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JORNAL DA

MATÉRIA

Apirva :::: ANO 01 - Edição 01 Novembro/Dezembro 2010 :::::

MATÉRIA

SAIBA COMO AJUDAR

Hospital Márcio Cunha é referência em transplantes pág 3

Dicas de alimentação

pág 7

Ser voluntário é bom pág 5


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EDITORIAL

Caro leitor,

Nosso trabalho é sério, mas para continuarmos prestando assistência aos pacientes precisamos do que você tem É com grande satisfação que editamos, com ajuda dos alunos do de mais precioso: seu coração. Traga com curso de Jornalismo do UnilesteMG, o 1º Jornal da APIRVA – Associação você todo amor, felicidade, sabedoria, dos Portadores de Insuficiência Renal do Vale do Aço. humildade, conhecimento e tempo, pois Vamos mostrar para vocês o trabalho que realizamos com uma coisa lhe garantimos: o retorno é os pacientes e os familiares daqueles que se submetem à terapia de imediato e em dobro. hemodiálise no Hospital Márcio Cunha. Para eles, doamos tempo, Agradecemos aos funcionários serviço, cestas básicas e medicamentos. Além disso, promovemos e médicos do CTRS – Centro de Terapia diversas oficinas artesanais, e o mais importante, doamos amor e Renal Substitutiva, que são nossos dedicação. parceiros nesta luta diária. Venha nos O trabalho da APIRVA é totalmente voluntário, não temos ajudar! telemarketing para arrecadar recursos, sobrevivemos apenas da ajuda voluntária e espontânea de nossos colaboradores, e de eventos como: bazares beneficentes, barraquinhas de comidas típicas, rifas e sorteios, Selma Magalhães Barbosa Oliveira com participação da comunidade que por meio do consumo de nossos Presidente da APIRVA produtos geram renda para que a entidade consiga realizar seus planos Associação dos Portadores de e custear as despesas de nossos projetos. Insuficiência Renal do Vale do Aço

Responsabilidade Social Empresarial e voluntariado O conceito de responsabilidade social empresarial é amplo e inclui a relação da empresa com os consumidores, com a comunidade, com fornecedores, com o meio ambiente e com o governo. Se por um lado o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza; por outro lado, é bem sabido que com grande poder, vem grande responsabilidade. O investimento social privado é o uso voluntário e planejado de recursos privados em projetos de interesse público. Empresas cada vez mais têm investido recursos em projetos sociais e há uma maior demanda por resultados concretos. Ao contrário do que muitos pensam, o investimento social privado não deve ser confundido com assistencialismo ou filantropia. Existem formas de ação social que não implicam em gastos. Como exemplo: a liberação de funcionários para participação em ações voluntárias, a cessão de espaço na empresa para esse tipo de ação, além da doação de produtos fabricados pela empresa. O trabalho voluntário é uma ação de cidadania e solidariedade, que enriquece a vida pessoal de quem o faz, e contribui para a transformação da sociedade. Ser voluntário é dedicar espontaneamente parte do tempo para trabalhar em prol do bem social e comunitário

Voluntariado não tem nada a ver com obrigação, com coisa chata, triste, motivada por culpa. É uma experiência espontânea, alegre, prazerosa e gratificante. Ao mobilizar energias, recursos e competências em prol de ações de interesse coletivo, o voluntariado reforça a solidariedade social e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e humana. Na região metropolitana do Vale do Aço existe muita carência e os governos municipais, estadual e federal não conseguem atingir com suas campanhas todos aqueles que necessitam de ajuda. É necessário que as empresas incentivem seus funcionários a participarem do voluntariado, pois sempre estão faltando pessoas para realização das tarefas. Há pessoas com disponibilidade de tempo e que poderiam trabalhar em favor do próximo e não fazem porque ainda não perceberam o valor desse trabalho, para elas próprias, para o seu próprio bem. Doando-se em favor do próximo, algumas horas por semana, certamente, muito ganhariam em realização pessoal, sentindo-se úteis. Ajudando o semelhante, ajudamos a nós mesmos, porque aprendemos a servir, aprendemos a amar. E quem ama é feliz. Vemos, ao passar por praças da cidade, e nas esquinas, senhores talvez aposentados, mas não idosos, aparentemente gozando de boa saúde, e que ali permanecem horas e horas, conversando futilidades, “matando o tempo”, como dizem, por não terem algo útil para fazer. E há pessoas, com muitos compromissos, que arranjam tempo para dedicar algumas horas em favor do próximo SEJA VOCE TAMBÉM UM VOLUNTÁRIO! PARTICIPE TAMBÉM DESTA CORRENTE DE CIDADANIA!

EXPEDIENTE Este jornal é uma publicação da APIRVA em parceria com o curso de Comunicação Social – Jornalismo e Publicidade e Propaganda do UnilesteMG. Foi elaborado pelos alunos estagiários do laboratório Agência de Comunicação Integrada. DIRETORIA APIRVA Presidente: Selma Magalhães Barbosa Oliveira Vice-Presidente: Eliseu Furtado de Oliveira 1ª Secretaria: Jaqueline Viny de Andrade 1º Tesoureiro: Vicente Paulo Giacomin Conselho Fiscal: Norma Sueli Silva Soares, Sonia Marilda Maduro

Roberto, Mariza Souza Neves Rosa Suplentes: Conselho Fiscal - Josias Alves dos Reis, Eduardo Bento, Gisele Tudesco de Almeida Grippa Endereço Apirva: R. Conselheiro Pena, 39/Lj A – Bairro Bela Vista, Ipatinga. Fone: 3823-9543. E-mail: apirva@gmail.com CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL - UNILESTEMG Coordenadora: Profª Msc. Ana Cláudia Resende Edição: Profª Patrícia Oliveira Revisão: Profª Msc. Sonia Teles

Projeto Gráfico: Prof. Rodrigo Cristiano Diagramação/Arte final: Profª Patrícia Oliveira e Prof. Rodrigo Cristiano Estagiários de Jornalismo: Eliana Silva Leite, Elizangela Lizardo, Ge Ferreira, Geraldo Valente, Iuçara Soares Fotografia: Elizangela Lizardo, Eliana Silva Leite, divulgação, Stock.xchng Endereço Agência de Comunicação Integrada: Av. Tancredo Neves, 3500 – Bairro Universitári. Coronel Fabriciano. E-mail: emaildaagencia@gmail.com Site: fontecom.wordpress.com


Ipatinga tem hospital referência em transplante Por: Eliana Silva Leite

O Hospital Marcio Cunha tem instalações modernas com muitos recursos e conforto, tudo dentro das normas e exigências estabelecidas pela ANVISA. Recebeu acreditação de nível três, índice máximo do certificado que atesta a qualidade em segurança, organização e gestão hospitalar. Foi o primeiro no país a ser certificado com excelência nos critérios da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que tem como objetivo normatizar o processo de certificação hospitalar, por meio de medidas que possibilitem programar e garantir a qualidade no atendimento nos hospitais brasileiros. Com a certificação, o hospital passou a ser referência nacional e o primeiro no Brasil a ser reacreditado. É reconhecido pelo Ministério da Saúde como referência estadual para transplantes renais e procedimento de diálise. Possui um Centro de Terapia Renal Substitutiva e disponibiliza procedimentos de hemodiálise, diálise peritoneal, ambulatorial contínua, diálise peritoneal cíclica contínua e hemodiafiltração. O centro atende em torno de 240 a 250 pacientes crônicos e agudos. De acordo com o médico Carlos Calazans, diretor do setor de hemodiálise, o hospital já fez cerca de 220 transplantes. No ano passado foi eleito o segundo maior centro de transplantes do Brasil, foram 41. Desses, 13 foram de doadores falecidos, os demais foram de doadores vivos. A área de terapia intensiva possui uma equipe multifuncional com quatro nefrologistas, cinco supervisores de enfermagem, uma assistente social, um psicólogo, uma nutricionista além de auxiliares e técnicos de enfermagem. O foco do trabalho é o atendimento voltado para o aspecto da humanização visando ao melhor atendimento.

A relação entre o HMC e a APIRVA, diz o Dr. Calazans, “é muito boa e a associação é um órgão de apoio muito importante. Vejo que as pessoas são empenhadas em ajudar, e realmente se preocupam com os problemas dos pacientes e seus acompanhantes.”

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No ano passado foram realizados 41 transplantes

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APIRVA

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UM LUGAR DE CARINHO E DEDICAÇÃO Por: Iuçara Soares e Ge Ferreira

Associados aprendem pintura em panos de prato

Solidariedade e amor ao próximo. Foram esses os sentimentos que criaram a Associação dos Portadores de Insuficiência Renal do Vale do Aço, conhecida simplesmente como a APIRVA, que tem como principal objetivo dar assistência e apoio emocional as pessoas portadoras da doença. Sensibilizados com a situação dos pacientes que sofriam de insuficiência renal e faziam tratamento no Hospital Marcio Cunha, um grupo de voluntários da Pastoral da Saúde de Ipatinga decidiu se reunir para tentar ajudá-los. Surgindo assim, em 2004, a APIRVA que veio para oferecer auxílio aos pacientes e familiares. Selma Magalhães Barbosa Oliveira, presidente da APIRVA, é uma das fundadoras da associação e também participava da Pastoral da Saúde de Ipatinga. “Uma vez por semana íamos à Clínica visitar os pacientes, e quando estive na diálise observei que eram sempre os mesmos pacientes, os mesmos problemas, as mesmas dificuldades. Visitar essas pessoas e dizer que Deus existe e que tudo isso vai passar, não bastava para satisfazer os seus anseios. Eles precisavam de uma assistência maior. Então decidimos fundar uma associação”, explica Selma. Os associados atendidos pela APIRVA recebem aulas de artesanato, acompanhamento psicológico, cestas básicas e transporte para fazer a diálise no Hospital Marcio Cunha. A maioria das pessoas que trabalham na

associação são voluntárias, sempre dispostas a ajudar, mesmo que seja apenas ouvindo o que os pacientes e seus acompanhantes têm a dizer. Maria Aparecida da Silva, casada com três filhos, mora na Vila Celeste em Ipatinga e acompanha a amiga Isabel Benedita três vezes por semana, há sete meses para o tratamento de hemodiálise. “É muito difícil pra nós ficarmos quatro horas por ali sem fazer nada, apenas esperando. Duas horas que ficamos aqui na APIRVA ajuda muito, principalmente o lado psicológico, o tempo passa mais rápido fazendo artesanato. Além disso, ela nos ajuda também com cestas básicas e as doações que eles conseguem passam para gente, mas o mais importante é o apoio que eles nos dão aqui. A APIRVA para mim é muito importante, ela nos acolhe e se não fosse por ela, seria muito difícil”, diz Maria Aparecida. A APIRVA é considerada de utilidade pública municipal, e no momento está tentando se tornar de utilidade pública estadual. Enquanto isso, ela sobrevive basicamente por meio de doações e arrecadações dos eventos que realiza. “Essas doações são espontâneas dos colaboradores. Qualquer quantia entra no nosso caixa para ajudar nas despesas mensais, como aluguel, compra de cestas básicas, compra de medicamentos, e o transporte para levar os pacientes e os acompanhantes para o hospital e trazê-los de volta pra cá”, explica Ademir Quaresma, responsável pela área de comunicação da associação. Atualmente a sede da APIRVA se encontra em novo endereço, na Rua Conselheiro Pena, nº39, Loja A, bairro Bela Vista. O horário de

funcionamento é de 8h as 10h e das 13h às 16h. “Essa é a terceira mudança que nós fizemos. Nós começamos no Mayrink, doado pela Dona Cléia, onde permanecemos por seis meses. Aí nos mudamos para a pracinha, ganhamos mais moveis por meio de doações, e o espaço ficou pequeno, por isso mudamos de novo”, conta Selma. Segundo Ademir, uma das maiores necessidades da associação é uma sede projetada especificamente para atender as pessoas portadoras de insuficiência renal. “Tem paciente que às vezes passa mal durante o tratamento e precisa ficar internado, e o acompanhante não tem onde ficar. Às vezes vêm de cidades vizinhas e não têm como voltar pra casa e nem dinheiro para pagar um hotel, então fica aguardando a liberação do paciente noite e dia nos bancos da Clinica. Se tivéssemos uma sede apropriada, uma casa de apoio, com quartos para essas pessoas, poderíamos acolhê-las, oferecer uma refeição, banho, uma cama para dormir”, conta. Na região do Vale do Aço, a insuficiência renal é pouco conhecida, e talvez por esta razão as pessoas ainda não tenham percebido o quanto os portadores dessa doença necessitam de auxílio, não apenas financeiro, mas também emocional. Hoje, a APIRVA acolhe cerca de 230 pessoas portadoras da doença. Alex da Silva Santana, casado com Gilvane, e morador do bairro Silvio Pereira II, Coronel Fabriciano, descobriu ser portador da doença há cinco anos e faz o tratamento de hemodiálise no Hospital Marcio Cunha três vezes por semana. “Na APIRVA, se precisamos conversar com alguém, eles param para ouvir a gente. Se tivermos algum problema, eles nos ajudam, em vários sentidos”, diz Alex. Solidariedade e amor ao próximo podem ser considerados apenas palavras para alguns, mas para os portadores de insuficiência renal e seus acompanhantes significa reconforto, algo que apenas a APIRVA tem sido capaz de lhes oferecer de bom grado.

O QUE É DIÁLISE? Quando os rins perdem a capacidade de filtrar adequadamente o sangue, os médicos acabam indicando a diálise ou o transplante. A diálise é um tratamento que exerce a função dos rins, limpando o corpo dos excessos das substâncias tóxicas, água e sais minerais. Existem dois tipos de diálise, a hemodiálise e a diálise peritoneal. A primeira consiste em passar o sangue do paciente, por um filtro artificial, três vezes por semana com duração de 3 a 4 horas com auxílio de uma máquina. Já na segunda, usa-se um cateter que é inserido na região do abdome, chegando ao peritônio (membrana que reveste os órgãos íntimos) que leva um líquido semelhante a um soro. Esse líquido capta as substâncias tóxicas e então é retirado e substituído pela infusão de um novo líquido.


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Carinho e compreensão paciente relata sua experiência

Voluntariado Terapia para a alma

Por: Elizangela Lizardo

Por: Elizangela Lizardo

Um lugar tranquilo com muitas plantas e animais, assim é a casa de Alex da Silva Santana, e sua esposa Gilvane Santana, no bairro Silvio Pereira II, mas sua vida mudou há cinco anos, quando descobriu ser portador de insuficiência renal. Nesse período, Alex passou cinco vezes por Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) dos hospitais locais. Alex é técnico eletricista, formou-se no SENAI, e sempre trabalhou na área até começar a sentir os primeiros sintomas, dores de cabeça e as pernas inchadas. A doença trouxe inúmeros obstáculos, um deles foi o financeiro. Ele se afastou do trabalho e passou a receber auxílio-benefício, até aposentar-se por invalidez no ano passado. Atualmente, o eletricista faz hemodiálise três vezes por semana, no horário da noite no Hospital Márcio Cunha e foi lá que conheceu os voluntários da Apirva. Alex conta como foi sua aproximação com a Apirva: “Os voluntários começaram a conversar comigo, perguntaram se precisávamos de ajuda, explicaram o que faziam. Então, fizeram um cadastro e passaram a me dar assistência, dentro do possível, eles mandavam cesta básica, me davam roupas e remédios, sempre estavam presentes”. Ele e Gilvane aprenderam pintura em panos de pratos com os voluntários da instituição. Enquanto Alex faz a diálise, ele utiliza o braço livre para pintar, e o resultado é surpreendente. Eles guardam os panos pintados com muito carinho, são lembranças dos momentos difíceis, que passam, como uma recompensa por terem vencido mais um dia. Para Alex, seria mais prático se tivesse um ambiente dentro do hospital para o acompanhante, para facilitar o trabalho da Apirva, principalmente, para atender os acompanhantes que vêm com os pacientes à noite para hemodiálise. Atualmente, o acompanhante não pode entrar na área de diálise, deve esperar na ante-sala enquanto o paciente faz o tratamento que pode levar várias horas. Durante o tratamento o paciente fica debilitado psicologicamente. A ansiedade provocada pela espera de um órgão para transplante e a insegurança devido ao processo pode levar os pacientes a um quadro depressivo. Por isso, o apoio familiar é extremamente importante. A gratidão de Alex para com sua esposa é sempre ressaltada em suas falas, “ela é para mim, uma mãe, uma esposa, uma acompanhante, eu sem ela já teria ido embora”. O acompanhante e a família, em muitos casos, também ficam emocionalmente comprometidos, pois não sabem lidar com a doença. Para isso, a Apirva conta também com a assistência da psicóloga, e voluntária, Simone Cristine Rocha, que auxilia aos acompanhantes e pacientes. O papel da Apirva não se restringe às doações materiais, mas também à doação de informação, carinho, tempo, compreensão e foram cruciais para Alex enfrentar este período conturbado de sua vida, “Eles tratam a gente com muito carinho, a Apirva foi uma coisa muito boa que aconteceu” finaliza Alex.

Voluntário é a pessoa que dedica seu tempo desenvolvendo diversas atividades sociais em benefício da comunidade sem nenhuma contrapartida. Ele é um agente transformador que doa seu tempo e conhecimento em um Equipe de voluntários que trabalho impulsionado fundou a APIRVA pela solidariedade. O trabalhador voluntário sabe que seu ato de ajudar afetará a vida de diversas pessoas e, como em uma corrente, levará outras pessoas a desenvolver serviços no campo do voluntariado em outras localidades. A Apirva tem no trabalho voluntário sua sustentação. Praticamente, 100% das pessoas que trabalham na Apirva são voluntárias, são aproximadamente 15 pessoas fazendo diversas atividades. Lenice Teixeira Quaresma é uma dessas pessoas que doam parte do seu tempo para fazer o bem ao próximo, ela é voluntária na Apirva há um ano. É casada com o empresário Ademir Quaresma e tem 3 filhas. Depois que suas filhas cresceram, ela sentiu necessidade de fazer algo que contribuísse com os que necessitam de amparo. Já fazia doações a diversas entidades e tinha bastante tempo disponível. Lenice e o marido foram em uma festa realizada pela Apirva, no bairro Bela Vista, e ficaram muito entusiasmados com o trabalho dos voluntários. Em 2009, o casal começou a trabalhar na Apirva. Lenice ensinando pintura em panos de pratos e Ademir prestando serviços na área de Relações Públicas, “isso é viciante, você começa e não para mais” afirma Lenice. A Apirva atende cerca de 230 pessoas. Os pacientes com insuficiência renal ficam, em média, quatro horas na hemodiálise e seus acompanhantes ficam esperando sem ter o que fazer. Os voluntários ensinam artesanato, pintura em pano de pratos, trabalhos com pedrarias e confecção de peças em E.V.A. aos pacientes e seus respectivos acompanhantes. Na maioria das vezes, eles necessitam apenas de alguém para conversar. Lenice diz que a dificuldade maior é fazer a pessoa conhecer o trabalho, e ela aconselha as pessoas que têm disponibilidade e vontade de se dedicar ao voluntariado. “A pessoa tem que experimentar pelo menos uma vez para ver como é o trabalho voluntário, porque quem vem, gosta e fica, mas o problema é a pessoa vir”. Para atrair novos voluntários, Lenice acredita que o diálogo é a melhor ferramenta, afinal, foi assim que ela se tornou membro da Apirva, por meio de conversas com sua vizinha, Selma Magalhães Barbosa Oliveira, presidente da Apirva. A voluntária ainda ressalta que prestigiar os eventos promovidos pela associação é uma outra forma de contribuir com a causa. Segundo pesquisa divulgada na Feira e Congresso Internacional ONG Brasil, em 2009, 7% dos brasileiros trabalham como voluntários. Já nos EUA, o número é bem maior, 62% dos americanos são voluntários. Em relação ao setor, 57% voluntários atuam em instituições religiosas, 17% em instituições de assistência social, 14% nas áreas de saúde e educação e 8% trabalham em instituições de defesa dos direitos e ações comunitárias. Segundo a mesma pesquisa, 54% dos jovens brasileiros desejam ser voluntários, mas não sabem como começar.

Alex e a esposa mostram trabalhos


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Alimentação em primeiro lugar Por: Eliana Silva Leite e Geraldo Valente

parte importante do plano de tratamento e pode se alterar com o tempo, dependendo do nível de função renal. Em geral, é importante diminuir a ingestão de produtos de origem animal, como carne, leite, produtos lácteos e ovos, pela dificuldade que o rim tem de eliminar os produtos do metabolismo destes alimentos. Sobre a ingestão de líquidos, tem que ser limitado por causa da pouca capacidade de filtração dos rins. Por isso, deve-se diminuir o consumo do sal e açúcar, uma vez que causam sede e levam o paciente a procurar mais água. Apenas o médico poderá informar quando o paciente deve limitar os líquidos e a quantidade adequada diariamente. A Nutricionista Franciane Teles ressalta que o potássio é um mineral importante para o funcionamento das células, o excesso ou a falta de potássio no sangue pode ser perigoso. Ele é fundamental para o funcionamento dos músculos de todo o corpo, inclusive os músculos do coração, também contribui para o bom funcionamento das células nervosas. Os rins são os órgãos que eliminam o excesso deste elemento. Assim, na insuficiência renal, o excesso de potássio não pode ser eliminado e pode trazer complicações muito sérias na atividade muscular, como fraqueza ou cãibras. O risco é ainda maior para o coração, que pode ter suas contrações enfraquecidas ou até totalmente paralisadas causando uma parada cardíaca. Sendo assim, a restrição da ingestão de alimentos ricos em potássio é muito importante. Fique atento para os principais alimentos que possuem grande quantidade de potássio: nozes, amêndoas, ameixa, avelã, abóbora, uva passas, damasco, soja, chocolate, farelo de trigo, molho de tomate, banana, laranja e feijão. Vale lembrar que o cuidado nutricional deve ser feito por meio de uma alimentação equilibrada, individualizada e as restrições dietéticas irão depender da capacidade de filtração restante do rim. Portanto, é importante que procure seu médico e pratique um plano alimentar personalizado. Preparado por um nutricionista. Este é o profissional que pode lhe acompanhar dando orientações apropriadas, pois Uma boa alimentação é sinônimo de vida cada pessoa tem necessidades diferenciadas de alimentos e saudável. Uma pessoa bem nutrida resiste melhor às infecções, às complementos alimentares. A nutricionista ressalta que “uma cirurgias e ao próprio tratamento dialítico. Portanto, você que faz diálise, alimentação saudável e personalizada é fundamental para a seja ela peritoneal ou qualidade de vida do portador da Insuficiência Renal”. hemodiálise, deve cuidar da sua alimentação e do seu estado nutricional, pois esta é uma tarefa muito importante. - Use sempre copos pequenos Um bom estado nutricional significa estar - Evite refrigerante ou outras bebidas ricas em açúcar com o peso ideal para a - Se houver sede, molhe a boca, mas sem beber a água sua idade e altura, significa cuidar bem dos dentes, da - Chupe pequenas pedras de gelo para aliviar a sede pele e dos cabelos. Tudo - Calcule o líquido permitido em 24h e coloque-o em uma isso está relacionado, a comer alimentos certos, única garrafa. Beba esse volume ao longo do dia nas quantidades certas e - Procure fazer seis ou sete pequenas refeições ao dia com intervalos de tempo regular. A dieta é uma - Prefira produtos com menor teor de sódio (sal)

SE LIGUE NAS DICAS:

- Utilize temperos naturais. São mais saborosos - Faça o remolho por algumas horas do feijão e legumes


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