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Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

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Bombeiros procuram vítimas em desabamento de prédio Lucas Dantas

Escombros - Segundo informações, dois dos 13 trabalhadores que atuavam na construção costumavam dormir no local; oito residências próximas tiveram de ser interditadas


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Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

Prédio em obras cai na Vila Augusta ChiCo junior - Um prédio de cinco andares que estava em construção desabou no início da noite de ontem na Vila Augusta. Mais de 60 homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil de Guarulhos procuravam dois operários possivelmente soterrados. Até as 23h não havia sinal de vítimas sob os escombros. Segundo informações, dois dos 13 trabalhadores que atuavam na obra costumavam dormir no local. Um deles, identificado apenas como Edenilson, não havia sido encontrado até o fim da noite. Tentativas de contato por celular não deram resultado. Os demais funcionários haviam saído antes do acidente, que ocorreu por volta das 19h30. As possíveis causas do desmoronamento ainda não são conhecidas. O empreendimento na altura do número

1.900 da Avenida Presidente Humberto Castelo Branco estava em fase de acabamento. O ajudante Francisco Antonio Barbosa disse que não houve nenhum tipo de barulho antes da obra começar a ruir. Para evitar riscos, oito imóveis localizadas na parte de trás da construção foram interditados. Um prédio residencial vizinho à obra também sofreu intervenção. De acordo com a Defesa Civil, os moradores foram passar a noite na casa de parentes. A operação envolveu inicialmente mais de 20 viaturas e 65 homens no local. Cães farejadores também participaram da operação. Alguns deles foram destacados pela Defesa Civil de Osasco. A construtora Salema, empresa responsável pelo empreendimento, afirmou que a obra está devidamente legalizada.

Obra estava regularizada, diz construtora Representando a construtora Salema, o advogado Maurício Monteagudo Flausino disse à Folha Metropolitana que a obra “estava com a documentação em dia”. Segundo a Prefeitura o alvará da construção havia sido emitido em novembro de 2012. A Defesa Civil disse que não recebeu nenhuma notificação sobre a obra.

Quase no fim da noite chegaram quatro tratores para possível remoção de escombros

Flausino disse ainda ser improvável que houvesse algum funcionário na obra na hora do desabamento. O advogado contou à reportagem ter ouviu relatos de outros funcionários sobre a ida de Edenilson à padaria. Nenhum dos trabalhadores havia confirmado detalhes à Polícia Militar ou ao Corpo de Bombeiros. Coordenador da Defesa Civil de Guarulhos, Paulo Victor Novaes afirmou que o prédio estava estável e que nenhuma queixa havia sido feita contra a construção. “A Defesa Civil nunca foi chamada nessa obra”, declarou. Novaes e a secretária de Assistência Social (SDAS), Genilda Bernardes, acompanhavam a operação no local.

Silvio CeSar

OPERAÇÃO No comando da operação com os cães farejadores, o tenente do Corpo de Bombeiros Robson Mitsuo disse que os cachorros já haviam verificado boa parte do perímetro. A área principal era a mais provável de haver alguma vítima. O bolsão seria o lugar onde estava o alojamento dos funcionários. Mitsuo disse que as equipes de busca iriam manter o trabalho manual para evitar riscos, enquanto os cães tentariam delimitar outras áreas. “Não dá para afirmar que tem ou não tem vítimas”, declara. Buscas - Tenente Mitsuo acompanhou procura por vítimas com os cães


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Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

Silvio CeSar

luCaS DantaS

alan neveS

Obra - Prédio de cinco andares estava sendo construído para fins comerciais

Escombros - Bombeiros fizeram varredura em busca de possíveis vítimas arte riCarDo leoCaDio

AveNidA PResideNte HuMBeRtO de AleNCAR CAstelO BRANCO

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A construção previa condomínio residencial de 30 apartamentos e dois salões comerciais, totalizando 3.706 m². Em maio, a Salema pediu substituição do projeto para incluir o mezanino dos salões. O alvará saiu havia um mês.

Desabamento - Prédio em construção que desabou ficava a 500 metros da Avenida Guarulhos, importante via da cidade

Precisa haver apuração, dizem entidades Para os presidentes do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Guarulhos (Sindcongru) e da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Guarulhos (Asseag), as causas da queda precisam ser apuradas. O esfacelamento da obra chamou a atenção do presidente da Asseag, o engenheiro Eduardo Henrique

Sindcongru e Asseag defendem investigação para apurar condições estruturais da construção

Martins, que contou ter visto imagens do acidente pela televisão. Martins disse que o desabamento pode ter ocorrido tanto por razões estruturais, o que levaria toda a obra a ruir, quanto devido a uma das lajes ter cedido. Isso resultaria em um efeito dominó também, comenta Martins. O presidente do Sindcongru, Edmilson Girão, o Índio, reforçou a necessidade de investigação. Contudo, Índio disse que o sindicato nunca recebeu reclamações de trabalhadores. “A gente passava por aqui para ver essa obra quase todos os dias”, afirma. As plantas da obra haviam sido solicitadas pelos Bombeiros para ajudar na operação.


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Terça-feira, 3 de Dezembro de 2013

lucas dantas

‘Desabamento era tragédia anunciada’ Nathália Braga - Por volta das 19h20 de ontem, a dona de casa Gazeli Ali viu uma das cenas mais aterrorizantes da sua vida. Moradora da Rua Nilton, que fica no mesmo quarteirão do prédio de cinco andares que desabou, Gazeli estava em seu quarto quando viu pela janela a estrutura ir ao chão. “Uma parte caiu para frente e outra caiu reto. Parecia um es-

“Foi o maior estrondo. Balançou tudo. Parecia o fim do mundo” Marcela Mello Pedagoga

trondo de trovão, mas muito mais forte”, conta. “Estendo roupa bem na direção em que era o prédio e da minha casa dava para ver tudo. Esse prédio não estava estruturado, a parte de cima dele estava torta”, completa. A pedagoga Marcela Mello estava em casa assistindo TV e sentiu sua casa tremer. “Foi o maior estrondo. Balançou tudo, até a televisão. Parecia o fim do mundo”, relata. O pastor evangélico Rubem de Paula também já previa o pior. “Pensei que era uma bomba. Os moradores sempre desconfiavam que essa obra não era muito segura”, diz. Outro vizinho confirma as acusações. “A obra já tinha sido embargada”, conta o comerciante Felipe Paiva.

Residência vizinha ficou destruída O desabamento atingiu a residência do filho da dona de casa Fátima da Silva. A residência ficava em um terreno que tem mais quatro imóveis construídos, na Avenida da Estação, ao lado do edifício em construção. Toda a área um total de cinco residências foi totalmente interditada pela Defesa Civil de Guarulhos. No momento do desabamento, a nora, o neto e o filho de Fátima não estavam em casa. Sem ter certeza se a família estava viva, a filha da dona de casa chegou ao local aos prantos. “Cadê minha mãe, cadê minha mãe?”, ela gritava. Ao ver que os familiares estavam bem, os ânimos se acalmaram, mas o clima era ainda de muita emoção. Funcionários da Defesa Civil estavam no local pres-

tando atendimento à família, que passou a noite na casa de parentes. “Vou ligar para um advogado hoje. Quem é trabalhador sabe o quanto é duro construir um canto para a gente para vir um irresponsável e destruir”, disse Fátima. Ela conta ainda que sempre reclamava dos pregos e pedras que caiam da construção em seu quintal para o engenheiro da obra, conhecido como Toninho. “Vivia dizendo que eles [construtora] não tinham batido estaca, um dia ele [Toninho] me chamou para ver e não tinha nem quatro metros de profundidade”, conta, se referindo à parte estrutural da obra. Além destas, mais duas casas foram interditadas parcialmente e aguardam posicionamento da Defesa Civil.

Interdição - Desmoronamento afetou cinco residências localizadas na Av. da Estação, ao lado do prédio em obras Waldir Fernandes

Insegurança - Moradores vizinhos contam que já desconfiavam da obra Waldir Fernandes

Tanto a Avenida Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco como as ruas do entorno ficaram bloqueadas para facilitar os trabalhos e impedir o acesso de curiosos à área do acidente.

Da reDação - Em 29 de agosto de 2004, um prédio desabou na Avenida Paulo Faccini, deixando mais de 120 pessoas feridas e seis mortos. No local era realizada a festa Ladies First. A pista de dança que desmoronou ficava ao lado, onde funciona hoje o estacionamento da Padaria City Bread. Outro caso de desabamento aconteceu em 2011, no dia 14 de abril. Um edifício residencial, na Avenida Doutor Timóteo Penteado, caiu, mas não deixou nenhum ferido.

“Esse prédio não estava estruturado, a parte de cima dele estava torta”

Acidente afeta iluminação e trânsito As residências vizinhas ficaram sem energia por conta de um andaime que atingiu a rede elétrica. O escuro dificultava a busca do Corpo de Bombeiros por possíveis vítimas.

Desabamento matou 6 em 2004

Gazeli ali, dona de casa

“A obra já tinha sido embargada” Breu - Andaime caiu, atingiu a rede elétrica e deixou região no escuro

FeliPe Paiva, comerciante

Especial Desabamento - Folha Metropolitana 03/12/2013  

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