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O empresário que comanda a Fiesp e o Ciesp personifica o padrão de qualidade do chamado “Sistema S”. Em entrevista exclusiva, ele fala de educação, economia e política

Nova lei que dá bônus a fiscais gera controvérsia entre governo e empresários

Guarulhos é uma das vozes metropolitanas do Mercosul na rede Mercocidades

Até que ponto a falta de chuvas é de fato preocupante e gera uma crise energética?

Como 47 mil guarulhenses da geração ‘nem-nem’ vão afetar seus negócios


a economia guarulhense

PAUlo mAnso editor chefe

Há aproximadamente quatro meses, nossa cidade os jovens conhecidos como a Folha Metropolitana lançava esta RE- “nem-nens” – referência ao fato de não VisTa Folha EssEncial. A edição trabalharem e não estudarem – têm conespecial em comemoração aos 453 anos tingente suficiente para lotar as arquide Guarulhos veio recheada. De conteú- bancadas do estádio do Pacaembu. do e de esperança. Segundo especialistas ouvidos por As 164 páginas deram peso – literal- nós, essa geração é uma verdadeira pemente – ao produto. O tema, sustenta- dra no sapato do desenvolvimento de bilidade, levantou acaloradas discussões qualquer sociedade, pois geram uma sobre o que nossas pessoas, empresas e perspectiva negativa de segurança (em governo fazem de certo e o que ainda médio prazo) e de contribuição para os precisa ser feito para melhorar a quali- fundos de previdência (no futuro). dade de vida por aqui. Trazemos, também, uma enA qualidade da primeitrevista com o empresário ra REVisTa Folha EsPaulo Skaf. Presidente da A REViSTA FOLHA sEncial gerou uma Federação das Indústrias ESSENCiAL chega em expectativa inevitável: a de São Paulo (Fiesp), ele é sua segunda edição com o tema economia. de manter o veículo em pré-candidato a governaNosso foco são as circulação. Pois eis que a dor e demonstra o quanto empresas e indústrias segunda edição aqui está, pode levar para o setor púda cidade conforme sinalizávamos blico a experiência bem suceem dezembro. Menor em dida de investimento do setor tamanho, mas maior em industrial na educação e formação conteúdo. qualificada para o mercado de trabalho. Vamos falar, nesta edição, sobre váComo citamos acima, esta Folha rios assuntos com vieses econômicos. EssEncial tem muito mais: energia, Nosso foco são as empresas e indústrias tributos, legislação, eventos voltados de nosso município, carros-chefe da eco- para o pequeno e médio empresário. nomia da segunda maior cidade do esta- Enfim, a Folha Metropolitana marca do mais importante do País. mais um passo importante para manEm uma das reportagens, a REVis- ter mais este canal de comunicação Ta Folha EssEncial trata de um com Guarulhos. problemão para a economia de GuaruSejam todos, portanto, novamente lhos: a população de jovens que não muito bem vindos. A REVisTa Folha geram recursos e gastam muito. Só em EssEncial te deseja uma ótima leitura.

A REVISTA FOLHA ESSENCIAL é uma publicação da Empresa Folha Metropolitana Ltda. A empresa fica na Rua Ipê, 144, Jardim Guarulhos – Guarulhos (SP) - CEP: 07090-130 - Telefone: (11) 2475-7800 - CNPJ: 44.193.423/0001-40

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Presidente: Paschoal thomeu (in memoriam); Diretora-presidente: andrea thomeu; Diretor-geral: orlando reinas Jr.; Gerente de Marketing: alberto frazão Junior; Gerentes Comerciais: alceu dos santos e ramon Martins; Gerente de Distribuição: Geraldo c. santos; Editor Chefe: Paulo Manso; Editor de Arte: sidney João de oliveira; Colaboradores: alfredo henrique, Palloma Mina, Marcela fonseca, chico Junior, deisy de assis, Maurício Morini, Beto Martins, Wellington alves, vinícius Bacelar, lucas dantas, silvio cesar e Karla Maria; Revisor: felipe rabello Gonçalves

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arquivo / folha essencial

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Mercado Um dos membros da rede Mercocidades, Guarulhos exportou R$ 4 bi em 2013 para os vizinhos sul-americanos

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Impostos Nova legislação que bonifica fiscais da Secretaria de Finanças vira queda de braço entre governo e empresários

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Gestão de Pessoas Como identificar quando seu funcionário merece investimento

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Legislação 1 Recém criada, a Lei Anticorrupção promete ser um beco sem saída para empresas desonestas

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Legislação 2 Conheça o “Fashion Law”, ramo do Direito busca proteger criadores do setor têxtil

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Capital de Giro Você conhece as vantagens que as empresas de factoring oferecem para a sua empresa?

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Economia Como 47 mil guarulhenses entre 15 e 29 anos vão afetar seus negócios. Eles não trabalham nem estudam.

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Setor Antiga vítima dos chineses, a indústria de brinquedos recupera terreno e volta a crescer

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Carreira Invista em planos de cargos e salários para conseguir segurar os jovens talentos na sua empresa

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Energia O que há de real no medo de uma crise energética causada pela seca deste início de ano no Brasil?

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Entrevista O presidente da Fiesp e do Ciesp Paulo Skaf esteve na FOLHA ESSENCIAL. Confira a entrevista exclusiva

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Sustentabilidade Possível solução, políticas de logística reversa engatinham em Guarulhos e no resto do País

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Comércio exterior Indústria brasileira sofre com invasão de importados, mas situação já esteve pior


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Preços Inflação promete ser o pesadelo dos brasileiros e de quem vai enfrentar as urnas em outubro

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Gênero Conheça Rose Hammer, diretora de uma grande indústria de Guarulhos

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Tecnologia Ferramentas de organização e produtividade, os aplicativos de celular viram moda entre os empresários

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Agenda Confira alguns dos principais eventos de 2014 nos quais você não pode ficar de fora

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Rede Mercocidades ĂŠ a voz dos municĂ­pios dentro do Mercosul

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Uma voz metropolitana de R$ 4 bilhões Guarulhos, membro da Mercocidades desde 1999, exportou a quantia em 2013 para vizinhos sul-americanos AlfRedo HenRiqUe

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uarulhos é um dos 285 municípios que compõem a rede Mercocidades, que segundo o especialista Diogo Bueno, do laboratório de Análise Internacional da Faculdade Santa Marcelina (FSM), “é a voz das cidades dentro do Mercosul.” A rede permite que micro e pequenas empresas possam realizar negócios internacionais, ajudando a inchar positivamente a balança comercial das cidades. Dados do Ministério do Desenvolvimento informam que Guarulhos exportou no ano passado cerca de R$ 4 bilhões em produtos básicos, semi e manufaturados, de operações especiais e industrializados. O Mercocidades fomenta negócios entre empresas dos países que compõem o Mercosul, em uma integração produtiva. Bueno explica ainda que não há como se pensar de forma estritamente econômica as relações fomentadas pela rede. “O Mercocidades, na verdade, vai contra isso, pois trabalha a integração produtiva local e corrige assimetrias.” A opinião do especialista é endossada por Renata Boulos, coordenadora de Relações Internacionais da Prefeitura de Guarulhos. Ela afirma que o Mercosul surgiu como um bloco meramente econômico, após Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai assinarem o Tratado de Assunção em 1991. Porém, a rede Mercocidades surgiu para ser a interação de cidades dentro do Mercosul, para trabalharem com integração produtiva, com todas as questões que dizem respeito às cidades para um processo de integração regional. O Mercocidades surgiu em 1995 e Guarulhos entrou na rede entre 1999 e 2000. Guarulhos, abril de 2014

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Do econômico para o social e político

“Produzimos de tudo. Valorizar o comércio com vizinhos é tarefa de cada um de nós”, apontou o prefeito Sebastião Almeida (PT)

O Mercosul, que aos poucos também foi “mudando de cara”, era um bloco meramente comercial. Aos poucos, ele foi ganhando uma cara mais social e política, criando, com isso, várias instâncias dentro dele. Renata diz que Guarulhos cuidou em 2013 da parte de desenvolvimento social da rede, que neste ano, por decisão política e estratégica de governo, trabalha na unidade temática de educação. “Apesar de participarmos ativamente no desenvolvimento econômico local, nós focamos mais na parte educacional.” A coordenadora avalia que Guarulhos é uma cidade com um potencial econômico de integração produtiva “muito grande”, pois abriga o maior aeroporto do cone sul, por exemplo. “Temos muitas coisas que fazem com que este viés econômico [da cidade] seja explorado. A gente trabalha com as cidade do Mercosul que desenvolvem a temática de economia local, fazendo rodadas de negócios”, afirma Renata.

lucas dantas

“Guarulhos cuidou do desenvolvimento social da rede em 2013”, diz Renata

Mudança de postura nos negócios O prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida (PT), destaca que o Brasil durante muitos anos estabeleceu uma relação econômica internacional “equivocada” ao negociar somente, em um primeiro momento, com países da Europa e com os Estados Unidos. “A gente se esquecia de aproveitar o potencial dos nossos vizinhos. Nós temos aqui Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, países tão próximos da gente que cada vez mais temos que estreitar nossas relações. Estes países são potenciais consumidores nossos e estão pertinho da gente. Valorizar o Mercosul e o Mercocidades é tarefa de cada um de nós”, afirmou. Almeida acrescenta que Guarulhos é uma cidade rica, com um potencial industrial muito diversificado. “Aqui nós produzimos de tudo.” Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Guarulhos negociou com ao menos 30 países no ano passado.

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Participação histórica o coordenador técnico rodrigo de souza corradi, da secretaria executiva do Mercocidades, situada atualmente na Prefeitura de Porto alegre (rs), explica que o órgão contribui para a tomada de decisões políticas, que são posteriormente disseminadas para todos os municípios que compõem a rede. além disso, ele deixa claro que o Mercocidades é uma rede autônoma, que foi criada para que as cidades também fossem “atores” no processo de integração promovido, primeiramente, pelo Mercosul. ele acrescenta que Guarulhos tem uma participação histórica no Mercocidades. o município, segundo corradi, tem força dentro da região Metropolitana de são Paulo e consegue se impor, mesmo estando ao lado da capital. “a cidade é complexa e impõe sua identidade e necessidades próprias dentro de um contexto metropolitano que propõe a prática de decisões coletivas.” Por causa das atribuições da secretaria executiva, ela é rotativa. Porto alegre, por exemplo, irá sediar o órgão até novembro deste ano. após esta data, a secretaria irá migrar para a argentina.

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queda de Prefeitura de Guarulhos promove gratificação a funcionários da Secretaria de Finanças em caso de crescimento da arrecadação. Medida irá aumentar competitividade, aponta governo. Empresários discordam Wellington Alves - Polêmica. Assim pode ser considerada a lei municipal 7.216/2013, sancionada em dezembro pelo prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida (PT). Empresários, industriais e advogados entendem que a legislação irá aumentar o número de autuações na cidade, além de conceder bonificação para funcionários públicos cumprirem uma função que já é deles. Já a Prefeitura defende que o mecanismo irá contribuir para reduzir a sonegação fiscal e aumentar a competitividade no setor privado. Neste ano, os servidores de Finanças te-

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rão bonificação de até 5% do montante que a arrecadação do município subir, caso o Orçamento cresça de 5% a 10% com impostos. A medida não considera os valores arrecadados com multas, apesar que as autuações forçarão a existência delas. Os índices, acatados por Almeida, foram elaborados com base em estudo do Comitê de Administração Fazendária e Política Tributária. A Folha Essencial apurou que a Prefeitura está em fase de implantação de um sistema informatizado para identificar empresas que sonegam impostos municipais ou

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e braço pagam menos do que o devido. Para isso, a Secretaria de Finanças irá comparar a movimentação das empresas e os valores arrecadados com impostos. Há suspeita que alguns setores omitem informações ao governo. A Secretaria de Finanças também planeja intensificar a fiscalização no entorno do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, Rodoanel Norte, bancos e construção civil. Para a economista Cristina Helena Pinto de Mello, a medida da Prefeitura é ineficaz. “É muito complicado premiar o funcionário desta forma, porque você admite que ele não

é bem remunerado, nem possui plano de carreira adequado”, analisou. Ela cita que o governo estadual conseguiu avanços nesta área na gestão do governador Mario Covas (PSDB), na década de 1990, com ferramentas de inteligência fiscal. “Uma cidade que aumenta o consumo de energia elétrica e de lixo e não tem crescimento no ICMS apresenta problema de arrecadação. Isso permitiu a redução do ICMS no pão de padaria e em itens da construção civil”, explicou. Já o economista Antonio Azambuja é favorável à gratificação por desempenho dos

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lucas dantas

silvio cesar

Jorge Taiar

Aarão Ruben

Maurício Colin

Eduardo Martins

silvio cesar

silvio cesar

servidores de Finanças diante da suposta falta de honestidade de parte do empresariado. “Temos que avaliar o tipo de empresário que Guarulhos tem. Toda iniciativa que coíba ou minimize a evasão de recursos é bem-vinda”, afirmou. Ele não acredita na melhora da competitividade na cidade, já que os sonegadores têm ciência do custo de manutenção dos serviços que oferecem. “O que ele deixa de pagar de imposto não vira desconto para o consumidor”, disse.

Prós funcionários de finanças ficarão mais focados na busca de sonegadores;

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arrecadação do município deve subir, o que pode ajudar a aumentar os recursos para investimentos em outras áreas, como educação e saúde;

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identificação de empresas sonegadoras deve equilibrar preços no mercado e aumentar a competitividade. l

Contras retirar recursos do aumento da arrecadação para pagar gratificação para funcionários. os recursos poderiam ser utilizados integralmente em outras áreas, como educação e saúde; l

Prefeitura continua sem investir em novas contratações de servidores para finanças ou melhores condições nas carreiras deles; l

aumento da fiscalização pode abrir brecha para tentativas de corrupção por quem estiver irregular. l

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Sem ouvidos A legislação começou a ser discutida em novembro na Câmara Municipal e chamou atenção após discurso do vereador Marcelo Seminaldo (PT), primeiro vice-presidente do Legislativo, que considerou o projeto uma “indústria de multas”. Os presidentes da ACE, Jorge Taiar, Asec, Aarão Ruben, Asseag, Eduardo Martins, Ciesp, Maurício Colin, e da OAB, Fábio de Souza, analisaram o projeto e não tiveram êxito no pedido para Almeida recuar. Funcionários da secretaria defendem que a gratificação é uma forma de incentivo pela valorização profissional e trabalho coletivo.

Competitividade irá crescer, diz Teodoro O secretário de Desenvolvimento Econômico de Guarulhos, Luiz Teodoro, avalia que os empresários serão beneficiados com o aumento da competitividade na cidade a partir da redução da sonegação fiscal. Ele entende que parte do mercado se beneficia por oferecer produtos mais baratos por não pagarem integralmente os impostos. “Temos que acabar com essa situação de quem está legal ter desvantagem”, afirmou. Para Teodoro, a maior fiscalização por parte da Secretaria de Finanças vai incentivar as empresas a “andarem na linha”.

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Com perceber se seu funcionário merece investimento? Se ele [o funcionário] vem demonstrando resultados concretos. Se atinge as metas que são propostas e busca novos projetos por conta própria. Se mostra iniciativa, vontade de aprender e resolver problemas, mesmo sem o total conhecimento ou responsabilidade formal sobre. Investir em qualificação é um caminho irreversível. Se você não qualifica sua equipe, seu serviço ou produto perde em qualidade e seu cliente migra para a concorrência. Mesmo que perca um ou outro colaborador, hoje é impossível pensar em não investir em formação caso queira melhores resultados. É parte do jogo. Além disso, empresas que investem nos funcionários tendem a retê-los por mais tempo, por esta razão. Sentir-se valorizado é muito importante para sua realização profissional. E receber incentivo da empresa nisso é um sinal de reconhecimento.”

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Analise o comportamento do funcionário. Observe se é comprometido e interessado no que faz e se está de acordo com as expectativas da companhia. Funcionário comprometido, independentemente da sua posição, é aquele que divide a sua experiência e o seu conhecimento profissional com seus colegas, superiores e também está preocupado com o sucesso da sua empresa. Ele é pontual, participativo, dedicado e está sempre preocupado com a melhoria do seu trabalho, solicitando feedback aos seus superiores sobre seu desempenho. O funcionário “merecedor” do investimento mostra-se como sendo único e confiável. Mas antes é necessário que se tenha regras claras, informe-o quais são os planos para ele em sua empresa e, ao término do investimento, onde pretendem alocá-lo. Isto fará com que esteja motivado e interessado.”

sÉRgio sABino,

Wesley mesqUitA,

diretor de Marketing do PageGroup

gerente da filial Guarulhos

para o Brasil e américa latina

da randstad

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beco sem saĂ­da para empresas desonestas

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Especialistas elogiam lei que tenta combater um dos maiores males da sociedade brasileira PAllomA minA

A nova lei anticorrupção deve mudar a forma com a qual as companhias fazem seus negócios. Não só os desonestos, mas também aqueles que atuam dentro da lei terão que rever suas práticas e as de empresas terceirizadas para não correr riscos. Apesar de ainda não ter sido regulamentada, a lei 12.846/13 prevê até a perda de financiamento público e participação em licitações para aqueles envolvidos em corrupção, além de multa que pode chegar a 20% do faturamento. O advogado especializado na área cível do escritório Loeser e Portela Advogados, Miguel Manente, explica que na lei ficou definido que a empresa terá responsabilidade sobre os atos de corrupção praticados por seus funcionários e por terceiros que agem em seu nome. “A partir do momento que uma grande empresa se vê num processo administrativo, deve indicar quem praticou o ato para ser punido pela lei. Se a companhia contribuir com a apuração dos fatos, será beneficiada. E a empresa que praticou diretamente o ato não vai se safar, assim como as pessoas que praticaram corrupção”, exemplifica. Outro atenuante para a punição de empresas envolvidas em corrupção é a existência de um programa de compliance, com códigos de conduta para colaboradores a evitar que eles cometam corrupção. “O compliance também deve garantir que a empresa esteja de acordo com as diversas normas existentes, como a legislação trabalhista, do consumidor, ambiental e anticorrupção”, diz Manente.

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Controle está nas mãos da CGU Apesar de ainda estar em regulamentação, a lei brasileira anticorrupção é alvo de elogios do sócio Risk Consulting da KPMG, Gerônimo Timerman. “A legislação brasileira é muito boa, melhor até que a norte-americana e a inglesa.” Quem está comandando o processo de regulamentação da lei é a Controladoria-Geral da União (CGU). O secretário-executivo do órgão, Carlos Alencar, explica a lógica da lei. “Trabalha com incentivos e desincentivos para que as empresas privadas implantem sistemas para evitar fraudes e colaborem com a investiga-

ção de casos de corrupção. Se antes as empresas diziam que a culpa era do empregado, agora não vão poder usar esta desculpa.” Definida pelo secretário da CGU como a parte mais inteligente da lei, o texto que trata de compliance ainda depende da regulamentação por decreto da Presidência da República. “Outros aspectos relevantes da regulamentação são o detalhamento da apuração de responsabilidade, que deve ser simples; o uso de critérios objetivos para a aplicação das multas, como o cálculo feito com base no faturamento menos os tributos; e as normas para os acordos de leniência.”

Quem ajuda, perde menos Os acordos de leniência funcionam como uma delação premiada para empresas que colaboram com investigações de corrupção. “As empresas vão poder apresentar provas contra servidores públicos corruptos e apresentar comprovantes de treinamentos, guias e manuais sobre o combate a fraudes”, diz o secretário-executivo da CGU, Carlos Alencar. Estes devem ser os principais critérios para atenuar as penalidades das empresas envolvidas em corrupção. As punições vão de multa de 0,1% a 20% do faturamento líquido das empresas, passam pela perda do direito de participar de licitações e chegam ao financiamento, já que as empresas desonestas ficam impedidas de realizar empréstimos com bancos públicos. “A ideia é que, sabendo das penas, as empresas avaliem os riscos de atos corruptos”, concluiu.

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Regra também vale para as micro e pequenas empresas Se a estruturação de um programa de compliance demanda investimento de tempo e profissionais exclusivos nas grandes corporações, fica a dúvida: como as micro e pequenas empresas podem criar mecanismos para evitar fraudes e sanções severas em casos de corrupção? “O primeiro passo é a empresa ter código de ética e manual de conduta e explicar para os colaboradores o que espera em relação ao cumprimento dessas regras”, orienta o advogado especializado na área cível do escritório Loeser e Portela Advogados, Miguel Manente. O advogado conta que, devido a sua ex-

Orar e vigiar a equipe Gerônimo Timerman, sócio Risk Consulting da KPMG, derruba a utopia da honestidade plena dentro das companhias. “É difícil evitar 100% de corrupção se há pessoas desonestas.” Ele cita dados interessantes de uma pesquisa sobre o tema: 10% das pessoas são completamente éticas, 10% são completamente desonestas e 80% seriam desonestas se tivessem um incentivo para agir. Os principais tipos de fraude praticados dentro das empresas

periência, acredita que o risco de fraude em negócios pequenos seja menor do que em grandes empresas. “A lei trata da questão da responsabilidade objetiva. Antes a empresa dizia que não tinha culpa, o que demonstra que o dia a dia não era preocupação do administrador. Nas pequenas e médias este monitoramento é feito porque os proprietários conseguem relatar as atividades em detalhes”. Por exemplo, em uma empresa pequena geralmente apenas uma pessoa faz contato com órgãos públicos, então o dono sabe que se houver tentativa de corrupção só pode ser daquele funcionário. “A lei prestigia isso”, garante Manente. são roubo, maquiagem de balanços e corrupção ativa. E quais são os incentivos que levam um colaborador à fraude? “Pode ser pressão, seja familiar, dos gestores ou até mesmo de um vício; ou a detecção de uma oportunidade, que é a deficiência nos processos da empresa”, descreve Timerman. Para ele, o mais importante é criar mecanismos para detectar atos de corrupção rapidamente. “Em média, as companhias levam 18 meses entre a fraude e sua detecção.”

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Legislação protege criações do setor têxtil divulGação

Advogada especialista na defesa dos criadores diz que a produção de provas é difícil

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Proteger a criação de desenhos que vão servir de molde para a produção de uma coleção inteira é questão estratégica para as empresas têxteis. Mas a missão não é fácil em um mercado em que se inspirar em antigos movimentos e em tendências mundiais da moda é visto com bons olhos. A advogada e sócia responsável pela área de Propriedade Intelectual da Unidade Rio de Janeiro da Tozzini Freire, Andreia Gomes, conta que há profissionais especialistas nesta área, a chamada fashion law. “É a área do direito que protege criações intelectuais deste segmento, como desenho de roupas, design de produtos e também conceitos específicos, como a originalidade na concepção de um desfile”, explica Andreia. Caso haja plágio de peças de roupas, a advogada diz que os prejuízos são incalculáveis. “As perdas podem ser enormes. Lançar uma marca ou um produto não é barato, se há o plágio é preciso criar uma nova, repensar a publicidade e a distribuição. Fora o gasto com assessoria jurídica”, lista Andreia. As punições, de acordo com a especialista, variam de acordo com cada juiz. “Quem for pego cometendo plágio pode ser condenado a pagar multa, a indenizar por danos e até a retirar o produto do mercado. Ainda há casos em que quem copiou vai ter seus negócios interrompidos e ainda pagar multa diária se insistir, mas depende do dano causado ao criador e do entendimento do juiz”, conta. Guarulhos, abril de 2014


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O caminho das pedras Para a advogada Andreia Gomes, a parte mais complicada de um processo de plágio é conseguir produzir as provas. “É bem difícil por conta do conceito da indústria de moda de tendência e referência”, analisa. Ela dá dicas. “Um criador que esteja desenvolvendo uma estampa, por exemplo, deve guardar todas as esquetes e desenhos que bolou até chegar ao produto final. É uma prova de que ele partiu do zero.” Além disso, Andreia recomenda que todos os documentos referentes ao desenvolvimento das peças sejam datados e que emails trocados com fornecedores e colaboradores a respeito sejam arquivados. “Ainda é possível fazer registro das peças na Biblioteca Nacional, como é feito com qualquer obra de arte, e no Instituto Nacional de Propriedade Industrial, que cuida do registro de produtos e marcas”, orienta a advogada.

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As vantagens do factoring PAllomA minA

Ao contrário do que mora no imaginário de muitos, o factoring não tem nada a ver com compra de cheques. A atividade vai desde o planejamento da gestão do negócio até a injeção do capital, através da compra da produção e de recebíveis. Só em 2013 o setor movimentou R$ 100 bilhões. Luiz Leite Lemos trouxe o factoring para o Brasil em 1982 e hoje é presidente da Associação Nacional de Fomento Comercial (Anfac). “É um setor com as atividades legalizadas e autorregulação. Temos um marco regulatório que segue as normas da Receita Federal, do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Não tem nada a ver com compra de cheque, senão a nossa atividade se chamaria agiotagem”, brinca Lemos. As companhias de factoring só podem ter empresas como clientes e atuam em indústria, comércio e serviços. O presidente da Anfac explica a dinâmica da atividade. “Primeiro visitamos a indústria para identificar as dificuldades. Nas pequenas e médias geralmente o problema é gestão. Em seguida, compramos à vista os direitos de recebimento da produção que o empresário vendeu a prazo. Suprimos a lacuna da gestão e do capital de giro”. Na prática, é como se o factoring comprasse toda a produção à vista para depois receber de quem a comprou a prazo. Pelo serviço e o risco que as empresas de factoring assumem quando fazem parceria com companhias endividadas, é cobrada uma taxa chamada de “fator factoring”. No começo de março, o fator estava em 3,84% ao mês, contra 10,75% ao ano da taxa Selic.

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Previsão é de crescimento em 2014 Para Cleonice De Cicco, sócia da guarulhense Four Factoring, o cenário é favorável para a atividade. “Os empresários precisam do serviço porque estão apertados em bancos e não podem segurar a carteira de pedidos. Quando o crédito é limitado, a melhor opção são as empresas de factoring. É uma força muito importante para as pequenas e médias empresas”, avalia. “Garantimos a sobrevivência de 150 mil pequenas e médias empresas, que seguram 2,5 milhões de empregados. Se não fosse o factoring elas estariam na ilegalidade”, diz o presidente da Anfac, Luiz Leite Lemos. “Fechamos 2013 com R$ 100 bilhões de recebíveis. Para este ano estamos bem otimistas, apesar de ser um ano tumultuado por conta da Copa do Mundo e das eleições. Devemos crescer 10%”, prevê Lemos.

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geração ‘nem-nem’ Milhares de jovens guarulhenses não trabalham e também não estudam. isso é um problema para a economia local e pode vir a ser um peso para o futuro de Guarulhos CHiCo JUnioR

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m público de fazer inveja às torcidas dos principais clássicos do futebol paulista é o tamanho da dor de cabeça de Guarulhos. A massa de quase 47 mil adolescentes e jovens guarulhenses integra o segmento mundial que perturba o pensamento de estudiosos. Isso porque essa miríade está longe de aquecer a economia já que não pertence ao grupo de pessoas economicamente ativas. E, para dar contornos de pesadelo à situação, todos estão distantes dos estudos.

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Segundo levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com exclusividade para a Folha EssEncial, 14,2% dos guarulhenses na faixa entre 15 e 29 anos tomaram a decisão de nem estudar nem trabalhar. Daí a origem da expressão “nem-nem” – emprestado do espanhol “ni-ni” – dada ao grupo. Essas duas posturas são o tic e o tac da bomba-relógio que o município, nesse caso, precisa brecar para ampliar o potencial econômico e evitar também danos sociais, afirmam especialistas ouvidos. Coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVCEF), William Eid Junior vê esse grupo como um enorme peso, pois não produz nem recolhe impostos. “É só

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imaginar uma renda total de Guarulhos da ordem de R$ 100 milhões. Não adianta somar mais mil ‘nem-nems’ na população que a renda não vai aumentar. Pior, esses sujeitos custam dinheiro para a sociedade, já que vão usar o sistema de saúde sem pagar nada por ele, e equipamentos públicos etc. São um grande peso.” A questão é que, sem emprego, esses jovens também não consomem ou consomem pouco diante do potencial para essa faixa de idade. Para se ter ideia do tamanho do problema, se todos estivessem empregados e ganhassem apenas um salário mínimo a injeção na economia local seria da ordem de R$ 33,3 milhões. Quase 10% do total gasto com lazer na cidade, que movimenta R$ 347 milhões, conforme revelam dados fornecidos à Folha EssEncial pelo Instituto Data Popular, especializado na classe média. Sem estudar, o “nem-nem” reduz ainda o próprio nível de capacitação pessoal e de qualificação profissional e assim as chances de disputar boas vagas de trabalho. “Essa pessoa vai ter muita dificuldade de se colocar no mercado de trabalho. Hoje em dia quase não existe mais trabalho braçal que não requeira trabalho do intelecto”, diz o professor de Finanças Fabricio Pessato, da Faculdade Metrocamp, ligada ao Grupo Ibmec Educacional.

mista William Eid Junior. A consequência óbvia é que a pouca escolarização sufoca as oportunidades. Outra face desta moeda é a gravidez, que afasta da escola e do trabalho 65% das mulheres guarulhenses na faixa de 15 a 29 anos.

A sombra do berço A interrupção dos estudos é uma condição preocupante para essas jovens, afirmou à Folha EssEncial o economista José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e sócio da consultoria MB Associados, durante evento na Capital. “O problema é ela não estar na escola. Porque depois que cuidou da criança e pode voltar a trabalhar ela vai ter um emprego modesto”, completa. Esse é um quadro que ainda pode se agravar. De acordo com dados do Atlas do Desenvolvimento Humano 2013, a porcentagem de mães chefes de família com baixa escolaridade vem crescendo em Guarulhos. A taxa de mulheres que mantêm casa e filhos menores de 15 anos subiu 21,4% entre 1991 e 2010. “A faixa das moças mais jovens, de 17 e 22 anos, é a faixa onde a fecundidade está muito alta”, destaca Mendonça de Barros.

A situação é preocupante Para o economista José roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política econômica do Ministério da fazenda e sócio da consultoria MB associados, a presença dos nem-nems é algo preocupante, não só para Guarulhos. “não é fenômeno só do Brasil. É um fenômeno do mundo inteiro. É uma preocupação em vários lugares do mundo.”

divulGação

Portas lacradas Abandonar os bancos escolares nessa faixa etária estrangula a porta de entrada para o mercado de trabalho. Um estudo do Insper aponta que três entre dez brasileiros com idade entre 17 e 22 anos não conseguem emprego. A baixa escolaridade é um empecilho. A maioria com ingresso entre os “nem-nems” não concluiu o Ensino Fundamental. A taxa média de jovens com o nível básico incompleto no País saltou de 5,8 para 7,4, entre 2010 e 2011. “Essa geração teve um estudo de qualidade muito ruim, são quase analfabetos funcionais e poucos conhecem aritmética básica. Daí que conseguir emprego não é fácil”, analisa o econoGuarulhos, abril de 2014

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Baixo capital humano

Aqui não é a Europa

A instrução precária e a falta de emprego são uma espécie de círculo vicioso que afeta diretamente na formação do capital humano dos jovens “nem-nem”, argumenta a professora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Há quatro anos, Vargas (FGV-Eaesp) Celina Ramalho. 13% dos jovens “Se não encontrarem rapidamente emprede 15 a 17 go, formal ou informal, eles vão dar outro anos estavam gasto para o governo, que é de segurança púfora da escola blica. A condição de marginalidade pode se em Guarulhos, agravar e a pessoa acabar se envolvendo em informa o Atlas do Desenvolvimento atividades ilegais”, alerta sobre a vulnerabilidade do “nem-nem”. Humano 2013 Na opinião do jurista Luiz Flávio Gomes os fatores negativos fazem pressão sobre o “nem-nem”, que é impulsionado ao consumismo, porém sem condições para mantê-lo. O economista Fabrício Pessato também ressalta o risco social para esse grupo. “A chance de o jovem entrar no mundo do crime desorganizado ou organizado é muito grande.”

Estudiosa do grupo de jovens há quase 20 anos, a economista Celina Ramalho diz que a geração “nem-nem” traz um prejuízo social muito grande para o País, “desde o âmbito micro, na família, até a sociedade, no âmbito macro”. Ela participa da criação de um centro de referência à juventude no estado de Minas Gerais, cujas atividades devem começar ainda este ano. Para ela, só uma ação conjunta entre iniciativa privada e poder público ajudará a reduzir o problema dos “nem-nems”. “Na Suécia, o jovem de 17 anos que não mora com os pais tem um programa de transferência de renda e é mantido até os 22 anos, quando consegue um emprego. Não vejo isso acontecendo no Brasil. O Bolsa Família não alcança esse jovem”, considera.

Parceria empresas e município

Beto Martins

Na avaliação feita pela economista Celina Ramalho à Folha EssEncial, a construção de projetos entre empresas e prefeitura minimizaria os impactos para ambos os lados. Um por tirar parte dos milhares jovens da condição de vulnerabilidade social. Outro por criar mais formas de obter mão de obra qualificada. Ela argumenta ainda que os governos locais podem adotar ações mais rápidas. “O trabalho é um fator de produção e deve receber um primeiro olhar do Estado a partir da municipalidade de Guarulhos. E isso também cabe ao empresário por responsabilidade social.” Celina destacou que sem medidas imediatas os “nem-nems” vão continuar a ser um problema no futuro quando chegarem aos 60 e 70 anos. A pouca contribuição à previdência social aumentará o rombo no sistema de seguridade, ressalta. “Sem solução imediata, jovens ‘nem-nems’ serão problema também na velhice

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Diferenças domésticas Os “nem-nems” se distinguem por classe social. Para aqueles que pertencem à classe média alta a condição deles é supostamente temporária. “Eles geralmente prestaram vestibular e não passaram, e estão temporariamente nessa situação. Vão fazer algo enquanto esperam novamente pelo vestibular”, argumenta o professor

Fabricio Pessato acerca dos jovens sustentados pela família. A economista Celina Ramalho reforça que essa manutenção familiar lhes garante suporte suficiente para ficar um tempo longe do trabalho. Situação um pouco diferente da vivida por jovens com famílias de menos recursos. Ainda assim, para todos que integram o grupo dos “nem-nems” ela recomenda a mesma postura, tanto do poder público quanto da sociedade. “É preciso conscientizar e profissionalizar esse jovem.”

Por que o “nem-nem” é um problema? Sem trabalho esse jovem afeta pouco a cadeia de consumo, um dos pilares da economia de um país. No Brasil o consumo responde por dois terços do PIB nacional.

Sem estudo a capacitação pessoal e a qualificação profissional são atingidas. Com isso as empresas sofrem mais para encontrar mão de obra bem preparada.

A desocupação também traz risco social por deixar o jovem exposto à marginalidade e ao assédio da criminalidade – organizada ou não.

Outra questão é a familiar. Como 65% das guarulhenses “nem-nems” são mães, a família é a primeira passar por dificuldades em caso de abalos financeiros.

A tendência da empregabilidade atual é exigir mais e melhor instrução. Candidato com baixa escolaridade tem mais barreiras pelo caminho.

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indústria de brinquedos deve crescer 10% em 2014 Outrora vítima dos chineses, a indústria nacional de brinquedos recupera espaço e volta a crescer PAllomA minA

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“Recuperamos terreno. Em 2013 foram 60% de produção nacional frente aos importados”, comemora o presidente da Abrinq

epois de retomar uma fatia do mercado que estava com os chineses no ano passado, o setor de brinquedos deve crescer 10% em 2014. Prova da força do segmento é a Abrin – Feira Brasileira de Brinquedos, que começou no dia 1º de abril. São 180 expositores apresentando 1.400 produtos para o varejo. Para o presidente da Associação Brasileira de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista Costa, brinquedo é coisa para gente grande. “Precisa ter envergadura, tamanho e principalmente ousadia. Não dá para sobreviver na indústria brasileira de brinquedos, com tantos concorrentes, sem esses ingredientes”, analisou. Mesmo com a invasão chinesa no mercado mundial, Costa acredita que a indústria nacional resistiu bravamente. “O Brasil é o último pedaço do planeta que falta a concorrência conquistar”, disse. A nova legislação trabalhista chinesa, que encareceu a produção, e o foco da indústria da China em eletrônicos são os elementos que contribuíram para a retração da importação. Synésio comemora. “Nos últimos cinco anos a indústria nacional tomou de volta um pedaço dos chineses, terminamos 2013 seguramente com 60% de produção nacional e 40% de importados. Só isso é uma grande oportunidade pra quem quiser trabalhar sé-

rio na indústria nacional.” O balanço de 2013 ainda não está consolidado, mas a previsão é que o crescimento do ano passado tenha sido de R$ 4,3 bilhões no preço do varejo, contra R$ 3,8 bilhões de 2012. A próxima meta da entidade para aumentar as oportunidades de negócio no setor é a compra de brinquedos para as escolas públicas. “A compra de brinquedos pelo governo deve crescer e, nos próximos quatro anos, acredito que possa representar 10% de todo o negócio.”

R$ 500 M i A MAi S 2012 2013

R$ 4,3 bilhões

R$ 3,8 bilhões

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Programa de cargos e salários é arma para reter talentos

Sem um plano de crescimento dentro da empresa, jovens talentos correm para a concorrência PAllomA minA

Com o mercado de trabalho extremante aquecido e a escassez de mão de obra qualificada, reter talentos virou uma meta a ser atingida pelas empresas. Uma das maneiras de incentivar um profissional a ficar é o programa de cargos e salários baseado na meritocracia. Com as regras do jogo claras, os colaboradores se sentem mais seguros, aumentam sua produtividade e reforçam o comprometimento com a companhia. Ana Paula Azevedo é sócia-diretora da Garcia Azevedo e Consultores, empresa especializada na implementação de estratégias em gestão integrada de recursos humanos. “Todas as grandes empresas têm um programa como este para evitar um descompasso entre o cargo e as funções. Se alguém é analista 1 e exerce atividades de gerente sênior, 36

ou estou colocando gente mal preparada para funções complexas ou pessoas bem preparadas estão recebendo salários fora do mercado. É aí que se perde profissionais para a concorrência”, explicou Ana. Segundo ela, os colaboradores sempre observam como funciona o sistema de promoções da empresa. “Os profissionais hoje não querem correr o risco de estar nas mãos de um gestor que vai tomar decisões a partir de critérios subjetivos. Eles gostam de se sentir seguros para pensar ‘para ser gerente preciso fazer o curso X e desenvolver a competência Y’ e saber que isso vai fazê-los crescer na carreira.” O processo de diagnóstico e formatação da pirâmide hierárquica da empesa leva de três a quatro meses com a ajuda de consultores especializados. A partir do segundo ano do sistema de metas e promoções baseado em meritocracia, os empresários já percebem melhora nos resultados das companhias.

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Por onde começar O primeiro passo para as empresas que pretendem implantar um sistema baseado em meritocracia é encarar o processo como um investimento. “É preciso coragem dos empresários. Em dois anos já é possível perceber os resultados, que são ótimos. Quem tem segurança baseada em relacionamento, como ser amigo do chefe, vai sair. Quem está a fim de ‘ralar’ fica e dará resultado”, garantiu Ana. Em seguida, a consultoria faz parceria com o setor de recursos humanos da empresa para descrever cada cargo, as funções de quem vai ocupá-lo e seu nível de autonomia. Com base nestas informações, é definida a qualificação e as competências técnicas necessárias para o profissional ocupar o cargo. Depois que é escolhido um profissional para determinada função, começa a etapa de avaliação. “É preciso formar um comitê de avaliação e o RH é quem comanda o processo. Além de ouvir o gestor, pessoas de outras áreas que interagem com determinado profissional também serão ouvidas. Assim é garantida a isenção na avaliação de todos”, descreveu a especialista.

Premiar para conquistar metas

Promoções com base no mérito dão resultados, diz especialista

Ana Paula Azevedo destaca dois pontos importantes para a implantação do sistema. “Se você faz um programa de remuneração variável baseado em meritocracia coloca todo mundo correndo atrás de um objetivo e deixa de proteger aqueles que mais dão problema do que entregam resultados”, disse. “As empresas não premiam seus funcionários porque são boazinhas. Elas bonificam para garantir que as metas sejam alcançadas.” Tanto é que já há companhias que fazem contrato de metas, sem dar ruído, baseado nas competências que acham importantes. “O bônus está atrelado à avaliação de desempenho: se a empresa e o profissional batem as metas, recebem o bônus”, diz Ana. O bônus varia de acordo com o nível hierárquico e a função. Por exemplo: se a empresa quer bater uma meta, seja de vendas ou produtividade, pode estipular que gerentes podem receber até cinco salários e os diretores até sete dependendo do desempenho.

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silvio cesar

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e se acabar a luz? PAllomA minA

A seca registrada no início de 2014 não serviu apenas para acender uma luz amarela para os consumidores finais economizarem água. A falta de chuva provocou queda de produção nas hidrelétricas e, para evitar o risco de desabastecimento num verão com alto consumo de energia, o governo acionou usinas termelétricas. Mesmo assim, até agora não foi registrado aumento no preço da tarifa de energia e, apesar do governo negar veementemente, a possibilidade de falta de energia ganha corpo. Neste cenário, uma pergunta ronda a cabeça dos empresários: o que fazer se acabar a energia? Para responder, a Folha Essencial ouviu um especialista em geradores alimentados com combustíveis fósseis e outro em gás natural.

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divulGação

Geradores para emergências

Energia de gerador é mais cara, diz gerente da Cummins, José Luiz Martin

José Luiz Martin, gerente de Vendas e Marketing da Cummins Power Generation, conta que a falta de energia sempre foi uma preocupação das empresas, que não podem parar sua linha de produção. “As empresas acionavam os geradores em períodos de ponta, quando a energia fica mais cara, ou quando acontecia uma falha da concessionária. O que ocorre agora é que o risco aumentou, por conta da falta de chuvas”. Ele explica que como a nossa principal matriz energética é a hidráulica, quando falta chuva o nível dos reservatórios fica baixo e a energia escassa. Os prejuízos causados pela falta de energia em uma linha de produção são imensos. “A empresa depende de energia elétrica para garantir os pedidos em carteira, não pode ficar na mão de uma única fonte. Isso significa atraso na entrega de produtos e serviços e multas contratuais”. Por conta disso, Martin acredita que para a indústria o investimento em um grupo de geradores é válido para garantir a segurança das operações. Para quem pensa em trocar a energia da concessionária pela do gerador, o especialista avisa que a energia do gerador é sempre mais cara. “O custo é de R$ 0,60 por quilowatt hora (kW/h). Mas a conta que o industrial tem que fazer é quanto ele vai perder se ficar com sua linha de produção parada em caso de queda de energia”, concluiu. divulGação

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Pedro Silva sugere em sistema de cogeração

Gás natural pode ser aproveitado duas vezes Pensando especialmente nas indústrias, a Comgás investe no sistema de cogeração. “Isso ocorre quando acontecem duas ou mais gerações a partir da primeira fonte, neste caso, o gás. Esta é uma solução real e que vai suportar a mudança de matriz energética”, explicou Pedro Silva, gerente de Marketing Industrial da empresa. O exemplo é simples: o gás é usado num motor ou turbina para gerar energia elétrica; essa geração tem um rejeito térmico, o calor desperdiçado, que é reaproveitado para produzir energia térmica; através de um condutor, este calor não vai embora e produz vapor, que pode ser usado como fonte de energia. Outro ponto destacado por Silva é a coeficiência energética. “Hoje são feitos investimentos altíssimos em transmissão para fazer a energia chegar da hidrelétrica até os grandes centros, mas há perda neste processo. No caso do diesel, só 28% do combustível é usado na produção, o resto é desperdiçado. Na cogeração a gás o mesmo combustível é usado para gerar energia duas vezes”, comparou o gerente da Comgás. Ele lembra que, além disso, o gás é distribuído por rede subterrânea, o que zera o risco de interrupção do fornecimento por conta de eventos climáticos. O custo da energia de coprodução depende do tamanho do grupo gerador que será instalado: quanto maior o gerador, mais barato será o kW/h. “Além da independência, quem investe neste sistema pode vender o excesso de produção para a rede. Se o governo incentivasse este tipo de iniciativa, o preço da energia cairia porque as indústrias deixariam de consumir e ainda devolveriam para a rede, o que aumenta a oferta”, analisou.

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sistema

skaf Empresário e líder de sucesso, Paulo Skaf incorpora o estereótipo positivo do Sistema S, que congrega vários setores produtivos. Ele quer levar isso para o Palácio dos Bandeirantes

fotos: lUCAs dAntAs

PoR Wellington Alves e CHiCo JUnioR

Filho de imigrante libanês, Paulo Antônio Skaf está próximo de completar 59 anos. Idade em que boa parcela dos homens começa a vislumbrar a aposentadoria. Nada mais distante do perfil do empresário do ramo têxtil. Skaf se mantém firme à frente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e de outras entidades ligadas ao setor. “A gente tem a vida corrida e nem sempre tem a disponibilidade que gostaria”, disse à Folha EssEncial ao responder se gosta de praticar atividades esportivas. O presidente da Fiesp e do Ciesp contou que a natação é o esporte que lhe faz se sentir melhor. “Se não faço nada durmo mal”, declarou. Skaf já encampou batalhas desgastantes como líder industrial. Uma delas foi o fim da cobrança da CPMF. A redução de impostos na tarifa energética, a mais recente. Apesar dos resultados positivos, as meninas dos olhos de Skaf pertencem ao Sistema S, que agrega Sesi e Senai. A defesa da educação adotada pelo sistema durante a visita à redação da Folha EssEncial – realizada após anúncios de investimento em Guarulhos em fevereiro – fortaleceram essa impressão. Neste ano, Skaf se empenhará também pelas urnas. Ele é pré-candidato pelo PMDB ao Palácio dos Bandeirantes.

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Folha Essencial – A economia do País também o faz dormir mal? Paulo Skaf – Não, não faz. Se for pensar nos problemas brasileiros, você não dorme. A economia do País preocupa, sem dúvidas. A gente está com crescimento baixo. Acho que vamos ter surpresa não muito agradável em 2014. Para ser otimista, podemos ter um crescimento de 1,5%. Sendo otimista.

“O problema é que o Brasil perdeu competitividade. A melhor empresa do mundo perderia o posto se viesse para cá, com tributação alta, burocracia, falta de estrutura de transportes etc”

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Segundo os últimos dados divulgados, o crescimento da indústria não vem sendo o esperado pelo setor... A gente tem que crescer esse ano 3,7 para empatar. Se crescer isso, o crescimento é zero. Com isso a possibilidade de a indústria não ter crescimento em 2014 é muito grande. E a indústria não tendo crescimento a possibilidade de o PIB crescer próximo a um é maior do que a possibilidade de crescer próximo a dois. E sendo um ou dois está muito abaixo da média mundial. Isso influencia bastante o resultado da indústria. Então o Brasil passa por uma desindustrialização? O problema é que hoje o Brasil perdeu sua competitividade. Produzir aqui passou a ser caro. É uma questão conjuntural. A campanha que fizemos de energia a preço justo, que resultou na redução de 32% do custo da energia para indústria de eletrointensivos, e em média de 20% para todos os brasileiros, é um passo na busca da competitividade perdida. Quando a gente luta para tirar impostos da cesta básica, pela MP [medida provisória] dos Portos, pela redução de impostos e desoneração da folha de pagamento, é uma busca para recuperar uma competitividade que o Brasil perdeu. Atualmente é mais caro produzir no Brasil do que nos Estados Unidos ou em alguns países da Europa. O nosso primeiro vice-presidente é presidente da CSN [Companhia Siderúrgica Nacional], o companheiro Benjamin [Steinbruch], comprou uma siderúrgica na Alemanha. O custo é menor do que no Brasil. Esse custo alto está prejudicando a indústria brasileira. Da porta para dentro das fábricas a lição de casa está feita, porque você tem gente treinada, equi-

pamentos, tecnologia, tem máquina, tem eficiência... Mas tem logística cara, energia baixou, mas ainda é cara. Transporte caro, impostos altos, uma burocracia tremenda. Alguns setores vão bem, mas os setores manufatureiros sentem mais isso. Quando você fala em setor primário e agronegócio, são preços internacionais. Se estão bons, vai bem. Se cai, vai mal. Tivemos a sorte de pegar preços internacionais de produtos agrícolas bons. A indústria manufatureira é a que mais favorece o País. A indústria de transformação há 30 anos tinha participação de 27% do PIB [Produto Interno Bruto], e hoje tem 14%, porque esses altos custos brasileiros tiram a competitividade. Aí você fala: “mas Skaf, o consumo foi bom.” Foi bom, mas quem engoliu foi o importado. O crescimento foi para o importado e a indústria brasileira foi se prejudicando. Não podemos falar de desindustrialização porque joga o pessimismo. O nosso desafio deve ser a reindustrialização, que não depende da gente. Depende de políticas para que o País recupere a competitividade. A melhor indústria do mundo, se vier para o Brasil, deixará o posto no dia seguinte, pois terá encargos, legislação trabalhista complicada, burocracia, impostos altos. Por isso fazemos campanhas. A gente bate em aumento do IPTU, a gente bateu para eliminar a CPMF [Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira], bate para modernizar os portos, para tirar os encargos sobre folha de pagamento, reduzir impostos, juros, gás... Acredita na possibilidade da reforma tributária no País? Acredito em reforma quando o governo inicia seu mandato. Quando você é homem público que saiu das urnas vitorioso você está com fome e promove as reformas logo na largada. Quando você deixa os anos passarem, não promove reforma nenhuma. O FHC foi assim, o Lula foi assim, a Dilma foi assim. Nos primeiros três meses tem que enfrentar tudo, porque tem força no Congresso, apoio da população, e promove o que o País precisa. Quando passa o primeiro, segundo, terceiro ano, só se pen-

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sa em reeleição não sai nada. Nós sabemos o que tem que fazer, mas é incompatível fazer o que precisa com a reeleição. É uma pena que se pense assim. Quando se pensa em eleição, você tem que pensar que essa é a última missão da vida. Automaticamente será reeleito e, se eventualmente não for, você estará tranquilo. A vitória não é da eleição, é da gestão. Então falta ao Brasil uma política industrial? O País é uma burocracia tremenda. Monta um negócio e você vai ver. Pega um jovem que monta um negócio, ele se revolta um ano depois com tanta burocracia e encheção de saco, tanta complicação. As coisas não são simples. É tudo para dificultar quem quer produzir. Lamentavelmente é assim. O que seria uma verdadeira política de desenvolvimento industrial? Seria simplificar. Abre a estrada. É justamente o oposto. Qualquer um que monte uma pequena ou média empresa sofre muito. A microempresa normalmente tem um empresário, um familiar, um ou dois funcionários, o que seria o certo? Essa pessoa dedicar tempo ao produto. Certamente gasta 60% do tempo com burocracia. E 30 ou 40% com o negócio dele.

Mas as propostas não foram mal direcionadas? Por exemplo, a gente tem a desoneração da energia, porém ela impactou o caixa do governo. Segundo, ouvimos economistas dizendo que alguns setores são beneficiados, como as montadoras, que pertencem a um setor “infante” ainda. isso não mostra que falta um direcionamento melhor à política industrial adotada? A redução da energia não tem nada a ver. Os contratos com hidrelétricas vencem em 2015. Quando fizeram na década de 1960, ficariam 35 anos. O cara constrói usina com dinheiro financiado e põe na conta o custo dele, o lucro e a amortização. A sociedade pagou isso. Em 1995 falaram que teve congelamento e levaram como compensação R$ 144 bilhões e, de prêmio de consolação, mais 20 anos. O certo seria tirar a amortização, porque já foi compensado, mas nin-

guém discutiu isso. A sociedade pagou pela segunda vez a mesma usina. Pessoal mal acostumado. Eles queriam prorrogar pela terceira vez mais 30 anos. O certo seria lançar os leilões. O governo teria que esperar 2015 e então antecipou e retirou a amortização. Todo sistema Eletrobrás aceitou e o preço caiu para 27% e com algumas isenções. Isso resultou naquela redução média que a gente falou. Três companhias, a Copel, no Paraná, a Cesp, em São Paulo, e a Cemig, em Minas, não toparam, porque são governos de oposição. O governo federal já tinha anunciado a redução, então para não ter que mudar o desconto anunciado, fez socorro até 2015. Não teve nada a ver com a redução. O que o governo fez teve que cobrir um período porque os três Estados não toparam. Quando chegar em 2015 e os preços baixarem, recupera essa situação. A sociedade não tem nada haver com isso. Ela precisava ter um preço justo de energia.

E os benefícios das montadoras? As políticas deveriam ser horizontais. Eu sempre defendi isso. A indústria manufatureira é toda importante. Eu defendo a desoneração de forma horizontal, mas se o governo vai reduzir para montadora não

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Perto de completar 59 anos, Paulo Skaf diz estar longe de pensar em aposentadoria

“O governo atual atua como mandava Maquiavel: fazer o mal de uma vez e o bem aos poucos. Veja se a manutenção dos impostos sobre veículos não foi assim”

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vou ser eu quem vai reclamar. Mas isso não é um estímulo. Estímulo é quando o mundo está num patamar e você tem algo além disso. É para estimular. Agora, com juros altíssimos, quando reduz, e de forma maquiavélica... Por que Maquiavel dizia que o mal você faz de uma vez, e o bem, em partes. Então tem redução do IPI da linha branca até o final de ano, depois de seis meses está discutindo de novo. Então a mesma redução fica valendo por dez. Isso é muito ruim porque ninguém faz planos. Se você sabe que são só seis meses, então não adianta investir. Pesa o elemento político de novo. Precisaríamos de reformas estruturais. Uma reforma tributária que agilizasse. Uma reforma trabalhista que modernizasse. Teríamos que ter reforma administrativa, modernização do Estado. Se sair com vocês em uma delegacia e depois em uma agência de um banco, a delegacia representa o Estado em 1970, e a agência está em 2014. O Estado precisa se modernizar, ter mais eficiência. “O cidadão que Então tudo isso junto é muito desaforo. A me acusa de usar sociedade paga um preço muito alto e tem a máquina da retorno do serviço público de péssima quaFiesp para me lidade. Não tem mobilidade urbana e paga promover não imposto de primeiro mundo. Tudo isso paga mais CPMF está ligado à gestão. A gestão pública não por conta de tem compromisso com resultado e não tem campanhas como respeito com as pessoas. Se tivesse respeias que ajudei to, uma pessoa não poderia estudar numa a liderar pela escola no sétimo ano sem saber escrever. entidade. Só se Se fala muito em homicídio, mas quantas incomodam agora tentativas de roubo acontecem por minuporque apareci to? É quase um estado de guerra. Quando bem em alguma o crime organizado quer faturar, a ordem é pesquisa” que não haja mortes para não atrapalhar o negócio.

Qual o investimento do Fiesp em Guarulhos? Nós investimos na escola atual. Revitalizamos as instalações, R$ 14 milhões. Estamos investindo R$ 30 milhões na escola nova do Senai e R$ 50 milhões entre o que investiu e o que vai investir no Sesi. Tudo isso é obra. Hoje já está realizada a revitalização, só falta a cobertura da quadra, daqui seis meses estará pronta. A nova escola estará pronta em julho de 2015. Vamos trazer as 46

duas escolas antigas para fazer um campus de educação único no Sesi. Algumas coisas estão feitas, como piscina, posto da polícia. São quase R$ 100 milhões até o ano que vem. Aproximadamente R$ 1 bilhão com novas escolas, laboratórios. Não estou falando de custeio, mas investimento.

Na eleição de 2010, o carro-chefe foi transportar o modelo Sesi para a rede estadual. isso, para alguns analistas, ficou monotemático, semelhante à Marina Silva. O senhor vai puxar esse assunto de novo ou vai implementá-lo com mais alguma coisa? Para ser sincero, as candidaturas se materializam em junho. Vou me licenciar, caso se confirme a candidatura. Tenho que me licenciar quatro meses antes das eleições. Então vou me licenciar entorno de 1º de junho, daí vou pensar em campanha. Agora estou cumprindo minha agenda como presidente das entidades.

E se hoje fosse dia 2 de junho? As coisas são muito dinâmicas, mas valorizo muito a questão da educação. Os chineses dizem que mais que um milhão de palavras vale um gesto. Uma coisa é o discurso, outra o que a gente já fez. Fizemos uma revolução na educação no Sesi. Quando entrei no Sesi, o Ensino Fundamental tinha oito anos. Hoje tem nove, o ensino articulado técnico do Senai, 16 faculdades, cem escolas novas, temos um milhão de alunos, 500 mil matrículas no Sesi, enfim, investimentos altíssimos. Nunca foi feito isso na história, mas não deixamos de ter as cruzadas para reduzir a energia, para gerar emprego, gerar desenvolvimento, aumentar a competitividade do País. A gente acredita num conjunto das coisas. A educação é importante porque dá oportunidade para as pessoas, ajuda na segurança. O aluno do Sesi fica nove anos com educação de qualidade, e faz curso técnico. Então, um rapaz de 18 anos não precisará de penitenciária, e bem possivelmente não precisará de hospital. O ideal seria a gente ficar como a Suécia. Lá eles não sabem o que fazer com meia dúzia de penitenciárias que estão sobrando. Aqui nós temos educação de pés-

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sima qualidade e queremos novas penitenciárias. Tem problema imediato de segurança e saúde que precisa de gestão. São Paulo gasta 1% do PIB paulista em segurança. Na Alemanha também é 1% do PIB. Vai ver a diferença. Não é falta de dinheiro. Falta qualidade de gestão, eficiência e resultado.

mento será de 3,7%. Ou seja, pela situação melhor somada à realidade cambial, nós devemos exportar mais neste ano e Guarulhos está inserido nisso. Certamente baixou o ano passado aqui, como baixou no Brasil todo pela crise e dólar, e vai crescer crescimento da exportação e pela redução da importação.

Guarulhos vem sofrendo reveses no saldo da balança comercial, com queda na exportação. Com uma indústria tão diversificada, o que a cidade precisa fazer?

Seus adversários políticos alegam que o senhor usa a máquina. O que tem a dizer sobre essa acusação?

Guarulhos não vai ser diferente do modelo do resto do Estado e do Brasil. Esse ano a gente espera superávit maior. Guarulhos vai melhorar sua balança comercial em 2014. Se me perguntar por que, lhe dou dois motivos: iniciamos o ano com dólar a R$ 2,40, e no ano passado foi perto de R$ 2. É diferente. Esses 20% em termos de competitividade é tremendo. Segundo, você tem a recuperação dos mercados internacionais. Esse ano, de acordo com a previsão do FMI, o cresci-

Em 2007, quando fizemos a cruzada nacional contra a CPMF, eu não tinha nem filiação partidária, e esse cidadão que acusa deixou de pagá-la, como todos os que estão aqui. Eu tive filiação partidária dois anos e meio depois. A redução de energia foi dois anos de luta. Se não fôssemos para a televisão, estaríamos pagando mais. A MP dos Portos não seria aprovada. Em todas essas encrencas nós nos indispomos com gente grande em todas essas brigas. As concessionárias se rebelaram contra a Fiesp, mas a Fiesp defendeu a sociedade e o País. Na

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“As campanhas só se materializam em junho. Mas acho que um homem eleito precisa fazer as reformas necessárias logo na largada, quando tem gás, apoio popular e no Legislativo. Se demorar muito, vai começar a pensar na reeleição”

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CPMF, eu tinha relacionamento bom com o presidente Lula, da meia dúzia de empresário que o apoiaram em 2012 eu era um. Isso porque eu alertei várias vezes, quando vi que não tinha jeito, aí nós fizemos uma cruzada nacional. O IPTU de São Paulo, o orçamento da cidade, com R$ 50,5 bilhões e um caixa aplicado de R$ 49 bilhões, quis dobrar o IPTU para quem aumentou 10% a renda. Se não fosse por essas campanhas, a competitividade, a sociedade, não teriam tido esses resultados. Enquanto a campanha do Sesi e Senai, que vincula à indústria, há anos atrás as pessoas achavam que eles eram do governo. As campanhas servem para mostrar que eles são mantidos pela indústria. Todas essas batalhas nós vencemos. A sociedade venceu, e hoje todo mundo sabe sobre Sesi e Senai. Se o meu nome não fosse lembrado como segundo lugar em pesquisa para candidato ninguém falava nada. Porque eu sou lembrado, agora sou obrigado a ficar amarrado e a Fiesp está proibida de falar e de fazer aquilo que sempre fez? Existem pessoas há muito tempo no governo. O PSDB está

há 20 anos no governo de São Paulo. Se soubessem resolver, eles teriam resolvido. Mas mesmo não sabendo resolver eles gostariam de ficar mais 20 anos. Quando aparece uma eventual ameaça, eles apelam ao tapetão e aí vão para outros ares.

Na campanha à Prefeitura, o petista Fernando Haddad dizia que a gestão Lula-Dilma havia resolvido o problema da porta para dentro. O senhor afirma também que dentro da indústria está tudo resolvido. Onde está o problema então? O problema está na gestão do País. A má qualidade da política. Na empresa tem o olho do dono. Tem gente que tem que fazer conta e lutar. Mas não acontece isso aí fora. Agora, o que precisa é a conjuntura ajudar. Houve melhora para milhões de brasileiros, mas não significa que os problemas estão resolvidos. Você resolve uma coisa ruim não significa que acabaram os problemas. O problema de educação é gravíssimo. Então falta acertar o conjunto das coisas. Temos músicos bons, instrumentos bons, falta é maestro e afinar a música.

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Skaf visitou a redação da REVISTA FOLHA ESSENCIAL em fevereiro, quando anunciou investimentos no Senai e Sesi locais

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Primeiros passos

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Possível solução para a espinhosa questão da destinação de resíduos sólidos, as políticas de logística reversa ainda são tímidas no Brasil, em São Paulo e em Guarulhos. Apesar da criação de legislação, ainda há muito a fazer. Wellington Alves

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que fazer com o lixo produzido? Essa é uma questão recorrente que só terá solução adequada com a participação de todos. E a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, prevê a inclusão do setor industrial neste tema com a logística reversa. Cada indústria deve recolher os itens produzidos, depois de utilizados pelos consumidores, e dar destinação adequada. Apesar da importância do tema, a logística reversa ainda engatinha. O governo federal conseguiu assinar apenas o acordo setorial de embalagens plásticas usadas de lubrificantes, segundo o Sistema Nacional de Informações Sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), do Ministério do Meio Ambiente. O governo ainda tenta acordos no descarte de medicamentos, embalagens em geral, eletroeletrônicos e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. O governo estadual, por sua vez, lançou o programa de logística reversa em 2011, mas também está bem no início. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) assinou 12 termos de compromisso com alguns setores, alguns que não foram atingidos ainda pelo Ministério do Meio Ambiente, como produtos de higiene pessoal, cosméticos, pilhas e baterias portáteis, aparelhos de telefonia celular e óleo comestível. A Prefeitura de Guarulhos ainda não possui ações de logística reversa. Os 17 pontos de entrega voluntária (PEVs) instalados no município servem para receber apenas entulhos de pequenos geradores, como construção e demolição. Contudo, através dos termos de compromisso assinados pela Cetesb, os guarulhenses podem contribuir com a logística reversa nos pneus inservíveis, aparelhos celulares e óleo comestível (veja tabela). Para o engenheiro Flavio de Miranda Ribeiro, assessor da vice-presidência da Cetesb, a própria Europa, que é referência em logística reversa, demorou décadas para conscientizar a população da responsabilidade pelo lixo. “Pedimos sugestões para os setores e conseguimos 12 projetos-piloto no Estado”, afirma. Ele avalia que ainda há incertezas 52

que precisam ser definidas pelo governo federal, como os importadores e as empresas que atuam em vários estados. O presidente do Sindicato das Empresas de Limpeza Urbana do Estado de São Paulo (Selur), Ariovaldo Caodaglio, afirma que a logística reversa dará mais resultados quando houver maior investimento do poder público em coleta seletiva, o que pode modificar comportamentos da população. “Esse material [lixo industrial], se não for para as empresas, vai para os aterros, que só deveria receber os rejeitos”, opina. Apesar dos poucos passos, ainda há tempo de melhorar a política de logística reversa. O governo federal quer que o sistema funcione em todo o País a partir do próximo ano. O problema será efetuar acordos setoriais que permitam a população, de fato, colaborar neste processo.

Pontos de entrega voluntária

Pneus inservíveis Reciclanip 2468-7206

Celulares e aparelhos Devolver nas lojas das operadoras

Óleo comestível Procurar os locais nos sites

http://www.liza.com.br/SuaVida/Sustentabilidade/Acao-Renove.aspx http://www.oleosustentavel.com.br/

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Logística reversa Vantagens para a sociedade e o meio ambiente • Possibilita o retorno de resíduos sólidos para as empresas de origem, evitando que eles possam poluir ou contaminar o meio ambiente (solo, rios, mares, florestas etc.); • Permite economia nos processos produtivos das empresas, uma vez que estes resíduos entram novamente na cadeia produtiva, diminuindo o consumo de matérias-primas; • Cria um sistema de responsabilidade compartilhada para o destino dos resíduos sólidos. Governos, empresas e consumidores passam a ser responsáveis por coleta seletiva, separação, descarte e destino dos resíduos sólidos (principalmente recicláveis); • As indústrias passarão a usar tecnologias mais limpas e, para facilitar a reutilização, criarão embalagens e produtos que sejam mais facilmente reciclados.

Como funcionará na prática: exemplo de logística reversa Uma empresa fabricante de pneus deverá receber de volta seus produtos já usados. O consumidor, após usar os pneus, deverá encaminhá-los a pontos de coleta específicos (que podem estar instalados no comércio onde ele adquiriu), onde serão retirados pelo fabricante. O fabricante reutilizará estes pneus usados, após passar por determinados procedimentos, na linha de produção de pneus novos ou outros produtos. Desta forma, a logística reversa impedirá que estes pneus sejam descartados em rios ou terrenos, poluindo o meio ambiente.

A função de cada setor no processo • Consumidores: devolver os produtos que não são mais usados em pontos (locais) específicos. • Comerciantes: instalar locais específicos para a coleta (devolução) destes produtos. • Indústrias: retirar estes produtos, através de um sistema de logística, reciclá-los ou reutilizá-los. • Governo: criar campanhas de educação e conscientização para os consumidores, além de fiscalizar a execução das etapas da logística reversa. FONTE: Secretaria de Serviços Públicos de Guarulhos

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fechado para reg indústria brasileira sofre com os manufaturados importados, mas situação pode melhorar em 2014 viníCiUs BACelAR

A indústria brasileira tem sofrido com a forte concorrência dos produtos importados no próprio mercado interno. Segundo dados divulgados pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Coeficiente de Exportações (CE) de 2013 teve um acréscimo de 0,33 ponto percentual por causa de um único motivo: a venda de sete plataformas de exploração de petróleo. Em 2012, o País comercializou apenas duas destas estruturas. 54

Apesar do aumento registrado no CE, o diretor-titular do Derex, Thomaz Zanotto, diz que os índices relativos à importação foram históricos no ano passado - o Coeficiente de Importação (CI) atingiu a marca inédita de 25,2%. Para Zanotto, o déficit na balança comercial brasileira (mais importações do que exportações) é gerado por falta de competitividade. “Mesmo com a recente desvalorização do Real, as importações continuaram a crescer. Isso se deve a fatores estruturais da economia brasileira, como a relação da indústria doméstica com os insumos importados”, argumentou o diretor do Derex. Ele acrescenta que os altos impostos, as estruturas defasadas e os problemas logísticos também prejudicam a entrada do produto nacional no mercado estrangeiro.

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gular a balança Déficit pode ser amenizado em 2014 O diretor do Derex, Thomaz Zanotto, diz que o déficit pode ser amenizado em 2014. “Acredito que o País tenha condições de reduzir a diferença até o final do ano. Mesmo com os números negativos dos dois primeiros meses”, afirmou. No entanto, ele ressalta que a redução será lenta. “Não é uma mudança drástica e repentina. Não vamos mudar da água para o vinho rapidamente”, ponderou. Zanotto declara que o governo brasileiro precisa tomar algumas medidas para estabilizar a balança. “Reduzir os impostos é um passo para diminuirmos a diferença de valores entre exportações e importações.” O diretor também comenta que as crises econômicas enfrentadas por Argentina e Venezuela, países que importam produtos do Brasil, devem afetar o desempenho das indústrias nacionais. “Além disso, o próprio mercado interno precisa ser mais independente e suprir a nossa demanda. Sem a necessidade de buscar manufaturados no Exterior”, completou.

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Economista se diz otimista, mas afirma que crises de Argentina e Venezuela podem afetar desempenho das indústrias nacionais

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inflação para este ano é bicho-papão Números apresentados são diferentes das otimistas previsões do governo, que luta para o pesadelo não atrapalhar o ano eleitoral AlfRedo HenRiqUe

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egundo uma ata de 32 páginas divulgada pelo Banco Central (BC) neste ano, a inflação chegou a ceder um pouco no início de 2014, mas mesmo assim continua acima do ideal. Nos últimos 12 meses, ela acumulou alta de 5,59%, superando a meta de 4,5% anuais que a autoridade monetária deveria seguir. Por isso, o BC elevou suas taxas de juros de 10,5% para 10,75% - mesmo valor de quando Dilma Rousseff (PT) chegou ao poder. “Em 2014, calma e sensibilidade serão necessários, pois a expectativa de futuro para a inflação, em curto prazo, não é nada boa”, afirmou o professor Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FSM). Ele afirma ter se surpreendido com a expectativa do BC em fechar em 10,75% a taxa Selic, que define o valor dos juros a serem aplicados no mercado e pelos bancos. O documento do BC mencionado no início deste texto diz ainda que haverá um aumento bruto de 0,25% na escalada inflacionária no País. “Economizar será o melhor caminho para evitar problemas futuros”, orientou o coordenador da FSM. “Dando prosseguimento ao processo de ajuste da taxa básica de juros, iniciado na reunião de abril de 2013, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,25 p.p.”, afirmou trecho da ata do BC. Isso quer dizer que o valor dos juros, apesar de inevitavelmente subir, terá elevações mais suaves de 0,25 ponto percentual de cada vez, e não mais 0,5 ponto percentual. O Comitê de Política Monetária (Copom) é constituído pela cúpula do BC. Consequências – Com o aumento da inflação, o valor dos insumos e combustíveis também aumenta. O professor da FSM orienta que, para os interessados em comprar produtos com valor agregado, é melhor juntar dinheiro e pagar à vista. “Todos perdem com esta situação, pois os juros aumentam o preço a ser pago em caso de financiamentos em geral. É bom pensar bem antes de se comprar qualquer coisa, pois pode sair caro.” Como neste ano acontecem as eleições para presidente e governador, o especia-

lista afirma que “não é interessante” que ocorra uma explosão inflacionária. “Com isso, no futuro também ocorre o aumento do desemprego.” Em decorrência desta previsão negativa, o professor avalia que o governo fará de tudo para conter o aumento da inflação antes das eleições. “Mas as medidas tomadas para conter a alta inflacionária, por questões políticas, irão prejudicar o mercado.” Artimanhas – Uma maneira de o BC conter o crescimento da inflação é aumentar o valor dos juros cobrados ao consumidor. “Isso é uma forma de manter a inflação centralizada nos 4,5%. Caso o percentual cresça muito e ultrapasse os 6,5% de limite estipulado pelo governo, a situação fica perigosa”, analisou Gonçalves. Ele ainda aponta como um fator de preocupação a falta de investimentos em infraestrutura. “Isso prejudica as empresas de forma geral, pois não conseguem concorrer no mercado interno, fazendo com que as importações aumentem.” O documento do BC ainda afirma que nos mercados de moeda há evidências de tensão e de volatilidade. Ou seja, o valor do dólar pode subir, acarretando aumento da inflação e forçando ainda mais os juros para o alto. A autoridade monetária está mantendo esta observação em suas últimas atas, deixando claro que as estratégias econômicas podem mudar caso o valor do dólar se eleve muito. “Emprego é mais importante que inflação” – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em entrevista ao jornal italiano La Repubblica, em 9 de março, que “para nós [do PT] a defesa do emprego é mais importante do que a inflação”. Com isso, ele rebate os críticos da política econômica petista - que falam em reduzir a oferta de emprego para, consequentemente, reduzir a inflação. No dia seguinte, Lula questionou a publicação italiana e enviou nota à imprensa afirmando que sua declaração foi outra. “Nossos críticos querem que tenha um pouco de desemprego para poder melhorar a inflação. Eu não quero que tenha desemprego para melhorar a inflação. Eu quero melhorar a inflação com pleno emprego.”

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“Perdi muitos eventos em família e quero compensar isso, mesmo sem largar a responsabilidade”, diz Rose

Uma excelência de mulher Diretora da Hammer diz que não é a única mulher liderando uma indústria em Guarulhos e festeja respeito consquistado mARCelA fonseCA

Tradicionalmente, o Dia Internacional da Mulher chama atenção para uma das desigualdades mais retrógradas da história: a diferenciação entre homens e mulheres. À frente da Hammer Indústria de Artefatos Plásticos, Rosemary Hammer prova que a mulher tem força e sabe tratar de negócios, inclusive na indústria, ramo antes dominado por eles. Rose, que além de empresária é mãe, conta que não foi fácil chegar onde chegou. A vida profissional dessa empresária de Guarulhos começou aos 16 anos. Supera58

das duas crises, agora, aos 52 anos, com seu trabalho consolidado, ela quer tirar o pé do acelerador para aproveitar a vida, mas sem perder o foco: o sucesso de sua indústria. Recém-chegado da Alemanha, foi o avô paterno ferramenteiro de Rose quem criou a indústria em 1951, à época instalada na Penha, zona leste da Capital. Em 1962, a primeira mudança: a Hammer chegou a Guarulhos e com a morte de Heinrich Hammer, seu filho Alfredo Hammer assumiu os negócios. “Meu avô conheceu o dono da Brinquedos Estrela. Fazíamos para eles os olhos das bonecas. Ficamos com eles até meados de 1987, quando infelizmente começou a expansão do mercado chinês. Nesta época as empresas de fabricação de brinquedos quebraram”, contou.

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Pouco depois, em 1989, a Hammer aceitou o desafio de entrar para uma nova linha de produção e, desde então, fabrica seringas para uso veterinário. Atualmente atende todo o Brasil e tem clientes no Uruguai e no Peru. São 1,3 milhão de peças por mês. E uma equipe de 82 funcionários. Mas tanta experiência não foi adquirida apenas com as lições transmitidas de pai para filha. Após uma passada rápida pela empresa da família, Rose foi contratada por um escritório contábil, de onde saiu para trabalhar no setor de medições da Camargo Corrêa. Lá permaneceu entre 1982 e 1985. Só em 1995 voltou a fazer de fato parte do quadro de funcionários da Hammer. “Vivemos um momento muito difícil quando houve a transição do então ministro [Luiz Carlos] Bresser para o governo [Fernando] Collor [de Mello], entre 1988 e 1990. Foi uma situação bastante delicada”, lembrou. Vencida a primeira batalha, em 1992, Rose deixou a empresa e partiu rumo a São José do Rio Preto, no interior paulista. Foram seis anos longe do negócio da família. O retorno, em 1998, aconteceu num momento de crise. “Deixei a empresa em uma situação estável, mas voltei numa fase bastante difícil, na época um representante comercial havia nos dado um golpe. Foi difícil reverter tudo. Foram dois anos de muito trabalho”, disse. Com o passar do tempo a Hammer se tornou referência na fabricação de artefatos plásticos destinados a laboratórios veterinários. E hoje a expectativa é crescer a cada ano 20%. “Pensar que 15 anos atrás tínhamos 28 funcionários e hoje são 82 colaboradores, isso é bacana, dá um prazer de continuar trabalhando, ver seu produto viajando por intermédio de nossos clientes é uma satisfação pessoal muito grande”, completa.

“Não nos veem mais como um bicho estranho” Líder nata, Rosemary Hammer comemora o fato de ver outras mulheres empreendedoras atuando na indústria. Mas nem sempre foi assim. “No começo os homens não aceitavam

Rosemary Hammer recebeu em 2013 o prêmio Excelência Mulher do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)

a situação totalmente. A indústria era machista. Hoje não nos veem mais como um ser estranho. Os homens não achavam a mulher capaz de tocar uma indústria”, disse Rosemary. Hoje ela elenca empresas dirigidas por mulheres. “A Fibrasil, indústria de carrocerias, a Degani, indústria química, a Citromax, indústria de alimentos, a Maggion, de pneus e câmaras, são alguns exemplos. Somos vistas com respeito”, afirmou.

Pausa para curtir a vida Sempre muito focada no trabalho, Rosemary Hammer em seus 36 anos de carreira chegou a abrir mão de momentos e situações em função do trabalho. Mas o desejo de fazer coisas novas a tem feito mudar. “Sou mãe de duas meninas, tive que deixar de ir a algumas festinhas, reunião na escola, e até hoje elas me cobram isso. Mas tudo o que pude fazer eu fiz”, disse. Entre os novos projetos está viajar. “Desde o ano passado falei ops!, é hora de colocar o pé no freio e começar a curtir um pouco mais. E o que fiz aos 50 anos? Realizei um sonho de infância, fui conhecer a Disney. Aquilo é mágico”, disse Rosemary, que viajou na companhia da filha caçula. O próximo destino é um cruzeiro pela costa argentina e uruguaia. “Já consegui deixar tudo marcado, me disseram que é lindo. Mas se possível ano que vem quero viajar novamente para a Disney”, disse sorrindo.

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Apps: Com baixo risco de segurança, aplicativos para celulares são “mão na roda” para empresários mARCelA fonseCA

Especialista indica apps que fiquem armazenados na “nuvem”

Aliados da vida executiva, os aplicativos para dispositivos móveis oferecem facilidades e até oportunidades de negócios. Coordenador do curso de Sistemas para a Internet do Instituto Brasileiro de Tecnologia Avançada (IBTA), Rodrigo Assirati Dias explica que um app pode ser uma

Ferramentas de produtividade, organização e conectividade

importante ferramenta de produtividade, organização e conectividade. “Ao escolher um app é bom dar preferência para aplicativos que façam parte de um serviço na nuvem, que possa ser acessado de outros dispositivos”, sugere Dias. Mas atenção! Para sistemas abertos como Android e Windows Phone, é necessário verificar a confiabilidade do seu desenvolvedor através de comentários na internet. “Problemas de segurança nessas plataformas são raros, mas existem”, alerta.

Conheça 20 apps essenciais para um executivo de pequena ou média empresa: 1 LinkedIn Aplicativo para gerenciar e expandir sua rede de contatos profissional. Sem custo. 2 Cam Card Aplicativo que digitaliza cartões de visita recebidos e os armazena em um arquivo digital. Pode-se também transformar as informações lidas em contatos de seu celular. Versões gratuita e paga (R$ 28,38). 3 Wunderlist Para gerenciar e compartilhar sua lista de tarefas a fazer. Versão gratuita ou de US$ 4,99/mês. 4 Dropbox Para ter seus arquivos mais importantes sempre acessíveis e sincronizados entre todos os seus dispositivos (tablets, celulares, desktops, web etc.). Sem custo. 5 Pocket Serviço que armazena de maneira centralizada links que recebe de redes sociais, email etc. e os deixa acessíveis para leitura off-line de qualquer lugar. Sem custo. 6 Skype Comunique-se com seus contatos não importando onde eles estejam, seja por texto, voz ou vídeo. Sem

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custo. Existe um custo para ligações originadas do skype para linhas fixas de alguns países. 7 Expensify Para gerenciar seus reembolsos. O aplicativo pode digitalizar recibos ou receber informações diretamente do cartão de crédito, separá-las por tipo de despesa e centro de custo e depois emitir um relatório de reembolso. Sem custo. 8 Evernote Aplicativo que gerencia de maneira centralizada suas notas e anotações de texto, voz e imagens de câmera, dividindo em pastas ou cadernos virtuais de anotações e os deixando acessíveis de qualquer lugar. Sem custo. 9 Cisco WebEx Meeting Center Plataforma para participação de reuniões virtuais com recursos interessantes como vídeo, compartilhamento de tela, de apresentações e de documentos. Sem custo. 10 Quickoffice Leitura, criação e edição de documentos do Microsoft Office como planilhas do Excel, apresentações do PowerPoint e documentos do Word. Versão grátis para leitura e versão Pro por US$ 15 para criação e edição.

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Aplicativo que coloca em seu celular ou tablet informações de voos nacionais e internacionais como atrasos, hora de partida e chegada etc. R$ 24. 12 Good Reader: PDF Reader Um leitor de PDF que permite não apenas ler, mas fazer anotações e marcas no documento. US$ 5. 13 Flipboard Leitor de notícias que concentra seus feeds e os transforma em uma revista virtual para estar sempre a par de tudo que está acontecendo. Sem custo. 14 World Clock Aplicativo que mostra a hora em diversos países e possui alarme com base na hora local para lembrar compromissos locais de executivos que estão sempre viajando. 15 Dashlane Password Manager Gerencia de forma centralizada suas senhas. Basta decorar uma senha para ter acesso a todas as outras. Sem custo. 16 Printer Share Mobile Aplicativo que permite imprimir documentos, arquivos e imagens de qualquer impressora compatível a partir da internet. R$ 30,65 17 Wallet App Gerenciador financeiro pessoal com funções como consolidação de extratos e sincronização de informações. Sem custo para até duas contas. 18 eWallet Além de gerenciar senhas, também guarda informações importantes sobre suas contas pessoais e números de cartões de crédito em uma carteira virtual para não ter que andar com todos os cartões sempre com você. R$ 23,64 19 Wi-Fi Finder Aplicativo que encontra pontos de acesso Wi-Fi perto de você. Sem custo. 20 Waze Social GPS GPS social que permite evitar trânsito local com base em informações fornecidas pela própria comunidade. Ideal para evitar atrasos nos deslocamentos em reuniões externas. Sem custo.

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eventos para networking e inovação nos negócios Marque na sua agenda alguns dos principais eventos que você não pode pensar em perder neste ano deisy de Assis - Estar atento às novidades do mercado e trocar informações e experiências fazem parte das estratégicas para o sucesso nos negócios. Eventos previstos para este ano oferecem essas possibilidades e se mostram imperdíveis para os empresários de seus respectivos setores. 1 No mês de abril será realizada a 4ª Automec Pesados & Comerciais, feira internacional especializada em peças, equipamentos e serviços para veículos pesados e comerciais. A estimativa é de que aproximadamente 30 mil visitantes de 51 países passem pelo evento. Este ano a feira terá pela primeira vez o Fórum Automec, no qual ocorrerão debates a partir da parceria entre entidades sindicais. “Com essa parceria, discutiremos questões atuais da área”, comentou o diretor da feira, Rodrigo Rumi. Um dos temas a serem abordados será a legislação que regulamenta a atividade de desmonte e reciclagem de veículos, vigente no estado de São Paulo desde janeiro. 2 Já no mês de maio ocorre a 30ª Feira Internacional da Mecânica, que é realizada há mais de 50 anos, sendo pelo trigésimo ano a maior feira de máquinas e equipamentos da América Latina. No evento, em que são esperados 109 mil visitantes, estarão expositores de automação e controle de processos, equipamentos para tratamento ambiental e refrigeração, solda e tratamento de superfícies.

rão disponíveis equipamentos de elevação, embalagens e pontes rolantes. Serão 550 expositores e a perspectiva é de 33 mil visitantes. 4 Em setembro é a vez da feira do setor de hospitalidade Equipotel São Paulo. O evento permitirá a troca de informações entre profissionais e investidores de hotelaria, alimentação, arquitetura, higiene, entre outros. Segundo a gerente de eventos Luciele Marques, a setorização tem rendido bons frutos. “A segmentação é uma tendência e tem resultados excelentes no Exterior. Aqui não será diferente”, disse.

SERViçOS 1

4ª Automec Pesados & Comerciais De 1º a 5 de abril Local: Parque de exposições do anhembi Endereço: avenida olavo fontoura, nº 1.209, santana-sP Informações e inscrições: automec.inscricao@reedalcantara.com.br, www.automecpesados.com.br e (11) 3060-4949

2

30ª feira internacional da mecânica De 20 a 24 de maio Local: Parque de exposições do anhembi Endereço: avenida olavo fontoura, nº 1.203, santana-sP Informações e inscrições: http://mecanica.com.br

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22ª feira internacional de tecnologia sucroenergética (fenasucro) De 26 a 29 de agosto Local: centro empresarial Zanini Endereço: Marginal João olízio Marques, nº 3.563, sertãozinho-sP Informações e inscrições: www.fenasucro.com.br

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equipotel são Paulo De 15 a 18 de setembro Local: Parque de exposições do anhembi endereço: avenida olavo fontoura, nº 1.203, santana-sP Informações: www.equipotel.com.br

Segundo semestre de agenda cheia 3 No segundo semestre a programação continua. Aos que atuam na área industrial a 22ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), que ocorre em agosto, reunirá diversos expositores de equipamentos hidráulicos, de automação, para geração de energia, tratamento de água, válvulas, entre outros. Para o ramo de transporte e logística, esta-

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Práticas anticorrupção na indústria farmacêutica Benny sPieWAK é advogado especialista em direito farmacêutico e sócio do escritório ZcBs (Zancaner costa, Bastos e spiewak advogados)

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Os integrantes da cadeia industrial da saúde deveriam estar acostumados com políticas de compliance. Muito antes do boom de preocupação com o tema e décadas antes da implantação da Lei Anticorrupção, os profissionais da indústria sanitária conviviam com orientações extremamente rígidas no que tange às condutas para realizar seus negócios. Ainda assim, de tempos em tempos, surgem relatos que balançam a zona de conforto destas companhias. Especialmente no momento em que afetam sua credibilidade mercadológica, práticas comerciais e, especialmente, habilidade de gerar receitas. Os mercados emergentes da indústria farmacêutica são os principais catalisadores desses relatos (África do Sul, Brasil, China, Índia, Rússia, Turquia). Dificilmente um caso investigado na área de combate à corrupção no setor farmacêutico deixará de incluir o questionamento de práticas realizadas em um desses locais. Os agentes da indústria farmacêutica operam em um cenário intensamente complexo,

seja do ponto regulatório ou legislativo, que conta com diversos e importantes atores, diversas jurisdições e, especialmente, quase intermináveis implicações. Para esses agentes, compliance não é apenas uma questão de status corporativo, mas de sobrevivência mercadológica. No segmento farmacêutico, é comum encontrarmos foco enorme das companhias nas condutas comerciais e de marketing. Contudo, há menor ênfase e conhecimento para que os profissionais de compliance investiguem as práticas internas de pesquisa médica e no relacionamento com vendas governamentais. Um novo componente para a receita do desastre. Estabelecer parâmetros contratuais e éticos no relacionamento com os profissionais de saúde, desde o momento inicial, é crucial. Contudo, é comum enxergarmos falhas sistêmicas das companhias nesse quesito, incluindo no que tange às companhias com elevadíssimos critérios de conduta. É nessa falha que reside o perigo.

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o difícil emprego nas grandes empresas multinacionais lAeRte leite CoRdeiRo é consultor sênior de executivos e carreiras em são Paulo.

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Em nosso contato com headhunters de São Paulo aprendemos que sem Inglês fluente, com um histórico simples de carreira profissional, mais de 40 anos de idade, um currículo acadêmico sem um nível mínimo de MBA, atualização fraca em Tecnologia, pouca experiência gerencial em empregos anteriores e uma relativa instabilidade nos empregos, dificilmente o executivo vai conseguir um emprego em uma grande empresa multinacional no Brasil. Se puder superar esses aspectos negativos, então estará qualificado para disputar posições gerenciais e de direção e ganhar bons salários e benefícios, acoplados a uma política de remuneração que certamente irá incluir significativos prêmios e bônus. Como hoje o número de executivos profissionais de nível médio e sênior é muito grande no mercado, disputando as posições disponíveis nas grandes empresas, é importante saber como é que uns se diferenciam dos outros. Certamente as empresas estão cada vez mais preparadas para bem atrair e selecionar os executivos que pretendem admitir. Os requisitos concretos podem ser facilmente avaliados. O currículo apresentado por cada candidato certamente vai contar os seus méritos e suas experiências, por onde alguns serão excluídos e outros continuarão candidatos durante o processo. As competências chamadas técnicas são objetivase facilmente constatadas. As competências comportamentais, por outro lado, não são fáceis de avaliar e áreas como liderança, relações com pessoas, criatividade, iniciativa e proatividade, empreendedorismo e capacidade decisória são problemas a resolver na avaliação dos profissionais a contratar, desenvolver ou promover. À área de Recursos Humanos compete desenvolver o perfil de competências técnicas e comportamentais necessárias para cada posição do organograma superior da empresa. Já não bastasse a dificuldade de identificar e atrair candidatos que atendam ao perfil de

competências estabelecido, é preciso ainda considerar que, em adição, há ainda que se avaliar a compatibilidade entre a personalidade do profissional avaliado e a “cultura” da organização. O bom candidato será sempre aquele compatível com os usos e costumes, os valores, a ética e, porque não, com o “jeitão” da empresa. E certamente não dará certo aquele que, a despeito de tantas virtudes possa colidir com a “cultura” organizacional. O fato é que o emprego executivo nas grandes empresas multinacionais no Brasil só está aberto para quem possa oferecer as competências técnicas estabelecidas, demonstrar as competências comportamentais necessárias e ser compatível com os traços culturais da Organização. Mas para quem pensa que basta somar pontos nesses três quesitos básicos para garantir o emprego ou a promoção, ainda existem, como barreiras, as características pessoais da avaliação de cada chefe requisitante, entre as quais podem se encontrar “ele é prolixo”, “ele se veste mal”, “ele sua”, e outros tantos itens de avaliação que podem castigar o candidato que tirou nota 10 em tudo, mas que esbarra nessa avaliação particular do futuro superior imediato. Como se pode observar, não é nada fácil conseguir um emprego de nível hierárquico mais alto em uma grande empresa, especialmente nas multinacionais. Mas também é preciso lembrar que o grande mercado de trabalho para executivos é também composto de pequenas e médias empresas que são menos exigentes e que aceitam profissionais nem sempre tão completos nos seus perfis. Há excelentes empresas, empregos e executivos no mercado, fora das grandes multinacionais. Se o leitor entende que terá alguma dificuldade de atender a todos os requisitos que lhe serão cobrados numa empresa grande multinacional busque os seus objetivos profissionais em empresas menores e seja um agente de transformação e crescimento.

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Revista Folha Essencial - Abril de 2014