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Janeiro 2011 - Ano 10 - No 84

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Humor

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História

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Ox cariocaxxx

São Sebastião do Rio de Janeiro

Saúde

Doença arterialcoronariana


índice

editorial Bom, bonito e barato Janeiro vem dar um novo rumo ao ritmo festeiro dos cariocas. Agora é hora de trabalho, nova direção aos planos individuais e planejamento de ações das empresas. É tempo de recomeçar e o calendário marca o início de muitas ações planejadas, sonhos e expectativas para um ano mais feliz. Todos os cariocas, independentemente de suas possibilidades, querem um feliz Ano Novo! No Rio tem coisas demais para, depois do trabalho, “refrescar” a cabeça e se deliciar. A equipe da Folha Carioca, animada com mais um ano de trabalho e com as belezas da cidade foi buscar, dentre as centenas de programas de puro deleite, muitos deles gratuitos, diversões que não cobram nada e são ofertas de uma cidade cheia de belezas: parques, jardins, praias, cultura, fauna e flora. Não foi possível enumerar toda as suas ofertas, mas tendo como base as maravilhas de um dia inteirinho nas praias, a Folha Carioca deste mês apresenta um ótimo roteiro de programas de graça ou quase de graça. Aproveitando a já consagrada expressão que sinaliza a gratuidade, o “0800”, roubada das chamadas telefônicas sem custo, ainda criamos o “0799”, significando o quase de graça. Pegue a Folha, saia por aí curtindo a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e agradeça por viver aqui ou estar no Rio! Divirtam-se com pouco dinheiro ou gaste com parcimônia. A cidade é linda e dá para fazer muita coisa de graça! Sem muitos acertos anteriores nossos cronistas escreveram também sobre o Ano novo ou sobre o Rio. Na página 20 o querido Oswaldo Miranda, grande jornalista e atuante em grandes e respeitáveis veículos de comunicação da cidade em outras épocas, aos 92 anos, conosco todos os meses, saudável e lúcido não se aposenta e está “antenado” a tudo. Neste mês ele foi buscar a origem do nome que batizou o complexo de favelas pacificado pelas forças policiais. Oswaldo escreve com maestria sobre muitos alemães conhecidos e ao final, com bom humor, nos dá o segredo da história: o loteamento de 1951, hoje Complexo do Alemão, teve como fundador um polonês de nome impronunciável! O leitor encontra um bom texto sobre o santo padroeiro da cidade e Arlanza Crespo, na página 8, oferece ao leitor um breve histórico sobre a fundação e formação da cidade. Alexandre Brandão exagera na dose da competência literária e publica a crônica “Dois tempos” que se divide em dois excelentes textos. Alexandre é um escritor que vem se consagrando e presenteia o nosso leitor com seus textos que ele batizou de “No osso”. Neste mês, Alexandre vai fundo, no osso de todos os seus leitores. Vale conferir na página 13. Infelizmente, não podemos esquecer que as chuvas destruíram vidas em Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e outros municípios serranos. Faça sua contribuição aos desabrigados. O Viva Rio está atuando nas ações solidárias. Acesse o site www.vivario.org.br e saiba como contribuir para amenizar o sofrimento de muitos! Boa leitura!

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Editores Paulo Wagner / Lilibeth Cardozo Distribuição Gratuita Jornalista Fred Alves (MTbE-26424/RJ)

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Ox cariocaxxx História Memória Saúde e bem-estar

Bella Gestante 16

Capa

Rio 0800 e 0799 21

Espaço do leitor

Um dia de verão 23

Saúde

Doença arterial-coronariana 23

Solidariedade

Lutando pela vida 25

Projeto gráfico e arte Vladimir Calado (vlad.calado@gmail.com)

Ilustração Yuri Bigio

Humor

São Sebastião, rogai por nós

Capa Arte: Vlad Calado sobre foto de Lilibeth Cardozo

Revisão Marilza Bigio / Petippa Mojarta

Receita de Dona Cacilda

São Sebastião do Rio de Janeiro

2295-5675 2259-8110 9409-2696 Fundadora Regina Luz

Pela internet

Saúde e bem-estar

Pilates faz bem à memória

colunas 6 6 9 10 11

Gisela Gold Arlanza Crespo Ana Flores Susan Lee Hanson Lilibeth Cardozo

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Alexandre Brandão Oswaldo Miranda Tamas Haron Gamal Ana Cristina de Carvalho

ENTRE EM CONTATO CONOSCO Leitor, escreva pra gente, faça sugestões e comentários. Sua opinião é importante.

folhacarioca@gmail.com Colaboradores Alexandre Brandão, Ana Cristina de Carvalho, Ana Flores, Arlanza Crespo, Gisela Gold, Haron Gamal, Lilibeth Cardozo, Oswaldo Miranda, Susan Lee Hanson, Tamas

Captação de Anúncios Angela: 2259-8110 / 9884-9389 Marlei: 2579-1266

O conteúdo das matérias assinadas, anúncios e informes publicitários é de responsabilidade dos autores.


pela internet

Janeiro 2011

Receita de Dona Cacilda

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Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda, e tão elegante, que todo o dia às 8 da manhã ela já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução. Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, eu dei uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas de chintz florido que enfeitavam a janela. Ela me interrompeu com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorro. - Ah, eu adoro essas cortinas... - Dona Cacilda, a senhora ainda nem viu seu quarto... espera mais um pouco... - Isso não tem nada a ver, ela respondeu. Felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada... vai depender de como eu preparo minha expectativa.E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem... ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem. - Simples assim? - Nem tanto; isso é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo “treino” pelos anos a fora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher, em consequência, os sentimentos. Calmamente ela continuou: - Cada dia é um presente, e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica. Depois me pediu para anotar:

Receita da Dona Cacilda para se manter jovem: 1. Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência. Isso inclui idade, peso e altura. Deixe o médico se preocupar com eles. Para isso ele é pago. 2. Frequente, de preferência, seus amigos alegres. Os “baixo-astral” puxam você para baixo. 3. Continue aprendendo. Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa. Não deixe seu cérebro desocupado. Uma mente sem uso é oficina do diabo. 4. Curta coisas simples. 5. Ria sempre, muito e alto. Ria até perder o fôlego; ria para você mesmo no espelho, ao acordar e que o sorriso seja sua última atitude antes de dormir. 6. Lágrimas acontecem. Aguente, sofra e siga em frente. A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesma. Esteja vivo enquanto você viver e seja uma boa companhia para si mesmo. 7. Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta: pode ser família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for. Seu lar é o seu refúgio, sua mente seu paraíso. 8. Aproveite sua saúde. Se for boa, preserve-a. Se está instável, melhore-a da maneira mais simples: caminhe, sorria, beba água, ore, veja comédias, leia piadas ou histórias de aventuras, romances e comédias. Se está abaixo desse nível e não consegue fazer nada por si mesmo, peça ajuda. 9. Não faça viagens de remorsos. Viaje para o shopping, para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, pegue carona numa calda de cometa, imagine os mais diversos objetos formados pelas nuvens no céu, mas evite as viagens ao passado, pois você pode ficar retido na estação errada. Escolha as lembranças que quer ter; não se deixe dominar por elas ou perderá o direito à escolha. 10. Diga a quem você ama, que você realmente o ama, e diga isso em todas as oportunidades, através do olhar, do toque, das palavras, das ações diárias e do carinho. Seja feliz com seu próprio sentimento e não exija retribuição; você terá, de graça, o que o outro sentir; nada mais, nada menos. E lembre-se sempre que a vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas pelos momentos em que você perdeu o fôlego...de tanto amor... de tanto rir... de surpresa, de êxtase, de felicidade... Autor desconhecido


humor

Ox cariocaxxx Carioca não pede por favor, fala: “na moral...”; Carioca não tem mano, tem parceiro, irmão, brother...; Carioca não usa tênis, vai de Havaianas mesmo; Carioca não fala “tá certo”, fala “tá beleza!”; Carioca não fala “deixa comigo”, fala “tamu junto nessa”, “é tudo nosso!”; Carioca quando chega a outro lugar, nego já sabe que é carioca só pelo jeito de andar; Carioca não pensa, faz e pronto, se der merda,deu; Carioca não diz: “o que aconteceu?”, diz: “qual foi?”; Carioca não fala “oi tudo bem?”, manda logo um”coéééééeé parcero, tranquilidade, irmão?”; Carioca não é convencido, é realista; Carioca não é marrento, é muito gente boa; Carioca não é só nascer no Rio, é um estilo de vida!

Carioca vive numa cidade com mais de 1000 favelas e mesmo assim continua sendo umas das mais lindas do mundo. Nós temos nada mais que: Maracanã, torcidas do Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense, Cristo Redentor, Santa Teresa, Pão de Açucar, Jardim Botânico, Escolas de samba, Lapa, as praias de Ipanema, Leblon, Copacabana, Barra da Tijuca, Prainha, Grumari e um dos mais lindos por do sol do mundo visto da Pedra do Arpoador.

*** Homenagem aos cariocas e os que não são cariocas, mas que amam o Rio de Janeiro. Texto que circula na internet e de autor desconhecido. Quem foi o carioca “manero” que escreveu isso?

Janeiro 2011

Carioca não diz “sim”, fala: “já era, demorô”; Carioca não fala “tá me tirando, mano?”, fala “tá de sacanagem!”; Carioca não briga, sai na porrada; Carioca não entende, se liga; Carioca não mente, manda um kaô; Carioca não fala “oi”, fala “coé”; Carioca não fala “sai”, fala “mete o pé, vaza!”; Carioca não pede desculpas, diz “foi mal”; Carioca não diz “obrigado”, diz: “valeu”; Carioca não passeia, dá um rolé; Carioca não fala “pô meu”, fala “porrrra cara”, “caraca maluco”; Carioca não atende o celular dizendo “alô”, diz “fala aê”; Carioca não dá ideia, manda uma real; Carioca não fica chateado, fica bolado; Carioca não conversa, desenrola; Carioca não sai escondido, dá um perdido; Carioca não paga R$ 200,00 para ver U2. Carioca vai à praia e vê os Rolling Stones de graça;

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Gisela Gold

giselagold@terra.com.br

Disque-se

Eu acho que vi uma flor

João falava a vida toda. Falava tanto que não ouvia. Sua vida tinha gosto de fofoca. Frase de telefone sem fio. Dia desses João ouviu o que não queria sobre sua vida. E nesse dia de água fria, João pensou: “Será que carecia de contar tudo o que acontecia pra gostarem de mim?” Ao invés de ser assunto de roda, dançaria ciranda com os outros em silêncio. “Disque-se”, ouviu de si. A alma agradeceu.

Jaçanã vendia sonhos. Um dia transeunte comeu um sonho e perguntou se podia pagar com outro. “Recito um poema e você vai pro céu”. Não careceu de entender pra braço arrepiar. Certa hora transeunte cutuca Jaçanã e lhe oferece uma rosa. Ao retornar de mais um dia de trabalho, descalçou as chinelas e pasmem: chorou. Tinha tempo pra olhar a flor e chorar. Havia esquecido a medicação daquele dia.

Arlanza Crespo Janeiro 2011

arlanzacrespo@yahoo.com

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Os meses do ano Quando se tem o espírito de pesquisa, tudo é fascinante, pois atrás de um fato ou nome, sempre existe uma história. Assim é com os meses do ano e as curiosidades que eles encerram. No princípio o calendário só tinha 10 meses e o ano 304 dias. Foram, então acrescentados mais dois meses “januarius” e “februarius”, e por trás desses nomes muita coisa aconteceu... Janeiro só ficou sendo o primeiro mês do ano quando o Papa Gregório estabeleceu um novo calendário, que por isso mesmo ficou conhecido como calendário Gregoriano. O nome “Janeiro” vem de Jano, deus romano, o pacífico, a quem a lenda atribuía duas caras em sentido oposto uma da outra, podendo assim olhar ao mesmo tempo o ano que terminava e o ano que começava. Fevereiro, “februaris” entre os romanos, significava purificar. Nesse período eram celebradas festas de penitência e purificação. Março teve esse nome por ser dedicado a Marte, deus da guerra. Era nesse mês que os exércitos, imobilizados no inverno, retornavam às conquistas. Março foi durante muito tempo, para os romanos, o primeiro mês do calendário. Abril significa “abrir”, em latim, pois era a época que a terra se abria para o plantio. Durante algum tempo abril também foi o primeiro mês do ano.

Maio era dedicado aos cidadãos romanos importantes, os “majores”. Junho era dedicado aos jovens “juniores”, quando se realizavam as festas da juventude. Julho, por ser o quinto mês antes da mudança do calendário, se chamava “quintilis”, que quer dizer o quinto. Mas como era o mês do aniversário do grande Júlio César o Senado mudou seu nome para “Julius”. Agosto, que era o sexto mês, seria logicamente “sextilis”, o sexto, mas outro decreto do Senado mudou seu nome para “Augustus”, em homenagem a Augusto Cesar. Com isso surgiu um problema porque o mês de “Julius” tinha 31 dias e o de “Augustus” só 30. Então os senadores resolveram tirar 1 dia de fevereiro e colocá-lo em agosto para evitar ciúmes. Setembro, o sétimo mês, aconteceu o inverso. Primeiro se chamou “Tiberius”, outro imperador romano, que não aceitou dizendo: “E o que vocês vão fazer quando houver 13 césares para 12 meses?” Com a recusa de Tibério setembro passa a se chamar “Antonius”, mas depois volta ao nome original. Mais tarde surgem outras tentativas de homenagear figuras importantes. Nero, por exemplo, quis mudar o nome de abril para “Nerônio”, Cláudio queria o mês de maio.

Mas os homenageados que ficaram para a história foram somente Julio e Augusto. Outubro, novembro e dezembro mantiveram a denominação primitiva do calendário romano, quando correspondiam ao oitavo, nono e décimo meses do ano.


Janeiro 2011

Novidades Serviรงos e Entregas

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história

São Sebastião do Rio de Janeiro

Janeiro 2011

Arlanza Crespo

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Na história da nossa cidade, as datas de 1º de março e 20 de janeiro sempre se confundiram. A dúvida era, comemora-se a fundação no dia em que Estácio de Sá chegou, em 1º de março de 1565, ou no dia em que se deu a batalha final, em 20 de janeiro de 1567? Alguns historiadores achavam que a fundação só poderia ser confirmada depois da última batalha, enquanto outros diziam que Estácio de Sá já viera incumbido pelo trono português de aqui fundar e povoar uma vila ou cidade, para isso trazendo consigo os elementos necessários à constituição do corpo administrativo. Vinha como capitão-mor, com poderes para nomear e doar terras. “Levantemos essa cidade, que ficará por memória do nosso heroísmo e de exemplo do valor às vindouras gerações para ser a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo”. Essas palavras estão registradas na carta

do padre jesuíta José de Anchieta, datada de 9 de julho de 1565, portanto 4 meses depois da fundação, considerada a certidão de nascimento da cidade por ser o registro mais antigo de que se tem notícia. Relato diário e minucioso do que foi a construção de um povoado, deveria ser estudado por todos. Nela, Anchieta fala das primeiras providências para a ocupação da terra, de como todos trabalharam cortando madeira, construindo a cerca, cavando fossos e carregando pedras. De como todos, inclusive Estácio de Sá, fizeram o arraial crescer em poucos dias. Fala também da construção de uma ermida, para receber a imagem de São Sebastião, e do nome já escolhido para a cidade, em homenagem ao rei de Portugal, Dom Sebastião, e também ao santo mártir do mesmo nome. Dias depois, os franceses, que estavam entrincheirados no morro da Glória e na Ilha do Governador, começam a atacar por mar já que por terra o Pão de Açúcar, de um lado, e a Urca, do outro, tornavam a cidade isolada como uma ilha. As lutas se estendem por dois anos, com algumas tréguas. Sobre o morro Cara de Cão, Estácio de Sá levantou os castelos e os muros de defesa, na mesma posição em que até hoje se encontra a fortaleza de São João. Combateu os franceses e seus aliados indígenas por mais dois anos. Em 20 de janeiro de 1567, com a chegada da esquadra comandada por Cristóvão de Barros com reforços comandados pessoalmente por seu tio Mem de Sá e indígenas mobilizados pelos padres José de Anchieta e Manuel da Nóbrega, lançou-se ao ataque, travando os combates de Uruçu-mirim (atual praia do Flamengo) e Para-

napuã (atual Ilha do Governador). Escolhendo propositalmente a data por ser o dia de São Sebastião, desfecha um ataque definitivo aos franceses. A luta foi árdua e “(...) toda a cena se fazia mais terrível com os urros bárbaros dos índios (...)”. Dizem os cronistas da época que o próprio São Sebastião foi visto lutando ao lado dos portugueses. Nessa batalha, que consagra a ocupação definitiva da cidade, Estácio de Sá é ferido no rosto por uma flecha “hervada de peçonha”, vindo a falecer um mês depois, provavelmente por septicemia decorrente do ferimento. A cidade, com uma população de 150 pessoas, já Iivre dos franceses, é transferida dias depois, em 10 de março de 1567, para o Morro do Castelo, por ser um lugar mais seguro. O episódio da batalha final e da morte trágica de Estácio de Sá se tornou conhecido. Dezesseis anos depois, em 20 de janeiro de 1583, chega à jovem cidade o visitador geral dos jesuítas, trazendo uma relíquia de São Sebastião engastada em prata. Para recebê-Io foi feita uma grande festa, com a reconstituição da batalha final, uma procissão de barcos enfeitados com folhagens, tudo com fundo musical de flautas e tambores. Durante 3 dias os tiros de canhão da fortaleza ecoaram pela cidade. Desde então essa festa passou a ser realizada todo ano no dia 20 de janeiro, tendo como ponto máximo a Batalha das Canoas. Ela existiu até bem pouco tempo. Com isso, o 1º de março, que já não era comemorado com tanta pompa, foi relegado a segundo plano. Para reforçar ainda mais a importância dessa data, o dia 20 de janeiro foi decretado feriado municipal em 1896.


Ana Flores

memória

anaflores.rj@terra.com.br

Dia 20 de janeiro é celebrado o dia de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C. Era querido dos imperadores Diocleciano e Maximiliano, que o queriam sempre próximo, ignorando tratar-se de um cristão e, por isso, o designaram capitão da sua guarda pessoal – a Guarda Pretoriana. A sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, tendo ordenado a sua execução por meio de flechas. Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), apresentou-se novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que ele fosse espancado até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público de Roma. Luciana (Santa Luciana) resgatou seu corpo, limpou-o, e sepultou-o nas catacumbas. Sua morte ocorreu no dia 20 de janeiro de 288,

por isso comemora-se seu dia nesta data. Depois de tanto martírio, São Sebastião foi canonizado, tornando-se popular em todo mundo. Aqui no Brasil, segundo reza a lenda, ele apareceu para defender o Rio de Janeiro dos franceses, em 1567, levando Estácio de Sá e seu exército à grande vitória na conhecida “Batalha das Canoas”, na Baía da Guanabara. Aproveitando o ensejo, Jesus, junto do Pai e do Espírito Santo questionou-o: “Sebastião, tu queres ficar aqui no Céu, no gozo das alegrias eternas, ou queres ficar lá na terra, ajudar os que precisam, sendo o padroeiro, sendo patrono?” Sebastião respondeu: “Posso ser padroeiro na terra, desde que seja do Rio de Janeiro”. E assim, por escolha dele e, claro, por providência divina São Sebastião nos protege e tornou-se nosso padroeiro e protetor.

31 de janeiro

Dia da solidariedade Ser solidário é... Respeitar as filas, qualquer que seja seu sobrenome, saldo bancário ou cargo que ocupa. Ouvir sua música preferida no seu próprio carro, num volume suficiente para só você ouvir. Estar presente na situação certa com a palavra certa. Dar parte de seu tempo e atenção a quem precisa. Guardar o segredo que lhe foi passado como tal. Apoiar ideias e pessoas de acordo com a sua consciência. Compartilhar as boas notícias e a pipoca quentinha, não os assuntos pessoais no celular enquanto está no elevador lotado. Manter o celular desligado em reuniões, no cinema, no teatro, nas palestras, nas aulas, nas cerimônias, nos templos religiosos. Reconhecer nos atendentes pessoas que trabalham como você e tratá-los como profissionais. Cumprir horários combinados com colegas, amigos e superiores. Reconhecer-se como parte integrante do que acontece no planeta. Perceber sua responsabilidade no lixo que produz, na água que consome e nas riquezas naturais que usa. Ter consciência de que Dia da Solidariedade são todos os dias do ano, durante toda a vida.

Janeiro 2011

São Sebastião, rogai por nós

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Suzan Lee Hanson

classificados

Janeiro 2011

Afro-brasileiros e pioneiros americanos: algo em comum?

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Acredito na culinária como expressão da cultura dos diversos povos, assim como a música, a literatura e o cinema, entre outras formas de manifestação da arte. Quando experimento uma comida bem condimentada, na pimenta malagueta, com base num vegetal bem rústico e cheio de consistência, como o quiabo, misturado com a delicadeza de um frango cozido, penso na adaptação dos africanos no Brasil. A bebida de acompanhamento só poderia ser uma pequeníssima dose de cachaça, para ver se a gente consegue entender, ou melhor, sentir. Não dá para ouvir uma batucada gostosa ao fundo? O que poderia ser mais receptivo e aconchegante do que uma torta adocicada apenas por maçãs, vermelhas e suculentas, temperadas com canela e envolvidas numa massa de farinha amanteigada com açúcar, após um dia de trabalho rural no inverno norte-americano? Gosto de imaginar que dentro destes contextos é que foram criadas receitas como o caruru e a apple pie. Bem, não misturaria os dois pratos numa mesma refeição, mas teria prazer em receber os povos que as criaram numa mesma mesa. Então, me lanço ao desafio de pensar em uma forma de honrar essas culturas, mas ao mesmo tempo encontrar uma forma de dar unidade às suas diferentes histórias, tanto na combinação entre os alimentos, como na transição de um prato a outro. Tarefa boa demais, deliciosamente desafiadora. Afro- brasileiros e pioneiros da América do Norte, temperados com boa dose de licença poética. Acho que serviria algo assim:

Acho que serviria algo assim:

Entrada Caldo de peixe com coentro Prato principal Galinha caipira assada no forno e dourada no azeite, alho, ervas e páprica picante Acompanhamentos Milho cozido debulhado, refogado na manteiga, com cebolinhas verdes Arroz com pecãns crocantes Sobremesa Rolinhos de tapioca crocante, recheados de creme de coco fresco ralado envolvido em leite condensado Moça. Um pouco de lá, um pouco de cá, da mesma forma como uma boa conversa transcorre. Ao fundo, uma bela seleção de rhytm & blues - imigrantes sempre têm em comum um pouco de saudades de casa. Servidos?”

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Lilibeth Cardozo

lilibethcardozo@hotmail.com

Já começo o ano com uma obrigação de escrever um texto. Às vezes é muito difícil escrever quando alguém está esperando. Ou vocês acham que é só sair escrevendo? Que nada, dá o maior medo! Tem gente esperando todo mês só para criticar, achar os erros, falar mal. Tem alguns que gostam e até elogiam, me escrevem, comentam. No mês passado recebi várias mensagens comentando meu conto sobre a mulher que se apaixona por um romancista. É bom, muito bom, quando os leitores escrevem! Reparem como é complicado. Contei agora quantas palavras já escrevi: 92, e não disse quase nada. Dá culpa. E tem é coisa para dizer assim, no início do ano. Vou tentar e você, meu leitor, vá lá, pega papel e lápis e tenta também. Quem sabe sai um texto legal! É ano novo e o décimo primeiro depois do temido ano 2000! A gente aguenta! Já aguentamos ditadura, aguentamos essa roubalheira dos governos, aguentamos presidentes, ministros, senadores, deputados, prefeitos vereadores, todo mundo mandando e a maioria desmandando e roubando. Suportamos salário mínimo, mentiras, falcatruas. Aguentamos viver neste país lindo que inspira tanta coisa e todo mundo tem receita para dar certo. Aguentamos o Rio de Janeiro, essa cidade cheia de encantos e esse nosso carioquismo de gente nada pacata.

Aguentamos essas bobagens de falarem que o Rio é violento. Que nada, esse povo não é violento! Que natureza violenta passa dias e dias trocando vivências entre a riqueza e pobreza como no Rio? Que povo aguenta com tanto riso as calçadas de Ipanema acarpetadas e o esgoto jorrando ali no morro? Que outro cara, senão um carioca, para aguentar um Fashion Mall, com seus preços extorsivos plantado ali, bem no sopé da Rocinha? Gente, carioca é da paz! Para começar o ano, já vou avisando que estou meio mal. Tempos de balanços e fica esquisito quando a gente percebe que foi mais um ano que, somados aos tantos que passaram, fazem um montão. Dá um medo de não haver muitos outros pela frente! Mas, quanta vida, quanta coisa aconteceu, quantos chegaram, quantos partiram. Crianças nasceram e algumas já fizeram outras crianças. Pai e mãe, já não tenho mais. Tive cidadezinha do interior e cidade grande. Dois casamentos, dois filhos, um milhão de histórias de amor. Ah, eu podia contar sobre elas e fico aqui, enchendo essa página com mais tantas palavras sem um assunto para vocês criticarem ou elogiarem. Mas tá uma confusão mesmo esse meu início de ano. Por mais que eu insista, sou mesmo uma bagunça e nem consigo achar um assunto e escrever uma boa crônica, um conto, uma coisa qualquer com pé e cabeça, início e fim. Acabo desistindo, porque já faz muitos anos que escrevo na Folha Carioca e quem lê já me viu triste, zangada, assustada, romântica, com medo, alegre ou uma chata, como iniciei 2011. Mas é assim mesmo. Depois conserta o rumo. Sou carioca e tenho que achar um caminho no meio dessa cidade tão plural, tão linda e bagunçada, que nem eu. Acabo achando. Por enquanto fiquem aí, meus leitores, com este relato, esta conversa fiada, este meu estado de espírito meio confuso. Tem um ano inteirinho para eu escrever para vocês e, quem sabe, vocês escreverem para mim? São os cariocas que me inspiram e tem cariocas demais na minha vida! Muitas inspirações! Feliz Ano Novo, meu povo do Rio!

Janeiro 2011

Depois conserto o rumo

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Bella Gestante

Um pouco mais sobre os serviços, atividades e cursos do Bella Gestante:

um espaço exclusivo voltado para o bem-estar da mulher na fase mais especial de sua vida

Janeiro 2011

Atividades físicas, terapias corporais, yoga, cursos, palestras, acompanhamento dermatológico e nutricional. Tudo num só lugar para facilitar a vida das grávidas

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Durante os nove meses de gravidez e no primeiro ano de vida do bebê, tudo o que a gestante/mãe quer (e merece!) é ser paparicada, se sentir segura e – por que não? – bela também. Afinal, é uma época única da sua vida. Ela precisa de cuidados especiais, conforto e qualidade em serviços e produtos para usufruir deste momento mágico e tão esperado que é gerar um filho. Pensando em reunir saúde, boa forma, bem-estar e conhecimento num local exclusivo para gestantes e mães de bebês até um ano de idade, foi inaugurado em outubro no Rio de Janeiro o Espaço Bella Gestante - um charmoso ambiente com um conceito inédito no país. Localizado em uma casa tombada da década de 30 e numa das ruas mais aprazíveis do Humaitá, na Zona Sul do Rio, o Espaço possui 500m2 e é dirigido pela Dra. Isabella Tartari Proença, uma renomada obstetra do Rio de Janeiro, com 28 anos de experiência

na área médica e mais de cinco mil partos realizados. O espaço oferece atividades físicas, terapias corporais, cursos, palestras, serviços estéticos e até baby sitters para os pequenos, além de acompanhamento domiciliar para amamentação e cuidados com o bebê, entre outras novidades. “Sempre recomendei que minhas pacientes fizessem atividades físicas durante a gestação. Mas ouvia muitas queixas delas de que as academias só ofereciam aulas misturadas com outras pessoas, que estão em outro timing de exercício, outro ritmo de vida. Por isso, gestantes acabam geralmente fazendo hidroginástica com idosos, por exemplo. No Bella Gestante é tudo pensado e preparado exclusivamente para elas. Todas ali encontram-se no mesmo momento e têm as mesmas necessidades e particularidades”, explica a Dra. Isabella, que para isso recrutou uma equipe multidisciplinar que reúne profissionais especializados no assunto: professores de educação física, nutricionistas, dermatologista, psicólogos, enfermeiras e fisioterapeutas. Dentre os cursos oferecidos pelo Bella Gestante, além dos tradicionais programas de cuidados com o recém-nascido, destacam-se um especial de amamentação e o “Reciclando a maternidade”, voltado para as vovós.

ESPAÇO LAVANDO A ALMA: Hidro Gestante, Acqua Running, Aqua Relax, Vivências aquáticas (para mamães e bebês) e Watsu; ESPAÇO SAÚDE E MOVIMENTO: Aeróbico, Funcional, Local, Alongamento, Mat Pilates, esteira, bicicleta, transport; ESPAÇO MEU BEBÊ: Cantinho do bebê, Baby sitters, Psicomotricidade, Musicoterapia, Rodinha de histórias, Grupo Cirandinha (para mamães e bebês), Suporte de amamentação domiciliar, Apoio de enfermagem domiciliar; ESPAÇO MENTE SÃ E CORPO SÃO: Yoga gestante, Yoga mamãe, Yoga mamãe & bebê, Yoguilates, Grupo Gestar (acompanhamento psicológico); ESPAÇO GESTAÇÃO E CONSCIÊNCIA: Cursos e palestras; ESPAÇO ÁGUA NA BOCA: Lanchonete; ESPAÇO TUDO O QUE EU PRECISO: Lojinha; ESPAÇO QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA: Sala de espera para maridos, familiares e crianças.

SPA BEM-ESTAR: Massagem relaxante, Massagem com pedras quentes, Bambuterapia, Shiatsu, Indicação de florais; SPA ESTÉTICA: Drenagem linfática, Massagem modeladora, Corrente russa, Eletrolipólise, Stríade, Depilação, Manicure, Acompanhamento dermatológico, Acompanhamento nutricional; SPA FISIO: RPG, Studio Pilates, Acupuntura, Fisioterapia gestacional, Fisioterapia uroginecológica (Preparação perineal pré e pós parto).

Dra. Isabella Tartari Proença A ginecologista e obstetra carioca Isabella Tartari Proença é especializada em Gestação de Alto Risco e defensora do Parto Humanizado, realizado com menor agressão possível à mãe e ao bebê. Com um histórico de mais de cinco mil partos e cerca de 20 mil consultas realizadas, a

médica fez especialização em Obstetrícia no Hospital Maternidade Carmela Dutra e em Ginecologia no Hospital de Ipanema. Durante 11 anos trabalhou como chefe de clínica e de serviço da maternidade do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz). Há 28 anos, é obstetra do Hospital Maternidade Carmela Dutra.


Alexandre Brandão

No Osso

xanbran@gmail.com

Fim do tempo

2011: prognósticos

Quando enforcarmos o tempo na árvore do silêncio, mamãe, antes de nascer, servirá torradas aos seus descendentes, enquanto uma menina, quilômetros de séculos depois da segunda vinda de Cristo, passará esmalte no corpo sem função procriadora. Seremos alegria e também um cêntimo furado do nada, aquilo que cheira à felicidade ligeira dos drogados bastante rodados. Olharemos pela perspectiva da viúva branca. Cantaremos como carpideiras depois do enterro do próprio filho. Deitaremos sobre a relva de cetim e de lá sairemos pinicando, com a pele marcada por comichões da mentira. Esquentaremos, no bafo, o sol já cansado. Relógios continuarão a marcar o que não se saberá ao certo o que seja. Alguns dirão: marcam o silêncio. Outros: maculam o silêncio. E outros ainda: essas peças são a entranha das paredes. Uma coisa só, o tempo e o espaço. Não abençoaremos as crianças, pois terá passado a distância em que precisávamos de religião. A morte, por isso mesmo, usufruirá sua pensão vitalícia gastando seus dias, justo eles, que não farão mais sentido: um lixo como tantos outros esquecido nos dicionários. Molharemos o sono com a lágrima da eternidade. A bola correrá para cima. O rio chupará gelo. As gaivotas voarão sob o chão. E as formigas terão seu valor como brocado usado para tampar a vergonha da escuridão. Ninguém dará a mão ao despenhadeiro. A criança zero quilômetro embalará a lucidez do sono, cantando-lhe murmúrios de marré deci. Quando enforcarmos o tempo na árvore do silêncio, Nero regará Roma até submergila. Alheios, surfistas brincarão com as ondas de fogo do Vesúvio. Um poeta analfabeto rirá da aurora. E a aurora, ela mesma, rirá escarlate da cara do céu de brigadeiro de chocolate. Não se saberá mais o que é criação e o que é acaso. Seremos arquétipos de deuses em desuso. Fumaremos cachimbo de melancolia e, com isso, nos largaremos ao riso: frouxos de tanto tentar matar a distância.

O ano que se inicia terá nuvens no céu, com o que podemos afirmar que o céu não despencará em nossas cabeças mais ou menos sensatas. Nós ficaremos aqui embaixo, e o capeta, caso exista, mais embaixo ainda. Morrerá um padre. Morrerá um pastor. Ninguém reportará a morte de uma flor, mesmo daquela cuja cor flor nenhuma jamais ousou ter. Um comprimido estancará a pior das dores de cabeça, porém não será em 2011 que conheceremos a invenção da pílula contra a dor causada pelo fim de um amor. O preço da carne oscilará. O preço do açúcar oscilará. Só mesmo o preço de viver a vida correta continuará estável, naquele nível altíssimo induzido pelo excesso de demanda em um mundo de facilidades e seduções. Crianças sem infância. Infantilizados perpétuos. Lisos no bisturi. Enrugados na esbórnia. Todos na parada dos dias de 2011. A lua pisará o céu distraída. A lua presenciará uma série de crimes. A lua não iludirá os ratos. Não sei quantos crédulos viverão 2011 como a véspera do fim do mundo. Todavia sei que o mundo acabará para muitos, crédulos ou não, em 2011. Lâmpadas serão trocadas. Ministros serão trocados. Alianças serão trocadas. Trocaremos olhares como sinal de interesse, porém com menos frequência do que no passado. Os “emoticons” serão a coqueluche da sedução. Nascerá um Caio. Nascerá uma Anita. Nascerão um Paolo e um John. Também uma Ingrid. E ainda um Frederico. Alguns não conhecerão o pai. Outros, a mãe. Incerta avó bordará uma fralda de pano que ninguém usará. 2011 será um ano inesquecível. Ou quase.

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Dois tempos

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Rio 0800 e 0799

O Rio é um espetáculo! Os programas podem ser gratuitos ou quase de graça. O palco tem sempre como cenário as belezas da cidade

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Lilibeth Cardozo Paulo Wagner

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Praticando um esporte ou apenas apreciando a paisagem, a praia sempre será o programa preferível dos cariocas. E o melhor: é gratuito

“Se algum dia me perguntarem por que eu viajo, eu vou responder: para ver se encontro algum lugar mais encantador que o Rio de Janeiro. Até hoje, não encontrei. Outras cidades podem ser muito superiores em um ou outro aspecto, mas levam nota baixa em tantos quesitos - tipo ala das baianas, empolgação e alegorias de cabeça - que na média acaba dando o Rio, longe. Se você fizer questão de padrões internacionais de julgamento, tudo bem, lá vai: o Rio é Oscar de cenário, direção de arte, casting, (falta de) figurino, roteiro e trilha sonora original. Em que outro canto do planeta você encontra praia, vida cultural de primeira, gastronomia, compras e um povo exótico (nós mesmos!), tudo num lugar só, e em qualquer época do ano?” Trecho da crônica “Valsa de uma cidade”, de Ricardo Freire

Que o Rio de Janeiro é uma cidade encantadora, que tem uma natureza exuberante e diversificada, ninguém duvida. Mas também é uma das mais caras do mundo para se viver. De acordo com uma pesquisa feita em 2010 pela Companhia Global de Recursos Humanos - ECA, empresa de consultoria britânica, o Rio é a 28ª cidade com custo de vida mais alto, sendo a primeira nas Américas, incluindo as cidades dos EUA. O Rio subiu mais de 100 posições na lista, ano retrasado ocupava um distante 132º lugar no ranking. E agora, de posse dessa informação e se você está com o orçamento restrito para gastar com entretenimento, lazer e cultura, o que fazer? Não é preciso entrar em desespero porque para se divertir no Rio isso não é problema. A cidade abraça seus habitantes e seus visitantes com uma gama de programas de baixo custo, que certamente vão ficar dentro de seu orçamento. Portanto, a falta de dinheiro, que preocupa e estressa qualquer um, não pode ser motivo para deixar os cariocas em casa. Se alguém quiser curtir a cidade gastando nada ou pouco, ainda que por economia ou fuga das despesas desnecessárias, escolha uma das ofertas naturais da Cidade Maravilhosa com seus encantos: montanhas, florestas, cachoeiras, lagoas, praias e volte para casa mais feliz ainda por ser carioca. Acorde cedo, coloque numa mochila um lanche à prova de calor, com alimentos leves e frutas, acrescente uma garrafa de água mineral, barrinhas de cereais, pegue a família ou reúna os amigos e vá se divertir pela cidade. Saiba que nem tudo no Rio é caro ou precisa pagar. Quase todas as belezas da cidade podem ser curtidas sem gastar nada. Se você mora longe do programa escolhido, basta ter o dinheiro do transporte. Ou se desloque de bicicleta ou a pé. O mais é curtir muito. O Rio é cheinho de programas gratuitos, do tipo 0800, e têm outros que são muito baratos, os 0799, ou seja, quase de graça!

Para começar, sugerimos apreciar a beleza das praias cariocas, cercadas por montanhas. Vá sozinho, com a família ou amigos para um dia inteirinho na orla. A cidade tem 36 praias, totalizando 55,5 km de praias oceânicas e 6 km no interior da Baía da Guanabara, onde muitas delas são limpas, adequadas ao banho de mar, incluindo as de Paquetá. Como dizia Tim Maia: “Do Leme ao Pontal! Não há nada igual... Sem contar com Calabouço, Flamengo, Botafogo, Urca, Praia Vermelha”. Cada praia tem suas particularidades, é só escolher. Apenas para citar algumas: Ipanema, considerada uma das melhores praias carioca, repleta de grupos e tribos de todos os tipos, é frequentada por celebridades e pelos jovens. Lá é bastante comum os banhistas aplaudirem de pé o pôr do sol por sua beleza. A praia do Leblon é mais tranquila e familiar. Copacabana, símbolo da cidade e mundialmente conhecida, possui água relativamente limpa, um ambiente familiar e no Posto 6 está localizada uma colônia de pescadores das mais tradicionais, com barcos e redes de pesca. As praias do Arpoador e do Diabo são muito badaladas entre os surfistas, pois contam com boas ondas para a prática do esporte. A Barra da Tijuca é a mais extensa, com 18 km, muita juventude, quiosques, windsurf, kitesurf e boas ondas. Ficar na praia um dia inteiro é um típico programa carioca e o espaço democrático das areias junta as tribos, aproxima pessoas e apaga com força o traço da desigualdade. Nas praias do Rio não existem áreas “VIPs” e quem se sentir incomodado que mude sua cadeirinha de lugar. Praia não tem ingresso, roleta, nem horário para abrir ou fechar e ninguém precisa ter tempo de permanência. Também não há consumação mínima. Chegar cedo, marcar seu espaço com uma simples canga ou cadeira e guarda-sol é direito de todos. Se quiser ficar o dia todo, o programa pode incluir assistir ao pôr do sol e ainda pegar emprestada a luz das


Em diversos pontos da orla a prefeitura instalou holofotes e uma boa opção no verão, para fugir do tradicional, é ir a praia à noite. Leme, Posto 6 e Arpoador são ótimas escolhas. A brisa noturna refresca o calorão do dia,

a praia fica mais vazia, somente com algumas pessoas passeando, nenhum vendedor ambulante, poucos banhistas e raros surfistas na água. Experimente, vale a pena. A proteção da pele vem na sacola de casa e o lanche pode vir geladinho. Nas praias da Zona Sul, por uma taxa de R$ 3,00 é possível tomar uma ducha e sair pela cidade já com corpo adocicado depois do sal, sol e suor. Quem sabe depois da praia ainda sobra energia para as baladas da noite carioca, onde só gasta quem quer. Ficar no meio do barulho e das conversas animadas na Lapa também não custa nada e o dinheiro só é necessário para os que bebem e precisam pagar suas bebidas.

A natureza convida A ilha de Paquetá, meio esquecida pela prefeitura carioca, já foi destino certo das famílias nas férias escolares e fins de semana.

Cheia de histórias, incluindo inspiração para poetas e romancistas, a ilha é belíssima e está lá, esperando as visitas e, principalmente, investidores que queiram reconhecer suas belezas e integrá-la ao roteiro turístico da cidade. Passear em Paquetá começa a ser aprazível desde a viagem pela baía. A passagem de barca custa R$ 4,50 e crianças menores de 5 anos e idosos não pagam. É proibida a circulação de carros pela ilha e as pessoas andam de bicicleta, charretes ou a pé. Fazer um piquenique em Paquetá pode ser um programa para toda a família e a Folha Carioca garante o sucesso do programa. Por muito pouco dinheiro o visitante aluga uma bicicleta e saindo cedinho do Rio, volta ao fim do dia curtindo o sol se pondo, espetáculo que doura as águas da baía e encanta a todos. A paisagem da cidade convida e não cobra nada para ser visitada, apreciada e fotografada.

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primeiras estrelas ou das muitas luas em céu aberto que enfeitam a cidade de São Sebastião. Um “programaço” de verão, que pode se estender para a noite num encontro com amigos para um chope ou até um cineminha, é assistir ao pôr do sol na Pedra do Arpoador. É um clássico e referência na cidade. A Pedra é famosa pela bela vista do oceano e de algumas ilhas, e também pelo visual das praias de Ipanema e do Leblon, tendo como fundo deste cenário, de um lado os morros Dois Irmãos e Pedra da Gávea, do outro, as Ilhas das Palmas, Cagarras e Comprida. No lado oposto, o Pão de Açucar, com o enigmático rosto na sua face sul.

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Copacabana, uma das praias mais famosas do mundo, é carinhosamente apelidada de Princesinha do Mar, por causa da antiga canção de João de Barro (Braguinha) e Alberto Ribeiro


capa Para as famílias, um excelente passeio é pegar as crianças num domingo ou feriado e fazer uma caminhada no aterro do Flamengo, no Jardim Botânico (entrada 0799), no Parque Laje, na quinta da Boa Vista, no sítio de Burle Max, em Barra de Guaratiba, no Parque da Cidade, na Gávea, no Campo de Santana, no Centro, na imensa e linda Floresta da Tijuca, no alto da Boa Vista, que reúne toda a beleza e exuberância da Mata Atlântica. O parque do aterro do Flamengo é um espetáculo de brinde à natureza. Com o fechamento das pistas de rolamento nos domingos e feriados é relaxante curtir o belíssimo projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Além das árvores frondosas, gramados e jardins, o carioca ainda conta com quadras de futebol, tênis, vôlei, basquete e pistas de aeromodelismo, além dos campos de pelada, no trecho inicial da Praia do Flamengo. O piquenique pode ser na maior tranquilidade com lanche no gramado e crianças correndo soltas pelo espaço livre e saudável. Para quem tem como levar, os patins, skates, bicicletas e os brinquedos animam a criançada e tudo vira festa. É uma festa a céu aberto o colorido das crianças sorridentes que brincam com seus pais e amiguinhos jogando bolas, petecas, cuidando das bonecas ou rolando nos gramados!

Fauna e flora A ideia dos passeios em parques pode ser abraçada em vários pontos da cidade e não

O mais marcante no

vai ter criança reclamando por ficar em casa e nem pais e mães saturados de uma semana de trabalho duro. A Quinta da Boa Vista, localizada no bairro de São Cristóvão, oferece seus jardins e espaço cheinhos de verde. O palácio, antiga propriedade da Família Real, atualmente abriga o Museu Nacional, o maior museu de História Natural da América Latina, com mais de 10 mil peças expostas. Na Quinta o carioca ainda pode incluir um passeio 0799, uma visita ao zooológico. O Jardim Zoológico do Rio, criado em 1945, possui a mais rica coleção da fauna brasileira, com 2.500 animais, aves e insetos. A entrada custa R$ 6,00 para os mais altos, pois quem tem menos de um metro de altura entra sem pagar. Existe também a gratuidade para deficientes físicos e os idosos.

O parque da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão, tem grande valor histórico. É lá que ficam também o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro e o Museu Nacional

Estudantes com identificação pagam somente R$ 3,00. A criançada se delicia em conhecer os animais, principalmente os macacos, e durante muitos dias o passeio vai ser comentado e celebrado pela criançada. O carioca ou visitante do Rio pode ter muita paz e prazer passando o tempo que desejar deliciando-se com ar fresco e muito verde no Jardim Botânico. Com uma pequena taxa para entrada, R$ 5,00, o Jardim Botânico abriga as mais raras espécies de plantas da flora brasileira e de outros países, e por conta disso é considerado um dos dez mais importantes do gênero no mundo, sendo uma ótima opção de lazer para crianças e adultos que querem apreciar a natureza. Além da espécies raras de árvores, arbustos e plantas (de 8.200 exemplares na coleção viva), o local tem cantinhos a serem descobertos e muitos córregos. Pouca gente conhece a construção preservada da antiga fábrica de pólvora, uma interessante curiosidade para crianças, adolescentes e adultos. Passear pelo Jardim Botânico é um excelente exercício físico, e custa pouco. Os pulmões agradecem o ar puro, os olhos ficam alegres com tantas belezas e as mentes descansam das barulhentas e artificiais composições de uma grande cidade. Um passeio pelo Jardim Botânico é uma ótima opção para os idosos, pois suas alamedas são planas, facilitando as caminhadas e existem bancos de jardins espalhados, o que assegura paradinhas para descanso ou deleite do passeio. Não longe dali está o Parque Lage, com entrada gratuita. É uma rica reserva com jardins, grutas e pequenos lagos. No lindo casarão funciona a Escola de Artes Visuais.

Aterro do Flamengo é a diversidade de sua flora, formada principalmente por espécies nativas selecionadas por Roberto Burle Marx. As avenidas internas que cortam o parque são fechadas ao tráfego nos domingos e feriados, e os frequentadores podem escolher entre competições de ciclismo, corridas a pé e caminhadas


Trilhas, cachoeiras e a lagoa

Passeios

Os adolescentes e jovens podem escolher programas 0800 curtindo as cachoeiras da região do Horto ou da Floresta da Tijuca. Em grupos de amigos o programa pode ser feito de bicicleta ou a pé e os corpos se refrescam nas quedas d`água que nem parecem estar tão perto de suas casas. Tudo de graça, com vista deslumbrante, paz e sossego. É fácil chegar à Cachoeira dos Primatas, Represa do Quebra e Cachoeira do Chuveiro. O acesso a dos Primatas fica na Rua Sarah Vilela, uma rua sem saída no final da Rua Lopes Quintas. Por ser mais escondida e mais distante - a caminhada dura cerca de meia hora -, ela fica mais vazia nos finais de semana. Já a Represa do Quebra (um minuto de caminhada) e a cachoeira do Chuveiro (10 minutos) ficam lotadas nos dias de sol. A entrada da trilha fica na Rua Dona Castorina, na subida para a Vista Chinesa. O Rio de Janeiro tem tudo a ver com clima aventureiro, mas as trilhas podem ser mais ou menos difíceis, de acordo com o preparo físico de cada um. Se você decidiu encarar uma - e ser recompensado com uma bela vista ou um banho ao final - forme um grupo de, no mínimo, três pessoas. Existem guias que podem acompanhar o passeio e dar dicas de destinos por preços que podem ser divididos entre os participantes. Não há como esquecer a Lagoa Rodrigo de Freitas, exuberante com seu espelho d’água refletindo o brilho do sol, das estrelas e da lua. É um eterno convite para remar, velejar, praticar wake-board ou esquiar. Sempre movimentada, o contorno da Lagoa é ideal para quem gosta de praticar esportes, sejam leves ou moderadas caminhadas, passeios de bicicleta. O local é considerado o maior centro gastronômico ao ar livre da América Latina, comportando 25 quiosques com as mais diversas especialidades gastronômicas, banheiros públicos, 3 parques com ampla área de lazer, uma ciclovia com 7,5 km de extensão, e tudo isso distribuído numa área de 204 mil m². Da Lagoa podem-se fazer belas fotografias do Cristo e da Pedra da Gávea, além do morro Dois Irmãos. No mês de dezembro vale à pena ir a noite assistir a beleza da árvore de Natal. Ela tem 85 metros de altura, equivalente a um edifício de 28 andares, com um peso total de 542 toneladas. Ao todo, 3,3 milhões de microlâmpadas e quatro canhões de luz realizam os efeitos de iluminação.

Bairros como a Urca e Santa Tereza são singulares na cidade. Não se paga nada para agendar uma visita ao Forte São João na Urca e conhecer onde a História começou no Rio de Janeiro. As visitas guiadas à fortaleza levam visitantes ao Forte São José, mais conhecido como Forte Velho, de onde a cidade foi protegida das invasões estrangeiras e local onde Estácio de Sá fundou a nossa São Sebastião do Rio de Janeiro. Saindo do Forte o visitante pode ir caminhando pela bucólica Urca e, antes das cinco da tarde, terminar seu programa apreciando a belíssima paisagem caminhando na pista Cláudio Coutinho, na Praia Vermelha, que beira a pedra do Pão de Açucar. O passeio inclui ar fresco, vegetação generosa e a música da natureza com os acordes do barulho do mar batendo nas pedras, canto dos pássaros, silvos dos miquinhos e acompanhamento dos sons dos galhos e folhas que balançam satisfeitos por enfeitarem a cidade. Em Santa Tereza o passeio é quase uma fuga dos incômodos da moderna metrópole. Pegar o bondinho na estação, junto do Largo da Carioca, o passeio já começa a ser muito diferente de tudo. Saem a cada meia hora, das 6h às 23h. O bonde amarelo é o símbolo de um bairro cheio de ladeiras e escadarias que resiste ao tempo. Logo no início, o barulho do bonde saculejando sobre os velhos trilhos, seu percurso sobre os Arcos da Lapa e a paisagem da cidade começam a emocionar. Chegando ao bairro o passeio gratuito é caminhar pelas ruas apreciando a arquitetura com casas muito antigas e bem cuidadas pelos moradores que adoram o bairro e deslumbrar-se com a paisagem. Convém sempre usar tênis confortáveis para que não haja tropeços desnecessários nas ladeiras. Vale uma visita ao Museu da Chácara do Céu e ao Parque das Ruínas. Santa Tereza tem eventos de arte em seu calendário anual e, não raro, o visitante encontra grupos de música pelos bares do bairro, onde se cantam as tristezas e amores da vida e a nota mais forte marca o carioquismo dos amantes da cidade.

Centro: uma viagem no tempo A mais carioca das avenidas, a Presidente Vargas, pode ser o início de um belo passeio em dias não muito quentes. Andar pelo centro da cidade, observando os prédios antigos que resistem aos grandes empreendimentos imobiliários é um programa 0800 que agrada sempre aos apaixonados pelo Rio quase en-

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O Pavilhão Mourisco faz parte do complexo do Instituto Fiocruz, em Manguinhos, e é a única edificação neomourisca ainda existente no Rio de Janeiro

O Centro Cultural Banco do Brasil, na rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, transformou-se em pólo multimídia e fórum de debates. Com 17 mil metros quadrados, o CCBB integra muitos espaços num só, onde a arte está permanentemente em cartaz e tudo é de graça


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coberto por carros e movimento de pessoas durante a semana. A Praça XV, berço político do Brasil e do Rio de Janeiro, guarda um importante acervo arquitetônico que concentra grande número de igrejas, monumentos e museus. O programa pode ser um sucesso se no roteiro tiver uma passagem pelo Arco do Teles, Paço Imperial e aos inúmeros centros culturais como o Centro Cultural Banco do Brasil, Centro Cultural dos Correios, Casa França Brasil, Museu de Belas Artes, Biblioteca Nacional, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Real Gabinete Português de Leitura, dentre outros. Uma parada na Confeitaria Colombo é obrigatória. Fundada em 1894, na rua Gonçalves Dias ela faz parte do patrimônio cultural e artístico da cidade e é ponto de referência pela sua arquitetura. O ambiente permite ter uma ideia de como foi a Belle Époque na antiga capital da República. O Museu Histórico Nacional fica ali, bem pertinho da Praça XV e é um belo passeio de cultura e arte. Vale a visita. Ainda pela região do centro da cidade, todos os primeiros sábados do mês, o comércio da Rua do Lavradio se muda para as calçadas onde é possível apreciar a arquitetura antiga do local e, sem comprar nada, ver sobre as bancas os objetos antigos de decoração e muita história da cidade. Na feira, objetos antigos são vendidos em tendas colocadas sobre a calçada e apresentações musicais animam o local. A rua fica cheinha de carioquismo, pois os bares abrem suas portas, invadem a rua com mesas e cadeiras e o samba, chorinho e outros gêneros levam a todos o prazer de ser carioca.

Samba de raiz

Tudo o que é feito ao ar livre no Rio tem aparência, gosto, textura e consistência de férias. Experimente caminhar na Urca ou no Jardim Botânico. É uma maravilha

Nas cercanias da Praça Mauá, aos pés do Morro da Conceição, uma surpresa para muitos cariocas. É lá que existe a Pedra do Sal. Vale o passeio, pois as construções datam de séculos passados e casas são belíssimas e detalhadas, disputadas só entre conhecidos e apaixonados pelo local. O lugar já foi o epicentro de uma área chamada Pequena África, na qual residiam ex-escravos e quilombolas. Reza a lenda que era ali que estivadores e escravos se reuniam para umas batucadas depois do expediente. Isso no princípio do século 19. Durante muitos anos foi ponto de encontro dos negros da cidade, que cantavam, dançavam e cumpriam rituais religiosos. Frequentaram o lugar, simplesmente, nomes como Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Heitor dos Prazeres. Existem antigos degraus de pedra escavados por escravos. E tem esse nome porque seria ali um depósito para o sal que chegava à cidade. Há um boteco logo ao lado. E, bem na esquina, está um boteco lindo e cheio de graça, o Gracioso. Hoje o carioca pode ir chegando para a roda de samba na Pedra do Sal que começa por volta das 17 horas, mas a partir das 16 horas já é servido um PF no Bodega do Sal, boteco ao lado da roda. Pode ser carne assada com macarrão, rabada, depende do dia. O boteco é daqueles da antiga, com mesas de madeira escura e cervejas de garrafa. A música costuma acabar às 22 horas, mas quando está animado pode ir até as 23h.

Tomando o rumo norte A Feira de São Cristóvão é outra opção carioca onde se gasta muito pouco para se


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O Rio é cheio de programas culturais gratuitos. Há muitas opções para ver e fazer na cidade gastando nada ou muito pouco. E se você estiver estressado, vá pescar... ou ler

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divertir. Por uma pequena taxa de ingresso o lugar oferece folclore, muita música e espaço para dançar. O Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, nome oficial da feira, está localizado no bairro de São Cristóvão, lugar de fácil acesso na cidade. A Feira oferece ao visitante tudo que o nordeste dispõe, expondo nas suas quase 700 barracas as tradições da região e proporcionando a animação característica com muito forró, xote, baião, xaxado, brega, repente, cordel, frevo, ciranda, coco de embolada, maracatu etc. Um programa ainda bem pouco conhecido no Rio é uma visita à Fundação Oswaldo Cruz. O prédio central, o Pavilhão Mourisco, é a única edificação neo-mourisca ainda existente no Rio de Janeiro e começou a ser construído em 1904. O traçado do prédio, semelhante ao dos palácios ingleses do período Elisabetano, apresenta torres, ameias, grandes galerias ligando as salas laterais e valoriza a entrada principal. Já nas fachadas, paredes, pisos e forros internos imperam o estilo oriental. A Fiocruz tem esquemas de visitação aos sábados e domingos, quando é grátis. Durante a semana é preciso agendar.

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Tá estressado? Vá pescar

Numa cidade grande como o Rio de Janeiro é comum o trânsito caótico, filas em supermercados e nos bancos, falta de segurança, poluição. Com tudo isso fazendo parte do nosso dia a dia não tem como não se estressar. Para relaxar, a um custo baixo, curta a natureza, fazendo caminhadas, praticando esportes ou simplesmente pescando. Os pés na areia, nas pedras ou na murada da Urca, o vento no rosto, o som das ondas, o canto das aves marinhas, enfim, um relacionamento estreito com a natureza que se consuma quando se sente a ponta da vara curvar-se e começa a briga para recolher a linha sem deixar o peixe escapar. Praticada ao longo de toda a costa da cidade, a pesca vem aumentando seu número de praticantes sejam aqueles em busca de umas horas de lazer a sós com o mar e seus mistérios, ou com a família em um dia de sol à beira mar.

Programas para todos Para os apaixonados pela história da cidade, por suas belezas naturais ou pela arquitetura é só sair por aí, sem dinheiro no bolso, mas com vontade de explorar este território cercado por montanhas e banhado pelo mar. O Rio de Janeiro tem surpresas a cada esquina,

seja na arquitetura, em seus habitantes ou nas belas paisagens naturais. O que a Folha Carioca recomenda é que cada carioca descubra um pouco dos muitos programas gratuitos, 0800, ou aqueles que custam quase nada, os que chamamos nesta matéria de 0799!


Espaço Oswaldo Miranda oswaldomiranda@uol.com.br

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Complexo do Alemão, Comunidade do Alemão. Cenário da maior guerra urbana já ocorrida na nossa cidade. Bloco de 19 favelas lá para as bandas da Leopoldina. Esse gigantesco aglomerado humano é dos mais recentes, sem o histórico de uma Mangueira, um Providência, onde afinal, nasceria, por causa de Canudos (1897, o que é outra história) a denominação “favela” para esses locais que abrigam gente pobre, muito pobre. Ficou favela por causa de uma plantinha rasteira abundante ali no Morro da Providência, ponto em que se alojaram aqueles coitados que perderam a luta em Canudos, ao comando de Antonio Conselheiro. Quanta história. Do Alemão. Mas que alemão é esse, gente? Cujo nome ou alcunha, emplacaria tão importante ponto de residências, barracos ou lá o que seja, com tão destacada referência no contexto urbano do Rio de Janeiro? Os repórteres chegaram a dar 400 mil pessoas morando ali! Quase uma Niterói inteira, também à margem da baia da Guanabara! Do Alemão. Que alemão? Vamos lá. Bach, Johann Sebastian Bach. Com ele, Dulcemar falando de sua vida e obra e tocando suas peças ao piano, marquei 46 no Ibope na Rede Tupi, com J. Silvestre. O leitor tá dizendo – mentira. Sim, hoje seria impossível. Bach, o alemão, das tocatas, das fugas... Olha aí... Fugas? Não tem a história das fugas pelas manilhas do PAC? Não, Bach, está fora. E seu compatriota, Beethoven, o das sonatas, das sinfonias. Na 9ª, a abertura tem aquele tã, tã, tã, tã, que a gente vocaliza para surpreender alguém com uma notícia boa, uma surpresa... Beethoven não, nada a ver. Hidenburg, o chefão da Alemanha que foi

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mídia

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Do Alemão... que alemão? na conversa do calhorda do Hitler e deu no que deu. O próprio Führer, falso alemão doido para ser o novo Napoleão, que obcecado por criar uma raça pura no planeta, a tal de ariana, mandou mandar matar milhões de judeus. Hitler, coisa nenhuma! Mas cadê o alemão que batiza aquele pedaço de terra, gente? Quem sabe, o Beckenbauer, capitão da seleção alemã, campeão mundial na Copa de 74 como jogador e em 90 como técnico, desportista-padrão. Quem sabe, pelo futebol, nosso esporte maior, a galera se identificaria com ele, pela sua popularidade, sua história, celebridade... Não estaria ai, enfim, a razão do batismo daquela área? Vou especulando, especulando... Beckenbauer... na trave... E houve um jogador de futebol chamado Alemão; não chegou a ser um Pelé, um Garrincha, um Zico ... Não, não justificaria ter seu apelido batizando a favelona. Goethe, aquele que inventou o Doutor Fausto, o tal que vendeu a alma ao diabo. A lembrança se ajustaria, tendo em vista que aquele imenso pedaço de terra, berço de gente pacata, por tempos seria um terrível filial do inferno? Foi por Goethe que nasceria esse Alemão, vizinho ali do Cruzeiro, dos Macacos - alguém ligaria uma coisa à outra? Vou me perdendo nesta busca, afinal sem qualquer sentido... Do Alemão... Schumacker, o heptacampeão da Fórmula 1... Sim, os traficantes têm lá suas fórmulas para contrabandear drogas e armas, vender, matar... Não, não seria por ai. Em 1934 o carioca ficava olhando para o céu a cada boato de algum gaiato – “Olha o Zeppelin”. Até que aquela fantástica nave surgiria nos nossos céus assombrando o Rio inteiro. O Graf Zeppelin, o Conde... Não, ainda não. Vamos

Bach, das tocatas, das fugas. Das fugas...

lá: e o inventor do raios-X, Wilhelm K. Roentgen, alemãozão dos bons? Nada a ver. Ah! Tá na música outra vez: Richard Wagner... O Crepúsculo dos deuses, que tal? Os chefões do narcotráfico caindo, caindo... Mas... e daí? Descartável. Creio que agora acertei. Vocês já ouviram falar de Karl Marx, aquele que em parceria com Engels, organizou o Manifesto Comunista, cartilha de tudo quanto é PCB, PCB do B da vida. A dupla deixou a sentença: “Toda a história da humanidade é a história da luta de classes”. Olha como se encaixa: luta de classe, aquela gente pobre, sofrida, os excluídos - jamais vê com bons olhos os mais bafejados pela sorte, os endinheirados, os VIPs, os donos de fortunas conseguidas Deus sabe como, em maracutaias e que tais... é melhor parar por ai. Em Petrópolis, minha cidade colonizada pelos alemães (Julio Koeler, fundador) tinha um cidadão muito conhecido, o Rudolf Haak, que lá instalou a

HOJE: Viriato Costa: “De quatro pessoas no mundo, uma já pagou propina.” Que ninguém me ouça, mas já entrei nessa... // O DIA: “Teste revela os focos de contaminação em praças de shoppings. Quantidade de bactérias é 100 vezes maior do que o máximo tolerável.” Fiscalização, já. // ESTADÃO: “Ninguém bota a faca na cara da Dilma, diz secretário geral da Presidência, Gilberto Carvalho.” Nossa, o cara é de briga. // MARIA CLAIRE - capa: “Julia Roberts: Fui criada no estilo levanta, sacode a poeira, dê a volta por cima.” Falando carioquês, Julinha? // O GLOBO: “Dilma mantém Lobão apesar de lobby na ANP.” Mesmo com constrangimento na equipe de transição, ele volta ao Ministério de Minas e Energia.” Enquanto seu lobo não vem... // O POVO DO RIO: “Vai faltar maconha no mercado”. Segue O GLOBO: “Roberto da Matta: “Qual era o destino de tanta rnaconha e cocaina no Complexo do Alemão“ Ele mesmo respondendo: Essa é uma pergunta que dói e não pode calar. // MÍDIA GERAL - INTERNET: “Policiais poderão ser expulsos por saquearem casas no Complexo do Alemão.” Há o que saquear em casas de gente tida como tão pobre? // METRO - RIO: “3 mil jovens serão assassinados até 2013 na cidade.” Olha ai uma das vantagens de ser nonagenário, como o cara aqui... // ÉPOCA: “Pelé: tenho uma infinidade de amigas em toda parte do mundo, mas nada sério para casamento (falava estar mais exigente sobre sua vida sexual).” Vale especular sobre a trepadinha 1.000.


*** Tempo perdido... Meu neto, Luiz Guilherme acaba de ler na Vejinha. Minha pesquisa deu em nada. Um alemão existiu de verdade e era polonês, como informa Mariana Amaro. Sua figura caucasiana, pele, olhos e cabelos claros, lhe valeu o apelido que ele detestava. Loteou o terreno em 1951. Morreu e deixou parentes por lá. Nenhum dos que desfilei. O cara que deu origem àquele arrabalde hoje, graças à ação militar, em paz (absoluta?) se chamava Leonard Kaczmarkiewicz. Já pensaram: Complexo do Kaczmarkiewicz???

Lobato. Otabol. Não, não é palíndromo, que vem do grego e que faz com que palavras ou frases daqui para lá ou de Iá para cá, tenham o mesmo sentido. Cito: “Roma me tem amor” ou “socorram Marrocos”. Lobato deu Otabol, que não é nada, senão o nome que o safado do Fred encontrou para sua empresafantasma. Só que qualquer pessoa veria logo a coisa. Mas ninguém se deu conta naquele mundão de gente da mansão da Bete e da Metalúrgica Gouvea. Vai que de repente a Bete botou o cartão do pilantra do Charles no espelho e vendo a palavra refletida ao contrário, gritou: - Descobri. Otabol é Lobato ao contrário. Quem está comprando as ações é mesmo o Fred, esse canalha, ordinário! Ai o cartão passou de mão em mão, Mauro, Melina, Gerson, Dona Brígida, Antero, Totó... todos em estado de estupeção geral diante da fantástica descoberta: Otabol é Lobato lido ao contrário, como o “aicnalubma” que facilita a leitura para a polícia, bombeiros etc. nas diligências pelas ruas.

A direção de Passione não teria recurso menos humilhante para Bete, personagem da nossa grande Fernanda Montenegro, descobrir, com o cartãozinho diante do espelho que Otabol era Lobato ao contrário? Ações assim não degradam o pudor do profissional? Contratado, ele é obrigado a cumprir tudo o que está no roteiro? Céus! Em tempo. Na discussão entre Bete e Fred, o pau comendo entre os dois, ela disse que Otabol era anagrama de Lobato. Errado. Silvio de Abreu botou mais uma bobagem na boca de Fernanda. Anagrama, está no dicionários, “é palavra obtida pela transposição das letras de outras palavras: pedra e padre, traço e troca etc.”. Novelas...

Como dizia o deputado Justo Veríssimo Capa do Diário de S.Paulo “Veja o que dá para comprar com o aumento de 5,8% do salário mínimo: 1 kg de farinha de mandioca, R$3,26; 1 kg de café, R$ 8,26; 1 kg de macarrão R$ 2,88; 2 pacotes de

biscoitos, R$ 2,12; 200 gramas de alho, R$ 3,00; l kg de feijão carioquinha, R$ 2,98 e 5 kg de arroz R$ 7,50. Já com o aumento de 61,8% no salário dos deputados... 971 kg de arroz, 489 kg de feijão

carioquinha, 446 kg de farinha de mandioca, 505 kg de macarrão, 1.374 pacotes de biscoitos, 176 kg de café e 97 kg de alho. E mais: um deputado vai ganhar mais do que 49 aposentados!”. PT, saudações.

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primeira ótica. Um dia fotografou Getúlio Vargas numa de suas passeatas pós-almoço pela cidade, quando ele passava pelo Cinema Capitólio. Na foto saiu também o cartaz do filme em exibição – “Ladrão galante”, com Cary Grant. Haak foi ao Palácio Rio Negro presentear o presidente com sua foto. Gentileza na hora em que os submarinos nazistas afundavam nossos navios aqui na costa brasileira. Não deu outra e o pobre Haak foi em cana para Niterói, nas mãos do linha dura Ramos de Freitas. Levou tempo para ser libertado, diante do clamor público, pois a população da cidade tinha no conceituado comerciante uma pessoa de bem, com família constituída, já naturalizado brasileiro. Mas tal critério jamais, entendo, justificaria inspirar o nome à favela... Como um Kronemberg, um Mayworm, um Rittmeyer, um Finknauer, um Kreischer, um Katz, um Justen, um Braun, um Bauer, um Eckardt ... Ancestrais como colonos, de famílias petropolitanas. Divaguei, divaguei, mobilizei todos os alemães possíveis como referência para batizar a favelona, hoje internacional. E fiquei por isso mesmo. Mas, afinal, quem é esse alemão? Do Complexo. Problema complexo. Na minha ignorância, na minha curiosidade... Por fim, Deutsch uber alies!, como diria Goering.

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Espaço do leitor

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Um dia de verão

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Acordei cedinho com o canto desvairado das cigarras. Um resto de sonho se misturou ao despertar, criando uma espécie de devaneio, um lusco-fusco, em que se misturavam modulações de cigarras e cantares oníricos. Eu me sentia assim, meio barro, meio tijolo e, por segundos, duvidei se ainda dormia. Tinha a sensação de que levitava e era embalada nos braços de um enorme... polvo! O alarme de um carro me fez estremecer e convenceu-me da realidade. Em nenhum sonho, pesadelo que fosse, existiria som tão escandaloso. Parecia querer rivalizar com o ta-tara-ra-ra das bichinhas. Sim. Eu estava viva, bem acordada e mal disposta. Com um salto chego à janela e trato de fechá-la bem depressa, antes que uma cigarra entre por ela, abanando suas asas de malacacheta e me botando pra correr. Ao longe, nuvens se espreguiçam montanha acima. Até se parecem comigo fazendo alongamento... Um ventinho fresco e enganador tenta me fazer acreditar que hoje não será tão quente quanto ontem. Pois sim. Bem sei que, lá pelas oito horas, o sol virá “pingando lacre”, como dizia o meu padrinho. Um dia desses, desisti de cumprir meu expediente de caminhada no calçadão por causa de um sol assim, despudoramente abrasador. Ele me dava duas opções: atirar-me ao mar ou correr

para casa. Optei pela segunda forma de salvação, mesmo porque não estava adequadamente vestida – ou despida – para optar pela primeira. Admiro as pessoas que, ao ouvirem a previsão meteorológica, anunciando sol sem nuvens, calor, total impossibilidade de frentes frias, abrem-se num sorriso de êxtase, como se o verão carioca fosse vital para a sobrevivência do gênero humano. Nessas horas chego a duvidar da minha carioquice. Talvez eu não seja tão tropical assim ou tenha um pé na Islândia... Tempos piores virão. Todos os anos fevereiro ferve – já virou tradição e, para mim, uma triste confirmação. Hoje, terei pela frente um dia daqueles de derreter até as pedras. Besuntada de filtro solar, protegida por óculos escuros e chapelão, lá vou eu sob esse sol que está aqui há bem mais tempo que eu. Contra ele não há Procon que resolva. É líquido e certo que amanhã, de manhã, ele já estará a postos, nem que seja atrás das nuvens. E eu? Espero ainda estar também por aqui, mas... nunca se sabe. Por via das dúvidas, cigarras, preparai vosso canto! Prometo que serei toda ouvidos. Maria Zuleika

Choro de criança Toda criança ao nascer Tem seu choro forte Gemidos, sons inaudíveis. Os meses passam, O choro fica mais forte, Mas o sorriso já se faz presente E alternam riso e choro, Depois dormem como anjos. Pelo choro sabemos se é dor, Fome ou desconforto, CóIicas, então, é tão normal E eles gemem desconsolados. Mas a mãe atenta a tudo, Em cada situação tira de letra, Agora é fome, e o amamenta, Outra hora é dor e o acalenta, Depois vem o riso e o abraça, Carinhosamente o retém nos braços. Ser mãe é puro amor, Tanto que mal cabe no coração E para cada filho que chega, O amor aumenta mais. É um dom que Deus nos deu, Já nascemos sabendo. Selva Aretuza


Dra. Aurora Felice Castro Issa A doença arterial-coronariana é a principal causa de morte e de doença incapacitante em países industrializados ou não. Uma porção significativa dessa patologia progride abruptamente de doença inaparente a infarto do miocárdio e possivelmente morte. Doença coronariana obstrutiva avançada frequentemente existe com poucos sintomas ou sem manifestações clínicas evidentes. Torna-se clara, portanto, a necessidade de detecção e acompanhamento precoce dessa doença. A avaliação de pacientes com suspeita de doença arterial-coronariana é um constante desafio na prática clínica. A história clínica permanece sendo pedra fundamental no processo diagnóstico desta doença. Porém existem também diferentes métodos diagnósticos, invasivos e não-invasivos, que auxiliam nesta avaliação. Quando um indivíduo apresenta-se com sintomas que levam à suspeita dessa doença, a necessidade de realizar um exame-diagnóstico

para esclarecer esta suspeita é clara. Porém, nos indivíduos que não apresentam sintomas, a realização de exames para pesquisa é questionável, não só pelo seu custo, mas também por efeitos nocivos advindos dos próprios exames como, por exemplo, exposição à radiação. Torna-se, portanto, necessário definir quais são os pacientes que, apesar de não apresentarem sintomas, devem ser submetidos a exames complementares. Recentemente as principais associações americanas de cardiologia publicaram um documento que faz parte das suas chamadas diretrizes, onde citam as principais orientações no manejo de indivíduos sem queixas clínicas na avaliação da presença de doença aterosclerótica. São citadas as principais indicações dos diferentes exames complementares na avaliação destes pacientes e é dada uma grande ênfase à importância da definição do risco de cada indivíduo desenvolver essa doença. Considera-se que todo indivíduo adulto deva ter esse risco definido e assim definem-se os procedimentos a serem realizados.

Dra. Aurora Felice Castro Issa Doutora em cardiologia Cardiologista da Clínica São Vicente

Na classificação de risco dos pacientes existem alguns índices utilizados para este propósito e o mais famoso é o clássico escore de Framingham, derivado de um grande estudo realizado na cidade do mesmo nome, no estado de Massachusetts, EUA. Nesse trabalho, os indivíduos foram acompanhados por 10 anos e observou-se o risco de desenvolverem doença aterosclerótica. Esse escore avalia os chamados fatores de risco para desenvolvimento da doença e classifica os indivíduos em baixo, médio e alto risco. Seu valor é bem estabelecido principalmente em pessoas acima de 40 anos. A adoção de hábitos de vida saudável, como não fumar, beber moderadamente, praticar atividade física, alimentar-se de forma saudável e controlar as alterações de glicose, colesterol e triglicerídeos são de extrema importância e devem ser adotados por todos os indivíduos. Porém a definição do risco individual para desenvolvimento da doença coronariana é preponderante na determinação da necessidade ou não de outras intervenções médicas adicionais.

EMERGÊNCIA

GERAL

Tel.:2529-4505

Tel.:2529-4422

Solidariedade

Lutando pela vida Foi realizada uma linda homenagem à judoca Ana Beatriz Ferreira Godói, praticante da arte milenar de judô. Integrante do projeto “Ridalton formando cidadãos”, a judoca é um exemplo de vida. Mesmo fazendo tratamento quimioterapico, jamais abandonou seus propósitos, lutando sempre pela vida. Todos os integrantes do projeto do mestre Ridalton Castro Lima

prestaram-lhe uma homenagem, promovendo a judoca a faixa azul. O projeto agradece em especial a aluna do ensino médio Isadora Libório de Andrade Oliveira pela doação de um computador e organização de uma campanha de biscoitos para a judoca. Agradecemos também: Atama quimonos; Nove eventos (centro gastronômico); Midimix Produções, Restaurante Vila 90 (Maria Benilda) e Escola Parque.

Ridalton e Ana Beatriz nos mostram que dificuldades são para serem superadas

Dezembro 2010

Doença arterial-coronariana: a importância da estimativa do risco

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t

Tamas

1° movimento ondas esparramam espumas ir e vir modulação de sons ritmo marcado no ondular das águas na forte batida contra o rochedo 2° movimento gaivotas deslizam em caminhos transparentes pautas notas sal picadas em linhas paralelas fusas 3° movimento agudo como violino o vento sopra entre as pedras notas dissonantes de uma fria sinfonia

“Vez por outra visto meu casaco preto meu chapéu preto e saio por ai me confundindo com a noite.” “Minto-me.” “Gotas frias Dias cinzas Almas tristes.” “A necessidade desenha o futuro. O prazer molda o prazer.” “Enquanto penso as desavenças do amor o telefone toca. Uma voz sussurra no meu ouvido. - Te amo! Era trote.”

Pensamentos Pró-fundos

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Ponto poético

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2004.tamas@openlink.com.br

Haron Gamal hjgamal@ig.com.br

A capa da fama Em seu primeiro romance depois da consagração com O filho eterno, Cristovão Tezza constrói personagem que é um escritor famoso e inseguro Um escritor ao desamparo, pode-se dizer sobre o tema do novo livro de Cristovão Tezza. O personagem principal é um autor já famoso, ganhador do prêmio Jabuti. Ele se vê numa cidade estranha, Curitiba, para onde fora divulgar o novo livro. Na primeira noite na cidade conhece uma mulher chamada Beatriz, por quem logo se apaixona, convidando-a para ser sua secretária, uma espécie de leitora especial para o livro que pretende lançar em breve. No dia seguinte cancela a viagem de volta e, à noite, vai à casa dela com uma garrafa de vinho. Ao chegar diz: “cometi um erro emocional. Eu me apaixonei por você”. Dali surgirá um embate tenso, não propriamente permeado por palavras, mas por silêncios, pensamentos, diálogos com personagem imaginários, discussões consigo mesmo a respeito do que o outro traz à mente, ou de que carta esconde na manga. Os dois personagens se colocam frente a frente, tendo como pretexto a literatura, mas o que escorre nesse fio de lágrimas, vinho e sangue é a vida de cada um, o desamparo a que ambos estão submetidos, à intensa solidão que compartilham sem o saber. O tempo em que os dois se movem é curto, uma noite apenas, mas o suficiente para que, em monólogos interiores, em fluxos de pensamento, saiba-se sobre a origem de cada um, suas dores, inquietações, traumas, perdas e a relação com outros personagens adjacentes, sobretudo os que lhes infernizaram a vida. O escritor, admirado por sua leitora voraz chamada Beatriz, não demonstra ser o mesmo quando despido da pele de autor. Ele é alguém premiado, admirado por todos, mas na vida cotidiana é de uma terrível fragilidade, um autista, como pensa a personagem que o confronta, nem é capaz de chegar à janela para admirar a vista lá de cima. A pretexto de discutir literatura, o que vem à tona é a necessidade de espantar os fantasmas do passado representados pela ex-mulher e pelo filho que o ignora. Para tirar a diferença, há Beatriz, a nova mulher, com quem ele tem esperança de recomeçar. Ela também tem seus problemas, mas parece saber lidar melhor com a solidão. Cristrovão Tezza apresenta também como questão neste livro a precariedade do homem

que se encontra sob a capa da fama, alguém cujos leitores costumam ver como uma espécie de super-homem. Um artista, uma vez que cria personagens tão fascinantes, não seria possível em pessoa ser tão medíocre. Mas é isso que acontece. À medida que a noite se esvai, à medida que a garrafa de vinho se esvazia, intensifica-se o temor pela chegada da hora da despedida. Cria-se então sempre um pretexto para se ficar mais um pouco: uma xícara de chá, um café bem forte, uma nova garrafa de vinho. E tentase de novo, recomeça-se o embate, como se o anterior estivesse sendo passado a limpo, como se existisse um meio de se escapar da solidão, do desamparo, enfim da morte. A narrativa em terceira pessoa, tendo como contraponto os dois personagens remoendo suas memórias e, sobretudo, Beatriz a conversar com uma amiga imaginária a respeito da noite vivida com Paulo Donetti, o escritor, proporciona boa proximidade temporal, e faz desse narrador mais um espectador das angústias alheias do que alguém capaz de determinar-lhes os passos. Um erro emocional, novo livro do mesmo autor de O filho eterno, obra anterior com que ele abocanhou praticamente todos os prêmios literários e que lhe permitiu dedicar-se integralmente à literatura, não deixa a desejar. É importante que no atual momento da literatura brasileira, escritores como Cristovão Tezza saibam sair-se bem da síndrome de seu livro mais famoso, mostrando que o risco e a fragilidade de todo autor podem servir de assunto para uma nova obra. O escritor, nascido em Santa Catarina mas criado em Curitiba, trata com maestria esse tema, na verdade inquietações de todos aqueles que sabem que o tamanho da vaidade é sempre maior do que o do talento, de quem após colher os louros da vitória começa a beirar a repetição, a colecionar críticas desfavoráveis, acabando por se tornar um fantasma para si próprio. Seria melhor acreditar que somos eternamente geniais.

Um erro emocional Cristovão Tezza Ed. Record, 191 páginas


saúde e bem-estar

Você é capaz de pensar em alguma atividade que não dependa da memória? Todos os dias, a qualquer momento, nossa memória é solicitada. Quase tudo o que se faz depende dela. Desde atividades mais intelectualizadas como aprender uma língua estrangeira, interpretar um texto e defender uma ideia, até as consideradas não intelectuais, tais como subir escadas, carregar pesos, lavar pratos, escovar os dentes, dependem da capacidade de recordar. Você no sofá pode não acreditar, mas fazer Pilates e Treinamento Funcional é tão bom para o cérebro quanto para o corpo. Quando conseguimos vencer a preguiça e encontramos um exercício prazeroso, gostamos tanto que sentimos falta dele. Treinamento Funcional é o programa de exercícios planejado para melhorar a atuação dos mecanismos

proprioceptivos e gerar melhor postura e maior equilíbrio. Durante as aulas de Pilates e Treinamento Funcional criamos propositadamente situações de instabilidade, trabalhamos os mecanismos proprioceptivos de maneira voluntária (ex: uso do core board, bola suíça, rolo, rubber bands, cama elástica, extensores, pranchas de equilíbrio etc) e, o mecanismo proprioceptivo atuará involuntariamente, através de reflexos inconscientes, de maneira a proteger tal articulação de uma eventual lesão (por exemplo quando pisamos num buraco vários músculos se contraem rapidamente, tentando evitar que o tornozelo seja lesionado). Propriocepção pode ser resumido como o processo que permite ao corpo manter estabilidade e orientação enquanto se movimenta. Por que Pilates e Treinamento Funcional são um excelente treinamento para o cérebro: 1 - quem os pratica regularmente tem um risco menor de sofrer pequenos e grandes acidentes vasculares cerebrais, por melhorar a saúde cardiovascular e a irrigação sanguínea do cérebro. 2 - além de estimular o sistema de recompensa, o que nos deixa satisfeitos e até eufóricos durante o

esforço, o Pilates faz o cérebro produzir prolactina, um hormônio que tem ação calmante, e endorfinas que colaboram para o aumento do prazer e ainda reduzem a dor. 3 - ao usar os músculos, o exercício dá fim a toda àquela tensão acumulada. O corpo, finalmente, relaxa e isso acalma também o cérebro. Por isso, a aula de Pilates no fim do dia é desestressante. 4 - a rotina de Pilates faz aumentar a atividade do sistema nervoso parassimpático, aquele que promove a digestão e o crescimento, protege o coração, e ainda age como um freio contra o estresse, a longo prazo. 5 - O exercício físico favorece algo que, até recentemente, se achava impossível: o nascimento de neurônios, mais precisamente no hipocampo. O Treinamento Funcional e Pilates protegem o cérebro de acidentes vasculares, aplacam a dor, aliviam a tensão do corpo, acalmam o cérebro, desestressam a curto e longo prazo, melhoram a memória e ainda dão prazer. Então? Ano novo e vida nova. Que tal começar a se exercitar? Ana Cristina de Carvalho Espaço Pilates Gávea anacris.c@terra.com.br

Dezembro 2010

Praticar Pilates faz bem para a memória

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GÁVEA

Banca do Carlos Rua Arthur Araripe, 1 Tel.: 9463-0889

Menininha Rua José Roberto Macedo Soares, 5 loja C Tel.:3287-7500

Banca Feliz do Rio Rua Arthur Araripe, 110 Tel.: 9481-3147

Da Casa da Tata R. Prof. Manuel Ferreira,89 Tel.: 2511-0947

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Delírio Tropical Rua Mq. São Vicente, 68

Banca MSV Rua Mq. de São Vicente, 30 Tel.: 2179-7896

Chez Anne Shopping da Gávea 1º piso Tel: 2294-0298

Banca New Life R. Mq. de São Vicente,140 Tel.: 2239-8998 Banca Alto da Gávea R. Mq. de São Vicente, 232 Tel.: 3683-5109 Banca dos Famosos R. Mq. de São Vicente, 429 Tel.: 2540-7991 Banca Speranza Rua dos Oitis esq. Rua José Macedo Soares Banca Speranza Praça Santos Dumont, 140 Tel.: 2530-5856 Banca da Gávea R. Prof. Manuel Ferreira,89 Tel.: 2294-2525 Banca Dindim da Gávea Av. Rodrigo Otávio, 269 Tel.: 2512-8007 Banca da Bibi Shopping da Gávea 1º piso Tel.: 2540-5500 Banca Planetário Av. Vice Gov. Rubens Berardo Tel.: 9601-3565 Banca Pinnola Rua Padre Leonel Franca, S/N Tel.: 2274-4492 Galpão das Artes Urbanas Hélio G.Pellegrino Av. Padre Leonel Franca, s/nº - em frente ao Planetário Tel: 3874-5148 Restaurante Villa 90 Rua Mq. de São Vicente, 90 Tel.: 2259-8695

Super Burguer R. Mq.de São Vicente, 23 Igreja N. S. da Conceição R. Mq.de São Vicente, 19 Tel.: 2274-5448 Chaveiro Pedro e Cátia R. Mq. de São Vicente, 429 Tels.: 2259-8266 15ª DP - Gávea R. Major Rubens Vaz, 170 Tel.: 2332-2912 J. BOTÂNICO Bibi Sucos Rua Jardim Botânico, 632 Tel.: 3874-0051 Le pain du lapin Rua Maria Angélica, 197 tel: 2527-1503 Armazém Agrião Rua Jardim Botânico, 67 loja H tel: 2286-5383 Carlota Portella Rua Jardim Botânico, 119 tel: 2539-0694 Supermercado Crismar Rua Jardim Botânico, 178 tel: 2527-2727 Posto Ypiranga Rua Jardim Botânico, 140 tel:2540-1470

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Copiadora Digital 310 Loteria Esportiva Av. Afrânio de Melo Franco Loteria Esportiva Av. Ataulfo de Paiva Vitrine do Leblon Av. Ataulfo de Paiva, 1079 Café com Letras Rua Bartolomeu Mitre, 297 Café Hum Leblon Rua Gen. Venâncio Flores, 300

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Folha Carioca / Janeiro 2011 / Ano 10 / nº 84  

Edição janeiro 2011

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