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Folha do E. Santo Sábado, 26 de Fevereiro de 2011

Cachoeiro de Itapemirim (ES)

artigo ILAURO OLIVEIRA - JORNALISTA ilauro@atenasnoticias.com.br

De volta ao começo, Casteglione “E é como se eu descobrisse que a força esteve o tempo todo em mim/ E é como se então de repente eu chegasse ao fundo do fim/ De volta ao começo / Ao fundo do fim/ De volta ao começo” – Gonzaguinha As pessoas se perdem e se encontram o tempo todo trilhando um mesmo caminho. É normal, faz parte da vida. Portanto não há erro e nem vergonha em voltar atrás, reconhecer erros, buscar acerto, reorientar-se na rota. Neste momento, o prefeito Carlos Casteglione (PT) amarga mais do que apenas números ruins em pesquisa: sofre principalmente com o afastamento daqueles que demoraram décadas para construí-lo como figura política. Engana-se quem acha que o mandatário de Cachoeiro chegou sozinho à cadeira em que está ocupando.

tão, ou de falta dela. A área social do governo é outra que se pode considerar deficiente. Alimentação dada aos carentes (Prato Cheio) pela gestão anterior foi a primeira coisa cortada quando a burocracia se instalou na secretaria. Não respeitaram o programa que recebeu as bênçãos de Don Célio por considerá-lo eficiente e de muitos pastores por considerá-lo necessário. No mínimo deveriam ter perguntado o que os padres e pastores achavam da manutenção ou do fim daquela ação de segurança alimentar. Mas isso é muito para quem vem de fora. Agora, dois anos depois, é que começa ganhar formato o Restaurante Popular. A área já foi comprada, mas sabe Deus quando ficará pronta. Sem contar que não se trata de um projeto que resgata dignidade dos muitos miseráveis que existem na cidade. É um programa onde se paga para comer. Não é gratuito como os anteriores. E convenhamos, é muito pouco para um PT que sempre se notabilizou no combate à miséria. Enfim, a mudança de rota é necessária urgentemente. Mas para isso a humildade é a chave mestra. Sem

Pois bem, se o PT está na moda, muita gente contribuiu. E é essa gente que hoje, acanhada, assiste assustada, de fora do palácio, a administração municipal conduzir um governo com meia dúzia de amigos

De Pedro Reis pra cá, muitos engoliram sapos, cobras e lagartos por empunhar uma bandeira vermelha que pode até ser moda hoje após o fenômeno Lula, mas antes era satanizada pelas elites brasileiras e pelos veículos de comunicação que reproduziam em seus editoriais e matérias o pensamento medíocre daqueles que tinham medo do sol do novo dia. Pois bem, se o PT está na moda, muita gente contribuiu. E é essa gente que hoje, acanhada, assiste assustada, de fora do palácio, a administração municipal conduzir um governo com meia dúzia de amigos, sendo que alguns foram importados com aura de bons gestores, mas que no fundo não conseguem conduzir sequer programas essenciais do governo. O Orçamento Participativo é um deles. O programa está indo de mal a pior. As obras estão atrasadas e mantidas no ritmo que estão só terminam lá para 2013. Pelo que se vê, a questão é puramente de ges-

ela não se avança. Seria preciso calçar as sandálias havaianas que conduziam os pés embotados de cimento e poeira do operário Pedro Reis na busca por um amanhã melhor. Voltar ao começo seria o princípio para o prefeito. Começaria ouvindo o conselho de padres da Igreja Católica que tanto trabalhou para que ele esteja no poder e que tem responsabilidade com os rumos deste governo e com a alegria ou sofrimento do povo. Gente como Rômulo Zagotto e Padre Maroni sofreram horrores e foram perseguidos por sustentarem um projeto político petista. Maroni chegou a ser chamado de “O príncipe do IBC”, numa forma medíocre de perseguição. Hoje estão alijados e tratados como súditos em um palácio que não existiria sem a coragem que tiveram para construir a ponte e transpor o fosso que separava o PT da sala real. Não se pode marchar à frente esquecendo a própria história pra trás. Refazer a rota de volta ao começo talvez seja um bom princípio para quem não abriu a estrada sozinho e, portanto ainda pode se perder nela.

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Sábado 26/02/2011  
Sábado 26/02/2011  

EDIÇÃO N°40968