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ANO III. 118ª EDIÇÃO  R$ 1,50

RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

Por uma sociedade mais opinativa

Parque Marinha

Vandalismo

Entretenimento

Jornal Folha Gaúcha visita o Parque Marinha e traz as visões de moradores e lojistas

Rio Grande sofre com monumentos depredados

Nesta edição um caderno especial da 35ª e 18ª edições da Fearg e Fecis

páginaS 20 E 21

página 32

páginaS 15 a 18

Falta táxi na Cidade? Classifolha página 14

PÁGINa 11


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FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

EXPEDIENTE FOLHA GAUCHA

CHARGE

Por Alisson Affonso

EDITORIAL

O povo nas ruas

Jornalista Responsável: Wanda Leite (MTB 15246)

S

Diretor Comercial: José Valerão Editora-Chefe: Wanda Leite Revisão: Myrian Comberlato Coordenação: Franciane Wyse Diagramação: Valder Valeirão, William Farias, Gilney huskie Financeiro: Viviane Rubira Assinaturas:

assinaturas@folhagaucha.com.br

Comercial:

comercial@folhagaucha.com.br

Reportagem: Matheus Magalhães Ique de La Rocha André Zenobini Camila Costa Colunistas: COMPORTAMENTO

Almira Lima Érica Halty ECONOMIA

Nerino Piotto SOCIAL

André Zenobini Wanda Leite MODA

Natalia Sauer TEOLOGIA

Pastor Vilela da Costa EDUCAÇÃO Marisa Cleff GESTÃO & LOGÍSTICA

Márcio Azevedo ESPORTE

Claudio Galarraga GASTRONOMIA

Jesus Araújo

Curtas Folha Gaúcha Sinalização Na Benjamin Constant a partir da Rua Riachuelo não existe nenhuma placa de sinalização indicando a velocidade permitida que é 40 a 50 km/h. Sinalização I Na Rua Vice-Almirante Abreu esquina Benjamin Constant tem acontecido muitos acidentes com mortes. O último ocorreu na última a segunda-feira (24) envolvendo um carro e um ônibus, devido a falta de sinalização. Sinalização II Na Salgado Filho na proximidade da Benjamin, segundo agente de trânsito, foi arrancado o letreiro de proibição de estacionamento que havia na placa, enquanto isso, veículos grandes, ônibus e micro-ônibus, estacionam próximo à esquina, tirando a visão de quem acessa a Benjamim.

GERAL

Bocas de Lobo Todas as bocas de lobo no centro da cidade estão entupidas e nos dias de chuva causa o maior transtorno para a população.

Tiragem: 5.000 Exemplares

Buraco Rua Benjamin Constant na esquina com a João Alfredo: bem no meio da rua abriu um enorme buraco ao lado de uma tampa de esgoto e está muito perigoso, pois uma batida na galeria poderá até danificar o aro do carro, sem falar em consequências mais graves.

Alberto Amaral Alfaro Lu Ribeiro Matheus Magalhães

Impressão: Parque Gráfico do Jornal Zero Hora. SAC: (53) 3235.6532 República do Líbano, 240 Cep: 96200-360 Centro Fone: (53) 3235.6532

Este jornal não se responsabiliza por conceitos emitidos em colunas e matérias assinadas.

EDITORIAL

Buraco I Ainda na Benjamin Constant, bem na rótula com a Dr. Nascimento, há mais de dois meses abriu um buraco que aumenta a cada dia, incrível é que há poucos dias foi feito um enorme conserto na mesma esquina e

refeito todo o asfalto. A pergunta é: por que não taparam também aquele buraco, que pode vir a causar um acidente?

Buraco II Na Vice Almirante Abreu na quadra entre 24 de Maio e Netto um enorme buraco bem no meio da pista que foi asfaltada apenas nas laterais é um risco para os menos avisados. Dia Internacional da Luta contra as Drogas 26 de junho é o Dia Internacional da Luta contra o Uso e o Tráfico de Drogas. O Centro de Referência Esportiva do Rio Grande, coordenado pela Funserg, promoveu palestras alusivas à data. Segundo a psicóloga do projeto, Letícia Costa, e a assistente social Paula Guimarães, o objetivo foi conscientizar os alunos que participam das várias modalidades esportivas oferecidas sobre os perigos das drogas. Amistoso A preparação do Leão do Parque para a grande final da Divisão de Acesso 2013 será aquecida por um jogo contra o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, no estádio Olímpico. A partida, que foi confirmada no início da tarde desta quarta-feira, acontece na quinta-feira, 3, às 15h30. Ambas equipes devem utilizar suas formações titulares na partida. Fearg Rio Grande está sediando mais uma edição da Fearg/Fecis. A 35ª Feira de Artesanato do Rio Grande e 18ª Feira do Comércio, Indústria e Serviços faz esse ano uma homenagem à cultura árabe. A Fearg/Fecis começou na quinta-feira dia 27 de junho e vai até o dia 14 de julho de 2013.

Extravio de Talão O Sr. Fábio Lionidas Gonçalves de Carvalho comunica o furto do talão de NF de produtos rurais modelo 4, do nº463871 ao nº463880.

urpreendentemente, ao invés dos brasileiros ficarem frente à televisão para assistir aos jogos da Seleção Brasileira na Copa das Confederações, como sempre acontecia, eles foram às ruas protestar inicialmente contra os altos valores das tarifas do transporte coletivo e também contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. O movimento, que surgiu nas redes sociais, tomou vulto e ficou evidente que o protesto contra a Copa no Brasil tem muito a ver com a corrupção desenfreada existente no território nacional. Vários escândalos foram denunciados pela imprensa nos últimos anos e, ao contrário do que se imaginava, de que os corruptos e corruptores iriam se inibir com a repercussão negativa, aí mesmo que eles passaram a roubar mais ainda. Parece que a construção dos estádios superfaturados para a Copa no Brasil foi a gota d’água. O povo não aguentou mais e foi para as ruas protestar. O protesto contra a corrupção e, consequentemente, a falta de investimentos em saúde, educação e em serviços essenciais, foi a tônica do que se viu nesses últimos dias. E realmente, quanto mais se rouba, menos recursos há para serem aplicados em benefício da população. O protesto quando não descamba para a violência, saques e depredação é mais do que legítimo. E há muito o Brasil precisava viver esse banho de cidadania. Em Rio Grande o protesto foi extremamente pacífico. Uma multidão saiu às ruas no primeiro deles realizado, na quinta-feira passada. Já na segunda-feira, o número de pessoas não foi tão expressivo, mas o importante é que o recado foi dado e o comportamento da juventude, faixa etária predominante nos protestos daqui, foi nota dez. Até mesmo quando se ouvia o barulho de algum rojão, a vaia surgia da multidão, que ainda gritava: “violência não!”. Uma semana após as passeatas realizadas em todo o Brasil, as prefeituras de Porto Alegre e São Paulo anunciaram a redução na tarifa do transporte coletivo. A presidente Dilma veio a público falar até em reforma política. Como se vê, precisou o povo sair às ruas para que algumas soluções aparecessem. Só precisamos ficar atentos para alguns interesses escusos que também existem por trás de algumas manifestações e para que os oportunistas não venham se incorporar ao movimento, já que as críticas e os protestos são endereçados a muitos deles, especialmente aos políticos. Mas, tirando alguns excessos que podem acontecer quando se faz um movimento aberto a todos, não há dúvida que o brasileiro está deixando de ficar “deitado eternamente em berço esplêndido”, e mostra-se disposto a seguir nosso Hino Nacional quando diz “verás que um filho teu não foge à luta”. Luta, é bom salientar, no bom sentido, através do exercício da cidadania. Isso acontecendo, o Brasil certamente irá mudar para melhor.


FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

Economia e Opinião *Nerino Dionello Piotto

A guerra do vintém A história se repete

Será que é hora de uma

constituinte?

pOR ANDRÉ ZENOBINI

A

forma de protesto, como hoje se vê no Brasil, foi inaugurada no Rio de Janeiro em 1880. O motivo, a cobrança de uma taxa de vinte réis – um vintém – sobre o transporte urbano de então, o bonde puxado a burros. Foi generalizada a revolta e, como agora, inicialmente pacífica, descambou para a violência, com mortes, feridos, saques e depredações. Tudo muito parecido, salvo os burros. Hoje de outra espécie. Os vinte centavos, como alhures, foram a gota d`água. Cusparadas em nossos rostos, como a PEC 37 (que propõe tirar do MP o poder de investigar – não se conhece país no mundo democrático onde haja monopólio de ente investigativo, como querem alguns deputados), seria gasolina no fogo da corrupção. A proposta é da lavra de deputado denunciado pelo MPF por cobrar caixinha dos funcionários de seu gabinete e votada por outros denunciados, até condenados, mas em pleno exercício do poder... que os com bolsa não captam – pois ainda maioria – são excluídos digitais, mas que os 45% que têm acesso à internet não perdoaram... A vingança escancarada! Ideologias à parte, vale lembrar o que disse Margareth Thatcher, quando primeira ministra da Grã-Bretanha: “Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação”. Bueno, em toda a União Europeia, restam apenas três países com governos socialistas: Grécia, Portugal e Espanha. Sem comentários! Mais, a inflação, que já se faz sentir com efeitos colaterais; o excesso de gastos da máquina pública (em Rio Grande, e pelo Brasil afora, nada contra a pessoa dos edis, mas... para que tanto vereador?); o descaso com a mobilidade urbana, com os transportes públicos, com os hospitais (Rio Grande – pode muita gente não concordar conosco –, ainda que com problemas, é uma ilha de excelência nessa área, com grupos como as amigas do H.U. dando suporte..., se comparado com os horrores que se constata pelo Brasil) e por aí vai, cada um com sua insatisfação. Agora, materializada nas manifestações gigantescas, que se espalham pelo Brasil e pelo mundo. E a história se repete. Economista* nerinopiotto@globo.com

opinião 3

N

ão são as manifestações que me deixam com medo. São as novas intenções do governo que me amedrontam. O discurso vazio de Dilma Rousseff em quase dez minutos em cadeia nacional em nada me pareceram com as ideias da presidente, logo após. Acho louvável ela querer iniciar a tão sonhada reforma politica no Brasil, mas será que esse é o momento? Em depoimento na Comissão Municipal da Verdade, Delfim Netto - aquele que assinou o Ato Institucional nº 5, iniciando o período mais negro do regime militar, assim como também assinou a Constituição mais tarde – declarou que não se arrepende. Nesse depoimento, ele disse que faria tudo novamente, pois era um meio de manter o País sob controle, na formação da nova Constituição. No mesmo dia, coincidentemente, vejo os rumores sobre uma constituinte ser convocada, depois da autorização do povo brasileiro através de um plebiscito. O medo tomou conta de mim. Será que através das democráticas manifestações, os gritos das ruas nos levarão a um silêncio até o fim da constituinte? Será que o conservadorismo brasileiro travestido de liberdade de pensamento permitirá que possamos ter uma das mais modernas constituições do mundo? Aborto, liberação da maconha, maioridade civil e penal aos 16 anos, corrupção como crime hediondo, financiamento público de campanhas, melhor regramento para os partidos políticos, melhor funcionalidade para deputados e senadores, com diminuição de custos e tantos outros temas que o Brasil teria, no caso de uma nova e melhorada constituição? Tenho medo, de que, em nome do pensamento para uma nova constituição se faça o silêncio do Brasil.

Que atos como o AI-5 possam ocorrer encobertos com mantras midiáticos de “é bom para o Brasil”. Nunca se lembrou tanto o regime militar quanto nesse momento de tensão e tenho certeza que essa demora em acionar as forças armadas seja o medo governamental de ser associado a essa época. Não podemos deixar o Brasil calar, caso esse projeto vá à frente, que o povo brasileiro tenha acesso total e irrestrito às discussões. Meios para isso se tem: internet, televisão, rádio e jornais devem ser utilizados para informar e servir como linha de comunicação entre o povo e o governo. Que as vozes não morram querendo um Brasil melhor, que essas vozes gritem de felicidade por suas necessidades atendidas. Tomara que não escutem apenas empresários, donos de veículos de comunicação e políticos. Que escutem as pessoas. O Brasil poderia aproveitar esse momento das ruas, de renovação, na construção de uma nova forma de operar a politica. Que não fiquem nas mãos da Dilma as decisões mais importantes. Que chamem Lula, FHC, ouçam a todos os partidos políticos e teóricos, técnicos para formarem esse novo processo. Terei medo de um autoritarismo, terei medo de uma ditadura. A minha autorização para uma constituinte estará baseada nas garantias do governo brasileiro de que vai respeitar a democracia e vontade de promover uma mudança significativa. Será o açougueiro cortando a própria carne, pois para mudar o Brasil, é necessário mudar a politica e mudar os políticos. Precisa ser o fim da reeleição interminável para o Congresso. Sobre cada um dos temas que deveriam ser modificados eu falarei mais tarde. Mas não posso me abster de questionar se há maturidade no governo e no povo brasileiro para uma constituinte. Será Dilma Rousseff que entrará para história como a mulher que mudou o Brasil? Acreditem, eu não sei. Ela também não sabe. Caso isso tudo não seja mais um blefe governamental, na hora de ir à urna e autorizar ou não uma constituinte, pense bem. Tenha certeza de que será o melhor para o Brasil. O povo precisa estar atento em cada detalhe de como esse processo será organizado e como cada tópico será abordado. Não vamos deixar o País cair em silêncio, faça valer a sua voz. #OGIGANTEACORDOU, mas é preciso mantê-lo acordado.


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FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

O saldo dos protestos: mudanças em itinerários e reativação de linhas Prefeitura promete que diversas linhas respeitarão limite de 15 minutos para chegar nas paradas por MATHEUS MAGALHÃES

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as últimas duas semanas, a Cidade do Rio Grande viu uma revolução geral na forma de pensamento de seus habitantes. Nunca antes na história mais de dez mil pessoas saíram para as ruas para demonstrar suas insatisfações com a administração pública e o serviço prestado. Este precedente, aberto pelo exemplo das capitais brasileiras que foram palco para dezenas de manifestações, levando milhões de pessoas para as ruas, certamente gerou promessas e mudanças concretas com grande velocidade. Não apenas a administração municipal ouviu as vozes nas ruas como já providenciou novidades substanciais nos rumos do transporte coletivo. Após a pressão popular, o Executivo Municipal parece ter enxergado com mais precisão a situação deste gargalo público na Cidade; não apenas Rio Grande sofre com a tarifa – que é alta, para os padrões de uma cidade interiorana – mas também com o péssimo serviço oferecido pela empresa licitada, que domina a área sem concorrência. Devido a um contrato que estabelece a prestação de serviços e exclusividade, a Viação Noiva do Mar, do grupo Benfica, estará presente como única empresa de transporte urbano municipal por longos 20 anos, a contar desde o ano passado. Se tal contrato irresponsável não pode ser rompido, é dever da Prefeitura exigir o respaldo desta empresa em qualidade, pontualidade e respeito ao consumidor, algo que a grande maioria dos usuários concorda que a mesma não oferece. Notificação e mudanças de itinerário Um dia após o protesto que levou mais de dez mil pessoas para a rua, o Procon/RG notificou a empresa Noiva do Mar da abertura de processo administrativo

alegando má prestação de serviço ao usuários de tranposte coletivo. O coordenador executivo do órgão, André Bragagnolo, lembrou que a empresa já havia recebido notificações preliminares e que esta nova aproximação se dá na ânsia de dar uma resposta à população. Entretanto, se notificações anteriores já haviam sido feitas, a pergunta que surge é: por qual motivo, então, o processo administrativo não foi instaurado antes dos protestos? A insatisfação da população já era visível e órgãos de imprensa, como o Folha Gaúcha, estiveram dando voz aos usuários do transporte coletivo por meses. Será que, desta vez, haverá alguma ação concreta, ou a medida foi para “mostrar serviço” frente aos protestos e, como as outras, ficará apenas no âmbito da notificação? Entretanto, se o processo administrativo ainda é uma incerteza, outras ações enérgicas já se tornaram realidade. Desde o dia 24, a linha interbairros Polivalente Portugal, Porto e São João foi reativada. O itinerário da linha reativada sai do terminal e acessa a Avenida Portugal, passando pela Rua Saturnino de Brito, Rua Minas Gerais e partindo para o Portão 4 do Porto. Outra mudança será a linha Marluz-Furg, operada pela Sociedade de Transporte União dos Cotistas, criando uma rota de maior contato com os bairros, alternativa à Furg-Vila Maria. O secretário Edson Lopes, titular da Secretaria de Município de Mobilidade Urbana e Acessibilidade (SMMUA) prometeu que estas novas linhas partirão de 15 em 15 minutos. Outra novidade importante é que a linhas do Cassino não mais utilizarão a rótula localizada no bairro Junção para acessar a estação de transbordo. A medida visa agilizar a mobilidade destes coletivos na RS-734 já que as manobras para o acesso à famigerada “Integração da Junção” são motivo de engarrafamentos e atrasos nos horários de pico.

Alguns problemas persistem... Apesar das mudanças em itinerários e reativação de linhas, a população quer saber se as pautas mais gritantes das manifestações serão atendidas. A imagem do “coletivo como lata de sardinhas” é, sobretudo, uma representação da insatisfação com a lotação destes veículos que, devido a frotas reduzidas ou mesmo o recolhimento de coletivos em horários de pico, acabam superlotados. Outra enorme demonstração de desrespeito à população é oriunda do problema descrito acima: devido ao baixo número de veículos – trabalhando - nas ruas, os intervalos de espera pelos coletivos podem ser enormes, às vezes superando 30 minutos. Em função da demora, os usuários acabam se atrasando para chegar em seus destinos, muitas vezes de trabalho, bem como ficam expostos a criminalidade, sobretudo em paradas localizadas em ruas remotas e de precária iluminação. Por mais que o secretário da SMMUA tenha reiterado o compromisso dos ônibus de 15 em 15 minutos, é sabido que, por falta de fiscalização, as tabelas de horários contidas no website da empresa Noiva do Mar são desrespeitadas diariamente, deixando os usuários sem saber quando poderão pegar os ônibus e sem saber quando irão chegar a seus destinos. Uma promessa desta dimensão só poderá surtir efeito se o Executivo Municipal fiscalizar a empresa com o rigor que lhe faltou até o momento em que os protestos explodiram na Cidade. Apesar de segurar a bandeira da participação popular, a atual gestão pública assistiu, passiva, a uma pletora de reclamações referentes à má prestação do serviço de transporte coletivo. O saldo positivo dos protestos, até agora, está nas palavras. Ficaremos atentos para ver se vai se traduzir em atos.

de La Rocha Ique

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unca imaginei que algum dia veria o povo brasileiro saindo às ruas para protestar. Sempre era citado o comportamento do povo argentino como exemplo de cidadania. No vizinho país o povo já fez várias manifestações, batendo panelas, e conseguiu seus objetivos. Agora os brasileiros saem em grande número, maior até que no tempo das Diretas Já, por causas muito justas, como a redução da passagem do transporte coletivo, saúde, educação, contra a corrupção e outras. Esse tipo de manifestação é uma faca de dois gumes. Por ser popular, aberta a todo mundo, entra gente boa (a grande maioria) e também gente ruim, gente bem-intencionada e gente mal-

-intencionada. É preciso cautela para que o povo não acabe servindo a algum propósito escuso. De qualquer forma, o preço do transporte coletivo baixou em Porto Alegre e São Paulo. Como é que antes não podia? A continuarem as manifestações logo, logo vai começar a aparecer dinheiro para a saúde, educação e outros. A juventude predominou em nossa Cidade e deu um grande exemplo de cidadania. Quando alguns que considero irresponsáveis soltavam rojões, o que poderia gerar pânico na multidão, eram vaiados pelos manifestantes. Cartaz divulgado durante a manifestação: Se é perigoso ficar sem o cinto de segurança no carro, por que temos de andar em pé no ônibus?

Foto: Ique de La Rocha


FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

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São Pedro: o pai da Igreja Alfaro e padroeiro do Rio Grande Alberto Amaral

A Corrupção e as Corporações estão matando o Brasil

Santo é uma das figuras religiosas mais celebradas pela comunidade local

O

por MATHEUS MAGALHÃES Fotos: divulgação

povo brasileiro é historicamente um sonhador, sempre alimenta a esperança de que algo de extraordinário vai lhe acontecer e que terá uma boa vida, que poderá alcançar aos seus dependentes o conforto mínimo necessário. Sem ambição e alienado aos problemas que ultrapassam os umbrais das suas humildes habitações, e presa fácil para mercadores de ilusões, salvadores demagógicos vindos através da fé e da política de resultados, aquela do “é dando que se recebe”, onde as bondades oficiais são oferecidas em troca de votos. É bolsa isto e bolsa aquilo, minha casa minha vida, programa de aceleração do crescimento e da Copa e agora o tal bolsa móveis e eletrodomésticos. Tudo massificado através de mídias caríssimas, passando a impressão de que estamos com quase todas as demandas atendidas, vivendo num paraíso. A Presidente Dilma Rousseff, surfando numa imaginária onda de popularidade jamais vista na história deste País, parafraseando seu mentor Luiz Inácio Lula da Silva, resolveu, de maneira irresponsável, antecipar o início do processo eleitoral. Até então, cenários maravilhosos, mar de almirante e céu de brigadeiro, até que de repente começam protestos questionando o valor da tarifa e a qualidade dos serviços de transporte coletivo. Tal qual rastilho de pólvora essas manifestações ganharam as ruas das principais cidades do País, até então era esse o pedido. A revogação de aumentos em várias cidades poderia representar o fim do movimento; ledo engano. Passados alguns dias, a avalanche de reivindicações e insatisfações ganharam as ruas do Brasil inteiro, e a pauta tornou-se imensa, difusa e incontrolável, como as próprias lideranças do movimento, registre-se que desde o início os mobilizadores sociais se autodefiniram como horizontais, do povo para o povo. Os governos, em todos os níveis, independente de partidos, estão mais perdidos do que cusco em procissão. Uns “criando”, espertamente, grupo de interlocutores, ilegítimos, tentando “dourar a pílula” e se apropriar da iniciativa; outros atribuindo, como de costume, a movimentos reacionários de direita e responsabilizando a mídia por informações ditas tendenciosas. É a velha e esclerosada estratégia do escapismo. Na realidade, ninguém está aguentando mais; a indignação tomou conta da cidadania. A incompetência dos governantes ultrapassou os limites, não dá para continuar do jeito que está. O copo transbordou e as pessoas foram para as ruas para demonstrar que não aceitarão mais esse descaso dos poderes constituídos. Um executivo que não executa e um legislativo que não fiscaliza, numa conivência criminosa. O que se vê, pelo País inteiro é uma corrupção endêmica e desenfreada, uma impunidade nojenta, tudo começando no Planalto e espraiando-se pela Nação afora. Uma pesquisa realizada pelo IBOPE, após duas semanas de mobilizações, descortina as reais motivações para que esses milhões de brasileiros e brasileiras, de maneira assustadoramente crescente, continuem a ocupar as ruas. É o assunto da mobilidade urbana, da saúde, da insegurança, da educação, contra os gastos com Copa do Mundo, contra a PEC 37, entre outros, já que as queixas tornaram-se municipais. Mas o “nó górdio” dessa mega insatisfação é a política: vejam que a pesquisa apontou que, para 65% dos entrevistados, essa questão é a principal. Óbvio que dentro da política a corrupção é majoritária. Infelizmente nossos representantes perderam a “vergonha na cara”, mas a saída proposta para tamanho desconcerto é o encaminhamento de um ”Pacto pelo Brasil”, possivelmente liderado pela Presidente da República, desde que esta se disponha a ter grandeza e, com humildade busque, dentro da sociedade organizada, os atores para esta missão patriótica.

P

edro, em grego, significa “rocha”. Simão Pedro, “a rocha basilar da Igreja” e um dos doze discípulos de Cristo, nasceu da simplicidade e acabou por se tornar o primeiro papa da história do catolicismo. Pescador, conheceu Jesus Cristo quando Este lhe pediu para utilizar uma de suas barcas para poder pregar. Naquela mesma noite, Jesus instruiu a Pedro que lançasse suas redes em águas mais profundas, mesmo que as pescarias de dias anteriores nada tivessem trazido para si e seus dois sócios. A quantidade de peixes nas redes de Pedro foi tão vasta que foramnecessárias mais barcas para transportá-los. Quando se curvou ao Cristo e Lhe disse indigno por ser um mero pescador, Jesus encorajou-o a segui-lo, dando-lhe a missão de ser o “pescador de homens”. Devido a estas origens, o Apóstolo Pedro se tornou padroeiro dos pescadores pelo mundo. Em 1755, enquanto Rio Grande de São Pedro era uma vila distante, a Matriz de São Pedro foi erguida, mais antiga Igreja do Estado do Rio Grande do Sul. Sua fundação, honrando as origens iniciadas pela Freguesia de São Pedro, que fundou o Forte Jesus, Maria e José, arraigou ainda mais a presença do Santo no imaginário popular e cultural daquele que viria a se tornar um dos mais importantes Município do Sul do País. São Pedro morreu como mártir em Roma, entre 64 e 67 d.C. Antes de perecer, tornou-se o primeiro Bispo daquela cidade, fundando a comunidade de Roma conhecida como Santa Sé – hoje, o Vaticano. A Santa Sé, por ser a primeira comunidade ocidental e a única fundada por dois discípulos de Cristo, acabou por ter primazia sobre as demais dioceses. Por isto, até hoje esta comunidade detém o título de centro do catolicismo mundial, mantendo a tradição papal iniciada pelo apóstolo. Seu martírio se deu em episódio relatado pelo romance “Quo Vadis?” de Henryk Sienkiewicz: Ainda em vida, Cristo conta a Pedro que, quando mais velho, este seria morto junto das “ovelhas” deixadas em Roma, terra dominada por um sentimento de ódio aos cristãos. Já bispo daquela cidade, Pedro sentiu medo frente às execuções de seu “rebanho” nas arenas e decidiu fugir. Certa vez, encontra Jesus Cristo na for-

ma de uma criança e pergunta-lhe: “onde vais senhor?” (“Quo Vadis, Domine?”). Cristo lhe diz que vai a Roma para ser martirizado junto de suas ovelhas, que foram abandonadas. Pedro arrepende-se e retorna à cidade eterna, entregando-se às autoridades e sendo executado.

A importância do Santo para a cultura local Pode-se dizer que São Pedro, o padroeiro da Cidade, esteve presente desde o primeiro assentamento de terra que viria a dar origem ao futuro Município do Rio Grande. Devido a isto, a cultura rio-grandina está totalmente associada à tradição religiosa. A Festa de São Pedro já se encontra na 277ª edição, próxima do seu terceiro século de existência. Tradicionalmente, a festa se encerra com Missa Campal e procissão em homenagem ao padroeiro, saindo da Catedral até a Praça Saraiva às 9h. A Festa do Pescador e a 1ª Festa da Anchova são, também, celebradas no mesmo dia, com almoço na Praça Saraiva. Para permitir a circulação dos fiéis, a Prefeitura Municipal anunciou que o dia 29 terá passe livre no transporte coletivo.


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Pastor Vilela

Gotas de Sabedoria

Amizade, namoro, noivado e casamento

A

ssim terminou a coluna da semana passada: [...] “Ágape, que representa o amor puro ou o amor de Deus. Quando se trata do amor entre um casal, tenho observado que muitos relacionamentos se desgastam porque basearam aquele amor em cima do tipo de amor Eros, isto é, uma paixão alicerçada na beleza e atração física. O que passa é que, quando os anos vão passando, as pessoas modificam sua aparência e é aí que os problemas aparecem. Devido à grande ênfase que a mídia dá à aparência física e o culto à beleza, muitos maridos começam a fazer comparações e percebem que sua esposa não está como a Gisele Bündchen. Consequentemente, a mulher ao olhar a novela ou lendo a revista percebe que seu esposo não está tão bem como o Reynaldo Geanecchini, e ai começa o esfriamento do amor... Claro que a beleza e a atração física são importantes, mas o amor que Deus abençoa é o tipo de amor que ele próprio é... Deus é amor e o seu amor é

amor Ágape. O amor de Deus não depende das circunstâncias. Quando o ator americano Christopher Reeve, que interpretava o Super Homem, sofreu um trágico acidente ficando tetraplégico em 1995, quase todos os jornais americanos deram por certo sua separação, e até faziam apostas de quanto tempo levaria para sua esposa o abandonar. Mas para surpresa de todos, Dana Reeve, permaneceu junto com ele até sua morte com 52 anos. Em que tipo de amor você acha que se baseava a relação dos dois?” Um dos principais motivos que leva atualmente os casamentos a durarem tão pouco é a queima das etapas num relacionamento. Segundo a bíblia, a maneira de Deus é: um bom período de amizade (no mínimo seis meses) um bom período de namoro (no mínimo seis meses), um bom período de noivado (no mínimo seis meses) e, então, ir ao casamento. Hoje, temos visto as pessoas em uma noite se conhecerem, namorarem, e terminarem na mesma noite em uma cama e, às vezes, no mesmo mês já morando juntos. Quantas pessoas me dizem no aconselha-

mento matrimonial: “Mas eu não sabia que ele era assim”, outro me diz: “Não dá mais para aguentar ela!” O que passa é que só ficaram realmente conhecendo verdadeiramente aquela pessoa, seu temperamento e suas manias depois de casados, e por quê? Porque queimaram as etapas. Se tivessem desenvolvido um bom período de amizade, teriam descoberto mais coisas e bem provável que nem teriam chegado ao namoro, ou, se não pudessem perceber durante a amizade, tornar-se-ia mais claro durante o namoro, que não daria certo e o melhor seria não ir em frente, causando um trauma maior no futuro. Mas é no noivado que se aprofunda a identificação, os ajustes dos objetivos incomuns e o planejamento do casamento propriamente dito. Quais são os sinais de alerta que mostram que não vão ir muito longe no casamento? Continua na próxima semana. PARTICIPE DE NOSSAS REUNIÕES: Qua 8h, 15h e 19h / Sáb 19h30 / Dom 8h e 19h Av. Saturnino de Brito, 501 – Junção – Rio Grande – RS

Bacharel em Teologia | Formado em Administração | de Empresas e Marketing | Diretor do Ministério Cristo Vive | Pós-Graduado em Gestão de Pessoas E-mail: vileladacosta@ministeriocristovive.org.br


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FOLHA

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FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

azevedo.fenix@vetorial.net

E-mail Corporativo, você sabe algumas das regras básicas de uso? Observo cada absurdo no nosso dia a dia em relação a recebimento de e-mails corporativos que vale a pena lembrar algumas questões. Assim que sai da caixa de saída do seu computador, o e-mail corporativo envia, com certeza, dados importantes sobre trabalho, mas também fala muito sobre a pessoa ou a empresa que o está enviando. Acabamos vendo e-mails com LETRA MAIÚSCULA, que transmitem a impressão para quem está lendo de que a pessoa está gritando, erros de português gritantes, e-mails sem um bom dia, sem boa tarde, sem uma saudação de despedida, etc. Tem gente que escreve, escreve e não consegue dizer nada, não consegue ser objetivo no assunto do e-mail, muitas vezes não há concisão, falta clareza e objetividade. Ter o cuidado de verificar a veracidade das informações que estão sendo enviadas, se estão corretas, se estão sendo enviados os e-mails para as pessoas corretas, são medidas que precisam ser verificadas a cada e-mail enviado. Enviar uma informação importante para um destinatário incorreto pode causar vários transtornos para uma empresa, muitas vezes até prejudicar um negócio ou a manutenção de um cliente. Mensagens corporativas cheias de enfeites, de emotions, podem até ser barradas pelo filtro de spam do des-

tinatário. No caso de e-mails profissionais, não caia na tentação de utilizar emotions. Utilizar o e-mail corporativo para assuntos pessoais ou fofocas de serviço, comentários que fujam da rotina do trabalho em si não são de bom tom. Hoje em dia o e-mail ficou mais atrativo do que o setor do cafezinho, onde geralmente surgem as fofocas, pois no e-mail a pessoa não necessita se levantar e dirigir-se a sala do café, já manda seu comentário pessoal ou fofoca pelo e-mail mesmo. Evite fazer o uso do e-mail da empresa para buscar uma nova oportunidade, um novo emprego em outro lugar, mandar currículo. Para quem recebe do outro lado, passa a imagem de que você não respeita a sua empresa atual, portanto não respeitará a nova empresa também. É sempre bom lembrar que a má utilização do e-mail corporativo pode causar demissão, sim, portanto verificar qual a política da empresa que você trabalha em relação ao uso desta grande ferramenta de comunicação e ter bom senso sempre, não faz mal a ninguém. Seguir as políticas de uso da empresa é uma boa dica. É pelos vinte centavos, sim! É pelos vinte centavos, sim, e muito mais, muito mais, mesmo. O estouro da paciência do povo tem vários motivos. Na verdade, todos somos culpados e a culpa não tem bandeira. Nós do povo deixamos acumular, deixamos encher o balde, para depois derramá-lo; afinal, nós do povo votamos e botamos essa gente lá.

Governos anteriores também são culpados - e muito! - por tudo que está acontecendo. Mas o grande combustível da explosão popular, (e quando falo explosão popular, considero apenas os manifestantes, e não vagabundos e arruaceiros - contra estes, sim, a polícia deveria usar toda sua força para reprimir, e não está usando), o grande estopim da explosão, uma boa parcela da culpa, é das promessas não cumpridas, dos que pregaram por mais de 30 anos que iriam limpar toda a sujeira e acabaram trazendo muito mais sujeira junto com eles. Este pessoal, era a grande esperança de mudanças para uma vida melhor: saúde, educação, segurança, dignidade e vários outros pontos que ficaram só na conversa. Esta gente foi a grande decepção e talvez a única esperança que se tinha de mudanças. Temos um governo que tem a preocupação principal de se manter no poder a qualquer custo, quando a preocupação teria que ser, em primeiro lugar, o seu povo e suas necessidades. Acharam que o povo iria ficar quieto por quanto tempo? Que o povo iria aceitar as barbaridades que estão fazendo? Que continuariam fazendo gato e sapato e permaneceria tudo bem? Grande erro, subestimaram! Hoje somos um País sem esquerda, sem direita, sem identidade política, então as ruas são uma nova esperança para o Brasil. Que assim seja para sempre e que estejamos sempre acordados, a partir de agora. Boa Semana a Todos!

Câmara Municipal do Rio Grande

O berço do Parlamento Gaúcho Na data consagrada a São Pedro, padroeiro da cidade e dos pescadores a Câmara Municipal do Rio Grande alia-se às comemorações que estão sendo efetivadas. Fomos uma pujante colônia pesqueira que hoje busca a sua recuperação. Para isto, a Câmara Municipal tem estado ao lado os pescadores, disponibilizando condições e implementando esforços para que suas reivindicações sejam atendidas. Rio Grande, 29 de junho de 2013

Câmara Municipal do Rio Grande Há 261 anos ao lado da comunidade

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10 artigo

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Brasil: mostre a sua cara!

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ocorrido: Identificam-se núcleos organizados, coesos, comprometidos com um propósito comum, cidadãos politizados, que se unem para fomentar as forças democráticas em franca evolução, não só no País, mas também na maioria dos povos explorados historicamente pelos ditos colonizadores do primeiro mundo. Estas manifestações correspondem, mesmo que tardiamente, ao chamado do presidente Lula que, ao tomar posse no primeiro mandato, em 1.º de janeiro de 2003, convocou o povo brasileiro a ir às ruas clamar e avalizar as mudanças necessárias. Ele já naquele dia previa que sem a força do povo, as dificuldades seriam imensas. Vivemos em um sistema presidencialista, mas sabemos que o presidente é refém de um legislativo que infelizmente pouco se renova, sem falar nas sucessões de pai pra filho, avô pra neto, construída em cima de gente humilde, que ainda não sabe de seus direitos. Está sendo muito gratificante ver movimentos organizados respeitando a história de quem construiu e constrói a democracia, o direito da luta por um país melhor, por respeito aos iguais e, principalmente, aos diferentes. Estes movimentos organizados sabem o porquê vieram, tanto que hoje se retiram e aguardam estrategicamente para não serem usados por oportunistas da direita cujo propósito é desestabilizar a democracia. Os filhotes da ditadura estão aí, infiltrados, falam em honestidade, utilizam jargões da esquerda, mas sem compromisso com seu sentido. E somam-se a esta corja de bandidos formalizados, dissidentes da antiga oposição que demonstram sua falta de consciência política, ao colocarem seus interesses pessoais acima dos sociais. Quem tiver dúvida, tente identificar a origem desta penca de legendas que se apresentam como partidos idôneos, sem vínculos com corrupção. É fácil se manter limpo, pois cada vez que algo aparece, trocam de legenda, devem até atravessar a rua para não cruzar com os seus afins, mas na penumbra dos seus palacetes, bebem e comemoram com aqueles que garantem suas eleições. Chega a doer o ouvido escutar tanta bandalheira de hipócritas discursando e assumindo “bandeiras” com as quais não têm compromisso nenhum, que no fundo mesmo, sua insatisfação é ter que dividir o avião, o salão de beleza, o tratamento ortodôntico, o convênio médico, a viagem de férias com a tão falada classe “C”. E aí vem a preocupação: um outro grupo mais puro, consumista, que se deixa levar pelo modismo da hora, que, sim, está insatis-

RUPÇÃO E A ROBALHEIRA AUMENTARAM NO NOSSO PAÍS. O QUE REALMENTE MUDOU É QUE AGORA A GENTE SABE A VERDADE. Com certeza, existem muito mais políticos sérios e honestos hoje do que no passado, mas honestidade não dá mídia. Na próxima eleição, vá fundo na origem e comprometimento do seu pretenso candidato e principalmente na legenda que assume. Você faz parte disto, não tem como “lavar as mãos”. Para melhorar, não basta manifestar, tem que mudar: mudar seu jeito de participar; mudar seu jeito de votar. Aprenda a olhar o todo sob a sua ótica, não sob a ótica da grande mídia. Quem não participa, assina uma procuração em branco para os oportunistas. E, por fim, mais gratificante ainda é ver o senso de oportunidade de nossa presidenta, que não se omitiu e convoca o executivo a se mobilizar. Apresenta propostas viáveis e inteligentes, sem demagogia. Chama os três poderes a se comprometerem, a serem transparentes, para que falem a língua do povo, e por fim, nos dá a oportunidade maior: PLEBISCITO, por uma reforma política profunda. Nossa democracia é jovem, praticamente uma adolescente, que saibamos cada um assumir nosso papel e fazer a nossa parte. Aproveitando, se quem ler esta matéria estiver sem tema para manifestar, um pedido objetivo para a antiga classe média e a nova classe “C”, aquela que está viajando, fazendo tratamento ortodôntico, etc... É a redução do IRPF, pois este é real, não tem “migué” e graças ao crescimento do emprego e das carteiras assinadas, cada vez tem mais gente pagando. Você fica aí pedindo redução de impostos, repetindo a frase pronta que a carga tributária no Brasil é muito alta e o que consegue com isto? Há pouco tempo, a presidenta anunciou a isenção de PIS/COFINS para cesta básica, isto significa mais de 9%. E daí, os empresários repassaram esta redução para o preço final? Pouco ou quase nenhum foi o resultado na prateleira do super. Deixa que eles levantem suas faixas, cuidem da nossa, trabalhadores: REVISÃO DA TABELA DO IRPF- URGENTE! Brasil, mostre a sua cara, pare de avalizar o baderneiro e diga o que vai fazer pra mudar! Diga por que veio, senão corre o risco de ficar no “bla, blá, blá! Boa semana a todos! Foto: divulgação

izem que o povo brasileiro acordou, que as manifestações na rua retratam a insatisfação geral. Mas de fato o que realmente podemos concluir sobre o

feito, mas não sabe por que veio. Como saciá-los, se não sabem o que querem, se não têm proposta? Seus cartazes e faixas trazem frases prontas, sem conhecer as consequências de seus atos. Repetem frases como mantras: “Não à corrupção, não a roubalheira”. Orgulham-se de não participar de movimento social ou partidário. Então, como esperam que a mudança ocorra sem exercer seu direito e dever de participar?? Por Benção Divina?? Pregam o fim da corrupção, mas no auge se da alienação, são culturalmente corruptos e corruptores. Quando convidados a participar de um movimento, de um grupo, de cara querem saber o que vão ganhar. Deixam bem claro que não são trouxas para trabalhar de graça. Não pensam duas vezes em pedir benefícios, em pagar propina, em jogar lixo na rua, em ficar com o troco errado, em estacionar em lugar proibido, em ser homofóbicos, racistas, separatistas. Os mesmos que reclamam da bolsa família, querem participar do “minha casa, minha vida”, bolsas do Proune, FIES. Pimenta nos olhos dos outros... Não há mudança sem comprometimento, sem participação. Se deixar levar por estes é colocar em risco a democracia - e aqui cabe deixar claro que somente a democracia dos últimos tempos permitiu que conhecêssemos a podridão da corrupção. O que muitos querem é voltar à ditadura informal de governos acostumados a esconder a própria sujeira pra baixo do tapete, ao invés de se comprometerem com a verdade. É UMA IRRESPONSABILIDADE DIZER QUE A COR-

Lu Ribeiro Colunista Folha Gaúcha - Rio Grande, RS


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Falta táxi na Cidade? POR IQUE DE LA ROCHA

Foto: divulgação

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s taxistas de Rio Grande provavelmente nunca passaram por uma fase tão boa como agora. A população rio-grandina retomou o hábito de andar de táxi depois que o valor da bandeirada ficou estabilizado e, para melhorar a situação, o Polo Naval tem proporcionado inúmeras e longas corridas da área central da Cidade até os estaleiros. Dia 21 de junho os taxistas estiveram em evidência com a realização de uma audiência pública na Câmara Municipal, solicitada pelo vereador Júlio César Silva (PMDB) para tratar das novas concessões de placas no Município. O motivo foi o pedido do Ministério Público de Contas, junto ao Tribunal de Contas do Estado, para que a Prefeitura deixasse de efetuar novas permissões e não autorizasse mais as transferências de placas, uma vez que as autorizações deveriam ser licitadas. Nova audiência ficou de ser realizada à noite, por solicitação dos taxistas, com data ainda a ser marcada. A solicitação do novo encontro foi feita para que o Ministério Público também se faça presente.

Dificuldades A questão de licitação das placas deveria ser mais debatida para que não se permita uma espécie de reserva de mercado, o que poderá prejudicar a população. A frota de táxis da Cidade não está atendendo tão bem como se diz. Alguns taxistas consideram normal a dificuldade de se conseguir táxi em dia de chuva. Em dias de chuva até pode ser, mas outros tentam dizer que também é normal a dificuldade de táxis em horários de pico. Aí não dá para aceitar, porque nos horários de pico é justamente quando a população mais requisita os serviços e se a frota não dá conta, é porque estão mesmo faltando carros de aluguel na Cidade. O presidente do sindicato dos taxistas de Rio Grande (Sincaver), Clementino da Cruz, falou à imprensa que existe um decreto municipal, segundo ele de 40 anos atrás, regulamentando o serviço e que preveria um táxi para cada mil habitantes. Defende que essa proporção se mantenha e diz que hoje existem 240 táxis em circulação, considerados por ele suficientes. A u me n t o d a f r o t a

Os que defendem o aumento da frota de táxis na Cidade justificam com a valorização das placas. Como hoje ninguém compra uma por menos de R$200 mil, garantem que vai haver fila de interessados, se abrirem novas licitações. Também chamam a atenção para o fato de que alguns proprietários estão investindo em outros negócios e reduzindo as horas que ficam ao volante, o que também contribui para a menor frequência dos veículos nas ruas. Em alguns pontos que tinham táxis praticamente nas 24 horas, a presença deles reduziu substancialmente à noite e isso pode ser comprovado na área central da Cidade. Tem, ainda, pessoas trabalhando com placas alugadas. Neste caso, indagam: quem não quer mais trabalhar não teria que devolver as placas, se o serviço é uma concessão? Que nossas autoridades defendam os interesses que são justos dos taxistas, mas que também levem em conta os interesses da população. Talvez o meio termo seja atender aos pleitos dos atuais proprietários, mas fazer licitação de novas placas para aumentar a frota de táxis na Cidade.


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andre.zenobini@gmail.com

Por: André Zenobini

Jantar Junino A direção da Sociedade Ami-

gos do Cassino informa que por motivos de força maior foi cancelado o Jantar Junino. A festividade estava marcada para ocorrer em 28 de junho.

Modelo Internacional

Mayra da Silva Vieira,

Miss Turismo São José do Norte comemora nesse final de semana seus 15 anos, com grande festa no Celeiro, em São José do Norte.

Faz muito sucesso pelo exterior o modelo João Gabriel Chiaffitelli. De Rio Grande para o mundo ele tem se destacado pela competência que demonstra em todos os trabalhos que realiza.

Família mais o Guri Foi divertido o encontro da família Bernini com o

Guri de Uruguaiana. O irreverente artista não fez cerimônia e tirou foto com a família toda. O professor Mauricio Bernini, a médica Julia Bernini e as filhas Carolina, Letícia e Elisabeth.

Belas Imagens Tem se destacado o jornalista Diego Balinhas pelas belas imagens que reali-

za da Cidade do Rio Grande. Nas redes sociais, Balinhas tem seus trabalhos muito apreciados pelas pessoas, sendo destacado em grupos e comunidade de apreço a belas fotografias. Parabéns pelo trabalho e fica a dica para começar a pensar em uma exposição.

Edu e Paola Chegando para reforçar

a equipe de profissionais do UP Cabeleireiros.

Concurso Tradicionalista O Centro Cultural Nativista Sentinela do Rio Grande terá quatro concorrentes na 44ª Ciranda Cul-

tural de Prendas e 26º Entrevero Cultural de Peões – Fase Regional, que acontecerá nos dias 28 e 29 de junho de 2013, no Centro de Tradições Gaúchas Farroupilha, Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Campus Carreiros. Os concorrentes titulados da entidade são: Giovana Martins (Prenda Mirim), Glaucia Brum Crizel (Prenda Juvenil), Mateus Dias Louzada (Guri Farroupilha) e Allan Longaray (Peão Farroupilha). Este concurso elegerá os representantes da 6ª RT.

Mateus Louzada Guri Farroupilha

Allan Longaray Peão

Glaucia Crizel Prenda Juvenil

Giovana Martins Prenda Mirim

Domingo 30, às 17h tem desfile chá beneficente no Clube Sócrates, em São José do Norte. O evento em prol do Hospital Maternidade São Francisco é uma promoção das voluntárias e da UP Cabeleireiros. Confira na próxima semana os click’s do evento.

Nova exposição da Breche A partir de quinta-feira (27) às 19 horas na Galeria Breche acontece a aber-

tura da exposição dos alunos da oficina de Desenho da Escola de Belas Artes “Heitor de Lemos”, orientados pela professora Dóris Mejia. Em encontros semanais, os alunos criam e reproduzem emoções e sentimentos, transferindo para o papel viagens entre o real e o imaginário. Em uma troca dinâmica e prazerosa, vivenciam experiências, provam materiais e permeiam os saberes do consciente e inconsciente. Ideias, cores e linhas se entrelaçam, sempre em transformação, em um eterno processo de percepção, cognição e compreensão estética. A exposição se estende até o dia 10 de julho. A Galeria Breche fica na rua Carlos Gomes, 583 e está aberta de segunda a sexta-feira das 9h às 11h30 e das 13h30 às 20h.


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O significado do trabalho

ecentemente, em um atendimento de Coaching de Carreira iniciamos uma discussão do significado de trabalho. Esta minha cliente associa trabalho a algum ruim, a perdas: perda de tempo livre, perda de oportunidades mais interessantes, perda de viver a vida, perda de aproveitar o lazer etc. Chegando a este seu pensamento, pude compreender muitos dos motivos pelos quais ela procurou o trabalho de Coaching. Como conseguir um trabalho prazeroso e motivador se a sua associação está em algo negativo? De que forma é possível sentir satisfação e realização através do que você considera um peso, um ‘abocanhador’ de oportunidades? Está aí um dos primeiros pontos mais importantes ao se planejar a carreira! Definir trabalho para você, qual é o significado dele. E, ainda, é preciso trabalhar em cima de crenças negativas

que podem estar destruindo a sua oportunidade de se sentir feliz e realizado. Você já pensou nisso? Você mesmo ser aquele que está destruindo a possibilidade de encontrar satisfação e deleite no que faz profissionalmente? A origem etimológica da palavra trabalho vem do latim tripalium, que significa três paus. Um instrumento de tortura utilizado para domar animais e forçar escravos a aumentar a sua produtividade. Não é à toa que muitas pessoas continuam associando trabalho a algo ruim, com um passado assim tão sombrio. Mesmo pouco tempo atrás, trabalho era significado de sacrifício. Para o meu avô, se não houver sacrifício, não é trabalho. Hoje, se você buscar no dicionário o significado da palavra trabalho, ele trará algo ligado a qualquer ocupação manual ou intelectual, esforço, ta-

refa, labuta. Também vejo como um meio muito objetivo e superficial para definir esta palavra. Nós passamos grande parte do nosso dia no trabalho, seja empregado de uma empresa privada, empresário ou funcionário público. Normalmente, são em torno de oito horas do nosso dia dedicadas ao trabalho. Por isso, é preciso enxergar além! É importante vislumbrar um significado no trabalho, uma missão, um propósito, uma razão para isto valer a pena. Podemos dizer que o trabalho é um meio de realizar sonhos e nos possibilita colocar em prática a nossa missão como seres humanos. Qual é a sua missão? Por que você está aqui e o que veio realizar? Qual é o seu objetivo de vida? Sem mudar uma crença negativa em relação ao trabalho, é impossível sentir-se feliz, realizado e bem sucedido na carreira!


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pOR ANDRÉ ZENOBINI


Chegou mais uma Fearg/Fecis

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io Grande está em festa. Desde o último dia 27, a Cidade está sediando mais um grandioso evento. A Feira de Artesanato do Rio Grande e Feira do Comércio, Indústria e Serviços acontece até o dia 14 de julho no Centro Municipal de Eventos e apresenta um grande número de atrações. Este ano, a 35ª Fearg/18ª Fecis conta com um número recorde de expositores. São 450 artesãos e empresas que irão participar do evento em 2013. Além disso, em todos os palcos das feiras mais de dois mil artistas das mais variadas áreas da cultura. “Teremos este ano uma das maiores feiras da nossa história e estamos com uma grande estrutura para atender aos nossos visitantes”, afirmou a diretora geral da Fearg/Fecis, Ivone da Rosa. Para chegar até a estrutura que tem hoje, um longo caminho teve que ser percorrido. A primeira edição da Fearg foi realizada de 23 a 29 de junho de 1978, no estádio coberto da Associação Atlética Banco do Brasil, contando com a participação de 45 expositores. Nos anos subsequentes, a realização da segunda e terceira edições aconteceram no mesmo local, porém devido ao seu crescimento, tanto em número de expositores como de público visitante, a Fearg necessitava de um local mais amplo. Assim, a quarta Fearg, em 1981, realizou-se nas amplas dependências do Cine Glória, com o dobro de expositores. Com a impossibilidade da utilização do Cine Glória, a Fearg mudou novamente de cenário. A partir da quinta edição, foi realizada no estacionamento coberto de um supermercado na Rua Visconde de Paranaguá, no período de 30 de junho a 10 de julho. A Fearg sempre teve o

período junino como data, pelo acolhimento do inverno misturando, assim, a feira de artesanato com as comemorações deste mês festivo. A Fearg, apenas como feira de produtos tipicamente artesanais, vinha sofrendo influência dos expositores de produtos industrializados, o que levou à criação, na décima oitava edição, da Feira de Comércio, Indústria e Serviços - Fecis, possibilitando aos comerciantes em geral, assim como indústrias e prestadores de serviços, exporem seus produtos, ampliando assim o evento, diversificando-o, para que o público tivesse mais opções de compra. Estava nascendo o Centro Municipal de Eventos em 1997, maior conquista da Fearg, que precisou de um espaço definitivo, utilizando assim aqueles pavilhões que estavam praticamente abandonados, em sua décima nona edição. Nos anos subsequentes, foi incorporada a área anexa ao pavilhão e, na vigésima primeira edição, teve-se a utilização máxima, através dos seus 8.100 m² de área coberta, tornando as feiras não só um local para compras, mas também, para entretenimento e lazer. Foi em 2000 que se criou a parceria entre o poder público e a Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas do Rio Grande - Amperg. “Desde então, temos trabalhado com afinco para fortalecer e fazer crescer nossas

feiras. Hoje a Fearg/Fecis não é um projeto de apenas 18 dias, são vários projetos que a Amperg realiza ao longo do ano que culminam na Fearg/Fecis”, explica a diretora. Em 2006 os desafios foram ainda maiores, através da valorização da contribuição sociocultural das famílias imigrantes que proporcionaram a formação e o crescimento de nossa Cidade e do Estado. A Fearg/Fecis fez substituição da tradicional corte (Rainha e Princesas), por Embaixatrizes Culturais.

•Uma homenagem à cultura árabe

A escolha da etnia homenageada em 2013 foi realizada por meio de uma enquete no site das feiras no ano passado, que venceu com 48,4% dos votos do público. A Fearg/Fecis tem a produção e realização da Associação das Micro, Pequenas e Médias Empresas do Rio Grande (Amperg) e este ano faz uma homenagem à cultura árabe. “É uma cultura muito rica de histórica e com grande relação cultural com nosso Estado e País. É uma alegria para as feiras homenagearem esta cultura”, afirma a diretora geral da Fearg/Fecis, Ivone da Rosa. A cultura árabe está espalhada pelo Brasil. Desde o fim do século XIX, a imigração árabe marca presença no nosso território, reunindo diversas origens: egípcios, marroquinos, libaneses, sírios, palestinos, iraquianos e jordanianos. Os libaneses estão presentes em maior força. Desbravadores e de traços culturais marcantes, os árabes estão presentes na vida brasileira desde a chegada dos portugueses, visto que também deixaram sua marca nesse povo durante muitos anos. Economicamente, marcam forte influência no setor varejista. Mas a cultura e os acréscimos trazidos pelos árabes vão muito além da economia. A culinária, por exemplo, não fica restrita aos quibes e esfihas: há pimenta, cravo e canela, noz-moscada e azeite. Na música, a dança do ventre, cheia de mistérios e beleza, faz sucesso entre as mulheres.

•A Embaixatriz

Este ano, Jéssica Barbosa Porto foi a escolhida para representar as feiras e com desenvoltura e alegria tem contagiado o público em suas aparições. Jéssica tem em suas raízes a cultura árabe, mesmo já sendo filha de brasileiros natos. Nasceu em sete de abril de 1992 e está realizando o curso de Eletrotécnica no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRS). Filha de Édia Barbosa e Oneide Porto, a embaixatriz possui quatro irmãos. Jéssica trabalha na Fearg/Fecis há alguns anos e por diversas vezes já foi a Agente Cultural da Etnia Árabe. Sua primeira aparição oficial como Embaixatriz da Fearg/Fecis foi durante a Festa do Mar. “É uma grande alegria representar a Fearg/Fecis, pois estou nas feiras há alguns anos já e passei por diferentes setores. Fiquei muito emocionada quando chegou o convite para que eu me tornasse a embaixatriz, pois significa o meu crescimento profissional dentro das feiras e vai ser muito significativo poder representar essa etnia, que faz parte da história da minha família e dos meus antepassados”, conclui ela. Para os 18 dias de evento, Jéssica terá com ela um embaixador, que irá ajudá-la nas apresentações e também na divulgação do evento. Diogo Alexandre da Conceição nasceu no dia 15 de abril de 1997. Diogo também já foi Agente Cultural da Fearg/Fecis. “É uma alegria poder participar das feiras, pois é um grande aprendizado e significa muito representar esta etnia tão importante e que tanto contribui para a história da humanidade”, encerra.

•Seiva da Terra divulga músicas selecionadas

A Comissão Organizadora da 35ª Feira de Artesanato do Rio Grande (Fearg) e 18ª Feira de Comércio, Indústria e Serviços (Fecis) divulga a lista dos artistas que se apresentarão no Festival de Arte e Cultura Seiva da Terra 7ª edição - modalidade música. Durante o Festival, que acontece nos dias 5, 6 e 7 de julho no palco do Teatro da Fearg/Fecis, serão apresentadas 36 músicas. Na primeira noite, acontecerá a apresentação das 12 músicas selecionadas do gênero Rock: Caminhos Cruzados; Cartomante; Do que você tem medo; Os verdadeiros raios; Fugaz; Longe Daqui; No Quiero; O Abduzido; O Ateu; O que vai sobrar; Fé e sonho e; S.O.S. A apresentação do gênero Rock terá no show do intervalo a presença de Gambona. Já na segunda noite, acontece a apresentação das músicas selecionadas do gênero MPB. São elas: A viagem da chuva até o chão; Escritura do Amor; Cantiga à Cipriano; Circo; Deja Vu; Alma Brasileira; Faço e Desfaço; Marcinha Infortunea; O som da tua voz; Ponto Final; Um vampiro egoísta, sanguessuga e estressado e; Paz. No intervalo, acontecerá o show de TOCA S/A. A última noite é destinada ao Nativismo com a apresentação das músicas: Essa tal saudade; Ainda assim és pedra; Guri de campanha; Lunarejo; Cantor –El Sorzal; Milonga do Porto; Uma estrela cadente; Eu canto assim meus senhores; Alma pampeana; Quando a água divide destinos; O Pária, e Milonga aos que ficaram. A noite contará com o show do intervalo de Xirú Antunes e Fabiano Bacchieri. Após as apresentações, serão divulgadas as quatro melhores composições de cada gênero, que irão compor o CD. O primeiro lugar de cada gênero será premiado com troféu, R$ 1,5 mil, mais a participação no CD das 12 finalistas do Festival; o segundo receberá troféu, R$ 1 mil e participará do CD; o terceiro lugar será premiado com R$ 800, e participação no CD; e o quarto lugar ganhará troféu e participará do CD.

•Palco Nossa Terra, Nossa Gente é uma das novidades da Fearg/Fecis

Uma das novidades da 35ª Feira de Artesanato do Rio Grande e 18ª Feira do Comércio, Indústria e Serviços será o palco Nossa Terra, Nossa Gente. A estrutura estará montada em uma área privilegiada próxima à gastronomia. A 35ªFearg/18ªFecis inicia quinta-feira no Centro Municipal de Eventos e se estende até o dia 14 de julho de 2013. As atrações do palco começam na sexta-feira (28 de junho) com o grupo Chirriro, às 20h, logo em seguida a banda Nitrovoid se apresenta. No sábado (29 de junho) serão as bandas Foliões do Forró e Tchê Forró. No domingo (30 de junho) será a apresentação de Vampiros Nordestinos e Super Cáustica. Durante a semana, o palco recebe os shows de (1/07) Instinto Moleke, Clima Novo; (2/07) Jow Ramon, Noctluka; (3/07) Felipe Araújo, Nando Muniz; (4/07) It’s Time, Warning; (5/07) Vem que eu te explico e Samba Vox. No sábado (6/07)

apresentam-se QSQ e, às 21h30, Melissa Doll. No domingo (7/07) sobem ao palco Estação Vip e Batidão Sertanejo. Entre os dias 8 e 12 de julho as atrações são: (8/07) Damaúnica Acústico, Ervas Finas; (9/07) Black Balanço, Roberto e Banda; (10/07) Som da Nova Era, Caco de Telha; (11/07) Track 01; (12/07) Go On, Albatross e Tríade Maior. O último sábado (13/07) será marcado pela presença de Ivan Beck e Banda e às 21h30 será a vez de Nelson e Alexandre Corrêa. O domingo de encerramento terá Corrente Ativa e Thiago Nogueira. Durante todos os dias do evento, os shows no palco Nossa Terra, Nossa Gente começam às 20 horas e as segundas apresentações às 21h30. O acesso às feiras custará R$4, no valor integral e R$2 para estudantes com documento estudantil com foto. às segundas-feiras não há cobrança de ingresso das 16h às 19h.

•Palco Teatro da Fearg/Fecis com grandes atrações

O Auditório Joaquim Américo Souza e Silva, localizado no Centro Municipal de Eventos, se torna um dos principais espaços de arte e cultura durante a 35ª Feira de Artesanato do Rio Grande e 18ª Feira do Comércio, Indústria e Serviços. A partir do dia 27 de junho, o auditório passa a ser chamado de Palco Teatro e receberá, além da cerimônia de abertura das feiras, diversas atrações para todos os públicos. Entre os destaques da programação está o Encontro de Corais que ocorrerá no dia 28 de junho a partir das 20h. No primeiro sábado (29/06) acontece a tradicional Noite das Etnias, com uma viagem pelas diferentes culturas que ajudaram a

construir o Estado do Rio Grande do Sul. No domingo (30/06), o destaque é para a etnia árabe, em uma noite com muitas danças com Nuti-Furg, Freedom Cia. de Dança, Studio de Dança Karine Oliveira e Núcleo Mistika de Danças Orientais. Durante a primeira semana do evento, o destaque é para o dia 2 de julho que será marcado pela Noite do Hip Hop. As apresentações iniciam a partir das 18h com Thugs, seguido por ¼ Clã, Mr. Diones, Missão 21 Cruzeiros e Dirth South. No dia 4 de julho não há atividades no Palco Teatro, pois ele estará sendo preparado para a 7ª edição do Festival de Arte e Cultura Seiva da Terra – Modalidade Música – que ocorre nos dias 5 (Rock), 6 (MPB) e 7 (Nativista) naquele espaço. Outro destaque da programação do Palco Teatro será a Noite dos Adoradores, que irá ocorrer no dia 13 de julho a partir das 18 horas. Entre as apresentações estão: Léo Sória, Kairós, Rudimar e Banda, Atos 33, Ministério Filho Servo e Mente Sem Limite.


Grandes atrações nacionais virão ao Rio Grande

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ão três grandes atrações nacionais que irão estar presentes durante a 35ª Feira de Artesanato do Rio Grande e 18ª Feira do Comércio, Indústria e Serviços. Seu Jorge, Péricles e Roupa Nova vão fazer a festa numa grande estrutura de shows que comporta até 10 mil pessoas. Seu Jorge inicia as atividades do Palco Principal no dia 29 de junho, trazendo as melhores músicas de sua carreira e o grande sucesso da última novela das nove da Rede Globo, Salve Jorge. Jorge Mário da Silva nasceu em 1970 em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, e cedo já sabia que queria ser músico. Passou por diversos empregos desde os dez anos de idade, foi frequentador de bailes e rodas de samba cariocas, e começou a cantar cedo na noite. Saiu de casa aos 19 anos e foi morador de rua por alguns anos, onde fez seu primeiro contato com o teatro. Descoberto pelo clarinetista Paulo Moura, fez um teste para um musical e desde então sua vida mudou completamente. Seu Jorge (apelido dado pelo amigo e baterista Marcelo Yuka) alcançou sua primeira realização profissional como músico em 1998: integrante da banda Farofa Carioca, lançou o disco “Moro no Brasil” em Portugal, no Japão e no Brasil. Péricles, que desembarca em Rio Grande no dia 5 de julho, tem um longo histórico no grupo Exaltasamba. Antes de ser cantor, trabalhou como inspetor em duas escolas estaduais e em uma montadora de carros, em São Bernardo do Campo.

Integrou o grupo Exaltasamba, do qual foi um dos fundadores, em 1986. Com o grupo, acompanhou Jovelina Pérola Negra, tocando nas casas de shows de São Paulo. Gravou ao todo mais

de 20 CDs e DVDs, viajando em turnês por todo o Brasil. Desde 2012, com o fim do grupo Exaltasamba, seguiu carreira solo, apresentando-se no Credicard Hall, em São Paulo, para a gravação ao vivo de seu primeiro show sem o grupo. Produzido por Izaías, também ex-integrante do Exaltasamba, o show contou com a participação do cantor Luan Santana, com o qual dividiu os vocais em “Cuidado Cupido”. Para finalizar, Roupa Nova encerrará a Fearg/Fecis com muita música da melhor qualidade. Roupa Nova é uma banda com mais de trinta anos de carreira, dezenas de sucessos lançados, uma agenda de shows ininterrupta e lotada pelo Brasil inteiro e que conta com seus integrantes originais na sua formação. O grupo começou sua lista de sucessos com a música “Canção de Verão” na década de 80 e desde então emplaca hits nas rádios e telenovelas brasileiras, com um público fiel e que se renova a cada ano. Formada por exímios músicos, o Roupa Nova já lançou 22 CDs e cinco DVDs, alcançando a impressionante marca de mais de cinco milhões de produtos vendidos. A 35ªFearg/18ªFecis ocorre de 27 de junho a 14 de julho, no Centro Municipal de Eventos. Os ingressos para entrada nas feiras é de R$4 e a meia-entrada para estudantes R$2. A realização é da Amperg, com o apoio da Prefeitura do Rio Grande através da Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer. Ingressos para shows e outras informações em www.morphine.com.br.


FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

Paulo Costa

Presidente do Sport Club São Paulo

Queremos ser campeões do Gauchão, mas para isso, precisamos de recursos

pós mais de 20 anos, o Sport Club São Paulo finalmente retornou à elite do futebol gaúcho. Foram várias tentativas, o rubro-verde rio-grandino chegou a disputar uma semifinal da segunda divisão, mas nada. Até que o empreiteiro de obras Paulo Costa assumiu a presidência do clube e impôs seu estilo. Os desafios eram muitos, até brigas teve de comprar e com muita competência ele está conduzindo o Leão do Parque e sonhando grande, apesar de todas as dificuldades. As dívidas podem ultrapassar R$ 1 milhão, se juntar as trabalhistas do passado, as fiscais e, ainda, a dívida com a CEEE, que é de R$ 210 mil. E mesmo tendo uma grande torcida, o clube ainda não conseguiu uma quantidade de sócios que lhe possibilite não depender exclusivamente das arrecadações dos jogos. Hoje são apenas 400 associados, que Costa pretende ampliar para três mil, ao preço de R$ 30 a mensalidade ou R$ 40 a cadeira. “Com três mil sócios dá para o São Paulo pensar em mais que o campeonato gaúcho”, observa o presidente. Ainda com relação às dívidas trabalhistas, Paulo Costa diz que não tem ideia dos valores. “Nosso departamento jurídico, através do advogado Paulo Correa, está fazendo um levantamento para saber exatamente o valor das dívidas e tentarmos um condomínio, que nem o Grêmio fez”, adianta o presidente, que nos concedeu a seguinte entrevista no estádio Aldo Dapuzzo: Folha Gaúcha - Qual o segredo para a ascensão do clube à elite do futebol gaúcho? Paulo Costa - Primeiro, conhecimento de futebol. Uma administração eficiente, responsável pela escolha de uma comissão técnica conhecedora, que contratou jogadores com o perfil adequado à nossa filosofia de trabalho. Esse foi o segredo. E trabalho, né? Muito trabalho e dedicação. Também foi importante acreditar nas pessoas e dar oportunidade, tanto aos mais velhos quanto aos jovens. Formamos uma espinha dorsal para a equipe de goleiro, volante e atacante experientes, que deram suporte para os jovens desempenharem o trabalho desejado.

pOR Ique de La Rocha

FG - Neste ano será possível fechar com os salários em dia?

PC - Até agora, não. Não tive proposta de ninguém. Nem contatos.

PC - Essa é uma questão muito difícil. A gente está em busca disso. Esperamos que realmente aconteça,

FG - A verba da TV já tem sua destinação definida pelo clube? Foto: Ique de La Rocha

“ A

ENTREVISTA 15

PC - A verba da TV é basicamente para pagar a folha, e não dá. É em torno de R$ 800 mil que o clube recebe, mas a folha do Gauchão é em torno de seis meses. Os clubes começam em dezembro e vão até maio. Até ouvi diretor dizendo que na Primeira Divisão tudo se resolveria com o dinheiro vindo da Federação (Gaúcha de Futebol), só que esse dinheiro não paga a folha. Aí dependeremos de renda, mas e se não der renda? Sabemos que dá renda quando Grêmio e Inter vêm jogar aqui. Portanto, só temos um jogo de renda boa, porque os clubes enfrentam apenas um da dupla Gre-Nal. Agora, imagina se dá para penhorarem uma bilheteria dessas. FG - O que dirias ao torcedor do São Paulo neste momento?

mas, para isso, dependemos diretamente do nosso torcedor. Que ele realmente se associe ao clube. Acho que esta é a única maneira dele cobrar e poder ver seu time na elite, junto com os grandes. FG - Já existem projetos para 2014 com relação ao time e ao estádio? PC - A ideia é refazer todo o gramado, com drenagem, troca da grama, mais a construção da arquibancada da rua América. Queremos fazer uma reforma de modo geral no estádio. Na parte do futebol pretendemos reforçar o grupo em número e qualidade.

FG - O São Paulo já está trabalhando com vistas a 2014?

FG - O São Paulo pretende jogar para não cair ou tem outra ambição em 2014?

PC - Já. Estamos pensando em reformas no estádio, pensando em compor mais o plantel, em busca de patrocínios e, principalmente, buscando um quadro de sócios com, no mínimo, 3.201 sócios, porque só assim o clube poderá se manter, honrando suas obrigações e disputando todos os campeonatos, da mesma forma que valorizando o seu sócio e seus investidores.

PC - Pretendemos jogar o Gauchão para sermos campeões, mas é óbvio que isso tudo depende de recursos. O time será montado de acordo com os recursos financeiros. De nada adianta dizer que vai brigar para ser campeão se não tiver recurso. FG - O clube já teve sinalização de algum possível patrocinador para o Gauchão?

PC - Diria que o Sport Club São Paulo necessita muito dele. Muito, muito mais do que necessitou, porque na segunda divisão só tens um objetivo, que é subir, enquanto na primeira divisão os objetivos são muitos: teremos de brigar para ter a folha de pagamento em dia, e os salários são bem maiores, e brigar por receitas, já que as necessidades são muito maiores que na segunda divisão.

Exemplo de empresário pelotense

deveria ser seguido

Em agosto, o São Paulo receberá do Expresso Embaixador, que tem sede em Pelotas, a doação de um ônibus seminovo, com cerca de dez anos de uso. Ele virá todo na cor branca para que o clube faça a pintura da forma que melhor desejar e a empresa dará, ainda, três meses de garantia para o veículo. O presidente Paulo Costa lembra que ele esteve na sede da empresa para fazer o pedido ao proprietário, empresário Paulo Roberto Fonseca, juntamente com o ex-presidente Jair Rizzo, o advogado Paulo Ricardo Correa, e o vereador Flávio Vigilante. Costa conta que não esperava uma receptividade imediata à solicitação: “Fomos muito bem atendidos e ele nos deu o ônibus com a maior tranquilidade possível”. O presidente do São Paulo destaca a iniciativa de Fonseca e afirma: O Expresso Embaixador é o embaixador do São Paulo e outras empresas daqui deveriam seguir esse exemplo. Sendo uma empresa de Pelotas, eles mesmo assim apoiam o maior rival do time deles. Cadê nossos empresários, que não seguem esse exemplo?


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FOLHA GAUCHA

FOLHA GAUCHA

RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

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Parque Marinha:

moradores revelam problemas do maior bairro da Cidade POR Camila Costa

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untamente com a Rádio Cultura Riograndina, o Jornal Folha Gaúcha iniciou uma caminhada pelos bairros da Cidade. A oportunidade é para expor os fatores positivos e negativos de localidades espalhadas pelo Município do Rio Grande ao longo das semanas e dar aos moradores um espaço para que a sua voz chegue mais longe. Durante a semana que passou, o Folha Gaúcha esteve presente no Bairro Parque Marinha. Com cerca de 30 mil habitantes, o local enfrenta problemas antigos como as reclamações com as obras da Corsan, que ano após ano são alvo de protestos por parte da comunidade, à espera de uma solução. O transporte coletivo também é constantemente citado como um percalço para quem transita entre o centro da Cidade e o bairro. A presidente da Associação dos Moradores do Parque Marinha, Gilda Cozza, lamenta a falta de participação popular entre as decisões tomadas a favor do bairro e na luta por melhores condições. “É bem difícil trabalhar, porque tudo eu tenho que fazer quase sozinha, poucos ajudam.” Em uma chapa da diretoria com 20 integrantes, poucos aparecem na sede da associação para prestar apoio. “Quando tem algum evento, por exemplo, é preciso arrumar tudo, e eu fico sozinha, não aparece ninguém pra ajudar”, diz ela. Para o trabalho seguir, Gilda frisa que é importante a colaboração de

todos, principalmente na hora de apontar o que há de errado. “As pessoas falam por aí, mas depois não aparecem na hora certa para reclamar e eu fico tentando resolver os problemas, mas a associação precisa de mais gente.” A presidente vê o bairro com inúmeros problemas e fala da falta de comprometimento dos políticos com as promessas feitas em época de campanha. “Tem coisa que a gente pede, insiste para arrumarem e ninguém nos dá assistência aqui no bairro”, reclama. Segundo a dona de casa Aline Libório, mãe de duas crianças e moradora do bairro desde que nasceu, o maior problema para ela e muitas mães é a falta de uma creche pública no bairro que atenda em mais de um turno. “O meu caso é que agora eu quero tentar cursar uma faculdade e trabalhar, mas não posso, porque não tenho com quem deixar meus filhos”, explica. A única creche pública que está atendendo atualmente trabalha apenas no turno da tarde. “Uma única creche e com um turno só no maior bairro da Cidade, é difícil de entender”, afirma Aline. Na tradicional feira que ocorre às terças-feiras e aos sábados, alguns moradores locais aproveitam para complementar a renda. O aposentado Damasceno trabalha há nove anos vendendo churrasquinho. “Como já estava aposentado, peguei a carroça de um colega e decidir trabalhar aqui na feira mesmo”, conta. Para ele, que precisa levar a carroça até

a feira, o grande obstáculo são os buracos nas ruas, principalmente em dias de chuva, quando a água acumula por uma grande extensão, mas acredita que já houve muita melhora. “O Parque Marinha tem seus problemas, mas acredito que já melhorou bastante de uns anos para cá”. Para Laura Costa, que vende artigos variados na feira, o maior problema é a demora do transporte coletivo. “O ônibus demora muito para chegar, a gente fica na parada mais de meia hora esperando e depois demora quase uma hora até o centro”, diz. No posto de saúde localizado em uma das entradas do bairro, Dona Laura conta que foi muito bem atendida todas as vezes que necessitou. Perguntada sobre o serviço que mais sente falta, ela está com a maioria: agência bancária e lotérica. Além da demora do transporte coletivo, muitos moradores também lembraram os problemas de escoamento que o bairro enfrenta. Em determinados pontos, segundo eles, após o fechamento de valas, a chuva torna

Comércio sente falta de agência bancária e segurança

Apesar de ser considerado por muitos o maior bairro da Cidade – a competição é com o bairro Getúlio Vargas -, o Parque Marinha não dispõe, ainda, do serviço de uma agência bancária. Mesmo assim, o comércio oferecido supre praticamente todas as necessidades dos moradores. Para quem procura gás e galão de água para casa, a Progas, na Rua dos Grandes Lagos, está sempre em busca do melhor e mais prático atendimento aos clientes. Na área de ferragens, a Tudo a Ver Ferragens, na Av. dos Arquipélagos, trabalha há 20 anos atendendo à comunidade. O proprietário José Carlos Andrade afirma que os clientes compensam os investimentos no negócio. Embora saiba que há inseguran-

ça no bairro, particularmente ele diz nunca ter tido problema com isso e acredita que é preciso centralizar uma parte da Cidade no bairro. “Não dá mais para ficar refém do centro em questões como estrutura bancária e de um posto de saúde maior”, defende. José Carlos afirma levar em média 25 minutos para chegar ao centro pela ERS-734, em horários que não sejam de grande movimento. No mercado Super Sul, situado na Av. dos Oceanos, o proprietário Mauro Cruz da Silva vê a falta de policiamento com a preocupação mais pertinente. “Já fomos assaltados e frequentemente há pequenos furtos aqui dentro que não controlamos”, explica. Além de fazer coro à necessidade de uma agência bancária nos arredores e aos problemas de escoamento, Mauro cita a falta de uma farmácia grande pelo bairro e as más condições do calçamento. A farmácia é tam-

bém lembrada por Erivelton Brum, do Mini Mercado Bagé, na Rua dos Corais. “Acredito que uma farmácia 24h seria bom para a pessoal que vive aqui, mas não adianta ter um serviço com mau atendimento.” Rogério Pontes, proprietário da Grafyt Papelaria, na Av. dos Arquipélagos, procura valorizar o comércio local comprando ali tudo o que pode. O trânsito demorado até o centro de Rio Grande atrapalha as vendas, pela demora de muitos moradores que não em conseguem voltar a tempo da papelaria ainda estar aberta. Apesar disso, ele ressalta que as vendas são boas, com maior volume na época de volta às aulas. Assim como a maioria, diz sentir falta de agências bancárias e dos Correios. “A primeira agência bancária que abrir aqui, com certeza vai conseguir fazer com que a maioria dos comerciantes migrem para ela.”

Dona Laura reclama da demora do transporte coletivo

Aline Libório pede mais creches para o bairro

Rogério Pontes vê necessidade de uma agência bancária para o Parque Marinha


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Educação em

Destaque Por Marisa Cleff

Educação no Brasil...

Q

uando falamos em educação no Brasil, lembramos rapidamente de professores insatisfeitos, baixos salários e alunos desinteressados. Paramos para tentar achar uma solução para todo este problema que nos assombra há anos, mas parece, segundo muitos professores que converso, que este assunto não terá solução enquanto não houver uma mudança governamental. Eu nasci já ouvindo e vivenciando este dilema: greves de professores, alunos sem poderem ir às aulas e a situação ainda não mudou nada desta época para os dias atuais, pelo contrário, somente piorou. Hoje em dia perguntamos a um jovem o que ele quer ser quando crescer e ele responde ser qualquer coisa, mas tem certeza de que não quer ser professor. É muito triste ouvirmos isto, pois acho que, em breve, se as coisas não mudarem, não teremos professores e quando forem se dar conta será tarde demais para reverter este problema. É lastimável pensarmos que nossa base não é vista, ou não querem ver, como a solução para que um País cresça. Agora, eu faço uma pequena pergunta: É possível um país realmente crescer sem investir na educação? A resposta é meio óbvia, que conduz a um grande NÃO. Um país se forma através de uma educação forte e consistente. Com investimento pesado em um ensino de qualidade, que forme pessoas que realmente irão atuar no mercado de trabalho preparados a exercerem suas profissões seguros e que passem segurança no que estão fazendo. Acredito que nosso País está muito atrasado, e aqui irei focar na educação de lín-

guas, incluindo literaturas. Nosso aluno deveria ter línguas na escola, mas não sendo estudada somente com um enfoque de escrita e, sim, de fala, de situações reais, pois nosso aluno sai da escola sem falar uma palavra do idioma que aprendeu ali, então, que ensino é este? Desculpem-me as escolas, mas acho que esta é uma maneira de fazer todos refletirem se estão ensinando somente para dizer que foi dada a disciplina ou se irão começar a fazer realmente os alunos aprenderem línguas. Canso de ouvir professores de línguas dizerem que não dá para ensinar línguas nas escolas, por esta razão não as dão. Eu respondo: – Ok! Por exemplo, os alunos no nosso Estado - isto quem diz sou eu - deveriam saber o espanhol e estudar o espanhol como sua segunda língua, devido a nossa proximidade com os demais países. Isto já nos deixaria diferentes dos demais estados do nosso País. Em relação à literatura, sempre fui a favor dos alunos estudarem a literatura contemporânea, isto os deixaria com uma cultura e visão de mundo muito maiores, mas isto são meus sonhos colocados aqui nesta matéria... Quem sabe um dia não acordo e escuto alguém dizendo que tudo mudou e que agora a educação irá mudar para melhor e que não é pegadinha e sim algo duradouro e que veio para ficar? Forte abraço a todos e uma ótima semana!


FOLHA GAUCHA RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

Ai se o meu cabeleireiro falasse Como nos comportamos diante de pessoas que não conhecemos? Representando algo que não somos, ou sendo verdadeiros e tranquilos? O meu entendimento, a segunda opção sempre é a melhor, porque na verdade a primeira impressão é a que fica, então,

por que não ser o mais sincero possível e deixar de fato a melhor impressão? Julgar pessoas à primeira vista também não vale, por vários motivos: podemos não estar nos melhores dias, ou com algum problema pessoal, ou talvez até por ainda não sentirmos afinidade para compartilhar assuntos pessoais.

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Ao conversar com o cabeleireiro Eder, sócio-proprietário do salão Up, que junto à sócia Carol vem conquistando cada vez mais clientes no novo endereço, ele me contou que a profissão exige proximidade com o cliente e que para fazer um corte ou penteado tem que conhecer um pouco da personalidade da pessoa e para isso, uma boa conversa é indispensável. Percebe-se que as pessoas não têm mais tempo para conversar e nem fazer aquelas visitinhas de fim de semana.

Todo mundo, homens e mulheres estão ocupados demais. Mas quando estão sentados na cadeira do seu cabeleireiro, se sentem no divã, e aí desabafam, contam histórias, fazem as mais íntimas confissões. Muitos destes relatos a gente vai poder conferir no livro “Ai, se o meu cabelereiro falasse” de autoria das escritoras Madalena Costa, Luciana Freitas e convidadas. O livro vai ser lançado em março do ano que vem, na Hair Brasil Feira internacional de Beleza em São Paulo. Para o nosso orgulho, o Eder é um dos cabelereiros que estará contando algumas dessas histórias.

Protesto Desta vez não fui às ruas protestar, mas já vivi outras experiências em outras ocasiões e sei o quanto esse momento significa para quem está nas ruas com uma bandeira em punho. Não que eu não tivesse motivos pra protestar desta vez, mas acho que o voto é a melhor forma de protesto e também por que achei que tudo estava muito junto e misturado, sem objetivos claros. Mas o certo é que a movimentação, a ação, o descruzar de braços e ir à luta me encantam e me entusiasmam, afinal de contas, “povo unido jamais será vencido.” O recado está sendo dado aos políticos e é certo que, a partir de agora, vai nascer um número considerável de pessoas que serão ouvidas e, esperamos que nasça uma nova conscientização, que vá além dos discursos políticos. Mais do que isso, as pessoas querem saber o que é poder constituinte, o que é uma PEC, sei que muitos gritam e caminham sem conhecer a matéria, mas o que sabem é o suficiente, não temos saúde, educação e uma grande corrupção assola o País e espero sinceramente que não seja só fogo de palha e que a população não pare, e busque até o fim o resultado das suas legítimas reivindicações.


moda urbana www.modaurbanarg.blogspot.com

Natalia Sauer

Top 6 Calçados

A

coluna desta semana traz as dez tendências de calçados mais desejados deste Inverno. Eles estão nos pés das fashionistas e mulheres de bom gosto, complementando o look. São eles: cap toe (criado em 1950 por Coco Chanel, possui a ponta do sapato em cor diferente), estampa de cobra, franjas, estilo gótico (com aplicações em formato de cruz), pontos de luz (brilhos aplicados que refletem), salto estaca e metálico, spikes, texturas em pele e a wedge de tachas. Eles podem ser encontrados em todos os estilos de calçados, seja em botas, sapatilhas, tênis, etc. A Boutique La Vie, parceira da coluna, apresenta alguns de seus modelos para você apostar. Confere aí: Franjas

Estampa de cobra

Texturas

Salto metálico

Fotos: Natalia Sauer

Gótico

Pontos de luz


Queijos e Vinhos do Centro Português

Mais uma vez o Centro Português será a sede do melhor Queijos e Vinhos da cidade de Rio Grande. Este ano o evento acontecerá no dia 06 de Julho em sua Sede Campestre sob o comando de sua eficiente diretoria. Os convites já podes ser adquiridos na Padaria Fidalga. Os amigos das cidades vizinhas podem tirar suas duvidas através do fone (53) 3232 60 21. Em nossa próxima coluna fotos do evento.

Porto Seguro é show!

Por apenas R$ 698,00 mais taxas de embarque no mês de Agosto você pode conhecer as belezas naturais de bela e encantadora Porto Seguro. Já estamos com mais de 40 passageiros confirmados para esse destino que é o queridinho do Brasil. Nosso pacote inclui as passagens aéreas, 8 noites de hotel a uma quadra da praia, 8 cafés da manhã e translados aeroporto/hotel/aeroporto podendo ser parcelado em até 10x sem juros. Atendemos passageiros de todo RS.

Grupo Cancún Setembro Luiz Coutinho e Maria Ercilia presidente do Centro Português

Grupo de Mãos Dadas

No próximo dia 07 de Julho o Grupo de Mãos dadas promove Tarde da Moda. Um desfile beneficente no CCmar as 16:30hs. Os convites podem ser adquiridos com as integrantes do Grupo. Vale a pena prestigiar!

Elisa Terra no Coco Bongo em Cancún

Cancún, um dos principais destinos turísticos do mundo, une o melhor do México à beleza incomparável do Caribe. E pudera, pois dispõe de excelente localização geográfica, clima agradável o ano todo e paisagens extasiantes. Por ter sido planejada para o turismo, Cancún ganha atenção também pela excelente infraestrutura que abriga praias de areias brancas, palmeiras e águas de diferentes gradações de azul. Nossos pacotes incluem passagem aérea, 7 noites de hotel com todas refeições e bebidas incluídas. Os valores por serem baseados ao cambio do dia variam entre R$3.600,00 a 3.900,00 por pessoa em 10 X sem juros. Consulte um de nossos agentes.

Viagens em andamento

Estamos com nossos grupos na ativa... Como já é tradicional nossos grupos internacionais do mês de Junho são os mais disputados do primeiro semestre. Nossa guia Claudia Schimdt mal chegou de Cancun com 30 passageiros e já partiu para Grécia e Turquia com mais de 60 amigos. Enquanto isso o agente de viagens Rogério Lisboa embarcou na última terça-feira mais de 40 passageiros para Punta Cana, na República Dominicana. Férias de julho chegando e muitos projetos para nosso segundo semestre. Em nossa próxima Coluna já estaremos com algumas fotos.

Porto Seguro só para Mulheres 3ª Edição Saída dia 27 de Agosto por apenas R$ 998,00 em 10x sem juros... *GramadoInFest saídadia29deJunho comumapernoiteemGramadoporapenas R$ 198,00 em 3x sem juros...

Virgínia Zdradek já curtiu as belezas de Punta Cana

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RIO GRANDE, de 28 de junho a 5 de julho de 2013

S.C. São Paulo na final da série A2 2013 Por: José Valerão da zona sul, o Brasil, que conseguiu um grande feito ao vencer o Riograndense, a melhor equipe da classificatória, com um empate e uma vitória. Na primeira partida da decisão no Estádio Bento Freitas, o Xavante saiu na frente, vencendo pela magro placar de 1X0. No jogo de volta no Aldo Dapuzzo, o Sampa também ganhou por um a zero, levando a decisão para as penalidades máximas, onde brilhou a estrela do goleiro Luciano ao defender três penalidades e, desta forma, ajudar o São Paulo a ficar com a taça do primeiro turno e o mais importante: a tão sonhada vaga para a elite do Gauchão. Na ocasião, muito se falou que o Sampa subiu na hora certa e que caso não tivesse subido na primeira fase não chegaria à final do segundo turno, o que acabou por se confirmar e agora o Técnico Rudi Machado tem quase quatro semanas para pensar, recuperar e acertar a equipe para a final da competição, que deverá ter o primeiro jogo no dia 17 de julho contra o campeão do segundo turno. Uma final contra o Brasil de Pelotas seria garantia de dois confrontos de casa cheia e, mais uma vez, orgulho

para a Zona Sul, que teria novamente todo o foco esportivo do Estado. Em entrevista ao Repórter Everton Aguiar, o Presidente Paulo Costa lançou nova campanha para sócios, com o valor de apenas R$ 30,00 por mês. A Equipe Esportiva da Cultura, que já conta com Claudio Galarraga, Jota Huch, Genildo Coutinho e Jota Vargas, soma mais um grande narrador, com a chegada de Juarez Martins para a Copinha e a Terceirona Gaúcha.

Fotos: Déborah Figueiredo

V

inte e quatro pontos em quinze jogos, ou vinte e quatro pontos de quarenta e cinco disputados, seis vitórias, seis empates e três derrotas, fez vinte e três gols e sofreu dezesseis, restando com saldo de sete. Essa foi a campanha do São Paulo na série A2 neste ano de 2013, competição esta que recoloca o Sampa na Elite do Futebol Gaúcho. A fórmula da competição seguindo o modelo da série principal parece que ajudou o São Paulo, pois já há alguns anos a equipe arranhava a vaga para a série A e, segundo muitos especialistas, o Sampa largava bem e ia ao longo da competição perdendo forças chegando, quase sempre, muito perto de conquistar uma das vagas ofertadas a cada ano. Nesta edição onde o campeão da primeira fase garantia a vaga, o Sampa chegou lá, e o melhor, pelas suas próprias forças, dependendo apenas de si próprio para alcançar a tão almejada vaga. No primeiro turno, o Sampa ficou entre as quatro melhores equipes, tendo ficado em segundo no seu grupo, seguindo a excelente fase do Riograndense de Santa Maria e com o mesmo número de pontos do Brasil e do Glória, as duas equipes classificadas do Grupo D. Falando em Glória, ele foi o adversário da semifinal, onde o São Paulo venceu as duas partidas, chegando à tão sonhada disputa contra a arquirrival

o Jogo Jogo Virando o Virando Claudio Galarraga Liga de Veteranos – Teve a rodada do dia 22/06 cancelada por causa das fortes chuvas da sexta-feira. Normalmente a Liga remarca para um feriado em meio de semana. Como neste ano os feriados são quase todos na sexta ou no sábado, ao que parece essa rodada ficará para o final do campeonato. Rio Grande – Confirmado o nome de Julio Batisti como novo técnico do Rio Grande. Até o fechamento desta coluna não havia informação sobre contratações. O campeonato vai se aproximando e a mesma história de sempre, os outros times pegando o que há de melhor no mercado e quem deixa para fazer time depois terá muitas dificuldades. Competição – A Terceira Divisão gaúcha, ainda não consegui entender. As viagens são longas, não há ajuda financeira para os clubes e os jogos não têm atrativo. Muita despesa para tentar retornar para a segunda divisão. Poderia continuar como antes, ou seja, todos disputando a segunda divisão com chaves regionalizadas, facilitando a todos.

Parada – O São Paulo ficará muitos dias parado, apenas treinando e recuperando os jogadores machucados. A decisão da Segundona começa no dia 17 de julho e até lá não haverá receita de bilheteria, tão importante para manter as contas em dia. Volta – Para a decisão, com todos os considerados titulares a disposição, certamente o São Paulo terá outra postura, de pegada, aplicação tática e pode, sim, pensar em ser campeão gaúcho de 2013. Isso mesmo, é título gaúcho igual, só que da Segunda Divisão. Copa – Fecho a coluna antes das semifinais da Copa das Confederações, mas com aquela mesma convicção de que o Brasil chega na final e leva o título. Como já escrevi outras vezes, valendo muda e o Felipão é a cara da seleção. Ou a seleção seria a cara do Felipão? Não importa. O que importa é que ele faz até mesmo os mais acomodados colocarem a “bunda no chão”. Espanha – Olha eu de novo fazendo minhas pro-

crjnovo@gmail.com

jeções e apostando em uma grande final entre Brasil e Espanha. Ganharia o futebol mundial, pois são as duas seleções que apresentaram o melhor futebol até o momento. E se confirmar essa final, não há favorito.

Arena do Leão – As declarações do presidente Paulo Costa e as informações sobre obras na futura Arena não são muito animadoras. O presidente tem os pés no chão e sabe que só pode começar e terminar a obra se tiver previsão orçamentária. Para isso é preciso que o torcedor seja sócio, para que o clube não precise depender do empresariado que parece não estar disposto a ajudar. O presidente pede 2.801 sócios, que somados aos 500 já existentes somariam 3.201 sócios. Com esse número, o presidente garante obras e um time, em breve, no Campeonato Brasileiro. Saudação Especial – David Goulart e Eduardo Marques (MSC); Enes Farias (seu Toquinho), estou rezando e torcendo por sua recuperação. E até semana que vem...


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esporte 23

Unindo descontração e atividade física Por Camila Costa

A

o longo de um trabalho de dez anos, a Academia Barra Solo foi aprendendo a estar mais próxima do seu núcleo de alunos. E estar mais próximo significa proporcionar a todos, momentos de descontração e confraternização, sem nunca esquecer da atividade física. É assim que a academia provou que diversão e bem-estar podem estar ligados. Foram diversos momentos que incluíram caminhadas até a praia do Cassino, passeios ciclísticos, aulões em datas comemorativas, Semana da Criança, promoções do Dia do Amigo, aulões no Carnaval e festivais e torneios de natação. A ideia, segundo a proprietária Anna Beatriz, é integrar todos os alu-

nos em momentos de socialização e proporcionar um pouco de lazer, sem esquecer-se de exercitar o corpo e a mente. Sempre muito bem aceitas pelos alunos, as ações acontecem inúmeras vezes durante o ano. A academia também pode se orgulhar por participações na Supermaratona da Cidade e em torneios de natação em outros municípios, levando o nome da Academia Barra Solo e do Rio Grande ainda mais longe. Atualmente, as atividades externas ainda incluem mais do que eventos sociais e festivos. A academia está patrocinando uma equipe de triatlo, composta por cinco atletas. Para Anna Beatriz, o incentivo aos atletas locais é também uma das grandes preocupações da academia. A equipe já participou da travessia

Av. Rheingantz, 140. Fone: 3201.3505

entre Rio Grande e São José do Norte, de rústicas e outras competições pela região. Como nada se constrói sozinho, Anna Beatriz faz questão de lembrar todos os que colaboram em cada nova idealização da academia. “Agradecemos muito a todos os colaboradores que já nos apoiaram, aos professores, funcionários e alunos, todos que foram nossos parceiros nesses dez anos”. E como este é um ano de comemorações, não poderá passar em branco. O mês de julho será de surpresas pela academia. Os alunos concorrerão a brindes e promoções através de sorteios. Cada nova ideia premia ainda mais o trabalho da bela equipe de funcionários e alunos que passam pela Academia Barra Solo.


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Resenha da Semana

Viva Vida por ique de la rocha

Vacinação contra a pólio é prorrogada - A vacinação contra a poliomielite foi prorrogada até o dia 5 de julho. A iniciativa visa dar mais tempo para que os pais ou responsáveis possam dar proteção às suas crianças na faixa entre os seis meses e os cinco anos de idade. Até o momento, Rio Grande alcançou 83,3% da meta, com 9.610 crianças vacinadas. Inicialmente o Município pretendia chegar a 11.335 imunizações. A meta do Estado era atingir 95% do público-alvo. O Ministério da Saúde, por sua vez, pretende vacinar no país 12,2 milhões de crianças. A gotinha que previne a paralisia é dividida em três doses de vacinação: a primeira é dada nos primeiros dias de vida da criança, a segunda é nos quatro meses, a terceira é dada entre os seis meses e um ano meio de idade, e a quarta dose da vacina deve ser dada até os cinco anos de idade. A campanha é feita em parceria entre o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais de Saúde. Novas ações da Campanha do Agasalho - A coordenação da Campanha do Agasalho já distribuiu 270 dos cerca de 1.200 cobertores arrecadados em 2013. Na última semana, cumprindo o cronograma estabelecido, foram entregues 140 unidades com a seguinte destinação: 20 cobertores para famílias da Vila Eulina; 50 para famílias dos bairros Humaitá I, Humaitá II, Paraíso e Trevo; 35 para famílias do Parque São Pedro; e 35 para famílias do Parque Marinha. Os próximos bairros a serem beneficiados com a doação serão: Senandes, Bolaxa, Atlântico

Sul, Querência e Parque Guanabara. Renan Lopes reeleito na Câmara de Comércio - Renan Guterres Lopes foi reeleito na última segunda-feira, 24, para a presidência da Câmara de Comércio do Rio Grande. A eleição foi conduzida pelo diretor Fernando José Fuscaldo. Na ocasião, o Conselho Fiscal também aprovou as contas da entidade. O presidente da Câmara de Comércio, em seu pronunciamento, disse que manterá a diretoria da sua gestão anterior para o período 2013, 2014, por ter demonstrado muita participação nas reuniões e nos eventos promovidos. Falou das principais atividades realizadas, das obras que estão sendo feitas no condomínio e de sua intenção em restaurar a fachada do edifício e também de recuperar o acervo documental da entidade. Renan Lopes falou sobre temas importantes que têm sido tratados pela Câmara de Comércio, como o Polo Naval e a travessia para São José do Norte. Disse, ainda, que a diretoria continua buscando uma aproximação maior com o Executivo Municipal e que as reuniões-almoço “Tá em Pauta” continuarão abordando temas que sejam de grande interesse para a comunidade. Finalizou agradecendo o apoio dos diretores, funcionários e associados da entidade. Centro de Referência Esportiva promoveu palestra sobre drogas - Por designação da Organização das Nações Unidas

Foto: Ique de La Rocha

Mudanças no transporte coletivo entraram em vigor segunda-feira - Uma série de ajustes, com o objetivo de melhorar o transporte coletivo do Município, começaram a ser colocados em prática segunda-feira, 24, pela Secretaria de Município de Mobilidade Urbana e Acessibilidade (SMMUA). De 15 em 15 minutos, das 5h30 à 00h20, a linha interbairros Polivalente Portugal, Porto e São João voltou a operar. A linha possui um roteiro abrangente, passando pelos dois hospitais do Município, pelo IFRS, CEAT, secretarias de município da Saúde e da Assistência Social, além da área portuária. Segundo o titular da pasta, Edson Lopes, a retomada também contempla pais e alunos da Escola de Educação Especial José Alvares de Azevedo e foi um dos pleitos mais solicitados nas edições do Prefeitura na Rua. Os alunos da Furg passarão a ter, a partir do início dessa semana, mais uma opção de transporte até a universidade, através da linha Marluz-Furg, operada pela Sociedade de Transportes União dos Cotistas Ltda. (Cotista). “Essa é uma antiga reivindicação dos estudantes, que contarão com mais uma alternativa de deslocamento além do FURG-Vila Maria”, salientou. Nos horários de pico, das 18h às 20h, os usuários dos bairros Parque São Pedro e Barra terão ônibus a cada 15 minutos da Praça Tamandaré até o respectivo bairro. Para ganhar mais tempo e proporcionar maior fluidez ao trânsito, os seletivos, sentido centro-bairro e bairro-centro, começaram a passar por fora da estação de transbordo do bairro Junção. Ao longo da semana, a linha Cassino sentido bairro-centro também deixou de passar pelo local. A linha Parque Marinha Expresso, que utiliza vias de menor fluxo sem o embarque de passageiros e, em pouco menos de meia hora adentra o bairro, passou de 3 para 5 horários (18h, 18h30, 19h, 19h30 e 20h). “Nossa ideia é melhor atender o cidadão na saída do trabalho, diminuindo o tempo de deslocamento e proporcionando maior tempo para a realização de outras atividades”, ressaltou o secretário, que informou que novas mudanças irão ocorrer ao longo da semana.

(ONU), 26 de junho é o Dia Internacional da Luta Contra o Uso e o Tráfico de Drogas. O Centro de Referência Esportiva do Rio Grande, coordenado pela Funserg e que tem o patrocínio da Petrobras, promoveu palestras alusivas à data. Segundo a psicóloga do projeto, Letícia Costa, e a assistente social Paula Guimarães, o objetivo foi conscientizar os alunos que participam das várias modalidades esportivas oferecidas sobre os perigos das drogas, já que a faixa etária deles, dos sete aos 17 anos, está sujeita à tentação dos vícios, que acabam por destruir prematuramente o futuro de muitos jovens. As palestras aconteceram nos turnos da manhã e tarde de terça, 25, e quarta-feira, 26, no Centro Esportivo do Rio Grande. Hoje elas foram ministradas pelo Centro Regional de Estudos, Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos (Cenpre) do Hospital Universitário da Furg, através dos acadêmicos de Psicologia Letícia Alves e Júlio Herle. Os palestrantes inicialmente falaram que as drogas lícitas, como o cigarro e o álcool, são as mais prejudiciais à sociedade, pelo fato das pessoas acharem que são inofensivas e por estarem à disposição de todos. Alertaram para os perigos das drogas ilícitas, como o crack, que causam dependência mais rapidamente. “O prazer dessas drogas dura pouco para os inúmeros males que elas provocam”, advertiram os palestrantes do Cenpre. O coordenador geral do Centro de Referência Esportiva, Carlos Eduardo Patrício, salientou que além das atividades esportivas, o projeto prevê a realização de palestras educativas para esclarecimento dos cerca de 500 jovens beneficiados.

O chute foi dado... Lutemos pela vitória...!!!

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ão estamos aqui falando em bola, nem em copa, nem relembrando os trinta bilhões gastos neste entretenimento, às custas do dinheiro público , em detrimento da saúde, da educação., da segurança, da revisão e faxina urgente de nossa política eleitoreira,de políticas públicas de apoio aos seres invisíveis que dormem pelas ruas, dependentes à drogas etc. e tal. Como já falei em artigo anterior, urge uma revolução da ética, da justiça social e da espiritualidade!!! E esta revolução só pode se fazer com consciências bem despertas!!! Estou me referindo ao chute inicial, forte e libertário, dado pela imensa maioria de brasileiros despertos e, em consequência, indignados por tudo que está acontecendo neste Brasil, que esteve até agora “deitado em berço esplêndido”????!!!!! O jogo (e este sim é um jogo que vale a pena participar-jogar...) precisa continuar com coragem, competência e cidadania, para que a vitória (esta sim!!!!) Seja da paz, da justiça social, da educação que leve a “pensamentos alargados”, vitória da verdadeira solidariedade, que legisle não permitindo mais que seres vivos passem fome e mesmo durmam pelas calçadas geladas e solitárias. Sem esquecer que trabalhamos 150 dias por ano para pagar os impostos... (Que devem também ter sido encaminhados aos poderosos chefões da “máfia futebolística”), ou mesmo para os aumentos “vergonhosamente altos“ de nossos políticos em geral! Como todo jogo que se preste, é necessário uma forte e unida equipe e esta equipe somos nós, brasileiros de todas as raças, de todos os partidos, de todas as crenças, de todas as famílias, de todas as empresas, de todos os templos, de todas as escolas e universidades etc. e tal... Muito especialmente, equipe que tenha corações brasileiros bem escancarados e “enxergando“ bem claro tudo o que nos está acontecendo... Ponho-me a pensar o que poderíamos ter realizado em prol de causas de verdade merecedoras de apoio, com os quase trinta bilhões de reais gastos em estádios, etc, etc e com nosso suado dinheiro, que pagou e está pagando mesmo corrupções “futebolísticas” (disfarçadas de entretenimento saudável!). Mas, desde muitos anos, estávamos como avestruzes, com a cabeça enterrada na terra, sem ver, sem escutar, sem perceber os absurdos acontecendo (e ainda estão!) neste Brasil, “terra adorada entre outras mil”!!! Mas nossa presidente, com sua fala “ponderada e mansa”(???), aplaude estes protestos democráticos e continua prometendo, com o aval de seu guru detrás dos bastidores, soluções mirabolantes... para que os ânimos se aclamem e chegue logo o tempo de novas eleições... Einstein, em sua sabedoria, já dizia: “repetimos e repetimos as mesmas coisas e, ao final, queremos resultados diferentes...” Que cada um de nós, reflita bem sobre o significado real destes protestos por todo o Brasil, que não tem a ver com vinte centavos a mais ou a menos em passagens, mas em “milhões“ de indignações bem alicerçadas em nossa triste realidade atual! E este chute inicial, valoroso e consciente, precisa continuar o jogo democrático, ético e de brasilidade... E que nosso patriótico exemplo contamine todos os demais países, que ainda permaneçam adormecidos e submissos aos “falsos e malignos poderosos”, que estão disfarçados de líderes... Mas o mais triste é que nós mesmos é que temos elegido falsos líderes... E as novas eleições vêm por aí... E vamos repetir a triste façanha, muito gratos aos vinténs de uma bolsa família e similares??? Vamos colocar em debate esta situação atual nas salas de aula, nas universidades, nas empresas etc. e tal!! Até mesmo solitariamente, em nossas mentes e corações???!!! A partida continua...!!! E Vivavida!!! Almira Lima vivavida7@gmail.com


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Foto: José Wotter

Abençoada Indignação

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s semanas que se passaram foram de lavar a alma porque, como principal fruto, marcaram sua passagem para a história como o tempo em que o povo mostrou sua indignação. Em meio aos tantos comentários acerca dos levantes populares, li um post de uma colega professora da PUC-SP, onde ponderava que “Há 20 anos atrás, quando iniciava meus estudos na pós-graduação com meu mestre Adilson Dallari, lembro de ter questionado e refletido muito com ele sobre a violência que àquela época havia no campo. O MST e outras iniciativas nos processos de invasão de fazendas clamavam pela reforma agrária tardia, os excessos apareciam e nos confundiam a todos. Paus, pedras, sangue, tiros, direitos violados e ameaçados. O Estado aparecia na figura do repressor, mas nunca na figura do gestor. Deixava que a sociedade criasse fissuras, mágoas entre si, como se o problema tivesse origem no outro que estava à sua frente... Preconceitos e estereótipos marcaram rostos, nomes e fatos. Mestre Adilson dizia: ‘a revolta no campo não é nada perto do que será a revolta na cidade!’. Eu não enxergava o perigo, mas vindo de quem vinha o alerta, ficava assustada. Não há como não relembrar de seus avisos premonitórios. A vida urbana, como está, está nos levando à loucura. A incompetência fica exposta ao sol, atinge muitos, sempre. Conserta-se daqui, descobre-se dali. O que vejo nas ruas é a exaustão física, moral e emocional. Não há porquê não vermos deflagrada uma catarse coletiva. Aproveitadores de plantão poderão se apropriar de méritos alheios. Não bastará. Devemos afastar de vez o cinismo reinante e repactuar nossos termos de convivência. O problema é de todos.” E diante desse apontamento, me coloquei a refletir justamente acerca do que querem dizer esses movimentos sociais que tomam as ruas. É evidente que não são os vinte centavos o motivo da indignação. Talvez

se fosse isso, tudo estaria resolvido num samba, numa piada, enfim, de toda sorte de subterfúgios utilizados até hoje para afugentar o problema. Antes, entendo que pode ser uma extensão tardia da primavera árabe que, assim como os movimentos da década de sessenta, mudaram comportamentos e leituras sociais dos quais ainda hoje experimentamos os efeitos. Podem ser ainda legítimos movimentos da massa urbana que, exprimida nos seios das cidades, pouco – para não dizer nada – recebem do Estado. Ou ainda, um bando de baderneiros que questionam a ordem instituída, com fins políticos externados. Talvez sejam outros fatores diversos. Mas isso não importa. O maior legado que essa juventude deixou com seu ato foi de demonstrar que já não se sustenta mais essa forma administrativa do estado brasileiro. Não se quer mais corrupção, não se quer mais dinheiro público gasto com promoção pessoal, não se quer mais tanta coisa, que daí vem o risco, que é justamente o esvaziamento do foco do protesto. Nas passeatas se vê de tudo, quem é contra a PEC 37, pretendendo que a Presidente Dilma a vete, como se isso fosse de sua competência. Pretendendo que a Presidente prenda os corruptos condenados no Mensalão, como se isso fosse de sua competência, também. Muito se pretende, mas não se sabe ao certo o que se quer e o que se pode. Porém, é preciso ponderar que liberdade de expressão não se confunde com irresponsabilidade, nem tampouco com democracia. A liberdade de expressão é inerente ao processo democrático, tal como a responsabilidade pelos atos também. E acho, particularmente, que o Estado que aí está, que outrora foi livre para usar e abusar da paciência popular, que permitiu o locupletamento ilícito de seus gestores em face dos bens públicos, que escancarou a incompetência administrativa, está agora experimentando justamente a escravidão das

consequências. Agora, inclusive, entendo o porquê das recorrentes campanhas de desarmamento. Mas de tudo o que se vê, acho que o digno de nota é o levante popular, essa abençoada indignação que deixou políticos atônitos. Sinceramente, eu não acreditava que um dia iria ver o povo romper a barreira da inércia, sair às ruas, protestar de tal forma que o próprio Estado entenda isso como uma movimentação legítima e justa e que tenha a preocupação, inclusive, de ser cirúrgico na apuração dos excessos para imputação das devidas responsabilidades a ponto de não macular pela criminalização o movimento social como um todo. Parece que há um espaço comum de fala gritando um “basta” a tudo, clamando por justiça social, por inclusão, por repartição de riquezas, por ética, por lisura, enfim, por tudo aquilo que efetivamente é pilar de uma democracia. E o que é mais legal, o que para alguns pode até parecer inconveniente, é que isso ocorre justamente ao mesmo tempo de um evento gigantesco como a Copa das Confederações, o qual, em tese, outrora teria justamente como efeito derrubar sobre tudo uma vestal. Pois essa vestal não existe. Foi rasgada pela indignação. Oxalá seja isso mesmo. Abençoado levante. Abençoado seja o poder da indignação. Abençoada a sociedade que ainda tem esse poder de indignação. Somente assim podemos repactuar nossos termos de convivência. Somente assim entendemos que o problema não é só de todos, mas principalmente, é um problema que herdamos de nossos antecessores e que não temos o direito de deixar como legado a quem nos sucederá. Enio Fernandez Junior Advogado e Professor Universitário


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Artistas brasileiros lançam músicas para embalar a Copa do Mundo Enquanto o País arde no coro da insatisfação, alguns eternos espertos tentam ganhar seu dinheiro

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Copa do Mundo ainda está distante e os artistas brasileiros já estão querendo lucrar em cima do evento. Recentemente, Michel Teló – que tem o feito grandioso de prosseguir fazendo sucesso com uma música lançada seis anos atrás – gravou a canção “Coisa de brasileiro”, que segundo o mesmo, é uma homenagem à irreverência do povo que homenageia em seu título. Teló deve muito ao futebol, afinal o sucesso mundial de “Ai se eu te pego” surgiu ao ser dançada pelo ídolo português Cristiano Ronaldo. A dupla sertaneja Fernando e Sorocaba decidiu apelar para o lado crítico acerca da Copa. Sua “Imagina na Copa” tenta capitalizar em cima dos protestos que estão sacudindo o País neste mês. Conhecidos por canções como “As mina pira”, os dois “entertainers” agora desejam ser a voz da geração Y, ironizando o lamentável episódio das “caxiro-

por MATHEUS MAGALHÃES

las”. Difícil é imaginar que as multidões que foram para as ruas vão querer ter seus protestos imortalizados na voz de tamanha mediocridade. O pai da “caxirola” Carlinhos Brown, conhecido embusteiro desprovido de talento que se consagrou por ser um dos maiores “aspones” da Lei Rouanet, não perdeu tempo e regravou sua “Faz um” que já havia sido patrocinada pela Rede Globo, se tornando tema da Copa de 2010 na voz de Claudia Leitte. Reciclada, a canção tem fantásticos versos como “sou peladeiro, sou futeboleiro, meu grito de guerra é o grito de gol”. A letra parece vir em pior hora, quando a população clama que o futebol da Fifa e do Governo Federal é o velho pão e circo. Falcão, d’O Rappa, em inacreditável canção onde é possível entender o que fala, emplacou com sua “Vem pra rua”, jingle de comercial de carro – partindo de um “crítico social” que sempre esteve na

vanguarda dos “artistas intelectuais”, citados por universitários como “coisa fina”. Apesar disto, o motivo pela qual se tornou infame não é a qualidade, mas a ironia contida quando em contraste com o atual momento em que o Brasil vive. O lema “vem pra rua, a maior arquibancada do Brasil” se tornou grito de ordem nas manifestações pelo País. Entretanto, a cereja do bolo do desastrado timing dos artistas tupiniquins veio do mestre da falta de noção, Latino. Reciclando música de 2011, o “cantor” decidiu que “O gigante” seria o tema da reforma política nacional. A música, claramente escrita para capitalizar em cima da vindoura Copa do Mundo, foi descrita pelo célebre poeta da brasilidade como um “hino” da geração que saiu às ruas. Se “quem não sabe brincar, não desce pro play e volta pra casa” é o novo hino nacional, eu não sei brincar e engato a marchinha, em tom fúnebre: “bye-bye Brasil”.

Parafalardecinema

“Viridiana”, de Luis Buñuel V

iridiana é uma jovem que está em um convento, preparando-se para virar freira. Ao saber que seu tio, Don Jaime (Fernando Rey), único parente vivo, está doente, ela parte para sua fazenda, a fim de fazer-lhe companhia. Ao chegar lá, acaba se tornando objeto de desejo do velho homem. Ao negar um pedido de casamento, Viridiana o leva a cometer suicídio. Como forma de redenção, ela decide trazer para a suntuosa propriedade um grupo de mendigos, dando-lhes comida e teto. Ao mesmo tempo, o filho de Jaime, Jorge (Paco Rabal), decide morar na casa e se interessa pela prima. A partir de uma sucessão de eventos, os mendigos, Jorge, a serviçal Ramona e a própria Viridiana revelam sua verdadeira natureza, inicialmente tácita aos olhos do público. Eu, particularmente, considero esta a obra máxima do gênio ibérico. As claras nuances anticlericais e o estudo afiado da natureza humana, marcas comuns a obra de Buñuel, acabam sendo ilustrados com marcante êxito. “Viridiana” tem muito de “Justine”, um dos mais famosos opúsculos de Marquês de Sade. O diretor, que referencia o libertino filósofo francês em hilária cena de seu brilhante “A Via Láctea”, tem a sofrida e humilhada Justine do romance homônimo como inspiração para sua ortodoxa Viridiana. A investigação moral é semelhante; neste caso, a filantropia regida pela fantasia de que a sordidez humana pode ser abrandada pela caridade e penitência é o dogma cristão que Buñuel esmiúça com galhofa e acurácia. A latência sexual da jovem, interpretada pela bela Silvia Piñal, adiciona ao drama o trágico de sua existência acabrunhada. Em sua trajetória, ela encapsula o que há de mais tenro no

cristianismo, bem como o Padre Nazarin, no longa homônimo lançado dois anos antes. Suas renúncias ao formalismo religioso e à entrega irrestrita para o auxílio dos outros os levam a um caminho de ingratidão, mixórdia e humilhação. Em um mundo como o nosso, Buñuel acompanha a queda dos virtuosos com a minúcia de um distante observador; não há lugar para a virtude sincera. O momento mais marcante e de natureza quase didática acerca do pensamento de Buñuel se dá quando Jorge se penaliza e compra um cachorro que estava atado na traseira de uma carruagem. Percebendo sua exaustão, ele o tira daquela condição escrava e o toma de estimação. Jorge e seu novo amigo saem do plano de foco e a câmera desliza novamente para a estrada. Nova carruagem passa e um close revela outro cão exausto na traseira, correndo no pique do veículo. Não se pode salvar a todos. Depois dos escândalos causados nas décadas de 20 e 30, o cineasta volta a provocar com uma encenação da Última Ceia, protagonizada pelos mendigos que, bêbados, tomam a casa enquanto Viridiana e os demais saem. O poder satírico do momento é ampliado pela sublime Aleluia de Handel tocando ao fundo. Perto da conclusão, a filha de Ramona joga a coroa de espinhos que Viridiana carregava em uma fogueira. Nem sempre o mestre é sutil, mas chega ao ponto que deseja sem problemas. Mais de 50 anos depois, a obra continua a mesmerizar e inquietar com sua premissa: há lugar para os ensinamentos de Cristo neste mundo? Se depender de Luis, os pedintes continuarão pedintes hasta la aurora.


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Aromas e Sabores

Culinária 27

*Jesus R. de Araújo jesusculinarista@gmail.com

São Pedro, o padroeiro e protetor...

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ia 29 de junho é muito importante para a Cidade, pois celebramos o dia do Padroeiro de nossa mui querida Noiva do Mar, e também do Protetor de todos os pescadores artesanais. Pois na antiga Cafarnaum, juntamente com seus irmãos, Pedro era um mero pescador, tornando-se mais tarde um dos principais apóstolos de Jesus Cristo. E, temos inúmeros privilégios da natureza, possuindo a maior praia do mundo, uma vasta costa marítima, uma gastronomia pintada com o colorido das águas, e com os gostosos acordes das ondas marinhas! Além de degustarmos a anchova

assada (prato típico do Município), ainda somos agraciados com uma infinita diversidade de saborosas variedades de frutos do mar. Também com a Fearg/ Fecis estamos contemplando a história, os costumes, tradições e a etnografia dos povos que colonizaram e contribuíram para a formação de uma Cidade que está em franco crescimento econômico e social. Portanto, temos muito o que agradecer a São Pedro, que com sua infinita sabedoria e santidade, espiritualmente vem administrando as etapas de nossas vidas... Mas, esta semana recebi algumas solicitações de

Filé de pescada ao forno

receitas de peixes e frutos do mar. E, um dos e-mails dizia: “Quero uma receita simples, com peixes do Mercado Público e temperos da feira, pois o sabor de uma receita não está em ingredientes requintados, mas com o amor que eu dedicar a minha família.” Obrigado, minha estimada leitora. Realmente, as coisas simples fazem parte da natureza. Muitas vezes, nós é que complicamos! E, que o Padroeiro de nossa Rio Grande, ilumine o lar de cada um de nós, com muita compreensão e carinho. Bom proveito e até a próxima semana!

Caldeirada de frutos do mar

Ingredientes:

Ingredientes:

1kg de filé de pescada, papa-terra ou linguado Suco de 2 laranjas Sal e pimenta do reino a gosto. 2 xícaras de leite de coco 1 colher de sopa de amido de milho 2 colheres de sopa de azeite de oliva Queijo mussarela ralado e salsinha picadinha, para polvilhar. Preparo:

Tempere os filés com sal, pimenta e o suco de laranja por 15 minutos. Em uma panela adicione o leite de coco, o amido e o azeite, mexendo bem. Leve ao fogo brando, mexendo até engrossar, formando um molho espesso. Coloque os filés temperados em um refratário, e cubra com o molho ainda quente. Polvilhe sobre os filés o queijo mussarela ralado e salsinha misturada. Leve ao forno médio pré-aquecido à 180ºC por 20 minutos até gratinar, e sirva à seguir. Rende: 5 porções.

1kg de namorado em postas, ou peixe de sua preferência 300g de camarões limpos Suco de laranja e sal a gosto 5 dentes de alho amassados 2 cebolas cortadas em fatias finas 2 pimentões cortados em cubos pequenos 2 tomates cortados em cubos pequenos 2 colheres de sopa de extrato de tomate 1 maço de coentro ou salsinha picada ½kg de batatas cozidas, cortadas ao meio Sal e azeite de oliva a gosto. Modo de preparo:

Corte o peixe em pedaços médios, lave-os e tempere-os com sal e laranja. Aqueça o azeite em uma panela grande e refogue o alho e a cebola, até dourar ligeiramente. Junte os pimentões, os tomates e o extrato. Mexa um pouco. Junte o peixe e mexa cuidadosamente para misturá-los com os temperos, refogando-os por mais um pouco. Junte a água e deixe ferver por 15 minutos. Após, acrescente os camarões, as batatas cozidas e por último o tempero verde. OBS: Também pode fazer um delicioso pirão com parte do caldo. Pirão:

Pegue o caldo do peixe e coloque em uma panela junto com o tempero verde. Em seguida ponha a farinha de mandioca (o quanto baste) e leve ao fogo, sempre mexendo até engrossar. Rende: 6 a 8 porções.

Dica Saborosa Para que o peixe e o camarão tenham seus sabores leves, característicos e texturas saborosas, nunca os congele. O caldo da laranja corrige e acentua o sabor, enquanto o limão, com o excesso de acidez, modifica e restringe o paladar da carne.


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Ponto

Crítico

Quem paga a conta?

Matheus Magalhães

POR IQUE DE LA ROCHA

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a edição passada o portuário aposentado Carlos Wyse denunciou que cerca de 3.500 luminárias ficam acesas durante o dia em vias públicas no Município. Lamentavelmente esta situação pode ser comprovada em diversos pontos da Cidade. A reportagem do Folha Gaúcha constatou facilmente o problema. Bastou passar num único dia pela Rua Marechal Floriano e na Praça Júlio de Castilhos (fundos do antigo Cine Sete de Setembro), bem como na Rua 15 de Novembro, divisa

dos bairros Cidade Nova e Miguel de Castro Moreira, onde os flagrantes foram feitos. Pelo que se tem conhecimento, as referidas luminárias e muitas outras continuam funcionando em pleno dia. Comerciantes da volta da Praça Júlio de Castilhos observam que faz mais de um mês que isso acontece por lá. As fotos no centro da Cidade foram feitas por volta de meio-dia e a da 15 de Novembro, pela manhã. O tempo estava nublado, mas nada justifica tal situação.

Foto: Ique de La Rocha

Praça Júlio de Castilhos (fundos do Sete): Iluminação acesa

15 de Novembro: iluminação acesa

A Cidade dos monumentos depredados Carta testamento de Getúlio Vargas

Rio Grande, no passado, ostentava o título de Cidade dos Monumentos. Muitas obras de arte embelezam a via pública, em homenagem a fatos históricos e personalidades. Uma pena que os vândalos continuam agindo e depredando o que é de todos. Há um bom tempo, o bronze que reproduzia a carta-testamento do presidente Getúlio Vargas foi retirado de onde se encontrava, na Praça Xavier Ferreira, e frequentadores daquele mesmo logradouro agora dão pela falta dos dizeres em homenagem a Duque de Caxias, no busto do Patrono do Exército construído de frente para a Monumento ao Rua Marechal Floriano. Duque de Caxias

Foto: Ique de La Rocha

Marechal Floriano: iluminação acesa durante o dia

Como o povo brasileiro virou “fascista” da noite para o dia

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Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento de extrema-esquerda. Apesar de se julgar apartidário – o que é mentira – claramente atende a uma agenda que fecha com a agenda do Governo Federal em diversos aspectos. Seu mote era e sempre foi o transporte coletivo, pautado na fantasia socialista de que tudo que é público tem que ser gratuito. Foi este o movimento que originou a primeira passeata em São Paulo. Nela, já havia confrontos com a polícia devido a ação de vândalos, maquilados pela imprensa como “repressão policial” pelo prazer da repressão. O PT interessou-se pelo efeito político que esta reprimenda diária à PM nos jornais poderia trazer – lembrando que a PM é de controle do estado de São Paulo, por sua vez comandado por Geraldo Alckmin – e mobilizou suas falanges a unirem-se na festa. Eis que o impensável aconteceu: o povo brasileiro viu nos protestos da MPL um motivo para, enfim, sair às ruas para demonstrar sua indignação contra os desvarios da administração federal e o descontrole da máquina pública. Ao invés dos projetos utópicos e completamente irresponsáveis sobre a tarifa zero no transporte público paulista, o povo integrou o movimento adicionando diversas pautas como a escalada da inflação, a votação da PEC 37, a corrupção, a presença de Renan Calheiros na presidência do Senado, os gastos faraônicos da Copa do Mundo e os impostos mais caros do mundo. Estes novos elementos desagradaram a turma do passe livre. O projeto de política destas múmias de 1968 é baseado em um Estado inchado, que tem o comando de tudo e manda na vida de todos. Os gritos sobre “democracia” são um floreio para mistificar suas maquinações anticapitalistas em um mundo que demonstrou a impossibilidade dos regimes socialistas, ainda no século passado. Quando centenas de milhares de pessoas saíram às ruas atacando diretamente o Governo Federal e o poder legislativo, o MPL e o PT se viram em uma “sinuca de bico”. A partir daquele momento, quem entrasse carregando bandeiras de partido era expulso, no ato, das manifestações. O MPL sempre foi simpático à colaboração com partidos de extrema esquerda - como PSTU e PSOL – e isto fica claro nos registros visuais do primeiro protesto que fizeram em São Paulo. O estopim foi quando uma turma da Juventude Petista foi expulsa. Os “irmãos da luta socialista” decidiram que aquilo era suficiente para matar o Frankenstein que criaram. Como? Pois bem, vamos chamá-los de “direita golpista”. É pouco, vamos mais longe; agora eles serão “extrema direita”. Se a turma não entender, aqui vai simplificado: neonazistas. Os saques e vandalismo nas cidades é culpa dos “reaças” de extrema direita que são inflamados pela Globo. Dá pra incluir mais um dos nossos inimigos? Claro! Vamos dizer que Joaquim Barbosa, aquele batráquio que puniu os nossos, vai se candidatar à presidência pelo partido dos milicos. Está feito. O slogan? “estou sentindo cheiro de golpe no ar”. Portanto, você, que esteve na rua bradando o hino nacional e cantando “quem não pula quer tarifa” é, basicamente, um fascista de apartamento. A estratégia é clássica e deu certo. A imprensa, demonizada como sempre, fez seu papel e mudou o foco de sua cobertura; enquanto só havia a turma do bem do MPL e partidos de esquerda, a polícia era truculenta. Agora, com os “extrema direita” nas ruas, a repressão é necessária. Enquanto isto, o MPL, que se retirou dos protestos na Paulista, foi segmentar a sociedade. Como? Seu novo plano é fazer protestos na periferia paulista e promover o ódio entre o que eles chamam de “classe média de direita” e o “verdadeiro povo brasileiro”. O primeiro protesto deu o tom: “em defesa da democracia e do governo Dilma”. O apartidarismo do MPL é mesmo magnífico. Para acrescentar a farsa trágica petista, Tarso Genro saiu do armário e se uniu ao coro que antes era restrito aos DCEs e à patrulha virtual. Declarou sobre direita e golpe. Seu golpe foi muito pior; está destruindo o Estado do Rio Grande do Sul e trouxe ao mundo aquela ignóbil mal-fornicada filha desvairada. Quando pediram a exoneração do ICMS sobre o óleo Diesel, Tarso preferiu falar sobre como a direita – que é claramente maioria, na esquizofrenia petista – vai dominar o mundo. http://intervistaracionalilustrada.blogspot.com.br


Folha gaúcha ed 118