indianas; as estamparias de Surate. Perdi o caminho espiritual todo e nunca mais o recuperei, porque agora já não é mais o mesmo, né? Deixaram de ter uma verdade intrínseca, não há mais intensidade, parece que é tudo organizado, estruturado para você ler do jeito mais fácil, diferentemente da “descoberta” das Índias, quando se deparava com coisas intraduzíveis, incompreensíveis, mas que tinham intensidade, muitas vezes difíceis de serem capturadas por indivíduos de outra cultura. Uma coisa inexpugnável. FD – Você prioritariamente foi para a Índia... PP - Marrocos, Istambul, naturalmente a Turquia porque é a cultura mais rica, as tradições islâmicas e hinduísta são as mais ricas de identidade,

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de personalidade, as mais exóticas. Adoro a islâmica no sentido de que ela não tem culto a nada; mas ela tem floral, geometrias e escritas; a caligrafia é muito interessante. FD – Como você veio para o Rio de Janeiro? PP - Vim por amor! Durante uma dessas viagens, em Bali, na Indonésia, onde também existe uma comunidade hinduísta, cidade encantadora, cheia de charme, conheci meu atual marido, que foi a razão da minha emigração sentimental. Isso se deu em 1987, e em 1988 tive meu filho. Bem houve um misto de coisas além da paixão: curiosidade, vontade de experimentar um outro olhar, uma outra alma; a América Latina começava a aparecer no cenário internacional como um continente de novidades, no sentido cultural. Eu já havia experimentado o gosto da emigração quando morei em Marrocos. No caso do Brasil, vim por amor; fiquei hospedada na casa da família do meu marido, um casamento que dura há 22 anos com um filho de 21 anos de idade. Até hoje gosto de dizer que a minha foi uma emigração sentimental. FD - Como é que foi a chegada no Rio de Janeiro? PP - Foi tudo muito diferente porque naquela época eu trabalhava na Itália e no segmento de moda mais inovador naquele momento. O escritório ficava exatamente no Corso Monforte, esquina da Piazza San Babila; trabalhava com grupos bem situados, muito inovadores e em situações muito dinâmicas, e aqui no Rio não havia nada disso quando cheguei. Sobre isso eu falava com E. Gille,

um grande estilista, o poeta da mulher – mandava cartas. Contava que as lojas eram muito iguais, com muito pouca diversidade; que apesar do clima muito quente as mulheres não usavam vestidos. Aliás, elas se vestiam de uma forma muito masculina, com bermudas. Eram sensuais, mas não usavam vestidos. Quando eu abri meu negócio, dei a ele o nome de Fuori Moda – tradução italiana de fora de moda. E moda, na ocasião, soava como coisa antiga e me aconselharam que excluísse moda. O nome encerrava o conceito no qual eu apostava: vestidos românticos, leves, delicados, que traduzissem feminilidade e suavidade no vestir das mulheres, que eram sensuais, usavam shortinho, mas não tinham vestido. E, após o período de amamentação do meu bebê, retomei o caminho das Índias para importar tecidos leves, floridos, de seda. A produção dos vestidos era feita na Índia. FD - Por que produzir na Índia? PP - Pela facilidade e pela tradição indiana de terem se especializado em produzir para exportação. A Índia se preparou para produzir produtos manufaturados, para se tornarem o celeiro de mão de obra para o mundo. Lembro que as primeiras produções foram feitas na Índia, desenvolvidas na Itália, desenhos levados de tapeçarias italianas, de tapeçarias tradicionais floridas. Os indianos teciam conforme o tecido. Teciam e estampavam com várias técnicas. FD- Quem desenhava? PP – Era eu que desenhava utilizando várias técnicas. Costumava utilizar os mesmos desenhos e brincava com as cores. Trabalhei com desenhos de muitas tapeçarias, italianas, inglesas, marroquinas, fabricados, estampados, tecidos na Índia. FD- Como é produzir na Índia e vender no Brasil? PP - Embora tudo seja produzido na Índia, a modelagem - a confecção da primeira peça, que é a mais difícil - que traduz o acabamento, os modelos a pesquisa, o estudo, a confecção do bordado - é feita aqui, manufaturada com uma boa qualidade. Todo o resto é feito lá por causa da cultura de estampar e bordar

Café da Manhã The Varanda, Hotel Imperial Dezembro 09/ Janeiro 10


Foto: Lucas

em i g r a ç ã o

Marisa Oliveira

que lá na Índia é tão rica. No Brasil, culturalmente, as pessoas não têm olhar, a bagagem, a linguagem para executar bordados. Os indianos têm essa de assemblagem de cores, linhas, paetês. É mais fácil trabalhar na Índia, em termos de produção e por causa da regularidade da produção que eles conseguem e que aqui é mais difícil. FD – Você conheceu seu marido partilhando o mesmo segmento profissional? PP – Sim, ele representava a Salinas e a Lenny em Portugal e, ao casarmos, ele decidiu entrar nessa aventura comigo. A Fuori é uma empresa familiar. FD – Apesar do marido carioca sua adaptação no Rio de Janeiro foi difícil? PP – Não, porque na verdade a cidade é tão aberta fisicamente e geograficamente, aconchegante e aberta, que não foi difícil. Na verdade tenho saudades daquela época... Ipanema era uma festa até altas horas da madrugada. Voltávamos da boate pela rua, às três horas da madrugada, rindo... Ipanema era muito mais viva, muito mais leve. O carioca tem uma característica formidável de ironizar sempre sobre o pior acontecimento, mesmo que seja o pior de todos, de conseguir conviver, adaptar-se às dificuldades, transformar o pior em ironia, e beber o pior com a cerveja, na sexta feira. Isso eu acho bacana, especial. FD - O que você gosta mais nessa convivência com o Rio de Janeiro? PP - A sofisticação natural do carioca; acho o carioca sofisticadíssimo; no sentido de ele já ter passado da procura da sofisticação e já ter chegado na simplicidade de uma pessoa que já deixou para trás a bagagem sofisticada para se jogar no mar, atravessar a rua, andar na calçada, encarar um restaurante chiquérrimo com a mesma naturalidade. O carioca tem no computador essa chave genética, toda essa informação, mas já tendo se despido dela para abraçar a simplicidade que na verdade é a única forma de encarar toda essa beleza natural, de conviver com essa natureza, que é a coisa mais importante do Rio de Janeiro. Ela, a cidade, não precisou ser construída, ela já nasceu assim e o carioca é assim. O carioca que nunca viajou para fora parece ter uma bagagem cultural, traz no DNA uma cultura de comportamento muito anterior a ele. FD- O que você sente mais falta de Bolonha, da Itália? PP - É banal dizer que sinto falta dos amigos, daqueles que foram meus amigos, que cresceram comigo. Mas não sinto falta de uma rua ou do melhor pão de uma padaria. Sou alguém que considera que o melhor desafio, quando estamos começando a nos levar muito a sério e a atuar do jeito que todo mundo espera, é começar a se redescobrir e puxar de si mesmo as coisas que ficaram lá no fundo, reinventando. FD - Se amanhã ou depois uma nau qualquer quisesse levá-la para outro lugar você iria?

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Pôr do sol do escritório no Arpoador PP - Não, eu acho que pela primeira vez eu diria não. Eu brinco com o meu marido e digo que não me apaixonei por ele, mas pelo Arpoador. Acho que é um dos cantos mais bonitos do mundo; uma ilha, um estado de ser. Vejo a alvorada e o pôr do sol. FD - Linha comum: olhar de imigrante – no Brasil, italiana, na Itália já não é tão italiana, e na Índia você é brasileira. PP - Na verdade eu estou lá para traduzir o código de moda brasileiro, o mais despojado do Rio; o que eu vendo para o Brasil é o código informal do carioca estar; coisa despojada e charmosa, de um chemise branco de voil, de um vestido branco de algodão, estampados com cores fortes, bordados de uma forma sutil e suave para não atrapalhar o azul intenso do mar. Nada pode ser mais rico do que a gente vê na praia; sou uma embaixadora carioca para o Brasil do código informal, despojado e charmoso do modo de estar e de ser do carioca, tendo naturalmente confeccionado esse produto na Índia, onde sou, então, vista como brasileira; nem todos os produtores sabem que eu sou italiana; mas todos eles sabem que eu moro no Rio de Janeiro. FD – Você tem esse movimento circular, nesse modo emigrante, leva daqui produtos modelados para serem reproduzidos lá e que depois você os traz para cá. Um ir e vir constante... PP - Eu consegui ser o que eu realmente queria fazer na minha vida, viver uma dinâmica cíclica, que nunca me deixasse parada, em uma linha horizontal, que sempre me colocasse em um moto contínuo de renovação constante, porque na verdade, tudo muda o tempo todo. FD - O que você faria diferente? PP - Gostaria de trabalhar mais o lado social, o romântico, no sentido de que a minha criação fosse menos ligada ao produto em si e que pudesse trazer um pouco mais de conhecimento para meus clientes, do aprendizado de cada experiência e lugar. Um pouco mais do olhar abrangente, da minha viagem, da cultura, da comunidade que me ajudou a formular e a transformar aquele produto que começou aqui no Rio; eu não sei exatamente como fazer isso, se através de escrever um livro, um guia, sei lá, de traduzir em imagens, talvez meu filho...Um sonho que deveria se transformar em uma filosofia. FD – Algo a acrescentar, Patrizia? PP – Definindo: minha condição de emigrante é o melhor dos mundos, é a melhor das situações - estar sempre do lado de fora olhando para

Taxista sikh, Khan Market

No rickshaw, Patrizia transporta tecidos do mercado mulçumano Shanti Muahla dentro. Quando eu era criança, a minha brincadeira preferida era olhar para a casa das pessoas e por um detalhe visto por uma janela imaginar como seria a vida dos habitantes que moravam naquele apartamento, naquela casa. Gosto desse olhar do lado de fora. FD - O quer você sente exatamente? PP - O olhar do lado de fora me dá possibilidade de não me levar muito a sério, mas de estar sempre olhando para a vida dos outros no bom sentido; de enriquecer a minha vida com algum detalhe a mais; sempre olhando do lado de fora. Essa coisa de olhar estrangeiro me cai muito bem, gosto muito dessa sensação.

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italia

Il primo Governo Berlusconi. L

’azione di governo di Ber­lusconi non fu caratterizzata da quella competenza e da quel dinamismo che egli aveva eretto a elementi centrali della propria campagna elettorale, ma piuttosto da note­voli incertezze. In seguito Berlusconi avrebbe coniato lo slogan «Non ci hanno lasciato lavorare», ma in realtà si trovò prigioniero di quella stessa coalizione che egli stes­so aveva così brillantemente creato qualche mese prima. Umberto Bossi in particolare si dimostrò un partner dif­ficile. Fini e Berlusconi erano in buoni rapporti, in quan­to il primo era profondamente grato al secondo per avere sposato la sua causa in una fase precedente, e per aver con­tribuito a «sdoganare» il suo partito. Bossi, al contrario, non doveva niente a nessuno, una situazione che Berlu­sconi, così abituato a fare affidamento su una rete di rap­porti patrono-cliente, trovava difficile da gestire. Inoltre, nelle elezioni europee di giugno la Lega aveva visto diminuire ulteriormente i propri voti al 6,6 per cento. Si pro­filava dunque il rischio che Forza Italia assorbisse lenta­mente l’elettorato leghista, perché in fondo i due partiti non erano alleati ma rivali, con obiettivi finali molto di­versi. Nei primi mesi del governo Berlusconi, ben poca strada venne compiuta in direzione di quel federalismo che stava tanto a cuore alla Lega. Di pari, se non maggiore, importanza fu l’incertezza del governo nei confronti del futuro dell’Italia in Eu­ropa. Va detto subito che l’incertezza era reciproca, poiché nei circoli europei si era insinuato un diffuso sconcerto ri­ guardo alla presenza del Msi nel governo. Lo sconcerto si fece ancora più vivo quando, immediatamente dopo la vit­toria elettorale, Gianfranco Fini definì Mussolini “il più grande statista del secolo”. La sua affermazione fece im­mediatamente il giro del mondo, e danneggiò non poco il governo che stava per nascere. In quanto all’Europa, il nuovo esecutivo riuscì a irrita­re subito i vertici europei, soprattutto quelli tedeschi, aprendo un contenzioso con la Slovenia e la Croazia su va­ri problemi, fra cui i beni confiscati o abbandonati dagli italiani durante e dopo la seconda guerra mondiale. Tuttavia le difficoltà più gravi riguarda­vano le scelte: si doveva o no rispettare il «vincolo ester­no», proseguendo sulla linea tracciata da Ciampi nel tentativo di portare gradualmente l’Italia a soddisfare i criteri del trattato di Maastricht? E in caso di risposta affermativa, come conciliare una politica di rigore con la promes­sa di creare un milione di nuovi posti di lavoro? Su que­sto cruciale problema il governo Berlusconi era profonda­mente diviso. Il ministro del tesoro Lamberto Dini, uno dei pochi tecnocrati presenti nel governo, era un europei­sta convinto. Come Ciampi, proveniva dalla Banca d’Ita­lia, quantunque i due uomini fossero più rivali che amici. D’altra parte Antonio Martino, l’esperto economico di Forza Italia divenuto ministro degli Esteri, era membro, come la signora Thatcher, del gruppo di Bruges, e in quan­to tale era fieramente ostile all’idea dell’Unione moneta­ria nel prossimo futuro, per non parlare dei 834

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Veltroni e Massimo D’Alema criteri del trat­tato di Maastricht. Lo stesso Fini a questo proposito era abbastanza scettico. Riguardo alla marcia del governo Ber­lusconi verso l’Europa si può affermare soltanto che non fu priva di esitazioni. Strettamente legata alla questione dell’Europa era quel­la del destino della concertazione tra le parti sociali, in­trodotta da Amato e perseguita con grande coerenza da Ciampi. Qui il governo Berlusconi si trovò subito alle strette. Nel presidente del Consiglio i sindacati identifica­rono immediatamente - e non del tutto a torto - un po­ tenziale avversario, e i loro sospetti vennero confermati quando Berlusconi annunciò una riforma delle pensioni dei lavoratori dipendenti, mentre nel frattempo conce­deva facilitazioni fiscali al mondo imprenditoriale e del lavoro autonomo. La finanziaria di Berlusconi, della por­tata di 50.000 miliardi di lire, sembrava chiedere troppi sacrifici a una sola parte del Paese. Di conseguenza le iniziative del governo suscitarono una massiccia mobili­ tazione in difesa dei diritti dei lavoratori, che culminò il 12 novembre 1994 nella più grande manifestazione sin­dacale mai vista nella storia della Repubblica, in cui più di un milione di persone riempì tre diverse piazze nel cen­tro di Roma. Il 1 dicembre 1994, con la lira in discesa precipitosa nei confronti del marco, Berlusconi fece marcia indietro sulla riforma pensionistica, firmando con i sindacati un accordo che di fatto sanciva la vittoria di que­sti ultimi. La stessa combinazione di risolutezza e aggressività ini­ziali seguite da una più o meno precipitosa ritirata, carat­terizzò l’azione del governo riguardo all’equilibro dei po­teri tra le istituzioni dello Stato. A parte l’immediata oc­cupazione della Rai da parte di uomini e donne di fiducia della coalizione di centrodestra (in questo non vi era nien­ te di nuovo, anche se come spettacolo era senz’altro depri­mente), il governo sferrò anche un attacco all’autonomia della Banca d’Italia che,

Liberamente tratto dal libro “Storia d’Italia dal dopoguerra ad oggi” di Paul Ginsborg

come abbiamo visto, era stata uno dei più delicati e importanti contrappesi al rischio di ini­ziative arbitrarie da parte dell’esecutivo. Sulle prime l’at­tacco non riuscì, ma all’epoca della caduta del governo il destino della Banca restava molto incerto. Come c’era da aspettarsi, fu tuttavia nel rapporto con la magistratura che Berlusconi incontrò le maggiori diffi­ coltà. Il 13 luglio 1994 il Consiglio dei Ministri approvò un decreto legge, predisposto dal ministro della Giustizia Alfredo Biondi, che sostanzialmente poneva fine alle in­chieste di «Tangentopoli». Nonostante il decreto fosse uscito nel pieno dell’estate, anche questa volta l’opinione pubblica reagì con sdegno appassionato. I magistrati mi­lanesi, guidati da Antonio Di Pietro, apparvero in televi­sione per dichiarare la loro totale opposizione a quello che definirono un nuovo «colpo di spugna». Di fronte alle pro­teste, provenienti anche dai loro stessi elettorati, gli alleati di Berlusconi esitarono: il leghista Roberto Maroni, mini­stro dell’Interno, fece sapere che, se il decreto non fosse stato ritirato, avrebbe rassegnato le proprie dimissioni. Umberto Bossi, ansioso di recuperare quella parte del vo­to settentrionale che gli era stata sottratta da Forza Italia, gli dichiarò la propria solidarietà. Fini prese cautamente le distanze. Il 19 luglio il governo ritirò il decreto. Dietro queste sconfitte, che dimostravano in tutta evi­denza la forza dell’opposizione al progetto politico di Ber­ lusconi, si profilava una realtà di governo molto più grigia e abituale. Gran parte dell’attività di governo di Berlu­sconi sembrò alla fine esprimere un accomodamento, più o meno riluttante, a strutture profondamente sedimenta­te sia dentro lo Stato sia al suo esterno. Il leader di Forza Italia, ad esempio, aveva promesso un rapido programma di privatizzazioni, ma una volta al potere sembrò accon­ tentarsi di prendere tempo (qui pesò anche lo statalismo del Msi), e di consentire alle grandi oligarchie del Nord, organizzate intorno a Mediobanca, di trarre il massimo profitto da quella parte delle privatizzazioni che venne ef­fettivamente realizzata. Dentro lo Stato, nel frattempo, i suoi ministri scopri­rono che la burocrazia aveva le proprie priorità e i propri ritmi di lavoro. Non era facile far collimare la complessità della formazio­ne dello Stato e il peso della storia con la visione semplici­ stica dello “Stato-azienda”. La fine giunse all’improvviso. Il 22 novembre 1994, mentre Berlusconi presiedeva la Conferenza Mondiale delle Nazioni Unite sulla criminalità organizzata, gli fu recapitata dalla Procura di Milano un’informazione di garanzia dalla quale egli apprese di essere indagato per concorso in corruzione. Nei mesi seguenti altre gravi accuse sarebbero state mosse allo stesso Berlusconi e ad alcuni tra i suoi più stretti collaboratori, in particolare Marcello Dell’Utri e Cesare Previti, principale consiglie­re legale di Berlusconi e ministro della Difesa nel suo go­verno. Il presidente del Consiglio respinse ogni addebito, ac­ cusando i magistrati milanesi di cospirazione politiDezembro 09/ Janeiro 10


i t ál i a

storia italiana Romano Prodi

ca nei suoi confronti e dichiarando che non si sarebbe mai di­messo. Umberto Bossi tuttavia ne aveva ormai abbastan­za. Con il sostegno di Massimo D’Alema, che aveva sosti­tuito Achille Occhetto alla segreteria del Pds, e Rocco But­tiglione dei Popolari (che in seguito si sarebbe pentito di questa sua mossa e sarebbe passato al campo di Berlusco­ni), Bossi ritirò l’appoggio della Lega al governo. Privo di una maggioranza in entrambi i rami del Parlamento, il 22 dicembre 1994 Berlusconi salì al Quirinale e rimise il pro­prio mandato nelle mani di Oscar Luigi Scalfaro. Dopo la caduta di Berlusconi seguì un an­no di profonda incertezza. Il presidente della Repubblica, invece di sciogliere immediatamente le Camere e indire ele­ zioni anticipate, come secondo Berlusconi e Fini avrebbe dovuto fare, decise a favore di un altro «governo del pre­sidente». Una simile iniziativa rientrava certamente nelle sue prerogative costituzionali, ma il centrodestra lo accu­sò di partigianeria, di cercare di guadagnar tempo mentre i sondaggi d’opinione apparivano favorevoli a Berlusconi. Imperturbabile, Scalfaro affidò l’incarico di formare il nuovo esecutivo a Lamberto Dini, già ministro del Tesoro nel governo Berlusconi. In Parlamento, il governo Dini otten­ne la fiducia della vecchia opposizione e della Lega Nord. Era una situazione abbastanza inconsueta, che evidente­ mente non poteva durare a lungo. Dini, invece, con il co­stante sostegno del presidente della Repubblica, governò egregiamente per più di un anno, durante il quale riuscì a far approvare, questa volta in accordo con i sindacati, quel­la riforma pensionistica che aveva messo in grave difficoltà Berlusconi. Il periodo di tregua offerto dal governo Dini, l’espressione più sviluppata di quella tendenza al governo tecno­cratico, offrì tanto alla sinistra quanto alla destra la possi­bilità di raggrupparsi e riorganizzare le proprie forze. In ge­nerale, fu un’opportunità che la sinistra seppe sfruttare molto meglio della destra. Il nuovo segretario del Pds, Massimo D’Alema, si era reso conto dell’imperativa ne­cessità, in seguito all’introduzione del nuovo sistema elet­torale, di includere nella coalizione di sinistra almeno una parte delle forze cattoliche che avevano partecipato alle ele­zioni del 1994 come un blocco separato, e di designare co­me

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candidato alla presidenza del Consiglio un leader non appartenente alla sinistra. Quando l’economista cattolico ed ex presidente dell’Iri Romano Prodi annunciò, all’ini­zio del febbraio 1995, la propria intenzione di sfidare Berlu­s coni, D’Alema gli offrì quasi immediatamente il proprio sostegno. Si formò così la coalizione dell’Ulivo. Le sue principali componenti erano il Pds, i Popolari, i Verdi e una «Lista Dini» separata, e un patto elettorale con Rifonda­zione Comunista nei collegi uninominali. Nel campo opposto, il centrodestra di Berlusconi e Fi­ni non riuscì a operare con altrettanta efficacia. Il Ccd e il Cdu, che erano distaccati dai Popolari, entrarono nella coalizione di centrodestra. Nel congresso del suo partito svoltosi a Fiuggi nel gennaio 1995, Fini compì un ulterio­re passo per tagliare i ponti col passato fascista del Msi, sciogliendo quest’ultimo e decretando la nascita di Alleanza Nazionale. Tuttavia gruppi e nomi cruciali per un’eventuale vittoria del centrodestra sfuggirono alla coalizione di Berlusconi. Dopo aver perso Bossi e la Lega Nord, il leader di Forza Ita­lia si lasciò scappare quello che probabilmente era il più ca­pace tra i ministri del suo esecutivo, Lamberto Dini; so­prattutto, non riuscì a portare dalla sua parte il nome di maggior richiamo, quello di Antonio Di Pietro. L’eroe di Tangentopoli si era dimesso dalla magistratura in circostanze tutt’altro che chiare, ma con l’evidente intenzione di darsi alla politica. Era l’uomo più popolare d’Italia, e sicuramente non era orientato a sinistra. Ma una sua eventuale candidatura nelle file di una coalizione di centro destra guidata da Berlusconi risultava assai complicata, in quanto egli era stato tra i firmatari della famosa prima informazione di garanzia nei confronti di quest’ultimo, ed era fermamente convinto che le inchieste di Tangentopoli dovessero essere portate a una giusta conclusione. In quei mesi però Di Pietro venne a sua volta indagato dalla Procura di Brescia nel quadro di una oscura inchiesta che rivelò i non limpidissimi rapporti fra l’ex magistrato e alcuni suoi amici, ma nessuna responsabilità penale. Di conseguenza Di Pietro non partecipò alle elezioni, ma in seguito si sarebbe unito all’Ulivo. Le elezioni del 21 aprile 1996 furono una testimonianza di quell’equilibrio tra forze diverse, a livello sia sociale sia politico, che costituiva una delle caratteristiche salienti della situazione italiana negli anni ’90. La coalizione dell’Ulivo riportò una vittoria di stretta misura. Se al Senato giunse a disporre di una maggioranza assoluta, alla Camera si trovò tuttavia a dipendere dall’imprevedibile sostegno di Rifondazione Comunista. La situazione nelle due Camere era dunque l’esatto opposto di quella in cui si era

trovato il governo Berlusconi nel 1994, e rispecchiava il fatto che la maggioranza dei giovani italiani continuava a votare per il centrodestra. L’elemento determinante nella vittoria del centrosinistra risiedette probabilmente in un fattore esterno alla coalizio­ne stessa. La Lega Nord non solo partecipò alle elezioni da sola, stavolta con una piattaforma secessionista, ma otten­ne risultati migliori di quanto tutti i commentatori avesse­ro previsto, raggiungendo il 10,1 per cento dei voti. Il for­te radicamento della sua base elettorale in certe province della Lombardia e del Veneto ne risultò confermato, e in tutto il Nord la presenza dei suoi candidati nei collegi uni­nominali significò che il voto di centrodestra era risultato diviso, consentendo alla coalizione dell’Ulivo di riconqui­stare molti dei seggi perduti dai «progressisti» nel 1994. In quanto ai singoli partiti, il Pds emerse di stretta misu­ra come la forza di maggioranza con il 21,1 per cento dei vo­ti, seguito da vicino da Forza Italia con il 20,6 per cento. Al­leanza Nazionale fece un significativo passo avanti rispetto al 1994 con il 15,7 per cento, confermando la propria posi­zione di terza forza della politica italiana. Anche Ri­ fondazione Comunista potè vantare buoni risultati, con l’8,6 per cento dei voti. I modesti risultati ottenuti dai Popolari (6,8 per cento) e dal Ccd-Cdu (5,8 per cento) furono ulte­riore dimostrazione del fatto che la maggíoranza degli elet­tori cattolici non si sentiva più obbligata a votare per un par­tito politico caratterizzato principalmente in termini reli­ giosi. La lista del presidente del Consiglio uscente, Lamberto Dini, assicurò al centrosinistra un importante 4,3 per cento. I grandi vincitori della competizione elettorale furono indubbiamente Romano Prodi, in quanto leader della Coa­lizione dell’Ulivo, e Massimo D’Alema, il suo principale architetto. A loro spettava il compito di rispondere alle questioni che erano state poste con tanta drammaticità nel 1992-93.

Lamberto Dini

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cultura

“Arquitetando Imagens - Passado e Presente”

Zalmir Gonçalves

Eduardo Gomes

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ara documentar o corredor arquitetônico cultural da cidade do Rio de Janeiro, membros da Sociedade Gonçalense de Fotografia percorreram durante dois fins de semana o Centro antigo da cidade. Através de vários olhares, foi realizado um grande ensaio fotográfico neste lugar que é um patrimônio histórico carioca. Foram criadas belas imagens de monumentos artísticos perpetuados até os nossos dias, como o Paço Imperial. Nosso objetivo era despertar o público gonçalense para a importância do cenário que faz parte do seu dia-a-dia, mas talvez não seja percebido como parte fundamental da história do país. As imagens deste ensaio estiveram em exposição no SESC São Gonçalo, sob a coordenação do consagrado fotógrafo Zalmir Gonçalves e do fotojornalista do jornal EXTRA Luis Alvarenga (presidente da SGF) e marcaram a primeira participação em um festival internacional, o FotoRio 2009.

Ismael Braga

P

er documentare il corridoio architettonico culturale della città di Rio de Janeiro, membri della Società Gonzalense di Fotografia hanno percorso durante due finali di settimana il Centro storico della città. Attraverso vari contributi è stato realizzato un grande evento fotografico in questo luogo che rappresenta un patrimonio storico carioca. Sono state create belle immagini di monumenti artistici che si sono perpetuati fino ad oggi, come il Paço Imperial. Il nostro obiettivo era stimolare il pubblico di São Gonçalo per l’importanza dello scenario che fa parte del suo quotidiano, ma che forse non è percebito como parte fondamentale della storia del paese. Queste immagini sono state esposte nel SESC São Gonçalo, con il coordinamento del consacrato fotografo Zalmir Gonçalves e del foto giornalista del giornale EXTRA Luis Alvarenga (Presidente della SGF), e hanno segnato la prima partecipazione a un festival internazionale, il FotoRio 2009.

Claudio Furtado


cultura

fotografia

“Architettando Immagini - Passato e Presente”

Ricardo Precioso

Alex Bellato

Luís Alvarenga Agosto/Setembro 09

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cultura

Lauro Sobral

Denize Ribeiro

Fotógrafos Participantes/ Fotografi partecipanti Alex Bellato, Alexandre Faria, Antonio Machado, Claudio Furtado, Denize Ribeiro, Enival Pimentel, Eduardo Gomes, Ismael Braga, José Bruno Filho, José Guilherme, Kleber Laia, Luis Alvarenga, Lauro Sobral, Marcelo Baptista, Ricardo Precioso, Vinicius Coutinho, Zalmir Gonçalves

Mais informação/ Maggiori informazioni Luis Alvarenga / Sociedade Gonçalense de Fotografia. 21 3092-7086 / 21 9382-0243 www.sgffotografia.com.br

Alexandre Faria

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r e f l e x ã o

cultura

Luis Maffei

A ética(?) e a felicidade(!) dos garotos-propaganda. H

á certa peça publicitária do supermercado Pão de Açúcar atualmente sendo veiculada na televisão. O texto tem como mote a felicidade, e já me sabe muito estranho que um supermercado se queria vincular a essa ideia. Supermercados, até onde sei, são estabelecimentos que vendem coisas, não sensações ou estados d’alma – por mais óbvio que possa parecer, a felicidade não se compra, expressão que é, a propósito, o título brasileiro de It´s a wonderful life, filme de 1946 realizado por Frank Capra. Em busca de perceber melhor a associação feita pela publicidade citada, supermercado/felicidade, é o caso de considerar que um axioma como o nome brasileiro do filme de Capra é ainda um axioma, mas apenas para disfarçar o que se lhe opõe. Outra campanha publicitária de grande êxito, esta de cartão de crédito, elenca em suas peças uma série de produtos para, ao final, afirmar que as grandes coisas da vida não têm preço. A lógica é perversa: o indivíduo só pode atingir as grandes coisas da vida se tiver as outras, de preferência todas as outras, e o verbo adequado é mesmo ter. Todas as outras são compráveis, o que imediatamente faz com que as grandes coisas da vida também o sejam, e também se vejam submetidas ao comércio, simples assim. Hoje em dia, um discurso cujo fundo seja esse é aceito, tanto quanto é plenamente aceita e bastante cultuada a publicidade. Assusta-me esse cenário, no qual comerciais de televisão ganham o estatuto de obras criativas. Não quero discutir a inventividade desses produtos de mídia, ou a capacidade das mentes que os elaboram. Mas reputo como indiscutível um aspecto, determinante do que diz respeito à publicidade: há algo à venda, que compete com muitos outros algos também à venda, e trata-se, portanto, 1) de uma tentativa de convencimento que pretende seduzir o indivíduo a comprar, seja necessário ou absolutamente dispensável o produto comercializado, 2) de uma competição. Ou seja, é tudo interessado demais, e por razões que não me parecem as mais nobres. As pessoas ainda repetem por aí que a felicidade não se compra, mas agem distintamente, pois não vêem muitas hipóteses de prazer fora do ato de compra. E comprar a própria felicidade tornou-se algo natural, mais que isso, tornou-se o grande modo de obtê-la. Epicuro, filósofo grego do período helenístico, é autor de uma Carta sobre a felicidade endereçada a Meneceu, de que faço questão de citar um fragmento: “(...) o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.” . Atualmente, boa parte do entendimento quanto à “saúde do corpo” passa pela qualidade de vida enquanto moda, e boa parte do que faz bem “ao espírito”

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acessa-se por remédios garantidores de prazer e inibidores de “dor” e “medo”; o resto fica a cargo dos cartões de crédito. O jogo é também jogado pela primazia da diversão, o que leva o uso epicurista de “serenidade” a estar bastante old fashioned. A situação acima rascunhada exige, a meu ver, cuidados, o que implica uma postura antes de tudo ética. Refiro-me especialmente aos cidadãos que possuem ferramentas para enxergar os processos e criticá-los. O que escrevi até aqui foi motivado pela primeira propaganda referida, a do supermercado que se associa à felicidade. O texto do comercial é lido por Gilberto Gil, compositor popular e ex-ministro da Cultura, e ponho-me a pensar em quem seja quem neste mundo. Não espero de figuras como Gilberto Gil grandes obras artísticas nem posturas combativas, mas gente como ele, em tese, possui as tais ferramentas a que aludi, e poderia assumir posturas mais críticas, o que acarretaria não participar de propagandas. O sujeito, repito, é um ex-ministro, alguém que esteve dentro da esfera pública, e não deixa de me surpreender que esse aspecto não o leve a ter cuidados com certos níveis das esferas privadas, como ser, por exemplo, garoto-propaganda. Que levou Gilberto Gil a sê-lo? Dinheiro? No fundo é o dinheiro o busílis, pois um garoto-propaganda serve para vender algo e convencer os outros de que devem comprar este algo – neste caso específico, de que devem comprar num preciso estabelecimento. Mas Gilberto Gil precisa de dinheiro? Todos precisam, todos precisamos, mas há quem o tenha mais e quem pouco o tenha. Não conheço Gilberto Gil, por conseguinte, apesar das evidências, não posso afirmar que ele se encontre no primeiro grupo. Sei que uma maneira de se obter dinheiro é, no que tange às celebridades (esse grupo contemporâneo que não diferencia ninguém de pessoa alguma, basta a fama, e cujos integrantes não acham bom negócio fazer muitas diferenciações, dada a fama), associar seu nome a uma marca qualquer, o que também redunda em lucro para a marca. Não sei até que ponto vender uma marca não significa também vender outras coisas, cujos valores têm distintos tipos de preço. Tampouco sei até que ponto é possível que, fora da propaganda, o trabalho de um garoto-propaganda possa ser visto como se não viesse de um garoto-propaganda, portanto de alguém dotado de inequívocas inclinações para o comércio. Mas sei é que, no mundo onde felicidade e ética ocupam o lugar que ocupam, coisas assim não são inquietantes para muita gente.

1 Epicuro. Carta sobre a felicidade (a Meneceu). Tradução e apresentação Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore. São Paulo: Editora UNESP, 2002. p. 35.

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cultura

“Pintar é me entender no mundo”. A vida das pessoas é feita de muitas histórias. A do artista plástico Marcos Pereira não é diferente, bem ao contrário, tanto assim que não se pode falar da obra sem considerar as histórias da vida dele: como em Graciliano Ramos, fome, sede, desesperanças e esperanças a cada “légua tirana” vencida. Ficção e realidade. Tudo lá, na arte que produz.

marcos pereira Ivan Alves Filho

FD - Você é do Nordeste do Brasil. Fale um pouco sobre suas origens familiares. MP - Meu pai era cantador de festas, repentista, apesar de completamente analfabeto, e também trabalhava nas feiras, vendendo queijo. Minha mãe o ajudava como podia, ela também quase que totalmente analfabeta. Uma coisa mágica, típica do nordestino. Ele, durante muito tempo sustentou a família com este ofício. Sou o mais novo de 21 filhos. O único que conseguiu aprender a ler e escrever e, mais tarde, que se encantou com o desenho e a pintura. FD - Como foi sua vinda para o Sul do país? O que a motivou? MP - Eu saí do Nordeste ainda novo, criança. Segundo me disse meu pai, saímos todos, retiramos, por necessidade. Lá em Campina, ou Areias, nós sofríamos fome, sede, e doenças, além da desesperança total. Como todos os nordestinos, viemos para o Sul em busca de felicidade. Era o que eu esperava naquela época. Curiosidade: viemos a pé, percorrendo as “léguas tiranas”, sem muito que comer, e animados apenas com a possibilidade de encontrar outro mundo... FD - Como a pintura entraria em sua vida? MP - Comecei a desenhar e a pintar ainda bem novo. Sem explicação. Ganhei, de uma professora, um lápis de carpinteiro e uns papéis grossos, pardos, e comecei a rabiscar. Não era apenas uma atividade de lazer, uma diversão. Pintar me acalmava e me dava alguma alegria. Aprendi sozinho, sem mestres e sem livros de Arte para consultar. Logo minha comunicação deixou de ser oral, escrita, e passou a ser feita de cores, de

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figuras, certamente influenciadas pela arte popular - as xilogravuras das capas dos cordéis. Aos quinze anos, já no Rio, cometi meus primeiros quadros. E nunca mais parei. FD - O que significa, exatamente, pintar para você? MP - Pintar, em resumo, pelo menos para mim, significa produzir beleza. Não sou muito bom em outras teorias. O quadro vazio e a possibilidade de arrancar formas dele e nele, é uma sensação absolutamente indescritível... Hoje, pintar é me entender no mundo, deixar minha marca. Permanecer. FD - Como definiria seu trabalho? MP - Bem recentemente, há cinco anos, por aí, larguei as pesquisas abstratas e me dediquei ao estudo dos desenhos africanos, indianos, maias, coisas assim. Abandonei certas influências européias, inevitáveis, e me senti muito realizado com o que chamo de primitivismo, o simbólico, o figurativismo. Meu trabalho não aconteceu do nada. Evoluiu, acredito, para o mais simples, e esta simplicidade, além de reforçar a beleza, é absolutamente indispensável para que eu me sinta criando uma pintura honesta, séria, verdadeira. FD - Quais os artistas que mais marcaram sua trajetória? MP - Além dos impressionistas, quase todos, sempre gostei de Matisse, Miró, Kandinsky, Gauguin, Soutine, Munch, Tàpies, Twombly, Kline. São muitos. Cada um com a sua maneira especial de ver e entender o mundo, de organizar o olhar, nosso olhar desorganizado. Não posso dizer, sinceramente, que algum deles me influenciou diretamente, me encerrou, me cativou, mas to-

dos eles me deram preciosos exemplos técnicos, soluções, coragem, ousadia e principalmente a dose certa de aceitação dos vários resultados do trabalho. . FD - Como se dá seu processo de criação? MP - Na hora de pintar, de enfrentar a tela, ou qualquer outro suporte, procuro não pensar muito em teorias da arte ou no trabalho de outros artistas. A madeira, eu a entalho e gravo antes de aplicar acrílica, seguindo um desenho, como se fosse uma xilogravura. Na tela eu desenho pouco antes, não faço muitos esboços, estudos. Deixo que os olhos encontrem as cores certas, e suas combinações. Geralmente acontece o melhor, acho. Não sei se é o melhor

“O Pastor” Dezembro 09/ Janeiro 10


cultura

artes plásticas

“Domando elefante”

“Defender o rebanho”

“O Sol” método, mas é o meu, onde me encontro mais. Quando não dá certo, cubro com outra pintura. FD - Você é um artista que experimenta muito, trabalha diferentes linguagens... MP - É necessário experimentar muito, sempre, variar, buscar superfícies e materiais diferentes, para não estagnar. Em pintura, quem vive produzindo uma fase só durante toda a vida acaba se tornando apenas obsessivo. O artista precisa procurar. As coisas estão por aí, se oferecendo. A vida própria das cores leva você a tentar outros suportes. A madeira, o papel, a lona, a tela... Cada quadro, quando se dá por acabado, logo pede um outro, mas que nem sempre é ou deve ser igual. Existe, claro, uma determinada coerência íntima e inexplicável, um motivo que é só nosso, mas que não se pode aprisionar na mesmice. FD - É possível viver de Arte no Brasil hoje? Que propostas teria para incrementar o maior pelas artes plásticas? MP - Não se pode viver, pelo menos bem, satisfatoriamente, de arte hoje; nem hoje nem nunca. A história dos grandes pintores, aqui e no mundo inteiro, em todos os tempos, salvo os mais espertos, é uma história de necessidades e dificuldades. Produziram seus trabalhos para enriquecer outras pessoas. O Brasil de agora, especialmente sem cultura e

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“O anjo fala a Abraão”

“Profeta”

refém do entretenimento vulgar, piora a condição de trabalho dos artistas. Quase todos enfrentando problemas sérios. Acabam trabalhando para o entretenimento vulgar, a ilustração do comércio. O governo deveria priorizar a atividade cultural, a única que justifica nossa existência. Por exemplo: grandes salões, em todos os estados, abertos principalmente aos novos e desconhecidos, com a compra certa de pelo menos um quadro, já seria um começo razoável... Publicações oficiais de arte, destacando o endereço dos artistas para incentivar a visita de compradores, também ajudariam.

Mostras de que participou Exposições, entre 1980 e 1989, nas Casas de Cultura de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. Exposição no Shopping Comary, Teresópolis. Exposição no Centro de Artes do Teresópolis Jornal. Exposição, em 1992, no Ateliê Daniel Haziot. Participação em coletivas dos Centros de Artes Livres, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Exposição no SESC-Teresópolis, 1998.

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