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1ª série

ensino médio

Língua Portuguesa


Língua Portuguesa/ 1a Série

ADMISSÃO2009

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS COLÉGIO DE APLICAÇÃO

CONCURSO DE ADMISSÃO À PRIMEIRA SÉRIE DO ENSINO MÉDIO - 2009

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

INSTRUÇÕES: 1. Confira o número de textos (4), de questões (10) e de páginas (12) de sua prova. 2. Registre nas folhas de resposta seu número de inscrição no local solicitado, não escrevendo seu nome na prova, de modo algum. 3. Faça letra legível: o que não for entendido não será considerado. 4. Use caneta azul ou preta. 5. Não é permitido o uso de fita ou líquido corretivo. 6. Responda às questões sempre com suas próprias palavras, a menos que seja solicitada alguma transcrição do texto. 7. Não exceda o limite de linhas traçadas para cada questão. 8. Procure reler a prova antes de entregá-la.

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TEXTO 1 Durante muitos anos, no século passado, a frase era a mais repetida lá em casa: aproveite que está de pé e aumente o som. Ninguém se arriscava a se levantar. Nem para beber água, nem para ir ao banheiro. Sempre dava para agüentar mais um pouquinho, ver se alguém desistia primeiro e, em vez de ouvi-la, falar a frase ou uma de suas variações: — Aproveite que está de pé e melhore o contraste. Quem está chegando agora não pode imaginar o que era o mundo sem controle remoto. Um aparelho de televisão tinha, no mínimo, seis botões. O primeiro era para ligar e desligar (e aumentar e diminuir o som). E era botão mesmo e não uma tecla de apertar ou soltar. Um botão que se virava para a direita e, ao ouvir-se o clique, sabia-se que a TV estava ligada. (Para desligá-la, fazia-se o caminho contrário.) Ligar a TV não significava que se passava imediatamente a assistir a um programa. Tinha que esperar o aparelho pegar no tranco. Ou esquentar o tubo. Aí, sim, aparecia a imagem. O que ainda não significava um programa no ar. Quem reclama dos intervalos das emissoras de TV a cabo de hoje não faz idéia do que era um intervalo comercial na televisão a certa altura do século passado. Às vezes, entre dois programas de meia hora, aturavam-se 40 minutos de anúncios. Lembro-me especialmente do “Teatro de Comédias da Imperatriz das Sedas”, atração de sábado à noite na TV Tupi. O patrocinador, como o próprio nome indica, era uma loja de tecidos. O programa apresentava comédias teatrais em três atos. Entre um ato e outro, exibiam-se os anúncios que demoravam o tempo exato para mudanças de cenário e trocas de figurinos. Quando estas mudanças eram complexas, dava tempo de o espectador conhecer toda a linha de tecidos da loja, pelo menos duas vezes. Era comum a gente se distrair e até se esquecer de que peça estava em cartaz. Você, acostumado com a era moderna da televisão, deve estar se perguntando: “Mas por que não mudavam de canal no intervalo?” É aí que entra aquela frase do início deste texto. Alguém tinha que se levantar para o resto da casa explodir em coro das suas poltronas: — Aproveita que está de pé e muda de canal. Mas ninguém entregava os pontos. Até porque mudar de canal não significava, por exemplo, passar por todos os filmes da coleção de Telecines. Mudar de canal era girar o seletor (um dos botões era o seletor de canais) do 6 ao 13 e ver o que estava passando na TV Rio. Geralmente, era a mesma coisa. Ou seja, anúncios. A programação era assim: se a Tupi fazia sucesso com “Rin-Tin-Tin”, a Rio contra-atacava de “Lassie”. Se o 13 exibia “Ivanhoé”, o 6 rebatia com “Guilherme Tell”. “Este Norte é de morte” era a atração de uma emissora; “Eta Nordeste da peste” tentava segurar a audiência na concorrente. Bem, tinha também o canal 9, a TV Continental. Mas ninguém assistia ao canal 9. Mudar de canal era balançar entre o 6 e o 13. E, assim, íamos vivendo em paz. Falei de dois botões. Faltam quatro, né? Bem, dois eram meio inúteis: o de brilho e o de contraste. Não valia a pena abandonar a poltrona para tentar regular estas questões na imagem. Se a imagem estivesse ruim, com fantasmas, por exemplo (era muito comum “dar” fantasma na imagem), o jeito era mexer na antena. — Aproveite que está de pé e dê uma mexida na antena. Esta era a tarefa mais difícil. Geralmente, necessitava de duas pessoas. Uma ficava em pé, atrás do aparelho, mexendo nas antenas para baixo, para cima, para os lados, enquanto o outro, sentado na poltrona, ia dando as dicas:

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Melhorou. Piorou. Mais pra direita. Volta um pouquinho. Só um pouquinho! Os dois botões que sobraram eram os mais complexos: vertical e horizontal. Às vezes, sem mais nem menos, a imagem começava a rodar, como se fosse um carrossel. Era tão sensível o ponto exato em que o botão do vertical fixava a imagem que, dependendo da situação, valia a pena continuar sentado e tentar assistir assim mesmo. Com o Falcão Negro ou os Patrulheiros Toddy dando a impressão de que estavam com a doença de São Guido. Não paravam quietos. Mas o defeito no horizontal era impossível de ser ignorado. A tela era coberta por riscas que não deixavam o espectador ver nada do que estava sendo exibido. Aí, não tinha jeito: era preciso se levantar e ajustar o botão. Acho que isso tem um pouco a ver com a geração de gordos criada a partir do final do século passado. Ela apareceu, principalmente, nos Estados Unidos. Há quem atribua sua existência à dieta baseada em gorduras, característica daquelas bandas. Não sei, não. Acho que tem muito a ver com a família inteira sentada diante de um aparelho de TV comandando um controle remoto. No meu tempo, não tinha isso, não. Ver televisão queimava tantas calorias quanto uma sessão de academia. Não dava para ficar sentado 15 minutos seguidos. Se bem que, hoje, lá em casa, a situação não mudou muito, não: — Aproveite que está de pé e procure o controle remoto. (XEXÉO, Artur. Aproveite para mudar o canal. O Globo. Segundo Caderno, 14 de dezembro de 2003, p. 8.)

TEXTO 2 A Nova Novela Espetacular: Realidade e Ficção no Big Brother Brasil

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Vivemos em uma época em que o espaço público da Antigüidade, que sediava as ações do homem, foi substituído pelo espaço virtual da televisão. Se antes a intimidade era um valor a ser preservado, na sociedade do espetáculo, expor a intimidade e ter a imagem divulgada passaram a ser os grandes valores almejados em um reino de aparências. Exibirse passou a ser sinônimo de existir. Os reality shows surgem como um produto sob medida para viabilizar os anseios do homem e retirá-lo do anonimato em que vive na sociedade massificada. Ao fazerem isso, sob a idéia de um programa que transmite a realidade da vida de pessoas comuns 24 horas por dia, não ficam imunes à contaminação da sociedade do espetáculo, em cujo contexto se desenvolvem. No espetáculo, onde as engrenagens da indústria cultural estão sempre em movimento, a realidade é uma ficção e a ficção uma realidade. Assim, o propalado show de realidade transforma-se na telenovela do banal. A estrutura da narrativa ficcional da novela é a mesma a impulsionar os capítulos de Big Brother Brasil. O reality show também faz surgir tramas, intrigas, romances e resolve-se no happy end da narrativa de realização, própria dos produtos ficcionais. A mistura de elementos reais e imaginários já não nos causa estranheza. Aceitamos o programa como se ele de fato fosse o espaço onde a realidade se mostra. Surge então a dúvida. Se a tela da televisão é uma superfície de absorção de nossa realidade, e se nossa realidade está tão contaminada pela ficção, talvez os personagens de Big Brother Brasil estejam mesmo sendo reais em seu desempenho fictício. (Fernando Albuquerque Miranda — XII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação da Região Sudeste – Juiz de Fora – MG)

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TEXTO 3 Meditação transcendental Para meditar, o homus modernus ocidentalis cruza as pernas deixa as costas eretas os braços relaxados concentra a atenção num ponto e assim imóvel em pensamento e ação liga a televisão. (Ulisses Tavares) TEXTO 4

QUESTÃO 1 Freqüentemente, jornalistas recorrem à linguagem coloquial para escrever seus textos. Utilizando o registro formal da língua, reescreva as sentenças, substituindo as expressões destacadas abaixo por outras, sem alterar o sentido original: a)“Tinha que esperar o aparelho pegar no tranco” (Texto 1, linhas 11 e 12) ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 4


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b)”Mas ninguém entregava os pontos.” (Texto 1, linha 27) ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________

QUESTÃO 2 Explique com suas palavras a seguinte frase, de acordo com o contexto em que está inserida: “Ver televisão queimava tantas calorias quanto uma sessão de academia.” (Texto 1, linhas 57 e 58) ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ QUESTÃO 3 O 5º parágrafo do texto 1 traz a principal estratégia usada pelas emissoras para driblar a concorrência. Explique como as emissoras tentavam garantir a audência. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________

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QUESTÃO 4 Em alguns momentos do texto 1, observa-se que o enunciador trava um diálogo com o leitor. Transcreva uma passagem do texto que comprove esta interlocução.

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QUESTÃO 5 Observe a passagem abaixo: Um aparelho de televisão tinha, no mínimo, seis botões. O primeiro era para ligar e desligar (e aumentar e diminuir o som). E era botão mesmo e não uma tecla de apertar ou soltar. Um botão que se virava para a direita e, ao ouvir-se o clique, sabiase que a TV estava ligada. (Texto 1, linhas 7 a 10) A que outro texto desta prova podemos relacionar a passagem acima destacada? Por quê? ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________

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QUESTÃO 6 Em que sentido o enunciador do texto 2 aproxima o Big Brother das narrativas de ficção, como as novelas? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________

QUESTÃO 7 Releia a passagem abaixo: No espetáculo, onde as engrenagens da indústria cultural estão sempre em movimento, a realidade é uma ficção e a ficção uma realidade. Assim, o propalado show de realidade transforma-se na telenovela do banal. (Texto 2, linhas 9 a 11) Relacione esta passagem ao último quadrinho do texto 4, explicando a semelhança de pontos de vista existente entre elas. _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________

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QUESTÃO 8 O texto 2 trata do extremo valor que se dá à exposição da imagem na chamada “sociedade do espetáculo”. Retire do texto um período que resuma essa idéia. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ QUESTÃO 9 Por que foi empregada a expressão em latim “homus modernus ocidentalis”, no texto 3? ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________

QUESTÃO 10 Comparando a postura física em que se encontra o personagem do texto 4 diante da televisão à descrição feita no texto 3, apresente uma semelhança e uma diferença em relação à atitude do telespectador. ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ 8


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