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O Jornal Folha de Jandira fez cobertura especial da morte do prefeito Braz Paschoalin. Confira detalhes nesta edição.

Rádio Astral comemorou 1 ano de existência no dia do atentado Página 7 Distribuição gratuita, patrocinada por nossos anunciantes

18 de Dezembro de 2010 | Ano 4 - N° 54 | www.folhadejandira.com.br

recicle a informação: passe este jornal para outro leitor.

Comoção marca velório e enterro do prefeito Braz Paschoalin O velório, que ocorreu entre as 18h de sexta-feira, 10 e às 15 de sábado, 11, atraiu mais de 10 mil pessoas, entre munícipes, amigos, familiares e autoridades, como o governador Alberto Goldman, o governador eleito Geraldo Alckmin, deputados, prefeitos da região e vereadores. O enterro aconteceu no Cemitério Municipal, sob pedidos de “Justiça”. Braz foi morto a tiros na sexta-feira, 10. Página 6

Vice-prefeita assume cargo e diz que mesmo com medo quer governar pelo povo Anabel Sabatine (PSDB) assumiu o cargo na segunda-feira, 13, e disse que fazer um governo de coalizão, inclusive com integrantes da oposição. Página 5

Família de Geleia, internado em estado grave no HC, pede orações

Secretário de Habitação de Jandira é preso, acusado de corrupção

Página 3

Polícia também investiga suposto envolvimento de Wanderley de Aquino na morte de Braz Paschoalin. Página 8

Polícia investiga morte e não descarta motivação política Delegado Zacarias Tadros, titular do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), disse que caso está correndo sob segredo de Justiça e detalhes não podem ser revelados. Quatro suspeitos, que têm ligação com o PCC, já foram detidos e apresentaram exame residuográfico positivo para pólvora. Delegado não descarta motivação política para o atentado. Página 2

A trajetória de Braz, o “Amigo do Povão” Página 7


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Geral

EDITORIAL

Mais uma vítima do sistema “O sistema é f..., parceiro. Entra político, sai político e continuamos todos NA MESMA, nada muda. Ainda vai levar muito tempo par consertar essa p..., e muita gente inocente vai morrer no meio do caminho.” Capitão Nascimento, no filme Tropa de Elite 2.

Desculpem o palavreado, ele não é meu. O texto acima é uma fala do personagem Capitão Nascimento interpretado por Vagner Moura no filme Tropa de Elite 2, que na semana passada tornou-se o filme brasileiro mais visto. Lamentavelmente, em diversos lugares do Brasil, ficou comprovado que a vida imita a arte. Não importa se você é rico ou pobre, importante ou anônimo. Se desafiar os interesses dos poderosos, corre o risco de morrer. Administrar uma cidade é lidar com muitos interesses. É lidar com políticos, policiais e porque não dizer, empresários corruptos, muitas vezes ligados com o tráfico e outros crimes organizados. Não é difícil acreditar que as mortes recentes de políticos não tenham ligação com essa esfera. Sim, o político Braz cometia erros. Basta ver as matérias mostrando os problemas da cidade publicados na Folha de Jandira. Mas o político Braz era assim: amigo do povão, amigo do coração e acreditava nas pessoas. Como gestor tinha que selecionar pessoas para ajudá-lo no governo, e como todo ser humano... errava. Hoje, vou falar do ser humano, do pai de família e do cidadão Braz, que

tinha atitudes solidárias, sofria com o sofrimento do povo e perdia o sono por não conseguir resolver alguns problemas no município, mesmo sendo prefeito. Mais do que o político Braz, perdemos um cidadão que foi mais uma vitima do sistema. É por isso que a sociedade através do disque denúncia precisa se mobilizar e apontar crimes e fraudes sejam pequenos ou grandes delitos, pois se não fizermos o que for preciso agora, não teremos futuro. Denunciar mesmo as pequenas coisas, evita que se tornem grandes, maiores, sem controle e leve a crimes horríveis como este. Faço aqui um apelo a população, aos funcionàrios pùblicos, às famílias, aos pais e mães jandirenses. DENUNCIEM, doa a quem doer. Com isso, estaremos evitando que o sistema criminoso se consolide e ganhe força. Denunciar significa trabalhar para deixar um mundo melhor para as futuras gerações. Descanse em paz Braz Paschoalin. Que Deus e a vida nos proteja do “sistema”.

Aparecido Rodrigues, empresário, consultor de empresas e Editor do Jornal Folha de Jandira.

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Apesar da morte de Braz, Jandira registra queda nos índices de violência Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam queda em todos os delitos cometidos no município De janeiro até setembro deste ano, Jandira registrou queda nos índices de criminalidade, entre janeiro e setembro deste ano, se comparado com o mesmo período do ano passado. Os dados são divulgados pela Secretaria de Segurança Pública. Durante os nove primeiros meses do ano passado, foram registradas 13 ocorrências de homicídios dolosos – quando há a intenção de matar. No mesmo período deste ano, o índice caiu para cinco. O mesmo acontece com os casos de furtos, que de 579 diminuíram 518 e roubos, que 501 caíram para 356. Os índices também apontam para a diminuição nos casos de furtos de veículos, que de 100 caíram para 93. Além disso, as ocorrências de roubos de veículos apresentaram queda significativa. Segundo os dados da Secretaria, entre janeiro e setembro deste ano foram registrados 46 casos, 37 menos que o ano passado, quando os dados apontaram 83 ocorrências de roubo. Neste caso é importante ressaltar que só é registrado como roubo as abordagens com armas de fogo, sendo assim, o número de assaltantes armados apresenta queda na cidade. De acordo com Dorival Alves Filho, Coronel do 20º Batalhão da Polícia Militar de Barueri, a diminuição das ocorrências se deve à atuação conjunta dos órgãos da segurança de Jandira. “Acredito que a queda é devido ao trabalho de integração entre a Guarda Municipal e as polícias Civil e Militar”, comentou

divulgação

Segurança na cidade aumentou significamente com a união das Polícias Militar e Civil com a Guarda Municipal, além dos investimentos nesta última corporação realizados pela prefeitura de Jandira

Quadro de queda de Índices em Jandira (Entre Janeiro e setembro) Homicídios Furtos Roubos Furtos de veículos Roubos de veículos

2009 2010 13 5 579 518 501 356 100 93 83 46 Fonte: Secretaria de Segurança Pública

o comandante. No caso específico da Polícia Militar (PM), o Coronel Alves Filho ainda disse que as ferramentas de inteligência têm sido de grande importância para manter a ação da PM. “A Polícia Militar tem o Infocrim e o Fotocrim. Esses

dois recursos mapeiam o local onde esta acontecendo o crime e, dessa forma, podemos identificar para onde devemos deslocar nossas viaturas”, falou o Coronel, que também deu o crédito da queda ao empenho e comprometimento dos policiais

militares. Alves Junior também falou sobre a sensação de insegurança que está na cidade após o assassinato do prefeito Braz Pascoalin. “O crime trouxe aos moradores de Jandira a impressão que a cidade está insegura, sendo assim intensificamos o policiamento para dar aos munícipes a sensação de estar seguro. É preciso resgatar o sentimento de que vivem em uma cidade tranquila, como estava sendo ultimamente”. Uma semana antes de ser assassinado, o prefeito Braz Paschoalin comemorou em coletiva de imprensa a queda de 60% nos índices de criminalidade no município. No entanto, ao ser questionado por um jornalista sobre a morte de três políticos mortos na cidade, Braz respondeu “que também tinha medo, porém quem está na chuva é para se molhar”. “Não vou me intimidar por ações de criminosos”, disse durante o encontro com a imprensa regional. Para o Capitão PM Lycurgo de Freitas Henriques, essa queda nos índices é o resultado de dois anos de trabalho árduo. “Os heróis anônimos que estão na corporação têm atuado em Jandira, aumentando o número de apreensões de entorpecentes e armas e com isso os índices estão regredindo. Ele ressalta ainda que apesar das fatalidades ocorridas em 2009, metade dos homicídios existem envolvimentos políticos e isso representa casos específicos que necessitam de investigação por parte da Polícia Civil.

Investigação sobre a morte irá correr em segredo de Justiça A investigação sobre a morte do prefeito Braz Paschoalin, ocorrida no dia 10, corre sob segredo de Justiça desde o dia 15. Com essa classificação, as informações sobre o caso só poderão ser divulgadas após a finalização do inquérito policial. As investigações comandadas pelo delegado Zacarias Katzer Tadros, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), têm despertado interesse da população e dos veículos de comunicação da região e da Grande Imprensa, que têm feito cobertura constante e diária sobre os detalhes

Ética em primeiro lugar!

do atentado que vitimou o prefeito que cumpria o seu terceiro mandato. Até o momento, quatro suspeitos de envolvimento no assassinato do prefeito foram detidos. Dois foram presos, próximos a um Focus prata, que teria sido usado no atentado – na Estrada Pitas, divisa entre os municípios de Jandira e Itapevi. Outros dois foram detidos em um sítio da região. O carro foi encontrado encharcado de gasolina e deveria ter sido incendiado pelos assassinos, o que não aconteceu a tempo. Segundo a polícia três dos suspeitos têm vestí-

gios de pólvora nas mãos e um outro de gasolina. O quarteto possui passagens por roubo e tráfico de drogas e, segundo a polícia, seriam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Além disso, a polícia divulgou que um dos quatro suspeitos participou da tentativa de invasão e sequestro da filha do prefeito, em setembro deste ano. Após a prisão, os suspeitos foram transferidos para a Cadeia Pública de Carapicuíba, onde permanecem cumprindo o mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça que tem validade de 30 dias.

Outro veículo apreendido pela PM onde estavam os dois suspeitos, que foram detidos após exame residuográfico As investigações estão sendo comandadas pelo Delegado Zacarias Katzer Tadros, do Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa

Veículo que segundo a Polícia Militar foi encontrado momentos depois do assassinato na Estrada das Pitas e foi utilizado no crime. Automóvel tinha sido roubado em 21 de novembro e a placa é fria

DE IMEDIATO, POLICIAIS, peritos E INVESTIGADORES ESTAVAM NO LOCAL DO CRIME E EM DIVERSOS LOCAIS DA REGIÃO EM BUSCA DE INFORMAÇÕES SOBRE O ASSASSINATO

Publicação da Spar Comunicação e Marketing Ltda. | Redação e Administração: Av. Conceição Sammartino, n° 171 - Centro - Jandira - 06600-080. Tel: (11) 4772-4087 | Diretor: Aparecido Rodrigues - editor@folhadejandira.com.br | Administração: Ana Rodrigues - adm@folhadejandira.com.br | Jornalista Responsável: Joel Miranda MTB: 47.325 - reportagem@folhadejandira.com. br | Assessoria Jurídica: Oliveira e Silva Advogados | Site: www.folhadejandira.com.br | Comercial: E-mail: comercial@folhadejandira.com.br | Cartas de leitores: cartas@folhadejandira.com.br | Redação e diagramação: Impacto Comunicação (www.comunicacaoimpacto.com.br) | Diagramação: Michelle Roque de Sá | Impressão: Metromídia.

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drama

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“De vítima, meu marido passou a ser acusado”, diz Mara Paschoalin Vivendo fora da região e sem saber quando volta para Jandira, a viúva de Braz Paschoalin fala sobre o crime, planos e política

Além da dor de perder o marido assassinado, Mara Paschoalin, viúva de Braz Paschoalin, ainda convive com a mágoa de ver o ex-prefeito de Jandira se transformando de “vítima em acusado”. “É muito triste a sensação que estamos vivendo, Estão com essas acusações tirando o foco do crime e de vítima meu marido passou a ser acusado”, comentou Mara. Temendo por sua segurança e a de sua família, Mara mudou-se para uma cidade “fora de São Paulo” e disse que não sabe quando volta. “Tenho medo de morrer, tenho medo por minha família, tenho filhos, netos. Não sei quando vamos voltar”, disse tristemente.

Viúva do prefeito disse que não sabiadas ameaças que o marido vinha sofrendo

Sobre as ameaças sofridas pelo marido, segundo declarações dadas pelo vereador Henrique Francisco de Alexandria, Mara disse que ficou surpresa. “Nós nunca soubemos de ameaças, me surpreendi com a fala do Henrique, o

Braz não nos disse nada. Talvez, tivesse ocorrido e ele quis nos poupar”, afirmou a viúva. Para ela, não há dúvida de que o crime teve motivação política. “O Braz era querido por todos, assalto não foi porque

não levaram nada. Creio que a motivação foi política”, disse. Mara relatou à reportagem que até o momento, apenas o genro, Alexandre Gozzi, havia sido ouvido pela polícia, mas há a expectativa de que seus filhos também sejam chamados a depor. Sem fazer planos, Mara fala evita falar sobre o futuro. “Estamos ainda assimilando tudo isso. Eu era presidente do Fundo Social de Solidariedade, mas esse cargo é uma indicação do prefeito e não sei se serei chamada para ocupá-lo novamente”, comentou Mara. Presidente do PSDB local, a viúva de Braz Paschoalin fala do legado da família. “Em dois anos, fizemos mais do que o governo anterior fez em 8 anos. Eu não sei o que reserva o futuro, não estou pensando nisso agora”, ressaltou. Sobre uma possível entrada da filha, Ana Paula, na política, Mara disse que

“Braz era querido por todos”, disse Mara Paschoalin. Na foto, populares demonstram apreço pelo prefeito em passeata pelas ruas da cidade.

a apoiará se essa for sua decisão. Evangélica, Mara afirmou que sua fé é o que lhe tem dado forças para superar a dor. “Eu creio na Justiça de Deus. A polícia tem de ser eficiente. Braz não morreu em vão. Descobrir quem o matou não vai trazê-lo de volta, mas vai ajudar a esclarecer o que aconteceu”, finalizou.

Família de Geleia pede corrente de oração para salvá-lo

Na manhã do dia 10, a notícia que correu pela cidade era de que o atentado que vitimou o prefeito Braz Paschoalin teria atingido também seu segurança e motorista, Wellington Martins, conhecido como Geleia. Mas enquanto a população ouvia assustada a trágica notícia, na tarde do mesmo crime, retificou-se a informação: Geleia fora socorrido ao Hospital das Clínicas e passava por cirurgia. Ferido na cabeça, o segurança sofreu cirurgia e se encontra em estado grave até esta sexta-feira, 17. Temendo represálias, a família de Geleia não quis falar com a reportagem do Folha de Jandira. O único pedido da esposa, que não quis ter o nome divulgado, é que a população “ore por ele. As orações são importantes agora. O quarto do motorista está sendo vigiado 24 horas por Policiais Militares. Dentro do Fiesta dirigido por Geleia, a polícia encontrou cápsulas de fuzis e de pistola 9mm.


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história

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Braz amplia a lista de políticos vítimas da violência no município Desde 1983, cinco autoridades foram mortas a tiros. Nos outros casos, a Polícia não conseguiu apurar motivação política para as mortes O prefeito Braz Pascoalin (PSDB) não foi o primeiro político assassinado na cidade. O histórico de autoridades políticas mortas no município vem desde 1983, quando o ex-prefeito Dorvalino Abílio Teixeira, pai do atual presidente da Câmara Municipal, Wesley Teixeira, foi morto a tiros em frente ao prédio onde morava. Na época, as investigações ligaram o crime a uma frustradas tentativa de assalto, descartando a possibilidade de crime político. No mesmo ano, o comerciante Rubens Alves da Silva, conhecido em Jandira como Rubinho, também foi morto a tiros, tendo o inquérito policial apontado o crime como latrocínio – roubo seguido de morte. Rubinho era apontado como um dos principais candidatos a prefeito de Jandira. Depois de anos de uma aparente paz, a violência contra políticos voltou a ocorrer com a morte do vereador Márcio Soares de Almeida (PPB), no dia 27 de março de 2001, assassinado quando chegava em sua residência. O vereador foi ferido pelas costas por homens que estavam em um Ford Ka. Almeida chegou a ser socorrido, porém não resistiu e morreu a caminho do Hospital. Antes da morte do prefeito de Jandira, outros dois políticos foram mortos, também a tiros: o ex-vereador Waldemiro Moreira de Oliveira, assassinado dia 8 de ju-

Com a morte de Braz, Wesley relembra assassinato de seu pai, há 27 anos

Perito durante levantamento de informações do crime contra Braz Paschoalin

lho, sendo baleado na nuca e peito, ao reagir a uma suposta tentativa de assalto. Os assassinos fugiram sem levar nada e o caso foi registrado no DP de Jandira como de latrocínio. Já no dia 27 do mesmo mês, o suplente Antonio Ivo Aureliano,

conhecido como Ivo do Gás, foi morto em frente à sua casa. O suplente foi levado ao Hospital de Jandira, mas não resistiu aos ferimentos. Nos dois casos, a polícia não prendeu nenhum suspeito. O Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa

(SHPP) que investiga a morte de Braz Paschoalin não descarta a hipótese de crime com motivação política, mas como o caso corre em segredo de Justiça, todos os detalhes só poderão ser revelados após a conclusão do inquérito policial.

Com o assassinato de Braz Paschoalin, o presidente da Câmara Wesley Teixeira (PSB) relembrou a morte do pai ocorrida há 27 anos. “Depois de tanto tempo, eu vi a história voltando na minha cabeça”, relatou o presidente. O pai de Teixeira, o ex-prefeito Dorvalino Abílio (PDS), foi morto a tiros em abril de 1983 quando chegava em casa. Visivelmente abalado, Wesley emocionou-se durante o velório e enterro do político, a quem considerava um amigo. O presidente da Casa jandirense comentou que ficou sabendo da morte do prefeito por volta das 8 horas, enquanto tomava café em sua casa. Teixeira é um dois oito vereadores, dos 11 que integram a Câmara Municipal, que compõem a base aliada do prefeito. Wesley comen-

Erramos

tou recentemente que a relação com Braz era muito boa. “Nós tivemos a oportunidade de estar no mesmo palanque que o prefeito, pois o meu partido, o PSB, coligou com o PDT e o apoiou. Hoje, o Executivo juntamente com a Câmara Municipal, desenvolve grandes projetos para o município”, disse Wesley. Com a morte de Braz, a votação do Orçamento 2011, que estava prevista para ser votada na semana passada, foi adiada. Segundo informações da assessoria de imprensa da Câmara, a votação deverá ocorrer na próxima quarta-feira, 22, em Sessão Extraordinária. Wesley preside a Câmara Municipal de Jandira em um momento que, que segundo o Ministério Público (MP), cinco dos 11 vereadores estão sendo investigados por corrupção.

Na matéria publicada na edição deste Folha de Jandira, edição 53, de 7 de dezembro, em reportagem intitulada “Rangel da Farmácia conta sua participação no processo de emancipação de Jandira”, leia-se que os grandes mentores da emancipação jandirense foram os vereadores Osvaldo Sammartino e João Barbosa. A esposa de Rangel é Edite Faria Rangel e sua mãe Benedita Lopes Rangel. A idade dos filhos de Rangel é 43 e 40 anos.


transição

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Prefeita de Jandira quer construir um governo de coalizão Anabel Sabatine assumiu o cargo do ex-prefeito Braz Paschoalin, assassinado na sexta-feira, 10. Tucana disse estar ciente da grave crise política que se instalou na cidade “Eu tenho absoluta consciência de como vai ser difícil administrar, mas a população de Jandira merece um bom governo e eu vou trabalhar sério para que isso ocorra”, disse a prefeita Anabel Sabatini na segunda, 13, dia em que assumiu o cargo depois que o ex-prefeito Braz Paschoalin foi assassinado na sexta,10, vítima de um atentado a tiros em frente à uma rádio Astral. Apesar da segurança das palavras, a tucana sabe que terá de enfrentar uma grave crise política que se instalou na cidade, com denúncias de pagamento de propina e com a prisão do secretário de Habitação, Wanderley Aquino, na quinta-feira, 16 (leia mais na página 8). “Tenho medo de tudo isso, vou andar com carro blindado e segurança. Todos estão muito preocupados, mas não podemos deixar o medo parar o nosso trabalho. Vamos continuar as coisas boas e extinguir as ruins”, comentou, sem citar a quais projetos e em que áreas deverão ser extintos. Ela estava rompida

Reprodução Agência Estado

Anabel Sabatine assumiu a prefeitura na segunda-feira, 13

com Braz Paschoalin fazia mais de um ano, quando estourou um escândalo na Secretaria da Saúde. À época, ela deixou o cargo se dizendo traída. “Isso está sendo apurado no Tribunal de Contas e no Ministério Público”, afir-

mou. Sobre o valor do desvio, ela disse que, em notas, chega a cerca de R$ 1,5 milhão. Anabel garantiu que as divergências com Braz Paschoalin eram apenas neste âmbito. “Nossas diferenças eram administrativas,

não pessoais. Não desejava isso para ele de jeito nenhum”, ressaltou. A nova prefeita de Jandira assegurou que a polícia e Ministério Público terão todo apoio para investigar o assassinato. “A primeira-dama (Mara) pode ter

certeza que temos tanta pressa em descobrir os culpados quanto ela”, ressaltou Anabel. Apesar de ter sido divulgado na imprensa no início da semana que 10 secretários haviam entregado o cargo, Anabel garantiu que apenas dois deles, o secretário de Governo, Douglas Gozzi e o de Educação Paulo Edson de Paiva, pediram exoneração. “Ainda estou tomando ciência de tudo, é muito cedo para dar mais informações”. Mesmo sendo do mesmo partido de Paschoalin, Anabel disse que está buscando apoio na oposição para montar o novo governo. “Temos de construir um governo de coalizão, mas eu não vou sair do partido”. Apesar da disposição mostrada pela prefeita, na tarde de quarta-feira, 15, o diretório do PT divulgou nota dizendo que o partido não participará do Governo. “O PT é solidário neste momento de pesar, mas tem sua posição ideológica definida e continuará pautando o debate por uma gestão ética e trans-

parente. Entendemos que a melhor contribuição do partido será optar por uma oposição séria, responsável e combativa como sempre fez e é reconhecido na cidade”, esclareceu o comunicado do Diretório Municipal do PT de Jandira. No entanto, procurado pela reportagem, o presidente do Diretório, Júlio de Limas, disse que “a príncipio”, essa é a determinação. “Mas ainda não é a resposta final, vamos conversar”, esclareceu. Ele disse que a prefeita procurou o partido, mas não quis revelar qual cargo teria sido oferecido para um de seus integrantes. Enquanto toma ciência da situação, Anabel disse que contará com apoio dos vereadores da Casa. “Conheço todos e tenho o apoio deles”, ressaltou. Ela citou que o presidente da Câmara, Wesley Teixeira, ocupará por um período a vaga de vice-prefeito. “Assim que houver novidades convoco uma coletiva de imprensa para comunicar à população sobre as novas decisões”, finalizou.

Jandira realiza caminhada pela Paz, neste sábado, 18 Evento ocorre no sábado, quando também acontece a Missa de 7º dia de Braz Paschoalin A sociedade de Jandira quer paz. Para mostrar que este é o caminho que deve ser buscado pela comunidade e por políticos, Organizações Não Governamentais promovem neste sábado, 18, às 9h, Caminhada Pela Paz, pelas ruas da cidade. O objetivo de mobilizar a sociedade para pedir às

autoridades estaduais e federais uma atenção especial ao município com relação à segurança, pelo fim da corrupção, além de pedir um basta à violência. O evento ocorre no mesmo dia em que será realizada a Missa de 7º dia pela morte de Braz, às 19h, na igreja Matriz Nossa Senhora

Aparecida, localizada à à Avenida Nossa Senhora Aparecida, 185, Centro. Além das ONGs, lideranças de bairros, igrejas, entidades sociais, escolas e associações

participam do ato. De acordo com os organizadores, todos os participantes deverão usar branco. Para participar do evento basta ir até à Praça 8 de dezembro e

Tristeza pelo amigo que vai, solidariedade aos familiares, mas, acima de tudo, esperança de que podemos junto com a sociedade construir uma cidade melhor, mais justa e segura para todos.

Vereador Zé Neto

aderir à concentração, que deverá seguir até a Praça Anielo Gragnano, onde haverá um ato com oportunidade para qualquer jandirense mostrar que a paz é o caminho.

SERVIÇO:

Caminhada pela paz e pelo fim da corrupção e violência

Sábado 18/12/2010 Inicio: Praça 8 de dezembro Final: Praça Central de Jandira


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emoção

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Comovida, população jandirense dá o último adeus ao “Amigo do Povão” Velório ocorreu no Ginásio Municipal e recebeu a visita de moradores e autoridades, como o governador Alberto Goldman e Geraldo Alckmin, governador eleito, além de deputados e prefeitos da região Milhares de pessoas passaram pelo Ginásio Municipal de Jandira para dar o último adeus ao prefeito da cidade, Braz Paschoalin. O corpo foi velado desde as 17h da sexta-feira, 10, até às 15h de sábado, 11, quando saiu em cortejo pelas ruas da cidade, num carro do Corpo de Bombeiros. A dor e a tristeza estavam estampadas nas feições de parentes, amigos e familiares que choravam a morte do “Amigo do Povo”, como era conhecido o prefeito. Entre abraços e histórias, foi comum ouvir munícipes relembrarem a participação de Braz em festas familiares, como batizados e casamentos. De acordo com a Guarda Municipal, mais de 10 mil pessoas passaram pelo local nos dois dias. A viúva de Braz, Mara Paschoalin, e os filhos do

casal, receberam cumprimentos também de autoridades que fizeram questão de passar pelo local, como o senador Aloysio Nunes, o governador Alberto Goldman, o governador eleito Geral Alckmin, além de deputados, prefeitos da região e vereadores. Ao final do velório, coberto as bandeiras do Santos Futebol Clube, time do coração, e de Jandira, o caixão foi transferido para um caminhão do Corpo de Bombeiros, que seguiu em cortejo pelas principais ruas da cidade. Na chegada ao Cemitério Municipal, populares pediram “Justiça” e fogos de artifício estouraram em homenagem a Paschoalin. Segundo uma tia de Ana Paula Paschoalin, filha de Braz, a jovem não teria participado do enterro por ter passado mal.

Familiares e amigos deram o último adeus a Braz Paschoalin

“Desde menino eu conheço o prefeito Braz, pois sou nascido e criado em Jandira. Era uma pessoa muito boa, bom prefeito e um grande amigo. Vai deixar saudades. Minha mulher e minha filha quiseram vir para darmos o último adeus a um amigo”. Célio Braz da Silva, 31, presente no velório, junto com sua Filha.

“Ele esteve há alguns dias no meu bairro, Sagrado Coração, falando de seu projeto para a cidade e depois foi jogar bola com o pessoal. Parecia um menino, de tão feliz que estava. Ele era o prefeito dos pobres”. > Silvanilda dos Santos, ao lado de sua filha Suelen, de 11 anos.

“Quero pedir neste momento de dor e tristeza e medo que meu povo amado de Jandira pudesse se espelhar e olhar no sorriso de qualquer criança e só assim poderemos de verdade buscar a paz e a vida e retornar a termos esperança por Jandira.” > Ex-prefeito Paulinho Bururu

Em carro aberto, o corpo de Braz Paschoalin foi levado do Ginásio ao Cemitério Municipal seguido por uma multidão de amigos e moradores de Jandira

“O Braz era um prefeito do povo, meu amigo e amigos dos amigos. Quem fez isso com ele deveria sofrer de muita raiva. Nós vamos acabar com esse histórico ruim de violência em Jandira, com a ajuda da polícia. Chegou a hora do basta”. > Vereador Luiz Carlos Soldé. “Vim prestar minha solidariedade à família, porque nunca podemos compactuar com a violência. Que os políticos aprendam uma lição e as coisas erradas acabem para que parem de morrer pessoas”. > Marinalva Pereira - 50 anos, acompanhada da neta de 12

“Sinto que perdi um amigo para a violência, que vem tomando conta do nosso município. Igual ao Braz, nunca mais” > Vicente Ferreira, 69 anos. “Ficou o governo municipal de Jandira órfão de um bom prefeito. Ficou a cidade órfã de um grande amigo”. > Exprefeito Roberto Piteri.

“A sociedade organizada também tem seu papel. O Braz era amigo do povo, e mesmo os amigos do povo não são poupados pela violência gratuita e monstruosa” > Vereador Zé Neto “O que me preocupa de fato é o histórico de violência que a cidade está construindo. Isso atrapalha os investimentos externos em nosso município. Estou realmente empenhado e torcendo para que a polícia esclareça essa tragédia”. >Vereador Gê


legado

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A trajetória de Braz Paschoalin Nascido em Andradina, em 1948, Braz Paschoalin chegou a Jandira aos 18 anos, em 1966. Seu primeiro trabalho na cidade foi como taxista, profissão que exerceu por mais de 10 anos. Para complementar sua renda trabalhava no Banco do Estado de São Paulo. Foi ele o fundador da primeira lanchonete da cidade, chamada Brazão, localizada na Avenida Conceição Sammartino. Casou-se com Mara Paschoalin em 1973 e era pai de três filhos. No último dia 10, quando chegava para seu programa semanal “Bom Dia Prefeito”, apresentado na Rádio Astral FM, em Jandira, foi assassinado a tiros. Carreira política Com 28 anos, Braz foi eleito vereador da cidade, em 1976. Assumiu a cadeira em 1977 e logo alcançou o posto de Presidente da Câmara, onde permaneceu por dois

fotos: Divulgação PMJ

anos. Nos anos seguintes, fortaleceu seu nome para concorrer pela primeira vez a Prefeitura, em 1982. Paschoalin ficou em terceiro lugar na eleição vencida por Roberto Piteri. Braz foi Secretário de Esportes durante o mandato de Piteri, com início em 1983, e permaneceu até o inicio do ano de 1988. Deixou a secretaria para concorrer mais uma vez a Prefeitura ainda no mesmo ano. Desta vez saiu vitorioso da eleição e tomou posse no início de 1989, cumprindo regularmente seu mandato até o fim, em 1992. Roberto Piteri voltou ao cargo em 1993 e Braz retornou com seu segundo mandato, seguindo de 1997 a 2000. Após oito anos longe do Paço Municipal, em janeiro de 2009 Braz se tornou o primeiro político a comandar a cidade de Jandira pela terceira vez. Foi eleito em outubro de 2008 com 42% dos votos válidos.

Acompanhado da esposa Mara, Braz Paschoalin esteve presente no nascimento da primeira criança, Maysa, na nova maternidade de Jandira

Braz trabalhou para diminuir as ocorrências policiais na cidade. Tanto que investiu na formação dos guardas municipais e ampliou o número de efetivos. Resultado: menos crimes na cidade e destaque no jornal Folha de S. Paulo de novembro pela queda expressiva no número de homicídios.

Prefeito Braz durante formatura de alunos da rede de municipal de ensino

Rádio Atual completou um ano de existência no dia da morte de Braz A rádio Astral FM, de Jandira, ficou conhecida em todo o país depois que o prefeito Braz Paschoalin foi assassinado em frente às instalações na Rua Antônio Conselheiro, no bairro Santa Tereza, no dia 10. Os tiros que vitimaram o ex-prefeito de Jandira foram gravados durante programação, sem que os apresentadores tivessem ciência do que ocorria no lado de fora dos estúdios. O áudio, capturado e retransmitido por um site de notícias, conseguiu registrar mais de 100 mil acessos. Por uma triste coincidência, no dia da morte de Braz a Rádio comemorava 1 ano de existência. Braz tinha um programa às sextas-feiras na rádio, o Bom Dia Prefeito. O locutor Antonio Fer-

impacto comunicação

“Fomos o primeiro veículo a noticiar o furo de reportagem, que preferíamos não ter dado”, disse o locutor Antonio Fernando

nando, que transmitia o programa no momento do crime comentou o episódio. “O prefeito estava chegando e quando ouvimos os disparos, achamos que eram fogos”, relembrou. “Fomos o primeiro veículo a noticiar o furo de reportagem, que preferíamos não ter dado”. Apesar de a rádio ter ficado conhecida até em outros Estados, Fernando diz que preferia o anonimato. “Se fosse para a rádio ficar conhecida nessas circunstâncias, era melhor continuar como estava”, desabafou o locutor, que ressalta que ainda perdeu um amigo. A rotina da empresa de comunicação continua praticamente a mesma, exceto com alguns cuidados com funcionários, entre eles a recepcionista, que esperava o prefeito

no portão da rádio e presenciou o crime. “Agora, ela está afastada até por orientação da Polícia, pois o nome dela acabou saindo no Boletim de Ocorrência, coisa que não era para ocorrer”, disse o locutor. Segundo ele, no momento do crime, ela teria trancado o portão e chamado os locutores pelo vidro da cabine de apresentação. “Foi um episódio muito triste”, relata. No ar desde 23 de março deste ano, o programa de 30 minutos com o prefeito foi o que registrou um dos maiores índices de audiência. Nele, os moradores criticavam, sugeriam ou elogiavam a gestão de Paschoalin, e por meio de conversa descontraída com os ouvintes, o prefeito atendia as reclamações que che-

gavam via telefone.

O caso e a mídia Acompanhado não somente pela imprensa regional, mas também pela grande imprensa, o caso virou noticiário de grandes proporções nos jornais impressos e televisivos de todo país. A velocidade com que as informações são transmitidas permite acompanhar o trabalho dos investigadores e desenvolvimento da história praticamente em tempo real, porém, a mídia regional tem tido dificuldades para conseguir informações. Enquanto o jornal Folha de Jandira procurava diariamente a então prefeita empossada Anabel Sabatine (PSDB), concedeu coletiva na segunda-feira, 13, para veículos da Grande Imprensa.


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investigação

sábado, 18 de dezembro de 2010 w w w . f o l h a d e j a n d i r a . c o m . b r

Secretário de Habitação é preso sob acusações de corrupção

Wanderley Aquino foi preso na quinta-feira, 16, quando chegava à Prefeitura e é investigado também sobre suposta ligação com a morte de Braz Paschoalin

O secretário de Habitação de Jandira, Wanderley Aquino, foi preso na manhã de quinta-feira, 16, acusado de crime contra a administração pública. Ele foi levado no final do dia para a Cadeia de Carapicuíba. O mandado de prisão contra ele havia sido expedido em março, no entanto, houve demora para o cumprimento do mesmo porque a policia não tinha recebido a ordem judicial. Por causa da acusação, a prefeita Anabel Sabatine (PSDB) o exonerou do cargo na mesma tarde que ocorreu a prisão. A Polícia investiga em paralelo o envolvimento de Aquino com a morte prefeito de Jandira, Braz Paschoalin. O secretário, que foi detido quando chegava para trabalhar na Prefeitura, foi encaminhado ao Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), em Santana de Parnaíba e foi ouvido pelo delegado Zacarias Trados, titular da SHPP. De acordo com Tadros, no decorrer do dia, familiares do secretário teriam ido à Prefeitura para retirar documentos, porém foram impedidos por funcionários que acio-

Wanderley Aquino sendo transferido da Delegacia de Homicídios em Santana de Parnaíba para a Cadeia Pública de Carapicuíba

Computadores, documentos e aparelhos de escritório foram apreendidos pela Polícia Civil porque, segundo Tadros, familiares de Wanderley Aquino estavam retirando os equipamentos da prefeitura

naram a Polícia. No período da tarde, o delegado foi até o local com ordem de apreensão e levou computador e documentos que serão periciados.

Instituto mostra que população não sabe qual foi motivação para o crime

“Qual motivo que levou à morte do prefeito de Jandira Braz Paschoalin?”. Esse foi o título da pesquisa realizada com aproximadamente 300 pessoas em diversos bairros da cidade. O Instituto MAS Pesquisa divulgou na tarde de quinta-feira, 16, uma pesquisa que aponta que 31,7% da população de Jandira não sabe definir o que motivou a morte do prefeito Braz Pashoalin,

seguida de 19,1% dos entrevistados que disseram que crime político pode ser sido o motivo para a morte do tucano ou uma briga política para 13,6% dos ouvidos. Corrupção, roubalheira e ambição foram citadas por 10,4% dos entrevistados; 9,4% citaram atitudes erradas, passado político vingança política e dívidas do filho como os motivos para o crime, 5,5% citaram a inveja e 5,2% como ação

do crime organizado. Dos entrevistados, apenas 3,6% preferiram não comentar o assunto e 1,6% o ligaram à malvadez e covardia. Se para os entrevistados a motivação do crime ainda não está clara, para a maioria deles, 53%, o assassinato do tucano tem ligação com as mortes de outros políticos recentemente. Para Marcos Agostinho, sociólogo e responsável pela pesquisa, apesar de chocada, a população de Jandira tem a exata noção do perigo, mas relaciona o crime a um problema político. De acordo com Agostinho, a morte de Braz não gerou medo na população, tanto assim que apenas 3,6% dos entrevistados apontaram as opções “prefiro não comentar” ou “não sei responder”.

Ministério Público investiga corrupção na Câmara de Jandira O Ministério Público, por meio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) investiga cinco dos 11 vereadores da Câmara Municipal suspeitos num esquema de corrupção. Segundo o promotor Roberto Porto, há indícios de que os políticos recebiam propinas para aprovaçãode projetos. Antes da morte de Braz Paschoalin, o promotor solicitou a quebra do sigilo telefônico e fiscal dos suspeitos. Como o caso corre em segredo de Justiça, os nomes dos vereadores envolvidos não foram divulgados. É investigado também um ex-funcionário da prefeitura, que teria ligação com o esquema que realizava pagamento de R$ 10 mil aomês aos vereadores envolvidos. As investigações começaram após a morte do ex-vereador Waldemiro Moreira Oliveira (PDT), o Mineiro. Pouco tempo antes, o vereador Reginaldo Camilo dos Santos, o Zezinho do PT gravou conversa com Mineiro, que revela passo a passo como vendeu seu voto por R$ 200 mil para dar apoio a Paschoalin em sessão realizada na Câmara de Jandira para aprovação das contas do tucano.


Edição 54