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do E. Santo 02 Folha Sexta-Feira, 29 de Janeiro de 2010

Cachoeiro de Itapemirim (ES)

opinião

Desfolhando

Editorial

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Novas tecnologias no jornalismo on-line Segundo Laércio Guidio, Steve Jobs o executivo-chefe da Apple, apresentou na Califórnia o iPad, a nova tecnologia que lembra um note book, mas de aparência mais fácil de se manipular (sem mouse e teclados) e levanta a velha incógnita do jornalismo: “Será dessa vez que o jornal de papel irá acabar?” Sabemos que a televisão não matou o rádio, a internet não matou a televisão e por ai vai. É hora de parar e pensar na forma de se fazer jornalismo. Os impressos estão cada vez mais cheios de páginas e quem assina um jornal de médio ou grande porte sabe que tem papel suficiente no final da semana para forrar uma casa inteira para pintura, ou abrir uma peixaria e embrulhar um cardume todo.

Sem fazer apologia ao portátil iPad que nem chegou ao Brasil, mas não se pode negar seu lado positivo, na bandeira do ecologicamente correto de ler jornais, revistas e livros. Sem dúvida o jornalismo impresso está preservado culturalmente pelo hábito do contato entre os dedos, a tinta e o papel. Agora, é preciso repensar no luxo de devastar florestas para suprir a demanda de jornais robustos do mundo inteiro. O formato do impresso sim deve mudar, assim como o conteúdo que deve começar no papel e se reforçar na internet, chegamos de uma vez por todas na era da interação entre as mídias, os jornais na web estão ganhando cada vez mais a atenção dos leitores.

Folha Bíblica bíblico@folhaes.com.br

Reverendo Caruso Godinho – Capelão do H.E.C.I.

“Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo; eu os protejo com a minha forte mão” (Isaías 41:10)

Sem Deus nada posso O homem se torna frágil diante de uma situação cuja solução não dependa mais dele. E aí as pessoas se perguntam: Como Deus pode fazer isto comigo? Deus olha tudo isto de forma diferente. Ele mesmo promete proteção e ajuda. Deus afirma: “Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo; eu os protejo com a minha forte mão” (Isaías 41:10) Viver sob esta promessa de Deus, com a sua força, proteção e ajuda, nos traz mais segurança. Podemos encarar os nossos problemas, e eles não se-

rão capazer de nos derrubar. A nossa confiança em Deus supera tudo. E ele nos enviou o seu Filho Jesus Cristo para garantir o perdão também pela nossa falta de confiança. Querido Pai, tenho sido negligente com a tua promessa de proteção. Tenho tentado resolver tudo sozinho. Eu sei que nada posso. Ajuda-me na minha fraqueza, através de Jesus Cristo, o teu Filho, o meu Salvador. Amém.

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos Céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no Reino dos Céus. Muitos me dirão, naquele dia: Senhor, Senhor, não é assim que profetizamos em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome obramos muitos prodígios? E eu então lhes direi, em voz bem inteligível: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim, os que obrais a iniquidade”. (Mateus, VII: 2123). /// O iPad, a nova tecnologia que lembra um note book, mas de aparência mais fácil de se manipular (sem mouse e teclados) e levanta a velha incógnita do jornalismo: “Será dessa vez que o jornal de papel irá acabar?”. /// Quem levanta essa questão é o jornalista Laércio Guidio. /// Sabemos que a televisão não matou o rádio, a internet não matou a televisão e por ai vai. /// Ricardo Ferraço e Anselmo Tosi trazendo recursos para saúde de Cachoeiro de Itapemirim. /// Também visitaram essa semana o sul do estado o deputado federal Luiz Paulo Veloso Lucas e o senador Renato Casagrande. /// Hoje interino desfolha. /// Titular ocupado. /// www.folhaes.com.br mais dinâmico e atualizado todos os dias. /// Revista Leia no forno. /// Nas bancas no final de semana. /// Terça volta a sessão da Câmara de Cachoeiro. /// FOLHA inovando a cada dia. /// Até outra oportunidade.

Artigo

A Sociedade e os Torturadores Thiago Viana As últimas semanas, um tema em especial vem sendo abordado pelos meios de comunicação de todo o país. Trata-se do decreto presidencial que deu origem ao III Plano Nacional de Direitos Humanos, que dentre as várias questões levantadas, discorre também sobre a revisão de parte da Lei da Anistia, prevendo a criação de uma Comissão da Verdade, para investigar e apontar os responsáveis pelos excessos cometidos durante os anos de repressão política no Brasil. Logo após a publicação do decreto, a reação dos militares foi truculenta e imediata. Rechaçaram o teor do documento, desqualificando seu objetivo e diminuindo a sua importância. Ao contrário do que foi propagado dentro dos quartéis brasileiros, e muito diferente do que aconteceu no Chile e na Argentina, onde militares torturadores e assassinos foram julgados, condenados, e hoje estão presos, a proposta do presidente Lula resume-se a identificar os agentes que atuaram na repressão, instaurando um inquérito policial e abrindo um processo judicial contra eles, com o objetivo de a Justiça emitir ao final dos trabalhos, um veredicto oficial a respeito de cada caso, baseada nas informações constantes dos autos e oferecendo sempre o amplo direito de defesa aos acusados. Ninguém será preso, será apenas uma condenação digamos que, moral. Faz necessário também, descobrir o paradeiro de mais de 140 corpos de pessoas que foram assassinadas pelos militares durante os anos de chumbo, e que até hoje estão desaparecidas. Nesse sentido, precisamos compreender que muitos militares que hoje estão na reserva, têm conhecimento sobre o paradeiro dessas ossadas, e que o Estado brasileiro deve proporcionar aos familiares dessas vítimas, ao menos o sagrado direito de enterrar o seus mortos. Mesmo na ditadura militar, não havia nenhum dispositvo legal que respaldasse a tortura ou a execução sumária, e muito menos essas práticas eram admitidas publicamente pelos governos dos generais da época. Tais ações, ocorriam na clandestinidade do próprio regime, através da atuação de seus serviços secretos, em especial o SNI, que centralizava todas as informações e mantinha no seu staff os melhores e mais influentes quadros da espionagem nacional. Ou seja, os agentes que estupraram, mataram e torturaram centenas de brasileiros em

suas missões, ao contrário do que muitos pensam, agiam à margem da legalidade já naquele momento. A Constituição de 1967 promulgada pelos militares, mesmo com as arbitrariedades dos atos institucionais posteriormente emendados, não permitia tal comportamento, e nem mesmo a famigerada Lei de Segurança Nacional do mesmo ano, tão temida pela resistência, dissertava sobre o combate à subversão nesses termos. São desses criminosos comuns que estamos tratando aqui. Não é a intenção de ninguém desmoralizar as Forças Armadas como um todo, até porque seria injusto, já que na medida em que os anos vão se passando, as instituições vão se adequando a nova realidade e renovando o seu pessoal. Justiça não é revanchismo, ainda mais quando a primeira é superficial e não punirá ninguém de forma merecida, apenas esclarecerá algumas operações e dará nome aos bois, expondo a figura daqueles que agiram com covardia e brutalidade no passado. A sociedade precisa saber a verdade sobre os acontecimentos que marcaram aqueles tempos difíceis, a historiografia e o bom sesno clamam por isso. Não me parece razoável que hoje, um senhor vá ao supermercados e leve o seu cachorro para passear, como se nada tivesse acontecido, sendo que há 20 anos atrás ele estava quebrando dedo de estudante com alicate nos porões da ditadura, torturando criança na frente da mãe para que esta falasse, espancando sindicalistas semanas a fio no pau-de-arara, arrancando mamilos de mulheres cansadas de serem estupradas, explodindo cadáveres para desaparecer com os corpos, enfim, poderia enumerar aqui uma pagina inteira com diferentes métodos sádicos utilizados em nome da “Segurança Nacional”. Agora, o que me pareceu mais ridículo apesar de não me surpreender, foi o motin dos generais contrários ao plano, que colocaram o cargo a disposição, contando inclusive com a condescendência e subserviência do Ministro da Defesa Nelson Jobim. Demonstraram mais uma vez toda a sua insubordinação diante dos anseios da sociedade civil e do poder constítuido, representado de maneira legítima na figura e nas decisões do presidente da república, eleito democraticamente pelo povo, diga-se de passagem. Tortura, nunca mais!

Jornal Folha do E. Santo  

Edição 4039

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