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17 Nov 2010 Pedro Fonseca 100713003 Sociologia

Faculdade de Letras da Universidade do Porto Licenciatura em Sociologia Disciplina de Economia

F U N C IO N A M E N T O D O M E R C A D O

Q U E DA N AS RE SE RVAS DE CRU DE Consequências nas condições do respectivo mercado tendo em conta a alteração ocorrida. As perdas e ganhos das partes envolvidas.

Actividade de Orientação Tutorial 3

economia

novembro 2010


Introdução A elaboração deste documento baseia-se numa notícia datada de 14 de Outubro de 2010, avançada pelo Jornal de Negócios no seu sítio da internet, que dá conta do “reforçar da tendência de subida” do preço do barril de crude, “animada pela queda das reservas [de crude] (...) nos EUA” (retirado da notícia). Desde o momento em que o mercado dos combustíveis foi liberalizado no nosso país, deixando para as empresas distribuidoras a responsabilidade de fixar os preços do produto comercializado, temos ouvido recorrentemente na comunicação social notícias sobre a variação do preço dos combustíveis e experimentado individualmente os efeitos dessa mesma variação. A questão que proponho abordar neste trabalho tem, teoricamente, uma implicação directa na realidade exposta atrás. Assim, constitui um exemplo facilmente compreensível e bastante claro da forma como funciona o mercado no seu conceito mais geral mas também mais concretamente o mercado do crude.

Definição do mercado a analisar Na seguinte tabela (Figura 1) está esquematizada a definição do mercado a analisar. Definição Mercado Bem transaccionado

mercado internacional dos combustíveis fósseis - petróleo (crude) barril de petróleo (unidade)

Lado da Oferta

empresas exportadoras/vendedoras de petróleo

Lado da Procura

empresas importadoras/compradoras de petróleo

Figura 1 - Mercado a analisar (tabela).

Houve neste dado período uma valorização do barril de petróleo em 0,89% cujo preço ficou fixado então nos 85 dólares por barril. Este assunto é explanado no ponto seguinte com mais pormenor.

Nota 1: Importa referir que o crude de referência para ao Europa é denominado “Brent do Mar do Norte”. Subentende-se então que quando se lê “barril de petróleo” a referência remete para o Brent do Mar do Norte e consequentemente o preço por este benchmark fixado.

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A situação do mercado Conforme pode ser lido na notícia em que se baseia este trabalho (Anexo 1), os stocks de petróleo haviam sofrido na semana que terminara a 8 de Outubro do presente ano, uma queda muito considerável na ordem dos 416 mil barris (dados do Departamento norte-americano da Energia). Para o mesmo período, 18 analistas inquiridos pela Bloomerang tinham previsto um aumento médio de 1,5 milhões de barris. Tal não aconteceu e no final da referida semana havia então um inventário com o total de 360,5 milhões de barris, número inferior ao esperado. Consequentemente, observouse uma valorização do Brent do Mar do Norte em Londres na ordem do 0,89% o que se traduziu num aumento do preço do petróleo para 85 dólares por barril.

Análise da situação de mercado tendo em conta a relação entre oferta, procura e preço praticado - gráfico Nesta situação vemos que a diminuição da quantidade de barris disponível para vender, resultante de uma inesperada redução das quantidades em stock, traduz-se, para efeitos da análise que se pretende fazer, numa diminuição quantitativa no lado da oferta deste mercado. Nesta situação, não havendo modificações nos critérios determinantes da procura individual (preferências, rendimento, expectativas, preços dos outros bens), era de esperar que houvesse uma subida do preço - como aliás é relatado pela notícia. Isto acontece pois para que a os agentes económicos que se encontram do lado da oferta mantenham os mesmo níveis de lucro têm que inflacionar o preço do bem comercializado. Esta modificação das condições de mercado verifica uma variação no lado da oferta não promovida por qualquer alteração no lado da procura. Assim, a mutação da situação no mercado traduz-se graficamente por uma nova curva da oferta e uma deslocação ao longo da curva da procura (conforme Figura 2). Tendo em conta o enunciado da Lei da Procura, poderia inferir-se que com o aumento do preço do barril de petróleo, a quantidade procurada desse mesmo bem iria diminuir - o que graficamente se traduziria num deslocação para a esquerda ao longo da curva da procura. No entanto, devido à especificidade deste mercado, isso não acontece conforme esperado. Poderá haver uma diminuição da quantidade procura, mas nunca numa taxa significativa. É então necessário introduzir nesta análise um novo conceito, o conceito de Elasticidade. A elasticidade da procura mede a sensibilidade da variação da quantidade procurada face a uma variação no preço, mantendo-se tudo o mais constante. Ora, neste caso em concreto, a variação da quantidade procurada não vai ser muito acentuada uma vez que o petróleo é um bem necessário e indispensável para a realização das mais básicas tarefas do dia-a-dia de um país, empresa ou pessoa. Ou seja, este é um mercado onde a procura é pouco elástica ou rígida. Ainda que possam ser feitos alguns cortes no consumo, por exemplo, de gasolina, há sempre um determinado nível mínimo de consumo que não é passível de ser reduzido. Assim, ainda que haja alguma diminuição da procura, essas variações não têm repercussões ao nível dos mercados internacionais. É ainda descartável a possibilidade de o aumento do preço deste produto se traduzir numa migração dos compradores para a aquisição de bens substitutos.

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Representação gráfica P

Sf ef

pf

Si ei

pi

Legenda (figura 2): P - preço do bem Q - quantidade procurada D - curva da procura S - curva da oferta

D qf

qi

Q

Figura 2 - Representação gráfica das curvas da oferta e da procura. Nota 2: Na Figura 2 está graficamente representada a alteração que ocorreu no mercado em questão neste trabalho. É então de notar que o momento anterior à diminuição dos stocks de barris de petróleo é traduzido pela curva da oferta Si e pela curva da procura D, sendo ei o ponto de equilíbrio nesse estado do mercado. Após a redução dos stocks, a alteração das condições do mercado implica a produção de uma nova curva da oferta que é então Sf — diminuição da oferta. Vemos que esta alteração produz um novo ponto de equilíbrio do mercado ef — intersecção de Sf com D — que tem também um novo preço associado pf. Importa ainda focar três aspectos importantes patentes no gráfico: • pf > pi - aumento do preço do bem; • ∆P >> ∆Q - traduz a pouca elasticidade da procura neste mercado específico; • a diferença entre os declives das recatas S e D resulta do diferente grau de elasticidade da oferta e da procura neste mercado.

Conclusão - ganhos e perdas para as partes envolvidas Em suma, a subida do preço do barril de petróleo não prejudicou os agentes económicos do lado da oferta. Naturalmente, num novo contexto pontual de maior escassez do produto, o preço sofreu uma inflação equilibrando o mercado em novas condições, quer no lado da oferta quer no lado da procura, ainda que em proporções distintas para cada um dos lados. Já para os agentes económicos que se enquadram como possíveis compradores deste bem, as novas condições de mercado são penalizadoras: ver-se-ão obrigados a adquirir uma quantidade idêntica do produto mas, desta feita, a um preço superior. Finalmente, resta referir que as alterações nas condições deste mercado são muito frequentes e que por isso, toda esta dinâmica de variações nos preços e de valorização dos produtos petrolíferos em diferentes mercados internacionais está já bem assimilada na estrutura dos agentes económicos envolvidos.

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Anexos Anexo 1 — Texto da notícia avançada no sítio na internet do Jornal de Negócios a 14 de Outubro de 2010.

Queda das reservas de crude reforça subida das cotações O crude está a intensificar os ganhos, com o Brent de novo no patamar dos 85 dólares por barril, devido à queda dos inventários de crude na semana terminada a 8 de Outubro, quando se esperava um aumento. O contrato de Novembro do West Texas Intermediate (WTI), “benchmark” para os Estados Unidos, segue a ganhar 0,98% no mercado de Nova Iorque, para 83,82 dólares por barril. Por seu lado, o Brent do Mar do Norte, crude de referência para a Europa, valoriza 0,89% em Londres, para 85 dólares por barril. De acordo com a informação divulgada hoje pelo Departamento norte-americano da Energia (DoE), os “stocks” de crude desceram em 416 mil barris na semana terminada a 8 de Outubro, para um total de 360,5 milhões, quando os 18 analistas inquiridos pela Bloomberg apontavam para um aumento médio de 1,5 milhões de barris. Os inventários de gasolina, por seu lado, caíram em 1,769 milhões de barris no mesmo período, quando a previsão era de uma queda de 1,5 milhões de barris. Quanto aos “stocks” de produtos destilados – que incluem gasóleo e combustível para aquecimento – registaram um decréscimo de 255 mil barris, contra a projecção de uma redução de 1,15 milhões de barris. Queda do dólar contribui para movimento altista do crude O chamado “ouro negro” está também a ganhar terreno devido à forte desvalorização da nota verde face ao euro. Quando a moeda norte-americana cai, as matérias-primas denominadas em dólares ficam mais atractivas como investimento alternativo. A nota verde segue a perder 0,89% face à moeda única, fixando-se nos 1,4085 dólares por euro. Entretanto, as cotações do petróleo estão também a ser animadas pelas declarações dos representantes da Venezuela e da Líbia na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Estes membros defenderam um nível de preços nos 100 dólares por barril, dizendo que esse patamar compensará os produtores pela queda do dólar, sem que isso faça descarrilar a retoma económica global. Recorde-se que a OPEP decidiu hoje manter inalterado o seu plafond de produção de 24,845 milhões de barris por dia que vigora desde o final de 2008. (citação integral da notícia publicada em http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=448511)

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Queda nas reservas de crude