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Novembro 2010 - Ano 9 - No 82

Nas esquinas cariocas Em 50 anos, os mesmos personagens tĂ­picos


índice

editorial Viajando no tempo

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A Folha Carioca está ficando uma “menina grandinha” e aguarda seu aniversário de 10 anos em dezembro. Tem fãs fieis leitores que mensalmente a procuram nas bancas. Famosa? Não, a Folha Carioca não quer o estrelato. Busca continuar dando a seus leitores o que foi pensado por sua idealizadora, Regina Luz, dez anos atrás: ser séria, bonita, agradável, ética e dar a seus leitores o prazer de ler bons textos, ver belas fotos e falando sempre do carioca. A Folha ganhou força e é conhecida nas ruas da Zona Sul da cidade. Neste mês ela foi buscar tipos cariocas que ficam nas esquinas vendendo alguma coisa, consertando, renovando, tocando um instrumento, enfeitando a cidade. Gente na cidade dá vida. Onde já se viu uma cidade agradável sem gente? O Rio tem fama de ter gente com um jeito próprio de ser. E quem faz esse jeito? Em busca de tipos diferentes fomos tratar de conhecer, nas esquinas da Zona Sul, cariocas que fazem esse jeito ter destaque. E nem fomos no Centro, na Zona Norte, nos subúrbios, pois não faríamos uma “folha”, mas uma imensa árvore, pois o Rio tem esquinas demais e a cada uma que paramos encontramos as surpresas que fazem a festa de sermos cariocas. Inspirados na obra do grande artista espanhol, mas carioca de coração, Benet Domingo, que viveu na cidade de 1952 a 1969 e fez “Nas esquinas do Rio”, pedimos emprestada a ideia e lá fomos nós, fotografar alguns dos cariocas das esquinas. Confira em nossa matéria de capa. Alexandre Brandão, escritor sempre “No osso”, está no seu espaço já consagrado na Folha Carioca, na página 15, pensando o livro eletrônico. Haron Gamal na página 28 nos trás novamente o cronista quando comenta o livro Amores Vagos (em papel, lançado recentemente) onde 7 escritores, um deles o Alexandre, publicaram contos que falam de amores e desamores. Literatura de qualidade! O leitor encontra ainda comentários sobre os benefícios e os mitos do aleitamento materno, um ato de acolhimento e amor, fundamental para a vida saudável dos bebês. Mamães amamentando e futuros pais podem se valer das dicas. Claudia de Camargo publica um texto sobre a relação homem mulher nos tempos de hoje, que faz seu pensamento dar passos dançantes. Os cronistas habituais estão aí, oferecendo a troca de ideias que enriquecem nossas vidas de únicos pensantes e falantes no mundo animal. Estamos em ritmo de preparativos para nossa comemoração de 10 anos. Escreva para a Folha Carioca sugerindo, comentando. Nós queremos cariocas participativos em nossa publicação.

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Distribuição Gratuita Jornalista Fred Alves (MTbE-26024/RJ)

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Educação Perfil de mulher Capa Saúde e bem-estar

Transforme seu corpo para o verão 24

Saúde

Benefícios e mitos sobre a amamentação 26

Espaço do leitor

Seja solidário - Casa Maternal Mello Mattos 27

Garimpo cultural

Vida e obra de Sérgio Porto 29

Projeto gráfico e arte Vladimir Calado (vlad.calado@gmail.com)

Revisão Marilza Bigio

Alimentos orgânicos

Nas esquinas cariocas

Capa Desenhos: Benet Domingo Foto: Lilibeth Cardozo

Diagramação Marcia Martinello

Vida saudável

Eu preciso + eu te amo

2295-5675 2259-8110 9409-2696 Editores Paulo Wagner / Lilibeth Cardozo

Roberto Zaccaro

O ano letivo chegando ao fim

Boa leitura!

Fundadora Regina Luz

quem é quem

Curioso e criativo

Relações gramaticais explícitas

colunas 5 6 6 10 11 13

Sérgio Besserman Gisela Gold Arlanza Crespo Patrícia Lins e Silva Ana Flores Lilibeth Cardozo

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Sandra Jabur Alexandre Brandão Ana Cristina de Carvalho Oswaldo Miranda Tamas Haron Gamal

ENTRE EM CONTATO CONOSCO Leitor, escreva pra gente, faça sugestões e comentários. Sua opinião é importante.

folhacarioca@gmail.com Ilustração Júlio Santa Cecília Colaboradores Alexandre Brandão, Ana Cristina de Carvalho, Ana Flores, Arlanza Crespo, Claudia Baldo de Camargo, Gisela Gold, Haron Gamal, Lilibeth Cardozo, Linda Lerner, Oswaldo Miranda, Sandra Jabur Wegner, Sérgio Besserman Vianna, Tamas

Captação de Anúncios Angela: 2259-8110 / 9884-9389 Marlei: 2579-1266 O conteúdo das matérias assinadas, anúncios e informes publicitários é de responsabilidade dos autores.


quem é quem

Carismático Arlanza Crespo

Novembro 2010

Estou aqui novamente entrevistando um grande amigo. Há quem confunda conhecidos com amigos. Há quem ache que é muito fácil fazer amigos. Mas amigos de verdade, de uma vida inteira, a gente pode contar nos dedos, e isso vale mais que um tesouro.

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Conheci Roberto Zaccaro na 5ª série do Colégio Rio de Janeiro, onde fomos colegas de sala, em l960. Roberto tinha se mudado para Ipanema com a família em l955. Diz ele que era um menino muito tímido, mas fazia o possível para ninguém notar. Acho que de tanto “fingir” que não era tímido conseguiu se superar. Desde pequeno aprendeu a ser guerreiro e a primeira lição foi quando nasceu seu irmão e ele tinha 1 ano. ”Quando eu saía com minha mãe e meu irmão e pedia colo ela dizia que eu era mais velho e que o colo era para o meu irmão. Eu, pequeno, já entendia e isso me fez amadurecer mais cedo”. Até a falta de dinheiro Roberto diz que foi importante para ele, que acha que profissionalmente isso o ajudou a lutar. Soube agarrar as oportunidades que a vida lhe apresentou, foi à luta cedo e graças a Deus e aos bons exemplos familiares sempre soube separar o joio do trigo. Cresceu com o exemplo de honestidade do pai, que era um homem de princípios muito rígidos. Para ele só existia o certo e o errado, não existia o meio termo, e esse modelo Roberto faz questão de copiar sempre. “A vida é dura, você tem que se acos-

tumar desde cedo, ninguém faz nada por você, você é que tem que se virar”. Roberto tem um casal de filhos do primeiro casamento e um casal de filhos do segundo casamento. Em casa seus filhos têm um modelo de pai, que pode ser invocado, bravo, mas que tem sempre a honestidade como lema. A honestidade, junto com o carinho e o diálogo é o segredo para educação dos filhos ter dado certo. Formado em Educação Física pela faculdade Nacional, teve uma academia de sucesso em Ipanema por dez anos. Sempre bem sucedido na área, mas ao mesmo tempo gostando muito de cozinhar e principalmente criar pratos, resolveu abrir seu primeiro restaurante em Ipanema. Faz cursos aqui e no exterior e quando viu

estava totalmente envolvido, e como não consegue não ser inteiro no que faz deixou o sucesso da Educação Física pelo sucesso do restaurante. Abriu recentemente o Carismático na Gávea, um conceito novo de restaurante, com lounge carioca, varanda arejada e integrada com quem passa na calçada, e uma cozinha mais leve. “Adoro criar na cozinha e a caipirinha de doce de banana caramelada é invenção minha”. O prato mais pedido é o risoto de frutos do mar e o camarão com pétalas de cebola, mas o que faz mais sucesso com certeza é o carisma do Roberto, que tem sempre um tempinho para cada cliente que chega, mostrando com isso que o nome do restaurante não podia ter sido mais bem escolhido.


Sérgio Besserman Vianna http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/

Quando jovem nutri uma certa desconfiança dos rituais. Nada demais, parece-me razoável que jovens prefiram os corpos nus até aprenderem a valorizar os simbolismos e as sutilezas. Depois, aprende-se que toda vestimenta é uma exposição e toda nudez esconde algo... E, claro, todo ritual mostra e esconde algo. Aos dois anos de casado quase foi tudo por água abaixo quando minha companheira entrou no pequeno apartamento no Leme e me flagrou lendo Xogum (leram ou viram a série?) de quimono japonês e uma espada na cintura. Achou que eu era maluco. Poucos anos depois ela teve certeza, mas ai já era outra história... Acho lindo o ritual do chá japonês. Mas a nossa cultura popular também cria seus rituais, tão sofisticados quanto. Vejamos o caso do café coado. Há alguns anos era impossível achar um bom café expresso. Isso mudou e hoje as

opções são muitas e variadas. Mas, por outro lado, achar um bom café coado passou a ser difícil e, com isso, um ritual está ameaçado. Nós, o povo, contudo, não desistimos fácil da cultura que mostra quem somos. Muitos sábados, ou domingos, ao flanar por Copacabana na companhia do Bolo, meu cachorro, pensando na crise econômica, nas saias que esvoaçam, no aquecimento global, nos sorrisos que passam, me vejo praticando o espetacular e valoroso ritual do café coado no verão carioca... E não sou só eu. Volta e meia encontro ali, malocados no mercadinho amarelo, na Av. Nossa Senhora, calçada oposta à Galeria Menescal, companheiros resistentes e apreciadores do cafezinho e seu ritual. Como é isso? Assim: calor infernal, café coado de qualidade quentííísíiiiimo, na xícara e pires recém-retirados da água fervendo e muito, muito, muito quentes, impossível beber sem

queimar dedos, língua e lábios (prejuízo terrível, vocês podem imaginar) e sim, nós bebemos... Uma arte, um ritual tão sofisticado quanto o japonês do chá, só menos glamourizado pelas mídias internacionais. Trata-se de segurar a xícara com a ponta dos dedos nos micro-segundos exatos para não queimar, soprar, encostar os lábios, sorver mais rapidamente do que a pele queima, baixar rapidamente a xícara e aguentar firme o calor descendo pelas tripas e tornando o corpo por dentro mais quente do que o calor do verão faz com o corpo por fora... Como se o ritual desafiasse o calor, esse calor que nesse momento nos cozinha lentamente, mas que com a coragem e sutileza única dos cariocas, nós, no mercadinho amarelo em Copacabana, no café Palheta na Praça Saens Pena, no terminal Menezes Corte, no Centro, aqui e ali, nós desafiamos e dizemos: tá quente sim, vamos tomar um café?

Novembro 2010

Café e calor

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Gisela Gold

giselagold@terra.com.br

Falta de foto Cartas me são mais caras quando dialogam mais do mundo sem falar de quem são as pegadas.

Novembro 2010

As pegadas eu as faço lá fora do umbigo. Meu olhar é pra poesia. Meu 3×4 tem gosto de fofoca. Papel de jornal que amanhã vira embrulho de carne. Amanhã eu me mudo de lugar. E o que fui cheira a brisas. Prefiro a falta de foto pra me deixar mais eterna e menos

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etérea. Agrada-me o mel de meus olhos amendoados. É que ainda prefiro meu ponto de vista. Sempre detestei bolo com baba de moça. As moças não babam, balbuciam confusões. E eu aprecio. Baba é só a saliva. Jeito de farsa. Mister me utilizar de mistério pra beijar a vida com palavras. Com ele a prosa ganha cinturinha de pilão.

Arlanza Crespo arlanzacrespo@yahoo.com

Minha nossa! Ainda sobre o impacto da procissão das velas que eu acabei de participar aqui em Fátima, Portugal, é que resolvi escrever essa crônica. Era para ser uma crônica sobre frases, tinha até um título lindo que dizia o seguinte: “Como não sabia que era impossível, o fiz...”. Adorei isso, fiquei pensando muito sobre o desdobramento desta frase, que dependendo das circunstancias pode ser positivo ou negativo. Depois li num muro perto da casa que eu aluguei aqui em Lisboa uma outra frase que dizia: “É muito difícil guardar um rio quando ele corre dentro de nós.” E por aí vai. Tenho me enfiado nas livrarias daqui, onde fico horas esquecida com os meus Pessoas e Saramagos. Do último livro de Saramago, o “Caim”, fiquei fascinada com a dedicatória dele pra sua mulher, que diz: “A Pilar como se dissesse água!” Existe maneira mais bonita de dizer que eu não vivo sem você? Acho mesmo que uma frase vale mais que mil imagens, embora tenha gente que diga o contrário. Sempre fui apaixonada por frases, ditados, expressões populares. Uma frase linda, dita ao pé do ouvido, já é meio caminho andado para um romance. No réveillon do ano passado alguém me disse: “Quero mergulhar nu no seu sorriso”, e eu me apaixonei. Existem provérbios sérios,

provérbios engraçados, mas todos trazem sempre um ensinamento embutido. Uma vez eu disse para um amigo muito convencido: “Quem muito de si faz alarde o cu mais tarde lhe arde”. Ele achou graça, pensou que eu tivesse inventado. Imagine, esses provérbios todos tem mais de 500 anos, chegaram aqui com os portugueses. Aliás, existe literatura vastíssima a respeito. Mas voltando ao título da minha crônica... Ainda estou em Lisboa, e quis o destino que eu fosse abençoada em assistir à procissão

das velas e à procissão do adeus em Fátima, que aconteceu dias 12 e 13 de outubro. A das velas foi à noite, não dá para descrever, só estando lá e sentindo. E a do adeus, também comovente, foi dia 13, assim chamada porque foi a última aparição Dela para os pastorinhos. Por coincidência dia 12 também é o dia de N.Sra. Aparecida, Padroeira do Brasil. Espantada com a coincidência pronunciei um MINHA NOSSA!, e logo me lembrei da origem dessa expressão quando das minhas pesquisas sobre o assunto. Na verdade ela é a expressão mais interessante que eu já ouvi em toda minha vida. Vem originalmente de Nossa Senhora e passa para o Minha Nossa Senhora quando o povo une o respeito do “Nossa” com a intimidade da “Minha”. Dai vira simplesmente “Minha Nossa”, duas palavras colocadas tão carinhosamente juntas, querendo dizer que Ela é Minha e Nossa ao mesmo tempo. No princípio significava só admiração, mas hoje em dia significa espanto, surpresa, susto, sei lá, tantas outras coisas. Só sei que mesmo que você não seja católico, não entenda nada de Nossa Senhora, não se interesse e nem tenha gostado do meu texto, não tem jeito, algum dia você já disse MINHA NOSSA!


Novembro 2010

Novidades Serviรงos e Entregas

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vida saudável

Por que consumir

alimentos orgânicos?

Eles protegem a sua saúde e o equilíbrio da natureza

Novembro 2010

Linda Lerner

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Você sabia que pesquisas internacionais mostram que quando uma criança atinge um ano de idade já recebeu a dose máxima aceitável para uma vida inteira de 8 pesticidas que causam câncer? Os alimentos orgânicos melhoram a sua saúde porque os agricultores não utilizam agrotóxicos ou fertilizantes químicos no cultivo. Tais componentes são nocivos e interrompem a produção de antioxidantes, substâncias que combatem o câncer, fortalecem o sistema imunológico e reduzem os efeitos do envelhecimento. Além disso, testes comprovam que o aumento de certos tipos de câncer como linfoma, leucemia, câncer de mama, de útero e de próstata está ligado a produtos químicos sintéticos utilizados na agricultura convencional, tal como o DDT pesticida largamente utilizado após a Segunda Guerra Mundial. Alimentos orgânicos são mais saborosos, por não haver toxinas em seu crescimento. Sua produção é feita em solos ricos e balanceados com adubos naturais, produzindo alimentos mais nutritivos. Pesquisas internacionais demonstram que alimentos orgânicos apresentam, em média, um acréscimo de 63% de cálcio, 73% de ferro, 118% de magnésio, 178% de molibdênio, 91% de fósforo, 125% de potássio e 60% de zinco que os alimentos convencionais. Os orgânicos possuem menor quantidade de mercúrio (29%), substancia que pode causar doenças graves, segundo informação publicada no Journal of Applied Nutricion, 1993. Não agridem o meio ambiente Os sistemas orgânicos de produção utilizam técnicas que previnem a devastação de florestas e o ataque à biodiversidade. Com isso, os ecossistemas são preservados, protegendo futuras gerações da contaminação química. Alimentos orgânicos conservam

a água que em algum momento iremos consumir Por não utilizarem agrotóxicos e fertilizantes baseados em nitrogênio, os produtores não contaminam os rios e lençóis freáticos, mantendo a qualidade da água que consumimos. Alimentos orgânicos são certificados e ajudam os pequenos agricultores. O selo de certificação fornece ao consumidor muito além da certeza de estar levando para a casa um produto isento de contaminação química. Garante também que esse produto seja o resultado de uma agricultura capaz de assegurar qualidade ao ambiente natural, qualidade nutricional e biológica de alimentos e qualidade de vida para quem vive no campo e nas cidades. Ou seja, o selo de orgânico é o símbolo não apenas de produtos isolados, mas também de processos mais ecológicos de se plantar, cultivar e colher alimentos. Aqui vai uma dica de onde comprar produtos orgânicos por um preço mais barato: Feira Orgânica no Jardim Botânico, ao lado da Igreja de vidro na Lagoa, sábado das 8h às 13h Feira Orgânica no Leblon, Praça Antero de Quental, quinta-feira de 7h às 13h Linda Lerner Educadora de Saúde pelo Hipocrattes Health Institute – Flórida/EUA Coordenadora de aulas sobre alimentação saudável Informações: lindalerner7@gmail.com tel.: 2286-8772 / 7867-9809


pela gávea

resistir

Dizem que o doce brigadeiro só existe no Brasil, que é uma instituição nacional, assim como o futebol, a caipirinha e o carnaval. Ficou conhecido em 1945, durante a campanha do brigadeiro Eduardo Gomes pelas eleições presidenciais. O docinho de chocolate, até então quase anônimo, era apresentado nas festas de campanha do político como o “preferido do brigadeiro”. Eduardo Gomes perdeu as eleições, mas deixou sua patente no doce, que passou a ser chamado de “brigadeiro”. E sabe onde você encontra um dos melhores na cidade? Na Menininha, uma pequena loja de doces e salgados localizada no Baixo Gávea. Sua proprietária, Hilda, mineira de Baependi, prepara esses tradicionais doces há 30 anos. Perguntada qual era o segredo, ela rapidamente responde: “Faço com amor”. Quando você for lá, prove o brigadeiro clássico com chocolate granulado, o casadinho de

brigadeiro preto e branco e o brigadeiro mole no copinho. Depois escreva para a Folha Carioca dizendo qual é o melhor. A loja vende doces e salgados no balcão ou por encomendas. Outros doces que fazem sucesso por lá são: doce de gema, bijuzinho de coco, cajuzinho, brigadeiro branco, nozes com chocolate, prestigio, baba de moça, arroz doce e abóbora com coco. Entre os salgados, as empadas, folheados de queijo, frango e o pastel integral estão entre os preferidos da clientela.Tortas também podem ser saboreadas no balcão ou degustadas em casa. Na preferência do público, rivalizam os sabores de limão e pudim de clara.

Para quem ainda não conhece a loja aqui vai o endereço: Menininha R José Roberto Macedo Soares, 5 loja C Gávea - Rio de Janeiro Tel: 3287-7500 e 8255-7591

Novembro 2010

Difícil de

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educação

Eo

ano letivo vai chegando ao fim

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Patrícia Lins e Silva

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Mais um ano que chega ao fim e nos surpreende com a velocidade com que passou. Será que somos nós levando uma vida mais intensa e corrida ou é o mundo que corre cada vez mais rápido e não nos permite parar para relaxar e apreciar a vida de papo para o ar, sem nada para fazer, a não ser pensar que viver é muito bom? Mas não podemos nos perder em especulações sobre nossas vidas corridas, pois precisamos cuidar das nossas crianças e ainda há muito o que fazer até o fim do ano: filhos fazendo provas, cálculos de médias e preocupações com possíveis reprovações, matrícula dos filhos, reflexões sobre troca de escola, os meninos recalcitrantes com os deveres de

casa e com os estudos, nosso trabalho exigindo produção com a perspectiva do final do ano, tudo parece se acumular antes da semana de Natal e Ano- novo. Vamos tentar assegurar o que se refere à vida escolar dos filhos, enfrentando as questões do fim do ano letivo. Antes de tudo, é preciso saber qual a real situação das crianças na escola. Sentar com os meninos e perguntar como vão as perspectivas de fim de ano é um bom começo. Saber médias e notas e quanto precisam para passar de ano é fundamental para evitar surpresas. Caso cumpram bem seu ofício de estudantes, com responsabilidade e atenção, que bom, eles são como qualquer aluno deveria ser: interessados no conhecimento e um estudante que aproveita o que a escola oferece de possibilidades para o desenvolvimento da curiosidade, com a vantagem de, na dúvida, poder recorrer a um especialista, o seu professor. Mas há meninos que não correspondem ao perfil que a vida escolar exige e que a família e a sociedade esperam do estudante. Eles não se interessam pela escola. Como não temos espaço, não é o caso de se falar das obsolescências da escola que, muitas vezes, ainda oferece um conhecimento descontextualizado e ignora a

tecnologia digital, que transformou o mundo, que é o de nossos filhos. Hoje vamos tratar aqui de como ainda podemos ajudar muito nossos filhos nesse fim de ano letivo. Se não o fizemos no começo do ano, está na hora de ajudar a organizar o estudo das crianças: duas horas diárias na frente da mesa de trabalho, deveres rigorosamente cumpridos, nada de deixar como está para ver o que acontece. Se nosso filho não estudou durante o ano, precisa estudar agora. Mesa organizada e cabeça funcionando. Se o ano todo tivesse sido assim, estaríamos menos preocupados com os resultados. Agora é o momento de pensar na escola em que o filho está matriculado. Espera-se que o perfil de criança que você tem em casa corresponda ao perfil da escola em que você a matriculou. Não significa que uma criança agitada deva ir para uma escola com perfil aberto. Pelo contrário, pode significar que deva ir para uma escola com padrões mais definidos de comportamento. Ou não. Você, mais do que qualquer pessoa, conhece seu filho e sabe o que é melhor para ele. Mas, atenção, para ele. Não para você. E o melhor para ele será uma escola onde possa exercer melhor sua capacidade de aprender. Não espere o ano que vem. Comece já a ajudar as crianças a serem alunos cumpridores de seu ofício de estudantes desde o primeiro dia de aula, sem as provas como referência única para estudos. Ajude-as a serem aprendizes pela vida afora: crie em casa um ambiente que valorize as tarefas da escola, valorize o que os filhos aprendem, valorize o conhecimento, valorize o saber.


Ana Flores anaflores.rj@terra.com.br

Uma vez ouvi alguém dizendo numa mesa-redonda na TV: “Como é que se pode pensar em salvar baleias e micos quando há tanta criança abandonada precisando de ajuda?” Achei que tinha ouvido errado, mas logo depois vi que não. A pessoa considerava inúteis quaisquer campanhas, manifestos e ações que não fossem dirigidos prioritariamente a crianças abandonadas. O resto – os animais em extinção, o ecossistema deteriorado e sua destruição acelerada - poderia esperar até que todas as crianças tivessem sido acolhidas por famílias, vivendo em condições mínimas de saúde e conforto, bem tratadas, educadas e alimentadas, como, aliás, todos desejamos que aconteça.

Até entendi a aflição da pessoa. Afinal, à primeira vista pode parecer um desperdício de energia e de tempo alguém se dispor a cuidar da preservação de uma espécie animal ou de uma área devastada pelas queimadas criminosas em detrimento da atenção a uma criança com necessidades básicas. Só que não se adere a um movimento desses em detrimento de outro, da mesma forma que não é preciso que todas as peças de um carro interrompam sua função para levar

o combustível ao motor. Cada uma na sua tarefa, como parte de toda a engrenagem, é o melhor remédio para tudo funcionar a contento. Há espaço e causas de sobra para quem quiser ajudar, se engajar e trabalhar e as necessidades são urgentes e paralelas. Porque quando o racionamento de água for universal e obrigatório e as condições de vida por aqui se tornarem hostis a todos, também as crianças serão atingidas pelas consequências. E isso me remete a outra situação que (ainda) não entendo. Por que se fala “precisamos salvar o planeta”, “preservar a Amazônia”, essa ou aquela espécie animal, como se isso tudo fosse algo longe de nós? Não seria o caso de se dizer “precisamos preservar a todos nós”? Se entendi bem como funcionam as coisas aqui neste planeta, tudo é parte de uma só rede. Desde as algas do mar até o ar que se respira, tudo está interligado na cadeia da natureza, o homem inclusive. Já se sabe que a destruição de um só elo afeta a todos os outros, assim como a sua preservação beneficia a todos, seja nos alimentos, no solo, na atmosfera, nos rios e em tudo o mais que existe. No início dos anos 80, o cineasta Lula Torres fez um curta-metragem cujo título, em japonês – Shin do fujin - significa mais ou menos “homem + natureza = não-dois”, justamente se referindo à relação inseparável entre o homem e o ambiente em que ele vive. Não formariam dois universos, mas sistemas interdependentes para sobreviver em harmonia. Portanto, proteger as crianças, os rios, a terra, a atmosfera, as baleias, as aves, tudo o que está vivo, é tarefa de todos e de igual importância. Se é que entendi bem meu papel nessa ópera.

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Se é que entendi bem

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Eu preciso + eu te amo

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Tenho me deparado com um questionamento que permeia os tempos de hoje: como conviver com os desafios da “mulher e do homem contemporâneos”. Buscando uma definição no Aurélio, temos: Mulher 1. O ser humano do sexo feminino; 2. Esse mesmo ser, após a puberdade; 3. Esposa. Homem: 1. Qualquer indivíduo pertencente à espécie animal que apresenta o maior grau de complexidade na escala evolutiva; o ser humano; 2. A espécie humana; a humanidade; 3. Ser humano do sexo masculino; varão; 4. Esse mesmo ser humano na idade adulta; 5. Adolescente que atingiu a virilidade. Ufa! Coisa de arrepiar os cabelos, pensar em definição, julgamento, avaliação... Acontece comigo um fenômeno peculiar, sempre parto do princípio que a vida vai me responder. Saí perguntando a Deus e todo mundo o que, afinal de contas, está acontecendo? Por que tanto desencontro, quando o que mais queremos é nos encontrar? A mulher se perdeu quando, a duras penas, conquistou seus direitos à cultura, profissionalismo, vida acadêmica? O homem se perdeu quando seu papel de “provedor” incondicional foi ameaçado?

Perfil de mulher III

Diante de uma pesquisa realizada em uma universidade americana, gabaritada, os dados publicados são os seguintes: os homens escolhem mulheres que precisam deles; mulheres que aspiram posições culturais, acadêmicas ou profissionais estão fadadas à solidão. De queixo caído, pois pesquisa de universidade é coisa a ser levada a sério, quis tentar entender. Então, quem é profissional não precisa do outro? Quem ama ou quer ser amada tem que se submeter? Parar no tempo? Fingir uma coisa para ter outra? Entendi que o assunto era outro, ou pelo menos tínhamos que ter outro olhar? Não é bem isso que está em jogo, mas como se manter feminina e permitir que o outro possa ser masculino? Resolvi arejar a cabeça e fui para minha aula de dança de salão. Sempre adorei dançar, mas agora estou aprendendo a dançar com o outro. Meu professor, o cavalheiro que me chama de dama, está me ensinado a ser conduzida. Direto ao assunto, música tocando, começamos a dançar. Ele me explicou: “Para poder dançar não pode ser de qualquer jeito, o corpo não pode ser molengo, senão eu te jogo para lá e para cá, não tem graça nem dança”. Fomos nos deixando ensinar... Ele guiava e eu acompanhava. Eu sinalizava e ele seguia. Sem querer dei uma pisadinha no pé dele, pedi desculpas. Ele deu um giro tão forte que quase caí. Surpresa me ajeitei. Foi a vez de ele pedir desculpas. O cavalheiro segurou a minha mão, com um gesto firme e me perguntou: “Vamos tentar acertar? Você aceita?” Disse que sim com a cabeça. Pensei comigo: então é assim feito uma gangorra, uma brincadeira de movimentos com um olhar atento, gentileza, reciprocidade. Respirei feliz, gosto de ser mulher, fêmea e inteligente. Gostei de sentir o masculino no

homem; conduzindo. Como vamos compor isso vai depender da nossa disponibilidade, de poder olhar para o outro e no que queremos viver. Nem por cima, nem por baixo, lado a lado pode ser... Um amigo querido ajudou, escreveu este poema: (Caminhando) “Para casais” Se caminho na tua frente é para servir-te de guia Se caminho atrás de ti é porque necessito te seguir Se caminho ao teu lado é porque estamos sincronizados no mesmo ritmo Se caminho na tua frente é para limpar os obstáculos do teu caminho Se caminho atrás de ti é porque confio na luz da tua senda Se caminho ao teu lado é porque juntos somos força e luz Se caminho na tua frente é porque tenho audácia para desbravar o desconhecido Se caminho atrás de ti é porque tenho coragem para te acompanhar Se caminho ao teu lado é porque juntos somos caminho e caminhada Se caminho na tua frente é porque em mim te encontrarás Se caminho atrás de ti é porque em ti me encontrarei Se caminho ao teu lado é porque nos encontramos um no outro. Tadany Gargin dos Santos

Claudia Baldo de Camargo é psicóloga, psicoterapeuta corporal com especialização em saúde da mulher clcamargo@hotmail.com 2539-8077


Lilibeth Cardozo

lilibethcardozo@hotmail.com

Carta a Marina Silva. De mulher para mulher Rio de Janeiro - Outubro

de 2010

er e avessa a autoridades, pod jo a você. Sou uma mulher te nes É com emoção que me diri ia ânc á sua import s propósitos, mas me rendo bon sem a qui rar hie com ições não lido bem e no cenário político das ele ero a mulher mais important momento no Brasil e a consid hoje. sapresidenciais do Brasil de a que lhe enviasse uma men na internet, uma sugestão par te ren não cê Recebi, por uma cor Vo presidenciais. Não o fiz. segundo turno das eleições gem para apoiar o Serra no consciência te você apoiará quem a sua men rta Ce im. ass sa coi a um é mulher para se pedir ade política e ética. Sua for de acordo com sua seried que no do san pen pre sem ve mandar e o que a faz a mulher que é. Ti dade, princípios e caráter são ta con em elegância, seriedade, idonei ura, levando o turno, mas foi minha e mad und seg o a par a olh esc ha que ter min planalto você presidente do Brasil. Lá no a par ha pan cam na r isti tudo que pudemos ass já não sonham mais só ões de outros brasileiros que milh de e o vot meu o pel ar deveria est com um Brasil hando antes, muito antes, son tão Es . sso gre pro e com desenvolvimento escreveu o livro “A mosca ndo deixou o governo Lula, qua to, Be i Fre to. jus e io inando ético, sér uma doença que vai contam xou claro como o poder é o eu, com r azul” e ali, naquele livro dei Marina, mulhe sagrado: nossa alma! Você, s mai de os tem que o o e destruind país. E você, fragilidade fez pelo nosso dita sua ça for nta qua mas foi chamada de frágil, te, tão forte que deixou erno. E deixou porque é for gov o xou dei to, Be i Fre o também com eriam nadar sas. Mas suas ações não pod cau s sua a par nte ina erm um ministério que é det qualquer coisa, aceita ou o do governo que se alia a ridã pod da e ção rup cor nos rios da gião. Não tenho . Falaram até contra sua reli ado err é ou to cer é que o diz que desconhece s religiosas para buscar lva utilizar sua fé, suas crença Si rina Ma isti ass ca nun religião, mas udo dignidade. é correção, caráter e, sobret votos dos evangélicos. Isto ê as suas convicções. Não as buscando dentro de voc olh esc s sua fez ê voc te men Certa a foi a voz da sua razão! disse apoiar ninguém e est acredita e exerce e por que você é pela política que r lhe mu a pel ns abé par , oá Marina digno de expressar repúdi opção do voto em alguém s! paí ter oferecido ao Brasil a e povo que constrói est ções, mentiras e ataque ao podridão dos roubos, corrup esperança de termos ficou fora, mas ainda existe O povo já decidiu e você , em nosso país. de comando, políticos ou não tos pos nos ê voc o com mulheres que é possível se quemos, juntos, um Brasil Um beijo carinhoso e bus a, pobre ou rica, nossas famílias, em cada cas quisermos ter, dentro de estidade. ética, lisura, respeito e hon

Novembro 2010

Querida Marina,

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Sandra Jabur Wegner

Novembro 2010

Atividades aquáticas

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A água vem sendo cada vez mais utilizada para a realização de atividades, seja como recurso fisioterápico, relaxamento, lazer, exercício físico, esporte e condicionamento. É também utilizada como tratamento medicinal. A hidroterapia é constituída por exercícios e manuseios específicos para facilitar a restauração de funções perdidas e aliviar a dor, diferente da hidroginástica, que compreende exercícios e movimentos visando à forma física, o condicionamento cardiorrespiratório e o aumento da resistência, além do fortalecimento muscular. A hidroterapia é utilizada como tratamento nas recuperações pós-traumáticas, no pré e pós-operatório e nos problemas ortopédicos, reumáticos e neurológicos, desde o bebê com mais de seis meses (com autorização prévia do pediatra) até o idoso com mais de 95 anos, como é o caso de alguns alunos da Hidrovida. Com a hidroterapia objetivamos a recuperação e a reabilitação, visando à integração do paciente à sociedade dentro do possível, seja no trabalho, na vida social e afetiva. A hidroterapia é um trabalho via de regra individual, ou seja, um terapeuta para cada paciente, adaptando-o às suas necessidades e características. Com isto, torna-se mais rápido e eficaz.

Já a hidroginástica é recomendada para as pessoas saudáveis, sem dor ou restrição articular, funcional ou sistêmica, da adolescência à idade mais avançada. A intensidade e característica dos exercícios adaptam-se a cada faixa etária. As atividades aquáticas permitem variações e inovações. Podemos destacar o Hidro Tri (jump, natação e deslocamento), Hidrodança, Hidropilates e Hidrodeslocamentos. Na água, podem ser também realizadas atividades de relaxamento. Algumas são passivas e individuais: o paciente pouco ou nada atua e deixa-se levar e conduzir pelo terapeuta. Os relaxamentos passivos mais conhecidos são: Watsu, Jahara e técnica de Alexander. Nas técnicas de relaxamento ativo, o paciente executa pró-ativamente as manobras e exercícios relaxantes. Desta forma, as atividades podem ser realizadas em grupo. Uma das mais conhecidas é o Ai Chi. A natação pode ser praticada por adultos e crianças e mesmo bebês, em turmas coletivas ou individuais (“personal”). São oferecidas alternativas por faixa etária e, no caso dos bebês, a atividade coletiva de bebê com mãe ou pai (“matronatação”). A natação infantil é subdividada conforme a idade e os desenvolvimento biológico e psicomotor.

Pessoas com deficiência ou em geral com necessidades especiais variadas são bem-vindas: além da hidroterapia, podem usufruir aulas individuais de natação com treinos, exercícios e atenção compatíveis com suas necessidades, assim como banheiro e vestiário adaptados, inclusive para cadeirantes. Adolescentes e adultos dispõem ainda de uma opção mais adiantada: turmas de treinamento intensivo específico para ganho adicional de condicionamento cardiorrespiratório e agilidade, e para aquisição de habilidades para participar de travessias de mar aberto e outras provas competitivas. Podem ser também realizadas aulas introdutórias de mergulho autônomo, antecedendo as aulas práticas em mar aberto. Os textos futuros abordarão mais detalhadamente cada possibilidade de atividade aquática. Você com certeza encontrará alguma que sirva para você. Venha descobrir o prazer e os benefícios do meio aquático. Dúvidas sobre o assunto podem ser esclarecidas através do e-mail: hidrovida@hidrovida.com.br


Alexandre Brandão

No Osso

xanbran@gmail.com

Os livros tradicionais e eu temos uma relação segura. Graças a ela, leio sem medo de dormir, pois, se isso acontece, os livros caem sobre o meu rosto e não me machucam. Caem no chão e não se quebram. Se um dia vier a ter um eletrônico, a relação terá de ser outra, no mínimo nesse chão onde estão situados a leitura e o sono incontrolável. Acrescento: onde serão firmados os autógrafos nos livros eletrônicos? Haverá noites de autógrafo? Por mais práticos que possam ser e, pelo que imagino, são, os livros eletrônicos inibem a proximidade física entre escritor e leitor. Sim, haverá os cafés literários, as leituras públicas, mas os lançamentos de livro reúnem uma plateia distinta, pois ali vão pessoas que nem sempre gostam de livros; vão porque conhecem o escritor, porque, passando pela livraria, resolveram entrar ao ver aquele amontoado de gente tendo à mão cálice de vinho e torrada besuntada de pastinha. É uma chance para ganhar outro leitor. Não necessariamente para aquele escritor em particular, mas para alguns. A grande vantagem que vejo no livro eletrônico é sua possibilidade de interação imediata. Seja pelo fato de haver um dicionário acoplado a ele, seja pelo fato de, num clique, poder fazer uma consulta na grande rede (pelo que me falam isso ainda não está amplamente disponível nos existentes no mercado). Isso sim é um salto e tanto. Claro que o leitor ativo está sempre indo aos dicionários e fazendo consultas, na rede ou noutros livros. Mas que facilita ter tudo à mão, facilita. Sabe aquela leitura que se faz na cama? Pois é, quantas vezes não engolimos uma palavra desconhecida por preguiça de levantar para buscar o dicionário, normalmente livrão pesado? O risco que essa facilidade traz é o de o leitor com tudo a um clique contentar-se com as generalidades postadas nas wikipedias da vida. Mas isso é outra questão. O livro eletrônico abre uma possibilidade imensa de chegar a uma nova arte, algo entre a literatura e o cinema. Ali estarão as palavras, mas facilmente podem-se adicionar a elas imagens. Não, não digo um adicionamento puro e

simples, pois pensa que coisa estranha: você faz pela primeira vez a leitura de “Grande Sertão: Veredas” e um atalho no nome Diadorim dálhe uma cena da minissérie que a Rede Globo fez no passado. Ora, isso nada mais é do que dar a Diadorim o rosto (um pouco sujo) da Bruna Lombardi. Nada contra a Bruna, nada contra o programa, que, se bem me lembro, era ótimo, mas um leitor livre de associações prévias fará uma leitura mais rica. Logo, a nova arte não terá nem as palavras nem as imagens como protagonistas, serão ambas peça principal em algo que há de vir. Deus queira. Aposto que as produções científica e didática estarão, em breve, principalmente em livros eletrônicos, haja vista que as possibilidades de interação abertas por eles caem como uma pluma na escrita pedagógica ou científica. Será maravilhoso ver, em 3D e com movimento até, a estrutura de uma célula, uma sequência de DNA, os detalhes de um órgão humano, ou um gráfico com três dimensões. E, ainda, clicar nas notas de rodapé de um livro e ter o livro citado para conferir a citação ou aprender mais sobre determinado detalhe. (Não devemos esquecer que a empresa dona do Google vem digitalizando livros aos montes). Abre-se o mundo! A literatura, por seu turno, exige reclusão, o que pode não combinar muito com o controle remoto que são os links sugeridos por um texto. Na grande rede, por exemplo, não consigo ler muita coisa. Entro num site e logo saio levado pelos links que ele indica. Isso bem pode ser coisa de homem, já que somos loucos por controles remotos, não por eles mesmos, mas por nos deixarem saltar de um canal para outro ininterruptamente — ou até encontrarmos algum jogo de futebol. Uma boa leitura não combina com esse desapego facilitado pelos links e controles remotos, disso estou seguro. Enfim, estamos num momento de transição. No fim, o livro continuará existindo, ainda que sua indústria mude. O livro eletrônico terá um lugar garantido também. E, se tudo der certo, uma nova arte surgirá por aí. É só esperar.

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Pensando no livro eletrônico

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capa

Nas esquinas Cariocas Lilibeth Cardozo

Um olhar atento, ou um tropeço qualquer pode mostrar, no Rio de Janeiro, um tipo muito carioca: um homem, uma mulher ou uma criança que vende, faz, conserta ou inventa alguma coisa. São típicos personagens que atuam na cidade maravilhosa, onde o texto é inventado na hora ou decorado e repetido todos os dias. As vestimentas criativas fazem o figurino de estilos de vida. As luzes vêm do céu, com a chuva ou o sol. E

os expectadores são aqueles que observam o movimento neste belíssimo palco. Benet Domingo foi um artista nascido em Tortosa, Espanha, em 1914. Catalão, depois de assistir a um filme com Carmem Miranda, em que o Rio de Janeiro brilhava com suas belezas naturais e liberdade, o grande artista decidiu vir viver na cidade maravilhosa. E foi ao lado da casa da própria Carmem, na Urca, entre o Pão de Açúcar e Corcovado que foi viver com sua mulher e filhos. Aqui viveu e criou até a mudança da

capital do Rio de Janeiro e o golpe militar deixando uma obra de valor incalculável sobre a cidade, seus costumes, sua gente, suas festas, seu modo de vida. Muito inteligente e empreendedor, Benet Domingo era um amante da liberdade e com o seu olhar de artista, nos anos 50 e 60, desenhou, com traços perfeitos os diferentes tipos que enfeitavam e davam vida nas esquinas cariocas. Seus desenhos resultaram na coleção “Nas esquinas do Rio” hoje fazendo parte do acervo da Casa Benet Domingo,


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na Urca, onde vive sua esposa, Dona Conchita, com três gerações de artistas: seu filho Pedro Benet, a filha Pilar Domingo e a neta Maria Matina, todos vivendo da arte, aquecidos pelo sangue paterno das diversas cores que fizeram do patriarca um dos mais encantados e encantadores artistas cariocas. A Folha Carioca, conhecendo a obra do grande artista, foi às ruas, em 2010, em esquinas da Zona Sul, buscar os personagens cariocas tão bem representados na obra Benet Domingo há mais de 50 anos. “Nas esquinas do Rio, é um retrato vivo de um Rio dourado, cheio de graça e beleza, com seus vendedores ambulantes que impressionavam pela expressão e cadência” diz Pilar Domingo, artista plástica e zelosa cuidadora de toda obra do pai. Encontramos tal qual Benet, um Rio cheio de beleza e de cariocas que fazem das esquinas da cidade uma grande festa de ofertas de serviços, de enfeites, de beleza e vida. Passados vários anos, muitos dos personagens cariocas desenhados por Benet Domingo ainda estão vivos, nas esquinas do Rio e como dizem:“hoje em dia, sem licença, fugimos do rapa”. Com os desenhos de Benet Domingo nas mãos, buscamos encontrar vários dos tipos que fizeram de sua obra um documento histórico. Muitos dos tipos desenhados por ele estão nas esquinas cariocas. O vendedor de flores, numa das esquinas da cidade colore, enfeita e alegra e aqui está, nas calçadas, nas esquinas, vendendo, tal qual o vendedor de tantos anos passados. O de hoje tem um triciclo e traz as flores cuidadosamente arrumadas. O retratado por Benet Domingo nos idos de 50 ou 60 era nas palavras do artista: “descalço, negro, com o traseiro empinado, pobre e de porte teatral grandioso. Leva com ele um grande cesto apoiado sobre a cabeça. Flores variadas e de abundante extravagância”. Encontramos o consertador de panelas, Arturo que desde os 7 anos de idade conserta panelas numa das esquinas do Leblon. Arturo nos fala que seu pai, um italiano, ficou no negócio, na mesma esquina, por 40 anos. Assumindo o negócio do pai hoje ele trabalha com licença da prefeitura e afirma com muita simpatia que adora seu trabalho, fazendo amigos, tem clientela fixa e nos diz com alegria: “Além de consertar panelas, vejo as mulheres bonitas”.

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capa

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O contraste social foi ressaltado por Benet Domingo como sempre presente. E lá se foram 50 anos e nas fotos de hoje está tudo bastante parecido ou quase igual. O artista dizia sobre seu olhar das esquinas: “Os pés descalços e os sapatos polidos, as caras de necessidade e a expressão de fartura. É a constante denúncia sem perder a ternura jamais”. Seu José Gomes tem 62 anos e nos diz que vende pães nas ruas desde 2003 e afirma com um jeito bem humorado muito carioca: “Ainda não tenho licença, o rapa vem e pega, mas eu continuo vendendo pão e olhando as mulheres dos outros”. Nada do que a Folha Carioca encontrou nas esquinas é muito recente. Os tipos captados pela retina do Benet Domingo não são grande novidade. O Rio continua com seu jeito de oferecer o sentimento amistoso de vendedores, batuques, música e tipos que nos encantam. Os antigos continuam e novos trabalhadores nas calçadas fazem amizade, um trabalho de valor e ganham seu sustento. Seu José é um empalhador de cadeiras há 25 anos numa das esquinas cariocas. Simpático e trabalhador conversou conosco empalhando uma cadeira, trabalho que realiza há 25 anos na mesma esquina em Ipanema. O jogo do bicho está no Rio de Janeiro há décadas e décadas e os apontadores, aqueles que realizam as apostas, ficam em qualquer caixote em cada esquina do Rio. Encontramos vários deles que, sem nenhuma restrição nos chamam a fotografá-los e repetem a frase já incorporada aos jargões cariocas: “Aqui vale o que está escrito”. O vendedor de guarda-chuva ou guarda-sol está em todas as esquinas cariocas, e o seu produto o abriga do sol a pino ou da água que faz todo mundo querer proteção da chuva. Caminhando sobre os desenhos das calçadas de Copacabana encontramos o vendedor que seduz os turistas com seus produtos com estampas que retratam a cidade. Chuva ou sol atravessam séculos desde que o mundo é mundo e a venda é certa para o vendedor alegre e divertido que posou para a Folha ou aquele para ser desenhado por um artista há tantos anos passados. O amendoim torradinho é marco das esquinas e praias cariocas. Homens e meninos, geralmente de famílias muito humildes, com qualquer lata e um pouco de carvão


fazem brasas que aquecem a semente torradinha. O jovem vendedor de vassouras, fotografado pela Folha Carioca, reedita o mesmo tipo desenhado pelo grande artista espanhol. Vassouras e espanadores continuam sendo usados em todas as casas, mesmo depois das grandes invenções tecnológicas como os aspiradores de pó e outras parafernálias. Pelas ruas homens entoam quase cânticos anunciando seus

produtos: “Vassoureiiiro... olha a vassoura, madame!” e lá se vão abrindo portas. A Folha encontrou muitos vassoureiros pelas ruas do Rio. Como dizia Benet Domingo, em 1950, encontramos hoje o mesmo tipo de vendedor descrito por ele: “Un hombre joven, trazos ágiles y precisos que expresam el individuo. Llevaa um móbile en equlibrio de dos cierres de escobas y plumero en un x sobre sus hombros con un bonito abalanzo de cuerpo”.

Andando pelas calçadas não é raro ouvir o som de um trompete, um acordeom, um pandeiro e se fica buscando aquele som que se destaca no meio dos sons estridentes das buzinas dos carros, dos motores dos carros e ônibus. A cidade ganha serenidade e os olhos se voltam para o instrumentista que oferece suavidade aos ouvidos cansados de tanto barulho. Em algumas esquinas encontramos os músicos que oferecem aos cariocas belas canções e ganham uns trocados por animarem a festa de viver no Rio e musicar esta vivência. O vendedor de frutas de hoje não arma sua barraca em qualquer esquina e, atento à fiscalização, numa das esquinas da Zona Sul, encontramos um deles que busca seu sustento vendendo frutas frescas apoiadas


capa num pequeno caixote. “Faço assim para sair mais rápido se chegar o rapa. Mas vendo tudo”, nos diz o fruteiro. Uma antiga cadeira de engraxate, em ótimo estado de conservação é a “lojinha” do bem humorado engraxate que nos diz: “Não posso ficar oferecendo o serviço. Fico aqui e meus clientes chegam”. Engraxar os sapatos numa esquina carioca é conforto certo na bonita cadeira antiga onde se atualizam brilhos nos sapatos e nas conversas animadas. Muitos outros tipos cariocas que encantaram o artista Benet Domingo nas esquinas do Rio nas décadas de 50 e 60, hoje ganharam novos contornos no grande palco que é a Cidade Maravilhosa, mas estão por aí, para um clique de uma máquina fotográfica, o carvão de um bom desenhista, as tintas dos pintores. Benet fez de seu olhar e seu encantamento pela cidade um acervo maravilhoso em que sua sensibilidade foi para além dos tipos que a Folha Carioca apresenta nesta edição. Ele foi um dos maiores artistas e pioneiro em criar as grandes alegorias carnavalescas das avenidas, dos grandes bailes de carnaval, dos coretos e de todo o cenário das grandes avenidas

da cidade onde aconteciam os desfiles e o carnaval de rua. Os grandes bailes dos hotéis, como o Copacabana Palace contaram com a arte do artista que criou a figura do malandro carioca, muito mais adequado ao clima brasileiro que o até então símbolo carnavalesco do alerquim. A Folha Carioca convida os leitores a observar as diferentes figuras humanas, tão diferentes que ocupam os espaços públicos da cidade. No Rio pretos, pardos e brancos brincam com as cores em vestimentas alegres e no comportamento marcadamente encantador do jeito carioca de ser.

A casa Benet Domingo guarda o acervo do artista. Sua esposa, uma elegantíssima e lúcida senhora de 92 anos, junto com seus filhos, abre as portas aos cariocas, que promovem belas exposições de arte. Arte que correndo nas veias dos seus descendentes celebra o grande artista no trabalho de seus filhos Pedrito e Pilar Domingo e na neta Maria Matina. Vale conhecer! Agende uma visita pelo tel. 8538-1175 e visite o site www.casabenetdomingo.com Casa Benet Domingo Av. São Sebastião, 135 - Urca


saúde e bem-estar

Transforme o seu corpo para o verão Como? Iniciar um treinamento em qualquer tipo de atividade física não é tão simples quanto parece. Conseguir aquele corpo sonhado não é tarefa simples. Tem que ter o acompanhamento de um profissional, autorização médica, muita determinação e disciplina para atingir seus objetivos. Qualquer exercício tem que estar embasado nos princípios do treinamento esportivo. Antes de você decidir qual tipo de treinamento vai adotar para conseguir aquele corpo que você deseja para enfrentar as praias, os chopes e os shorts da nova estação, você deve pensar em qual atividade física lhe atende de forma mais completa e que tenha eficiente solução. Em primeiro lugar é necessário um diagnóstico das suas necessidades, depois, uma programação de com quem, como, quando e com que frequência treinar. Qual o melhor treinamento? A nova tendência em treinamento esportivo é o Treinamento Funcional, que como o nome diz tem a finalidade de manter a funcionalidade do corpo, seja para a execução das tarefas simples do dia a dia ou para melhorar o desempenho na prática esportiva. O Treinamento Funcional é o resultado das pesquisas da ciência do esporte que está sempre em evolução e inclui em sua metodologia os princípios de todas as atividades físicas usadas no fitness e no wellness até então (pilates, musculação, ginástica localizada, aeróbica e de alongamento, ioga, interval training). Com quem? A escolha do técnico, professor ou treinador físico deve ser muito criteriosa, pois, está nas mãos dele o

presente e o futuro da saúde do seu corpo. Vai depender de sua experiência e conhecimento a evolução e resultados de seu treinamento. A intensidade do estímulo é proporcional à resposta. Se um treino for fraco, não provoca adaptação, se for médio estimula, já se for forte ocorre adaptação, mas se for muito forte pode causar lesão. Tem que haver muita sensibilidade do professor e conhecimento de seu aluno para haver equilíbrio no estímulo e desafio de cada treino e fase do treinamento. Por que? O Treinamento Funcional preserva o conceito do treinamento personificado, como se cada treino possuísse uma alma e tivesse sido feito com a cara daquele aluno. Permite ao aluno uma transformação progressiva, respeita o princípio da adaptação fisiológica. Transforma os treinos e em consequência o corpo de cada aluno de forma equilibrada, estimulante

e eficaz. Tem uma abordagem completa, com uma grande possibilidade de adaptações e variações no treinamento sendo o mais atual e eficaz treinamento físico para qualquer pessoa seja iniciante ou atleta. Não existe nada mais estimulante e propulsor que um sentimento de transformação. Transformamos, a cada dia, a nossa vida e nós mesmos. Um instante nunca é igual ao outro, assim como o nosso corpo é vivo e mutante. E como o mundo não para e cada pessoa é única, as mudanças continuam ocorrendo e as tendências são revitalizadas para que você possa renovar o seu corpo e a sua vida. Portanto, o que você está esperando? O verão está chegando...transforme-se!

Ana Cristina de Carvalho Espaço Pilates Gávea anacris.c@terra.com.br

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Quais são as novas tendências em treinamento físico? Qual o melhor programa para o meu corpo? Como? Com quem? Por que?

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Espaço Oswaldo Miranda oswaldomiranda@uol.com.br

Pelé, 70 anos... e meu Pelezinho

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Por motivos que não vêm ao caso, meu irmão Nelson, o mais velho da prole Miranda e Silva, foi de Petrópolis parar na longínqua cidade de Bauru, São Paulo, no final da década de 30. Estava empregado na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que ali completava o importante entroncamento com a Sorocabana e a Paulista, ferrovias que interligavam a capital com o interior do estado, Mato Grosso, chegando a Santa Cruz de Ia Sierra, fronteira com a Bolívia. Era tesoureiro-pagador da Noroeste. Polivalente, como eu, ativo, dinâmico, logo ampliaria suas atividades em Bauru, como jornalista, ativista cultural, rotariano, promotor de eventos, membro dos Jogos do Interior, espécie de olimpíada estadual, diretor do Automóvel Clube e do Bauru Atlético Clube - BAC. Foi criador do concurso Rainha do Esporte, que então elegeria uma bela moça da sociedade, Alice, que viria a ser sua esposa. Por tanto que fez é nome de rua na cidade. Vou encurtar... No Bauru Atlético Clube, que tinha como concorrente o Noroeste e o Emforluz, despertou na diretoria a ideia de montar uma equipe mais forte. Daí o projeto de trazer de Três Corações, cidade mineira, ali na fronteira com São Paulo, um jogador de futebol que já manifestara à diretoria do BAC seu desejo de jogar no clube. Era uma boa, grande reforço. Nelson então agiria no sentido de arranjar emprego para

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*** Cheguei lá. Produzindo o programa de maior índice de assistência da televisão brasileira, o “Show sem limite”, na Rede Tupi, com J. Silvestre, década de 60 e um pouco da de 70, na passagem da TV-Rio o canal

O encontro no Santos Dumont. O cameraman Genito registrou no auricon. Ainda não fora inventado o video tape

da Urca, Silvestre determinou que eu preparasse um menino para responder sobre Pelé. O quadro de perguntas e respostas, com candidatos com assuntos diversos, era recordista absoluta de audiência naquele tempo, tendo marcado 80% no Ibope com a lendária Noivinha da Pavuna. Daqui, dali, parti para a Escola João Luiz Alves, na Ilha do Governador, que acolhe menores desvirtuados de suas famílias, preparandoos para a vida. Tinha que ser um menino negrinho, claro, esperto, desinibido e que dispusesse a “estudar” as apostilhas que eu lhe preparasse para a maratona de dez programas, cem perguntas, missão nada fácil,

O GLOBO: “... É sombrio o horizonte da democracia. Agora, com a economia turbinada, tudo é festa e a capacidade critica se esvai. Mas um país com a imprensa ameaçada, oposição esfacelada, instituições aparelhadas, comunicação controlada e sob o efeito de um crescente populismo assistencialista é tudo, menos democracia. Cabe-mos resistir com as armas do profissionalismo, da ética inegociável e da defesa da verdade. A democracia pode cambalear, mas sempre prevalece. - Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo.” Lula é unanimidade nacional e sua candidata... Estou em transe. // FOLHA DE S.PAULO: Carlos Heitor Cony: “Muitos têm asco da política; no meu caso é desencanto.” Lula diria: “O que é asco?” // ESTADÃO: “TV de Lula contrata empresas de filho de Franklin. Firma venceu licitação da EBC em projeto de RS 6.8 milhões com ‘prioridade zero’ pelo ministro.” Franklin meu filho, seu pai, que conheci, bom político que foi e seu tio, o Silvino, marido da Lala, de minha amizade em Petrópolis, devem estar dando voltinhas nas sepulturas. // FOLHA DE S.PAULO: “Procuradoria vai investigar ações da TV do Governo.” Controle remoto, já... // JORNAL NACIONAL: “A Revolução Farroupilha estourou por causa dos altos impostos cobrados pelo governo imperial.” Tudo a ver com o sensacional Impostão da Firjan // MÍDIA GERAL: “Fenômeno das eleições, Tiririca, o palhaço. Como se tantos outros candidatos não o fossem. Aurélio: planta danosa. No meu tempo dizia-se. fulano ficou tiririca, valendo como furioso, p. da vida, botando fogo pelas ventas.

mídia

Deu na

o Dondinho, este o nome do rapaz. Conseguiu. E logo Dondinho estava na cidade, trabalhando na Noroeste e pronto para jogar no time do clube. No campeonato, então, se destacaria. Tudo certo. Dondinho veio com a família. Um dos filhos era o Dico, garoto esperto que gostava de futebol e por isso mesmo foi botado na equipe infantil do Baquinho. Pronto; enquanto o pai brilhava no time de cima, o filho era destaque no time de baixo, fazendo gol e mais gol em cada partida. Dico foi crescendo e com ele, seu futebol maravilhoso. Sabe-se que um dia o Santos foi jogar em Bauru, contra o Noroeste e Dico, já então escalado na equipe principal, juvenilzinho, teria impressionado Waldemar de Brito, antigo jogador, então treinador, que pediria a Dondinho levá-lo a treinar no Santos. Daí em diante todo mundo sabe e João Maximo contou tudo no Globo, faltando ainda a explicação de onde saiu o apelido Pelé.


de 50% de Ibope), auditório superlotado, aplausos, presentes, popularidade, ídolo... sucesso! Um dia o time do Santos passou pelo aeroporto Santos Dumont rumo ao Maranhão. Fui para lá com o Pelezinho, o Corrêa de Araujo, belo reporter da Tupi, para o encontro desejado. Genito na câmera. Valeu! Pelé, que sabia de tudo, abraçou o Pelezinho, feliz da vida: “Olha, se você for até o fim, se vencer, é meu convidado especial – vai passar uma semana em minha casa em Santos”. Seguiu na pista para reembarcar no avião com os demais jogadores. Pelezinho, o menino Jorge Clemente, ganharia, como de costume ganhavam todos os candidatos. Muitos prêmios, muitos, merecidos, pela sua brilhante atuação, contando aos brasileiros, tudo da vida do maior jogador de futebol da história, agora, setentão. Só que a promessa de uma semana com o menino (hoje, quarentão) em sua casa, em Santos, bem... deixa para lá, como diria Ancelmo...

Leblon vem do tupi... Pequenininho. Se não der para ler, repito o que diz a plaquinha: “Do Tupi – ilha ou entre canais de água”. Céus!

No fim de tudo dá certo. Se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim... Fernando Sabino

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como se conclui. Ajudado pelas professoras e professores, mantive contato com dezenas de garotos durante varias visitas. Difícil achar o tipo ideal desejado por Silvestre, tanto mais pelo duro compromisso de ter o escolhido de atropelar a barra pesada de sua internação, com o estudo da da vida de Pelé. Deus me ajudou - Silvestre cobrando insistentemente. Consegui! O menino Jorge Clemente, arisco, interessado (... você vai ganhar prêmios para sua família...) concordou em se submeter à missão, das mais difíceis, sem dúvida, contando com o carinho, a orientação, a ajuda das professoras e da diretoria. Eu, todas as semanas, horas e horas lá na Escola João Luiz Alves, passando as “aulas” das apostilas, testando a assimilação do garoto, a memorização, o vestibular, enfim, seu preparo para entrar no ar - Silvestre cobrando... Confesso: depois que Pelezinho começou, dez perguntas para respostas simples, monossilábicas, para facilitar... pois o garoto não podia cair (cerca

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saúde

Benefícios e mitos sobre a O aleitamento materno, que os médicos recomendam que seja exclusivo nos primeiros 4-6 meses de vida e parcial até os 2 anos, oferece muitos benefícios tanto ao bebê como à mãe. Para o bebê isso significa menos infecções de ouvido e alergias alimentares, menor risco de sofrer a síndrome do intestino irritável e diabetes juvenil. Para a mãe os benefícios incluem menos hemorragias após o parto, maior rapidez na diminuição do volume do útero e mais dinheiro no bolso!

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Mitos relacionados com a amamentação

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Existem mitos acerca da amamentação que são passados através de gerações ou criados por falta de informação correta. Alguns mitos a serem desmitificados: Para produzir mais leite deve-se beber mais leite. Qualquer tipo de alimento em quantidade suficiente é capaz de produzir leite materno. Na realidade quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido. Seios pequenos não produzem leite suficiente. A capacidade de amamentar não depende do tamanho dos seios. A produção de leite só depende das glândulas que se encontram nos seios, e que, em geral, existem em quantidade suficiente nas mulheres. Se a mãe não amamentar o primeiro bebê, não conseguirá amamentar o segundo. Isso é uma crença errada. Pode-se amamentar o segundo bebê mesmo que a mãe não tenha dado de mamar ao primeiro. É normal que a amamentação seja dolorosa. Algum desconforto e um pouco de dor são comuns nos primeiros dias. Qualquer dor que dure mais de 3 ou 4 dias não deve ser ignorada porque pode ser decorrente de uma infecção nos mamilos. Bombear o leite materno pode demonstrar a quantidade de leite que uma mãe consegue produzir. A quantidade de leite que consegue ser bombeada dependerá de inúmeros fatores, especialmente do nível de estresse da mãe. Um bebê que mame bem poderá conseguir mamar muito mais que uma bomba consiga extrair.

amamentação

Amamentar é muito cansativo. Se pensarmos que amamentar pode ser feito em qualquer lugar, sem ter de se usar um monte de acessórios nem de preparar nada, nem sequer de aquecer o leite, é muito mais cansativo amamentar com leite industrializado. O leite industrializado é quase como o leite materno. As fórmulas que existem no mercado atualmente são apenas semelhantes ao leite materno. O leite industrializado não contém anticorpos, células vivas, enzimas. Contém sim muito mais alumínio, magnésio, ferro e proteína que o leite materno. A proteína e a gordura do leite industrializado são muito distintas das do leite materno. Uma mulher que tenha feito uma cirurgia para aumentar o seio não pode amamentar. A maioria das mulheres amamenta da mesma forma. Não existem provas que um seio com prótese de silicone seja prejudicial ao bebê. No entanto quando essa operação é feita através da auréola, ocasionalmente existem algumas mulheres que sofrem problemas no fornecimento de leite. Se os bebês mamarem muito significa que o leite não é suficiente. Como o leite materno é de fácil digestão, os bebês geralmente têm fome mais cedo do que se forem ama-

mentados com leite industrializado. Um recém-nascido deve mamar de 3 em 3 horas. Uma mulher que tenha feito redução mamária não pode amamentar. A redução mamária de fato diminui a capacidade de uma mãe produzir tanto leite, mas como a maioria das mães produz mais do que necessário, quando se reduz o seio, no geral, consegue-se perfeitamente produzir o leite materno suficiente para amamentar o bebê. Mulher com mamilos planos ou invertidos não pode amamentar. Os bebês não se amamentam de mamilos, eles se amamentam do leite que advém do seio. Embora possa ser mais fácil um bebê mamar num seio com um mamilo proeminente, não é estritamente necessário que o mamilo seja dessa forma. Se o bebê não mamar bem no início, com a ajuda apropriada, ele mais tarde ou mais cedo começará a mamar. Os seios também mudam nas primeiras semanas, e desde que a mãe tenha leite suficiente, o bebê logo começara a mamar. Quem está amamentando não pode comer guloseimas e beber cerveja. As mães não precisam se comportar como santas. Todo mundo se sente melhor com uma alimentação equilibrada, e a mãe produzirá leite rico e nutritivo mesmo que a dieta não seja a ideal.


Darla Viana No Brasil a Ouvidoria se fortificou a partir do Código de Defesa do Consumidor, e as denominações “ouvidor” e “ombudsman” (representante do homem) são utilizadas para qualificar o mesmo profissional. O termo “ombudsman” tem sua origem na Suécia e foi instituído a partir da promulgação da Constituição sueca de 1809. No Brasil a Ouvidoria está em expansão tanto nas instituições públicas como nas privadas. O ouvidor/”ombudsman” é um mediador e um conciliador. Sua missão é ouvir, receber sugestões, elogios e críticas, analisando-as e encaminhando-as aos setores envolvidos, recomendando correções e melhorias. Seu trabalho pode provocar mudanças positivas, na busca da melhoria dos serviços. A Ouvidoria pode ser interna ou externa, sendo a primeira voltada para o colaborador. Nesse caso é fundamental pensar no relacionamento estabelecido com a demanda interna, com o objetivo de melhorar os processos, pois é esse público que representa diretamente ou indiretamente a instituição. A Ouvidoria externa mantém o foco no cliente. Por meio da opinião manifestada é possível trabalhar para deixar o cliente mais satisfeito, aprimorando ou corrigindo os serviços prestados. A Ouvidoria estabelece um canal de comunicação entre todos na busca da qualidade dos serviços.

Ao longo do seu desenvolvimento, a Ouvidoria vem conquistando, por meio da conduta ética, a confiança e a credibilidade do cliente junto à instituição. Para isso, é necessário o atendimento eficiente e responsável, através de um canal rápido focado na solução dos problemas apresentados. Um grande desafio para o ouvidor é lutar para transformar as críticas em ações de melhoria. Resultados de pesquisas de satisfação e relatórios são importantes ferramentas para que decisões sejam tomadas e resultem em soluções permanentes, sugerindo mudanças e prevenindo conflitos. A Ouvidoria como instrumento de gestão também contribui para o respeito e dignidade da pessoa humana e pelo progresso dos níveis profissionais. O serviço de Ouvidoria não age como uma corregedoria e sim aponta as falhas para que sejam corrigidas, contribuindo para que direitos e deveres sejam garantidos e respeitados. Nas instituições de saúde é preciso que as necessidades e solicitações do cliente sejam avaliadas e respondidas, principalmente na área hospitalar, onde não podemos dizer “volte sempre” e nem agradecer por ele estar aqui, como em outros estabelecimentos comerciais e empresariais. É importante fidelizá-lo para quando pensar em saúde lembrar do local onde suas solicitações foram atendidas com respeito e suas expectativas foram superadas. A Clínica São Vicente foi o primeiro hospital na rede privada no Rio de Janeiro a implantar o serviço de Ouvidoria, em 1997, e mesmo antes, com a pesquisa de satisfação, já havia a preocupação em conhecer o

Darla Viana Assistente social e ouvidora da Clínica São Vicente

pensamento do cliente. Durante o atendimento hospitalar devem ser respeitados todos os aspectos do paciente e de seus familiares, levando em consideração o momento de fragilidade e, sempre que possível, atendendo as solicitações. Como representante do cliente, a Ouvidoria trabalha também com conflitos e angústias no processo da internação e, através do acolhimento, busca atenuar o sofrimento. A Clínica São Vicente se propõe a ser um local onde os que dela se utilizam se sintam acolhidos. O paciente e seu familiar, em geral, chegam à instituição de saúde física e emocionalmente abalados. Além disso, deparam-se com um processo de desorganização ou reorganização da rotina em função da hospitalização. Em muitos casos sentem sua integridade abalada por estarem dependendo do outro (família ou profissional de saúde). Nesse contexto é fundamental levar em consideração os diferentes graus de fragilidade, escutando com atenção sempre que o paciente quiser falar. Podemos concluir que defender os direitos dos clientes, indicar modificações nos processos, ter uma escuta apurada, atuar sem preconceito ou préjulgamento, agir com transparência, imparcialidade e justiça e recomendar ou sugerir soluções, atuando juntamente para a prevenção de conflitos, são fatores que determinam a credibilidade e o êxito do Ouvidor.

EMERGÊNCIA

GERAL

Tel.:2529-4505

Tel.:2529-4422

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A importância do ouvir

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Espaço do leitor

Degraus A vida é uma escada onde os nãos passam como degraus. Longa ou curta, apenas Deus pode medí-la. A Ele somente o direito de encerrá-la, ou, quem sabe, abrí-la eternamente.

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Os degraus são os mais diversos: alguns sombrios, outros na plena luz dos astros, ao sol, reluzem na harmonia angelical o cântico das harpas celestiais!

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Alguns levam ao topo, mastros mais altos, balançam na fúrias dos vendavais enchem de medo e ansiedade aqueles que ao vento não resistem. Mas todos são degraus, a própria vida, e o caminho traduz a condição. Degrau por degrau, que na vida a subida não se faz de outra maneira. Jacqueline Imbassahy de Mello

classificados

Seja Solidário A Casa Maternal Mello Mattos atende 02 (dois) Programas: CRECHE e ESCOLA. Teremos novas propostas para 2011. No momento estamos com 200 (duzentos) alunos a partir de 02 (dois) anos (maternal I) até o 5º ano do Ensino Fundamental. Os espaços oferecidos às nossas crianças e adolescentes são amplos e arborizados. As novas matrículas estão abertas para o ano letivo de 2011. A Instituição sobrevive de doações, como também, contamos com o pro-grama de “apadrinhamento”, dando oportunidade às crianças cujas famílias são de baixa renda, a usufruírem de um “trabalho psicopedagógico” que está voltado para a cidadania. Seja um parceiro neste desenvolvimento sócioeducacional das crianças. A Instituição aceita doações em espécie no Banco Bradesco, agencia nº. 1444-3, conta-corrente nº. 042.819-1. Também são aceitas outras doações como: alimentação, material de limpeza, objetos como roupas, sapatos, etc., enfim tudo pois possuímos um “Bazar”. A Casa Maternal Mello Mattos é administrada e dirigida pelas Irmãs Carmelitas Descalças Servas dos Pobres do Brasil. A Instituição fica na Rua Faro, nº. 80, no Jardim Botânico, telefone 2512-5565 e fax 2512-1266.

Nota de falecimento Com profundo pesar comunicamos o falecimento de seu Eloy, aos 85 anos de idade, ocorrida em outubro. Diariamente ele poderia ser encontrado andando pelas ruas da Gávea, Leblon, Jardim Botânico ou nos corredores do Shopping da Gávea. Sempre de bermuda e boné, com sua conversa e simpatia ele vendia uma pasta, fabricada com produtos naturais, para matar barata, cupins e outros bichos. Por esse motivo era conhecido com seu Eloy das massinhas de baratas. Fique em paz.

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garimpo cultural

Esta semana está aberta na Urca uma raríssima exposição sobre nosso adorável Stanislaw Ponte Preta. A exposição, no Instituto Cravo Albin, localizado na Av. São Sebastião, 2 foi levantada graças à generosidade de Arthur Rego Lins e Augusto César Rego Lins, filho de Elza, derradeira (e verdadeira) enamorada de Sergio Porto. E celebra o espírito do Rio no que tem de mais robusto, refinado e corajoso. Segundo Ricardo Cravo Albin, que dispensa comentários sobre sua dedicação à preservação da Música Popular brasileira, “Sérgio Porto, ou o fero Stanislaw Ponte Preta, foi o criador de personagens como Tia Zulmira e Primo Altamirando. Ou o único eleitor das Certinhas do Lalau. O fato é que ele foi um dos mais estimulantes e operosos intelectuais do Brasil. Até porque ele fez de tudo, na última década de vida (1958 – 1968), tanto na imprensa quanto no rádio, na televisão e ... na literatura. Sérgio, escritor da obra prima ‘A Casa Assassinada’ e cronista implacável do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) não morrerá jamais na memória do afeto carioca. E jamais morrerá não apenas por todos esses motivos mal alinhavados aí acima. Mas também porque Sérgio terá sido um musicólogo de primeiríssima linha – eu que o conheci muito bem como

seu companheiro do Conselho Superior de Música do então em fase de implantação Museu da Imagem e do Som.” Sérgio – devoto dos sambistas primiciais como Heitor dos Prazeres, Cartola e Nelson Cavaquinho – era cultor das mais refinadas vertentes do jazz norte americano, sobretudo o tradicional, tal como seu tio, o memorável Lúcio Rangel. Aliás, falando em Cartola, Sérgio Porto também entra mais uma vez na história da MPB como descobridor do grande sambista, no momento em que reconheceu o fundador da Mangueira lavando carros numa garagem de Ipanema. Vá conferir este programa carioca! www.institutocravoalbin.com.br Agendar visitas com Milena Tel.: 2295-2532

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Vida e obra de Sérgio Porto

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t

Tamas

2004.tamas@openlink.com.br

Ponto poético

um príncipe oxigenado aperta meu corpo com amor intenso boca entreaberta de palavras mortas punhal rasgando o olhar espalhando fagulhas destruindo sonhos sussurros despertam o silêncio na noite escura violentando deuses embriagados de tédio

“Perder o ar o pé a cabeça morrer apenas por um instante.” “A frase é a prisão da palavra.” “Ao pé do ouvido sussurram-se promessas capengas. “ “Caminhar no escuro Com a mente clara.” “A realidade é óbvia.” “Palavras sem nexo podem ter sentimentos.“ “Espalhar um sorriso como a flor espalha perfume.” “Respirar profundamente enquanto o imposto do ar não vem.”

Pensamentos Pró-fundos

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de perfumes

“Promessas em noites de lua cheia” Minguam como a lua.”

hjgamal@ig.com.br

Literatura: amor nada vago

sobre uma cama

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Haron Gamal

A literatura brota onde se menos espera. É o que se pode dizer ao terminar uma primeira leitura de Amores Vagos, livro publicado pela editora Alternativa, coletânea de sete autores que um dia se conheceram numa oficina literária e depois seguiram seus próprios caminhos, publicaram e tornaram-se até certo ponto conhecidos. Esses mesmos autores encontraram-se mais de uma década depois e resolveram lançar um livro em conjunto. É essa a história desses Amores vagos. Tal decisão deve-se a um projeto em comum, ao qual deram o nome de “estilingues”. Isso mesmo, como o estilingue que no passado era feito a partir de uma forquilha e de um pedaço de borracha. Um artefato que lançava pedras. Só que o estilingue de Alexandre Brandão e de mais seis outras escritoras (isso mesmo, todas as outras são mulheres) serve para arremessar livros. Leiam-se os livros e os lancem adiante, assim a literatura circula sem os impedimentos existentes no Brasil quanto à sua comercialização e circulação. Há até uma página para cada leitor escrever seu nome, necessidade de saber por onde andam os filhos, ou, aliás, os livros, na verdade uma espécie de filhos. Não desejam perdê-los de vista. Além do belo aspecto gráfico e do fino acabamento, como não poderia deixar de acontecer o pequeno volume traz quatorze narrativas, duas de cada autor, ou autora. A poesia comparece através de páginas em prosa, páginas requintadas, onde a palavra namora na fronteira do abismo. Nilma Lacerda, no primeiro conto, apresenta uma menina que tem uma relação quase carnal com a leitura. A mãe, apesar da origem pobre, regala a filha com livros, a despeito da opinião contrária de outros parentes. No final, ante a desconfiança da uma tia idosa, a jovem leitora conclui: “que ingênua a minha mãe. Teolinda não, sabia dos riscos, sabia das coisas do corpo entre o livro e uma menina”. Alexandre Brandão nos traz em “Dois lances do minúsculo amor” um homem dilacerado pelo amor não correspondido. Alguém capaz de se atirar a todos desvarios

para reconquistar a mulher, ou mesmo esquecê-la: “O que me restou foi apenas aquela noite vasta e de escuridão imensurável. [...] Parei aqui, ali. Bebi até a morte. [...] Encontrei o chino. Joguei com o chino. Apostei até a alma. Perdi a alma.” Em “Os olhos de Filipa”, Sonia Peçanha conta um episódio da infância de uma menina que se divide entre o amor por uma boneca e o esconderijo em que permanece alheia ao mundo circundante. Um incêndio, no entanto, muda-lhe o destino. “Constelações”, de Vânia Osório, é constituído por três pequenas histórias, talvez as narrativas que mais se aproximam da poesia, destacando-se o texto “Eterna menina”, e “Noite feliz”; neste, há uma menina que se vê subitamente só no mundo, tendo como companheiro apenas seu cachorro, chamado Plutão. Marilena Moraes adentra o universo da internet, fazendo um personagem tímido adotar inúmeros disfarces por meio dos quais ele experimenta tudo que na vida “real” não teria coragem de experimentar. A questão principal é que no final, de tanto estar na pele dos outros, ele acaba por não saber mais quem é. “Magnífica”, de Cristina Zarur, aborda a vida de um homem decadente que tem na paixão pela cachaça do mesmo nome o motivo que lhe resta para continuar vivo. Miriam Mambrini, em “Um homem sem sentimentos” transita no mesmo universo de O homem sem qualidades, de Robert Musil, mas aqui criando um personagem frio, sem compaixão, cujo sentimento é despertado quando um pardal invade seu escritório e ele não tem coragem de esmagá-lo. A partir daí, tal qual um dependente químico às avessas, ele vai lamentar as oportunidades perdidas por se ter deixado vencer pelo seu lado sentimental. A partir deste ponto, repetem-se os autores com mais uma narrativa cada um, todas tendo como motivo a temática de amores e desamores, não excluindo a perspectiva de um romance incestuoso, nem da mulher que adota a prostituição como meio de dar


curioso e criativo

Nota da redação: Leitor da revista envia texto atribuído a uma aluna do curso de Letras da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

mais conforto à própria mãe. Não falta o tom rodriguiano, em “Quinze”, de Miriam Mambrini, quando uma mulher confessa, no fim da vida, que o único filho do casal era de outro homem, sendo prontamente perdoada pelo marido, porque este já sabia Pergunta-se muitas vezes o que caracteriza a literatura. E em tantas outras vezes temos dificuldade de responder. O que se pode deduzir deste simpático livro é que a literatura está no constante esforço dos autores em escrever e reescrever suas histórias tentando vôos lingüísticos como os que vão a seguir: “O tapa escuro da noite recebe-o na calçada” (Sônia Peçanha), “a vida tomada pelo verso, lambida pelo verso, cada palavra tomada a sal e pimenta” (Nilma Lacerda), “Não vale a pena sair de um sonho de amor, convenço-me”, (Alexandre Brandão), “Como poeta chegou perto, tão perto que, a exemplo de Ícaro, quase sucumbiu ao calor da poesia” (Vânia Osório), “Quem sabe alguém me acessa numa conexão banda larga? Teria prazer em ser plugado a qualquer hora, de passear por aí como link, viajar numa rede wi-fi, encontrar outro byte perdido, entrar com estilo em alguma formatação de vida” (Marilena Moraes), “o que é belo passa rápido. A beleza se consome em fogos de artifício” (Cristina Zarur), “Fera, meu amigo, estou fudido” (Miriam Mambrini). Amores Vagos Alexandre Brandão, Cristina Zarur, Marilena Moraes, Miriam Mambrini, Nilma Lacerda, Sônia Peçanha, Vânia Cardoso. Ed. Alternativa, 142 páginas Encomendas: (21) 3903-5340. alternativaeditora@yahoo.com.br http://estilingues.wordpress.com

“Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula;

ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso, a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva”.

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Relações gramaticais explícitas

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GÁVEA

Banca do Carlos Rua Arthur Araripe, 1 Tel.: 9463-0889

Menininha Rua José Roberto Macedo Soares, 5 loja C Tel.:3287-7500

Banca Feliz do Rio Rua Arthur Araripe, 110 Tel.: 9481-3147

Da Casa da Tata R. Prof. Manuel Ferreira,89 Tel.: 2511-0947

Banca João Borges Clínica São Vicente

Delírio Tropical Rua Mq. São Vicente, 68

Banca MSV Rua Mq. de São Vicente, 30 Tel.: 2179-7896

Chez Anne Shopping da Gávea 1º piso Tel: 2294-0298

Banca New Life R. Mq. de São Vicente,140 Tel.: 2239-8998 Banca Alto da Gávea R. Mq. de São Vicente, 232 Tel.: 3683-5109 Banca dos Famosos R. Mq. de São Vicente, 429 Tel.: 2540-7991 Banca Speranza Rua dos Oitis esq. Rua José Macedo Soares Banca Speranza Praça Santos Dumont, 140 Tel.: 2530-5856 Banca da Gávea R. Prof. Manuel Ferreira,89 Tel.: 2294-2525 Banca Dindim da Gávea Av. Rodrigo Otávio, 269 Tel.: 2512-8007 Banca da Bibi Shopping da Gávea 1º piso Tel.: 2540-5500 Banca Planetário Av. Vice Gov. Rubens Berardo Tel.: 9601-3565 Banca Pinnola Rua Padre Leonel Franca, S/N Tel.: 2274-4492 Galpão das Artes Urbanas Hélio G.Pellegrino Av. Padre Leonel Franca, s/nº - em frente ao Planetário Tel: 3874-5148 Restaurante Villa 90 Rua Mq. de São Vicente, 90 Tel.: 2259-8695

Super Burguer R. Mq.de São Vicente, 23 Igreja N. S. da Conceição R. Mq.de São Vicente, 19 Tel.: 2274-5448 Chaveiro Pedro e Cátia R. Mq. de São Vicente, 429 Tels.: 2259-8266 15ª DP - Gávea R. Major Rubens Vaz, 170 Tel.: 2332-2912 J. BOTÂNICO Bibi Sucos Rua Jardim Botânico, 632 Tel.: 3874-0051 Le pain du lapin Rua Maria Angélica, 197 tel: 2527-1503 Armazém Agrião Rua Jardim Botânico, 67 loja H tel: 2286-5383 Carlota Portella Rua Jardim Botânico, 119 tel: 2539-0694 Supermercado Crismar Rua Jardim Botânico, 178 tel: 2527-2727 Posto Ypiranga Rua Jardim Botânico, 140 tel:2540-1470

HUMAITÁ Banca do Alexandre R.Humaitá esq. R.Cesário Alvim Tel.: 2527-1156 LEBLON Banca Scala Rua Ataulfo de Paiva, 80 Tel.: 2294-3797 Banca Café Pequeno Rua Ataulfo de Paiva, 285 Banca Mele Rua Ataulfo de Paiva, 386 Tel.: 2259-9677 Banca Novello Rua Ataulfo de Paiva, 528 Tel.: 2294-4273

Banca Rua Carlos Goes, 130 Tel.: 9369-7671

Banca Rainha R. Rainha Guilhermina,155 Tel.: 9394-6352

Banca do Augusto Rua Humberto de Campos, 856 Tel: 3681-2379

Banca Encontro dos Amigos Rua Carlos Goes, 263 Tel.: 2239-9432

Banca Rua Venâncio Flores, 255 Tel.: 3204-1595

Sapataria Sola Forte Rua Humberto de Campos, 827/E Tel.: 2274-1145

Banca Luísa Rua Cupertino Durão, 84 Tel.: 2239-9051 Banca HM Rua Dias Ferreira, 154 Tel.: 2512-2555 Banca do Carlinhos Rua Dias Ferreira, 521 Tel.: 2529-2007

Banca Rua Ataulfo de Paiva, 645 Tel.: 2259-0818

Banca Del Sol Rua Dias Ferreira, 617 Tel.: 2274-8394

Banca Real Rua Ataulfo de Paiva, 802 Tel.: 2259-4326

Banca Fadel Fadel Rua Fadel Fadel, 200 Tel.: 2540-0724

Banca Top Rua Ataulfo de Paiva, 900 esq. Rua General Urquisa Tel: 2239-1874

Banca Quental Rua Gen. Urquisa, 71 B Tel.: 2540-8825

Banca do Luigi Rua Ataulfo de Paiva, 1160 Tel.: 2239-1530 Banca Piauí Rua Ataulfo de Paiva, 1273 Tel.: 2511-5822 Banca Beija-Flor Rua Ataulfo de Paiva, 1314 Tel.: 2511-5085

Banca do Vavá Rua Gen. Artigas, 114 Tel.: 9256-9509 Banca do Mário Rua Gen. Artigas, 325 Tel.: 2274-9446 Banca Canto Livre Rua Gen. Artigas s/n Tel.: 2259-2845

Banca Lorena R. Alm.Guilhem, 215 Tel.: 2512-0238

Banca da Vilma Rua Humberto de Campos Esq. Rua Gen. Urquisa Tel.: 2239-7876

Banca Cidade do Leblon Rua Alm. Pereira Guimarães, 65 Tel.: 8151-2019

Banca Canto das Letras Rua Jerônimo Monteiro, 3010 esq. Av. Gen. San Martin

Banca BB Manoel Rua Aristides Espínola Esq.R. Ataulfo de Paiva Tel.: 2540-0569

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Banca do Leblon Av. Afrânio M. Franco, 51 Tel.: 2540-6463 Banca do Ismael Rua Bartolomeu Mitre, 144 Tel: 3875-6872

Banca Rua José Linhares, 245 Tel.: 2294-3130 Banca Guilhermina R. Rainha Guilhermina, 60 Tel.: 9273-3790

Banca Miguel Couto Rua Bartolomeu Mitre, 1082 Tel.: 9729-0657 Banca Palavras e Pontos Rua Cupertino Durão, 219 Tel.: 2274-6996 Banca Rua Humberto de Campos, 827 Tel.: 9171-9155 Banca da Emília Rua Adalberto Ferreira, 18 Tel.: 2294-9568 Banca Rua Ataulfo de Paiva com Bartolomeu Mitre Banca Novo Leblon Rua Ataulfo de Paiva, 209 Tel.: 2274-8497 Banca Rua Humberto de Campos, 338 Tel.: 2274-8497 Banca Rua Alm. Pereira Guimarães, 65 Banca J Leblon Rua Ataulfo de Paiva, 50 Tel.: 2512-3566 Banca Av. Afrânio Melo Franco, 353 Tel.: 3204-2166 Banca Rua Prof. Saboia Ribeiro, 47 Tel.: 2294-9892 Banca Largo da Memória Rua Dias Ferreira, 679 Tel: 9737-9996 Colher de Pau Rua Rita Ludolf, 90 Tel.: 2274-8295 Garapa Doida R. Carlos Góis, 234 - lj F Tel.: 2274-8186

Copiadora Digital 310 Loteria Esportiva Av. Afrânio de Melo Franco Loteria Esportiva Av. Ataulfo de Paiva Vitrine do Leblon Av. Ataulfo de Paiva, 1079 Café com Letras Rua Bartolomeu Mitre, 297 Café Hum Leblon Rua Gen. Venâncio Flores, 300

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Folha Carioca / Novembro 2010 / Ano 9 / nº 82  

Edição novembro 2010