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Organza - HortĂŞncia Barreto


Textos e Projeto Gráfico

Hortência Barreto Designer

Fábio Nunes - AWD Fotografia

Marcel Nauer Lineu Lins Lúcio Telles Ano

2009


O BANESE reafirma o seu compromisso com a cultura sergipana, através desta publicação, ao tempo em que reconhece a importância da artista plástica Hortência Barreto, no resgate histórico da identidade regional da nossa gente. Mais do que apoiar a edição deste catálogo, o Banco de Sergipe enriquece o seu acervo literário-cultural, buscando perpetuar a obra dessa talentosa artista, autora de telas de cores vibrantes, cuja arte é transmitida de maneira lúdica e poética. João Andrade Vieira da Silva Presidente do BANCO DO ESTADO DE SERGIPE


À memória de meus avós: José e Maria (Neném e Loló) Maria e José (Menininha e Zezé)


Organza O trabalho das bordadeiras, rendeiras e costureiras povoou sempre a minha infância. Minha avó, tia-avó e minha mãe costuraram, bordaram e fiaram a trama, a linha do que viria a ser meu universo poético. Nessa época, eu e minhas irmãs ganhamos nossa primeira boneca de pano. Aqui, a memória alicia o tempo e o passado colado ao presente veste as telas de rendas, linhas, chitões, retalhos, poemas, sianinhas. São lembranças de uma infância onde se bordava sobre o bastidor sonhos, brincadeiras, romances, enxovais.


Autobiografia

Fui bordada em linhas singer Em ponto matiz de luz e sombra sobre organdi fizeram meu enxoval e nasci com o dia na praça da matriz a rua cheirando a pão. E cresci sob um pé de carambola com um nome (macio) azul de flor, amanheci dezembros atravessei fevereiro correndo com medo de mordida de maribondo e mergulhei no açude e fui parar no lado gauche do Sena perto de um grande palácio onde, de sua janela, uma jovem me acenava com aquele sorriso, enigmático. Mas em pele de organza e sol de anil o vento traz um voo de vozes sobre o voile; é o zum zum zum da minha infância que hoje fala francês: je suis d’ouricuri.


Minha avó pedalou caminhos-sem-fim sobre o bastidor, enquanto minha tia-avó fazia rendas de bilro na praça, sobre a almofada. Tia Doça balbuciava uma linguagem amável que ninguém entendia, mas eu sabia que ela pensava doçuras.


Frida quando fala Cala quando Frida passa pelas feridas feito espada o gosto de tinta e pinta seus intestinos e rasga seus instintos tão febris e lança luz sobre sua cruz.


Cardรกpio Um cascรฃo de palavra cor goiaba Raspas de um sotaque citron Avec du fromage blanc Salivam qualquer poema.


Estética do afeto e da delicadeza Mitologia Têxtil Eu me aproprio plasticamente de um elemento artesanal da cultura popular nordestina, a boneca de pano, e interpreto, através dela, de uma maneira lúdica e poética, imagens, situações e tradições vividas na minha infância, revelando o jeito de ser, de viver e de vestir de uma comunidade rural antiga. Para formalizar essa poética, utilizo soluções técnicas de populações afastadas dos níveis de consumo,como produtos do fazer manual da costureira, rendeira, bordadeira e bonequeira, prestando, portanto, uma reverência ao trabalho dessas artesãs. Incorporo aos suportes, como licença poética, em forma de colagem, elementos e texturas desse mundo real, como tecidos,rendas, bordados, chitões, sianinhas, etc.


Canto para voz e orquestra Um dia as bonecas voltaram, via inconsciente, por uma estrada de chão e terra batida, lá das brenhas, agreste, de uma lembrança. E vieram a cavalo, de trem e avião de uma infância bordada e desembarcaram nessa estação, cheias de histórias e bagagem.Reapareceram, depois de décadas, desenhadas de caneta esferográfica num croqui qualquer de uma folha em branco. E o tempo foi lhes dando forma, alma, coração, e saem do papel com um destino nas mãos para interpretarem outros papéis. Aí começa sua jornada, entre romances e carretéis, novelos e novelas sobre um cenário azul e carrossel, apresentam-se ricamente vestidas nesse grande palco, onde desenrolam nossa ópera de tinta e algodão.


Romance Um ninho de letras consoantes cantam pintassilgos salgados de mar. Num ninho de consoantes pintassilgos cantam consonantes. Um ninho de pintassilgos consoantes cantam. Num ninho de consoantes pintassilgos cantam salgados de mar


Sagrada Família Era uma vez duas avós que se chamavam Maria, e dois avôs que se chamavam José. Habitavam numa pequena aldeia onde a rua com restos de lua parecia pedrinhas de brilhante. Maria e José moravam numa casa aberta para um jardim de gérberas, rosas, hortênsias e acácias e um pomar/poema de figo, goiabeira e carambola. As mãos de organza de Maria passavam os dias, ela debruçada sobre o bastidor, bordando sonhos, desejos, enxovais. José a tudo assistia, encantado com sua Maria vestida de tecido floral. José e Maria moravam distante, num vale de ouricuri entre gardênias, camélias e magnólias. Quando ela chegava, vinha carregada de poesias, acrósticos primaveris, homenageando as netas, feitos entre cochichos e fuxicos de uma enorme toalha de jantar. Debaixo daquele pé de carambola, as crianças brincavam de boneca, cozinhado e procissão. Havia ainda as partituras de rapaduras da tia Aurinha, metros e milhas de rendas de bilro da tia Eudócia ziguezagueando a praça e as fotografias. Ambas, irmãs de Maria e José. A marinete partia com cheiro de pão ao amanhecer e levava as notícias de nascimento para a vizinhança. Naquela casa de cambraia, o olhar sagrado de Jesus oferecia seu coração, emoldurando a sala, e uma penteadeira cheia de Promesa (de um pó de arroz) ainda exala um Toque de Amor “que rest-t-il de nos amours que rest-t-il de ces beaux jours...” E numa família, a maioria de meninas, uma delas pinta, borda e escreve essas lembranças.


O olhar celestial do Sagrado Coração de Jesus está ainda lá na sala da infância nos oferecendo seu coração, dentro de uma moldura, diante da mesa de jantar. Vovô sentado à mesa e vovó ao seu lado conjugando o verbo amar.


Arqueologia Uma forma lilás de pensamento atravessou as campinas os mares de então e com um buquê na mão aterrissou de marinete pelo sertão e chega até a infância (das meninas) embalada num frasco de perfumaria. Fim de tarde. Aquecia de molho na bacia nosso banho de alumínio espécie morna de carícia ao fim do dia. E num delicado ritual rural que a toalha nos servia fugíamos do quintal em direção à penteadeira ( de três espelhos) e tomávamos outro banho de alfazema.


A colcha

Na aveludada Cambraia De neve Mãos Se debruçaram E contaram Pontos a fio Matizando De cravos E rosas A paisagem. Deitaram Horas, Minha avó Minha mãe, Do ofício Que lhes cabia, Estampar a vida No limite do bastidor Mapa- mundi De um mundo Bordado Em caminhos-sem-fim De um enxoval. E ponto a ponto Construíram Um planeta, Uma casa Cheia de cômodos E a colcha Testemunhando Ao longo Do tempo A briga Do cravo E da rosa Se despetalando.


Cambraia de linho A pintura de um poema com gosto de abacaxi no melhor puro linho a toalha me servia em talher de prata, se esticando pela mesa, um cardápio de poesia: carambolas au chocolat lembranças ao molho de mel de um açucareiro de ágata pintado aos beijos e gérberas.


Cem aves sem arribação Tosco chão de varas toscas o chão de varas do sertão grunhidos estalidos canários e gravetos formam uma nação onde mulungu vira gente jurema assombração umbu com nambu fazem rima e não partem pardais e fincados de pés no chão o homem o ouricurizeiro ficam entranhados de esperança e craquelê longas ranhuras nas mãos do tempo.

E chega a chuva aguada de terebintina sobre tela de organza e poeira e refaz a rima a tinta e no coração do sertanejo nasce feijão estima amor por esse chão de coisas crocantes verdejantes.


Modinha Têxtil Dedos furados em fios contados a dedilhar essa canção uma sibilante surda alveolar em ponto azul cruzado um c cedilha e um til bordados no texto sutil delicado desse enxoval onde cada peça tem encravado o desenho de um coração.


Monograma Deita teu nome macio bordado no travesseiro entre orelhas (fronhas) olheiras pintadas sem sono.


Eu sertão amanheci coração numa veia ardente entre seus dentes rasgos de seda de poeira e desejo


Eau de parfum Em uma floresta de cedro, sândalo e jasmim um homem esculpe um corpo de mulher com seu perfume:

Organza

─ delírio floral cristal

de Givenchy.


Curriculum Hortência Barreto Naturalidade: Nossa Senhora das Dores / SE - Brasil E-mail: mhabarreto@yahoo.com.br | www.hortenciabarreto.com.br CURSOS 1974/78 1982/83 1980 1982/83 1986 1987 2000 2002 2004 2005 2008

Letras Vernáculas – UFS – Aracaju/SE Pós-graduação em Literatura Brasileira – UFRJ – Rio de Janeiro/RJ Atelier Adauto Machado – Aracaju/SE Atelier Bernardii – Rio de Janeiro/RJ Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – Desenho e pintura de modelo vivo Rio de Janeiro /RJ Faculdade da Cidade – Desenho e pintura de modelo vivo – Rio de Janeiro/RJ Parque Laje – Desenho e pintura de modelo vivo – Prof.Gianguido Bonfanti – Rio de Janeiro/RJ Atelier Leonardo Alencar – Aracaju/SE Atelier Déa Junqueira – Rio de Janeiro/RJ Atelier Déa Junqueira – Rio de Janeiro/RJ Atelier Zaíra Barion (Aquarela) – Rio de Janeiro/RJ Seminário “Apreciação de Obras e Objetos de Arte” – Profa. Ana Cristina Carvalho – Aracaju/SE Orientação da artista plástica Nair Kremer – São Paulo / SP Oficina de gravura – Prof. Elias Santos – Aracaju/SE Oficina de Poesia – Profs. Antônio Carlos Viana e Maruze Reis – Aracaju/ SE

EXPOSIÇÕES Individuais 1983 1984 1990 1991 1992 1993

Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria de Arte Álvaro Santos – Aracaju/SE Galeria Marie Charlotte – Saint Jean de Luz – França Galeria Reciproque – Montauban – França Galeria Ginou Larroulh – Biarritz – França Hotel de Biarritz – Biarritz – França Galeria Marie Charlotte – Capbreton – França Castelo Claire de Lune – Biarritz – França Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Restaurante Lorena Boulevard – Aracaju/SE Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE

1994 1995 1996 1997 1999 2000 2001 2003 2004 2006 2007

Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria Passárgada – Neauphle le Vieux – França Espaço Cultural Teimonde – Aracaju/SE Galeria Zumbi dos Palmares – Brasília/DF Galeria Marly Faro – Rio de Janeiro/RJ Circuito Cultural Banco do Brasil – Aracaju/SE Corredor Cultural – Secretaria de Estado da Cultura – Aracaju/SE Joalheria Fontes – Shopping Jardins – Aracaju/SE Espaço Cultural da Assembléia Legislativa – Aracaju/SE VII Mercado Cultural de Salvador – Instituto Cultural Casa Via Magia – Salvador/BA Shopping Jardins – Contando um Conto e Fazendo um Ponto – Aracaju/SE


PREMIAÇÕES

Coletivas 1983/84 1984/85 1987/88 1987 1990 1991 1993 1994 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

Galeria de Arte Álvaro Santos- Aracaju/SE Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria Ludus Artis – Aracaju/SE Maria Augusta Galeria de Arte – Rio de Janeiro/RJ Hotel Mofarrej Sheraton – São Paulo/SP Visões do Nu – Parque Lage – Rio de Janeiro/RJ Rodge House Gallery – Rhode Island – EUA Maria Augusta Galeria de Arte – Rio de Janeiro/RJ Galeria Saint Paul – Paris – França Espaço Sebrae – Brasíia/DF Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria de Arte Álvaro Santos – Aracaju/SE Galeria de Arte J. Inácio – Aracaju/SE Galeria José de Dome – Aracaju/SE Espaço Cultural da Energipe – Aracaju/SE Espaço de Arte Jenner Augusto – Salvador/BA Galeria de Arte Álvaro Santos – Aracaju/SE Slater Mill Gallery – Rhode Island – EUA Museu de Arte da América Latina – Miami/EUA Museu de Arte da América Latina – Miami/EUA Crisolart Galleries – Barcelona – Espanha Circuito de Artes Plásticas do Bairro Jardim Botânico – Rio de Janeiro/RJ Galeria Jenner Augusto – Aracaju/SE 7º Circuito de Artes Plásticas do Bairro Jardim Botânico – Studio 56 – Rio de Janeiro/RJ V Mercado Cultural – Centro Cultural da Caixa Econômica Federal - Salvador/BA “Natividade” – Galeria Jenner Augusto – Sociedade Semear - Aracaju/SE Embaixada da Espanha – Brasília/DF Galeria de Arte Álvaro Santos – Aracaju vista por seus pintores – Aracaju/SE Galeria de Arte J. Inácio – A mulher e o objeto – Aracaju/SE Galeria Jenner Augusto – Gravuras de inverno – Aracaju/SE D’Época Espaço Cultural – 2ª Mostra de História e Arte – Aracaju/SE 9º Circuito de Artes Plásticas do Bairro Jardim Botânico – Studio 7 – Rio de Janeiro/RJ Galeria de Arte Álvaro Santos – Reflexões Natalinas – Aracaju/SE Galeria Jenner Augusto – Misericórdia – Aracaju/SE Museu de Arte Contemporânea da USP – Territórios – São Paulo/SP Galeria Álvaro Santos – Temas juninos – Aracaju/SE Galeria Ana Maria – Aracaju/SE Galeria Álvaro Santos – Aracaju e Seus Encantos – Aracaju/SE Galeria Jenner Augusto – Águas de Março – Aracaju/SE 11º Circuito de Artes Plásticas do Bairro Jardim Botânico – Rio de Janeiro/RJ Galeria Jenner Augusto – Petrobrás Fertilizando o Brasil – Aracaju/SE Espaço Cultural Yázigi – Novas Formas e Expressões – Aracaju/SE Palácio dos Bandeirantes – A Arte que Banha o Nordeste – São Paulo/SP Centro Cultural Banco do Brasil – Era uma vez: A Arte Conta Histórias do Mundo – São Paulo/SP

1978 1982 1983 1988 2000 2002 2004 2006

Oficina de Arte Universitária, X Festival de Arte de São Cristóvão – São Cristóvão/SE Medalha de Bronze – Bienal Internacional de Arte Contemporânea, Academia Brasileira de Letras – Rio de Janeiro/RJ Medalha de Prata – VII Gincana de Pintura de Maricá – Maricá/RJ Medalha de Ouro – I Salão Shopping Cassino Atlântico – Rio de Janeiro/RJ Prêmio do Forte de Copacabana – Rio de Janeiro/RJ Medalha de Ouro – II Salão de Arte Nordestina – Rio de Janeiro/RJ Prêmio Literatura Banese – Categoria Poesia – Aracaju/SE Prêmio Literatura Banese (2º lugar) – Categoria Poesia – Aracaju/SE

PUBLICAÇÕES 1992 2000 2004 2008

Pintores Sergipanos – Fundação Cultural de Aracaju – Aracaju/SE Rumos - Catálogo de Artes Plásticas de Sergipe (projeto, coordenação e participação) – Secretaria de Estado da Cultura – Aracaju/SE Antologia do Prêmio Literatura Banese – Poesia – Aracaju/SE A Arte que Banha o Nordeste – Imprensa Oficial do Estado de São Paulo

OUTRAS ATUAÇÕES PROFISSIONAIS Agente cultural – Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe: 1 - Editora do Rumos – Catálogo de Artes Plásticas de Sergipe – 2000; 2 - Editora do Catálogo do Escultor Véio – 2004.

ILUSTRAÇÃO 2006 – Ilustração do livro “Era uma vez Irmãos Grimm”, recontado por Kátia Canton – Difusão Cultural do Livro (DCL) – São Paulo

Observação: possui obras no acervo do Museu de Arte da América Latina – Miami / EUA

Eu criei, em 2002, um grupo de senhoras/bonequeiras em Nossa Senhora das Dores, resgatando assim, no estado, o artesanato tradicional das bonecas de pano.


Gótico Na parede vitreaux de carambolas um corredor um clima retrô agindo no bicho da goiaba branca feito seda na lembrança. O olho na cumeeira o passeio do morcego no quarto o vento no quintal E ela deitada rezando o terço criança nessa imensa catedral. De todos os gostos era cada vitral. Poema premiado no concurso Banese de Literatura - 2006


Certidão de N ascimento História de um parto sem dor Quando comecei a pesquisa estética sobre a boneca de pano (2000), saí à sua busca e nada encontrei, por aqui, em Aracaju, nem boneca nem bonequeira. Fui então procurálas na minha cidade natal, Nossa Senhora das Dores, e também aconteceu o mesmo, sumiram e nem deixaram vestígio, era algo totalmente esquecido na memória dos habitantes, como se nunca tivessem existido. Já estávamos em 2002, e a partir da procura ansiosa por uma bonequeira da minha infância, tomei conhecimento, através da prima Geísa, de que lá em Dores havia um bem organizado clube da terceira idade. Nasceu de novo a esperança de um encontro com alguém que contribuiu diretamente com meu passado lúdico, célula condutora dessa declaração. E a constatação foi a mesma,não tinha ninguém. Naquele momento, então, propus ao grupo, através de sua líder, D. Terezinha, a atividade de fazer as bonecas de pano.O presente é um presente. Vinte senhoras aceitaram e foram aprendizes de algo que já conheciam em toda sua magnitude − parir. Dona Terezinha foi a mestra-parteira que as ensinou como confeccioná-las. Daí em diante, começamos um movimento de conscientização com a comunidade e prefeitura local, no sentido de mostrar a importância desse resgate, pois trata-se de um artesanato tradicional, elemento importante da cultura nordestina.Fizemos então uma grande festa de batizado na praça da matriz, aquela em que nasci, apresentando assim, as bonecas recém-nascidas, renascidas. Minhas conterrâneas vêm, portanto, com uma bandeira: uma forma de resistir à globalização, onde tudo segue um padrão, e como um contraponto à era da velocidade, em que laços próximos são desprezados diante de informações anônimas e distantes. Como são filhas de mãos parteiras e mães parideiras, a prole cresce sem parar.


Cantiga para Eudócia Doce Docinha zarolha na praça da matriz fazia zigue zague de bilros horas a fio de linha e fremência. Doce Doça na tarde rendada sobre a almofada ziguezagueou sonhos silêncios fantasias estrábicas a metros e milhas sons singelos a ninar doçura e velhinha ficou de boneca a brincar − filhas da solidão e ausência e cantava Dorme neném que eu tenho que fazer vou lavar e vou gomar... e fazer rendas pra você. Tia Doça Docinha que tipo de renda estará hoje tecendo na outra praça, a de nenhuma margem?

Poema premiado no concurso Banese de Literatura - 2004


Nacionalda (Dinha)


Maria José do Fumo

Jacira Silva de Souza

Silvonete

Terezinha Barboza dos Santos

Angélica Maria de Rezende

Vandete

Camélia

Maria Rufina

Carminha


Maria Osvaldina Leite – 70 anos

Corina Pereira Moura

Geraldina Vieira de Souza


Ìndice das Obras Sou de Organdi

2005, xilogravura, 41x38 cm

Cambraia da Memória I

2005, serigrafia, colagem de tule, linha de bordar, bordado e costura s/ tela, 168x151 cm

Vestidas de Cambraia

2005, xerox, colagem de tule, botões e linha de bordar s/ lona, 130x70cm

Porta-Retrato

2005, colagem de renda , espelho e sianinha s/ tela, 100x100 cm

Detalhe - Santa Terezinha

2005, acrílica, colagem de rendas e tecidos s/tela, 100x100cm Coleção de Ana Cristina Carvalho, São Paulo / SP

Cambraia da Memória II

2005,serigrafia,colagem de tule, vestidos, linha de bordar, cambraia de linho s/ tela, 168x151 cm

Santa Terezinha

2005, acrílica, colagem de rendas e tecidos s/tela, 100x100cm Coleção de Ana Cristina Carvalho, São Paulo / SP

Jobinianas: garotas de Ipanema em Copacabana 2007, colagem de boneca, emborrachado s/ tela, 90x50cm

Geometria Perfumada

Véu de Noiva

A Valsa

2007, colagem de xerox, renda, flores e tule s/cetim, 500x87cm

Véu de Organza

2006, bordado sobre tela de linho 140x140cm

2003, óleo e colagem de tecido s/ tela , 100x90cm Coleção de Suyene Santos , Aracaju / SE

2007, serigrafia s/organza, 300x210 cm

O Casamento de Adélia

Véu de Voile

Autorretrato Menina-Moça

2007, serigrafia s/ voile, 300x210cm

Tecido Floral

2007, bordado e colagem de linha de bordar s/tela, 168x151cm

Almofada (Cambraia da Memória) 2007, serigrafia s/ cetim, 138 x 78cm

2008, colagem de tecido e óleo s/tela , 100x100 cm

2002, óleo e colagem de chitão s/eucatex , 100x100cm

Ciranda

2003, óleo e colagem de tecido s/lona , 100x90cm Coleção de Aline Oliveira, Aracaju / SE

Na Festa da Padroeira

2002, óleo s/tela , 120x120cm Coleção de Geraldo Rezende, Aracaju / SE


Volta e Meia Vamos Dar

2002, óleo s/tela , 120x120cm

Rosa, Hortência e Acássia

2006, colagem de renda e tecido s/tela, 50x40cm Coleção de Rosa Angélica Barreto, Aracaju/SE

Na Vitrine

2003, óleo e colagem de tecido s/tela , 100x100cm Coleção de Angélica Hermínia, Aracaju / SE

Para Delma e Elizete

Roupa de Festa

Mesa de Aniversário

2005, acrílica, giz de cera e colagem de tecido s/ papel kraft, 83x57cm

2006,colagem de tecido e renda s/tela , 50x50cm

2004, pastel oleoso, acrílica e colagem de papel e tecido s/ papel kraft, 56x40cm Coleção Sônia Regina Rocha, Aracaju / SE

O Retrato de Rosa

Promessa para Santo Antônio

2006, colagem de renda e tecido s/tela , 50x50cm

2007 , tecido e cordão esticado s/ chassi, 180x60cm

Sobre Anágua de Goma

Núpcias

2003, colagem de renda e tecido s/tela , 70x70 cm

Mimo de Flor 2003 colagem de flores e tecido s/tela , 70x70 cm

Azul Natiê

2006 , colagem de boneca e chitão esticado s/ eucatex, 100x100 cm

Pose para o Retratista

2006 , acrílica e colagem de tecido s/ tela , 100x50 cm Coleção Centro Cultural Yazigi, Aracaju/ SE

Comadre Bela

2006, colagem de vestido e costura s/tecido , 120x80cm

2002, óleo e colagem de tecido s/ tela , 1000x80 cm Coleção Museu de Arte da América Latina, Miami / EUA

Texturas de Meu Pai

Cambraia da Memória III

2005, colagem de tecido s/lona , 88x80cm

Entre Anáguas e Lingerie

2005, óleo e colagem de tecido s/eucatex , 100x100cm Coleção de Rui Almeida , Aracaju/ SE

Autorretrato com Soutien Dourado

2005, óleo e colagem de renda,crochê e tecido s/tela , 100x80cm

2005 óleo e colagem de tecido s/ tela, 168x151 cm

Gulosa Atlântica

2004 , colagem de tecido, papel e linha s/ papel, 41x30 cm Coleção de Gabriel Barreto de Melo, Aracaju / SE

Cajus em Cachos de Crochê

2007, vídeo instalação, galhos de cajueiro e novelos de linha, 300(alt.) x 300 (diâmetro) Coleção FAFEN/ PETROBRAS, Aracaju/ SE


Agradeço a Rosina Fonseca Rocha e Maruze Reis pelo olhar crítico e apaziguador diante das minhas indagações plásticas e literárias e a sensibilidade executiva de Gileide Barbosa (Banese), Maria Avilete Ramalho (Banese Card) Luiz Cláudio Costa Régis (Gráfica e Editora J. Andrade).


Apoio cultural

PatrocĂŒnio


Catálogo: Organza - Hortência Barreto  

O trabalho das bordadeiras, rendeiras e costureiras povoou sempre a minha infância. Minha avó, tia-avó e minha mãe costuraram, bordaram e fi...

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