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Lino Pereira faz balanço do primeiro ano como presidente da Junta de Freguesia

V O Z da

Serra

JANEIRO 2007

ANO 4

Esta revista é um suplemento local que integra a edição n.º 3645, de 26 de Janeiro de 2007, do Semanário REGIÃO DE LEIRIA e não pode ser vendida separadamente.

Págs. 14 a 17

Concluído Parque Desportivo de Santa Catarina da Serra

Piscinas inauguradas Págs. 4 a 5

Nº 46


FÓRUM FICHA TÉCNICA DIRECTOR Francisco Rebelo dos Santos DIRECTOR-EXECUTIVO

ÍNDICE Inauguração das piscinas da União da Serra ..................................... 4 e 5 Chícharos da Serra serve de cartaz turístico para o futuro ................ 6 e 7 Notícias do Coros ...................................................................................... 8

Pedro Costa

Bombeiros em grande força....................................................................... 9 Conselho dinamizador David Vieira Fausto Neves Jaime Silva Joaquim Rodrigues Jorge Primitivo

Santa Catarina da Serra e o ciclone de 15 de Fevereiro de 1941 ............. 10 Sonhos para 2007 ................................................................................... 11 Concurso de Presépios .................................................................... 12 a 13 Lino Pereira, presidente da Junta de Freguesia em entrevista .........14 a 17

José Augusto Antunes José Carlos Rodrigues TEXTOS Rita Neves e Mário Rui Nicolau FOTOGRAFIA Rita Neves e

Os 100 anos da Igreja Paroquial de Santa Catarina da Serra......... 18 a 19 Grupo Desportivo e Recreativo S. Guilherme um clube com história e futuro ....................................................... 20 a 22 Folclore em Santa Catarina da Serra ...................................................... 23

arquivo do REGIÃO DE LEIRIA

Com o presente que temos olhando para o futuro que queremos............ 24

PAGINAÇÃO

Mário Gordo jovem promessa de Todo-o-Terreno ........................... 26 a 29

Departamento Gráfico do Região de Leiria

Os rostos da ciência ................................................................................ 30

PUBLICIDADE Luís Clemente PATROCINADORES Lena Construções LubriFátima Leiritrónica JRP Segurmet SegurControl Vistal Fátima

Participe A sua opinião conta. A VOZ DA SERRA tem em funcionamento um Ponto de Apoio ao Leitor na Papelaria Bemposta, no centro da vila de Santa Catarina da Serra. Porque a participação activa dos nossos leitores é essencial, agora existe um local onde pode deixar as sugestões de assuntos que gostaria de ver abordados, textos para publicação, pagamento de assinaturas e entrega de publicidade. A interactividade com o leitor é uma das nossas

IMPRESSÃO Mirandela SA TIRAGEM

preocupações. Ajude-nos participando. Dependendo da disponibilidade gráfica ou da pertinência noticiosa, a sua participação encontrará eco na VOZ DA SERRA e/ou Região de Leiria.

2.500 exemplares Esta revista é um suplemento local que integra a edição n.º 3645, de 26 de Janeiro de 2007, do Semanário REGIÃO DE LEIRIA e não pode ser vendida separadamente.

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Inauguração da complexo despo


a piscina conclui ortivo da União da Serra O Complexo Desportivo da União da Serra, na freguesia de Santa Catarina da Serra, está concluído desde o passado dia 7 de Janeiro com a inauguração oficial da piscina coberta. A infra-estrutura, inaugurada com a presença da presidente da Câmara de Leiria, Isabel Damasceno, e do governador civil, José Miguel Medeiros, constituiu um investimento que rondou os 600 mil euros. A piscina correspondia à última fase de todo o parque desportivo, que conta ainda com um relvado sin-

tético para futebol 11 com iluminação artificial (com um custo de 500 mil euros) e um recinto para futebol 7, além de um pavilhão gimnodesportivo. No total, o complexo custou cerca de dois milhões de euros, com parte a ser financiado por fundos europeus. Depois de descerrada a lápide por José Miguel Medeiros e Isabel Damasceno, foram dados os primeiros mergulhos nas águas da piscina, por jovens da freguesia de Santa Catarina da Serra.


Chícharos da Serra serve de cartaz turístico para o futuro

A freguesia de Santa Catarina da Serra organizou e assistiu, no passado mês de Novembro, a um grande evento para assinalar o aniversário da sua freguesia. Este evento contou com a p a r t i c i p a ç ã o a c t iv a e dedicada das associações, que durante três dias deram o seu melhor para que este acontecimento pioneiro fosse o êxito que se confirmou. Que melhor forma de comemorar os 457 anos da freguesia de Santa Catarina da Serra, senão através do Festival do Chícharo, um dos pratos mais tradicional e apreciado pelas gentes da terra. Com o objectivo de assinalar e aprofundar a identidade de ser santacatarinense e assinalar o dia da freguesia de modo oficial e festivo, a junta em colaboração com a maioria das associações, realizou as tasquinhas, no fim-de-semana de 24 a 26 de Novembro, no Parque Desportivo da União Desportiva da Serra. Durante a preparação e nos dias do evento, o clima vivido foi de muita alegria, camaradagem e entreajuda. Todas as colectividades deram o seu melhor e a população,

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quer local, quer de vários pontos da região, correspondeu, apesar do tempo chuvoso e frio. Para acompanhar o prato de chícha ros, e querendo unir a gastronomia à cultura, quem visitou Santa Catarina da Serra teve a possibilidade de visitar mais de uma dezena de exposições. No pavilhão estiveram presentes coleccionadores de peças antigas, artesões, colectividades e artistas da terra. A esta grande festa não podia faltar, para além de um copo do bom vinho da região, espectáculos de música tradicional, folclore, uma tuna e vários grupos musicais que deixaram toda a gente muito animada e a dançar. Um dos pontos mais altos destes dias foi a celebração religiosa, a 25 de Novembro, dia de Santa Catarina, padroeira da freguesia. A eucaristia foi presidida pelo Pe. Jorge Guarda, Vigário Geral da diocese de Leiria, em representação de D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, e pelo pároco Padre Mário. No decorrer da celebração foram homenageadas três pessoas da freguesia, Maria Gaspar, do Pedrome, António da Assunção Vieira, da Loureira, e David Filipe das Neves, do Vale-Tacão, que pelo seu modo de vida se dedicaram ao bem de toda a comunidade de forma continuada e num sentimento de doação.

Maria Gaspar

Na sua humildade Maria Gaspar, homenageada pelos muitos anos que se dedicou ao ensino da catequese em Santa Catarina da Serra, refere que ter sido reconhecida “não é para nós, mas devemos dar graças a Deus porque é o nosso dever e se o cumprirmos não fizemos nada”. Há uma frase que um dia ouviu e que explica o sentido que dá a este reconhecimento “aquilo que nós fazemos é em nome de Deus é Deus que o faz, nós fazemo-lo por meio de Deus e aquilo que por que somos louvadas estamos a roubar a Deus aquilo que lhe pertencia”. Uma das maiores alegrias deste dia foi “ver a união entre as entidades oficiais e as religiosas”, verificar que as forças da freguesia estão juntas.


ACTUALIDADE António da Assunção Vieira A ntónio da Assunção Vieira Ê hå 45 anos o coveiro da freguesia, actividade que exerceu sozinho durante 44 anos. Actualmente Ê coveiro no cemitÊrio de Santa Catarina da Serra, ValeSumo e Chaínça, tendo sido o primeiro coveiro deste cemitÊrio. António Vieira conheceu esta actividade atravÊs do pai que ajudava quando tinha apenas nove anos de idade. Ainda se lembra da primeira pessoa que sepultou em Janeiro de 1962, António Ferreira Fartaria, da Loureira. Do reconhecimento que lhe foi prestado o sentimento Ê de alegria, foi uma forma de recompensa por um serviço prestado à comunidade, que por vezes Ê esquecido.

nesta causa, “ficamos engrandecidos, Santa Catarina da Serra ĂŠ uma comunidade Ăşnicaâ€?. Nesta reuniĂŁo ficou-se ainda a saber as contas que um acontecimento como este teve, cerca de 14.000.00â‚Ź, mais do que era previsto no orçamento inicial, mas que nĂŁo deixa os autarcas desanimados, a “junta estĂĄ disponĂ­vel para continuar com este eventoâ€?. Uma das ideias lançadas e aceites por todas as associaçþes foi a criação de uma Associação de Desenvolvimento de Santa Catarina da Serra, da qual faria parte um representante de todas as associaçþes da freguesia, esta associação pretende contribuir para que todos em conjunto consigam enriquecer-se e beneficiar a todos os nĂ­veis. As associaçþes foram unânimes em classificar que o evento foi um sucesso, que a freguesia ficou mais rica, “levamos o nome da freguesia mais longe, mostramos que somos uma freguesia dinâmica, trabalhadora e que mesmo com poucos recursos pudemos realizar muita coisaâ€?. Em 2007 o Festival do ChĂ­charo ĂŠ uma experiĂŞncia a repetir

David Filipe das Neves D av i d F i l ip e d a s Ne ve s foi ag raciado pelo c ont r ibut o em favor da comunidade, ao desloc a r-se pa ra exercer serviços de enfermagem a quem necessitava, gratuitamente, e a qualquer hora. Foi tambÊm distinguido pela colaboração e trabalho que exerceu na construção das primeiras estradas que ligaram o lugar de Vale-Tacão à Quinta da Sardinha, feitas só com o suor humano e a ajuda dos animais, foi o 1º Ministro da Comunhão da freguesia e ajudou na organização das comemoraçþes da bodas de ouro do Sr. Prior Padre Joaquim Faria. O seu sentimento nesse dia era de felicidade, no entanto, refere que nada fez de especial e nunca se arrependeu do que fez. Em reunião de balanço deste evento Lino Pereira, Presidente da Junta de Santa Catarina da Serra, agradeceu e felicitou a forma como todos se empenharam

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ACTUALIDADE

Casa do Povo de Santa Catarina da Serra

Notícias do Coros A Casa do Povo de Santa Catarina da Serra promove, desde longa data, a cultura musical, na Freguesia de Santa Catarina da Serra com o desenvolvimento de espectáculos, festivais, encontro de coros, e muitas outras actividades, pontuais. É também “pertença” da Casa do Povos os dois grupos corais Infantil e juvenil que têm mantido um trabalho contínuo para levar a muitos locais a sua música. É vontade da Casa do Povos que este crescimento cultural tenha ainda um maior peso na nossa freguesia, deste modo oferece gratuitamente os dois Coros que conhecemos como Coro

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Infantil da Casa do Povo e Coro Juvenil, que agora se denomina por Grupo Coral Viva Voz. O Coro Infantil é composto por crianças com idades compreendidas entre o 4 e os 12 anos, tem mantido o seu trabalho semanal. Já no passado dia 20de Dezembro estiveram presentes na Festa da Natal do Lar e Centro de Dia de Santa Catarina da Serra e terão como futuras actuações uma ida a S. João da Madeira e ao Lar do Arrabal. O Coro Juvenil, agora Coral Viva Voz, tem estado em grande actividade este ano lectivo com uma agenda de trabalhos bastante preenchida. Já

participaram em quatro concertos, nomeadamente em Lisboa no Palácio da Independência, no Lar de Idosos do Arrabal, e no Auditório de St. Eufémia, e em santa Catarina, no dia da freguesia. Estes concertos superaram as expectativas, pois a boa música é sempre acompanhada de boa disposição, gente nova e entusiasta. Realizaram-se já concertos dos Reis no Olival – Ourém, dia 6 de Janeiro e em S. João da Madeira, também em Janeiro. Já em Maio, dia 20, haverá mais um encontro de Coros promovido por esta Associação, na nossa Freguesia.


ACTUALIDADE

Bombeiros em grande força O ano de 2006 foi para os Bombeiros Voluntários da Serra um ano bom. O plano de actividades foi cumprido, conseguiram angariar mais cerca de 350 novos sócios. Em 2005 tinham 900 sócios, hoje são à volta de 1300, como refere satisfeito, Virgílio Gordo, presidente dos Bombeiros Voluntários da Serra. Para este novo ano ainda há um grande trabalho a fazer e é ponto de honra da actual direcção voltar a fazer “uma boa campanha de sócios, pois a freguesia tem cerca de 3000 eleitores, e conseguir 2000 sócios penso que não é difícil, é preciso é trabalhar para isso, pois com este número de sócios com a cota sempre actualizada ia ser uma grande ajuda para a manutenção”. As dificuldades financeiras para a manutenção e aquisição de equipamento e pessoal são uma das maiores preocupações deste corpo de bombeiros, sendo a realização de almoços nos vários ramos da freguesia, que deram sempre mais de 2.000.00 €, a tasquinha do Dia da Freguesia e o Todo-o-Terreno, perfazem uma receita em 2006 de 18.000.000.00 €, “esta é uma prova de que os santacatarinenses estão ao lado dos bombeiros, querem os bombeiros na nossa terra, e esta direcção vai continuar a trabalhar nesse sentido, embora no terceiro ano de mandato possa haver já alguma saturação”, no entanto estas são as várias formas encontradas para tentar colmatar os problemas económicos. Em relação à actividade operacional o “S. Pedro o ano passado foi um grande amigo, porque choveu em Junho e Julho, não foi um Verão tão agreste como em 2005, isso foi bom porque para além de não haver todo aquele trabalho que os bombeiros têm quando são chamado a intervir nos fogos florestais, também ajudou a reduzir em termos de custos de desgaste do parque automóvel e

em termos de gasóleo, aliás, se não reduziu em relação a 2005 também não os agravou”. Os bombeiros ser vem toda a população da freguesia e freguesias vizinhas, nomeadamente Caranguejeira e como diz Virgílio Gordo, “se não a servem melhor é porque os meios podiam ser maiores, se tivéssemos mais bombeiros efectivos, mais poder económico, podíamos falar da aquisição de mais uma viatura de transporte de doentes. Com mais meios podíamos servir melhor, mas as pessoas têm de compreender com estes meios que temos está bom”. Os almoços que os bombeiros têm realizado são muito importantes, porque ajudam a que seja claro a actividade da associação na freguesia. Virgílio Gordo classifica os nossos

bombeiros como “do melhor que temos na nossa freguesia, já tinha participado em direcções de outras colectividades da freguesia, mas de facto o voluntariado é uma coisa que mexe comigo, quem acompanha de perto a actividade dos nossos bombeiros, a forma como eles se entregam à causa dos Bombeiros da Serra, acho que toda a freguesia tem de agradecer o voluntariado dos homens e mulheres que temos na secção”. O novo quartel é um sonho que gostavam de ver realizado, mas a actual direcção apanhou um impasse do terreno por causa da passagem do IC9 pela freguesia. Têm sido feitas reuniões para saber mais em concreto o que se passa, em reunião com a Câmara Municipal de Leiria, em Novembro último, foi-lhes dito que está no projecto ambiental, mas é difícil analisar esse projecto a curto ou médio prazo. Esta direcção é conhecedora do processo das juntas de freguesia, sobretudo a de Santa Catarina da Serra e Caranguejeira para formar agrupamento de três ou quatro freguesias (Santa Catarina da Serra, Caranguejeira, Arrabal e Chaínça), mas esse é um processo e uma decisão que segundo o presidente dos bombeiros, tem a ver com as autarquias, no entanto, a associação está de acordo com esta ideia, “acho que devemos ver mais longe, não podemos estar só a olhar para nós, para o nosso umbigo, devemos separar as coisas, se queremos um quartel a curto prazo, a alternativa é formar esse agrupamento”. Os bombeiros encerraram o ano de modo muito positivo e tudo vão continuar a fazer para servir sempre melhor a população, agradecendo a todos, às empresas, aos estabelecimentos comerciais da freguesia, que ajudaram a que qualquer actividade realizada por esta associação fosse um sucesso.

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OPINIÃO

Santa Catarina da Serra e o ciclone de 15 de Fevereiro de 1941 Ao contrário do que por vezes se afirma, Portugal não é um País propenso à ocorrência de ciclones, isto é, aos rápidos movimentos giratórios do ar. A Meteorologia é a área da Física que estuda, precisamente, este tipo de fenómenos. N a verdade, quanto maior é a força aplicada pelo ar em movimento, tanto maior é a sua capacidade para remover e transportar objectos. Durante um ciclone, a velocidade e, deste modo, a força das correntes eólicas, é tal que os objectos removidos ou deslocados podem ser de grandes dimensões. A 15 de Fevereiro de 1941, sábado, durante a noite e manhã, teve lugar um fortíssimo ciclone. Este abateuse sobre a quase totalidade do País, provocando inúmeros estragos e vítimas mortais. Faleceram cerca de 100 pessoas. Lisboa e o seu Jardim Botânico ficaram gravemente afectados. Vivia-se, então, em pleno período da Segunda Guerra Mundial (193945). Este foi, sem dúvida alguma, o mais marcante fenómeno meteorológico pelo qual Portugal passou nos últimos decénios. Foi há 65 anos. Os santacatarinenses mais idosos ainda se lembram do ciclone de 1941, embora, em parte significativa dos casos, não saibam a data exacta da referida ocorrência. Uns falam em 1940, outros em 1942. Aos seus filhos, nascidos após o fenómeno, foilhes transmitida, ainda que de uma forma bastante imprecisa, uma certa quantidade de informação referente ao sobredito ciclone. De acordo com o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, SNBPC, os ventos atingiram, em 1941, uma velocidade de cerca de 135 quilómetros por hora, fustigando fortemente a Região Centro, nomeadamente Coimbra e Leiria. A Universidade de Coimbra estava já munida de um Observatório Meteorológico, para efectuar as respectivas medições. As comunicações da “cidade dos estudantes” com o exterior ficaram completamente cortadas. Mais a Sul, as Lezírias do Tejo foram, de igual modo, fortemente afectadas.

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Para além do impacto psicológico causado nas populações, medo e, na sua forma mais extrema, pânico, assim como nos animais, a destruição material desorganizou a vida sócio-económica dos santacatarinenses. Como a maioria das pessoas vivia das actividades agrícolas, a queda de milhares de árvores, principalmente pinheiros, Pinus pinaster, por exemplo, reduziu drasticamente a produção de resina. Na Freguesia de Boa Vista, Leiria, a queda de uma considerável quantidade de coníferas, levou à redução do número de bicas de resina. As árvores de fruto, caídas, comprometeram determinadas culturas. Muitas plantas, levadas pelo vento, atravessaram mesmo os caminhos. Nos espaços habitacionais, inúmeras casas ficaram sem telhados e sem chaminés. As janelas soltaram-se e o entulho acumulou-se nas povoações, ruas e caminhos. Imensos objectos foram levados das habitações pelo fortíssimo vento. Dentro da Igreja Matriz, os vidros das janelas foram destruídos e caíram pelo piso do edifício, espalhando-se. O candeeiro que hoje se encontra perto do altar também foi seriamente danificado, devido aos enormes safanões a que foi sujeito. No dia 16 de Fevereiro, ou seja, no domingo, as pessoas que então se dirigiam ao culto religioso, compreenderam verdadeiramente a dimensão dos estragos. O Presidente da Câmara Municipal de Leiria, João Maria Telles de Sampaio Rio, remeteu uma carta a cada Junta de Freguesia, de forma a apurar os estragos causados pelo ciclone. A de Santa Catarina foi remetida a 21 de Fevereiro de 1941, ou seja, seis dias após a ocorrência do fenómeno. Neste relatório deveriam constar os prejuízos causados na Freguesia, o que incluía casas de habitação, construções e culturas agrícolas, pomares, olivais e pinhais. A 27 de Fevereiro enviou-se a lista com o número das árvores arran-

cadas e danificadas. Assim, foram arrancadas 3.000 oliveiras e danificadas 730. De árvores de fruto, 1.000 e 269, respectivamente. Pinheiros de madeira 20.000 e 25.000. Pinheiros de lenha 10.000 e 15.000. Sobreiros 10 e 6. Carvalhos 20 e 10. Eucaliptos 5.000 e 2.000. E, por fim, várias outras árvores, 20 e 10, respectivamente. O total de plantas arrancadas é de 39.050, enquanto que o de árvores danificadas atinge o valor de 28.015. Por sua vez, a soma destes dois totais dá um resultado de 67.065 plantas afectadas. A 13 de Março, a Câmara solicita a rápida informação sobre os pinheiros derrubados, ao que a Junta respondeu, a 16 de Março, 20.000 pinheiros de madeira e 25.000 de lenha. Ainda a 13 de Março de 1941, foi expedido um outro documento, em que o Município de Leiria questionava a Junta se tinha falecido algum chefe-de-família pobre, com a precisa indicação da sua morada, idade e causa imediata, ou mediata, da morte. Incluía-se também o número de pessoas a seu cargo e parentesco. Esta solicitação foi feita pelo Diário de Notícias. A 16 de Março, a Junta de Freguesia respondeu que ninguém faleceu com o ciclone. “Somente” houve estragos materiais. A 19 de Março, a Câmara Municipal oficiou enviar a Santa Catarina da Serra uma carta, pedindo para que se fizessem recolhas de amostras de algumas árvores dignas de nota derrubadas pelo “siclone” (como também se escrevia), e que se destinavam ao Museu dos Serviços Florestais. Assim, deveriam ser remetidas rodelas das bases dos troncos e pranchas dessas plantas. Por todo o País, apesar da 2.ª Guerra Mundial e numa época de racionamento de bens alimentares, foram organizados concertos e outros espectáculos, no intuito de se angariar fundos para o auxílio às populações mais afectadas. Vasco Jorge Rosa da Silva Bolseiro da FCT a.einstein@sapo.pt


INQUÉRITO

Sonhos para 2007 O ano de 2006 está a terminar, resta fazer o balanço do que aconteceu e desejar que o próximo ano seja cheio de bons momentos.

A Voz da Serra foi procurar que balanço fazem do ano de 2006 e quais os desejos que alguns habitantes da freguesia gostariam de ver realizados em 2007.

Que balanço faz do ano de 2006? Que desejos gostaria de ver realizados em 2007? Elsa Oliveira 23 anos Magueigia Téc. Qualidade Alimentar

O ano de 2006 foi passado da mel hor for ma, com muita saúde, amigos, familiares e emprego. Foi um ano em que realizei alguns projectos a nível profissional e também pessoal. Relativamente ao próximo ano 2007, espero que pelo menos decorra de igual forma ao de 2006, com muita saúde e felicidade para todos.

Eunice Rodrigues 31 anos Fátima (natural do Pedrome) Engª Técnica Civil

Pa ra m i m o ano 2006, foi um ano que na generalidade avalio positivamente, no entanto sem esforço, saúde e sorte, não era possível. Estamos a atravessar anos de crise, em que o desemprego tem vindo a aumentar. Pertencemos a uma Freguesia, em que a saúde nos tem traído. Pedimos a Jesus que este Natal traga uma luz para todas as nossas famílias. Os desejos de 2007, são que o melhor de 2006, seja o pior de 2007. Um bem-haja a todos.

Irene Costa Olivais Secretária

Foi um ano que correu velozmente, mas razoavelmente bem, porque tanto eu como a minha família tivemos saúde, trabalho e alguns momentos de lazer. Que seja um pouco melhor que o anterior, tanto a nível pessoal e familiar como a nível geral do nosso país, principalmente com paz, saúde e amor.

Preciosa Vitória de Oliveira Loureira Reformada

O ano de 2006 foi um ano que correu dentro do possível, apesar de a nível de saúde estar um pouco limitada. Uma felicidade que tive este ano foi o de entrar para o Centro de Dia da Loureira, onde sou muito bem tratada. Para o próximo ano desejo que corra bem, com mais saúde, muito amor e paz.

Américo Vieira Gonçalves Vale-Faria Proprietário de Posto de Abastecimento

Este ano que termina a nível profissional foi positivo, com as vendas a aumentarem. A nível pessoal e familiar foi um ano tranquilo, com saúde e os estudos dos filhos correram bem. Para 2007 desejo que apesar da crise o negócio continue a aumentar, que as pessoas sejam mais honestas e que os valores base da sociedade não se percam. Um sonho que tenho para este ano é ir ao Brasil visitar o meu irmão que faz 50 anos.

Gonçalo Silva 31 anos Casal Suão - S. Mamede (natural do Pedrome) Moldador de Gesso

O ano que está a terminar correu bem, a nível profissional houve trabalho. Pessoalmente e familiar houve saúde, bem estar, a minha filha começou a andar e a falar foi um ano bom e feliz. Em 2007 desejo muita saúde para mim e para quem me rodeia, que a nivel profissional seja um bom ano . Para o mundo desejo paz e harmonia entre os povos.

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Concurso de PresĂŠpios


ACTUALIDADE

Por proposta do Conselho Executivo, foi levado a efeito um concurso de presépios para todo o Agrupamento de Escolas e Jardins da Serra. Como factores de avaliação, de acordo com o regulamento, constava: - A existência de musgo; - Materiais utilizados; - Originalidade; - Participação efectiva dos alunos; - Número de figurantes. Para o júri, constituído por um representante dos alunos, do pessoal não docente, do docente e um elemento do Conselho Executivo, ficou

claro o grande empenhamento dos alunos, a originalidade e o recurso a materiais reciclados . Toda esta envolvência da classe discente só foi possível devido à sensibilização e dinamização das educadoras, professoras titulares de turma ou directores de turma, consoante os ciclos. Avaliar, em quaisquer circunstâncias é sempre relativo, no entanto, o júri somadas as votações parciais decidiu atribuir o primeiro lugar às seguintes escolar /turmas.

Vale Sumo 1.º Ciclo - Turma C, da Escola Sede. 2.º Ciclo - Turma B, do 5.º ano. 3.º Ciclo - Turma A do 8.º Ano e Turma CEF (Curso de Educação e Formação) Com este concurso, envolvendo toda a comunidade escolar, pretendeu-se viver, de forma mais intensa, os valores tradicionais e culturais de um País, que ao longo dos seus oitocentos anos de História viveu intensamente os acontecimentos de Belém.

Jardins de Infância - O l i v a i s/

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ENTREVISTA “Estamos a abrir a Junta à população”

Lino Pereira, Presidente da Junta de Santa Catarina da Serra Um ano de mandato volvido, Lino Pereira faz um balanço positivo deste primeiro ano, traçando novos objectivos e desejando realizar e concretizar os previstos no programa da sua campanha. Depois de um ano à frente da junta de freguesia, que balanço faz? Não estava habituado à vida autárquica, também não é daqui que quero fazer a minha vida, mas faço um balanço positivo, porque tentámos ir ao encontro daquilo que falámos na nossa campanha, ir ao encontro do projecto que nós temos para a freguesia, e esse projecto está-se a concretizar aos poucos, eu dizia no dia em que esta lista ganhou as eleições que iríamos abrir a junta à população e envolver toda a população e é isso que nós estamos a tentar fazer, e é isso que nós estamos a pedir à população, o envolver, o partilhar as coisas com todos não nos fecharmos entre nós, a equipa de gestão da junta. Em relação às prioridades que t í n h a mos no nosso pl a no de actividades que defendemos na nossa c a mpa n ha conseg u i mos alguns feitos, a questão da escola da Magueigia e dos Jardins-deinfância dos Olivais e da Quinta da Sardinha, escolas arranjadas e com outras condições, os nos-

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sos alunos merecem. A nível da sinalização, eu dizia que me ia aprofundar sobre a sinalização da estrada 257 que liga Quinta da Sardinha a Fátima, e aí já estão os semáforos a funcionar, mas ainda não está tudo, outra das situações que defendia era fazer o projecto do Centro de Saúde, pelo menos, dentro destes quatro anos, e esse projecto vai sair no primeiro semestre do ano de 2007, por isso, já é um avanço muito grande, o projecto pelo menos já vai estar feito, e vai ser um edifício que vai beneficiar toda a freguesia porque vai ser um edifício multidisciplinar. Não vai ser só Centro de Saúde, vai ter outras valências. É um primeiro ano positivo, para já porque é o primeiro ano, depois é a experiência que esta equipa jovem incutiu de diferenciação em relação aos outros anteriores executivos, é diferente, não somos melhores, nem piores, somos diferentes. Em relação à zona da Fazarga, estamos a trabalhar muito nessa zona, o loteamento da Fazarga é uma realidade para que neste ano de 2007 seja de uma vez por todas resolvida, estamos no bom caminho a trabalhar nisso. Depois são as questões do dia a dia nas ruas, os buracos, podemos dizer que logo no primeiro ano pusemos 300 candeeiros novos nos postos e já temos mais previstos para o ano de 2007 colocar os nossos postos com 90% de candeeiros, tentar colocar um candeeiro em todo o lugar onde há postos, fazer a manutenção e conservação das estradas, nós sempre dissemos em campanha que só iríamos colocar betominoso atrás do saneamento. O saneamento já

está feito na zona do Cercal da Gordaria, Casal das Figueiras, e já estamos a asfaltar essas ruas, portanto, é dentro daquilo que nós idealizamos como projecto, como estratégia, vamos ao encontro disso e não vamos desviar. Há uma obra que vais ser muito importante para nós e que estamos a trabalhar nela que é a ampliação do cemitério, vai ser seguramente uma obra muito boa, quanto ao Centro de Saúde, o projecto fica feito, vamos tentar candidatá-lo durante o segundo semestre de 2007 e tentar ver se conseguimos durante estes quatro anos que nós nos comprometemos cá estar colocar esta obra a andar, mesmo na parte de execução da obra. Há algum objectivo que tenha traçado para o ano de 2006 que não tenham conseguido realizar? O objectivo que não conseguimos mesmo realizar foi o dos caminhos f lorestais, era uma aposta nossa e vai continuar a ser uma luta nossa, limpar alguns caminhos f lorestais, mas para o ano seguramente vamos ter capacidade de fazer pelo menos um ou dois caminhos estratégicos. Qual a razão pela qual não foi possível concretizar esse objectivo? Incapacidade f i na ncei ra, a Câmara Municipal de Leiria como tem uma candidatura ao projecto AGRIS para fazer essa reestruturação de caminhos f lorestais e está aprovado, mas não houve verbas do Governo para esse fim e a câmara


ENTREVISTA

não avançou com nada, nós tentamos pedir máquinas, participar, mas não conseguimos fazer. Mas tivemos uma novidade, não fizemos essa, mas fizemos o dia da freguesia que não estava previsto na nossa campanha, essa foi a excepção que fizemos em relação aquilo que tínhamos em campanha, nós pensámos, decidimos bem e esta é uma excepção, não fizemos uma, mas conseguimos outra e essa com um sucesso. Qual tem sido a reacção das pessoas ao trabalho realizado neste primeiro ano de mandato? Nós ou qualquer pessoa que esteja num cargo como este, ou à frente de uma direcção, um clube, ou uma associação, nunca agrada a toda a gente. Nós tentamos criar sempre clima para que as pessoas entrem na discussão dos assuntos

e na crítica dos assuntos. E eu costumo partilhar muito esta ideia que é, eu não preciso muito de elogios, preciso é que critiquem, mas dando a cara, não tendo medo de dizer as coisas, e eu acho que essa é a parte que nós todos devemos de enfrentar e clarificar, muitas vezes ouço de um lado, ouço do outro, mas eu e esta equipa que está na junta não liga a isso, é o diz que disse. Nós estamos todas as quintas-feiras na junta de freguesia de tarde para ouvir as pessoas, as suas queixas, problemas. Na sua entrevista à Voz da Serra, depois de um mês e meio de mandato, disse que ia tentar criar um clima estável de relação com todas as associações. Acha que esse clima tem sido conseguido? Acho que isso está-se a conseguir, ainda na reunião de balanço do

Dia da Freguesia, disse claramente para tentarem partilhar com todos os elementos das direcções, muitas associações estão a funcionar e é o presidente que anda ali à frente, tanto os directores como os presidentes e elementos têm de se ajudar entre uns outros e não podemos estar só à espera do presidente, um director que seja director tem de partilhar os assuntos, ou então não esteja lá. Por isso é que eu digo aos meus colegas, ou vocês estão comigo aqui na junta e partilhamos a junta num todo ou então não viessem partilhar a junta comigo, foi o nosso pacto, assumir a junta, e é isso que tenho tentado, porque o associativismo tem muito para dar, é das coisas mais bonitas que pode haver no meio de uma sociedade, mas tem de ser bem feito, porque há associativismo que se for maltratado, se houver uma má envolvência das pessoas pode ser

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ENTREVISTA prejudicial e criar inimizades. Se o associativismo for partilhado, a própria palavra quer dizer associação, associarmos, se estivermos associados a várias pessoas, temos muito para ganhar e para dar. Nós temos directrizes e essas directrizes e os nossos horizontes têm objectivos claros e aquilo que estava no programa da nossa campanha, e quem olhar para o programa da nossa campanha, nós não estamos a desviar muito disso, é evidente que tem de haver mais algumas coisas que venham para a nossa freguesia, o Dia da Freguesia foi um evento que nós não tínhamos na campanha, mas que achamos que é de todo o interesse fazer. A agenda cultural, juntar todas as associações, no primeiro ano que entramos fazemos uma coisa quase inédita no concelho de Leiria, porque todas as outras freguesias que conhecem o nosso calendário nos deram os parabéns, e perguntam como é que nós conseguimos fazer isso, até com a própria fábrica da igreja, quanto a isso só podemos chamar uma coisa, planeamento, e quando nós somos planeados as coisas têm de funcionar. São essas as inovações que nós viemos dar e pensamos, e eu disse e volto a referir, que agora que só faltam três anos, o povo irá julgar esta junta, também já disse que não me vou volta a candidatar no próximo mandato, mas é evidente, que esta junta vai preparar alguém para se candidatar, mas depois o povo vai julgar. Esta junta está muito direccionada para a abertura à população, à comunidade de Santa Catarina da Serra. Esse é o objectivo principal porque as pessoas têm de saber o que se passa cá dentro, as pessoas para comentarem têm de estar informadas. O presidente da assembleia de freguesia, e honra lhe seja feita, também definiu que ia publicar todas as actas da assembleia de freguesia, eu acho extraordinário, acho que toda a gente ter acesso à acta do que foi discutido, saber

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o que se passou numa assembleia é óptimo. Nós temos dito à população que há sítios para se falar dos problemas da freguesia, têm a junta, a assembleia, as reuniões que a junta vai fazer aos lugares, esses são realmente os sítios para as pessoas porem os seus problemas, as suas questões, e penso que ninguém ficou sem resposta, ou com a resposta de braços cruzados, penso que toda a gente tem uma resposta, às vezes as pessoas podem é não gostar da resposta que damos, mas nós não podemos contentar toda a gente, estamos a fazer uma situação que é colocar as coisas no devido lugar, temos um critério aqui que é tudo o que é feito formalmente fica escrito e depois é passado para acta. Nós todas as quintas-feiras temos feito um trabalho que é, toda a gente que cá vem fica anotado, desde o início que estão registados, porque amanhã se essa pessoa vem cá novamente e disse que veio e que não foi resolvido o seu problema, nós vamos ver se ela realmente cá veio, o que solicitou e porque é que ainda não foi resolvido, muitas vezes não conseguimos dar resposta no tempo desejado que a pessoa quer. Quando assumiu disse que go st av a que houv e s s e u m bom relacionamento entre a assembleia de freguesia e a junta, esse bom relacionamento tem existido? Tem existido um óptimo relacionamento, é evidente, que é importante haver crítica e oposição, eu não lhe chamo oposição, chamolhe crítica e comentário ao trabalho porque leva-nos também a determinados pontos, eu não entro em jogos de discussão só por estar em oposição e penso que já toda a gente percebeu isso, mesmo quem está na assembleia como oposição, tenho tido um cuidado de dizer às pessoas que gosto, quero que critiquem e comentem, que nos ajudem a levar ao melhor, não é uma situação de entrarmos em conf lito uns com os outros, isto é tão

pequenino, que não vale a pena nós andarmos a criar quezílias, aqui somos uma comunidade e a comunidade tem de se ajudar uns aos outros e tentarmos, e isso está a ser conseguido, e que a assembleia seja uma demonstração desse


ENTREVISTA falarem por fora aquilo que não sabem, é isso que me custa ouvir, às vezes as pessoas falam sem conhecimento de causa. Face aos cortes no orçamento da câmara para a freguesia de Santa Catarina da Serra para o ano de 2007 o que estão a pensar fazer para conseguir gerir esta situação?

exemplo, por isso é que publicamos tudo o que se passa na assembleia e pedimos às pessoas para virem à assembleia de freguesia quando elas existirem porque é de partilhar e ficar com o conhecimento das coisas, para as pessoas não

Nós nunca tivemos medo de não ter dinheiro, sabemos que se não tivermos dinheiro não podemos gastar, isso é evidente, nós temos medo é de não ter a envolvência da população, porque se a população, toda a comunidade, for envolvente e tivermos todos o espírito de poupança as coisas aos poucos vão aparecendo. Podemos dizer que este ano fizemos um orçamento avantajado e sem sabermos como é que isto funcionava, porque isto não é uma empresa é uma questão pública, é uma autarquia, tem de ter outros procedimentos, mas conseg u i mos t ra z er bast a ntes situações para a nossa freguesia e culminamos com um custo final que não estava previsto no orçamento, que foi o Dia da Freguesia, mas que nos honramos muito em dizer que gastamos mais do que orçamentamos, mas que foi uma demonstração da grandiosidade da nossa terra e isso leva-nos todos os santacatarinenses a nos orgulharmos, é essa a minha opinião, e penso que é a opinião de um modo geral, não tenho ouvido grandes criticas e aí provoco as pessoas para saber se foi tudo bom. E aí está mais uma grade prova de que o dinheiro apareceu. Herda mos a lg um passivo da junta anterior, que é normal, também herdamos algumas promessas de recebimentos que não recebemos ainda, mas no entanto todo o dinheiro que a junta anterior devia já foi todo pago, todas as despesas que nós fizemos nesta junta até hoje está todo pago, à excepção da escola da Maguegia, porque a escola já é um protocolo com a câmara e combinamos com o empreiteiro que só recebe quando a câmara

pagar, isso está controlado, acho que fizemos algumas coisas, está aí uma lista das obras feitas, de alguns trabalhos, as pessoas vão vendo, vão dizendo, não podemos estar em todo o lado, e também foi o primeiro ano. Desejos para 2007? Que nos corra tão bem como 2006. Que a nossa freguesia, as nossas pessoas, a nossa comunidade perceba que se não partilharmos não conseguimos percebernos uns aos outros. Santa Catarina da Serra merece e têm esse mérito de criar uma envolvência, união para engrandecer a nossa terra, porque é uma das grandes freguesias do concelho de Leiria, mas que está um pouco no extremo do concelho e não podemos deixar de fazer força e peso para exigirmos as coisas para cá. Eu dizia à dias isto numa reunião, que não é só o presidente e o executivo da freguesia que tem o direito de exigir, somos todos e continuo a dizer que se formos todos exigentes, as coisas se calhar também se conseguem de maneira diferente, temos é de ter dentro das exigências bom senso, ter um objectivo comum para que também a nossa voz não seja só de um executivo da freguesia em qualquer lado, mas seja de uma população inteira. Penso que a nossa terra tem um potencial e uma riqueza muito grande a nível de valores e por isso a nossa frase “Gente de Valores”, muita gente dinâmica, é preciso é saber aproveitar essa dinâmica, esses valores de uma forma estratégica e em comum solicitarmos mais exigências tanto ao poder local como ao governo, uma demonstração grande disso é o Parque Desportivo que temos, ainda ontem dizia, numa reunião com as associações, que podemos ter condições de ter um autocarro para a freguesia, temos é de ir à procura disso, como? Só se todos tra balharmos por um objectivo comum.

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OPINIÃO ABERTURA

Domingos Marques das Neves

Os 100 anos da Igreja Paroquial de Santa Catarina da Serra

No dia vinte de Setembro passado a igreja paroquial de Santa Catarina da Serra fez a rica soma de 100 anos. Era então pároco colado o Rever. P.e Joaquim Gonçalves Ferreira das Neves, natural do Ulmeiro e não me consta que este tão nobre aniversário tenha sido comemorado ou recordado. O dia 20 de Setembro de 1906 foi um grande dia para toda a comunidade de Santa Catarina da Serra. Não vieram de fora entidades oficiais, civis ou eclesiásticas para presidirem à cerimónia. Estávamos no regime monárquico. A diocese de Leiria estava extinta desde 4 de Setembro de 1882 e somente restaurada a 15 de Maio de 1920, pertencíamos à diocese de Coimbra e não tínhamos bispo residencial mas somente Arcipreste nesta que tinha sido uma das grandes dioceses do Reino. O pároco, que era natural desta freguesia, como acima se disse, estava aqui há 3 anos e tinha sido nomeado por carta régia de 5 de Fevereiro de 1903, com 38 anos de idade, sob proposta do Barão do Salgueiro. Há anos que o povo da freguesia pedia a reedificação da sua igreja, por esta estar em péssimo estado mas, a falta de meios e as dificuldades que se levantaram, frustraram por muito tempo, os bons desejos das pessoas sinceras e activas que, com muito empenho, colocaram em execução os bons desejos do povo, que já vinha desde o ano de 1900, com projecto da responsabilidade do arquitecto Ernesto Korrodi, que não era do agrado de muita gente por apresentar um orçamento elevado e foi deliberado que se encomendasse um outro projecto, ao Sr. Manuel Inácio Vicente, da Chaínça. Quando este o apresentou, chegou a haver

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arrematações mas vários indivíduos desta freguesia opuseram-se-lhe defendendo o projecto inicial. Isto deu azo a sérias inimizades entre muitos fregueses e o pároco, que era o Rev. Francisco da Gama Reis, natural de Moinhos, freguesia de Carvide, o qual não conseguiu apaziguar os ânimos. Entretanto, submeteu-se o segundo projecto à discussão e não foi aprovado, ficando o assunto parado até à entrada da nova Junta de Paróquia que aprovou o primeiro projecto, mas esteve mais de um ano sem se executar, falecendo, entretanto, o pároco Gama Reis e só após a posse do novo pároco, que era filho da terra, é a que a obra teve pernas para andar, juntando-se ao povo, que então se achava unido e deram-lhe começo no dia 19 de Abril. Os lavradores começaram a concorrer de boa vontade, com muito serviço e a obra progredia bastante, sendo interrompida no Inverno, desde o mês de Novembro de 1903 até a Abril de 1904, recomeçando depois com mais vontade, vindo a terminar o serviço de alvenaria e cantaria, do corpo da igreja, no dia 3 de Junho de 1904, cobrindo-se todo o corpo da igreja e a capela-mor em Setembro, do referido ano. Em Agosto do ano de 1905 começou a construção da torre, sendo arrematante Bento Ferreira Filipe, da Loureira, que tomou a empreitada por um capricho, cedendo-a daí a pouco tempo, a António de Oliveira, da Cova-Alta, que tanto um como outro, causaram grandes embaraços à Junta de Paróquia que a concluiu em Março de 1906, por administração directa. Em Abril de 1906 começou a forrar-se a nave central e fizeram-se

as três portas cuja obra, dada de empreitada em haste pública, por conta do governo que, para o efeito, deu 500.000 reis. Foi empreiteiro António Ferreira, da Pinheiria, que terminou esta empreitada em Julho do mesmo ano. Em Maio do referido ano, começou a rebocar-se a capela-mor e a nave central, vindo a concluir-se de estuque, em Agosto seguinte. Foi empreiteiro, Manuel Maria Pires Martins, da freguesia de Afife, concelho de Viana do Castelo. Importou o estuque em 143.550 reis, com ornato. Os rebocos interiores e exteriores de todo o edifício foram feitos por José dos Santos, do Ulmeiro. Finalmente, a capela-mor e toda a nave central, as três portas laterais e as portas das sacristias, vieram a concluir-se em meados de Setembro, do mesmo ano de 1906. O povo cada vez se entusiasmava mais pelo acabamento da sua nova igreja. Nesse ano, não se poupava a trabalhos e sacrifícios para ter a festa brilhante por ocasião da bênção da igreja, em honra do Sagrado Coração de Jesus. Na preparação para a festa e bênção, veio aqui passar oito dias o Rev. P.e David das Neves, da Ordem de S. Francisco, residente no Instituto Missionário Varatojo e natural desta freguesia de Santa Catarina da Serra, onde cantou missa no ano de 1901, chamando-se então José Pereira Gonçalves das Neves. Foi cura na freguesia do Olival, três anos; perfeito no Seminário de Santarém, quatro anos; prefeito e professor de francês, no Seminário de Faro, quatro anos; professor de francês e latim, em Vila Nova de Ourém. Voltou depois para Santarém, na qualidade de Director do Colégio da rua do Conde onde


OPINIÃO se habilitavam alunos para todos os cursos, demorandose aí três anos. Em seguida, entrou na Ordem de S. Francisco, no Instituto Missionário de Varatojo e dois anos depois foi director-guardião da mesma casa. Foi este padre quem benzeu a igreja, cerimónia a que assistiu muito povo e os párocos de Caranguejeira, Arrabal, Olival, Espite, Fátima e os coadjutores de Caranguejeira, Reguengo e Outros, chamando-se respectivamente Joaquim José Ferreira, João Maria d’Assis Gomes, Faustino José Jacinto Ferreira, António Pereira Simões, Manuel Joaquim de Oliveira, Josué Pereira Lopes, José do Espírito Santo. A cerimónia teve lugar no dia 20 de Setembro do mesmo ano. No 23, imediato, teve lugar a grandiosa festa em honra do Sagrado Coração de Jesus. Orou o dito P.e David das Neves que era irmão do pároco e ambos sobrinhos do capelão desta freguesia, Joaquim Pereira Gonçalves, octogenário. O orador fez um discurso de acção de graças e de louvores ao Coração de Jesus que entusiasmou a todos os assistentes que acenderam grande fervor não só nas práticas da religião mas também na continuação da obra da igreja. Até à bênção da igreja o culto nunca foi interrompido, a principio num pequeno espaço da antiga capela-mor e depois no altar de Nossa Senhora do Rosário, para cujo fim se benzeu uma parte da nave, do lado sul. Apesar da igreja ter sido benzida naquela data havia ainda muito trabalho a realizar. Em meados de 1907 deuse início ao forramento das naves laterais, obra que ficou

concluída em fins de Julho do mesmo ano juntamente com o acabamento do forro da sacristia do lado sul. Os arranjos exteriores à igreja foram muito diminutos. O adro ficou em terra batida cercado por um muro de pedra. As águas pluviais provenientes dos telhados e caídas na terra, foram canalizadas através de uma vala, a céu aberto para uma cisterna, situação que não agradou a muita gente, tendo-se reunido cerca de duas dezenas de moradores de toda a freguesia, em abaixo-assinado, que requereram por escrito à Junta de Freguesia para que esta recolhesse as águas dos telhados através de calhas de folha zincada e as conduzisse para a sua cisterna, que estava fora do adro, porque só assim a água poderia ser aproveitada. O requerido foi aceite em reunião de Junta. Não se sabe exactamente quantos sino transitaram da anterior torre para a nova torre mas, através dos m a nusc r itos e x istentes, admite-se que tenham sido três, entre os quais o adquirido em 1862 por 100.000 reis no tempo do pároco Domingos José Lopes e um outro, o sino grande, encomendado em 1879 à fundição de Manuel Lopes de Carvalho, Pedrógão, Torres Novas. Estes sinos permaneceram na torre até às últimas obras da igreja e retirados, juntamente com outros, para a colocação de novos sinos que, por um triz, não foram levados para serem inutilizados num fundição do norte do País. (ver. Foto.) Foto onde mostra os 4 sinos em cima da camioneta para a fundição.

A nossa padroeira – Santa Catarina da Alexandria Santa Catarina é protectora dos que trabalham com rodas, das mães sem leite e dos estudantes. Comemora-se no dia 25 de Novembro Santa Catarina nasceu em Alexandria e foi uma das célebres mártires dos primeiros séculos. Segundo a lenda, seu pai era rei de Alexandria. Além de singular beleza era dotada de grande inteligência e vasta cultura. Fascinante por sua beleza, Maximino Daia procurou divorciar-se de sua esposa a fim de casar-se com ela. Diante de recusa de Catarina, o Imperador convocou cinquenta filósofos com a incumbência de provar-lhe que Jesus, morto numa cruz, não podia ser Deus. Entretanto a Santa não somente refutou suas posições como a todos converteu ao Cristianismo. Maximino mandou, pois, torturá-la com rodas com pontas de ferro que nada fizeram contra ela. Por causa disso, Santa Catarina é invocada pelos que trabalham com rodas. Foi levada daí para fora da cidade. Quando deceparam sua cabeça, do seu pescoço começou a brotar leite ao invés de sangue, daí ser invocada pelas mães que, tendo leite, devem amamentar seus filhos. Os relatos de seu martírio continuam dizendo que os anjos desceram dos céus e levaram seu corpo para o Monte Sinai, onde mais tarde teria surgido um mosteiro consagrado à sua memória. A Freguesia da Serra, concelho de Leiria, temna como protectora, daí dizer-se Santa Catarina da Serra. Por tradição e desde há muitos anos que no primeiro domingo de Maio a Igreja local faz-lhe a festa religiosa, promovida pelos homens e mulheres dos 50 anos de idade e nesse dia era hábito fazer-se também a feira de Santa Catarina, feira franca como se fazem noutros locais do concelho. (vide carta do pároco de 1758) Mas, para os moradores de Santa Catarina da Serra o dia 25 de Novembro era dia festivo na aldeia e não se trabalhava nos campos e no dia seguinte o pároco com os seus acólitos e muito povo dava a bênção aos campos (as ladainhas) que tinham o seu início junto ao barreiro da Portela, próximo do local onde se encontra actualmente o pavilhão da piscina da UDS. Há ainda quem identifique aquele local pelo “Ladainho”. Domingos Marques

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DESPORTO

Grupo Desportivo e Recreativ um clube com história e futur

Joaquim da Encarnação - Presidente GDRSG

O futebol na freguesia de Santa Catarina da Serra começou no lugar do Ulmeiro, a 24 de Junho de 1954, com o nome de Grupo Desportivo e Recreativo de S. Guilherme, estando constituído oficialmente desde 1977. Comemorou 50 anos de existência em 2004. Ainda antes do grupo se iniciar com o futebol, a sua primeira modalidade foi o atletismo, com o qual ganhou muitas alegrias e troféus. Em 1960 / 1961 o Grupo Desportivo e Recreativo de S. Guilherme já tinha uma equipa de futebol e jogavam em Ourém, Atouguia, Fátima, e com a tropa de Leiria.


ABERTURA

DESPORTO

vo de S. Guilherme ro

Augusto Gordo, um dos fundadores do clube e actual tesoureiro, foi também, um dos fundadores do União Desportiva da Serra, em 1975, contudo depois de alguns desentendimentos decidiu sair e formar o Grupo Desportivo e Recreativo de S. Guilherme. Nessa altura o senhor José Pereira dos Reis doou um terreno, onde hoje se encontra o campo desportivo que herdou o mesmo nome, mas é mais conhecido como o “Campo das Arratoinhas”, esta doação é válida enquanto o clube exercer actividade desportiva. O grupo conta actualmente apenas com uma equipa de juniores,

apostando na formação destes jovens. Já existiu um protocolo com a UDS, onde a sua equipa de juvenis vinha para o GDRSG e a equipa de juniores do GDRSG ia para a UDS, hoje isso não acontece, no entanto, as relações entre os dois clubes continua a ser boa. Prova disso é que, “na actual equipa da UDS existem seis jogadores que foram formados e fizeram parte da equipa principal do GDRSG onde foram campeões de iniciados”, como refere Nelson Lopes, actual treinador da equipa de juniores. A jogar no Campeonato Distrital de Juniores da 1ª Divisão, Zona Sul,

neste momento a equipa encontrase no fundo da tabela classificativa, o treinador justifica esta posição dizendo “este é um ano de remodelação da equipa, entraram 12 jogadores novos, estamos a construir uma equipa”, e recorda os bons resultados alcançados nas duas últimas épocas, “a época passada terminamos em 4º lugar”. O plantel hoje é constituído por jogadores de vários lugares da freguesia e das freguesias vizinhas. A nível financeiro o grupo tem contado com apoios da junta, de patrocinadores, e dos cerca de 115 sócios e simpatizantes do clube. Da

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DESPORTO

Equipa de juniores do Grupo Desportivo e Recreativo de S. Guilherme Secção do Desporto da Câmara Municipal de Leiria receberam a promessa de lhes ser atribuído um apoio de 25% para a primeira fase das obras que estão a construir, uma sede e balneários, verba que como refere Joaquim da Encarnação, presidente do GDRSG “ainda não nos foi dada”, no entanto, “as obras já estão iniciadas, mas têm de ser feitas pouco a pouco por falta grandes verbas”. Dos projectos para o futuro todos os dirigentes são unânimes em referir que a prioridade está em terminar as obras dos balneários, e ter novamente uma equipa de seniores, para onde possam canalizar os seus jogadores.

Augusto Gordo - Fundador e Tesoureiro do GDRSG

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Nelson Lopes – Treinador do GDRSG


FOLCLORE

Folclore Em Santa Catarina da Serra (1ª Edição)

Nos recuados anos de 1960 a 1963, era criado pela primeira vez um Rancho de Folclórico na nossa freguesia, no lugar da Loureira que nasceu a ideia de formar um grupo de folclore. A briosa juventude deste lugar reuniu-se e criou o primeiro Rancho Folclórico, a que deram o nome de Rancho Folclórico de Santa Marta. Muito embora este grupo não representasse com dignidade os usos e costumes do povo da nossa terra, era de facto, o Folclore que existia nesta época, ou seja, no Estado Novo. Nessa altura o que mais interessava era o movimento rápido das danças, o garrido dos trajes, e o ritmar das músicas. Não interessava que estas fossem ou não da região, o que era realmente importante é que estes grupos dessem uma boa imagem para os cartazes turísticos que havia em Portugal os quais, eram enviados para o estrangeiro com o título: “Portugal em Movimento a Cantar e a Dançar”. Mas infelizmente tudo isto não correspondia nada ás vivências do povo de outrora, mas estou certo que se o Rancho de Santa Marta do Lugar da Loureira hoje existisse, seria um fiel representante da nossa região e do Folclore Português. Presenciei algumas actuações deste grupo, na Loureira, Santa Catarina e em Leiria, as quais na minha opinião tinham muita qualidade. Estas não eram inferiores com-

parando com outros grupos, que actuaram em encontros de Folclore, como o Rancho Folclórico Rosas do Lena ou o Rancho da Região de Leiria. Talvez tivesse sido o Rancho da Loureira que me influenciou a gostar tanto de Folclore, apesar de ser na altura ainda muito jovem, mas já um grande admirador das tradições de um passado. Pena é que este agrupamento tenha terminado, a razão nunca se compreendeu, pois nunca mais voltou a ter actividade. Mais tarde ainda se iniciou um outro grupo, este como infantil, o que era ainda mais complicado de se manter em actividade, digo isto porque sei dar o valor ás dificuldades que nos trás um grupo de crianças pois é bem mais difícil de coordenar do que um grupo adulto. Deixo aqui um apelo às gentes do Lugar da Loureira: Que estes nunca se esqueçam que a criação do primeiro grupo de Folclore foi no vosso lugar, por isso todos devem de ter orgulho por esta iniciativa. Termino este pequeno comentário, sobre o Folclore de Santa Catarina da Serra, desejando continuar a dar a conhecer a história do folclore da nossa terra em outras edições. Diamantino Gordo, fundador e ensaiador do Rancho Folclórico S. Guilherme

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ACTUALIDADE

Com o presente que temos olhando para o futuro que queremos O fim do ano está a chegar e com ele termina mais um mandato dos órgãos sociais da Associação para o Desenvolvimento Social da Loureira. Depois de um pequeno período para apresentação de candidatos aos órgãos sociais desta instituição terminou com a confirmação em Assembleia-geral da única lista que se propôs continuar a gerir a nossa Associação. A Assembleia-Geral Ordinária do dia 12 de Novembro de 2006, que tinha como ordem de trabalhos quatro pontos: • Eleição dos Órgãos Sociais para o triénio 2007/2009 • Plano de actividades para o ano de 2007 • Orçamento para o ano de 2007 • Informações As actividades planeadas para o próximo ano 2007: • Liquidação total dos empréstimos a particulares • Actualização dos cartões de sócios e criação de quotas • Criação de um Jardim Infantil • Colocar a biblioteca ao serviço da comunidade • Continuar a melhorar o funcionamento das diversas valências • Terminar o Circuito de Manutenção da Charneca • Apoio à formação profissional e intelectual • Desenvolver a acções para melhorar a zona envolvente da sede. • Estudar a viabilização de um Lar para Idosos na Loureira • Melhorar as instalações para melhor servir o lugar da Loureira. Para levar a cabo todo o plano de actividades é necessário elaborar um orçamento que nos permita, cumprir o que nos propomos executar De receitas temos um valor total de 446.859,43 €, confrontados com as despesas no valor de 439.834,11€. Muito está feito, muito mais está ainda por fazer. Dezasseis anos passaram desde o início desta obra.

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Propomo-nos continuar a trabalhar na sua vertente social e de desenvolvimento de forma a melhorar a qualidade do dia a dia da população da Loureira e dos amigos vizinhos, desde as crianças que dão os primeiros passos e se preparam para entrar na idade escolar, aos mais idosos, para que no fim de uma vida de trabalho e luta não se sintam os resíduos inúteis de uma sociedade materialista e sem sentir, mas criar condições para que gozem um fim de vida em paz, saboreando o calor da vida. Em nome desta grande e nobre

instituição permitam-me agradecer a todos os que de alguma forma contribuíram para que ela seja e que é hoje, mesmo discordando ou até permanecendo de mãos nos bolsos, e desejar que no futuro tenham sempre as mãos disponíveis para valorizar sempre mais a nossa instituição de forma a que sempre nos orgulhemos duma instituição que já não pode parar. A todos um bemhaja. Que o período de festas, deste final de um ano e inicio de outro, traga a cada um a concretização dos seus sonhos. Jorge Gameiro


ACTUALIDADE

Uma vida com 100 anos

Com uma vida de muitos sacrifícios, em que teve de trabalhar muito para sustentar os seus filhos, Maria de Oliveira, natural do lugar de Siróis, fez 100 anos na entrada do novo ano. Maria de Oliveira nasceu a 3 de Janeiro de 1917, ano das aparições de Fátima, em Siróis, freguesia de Santa Catarina da Serra. Tendo comemorado 100 anos, no início do ano. Hoje, apesar de estar consciente de tudo, necessita de ajuda para se vestir, comer e andar. Maria de Oliveira, casou aos 26

anos com António dos Reis Nascimento, do qual teve sete filhos, seis raparigas e um rapaz, hoje tem 22 netos, 37 bisnetos e dois trinetos. Estiveram casados mais de 50 anos e quando os filhos lhe perguntavam porque é que ela tinha casado com o pai, Maria de Oliveira respondia “porque gostava dele e era bonito”. Em solteira a sua vida sempre foi a trabalhar no campo, na resina, na apanha do milho e do feijão. Naquele tempo a mãe também não a deixava ir aos bailaricos, nem mesmo nas descamisadas. A sua vida sempre foi muito difícil, pois o marido não ajudava muito para o sustento da casa, houve tempos em que passou fome para ter que dar aos filhos, apesar disso, quatro

deles estudaram até à quarta classe A sua mãe sempre a apoiou, houve muitas vezes em que lhe deu uma oitava de milho que depois de cozida ao lume com um pouco de água, dava umas papas que comiam com toda a satisfação. Das maiores diferenças que encontra de há 100 anos a esta parte são “o excesso e o esbanjar de comida que há, não se dá valor ao que se tem”. Quanto à melhor homenagem que lhe podia ser feita a neta Rita responde “darem-lhe amor e carinho que ela também os deu aos filhos e netos”.

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Mรกrio Gordo jovem promessa de Todo-o-Terreno 26


TODO-O-TERRENO

Mário Gordo é um jovem desportista da freguesia e uma promessa a nível do Todo-o-Terreno, tem 25 anos e é natural da Magueigia.

Tudo começou quando aos domingos de manhã se divertia a percorrer os pinhais da freguesia com os amigos, na sua mota. Hoje participa em provas de enduro e raides a nível nacional. Entre muito saltos, lama, poeira e alguns sustos à mistura, tudo isto é esquecido quando está em cima da

mota, sua grande companheira. A família apoia-o, o seu pai sempre que possível não perde uma prova, já a mãe está sempre com o coração nas mãos. Como é que surgiu o interesse por este desporto? O gosto pelas motas começou

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desde pequeno, sempre gostei de motas e já pratico há 10 anos. Qual foi a sua primeira prova a nível nacional e em quantas provas já participou? Já participo a algum tempo, mas a nível nacional comecei no início deste ano. Antes participava apenas em provas piratas. A nível nacional a primeira prova em que participei foi no Gavião, na qual obtive o 7º lugar. No total já estive em 10 provas.

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Qual a prova em que gostou mais de participar? A prova que gosto mais de fazer é a “Portalegre 500”, porque é uma prova de 400 km, é um teste nossa resistência, e a paisagem é muito bonita, é a prova rainha a nível nacional. E resultados? Como tem classificado? As provas têm corrido de razoável, estou a fazer o Honda, e tenho ficado entre

4º/ 5º lugares. No final da época alcancei o 5º lugar no troféu da Honda da minha classe o Honda 125 CBR 4 e meio. O troféu Honda é organizado pela Honda Portugal, os concorrentes ao inscreverem-se têm de correr com a marca Honda, e a partir daí fazemos a prova a nível nacional.

ficado forma troféu os 3º/

Este desporto é muito dispendioso? Como é que suporta os gastos que tem? Este é um desporto um pouco


TODO-O-TERRENO caro, as ajudas que tenho são da Honda, é a marca que paga as inscrições, tenho também o patrocínio de pessoas amigas que ajudam a comprar material para a mota e equipamento. E ao nível das entidades oficiais, tem recebido alg um apoio? Já houve algumas conversas, agora vamos ver para o ano se há mais apoios das entidades. Que tipo de investimentos tem de fazer neste desporto? Os principais investimentos que faço são a mota e a carrinha para a transportar que também me pertence. Já teve a l g um acidente? Os seus pais como reagem? Apoiam-no? Sim, já tive alguns acidentes, dos quais ficaram algumas mazelas.

Os meus pais apoiam-me sempre, o meu pai vai assistir às provas sempre que pode, a minha mãe fica sempre mais nervosa. Qual a sensação quando participa nestas provas? É um sentimento de adrenalina muito grande, não há explicação, não é querer ser melhor ou pior que os outros concorrentes, é querer dar o meu melhor e conseguir a melhor classificação possível. A nível da freguesia existe mais algum praticante ou é o único? A nível da freguesia sou único. A nível do concelho de Leiria existem alguns amigos meus a participar nas provas. Se tivesse oportunidade gostava de ser desportista profissional e dedicar-se só ao Todo-o-Terreno, ou é difícil em

Portugal? Se tivesse oportunidade gostava, mas é muito difícil em Portugal viver só disto, porque é um desporto muito dispendioso, tem de haver muito dinheiro por trás, que suporte as reparações das motos. Onde treina? Faço os treinos na zona de Leiria, na areia ao fim de semana. Projectos para o futuro a nível do Todo-o-Terreno? Qual era o seu maior sonho? Até onde gostava de chegar? Gostava de ter mais apoios, que me ajudassem a representar a freguesia de Norte a Sul do país, quero agradecer a quem me tem ajudado a acreditado em mim, nomeadamente aos meus patrocinadores, MasterBike, Profial, CIP, AgroManso, BigBrand, Verdasca/Verdasca, APN, Café das Bombas e Humberto Marques.

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EDUCAÇÃO

Os rostos da ciência No passado dia 24 de Novembro comemorou-se o Dia Nacional da Cultura Científica na Escola Básica Integrada de Santa Catarina da Serra com a divulgação dos trabalhos do concurso “Os rostos da ciência”. Os alunos do segundo e terceiro ciclos, realizaram pesquisas sobre a vida de cientistas famosos, contemplando os contributos científicos, a época em que viveram, bem como imagens dos rostos dos cientistas. Os trabalhos foram expostos a toda a comunidade

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escolar e explorando o interesse que as competições geram, foi gratificante ver alunos, inclusive do primeiro ciclo, a observarem e a conhecerem melhor rostos, nomes e até alguns feitos de cientistas famosos. Há um longo investimento a fazer no desenvolvimento da cultura científica e é na escola que se inicia este processo, mas o processo tem de ir mais além. A ciência é vista por muitos como algo de demasiado complicado, distante, impessoal, contudo

a ciência é feita por pessoas e pode sempre ser explicada de forma simplificada e aliciante. Associar o rosto de alguns cientistas às suas descobertas e fazer a sua divulgação foi a forma utilizada pelos alunos desta escola, para nos aproximar mais da ciência. Cristina Aveiro Coordenadora do Dep. Ciências Físico-Químicas e Naturais


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