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Pubblicazione dell’Associazione per l’Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi • Nº 105-106 Ano XII - Maio / Junho 11 - R$ 10,00 PODE SER ABERTO PELA ECT

E MAIS:: ENTREVISTA • HISTÓRIA ITALIANA • TURISMO • TEATRO • ARTES PLÁSTICA S • FOTOGRAFIA


O INCA-CGIL tutela gratuitamente os trabalhadores e aposentados italianos e brasileiros e suas famílias. RIO DE JANEIRO Av. Rio Branco, 257 sala 1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ Telefax: 0xx-21-2262-2934 e 2544-4110

INCA INCA CGIL

SÃO PAULO (Coordenação) Rua Dr. Alfredo Elis, 68 01322-050 - São Paulo - SP Telefax: 0xx-11-2289-1820 e 3171-0236 Rua Itapura,300 cj. 608 03.310-000 - São Paulo- SP

“Patronato” da maior Confederação Sindical Italiana, a CGIL

PORTO ALEGRE Rua dos Andradas. 1234 cj. 2309 90020-100 - Porto Alegre - RS Telefax: 0xx-51-3228-0394 e 3224-1718 BELO HORIZONTE Rua Curitiba, 705 - 7º andar 30170-120 - Belo Horizonte - MG Telefax: 0xx-31 3272-9910

http:\\www.incabrasil.org.br

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S E G U N D A

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forum D E M O C R A T I C O

A n o

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agenda cultural

M a i o / J u n h o

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cultura

05 Os melhores eventos estão aqui.

Literatura

06

14 “Todos os fogos o fogo”, de Julio Cortázar e “Restauração das Horas”, de Paul Harding.

editorial

06 “Milagre em Milão”: depois de vinte anos, o centro-direita fica em minoria.

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Andrea Lanzi

15 Aproveite nossas sugestões imperdíveis.

08

comunità

08 Boa Vista: La sezione Roraima dell’Associazione Anita Garibaldi organizza la prima iniziativa. 08 Rio de Janeiro: Nuovo presidente della Camera italo brasiliana di Commercio. 08 Congiuntura Italia. 08 Rio de Janeiro: 23 settembre: omaggio all’emigrazione italiana. 09 Congiuntura Brasile. 09 Rio de Janeiro: Celebrata la Liberazione dell’Italia dal nazifascismo con la proiezione del film “L’uomo che verrà”. 10 Pagamenti pensioni INPS all’estero: una scandalosa inefficenza e un ingiusto sacrificio per i pensionati. 10 Rio de Janeiro: Il gruppo Akkura si presenta all’Istituto Italiano di Cultura.

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às compras

encarte

16 “Mia suocera beve”, di Diego de Silva.

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Italia

Storia italiana 22 2003. Liberamente tratto dal libro “Patria 1978-2008” di Enrico Deaglio. Emigrazione 28 Antonello Confente, uma mulher, um filho e um país em pleno desenvolvimento. Marisa Oliveira

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Brasil

29 Reinserção social: o Rio mais lindo, mais justo e mais solidário. Entrevista com Glaucia Xavier e Rodrigo Bethlem. Marisa Oliveira

10 Rio de Janeiro: Brasitalia: Esposizione di Artisti e Prodotti italo brasiliani.

32

10 La rivista Forum Democratico e il suo direttore assolti dalle accuse del “sindacalista” Adriano Stefanutti.

Teatro 32 “Extravagância”, de Dacia Maraini, encenada pela Accademia della Follia.

11

Reflexão 34 Nossa doce draga sorridente.

gastronomia

11 Spaghetti con Gamberi, Aglio, Olio e Peperoncino, receita do chef André Galante, do Pecorino.

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turismo

cultura

Luis Maffei

Fotografia 36 “Senhor dos Passos em todos os passos”, ensaio de Márcio Garcez.

12 Roteiro do vinho no sertão nordestino.

Artes Plásticas 40 Pedro Grapiúna, a arte de malhar ferro.

Marisa Oliveira

Marisa Oliveira

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www.forumdemocratico.org.br

NOSSA CAPA


expediente

La rivista Forum Democratico è una pubblicazione dell’Associazione per l’interscambio culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi.

Nota do Editor

P

egando uma carona nas baixas temperaturas do inverno brasileiro, as quais para este fim serve-nos de

Comitato di redazione Giorgio Veneziani, Andrea Lanzi, Arduino Monti, Mauro Attilio Mellone, Lorenzo Zanetti (em memória). Direttore di redazione Andrea Lanzi Giornalista Responsabile Luiz Antonio Correia de Carvalho (MTb 18977) Redazione Avenida Rio Branco, 257/1414 20040-009 - Rio de Janeiro - RJ forum@forumdemocratico.org.br Pubblicità e abbonamenti Telefax (0055-21) 2262-2934 Revisione di testo (portoghese) Marcelo Gargaglione Lopes, Clara Salvador. Hanno collaborato: Cristiana Cocco, Marisa Oliveira.

gancho para a apresentação da Edição Maio Junho/2011, um Spaghetti com Gamberi, Aglio, Olio e Peperoncino combina bem (Gastronomia), assim como a dica do roteiro do vinho (Enoturismo) no sertão nordestino, com destaque para a cidade de Petrolina-PE (Turismo). Boas opções de programa – concerto, exposições e teatro (Agenda Cultural), trazendo Um violonista no telhado, espetáculo baseado nos contos judaicos de Sholom Aleichem, como uma das grandes promessas da temporada. Exemplo de determinação e solidariedade, o projeto de reinserção social da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro, que tem como público-alvo moradores de rua, pode mudar a cara do Rio (Entrevista/Brasil). A seção Artes Plásticas expõe o trabalho em ferro de Pedro Grapiúna e Antonello Confente nos conta sobre sua vida no Rio de Janeiro (Emigração). Julio Cortázar, reeditado em Todos os fogos o fogo, sempre a pregar peças com a sua escrita lúdica, original e inovadora (Literatura).

Logotipo: concesso da Núcleo Cultura Ítalo Brasileira Valença

O editorial Miracolo a Milano analisa o resultado das urnas

Stampa: Gráfica Opção

dado político mais significativo que o centro-

Copertina e Impaginazione: Ana Maria Moura A Mão Livre Design Gráfico

na votação de 15 e 16 de maio, na Itália, e aponta como direita, após 20 anos no poder, passou a ser minoria. Música, política e aspectos de brasilidade no texto de Luis Maffei.

Dados internacionais de catalogação na fonte (CIP) Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - Forum Democratico/ Associazione per

Carta do leitor

l’insterscambio culturale italo-brasiliano Anita e Giuseppe Garibaldi - No.0 (mar. 1999) - Rio de Janeiro: A Associazione, 1999 - v. Mensal. - Texto em português e italiano - ISSN 1516-8123 I. Política - Itália - Brasil - Periódicos. 2. Difusão cultural - Itália - Brasil - Periódicos. I. Associazione per l’interscambio culturale italo-brasiliano, Anita e Giuseppe Garibaldi. CDU 32:316.7(450 + 81)(05)

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f o r u mD E M O C R A T I C O

“Beleza de trabalho que o Instituto Terra faz. A Forum está de parabéns pelas abordagens das matérias e foco nos temas de interesse econômico e social, revelando tantos brasileiros que vêm brigando por um Brasil melhor.” Leonardo Nogueira, por telefone, abril de 2011

Maio / Junho 11


agenda cultural

EXPOSIÇÃO World Press Photo

TEATRO Um Violinista no Telhado Um Violinista no Telhado é também a expressão que melhor define a vida de seu protagonista. Pai de cinco filhas, o rústico Tevye é o leiteiro de um vilarejo judeu encravado na Rússia Czarista. Sempre em conflito para sobreviver e honrar as tradições religiosas, ele enfrenta problemas tanto dentro – as filhas se rebelam contra os casamentos arranjados – quanto fora de casa, em uma época que ataques russos (os chamados pogroms) expulsariam milhões de judeus da região. O espetáculo é baseado nos tradicionais contos judaicos de Sholom Aleichem. A produção reúne elenco de 43 atores liderado por José Mayer, que faz sua estreia no teatro musical. Texto: Joseph Stein; Letras: Sheldon Harnick; Música: Jerry Bock; Versão brasileira: Claudio Botelho; Direção: Charles Möeller; Direção Musical: Marcelo Castro; Elenco: José Mayer – Tevye, Soraya Ravenle – Golda e outros; Teatro Oi Casa Grande: Av. Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon; Tel.: (21) 2511- 0800; 5ª e 6ª, às 21h; Sáb., às 17h30 e 21h30; Dom., às 19h; Ingressos: 5ª e 6ª, variam de R$ 40,00 a R$ 120,00; Sáb. e Dom., variam de R$ 60,00 a 150,00; Lotação: 926 lugares; Duração: 130 min (com intervalo); Classificação: 5 anos; Até 18 de setembro.

Conversando com mamãe

Jodi Bieber, África do Sul, Instituto Artist Management Goodman, Gallery para Time

A exposição World Press Photo (WPP), a mais importante mostra de fotojornalismo, promovida pela organização holandesa de mesmo nome, está de volta ao Rio de Janeiro com 117 fotos, divididas em single e série de fotos, nas seguintes categorias: Notícias em Geral, Notícias em Destaque, Pessoas e Notícias, Esportes, Assuntos Atuais, Vida Cotidiana, Retratos, Arte e Entretenimento e Natureza. Retrospectiva dos fatos mais marcantes de 2010, a 54ª Edição da WPP elegeu como vencedora desta edição Jodi Bieber, fotógrafa sulafricana, pelo retrato de Bibi Aisha, a afegã que teve o nariz cortado ao fugir de casa e do marido. Alexandre Vieira, por uma série de fotos para o jornal O Dia, recebeu menção honrosa da organização WPP. CAIXA Cultural Rio – Galerias 2 e 3; Av. Almirante Barroso, 25, Centro, RJ; Tel.: (21) 2544-4080; de 3ª a sáb. das 10h às 22h; dom., das 10h às 21h; Entrada franca, Classificação livre; Até 19 de junho de 2011.

Esperando Outono Em sua 42ª exposição individual, Esperando Outono, Marcio RM flana por Buenos Aires e arredores, utilizando o click da sua máquina fotográfica pelo prazer de fazer e com um olhar mais afetivo. Nesse ensaio, Marcio desloca o foco do ser humano como objeto fotográfico e passeia suas lentes pelas cores do outono em paisagens portenhas, por exemplo. Fotógrafo profissional desde 1982, Marcio RM vem, há vários anos, se dedicando à elaboração e execução de projetos documentais, resultando desse trabalho inúmeras exposições e participações em palestras pelo Brasil. A exposição Esperando Outono está na programação oficial do FotoRio 2011 - Festival Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro. Centro Cultural Paschoal Carlos Magno – Rua Lopes Trovão, s/nº, Campo de São Bento, Niterói, RJ; Tel.: (21) 2610-5748; 2ª a 6ª feira, das 10h às 17h; Sáb.e Dom., das 10h às 15h; até 26 de junho de 2011; Entrada franca.

Maio / Junho 11

Conversando com mamãe aborda questões comuns às relações familiares, como a ausência de um filho e os conflitos entre gerações. Beatriz Segall e Herson Capri protagonizam o espetáculo - escrito pelo catalão Jordi Galcerán, traduzido por Pedro Freire - que se baseia no roteiro de Santiago Carlos Oves, cineasta argentino que levou às telas o filme homônimo. Conversando com mamãe proporciona momentos extremamente cômicos, aliados à sinceridade e à dureza de diálogos, que poderiam estar presentes em qualquer lar. Afinal, uma conversa entre mãe e filho pode render grandes surpresas e momentos de pura emoção. Autor: Santiago Carlos Oves;Versão teatral: Jordi Galcerán; Tradução: Pedro Freire; Direção: Susana Garcia; Elenco: Beatriz Segall e Herson Capri CAIXA Cultural Rio – Teatro Nelson Rodrigues; Av. República do Chile, 230, Centro; Tel.: (21) 2262-8152; de 6ª a sáb., às 20h; dom. às 19h; Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia); Lotação: 388 lugares; Duração: 80 min.; Classificação: 14 anos. De 17 de junho a 10 de julho de 2011.

CONCERTO Série Concertos Internacionais A orquestra Die Kölner Akademie (A Academia de Colônia) interpreta obras escritas dos séculos XVII ao XX, utilizando instrumentos originais e modernos, em apresentações regulares na Europa, nos Estados Unidos e Austrália. Regência: Michael Alexander Willens. Programa: Sinfonia nº 7 em Ré menor (F. Mendelssohn), Silouans song (Arvo Pärt), Sinfonia em Fá maior, Wq. 175 (H650) (C.P.E. Bach), Sonata para Cordas nº 6 em Ré maior (G. Rossini), Concerto para Clarineta e Orquestra em Lá Maior, K. 622 (W.A.Mozart). Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Mal. Floriano, s/n, Centro, RJ; Tel.: (21) 2332-9191; Sáb., dia 18 de junho de 2011, às 16h; Ingressos: de R$ 20 a R$ 420,00; Classificação livre.

f o r u m DEMOCRATICO

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editoriale

“Miracolo a Milano”: dopo vent’anni il centro destra in minoranza. Andrea Lanzi

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l centro destra era abituato a vincere al primo turno a Milano; in queste

elezioni amministrative è stato costretto al ballottaggio dove Letizia Moratti è stata clamorosamente battuta dal candidato del centro sinistra Giuliano Pisapia che ottiene il 55,1%. Il Partito della Libertà si ferma al 28,74 e la Lega Nord al 9,63%; il Partito Democratico e Sinistra e Libertà, ottengono rispettivamente il 28,63% e il 4,7%. Il terzo polo consegue il 4,58% e il Movimento 5 Stelle dell’attore Beppe Grillo ottiene il 3,43. A Napoli, dove al primo turno il candidato di centro destra, Lettieri, ha raccolto il 38,52% contro il 27,52 di De Magistris dell’Italia dei Valori, quest’ultimo stravince con il 64,5%; il PD, dopo che il suo candidato Morcone, si è fermato al 19,15 evidenziando la grave crisi che investe il partito, ha sostenuto con forza il candidato vincente; il terzo polo a Napoli arriva al 9,74% e il Movimento 5 stelle si ferma ben al di sotto del dato nazionale con 1,75%. Questo è il dato politico più significativo delle votazioni del 15 e 16 maggio e del successivo secondo turno per i candidati che non hanno superato il 50% dei voti. Era in palio il governo dei consigli provinciali di Vercelli, Pavia, Mantova, Treviso, Ravenna, Lucca, Macerata, Campobasso, Reggio Calabria e di 1274 municipi, fra cui quelli di Torino, Milano, Bologna e Napoli. La partecipazione dei cittadini in lieve diminuzione rispetto a 5 anni fa, si attesta al 59,62 nelle elezioni provinciali e al 71,04 in quelle comunali, dimostrando che i cittadini si sentono più interessati a chi amministra il municipio. Al primo turno nelle provincie di Lucca, Gorizia e Ravenna ha prevalso il centro sinistra, mentre a Treviso e Campobasso ha avuto la meglio il centro destra; al secondo turno nelle provincie di Trieste, Pavia, Mantova e Macerata vince il centro sinistra, mentre solo a Reggio Calabria si afferma il centro destra. Ai ballottaggi per i municipi il centro sinistra si aggiudica Trieste, Cagliari, Rimini, Novara, Grosseto, Crotone e Pordenone; a sua volta il centro destra conquista Varese, Cosenza, Rovigo, Iglesias e Vercelli. Nonostante il sistema elettorale incentivi la polarizzazione e la semplificazione degli schieramenti politici, una delle caratteristiche anche di questa tornata elettorale è stata la moltiplicazione delle liste elettorali con caratteristiche locali e addirittura personali sia all’interno delle alleanze per eleggere i sindaci e i presidenti di provincia, sia per concorrere direttamente a queste cariche. Altri risultati degni di rilievo sono quelli di Torino e Bologna dove sono stati eletti sindaci al primo turno Piero Fassino con il 56% e Virginio Merola con il 50,46%, entrambi del Partito Democratico. Nell’alleanza che elegge Fassino il PD ottiene il 34,5%, Sinistra e Libertà il 5,65, Italia dei Valori il 4,76 e

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f o r u mD E M O C R A T I C O

coloro che si definiscono “Moderati per Fassino ben il 9,06%; il centro destra si ferma al 27,3%, il Movimento 5 Stelle raggiunge il 5,26 e il terzo polo il 4,86. A Bologna a sostegno di Merola, il Partito Democratico consegue il 38,27% mentre Sinistra e Libertà giunge al 10,24; distanziato il candidato di centro destra con il 30,35 con il Partito della Libertà al 16,6 e la Lega Nord al 10,72; il Movimento 5 stelle raggiunge il 9,5%, dando un segnale chiaro dell’insoddisfazione di parte crescente della popolazione nei confronti del ceto politico. A Milano il vantaggio al primo turno e la vittoria al ballottaggio del centro sinistra, rappresenta – così come il risultato complessivo- l’inizio della fine di un sistema di potere incentrato su Berlusconi e sui suoi personali interessi, in primo luogo quello di sfuggire ai processi in cui è imputato per gravi reati economici ed ora anche legati alla prostituzione di minori. Con il passare degli anni, il “Sultano” come lo ha definito la moglie prima di chiedere il divorzio, è stato abbandonato dagli alleati della prima ora, prima Pier Ferdinando Casini dell’UDC e poi Gianfranco Fini che ha dato vita a FLI, abbandonando il Partito della Libertà di cui era stato uno dei fondatori. Cosa farà il centro destra? La Lega Nord di Bossi staccherà la spina al governo? E i Responsabili, la manciata di deputati letteralmente comprati da Berlusconi per sostenere la sua maggioranza traballante, cosa faranno adesso che si sente odore di crisi di governo? Le forze di opposizione di tutte le provenienze, da parte loro, non devono farsi intimorire dalla possibile accusa di lasciare il paese senza un governo nel pieno delle sue attribuzioni come accade in caso di elezioni anticipate; e si dimostreranno responsabili proprio chiedendo le dimissioni del governo, ed eventualmente nuove elezioni, per salvare la nazione dall’attuale galleggiamento in un mare di fango e senza prospettive per il futuro.

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ee d i tt oo rri iaal l

“Milagre em Milão”: depois de vinte anos, o centro-direita fica em minoria.

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centro-direita estava acostumado a ganhar no primeiro turno em Milão, mas nestas eleições administrativas teve que enfrentar o segundo turno no qual Letizia Moratti foi clamorosamente derrotada pelo candidato do centro-esquerda, Giuliano Pisapia, que obteve 55,1%. Em Milão o Partido da Liberdade alcançou 28,74% e a Liga Norte 9,63%; o Partido Democrático e Esquerda e Liberdade, obtiveram, respectivamente, 28,63% e 4,7%; o terceiro pólo chegou a 4,58% e o “Movimento 5 Estrelas” do ator Beppe Grillo conseguiu 3,43% de aprovação popular. Em Nápoles, onde no primeiro turno o candidato do centro-direita, Lettieri, conseguiu 38,52% dos votos contra 27,52% do candidato do centro-esquerda, De Magistris, da Itália dos Valores, este último venceu de lavada no segundo turno com 64,5%. O Partido Democrático, depois que o próprio candidado Morcone tinha alcançado míseros 19,15%, explicitando a grave crise que localmente vive o partido, apoiou resolutamente o candidato que depois ganhou a eleição e o terceiro pólo em Nápoles conquistou 9,74%, enquanto o “Movimento 5 Estrelas” atingiu – bem abaixo da média nacional – apenas 1,75%. Este é o dado político mais significativo da votação de 15 e 16 de maio e do sucessivo segundo turno para os candidatos que não superaram 50% dos votos válidos. Estava em jogo o governo das províncias de Vercelli, Pavia, Mantova, Treviso, Ravenna, Lucca, Macerata, Campobasso, Reggio Calabria e de 1274 municípios, entre os quais Turim, Bolonha e Nápoles além de Milão. A participação dos eleitores, em leve diminuição em comparação a 5 anos atrás, é de 59,62% nas eleições para as províncias e de 71,94% para as prefeituras, demonstração de que a população tem mais interesse por quem governa os municípios. No primeiro turno, o centroesquerda ganhou nas províncias de Lucca e Ravenna enquanto nas províncias de Treviso e Reggio Calabria venceu o centro-direita. No segundo turno as províncias de Trieste, Pavia, Mantova e Macerata foram conquistadas pelo centro-esquerda e só em Reggio Calabria o centro-direita se afirmou. No segundo turno para as prefeituras, o centro-esquerda, além de Milão e Nápoles, ganhou em Trieste, Cagliari, Rimini, Novara, Grosseto, Crotone e Pordenone, ao passo que o centro-direita conseguiu a vitória em Varese, Cosenza, Rovigo, Iglesias e Vercelli. Apesar de o sistema eleitoral incentivar a polarização e a simplificação do sistema político, uma das características desta rodada Maio / Junho 11

eleitoral foi a multiplicação das chapas com características locais ou até pessoais, seja dentro das alianças para eleger presidentes de província e prefeitos, seja para concorrer diretamente para estes cargos. Outros resultados dignos de nota são os de Turim e Bolonha, onde foram eleitos prefeitos no primeiro turno Piero Fassino com 56% e Virginio Merola com 50,46%, ambos do Partido Democrático. Na aliança que elegeu Fassino, o Partido Democrático obteve 34,5%, Esquerda e Liberdade 5,65%, Itália dos Valores 4,76 e aqueles que se definem “Moderados por Fassino” alcançaram um surpreendente 9,06%. Por outro lado, o centro-direita consegue 27,3%, o “Movimento 5 Estrelas” 5,26%, superando o terceiro pólo que só obteve 4,86%. Em Bolonha, apoiando Merola, o Partido Democrático conseguiu 38,27% e Esquerda e Liberdade 10,24%; o candidato do centro-direita alcançou 30,35%, com o Partido da Liberdade conseguindo 16,6% e a Liga Norte 10,72%; o “Movimento 5 Estrelas” tendo o apoio de 9,5 % dos eleitores, sinaliza que uma parte crescente da população está insatisfeita com a classe política. A vantagem para o centro- esquerda no primeiro turno e a vitória no segundo em Milão, depois de vinte anos, – assim como o resultado como um todo – representa o início do fim de um sistema de poder baseado na figura de Berlusconi e em seus pessoais interesses, em primeiro lugar o interesse de escapar dos processos nos quais é imputado por graves crimes econômicos e, agora, também ligados à prostituição de menores. Com o passar dos anos, o “Sultão”, como o definiu sua esposa antes de pedir o divórcio, foi abandonado pelos aliados da primeira hora, a saber, Pier Ferdinando Casini, da União Democrata Cristã, e depois Gianfranco Fini, que criou o grupo Futuro e Liberdade, abandonando o Partido da Liberdade do qual foi um dos fundadores. O que fará o centro-direita? A Liga Norte do senador Umberto Bossi sairá da base de apoio do governo? E os “Responsáveis” - o grupo de parlamentares literalmente comprados por parte de Berlusconi para sustentar a sua maioria parlamentar periclitante- o que farão agora, no momento em que se sente cheiro de crise de governo? Os diversos partidos de oposição não deveriam se amedrontar pelas possíveis acusações de deixar o país sem um governo na plenitude das suas atribuições, como acontece quando se realizam eleições antecipadas. Pelo contrário: eles se mostrarão responsáveis pelo bem da nação exatamente pedindo a demissão do governo, e, se for o caso, novas eleições, para salvar o país do mar de lama no qual está afundando sem perspectiva alguma.

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comunità

Congiuntura Italia. BOA VISTA

La sezione Roraima dell’Associazione Anita Garibaldi organizza la prima iniziativa.

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i è svolto il 9 aprile nella capitale del Roraima il primo evento della nostra associazione nei locali della scuola “Santa Rita de Cassia”; nei giorni precedenti Alberto Chirone, Victor Rocha e la direttrice della scuola Adriana Wenderlich de Castro hanno divulgato la Festa con interviste alle televisione locali e con un articolo sulla ‘’Folha de Boa Vista’’, che è il quotidiano più diffuso. A distribuire gli inviti hanno contribuito le alunne del Corso di Italiano promosso dall’Associazione, che sono anche alunne del Corso per Infermieri della FARES: Suyanne de Souza Pinheiro, Maria Luciene Andrade da Silva , Maria do Carmo Moraes da Siva , Kyvia Damasceno Oliveira, Yasmin A. de Souza Cruz Santana, Talita Araujo Santos Mota, Danielli Oliveira Rodrigues, Adriana Lima Veloso, Katia Severino da Costa. Il pranzo è stato il frutto del lavoro di uno stuolo di parrocchiani con padre Revislande dos Santos Araujo in prima fila, mentre la pasta fresca è stata offerta da ‘’Indústrias Mazonetto’’ (www.mazoneto.com.br ) che ha recentemente aperto uno stabilimento. La sera CD con musica italiana, la lettura del primo canto della Divina Commedia e la presentazione dell’associazione.

RIO DE JANEIRO

Nuovo presidente della Camera italo brasiliana di Commercio.

L

ascia la presidenza Raffaele Di Luca e assume Pietro Domenico Petraglia, precedentemente vice presidente e editore della rivista Comunità Italiana. Il presidente e gli altri incarichi della direzione, due vicepresidenti e due tesorieri, sono eletti da un consiglio direttivo di 15 membri (in questo rinnovo del gruppo dirigente) eletto dai soci della Camera. I conti della Camera non vanno molto bene - anche per la riduzione del contributo del governo italiano e per l’esiguo numero dei soci - e questo dovrebbe essere il primo problema su cui dovrà impegnarsi il nuovo presidente a cui vanno i nostri auguri.

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f o r u mD E M O C R A T I C O

La CGIL ha proclamato lo sciopero generale il 6 maggio, riempiendo le piazze, chiedendo una nuova centralità per il lavoro

L

’atteggiamento ambiguo del governo italiano rispetto alla decisione dell’ONU di autorizzare l’intervento in Libia della NATO a difesa della popolazione civile, ha nuovamente indebolito l’immagine internazionale dell’Italia. Abbiamo schierato Bossi contrario ai bombardamenti che potrebbero aumentare gli sbarchi dei profughi sulle nostre coste insieme agli orgasmi televisi del ministro della difesa La Russa, che non sta più nelle braghe con la prospettiva di sganciare la sua prima bomba (contro chi, per lui, è la cosa meno importante). La situazione economica e sociale continua grave, tanto che circa 25% degli italiani sono a rischio povertà, e si profila una manovra da 40 miliardi di euro per rispettare le nuove regole di armonizzazione delle economie europee. La CGIL ha proclamato lo sciopero generale il 6 maggio, riempiendo le piazze, chiedendo una nuova centralità per il lavoro, la tutela del lavoro precario, una nuova politica economica che sposti il prelievo fiscale dal reddito dipendente alle rendite finanziarie. Si sono realizzate le elezioni amministrative che hanno dato un indubbio vantaggio alle forze che si oppongono al governo Berlusconi. Se questo risultato elettorale obbligherà il governo a rassegnare le dimisioni ancora non è dato sapere.

Si svolgeranno a breve i referendum che hanno al centro i quesiti sull’energia nucleare, sulla privatizzazione delle risorse idriche e sulle tutele processuali alle alte cariche dello stato in caso di procedimento giudiziario. E intanto il primo ministro Berlusconi grazie ad una sentenza della Corte Costituzionale- è obbligato a presentarsi ai numerosi processi che lo vedono imputato.

La Russa

RIO DE JANEIRO

23 settembre: omaggio all’emigrazione italiana. Organizzato dalla Unione Italiani nel Mondo, con l’appoggio della Associação Anita e Giuseppe Garibaldi e della Federação Associações Lucanas, si realizzerà il 23 settembre nella Câmara dos Vereadores di Rio de Janeiro per iniziativa della vereadora Vânia Bastos un evento denominato “Homenagem à emigração italiana”. Saranno premiati italo brasiliani famosi e meno famosi che si sono distinti nella loro attività professionale o che hanno prestato rilevanti servizi alla comunità.

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comunidade

Congiuntura Brasile.

Antonio Palocci

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José Cláudio e Maria

a divulgazione dei dati del censimento 2010, mostrano un paese che è profondamente cambiato, che ha migliorato molto gli indici dello sviluppo socio economico (in particolare quelli riferiti ai livelli occupazionali, alla mortalità infantile, alla rendita per abitante), ma che deve ancora migliorare molto nella parità uomo/donna sul lavoro, nelle infrastrutture abitative, nei servizi scolastici. Il numero delle persone estremamente povere si è dimezzato ma per fare diventare realtà il nuovo slogan del governo federale “País rico é país sem miséria”, c’è ancora da percorrere un lungo cammino. Cammino reso più difficile dall’aumento dell’inflazione che ha reso necessario ridurre di circa 50 miliardi di reais le spese del governo e

Adelino Ramos

diminuire l’offerta di credito. A creare le prime difficoltà alla presidente Dilma - nonostante la larghissima maggioranza parlamentare di cui dispone - arrivano le votazioni sul nuovo Código Florestal e le accuse di arricchimento illecito al Ministro della Casa Civil Antonio Palocci. La questione della legge forestale è complessa: si tratta da un lato della amnistia per chi ha commesso crimini ambientali fino a luglio del 2008 sulle rive dei fiumi e sui fianche e le vette delle colline, non obbligando gli agricoltori a riforestare; inoltre le proprietà da 20 a 400 ettari a seconda della localizzazione, non dovranno ricomporre la foresta abbattuta illegalmente diminuendo la riserva legale, ossia la percentuale di terreno che non può

essere coltivata. Su questo il governo è andato in minoranza. Il fatto è tanto più emblematico quando nei giorni immediatemente successivi sono stati assassinati tre lider contadini e ambientalisti: i coniugi José Cláudio Ribeiro Da Silva e Maria do Espirito Santo a Maçaranduba e Adelino Ramos in Rondônia. Continua il dibattito sulla riforma politica e si delineano alcune novità fra le quali il finanziamento pubblico delle campagne elettorali e il voto alla lista di partito senza espressione di preferenze. L’ex presidente Lula, in un incontro politico con le confederazioni sindacali, ha proposto una assemblea costituente in concomitanza alle elezioni presidenziali del 2014 nel caso non si riesca ad approvare la riforma politica.

RIO DE JANEIRO

Celebrata la Liberazione dell’Italia dal nazifascismo con la proiezione del film “L’uomo che verrà”. Dando seguito ad un evento che si rinnova dal 1999, l’Associazione Anita e Giuseppe Garibaldi in collaborazione con la Federazione delle Associazioni Lucane in Brasile, la Ital Rio e l’Unione Italiani nel Mondo, ha commemorato il 66 anniversario della Liberazione dell’Italia dal nazifascismo con la proiezione del film di Giorgio Arditi “L’uomo che verrà” dedicato alla strage di Marzabotto. In quella occasione le truppe tedesche in ritirata dalla Linea Gotica trucidarono donne, vecchi e bambini in rappresaglia alle azioni di guerra delle formazioni partigiane. Per il prossimo anno si intende costituire una sezione dell’Associazione Nazionale Partigiani d’Italia in Brasile per contribuire a mantenere vivi gli ideali di democrazia, libertà e giustizia sociale che caratterizzarono la guerra di Liberazione.

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comunità

Pagamenti pensioni INPS all’estero: una scandalosa inefficenza e un ingiusto sacrificio per i pensionati.

RIO DE JANEIRO

Il gruppo Akkura si presenta all’Istituto Italiano di Cultura.

S

uccesso di pubblico per la presentazione finanziata dalla Regione Sicilia, del gruppo musicale. Una riflessione a margine, di questo come di altri eventi culturali, è l’incapacità delle associazioni italo brasiliane a Rio de Janeiro come nel resto del Brasile, di creare le necessarie sinergie per fare sì che ogni avvenimento promosso da una associazione regionale diventi un

appuntamento e un momento di ritrovo per tutta la comunità italiana entrando anche nel calendario culturale della città. Insomma meno “cosa nostra” e più “cosa di tutti”; vista la stupidità imperante, si sottolinea che abbiamo voluto fare un gioco di parole riferito alla comunità italiana e ai rapporti con la società carioca, senza nessun riferimento alla comunità siciliana.

L

’Istituto previdenziale italiano ha pensato bene di modificare le procedure di pagamento delle pensioni all’estero - con la scusa della necessità di conoscere l’esistenza in vita dei titolari di pensione ed evitare pagamenti non dovuti- senza avvisare i diretti interessati e nemmeno le strutture dei patronati presenti sul territorio. In Brasile - ma siamo convinti che sia successo in tutta l’America meridionale- quando i pensionati si sono recati in banca nei primi giorni di maggio per prelevare la pensione non l’hanno trovata. La lettera con la quale l’Istituto Centrale Banche Popolari (che effettua pare fino a settembre i pagamenti all’estero per l’INPS) informava i pensionati che si sarebbero dovuti rivolgere alla Western Union per ricevere la pensione è arrivata solo a partire dalla seconda quindicina di maggio creando fortissimi disagi. Il problema maggiore in paesi di dimensioni continentali, è che le agenzie Western Union sono pochissime (a Rio de Janeiro sono 3, per fare un esempio) e di dimensioni molto ridotte in quanto pensate per trasferimenti di denaro fra persone fisiche. Solo grazie ai patronati si è saputo che anche il Banco do Brasil, che ha una diffusione capillare sul territorio, è convenzionato con la Western Union e quindi in grado di effettuare il pagamento delle pensioni. Per essere precisi anche il Bradesco che effettuava in Brasile i pagamenti INPS è convenzionato con la Western Union, ma l’indicazione che ha dato agli sportelli è stata quella di dire semplicemente ai pensionati che il pagamento non era disponibile. Per concludere affrontiamo il caso di coloro che per motivi di malattia non possono recarsi personalmente a riscuotere: la procedura inventata dagli “scienzati pazzi” dell’INPS dice che si deve andare al Consolato per farsi rilasciare un certificato di esistenza in vita che dovrà essere spedito all’INPS insieme alla procura rilasciata alla persona che riceverà il pagamento; ci domandiamo come fa colui che è impossibilitato a ritirare il suo pagamento ad andare al Consolato - a volte lontano centinaia di chilometri- a farsi fare il certificato di esistenza in vita? Con i tagli alla rete consolare chi è quel cretino che pensa che i nostri Consolati siano in grado di svolgere questo servizio? In questi casi, che in genere coincidono con gravissime malattie, usando un po di buon senso bastava richiedere che o un medico o chi svolge localmente attività notarili certificasse l’esistenza in vita.

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RIO DE JANEIRO, FORTE DI COPACABANA, 7-11 DICEMBRE

Brasitalia: Esposizione di Artisti e Prodotti italo brasiliani.

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nstituto Tocando em você, Associação Anita e Giuseppe Garibaldi, Federação Associações Lucanas, Unione Italiani nel Mondo e Associazione di Amicizia Italia Brasile sono in fase di progettazione esecutiva di Brasitalia, evento che vuole offrire alla comunità italo brasiliana e alla città di Rio de Janeiro iniziative artistiche e culturali e prodotti italo brasiliani di qualità. Il Comites ha già confermato l’appoggio istituzionale mentre l’Ambasciata italiana ha confermato l’inclusione dell’evento nel MIB, Momento Italia in Brasile. Gli organizzatori hanno intenzione di incontrare tutte le associazioni italo brasiliane per richiedere la collaborazione per invitare le regioni italiane di origine a partecipare all’evento con le eccellenze dei propri territori, a partire dal settore eno gastronomico.

La rivista Forum Democratico e il suo direttore assolti dalle accuse del “sindacalista” Adriano Stefanutti.

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on vogliamo annoiare i nostri lettori e quindi riportiamo l’essenziale. La nostra rivista e il suo direttore, Andrea Lanzi, erano stati querelati dallo Stefanutti perché avevano pubblicato un delirante e offensivo email scritto dallo stesso personaggio pesantemente offensivo di tutte le entità rappressentative della comunità italiana: associazioni, Comites, patronati. Altra colpa attribuita alla rivista e al suo direttore era quella di aver scritto che “sarebbe opportuno che Stefanutti partecipasse ad un corso sindacale per apprendere che i lavoratori vanno difesi e non licenziati” (in riferimento all’allontanamento di un lavoratore terzerizzato deciso da Stefanutti durante le ferie del Console Generale e da quest’ultimo revocato con reprimenda al nostro Stefanutti con relativa nota al MAE). Quindi, possiamo dire, vittoria piena grazie all’impegno dell’avvocato Mauro Attilio Mellone, vice presidente della nostra Associazione Anita e Giuseppe Garibaldi; non è reato documentare gli atti offensivi alla onorabilità degli organi rappresentativi della comunità italiana, anche se proferiti da chi si protegge sotto l’ombrello dell’immunità diplomatica a cui fra l’altro non ha diritto.

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gastronomia

Chi dice Italia, dice mangiare!

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Foto: Divulgação

om cozinha assinada pelo pelo chef André Galante, o Pecorino oferece muitos atrativos. Um deles é a salumeria, onde se pode escolher os antepastos diretamente do balcão: pecorino romano, à base de leite de ovelha, mortadela italiana legítima, queijos como taleggio e grana padano e outros mais entre muitas e deliciosas opções. Na seção de cicchetti (petiscos), podemos encontrar suppli al telefono (bolinhos fritos de risoto de tomate, recheados com muzzarela), fonduta di provolone dolce. Entre as massas, são destaque as receitas tradicionais, como troffie al pesto e o spaghetti alle vongole. Mas o grand finale é a série de cafés à italiana e doses de limoncello, licor de limão siciliano feito na casa, gelado, refrescante e digestivo.

Spaghetti con Gamberi, Aglio, Olio e Peperoncino (camarões, alho e pimenta)

Foto: Divulgação

Pecorino Bar e Trattoria Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1076, Jardins, São Paulo, SP - Tel.: 11 2339 2887 Horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 12h às 15h e das19h à 0h. Domingo das 12h às 17h.

Ingredientes 100 gramas de spaghetti numero 7 300 gramas de camarões médios sem casca 5 dentes de alho picados pimenta calabresa seca salsinha fresca picada 30 ml de azeite extra-virgem 1/2 limão siciliano

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Modo de preparo - Ferva o spaghetti em água salgada. Deixa a massa cozinhar e 5 minutos antes dela ficar pronta, acrescente em uma frigideira o azeite e o alho. Quando o alho começar a dourar junte os camarões e a pimenta calabresa seca. Espere até os camarões ficarem cozidos (cerca de 3 minutos).

- Escorra o spaghetti e coloque-o na frigideira com os camarões. - Finalize com uma colher de sopa da água em que foi cozida a massa. Coloque sal a gosto, salsinha fresca picada e esprema um pouco de limão siciliano. - Misture tudo bem e sirva bem quente. Rendimento: serve 1 pessoa

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Foto: Gilson Pereira

Marisa Oliveira

Catedral do Sagrado Coração de Jesus em Petrolina

Foto: Ivan Cruz (Jacaré)

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Roteiro

Foto: Gilson Pereira

Brasil tem novo roteiro do vinho bem no meio do sertão

Foto: Vitivinícola Vini Brasil

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Quatro estações

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ovos caminhos de desenvolvimento econômico - projetos de agronegócios e de turismo - se abriram para o Vale do Médio São Francisco, a partir do investimento em projetos de irrigação que permitiram o desenvolvimento da fruticultura, aí incluindo a viticultura, ou seja, o cultivo da uva. Casa Nova e Juazeiro, na Bahia e Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco, são os municípios do Vale que experimentam essa euforia, pouco comum no sertão nordestino. No que se refere à vitivinicultura (cultivo da uva e produção de vinho), essas cidades vêm atraindo investimentos não apenas nacionais, como a Miolo, mas também internacionais, como é o caso da Dão Sul, empresa portuguesa que se associou a duas empresas brasileiras para produzir vinhos de alta qualidade em Lagoa Grande, “a capital nordestina da uva e do vinho”. Os vinhos do São Francisco Atualmente cinco vinícolas produzem vinhos com as uvas irrigadas pelo Rio São Francisco. A pioneira, que começou a produzir no início da década de 80, é a Vinícola Vale do São Francisco Santa Maria da Boa Vista (PE), que fabrica os vinhos Botticelli. Em Lagoa Grande (PE), está a Vini Brasil, da Vitivinícola Santa Maria; a empresa é o resultado da fusão entre o grupo pernambucano Raimundo da Fonte (que já produzia o vinho Adega do Vale), com a Expand (maior importadora de vinhos do país) e a portuguesa Dão Sul, um dos mais conceituados produtores de vinho da Europa. Dessa parceria e sabedoria dos portugueses surgiu, por exemplo, Rio Sol tinto, mistura das uvas cabernet sauvignon com sirah – eleito, no ano de 2003 o melhor vinho brasileiro no

vinho II Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, em Bento Gonçalves. Ainda em Lagoa Grande estão a Vinícola Lagoa Grande, que produz na Fazenda Garibaldina os vinhos Garziera e Carrancas do São Francisco, além de plantar uvas de mesa; e a menor de todas, a Adega Bianchetti Tedesco, do casal de enólogos gaúchos Ineldo Tedesco e Izanete Bianchetti. Por fim, no município de Casa Nova, na Bahia, bem próximo da barragem de Sobradinho, na Fazenda Ouro Verde, está instalado um dos gigantes da vinicultura brasileira, a Miolo. Os visitantes podem contar com visitas guiadas à vinícola, em Casa Nova, através das quais irão conhecer o processo de produção e envelhecimento dos vinhos, fazer cursos na sala de degustação e adquirir produtos no varejo. A área escolhida do São Francisco para entrar no mundo dos vinhos é uma região semi-árida, de boa fertilidade, mas que necessita de irrigação, devido ao baixo índice pluviométrico. A média anual de temperatura gira em torno de 28 graus Celsius. São cerca de 300 dias de sol por ano. Tudo isso proporciona, no final, altos índices de teor de açúcar na uva. Além disso, consegue-se até 2,5 safras por ano, um ciclo contínuo de produção de uva. Na Vini Brasil, com visitas previamente marcadas, o turista pode ver os vários tipos de uvas cultivadas, como a cabernet sauvignon, shyraz, alicante bouchet e merlot, conhecer todo o sistema de produção e ainda fazer degustações. Enoturismo Com uma produção anual de 7 milhões de litros de vinho, a zona do Vale do São Francisco integrada à região sertaneja no Velho Chico, com belas paisagens, passeios interessantes e rica gastronomia resulta em um roteiro turístico bastante atraente. Assim, uma parceria entre a Assitur (Associação

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Oficina do artesão Mestre Quincas

Foto: Gilson Pereira

Ponte Presidente Dutra com visão de Juazeiro e Petrolina

Foto: Gilson Pereira

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Integrada de Turismo da Ride – Rede Integrada de Desenvolvimento) e o Sebrae-PE/Unidade Petrolina, criou o Roteiro Turístico Técnico Científico e Enoturismo, que começa em Petrolina, passa por Lagoa Grande, distrito de Vermelhos, e vai até Santa Maria da Boa Vista. O roteiro mais procurado atualmente é da Fazenda Ouro Verde, sede da Miolo, com direito à visitação de parreiras, processo de produção, degustação e até mesa de frios, como é o caso da Lagoa Grande, produtora de uvas de mesa, com e sem semente, e dos vinhos Garziera e Carrancas do São Francisco. Ali o turista é recebido por um enólogo e assiste a um vídeo sobre a produção de vinhos no Brasil e particularmente no Vale do São Francisco, e conhece a história de Jorge Garziera, que saiu do Rio Grande do Sul para produzir vinho em Pernambuco. A Rota do Vinho A cultura nordestina está presente nas festas típicas dos meses de junho e julho, época tradicional de celebração das colheitas, com manifestações expressas através da música e da dança, a exemplo das quadrilhas e dos forrós. No Rio São Francisco, diversas cidades oferecem programação de lazer aos visitantes, desde os saltos de bungie-jump, do alto de pontes, até as reuniões em barzinhos e restaurantes para contemplar o pôr do sol e comer pratos típicos, como os assados de bode e os saborosos peixes de água doce, com destaque para o surubim, peixe nobre do São Francisco. O Vale do São Francisco reúne as potencialidades turísticas dos municípios de Petrolina, Santa Maria da Boa Vista e Lagoa Grande. No sertão de

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Pernambuco, a aridez da caatinga cede espaço para a exuberância da produção agrícola com uvas que fazem o vinho considerado como um dos melhores do Brasil. A rota oferece ainda uma culinária rica, constituída por bodes e carneiros, animais resistentes que ajudaram o homem a fixar-se nesta parte do Brasil. O Velho Chico também oferece uma bela culinária, com grandes diversidades de peixes e moquecas. No Sertão pernambucano a caatinga virou oásis e inseriu o Vale de São Francisco no mapa do enoturismo mundial, principalmente as cidades de Santa Maria da Boa Vista, Lagoa Grande e Petrolina. Mais de 15% dos vinhos feitos no Brasil são procedentes do Vale de São Francisco. Em dois municípios da rota, é possível conhecer o processo de fabricação de um vinho das vinícolas produtoras e degustá-los. Os roteiros também incluem city-tour nos principais atrativos de Petrolina e Juazeiro, além da visita à Barragem de Sobradinho, onde se pode apreciar a vista do segundo maior lago artificial do mundo, o Lago de Sobradinho, e a eclusagem, um sistema de engenharia hidráulica que é acionado para que as embarcações possam transpor os desníveis causados pela barragem e seguirem para Juazeiro, onde se encontra o principal porto fluvial da região. No final do dia, ao pôr do sol, um passeio de barco no Velho Chico é imprescindível para apreciar o belo cenário entre o céu, a terra e o rio. Fazer trilhas na Serra

do Mulato e seus sítios arqueológicos com pinturas rupestres, visitar a Bio Fábrica da Moscamed (desenvolvida em laboratório para o combate a pragas da fruticultura) e ainda as fazendas irrigadas e produtoras de frutas orgânicas, também integram os ro-

Foto: Patrícia Telles

Carranca da artesã Ana das Carrancas

N O S E RT Ã O N O R D E S T I N O

Ilha do Rodeador, o atrativo natural mais famoso de Petrolina e região, depois do Rio São Francisco.

Fonte: Setor de Turismo da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Cultura e Eventos de Petrolina

Informações turísticas www.agenciarafhatur.webnode.com Telefones: (87) 3862 0420, 8807 8108, 9909 0464 e-mail: atendimentorafhatur@hotmail.com ou agenciarafhatur@oi.com.br

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Marisa Oliveira

Todos os fogos o fogo

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onsiderado um dos escritores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, o argentino Julio Cortázar revela em Todos os fogos o fogo imagens bem examinadas do cotidiano e seu lado solidário nas relações humanas. No total, esta coletânea reúne oito contos bem representativos do autor. No engenhoso texto A autoestrada do sul há a criação de microssociedades; no belo Todos os fogos o fogo duas histórias de paixão aparentemente desconexas são narradas paralelamente. Em A saúde dos

Todos os fogos o fogo (Todos los fuegos el fuego) Autor: Julio Cortázar Tradução: Glória Rodrigues Editora: Edições BestBolso Páginas: 160 Preço: R$ 12,90

doentes, um olhar tão aguçado sobre comportamento quanto o ouvido da mãe do narrador, que segundo ele, possuía “uma inquietante capacidade para adivinhar onde estava cada um”. Irretocável! O maior valor dessa coletânea é reeditar um autor – e sua obra – para que não caia no esquecimento toda a inventividade e genialidade da escrita de Cortázar. Em Cortázar, a linguagem e o gênero se complementam em tramas originais e especiais. O cotidiano na linguagem, nas imagens. Tão simples e tão preciosa. Vale a pena conhecê-la. Vale a pena ler de novo.

Quem é Julio Cortázar (1914-1984)? Nasceu em Bruxelas e aos quatro anos mudou-se para a Argentina, país de origem de seus pais e cuja nacionalidade acabou por adotar. Quando jovem, estudou Letras e trabalhou como professor em várias cidades do interior da Argentina. Em 1951, fixou residência definitiva em Paris, onde construiu uma brilhante carreira literária, iniciada com a publicação de Os reis. Entre suas principais obras destacam-se O jogo da amarelinha, Histórias de cronópios e de famas, Octaedro e As armas secretas.

A Restauração das Horas

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m homem que morre. O relógio do tempo que não pára, o passado, o pai, o convívio familiar. Uma obra sobre amor e perda que revela um conhecimento profundo das necessidades mais básicas do ser humano como ser social. Vencedor do Prêmio Pulitzer, edição 2010, A restauração das horas, do americano Paul Harding, combina linguagem e sensibilidade, técnica e emoção, fala de questões espirituais, psicológicas e metafísicas; fala de relacionamentos e de família.

A Restauração das Horas Autor: Paul Harding Tradução: Diego Alfaro Editora: NovaFronteira Páginas: 176 Preço: R$ 34,90

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Cercado de relógios antigos que ele mesmo fez, George Washington Crosby, relojoeiro especialista em relíquias, em seu leito de morte – uma cama na sala de jantar – passeia pelas desgastadas vigas e alicerces da casa e de si mesmo, com a mesma meticulosidade com que trabalhou as engrenagens do ofício que praticou durante sua vida. O tema recorrente da morte, que assombra os indivíduos, tratado com propriedade.

Quem é Paul Harding? É mestre em Belas-Artes pelo Iowa Writer’s Workshop, em Iowa, nos Estados Unidos. An­tes de A restauração das horas, romance de estreia que lhe rendeu o prêmio Pulitzer de ficção em 2010, publicou alguns de seus contos em um perió­dico local. Atualmente, Paul vive em Georgetown, Massachusetts, e dá au­las de escrita criativa na Universidade de Harvard.

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às compras

Sacrodança - Ouçamos juntos (M.O.) Marcante, inesperado, apurado. Esses são os adjetivos que afloram de imediato ao ouvir Thiago Amud em seu primeiro CD Sacrodança, cujas letras, músicas e arranjos de todas as 10 faixas são dele. De fato experimenta diversos gêneros e carrega no tom da ousadia ao fugir do óbvio e do lugar comum. Em todas as faixas, a autoria marcante ou a marca carregada de personalidade. Vozes, coros, carnavais. Profusão de harmonias quase beirando o experimentalismo. Compositor, arranjador, violonista, Amud traz um música diferente. Sacromúsica. Propõe o artista que “dancemos juntos a ciranda imensa do Dia do Juízo ao som da fanfarra dos anjos.” Ouçamos juntos, então, a música de Thiago Amud. Onde encontrar Em duas cores: branco translúcido e cinza; frasqueira em PVC, em nylon, com alça e fechamento por zíper.

Preço: R$ 19,90

Cerâmicas e caramelos A Suzy (Suzy’s Pottery) faz as cerâmicas e a Betinha os caramelos (Bendito Caramelo). As cerâmicas são pintadas a mão e podem ser feitas ao gosto do cliente. A escolher os seguintes sabores: ovo, amendoim e chocolate belga. Bonitos e gostosos. Potes e caramelos podem ser encomendados separadamente. Jarra de cerâmica pintada a mão com flores + 10 balas carameladas (sabor a escolher) Preço: R$ 112,00

Bowl de cerâmica pintada a mão com listras + 15 balas carameladas (sabor a escolher) Preço: R$ 103,00 Onde encontrar: (21) 2527-7140 ou por e-mail: suzy.gentil@gmail.com

Garra, criatividade e arte Artesanato baseado no conceito sustentável e socialmente inclusivo não só está na moda como faz moda, arte e decoração. As mulheres do grupo Fuxicarte (Jardim América, RJ) começaram com o fuxico e já ampliaram sua criação. Cinqüenta bordadeiras do município de Natividade, interior do Rio de Janeiro, vêm produzindo, além de bolsas e outros produtos, renda e disseminando técnica de bordar. E, do grupo AME, de Campos dos Goytacazes, chegam bonecas feitas a partir de bagaço de cana de açúcar.

Ideias, sempre muitas ideias Tudo se aproveita, tudo se transforma: resíduos de algodão viram vasos, pedaços de madeira, bandeja e retalhos de tecidos servem para encapar cabides reproveitados.

Onde encontrar: Rede Asta - www.redeasta.com.br ou pelos telefones (21) 3976-3159/3976-3152.

Boneca de cana (Grupo AME) Preço: R$42,00

Bolsa bordada feita à mão (Bordados Natividade) Preço: R$159,00

Dupla de mini almofadas (Fuxicarte) Preço: R$29,00

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Vasos Preço: R$60,00 ( cada)

Bandeja Preço: R$165,00

Kit com 3 cabides Preço: R$29,00

Onde encontrar: www.reviraideias.com.br Contatos com a seção Às Compras para apresentação/sugestão de produtos sustentáveis ou demais produtos podem ser enviados para pauta@forumdemocratico.org.br

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Encarte especial Forum 105-106 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo LXX

f a s c i c o l o Símbolos utilizados  Informação histórica

 Expressão - locução  “Falsos amigos” ou falsas analogias  Ao fim do parágrafo, há uma janela

Gírias ou expressões fixas

Anglicismos e neologismos

di brevi testi in Lingua Italiana

 Dialetos

a cura di Cristiana Cocco

“Mia suocera beve” di Diego de Silva Non era così che stavano le cose (ma fa niente)

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a consapevolezza1 che la crisi con Alessandra Persiano fosse non solo cominciata, ma giunta pure a metà dell’opera, l’ho avuta una mattina in tribunale, nell’uscire da un’aula di udienza civile stipata2 di colleghi non proprio beneodoranti, dopo aver ottenuto un rinvio della mia causa a, tipo, undici mesi (come senz’altro sapete, fare una causa civile dalle nostre parti consiste quasi regolarmente nel rinviarla. Sono più di cinque milioni, i processi civili pendenti in Italia; oh, lo so, la cifra non sembra meravigliarvi così tanto: ma vi assicuro che finché non si rientra nella statistica non ci si rende conto di come sia davvero messa, qui da noi, la giustizia). È stata una visione in forma di coscienza, un déjà-vu al futuro, la percezione di una solitudine senza rimedio a cui non puoi che andare incontro, come se in quell’attimo fossi già tornato a casa e avessi trovato il foglietto piegato in due sul tavolo della cucina; tant’è che lì per lì3 m’è venuto da grattarmi4 e l’avrei anche fatto, se non fossi stato impegnato a sgusciare fra le panze di due fuorisede con i completi color mou5 del tutto insensibili ai miei ripetuti tentativi di assottigliamento6, indaffarati com’erano a scambiarsi racconti palesemente gonfiati dei loro recenti successi professionali (incredibile come noi uomini, pur avendo raggiunto una considerevole età, stiamo ancora a contarci palle7 per il puro gusto della vanteria). Non chiedetemi come mi sia successa una cosa simile, né perché abbia subito preso sul serio quella specie di premonizione, spaventandomi così tanto. Non lo so. Quello che mi sembra di aver capito, nella mia neanche tanto memorabile carriera sentimentale, è che quando ci allontaniamo da chi abbiamo amato (o amiamo ancora), lasciamo un sacco di tracce in giro per casa. Piccoli

messaggi di disattenzione e d’insoddisfazione che sistemiamo dappertutto, e lo facciamo anche apposta. Ammucchiamo scortesie, omissioni, sguardi non ricambiati, parole che non dicono più niente. E quando usciamo per strada e ci ritroviamo fra la gente, e perdiamo la rassicurazione della presenza della persona che solitamente ci è accanto anche se ci sembra di non amarla più come prima, tutta questa lontananza accumulata ci raggiunge fra i rumori e le voci degli altri, e diventa pura solitudine. Una volta evaso, invece di allontanarmi e cercarmi un posticino appartato dove fare i conti con lo sgomento e tentare in qualche in modo di decifrarlo, sono andato a gelarmi il culo su una delle panchine di marmo poco distanti dall’ingresso del tribunale e mi sono messo a guardare i passanti, chiedendomi cos’avessero loro che io non avevo. Sulla panchina accanto, nel ruolo di Forrest Gump, c’era un disgraziato con un tetrapak di Tavernello8 che ogni tanto mi guardava di sottecchi, come domandandosi se non c’eravamo già incontrati da qualche parte. Quasi quasi gli chiedevo se me ne offriva un sorso. È stato allora che mi è squillato il cellulare. L’ho tirato fuori dal taschino esterno della giacca, maledicendomi per non averlo spento o almeno silenziato (cosa che fra l’altro faccio sempre, le volte - poche - in cui mi trovo in udienza). Non ero in vena di rispondere al telefono e tanto meno a Nives, che con ogni probabilità mi chiamava per strigliarmi a proposito della faccenda del whiskey a sua madre; per cui sono rimasto a guardare la sanguisuga di plastica che mi protestava in mano agitandosi e strillando come un’invasata, mentre il mio vicino avvinazzato9

Sinonimo di ‘coscienza’. Sinonimo di ‘piena, affollata’. 3 L ‘espressione ‘lí per lí’ significa in portoghese ‘no ato, naquele instante’. 4 Qui il narratore allude alla credenza che, grattandosi i testicoli, si allontani la sfortuna. È uno dei tanti gesti scaramantici italiani che aiutano a farlo, come fare le corna e il toccare ferro. 5 Questo colore del completo [terno] ‘mou’ si rifà alle famose ‘caramelle mou’ che sono di un beige chiaro, caramello chiaro.

Ossia nei suoi tentativi di semplificazione, di riduzione delle discussioni. In linguaggio familiare, le palle sono le bugie. 8 L’immagine è il massimo dello squallore [mediocridade]: il vino Tavernello è un sottoprodotto dell’industria vinicola italiana, poi imballato in un tetrapack assume un aspetto ancora più povero. 9 Ubriaco.

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Introduzione alla lettura

com informações fora do texto 

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Diego De Silva è nato a Napoli nel 1964. Ha pubblicato da Einaudi i romanzi La donna di scorta (2001, finalista premio Montblanc), Certi bambini (2001, premio selezione Campiello, finalista premio Viareggio), Voglio guardare (2002), Da un’altra carne (2004), Non avevo capito

de

niente (2007, finalista premio Strega 2008). Da Certi bambini è stato tratto nel 2004 il film omonimo diretto dai fratelli Frazzi, vincitore di due David di Donatello. Suoi

diego

racconti sono apparsi in svariate antologie, fra cui Disertori e Crimini (Einaudi Stile Libero 2000 e 2005). Con Antonio Pascale e Valeria Parrella ha scritto lo spettacolo teatrale Tre terzi, interpretato da Marina Confalone per la regia di Giuseppe Bertolucci. Scrive anche per il cinema, la tv e il teatro. I suoi libri sono tradotti in Inghilterra, Francia, Spagna, Germania, Olanda, Portogallo e Grecia.

annuiva per solidarietà, manco avesse fatto anche lui esperienza recente di quello specifico imbarazzo. Ho tentato di resistere, ma siccome quel cazzo di telefono non la piantava di denunciare la mia inerzia (da non credere quanti squilli faccia una chiamata prima di auto-estinguersi, quando vorresti che la smettesse), mi sono visto costretto ad assecondarlo10, facendo una bella scorta d’ossigeno, prima. -Se è per la faccenda del Jack Daniel’s, - sono partito subito all’attacco, sono stupido, infantile e fuori luogo. Se non ci sono altre recriminazioni, la chiudiamo qui? La pausa seguente sarà durata, tipo, un minuto netto. -Sono Alagia, Vince’. Il tono era assolutamente commiseratorio11. Al che ho avuto una visione: io in un teatro, al centro del palco, avvolto da un cono di luce bianca; in platea e sui loggioni, un pubblico foltissimo e sadico che mi additava e rideva (un paio li conoscevo addirittura). -Si può sapere perché cazzo mi chiami dal telefono di tua madre? - ho ribattuto, penosamente aggressivo. Il tavernellista s’è girato verso di me. Avrò urlato. -Perché il mio è scarico, - ha detto lei, senza scomporsi. Ho stretto gli occhi. S’era sfocato tutto, lì intorno. -E non potevi chiamarmi dal fisso? Sinonimo di ‘accontentarlo’. Ossia la voce trasmetteva pietà.

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Alagia ha lasciato andare un lieve sospiro, prima di rispondere. -Vincenzo. Calma, come non ci fosse motivo di agitarsi. -Che vuoi? -Sei un cretino. Non potevo essere più d’accordo. -Senti ragazzina, non è giornata. -«Ragazzina» lo dici alla tua fidanzata. «Sempre che la trovo ancora a casa quando rientro», ho pensato. -Credevo fosse tua madre, va bene? Altro sospiro. Sembrava preoccupata. -È proprio di lei che volevo parlarti. -Perché sussurri? -Perché è nell’altra stanza, e non voglio che mi senta. -Ma che è successo? -La nonna non vuole vederla. -Come? - ho chiesto alzandomi di scatto, sia per la causticità della notizia, sia perché la panchina mi aveva anestetizzato le chiappe12. Il tavernellista mi ha fissato con preoccupazione. -Hai capito bene. «Non portatemi vostra madre». Così. Testuale. -Ma perché, hanno litigato? -Ma no. Figurati se litigavano in un momento del genere.

Encarte especial Forum 105-106 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo LXX

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Ossia ‘os glúteos’ in linguaggio familiare.

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Encarte especial Forum 105-106 - Introduzione alla lettura di brevi testi in Lingua Italiana - Fascicolo LXX

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-Allora che cacchio13 le ha preso? -Non lo sappiamo, Vince’. Non vuol sentire ragioni. Soprattutto, non ne dà. Se Mamma si presenta a casa sua, fa scena muta. Oppure, come ieri, si chiude in bagno finché non se n’è andata. È imbarazzante, te lo assicuro. E Mamma non si dà pace. -E ci credo. Gesù, che situazione. Ne avete parlato ai medici? Non le sarà venuto pure l’Alzheimer? - Sta benissimo, Vince’. Da quel punto di vista, intendo. È più lucida di sempre. Vedessi come sta imparando il rumeno, a forza di fare pratica con Miorita. Che poi sarebbe la badante di Ass. -Ma roba da pazzi. -C’è un’altra cosa. -Pure. -Chiede sempre di te. -Di chi? -Sembra che tu sia l’unica persona che ha voglia di vedere, oltre a me e Alfredo; e neanche tanto, se vuoi che te la dica tutta. Cioè, non ha niente in contrario se andiamo a trovarla, ma non è che le facciamo tutto questo effetto. A te, invece, ti nomina continuamente. -Sarà stato il Jack Daniel’s. La citazione ha fatto girare il mio vicino di panchina. -Sai che l’ho pensato anch’io? Va be’ che sei sempre stato il suo cocco. -Okay, puoi smetterla di lisciarmi, ho capito. Pausa d’intesa. -Mamma è davvero depressa, Vince’. Non te l’avrei chiesto se non fosse stato necessario. -Ehi, non posso costringere Assunta a vedere tua madre se non vuole, d’accordo? Silenzio. Vai col senso di colpa. -Oh, - ho detto, assumendo prontamente la forma del tappetino (metamorfosi che mi riesce benissimo, visto che la pratico spesso, nei miei rapporti affettivi), - sei ancora lì? -Sì, - ha risposto opportunamente affranta, quella stronza. -Volevo dire che ce la metto tutta, va bene? -Va bene. Grazie. Pausa. Al termine della quale m’è venuto da rilasciare una dichiarazione spontanea. -Vaffanculo, però. Lei c’è rimasta, lì per lì. -Perché? -Perché sai bene come farmi sentire in difetto, tu. Sei quasi più subdola di tua madre. A proposito, è al corrente del progetto?

Potrebbe essere tradotto cosí: ‘que diabos deu nela?’.

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-Certo che no. Lo sai che non sopporta le mediazioni. -Ah, già. Dimenticavo i suoi saldi principi. -C’è un’altra cosa che devo chiederti. -E sarebbe? -Dovremmo fare in modo che non venga a sapere che vai a trovare la nonna. Ci ho messo un minutino a inquadrare il concetto. -Ah, pure? - sono sbottato. - Adesso dovrei anche imbastire una relazione clandestina con tua nonna per non ledere le convinzioni rigorose di tua madre? Sta’ a sentire, - ho rincarato la dose, entusiasmandomi, - mi chiedi già un favore: non sono disponibile a farglielo anche di nascosto! S’è presa un momento per contrattaccare. -Cristo, Vince’, mettiti nei suoi panni: tua madre sta morendo di cancro e tu non puoi starle vicino perché non vuole vederti, e però lei chiede continuamente della tua ex (e sottolineo, ex) moglie. Non ti sentiresti depresso? Non credi che sarebbe più nobile da parte tua cercare di risolvere questa situazione assurda senza farlo sapere alla tua ex (e risottolineo, ex) moglie, piuttosto che vantartene? «Merda», ho pensato. Detesto quando le mie ragioni vengono azzerate da quelle degli altri. Perché è chiaro che quando la ragione altrui prevale oggettivamente sulla tua, devi soccombere. E devi farlo anche se, tutto sommato14, di quella ragione potrebbe anche non fregartene più di tanto, visto che anche tu hai i tuoi problemi e non sta mica scritto da qualche parte che devi stare sempre a farti carico di quelli degli altri, che con la scusa che hanno ragione ti arruolano. Non è che siccome uno ha ragione intimidisce il prossimo e gli consegna la lista delle cose da fare. Bisognerebbe rinunciare ai privilegi che la ragione conferisce, per averla veramente. Invece, quelli che hanno ragione, poi la usano a proprio vantaggio. Per cui alla fine, secondo me, non ce l’hanno mica così tanto. Prendete adesso. Ve ne stavate su una panchina ad avvilirvi con i vostri guai senza dare fastidio a nessuno. A un certo punto vi chiamano, vi attaccano tutta una pippa15 sulla vostra ex suocera che in anticamera di chemio ha inspiegabilmente decretato che non vuol ricevere visite dalla vostra ex moglie e voi, che manco lo sapevate, che avete la sola colpa di aver risposto al telefono, vi ritrovate da un momento ll’altro con un lavoro da fare. E il bello, in tutto questo, è che avete anche torto. Ma non vi pare troppo? -Oh, - ho reagito, rasentando l’esasperazione, - ma è possibile che in un modo o nell’altro io debba sempre beccarmi un rimprovero? Che mi tocchi comunque una mortificazione, anche quando mi chiedete un favore? E che cazzo! Silenzio. Aah. L’ho messa a tacere. Giusto un momento, s’intende.

Ossia ‘pensando bem’. Ossia una conversazione lunghissima, una storia che sembra non avere fine.

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-Scusa, non volevo essere ingiusta. È che siamo molto in pena per Mamma, io e Alfredo. -Va be’, senti, lascia perdere. Vedrò cosa posso fare. E ci siamo salutati. Indovinate la parola che ho detto quando ho chiuso il telefono. Il tavernellista mi ha lanciato un’altra occhiata solidale, quindi ha sollevato il tetrapak, dedicandomelo, e ha dato una lunga sorsata. Ho annuito come a dire: «Alla tua». E niente, sono rimasto nei paraggi16 passeggiando a scopo di riflessione sui possibili sviluppi degli eventi in corso quando all’improvviso, come un’apparizione, ho visto Alessandra Persiano che smanettava con il cellulare a una ventina di metri di distanza, in linea d’aria. Per un momento, giuro, non mi è sembrata vera, tanto era leggera, luminosa, vestita che meglio non si potrebbe (una delle cose che mi fanno impazzire di lei è che anche se le vedi addosso un capo d’abbigliamento che ha messo quattrocento volte, sembra sempre che l’abbia appena comprato), disinvolta nella sua bellezza, inspiegabilmente sexy nel guardare il display del cellulare con una lieve espressione di disgusto sulle labbra. Mentre il mio cuore vigliacco si accaniva contro le sbarre della cassa toracica bruciando in pochi secondi almeno un paio d’ore d’autonomia (tanto che avrei voluto dirgli: «Ma che ti scalpiti, non la conosci?»), ho registrato i sintomi di una delusione particolarissima che ho provato solo imbattendomi nei personaggi famosi, ad esempio una volta con Sting. Se ci fate caso, i personaggi famosi incontrati all’improvviso ci deludono sempre un po’. E non perché ci piacciano meno di quanto ricordavamo o pensavamo ci sarebbero piaciuti se un giorno ce li fossimo trovati davanti: al contrario. A deluderci è la naturalezza che mostrano nell’essere se stessi, nel fare di sé quello che vogliono, nel comportarsi più o meno come chiunque altro. È la loro autonomia rispetto alle nostre aspettative, il loro diritto a essere persone comuni se gli va17, quella spavalda libertà di entrare e uscire dal personaggio, che li affranca di schianto da tutte le proiezioni di cui li abbiamo gravati anche a loro insaputa, e ci fa sentire stupidamente defraudati. E benché sia imbarazzante ammetterlo, non glielo riconosciamo, quello sfrontato diritto di rovinarci l’immaginazione, facendo scialo18 di sé. Non ci va che si concedano così tanto. Vorremmo che se ne stessero appartati, lontani dalla bolgia della normalità. Che rimanessero dove li abbiamo lasciati, piuttosto che andare in giro (sei già così importante, devi anche essere libero?) Comincio a credere all’esistenza di una perversa logica conservatrice che fa scontare il successo con la mancanza di libertà. Prendete Saviano. Per la gente che lo ama, sapere che non possa circolare liberamente è una forma di assicurazione sull’immaginario. Il pubblico lo conserva esteticamente integro nella clausura della vita blindata. Non può incontrarlo per strada, deve aspettare di vederlo in tv. Non può farsi firmare il frontespizio di Gomorra

Ossia ‘lì vicino’. ‘Se gli va’, ossia ‘se estiver a fim’. E’ l’uso del verbo ‘andare’ usato in questo significato. Es. “Oggi non mi va di uscire”, oppure “Ti va di venire con me al cinema?” 18 Letteralmente ‘esbanjando a si próprio’ 19 Detto di ragazza vivace e spudorata. 20 Falso amico del portoghese, assumere in italiano significa ‘contratar’.. 16 17

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come farebbe con il libro di un qualsiasi altro scrittore, deve superare la barriera degli agenti della scorta. E se vuole scambiarci due parole, deve approfittare del morso di minuti di cui può disporre, prima che se lo portino via di nuovo. Sai che tristezza, invece, trovarselo accanto una sera in discoteca, mentre del tutto legittimamente rimorchia una sgallettata19 neanche bella perché magari ha bevuto un po’ (cioè quello che faresti tu, potendo). Ti deluderebbe, chiaro. Penseresti (anche se non sono cazzi tuoi): «Oh, Savia’, però». E insomma, superato (diciamo) lo shock dell’apparizione di Alessandra Persiano, ho fatto un po’ d’autoventilazione e mi sono fermato nel bel mezzo del corso, aspettando che si accorgesse di me. Non se n’è accorta. Non sono mica bello, del resto. «E no che non lo sei», mi ha subito confermato il mio angelo custode (che non sono stato io ad assumere20, questo va detto). «Non hai proprio un cazzo da fare?», gli ho risposto. E mi sono messo a sventolare una mano come i manichini automatici che alzano e abbassano il braccino per segnalare le deviazioni in autostrada. Finalmente, quella che non ero più così sicuro fosse la mia donna mi ha localizzato. L’espressione che le è comparsa in volto, non esagero, era quella che avrebbe potuto avere se mi avesse tumulato21 il giorno prima. «Sono già uno zombi?», mi sono detto mentre le andavo incontro con una rassegnazione molto simile a quella con cui, da ragazzo, mi alzavo dal banco e raggiungevo, impreparato, la lavagna (se volete che ve lo dica, non sono niente male, quei momenti). «Dài che non è nulla, - diceva la carogna addetta alla mia custodia22. - Il peggio verrà dopo». «Ah, grazie, sei un angelo», ho ribattuto. Nel tutto sommato breve tratto che mi separava da Alessandra Persiano, ho passato in rassegna una rapida lista di formule di benservito23 che avrebbe potuto scegliere in una circostanza come quella: a)Ti prego, non rendermi le cose più difficili; b)Sono contenta di averti incontrato: meglio parlarsi in un luogo neutro, a casa non ce l’avrei fatta a sostenere questo strazio; c)Non voglio perderti come persona; d)Le chiavi sono sulla consolle. Non cercarmi, per favore. Ti chiamo io; e)Ho bisogno di capire cosa provo, e non posso riuscirci se non mi allontano da te; f)Ti va se ci sediamo in un bar? Giunto al suo cospetto, predisposto com’ero a farmi fucilare sul posto, il vederla inaspettatamente illuminarsi e sorridere, come se lei per prima si stupisse di una contentezza da cui non immaginava d’essere investita, mi ha così emotivamente spiazzato24 che m’è sembrato di sentire il rintocco ravvicinato di una piccola campana, come i cartoni animati quando s’innamorano.

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21 Ossia ‘messo nel tumulo’, nella tomba, seppellito, in senso figurato, ma che qui funziona perché lui crede che la loro relazione sia finita. 22 Qui Vincenzo si riferisce all’angelo custode [anjo da guarda], descrivendolo come ‘o canalha encarregado da minha custódia’. 23 Sarebbe come dire ‘fórmulas para me despachar’. 24 Ossia l’ha lasciato ‘desnorteado’.

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-Ti è arrivato un messaggio, - ha detto lei. -Eh? - ho detto io. Totalmente inebetito, immagino. -Un messaggio, - ha ripetuto; ma siccome continuavo a guardarla come fosse la prima volta che sentivo quella parola, s’è messa a picchiettare l’aria con l’indice destro in direzione del taschino della mia giacca, quindi ha scandito lentamente il concetto, alzando anche la voce. -Ti è arrivato un messaggio sul cellulare. Ecco cos’era la campanella che avevo sentito. -Ah, - ho detto, tornando alla tridimensionalità. E ho tirato fuori il telefono. Come se poi me ne fregasse qualcosa, in quel momento. Ho riconosciuto il numero del mittente. M’è partita una sudata da surgelazione istantanea. Non avevo la più pallida idea di come fare a cavarmela. -Sarò io che ti chiamavo un minuto fa, - ha detto Alessandra Persiano, tirandomi inconsapevolmente fuori dai guai. Ho socchiuso gli occhi, quasi commuovendomi nel constatare che finalmente il mio angelo carognone si fosse ricordato di lavorare per me. -Ah, sì? E come mai, non prendeva? - ho risposto alzando il tono della voce come fossi stato particolarmente incuriosito dalla mancanza di campo telefonico in quel punto della città (quando si viene presi in castagna25, si manifesta sempre molto interesse per i dettagli insignificanti), e contemporaneamente ho visualizzato l’sms fingendo di verificare che fosse per l’appunto quello che mi avvisava della mancata chiamata di Alessandra Persiano (lo so che potevo rimandare la lettura a un momento più opportuno, ma simulare una controllatina su due piedi avrebbe dato meno nell’occhio). Più che leggere il messaggino, l’ho guardato. Ma perché dite tutti ‘Ti chiamo’, se poi non avete nessuna intenzione di farlo? Sei banale, VFCL «VFCL?», ho pensato; e un attimo dopo: «Ah, sì». Ho repentinamente schiacciato il tasto di ritorno al menu principale e mi sono infilato il cellulare nel taschino, maldestro come ai tempi in cui rubavo le penne all’Upim26. -Che cos’hai, Vince’? - ha chiesto Alessandra Persiano avvicinandosi e procurandomi uno spaventoso aumento della sudorazione. -Niente, forse è solo che, ecco... - ho risposto, stupefatto che scambiasse la mia coda di paglia per timidezza. -Ma guarda qua, - mi ha interrotto, flirtando; per poi aggiungere, carezzandomi maternamente la fronte: - Stai sudando. «E sapessi il perché», ho pensato, accartocciandomi. Quella biscia alata del mio bodyguard, poco lontano, si sganasciava dal ridere. «Ma tu intervieni per divertirti, eh, lurida merdaccia?», gli ho inviato. Ogni volta che sto per cambiare opinione sul suo conto, finisce sempre col farmela ripristinare, non c’è verso. -Ehi. Oh, - ha continuato Alessandra Persiano in modalità infermieristica

Prendere in castanha significa ‘pegar em flagrante’. È ‘desajeitado’ come quando rubava le penne in un grande magazzino che si chiama Upim.

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(tra le mie modalità preferite). - Sta’ tranquillo, va bene? Non è successo niente. Era tanto che non mi usava quella dolcezza. -Non è... successo niente? Perché a me invece sembrava... - Shh. E mi ha posato il polpastrello dell’indice sinistro sulle labbra. Sono rimasto così, sigillato dal suo splendido ditino, incredulo davanti al ribaltarsi degli eventi, stupefatto dall’averla sfangata senza aver fatto praticamente nulla, spiazzato dall’improvviso sgretolarsi della convinzione che avevo maturato circa l’imminente fine della nostra storia. Alessandra Persiano adesso cerbiattava27 con me con una tale insistenza che avrei voluto ricordarle che ci trovavamo per strada. A distanza ravvicinata, la sua bellezza mi annichilisce come nessun’altra cosa al mondo. E se volete saperlo, non mi piace sentirmi così. È che da un po’ di tempo non lo prendo bene, l’abbassamento delle difese procurato dall’amore. Quel sentirsi così schifosamente vulnerabili e pronti a ogni genere di compromesso davanti a un paio d’occhi, al modo di curvarsi di un sorriso, all’indefinibile rotondità di una tetta. Sarà perché non ho più (neanche) quarant’anni, ma penso che quel tipo d’inettitudine sia tollerabile da giovani, quando si ha, come si dice, tutta la vita davanti. Perché quando ne hai già parecchia alle spalle - e un bel pezzo, diciamolo, anche un po’ più giù delle spalle (ci siamo capiti) -, non lo reggi facilmente, quel tipo di felicità. In amore la felicità si paga, altro che chiacchiere. Non te la regalano mica, quella felicità lì. Anzi, se vogliamo dirla proprio tutta, nessuna felicità è gratis. Le felicità sono carissime, e se ci accendi il mutuo sopra è anche peggio. E fermiamoci qui che è meglio. -Mi ero dimenticata di come diventi bello quando sei spaventato, - ha fuseggiato Alessandra Persiano, sfiorandomi le labbra con le sue. Al che m’è venuta una vampa d’entusiasmo (l’ho sentita irradiarsi dalla schiena, quella specie d’infiammazione brevissima che prende e subito lascia: è da quand’ero ragazzo che mi fa così), e su due piedi ho recuperato il mio senso dell’umorismo. Perché a me mi viene subito voglia di fare una battuta, quando sono contento. -Sai, - ho detto, - noi semicessi28 siamo fatti così. Abbiamo bisogno di congiunture emotive particolari per migliorarci esteticamente: imbarazzo, timidezza, delusione, fallimento, malattia, lutto... insomma, dobbiamo fare un po’ pena per esercitare quel tipo di fascino, mi segui? Ha tenuto gli occhi socchiusi mentre continuava a scuotere la testa in segno di negazione (è il suo modo di partecipare alle cazzate che dico), quindi ha commentato, con una frase che mi sento rivolgere un po’ troppo spesso, negli ultimi tempi: -Sei proprio un cretino. -Anch’io ti amo. Mi ha afferrato per la cravatta e mi ha tirato a sé, con l’insolenza del bulletto di strada che vuol fare a mazzate. Ci sono baci che si danno per ricordare com’erano. Per capire se hanno ancora quel sapore che ti piaceva tanto. Se funzionano, sono i migliori.

27 Il cerbiatto è il cucciolo di cervo. Ad una donna si dice che ha occhi da cerbiatto quando vuole ammaliare qualcuno. Qui il neologismo ‘cerbiattava con me’ potrebbe essere tradotto come ‘me namorava’.

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-Ma cosa...? - ho provato a chiedere, mentre mi trascinava con sé. -Sta’ zitto.

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Questo era uno di quelli. I boxer29 mi si sono istantaneamente ristretti, infatti. -Indovina l’idea che m’è venuta, - mi ha detto Alessandra Persiano subito dopo, mordicchiandosi le labbra. -Se è la stessa che è venuta a me, mi sa che dobbiamo correre a casa. -Non ce la faccio, ad arrivare fino a casa. -Prego? -E poi non ne ho voglia. -Avevo capito che l’avessi. -Di andare a casa, dicevo. -Be’... allora? Ha sorriso, sorniona. -Allora vieni. E mi ha preso per mano. 28 In gergo giovanile essere ‘un cesso’ significa essere brutto o non valere niente; qui lui usa il termine ‘semicessi’, ossia che sono quasi dei cessi. La parola ‘cesso’ in linguaggio volgare significa ‘vaso sanitário’. 29 Tipo di mutande maschili a forma di calzoncini, ossia ‘cueca samba-canção’.

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ITALIA, INIZIO 2003. LA PACE ALLE FINESTRE

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hi viaggia in treno, chi gira per le strade, chi guida per il paese, trova un’Italia improvvisamente cambiata. Ovunque, penzolanti dalle finestre, si vedono ban­diere con i colori dell’arcobaleno e la scritta PACE. È un movimento spontaneo, nato da alcuni mesi, ma che adesso esplode. Le bandiere, piccole, in stoffa, sono ovunque: accolgono, pavesando grandi palazzi popolari, i treni che entrano nelle stazioni; colorano completamente alcune vie e piazze, sono appese ai monumenti, ai viadotti; sono legate ad automobili, biciclette e motorini. Si vendono sulle bancarelle o allegate ai giornali; sono commercializzate come ombrelli, foulard, berretti, nella più grande esplosione di intenti che l’Italia abbia mai visto. La guerra, lo sanno tutti, è alle porte; ma forse in extremis, si può fare ancora qualcosa per fermarla.

TORINO, 24 GENNAIO 2003. LA MORTE DI GIANNI AGNELLI Il presidente onorario della Fiat muore all’età di 82 anni nella sua casa sulla collina di Torino, dopo aver ricevuto l’estrema unzione dal cardinale Severino Poletto. Per la camera ardente è stato scelto, al posto di una sede istituzionale o religiosa lo stabilimento del Lingotto. La costruzione, degli anni trenta, è molto particolare: le officine si sviluppano su cinque piani, collegati tra loro da una rampa elicoidale. Sul tetto, che gode di una splendida vista sulla cerchia delle Alpi, c’è quella che ai tempi venne considerata una novità assoluta e futurista: una pista di prova con curve paraboliche che le automobili potevano affrontare alla velocità di novanta chilometri all’ora. Ancora più in alto, l’architetto Renzo Piano ha costruito lo «scrigno» in vetro e acciaio, che da poco meno di un anno ospita la pinacoteca Giovanni e Marella Agnelli, venticinque tele di Canaletto, Matisse, Picasso, Renoir, Manet, Balla, Severini, Modigliani, Bellotto, Tiepolo, Canova. I torinesi si mettono in fila per salire le scale e andare a vedere il re morto. TORINO, SABATO 26 GENNAIO 2003. VOCI DA UN FUNERALE DI POPOLO Per tutto il sabato (giornata non lavorativa) una folla straordinaria sale le sca­le e, in maniera partecipe, prende parte contemporaneamente a tre film: il film del capitalismo, il film del socialismo e il film del fordismo, il modello america­no della produzione di massa portato dalla famiglia Agnelli in Italia negli anni venti. Procedendo lentamente,

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Gianni Agnelli con il figlio Edoardo. sull’elicoidale pista fordista del Lingotto, prima in silenzio, poi sciogliendosi, si sentono spezzoni di quella storia: Telefonini: «Maria, guarda che arrivo tardi». «Io qui venivo da gagnu, (bambino) mi portava mio padre che era fornitore.» «Le dispiace spegnere la sigaretta?» «Sono venuto perché questa è stata la mia vita.» «Sono venuto per vedere la fine di un’epoca.» «Se ci penso, io non cambierei la mia vita con la sua. Certo, aveva tutto, ma, ci pensa? Sua mamma è morta da giovane, in un incidente. E poi il figlio. Per fortu­na mia mamma mi ha lasciato che ero già grande.» «E di che cosa è morta, sua mamma?» «Pensi, una cancrena. Allora non c’erano le cose che ci sono adesso.» «È il funerale più grande d’Italia.» Il napoletano: «Guardi che anche quando è morto Totò era grandissimo». Si parla anche dei morti del cinema Statuto e della squadra di calcio precipitata. «lo sono uno che la mutua l’ha usata poco.» «Guarda, guarda: arriva un elicottero, sarà un pezzo grosso.» «Scusi, signore, dove lavorava lei? Aspetti, che vengo più vicino che non la sento.» «Signora, non faccia la furba, faccia la fila come tutti.» «lo ho la medaglia, sa? Quella del quarantennio. Quaranta grammi d’oro per qua­ranta anni di Fiat. Sono entrato nel ‘38. Ho finito a insegnare alla scuola allievi, via Plava. Allora stava in via Plava. Li ho fatti tutti, anche se si poteva usufruire e uscire a 39 anni e sei mesi. Il preside aveva messo

un cartello: VIETATO FUMARE, ma era una scusa perché così si andava a fumare nel suo ufficio e si faceva una bella chiacchierata. Ho la foto, certo. C’è Gianni Agnelli che mi stringe la mano e die­tro tutti che applaudono. Certo che ho la foto.» «Ho un amico che ha una tabaccheria e mi dice che adesso la gente risparmia anche sul fumo. Non è che smettano di fumare, è che, se una volta per dire la fumavi a metà, adesso la fumi tutta.» «La Fiat sbaglia perché valuta troppo poco l’usato. La concorrenza offre di più.» In cima, davanti alla pinacoteca, poche corone. Due della Fiom, una della Cgil, una della Fondazione Di Vittorio, una dell’ex presidente francese Giscard d’Estaing. A fianco della bara, la famiglia Agnelli dà la mano a tutti. Diverse persone, porgendo le condoglianze, stringono la mano ai più giovani, intendendo: «Resterete, vero? Non è che adesso ve ne andate via?». IL COMMENTO DI ODDONE CAMERANA. Oddone Camerana, scrittore, 66 anni, commenta così la morte di Agnelli: Il vecchio dio delle folle che metteva sul trono il soggetto che poi avrebbe abba­ttuto per divinizzarlo successivamente è un tema centrale della antropologia evangelica. Un’antropologia, questa, che ha fatto luce sul funzionamento dei meccanismi mimetici nel mondo antico per criticarli. Ogni tanto questo dio delle folle torna a presentarsi e lo Maio / Junho 11


storia italiana

i t ál i a

Liberamente tratto dal libro “Patria 1978- 2008” di Enrico Deaglio. Casa editrice Il Saggiatore.

fa assumendo nuove forme com’è accaduto con l’incoronazione, passione, morte e resurrezione dell’avvocato Agnelli. Certi aspetti dell’omaggio alla sua memoria hanno infatti assunto i contorni delle rappacificazioni finali in uso presso le popolazioni primitive. Rappacificazioni che facevano seguito al sacrificio della vittima, il cui olocausto risolveva lo stato di crisi (mimetica) in cui erano cadute le comunità. Ciò che ha spinto i 100mila cittadini a porgere il loro saluto al feretro dell’Avvocato, esposto in una sala in cima al Lingotto, e alla sua famiglia che lo vegliava, e poi al Duomo di Torino, fa pensare alla presenza del dio evocato. Il dio che ha aizzato le popolazioni torinesi, e non solo, a tenere comportamenti mimetici contro la famiglia Agnelli e il suo re, mentre questi era nel suo letto di dolore, accusandoli di aver prova­to la crisi della Fiat Auto, è lo stesso dio che ha poi spinto le medesime folle a offrire al re morto e alla sua famiglia il tributo che si è visto. [ ... ] Non esisteva notorietà, fama, prestigio, posizione, sapere o età veneranda di altri soggetti presenti nella medesima ipotetica sala che potesse competere con il potere della persona definita modello, potere di catalizzare intorno a sé l’interrogativo sul­la natura dei suoi desideri. Tale era Gianni Agnelli anche quando si trovava tra persone più ricche, più dotte, più sapienti di lui, o insignite di cariche più au­torevoli e prestigiose della sua. Che tutto questo non avesse niente a che fare con Torino, è un fatto acquisito. Che Torino sia stata una città, come ha scrit­to Saverio Vertone, che si santificava volentieri e santificava i propri simboli, le proprie Consolate, i propri caval d’brons e non poteva vivere senza scappellar­si davanti a qualcuno o qualcosa, fosse questo il re, la Mole Antonelliana, era anche vero per il passato. Ma Gianni Agnelli non è mai stato un simbolo e nes­suno si scappellava al suo passaggio. Semmai qualcosa di più intimo, di più se­greto e a volte di imbarazzante spingeva a unirsi a lui. Una voglia contagiosa di far festa e di aprirsi. Senonché una forza uguale e contraria e la prudenza consi­gliavano ad alcuni di non farlo e di resistere. Per questo, ora che lui è scompar­so, dispiace, ma ci si sente liberati. NEW YORK, 6 FEBBRAIO 2003. COLIN POWELL ALL’ONU, CON UN AIUTINO ITALIANO Il segretario di Stato americano Colin Powell annuncia alle Nazioni Unite che gli Usa hanno le prove della presenza di armi di distruzione di massa a Baghdad. Estrae dalla giacca una misteriosa fialetta, annunciando che il veleno lì contenu­to basterebbe alla distruzione di una Maio / Junho 11

città. Cinque giorni prima l’ambasciatore alle Nazioni Unite John Negroponte scandisce poche parole per giustificare la necessità di un intervento immediato: «Perché l’Iraq nasconde l’acquisto di ura­nio in Nigeria?» e il presidente Bush aggiunge: «Il governo inglese ha appreso che Saddam Hussein ha recentemente cercato di acquisire significative quanti­tà di uranio dall’Africa». È tutto falso, come si sa. Colin Powell, cinque anni dopo, dichiarerà che quel giorno all’Onu fu la sua più grande umiliazione e che l’intelligence lo aveva ingannato. Ma purtroppo anche l’Italia ha una parte nella storia. Una vicenda che nel 2005 sarà ricostruita dai giornalisti Carlo Bo- George Bush nini e Giuseppe D’Avanzo. Parte dai piccoli traffici di due pesci piccoli del Sismi; arriva facilmente all’ambascia­ta del Niger a Roma dove, durante un furto in cui non si ruba niente, scompa­iono però carte intestate e timbri. Carte e timbri servono per dare credibilità, in un pessimo francese, all’esistenza di un traffico tra il Niger e l’Iraq. Il settimanale Panorama pubblica il 19 settembre 2002 un vero scoop: «La guerra? È già cominciata» mettendo in circolazione quelle carte. La «pista del Niger» comincia a prendere forma e se ne occupa direttamente il nuovo capo del Sismi, Nicolò Pollari, che ne parla con i massimi vertici dell’intelligence americana e inglese. Washington ha un disperato bisogno di qualcosa; non basta, come dice il ministro della Difesa Rumsfeld, che «l’assenza della prova non sia la prova dell’assenza». Per cui, anche il pasticcetto romano viene buono per la causa. Il nostro governo­, in caso di vittoria (ma la vittoria è sicura, no?) si potrà vantare di aver dato un aiutino. ROMA, 15 FEBBRAIO 2003. TRE MILIONI IN PIAZZA PER LA PACE La data è uguale in tutto il mondo, l’ultima possibilità di fermare la guerra. A seconda

dei fusi orari, le manifestazioni coprono il globo. Secondo il New York Times nell’arco di 24 ore sfilano cento milioni di persone. Grandissime folle a Londra, a Madrid, New York, Città del Messico; è Roma a segnare il livello di partecipazione più alto; si calcolano in tre milioni le persone che occupan­o fisicamente tutto il centro della capitale, in sfilate che si intersecano, si dividono e si rincontrano. Un risultato l’hanno già ottenuto: il governo Berlusconi, che pure è tra i più schierati sostenitori della strategia di Bush contro

Marcia per la pace a Roma

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Hussein, ha deciso che non manderà truppe per l’invasione. In piazza, oltre ai movimenti che sono comparsi massicciamente ormai da un anno - i «no global», il sindacato, il «ceto medio riflessivo» - si è aggiunto un non meglio definibile «sentire comune» che sembra aver capito a che cosa porterà la guerra in Iraq. Il segretario della Cgil Sergio Cofferati è il più esplicito: «Contro la guerra, senza se e senza ma». IRAQ, 20 MARZO 2003. INIZIA L’INVASIONE Con l’invasione via terra dal Kuwait e il contemporaneo bombardamento di Baghdad comincia la guerra irachena. Sarà più lunga della seconda guerra mondiale. PALERMO, 2 MAGGIO 2003. ANDREOTTI ASSOLTO, MA ... Giulio Andreotti viene assolto dalla Corte d’appello di Palermo. Ma la sentenza di secondo grado modifica la prima. Il senatore a vita è riconosciuto colpevole di aver aiutato Cosa Nostra fino al 1981. I reati commessi prima di quella data cadono in prescrizione. STRASBURGO, PARLAMENTO EUROPEO, 2 LUGLIO 2003. IL CASO MARTIN SCHULZ, LO STRAORDINARIO DISCORSO DI BERLUSCONI L’Italia è la nuova presidente di turno dell’Unione Europea e il capo del governo la rappresenta al Parlamento europeo. Silvio Berlusconi legge un lungo discorso pro­grammatico, dopodiché la parola passa ai deputati. In diversi chiedono spiegazio­ni sul conflitto di interessi, sul mandato

Martin Schulz di cattura europeo, sull’assoggettamento alle scelte di Bush, sulla presenza nel governo italiano della Lega e sull’autorizza­zione a procedere chiesta per il deputato europeo Marcello Dell’Utri. Viene il turno di Martin Schulz, tedesco, presidente del gruppo socialista a Strasburgo. Questo il suo intervento: Signor presidente, onorevoli colleghi, vorrei innanzi tutto replicare all’onorevole Pöttering (presidente dell’assemblea), che nel tessere le lodi dei rappresentanti del­la presidenza arrivati oggi dall’Italia - Berlusconi, Fini, Frattini, Buttiglione - si è lasciato trasportare dall’entusiasmo al punto che ho persino temuto che arrivas­se a citare anche Maldini e Del Piero o Garibaldi e Cavour. Si è però dimenticato di una persona in particolare, ovvero di Bossi. [...] Le asserzioni di Bossi, il mini­stro del suo governo che si occupa di politica di immigrazione, che è uno dei temi che lei ha affrontato nel suo discorso, sono del tutto incompatibili con la Carta dei diritti fondamentali dell’Unione Europea. In qualità di presidente del Consi­glio in carica, lei ha il dovere di difendere i valori in essa sanciti, pertanto dovrà difenderli contro il suo stesso ministro. Vorrei riprendere un’osservazione formu­ Baghdad, Iraq

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lata dall’onorevole Di Pietro, il quale ha detto che non vorrebbe che il virus del conflitto di interessi si espandesse anche a livello europeo. Ha proprio ragione, e a questo proposito da alcuni giorni ci troviamo in una situazione difficile in aula ogni volta che parliamo della presidenza italiana, perché continuiamo a sentirci dire che adesso dobbiamo stare attenti a non criticare Berlusconi per ciò che fa in Italia, in quanto il Parlamento europeo non è la sede giusta. Perché mai? L’Italia non fa parte dell’Unione Europea? [ ... ] Cosa intende fare per accelerare la creazione di una procura europea? Cosa intende fare per accelerare l’introduzione del mandato di arresto europeo? Cosa pensa di fare riguardo al riconoscimento reci­proco dei documenti nei procedimenti penali internazionali? Ritengo che in fatto di autenticità dei documenti il suo paese abbia un tantino bisogno di riforme. Se lei attuasse tali riforme nel suo stesso paese, il mandato di arresto europeo potrebbe entrare in vigore più rapidamente. Nonostante tutto, sono lieto che oggi lei sia presente in questa sede e di poter discutere con lei. Di questo dobbiamo ringr­aziare non da ultimo Nicole Fontaine, in quanto lei non godrebbe più dell’im­unità di cui ha bisogno se Nicole Fontaine non fosse riuscita con tanta abilità a rinviare così a lungo la procedura relativa alla richiesta di revoca dell’immunità parlamentare sua, presidente Berlusconi, e di Dell’Utri, il suo assistente, che oggi in via del tutto eccezionale una volta tanto è presente in aula. Anche questa è una verità che oggi dev’essere detta. Seguono altri interventi, poi la parola passa a Berlusconi per la replica: Signor presidente [...] non posso però non rispondere a lui e a tutti coloro che hanno guardato all’Italia

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dandone una versione assolutamente caricaturale e lon­tana dalla realtà. Io li invito a venire a godere di qualcosa che il governo Berlusconi evidentemente non è riuscito a negare, cioè del sole, della bellezza, dei 100mila monumenti e chiese dell’Italia, dei tremilacinquecento nostri musei, dei duemilacin­ quecento siti archeologici, delle quarantamila case storiche dell’Italia che non siamo riusciti a distruggere in questi due anni. Signor Schulz, so che in Italia c’è un produttore che sta montando un film sui campi di concentramento nazisti: la suggerirò per il ruolo di kapò. Lei è perfetto! Concludo questa polemica dicendo c­ he probabilmente gli amici e colleghi socialdemocratici dovrebbero ampliare le loro frequentazioni al di là dei colleghi italiani che trovano qui in Parlamento e dovrebbero forse ampliare le loro letture al di là dei giornali di estrema sinistra, che evidentemente hanno formato questi loro convincimenti. [...] Sul conflitto di interesse a cui molto hanno fatto riferimento: bene, forse non siete a conoscenza del fatto che, in Italia, i giornali ma soprattutto le televisioni che ancora appartengo­no al mio gruppo e alla mia famiglia, sono tra i nostri più decisi critici. Perché? Evidentemente vi manca il sole dell’Italia; non siete venuti e non avete mai acceso una televisione italiana. Dovreste sapere - eppure molti di voi vengono dal giornalismo - che ogni giornalista ha come massima sua preoccupazione quella apparire indipendente nei confronti dei suoi colleghi. E questa indipendenza lo porta a essere ogni giorno critico nei confronti di colui che considera il padrone­. Se questa è la forma di democrazia che intendete usare per chiudere la bocca presidente del Consiglio europeo, vi posso dire che dovreste venire come turisti i­n Italia, perché qui sembrate turisti della democrazia. Sono stato sei anni capo dell’opposizione in Italia, non mi fanno paura questi interventi, ho l’abitudine a essere contraddetto. Sull’immigrazione vorrei ricordarvi che, se c’è un paese che affonda le sue radici nel cristianesimo, un paese generoso, aperto a chi ha di meno e a chi soffre, questo paese ho l’orgoglio di dire che è il mio, è l’Italia. Non confondiamo quindi la guerra che si deve fare tutti insieme ai trafficanti di schia­vi, alla nuova tratta di schiavi, con l’accoglienza che si deve dare a chi viene per migliorare la sua vita nel continente europeo. Questa accoglienza noi la diamo e la diamo con generosità. Vogliamo lottare contro questa nuova forma di schiavi­smo che si manifesta attraverso numerose organizzazioni internazionali: nulla di più e nulla che possa contraddire la generosità italiana. Circa l’ambiente, forse i signori Verdi non sanno che tra gli hobby del presidente Berlusconi il principale è quello dei fiori, del verde, dei giardini e dei parchi. È praticamente l’unico hob­by, dopo che il calcio si è

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allontanato da me. In un’aula in cui molti deputati sono in piedi e chiedono la parola, il presidente Pöttering fatica a riportare l’ordine. Poi dà la parola a Schulz per replicare all’in­tervento di Berlusconi: SCHULZ (PSE-DE): Signor presidente, la ringrazio per avermi dato la parola. Non ho bisogno di tre minuti. Sarò molto breve. Durante la sua dichiarazione, se la traduzione è stata corretta, il presidente Berlusconi ha affermato che un regista sta girando un film in Italia sui campi di concentramento e mi ha invitato a ri­coprire il ruolo di kapò, cioè il ruolo di tirapiedi delle SS. Ho solo una cosa da dire in risposta: il mio rispetto per le vittime del fascismo m’impedisce di fare qualsiasi commento al riguardo. Tuttavia, ho le idee molto chiare sul fatto che è estremamente difficile accettare una situazione in cui un presidente in carica del Consiglio, di fronte alla minima contestazione nel corso di un dibattito, perda a tal punto la padronanza di sé. BERLUSCONI: Signor presidente, chi non è stato qui a sentire l’intervento del signor Schulz? Che mi ha offeso gravemente sul piano personale, gesticolando e con un tono di voce che, quello sì, non è ammissibile in un Parlamento come questo. Io ho detto con ironia quello che ho detto. Se non siete in grado di capire l’ironia, mi spiace. Ma non ritiro quanto con ironia ho detto, se il signor Schulz non riti­ra le offese personali che mi ha rivolto. Io l’ho detto con ironia, lui l’ha fatto con cattiveria. PRESIDENTE: Onorevoli colleghi! Per favore, calmatevi! Vi sono molti colleghi che desiderano fare richiami al regolamento e prendere la parola. Siamo mol­to in ritardo e non accoglierò tali richieste. Vorrei dire, in qualità di presiden­te dell’Assemblea, che personalmente deploro il tono in cui si è svolta l’ultima parte della discussione. È un’incresciosa distrazione dagli affari europei che stiamo esaminando. È davvero deplorevole. Vorrei ora invitare il presidente della Commissione europea a concludere la discussione con serenità e quindi proce­re alla votazione. I giornali italiani danno pochissimo spazio a quanto è avvenuto a Strasburgo e non trasmettono le immagini del dibattito in aula. ROMA-BAGHDAD, LUGLIO 2003. UN ARCHEOLOGO ITALIANO PRENDE IN MANO LA NASCITA DELLA CIVILTÀ Claudio Saporetti, 64 anni, professore di Assirologia all’Università di Pisa, è uno dei più importanti studiosi della scrittura cuneiforme della Mesopotamia ed è vissuto a lungo in Iraq, scavando e scoprendo siti archeologici e decrittando le famose tavolette della cultura assiro-babilonese. Non ha esitato a mettersi in mac­china con il suo

assistente Angelo Ghiroldi, per raggiungere Amman e di qui prendere un passaggio per Baghdad, sull’autostrada più pericolosa del mondo. Vuole andare a vedere che cosa è successo e che cosa succederà degli scavi, dopo l’ar­rivo della democrazia. E quello che resta del grande museo che si dice sia stato saccheggiato e distrutto. Arriva in una città devastata. Va a trovare l’ambasciatore Pietro Cordone, una lunga carriera di missioni nel mondo arabo, ora advisor del ministero della Cultura della Coalition Provisional Authority, che si muove scortato da otto marines americani, che «gli fanno tenerezza per la giovanissima età e per il pericolo cui sono sottoposti». Tra i primi a entrare nel museo saccheggiato e a constatarne il disastro, Cordone ha cominciato a inventariare mentalmente i tesori scomparsi, a sentire i dirigenti, a riordinare la scena del delitto. Sono andate perdute opere d’arte, ma soprattutto reperti su cui hanno studiato archeologi di tutto il mondo. Si tratta, infatti, di cose piuttosto importanti, come la nascita della scrittura, dell’idea di Stato, della matematica. «Fino a quando» racconta Cordone «la direttrice, la dottoressa Nawaf, che stava stranamente silenziosa, mi confessò che molti pezzi che tutto il mondo stava cercando, lei sapeva dov’erano.» Cordone dice che la dottoressa Nawaf gli ricordava un po’ una sua zia che non si era mai sposata e che quando i bambini andavano in casa per le vacanze all’Argentario, li seguiva perennemente rimettendo a posto tutto quello che spostavano. Pochi giorni prima dei bombardamenti la dottoressa aveva fatto quello che avrebbe fatto sua zia. Chiamò uno dei più fidati funzionari, George Doni, e due operai del museo; imballarono nella notte 17­8 casse di zinco in cui misero i pezzi di maggior pregio della collezione, li depositarono negli sconfinati sotterranei e costruirono due muri di mattone per occultare il passaggio. Ma la dottoressa Nawaf aggiunse che non avrebbe mai ri­velato il luogo perché aveva giurato sul Corano di non rivelarlo finché la situazione non fosse tornata calma. Cordone racconta che usò con lei l’argomento di Fra Cristoforo con Lucia Mondella, la non validità del giuramento fatto in situazioni coatte, e la convinse. I due operai vennero convocati e picconarono il mu­ro che avevano costruito, facendo ricomparire molti dei tesori che si pensavano trafugati. La dottoressa Nawaf fu anche presente al ritrovamento del tesoro di Nimrud, 70 chili di gioielli in oro zecchino, che vennero depositati, alla vigilia della guerra, in un caveau della Banca centrale. L’ambasciatore Cordone li vide ricomparire e ne rimase scioccato. La dottoressa Nawaf baciava ogni pezzo sus­surrando

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loro: «I miei bambini, i miei bambini». Il giorno dopo Saporetti entra nel museo, o meglio avanza tra le sue mace­rie. Tecnici e impiegati si aggirano senza parole. Il professore li saluta, commos­so: impiegati, studiosi, bidelli con cui aveva lavorato per più di vent’anni. Arriva un dirigente del museo, Ahmed Kamil Muhamed, e bisbiglia qualcosa nell’orec­chio del suo amico professore italiano. I due percorrono un lungo corridoio di cose distrutte, entrano in una stanza, Ahmed apre una scatola di zinco. Dentro, avviluppato in una gommapiuma, giace il famoso vaso di Uruk, una delle prime opere d’arte della storia dell’umanità. Per Saporetti è «l’emozione più grande e il dolore più grande», perché il va­so è rotto. È in pietra alabastrina, scolpito in bassorilievo cinquemila anni fa, alto poco meno di un metro. È rotto in più punti. Saporetti lo prende in ma­no - è la prima volta che lo può toccare. Alla base del bassorilievo c’è un’on­dulazione che rappresenta l’acqua; l’acqua fa crescere l’erba, l’erba nutre gli animali. Poi compaiono gli uomini, nudi, che portano i frutti della terra e li of­frono alla dea Ishtar, le cui sacerdotesse sono cultrici di una fecondità esplo­siva e si intravedono anche i sacerdoti che portano le canne con cui vengono costruite le case. È stata una visita rapida, quasi segreta. Ahmed chiude la cassa, interrompen­do il privilegio di chi ha potuto vederlo, toccarlo, accarezzarlo. Tra gli impiegati del museo si dice che il vaso rubato sia stato recuperato attraverso i buoni uffici del clero sciita. E che il ladro, alla fine, abbia chiesto un compenso. Che gli sia stato negato, ma che gli siano stati accordati 400 dollari per il trasporto. Due mesi dopo l’ambasciatore Pietro Cordone sopravvivrà al «fuoco amico» di una pattuglia americana, che a Baghdad sparerà sulla sua vettura diplomati­ca, uccidendo il suo interprete. Morirà di malattia a Roma il 31luglio 2004. L’ITALIA E L’IRAQ, AUTUNNO 2003. LA TRAGICA MISSIONE DI PACE DI NASSIRIYA Il governo italiano partecipa all’avventura irachena solo a partire dal 15 luglio, quando vengono inviati circa 3200 soldati nel Sud del paese, soprattutto a Nas­sirya, zona di importanti giacimenti petroliferi, con compiti di «peacekeeping» e di «ricostruzione». Il 12 novembre un camion cisterna pieno di esplosivo guidato da un kamikaze di al-Qaeda fa esplodere il deposito munizioni della caserma Maestrale. Muoiono 19 italiani (12 carabinieri, 5 militari e 2 civili) e 9 iracheni. Cinque anni dopo gli ufficiali responsabili del posizionamento della santabarbara italiana colposamente troppo esposta e causa del grande numero di vittime - sono rinviati a giudizio.

Monumento Nassirya PARMA, FINE 2003. IL CRACK DEL LATTE FINANZIARIO Gli italiani gli devono il latte fresco e a lunga conservazione, firmato Parmalat di Collecchio. È uno degli industriali più stimati e riservati. Calisto Tanzi opera nella ricca Parma accanto all’altra potenza industriale che viene dalla terra, la Barilla. Cattolico, solido, proprietario della squadra di calcio cittadina, Tanzi è l’esatto opposto di Sergio Cragnotti, il proprietario della Cirio («come natura crea, Ci­rio conserva»), proprietario della Lazio, che gli dà popolarità, ma gli succhia un sacco di soldi. Cragnotti ha appena fatto crack. Ha chiesto capitali per 1,2 miliardi di euro, ha assicurato con i suoi bond rendimenti fino all’8%, non è stato il grado di restituire i soldi alle banche, queste li hanno scaricati sui risparmiatori e nel dicembre 2002, in 30mila hanno perso tutto. Ma Tanzi è un’altra cosa, ha un’azienda di sicuro sviluppo: logico che offra bond con rendimenti del 6 %, che le banche li propongano ai loro clienti, che le società di revisione garantiscano. Ma nel corso dell’anno qualche scricchiolio si avverte, perché Tanzi non riesce a pagare gli interessi promessi

e ha bisogno di altri prestiti dalle banche. La Parmalat però assicura: presenta un documento in cui vanta liquidità per 4 miliardi di euro depositati a New York presso la Bank of America. La banca viene interpellata il 19 dicembre e in poche righe comu­nica, semplicemente, che quei 4 miliardi non esistono. Il documento presentato dagli uomini di Tanzi era stato assemblato in uno stanzino con fotocopie e uno scanner. Il buco della Parmalat risulta essere di 14 miliardi di euro. I risparmiatori truffati sono circa 100mila. Tanzi si allontana da Parma per un misterioso viaggio in America Latina. Torna il 27 dicembre e viene arrestato mentre cammina nel centro di Milano. Resterà in carcere 275 giorni e poi sarà condannato a dieci anni nel dicembre del 2008. Però può dire di aver anticipato di cinque anni, seppur con metodi artigianali, la grande crisi di Wall Street. SCRITTORI ITALIANI DEL 2003 GIUSEPPE MONTESANO, DI QUESTA VITA MENZOGNERA Giuseppe Montesano, napoletano, ha 44 anni. Ha già scritto A capofitto (1996) e Nel corpo di Napoli (1999). Quest’anno, nel suo terzo romanzo Di questa vita menzognera racconta la storia di Roberto, che, disoccupato, un giorno risponde a un annuncio particolare: Quando cominciai a leggere l’annuncio di Cardano mi tremavano ancora le dita per la rabbia, ero bagnato fino all’osso della pioggia gelida e la voce di mia madre mi sbatteva

Giuseppe Montesano

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Tanzi Calisto in testa come una banda di ottoni. «Un’altra volta? Gesù! Ma quali soldi? Io tengo solo un poco di pensione schifosa, e che ti posso dare? Se tu non sputavi sulla giacca del direttore, mo’ un posto lo tenevi! Sì, va bbuo’, rettore, direttore, è sempre a’ stessa cosa!.. Ha detto che i paesi poveri sono colpevoli loro, se muoiono di fame? E tiene ragione! E poi quante volte ti ho detto che ti devi fare i fatti tuoi? Ma perché, tu si’ nu paese povero? Ah, tu non vuoi portare la borsa a nessuno, e fare il ricercatore lecchino ti fa vomitare? E certo, se facevi pure tu economia e commercio, era un’altra cosa. Ti sei voluto prendere una laurea inutile, e adesso che vuoi? E poi Eduardo ti aveva offerto di lavorare nella sua agenzia, che ci stava di male? Quello tiene dieci filiali, andavi a dirigere la Edotravel a Sorrento, e risolvevi!... Ah, a te il turismo e le partite iva ti fanno schifo? Tuo fratello Eduardo è nu strunzo e tu non gli chiedi scusa nemmeno morto schiattato? E allora mangiati la dignità!» Le frasi dell’annuncio mi ballavano davanti agli occhi, e non riuscivo a tenere fermo il giornale. «C’è ancora qualcuno che ami il sudario della Bellezza? Un giovane che non abbia più nulla da chiedere a questo mondo decrepito? Ho quarantatré anni, dieci più di Cristo quando fu crocifisso, e come lui non prometto ricchezze materiali. lo non offro la stupidità della conoscenza, ma l’ardore dell’oblio.» Ma chi poteva scrivere ancora bellezza con la maiuscola. Dopo aver risposto all’annuncio Roberto si ritrova proiettato nel mondo della famiglia Negromonte, che ha creato il classico mondo alla rovescia: i figli per esempio sono bravi se scialano soldi. I Negromonte nel corso del libro trasformano Napoli in un museo a cielo aperto: spostano monumenti, radono case al suolo, fanno una fitta propaganda in nome dell’avvento di una nuova era di libertà. Ma qualcuno se ne accorge: « ... Noi vogliamo offrire spazio a chiunque ha voglia di costruire con fede il pro­prio futuro, non vogliamo dividere, ma unire. Basta con l’invidia sociale, l’odio di classe, la mancanza di libertà ... » «Libberté, egalité, tu arruobbe a mme io arrobbo a tte!» [ ... ] «Non è vero! Non è vero niente!» « ... Hanno detto che noi stiamo soffocando la civiltà, e

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le opere che stanno tra­sformando questo paese in un paradiso lo distruggeranno. Ebbene? Se anche fos­se, noi lo ricostruiremo, e più bello di prima ... » «Non voglio vivere nel vostro mondo! Voi mentite, ci avete promesso la libertà, ma siamo liberi solo di battervi le mani!» La ragazza era in lacrime, e le parole le uscivano tra i singhiozzi. «...Le crisi non ci fanno paura, noi le superiamo preparando crisi più generali, più vaste. Noi realizziamo i vostri sogni ...» «Non è vero, voi mentite! Mio Dio, perché nessuno se ne accorge, perché?» «...Perché i vostri desideri sono sacri, e solo il superfluo è necessario...» MUSICA ITALIANA DEL 2003 CAPAREZZA, «VENGO DALLA LUNA» Michele Salvemini, molfettese, ha 30 anni. Ha iniziato la sua carriera facendosi chiamare Mikimix. Con questo nome d’arte ha partecipato a due Sanremo giovani (nel ­1995 e 1997) e ha pubblicato l’album La mia buona stella (1997). Poi si è fatto crescere capelli e pizzetto, e ha cambiato il suo nome in Capa-Rezza (testa riccia). Nel 2000 ha inciso l’album CapaRezza?! ma è nel 2003 che arriva il successo con l’album Verità supposte. La canzone «Fuori dal tunnel» di­venta il classico tormentone. Nel brano, CapaRezza si schiera contro le consuetudini di alcuni giovani a divertirsi tutti nella stessa maniera, ma paradossalmente, la canzone diventa una delle più trasmesse persino dalle discoteche. Il singolo successivo si intitola «Vengo dalla Luna». Qui CapaRezza immagina l’arrivo di un alieno sulla terra: deve rispondere a tutti i pregiudizi degli abitanti del pianeta, che ­hanno «paura per una cultura diversa»: Io vengo dalla Luna / che il cielo vi attraversa / e trovo inopportuna la paura / per una cultura diversa. / Chi su di me riversa / la sua follia perversa / arriva al punto / che quando mi vede sterza. / Vuole mettermi sotto / ‘sto signorotto / che si fa vanto del santo attaccato / sul cruscotto, / non ha capito che sono disposto / a stare sotto / solamente quando fotto. / «Torna al tuo paese, sei diverso!» / Impossibile, vengo dall’universo, / la rotta ho perso / che vuoi che ti dica, / tu sei nato qui/ perché qui ti ha partorito una fica./ In che saresti migliore? / Fammi il favore compare, / qui non c’è affare che tu / possa meritare. / Sei confinato, / ma nel tuo stato mentale / io sono lunatico e pratico / dove cazzo mi pare! / Io non sono nero, / io non sono bianco, / io non sono attivo, / io non Caparezza sono stanco, / io non provengo da

nazione alcuna / io sì, / io vengo dalla Luna. / Io non sono strano / io non sono pazzo, / io non sono vero, / io non sono falso, / io non ti porto jella né fortuna, / io sì, / ti porto sulla Luna, / io vengo dalla Luna, / io vengo dalla Luna, / io vengo dalla Luna, / io vengo vengo. / Ce l’hai con me / perché ti fotto il lavoro, / perché ti fotto la macchina / o ti fotto la tipa sotto la luna? / Co­sa vuoi che sia poi / non è colpa mia / se la tua donna di cognome fa / Pompilio come Numa. / Dici che sono brutto, / che puzzo come un ratto, / ma sei un coat­to e soprattutto / non sei Paul Newman. / Non mi prende che di striscio / la tua fiction, / io piscio sul tuo show / che fila liscio come il Truman. / Ho nostalgia della / mia luna leggera, ricordo una sera / le stelle di una bandiera ma era / una speranza era / una frontiera era / la primavera di una nuova era era. / «Stupido ti riempiamo di ninnoli / da subito in cambio del tuo stato / di libero suddito ...» / No!!! è una proposta inopportuna! / Tieniti la Terra, uomo, / io voglio la Luna! / Io non sono nero, / io non sono bianco, / io non sono attivo, / io non sono stan­co, / io non provengo da nazione alcuna, / io sì, io vengo dalla Luna, / io non so­no strano, / io non sono pazzo, / io non sono vero, / io non sono falso, / io non ti porto jella né fortuna, / io sì, ti porto sulla Luna / io vengo dalla Luna, / io vengo dalla Luna, / io vengo dalla Luna, / io vengo vengo. / Non è stato facile per me / trovarmi qui, / ospite inatteso, / peso indesiderato arreso, / complici i satelliti che / riflettono un benessere artificiale, / Luna sotto la quale parlare d’amore, / scal­dati in casa davanti al tuo televisore. / La verità nella tua mentalità / è che la fic­tion sia meglio / della vita reale / che invece imprevedibile è / e non il frutto di / qualcosa già scritto / su un libro che hai già letto tutto, / ma io io io no io io io / io vengo vengo dalla Luna, / io io vengo vengo dalla Luna, / io io vengo vengo dal­la Luna, / io io vengo vengo vengo vengo.

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e m i g r a z i o n e

Pois é, quem diria: pela primeira vez um italiano de poucas palavras. Poucas, porém interessantes.

antonello confente

Uma mulher, um filho e um país em pleno desenvolvimento

FD – Em que cidade/região da Italia o sr. nasceu? AC – Nasci em Mantova, região da Lombardia. FD – Fale-nos sobre a sua cidade. AC – Mantova é uma cidade pequena, porém uma das mais ricas da Itália. FD – Por que emigrar? Por que o Brasil foi o destino escolhido? AC – Por causa de uma mulher carioca e um filho. FD – Como é viver no Rio de Janeiro? AC – Viver no Rio de Janeiro é ótimo! Não tenho saudade da Itália; lá a vida é muito mais cara e ainda com sérios problemas de corrupção, além de uma burocracia de 4° mundo.

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FD – Conte-nos um pouco sobre as suas atividades profissionais. AC – Atualmente trabalho no ICE, instituto responsável pelo comércio exterior, mas em poucos meses vou me desligar das atividades ligadas ao governo italiano para voltar a trabalhar como empresário ligado ao comércio exterior e com certificações de qualidade ISO.

FD – O sr. ainda é jovem, em um mundo quase sem fronteiras. Que impacto teve a decisão de emigrar na sua vida? AC – Obrigado pelo jovem, tenho 46 anos. A escolha foi feita exclusivamente para ficar com a minha família. A sorte é que o Brasil é um país que se encontra em um processo acelerado de desenvolvimento econômico, apesar de ter ainda muitos problemas. A Itália enfrenta uma crise econômica profunda que vai continuar por vários anos. FD – De que coisas o sr. mais gosta no lugar que escolheu para viver? E as coisas de que sente mais falta do lugar que deixou?

AC – Sim, claro, estou muito bem aqui. Falta a comida italiana verdadeira e velhos amigos e família, a qual visito duas vezes por ano. FD – Rio de Janeiro pode ser seu endereço definitivo? AC – O Rio de Janeiro como endereço definitivo vaI depender se o Brasil vai conseguir resolver os problemas de criminalidade. Daqui a 10 anos, quando meu filho for um adolescente, se o índice de criminalidade continuar como agora, pretendo mudar para um outro lugar mais seguro, onde, além da segurança, o custo de vida para os idosos não seja tão absurdo como o que se pratica hoje no Brasil.

Vista geral de Mantova

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e n t r e v i s t a

b r a s i l

Reinserção Social

O Rio mais lindo, mais justo, mais solidário. Marisa Oliveira

Por causa dessa máxima e de Glaucia Xavier, assessora da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro - SMAS, a população de rua está de frente para a oportunidade de mudar os rumos desse destino e transformar não apenas suas vidas, mas também essa faceta da cidade. Treinada e qualificada através de cursos que vêm sendo oferecidos pelo projeto de reinserção social, essa população passa a fazer parte do ranking de mão de obra especializada. Por definição dos moradores

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de rua, a soma de esforços entre Prefeitura e a VOT – Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência virou POP de rua (prefeitura) + Humanização do Bairro (VOT) = Cidadania e Dignidade. Sobre o projeto, a revista Forum Democratico ouviu sua idealizadora e coordenadora, Glaucia Xavier, assessora de gabinete da SMAS, e Rodrigo Bethlem, secretário Municipal de Assistência Social.

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b r a s i l e

Glaucia Xavier

FD - Que projeto é esse que vem mudando a vida de moradores de rua da cidade do Rio de Janeiro? GX - O Projeto consiste em atender a todos os nossos abrigados que queiram retomar a sua cidadania, respeito e dignidade. Ao chegar à Prefeitura pensei em colaborar para minimizar a questão da população de rua e criei o Projeto POP de Rua. Tomei conhecimento de que a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência- VOT - desenvolvia um trabalho de humanização, atendendo os moradores do bairro do entorno – Praça Mauá. Então resolvi entrar em contato e propus que o atendimento fosse estendido aos nossos abrigados. Propost a aceita, iniciou-se o projeto, oferecendo-se diversos cursos. A seleção dos alunos é feita através dos diretores, assistentes sociais e psicólogas dos abrigos e são encaminhados para a VOT, onde a Prefeitura entra com a logística de acompanhamento até a formatura. Enquanto eles estudam, as empresas Privadas são convidadas, dentro da área de cada curso, a participar do Projeto, oferecendo a oportunidade de estágios e empregos. FD - De onde veio a inspiração? GX - A inspiração veio quando, pela primeira vez, trabalhei na Secretaria de Estado da Ação Social, e convivi com uma realidade que, embora conhecida, me fez observar mais profundamente as necessidades existentes. Motivada por trabalhar há muitos anos com Captação de Recursos, resolvi buscar as empresas privadas, para poderem ajudar nesta empreitada, pois sempre pensei que a sociedade civil deveria participar junto com o governo. A partir daí, criei projetos aliando o conhecimento e experiência adquiridos na Europa, buscando suprir as necessidades da Secretaria. Sempre pensei, que, enquanto não houvesse algum Programa ou Projeto que desse a eles uma ocupação dentro dos abrigos ou fora deles, não adiantaria o acolhimento, pois a vida lá fora é muito mais interessante porque existe “uma liberdade”, conforme imaginam e vive a maioria dos moradores de rua. Mas o continuar nas ruas é manter o ciclo vicioso, sem qualquer oportunidade. Com o crescimento da economia brasileira, principalmente a do Rio de Janeiro, hoje uma vitrine e porta aberta para o mundo, devido aos eventos que acontecerão em 2014 e 2016, há uma grande necessidade de mão de obra especializada. Há muito tempo venho sonhando com esse projeto e consegui criar, executar e realizar em seis meses, contando com o apoio do pool de empresas-parceiras, como a VOT, Link RH, Rádio Brasil/LBV, Pólo Empresarial da Pavuna, Sindicato dos Marceneiros, Copacabana Palace, Knauf do Brasil, Carrefour, entre outras. FD - Como ele se estrutura? GX - Os cursos têm carga horária de 130 horas, entre aulas teóricas e práticas. Os abrigados, além de receberem informações sobre cada curso especificamente, participam juntos da matéria Competência Social, oferecida no primeiro e no último módulo pela Prefeitura, pela Subsecretaria de Proteção Especial, onde aprendem sobre higiene, cidadania, como se apresentar em entrevistas, comportamento no mercado de trabalho, ajudando-os no reingresso à sociedade, entre outros.

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Professor Paulo César dando aula de Marcenaria, para os alunos da Prefeitura. No fundo Glaucia Xavier e Ademir Treichel assistindo e acompanhando os abrigados.

FD - Que profissionais movimentam essa dinâmica? GX - Uma coordenadora, que sou eu, diretores dos abrigos, psicólogos, assistentes sociais, educadores da Secretaria e professores e coordenadores da VOT. FD - Como a população de excluídos é abordada? É difícil? Há muita recusa? Muita desistência? GX - Eles são abordados dentro dos abrigos, o que torna menos difícil a nossa conversa, e também por contarmos com a nossa equipe técnica que é muito bem preparada para motivá-los. FD - Qual o papel da SMAS e da Venerável Ordem Terceira? GX - A Secretaria participa com toda a logística de acompanhamento dos alunos durante as aulas e no percurso entre o abrigo e o local das aulas e, toda a parte de acompanhamento psicológico. A VOT cede os espaços, professores e matéria prima. Ao final do curso, todos os alunos recebem certificado assinados pela Secretaria e pela VOT. FD - E a parceria da Organização Italiana SEI UGL? GX - O Sindicato de Emigrantes e Imigrados (SEIUGL) veio ao Brasil (Rio de Janeiro) por 15 dias, em 2010, assinou uma Carta de Intenção com a Prefeitura e a Secretaria de Assistência Social para a criação de projetos e iniciativas em comum. Foi criado por mim e pela Comitiva o Projeto Inside Brasil, que é concebido como uma plataforma aberta, que pode acomodar diferentes estruturas e atores. A principal atividade é a formação e a requalificação profissional. É constituído por programas de inclusão social para favorecer a reinserção da população de rua, das pessoas marginalizadas e excluídas do mercado de trabalho. O Inside Brasil quer construir um Centro Internacional de Excelência em Recuperação, Formação e Inclusão Social. Logo após assinatura da devida carta, fui convidada

pela SEIUGL, para participar de reuniões com diversos atores e parceiros na Itália. A SEIUGL vai incentivar, acompanhar e coordenar a execução de vários projetos, articular as políticas de crescimento e desenvolvimento local modernizando a economia, promover a inclusão social e integração com programas de reabilitação, incentivar também a economia sustentável, inclusive trazendo parceiros de empresas italianas, fazendo o aproveitamento da nossa mão de obra, qualificada pelos mesmos. FD - Na sua avaliação, qual a maior ambição desse projeto? GX - Atender um maior número de abrigados, procurar inseri-los cada vez mais no mercado de trabalho, promover a auto-estima, a cidadania, a reinserção familiar e aumentar o número dos nossos parceiros, que serão beneficiados também, porque encontrarão no mercado mão de obra disponível para ser aproveitada, em maior número e especializada, nas suas diferentes áreas/segmentos.

Professor Paulo César dando aula de Marcenaria, para os alunos da Prefeitura. No fundo Glaucia Xavier e Ademir Treichel assistindo e acompanhando os abrigados. Maio / Junho 11


b r a s i l

e n t r e v i s t a

Nada como se ter paixão pelo que se faz e acreditar que sonhos são possíveis.

Da direita para a esquerda - Dra. Nely (Psicóloga - de jaqueta preta), Profºr Paulo César de Oliveira Ramos - Marcenaria, Glaucia Xavier - de Blusa listrada bege - Assessora do Gabinete, Diretor do Abrigo Rio Acolhedor - Ademir Treichel(de camisa social azul)

de marcenaria, cabeleireiro, barbeiro, padeiro, corte e costura, manicure e pedicure, os alunos também frequentam aulas de cidadania e de orientação profissional, sempre com o acompanhamento de psicólogo e assistente social.

FD - O projeto de reinserção social, nos moldes de oferecimento de cursos profissionalizantes, da população que mora na rua vem sendo realizado há quanto tempo? RB - A primeira edição dos programa de qualificação profissional, desenvolvido em parceria entre a Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) e a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência (VOT), voltado à população em situação de rua aconteceu em agosto de 2010.

FD - O sr. afirma que a expectativa é de que, na etapa de aprendizagem de um ofício, em cada cem, 1/5 conclui o curso profissionalizante. Como ampliar essa perspectiva? RB - A nossa meta é ampliar essa iniciativa e implantar as Unidades de Reinserção Social em todas as unidades de acolhimento do município. Quanto à conclusão do curso, trabalhamos sempre para torná-los mais atrativos, fazendo com que todos os alunos tenham interesse em seguir até o final. O objetivo é que se formem e consigam a reinserção no mercado de trabalho. FD - Todos os indivíduos que concluem os cursos são aproveitados no mercado de trabalho? RB - Todos que concluem o curso são encaminhados ao mercado de trabalho, ou seja, são direcionados a agências de empregos que os incluem nas seleções profissionais correspondentes aos cursos que frequentaram.

Rodrigo Bethlem

FD - Qual é a população de rua do Rio de Janeiro? RB - De acordo com a última Pesquisa Nacional de População em Situação de Rua, divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, divulgada em 2008, a população de rua do Rio de Janeiro é de 4,8 mil pessoas. De acordo com dados coletados pelos educadores sociais da SMAS, os principais motivos que levam à situação de rua são o alcoolismo/drogas (26%), conflitos familiares (24%), desemprego (18%) e o trabalho de rua (10%). Apenas 21% dos abordados alegam ter documentos.

FD - Quantos cidadãos já passaram pelos cursos e quantos já se encontram socialmente reinseridos, com emprego, moradia e estima em alta? RB - Da última turma de 32 alunos, 16 se formaram e foram encaminhados ao mercado de trabalho. Hoje estão conseguindo reconstruir suas vidas. São ex-abrigados que ganharam mais do que uma oportunidade profissional, pois ganharam a acolhida de seus empregadores e colegas. FD - Quais os cursos mais procurados? RB - Todos os cursos que oferecemos têm boa procura. Além do treinamento profissional nas áreas Maio / Junho 11

FD - Para os cidadãos que se engajam no projeto, por quantas etapas eles precisam passar? RB - Eles são selecionados nos abrigos da Rede de Proteção Social do município - Rio Acolhedor Paciência, Stella Maris e Plínio Marcos - , de acordo com o bom comportamento, disposição e vontade de quererem retomar suas vidas.

FD - Há um acompanhamento por parte da SMAS na fase pós-curso? RB - Enquanto os alunos permanecerem nos abrigos, sempre terão acompanhamento psicológico e social.

FD - O que são as Unidades de Reinserção Social? A adoção desse modelo determina o fim do abrigo social, nos moldes tradicionais? RB - Unidade de Reinserção Social é a nova realidade que queremos adotar nos abrigos municipais. A ideia é melhorar as instalações do espaço e qualificar o atendimento social, com aulas de cidadania e cursos profissionalizantes, por meio de parceria com empresas e entidades que, além da qualificação, também se comprometam com o encaminhamento dos melhores alunos ao mercado de trabalho. São novos projetos para que os abrigos deixem de ser depósitos de gente e passem a ser locais onde o indivíduo possa resgatar sua cidadania e retomar sua vida. FD - A SMAS desenvolve algum projeto que tente diminuir o índice de indivíduos que abandonam seus lares (quando têm) e passam a viver na rua? RB - Além de trabalhar com o acolhimento e o atendimento ao indivíduo em situação de rua, a SMAS também atende pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade social por meio de programas de transferência de renda como o Bolsa Família e o Família Carioca em Casa e de qualificação profissional, como os programas de Empreendedorismo Comunitário e Próximo Passo. FD - Esse projeto de reinserção social é a menina dos olhos da SMAS? RB - A menina dos olhos da SMAS é toda e qualquer ação que possa promover uma vida mais digna a essa parcela da população em situação de vulnerabilidade social, seja na insistência para retirá-los das ruas e afastá-los do vício das drogas, ou com a oferta de novas oportunidades para que consigam uma profissão e sejam reinseridos em suas famílias e na sociedade.

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cultura

Atores Claudio Misculin, Dario Kuzma, Donatella di Gilio, Gabriele Palmano, Giuseppe Feminiano, Giuseppe Denti, Deborah Pettirosso, Iris Caffelli, Giulia Misculin, Ana Dalbello. Direção artistica Cinzia Quintiliani Email: cinziaquintiliani@libero.it Cell. +39 348 3403136 Assistente direção artistica Carmen Palumbo Email: carmen.palu@gmail.com

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cultura

Técnica+Loucura=Arte

Extravagância é ir além do que é normal. Extravagância é uma loucura. Extravagância é expandir os limites da loucura.

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xtravagância de Dacia Maraini é o último texto da dramaturgia da Accademia della Follia, companhia teatral do diretor e ator Claudio Misculin, nascida no antigo hospital psiquiátrico de Trieste, no mesmo período em que o psiquiatra Franco Basaglia abriu as portas do manicômio para o mundo. Accademia della Follia é uma experiência única e universal, composta por “loucos-atores”. Uma experiência que vai além de todas as fronteiras: geográficas, culturais, étnicas, de gerações e estilo de vida social. A loucura pode revelar um potencial artístico. Logo, seria importante apreciar este potencial para retirar o paciente da condição de doente mental. Depois do sucesso de crítica e público na Itália, a Accademia della Follia volta seu olhar para o Brasil, país ligado aos eventos históricos que levaram na Itália à decretar a Lei 180, que em 1978, possibilitou o fechamento de hospitais psiquiátricos. Desta vez, o texto será interpretado, em português, por atores realmente “loucos” da Accademia della Follia. A proposta do projeto é ser uma “ponte cultural” e unir duas realidades: a italiana e a brasileira, através da experiência teatral e musical,como um momento de crescimento e formação dos pacientes em artistas, mantendo intercâmbio entre os profissionais de saúde para refletir sobre mudanças na norma de hospitais psiquiátricos.

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O ESPETÁCULO PELO BRASIL ARACAJU/SE 7 de Junho de 2011, 18:30 h Teatro Tobias Barreto Av. Presidente Tancredo Neves, 1997 Inácio Barbosa, Aracaju/SE - CEP 49040-490 Entrada: Inteira R$20,00 - Meia R$10,00 Informações: 079 3179-1490 BRASILIA/DF 01, 02, 03 e 04 de Junho de 2011, 20:00 h Teatro SESC Silvio Barbato SCS, quadra 2, edifício Presidente Dutra Entrada: inteira R$30,00 - meia R$15,00 Informações: 061 3319-4445 - www.sescdf.com.br SÃO PAULO/SP 09 de Junho de 2011, 19:00 h Teatro Lauro Gomes Rua Helena Jacquey, 171 - Rudge Ramos São Bernardo do Campo/SP - CEP 09635-060 Entrada: Inteira R$40,00 - Meia R$20,00 Informações: 011 4368 3483 www.saobernardo.sp.gov.br 10 de Junho de 2011, 21:00 h Teatro Anhembi Morumbi Rua Dr. Almeida Lima, 1198 – Brás São Paulo/SP CEP 03164-000 Entrada: Inteira R$50,00 - Meia R$25,00 Informações: 011 2872 1457/2872 1458 www.teatroanhembimorumbi.com.br

SÃO LEOPOLDO/RS 15 de Junho de 2011, 20:00 h Teatro Municipal Rua Osvaldo Aranha, 934 - Centro São Leopoldo/ RS CEP 93010-040 Ingresso: R$ 25,00/ Estudante: R$ 15,00 Informações: Centro Cultural José Pedro Boéssio Fones: 051 3592-9133/3572-0563 www.centroculturaljpb.blogspot.com PORTO ALEGRE/RS 18 de Junho de 2011,17:00 h e 20:00 h Teatro AMRIGS Av. Ipiranga 5311 - Porto Alegre/RS CEP 90610001- Entrada: Inteira R$40,00 - Meia: R$20,00 Informações: 051 30142001- www.amrigs.org.br BELO HORIZONTE/MG 8 de Julho de 2011, 20:00 h Teatro Colégio Padre Machado - Av. do Contorno, 6475 – Savassi Belo Horizonte/MG - CEP 30110-039 - Entrada: Inteira R$15,00 - Informações: LAÇO : 031 9415-6694 ou 031 3284-7261 (de segunda a sexta/13 às 17h) OURO PRETO/MG (Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana) 9 de Julho de 2011, 21:00 h Teatro Municipal Casa da Ópera Rua Brigadeiro Musqueira S/N - Centro Ouro Preto/MG - CEP 35400-000 - Entrada franca Informações: 031 3559-1358 www.festivaldeinverno.ufop.br

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Luis Maffei luis.maffei@terra.com.br

Nossa doce draga sorridente É

lugar comum dizer que o Brasil não faz, nem fez, substancialmente, rock, mas lugar comum inevitável para alguém como eu, que aprecia o rock e não aceita que certos fenômenos se imponham sem que se reflita acerca deles. Lobão, bastante lúcido enquanto crítico cultural, suspeita de um complexo de inferioridade antiamericanista, ou, diria eu, antiamericanistoide, que vê na guitarra elétrica uma espécie de falo ininfrentável. Pode ser. Ao mesmo Lobão parece importante ter em conta que o chamado primeiro mundo não se assusta com o rock, e ouve-o, e cultiva circuitos criativamente roqueiros. Por aqui, ficamos com eventuais edições de Rock in Rios e quejandos, e nelas há, para além de muita coisa que contraria o próprio rock, fertilização baixa, quase nenhuma: se o Brasil tem, desde algum tempo, os chamados festivais de rock, não aprendeu, e certamente não aprenderá, a fazer rock. O que Lobão rascunha faz-me pensar na velha formulação rodrigueana do vira-latismo que caracteriza o brasileiro. Nossa cultura, por outro lado, não sem alguma esquizofrenia, gosta, para seguir na metáfora canina, de se lamber, contornando com segurança o que possam ser feridas por demais inquietantes. O Brasil não faz, nem fez, substancialmente, rock? Há um sítio de Internet, Brasil rock MP3, que exibe uma foto dos Paralamas do Sucesso em sua capa, e isso já diz muito: um conjunto que sequer pretende ser de rock ilustra uma página dedicada ao rock brasileiro, e aí vejo um índice. Não temos rock, que temos? MPB. Que seja? Uma sigla? Sigla de quê? Música popular brasileira. Tenho imensa dificuldade diante disso. Entender essa sigla é, para mim, desafio antigo e insuperável. A que se deve o elenco de iniciais? Que tipo de categoria se vê definida? Música é palavra que, à primeira vista, entendo; popular, já não. Como popular? Em oposição a erudito? Primeiro problema, severo: se é pressuposto que a chamada MPB ocupa grande fatia de nossos ouvidos mais ou menos educados (a última palavra é um particípio, ok?), isso funciona como um tampão de pia a evitar indesejável penetração de água ralo adentro. Diversos fatos, feitos e obras, além da música não-popular, ficam fora do ralo. Neste ponto, a discussão passa por valores. Um deles: a própria ideia, por vezes torpe, que temos de popular e brasileiro. Certa vez, disse a um grupo de jovens bastante bem informados, componente de uma turma de pós-graduação em Letras, que ao ouvido brasileiro relativamente ilustrado faltava um mínimo de intimidade com algo que chamei ali de música erudita. O primeiro resultado foi uma coletiva indignação diante do que, aos olhos dos moços e moças, soou como elitismo. E retorno à suspeita de certa esquizofrenia: por um lado, os ouvidos que apreciam MPB valorizam uma espécie de bom gosto, seja lá o que isso signifique; por outro, tudo o que soe depreciativo a uma vaga e talvez culpada (nossos ouvidos mais ou menos educados são, majoritariamente, classemedianos) ideia de popular exalta ânimos. A MPB, draga famélica, não satisfeita com seus luminares, passou a comer de tudo, de nosso tímido roquezinho a Cartola. Portanto, dizer que faltava música erudita (o termo música de concerto talvez fosse mais adequado) a nossa formação soou como um desprezo ao popular enquanto valor. Isso me faz lembrar de outro comentário de Lobão – neste texto, refiro-me sempre a uma entrevista do autor de “Chorando no

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campo” a que assisti num programa de tevê fechada intitulado Manhattan Connection –, este acerca de sua experiência na fusão do rock com bateria de escola de samba. Hoje em dia, Lobão só se apresenta com uma formação composta por guitarras, bateria e baixo, e, pergunta o compositor, por que isso deveria ser menos brasileiro que uma bateria de escola de samba? Pergunto eu: que importância tem a nacionalidade nesses assuntos? Por que o trabalho de um compositor, brasileiro ou não, ainda tem de possuir a chamada cor local do Romantismo mais programático? Pela mesma razão que ainda põe num movimento pouquíssimo dinâmico a noção de que existe um verdadeiro futebol brasileiro. Faço uma breve digressão futebológica porque me ocorre um bom exemplo de como alguns perigosos clichês circulam impunemente, fazendo com que certas cabeças ouçam, assimilem e não reflitam muito. O niteroiense Leonardo é ex-jogador de Flamengo, São Paulo, Kashima Antlers etc. Não são poucos os que encontram nele o antiparadigma do desinformado futebolista brasileiro, pois o rapaz é considerado culto, ao menos em comparação com seus ex-colegas. Leonardo, hoje treinador, há pouco tempo disse que sua profissão atual é pouco valorizada no Brasil, pois o que sobressai em nosso país são os jogadores e sua pujante qualidade individual, aspecto que determina o êxito da seleção em competições internacionais. Será? Um treinador de alto nível (o de Leonardo, e é a esse que me refiro) é tão valorizado por aqui que alguns salários passam do meio milhão. Além disso, ocorre-me frequentemente que, para além do propalado estilo nosso de jogar, só ganhamos Copas do Mundo quando, tática e estrategicamente, superamos os outros: o time de 1958, praticamente idêntico ao de 1962, era surpreendente e inovadoramente compacto, enquanto a vocação do de 1970, doa a quem doer, era contragolpista, traiçoeira. Em 2002, só brilhavam os da frente porque havia questionados e sólidos três zagueiros, enquanto em 1994, o escrete do qual Leonardo fazia parte venceu, dizem, à europeia. A digressão foi apenas para comentar um clichê sobre o melhor futebol do mundo, já que estava eu tratando de MPB, a melhor música do mundo... Tenho de voltar à sigla, a seu P: popular; em oposição a erudito? Se tudo é MPB, inclusive Jobim, inclusive Chiquinha Gonzaga, inclusive os choros de Villa-Lobos nada é MPB, nem Jobim, nem Chiquinha Gonzaga, os choros de Villa-Lobos. Por outro lado, se tudo é MPB, de nada mais precisamos, pois tudo temos – e assim ficamos, sem, por exemplo, compositores contemporâneos que sejam capazes de pôr em discussão a própria música, coisa realmente estranha para nossos ouvidinhos. Volto à esquizofrenia suspeitada e organizo meu pensamento do seguinte modo: à valorização do popular junta-se o culto do bom gosto, e ao complexo de vira-lata uma sorridente arroganciazinha. O que não há, além de contradições em forma de música, são contradições em forma de discurso: na MPB, todos gostam de todos, e todos se lambem como lambem a cultura de que fazem parte. Insisto: certo Brasil gosta muito de si mesmo, o que agrada ao mercado do entretenimento, às boas consciências e a muitos intelectuais, em cuja mente perpassa ideia semelhante à que ocupa as dos jovens que, espantados e raivosos, viram em seu professor um súbito monstro elitizante – sem perceber que seus ídolos é que pertencem, sobretudo economicamente, a uma elite, e que elite importa mais que a econômica? Muitos intelectuais brasileiros

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r e f l e x ã o

deixam de cumprir tarefas que só a eles cabem, e uma delas é aproximar o pensamento mais fino de um público amplo. Isso, no entanto, não é possível, por uma razão perversa e antiga: quem consegue ocupar espaços que chegam a um público mais amplo não são, o mais das vezes, intelectuais dispostos à contradição, mas gente como Caetano Veloso. Caetano Veloso é um intelectual? Não. Por que Caetano Veloso ocupa o espaço que ocupa? Porque, apesar de não ser um intelectual stricto sensu, é ele alguém de pensamento tão vivo que extrapola qualquer categoria, certo? Não. Caetano Veloso ocupa o espaço que ocupa porque pertence ao país a que pertence e, consequentemente, à sua cultura, pródiga em sorrisos e pobre em distinções e ambições – sim, porque pensar com Caetano Veloso é pensar pobre, é pensar sem pretensão alguma. Caetano Veloso é referência para quem pouco conhece de exercício de pensamento, ou para quem, ainda que muito conheça, se vê enfurnado numa cultura que se lambe muito; esses, infelizmente, não conseguem deixar de lamber. Em oposição ao que digo, existe um discurso pronto, que se manifesta quando Paulo Coelho chama de fascistas aqueles que não caem em seu logro, e quando alguém que defende, sincera ou espertamente, um Caetano Veloso, celebra a viva ausência de fronteiras de nossa cultura, e ataca os antipáticos ao mercadológico balaio de gatos brasileiro. Esse discurso é hegemônico e ocupa espaços tão maciços como os que se dão a caetanos velosos et caterva. Fica, assim, quase impossível para muitos intelectuais a tarefa, a eles pertencente mas deles defraudada, de dar ao outro ferramentas para pensar por si mesmo, o que é o contrário do adestramento. Se muitos intelectuais brasileiros não cumprem tarefas que lhes cabem porque disso são impedidos, alguns jogam outro jogo, seja porque não conseguem enxergar acima dos sorrisos da pátria alegria – sim, há quem realmente goste de Caetano Veloso, e uso esse nome agora (talvez não só agora) metonimicamente –, seja porque lhes interessa jogar outro jogo. Como fronteira é realidade que não nos agrada muito, há quem vá mudando de perspectiva no correr dos anos, saindo de um lugar distinto e marginal (uso o termo em oposição a um entendimento de centro como espaço de maior concentração, para falar com o Velho de Camões, de “vaidade” e “fama”) rumo a posições mais lucrativas. Sei, por exemplo, de um acadêmico que não gostava de certo falecido poeta/ letrista de prestígio eterno e que, anos depois, obteve muitos benefícios a partir de tal figura. Com o mesmo indivíduo, lembro-me de certa conversa, há alguns anos, num ambiente universitário. Na altura, começava a ser hábito de alguns escutar em volume violentamente alto sonoras atrocidades. Comentei com o homem em questão de meu incômodo com isso, posto que via, e ainda vejo, nesse fenômeno uma nova configuração de surdez cultivada e assolamento planejado da capacidade de se ouvir música. O acadêmico fez coro comigo, e lamentou que, dias antes, tenha saído repentinamente da casa de um familiar para fugir de um vizinho mal educado e de seu fanqui invasivo. Logo depois, deploramos juntos um estado de coisas em que o fanqui ocupava o lugar que ocupava – cenário, a propósito, imodificado, ou melhor, modificado para pior. Tempos depois, o mesmo indivíduo, para minha surpresa, tece encantadas loas ao funqui carioca, inclusive ao hábito de se acender celulares nos chamados bailes. Perplexo fiquei, e mais ainda quando soube que o acadêmico em questão passara a lidar diretamente com música. Mas como, perguntei a mim mesmo, se ele nem sabe música? Qual o pro-

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blema?, redargui a mim mesmo, se estamos onde estamos? Se esse indivíduo se mete com música sem saber ler uma única nota musical, muitos fazem o mesmo, e, saibam ou não ler música, todos gostam de MPB, e cultivam-na. Ao cultivá-la, cultivam suas tolices e vícios, perfazendo-se seguidores de gente como o aqui multicitado Caetano Veloso, tipo dotado de faro comercial bastante eficaz e que percebe bem a já referida dupla face emepebista brasileira – popular, por um lado, de bom gosto, por outro ou pelo mesmo. Assim, elogiar Odair José nos anos de 1970 ou acse music e funqui no momento presente liberta os seguidores para eles também aproveitarem sem a menor culpa essa sorte de iguarias. Aliás, sempre me chama a atenção que, diante do grotesco travestido de popular, cabecinhas classemedianas adestradas trepidem. Observe-se o comportamento dessa gente quando um funqui surpreende alguma festa cool, ou quando, num concerto qualquer, o cantor apreciado apresenta, em seu repertório, algo considerado brega: a turma delira, como se tivesse sido libertada para a espontaneidade. E seguimos sem rock neste país – ou sem país neste rock? O Camisa de Vênus, logo em seu primeiro disco, lançou temas admiráveis – é admirável, a propósito, boa parte do trabalho desse conjunto (especialmente quando seu humor logra afastar-se de duplos sentidos sexuais que por vezes escorregam do previsível para o moralista), surgido, curiosamente, na Bahia: ainda bem que há, dentro da história, gestos de caráter contracultural, e não apenas Dorival Caymmi. Em Camisa de Vênus (1983), destaco “Passamos por isso”, especialmente pelo inquisitório discurso acusado pelo refrão: “Vocês vão obedecer/ vocês vão entender/ vocês vão aprender a curtir MPB!”. O que a canção de Marcelo Nova e Karl Hummel denuncia é a imposição de uma identidade sem vida nem inteligência: “Nos deram até a liberdade/ de tocar ‘Brasileirinho’ ”, pois a obrigatória docilidade brasileira fica bem no diminutivo – coisa muito agradável (não, “Leãozinho”?, não, “Branquinha”?) à MPB. Aproximo-me do final deste texto sem que eu perceba satisfatoriamente a sigla MPB. Desisto. Não desisto é de um pensamento insubmisso, coisa que só consigo tentar no cotidiano porque sou professor de uma universidade pública. Sou pago pelo Governo Federal, entidade que deve servir ao interesse da população. Em virtude do que eu disse aqui, lamento que o mesmo Governo não intervenha de modo mais efetivo em questões de arte e pensamento, subsidiando quem jamais será subsidiado por empresas ou empresários, negócios ou negociantes. Eles, os do discurso pronto, já que sua fala é afinada à dos que desaprovariam uma atuação mais forte do Estado, dirão que o papel fomentador das artes não é governamental. Muitos dizem que programas como o Bolsa Família não são convenientes, e uma coisa me parece certa: só diz isso quem não precisa deles, e diz aquilo, majoritariamente, quem tem muito público e muita renda nos bolsos. Um pensamento menos subserviente, enquanto isso, se reduz a pequenos bolsões de criatividade, que precisam ser defendidos com atenção cada vez mais forte, pois intelectuais como os mencionados lambedores ou o esperto acadêmico andam loucos para “caetanear o que há de bom”. Se não houver resistência, eles acabam conseguindo.

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S e n h o r d o s Peams st oo sd

Mรกrcio

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Garcez

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fotografia

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os os passos

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árcio Garcez é sergipano, graduado em Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV pela Universidade Federal de Sergipe. Foi presidente da Associação Sergipana dos Amigos da Fotografia (Asafoto), tendo realizado a VI Semana Sergipana de Fotografia, com o apoio do Centro de Cultura e Arte da UFS, em 1997. Em 2007 foi ganhador do 32º Prêmio Abril de Jornalismo, na categoria Educação. Participou de várias exposições individuais e coletivas, tendo sido contemplado pelo BNB de Cultura com o projeto tema deste ensaio,“Senhor dos Passos em Todos os Passos”. Como repórter fotográfico tem trabalhos publicados em diversos jornais e revistas, tais como Época, Istoé Gente, Claúdia, Folha de São Paulo e Correio Brasiliense. Atua também no setor de fotografia industrial e publicitária. As fotos deste ensaio serão apresentadas em outubro próximo no Forum da Cultura da UFJF, dentro da programação do JF em Foco 2011 (Juiz de Fora /Minas Gerais). Contatos : 79 99714561 marciogarcezvieira@yahoo.com.br

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S e n h o r d o s Peams st oo sd

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fotografia

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o s o s p a sMsáor sc i o G a r c e z

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árcio Garcezè nato in Sergipe, laureato in Comunicazione Sociale con specializzazione in Radio e TV all’Università Federale di Sergipe. È stato presidente della Associação Sergipana dos Amigos da Fotografia (Asafoto), realizzando la VI Settimana di Fotografia del Sergipe con l’appoggio del Centro de Cultura e Arte da UFS nel 1997. Nel 2007 è stato il vincitore del 32º Prêmio Abril de Jornalismo, nella categoria Educazione. Ha partecipato a varie esposizioni individuali e collettive, ottenendo il BNB de Cultura con il progetto di questa presentazione “Senhor dos Passos em Todos os Passos”). Come reporter ha lavori pubblicati da diverse riviste e giornali, quali Época, Istoé Gente, Claúdia, Folha de São Paulo e Correio Brasiliense. Lavora anche nell’area della fotografia industriale e pubblicitaria. Le fotografie di questa presentazione saranno presentate il prossimo ottobre nel Forum da Cultura da UFJF, nell’ambito della programmazione di JF em Foco 2011 (Juiz de Fora / Minas Gerais). Contatto : 79 99714561

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marciogarcezvieira@yahoo.com.br

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pa e a d r t er od

Livro de cabeceira: A Divina ComĂŠdia Prato preferido: Frango xadrez Artista que desponta: Vik Muniz Local para viver: Aqui, no Rio Local para trabalhar: Santa Teresa

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artes plásticas Pedro Aves Luz, isto é, Pedro Grapiúna, pode-se dizer, já nasceu artista. É brasileiro, baiano, escultor. Não sabemos se nessa ordem, mas o fato é que, aos 53 anos, já fez de tudo “um muito” – trabalhou com laticínios, cinema, pintura de automóveis; como porteiro, auxiliar de escritório, assistente de fotógrafo publicitário, como ator, atuando como palhaço. Atualmente, tem como principais atividades a arte – esculturas e restauração de artefatos de ferro.

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mga lrh aar

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Marisa Oliveira

pf ei r úr o n a FD - Como o sr. se descobriu artista plástico? PG - Desde criança eu era inquieto e procurava por novidades. Não sabia o que era arte, mas já era diferente; inconscientemente, já a exercia inventando brincadeiras com meus primos e amigos. Posso dizer que a descoberta da Arte foi aos 10 anos de idade, quando conheci o cinema e o circo, em Itapitanga, uma das 40 cidades da Bahia por onde peregrinei em busca de  conhecimentos e técnicas. FD - Qual a sua formação em Artes? PG - Sou autodidata. Participei de um curso de técnica de pintura na faculdade Estácio de Sá e no ateliê da Nisete Sampaio; tive contato com arte dramática no curso Jayme Barcellos e no de vídeo arte, ministrado por Marcia Macedo. FD - Quais as técnicas de que você mais se utiliza? Por que? PG - Solda elétrica e rejeitos de ferro; é gostoso

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Marisa Oliveira

transformar aquilo que não tem mais utilidade para as pessoas em arte, ao mesmo tempo contribuo para preservar o meio ambiente. FD - Quais são as principais influências na sua arte de produzir arte? PG - A vida, a ação da humanidade e o rico ensinamento da minha professora Nizete Sampaio. FD - Que temas predominam em suas esculturas? PG - O cotidiano de diversos personagens. FD - Há 10 anos o sr. produz esculturas. As outras técnicas, como pintura, por exemplo, foram abandonadas? PG - Não, não abandonei as outras técnicas. Só não estou produzindo no mesmo ritmo das esculturas, assim como cenografia e adereços. Estou produzindo conforme a demanda. FD - Na arte de produzir, do que mais o sr. gosta? PG - Pintar, esculpir, conciliando com artes cênicas.

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cultura

a r t e s

p l á s t i c a s

FD - Além de artista, o sr. exerce outras atividades profissionais? PG - Sim, restauração de artefatos de ferro.

pA e a dr t er od e

mga r lha ar

p fie rúr on a

FD - O que tem sido marcante para o sr. na sua trajetória de artista? PG - O reconhecimento, o carisma do público e uma proposta de troca de técnicas no meu ateliê por um escultor da Suíça, experiência de dois meses e meio que resultou na exposição Migração.

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