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Março/13 • Ano III • nº18 Publicação mensal www.revistaecoenergia.com.br

Foto: Carlos Barria - Reuters

O mercado promissor da energia elétrica O momento é de adaptação das empresas

Perspectivas para exportações de etanol para 2013 Estima-se o crescimento de mais de 1 bilhão de litros


Sumário

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Entrevista

O mercado promissor da energia elétrica.

Inovação

Hydro Z apresenta novidades na Feicon Batimat 2013.

Mercado

Perspectivas para exportações de etanol para 2013.

Etanol

A necessidade de um marco regulatório brasileiro para o etanol.

Indicadores

Safra 2013/2014 promete!


Seguimos com a nossa 18ª edição, veja o que elaboramos para você:

Desenvolvido por Follower P&C www.follower.com.br

Editorial

Prezados Leitores da Revista Ecoenergia:

Publicado por Ecoflex Trading www.ecoflextrading.com

A entrevista do Coordenador e professor Fabio Coelho e Diogo Mac Cord de Faria, do MBA, do setor Elétrico da Strong/FGV, sobre a Importância da especialização dos profissionais do setor elétrico e quanto a mudanças impostas pelo Governo Federal que valorizam especialistas com capacidade de gestão estratégica com foco regulatório. Nossa parceira Hrydro Z participará do evento do setor de construção civil da América Latina- Feicon Batimat 2013, que será realizado nos dias 12 a 16 de março. A empresa também irá lançar, durante o evento, duas importantes novidades em suas linhas de produtos, as quais vão facilitar o tratamento de água após sua utilização. As Perspectivas para Exportações de Etanol para 2013, a partir do enfoque de Guilherme Nastari, mestre em agroenergia e diretor da DATAGRO, setor cujas perspectivas são de crescimento de mais de 1 bilhão de litros, dirigido basicamente para o mercado norte-americano. O Novo Marco Regulatório do Setor Sucroalcooleiro ─ é outro tema abordado, pois, para compreender a necessidade do novo marco regulatório, deve-se analisar o planejamento energético do etanol combustível até 2030, avaliar as mudanças essenciais para o desenvolvimento do setor. Assim, leia e se inteire a respeito do planejamento energético do etanol até 2030. Boa leitura a todos!

Conselho Editorial Antonio Carlos Moésia de Carvalho Carlos Soares Marcelo Andrade Diretor Comercial Antonio Carlos Moésia de Carvalho Jornalista Responsável Daniel Costa MTB: 53984 Diretor de Criação Carlos Soares Capa Carlos Soares Redação Daniel Costa MTB: 53984 Revisão Ateliê do Texto Design Gráfico Nathália Soares Layout e Editoração Follower P&C Publicidade Antonio Carlos Moésia de Carvalho (55 21)2224-0625 R 22/(55 21)3545-2678 comercial@revistaecoenergia.com.br comercial2@revistaecoenergia.com.br Visite-nos

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Entrevista

O mercado promissor da energia elétrica

Prof. FABIANO COELHO Coordenador do MBA do Setor Elétrico da STRONG/FGV

por Revista Eletrônica Direito E-nergia

Mudanças impostas pelo Governo Federal valorizam especialistas com capacidade de gestão estratégica com foco regulatório Os consumidores residenciais e os de alta tensão pagarão este mês menos 18% e 32%, respectivamente, pela conta de energia elétrica. O benefício é resultante da Lei 12.783/2013, que promoveu a renovação das concessões de transmissão e geração de energia que venciam até 2017, e das medidas provisórias 591/2012 e 605/2013. As geradoras e transmissoras terão um grande desafio pela frente: adequar-se a uma nova realidade de Revisão Tarifária, uma vez que as receitas serão reajustadas a cada cinco anos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O momento é de adaptação das empresas e qualificação de profissionais da área, indicam o consultor, Diogo Mac Cord de Faria, e Fabiano Coelho, coordenador acadêmico do MBA do Setor Elétrico, da Fundação

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DIOGO MAC CORD DE FARIA Consultor

Getulio Vargas, curso que estreia este semestre na conveniada STRONG. “Os especialistas na área precisarão, obrigatoriamente, entender o contexto técnico, regulatório e financeiro de toda e qualquer decisão tomada pelas empresas. Não existe mais estratégia sem o pensamento regulatório. Se eles precisavam andar juntos, agora, devem virar uma coisa só”, garante Diogo. Na entrevista abaixo os especialistas analisam o setor, o perfil do futuro profissional e sugere quais conhecimentos serão imprescindíveis para o sucesso na carreira e das empresas.

Revista Ecoenergia: A partir dessa decisão do Governo Federal, como as empresas terão de se reorganizar? Diogo Mac Cord de Faria: As alterações propostas pela antiga MP 579, atual lei 12783, terão um enorme impacto em todas as concessionárias. As geradoras e transmissoras terão um grande desafio, o de se


adequar a uma nova realidade de revisão tarifária, onde as receitas serão reajustadas pela ANEEL a cada cinco anos. As distribuidoras acabaram de passar por uma revisão tarifária extraordinária para reconhecer os novos custos da Parcela A, e assumirão, a partir de agora, o risco hidrológico que deverá ser componente tarifário, podendo onerar o consumidor final.

Revista Ecoenergia: Haverá mudanças no quadro funcional, como contratação de especialistas? Diogo: O reconhecimento contábil destas transações, aliado ao novo conceito de gestão de ativos que elas precisarão vivenciar, principalmente, no que se relaciona às decisões de investimento e manutenção, requer profissionais altamente especializados e que obrigatoriamente precisarão entender, a partir de agora, o contexto técnico, regulatório e financeiro de toda e qualquer decisão tomada pelas empresas. Não existe mais estratégia sem o pensamento regulatório. Se eles já precisavam andar juntos, agora, mais do que nunca, viraram uma coisa só.

Revista Ecoenergia: Muito se tem falado sobre a carência de profissionais qualificados, em diversos setores. Isso inclui a área de energia elétrica? Diogo: O setor tem muita gente boa, mas faltam profissionais que consigam enxergar além de suas funções tradicionais. O engenheiro que não entenda como aquele transformador imobilizado será remunerado, e se será remunerado, não é completo em seu papel, pois pode tomar uma decisão incorreta na manutenção dos equipamentos. O advogado que cuida de recursos protocolados junto à ANEEL sem entender todo o arcabouço regulatório setorial tem grandes chances de ser inócuo em seu pleito. Ou seja, as decisões devem, obrigatoriamente, considerar o impacto além de suas funções, pois a ANEEL enxerga tudo como uma coisa só e as empresas devem adotar esta visão em seu dia a dia.

Revista Ecoenergia: Como você avalia a área de energia no Brasil? Podemos dizer que as regiões Sul e Sudeste são os maiores polos de trabalho?

Diogo: Estas regiões possuem grandes empresas, mas todo o Brasil está observando um movimento favorável ao setor. No Nordeste vemos grandes fazendas eólicas, no Norte surgem grandes usinas e em todo o País grandes linhas de transmissão. Ou seja, considerando que a sede da maioria das empresas com ativos no norte e no nordeste estão, sim, no eixo Sul-Sudeste, há excelentes oportunidades no Brasil. Sem dúvida o mundo inteiro quer bons profissionais. No entanto, o cenário regulatório brasileiro é bastante diferente daquele encontrado nos Estados Unidos, por exemplo. Nosso modelo se aproxima mais do inglês e francês, daí a necessidade da especialização local.

Revista Ecoenergia: Qual deve ser o perfil desse especialista para o sucesso na carreira profissional? Fabiano Coelho: O especialista interessado nesta nova realidade deve saber que, obrigatoriamente, precisará aprender, além de sua formação original, conceitos técnicos. Os contadores precisarão entender os padrões construtivos da rede; os administradores de contas contábeis; e os engenheiros conhecerem de direito regulatório. Claro que ninguém vai virar um especialista em cada uma destas áreas, ao contrário, o que se busca é a especialização setorial. E, para isso, é necessário aprender um pouco de tudo.

Revista Ecoenergia: Quais conhecimentos os especialistas levarão para as companhias? Diogo: Darão um cadenciamento coerente às atividades amarrando os diferentes departamentos das concessionárias e fazendo todos falarem a mesma língua. Como eu disse anteriormente, se um engenheiro não sabe que um transformador em fim de vida útil não é mais remunerado e insiste reparar o equipamento que já está 100% depreciado, ele terá um desembolso que jamais será reconhecido via tarifa. E pode ficar com um equipamento antiquado na rede que causará mais interrupções (com consequentes multas pelos indicadores DIC e FIC dos consumidores ligados neste transformador) e não colaborará para a renovação de sua rede. Revista Ecoenergia - Março | 5


Revista Ecoenergia: Defina claramente que profissionais a participação no MBA torna-se indispensável? Fabiano: Para quem trabalha com regulação, e altamente recomendável para todos os profissionais do setor que desejam se tornar formadores de opinião dentro de suas respectivas empresas. Sem este conhecimento, as chances de crescimento se limitam.

Revista Ecoenergia: Em que áreas o especialistas do setor elétrico podem atuar? É preciso ter experiência anterior? Diogo: Em absolutamente todas. Para ter uma ideia, as turmas do MBA do Setor Elétrico da FGV em Curitiba e Florianópolis eram compostas por prestadores de serviço e fornecedores de máquinas e equipamentos do setor elétrico. Eles estão interessados nos rumos do setor para decidir como atender as concessionárias em um novo contexto regulatório. Os concessionários e comercializadores, que representam cerca de 70% dos alunos matriculados, enviam profissionais dos mais diferentes departamentos para buscarem esta visão macro setorial. Por isso é interessante que tenham vivência no setor, pois conhecendo uma das pontas do processo, fica mais fácil amarrar o conhecimento das demais.

Revista Ecoenergia: Com o mercado tão ativo, até quanto um profissional com essa especialização

pode aumentar o salário? Diogo: Depende muito da função que este profissional já ocupa. Mas, certamente, as chances de promoção são muito maiores – um gestor que tenha esta visão “fora da caixa” colaborará para o crescimento da empresa. Vivemos uma tendência de forte consolidação e apenas as mais eficientes sobreviverão. Então, para algumas concessionárias não falamos nem em crescimento e sim em sobrevivência. Este, sem dúvida, seria um grande argumento para os profissionais que possuam esta capacidade de gestão estratégica com foco regulatório.

Revista Ecoenergia:Podemos considerar o MBA do Setor Elétrico, da FGV, como pioneiro no Brasil? Fabiano: Com esse contexto regulatório, que engloba geração, transmissão, distribuição e comercialização podemos dizer, sim, que este é um curso pioneiro no país. Isso porque houve um cuidado na seleção das disciplinas para apresentálas de uma forma seqüencial e lógica aos alunos. Por exemplo, o “Modelo Institucional do Setor Elétrico” e “Planejamento e Matriz Energética” vem antes de disciplinas como “Distribuição de Energia” ou “Transmissão de Energia”, para que o aluno primeiro entenda o contexto setorial para

Etanol, energia renovável... O mundo quer, a Ecoflex Trading tem...

Atuamos há 12 anos no mercado sucro-alcooleiro, oferecendo os seguintes serviços:

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Comercialização com os principais Agentes do Mercado. Representação dos Interesses Comerciais das Unidades Produtoras. Perfil de Análises Estatísticas e de Qualidade do mercado, através do Boletim Ecoflex. Projeto de Exportação, Mercado Internacional. Estruturação de Projetos Comerciais e Logísticos, através de nossa Unidade Logistica ( Ecolog ) Cotação de fretes e Coordenação Logística Rodoviária e Cabotagem.

www.ecoflextrading.com Av. das Américas, 3500 - Ed. Hong Kong 2000 - sala 501 Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 22.640-102 Tel.: (21) 3545-2650 - Fax: (21) 3545-2669

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Imagem: 1photo.com

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depois partir para as matérias específicas. Mas todas as disciplinas, até mesmo “Gestão de Pessoas para o Setor Elétrico”, foram desenhadas para que tivéssemos uma abordagem bastante direcionada aos profissionais do setor.

Revista Ecoenergia: Dê exemplos práticos do diferencial desses especialistas em uma empresa. Diogo: Um assunto que está em alta no setor é o Smart Grid ou “Redes Elétricas Inteligentes”. É a revolução técnica do setor elétrico: redes automatizadas, consumidores acompanhando on-line seus gastos, preços da energia que variam ao longo do dia e que podem possibilitar o carregamento automático de carros elétricos de madrugada, quando o preço estiver mais barato. Algo incrível. Mas quanto isso custará, e quais os retornos financeiros que esta revolução trará à tarifa? O brasileiro estará disposto a pagar por tudo isso?

Revista Ecoenergia: E qual a resposta? Diogo: Depende dos benefícios e de quanto for a conta. A concessionária fluminense Ampla, por exemplo, vivia um cenário catastrófico de furto de energia. Por meio de uma medição eletrônica avançada, conseguiu controlar suas perdas. Investiu mais de 1 bilhão de reais, o que assustou muita gente. Mas conseguiu ir à ANEEL e comprovar que, apesar do alto custo, o retorno seria tão grande que a tarifa iria, no final das contas, diminuir. E chegou essa conclusão valendo-se de profissionais altamente especializados e com conhecimento de causa. Em nosso cenário regulatório, onde o CAPEX é 100% reconhecido e onde o OPEX é dado como preço-teto e as perdas obedecem fórmulas regulatórias, é fundamental olhar a concessionária de cima, em uma visão macro. Quando a Ampla investiu, compartilhou seu ganho com os consumidores e a tarifa baixou. Ou seja, ela ganha mais e o consumidor gasta menos. Outras concessionárias, que vivem em um cenário de perdas comerciais próximas a 50%, insistem no discurso de que o problema não tem solução, e o imbróglio continua. Ou seja, para todo problema há uma solução no setor elétrico: basta conhecer bem as regras. Revista Ecoenergia - Março | 7


Inovação

Foto: Hydro Z

Hydro Z apresenta novidades na FEICON BATIMAT 2013 A Hydro Z participará este ano pela quarta vez da Feicon Batimat, o principal evento do setor de Construção Civil da América Latina, que será realizado entre os dias 12 e 16 de março, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Na edição de 2012, a empresa apresentou uma linha completa de produtos para tratamento de efluentes: o Sistema Separador de Água e Óleo, o Separador de Gordura, o Biorreator, que é um sistema onde fossa séptica e filtro anaeróbio estão dispostos em um único equipamento, e o sistema Pluvi, para aproveitamento de águas pluviais em atividades do dia a dia. No ano passado, a empresa também apresentou um novo aplicativo para dispositivos iOS (iPhone, iPod e iPad), que permite que o usuário possa conhecer os

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principais detalhes dos equipamentos Hydro Z, assistir vídeos explicativos sobre o funcionamento, instalação e manutenção dos produtos, se conectar às redes sociais da empresa, além de dimensionar os equipamentos e verificar quais componentes e tamanhos são adequados à necessidade da sua aplicação. Para o evento desse ano, a Hydro Z reservou um espaço de 150m², onde serão expostos em destaque: a Estação de Tratamento de Esgotos, também lançada durante o evento do ano passado, e a linha de equipamentos para instalações hidráulicas, que inclui: conexões, válvulas, registros, tubos e acessórios para água, gás e incêndio. A empresa também irá lançar durante o evento duas importantes novidades em suas linhas de produtos, que vão facilitar o tratamento de água após sua utilização. Confira as novi-


dades Hydro Z na Feicon Batimat 2013. Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi Estande: D30 Horário: 3a. a 6a. das 10h às 19h e sábado das 9h às 17h.

Sobre a Hydro Z®: A Hydro Z® é uma empresa do Grupo Zeppini, fundado em 1950, especializada em oferecer ao mercado soluções de alta qualidade para tratamento de efluentes e linhas hidráulicas, com presença em todo o território nacional e em mais de 80 países do mundo. A empresa oferece duas linhas de produtos: uma delas com equipamentos para tratamento de efluentes oleosos, sanitários, gordurosos, e aproveitamento de águas pluviais, e a outra com soluções em conexões, válvulas, registros, tubos e acessórios para utilização em linhas hidráulicas. Com certificação ISO 9001:2008 e um rigoroso controle interno de qualidade, garante que a melhor solução chegue aos seus consumidores. Além de equipamentos de altíssima qualidade, que atendem normas e regulamentações nos países em que a empresa atua, a Hydro Z® também disponibiliza uma equipe capacitada e constantemente treinada que oferece consultoria para implementação de suas soluções, atendimento em vendas e pós-vendas, e serviços associados.

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Mercado

Perspectivas para exportações de etanol em 2013 por Guilherme Nastari Mestre em agroenergia e diretor da DATAGRO As exportações brasileiras de etanol atingiram o nível histórico de 3,098 bilhões de litros em 2012, expressivo aumento de 57,5% sobre resultados de 2011. A receita gerada somou US$ 2,18 bilhões, ante US$ 1,49 bilhão no ano anterior. Apesar do balanço positivo, o volume exportado só pôde ser alcançado devido ao maior excedente do biocombustível, conseqüência da fraca demanda no mercado interno associada à recuperação da moagem de cana na safra 2012/13. A manutenção dos preços da gasolina na refinaria, abaixo dos praticados no mercado internacional durante 2012, retiraram competitividade do etanol nas bombas. Em resposta às políticas de controle de preços, o consumo de hidratado somou apenas 7,08 bilhões de litros entre Janeiro e Setembro de 2012, redução de 13,7% sobre igual período de 2011. Em contrapartida, a quantidade de gasolina A consumida no país totalizou 23,22 bilhões de litros no acumulado do ano, aumento de 19,9%. Desde dezembro de 2010 que o consumo de gasolina A é maior que o consumo total de etanol. Contribui também para este cenário econômico pouco favorável ao etanol no mercado interno a reduzida mistura de anidro na gasolina, vigente desde Outubro

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de 2010. Junto ao controle de preços, a menor mistura permitiu que o etanol perdesse espaço na matriz de combustíveis do ciclo Otto no país. A participação do etanol na matriz do ciclo Otto chegou a 31,7% no acumulado de Janeiro a Setembro, contra média de 37,1% em 2011 e 44,6% em 2010. É a menor participação do etanol na matriz desde 1982. No mesmo momento em que a baixa demanda interna por etanol criava um excedente exportável do biocombustível, uma severa estiagem na região Meio Oeste dos EUA entre Maio e Agosto fez quebrar a safra de milho. A seca acabou por impulsionar o preço da commodity, fato que refletiu nos preços do etanol americano e impulsionou uma forte demanda por biocombustível importado. O Brasil forneceu 84,19% do total de etanol importado pelos EUA em 2012. O reajuste de 6,6% no preço da gasolina


na refinaria e volta à mistura com 25% de anidro no início de 2013 aumentam consideravelmente a demanda interna pelo biocombustível, mas não devem prejudicar o crescimento nas exportações. A safra 2012/13 pode ser considerada um período de recuperação na moagem de cana, com total estimado pela DATAGRO em 535,7 milhões de toneladas, um crescimento de 8,6% em comparação ao ciclo anterior. Para a temporada 2013/14, as estimativas são otimistas, entre 580 e 590 milhões de toneladas de cana, garantindo boa produção de açúcar e etanol.

rigido basicamente para o mercado norte americano. Este movimento reflete a mudança ocorrida em 2011, com abertura para exportação de biocombustíveis aos EUA, inclusive com prêmio para o produto brasileiro. Há ainda que considerar a meta de utilização progressiva do etanol na matriz energética americana em 20% até 2022, um salto extremamente significativo em vista do volume de combustíveis que o país consome. A DATAGRO projeta exportações de etanol em 2013/14 em 4,1 bilhões de litros.

As perspectivas para exportação de etanol em 2013 são de crescimento de mais de 1 bilhão de litros, diRevista Ecoenergia - Março | 11


Etanol

A necessidade de um marco regulatório brasileiro para o etanol por Jéssica de Araújo Batista e Rayana Lins Alves

O NOVO MARCO REGULATÓRIO DO SETOR SUCROALCOOLEIRO Para compreender a necessidade do novo marco regulatório, primeiramente, deve-se analisar o planejamento energético do etanol combustível até 2030, pois, com as previsões do mercado (interno e externo), podem-se avaliar as mudanças essenciais para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro. Com isso, destacam-se as justificativas e os objetivos da regulamentação. O planejamento energético do etanol até 2030 Para prever o seguimento da oferta e consumo de energia e o desenvolvimento das cadeias energéticas, o Brasil elabora o planejamento de sua matriz energética, o qual ocorre através de estudos e análises das fontes não renováveis e renováveis com o fim de orientar a atuação do Estado no setor energético. Assim, os dados fornecidos pelo planejamento são essenciais para nortear, além das ações estatais, as atividades do setor sucroalcooleiro. No que concerne ao etanol combustível, um novo impulso para o mercado interno foi gerado devido a sua adição à gasolina, o consumo na frota de veículos a álcool hidratado e o aumento dos veículos flex fuel5. Em 2009, o consumo de etanol aumentou 7,1%, em relação a 2008, principalmente em razão da frota de carros flex 12

fluel. Contudo, registrou-se queda de 4,2% na produção de etanol, que se justifica pela queda expressiva das exportações devido à crise internacional (-36,6%) e pela redução de estoques do produto (MME-BNE, 2010). Conforme a figura 1 do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019 do Ministério de Minas e Energia, o consumo de álcool carburante (anidro e hidratado) irá crescer no mercado interno brasileiro entre 2010 e 2019.


Figura 1 Projeção de Álcool Carburante no Brasil

Na questão da exportação de etanol, antes do ano de 2008, havia a expectativa de que a tecnologia dos motores flex fluel se expandisse para o mercado externo, aumentando o consumo do etanol combustível. Todavia, com crise econômica do mercado internacional nos anos de 2008 e 2009, houve uma maior inclusão de medidas protecionistas nos países, causando uma restrição na comercialização internacional. Assim, em curto prazo, a quantidade de exportação do etanol diminuirá. No médio prazo, com a recuperação das economias mundiais e com novos acordos internacionais sobre mudanças climáticas, o etanol brasileiro deverá apresentar crescimento em seu volume exportado (MME-PDE, 2010). De acordo com a figura 2 do Plano Decenal de Expansão de Energia 2019, estima-se que os principais mercados internacionais do Brasil (EUA, Europa e Japão) aumentarão o volume de importação do etanol brasileiro nesta década.

Apesar da redução das exportações, espera-se que a produção e o consumo do etanol combustível aumentem até 2030. Isso porque a quantidade de veículos flex fuel continuará crescendo no mercado interno brasileiro, além de se conjurar o aumento no volume exportado de etanol no mercado internacional. Então, demonstra-se a figura 3 do Plano Nacional de Energia 2030 do Ministério de Minas e Energia, com a quantidade crescente de produção e de consumo do etanol entre as décadas de 1990 e 2030.

Figura 3 Projeção da Produção e do Consumo de Etanol (em bilhões de litros por ano)

Com toda a exposição acima, conclui-se que para garantir que o planejamento energético do etanol combustível seja efetivado até 2030, é necessário um conjunto de normas específicas para orientar o mercado e, principalmente, o Estado no setor sucroalcooleiro. Portanto, se faz essencial discorrer sobre os objetivos do novo marco regulatório. A regulamentação do etanol combustível Para assegurar o desenvolvimento do etanol conforme o planejamento energético nacional é necessário a regulamentação dessa matriz. Neste caso, a segurança jurídica causaria estabilidade ao novo marco regulatório e, conseqüentemente, iria atrair investimentos para a expansão do setor sucroalcooleiro

Figura 2 Projeção Total das Exportações Brasileiras de Etanol

Com as políticas e metas energéticas de longo prazo, o etanol não seria submetido às várias decisões divergentes dos agentes políticos, que geram insegurança política, mas sim ao direcionamento de uma legislação específica. Revista Ecoenergia - Março | 13


Ademais, a regulamentação também amenizaria os impactos da descoberta das novas reservas de petróleo e gás natural do pré-sal, principalmente em relação ao incentivo crescente de investimentos para o etanol combustível. O risco não pode ser subestimado: com a maior oferta de petróleo poderia haver deslocamento da demanda por etanol (UNICA, 2009). Destaca-se que, de acordo com Liliam Yoshikawa e Hilton Junior (2010), há a divulgação que, neste ano de 2010, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis entregaria a proposta de um marco regulatório para o setor de biocombustíveis, incluindo o etanol, para o Ministério de Minas e Energia, com a finalidade de se ater na questão do etanol e propor determinações que venham a favorecer o setor de maneira geral. Apesar de ainda não ter sido submetida, essa proposta demonstra a preocupação do Governo em estabelecer a legislação específica para expandir a matriz energética dos biocombustíveis. É essencial analisar os objetivos que o marco regulatório deve conter em suas cláusulas para o mercado sucroalcooleiro. Primeiramente, é desenvolver o papel da ANP, pois sendo a agência reguladora do álcool combustível, finalizaria com a atuação difusa dos vários Ministérios para chegar a um consenso sobre alguma demanda. Assim, com a segurança política no setor, estimulam-se os investimentos na produção e na infra-estrutura para o transporte e a estocagem de etanol. Outro ponto importante é diminuir as especificações tecnológicas que impedem o avanço da tecnologia no setor e, conseqüentemente, acabar com os entraves na produção do álcool combustível. Assim, são necessárias regras que estimulem as atividades de pesquisas e desenvolvimento nas esferas da agroindústria energética e automobilística, sendo nesta o melhoramento da tecnologia dos motores flex fluel. Mas também, tem-se que aumentar as vantagens tributárias, as quais contemplam os aspectos positivos nas áreas sociais (geração de empregos e rendas) e ambientais (a redução da emissão de gases de efeito 14 14 | Revista Ecoenergia - Março

estufa) e determinam as diferenças estruturais entre o mercado das fontes não renováveis e renováveis. Então, o favorecimento na tributação mantém o foco nos cenários ambiental e sócio-econômico da energia renovável. O novo marco regulatório também deve estipular medidas que reestruturem a comercialização do etanol no mercado interno, principalmente na questão do desenvolvimento do mercado futuro e dos contratos de longo prazo, além do estoque privado e do abastecimento no mercado doméstico. Além disso, é essencial estabelecer normas para promover a competição equilibrada no mercado e combater o abuso econômico. Portanto, a regulamentação é o caminho para o contínuo crescimento energético do etanol, pois são as normas que determinam as diretrizes constitucionais e legais para o mercado sucroalcooleiro. Assim, não é qualquer criação de marco regulatório que irá beneficiar o desenvolvimento do setor, mas sim uma legislação resultante de discussões acerca dos problemas e demandas da indústria sucroalcooleira atual e, efetivamente, vise culminar na expansão do etanol combustível nos mercados interno e externo.


2º ENCONTRO DE LOGÍSTICA DE BIOCOMBUSTÍVEIS DO RIO DE JANEIRO

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Indicadores

Safra 2013/2014 promete! por Jorge Prado - Ecoflex Trading As notícias iniciais para a safra 2013/14 são positivas, levando em consideração a renovação dos canaviais em torno de 20% (segundo Consultorias especializadas), condições climáticas mais favoráveis, e conseqüentemente possibilidade de antecipação da moagem, entre 20 e 30 dias antes do previsto. Espera-se que a produção para esta safra gire entre 580 e 600 milhões de toneladas de cana, uma retomada importante para a garantia do abastecimento, levando-se em consideração que o Governo Federal autorizou o retorno aos antigos 25% de etanol anidro a serem misturados à gasolina, a partir de Maio. Os preços do etanol hidratado vêm se recuperando desde o fim de 2012 para o Produtor, e ganhou mais força após a liberação no aumento da gasolina, garantindo

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Foto: turismo.al.gov.br

competitividade e aumento no consumo. Este aumento no consumo atrelado aos estoques estimados do produto para a passagem de safras vem mantendo as cotações do hidratado em alta e sem perspectivas de ceder, levando inclusive alguns produtores à transformar parte dos seus estoques de anidro em hidratado, visto que o que vai misturado à gasolina está com vendas spot retraídas, e basicamente atendendo aos contratos da Resolução 67 da ANP. Levando em consideração o gráfico de licenciamento anual de veículos, poderemos chegar a conclusão que o consumo não perderá força neste ano; a pergunta a ser respondida é com que tipo de combustível: etanol ou gasolina. O consumo de hidratado em 2012 teve uma queda de mais de 1 milhão de metros cúbicos em relação à 2011, e em contrapartida o consumo de gasolina teve um incremento de mais de 4 milhões de metros cúbicos, parte pela migração do combustível verde para o fóssil, e o restante pelo aumento da frota. Esperamos para o bem da economia, que o combustível verde possa voltar a ser mais competitivo ao longo de todo o ano de 2013, reduzindo o volume de importação de gasolina, e em nome da sustentabilidade!


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