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Esta revista é um suplemento local que integra a edição n.º 3543, de 11 de Fevereiro de 2005, do Semanário REGIÃO DE LEIRIA e não pode ser vendida separadamente.

Eleições em Inquérito Pág. 13-15

Montaria ao Javali na freguesia

Pág. 19

“Situação é difícil mas há soluções”

Virgilio Gordo, novo presidente dos bombeiros


FÓRUM FICHA TÉCNICA DIRECTOR Francisco Rebelo dos Santos DIRECTOR-EXECUTIVO Pedro Costa Conselho dinamizador David Vieira Fausto Neves Jaime Silva Joaquim Rodrigues Jorge Primitivo José Augusto Antunes José Carlos Rodrigues TEXTOS Amândio Santos FOTOGRAFIA Arquivo do REGIÃO DE LEIRIA PAGINAÇÃO Departamento Gráfico do Região de Leiria PUBLICIDADE Lídia Órfão Tereso PATROCINADORES PERMANENTES LubriFátima Maia – A. Ferreira das Neves Herdeiros, Lda. Lena Construções JRP J. Primitivo Madeiras, S.A. Manuel da Costa e Silva, Lda. Construções J.J.R. & Filhos, S.A.

IMPRESSÃO Mirandela SA TIRAGEM 2.500 exemplares

Esta revista é suplemento local que integra a edição n.º 3543, de 11 de Fevereiro de 2005, do Semanário REGIÃO DE LEIRIA e não pode ser vendida separadamente.

ÍNDICE Virgílio Gordo em entrevista5 a 7

Tempo de voto

Rancho dinâmico ...............8 a 9 Festa dos vinte ............... 10 a 11 Informação da Junta..............12 Inquérito de rua ............. 13 a 15 Vale Tacão melhorado ............ 16 Sopa de letras ........................ 17 A arte do bordado .................. 18 Montaria ao javali .................. 19 Carta de leitor ........................20 Estudantes no estrangeiro21 a 23

Participe A sua opinião conta. A VOZ DA SERRA tem em funcionamento um Ponto de Apoio ao Leitor na Papelaria Bemposta, no centro da vila de Santa Catarina da Serra. Porque a participação activa dos nossos leitores é essencial, agora existe um local onde pode deixar as sugestões de assuntos que gostaria de ver abordados, textos para publicação, pagamento de assinaturas e entrega de publicidade. A interactividade com o leitor é uma das nossas preocupações. Ajudenos participando. Dependendo da disponibilidade gráfica ou da pertinência noticiosa, a sua participação encontrará eco na VOZ DA SERRA e/ou Região de Leiria.

O tempo é de crise. E ao que parece de choques. Mas sopram ventos de mudança. Nem tudo é tão mau como parece, e nem tudo é tão bom como nos querem fazer querer. A população é sábia. Temno demonstrado ao longo dos anos no momento do voto. Contudo, hoje em dia há um défice de esclarecimento. Onde estão os programas eleitorais que respondem aos anseios das populações? Os eleitores merecem mais. Merecem programas que prometam o exequível e não o onírico. Merecem reformas que de facto sejam levadas a cabo, que mudem a vida dos portugueses e os mobilizem para um futuro melhor. Nesta edição, a Voz da Serra saiu à rua para perceber o que espera a população de acto eleitoral. Apesar da tão propalada abstenção, o certo é que os inquiridos demonstram vontade em participar nas eleições de dia 20. Mas também sobram mensagens de desalento face a um sistema que teima em não apresentar soluções visíveis para os problemas que a todos nos afligem. A necessidade de todos nos mobilizarmos para construir um futuro melhor é real. Santa Catarina da Serra, também neste particular pode ser tida como um exemplo de como os projectos comuns podem ser conseguidos, mesmo se parecerem difíceis. Por cá, assim têm funcionado as coisas. Por muito ambiciosos que pareçam, os projectos que todos envolvem têm merecido uma boa resposta, capaz de vencer os mais diferentes obstáculos.

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ENTREVISTA

“Uma associação como os bombeiros necessita de um grande apoio de toda a freguesia”

Com eleições marcadas para o início de Dezembro, a Associação de Bombeiros de Santa Catarina da Serra, elegeu novos corpos directivos. Estes novos órgãos, que já tomaram posse no dia 4 de Janeiro, são liderados na Direcção por Virgílio Gordo e apresentamse como uma extensa lista de pessoas oriundas de todos os cantos da nossa freguesia. A Voz da Serra entrevistou o presidente da Associação, Virgílio Gordo, no dia em que a nova direcção se apresentou, no Salão

Paroquial, em almoço de confraternização, perante mais de meio milhar de pessoas da freguesia, e onde também marcaram presença Daniel Pereira, adjunto da presidente de Câmara de Leiria, o comandante dos Bombeiros Voluntário de Leiria, o Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Leiria, o presidente da Junta de Freguesia, os presidentes do Conselho Executivo da EB 123, entre outras individualidades. Nesta entrevista, Virgílio salienta a missão da Associação

de Bombeiros da Serra, e esclarece que a Associação a que agora preside não é a responsável pela operacionalidade dos Bombeiros da Serra. O seu objectivo básico é garantir o funcionamento do destacamento de Bombeiros da Serra. Analisa a actual situação financeira e humana, mostrando-se confiante no entendimento entre todas as entidades competentes para que se possa avançar para a prestação de um serviço ainda de melhor qualidade. Como surgiu a hipótese de formar

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ENTREVISTA uma lista? Eu fui convidado pela anterior direcção para apresentar uma lista às eleições de 6 de Dezembro. Foi apresentada a lista em assembleia-geral e sendo lista única, tomámos posse dia 4 de Janeiro. É uma lista bastante extensa. Porquê? Essa ideia surgiu do seguinte: eu julgo que uma associação como os bombeiros necessita de um grande apoio de toda a freguesia. Portanto, isso só é possível formando uma direcção a este nível, com este número de pessoas, e com pessoas disponíveis, que têm trabalhado em outras associações da freguesia, comissões de capelas e de igreja, etc. Os elementos desta direcção são pessoas activas. É evidente que existem muito mais na freguesia, mas há-de chegar a vez delas participarem, com certeza… Houve o cuidado de chamar pessoas de todas as partes da freguesia? Sim. E é fácil ver porquê. Quando se organiza um evento como o de hoje, ou um cortejo por exemplo, quando é preciso correr a freguesia toda e andar a pedir de porta em porta, quem é que ajuda? Assim, existem em todos os lugares da freguesia pessoas que se comprometeram, durante estes três anos, a ajudar sempre que necessário. Qual é a situação actual dos Bombeiros de Santa Catarina da Serra? Muito sinceramente, os bombeiros estão numa situação que eu considero difícil. Mas há soluções, porque é uma associação que é bem aceite por todos, e isso nota-se sobretudo quando eles se deslocam à saída das missas para o projecto dos pequenos serviços médicos. A população sente que necessita e por isso está disposta a ajudar. A situação é difícil em termos financeiros, um pouco como o que se passa em todos os sectores da sociedade. Existem alguns atritos entre as entidades que estiveram envolvidas na criação da associação, e nós estamos dispostos a tentar solucionar, se todas as pessoas envolvidas neste processo mostrarem disponibilidade para tal. E ao nível dos recursos humanos? Foi fácil constituir uma direcção?

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Foi. Eu tive cerca de dois meses para a preparar, e percorri todos os lugares da freguesia, e é evidente que houve algumas pessoas que por uma situação ou outra, da sua vida particular ou profissional, não aceitaram. Pode-se considerar uma insignificância o número de pessoas que disseram que não. Trinta disseram que sim, e são essas que fazem a actual direcção. A freguesia mostrou-se disponí-

vel e há muito mais pessoas na freguesia que eu gostaria de ter convidado, porque são pessoas dinâmicas e activas… E pessoas para trabalhar como bombeiros, já sentiram dificuldades? Existem problemas de pessoal efectivo. Mas isso passa por uma maior disponibilidade de todas as partes para


ENTREVISTA formarmos uma verdadeira equipa e solucionarmos esses problemas. Mas, sem dúvida nenhuma, neste momento, o problema principal é o financiamento e o grande objectivo é manter os bombeiros em Santa Catarina. Este é o objectivo número um. Poderemos depois a médio prazo, adquirir uma ambulância, colocar mais um ou dois bombeiros efectivos. Por isso, este almoço de hoje foi de convívio para apresentar a direcção, mas foi também para conseguir alguns fundos, pois a situação não é grave, mas é preocupante… E o projecto da sede? Nós estamos envolvidos nisto há um mês sensivelmente, mas a antiga direcção esclareceu-me como é que estava a situação dos bombeiros, e estamos agora a tentar tomar o fio à meada e a falar com todas as pessoas envolvidas. Já reunimos com o sr. comandante dos Bombeiros Voluntários de Leiria, já conver-

sámos com a sra. Presidente da Câmara, vamos reunir com o sr. Presidente da Junta, e depois de falarmos com todas as pessoas, então vamos decidir qual é a melhor solução, para garantirmos um melhor apoio e um melhor trabalho em prol da população. A opinião acerca do serviço dos bombeiros é positiva, mas surgem algumas queixas? Eu posso dar a minha opinião pessoal, baseada nas conversas que eu tenho tido com o sr. comandante de Leiria, acerca das críticas feitas aos bombeiros. E eu penso que as pessoas nunca foram esclarecidas acerca da funcionalidade dos bombeiros. A primeira coisa que se deve fazer quando se precisa dos bombeiros é telefonar para o 112. Porque quando, por exemplo, há um acidente, os bombeiros de Santa Catarina têm capacidade para ir logo lá, mas se telefonarem primeiro para o 112, os serviços do 112, organizam

se devem mandar ou não os de Santa Catarina, e aí perdem-se alguns minutos, mas nunca são tantos como se não houvesse bombeiros em Santa Catarina e tivessem que vir os de Leiria. Em relação a telefonar para o 112, a freguesia está dividida, ou seja, as chamadas de Santa Catarina até à Loureira, por exemplo, são encaminhadas para Santarém, e as chamadas do lado dos Olivais e Vale Sumo são encaminhadas para Coimbra. É de sublinhar esta situação. As pessoas perguntam: Então mas temos os bombeiros em Santa Catarina e temos que telefonar para o 112? Sim, porque são eles que coordenam. E, apesar disso nos fazer perder alguns minutos em relação a telefonar directamente para Santa Catarina, vão-se ganhar na medida em que se não tivéssemos destacamento de bombeiros cá, os bombeiros vindos de Leiria demorariam muito mais… estamos aqui a ganhar sempre 20/25 minutos… O processo é esse? Eu percebo que quando precisamos dos bombeiros, queremos é ser servidos da melhor maneira, pois são os nossos entes queridos que estão em causa. Nós estamos em stresse, e não temos a capacidade para compreender que o processo é assim… então não percebemos porque é que demoraram 10 minutos, quando podiam demorar 2 porque estão aqui perto… E em relação ao almoço de hoje, qual o balanço que faz? Em relação ao almoço de hoje eu queria aproveitar esta oportunidade para agradecer sinceramente a todos aqueles que estiveram disponíveis para participar. A todos aqueles, e foram muitos, que ajudaram os bombeiros a preparar este almoço. Foi praticamente tudo oferecido… Desde carnes a frutas, os alimentos que foram servidos, parece-me que mais de 95% por cento foram oferecidos. Desde o mais simples conterrâneo da freguesia a alguns talhos, toda a gente está disponível a ajudar. Isto prova que os bombeiros são de facto queridos na freguesia. É preciso é que as entidades que estão envolvidas nesse processo estejam dispostas e abertas a solucionar uma ou outra questão que tenha havido anteriormente.

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COLECTIVIDADE

Um ano depois...

o Rancho Folclórico de S. Guilherme continua no bom caminho

Foi há um ano que o Rancho Folclórico de S. Guilherme passou a ser liderado pela direcção mais jovem de sempre. Com idades compreendidas entre os 23 e os 45 anos, mas bem conhecedores das necessidades e objectivos do grupo. Tendo como lema “a continuidade no bom caminho”, iniciado pela anterior direcção, este grupo de jovens decidiu fazer algo mais pelo rancho e dar um pouco de “sangue novo”, ideias e dinamismo, a esta instituição da qual fazem parte, desde muito jovens. Durante este ano muitos foram os

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projectos a que se propuseram, uns realizados, outros ainda não foi possível concretizar, mas não estão esquecidos. Dos objectivos apresentados, realizou-se um almoço de angariação de fundos para fazer face às dificuldades financeiras, o festival anual de folclore, no qual estiveram ranchos de grande qualidade a representar várias regiões do pais, a comemoração do XLI aniversário, com a realização de tasquinhas, o “cantar das almas” nas capelas e igreja da freguesia, a participação em vários festivais e festas

realizadas pelo país, na peregrinação anual de ranchos ao Santuário de Fátima, no desfile etnográfico de Leiria, no qual representou a tecelagem, quadro muito elogiado, a ida por duas vezes ao programa televisivo “Praça da Alegria” da RTP1. A par de todas estas actividades vão decorrendo as obras de restauro da Casa-Museu e as aulas da escola de música do rancho. Os sonhos desta direcção não terminam por aqui e já para este ano e época folclórica que começa, tem como principais metas a gravação de um CD, a realização do XX Fes-


COLECTIVIDADE

tival de Folclore, se possível, com a presença de um grupo estrangeiro, a comemoração do XLII aniversário, a continuação das obras na Casa-Museu, para além de todas as actividades habituais.

Em conversa com o presidente, Bruno Lains Porque assumiu a presidência? Quais os projectos para o futuro? A ideia de me “candidatar” à presidência da direcção do Rancho partiu da análise da situação do grupo e da necessidade de dar continuidade ao excelente trabalho iniciado pela anterior direcção. Com receio que esse trabalho iniciado “fosse por água abaixo”, sabendo que o David, anterior presidente, não se iria recandidatar por questões de saúde, e que tantas vezes apelou para que “alguém pegasse no grupo”, decidi convidar alguns elementos para avançar com

uma “lista às eleições para a direcção”. Assumimos os destinos do grupo por três anos, o primeiro já está, agora faltam dois. Neste primeiro ano conseguimos concretizar grande parte dos objectivos a que nos propusemos, à excepção da gravação do CD, que é a grande prioridade para 2005. Também este ano, para além da actividade normal do grupo, iremos tentar uma deslocação ao estrangeiro. A minha maior ambição, e do grupo que comigo compõe a direcção, é a concretização da casa museu, que no último ano teve um grande avanço na sua reconstrução, e a qual tudo faremos para ver concluída até ao final do nosso mandato, em 2006. Para a realização de todos estes projectos, fazemos um apelo a toda a população da vila de Santa Catarina da Serra, que continue a colaborar connosco cada vez mais e convidamos todos quantos gostem de cantar, dançar ou tocar algum instrumento, a integrarem o Rancho Folclórico de S. Guilherme,

pois esta instituição precisa de todos, para além de ser a mais antiga e que mais longe leva o nome da nossa freguesia, tem uma enorme preponderância na preservação da nossa cultura tradicional e regional. Se assim não for, as gerações futuras não saberão como viveram os seus antepassados. Traduzindo-se numa perda de identidade. Tendo todos nós o dever de contribuir com a nossa dedicação para que tal não aconteça. Aproveito também a oportunidade para agradecer aos meus colegas de direcção o empenho e dedicação na concretização dos objectivos a que nos propusemos, e principalmente o apoio que recebemos dos restantes elementos do grupo que de forma entusiástica nos apoiou na realização de todos os eventos. Um muito obrigado a todos. Rancho Folclórico de S. Guilherme

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ACTUALIDADE ABERTURA

A animada festa dos vinte

Nos dias 15 e 16 de Janeiro, realizou-se na nossa freguesia, a Festa em Honra de S. Sebastião. Esta festa que tradicionalmente é organizada pelos jovens que festejaram vinte anos no ano anterior, tem vindo a alterar um pouco da sua estrutura, e ao que parece, este ano, com bons resultados. Este ano foram os nascidos em 1984, precisamente 101 jovens, que desde há já alguns meses se encontraram para organizar a sua festa. Planeada para dois dias de festejos, começou cedo, no sábado, dia 15, com um passeio automóvel onde estiveram envolvidos cerca de meia centena de automóveis, vindos não só da nossa freguesia mas também das freguesias vizinhas, para por à prova a perícia e habilidade dos pilotos e testar a resistência dos veículos. Após um dia de muito convívio e algumas acrobacias, houve missa vespertina mais cedo que a hora habitual, a que se seguiu um serviço de jantar no salão e uma noite

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bem animada pelo conjunto “The Peorth”. Com quermesse e bar, o salão chegou a ser pequeno para tanta animação, impulsionada pelas ritmadas canções de um grupo que repete presença nestas festas. No Domingo houve missa na Igreja, participada pelos festeiros, com procissão, os habituais andores de oferendas e acima de tudo muita animação. Durante a tarde actuou o duo musical “Semp’andar” e mais há noite, o conjunto “Lords” animou e de que maneira o baile, levando todo o público, mas sobretudo os festeiros a uma noite que não irão esquecer, pela música, pelo ambiente, mas sobretudo, pelas amizades que alcançaram junto de jovens conterrâneos da mesma idade. Pelo meio houve tempo para sortear uma viagem para duas pessoas à Tunísia, entre outros prémios. No dia seguinte tiveram oportunidade de se encontrar de novo e de realizar uma romaria ao cemitério. O dia deu ainda para permanecerem em confraternização e brindarem à amizade.

ACTUALIDADE

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ACTUALIDADE ABERTURA

Informação da Junta de Freguesia de Santa Catarina da Serra Esta junta, no sentido de proporcionar aos moradores da freguesia, maiores facilidades nos serviços de correio, evitando-lhes deslocações para outros locais, resolveu assinar um protocolos com os CTT - Correios de Portugal, para a partir do dia 1 de Fevereiro do corrente ano, executar nas suas instalações todo o tipo de serviços de correio. Com este novo acordo, os moradores da freguesia poderão utilizar os serviços da junta de freguesia para: Cobranças postais: Água, Luz, Tv Cabo, Seguros, Coimas, Imposto Municipal sobre imóveis, irs, irc e iva. Registos postais:

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Cartas simples e com ar em aceitação e entrega Encomendas postais: Aceitação e entregas Valores Postais: Venda de selos e outras franquias postais, valores postais, pagamento e emissão, nacional e internacional Estes novos serviços não prejudicarão o habitual atendimento próprio desta autarquia em atestados, recenseamento eleitoral, licenciamento de canideos, e outros. O presidente da Junta de Freguesia Domingos M. Neves

Leiria a marchar 2005 Se tens mais de 14 anos, e gostas de cantar e dançar inscreve-te nas marchas populares da Casa do Povo de Santa Catarina da Serra, como marchante ou cantor. Aceitam-se inscrições de homens ou mulheres que queiram integrar a nossa marcha que participará nas marchas populares em Leiria, no dia 18 de Junho de 2005. As inscrições são limitadas e poderão ser aceites até ao dia 20 de Fevereiro para os seguintes números de telefone: Rui Alves: 914 556 627 João Ferreira: 966 394 436 Fernando Carreira: 938 352 577


INQUÉRITO

Eleições legislativas vistas na freguesia No próximo dia 20 de Fevereiro, vão realizar-se as eleições legislativas. A campanha vai chegando até nós pelo televisor, mas é importante conhecer o que pensam deste acto eleitoral as pessoas da nossa freguesia. Tendo em conta a nossa amostra, observamos que as pessoas de Santa Catarina estão maioritariamente pessimistas quanto ao futuro, apesar da esperança nas melhorias ainda estar viva. A contrastar com o panorama nacional está o facto da quase totalidade dos entrevistados tencionar exercer o seu direito de voto.

1 - Vai votar no próximo dia 20? 2 - Qual a sua opinião acerca do futuro próximo do nosso país? 3 - Se lhe fosse permitido fazer uma pergunta a um dos líderes partidários, qual escolheria e qual seria a pergunta? mudança de mentalidades nas pessoas também é muito importante. 3 – Eu perguntava a todos a mesma pergunta: Como querem, com o exemplo que vocês dão na vossa vida particular, que tenhamos a confiança para vos entregar a governação do nosso país?

Isilda Manso 43 anos Magueigia Comerciante

Boaventura Batista 52 anos Bemposta Empresário

1 – Sim, só em caso de doença é que eu falto.

1 – Vou. É um dever cívico. Se queremos democracia temos que lutar por ela e é a votar que nos exprimimos…

2 – Sou como sempre optimista. 3 – Perguntava ao actual primeiro-ministro, ao nível do comércio, porque é que permitem que funcionem tantas grandes superfícies?

2 – Pessimista. Apesar de achar que na vida não devemos ser pessimistas, mas olhando a realidade vê-se que são preciso mudanças nos políticos e nas pessoas. Principalmente nos políticos, mas a

Álvaro Gameiro 53 anos Cercal Abastecedor de combustíveis

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INQUERITO Lucília Neves 30 anos Vale Tacão Funcionária dos CTT

1 – Desta vez não vou votar. Estou desiludido com os partidos e por isso não vou… 2 – O país vai muito mal, e a continuar assim ainda acho que vai ficar pior.

1 - Eu vou. Vou sempre… 2 – Eu até estou confiante. Eu acho que todos são uma boa solução a curto prazo, mas acho que milagres ninguém faz, e por isso, daqui a uns anos poderemos ter que pagar uma factura muito elevada…

3 – Perguntava ao Sócrates se ele, que já esteve tantos anos no governo do Guterres, (e só agora é que parece que tem as soluções todas) acha que vai conseguir ser melhor do que estes que lá estiveram....

3 – Eu perguntava a todos se quando for tempo de eu receber a reforma haverá gente trabalhadora suficiente para manter as reformas? Álvaro Ferreira 53 anos Sobral da Granja Abastecedor de combustíveis 1 – Sim, votar é um dever cívico, como tal deve-se votar sempre. 2 – O país está mal, mas vamos ter esperança que apareça um D. Sebastião que o ponha melhor. A esperança é a última coisa a morrer…

Sandra Silva 32 anos Vale Tacão Escriturária 1 – Sim, vou. 2 – Independentemente de quem possa vir a ganhar as eleições, Portugal terá inevitavelmente de passar ainda por momentos difíceis antes de poder ver a sua economia recuperar. 3 – Não teria uma pergunta a fazer em particular, mas gostaria de que o político que ganhe as eleições no dia 20, seja o que está mais bem preparado porque vão ser necessários bom senso e coragem para levar o país para a frente.

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3 – Pedia-lhes para acabarem com as intrigas múltiplas e perguntava-lhes se com sinceridade e honestidade o país não poderia melhorar um pouco… Nuno Neves 27 anos Ulmeiro Contabilista 1 – Vou, voto sempre. 2 – Eu, tenho muita confiança que o futuro do nosso país seja positivo! Julgo que o primeiro passo que se pode dar para que esse futuro seja melhor é acabar com tantos pessimismos e começar a acreditar que temos condições para aumentar a qualidade de vida.


INQUÉRITO 3 – Perguntava a todos, o que tencionam fazer com as taxas de IRS e IRC. Baixar ou aumentar?

nosso país. 3 - Pedia ao Santana para se entender com o Sócrates.

Maria de Fátima Gomes Narciso 57 anos Loureira Comerciante Domingos Marques 74 anos Loureira Autarca

Hélder Ribeiro 26 anos Loureira Mecânico Auto

1 – Eu voto sempre. Não devemos ficar em casa porque votando damos a nossa opinião que depois pode ou não ser aceite. E tenho depois o direito de discordar ou apoiar as políticas que são seguidas. 2 – Trata-se de umas eleições muito importantes para a democracia do nosso país, porque estão em causa valores inalienáveis, e que pertencem à cultura do nosso povo. As eleições são importantes até porque a confiança no governo é fundamental para o desenvolvimento económico e social do

1 – Vou! Já houve eleições em que faltei, mas a estas estou a pensar ir. 2 – Eu acho que isto vai dar a volta, e vai melhorar. Tenho essa esperança!

1 – Se eu puder ir vou. Em princípio devo ir! 2 – Não vejo muito jeito de melhorar. Enquanto não for para lá um que saiba por isto na linha, vai ser difícil. 3 – Perguntava a todos os políticos: Será preciso ganhar tanto dinheiro para fazer tão pouco serviço?

3 – Fazia a mesma pergunta a todos: Se eles tivessem que sobreviver com o salário mínimo, será que conseguiam viver e sustentar os carros em que andam?

a r u t i e L e d a d i m i x o r de p 15


ACTUALIDADE

Novo rosto para o Vale Tacão No Vale Tacão, tiveram início durante este mês duas obras que irão alterar a imagem de quem entra neste lugar, e dessa forma, de quem entra na nossa freguesia vindo do Cercal. Num terreno propriedade da Junta de Freguesia, no “cabeço” da aldeia, junto da antiga escola primária e da sede do Centro Cultural e Recreativo do Vale Tacão, já arrancaram as obras de melhoramento do parque, a cargo da Junta de Freguesia, e a construção de um polidesportivo de ar livre, por iniciativa da associação local. Segundo o presidente desta associação, Nelson Santos, “estas obras são de grande importância para uma aldeia, que apesar de tudo, mantém o brio e a união que possibilitam este desenvolvimento. Tanto uma obra como a outra são de extrema importância e eram muito aguardadas pelas pessoas, que assim têm por um lado um espaço agradável e prático para estacionar as suas viaturas, e, principalmente, ganham um espaço desportivo que poderá servir para muitas outras iniciativas interessantes.” No caso do parque de estacionamento, as despesas estão naturalmente a cargo da Junta de Freguesia, já no caso do polidesportivo, será necessário angariar fundos, pois é uma obra com despesas razoavelmente elevadas, que exige algumas condições de segurança especiais. Nelson Santos acredita que tudo será feito, pois várias iniciativas estão a ser planeadas, entre as quais salienta a edição de um livro sobre a história e as famílias do Vale Tacão. Para além das iniciativas próprias, o clube “conta também com o apoio da população, e espera contar com o apoio das instâncias autárquicas, que com certeza darão ajuda para que a obra não fique pelo alicerce, antes, fique pronta em poucos meses.”

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LAZER

Sopa de Letras Procura nesta sopa de letras o nome de 15 aldeias da freguesia

sirois donairia santa catarina magueigia sete rios vale tacao gordaria loureira olivais barreiria sobral pinheiria ulmeiro vale sumo casal estortiga

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ACTUALIDADE

A freguesia rende-se à arte É uma iniciativa que vai movendo mais de 60 senhoras da freguesia. As aulas de artes decorativas decorrem às segundas, terças quartas e quintas, no Sobral, Ulmeiro, Santa Catarina e Cova Alta, respectivamente. Um dia por semana, em cada um destes lugares, durante quase três horas, uma turma de mais ou menos quinze artistas, cria verdadeiras obras de arte. A Voz da Serra visitou uma dessas sessões, na Escola Primária do Sobral, e enquanto as artistas teciam a sua arte, a professora, São, do Pedrome, falou-nos um pouco do seu percurso e destas iniciativas. Desde que há cinco anos se formou a primeira turma, no Ulmeiro. Recorda que na altura o objectivo era apenas ensinar a fazer bainhas abertas. Desde então, nunca mais pararam os convites, mas agora para ensinar ou contribuir com os seus conhecimentos para vários tipos de trabalhos, como pinturas, bordados, arranjos florais, artes plásticas, etc. São iniciativas locais, de associações recreativas nalguns casos, ou de grupos de senhoras interessadas neste tipo de arte. Não existem muitos apoios, mas nota-se vontade de apoiar, já que a Área Educativa de Leiria e a Junta de Freguesia têm contribuído com alguns meios para reduzir as despesas de cada participante. Entusiasmada com tanta receptividade para estas aulas, lembra que “São elas (as alunas) que escolhem o que querem fazer, e eu contribuo naquilo em que estou preparada. Assim como tentei obter formação em muitas áreas da arte decorativa, tento diversificar o tipo de trabalho que fazem”. Contente com os trabalhos que têm sido feitos, muito interessantes e variados, dá o exemplo de uma aluna, “aqui do Sobral que foi mãe no ano passado, que decorou todo o quarto para a criança com artes que aprendeu e fez aqui nestas sessões.” Salienta que este ano, foi até possível fazer uma turma na Cova Alta, que sendo um lugar pequeno, “as senhoras que ali vivem organizaram-se e tiveram as inscrições suficientes, e está tudo a correr muito bem.” E por tudo correr tão bem e porque em arte, cada trabalho é difere de artista para artista, no ano passado, os trabalhos foram expostos no Salão de Santa Catarina da Serra, no dia do Espírito Santo, e este, “está pensada outra exposição, provavelmente para essa altura.”

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ACTUALIDADE

Montaria ao javali na Serra A Associação de Caçadores da Serra realizou no dia 9 de Janeiro uma montaria ao javali na nossa freguesia, que envolveu quase meia centena de “monteiros”, alguns naturais da nossa freguesia, mas outros provenientes de localidades vizinhas. Esta montaria constava da agenda das Montarias do Centro, que a Federação de Caçadores do Centro apoia para este ano cinegético. Através desta Federação foram obtidos vários patrocínios de algumas instâncias autárquicas, Região de Turismo, o Governo Civil, entre outras entidades. Esta foi a quinta vez que se realizou uma montaria ao javali na nossa terra, mas segundo o presidente da Associação de Caçadores, Fernando Reis, não se trata propriamente de uma tradição mas sim de uma necessidade, já que a quantidade de javalis na nossa terra precisa de ser controlada, pois são grandes predadores de outras espécies animais, e ainda por cima, todos os anos causam grandes prejuízos nas plantações de milho e das uvas.

Um dia de montaria tem uma organização própria, e por isso só por volta das 10 horas se pode começar a montaria, e dura até a meio da tarde. Depois de um pequeno-almoço farto, os caçadores saíram com 6 matilhas, (cerca de 180 cães) para os terrenos que se situam entre as Fontainhas e a Loureira, e apesar de vários javalis terem aparecido para ajudar à festa, apenas um foi agarrado, pelos cães. Este javali, chamado navalheiro devido à sua idade adulta e ao facto de, por reacção animal, preferir “encovar-se” e ser apanhado pelos cães do que sair para os monteiros. No almoço que se realizou depois da montaria, este javali foi leiloado e vendido por 200 euros, e depois de limpo, apresentava um peso aproximado de 120 quilos. O Rancho Folclórico de São Guilherme também participou da festa animando o almoço. Todos os “monteiros” tiveram ainda direito a brindes típicos da nossa região, como o uma garrafa de vinho do Sobral, enchidos, e outros brindes da região. Fernando Reis mostra-se bastante sa-

tisfeito com a actividade da associação a que preside, recordando que a caça ao coelho este ano correu bastante bem pois, com este clima pouco chuvoso, as espécies reproduzem-se mais, mas principalmente porque em nenhuma das iniciativas já realizadas existiu qualquer incidente. Animada por este facto, a associação prepara já outras iniciativas, estando agendada uma batida às raposas na nossa terra, para o próximo dia 27 de Fevereiro, dia em que se encerra o ano cinegético 2004/2005. Para o mês de Março, no dia 12, está agendada uma Assembleia–Geral para apresentação de contas relativas ao ano que termina, e no dia seguinte, 13 de Março, realizar-se-á a Festa do Agricultor, no Salão Paroquial de Santa Catarina da Serra. Fernando Reis convida todos os agricultores e todas as pessoas que assim o desejem, a participar nesta festa, que contará com a actuação do Rancho Folclórico de São Guilherme, e onde poderão saborear um lanche ajantarado, e provar uma febra de javali.

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CARTAS

Sugestão para a Voz da Serra A todos os que tornam possível a leitura da nossa Voz da Serra no nosso quotidiano, o meu bem haja. Apenas uma sugestão; aos jovens estudantes ou diplomados, de vez em quando um pequeno artigo para nos esclarecer; sobre higiene, saúde, medicina, veterinária, agricultura, história, pois quanto mais soubermos melhor será o nosso bem-estar. E sobre a nossa terra, alguém que escreva sobre os antigos lagares de azeite e moinhos de vento que em tempos foram muitos, sobre as juntas de gado, bois e vacas, os pátios da Loureira com as suas entradas em arco, um património a desaparecer que penso ser único num só lugar em

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quantidade a nível nacional. Que tal um concurso de fotografias sobre os mesmos arcos e portões para a prosperidade. Mário Alves Quinta da Sardinha

Nota da redacção: A Voz da Serra agradece as sugestões do leitor que serão tidas em conta. De resto, exortamos os leitores a fazerem chegar as suas sugestões e críticas por forma a melhorarmos o nosso trabalho.


ENSINO

Experiências académicas

Estudar (n)outro país

A Cristiana e a Suzana optaram por ir estudar alguns meses noutro país. São experiências de mobilidade académica, apoiadas pela instituição que frequentam cá em Portugal, e que têm levado muitos jovens a deixar tudo para trás, durante alguns meses, e partir à descoberta de um novo país, de uma nova universidade, de novos amigos… A aprendizagem de uma nova língua e o conhecimento de um novo país são factores fundamentais que as levaram a decidir-se por esta aventura, mas muito mais há a ouvir do seu testemunho…

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ENSINO Cristiana Neves, 22 anos, Vale Tacão, estuda Ciências da Educação na Universidade de Coimbra e revela como tem sido a sua experiência de intercâmbio. Como surgiu a ideia de ir estudar para o estrangeiro durante alguns meses? Desde há muitos anos que tenho ouvido falar deste tipo de experiências de intercâmbio, e sempre me interessaram, sobretudo pela oportunidade de conhecer outro país e outra cultura. No entanto, julgo que um dos factores decisivos foi ter vivido com uma amiga que esteve o ano passado na Suiça e que não deixava de nos dizer que era uma experiência e tanto, e que como tal, tínhamos de aproveitar. Mas a verdade é que uma coisa são as conversas entre amigos em que é muito fácil dizer que se quer ir, outra bem diferente é tomar essa decisão... mas, enfim, tudo correu bem e aqui estou em Firenze - Italia. E porquê Itália? Itália sempre foi uma paixão e o porquê não sei explicar. Mas o certo é que temos de ter em conta as opções que nos dão na faculdade (que no meu caso não eram muitas), mas como Itália estava entre essas, a decisão foi fácil. Devo acrescentar que a história do país e a vontade de aprender a língua são factores importantes quando se toma uma decisão deste tipo. Por certo a imagem e o conhecimento que tens de Itália é hoje muito diferente do que tinhas antes. Como é a vida em Itália? Normalmente, quando se parte numa aventura desta índole as expectativas são sempre muitas, procura-se saber mais sobre o país e tudo isso. No meu caso, tentei não ir por esse caminho, e como tal, tudo o que tenho encontrado têm sido boas surpresas: a cidade é belíssima, cheia de história e monumentos. As pessoas são sempre atenciosas e prestáveis e como tal não tenho tido qualquer problema em relacionar-me. Por outro lado, o que não deixa de me surpreender é o custo de vida altíssimo que aqui se pratica... mas justifica-se tendo em conta que estamos a falar de um ordenado mínimo

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Cristiana Neves, 22 anos, Vale Tacão, estuda Ciências da Educação na Universidade de Coimbra. de 800 euros. Concluindo, a imagem que possuo hoje não é muito diferente da que já tinha, apenas mais aprofundada e com a inclusão de um pólo afectivo. Quais têm sido, de acordo com a tua experiência, as maiores dificuldades que sente um estudante nesta situação? As primeiras duas semanas são complicadas para todos os estudantes (estamos a falar da integração num sis-

tema e numa ordem diferente daquela a que estamos habituados, sem contar com o facto de que estamos presentes a uma língua diferente e nos vemos subitamente distanciados da família e de todos os amigos). Julgo que não exista nenhum estudante Erasmus que nos seus primeiros dias não se tenha colocado a questão: “Mas o que é que estou aqui a fazer?” Mas rapidamente este sentimento desaparece quando se começam a conhecer outras pessoas e a integração acontece. Aí passa


ENSINO tudo a correr... Parece-me importante referir que o que mais me agrada neste tempo que estou a viver é a facilidade com que se fazem amigos independentemente da cultura e país de origem. Quanto a mim isto é o mais importante e só por isso vale a pena viver a experiência. Estando no curso de Ciências da Educação, agora que viveste uma experiência noutro sistema de ensino, qual é a tua opinião acerca do sistema de ensino em Portugal? Para mim foi de facto uma grande surpresa constatar que o nosso sistema de ensino não está, em termos gerais, assim tão afastado do dos outros países. A tendência é pensar que os outros são melhores e que só nós temos problemas, mas na realidade aqui também existem problemas e alguns muito próximos dos nossos. A minha faculdade aqui consegue ter menos condições que a minha em Coimbra, onde frequentemente se fazem manifestações e greves contra este problema. Fica a ideia de que não estamos sós. Para outros estudantes da freguesia, que possam estar interessados em viver uma experiência deste tipo, que recomendações lhes darias? A única coisa que posso dizer é que quem esteja interessado numa experiência diferente e enriquecedora deve apostar nisso. Por muito que fale será sempre difícil explicar e transmitir a complexidade de sentimentos que aqui se vivem, como tal não há nada como experimentar... Força! Também Suzana Ferreira Santos, 24 anos, Loureira, finalista de Turismo, aceitou falar da sua experiência à Voz da Serra. Como surgiu a ideia de ir estudar para o estrangeiro durante alguns meses? Ao viver perto de Fátima, e por desde muito cedo ter começado a trabalhar nos meus tempos livres (loja de santos, hotéis, supermercados, etc...), logo me dei conta de quão dura é a realidade do mundo do trabalho, e em especial o mundo do turismo, que é a minha área. Infelizmente, a verdade é que mesmo tendo estudos, bacharéis ou licenciaturas, é ainda muito difícil arranjar emprego na área que preten-

demos, por várias razões....O que quero dizer é que sim, os estudos são fundamentais, mas há que tentar ganhar o máximo de experiências possíveis, porque de pouco vale um diploma na mão se não se souber pôr em prática os conhecimentos adquiridos. Foi então que decidi ir para o estrangeiro, para ganhar mais experiência e daí mais curriculum. E acreditem que um estágio profissional no estrangeiro ou ainda um programa de estudo como o Erasmus é muito valorizado num currículo, muito mesmo. Mas uma decisão destas não tem só uma vantagem, tem várias: ganhar experiência, conhecer outras realidades e quem sabe tirar partido delas em Portugal, evoluir a nível pessoal, aprender outra língua - actualmente quem souber falar línguas estrangeiras, seja em que área for, tem mais hipóteses de arranjar emprego -, enfim inúmeras vantagens... Não quer dizer que seja um período fácil, aparecem sempre problemas, mas mesmo assim, é sempre positivo... E porquê Itália? Primeiro, porque sempre tive um grande fascínio por esse país.... e segundo, porque na minha área saber falar italiano e dominar a língua é uma mais valia.... Por certo a imagem e o conhecimento que tens de Itália é hoje muito diferente do que tinhas antes. Como é a vida em Itália? Bem, é outra realidade... Não posso dizer que seja um povo muito diferente do nosso, mas mesmo assim é diferente... Felizmente, tal como na nossa tão bela terra, ainda se dá muito importância a alguns valores tradicionais como por exemplo a família, a religião.... Mas falando de aspectos mais técnicos, é uma vida mais cara, sem dúvida, mas é um nível de vida muito superior ao nosso. Têm acesso a muito mais oportunidades do que nós, mais infra-estruturas, mais condições... nada que Portugal não possa vir a ter... Quais têm sido, na tua experiência, as maiores dificuldades que sente um estudante nesta situação? Digamos que desde que comecei a procurar oportunidades como esta até ao dia da partida, acho que foi a falta de apoio... Os jovens continuam sem orientação nestas iniciativas... Mas mesmo du-

rante esta experiência, a maior dificuldade que eu senti foi a conhecida saudade, ai a saudade... a saudade das pessoas que mais amamos, saudades da nossa lareira, saudades das migas da mãe, saudades de ver um jogo de futebol (por acaso foi muito duro para mim ter estado fora durante o Euro 2004)... enfim, saudades de tudo e de todos... custou, mas valeu a pena. Agora que viveste uma experiência noutro sistema de ensino, qual é a tua opinião acerca do ensino em Portugal? Acredito que os jovens tenham mais oportunidades lá fora, (apesar da taxa de desemprego também estar mais alta nalguns países). Apostam mais neles. Acho que Portugal está a melhorar nesse aspecto, mas ainda não é suficiente... Poderia escrever muito para responder a esta pergunta, mas acho que se deveria fazer uma reforma no ensino português, porque o sistema não está muito actualizado ou, digamos, direccionado para combater os problemas actuais... Acho que deveriam premiar na profissionalização de estudantes - não obrigá-los a estudar, mas porque não ensiná-los um ofício para que no 12º ano possam sair com um certificado profissional - e na especialização de profissionais... Para outros estudantes da freguesia, que possam estar interessados em viver uma experiência deste tipo, que recomendações e conselhos lhes darias? Há muitas oportunidades e muitos programas para jovens, que queiram estudar ou ainda trabalhar fora... em Portugal, há muita falta de informação, conhece-se o Erasmus, mas não existe só o Erasmus... o meu conselho é tentar informar-se, actualizar-se. Quem tiver dúvidas, basta ir ao IPJ, eles ajudam bastante.... O que posso dizer é que se deve lutar sempre por aquilo que se quer e nunca ter medo nem nunca desmoralizar.... Todos se queixam que a vida está difícil, mas o pior é que está mesmo, e então para nós, jovens principiantes, ainda mais difícil está.... por isso, o meu conselho é mexermo-nos e procurar sempre mais alternativas.... há que saber ter os olhos abertos. Tudo está ao nosso alcance, basta lutar...

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vozdaserra2005.02